sábado, 12 de abril de 2014

Os narizes da senadora

A mentira geralmente é associada ao nariz do Pinóquio. Pois foi também numa mentira que apareceu agora o nariz da senadora petista Gleisi Hoffmann, que de tão arrebitado vinha sendo motivo de controvérsias desde que ela botou a cara na política nacional. Muitos diziam que o efeito era de bisturi, ela garantia que não. Olhando bem, dá mesmo a impressão de algo construído por cirurgia plástica. Mas nunca me preocupei com isso. Pagando de seu próprio bolso, que a espevitada senadora faça o que quiser de de seu nariz.

O problema são as afirmações dela de que nunca fez plástica. Aí o assunto virou uma questão de palavra. Em agosto de 2011, quando era poderosa chefe da Casa Civil, foi irritada sua resposta sobre isso para a Folha de S. Paulo. "Nunca fiz plástica e não aguento mais ficarem me perguntando", ela disse. Mas agora apareceu na internet um vídeo mostrando que na sua juventude o nariz não era arrebitado.

Bem, não custa repetir que a minha opinião é que cada um deve cuidar de seu nariz como quiser. Porém, tendo uma vida pública não existe impedimento algum de que as pessoas tenham esta curiosidade. E qual é o problema de uma cirurgia plástica? Não havia a necessidade de mentir. Foi com isso que a senadora fez de seu nariz um problema.

Agora trouxeram a prova com o nariz original. Numa acareação de narizes fica claro que o de agora é diferente do antigo. O vídeo que descobriram é com Gleisi Hoffmann falando como presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Curitiba (UMESC). A gravação é das eleições de 1985, com o apoio da entidade a Roberto Requião para prefeito de Curitiba.

Nessa época, Gleisi Hoffmann estava no Partido Comunista do Brasil, o PCdoB, que até hoje aparelha entidades do movimento secundarista. Gleisi era um dos militantes profissionais que o PCdoB põe na direção dessas entidades. Desde então a senadora não tem feito outra coisa na vida que não seja política. Mudou para o PT e foi pulando de cargo nomeado em cargo nomeado até se eleger em 2010 direto ao Senado, respaldada pela força do grupo político comandado no Paraná por seu marido, o ministro Paulo Bernardo, um dos chefões do PT nacional.

Gleisi Hoffmann já tem problemas de sobra na sua candidatura ao governo do Paraná. Aconteceu a prisão por estupro de menores do assessor especial que ela nomeou quando foi chefe da Casa Civil do governo Dilma. E teve também as denúncias que envolvem seu parceiro político, o deputado André Vargas, que sempre foi tão de sua confiança que até agora era um dos chefes mais fortes da sua candidatura. E agora aparece essa história de nariz. E pior ainda, um nariz de Pinóquio.
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Por José Pires

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Imagem - Gleisi Hoffman numa foto atual e como era antigamente, quando militava no PCdoB e tinha um nariz diferente.


quarta-feira, 9 de abril de 2014


terça-feira, 8 de abril de 2014

Desprezando as amizades

Ah, as amizades que se vão na desgraça política. Nesta terça-feira o ex-presidente Lula deu um chega pra lá no deputado André Vargas. Foi em entrevista a um grupo de blogueiros governistas, dos autodenominados “blogs sujos” que fazem um serviço de ataques à oposição e defesa dos interesse do governo do PT. Na entrevista, Lula disse que Vargas precisa se explicar para que o “PT não pague o pato”. É claro que ele não está com nenhuma preocupação ética, o que seria extraordinário na sua conduta. Faz tempo que Lula defende só o que é dele.


A preocupação é com o desgaste político que pode afetar ainda mais o governo Dilma e contaminar candidaturas que já estão nas ruas. O caso já complicou bastante a candidatura ao governo do Paraná da mulher do ministro Paulo Bernardo, Gleisi Hoffmann. Vargas era o homem forte da sua pré-campanha. E ficou muito difícil andar com o deputado do lado. Então, ninguém vai defendê-lo em ano eleitoral complicadíssimo como esse. Sua renúncia é só uma questão de tempo, que os maiorais do partido esperam que seja o mais curto possível.


Essa fala de hoje do Lula acabou com qualquer chance de Vargas ter guarida no partido para sua defesa. O ex-presidente já tem um amplo histórico de falta de escrúpulos para abandonar os amigos que se tornam um peso para ele e o partido, mas neste caso ele foi particularmente cruel. O recado dado em conversa com os blogueiros a serviço do governo é pra largar de vez o deputado.


O PT não quer ter de responder perguntas muito simples, porém muito incômodas, como por exemplo sobre a influência determinante de Vargas em áreas sensíveis do governo como o Ministério da Saúde. Alguém acha possível que possa sido coisa só do deputado a interferência num contrato de altíssimo valor entre o ministério da Saúde e a empresa Labogen? Só esse negócio era de R$ 150 milhões. O Palácio do Planalto não fica sabendo de uma negociação deste valor ou ao menos a Casa Civil não dá uma conferida para ver se pelo menos a empresa que vai prestar o serviço existe de fato?


