segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O ator de sempre

E eis que o ex-presidente Lula aparece nas manchetes dizendo que "em 2014 atuará como candidato". E Lula tem feito outra coisa na vida nos últimos 30 anos do que atuar como candidato? Por mais de dez anos ele teve até salário mensal do PT para fazer isso. É o primeiro caso brasileiro e talvez o único também nas democracias ocidentais de um político com salário pago pelo partido para ser seu eterno candidato, condição que ocupa até hoje. Ele só não precisa mais do salário, já que atualmente é um dos homens mais ricos do Brasil, apesar da fachada de propaganda muito trabalhada da simplicidade pessoal.

Lula não desce do palanque e faz ou fala qualquer coisa para para se manter numa visibilidade que até constrange a atual presidente e impede qualquer ampliação do quadro de lideranças de seu partido. A situação política do PT hoje em dia é grotesca: para tudo precisam chamar o Lula. O que este partido vai fazer se um dia desses seu candidato eterno morre? Parece que todos se esquecem que Lula já é um homem de idade. Ele completa 68 anos agora em outubro. E independente disso, toda instituição tem que ter em andamento um programa que vá além da sua liderança de momento. O destino do PT é muito parecido com a situação política atual deixada pelo falecido Hugo Chávez, na Venezuela, onde seus partidários tem dele como herança apenas a memória da sua figura. Não ficou projeto algum.

Portanto, Lula não está anunciando nenhuma novidade para 2014. Vai agir como sempre, comportando-se como um candidato que atropela qualquer regra e atua sem respeito algum pela decência. E a sua megalomania anda tão destrambelhada que ele está deformando até o sentido da famosa música do Raul Seixas. A "metamorfose ambulante" cantada pelo roqueiro tinha o significado de independência e desafio às regras impositivas da sociedade. Na voz do Lula, "metamorfose ambulante" soa como sinônimo de oportunismo e manipulação.
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Por José Pires

domingo, 29 de setembro de 2013


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Por fora do mensalão


Para quem julga que existe hoje em dia uma consciência maior do se passa no mundo da política, uma pesquisa divulgada ontem pela Folha de S. Paulo pode ser uma decepção: 29% dos paulistanos não sabem o que é o mensalão. A pesquisa é do Datafolha e foi feita apenas na cidade de São Paulo, onde o nível de informação é para ser maior. A situação é ainda mais triste pelo fato do Datafolha ter usado só a expressão "mensalão", sem exigir conhecimento maior sobre o tema.

É provável que uma parcela expressiva dos que sabem do mensalão não tenha a compreensão exata da dimensão do esquema de suborno e sua importância no projeto de perenização do PT no poder. Muita gente pensa que foi só um caixa 2, até como resultado da propagação desta falsa versão pela máquina política de comunicação e propaganda governista para amenizar o crime. E na minha opinião este desconhecimento tem origem em parte na forma que atualmente é feito o noticiário político, na maioria das vezes sem contextualização da informação e sem dar referência constante sobre o tema que está sendo tratado. Vivemos numa época de fragmentação extrema da informação.

As ferramentas da internet permitem o oferecimento de links para situar o leitor e possibilidade de sistematização do que é publicado, mas na internet brasileira infelizmente criou-se o hábito de escrever sobre qualquer coisa como se o leitor estivesse sempre acompanhando de perto o assunto. Eu vivo dizendo que o profissional de comunicação tem a obrigação de buscar aprofundar a informação e o conhecimento e sempre procurar dar referência sólida sobre o que está falando. Comunicação sem qualidade acaba favorecendo quem tem recursos financeiros e poder político para massificar sua própria propaganda. E a quadrilha do mensalão sempre soube usar isso.
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Por José Pires


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Além da imaginação

Com o ditador Bashar al-Assad em superioridade militar é estranho que suas forças tenham de fato atacado civis com armas químicas. O ataque parece improvável, mas não é impossível. O clima de ódio que impera internamente na Síria tem mais a ver com sentimentos tribais do que com uma lógica de Estado que até poderia evitar atos como este ataque que serve de justificativa para a intervenção dos americanos.

Bashar al-Assad acusa os rebeldes de terem feito este ataque contra civis para incriminar o governo. Não é difícil que isso ocorra. É uma atitude que foge ao padrão de uma guerra convencional, mas o tipo de conflito que ocorre na Síria nada tem de convencional. Para compreender o que ocorre em toda aquela região é preciso esquecer os modelos comuns de combate.

