segunda-feira, 4 de maio de 2009

Notícia ruím também pode ser vista como boa

Duas notícias, uma boa e uma ruim. Vamos dar primeiro a boa, para estimular o otimismo: não há risco de apagão no Brasil; para este ano não deve haver problemas com as operações do Sistema Interligado Nacional, que estão sempre próximas dos limites. Havia inclusive o risco de racionamento de energia, mas o problema já está superado.

Lula pode até sair por aí contando vantagens e capitalizando esta tranqüilidade do setor de energia elétrica.

Mas ele não pode dar a má notícia, que é a causa, aliás, da notícia boa. Foi a crise que abaixou a demanda de energia. A segurança do sistema se deve à retração econômica.
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POR José Pires

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Lula na farra das passagens aéreas

O presidente Lula já admite que também participou da farra das passagens aéreas quando foi deputado federal no final da década de 80. A informação surgiu agora no início da tarde, em conversa com jornalistas, quando ele disse que não vê problema em levar a mulher ou sindicalistas para Brasília, pois quando foi deputado também usou sua cota para dirigentes da CUT voarem até Brasília.

Assim fica explicado porque ele não vê novidade no que acontece na Câmara. Era também seu hábito. Lula teve um mandato medíocre como deputado. Foi constituinte. Saiu e entrou emburrado e ainda seu partido se negou a assinar a Constituição. Como ele confessou, eram uns bravateiros. Depois, não quis disputar a reeleição e tornou-se político profissional, porém sem mandato.

Passou a receber um salário do PT, prática que abandonou só depois de eleger-se presidente. Se é que abandonou.

Mas para mim esta autoincriminação é bem suspeita. Parece que está dando uma de Gabeira, que se inculpou para se adiantar aos jornalistas.

Lula afirmou que nunca usou suas cotas para levar parentes para o exterior. Mas e os tais terceiros? Tem os terceiros (gosto mesmo disso), não? Eu investigaria com mais cuidado o período em que o presidente inzoneiro foi deputado. Se o cara apronta como presidente, o que dirá quando foi deputado do baixo clero. Ademais, ele está interessado demais em minimizar esta farra. Tem coisa aí.
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POR José Pires

A lei atrapalha

O presidente Lula não poderia ser mais explícito sobre sua posição no embate que se trava no país entre corrupção e ética. Vejam o que ele disse ontem a jornalistas sobre as denúncias de abusos no uso de passagens aéreas: “Qual novidade vocês descobriram nisso? Isso é feito desde a criação do Congresso Nacional.”

Em seus discursos, Lula costuma falar como se o assunto surgisse de forma espontânea. É um estilo. Mas é óbvio que o ataque às notícias sobre desvios éticos é uma obra programada de seu governo. Ontem, durante a inauguração de um laboratório na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele já havia investido contra a fiscalização sobre uso de recursos públicos.

Para ele existe um excesso de regras e de fiscalização sobre o uso de recursos públicos no Brasil. E na defesa deste absurdo raciocínio, o presidente inzoneiro ainda fez uma analogia com a construção de Brasília: “Juscelino Kubitschek, se fosse eleito presidente hoje, não existisse Brasília e ele quisesse fazer Brasília hoje, ele ia terminar o mandato dele sem conseguir licença para fazer a pista para descer o aviãozinho dele para começar a estudar o Planalto Central.”

Para Lula, as leis atrapalham. E aí temos que dar razão a ele. Atrapalham mesmo, já que foram criadas exatamente para isso. O estelionato e o tráfico de drogas, por exemplo, tem sérias dificuldades com as leis. É mesmo um atrapalho.

Juscelino Kubitscheck é que entrou atravessado nessa história. O ex-presidente é uma obsessão de todo governante brasileiro. Mas Lula é o mais fissurado nele. O interessante é que ele no início tentou colar sua imagem em JK visando o perfil dinâmico do ex-presidente. Não deu certo. Agora parece que pensam em usar o presidente mais popular da nossa história para mascarar más intenções.

O uso inadequado de JK para tentar dar fundamento para o que, na essência, indica nada mais que o desejo de burlar a lei, também peca pela falta de veracidade histórica. O exemplo teria de ser com outra figura histórica, bem mais adequada ao que anda ocorrendo: Adhemar de Barros, o político do rouba mas faz. Mas exemplos não faltam. No plano da história internacional pode ser avocado também o Al Capone. Para não gostar de leis, ele era o cara.
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POR José Pires

Contra qualquer código

O uso da imagem de JK para desmerecer a ética e atacar a legislação de controle dos recursos públicos também não é novo. Em outra fala recente, o petista também citou a história do “aviãozinho” descendo em Brasília para condenar as leis ambientais.

E ministros de seu governo também atuam para eliminar leis que coíbem práticas corruptas e os impactos ambientais das grandes obras. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes atualmente faz um trabalho por todo país pela derrubada do Código Florestal que, entre outras coisas, defende as matas ciliares e condena as queimadas.