O PT precisa se livrar rápido de Vargas porque ele esquenta a pauta de maracutaias. Além do que, muita coisa ainda pode vir por aí. Com certeza seus companheiros do PT sabem muito bem o tamanho da bronca e Lula deve ter uma ampla visão dos riscos que o levou a largar mais um aliado na estrada. Agora o ex-presidente procura mostrar um distanciamento, mas faz tempo que ele também é amigo de Vargas, que já era deputado federal durante seu governo e está ao seu lado desde antes da sua primeira eleição para presidente. É uma amizade tão antiga quanto a de 20 anos que o petista tem com o doleiro.
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Por José Pires



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Imagem - Lula e o amigo André Vargas numa foto de bastidores feita no mês passado, poucos dias antes de estourar o escândalo. Sinta a intimidade entre o ex-presidente e o deputado amigo do doleiro preso.

A tesoura petista


O jornalista Reinaldo Azevedo publicou hoje um vídeo em seu blog no site da revista Veja e em menos de uma hora o vídeo foi excluído do Youtube. O controle de mídia que os petistas querem é este. Tem a desqualificação do adversário, quando atacam qualquer revista, jornal, site, blog e até mesmo página de Facebook que não diga o que eles querem. E tem também a censura, como fizeram com a exclusão deste vídeo.


O vídeo mostra o então ministro Alexandre Padilha pedindo votos ao deputado André Vargas (PT-PR). Foi no ministério da Saúde, comandado na época por Padilha, que havia um contrato de R$ 150 milhões com um laboratório, o Labogen, uma empresa de fachada que tinha por detrás o doleiro Alberto Youssef, que hoje está preso. Uma parte do contrato (R$ 31 milhões) já havia sido assinada pelo ministro Padilha, quando estourou o escândalo, com a revelação pela PF da amizade do prestigiado deputado petista com o doleiro. Gravações da PF mostram Vargas falando sobre este negócio com Youssef.


O vídeo deve reaparecer. Sempre tem alguém que o republicou em outro site. Mas esta é uma mostra do controle de mídia dos petistas. E este controle tem se alastrado pelo Brasil afora também por outros meios. São os empregos em assessorias de sindicatos e outras instituições controladas pelo partido e também os ganhos que aparecem nas campanhas eleitorais, quando jornalistas são contratados para este trabalho esporádico. Dessa forma, vão se calando os jornalistas, por conivência ou temor de perder estas formas de amenizar a péssima situação da profissão em todo o interior do país. E claro que tem também a pressão sobre as redações quando o PT assume prefeituras.


Em parte, foi este silêncio vergonhoso que permitiu a próspera carreira de André Vargas. O petista é amigo há vinte anos de um doleiro que já esteve metido em outros escândalos e em Londrina nunca se publicou nada sobre isso. Mas aí então deve-se perguntar: mas os sindicatos de jornalistas nada fazem? Ora, esses sindicatos estão junto com o partido, atuantes na luta por um controle de mídia.
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Por José Pires

Declinando convites

A vida social do deputado federal petista André Vargas certamente deu uma aquietada depois que ele caiu em desgraça política com a revelação de suas relações muito próximas com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal. O momento é de reuniões reservadas. Pode ter mais conversas dele com o doleiro que até agora desconhecemos e também é provável que as redações tenham guardado algo para as próximas edições. E nem é preciso aparecer mais nada para que o deputado esteja avaliando a renúncia ao mandato.

Nos últimos tempos Vargas andava em atividades intensas. Passava dias pelo interior do Paraná em companhia da senadora Gleisi Hoffmann entregando motoniveladoras, caminhões e maquinários oferecidos pelo governo do PT como se fossem esmolas aos municípios paranaenses. Todos os projetos do PAC e até empréstimos da Caixa são usados para isso. É o clientelismo transformado pelo PT em política de Estado e que vem sendo desavergonhadamente aproveitado durante todo o governo. Por isso que essa turma se reelege sempre.

Mas para André Vargas essas entregas de chave de caminhão e de casa para gente pobre agora é passado. Faltando seis meses pra eleição quem é que vai querer sair na foto com o político petista que viaja em jatinho pago por doleiro? Até agora André Vargas era poderoso na campanha do PT ao governo do Paraná, mas com o escândalo a espevitada senadora é quem vai querer menos o parceiro por perto.

O deputado petista não pode frequentar mais nem festa de aniversário. Esta fotografia é de uma festa surpresa para ele, que fez aniversário no dia 2 de março. É claro que no dia do agrado Vargas ainda estava por cima. Reparem nas cores das bexigas. É uma fixação marqueteira doida, não é mesmo? Da esquerda para a direita na imagem estão, além do aniversariante, o deputado estadual Enio Verri e o prefeito de Apucarana, Beto Preto, além de seu vice. O petista Verri, que é de Maringá, cresceu junto com Vargas na política, ambos sob as asas poderosas do ministro Paulo Bernardo.

