domingo, 10 de abril de 2016

Datafolha e a pesquisa que confere com o interesse do Lula

Calma, pessoal. Esse instituto Datafolha que diz que Lula está muito bem para as eleições de 2018 é o mesmo Datafolha que no dia 3 de outubro de 2014 dava em pesquisa que — em votos válidos — Dilma Roussef estava com 45%, Marina Silva com 27% e Aécio Neves com 24%. Me lembro que esses números animaram bastante o governo do PT e causaram prejuízo à oposição, mas no final o resultado foi muito diferente. E o Datafolha é propriedade da Folha de S. Paulo, aquele jornal que em maio de 2010 deu uma das manchetes mais absurdas que já se viu na imprensa brasileira. Veja a imagem. Eles diziam que o futuro de Lula poderia ser a secretaria-geral da ONU ou a presidência do Banco Mundial.
Pois é, o jornal publicou um negócios desses a sério e abrindo em manchete. O "furo jornalístico" vinha com a assinatura de Kennedy Alencar, jornalista que foi assessor de imprensa do PT. É claro que a ida de Lula para a ONU ou pro Banco Mundial teve republicação em toda a imprensa, pois já naquela época não se usava nem o bom senso antes de repassar notícia. E o esquema de comunicação e propaganda governista fez a festa. Era o ano da eleição de Dilma, apadrinhada pelo presidente que eles diziam que estava tão por cima que depois de terminado seu mandato poderia escolher entre a ONU e o Banco Mundial. Como se vê, ô turma ruim em previsão do futuro. Ocorre que, mesmo eles tendo errado no sucesso internacional do Lula, para a eleição de Dilma até que foi um acerto a manchete furada.
Nem vou discutir se hoje em dia Lula tem mesmo alguma chance em eleição, mas qual é o sentido de uma pesquisa para eleição de presidente da República que depende de tantos acontecimentos, como o impeachment e a eleição municipal deste ano? No entanto, independente de qualquer suspeita, no geral pesquisas eleitorais não costumam conferir com a realidade, muito menos as do Datafolha. Na eleição de 2014, como eu disse, o erro foi grande. Naquela disputa presidencial, o clima que o instituto da Folha de S. Paulo vinha criando com a proximidade da hora do voto era sempre desfavorável à oposição. Pesquisa pode servir para isso. Desestimulam o eleitor a votar em um ou outro candidato a acaba-se construindo uma realidade que serve a determinado interesse.
Naquele ano finalizaram com um balde de água fria sobre o eleitorado dos tucanos. Repito os números: Dilma Roussef com 45%, Marina Silva com 27% e Aécio Neves com 24%. Essa última pesquisa criou uma certa decepção entre os eleitores. A expectativa entre os tucanos não era esta que supostamente havia sido detectada. A pesquisa do Datafolha serviu também para dar uma animada na campanha de Dilma e deve ter influenciado uma última subida dela. Porém, os tucanos não caíram no desânimo, tendo o candidato Aécio Neves à frente na combatividade. E no final, ao contrário do que afirmava o Datafolha, deu segundo turno com números muito diferentes: Dilma 41,59%, Aécio 33,55%, Marina Silva 21,32%. Como se costuma dizer, a Folha errou e o Datafolha idem. Bem, se é que foi mesmo um erro.
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POR José Pires