Stephanes tem corrido o interior brasileiro, participando de feiras agropecuárias, congressos, reuniões, usando esses e outros espaços para atacar com agressividade o código. Faz isso na qualidade de ministro, usando a estrutura pública, o que deixa claro que é uma atividade concatenada com o que tem feito o próprio presidente da República.
O tom é o mesmo. Lula diz que a fiscalização e as leis emperram as obras, já o ministro apela para o alarmismo na sua àrea. Na inauguração de uma feira agropecuária em Londrina, no Paraná, o ministro ele disse que “vai faltar alimento no país caso não sejam revistas as leis ambientais”.
E ambos avançam serelepes na contramão das atuais preocupações internacionais com a corrupção e o meio ambiente, duas questões essenciais da atualidade.
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POR José Pires

Remédio com contra indicação

Não é à toa que Lula se insurge contra o modo de agir da Organização Mundial da Saúde (OMS) no controle da gripe suína. Aqui ele vê “terrorismo”. Sobre seu ministro que sai pelo país gritando que “vai faltar alimentos”, ele se cala.

Muita gente, com razão, reclamou de Lula não esclarecer de onde vem o “terrorismo”. Não existe terrorismo algum, é óbvio. O problema de Lula é com o método.

Procedimentos como o da OMS, que envolvem rigor técnico e transparência, inclusive na admissão das dificuldades no controle da doença, podem fazer muito mal ao governo petista. Mas deste remédio eles não morrem, pois não tomam.

Mas, além do ataque frontal à legislação, o governo Lula age também nos bastidores para desmontar a legislação. No início do mês passado o governo fez passar na Câmara uma emenda que põe fim à necessidade de licença ambiental prévia para obras em rodovias brasileiras. A emenda foi embutida às escondidas na medida provisória que tratava do Fundo Soberano. A justificativa governista é fazer avançar as obras do PAC, daí a emenda passando com o trator por cima da legislação ambiental. O desmatamento que deve sobrevir com o fim da licença, claro, fica para se pensar no futuro. Se houver.   

O importante é desmontar leis. E neste jogo, para falar de um modo parecido com o dele, Lula tem em Dilma Rousseff uma feroz atacante. José Dirceu também era, mas agora ele dá ordens apenas fora de campo. Dilma tem um histórico de não gostar de leis que regulamentam procedimentos públicos. Para ela, tudo tem que ser do seu jeito e ponto final.

É o seu perfil, desde que quando foi secretária de governos brizolistas no Rio Grande do Sul, antes de virar petista. Bem, o autoritarismo  foi sempre uma linha de conduta. Quando se lutava pela democracia na década de 60 o que fazia a ministra? Ora, estava em um grupo armado que queria a implantação de uma ditadura comunista no Brasil.
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POR José Pires

Serviço bem feito

O discurso permanente de Lula é contra todo tipo de rigor crítico. Vai do mensalão à gripe suína. E está aí para amarrar este conjunto de atitudes práticas contrárias ao decoro e até a legalidade. Suas falas não tem outro fim que não o de nivelar por baixo a política e a administração pública.

Até porque ele sabe perfeitamente que no Brasil não há rigor algum na aplicação de qualquer legislação. O que importa, na verdade, para Lula e seus companheiros é a aplicação do conceito do “somos todos iguais”.

Não é algo só da boca pra fora. A simplicidade do discurso é apenas fachada. Parece que temos em andamento uma tática elaborada tanto nos bastidores do Planalto quanto no partido onde foi gestado o mais perigoso projeto político de aparelhamento do Estado que já houve neste país.

Aos poucos, os companheiros pilhados em ilegalidades vão voltando. A idéia é forçar as aparências, tornando normalidade o que, em princípio, sempre foi amoral e indigno. E vai se criando uma realidade em que o processo político se assenta de modo favorável ao projeto de Lula e seus companheiros. O notório “sem medo de ser feliz” era só falta de vergonha em cometer ilegalidades?

Desse jeito, fiscalização e leis só podem vir mesmo para atrapalhar. Punição, então, nem pensar. E estou aqui falando em conceito. O desmonte da legislação nem é o mais importante, pois eles sabem, por experiência própria, que no Brasil as algemas só se fecham nos braços dos que não tem dinheiro ou não tem a proteção de grupos políticos coesos na defesa de seus integrantes.

O argumento de que "isso é feito desde que o Congresso Nacional foi criado" tem um formato simbólico tão eficiente que nem parece saído da cabeça do Lula. Será trabalho de alguma comissão? Com ele, cria-se um ponto histórico da falta de rigor e da impunidade. E é como se fosse um recado entre pares, para a manutenção de uma unidade interna sem expelir e muito menos condenar os faltosos. E mais uma batida na instalação do conceito do "somos todos iguais", sem o qual o desfrute do poder fica mais dificultoso.

Estabelecer entre os brasileiros a idéia de que nada pode ser feito cria a oportunidade de usar o poder para fazer de tudo sem que nada de fato aconteça.
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POR José Pires

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Parceria

É cada coisa que aparece. A Bahia, governada pelo petista Jacques Wagner, pagou as despesas de transporte de um grupo do MST que havia ocupado a Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária, órgão do governo do Estado.

Vejam como o Estadão conta a história:

O governo baiano pagou R$ 161,3 mil em aluguel de ônibus para transportar de volta ao interior do estado integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que tinham ocupado a Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária da Bahia (Seagri), entre 13 de 18, no "abril vermelho". Os 39 veículos foram alugados da empresa Atlântico Transportes e Turismo, com dispensa de licitação, segundo publicação da Casa Militar do governo da Bahia na edição do Diário Oficial do estado. O texto explica que o aluguel se refere ao retorno, para o interior, dos representantes do MST que participaram do ‘abril vermelho’.”