Mas depois desta festa de aniversário as coisas mudaram bastante. Teve o avião pago pelo doleiro e as conversas de negócios descobertas pela PF. Pois neste 4 de abril foi o dia do aniversário do deputado Enio Verri. A festa em comemoração foi inclusive anunciada com propaganda (como já disse, é a fixação marqueteira). É claro que fui conferir as presenças na página do deputado maringaense. Pois o André Vargas não foi ao aniversário do companheiro Verri, que antes fizera a festa surpresa pra ele em Brasília. Nem sei se Vargas foi convidado, mas de qualquer forma sua agenda com certeza está tão tomada por questões urgentes que deve ser difícil arrumar tempo pra comer um pedaço de bolo com os companheiros.
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Por José Pires


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Imagem - O deputado estadual Enio Verri na festa surpresa que fez para André Vargas. Verri aniversariou dias depois e companheiro não foi na sua festa cantar os parabéns.

Querendo discussão

Quem gosta de polêmica vazia não aquieta mesmo depois de ter sido feito de idiota, como aconteceu com a pesquisa do Ipea sobre o estupro. Ainda tem uma insistência num debate sobre estupro baseado nos números que agora o Ipea diz que estão corretos. Aí não dá, não é mesmo? Não tem errata que salve esta pesquisa. Até pelo tamanho da polêmica levantada pelos absurdos números anteriores a própria credibilidade do Ipea foi pro saco. Depois dessa, pesquisa e estudo do Ipea já vem com a piada pronta do estupro. O órgão de governo existe para um apoio técnico, o que ficou impossível depois de transformado pelos petistas numa fabriqueta de factóides.

Este Ipea que aí está foi feito de encomenda para o interesse do governo do PT, que nunca é o do estudo sério e o debate aprofundado e honesto sobre os problemas brasileiros. Já disse aqui que o economista Márcio Pochmann fez o serviço de eliminar o foco técnico do órgão e transformá-lo em mais um tentáculo da propaganda petista. Pochmann fez isso e depois saiu do instituto para ser candidato a prefeito de Campinas, na eleição passada. Mostrou que não é sério e felizmente não foi eleito. Governantes que não descem do palanque para administrar acabam contaminando tudo com o clima eleitoreiro permanente. Foi daí que veio esta pesquisa maliciosa que virou um tiro no próprio pé.

Na divulgação da pesquisa o Ipea inverteu os números sobre a pergunta “mulheres que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Acontece que pesquisa era um tremendo equívoco em todo o seu conjunto. Entre as perguntas, que permitem como resposta apenas sim ou não, havia até esta aqui: “Em briga de marido e mulher não se mete a colher?”. Parece coisa de site de internet, que costumam trazer esse tipo de besteira. O recurso não tem sustentação técnica alguma (nem jornalística), mas é sempre chamado de “pesquisa”. Isso vem criando uma confusão na internet entre o que é de fato uma pesquisa e essas perguntinhas tolas e capciosas.

Mas não se espera que um órgão de governo venha com conversa de site de fofoca. Quem é que pode em sã consciência achar que uma mulher “merece” ser violentada? Mesmo os percentuais agora invertidos para menos não permitem uma avaliação séria sobre as terríveis consequências de um estupro e suas causas. É uma resposta apressada, sem validade para estudo. Não dá para tirar uma conclusão produtiva de algo feito assim, mas o objetivo não era mesmo o de esclarecer. Esta foi só mais uma das táticas diversionistas deste governo. Eles estão sempre tentando desviar a atenção dos reais problemas. Mas no final, de forma inversa ao pretendido, o Ipea fez um grande serviço. Esta pesquisa fajuta comprovou de uma vez por todas que os petistas transformaram um órgão técnico numa máquina picareta de propaganda.
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Por José Pires

domingo, 6 de abril de 2014


sexta-feira, 4 de abril de 2014

A errata do Ipea

O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), andou divulgando há poucos dias uma pesquisa sobre a violência contra a mulher e tratou o assunto de uma forma que criou polêmicas desagradáveis nas redes sociais. A pesquisa afirmava que 65% de brasileiros acha que “mulheres que mostram o corpo merecem ser atacadas”. A pergunta já é idiota porque não esclarece nada. É óbvio que tratado dessa forma o assunto só criaria confusão. Mas o que o Ipea divulgou hoje é ainda mais grave. Houve um erro na divulgação e na verdade apenas 26% e não 65% disseram sim à pergunta cretina. Ao contrário disso, 70% dos entrevistados discordam total ou parcialmente dessa besteira trazida pela Ipea.