Cala-boca petista

Foi demitido o zelador José Afonso Pinheiro, do Condomínio Solaris, onde fica o triplex que o ex-presidente Lula queria que acreditassem que não é dele. Pinheiro foi uma da testemunhas na investigação que apura corrupção envolvendo a propriedade do imóvel. O promotor Cássio Conserino, que investiga o chefão petista, disse que há “fortes indícios de represália” ao depoimento do zelador que, ainda segundo ele, foi "absolutamente esclarecedor”. O zelador demitido pensa a mesma coisa. "Depois de eu ter dado o depoimento, a engenheira da OAS disse que eu tinha falado demais. O síndico mesmo disse que eu tinha falado demais. O pessoal deixa esfriar um pouquinho e acaba sobrando para a gente que é menos favorecido", ele disse.
É desse jeito mesmo. Esse tipo de represália é bem próprio dos petistas.Fizeram algo parecido com o caseiro Francenildo, que teve até quebrado de forma criminosa seu sigilo bancário e sua conta na Caixa foi vazada. Foi no começo dessa onda de corrupção petista, entre 2005 e 2006, quando azeitavam o esquema que veio a dar no maremoto que quebrou o país moral e economicamente. Francenildo havia dito na época que o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, frequentava uma mansão de lobistas em Brasília, onde se dividia dinheiro de corrupção e também faziam animadas festas com prostitutas, ou "garotas de programa", como preferem os bacanas que costumam comprar de tudo, até o corpo das pessoas. Francenildo passou o diabo depois de também "falar demais", acusação que geralmente recebe no Brasil quem fala nada mais do que a verdade.
Esta é uma espécie de regra tácita que pune quem age com franqueza e honestidade. Faz parte do caráter nacional. Atinge a todos nós, nas mais diferentes situações, mas especialmente no trabalho. Nos escalões inferiores as pessoas naturalmente ficam obrigadas a calar até sobre questões que poderiam tornar mais eficiente o trabalho e melhorar a produção. Para subir na vida ou ao menos sobreviver é preciso ser dissimulado. É uma das razões da dificuldade das coisas darem certo no país. O que o PT fez no caso foi parecido com o que se deu com a corrupção na mão deles. Aproveitaram um sentimento que já existia e fizeram disso uma prática constante, criando até mesmo uma máquina de difamação e de intimidação contra os que “falam demais”. Não podia ser diferente na situação do zelador do edifício onde a empreiteira OAS fez reformas caríssimas e mobiliou o triplex com produtos do bom e do melhor, com Lula e família de olho nas obras e conferindo cada detalhe dos móveis que não foram pagos por eles.
O zelador Pinheiro falou só do que viu enquanto estava trabalhando. Ele disse aos promotores que a ex-primeira-dama Marisa Letícia, mulher de Lula, "chegou a frequentar o espaço comum do edifício indagando sobre o salão de festa, piscina, áreas comuns". E isso é “falar demais” no país dos planos do PT. Não se pode falar a verdade. O brasileiro que eles querem é o que finge que nada viu e diz só o que foi combinado. É preciso mudar essa condição hipócrita. E isso começa por tirar o PT do poder e anular o papel da esquerda em nosso país, que vem sendo nocivo no geral, em todas as instituições em que eles têm algum poder. Chega de país de mentirinha, mas para haver essa transformação é preciso mudar muita coisa além de tirar esse partido nefasto do poder.
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POR José Pires

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A feirinha do ex-ministro Cardozo

Está a maior zoação com a defesa da presidente Dilma Rousseff na Comissão do Impeachment, feita pelo ex-ministro José Eduardo Cardozo, atualmente na Advocacia-geral da União. Num trecho ele explica os decretos de Dilma usando um gráfico com verduras e legumes, chamado por ele de "feirinha do orçamento". É aquele tipo de coisa que a gente até suspeita ser invenção publicada na internet só para tirar sarro do adversário, mas o impressionante é que Cardozo fez isso mesmo.
Mas eu penso que é preciso considerar as razões do ilustre causídico da feirinha do orçamento. Cardozo passou os últimos anos ao lado de Dilma, como um dos ministros mais presentes ao trabalho cotidiano da presidente. Imaginem quantas vezes Cardozo não teve que criar um gráfico de feirinha para que Dilma pudesse entender o assunto. Pois então ele tomou gosto pela coisa e agora usa o método como importante ferramenta da sua profissão.
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POR José Pires

Os eleitores insatisfeitos de Temer

Os petistas pegaram uma birra hipócrita com o vice-presidente Michel Temer, daquela forma até bobinha de petista destratar absurdamente quem até há pouco estava com eles e que se cometeu algum malfeito só pode ter sido com o PT, já que nem houve tempo para nenhuma falcatrua depois do espertão passar pro lado do impeachment. Mas é preciso esclarecer muito bem que não votamos no Michel Temer. Quem fez isso foram os petistas. Aliás, não votamos no Temer exatamente porque ele estava muito mal acompanhado.
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POR José Pires