É, o PT está inovando sempre. Não deixa de ser uma parceria lucrativa. E se na oposição faziam a política do “quanto pior melhor”, na situação fazem a do “me bate que eu gosto”.
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POR José Pires

Afinal, o blog do Companheiro Delúbio

Achei o blog em apoia à volta do Delúbio Soares. Nosso Departamento de Sapeada na Internet (DSI) é muito eficiente. Infelizmente não devem aceitar o meu apoio com a fotinha. Parece que é só para petistas de carteirinha. E eu não tenho carterinha de nenhum partido e muito menos do PT.

O blog tem o singelo nome de "Companheiro Delúbio". Postei lá um comentário em apoio à causa, mas duvido que publiquem. Os comentários são administrados pelo dono do blog e sei bem como é o senso de democracia desse pessoal.

Mas fiz lá uma lista dos que apoiam a volta do ex-tesoureiro, o filho pródigo (e pões pródigo nisso!), ao lar de onde foi chutado injustamente. Aí está.

José Dirceu, André Vargas, Eduardo Suplicy, Ricardo Kotscho, Ideli Salvatti, Antonio Pitanga, Angelo Vanhoni, Benedita da Silva, José Airton, Lúcia Reis, Quintino, Carlos Abicail, Devanir Ribeiro, Eduardo Valverde, Fátima Cleide, Geraldo Simões, Jair Menegueli, João Coser, João Paulo Cunha, João Pedro, José Genoino, José Mentor, Luiz Claudio Marcolino, Nilson Mourão, Paulo Rangel, Paulo Rocha, Raul Filho, Rui Falcão, Wellington Dias, Zeca do PT, Zunga, Chico Vigilante, Marcelo Sereno, Rodrigo Abel, Jorge Viana, Candido Vacarezza, Vicentinho, José Américo, Luiz Marinho, Luiz Sérgio, Quaquá, Carlos Eduardo Gamas, Vander Loubet, Arthur Henrique, Edson Santos, Josias Comes, Laisy Moraes, Paulo Ferreira, Perly Cipriano, Dalva Figueiredo, Paulão, Djalma , Feijó, Gandola, Gilberto Palmares, Jacques Pena, Jacy Afonso, José Airton, Lúcia Reis.

A pantera vermelha é mesmo mordedora. Como faltam figurões do partido nessa hora histórica. Parece que a volta de Delúbio Soares vai ser mesmo no escurinho. Para ver de perto o blog, clique aqui.
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POR José Pires

Ah, essa pantera vermelha

Ah, a Ingratidão, esta pantera — como já disse Augusto dos Anjos lá atrás. Pois a danada volta a atingir o ex-companheiro petista Delúbio Soares. Como todos sabem, Delúbio quer voltar ao seio do partido. Bem, é um direito dele, ainda mais levando em conta (e bota conta nisso!) o bem que ele fez a tantos companheiros.

Mas pelo visto o plano dos petistas é fazer isso com o máximo de discrição. O bafafá que deu a criação de um blog em favor da volta do ex-tesoureiro mostra que o partido até o receberá de forma fraternal, como o regresso de um filho pródigo, mas os carinhos e afagos terão de ser no recesso do lar petista. Bem longe da opinião pública, pelo menos por enquanto.

O blog é de criação recente e expõe, inclusive com fotos, o nome dos apoiadores da nobre causa. Tem lá o senador Eduardo Suplicy, a senadora Ideli Salvatti (SC), o governador do Piauí, Welington Dias, o prefeito de Vitória (ES), João Coser, o ex-governador do Acre Jorge Vianna, o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP) e o ex-ministro e prefeito de São Bernardo, Luís Marinho.

Tem outros também, é claro, que a fila de petistas amigos de Delúbio é bem grande. Mas amigos, amigos, opinião pública à parte. A reclamação pela exposição pública dos nomes foi geral. Teve um até, o líder Vaccarezza, que afirmou que já havia avisado sobre o erro da campanha: “Disse a Delúbio: só atrapalha”.

No famoso poema, o poeta Augusto dos Anjos coloca também o escarro como posterior ao beijo. Aqui é o contrário. O escarro em público não evitará os beijos escondidos que acontecerão em breve. Delúbio foi só um sofá que os petistas tiraram por engano da sala, levados pelo pânico do partido sofrer as conseqüências do escândalo.

Mas, ah, essa pantera. E ainda mais uma pantera petista. Isso machuca muito. Pelo que fez ao partido e por seu significado simbólico na história petista, Delúbio Soares deveria voltar ao PT nos braços da militância, em festa pública, fechamento da avenida Paulista, fogos de artifício. Duda Mendonça na direção. Chico Buarque na locução. E Lula e Dilma Rousseff no palanque.

Sua expulsão do partido em 2005 foi uma ingratidão. Já ali a pantera petista dava suas injustas dentadas. E que pantera incoerente. Pois José Dirceu, cassado e tudo, foi expulso? Não foi, claro.

Então chutar o ex-tesoureiro de tantos serviços prestados à causa foi mesmo uma ingratidão. Ainda mais que, fazendo as contas do que Dirceu e Delúbio podem acabar tendo que pagar à Justiça, os dois ficariam em cana exatamente o mesmo tempo.

Na denúncia do mensalão, que está no STF, ambos são acusados por corrupção ativa, que dá de 2 a 12 anos de cadeia, e formação de quadrilha, que dá de 1 a 3.