Com a divulgação dos números errados houve um furor na internet, principalmente da parte de feministas histéricas que aproveitam qualquer pretexto para azucrinar o próximo. O Ipea atiçou também um comportamento que tem sido frequente na rede, que é o ativismo exibicionista. As pessoas passam a postar fotos com alguma besteira pretensamente criativa como forma de protesto. E como costuma acontecer nesses casos, quem tentou entrar na conversa usando do bom senso sofreu os ataques da militância.

Até a presidente Dilma Rousseff entrou na onda de indignação, mas neste caso não foi por ingenuidade. Essa pesquisa tem toda a cara de ter sido bolada para desviar a atenção de assuntos que têm causado problemas na imagem do governo. A notícia diz que o diretor da área social do Ipea, Rafael Guerreiro Osorio, já pediu exoneração. Mas na minha visão o problema não se restringe a uma pessoa. O problema é o modelo implantado pelo governo do PT no instituto, que até o final do governo de Fernando Henrique Cardoso cumpria a função de trazer bons estudos sobre a realidade brasileira.

Logo que foi eleito, Lula mudou toda equipe, que passou a ser chefiada pelo petista Márcio Pochmann. A partir daí o Ipea deixou de produzir estudos e pesquisas sérias e tornou-se mais um braço da propaganda política dos petistas. Nem é preciso se alongar para que se entenda o objetivo de Pochmann. Na eleição passada ele foi candidato a prefeito de Campinas. Ainda bem que perdeu a eleição, que serviu para mostrar sua falta de seriedade.

E apesar da chateação com as polêmicas que este erro feio havia provocado, ao menos ele serviu para mostrar de vez que o Ipea deixou de ser confiável. Os petistas desmoralizaram mais um importante órgão do governo, o que é sempre lamentável. Mas como ele tinha mesmo virado um difusor de propaganda política, tem o lado bom dele agora não servir mais de ferramenta para o PT usar nesses meses antes da eleição.
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Por José Pires

O esquema do mais do mesmo

Foi oficializada ontem a renúncia do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, um político que é a expressão fiel do nível baixo a que chegou a política brasileira. Ele sai do governo para tentar a eleição para qualquer outro cargo, uma decisão que vai depender da análise da sua baixíssima popularidade.
Costuma-se atribuir a má qualidade dos políticos brasileiros à deficiências da própria formação política dos brasileiros. Com tal argumentação o domínio de patifes sobre a política brasileira acaba sendo atribuído ao caráter nacional. Como se os lamentáveis políticos que aí estão fossem representativos do conjunto dos brasileiros. E não é bem assim.
Cabral abandona o governo numa situação de caos e com um histórico de desastres desde que assumiu o primeiro mandato. Foram mais de sete anos no poder, em dois governos marcados pela completa falta de planejamento, de capacidade administrativa e de honestidade com o dinheiro público. Seu governo teve até mortes em manifestações políticas. Foram também milhares de desalojados por enchentes e desabamentos, com muitos mortos e famílias com as vidas destroçadas, em tragédias que se repetiram em cada ano.
A falta de ética de Cabral até rompeu fronteiras internacionais, quando ele esteve na França divertindo-se em jantares em restaurantes caríssimos e hotel cinco estrelas de Paris, acompanhado de um empreiteiro pego num dos maiores escândalos de corrupção do país, as maracutaias da Delta, que envolveram também o governo do PT. Foi quando o governador do Rio e secretários estaduais saíram em fotografias fazendo micagens e dançando com guardanapos na cabeça.
Seu governo termina com o Rio de Janeiro praticamente sob intervenção do Exército Brasileiro, com suas tropas ocupando sob o nome fantasia de Força Nacional a cidade dominada pela violência do crime organizado e milícias paramilitares.
É óbvio que o desastre deixado pelo governador fujão não conta com o aval do eleitorado fluminense, que também não votou nele para ter um governo desgraçando a vida de todos. Acontece que políticos como Cabral são favorecidos pelo processo político brasileiro, a começar pela facilidade criada para o domínio interno nos partidos e o uso disso na lamentável barganha que virou a política brasileira. Esta negociação permanente começa no Palácio do Planalto, passa pelo Congresso Nacional, atravessa os governos estaduais e Assembléias Legislativas e vai até os prefeitos e vereadores.
Da forma que está estabelecido o jogo político é impossível renovar a administração pública por meio do voto. Até mesmo o sentimento de mudança política da população acaba sendo ludibriado, como já tentam fazer no Rio com a candidatura de Lindbergh Farias. O senador petista entra na disputa para explorar o descontentamento do eleitorado. Cabral se elegeu duas vezes com muito dinheiro e o apoio da máquina eleitoral do PT, sempre impulsionada pelo uso deslavado do poder do Governo Federal. Durante todos esses anos o PT esteve afinadíssimo com o governo Cabral e agora aparece como oposição. É a velha tática de mudar com eles mesmos, para que tudo continue na mesma.
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Por José Pires