Impeachment ao estilo Dilma


Para haver um impeachment é preciso um motivo jurídico, no entanto, a partir disso o processo de impeachment passa a ter vida própria. A presidente Dilma Rousseff danou-se porque com cada atitude sua foi dando uma dimensão própria ao impeachment. Ficou a cara dela. É aquela história de "cada ato, uma consequência". No caso de Dilma, cada coisa que ela faz para se livrar do impeachment acaba por acrescentar mais um motivo para que o instrumento seja usado contra ela.
Dito isso, um governista cretino (com o perdão do pleonasmo) deve logo dizer: "Tá vendo? Qualquer coisa serve para tirar Dima!". Não é bem assim. Só um petista poderia pensar no uso irresponsável de um dos instrumentos mais rigorosos da Constituição. Mas é isso é bem deles. São irresponsáveis desde quando eram oposição, então estão sempre acusando os outros de irresponsabilidades que são só de suas cabeças.
O impeachment de Dilma tem um fundamento legal muito objetivo. Ponto. O que ocorre é que com o processo em andamento vai-se estabelecendo ou não um fortalecimento político da tese, independente dela ser um fato jurídico indiscutível, o que acontece neste impeachment. A opinião pública pode definir a votação no Congresso e o PT tanto sabe disso e aceita o fato que, para intimidar, logo colocou seus camisas vermelhas profissionais na rua. É neste aspecto, especificamente no andamento do processo, que o impeachment acaba sendo sempre um ato político, ainda que (tem que repetir tudo com esses cretinos patrulhando) esteja muito bem embasado na Constituição.
Na tentativa de salvar seu mandato, Dilma foi interpondo uma porção de razões suplementares para a necessidade de sua queda. Auxiliada pelo astutíssimo ex-presidente Lula no papel informal de bancada de defesa, essas razões para a queda tiveram um aumento impressionante. Notem que o apoio na opinião pública vem crescendo gradativamente. Cada vez que Lula junta seus camisas-vermelhas profissionais a sociedade civil entende um pouco mais que existe um perigo maior para o país além da confirmada incompetência administrativa e a desonestidade.
Assim, pode-se dizer que no Brasil pode passar a existir dois tipos de impeachment. O normal e o "impeachment da Dilma". Esta novidade política é de uso mais amplo, para coibir a incompetência criminosa, o desvario moral e para punir com a retirada imediata do poder qualquer governante ou partido que tenha como projeto político a reconstrução de muros ideológicos para barrar a democracia.
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POR José Pires

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Desonestidade pior que a de ladrões

Quem apoia o governo de Dilma Rousseff por dinheiro e poder está sendo mais honesto politicamente do que aqueles que fazem isso usando essa conversa fiada de "defesa da democracia". Os que levam grana e recebem benefícios políticos pelo menos agem obedecendo a uma lógica e se arriscam com isso, o que não dá para dizer sobre quem se apoia em discursos pretensamente éticos, falando em coisas como “defesa da democracia”. Tem muita gente se fazendo de besta com esta conversa, masno fundo sabe muito bem que se um negócio desses der certo o resultado posterior será o de abrir caminho para que maiorais da corrupção escapem de pagar por seus crimes. Um isentão desses que torram nossa paciência na internet tem menos caráter do que o aplicado petista Silvinho Land-rover, que até ser preso pela Lava Jato cumpria lá no ABC paulista com suas obrigações governistas e fazia isso sem fingir que era outra coisa.
Quem fica ao lado de Dilma e do PT por dinheiro e poder está agindo no final das contas com muito mais franqueza do que aqueles que usam hipocritamente discursos éticos, alguns até com alguma vergonha do jogo sujo que na verdade sabem que estão apoiando. É uma indecência usar uma falsa ameaça à democracia para defender um governo sabidamente corrupto e de uma incompetência criminosa, que vem destruindo empresas públicas e arruinando a economia brasileira. Mas esse pessoal que vem tentando engambelar a opinião pública que se cuide com o próprio futuro. Mesmo que não estejam levando grana, o que fazem hoje em dia é mais desonesto na essência, muito pior do que a atitude de seus companheiros gatunos. Estes apenas roubam, sem apelar falsamente para a ética e nem se aproveitar de uma fingida imparcialidade, usada na difamação aos brasileiros que trabalham de fato para salvar nossa Nação.
Existe o governista ladrão de dinheiro público e o governista que rouba para uso fajuto o discurso ético de uma época em que a ditadura esteve realmente sob ataque de forças autoritárias. Esta falsidade, típica de ladrões de consciências, ficará como uma marca na vida de cada uma dessas traíras que apoiam de forma ardilosa este governo nefasto. Num futuro que não está tão longe, quando essa corja petista estiver fora do poder e mais sujeiras forem aparecendo, somando-se às barbaridades de que já sabemos, então ficará difícil justificar este apoio, ainda mais da maneira hipócrita que está sendo dado. É provável até que os gatunos tenham mais facilidade para explicar-se quando vierem as cobranças. Os que hoje em dia posam de idealistas em defesa da democracia ficarão numa situação muito difícil. Como não levaram dinheiro nesta lambança condenada atualmente por quase a totalidade dos brasileiros, com tudo o que será revelado até lá só restará aos isentões de agora se confessarem como completos idiotas.
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POR José Pires