A volta de Delúbio Soares ao PT é uma questão de justiça. Ninguém até agora deu o endereço do blog em apoio ao ex-tesoureiro. Até temo que um telefonema do Planalto faça tirar do ar mais esta peça histórica do PT. Seria uma pena, pois eu estaria disposto a publicar lá meu apoio. Com foto e tudo.
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POR José Pires

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Alguém aí tem um raminho de arruda?

Não é só porque sou oposição ao presidente inzoneiro, mas é que o cara já disse que a saúde no Brasil está próxima da perfeição. É claro que ele não sabe do que fala. Então, máscara azul nele pra ver se ele deixa de dar palpite furado pelo menos sobre um assunto sério como a gripe suína.

Vamos ouvir quem é do ramo. Lá vai aspas:

"O infectologista Stefan Cunha Ujvari, autor do livro 'A história da humanidade contada pelos vírus', disse em entrevista à BBC Brasil que o país não está preparado para uma epidemia de gripe suína de alta taxa de mortalidade.

"Se (o vírus) tiver mortalidade baixa, não vai haver tanto impacto na população. Mas se a mortalidade for maior do que a do vírus da gripe normal, não vamos estar preparados", afirma Ujvari, que é médico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo."

É a BBC fazendo "terrorismo" com a gente. E para ler mais, clique aqui.
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POR José Pires

Palpiteiro paranóico

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não ouve o presidente Lula. Ele andou se queixando na imprensa de “terrorismo” sobre o risco da gripe suína. Terrorismo de onde ou quem, isso ele não esclareceu. Este é o problema de quem não sai do palanque. Acaba vendo conspiração até em um problema internacional de saúde que ninguém previu.

Ontem ele falava como se houvesse uma conspiração contra o Brasil. O palpiteiro estava mesmo paranóico. “Eu acho que este momento é um momento de cautela, é um momento de prevenção e não é o momento de se fazer terrorismo com uma coisa que não chegou aqui. Agora, o que a gente não pode é ficar vendendo pânico, porque de repente cria-se um problema onde não existe problema", ele disse.

O nível de prevenção estava então na fase 4, que indicava que havia transmissão entre humanos. Mas agora no final da tarde a OMS decidiu elevar o nível de alerta para a fase 5, o que significa que uma epidemia em escala mundial é “iminente”. E o "terrorismo" do especialista brasileiro, o Lula, como fica?

Em um dos muitos pitacos que dá sobre qualquer assunto, o presidente inzoneiro já havia revelado seu conceito sobre saúde. Para ele, médico a gente “só precisa em tempos maus”. Ou seja, o doutor Temporão nunca teve um papo sério com ele sobre medicina preventiva.

Mas a OMS já mostrou que não ouve mesmo o Lula. Disso pelo menos estamos salvos.
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POR José Pires

Direto do caixa

Cartão, de crédito ou de débito, é algo que facilita bastante a vida. Depois de fazer uma compra ou almoçar, por exemplo, basta ir ao caixa, passar o cartão e pronto. Bem, você deve estar aí pensando aonde é que eu quero chegar com esta obviedade.

É que eu acho fácil demais. Vamos fazer diferente. Antes de ir às compras ou almoçar, você calcula direitinho quanto vai gastar (não esqueça o estacionamento do shopping!), passa em um caixa eletrônico e faz os pagamentos em dinheiro. Não é bem melhor?

Com um cartão da empresa onde você trabalha, outro exemplo interessante, é a mesma coisa. Faça um cálculo dos gastos do dia (olha o chess-burguer do boy!), passe em um caixa eletrônico e saca o dinheiro.

Mas suponhamos que você tenha uma reforma na sua casa ou na empresa. Também é fácil e muito prático. Você calcula os gastos totais (lembre da desempenadeira de aço pra massa corrida, viu?) e também vai até o caixa eletrônico mais próximo. Neste caso você terá um trabalho a mais, porque como é uma quantia maior em dinheiro, será preciso levar uma maleta ou sacola e também tomar mais cuidado com a sua segurança.

Mas esse cara está doido. Não, nem pense isso de mim. Pelas notícias do dia é desse jeito que o governo Lula faz. Pois os saques com cartões corporativos aumentaram — e muito — depois de um ano da orientação por parte de órgãos de controle do governo para que os saques fossem limitados. O alerta veio depois dos escândalos dos cartões corporativos que causaram até a queda de ministros de Lula.

Os saques no primeiro trimestre deste ano, comparados com o mesmo período do ano passado, subiram de R$ 2.039.354 para R$ 4.342.787. Antes eles sacavam direto do caixa no trimestre R$ 22,6 mil por dia. Hoje sacam R$ 48 mil, também por dia.

Os gastos totais com os cartões corporativos, tanto no saque direto quanto no uso nos estabelecimentos também subiu bastante. No primeiro trimestre do ano passado o gasto foi de R$ 11.600,779. E no trimestre deste ano foi de R$ 4.653.210.

Bem, como o saque direto no caixa dificulta muito o controle dos gastos pode-se até suspeitar de um aumento tão grande neste tipo de operação. Mas pode ser também um novo modelo administrativo que estimula o pagamento em dinheiro.

Será este o tão falado jeito petista de governar? É bastante revolucionário. Tão avançado que duvido que algum desses funcionários faça isso com o próprio cartão.
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POR José Pires

Auschwitz tupiniquim

O ex-prefeito Cesar Maia é um caso raro na política: é bom de piada. Em seu Ex-blog, correio eletrônico enviado diariamente, ele publica hoje uma foto sua à frente de um dos muros de Auschwitz, o mais conhecido campo de concentração nazista. Veja ao lado. Na legenda, diz: “2,5 metros. Menor que os que se quer fazer no Rio, em favelas”.