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Imagem - Sérgio Cabral, Lula e Dilma juntos na campanha eleitoral de 2010. O senador petista Lindbergh Farias, que está atrás da trinca, agora entra como oposição para manter tudo do mesmo jeito que está.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Problemas na assessoria

As maracutaias de que é acusado o deputado André Vargas remetem a uma questão importante, que é a capacidade de avaliação da senadora Gleisi Hoffmann. Ela já revelou essa dificuldade recentemente no caso do petista Eduardo Gaievski, preso sob a acusação de estupro de menores. Ele é acusado de fazer sexo com meninas pobres da cidade onde foi prefeito pelo PT. Quando era ministra da Casa Civil, Gleisi nomeou Gaievski para trabalhar com ela, ao lado da sala da presidente da República, Dilma Rousseff. A amizade e a relação política entre Gleisi e Gaievski era antiga. O assessor especial da então ministra foi preso pela polícia quando estava no cargo, trabalhando no Palácio do Planalto.
E agora aparece este escândalo nacional que envolve o deputado André Vargas com o doleiro Alberto Youssef em transações que a Polícia Federal afirma serem muitos graves. Em matéria publicada na terça-feira, a revista Veja diz que a Polícia Federal acredita que “Vargas faz parte de projetos de Youssef e usa sua influência no governo em benefício do parceiro”. O doleiro já esteve envolvido no chamado “Escândalo do Banestado”, o ocorrido entre 1996 e 1997, que teve remessa ilegal de divisas para o exterior de US$ 30 bilhões. Youssef e Vargas são de Londrina, no Paraná, onde começou a amizade entre os dois.
Acontece que Vargas é o homem mais poderoso na candidatura de Gleisi Hoffmann ao governo do Paraná. Isso mesmo: sua pré-campanha tem na direção um deputado que usa jatinho pago por doleiro preso. Desde o início do governo Dilma a senadora e o deputado exercem uma intensa parceria em suas atividades políticas pelo interior do Paraná. Gleisi e Vargas andam juntos pelo interior do estado entregando aos prefeitos motoniveladoras, caminhões e outros maquinários oferecidos pelo governo do PT de forma deslavadamente clientelista. Isso é uma prática de Dilma com os políticos de sua base aliada. Usam para isso o “Minha Casa, Minha Vida” e até universidades públicas. O partido fez do clientelismo uma política de Estado.
É claro que as acusações contra André Vargas ainda estão sendo investigadas pela Polícia Federal. Cabe ao petista explicar tudo, mas o que ele disse até agora não convenceu ninguém. Porém, já existe a comprovação do voo fretado usado gratuitamente. A viagem do deputado com a família para João Pessoa no jatinho particular custou 100 mil reais, pagos pelo doleiro. Logo que estourou o escândalo o petista tentou despistar. Ele disse inicialmente que pensava ser uma carona e inventou também que pagou o combustível — R$ 20 mil. Ontem em discurso na Câmara ele finalmente admitiu que usou jatinho pago pelo doleiro. E assumiu também a longa amizade de 20 anos com Youssef. Antes, Vargas dizia que não o conhecia.
Temos que ficar aliviados com a operação da Polícia Federal, que descobriu tudo e prendeu o doleiro Youssef e também agradecer à imprensa por ter revelado o voo fretado de 100 mil reais dados de presente ao deputado petista. Se isso tudo não viesse a público os paranaenses ficariam sem informações muito importantes para suas vidas. Hoje André Vargas é líder nacional do PT e tem muita força na candidatura de Gleisi Hoffmann. Se ela for eleita governadora, o Paraná terá como um dos homens mais poderosos de seu governo um político com esse tipo de amizade.
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Por José Pires

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Imagem - Gleisi Hoffmann discursa em evento oficial do PT, tendo atrás o imenso sorriso do deputado André Vargas. Este ano, na festa dos 34 anos do partido, o palanque dos líderes do partido tinha atrás um outdoor imenso com as caras de Gleisi, da presidente Dilma e do deputado Vargas. Imagine o poder que este político terá no Paraná se Gleisi for governadora.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Qual é a música?