quinta-feira, 31 de março de 2016


quarta-feira, 30 de março de 2016

Lula e Dilma na bacia das almas

Na situação em que ficou a presidente Dilma Rousseff com a retirada do PMDB de seu governo, vem a tentacão de escrever que ela está na “bacia das almas”. A expressão já vem sendo usada desde o início do ano, quando revelou-se a realidade que nós, os chamados “catastrofistas”, dizíamos que o PT acobertava desonestamente. Mas creio que é inapropriado o uso dessa expressão somente agora. Este ciclo de governos faz política na bacia das almas desde o começo da sua formação, já no primeiro mandato de Lula, que deu início a este ciclo desastroso de governos, que estava indo para quatro mandatos consecutivos, mas parece ter os dias contados até o corte abrupto de um impeachment.
A expressão “bacia das almas” é sobre a dificuldade de vender algo e costuma ser usada quando existe a obrigatoriedade dessa venda ser feita em qualquer condição, inclusive com o preço abaixo do que se obteria em uma condição normal. No caso de Dilma, ela terá mesmo que oferecer benefícios extras para que aceitem fazer negócios com ela. Acho mais acertada a expressão no sentido do uso de um recurso final, que vem após outras oportunidades já terem sido usadas ou menosprezadas. Dilma fez tanto uma coisa quanto outra, de vários jeitos. De qualquer forma, a expressão tem sempre o sentido de uma ação desesperada depois de perdidas todas as opções. Para se ter uma ideia do problema, a expressão, que é de origem católica, tinha no período medieval uma relação com angariação de dinheiro para missas em favor das almas do purgatório.
E foi na bacia das almas o batismo desse governo, ainda com Lula, em seu primeiro mandato. Nos acordos da primeira eleição de Lula, em 2002, entrou dinheiro para o convencimento da formação da chapa com o Partido Liberal (o PP de hoje), que entrou com o senador José Alencar como vice do petista. A primeira vitória teve que ser construída com a montagem de um quadro eleitoral que facilitasse a campanha do PT. Para isso tanto precisavam do PL de Alencar como era necessário também evitar sua aliança com o PSDB. E precisavam do vice senão teriam de sair com chapa pura. Na hora do acerto, Lula ainda falou para Alencar: "Vamos sair porque esta conversa é entre partidos, não entre candidatos". Os dois candidatos ficaram na sala e os demais políticos foram para um quarto do apartamento falar de dinheiro. O partido de José Alencar já estava para lançar uma nota dizendo que a coligação PT-PL não ia sair, quando José Alencar falara com Lula, fazendo a ponte para o acerto. Por isso, Lula estava em Brasília para resolver o assunto.
O depoimento de Costa Neto sobre o acordo é um demonstrativo claro do batismo na bacia das almas desse ciclo desastroso do governo do PT: “O Lula e o Alencar ficaram na sala e fomos para o quarto eu, o Delúbio e o Dirceu. Eu comecei pedindo R$ 20 milhões, para levar uns R$ 15 milhões. Daí, ficou aquela discussão. Uma hora, o Zé Alencar entrou e falou: ‘E aí, já resolveram?’ Eles achavam que iam arrecadar R$ 40 milhões. Eu falei: ‘Tira R$ 15 milhões para a gente. É justo’. Eles ameaçaram ir embora. O Lula mandou ligar para o Patrus Ananias e avisou que, se a conversa não desse certo, ele seria o candidato a vice na chapa. Uma hora, o Dirceu chegou a dizer ‘acabou’. Eles batiam tanto o pé comigo que eu pensei: ‘Ô povo firme. Esses vão me pagar rigorosamente em dia’. Daí chamei o Zé Dirceu de volta para o quarto. O Zé Alencar veio junto. Falei: ‘Vamos acertar os R$ 10 milhões’. Voltamos para a sala e avisamos: ‘Está fechado’. Lembro ainda que o Zé Alencar falou "peça tudo por dentro".
Assim, o que começou torto e jamais se endireitou, vai acabar do mesmo jeito. A situação desesperadora de Dilma completa o ciclo desse governo, que começou e se finda na bacia das almas. Porém, acho difícil que eles se livrem de um destino infernal.
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POR José Pires