É uma crítica aos muros que o governo do Rio de Janeiro está fazendo em alguns pontos da cidade com a justificativa de que seria uma proteção das matas dos morros cariocas contra a expansão das favelas. A alegação já foi desmentida com a informação de que os muros estão sendo feitos em locais onde é menor este avanço dos barracos sobre a mata.

Porém, mesmo que as razões fossem mesmo verdadeiras, a medida acabou sendo um desastre para imagem da cidade e, claro, do Brasil. Os muros já são notícia no exterior. E são vistos evidentemente como discriminatórios.

E a idéia de acabar com um problema simplesmente fazendo um muro em torno dele também é bastante arriscada. Se o exemplo for seguido, no Brasil não haverá muro que chegue.

O muro do Rio de Janeiro terá três metros de altura, bem menor que o de Auschwitz. Mas Cesar Maia está se esquecendo de uma diferença importante entre os dois muros. O de Auschwitz tinha guaritas com metralhadoras e o do Rio não. Ainda.
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POR José Pires

Atchim, companheiros

Marco Aurélio Garcia, o assessor de Lula para assuntos internacionais, meteu o bedelho em assunto interno, o câncer de Dilma Rousseff. E deu a dica eleitoral: a doença vai fortalecer a candidatura dela à presidência da República.

Vendo por este prisma singular, então a minstra está em uma maré de sorte. Está aí a gripe suína com ares de gripe espanhola. Bem, se Dilma Roussef pegar a gripe acaba eleita no primeiro turno.
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POR José Pires

terça-feira, 28 de abril de 2009

Um país de furbos

Na entrevista ao El País, o escritor italiano Roberto Saviano diz que desde a infância conviveu com a cumplicidade dos napolitanos com o crescimento da Camorra. “Se você é furbo”, diziam, “pode aproveitar”. Furbo quer dizer malandro.

Parece familiar, não? Pois é também a pela possibilidade de aproveitar um pouco, sendo “furbos”, que os brasileiros vão deixando a corrupção crescer e o crime organizado tomar conta aos poucos das comunidades.
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POR José Pires

O escritor que a Camorra mandou matar

A Folha de S. Paulo publicou em sua edição de domingo uma reportagem sobre a Camorra, a máfia italiana denunciada pelo escritor Roberto Saviano em um livro de bastante sucesso lançado em 2006. O tema tem muito a ver com o Brasil. É uma entrevista com o escritor italiano, jurado de morte pela máfia napolitana. A reportagem foi transcrita do jornal espanhol El País daquele modo que a Folha sempre faz. Faltou contextualizar certos fatos e nomes, relacionar o assunto um pouco mais com o que estamos vivendo, mas vale a publicação mesmo com tais desacertos.

É que não estamos falando de outro mundo. O jovem Saviano vive sob a ameaça de morte da Camorra porque escreveu um livro que chamou a atenção do mundo para seus crimes.

A Camorra domina a região de Nápoles e se entranhou na vida italiana de forma horizontal, sem alarde, impondo o assistencialismo onde falta o Estado e dominando a comunidade com o terror. A receita é bem conhecida nossa. O que os nossos políticos fazem se não isso? E se algum otimista vier dizer que pelo menos não temos o terror, bem, vou convidá-lo a prestar a atenção ao que acontece no interior do Brasil. Ou que ele dê um passeio pela favela da Rocinha.

Na Itália, Saviano chamou a atenção ao problema da Camorra, antes tida como um mal menor, bem abaixo em periculosidade que organizações criminosas italianas mais afamadas, como a Cosa Nostra sicialiana ou a Ndrangheta calabresa.

O Sistema - Gomorra, o livro de Saviano, vendeu mais de 2 milhões de exemplares na Itália desde que foi lançado em 2006. Transformado em filme, venceu o Grande Prêmio do Festival de Cannes no ano passado. No livro, também já publicado no Brasil, Saviano mostrou o real poder da Camorra. Segundo o chefe dos carabinieri de Nápoles, general Gaetano Maruccia, a organização, conhecida internamente como "O Sistema", é formada hoje por pelos menos 80 clãs, mais de 3.000 filiados armados e uma extensa rede de colaboradores.

O que ocorre na Itália é bastante próximo do que ocorre por aqui, no Brasil. A diferença é que estamos em estágio inicial. Mas com um Estado fraco e corrompido como o que temos, a coisa tende a crescer. Ainda mais porque a globalização vale também para o crime. Nada impede que organizações estrangeiras como a Camorra exportem para cá sua experiência. E isso já está acontecendo, de certo modo, em São Paulo, com a ação das máfias orientais sobre as comunidades de imigrantes coreanos.

Apenas a situação vivida por Saviano ainda não é regra por aqui. Nossas pequenas máfias ainda não avançaram contra jornalistas e escritores obrigando-os a viver sob a proteção do Estado. E ainda bem. Já pensaram no ministério da Justiça de Tarso Genro e Lula protegendo alguém da ação de assassinos determinados como os da Camorra? Bem, o pobre não duraria uma semana aqui.

Tarso Genro andou falando mal da Justiça italiana para defender um criminoso condenado por lá, o italiano Cesare Battisti. O trabalho da justiça italiana contra o crime desmente o ministro da Justiça de Lula.