Existe um livro editado no Brasil que traz boas informações sobre o quanto são inusitados os métodos em uso no Oriente Médio. O livro é “De Beirute a Jerusalém”, do jornalista americano Thomas L. Friedman,  que virou um especialista no assunto depois de passar quase dez anos trabalhando naquela região. Em 1982 ele era chefe do escritório do The New York Times em Beirute. É o ano da invasão do Líbano por Israel e da expulsão da OLP do país. E foi em 1983 que a embaixada americana no Líbano foi atingida por carros-bomba suicidas, com dezenas de americanos mortos. O atentado é um ponto-chave na escalada mundial do terrorismo islâmico.

Neste livro, Friedman faz uma análise do comportamento político não só dos ditadores da região, mas também dos oposicionistas, muitos deles armados e ferozes. A esquerda brasileira costuma usar seu raciocínio maniqueísta também quando olha para o Oriente Médio. Talvez imaginem que lá é travada uma luta entre o bem e o mal. Não é bem assim. Por sinal, o livro de Friedman traz um retrato aprofundado da OLP e de seu líder, o falecido Arafat, que foi ídolo de sempre da nossa esquerda. Pois não iriam gostar do que ele descobriu. Isso se lessem o livro, é claro. Mas essa gente não lê nada.

Uma história contada por Friedman da época em que Israel ocupou o Líbano pode dar uma ideia de como por ali o uso apenas da lógica militar pode fazer qualquer um se danar feio. O jornalista americano diz que naquele lugar é preciso um outro tipo de imaginação. Mas vamos ao caso. O general israelense Amonn Shahak comandava uma divisão militar durante a ocupação de Beirute pelo exército israelense, quando um grupo de anciãos drusos muito exaltados o levou até três caixotes de laranja. Cada um continha cabeças humanas, troncos, mãos e pernas de drusos. Os velhos acusavam os falangistas cristãos de terem feito aquilo. Drusos e falangistas – todos libaneses – estavam em luta, num daqueles conflitos que parecem vir de tempos bíblicos.

O general Shahak então tomou um jipe e foi até o quartel-general dos falangistas tomar satisfações. O comandante falangista disse que de fato houvera um combate entre seus homens e os drusos. Mas os drusos é que recolheram seus mortos depois da luta, os mutilaram e levaram os pedaços de corpos para instigar seus próprios combatentes. E depois foram até o quartel israelense com a história. Era um truque já conhecido. O general israelense obviamente era um homem bastante experiente em combates e mesmo assim por pouco não se metera numa situação muito complicada. Ele disse disse ao jornalista que ficara pasmo com aquilo. E admitiu que deu-se conta que estava no meio de um jogo que não compreendia.
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Por José Pires


Imagem - A capa da revista The Economist retrata Bashar al-Assad do jeito certo: é um criminoso. Mas nas atuais condições é difícil saber se a Siria ficará melhor sem ele.

sábado, 7 de setembro de 2013

O grito que deu cana

Há 43 anos uma piada dessas dava cana braba. Foi esta charge feita pelo cartunista Jaguar que serviu de pretexto para prisão em novembro de 1970 de toda a redação do jornal "O Pasquim". O motivo da prisão chega a ser também engraçado porque a ditadura militar tratou como símbolo nacional o conhecido quadro de Pedro Américo – muito ruim e uma cópia deslavada de uma pintura do francês Ernest Meissounier, onde ele retrata uma vitória importante de Napoleão. A frase brincalhona que Jaguar colocou na boca de D. Pedro I era de uma música cantada por Jorge Ben (que na época não era Benjor) que tocava muito no rádio.

Na época era assim. Tempos de "Brasil, Ame-o ou Deixe-o", não se podia brincar nem com o verde e amarelo da nossa bandeira. E nem com uma pintura ruim que era reverenciada pelos militares como símbolo da pátria.

Os milicos não acharam graça. Numa invasão da redação de madrugada pela polícia foram presos José Grossi, Fortuna, Ziraldo, Paulo Garcez e Luiz Carlos Maciel. Estavam terminando a edição daquela semana do jornal. Tarso de Castro fugiu pelos fundos quando a polícia chegou. A polícia foi na casa do Millôr Fernandes mas não o encontrou. Paulo Francis foi preso em casa. E Jaguar, Sérgio Cabral e Flávio Rangel se entregaram depois. Atendiam a uma proposta da polícia, que disse que assim soltaria os outros. Era um truque. Ficou todo mundo preso.