Lula sem linha

A situação patética do ex-presidente Lula na semana passada, com dificuldade de ser atendido até pelo vice-presidente Michel Temer, me fez lembrar do dia em que ele se negou a conversar com José Dirceu ao telefone. Isso foi no início do ano passado. Dirceu ligou para o Instituto Lula e pediu uma conversa com Lula, que em vez de recebê-lo mandou Paulo Okamoto retornar o telefonema. "Do que você está precisando, Zé?", perguntou o notório escudeiro de Lula. Foi então que Dirceu deu uma resposta que depois ele questão de repassar para a imprensa: "Você acha que vou ligar para pedir alguma coisa? Vocês me abandonaram há tempos". E a conversa acabou nisso.
A intenção de Dirceu ao telefonar para Lula era acertar em conjunto uma estratégia de defesa. Ele já devia saber das encrencas que iriam surgir para o lado dele com o desenvolvimento das investigações da Operação Lava Jato e pelo jeito também sabia que desta vez o Ministério Público chegaria até Lula. Porém, este parecia julgar-se protegido pela aura mística criada em torno da sua figura e escudava-se também no respeito institucional a um ex-presidente. Lula também tem o hábito de largar para trás companheiros caídos em desgraça. E como José Dirceu sempre foi o único político em nível parecido ao dele nas decisões do PT, parece que Lula viu na desgraça do companheiro uma possibilidade de ampliação de seu poder político.
Na situação atual de Lula é provável que ele se arrependa de não ter escutado o que José Dirceu tinha para lhe dizer. Na semana passada, com o vice Michel Temer, o tratamento que recebeu foi parecido ao que deu ao companheiro de partido. Temer se negou a atender dois telefonemas seus. Depois Lula foi avisado pelo vice que não havia mais como segurar o PMDB no governo, saída que afinal foi decidida em reunião nesta terça-feira do diretório nacional que durou menos de cinco minutos e se deu com gritos de "Fora, PT!". É óbvio, mas muito óbvio mesmo que Lula pode apagar da agenda o número do telefone de Temer. Não sei se ele está com o número de José Dirceu — talvez seu assistente Okamoto saiba de cor —, mas agora não importa. Para qualquer telefone que ele discar, agora não ouvirá de forma alguma um clique abrindo um diálogo na outra ponta. O chefão do PT não tem mais com quem conversar, até porque nada mais tem a oferecer.
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POR José Pires

Um vice pronto pra ser promovido

Já seria muito ruim para a presidente Dilma Rousseff o PMDB deixar o governo, mas a saída aos gritos de "Fora, PT!" indica que o partido do vice Michel Temer deve marchar com os ânimos exaltados para o impeachment. O pior mesmo é o sinal de ruína iminente (e estridente) emitido pelo PMDB ao sair de um governo. Já é tradição na política brasileira que quando os peemedebistas dão o fora de um governo é porque a situação já não permite mais nenhuma tentativa de conserto. Fora o aproveitamento do poder, cuja dispensa pelos peemedebistas demonstra que já não tem garantia alguma.
E tem o vice, é claro. A situação piora consideravelmente para um governante sob o risco de impeachment quando ao seu lado está um vice com a ambição de ser promovido. Está aí um problema duro de administrar: como Dilma pode evitar sua queda quando na sua ocorrência a continuidade do governo fica com o agora desafeto Michel Temer? É complicado. E como conheço bem os petistas, sei da disposição deles para piorar a questão. Não que Temer precise de mais motivação do que isso para trabalhar pelo impeachment, mas guardem um pouco das suas gargalhadas para quando a militância petista começar a sentar o cacete no ex- aliado. Só se Dilma e Lula tivessem muita coisa para dar é que não teríamos o impeachment, mas os dois terão muita dificuldade de convencimento, já que a segunda metade do governo só Michel Temer pode oferecer.
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POR José Pires

