terça-feira, 11 de março de 2014
Jayme Leão, o mestre do desenho
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quinta-feira, 6 de março de 2014
Dramas da vida como bandeiras
Movimentos de militância de gênero, racial e sexualidade estão sempre em busca de um grande caso para comprovar suas teses e fazer crescer o prestígio de suas lideranças. Isso é parte de qualquer processo político, mas o problema é quando o uso como bandeira política se sobrepõe à justa denúncia do preconceito ou do crime. Isso ocorreu recentemente quando um jovem apareceu morto debaixo de um viaduto em São Paulo. A militância homossexual concluiu de imediato pelo crime homofóbico e até manifestações foram feitas, mesmo a polícia tendo adiantado que os indícios apontavam para suicídio. Esta versão preliminar foi repudiada pela militância e até colocada como suspeita. O caso já estava sendo usado como plataforma de denúncias de homofobia. Porém, a própria família do jovem morto apoiou a posição da polícia, que já está comprovada agora pelo inquérito.
O suicídio em São Paulo já estava para ser envolvido pela costumeira histeria promovida por militantes em assuntos de seu interesse. Mais do que chata, a confusão é contraproducente até no propósito de combater o preconceito ou crimes movidos de fato pelo racismo ou a homofobia. As posições pré-determinadas e a agressividade muitas vezes acima do limite do bom senso acaba criando um clima que favorece muito mais o conflito do que a compreensão do fato. Fecha-se o debate na área da sexualidade ou em outra condição específica, quando o problema é muito mais amplo.
Agora aparece outro caso que corre o risco de apenas servir de bandeira para a militância. É a morte do menino Alex, ocorrida no Rio de Janeiro depois de ele ser espancado pelo pai. A causa do crime já adquire a explicação exclusiva de homofobia. E a criança tinha apenas oito anos. A versão surgiu depois da divulgação pela imprensa de uma fala breve do delegado que tomou o depoimento do acusado. Segundo o delegado, o pai afirmou que dava surras como “corretivos”, para ensinar o filho “a andar como homem”. Ele também disse que o filho “gostava de dança do ventre”.
Não sei as condições em que se deu este depoimento, cuja divulgação só apareceu depois da morte da criança, após 17 dias no hospital. É óbvio o caráter machista do pai, mas daí a caracterizar de pronto o crime como homofóbico é ir longe demais. Ainda é necessário aprofundar a investigação, pois até agora não sabem nem se o menino vivia em cárcere privado. E vá saber do que mais a polícia fluminense não tem conhecimento e provavelmente jamais terá, como indicam as estatísticas sobre a investigação de crimes no país.
Pais esclarecidos sabem que um menino de oito anos pode se encantar por muitas coisas fora de um padrão tido como masculino sem que isso tenha qualquer relação com sua sexualidade. Com certeza o pai do menino Alex não tinha esse conhecimento cultural, o que acontece também com muitas outras pessoas. Essa ignorância independe de classe social e também não é exclusivamente masculina. E na minha opinião simplesmente demonizar esta característica cultural como homofóbica não ajuda a resolver a questão.
Também penso que a manifestação machista e condenável do pai não serve como chave da motivação do crime. Outras informações que a militância faz questão de desprezar mostram um panorama de crise social, que vai além da homofobia. É um padrão que não escolhe a sexualidade das vítimas. O pai do menino Alex poderia ter matado outros inocentes até fora da sua casa. Vários crimes que acontecem hoje em dia têm origem parecida.
O menino passou a morar com o pai no Rio desde o início do ano passado, quando a mãe foi ameaçada de perder a guarda do filho por não levá-lo a escola. Além de Alex, o pai morava com outros cinco filhos e a mulher em uma casa simples de três cômodos, numa área disputada por três facções rivais. Ele já cumpriu pena por tráfico de drogas e está desempregado. Por estas poucas informações já é possível entender que o crime se insere numa situação dramática que exige muita responsabilidade no debate. Sei que para alguns a limitação do assunto pode render reforço político em ano de eleição, mas o melhor seria não se fechar em conclusões levianas sobre um drama que não se restringe à nenhuma condição sexual.