A prisão foi tratada depois de forma escrachada pelo jornal. Não perdiam a piada de jeito nenhum. Apelidaram o episódio de "A gripe da turma do Pasquim". Segundo Jaguar, nos dois meses que ficaram presos nunca foram interrogados por ninguém. Mas a verdade é que correram um risco tremendo. O clima político era pesado, com presos sofrendo torturas e também desaparecendo para sempre. Pelo menos um perigo sério chegou muito perto deles. Um comando da extrema-direita tentou pegá-los na prisão, mas um militar impediu o sequestro.

Passadas quatro décadas a piada do Jaguar não causa mais reação nos militares, que não estão nem aí para uma gozação dessas. A situação se inverteu no Brasil. Hoje em dia quem bronqueia contra gozações ao poder é a esquerda governista, que está sempre atiçando suas patrulhas sobre qualquer um que tente fazer algo fora do senso comum e sem reverência babaca por uma pátria que é roubada de cima a baixo.
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Por José Pires

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Maracutaia entre companheiros

Tem que ter preparo físico para acompanhar as maracutaias do PT. Acontecem o tempo todo. Agora é uma denúncia de compra de votos na eleição para presidente do partido. E não vem da imprensa e nem da oposição. A denúncia é do deputado Henrique Fontana (PT-RS), que disse o seguinte: “Desconfio de pagamento coletivo. Uma pessoa pagou para um grupo e isso é voto de cabresto”.

Fontana está entre os seis petistas que disputam o cargo, entre eles Rui Falcão (PT-SP), que tenta a reeleição. A eleição será em 10 de novembro e para votar os filiados tinham tinham até o dia 31 de agosto para quitar seus débitos com o partido. A acusação de Pimenta tem a ver com isso. “184.893 filiados estavam aptos a votar em 28/8. Ontem, eram 780 mil os filiados que estavam em dia com a tesouraria”, ele disse.

O PT é cheio de surpresas como esta da quitação instantânea de pagamento de centenas de milhares de filiados numa véspera de eleição partidária. Parece que neste partido dinheiro não é problema. Sempre tem algum pagamento surpreendente. Lembram da quitação da dívida do ex-presidente Lula em 2004 com o partido? Imaginem a surpresa do Lula quando ele soube que sua enorme dívida de R$ 29,4 mil havia sido paga pelo Paulo Okamoto, companheiro de tamanha bondade que nem se preocupou em avisá-lo? Haja coração. Num partido desses não dá mesmo para ter medo de ser feliz.
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Por José Pires

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Na escuta


Por que é que o governo americano ficaria espionando as conversações da presidente Dilma Rousseff? Nem vou ir no ponto político de que nem é dela o comando de verdade sobre as ações do governo do PT. A presidente não chega a ser laranja neste esquema de poder, mas se for para xeretar pessoas neste governo ela não está na frente da lista. E a Dilma tem problema de sinapse até quando está com um marqueteiro na sua cola. Um espião estrangeiro deve penar para entender uma conversa com ela raciocinando de improviso.

E nem é possível imaginar o presidente Barack Obama sendo interrompido em uma reunião na Casa Branca de discussão sobre a Síria, o Irã e a União Soviética para que ele tome conhecimento com urgência de uma conversa importante entre a Dilma e a Ideli Salvatti.

Porém, se os americanos estiverem mesmo espionando as conversas da Dilma isso só pode ter uma explicação: até o Obama precisa dar umas risadas de vez em quando.
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Por José Pires

sexta-feira, 26 de julho de 2013

A derrota da máquina de destruir reputações

Desde antes de subir ao poder era muito forte no PT o hábito de tentar destruir reputações de forma leviana. Com a presidência da República e o surgimento de vastas roubalheiras, o partido sistematizou este hábito e aproveitou a ampliação que a internet pode dar a qualquer tipo de maledicência. Hoje existe uma rede de blogs e sites que atuam especificamente no campo do ataque a qualquer um que eles tomem por adversário.

É claro que com este método apareceram barbaridades sem sentido no próprio teor da, digamos assim, denúncia. Existem ataques tão baixos que não não resistem sequer a uma análise lógica. Uma das vítimas deste descarado mau-caratismo foi o jornalista Boris Casoy, numa situação desastrada quando vazou uma parte de uma conversa sua com colegas do estúdio no final do programa de jornalismo que apresenta na Rede Bandeirantes. Isso aconteceu em dezembro de 2009 e foi feito depois pela internet um escarcéu dos diabos com o episódio.