quinta-feira, 24 de março de 2016

Obama e a abertura para Cuba

O presidente Barack Obama desceu de avião neste domingo em Cuba com uma enorme delegação. São mais de mil integrantes, com uma enorme participação de empresários, além de parlamentares. A imprensa fala em cerca de 40 parlamentares. Com Obama, viajaram também sua mulher e as duas filhas, o que realça o gesto de aproximação do presidente americano. Conservadores americanos e também aqui do Brasil estão nervosos com o que a diplomacia americana vem fazendo em relação à Cuba e, como sempre, analisam de forma errada a questão. Sobre Cuba e a direita e esquerda sempre erraram muito. O país sofreu bastante com os dois lados políticos. Desde a derrubada do ditador Fulgêncio Batista, em 1959, os Estados Unidos vem agindo de forma bossal na sua relação com o problema criado com a subida ao poder de Fidel Castro, líder da revolução que derrubou Batista e ditador que se colocou em seu lugar, desta vez com um regime comunista que destruiu o país no aspecto político, econômico, cultural e sabe-se lá o que mais. Depois da saída dos irmãos Castro podem surgir revelações pesadas e com certeza o legado político do que foi feito em mais de 50 anos será desastroso para a esquerda brasileira.
A partir da chegada de Obama à ilha deve ser estabelecida uma ponte que trará benefícios aos dois países e a todos nós que assistimos a essa encrenca há tanto tempo. O fortalecimento da democracia deve ir muito além de mudanças políticas inevitáveis que ocorrerão em Cuba. Obama pode também fixar-se historicamente como líder da transformação da imagem dos americanos como financiadores, estimuladores e muitas vezes chefes de uma direita criminosa que desde a década de 60 dominou os governos de grande parte da América Latina. Sempre tiveram uma visão militarista para a América Latina, cujo resultado foi o de fortalecer no continentes grupos paramilitares do pior tipo e uma direita sanguinária, gatuna e incompetente. Por trás dessa política esteve sempre a mão pesada do Partido Republicano, cuja diplomacia para a América do Sul é uma política de gangues. E como se vê na campanha eleitoral americana, ao invés de progredir os republicanos sofreram uma regressão política nas últimas décadas. Donald Trump ou Ted Cruz, tanto faz um ou outro para se notar que mentalmente não diferem de um Ronald Reagan, com o agravante de terem uma imagem pessoal muito mais próxima de um Richard Nixon.
A esquerda também perde muito. Para o bolivarianismo se dar mal no continente nem era preciso o Obama descer sorrindo em Cuba. Esse tipo de visão política já demonstrou ser inviável em vários países, inclusive no Brasil. No entanto, agora acabou até o uso de Cuba como justificativa para o autoritarismo de gatunos esquerdistas. A entrada dos americanos na ilha de Fidel Castro, desta vez de forma democrática, deve acabar de vez com as ilusões fraudulentas d esquerda em nosso continente. Isso evidentemente está na dependência de uma continuidade do Partido Democrata no poder, possibilidade que deve ser fortalecida pela chegada de Obama a Cuba. Conservadores e direitistas, inclusive brasileiros, estão errados nas análises sobre o gesto histórico de Obama, não só sobre o efeito em Cuba, que deve ser o fecho do regime castrista, fortalecendo uma via democrática e evitando no país a rapinagem e o revanchismo da direita cubana. O efeito eleitoral deve ser também positivo para o Partido Democrata. Obama está mandando uma forte mensagem a uma ampla faixa do eleitorado americano que neste assunto tem o coração como um peso determinante, afinal é da diplomacia americana que dependerá a sorte de suas famílias nos países de onde vieram. E para os amigos, primos, irmãos, pais e mães, avós e antepassados dessa gente o Partido Republicano já ofereceu um muro um pouco pior do que aquele que dividia Berlim ao meio.
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POR José Pires

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Imagem: O Bar Floridita, local que o escritor americano Ernest Hemingway marcou na cultura mundial e onde colheu muita inspiração