A pressão do crime organizado sobre a liberdade de expressão, inclusive com a morte de quem revela suas atividades podres, é internacional. Na mesma Nápoles de Saviano, a jornalista Rosaria Capacchione, autora também de um livro sobre a Camorra, também vive sob escolta. A Rússia de Vladmir Putin é eficientíssima para apagar as vozes denunciantes. Mata na hora. Vários jornalistas foram assassinados por lá. Mas naquele país não podemos deixar de lembrar a herança stalinista, que vive até hoje em um Estado em conluio com o crime.

O Alvo - Mais próximo de nós, no México, o crime também ameaça bastante jornalistas e escritores. Escritores como o turco Orhan Pamuk foram obrigados a deixar seus países. Na América do Sul, o escritor Gabriel García Márquez também sofreu sérias ameaças na Colômbia.

A liberdade de expressão é também é alvo de grupos políticos fundamentalistas muçulmanos e pelas teocracia que eles colocam no poder. Salman Rushdie é o exemplo mais forte. Diferente do Ocidente, nestes países é o próprio Estado que persegue, encarcera e até assassina as vozes discordantes.

Em um determinado momento, Saviano fala sobre um encontro com Salman Rushdie, cuja morte foi decretada pelo falecido aiatolá Khomeini, figura central do governo iraniano e o iniciador da atual onda fundamentalista.

Pode-se dizer que foi o próprio Estado iraniano que decretou o assassinato do escritor. Logo mais o presidente Lula receberá o racista Ahmadinejad, presidente do Irã. Será que vai perguntar como estão os projetos para matar Rushdie?

Roberto Saviano vive sob proteção do estado italiano desde outubro de 2006, quando o ministro do Interior, Giuliano Amato, decidiu que ele deveria viver escoltado. Até o momento a Justiça italiana garantiu sua vida. Já pensaram se ele dependesse do ministério de Tarso Genro, que criticou a Justiça italiana. Bem, não adianta mandar certas pessoas dobrar a língua.

Em Campanha - A Itália já vive há algum tempo em estado de guerra contra o crime organizado. E aqui? Bem, quando deveriam estar desarticulando e prendendo as milícias que começam a surgir em várias cidades brasileiras e que já dominam amplos setores de algumas, como o Rio de Janeiro, nossas autoridades, incluindo o ministro da Justiça, estão articulando suas candidaturas para 2010. E enquanto isso o crime vai se fortalecendo.

O texto de Miguel Mora sobre Saviano é excelente. Ele entremeia a entrevista com uma narrativa sobre o dia-a-dia do escritor ameaçado, que vive o tempo todo com cinco policiais que o acompanham 24 horas. Mora passou alguns dias com Saviano e uma das coisas que fizeram foi ir comer uma pizza em Nápoles. No final, a vida é isso: as coisas simples é que valem.

Saviano não pode descuidar nunca. Para comerem esta simples pizza evidentemente foi preciso efetuar operações de alta segurança. E o que ele mais deseja é tomar café tranquilamente em um bar.

Não pode mais, é claro, fazer as coisas mais simples da vida, como sentar em um boteco e conversar amenidades. Sei como é. Tive um amigo que antes de falecer passou seus últimos dias na cama de um hospital. Seu maior desejo era poder ir a uma lanchonete e comer um grande chess-salada como ele sempre gostou.

A guerra do Estado italiano contra as máfias é um ato de coragem. Muita gente já perdeu a vida nesta luta, inclusive altos magistrados. Mas vai se tendo muitas vitórias. Uma das falhas da edição da Folha de S. Paulo na republicação da reportagem de El País foi não informar sobre a prisão de Giuseppe Setola, o chefe do clã camorrista dos Casalese, a família de onde veio a ordem da execução de Saviano.

A prisão de Setola foi em 14 de janeiro deste ano. A matéria republicada ontem na Folha saiu no El País de 8 de fevereiro. Os espanhóis estão atentos à Camorra, até porque esta máfia napolitana avança também sobre a Espanha. Aqui no Brasil este é um tema pouco noticiado. Já o El País deu a notícia sobre a prisão do chefe camorrista, além de cobrir sempre o assunto. No caso do Brasil, a informação sobre a prisão do chefe-máximo camorrista seria muito importante.

Até compensaria o título de mau gosto da edição brasileira, “Enquanto a morte não chega”, que passa uma desesperança contrária ao que está na matéria de El País. Para ler a íntegra no jornal espanhol, clique aqui. É um material muito bem editado, com ótimas fotos da convivência do repórter com Roberto Saviano. Já para ler a íntegra em português, clique aqui.
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POR José Pires

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O marqueteiro do câncer

O assessor especial para assuntos internacionais da presidência da República, Marco Aurélio Garcia, ficou bastante conhecido na época do acidente com o avião da TAM, em São Paulo, quando foi filmado por um cinegrafista da Rede Globo, fazendo gestos obscenos enquanto assistia uma reportagem na televisão.

A cena mostrava o secretário através de uma janela do Palácio do Planalto. Saiu no Jornal Nacional e até fez ele ganhar um apelido: Marco Aurélio Top, Top.

O acidente foi em julho de 2007. O avião vinha de Porto Alegre, cidade do secretário de Lula, e se chocou contra o prédio da TAM Express, no Aeroporto de Congonhas, matando 199 pessoas. O país todo se comoveu. No entanto, passados apenas doi dias da tragédia, Marco Aurélio interpretou uma notícia do Jornal Nacional como boa para o PT e o governo Lula e festejou com o gesto obsceno que acrescentou o Top, Top ao seu nome.