Esta semana Casoy foi absolvido de um processo que pedia o pagamento de R$ 3,5 milhões (isso mesmo, milhões) ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A decisão foi do  Tribunal de Justiça de São Paulo. Anteriormente, o jornalista já havia pagado indenização aos garis que se sentiram ofendidos, o que na minha opinião também não é justo. A penalização devia ser de quem posteriormente fez uso político da conversa em ambiente fechado. Mas deixemos assim.

Esta decisão de agora é que tem realmente importância porque parece que temos a derrota da máquina política colocada em movimento para sufocar um jornalista. O processo foi movido pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana
e Ambiental de Ribeirão Preto.

A fala de Boris Casoy foi de fato infeliz. Durante a apresentação final dos créditos do jornal que apresenta na Rede Bandeirantes, ele fez um comentário aos colegas de estúdio sem saber que seu microfone ainda estava ligado. Foi depois de uma reportagem com dois lixeiros desejando feliz Ano Novo. "Que merda", ele disse "Dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho". No dia seguinte ao episódio o jornalista pediu desculpas no mesmo programa. Como eu já disse, é uma fala das mais infelizes, mas acontece que foi feita entre colegas, num tom de gozação. E pode ter sido apenas uma provocação, dessas que costumam ocorrer num ambiente de trabalho.

Porém, independente do que o jornalista pensa de fato sobre a matéria que finalizou o jornal, sua fala se deu em ambiente fechado. Foi o vazamento e a ampla divulgação posterior que fez desse comentário um fato político aumentado propositalmente para pressioná-lo. E a razão de fazer de Casoy um alvo preferencial é sua posição independente e crítica ao governo do PT, o que vem fazendo deste que saiu da Folha de S. Paulo e fez uma carreira de sucesso no jornalismo televisivo, quebrando inclusive o padrão de apresentadores bonitinhos que dominava até então na televisão brasileira. Antes do programa na Bandeirantes, o jornalista havia sido demitido da Rede Record por evidentes pressões vindas de Brasília, quando Lula era presidente. Esta vitória de agora do Boris Casoy não é só dele. Ganhou também a liberdade de expressão e a independência política.
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Por José Pires

quinta-feira, 25 de julho de 2013


terça-feira, 23 de julho de 2013


PT, saudações


É possível fazer uma lista bem grande de defeitos graves que comprovam a falência do PT como partido. E nem é preciso arrolar a roubalheira que deu em uma diversidade de escândalos.  Podemos ficar só nos defeitos relativos à estrutura orgânica de um partido. E o pior defeito hoje do PT é sua carência de quadros e, pior ainda, de lideranças com votos.

Esta carência de quadros partidários pode ser vista nesta conversa de sempre sobre a terceira candidatura do ex-presidente Lula. O assunto voltou agora com a evidente queda de popularidade da presidente Dilma Rousseff, comprovada em pesquisas. O partido mostra que fracassou quando só tem Lula para apresentar como candidato forte. Nem Dilma serve mais.

O desmonte do PT vem sendo feito desde 1985 por duas figuras vistosas do partido: Lula e José Dirceu. O serviço começou eliminando quadros de extrema-esquerda no final dos anos 80 e avançou até a eleição de Lula, em 2002, calando ou botando fora quem não afinava com a transformação do partido numa máquina de ganhar eleições a qualquer custo.

Da eleição de Lula em diante os quadros foram se estreitando forçosamente em torno do projeto de poder da cúpula. Uma consequência desastrosa foi a perda gradativa de gente de qualidade, o que pode-se ver até na dificuldade de governar. Os desvios éticos cada vez mais graves foram também fazendo muitos irem embora por conta própria. Sei de militantes dedicados que na década de 90 fizeram questão de devolver as bandeiras vermelhas no diretório municipal do partido.

O PT sofreu uma depuração pesada, com a eliminação de gente que ao menos tinha capacidade técnica. Eram membros do partido com profissão definida e carreiras profissionais respeitáveis conquistadas com esforços próprio, sem os recursos da política e sem o uso da desonestidade dos tráficos de influência. Foi-se um capital humano de qualidade, matéria essencial na feitura de um partido..