Corrupção de alta tecnologia

Com a operação desta terça-feira da Lava Jato — a 26ª e com o nome Operação Xepa — o Ministério Público revelou um sistema organizado de propina na empreiteira Odebrecht, onde havia um departamento exclusivo para pagamentos ilícitos. Tinha até nome: Setor de Operações Estruturadas. O sistema era todo informatizado, uma "intranet da propina", que conforme depoimento da secretária Maria Lúcia Tavares fazia constar todos os pagamentos paralelos no sistema "MyWebDay". Altos executivos da empresa é que eram os responsáveis pela liberação de pagamentos no sistema informatizado de corrupção.
Coisas desse tipo demonstram o que seria do nosso Brasil se o esquema descoberto pela Lava Jato fosse mantido impune e em funcionamento por mais uns anos, o que favoreceria a volta do próprio Lula ao governo federal, o sonho dourado dele de voltar a mandar diretamente a partir de 2018. Estaria instalada uma sólida cleptocracia em nosso país, submetendo os brasileiros de tal forma a um sistema político totalmente corrupto que aí então seria muito difícil tirá-los do poder. A bem da verdade, é preciso dizer que o golpe era este que está sendo desmontado pelo Ministério Público e os brasileiros de bem que criticam, fazem oposição firme e vão pras ruas manifestar seu descontentamento. Não vai mesmo ter golpe. Ele foi desmontado pelo contragolpe da Justiça e da sociedade civil.
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POR José Pires

O gênio embananado da política brasileira

Durante muito tempo tive que suportar até gente de grande capacidade de análise afirmando que Lula era um às da política e uma pessoa de inteligência rara. Sempre discordei disso e venho falando e escrevendo nesses anos todos que apesar de ele não ser evidentemente nenhum bobalhão, o chefão do PT estava na média do que é o político brasileiro, nem um pouco acima disso e bem abaixo de alguns deles. O que ocorre é que a vida é feita de oportunidades e acasos, que podem ser muito mais determinantes do que o talento.
Foi isso que Lula teve e soube aproveitar, além de ter uma boa sorte que já chamei de "sorte inversa", favorecendo-se de fatalidades e acontecimentos que o beneficiaram bastante. Existem vários fatos políticos que foram dando espaço para seu crescimento político. Entre esses tantos, cito as mortes de Mário Covas, Ulysses Guimarães e do próprio Tancredo Neves, ocorridas de formas muito diferentes. Com mais alguns anos de vida para esses três, Lula encerraria sua vida política talvez como deputado federal, atividade de que ele não gostava e na qual foi um dos mais medíocres do Congresso Nacional. Mas, enfim, não foi de outra forma que transcorreu a vida brasileira.
Lula sempre foi o centro do esquema de poder do PT em razão da decisão política de tê-lo como um mito, mantida até a vitória eleitoral que levou o partido ao poder. Ocorre que o funcionamento deste esquema não tinha suas decisões apenas no seu comando pessoal. Havia uma organização coletiva para isso, com laços inclusive fora do partido. Isso até o momento em que ele passou a acreditar com fé ainda maior no próprio mito e tendo a coincidência disso acontecer em conjunto com as quedas sucessivas de lideranças históricas, como foi com José Dirceu e outras figuras da cúpula petista. O mensalão foi um fato determinante neste corte de cabeças, mas o desmonte sempre contou com ações vindas do próprio caráter autocrático de Lula. Daí em diante ele foi sendo cada vez mais determinante nas decisões estratégicas e na administração do poder. Deu no que deu, porque ainda que tenha forte intuição e muita esperteza, sua capacidade não vai muito além do papel de mito que era reservado a ele. Lula não é o cara, nunca foi. Isso foi só uma brincadeira de Barack Obama. Mas quem poderia explicar ao petista, investido de tanto poder, sobre suas limitações e o risco político da personalização excessiva do planejamento e da decisão?
Creio que a situação atual do chefão do PT demonstra na prática a minha tese, que não é de agora, repito. Este destino fatal de Lula é resultado de uma porção de decisões suas totalmente equivocadas, muitas delas que ele poderia ter avaliado simplesmente lendo bons analistas políticos que apontaram repetidamente os equívocos, muitas dessas análises trazendo inclusive projeções políticas muito certas. Sua decisão mais idiota, todos sabem muito bem, foi a escolha de Dilma Rousseff como sucessora. E ele ainda repetiu o erro, mesmo após quatro anos em que ficou muito claro não ser ela a pessoa certa nem para a satisfação do egoísmo desmedido de Lula. Ou melhor, muito menos neste caso, como agora até ele já sabe. Mas Lula não lê, não estuda e não aceita opinião contrária aos seus desejos. Nem é preciso ter muito conhecimento de psicologia para saber o que pode causar uma personalidade dessas no comando de uma nação. Não é a primeira vez que um país sofre desse jeito depois de conceder tanto poder a alguém e nem será a última. Por isso, na derrocada de um líder nefasto como o chefão petista é preciso saber também que a trágica experiência não é uma garantia natural contra erros futuros. Após a finalização deste triste período político esta é uma lição a ser colocada em prática.
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POR José Pires