Fazia tempo que Marco Aurélio Top, Top não dava as caras, mas hoje ele apareceu dando palpite sobre o câncer linfático da ministra Dilma Roussef. E mostrando que sua perícia em encontrar vantagem na tragédia continua tinindo. Sua análise buscou ver a doença da colega de governo e de partido por um viés eleitoral.

Pois ele disse que do ponto de vista político a doença de Dilma Rousseff reforçará a candidatura dela à presidência. Isso mesmo: o câncer foi uma boa.

Só não ficou claro — pois nenhum jornalista fez a pergunta certeira — se Marco Aurélio Garcia já tinha ligado para Dilma Rousseff para parabenizá-la pela boa notícia. Afinal, olhando pela sua ótica singular, não é sempre que um candidato tem a sorte de ter um câncer nas proximidades de uma eleição.
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POR José Pires

Prioridades

Lula falando sobre a pupila Dima Rousseff: “A prioridade zero é cuidar da saúde dela. Ela tem que se cuidar, porque com essas coisas a gente não brinca. E a segundo prioridade, até para superar a doença, é trabalhar, enfiar a cabeça nesse PAC 24 horas por dia".

Bem, se a saúde da ministra é prioridade zero, então para ela a prioridade número um é evitar qualquer médico indicado por esse cara.
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POR José Pires

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Em ação o "quando pior, melhor"

A chamada blogosfera governista, integrada por blogs de petistas e de gente ligada ao governo, os chapa-brancas que sustentam na internet um canal de apoio ao governo e ataques à oposição estão eufóricos com a crise no Congresso Nacional e o bate-boca no Supremo Tribunal Federal (STF). Foi acionado o notório e histórico "quanto pior, melhor".

A animação é geral e os chapas-brancas nem se preocupam com as devidas implicações dos atingidos por seus golpes. Na verdade, para que o golpe seja mais eficiente tanto melhor que a pancada caia sobre os que não estão comprometidos com a roubalheira, como é o caso do deputado Fernando Gabeira, uma pessoa de honestidade indiscutível. Isso é parte do processo de criar a ilusão de que políticos “são todos iguais”, a óbvia receita do governo Lula para fugir da responsabilidade pela falta de ética.
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POR José Pires

Ciscando no lixo da História

Luís Nassif é um bom exemplo do que anda acontecendo. Parece um pinto no lixo, ciscando alegremente na crise. No caso do STF torce por Joaquim Barbosa simplesmente e ataca Gilmar Mendes, sem ater para as conseqüências do que acontece na mais alta corte do país. Barbosa virou um herói para a blogosfera chapa-branca. E o curioso é que aconteceu o contrário quando o mesmo ministro Joaquim Barbosa teve um comportamento correto na relatoria da ação contra os mensaleiros do governo Lula. Na época, eles  até ironizavam Barbosa.

Com o deputado Fernando Gabeira foi de uma desonestidade que beira o ridículo. Em um post intitulado “Santo Gabeira do pau oco” junta o deputado à revista Veja, que é uma obstinação sua. Diz que Gabeira “foi transformado em ícone da moralidade pela Veja”, o que, além de conferir um poder que nenhuma revista brasileira teria, também é desconsiderar a carreira política de Gabeira.

Mas tem coisa pior. Anteontem ele desencavou uma entrevista com Severino Cavalcanti a um blog chapa-branca que foi ouvir o ex-deputado sobre a situação de Fernando Gabeira. Bem, entrevistar Severino Cavalcanti sobre um assunto como este já indica má-fé. O ex-presidente da Câmara teve que renunciar, pois certamente seria cassado por ter extorquido o concessionário do restaurante da Câmara. Um cheque para Severino Cavalcanti comprova o crime.

Destaco que tanto o blog originário da entrevista quanto o blog do Luís Nassif não dão ao leitor este histórico do deputado que foi obrigado a renunciar ao mandato. No blog onde Nassif retirou a entrevista, Severino Cavalcanti é identificado apenas como “ex-deputado, presidente da Câmara dos Deputados e atual Prefeito de João Alfredo, município do estado de Pernambuco”.

É curioso como a metodologia petista colocada em prática quando o partido está na oposição permanece ativa para os assuntos do interesse do governo Lula. O método foi aperfeiçoado, correndo por fora do apoio governista. Neste caso, o apoio ao governo é fortalecido por meio da desqualificação de tudo e todos que podem se opor com voz crítica às políticas e desvios éticos do governo Lula.

Que esta ferramenta se utilize também de um Severino Cavalcanti contra um Fernando Gabeira é muito, muito triste, pois sequer aponta um caminho lógico. O que se pode esperar disso, que não seja a desmoralização geral e um nivelamento amoral da política por baixo? E um poder estabelecido desse modo leva o país para onde?

O tempo vai dar a resposta. Este é um período que deve ser estudado um dia como o lixo da História.
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POR José Pires

Uma máquina de comunicação azeitada

Para entender o que faz alguém ficar satisfeito com uma situação próxima de uma crise institucional é preciso se aprofundar um pouco na razão da existência dessa cadeia de apoio ao governo Lula formada por jornalistas e militantes.

O colunista da Veja, Diogo Mainardi, detectou os mecanismos de funcionamento desta máquina em seu início, apontando em setembro de 2006 o provedor IG como o iniciador do processo, abrigando os blogs de Paulo Henrique Amorim, Franklin Martins, José Dirceu e Mino Carta. O provedor era então propriedade da Brasil Telecom, que foi comprada este ano pela OI, em um negócio para o qual o presidente Lula se esforçou de maneira extraordinária.