Hoje as áreas de liderança do partido estão compostas de políticos profissionais, um defeito que se espalha pelo país afetando inclusive os diretórios municipais.  Muitos de seus membros não fazem há décadas outra coisa na vida que política. E uma grande parte dos que dominam hoje o partido só fez isso na vida. A própria presidente Dilma é um exemplo disso. Desde a década de 80 está pendurada em algum cargo, no início agregada ao poder do falecido Leonel Brizola e agora grudada em Lula, eterna ameaça de tomar seu lugar na eleição do ano que vem.

O PT faliu como partido. Não deve acabar, mas definitivamente não tem mais como acomodar qualquer projeto orgânico de renovação política e administrativa. Com Lula ou Dilma, disputará a próxima eleição na mesma categoria em que estão os demais partidos: uma agremiação de políticos profissionais que tem como pauta apenas seus interesses pessoais.
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Por José Pires

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O companheiro do falido

Com a falência, Eike Batista passou a ser severamente criticado e até gozado nos útimos dias. Não são poucas as acusações. Ele é condenado até por afetar a credibilidade brasileira na atração de investimentos externos.

De fato, como empresário Eike (tratado assim, nesta falsa intimidade da vassalagem costumeira de parte da imprensa aos ricos e poderosos) merece muitas críticas, mas não devemos esquecer uma figura essencial na impressionante ascenção do empresário aos píncaros do sucesso, de onde agora desaba. Apesar de graúdo em dinheiro, no aspecto político ele é peixe pequeno no desastre que parece atingir o país iludido na sedução do desenvolvimento bancado pela grana fácil do pré-sal.

Nas empreitadas ilusórias do tipo em que Eike esteve metido sempre transita um "sócio", que no jorro de lorotas econômicas e sociais ganhou até agora enormidades em apoios políticos e votos e talvez até em espécie, já que não acredito que político algum faça milionários da noite para o dia apenas por ter bom coração.

Agora que a crise mostra que não é de marolinha, quem tem que ser cobrado é o "sócio", que está na chefia já na terceira etapa de um projeto que faz o Brasil perder toda vez que eles ganham. O "sócio" e seus companheiros é que devem pagar pelos poços agora secos de esperança e espalhados pelo país afora.
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Por José Pires

O plebiscito que não deu quorum

O problema de reunião de emergência é dela sair uma ideia de emergência. É o caso dessa proposta de fazer um plebiscito, que até agora ninguém do governo conseguiu explicar direito para que exatamente poderia servir. Começou com a proposta de uma Constituinte exclusiva, mudaram para o tal do plebiscito e pelo jeito não vai ter coisa alguma. Não conseguiram o apoio nem da base governista. Talvez devessem ter feito antes um plebiscito entre eles.

Dilma Rousseff ouviu a voz das ruas e não entendeu direito. A moçada protestou contra vários problemas, mas a síntese das questões levantadas nas manifestações é muito óbvia: vai trabalhar, vagabundo! Ou, respeitando a questão de gênero, vagabunda!

Aí ela fez a tal reunião de emergência (marcou para o dia seguinte) de onde apareceu o plebiscito que não agrada a ninguém e nem tem possibilidade legal de ser feito agora. Não gaste saliva com este assunto. Não vai ter plebiscito algum. Chamaram a imprensa antes de ouvir alguém que entende do assunto e agora passam por mais este vexame.

Este é o estilo petista de governar. O bater de cabeças já foi engraçado há algum tempo atrás, mas ninguém tem paciência mais para rir. É piada velha, que já perdeu seu tempo e lugar. E o pior é que nós estamos nela.
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Por José Pires

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O conto da PEC 37

Ora, ora, ora, mas então uma emenda tão essencial para a democracia como era a PEC 37 acabou tendo apenas 9 votos favoráveis na Câmara. Como é que foi acontecer isso com uma preciosidade dessas? A resposta óbvia é que as manifestações que vem acontecendo em todo o país causam tanto medo nos políticos que até a bancada do PT recuou em bloco na apreciação de uma proposta que funcionaria como uma peça de ataque nas contendas que o partido vem tendo com o Ministério Público desde que teve seus maiorais flagrados no escândalo do mensalão.