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Errando até quando acerta
Depois da fala do ministro Joaquim Barbosa sobre a absolvição dos mensaleiros do crime de formação de quadrilha, quando ele fez um oportuno alerta, apareceu a senadora petista Gleisi Hoffmann para atacá-lo usando um discurso que mostra todos os alinhavos mal dados da construção marqueteira. Falando do alerta do ministro sobre a "maioria de circunstância" criada no STF para inocentar os mensaleiros, Gleisi Hoffmann firmou que então a própria indicação de Barbosa estaria sob suspeição. E não é que desta vez ela tem razão?
O problema é que a intervenção da senadora petista está errada inclusive no que ela acertou. A indicação de Joaquim Barbosa foi feita mesmo de forma suspeita. Da parte do então presidente Lula realmente pesam todas as suspeitas: ele esperava de Barbosa no Judiciário uma postura submissa ao Executivo. Em conversas de bastidores que fez questão de vazar para a imprensa Lula já deixou claro sua decepção com o ministro. Ele disse que indicar Barbosa para o STF foi "seu maior erro".
E nisso eu também concordo com o ex-presidente. Só que a decepção de Lula conta a favor da honestidade de Barbosa. É óbvio que o ministro se insurgiu contra as tentativas de manipulação de Lula. E pela irritação do ministro tempos atrás deve ter rolado coisas muito indecorosas nos bastidores. Pode ter sido até pior do que houve com o ministro Gilmar Mendes, que chegou a ser ameaçado por Lula em reunião entre os dois. Se Lula fez isso com Mendes, que é ministro por indicação de Fernando Henrique Cardoso, dá para imaginar o que pode ter feito com Barbosa. A personalidade mandona do chefe petista é fogo.
Da parte do interesse de Lula cabe realmente suspeição da indicação de Barbosa, porém o ministro manteve o rumo digno de sua carreira. E isso foi uma decepção para Lula. A análise de Gleisi Hoffmann também não pode ser levada a sério em razão do histórico da sua habilidade como avaliadora e até avalizadora do caráter alheio. Até há pouco a senadora foi ministra-chefe da Casa Civil do governo Dilma e teve neste cargo uma atitude que depõe de forma definitiva contra sua capacidade: ela nomeou para trabalhar ao lado da presidente da República um sujeito que foi preso como estuprador de menores. A prisão se deu com ele como assessor da ministra.
Seu nome é Eduardo Gaiveski e ele está preso até hoje sob a acusação de abusar sexualmente de meninas pobres. É acusado inclusive de ter usado sua posição política não só para se aproveitar das menores como também para pressionar testemunhas e os pais das vítimas. E foi esta "sábia" da Gleisi Hoffmann que depois de longa convivência política nomeou esta pessoa para trabalhar ao lado da presidente da República.
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Imagem - O ministro Barbosa e a senadora Gleisi Hoffmann, quando era ministra. Ao seu lado está um colaborador escolhido a dedo por ela para trabalhar junto a presidente da República. Hoje este colaborador está na cadeia. Já o ministro do STF entrou de forma digna para a História no julgamento dos mensaleiros.
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
O alerta de Joaquim Barbosa
Hoje, no julgamento dos embargos infringentes dos mensaleiros no Supremo Tribunal Federal, teve uma fala do ministro Joaquim Barbosa que é para mim um dos depoimentos mais importantes da nossa história recente. É um desabafo e um grave alerta feito logo após a absurda absolvição dos mensaleiros do crime de quadrilha. Já escrevi na segunda-feira que anular a condenação deste crime feria a própria lógica do processo. Pois foi o que fizeram. O alerta de Joaquim Barbosa é extremamente sério. O tempo é que vai demonstrar se ele terá um peso em nossa história como um vaticínio do desastre político que pode vir por aí ou da sensibilização dos brasileiros para a recomposição de forças na defesa da nossa democracia.