Será que a presidente Dilma Rousseff conhece de fato alguma coisa? Existe algo que ela possa fazer ou sobre o qual possa falar sem dar vexame? Omelete não é com ela e isso já vimos num memorável programa de Luciana Gimenez, onde ela foi ainda como candidata e se meteu a fazer uma omelete, que desandou e virou ovos mexidos. Claro que Dilma botou a culpa na frigideira (É sério!). Da França ela também não sabe nada. Há pouco tempo andou misturando Monet com Montesquieu, numa parceria que não deu pra entender.
Mas ao menos sobre coisas do Brasil ela devia saber alguma coisa. Ainda mais em assuntos para os quais tem idade para ter vivido. Ontem, em discurso no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, ela citou “Samba do Avião”, de Tom Jobim, relacionando a música à volta dos exilados ao Brasil.
As palavras de Dilma: "O Samba do Avião descreve a chegada ao Brasil, em especial ao Galeão, dos brasileiros que voltavam ao Brasil, após a anistia [...] É uma síntese perfeita do que é a saudade do Brasil, a lembrança do Brasil, e melhor de tudo, voltar ao Brasil chegando ao Galeão".
Com todo o respeito e até em memória da grande ligação de Jobim com a natureza, Sua Excelência é uma anta mesmo. “Samba do Avião” não tem nada a ver com política e muito menos com a volta dos exilados. Isto até seria impossível. Os exilados voltaram em 1979 e a música é de antes do golpe militar de 1964.
Samba do Avião teve sua primeira gravação em 1962. Naquele ano Elza Laranjeira e Cauby Peixoto cantaram a música, cada qual em seu próprio álbum, que naquele tempo era de vinil. Muito gravaram a música, até que o próprio Tom a gravou no álbum Tom Jobim, também de bolachão preto. E isso foi em 1964, quando óbviamente não havia ninguém voltando ao Brasil por motivos políticos. Acho que nem pra Dilma é preciso soprar que o ano de começar a dar no pé. As informações retirei também da forma antiga, copiando de um objeto chamado livro, de autoria do crítico musical Sérgio Cabral. É uma ótima biografia que ele fez do Tom Jobim, que traz no final uma discografia completa, com as datas certinhas de tudo o que o Tom Jobim fez.
Jobim não fazia músicas com esse sentido político que interessa a tipos (ou tipas, se os petistas preferirem) iguais a Dilma. E é também por isso que sua obra vai ficar. A música de Tom Jobim tem valor universal, sem a necessidade de ligação alguma com fatos. Menos ainda com fatos políticos.
O mais provável é que Dilma ou algum de seus assessores tenham confundido ‘Samba do Avião” com outra canção que fala do exílio e esta sim cita avião, a música ‘Samba de Orly”. Num trecho canta-se “vai, meu irmão, pega esse avião, você tem razão…” e por aí vai. É de autoria de Toquinho, Vinícius de Morais e Chico Buarque. Mas também não tem nada a ver com a anistia. A canção é de 1968. Não tem jeito: além de buzinada, Dilma tem que levar um bacalhau na cabeça.
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Por José Pires

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Duas figuras que dão saudade de um tempo em que parecia que o Brasil iria ser mais inteligente: Tom Jobim e Vinícius de Morais

terça-feira, 1 de abril de 2014


O petista e o doleiro

Não faz muito tempo o PT fez do deputado paranaense André Vargas um de seus heróis, status que ele alcançou entre a militância ao repetir em plena sessão inaugural do Congresso Nacional o gesto com o punho no ar que os mensaleiros fizeram a caminho da prisão para cumprir pena por corrupção. Isso foi no início de de fevereiro e a militância se animou não só com o gesto feito por ele, mas pela óbvia intenção de Vargas em insultar o ministro Joaquim Barbosa, convidado da Casa na condição de presidente do Supremo Tribunal Federal.
A festa dos petistas com seu herói de araque não durou nem dois meses. O jornal Folha de S. Paulo revelou nesta terça-feira que ele viajou com a família para João Pessoa num avião particular fretado e pago pelo doleiro Alberto Youssef. Custo do presente: 100.000 reais.
A descoberta sobre o avião pago pelo doleiro para a viagem do petista veio de uma conversa entre os dois numa mensagem de texto em posse da Polícia Federal. A “Folha” teve acesso ao diálogo. O íntimo bate-papo em que Vargas recebe do doleiro as informações para usar de graça o avião surgiu numa investigação da PF, que apura um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 90 bilhões.
Já a revista Veja conta que Vargas e Youssef se conhecem há vinte anos e o petista e o doleiro trocavam informações sobre negócios variados. Nessa “troca de informações” entrariam dados sobre o programa “Minha Casa, Minha Vida” e negócios do doleiro no Ministério da Saúde. Vargas é político influente no governo do PT e foi relator do “Minha Casa, Minha Vida” na Câmara dos Deputados. Ele é também vice-presidente da Câmara.
Durante a investigação a PF registrou quase 50 mensagens, nas quais os dois usam um código para despistar. Vargas combina reuniões com Youssef e recebe orientações do doleiro. A Veja também informa que o petista passou informações obtidas por ele como parlamentar junto a integrantes do governo. Há duas semanas a revista publicou uma reportagem revelando que o doleiro tem em seu esquema o laboratório Labogen Química Fina e Biotecnologia, que fechou uma parceria com o Ministério da Saúde pela qual receberia 150 milhões de reais em vendas de remédios para o governo. Pois nas mensagens obtidas pela polícia, Vargas e Youssef tratam de interesses do laboratório, que está no nome de um laranja.
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Por José Pires