Depois da votação que enterrou a proposta teve até a ridícula comemoração de deputados, quando o Brasil inteiro sabe que se não fossem as passeatas a emenda teria grandes chances de ser aprovada. A aprovação era tão importante para o governo que haviam acionado até as tropas de propaganda política que atuam em sites e blogs na divulgação de temas do interesse petista. Há semanas que se espalhavam pela internet falsos argumentos favoráveis à PEC 37.

Como eu já disse, dos nove votos favoráveis nenhum é do PT. E entre esses apoiadores têm até um deputado que merece o troféu de palerma de 2013, mesmo ainda não tendo terminado nem o primeiro semestre. Dificilmente antes que o ano acabe alguém fará bobagem maior que a dele, que é ainda mais grave porque até o mês passado ele era presidente do PSDB, cargo que ocupava desde 2007. É o deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE), que disse ter se confundido na hora da votação da proposta e por isso votou errado.

Além de Guerra, votaram a favor da PEC-37 os seguintes deputados: Abelardo Lupion (DEM-PR), Valdemar Costa Neto (PR-SP), Mendonça Prado (DEM-SE), Bernardo Santana de Vasconcellos (PR-MG), Eliene Lima (PSD-MT), João Lyra (PSD-AL), João Campos (PSDB-GO) e Lourival Mendes (PTdoB-MA). Os deputados Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) e Paulo Cesar Quartiero (DEM-RR) se abstiveram e não votaram.
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Por José Pires

Economia que vem das ruas

A Câmara dos Deputados rejeitou na última terça-feira a destinação de R$ 43 milhões para eventos da Fifa. A dinheirama era para ser usada em investimentos para a Copa de 2014, como parte dos compromissos do governo com a Fifa. O repasse chegou à Câmara por Medida Provisória vinda das mãos da presidente Dilma Rousseff e acabou tendo a  rejeição inclusive dos partidos aliados. O único partido que votou à favor foi o PT.


Isto é resultado das manifestações de rua que acontecem em todo o país. São fatos assim que desmentem os críticos que tentam desqualificar os protestos como sendo coisa de 20 centavos. A atitude de respeito da moçada saindo às ruas já está na casa dos milhões.
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Por José Pires

quarta-feira, 26 de junho de 2013


A conversa de sempre

Todo governo que pensa em fugir de responsabilidades e nada fazer para melhorar suas atitudes vem sempre com essa conversa de reforma política. Com esse papo, o governo do PT está querendo desviar do assunto central e aproveitar a situação para amoldar o sistema político de vez a seus interesses. E ainda fazem de conta que a proposta vem ao encontro da voz das ruas.

Pode-se ter variadas interpretações sobre a indignação atual do brasileiro, mas numa coisa a maioria concorda plenamente: tais protestos são resultado da falência administrativa deste governo, qualidade que reforma política alguma resolve. Alguém pode até achar que no meu raciocíno eu esqueço a inclusão da falência política. Mas neste ponto não vejo falência alguma. Na política os planos do PT vem dando certo  desde os primeiros acertos para a eleição de Lula, ainda antes do início da campanha.

Nascia ali o mensalão e também uma queda moral que deu nisso que aí está. O plano de sujeição do Legislativo ao Executivo foi de uma sujeira e dimensão que nunca se teve neste país. Foi nesta reunião emblemática da história do PT que o deputado Valdemar Costa Neto (que está na base aliada até hoje) pediu a José Dirceu R$ 20 milhões para sacramentar a união do PT com o PL, com a inclusão de José Alencar como vice de Lula.

Esquecer fatos essenciais como este pode levar ao equívoco de se achar que uma reforma política se faria com patifes convertidos num passe de mágica em anjos promotores da ética. Nada disso. Uma reforma agora seria conduzida com os promotores da imoralidade ainda no ápice de seu poder.

O PT fez um desmonte da política de tal forma que o domínio de uma casta provocou uma falência interna no próprio partido, que não se renova e tampouco se qualificou para a prática cotidiana da política. Isso inclui governar. Mas como fazer isso se desde que pegaram o poder os maiorais vem demolindo os quadros do partido? E no governo, a desmoralização geral que fizeram da política tornou muito difícil convencer um profissional qualificado a arriscar a vida e a carreira no antro de negociatas que virou a máquina pública.

O ponto essencial da falência administrativa brasileira está neste nó cego que impede que pessoas de bem se dediquem à administração do bem comum. Também é neste ponto que reside a dificuldade de alguém honesto querer fazer política hoje em dia.