Por enquanto me parece que existe mais possibilidade de se configurar a primeira hipótese. Os brasileiros estão desatentos ao processo de tomada de poder que acontece no país e essa desatenção existe inclusive entre a maioria dos jornalistas, que até por dever profissional deveriam estar na linha de frente da defesa da democracia. Bem, quem viver verá. E Barbosa já avisou: isso que eles fizeram hoje "é só o primeiro passo".
Aqui está o link do vídeo e abaixo publico a transcrição que fiz desta fala que já nasce memorável no dia de hoje.
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"Uma maioria de circunstância, formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso levado a cargo por esta Corte no segundo semestre de 2012. É isso que nós acabamos de assistir. Inventou-se inicialmente um recurso regimental totalmente à margem da lei com o objetivo específico de anular, de reduzir a nada um trabalho que fora feito.
Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo. Porque esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora. Agora inventou-se um conceito fantasioso e discriminatório para o crime de quadrilha. Segundo este novo conceito são suscetíveis de enquadramento na prática do crime de quadrilha somente aqueles segmentos sociais dotados de certas características socioantropológicas, aqueles que rotineiramente incorrem na prática de certos delitos como os crimes de sangue ou os crimes contra o patrimônio privado. Criou-se com isso um novo determinismo social.
Eu ouvi com bastante atenção argumentos tão espantosos quanto aqueles que se basearam simplesmente em cálculos aritméticos e em estatísticas totalment
e divorciadas da prova dos autos. Totalmente divorciadas da gravidade dos crimes praticados e documentados nos autos desta ação penal. Enfim, totalmente divorciados do contexto probatório individualizado que restou demonstrado no acórdão proferido por esta Corte em 2012. Eu ouvi até mesmo a seguinte alegação: "eu não acredito que estes réus tenham se reunido para a prática de crimes".
Há dúvidas de que eles se reuniram, de que eles se associaram e que esta associação perdurou por quase três anos? Ninguém ousou dizer que esta associação não existiu. E o que dizer dos crimes que eles praticaram e que hoje em relação aos quais cumprem pena em presídio da capital federal. Como sustentar que isso não configura quadrilha? Crimes contra a administração pública, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, crimes contra o sistema financeiro nacional, tudo provado, tudo provado, decisão condenatória transitada em julgado. Esta é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal porque com argumentos pífios foi reformada, foi, como eu disse, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012."
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A nossa vergonha alheia
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domingo, 23 de fevereiro de 2014
A bom papo de sempre do Jaguar
O cartunista Jaguar é um dos entrevistados mais engraçados que existe, mesmo que ele repita sempre uma ou outra história — como a da loura de biquini contratada para levar o material do Pasquim para ser censurado, o que fazia o censor (um coronel) dar uma amaciada e liberar muita coisa. Jaguar é um dos grandes jornalistas brasileiros, duma época em que surgiram jornais alternativos fora do esquema tradicional da imprensa, que vieram dar uma motivação de qualidade na vida brasileira. Fez muita coisa no jornalismo, mas seu peso histórico já estaria garantido pela criação do semanário "O Pasquim", que trouxe uma ousada modernização na linguagem não só da imprensa como teve também uma grande influência no comportamento dos brasileiros. O jornal foi fundado em 1969 e de imediato passou a ter censura-prévia da ditadura militar. A censura foi até 1975 e em novembro de 1991 o jornal fechou.
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Dinheiro fácil
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O poder ainda tem mesmo dono
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
O exemplo da Venezuela
Imagem - Entre os mortos pelo chavismo, a jovem Génesis Carmona, a miss baleada em um protesto antigoverno.
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
A compaixão pelo avesso
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Imagem - Não se deixe levar pelas aparências: a vítima está na foto maior
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Fama das ruas
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Por detrás da baderna
Imagem - O morteiro acendido por um black bloc atinge o cinegrafista da TV Bandeirantes. Nesta segunda-feira ele teve morte cerebral.
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Lance histórico
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Baixos instintos
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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Dividindo culpas
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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Fita fúnebre
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