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Link 1: Vice da Câmara viajou em avião emprestado por doleiro preso
Link 2: PF aponta sociedade entre André Vargas e doleiro preso
 

quinta-feira, 20 de março de 2014

O tucano e suas alegres companhias

Está sendo bastante compartilhada uma foto do tipo "lenda da internet", pelas dúvidas que aparecem sobre sua veracidade. Andam dizendo que é uma manipulação de photoshop para atacar a imagem de Fernando Henrique Cardoso, já que na cena ele confraterniza alegremente com Fidel Castro e Hugo Chávez. Existem versões que dizem até que colocaram a cabeça de FHC no corpo de Lula, mas seria um trabalho muito difícil eliminar no computador o barrigão do Lula. Ora, a foto é verdadeira, sim, e tem até uma cena mais animada entre o tucano e Castro, como pode ser visto na imagem.
Porém, nem seria preciso uma análise técnica para saber que a foto é mesmo do então presidente brasileiro confraternizando de forma efusiva com Chávez e o ditador cubano. O encontro foi muito importante na época e FHC devia sua euforia ao alívio da inauguração da linha de transmissão de energia entre Venezuela e Brasil. Seu governo estava no auge do famoso apagão. No mês anterior havia sido decretado um corte obrigatório no consumo de energia. O encontro entre os três foi no dia 13 de agosto de 2001 e Fernando Henrique Cardoso estava mesmo rindo à toa. Era uma boa notícia no meio do caos.
Não tenho objeção a quem acha que um presidente brasileiro deveria ter um comportamento ao menos mais discreto num encontro com Fidel Castro, mas é preciso observar as diferenças práticas do governo dos tucanos com o governo do PT em relação à ditadura cubana. É bem antiga a relação direta do PT com o regime cubano. Quando foi presidente da República, Lula compareceu sempre com muito gosto ao lamentável beija-mão a Fidel Castro. Mesmo depois de sair da presidência, Lula esteve várias vezes em Cuba e fez questão de distribuir fotos do beija-mão com o ditador. Como presidente, o apoio de seu governo ao autoritarismo na ilha foi total. Lula também fez até aquela famosa declaração colocando os presos políticos de Cuba no mesmo nível dos presos comuns do Brasil. Seu governo também deportou para Cuba os dois boxeadores que, estando no Brasil, tentaram fugir da ditadura de Fidel Castro.
A sucessora de Lula segue a mesma conduta de subserviência. A presidente Dilma Rousseff despejou através do BNDES uma dinheirama no Porto de Mariel, uma verba que o país terá dificuldade para receber de volta. E Dilma também comparece disciplinadamente ao beija-mão com Fidel Castro. Ela esteve em Cuba no final de janeiro e fez questão de distribuir foto promocional do encontro, o que no aspecto oficial não faz sentido. Dilma esteve na ilha como presidente e Fidel Castro já passou o governo para o irmão, Raul Castro. A deferência faz suspeitar de alguma grande dependência política do PT com Castro.
A divulgação da foto parece vir naquela manjada linha petista do "todo mundo é patife igual a nós", mas não cola. Da parte do governo tucano jamais houve apoio algum às graves transgressões aos direitos humanos em Cuba. E cabe também lembrar que Chávez ainda não tinha aprontado no governo. Na verdade a foto serve mais como uma má lembrança aos petistas, que é da dívida política que Hugo Chávez teve em vida com Fernando Henrique Cardoso. Menos de um ano depois dessa foto houve na Venezuela a tentativa de golpe e Fernando Henrique Cardoso teve uma pronta reação contrária à deposição de Chávez. A atitude imediata do presidente brasileiro foi essencial para a derrota dos golpistas venezuelanos.
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Por José Pires


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Imagem - Hugo Chávez, Fidel Castro e o então presidente Fernando Henrique Cardoso, rindo à toa.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Papelão no exterior