É preciso resolver isso, é claro, mas a idéia de uma reforma política tirada às pressas da cachola é um atalho criado para voltar os passos ao mesmo caminho imoral de sempre. De boas leis e regulamentos adequados o país está cheio. Está aí a nossa Constituição. A Lei de Improbidade Administrativa brasileira também é uma das mais bem feitas do mundo. O que é preciso é a sociedade civil aprender a colocar em prática essas leis, julgando e punindo com rigor quem mete a mão nos cofres públicos e também quem deforma o sistema político de modo criminoso.

Mas alguém pode então perguntar: e o que você propõe? Não proponho nada. O que posso dizer é que é preciso acabar com esta mania de achar que num texto ou numa fala é possível dar forma definitiva para questões que nem a vida inteira permitiu conduzir de maneira correta. Este é um debate de longo prazo, com ações constantes vindas da sociedade civil, como são essas manifestações da moçada, que num safanão político acordou os brasileiros para a necessidade de reação.
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Por José Pires

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Crimes sem solução


Como acontece bastante no país, a novidade é um assunto velho. Nos próximos dias haverá uma remexida no assassinato de Paulo César Farias, o poderoso tesoureiro de Fernando Collor na sua caminhada até a presidência da República, que depois virou homem forte de seu governo mesmo sem ter nenhum cargo oficial. Conforme está em toda a imprensa, nesta segunda-feira começou o julgamento de quatro envolvidos no crime.

A morte foi há 17 anos. Mesmo a gente vivendo num lugar onde é normal um julgamento levar tanto tempo para começar, o despropósito causa um estranhamento, até pela exigência das relembranças de pouca ou nenhuma utilidade. O assunto é antigo demais e pode ser até um estorvo à atenção da opinião pública aos problemas realmente sérios que temos pela frente.

Mesmo no plano da morte de um braço direito de presidente da República, a morte de PC Farias teve sua importância bastante diminuída frente a um assassinato como foi o de Celso Daniel. A morte do ex-prefeito de Santo André poucos meses antes de Lula ser eleito presidente e o PT ganhar o poder tem elementos mais fantásticos. Porém, são crimes similares no grau da importância que ambos tinham junto ao presidente da República de cada período. E também no clima misterioso que envolve as duas mortes.

PC Farias mandava mais no governo Collor do que qualquer ministro e aproveitava este poder para realizar negócios altamente lucrativos nos bastidores. A suspeita que persiste até hoje é que agia em comum acordo com o presidente. Com a queda de Collor o país cuidava de questões mais importantes e esqueceu por um tempo os dois, até que veio a surpresa do assassinato à tiros em Alagoas, junto com a amante Suzana Marcolino. Para a polícia alagoana, Suzana atirou em PC Farias e depois se matou.

Collor foi cassado em agosto de 1992 e PC Farias foi morto em junho de 1996. Da mesma forma que acontecia entre Lula e Celso Daniel, antes de alcançar a presidência em 1989 Collor era amigo de PC Farias. É claro que ele era o homem com mais conhecimento sobre a atuação de Collor antes, durante e depois da presidência. Devia saber também muito do que foi feito nos bastidores daquele governo. Daí a suspeita da queima de arquivo, desconfiança que existe também na morte de Celso Daniel, neste caso por corrupção em Santo André, cidade onde era prefeito e que, segundo o Ministério Público, tinha dinheiro público sendo desviado para a campanha presidencial do PT.

O governo Collor foi o governo mais corrupto da República, mas isso acabou deixando de ter a importância de antes porque a avaliação precede a chegada do PT ao poder e sua revolução no conceito de corrupção no país. O PT e Lula gritavam muito alto contra o Governo Collor. Berravam até. Para eles o então presidente estava abaixo de ladrão. Hoje Collor é da base aliada do governo e chega a dar uma mão como senador na defesa de maiorais petistas condenados por corrupção no STF.

O interessante neste círculo que afinal juntou grupos que antes brigavam tanto é que isso deu unidade também à condição política dos dois cadáveres mais importantes da nossa história recente, o de PC Farias e Celso Daniel. Tudo é muito parecido, especialmente no enorme esforço para que nenhuma das mortes se afaste da conclusão mais fácil do crime comum.
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Por José Pires

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Armando golpes

É bastante simbólica deste lamentável tempo em que vive o Brasil a foto publicada ontem na capa de "O Globo" dos dois deputados mensaleiros do PT, José Genoino e João Paulo Cunha, durante a reunião que aprovou a emenda à Constituição que submete decisões do STF ao Congressso Nacional. A decisão foi da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, da qual os dois fazem parte mesmo estando condenados por corrupção pelo mesmo STF. E isso reforça a imagem como representação desta época sem respeito até ao bom senso.