Mainardi informou que na época Franklin Martins ganhava do Ig entre 40 000 e 60.000 reais. É muito dinheiro por apenas um blog, mesmo que fosse de muito sucesso, o que não era o caso do blog dele.

No texto em que faz as denúncias, Mainardi revela um documento interno do PT que falava em oferecer “incentivos econômicos para jornais e revistas independentes”. É outro acerto do colunista. A esquerda sempre teve a preocupação em estabelecer canais de comunicação com a população. Esta é uma ferramenta revolucionária até óbvia, presente em todo os episódios históricos importantes. O que acontece é que, de lá pra cá, esta “política de comunicação” deixou de ser apenas uma preocupação partidária para tornar-se uma política de governo, com as pessoas certas nos lugares certos para colocar em prática o projeto de tomada da internet.

Mainardi sabe mesmo o que diz. Tem o conhecimento pessoal e as fontes certas. Na época, dizia que só faltava o jornalista Luís Nassif na equipe. Hoje Nassif também tem seu blog abrigado pelo IG. E o blogueiro Franklin Martins foi nomeado ministro por Lula para cuidar de toda a área de comunicação do governo. É um dos ministros mais poderosos. Manda na comunicação e propaganda oficial e também é o manda-chuva das verbas publicitárias das estatais.

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POR José Pires

Jornalismo movido à verbas oficiais

Ao time juntou-se o jornalista Ricardo Kotscho, secretário da imprensa entre 2003 e 2004 e amigo pessoal de Lula. Kotscho pediu demissão por razões misteriosas. Ele também escreve na revista Brasileiros, publicação que parece ser uma dos veículos que na área impressa dão suporte ao sistema extra-oficial. Outra revista é a Caros Amigos, metida em uma grave crise interna depois da morte de seu fundador, Sérgio de Souza. Na semana passada foi demitido o editor Mylton Severiano. Antes dele, dez pessoas da redação haviam pedido demissão.

Essas publicações se mantém essencialmente com publicidade do governo, Carta Capital inclusive, contrariando as repetidas investidas de seu editor, Mino Carta, contra o que ele chama de imprensa vendida e sua auto-proclamada independência.

A publicidade governista pode ser creditada à extrema necessidade. Um resguardo do que o próprio Mino Carta definiu como o "definitivo, irremediável fracasso". É uma confissão sobre a falta de êxito nas relações com a sociedade civil. Carta põe a culpa no país. Mas será tão simples assim? Bem, mesmo que seja assim, não vejo como saída o alinhamento do jornalismo a um governo incompetente e sem nehum respeito pela ética.

Mas os anúncios está lá. A revista Brasileiros deste mês, cujo site é abrigado no provedor IG, por exemplo, traz cinco anúncios do governo, sendo um deles, de página dupla, do Ministério da Educação. O ministério foi um dos que tiveram corte de verbas recentemente em função da crise.
O único anúncio de empresa privada é da operado Oi, algo que não dá para crer que seja apenas coincidência.
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POR José Pires

Tudo pela causa, até engolir sapos

Aconteceram alguns acidentes de percurso com a turma inicial. Paulo Henrique Amorim levou um chute nos fundilhos por sua insistência em se opor à compra da Brasil Telecom pela Oi. E ele era contra apenas por conta de uma pinimba antiga com o banqueiro Daniel Dantas, beneficário do negócio. Mais adiante, no início desse ano, Mino Carta também ficou fulo com abrigo do governo Lula ao italiano Cesare Battisti. Carta o situa no simples plano do criminoso banal. O governo Lula vê em Battisti uma peça histórica revolucionária. Acaram brigando.

Mas nada que perturbe o funcionamento da máquina de comunicação governista que corre por fora dos canais oficiais. Mino Carta continua defendendo o governo em sua Carta Capital. E Paulo Henrique Amorim engoliu a mágoa e voltou às hostes governistas.
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POR José Pires

A luta continua, agora pelo domínio da comunicação

Enfim, o governo tem uma máquina azeitada de comunicação e ainda conta com uma rede extra-oficial, especialmente na internet. Tudo indica que um dos mentores, bem ativo na parte política e operacional, seja o ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. Franklin Martins também atua de forma eficiente neste sentido. Os dois sabem das coisas. Martins tem a experiência jornalística, inclusive em empresas de peso no setor, a Rede Globo.

E ambos tem o conhecimento histórico do peso da comunicação no sucesso de qualquer projeto político. Sempre foram militantes políticos, inclusive com participação na luta armada. E sempre estiveram atentos à mudança dos processos históricos.

Sabem também, com certeza, que a comunicação se desloca cada vez mais dos veículos impressos tradicionais para a internet, uma tecnologia ainda em transformação e que pode ser moldada por meio de um processo com peso financeiro e político.
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POR José Pires

Esse menino vai longe...


— Juquinha, pare de bater boca com o seu primo!
— Mas, Mamãe... estou fazendo como a senhora mandou.
— Como é isso, Juquinha? Quando eu te mandei bater boca com alguém?
— A senhora não vive dizendo que o bom exemplo vem de cima?
— Sim, Juquinha.
— Pois estou fazendo igual o Gilmar Mendes e o Joaquim Barbosa...
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POR José Pires