Saiu mais uma boa peça de comunicação sobre o vergonhoso apoio do governo do PT à ditaduras pelo mundo. O cartaz que publico aqui vem da Venezuela. Até agora já foram mortos 28 venezuelanos nas ruas e muitos estão presos, sabe-se lá em que condições. O cartaz já corre o mundo, é claro. É verdadeiro na denúncia da contradição do comportamento da presidente Dilma Rousseff em relação ao que acontece atualmente na Venezuela. O incentivo à imposição de um regime fechado na Venezuela não é de hoje. Para favorecer o chamado governo bolivariano, que na época estava com Hugo Chávez, abriu-se até uma brecha fora de propósito para encaixar a Venezuela no Mercosul.
Antes disso, em 2005, o então presidente Lula chegou a dizer durante solenidade de assinatura de um acordo entre as estatais de petróleo brasileira e venezuelana que a Venezuela tinha democracia "em excesso". O Brasil levou na cabeça neste acordo comercial, em prejuízo que tem sido comum nos apoios do governo do PT a ditadores pelo mundo. Não sei se existe algum lucro pessoal para os nossos dirigentes, mas não há dúvida de que o Brasil só perde. Os petistas perdoaram dívidas até de países africanos dominados há décadas por cleptocracias. Até o momento já foram perdoados US$ 900 milhões, em acordos que servem apenas para o fortalecimento de ditadores. Este dinheiro que o Brasil colocou naqueles países já havia sido embolsado por dirigentes africanos corruptos.
Temos também o apoio extremado ao regime dos irmãos Castro, na relação de estranha submissão do PT a Fidel Castro, um domínio sobre o qual talvez um dia surjam explicações do que houve nos bastidores. Tem que esperar a democracia na ilha. O nosso BNDES já despejou US$ 957 milhões no famoso Porto de Mariel. Custa caro o apoio ao regime cubano, uma ditadura que já dura mais de 50 anos e vive em estado falimentar desde o final da subvenção que vinha da extinta União Soviética. Também aqui no nosso continente, Evo Morales pegou para a Bolívia um belo pedaço da Petrobrás.
O apoio a ditaduras na América do Sul e na África custa muito dinheiro e afeta negativamente a imagem do nosso país no exterior. Pelo mundo afora o Brasil vem ficando conhecido como um país aliado aos destruidores de democracia. Este cartaz que já se multiplica pela internet é apenas a expressão do estrago que o governo do PT vem fazendo na imagem internacional do Brasil.
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Por José Pires

A morte exibida pela internet

Todos já devem saber do assassinato da menina Yorrally, de 14 anos, morta pelo namorado depois de ser bastante agredida. O criminoso gravou tudo em vídeo pelo celular e passou para o celular de amigos. Também postou na internet. Numa dessas coincidências que dizem muita coisa nestes tempos terríveis em que estamos vivendo, o assassino tinha exatos 17 anos, 11 meses e 28 dias de idade quando cometeu o crime. Sendo menor de idade deve ficar no máximo três anos preso.
A história é horrível e ficou ainda mais espantosa com esta loucura da gravação da morte da menina, mas o que ocorreu não é menos cruel do que tem acontecido todos os dias pelo país afora em crimes praticados por delinquentes que acabam sendo amparados pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). O estatuto foi criado com a intenção de proteger a criança e o adolescente e ninguém está querendo que ele seja anulado, mas o que se pergunta cada vez mais é se não é uma insensatez na situação atual do Brasil manter de forma absoluta esta proteção. Ao invés de proteger o adolescente que se desencaminhou na vida por variadas razões, o ECA já está servindo como amparo a criminosos cruéis e pode ser visto também como um estímulo ao crime nesta faixa de idade.
Mas existe um jeito de resolver isso sem afetar a devida proteção que toda criança e adolescente deve ter? A solução não só existe como já havia sido encaminhada pelo senador paulista Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), hoje em dia o parlamentar brasileiro de maior coragem para enfrentar temas difíceis sem se intimidar com a máquina de difamação do politicamente correto e dos esquemas governistas de comunicação.
Noutra coincidência também muito apropriada para estes difíceis tempos, poucos dias antes de Yorrally ser assassinada de forma cruel a Comissão de Constituição e Justiça do Senado considerou inconstitucional uma proposta de Aloysio que permitia processar criminalmente o menor entre 16 anos e 18 anos. Isso ocorreria só com a autorização de um juiz e depois de avaliação médica. A proposta previa a possibilidade do processo criminal apenas no caso dos crimes hediondos.
A emenda do senador tucano visava o a Artigo 228 da Constituição, que prevê a inimputabilidade de menores de 18 anos. Sua intenção era muito simples. Se além de matar Yorrally o criminoso invadisse a sua casa (isso mesmo, leitor: a sua) um dia antes de completar dezoito anos e praticasse outras barbaridades também estaria solto em menos de 3 anos. Com a emenda ele poderia ser processado e punido em conformidade com a gravidade do crime.
A proposta de emenda foi recusada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado por 11 votos a 8. Os votos a favor foram, além do senador Aloysio Nunes Ferreira, de Cássio Cunha Lima (PSDB), Cyro Miranda (PSDB), Armando Montero (PTB), Magno Malta (PR), Pedro Taques (PDT), Ricardo Ferraço (PMDB) e Romero Jucá (PMDB).
Votaram contra a possibilidade de processar menores entre 16 e 18 anos em caso de crimes hediondos os senadores Lúcia Vânia (PSDB), Randolfe Rodrigues (PSOL), Inácio Arruda (PCdoB); Antonio Carlos Valadares (PSB); Roberto Requião (PMDB), Eduardo Braga (PT); Angela Portela (PT), Eduardo Suplicy (PT), Aníbal Diniz (PT), José Pimentel (PT) e Gleisi Hoffmann (PT).
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Por José Pires


Imagem - A mãe de Yorrally viu o vídeo da sua filha sendo morta. Veja neste link uma entrevista com ela, mas prepare o seu coração. É duro.