Genoíno esbraveja. Ele voltou ao combate. Saiu do papel de humilde vítima de circunstâncias que o penalizaram até por distração. O deputado era um dos chefes da cúpula do PT enquanto o partido mantinha em atividade o esquema de suborno a parlamentares que garantia maioria favorável ao governo na Câmara Federal. É dele a desculpa mais incrível do mensalão: assinou o documento de um empréstimo de milhões de reais sem saber do que se tratava. A justificativa faz dele um idiota, mas Genoíno aceita este papel. O militante disciplinado é capaz de tudo para ajudar a sustentar o poder do partido.

Genoíno vem de uma linha de militância de esquerda intensivamente treinada para o combate intensivo mesmo nas situações mais adversas, como aconteceu agora nesta sua condenação à cadeia por causa da participação no esquema de conspiração contra a democracia que foi o mensalão. Sua origem política é o Partido Comunista do Brasil, o PCdoB, de longa história de luta contra a democracia. É um partido que nasceu de uma teimosia contra a história: foi criado pelos comunistas que jamais aceitaram a denúncia dos crimes de Stálin feita pelos dirigentes da própria União Soviética no final da década de 50.

A primeira notícia que se teve de Genoíno foi no final da década de 70 quando ele foi pego pelo Exército Brasileiro na região do Rio Araguaia, no Pará, durante os combates contra a conhecida guerrilha do Araguaia, organizada pelo PCdoB. Até hoje a esquerda tenta fazer da luta armada do período da ditadura militar uma história de heróis que lutavam pela democracia, mas isso é mentira.

O nosso exército realmente representava uma ditadura, mas casos específicos como o do Araguaia não podem ser vistos da mesma forma que as ações repressivas contra a resistência democrática ao regime. Não foi pela democracia que o PCdoB organizou aquela guerrilha no norte do país. O plano político do partido era a partir dali instalar uma ditadura comunista no Brasil. Da mesma forma que agiu também contra verdadeiros democratas, o exército errou quando atentou contra os direitos humanos, desobedecendo até convenções de tempos de guerra que condenam o extermínio e a tortura. Porém, o lado de Genoíno e seus companheiros do PCdoB tinha para o Brasil planos até piores que os da ditadura militar.

O partido de Genoíno daqueles tempos tinha apoio externo. O PCdoB então oscilava entre o radical comunismo maoísta da China e o da Albânia, país atrasadíssimo e de regime ainda mais fechado. Naquele época esta esquerda brasileira que optou pela luta armada era até comandada de fora, por dirigentes estrangeiros que determinavam o que devia ser feito aqui no Brasil. Isto é confirmado por documentação oficial que apareceu depois da queda do comunismo, especialmente na União Soviética.

De Cuba também vinha dinheiro e instruções aos participantes da luta armada. O doutrinamento político e treinamento militar também eram feitos lá. O companheiro de partido de Genoíno e chefe da quadrilha do mensalão, José Dirceu, passou uma temporada sendo treinado por cubanos e veio na clandestinidade ao país também na década de 70 para implantar aqui o comunismo. Faltou-lhe coragem para enfrentar este tipo de luta e ele acabou arrumando um jeito de se homiziar no interior do Paraná, mas isso é outra história.

Trago José Dirceu para fechar este raciocínio porque me parece evidente que é um negócio casado a maquinação para dar aos deputados a exclusividade da decisão final sobre as patifarias praticadas por eles mesmos. A proposta que elimina o poder jurídico do STF sobre a corrupção é do mesmo feitio da PEC 37 que acaba com o poder de investigação do Ministério Público. Não é por acaso que ambas têm o entusiasmado apoio de políticos da mesma laia.

E não é só pelo fato de Genoíno e Dirceu estarem juntos nessa parada que fiz a análise histórica buscando lá atrás os antecedentes históricos deste setor da esquerda que inclusive tem hoje o máximo poder sobre o partido do governo. É porque essas duas emendas são parte de um plano autoritário. E para isso eles trazem o mesmo argumento mentiroso que usaram tantas vezes numa história cheia de tentativas de golpes: é para o bem da nossa democracia.
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Por José Pires