sábado, 19 de março de 2016

Lula: liberdade de expressão só do interesse dele

Os petistas sempre gostaram bastante de xeretar a vida dos adversários e publicar até mentiras, mas agora andam muito bravos com as revelações surgidas nas gravações feitas pela Polícia Federal de telefonemas de maiorais do PT. Ora, tempos atrás os petistas eram os mais entusiasmados com os vazamentos feitos pelo Wikileaks de informações sigilosas do governo americano. E aquilo que era publicado pelo Wikileaks podia mesmo ser chamado de vazamentos, pois eram informações obtidas de forma ilegal. Então por que essa indignação com a divulgação de grampos telefônicos de conversas entre Lula e seus companheiros? Neste caso não há vazamento algum, ao contrário do que era feito pelo Wikileaks. Os grampos foram autorizados pela Justiça e a divulgação veio apenas depois do levantamento de sigilo decidido pelo juiz federal Sérgio Moro. Então porque a choradeira?
Com os vazamentos do Wikileaks eles não agiram assim. O entusiasmo dos petistas era muito grande a cada revelação publicada pelo site. Eles ficaram tão felizes com aquilo que o próprio Lula, então na presidência da República, fez exaltados elogios em público ao Wikileaks e até prestou solidariedade à Julian Assange, fundador do site. Lula soltou até uma piadinha — como sempre, imprópria para o cargo que ocupava —, dizendo que "o rapaz desembaraçava a diplomacia americana". Mais ainda, ele ordenou em público que fosse publicado no "Blog do Planalto" um protesto, exigindo liberdade de expressão para Assange. A fala de Lula foi em dezembro de 2010, poucos dias antes de passar a faixa para sua sucessora, e está gravada em vídeo. Sua performance em defesa da liberdade de publicação de revelações sobre os bastidores do poder pode ser vista nos links abaixo.
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POR José Pires

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Blog do Planalto: http://blog.planalto.gov.br/presidente-presta-solidariedade-em-publico-ao-wikileaks/
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=zt39mYJu09M

quinta-feira, 17 de março de 2016

Ligações indiscretas

Como diz a moçada, é por serem "sem noção" que os petistas ficam tentando criar confusão em torno das gravações feitas pela Polícia Federal e divulgadas depois de derrubado o sigilo pelo juiz Sérgio Moro. Lula e seu partido perderam a noção do andamento político das encrencas em que se meteram e também estão sem noção sobre a capacidade deles de trabalhar com contrainformação e falsidades. Falta-lhes a noção de que o desgaste político não permite mais as falcatruas midiáticas para as quais criaram um esquema poderoso. E é claro que não entra na cabeça dos sem noção que eles estão também sem as ruas.
O juiz Moro deixou bem explicado do ponto de vista jurídico a legalidade dos grampos telefônicos e da quebra de sigilo que permitiu que os brasileiros soubessem mais um pouco sobre o caráter de Lula e seus companheiros. Em nota, o juiz esclareceu que isso ajudará não só na ampla defesa dos investigados como também no escrutínio público, ou melhor, no direito que todo cidadão tem de xeretar a atuação da administração pública e da própria Justiça criminal. Moro escreveu algo que eu gostei: "A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes". Boa essa, não? Quando eram da oposição os petistas adoravam coisas assim. Nesses tempos, aliás, eles gostavam tanto de xeretar que faziam isso até na ilegalidade, usando seus sindicatos. Mas disso nunca fui a favor.
O juiz Moro deixa também muito claro que mantém-se o "sigilo absoluto" em relação a diálogos de conteúdo pessoal e neste caso Lula deveria agradecer muito que este juiz não seja uma das figuras que petistas costumam encaixar em cargos estratégicos. É o pessoal deles, que de dentro da máquina pública maquinam cada barbaridade que só petista mesmo.
Na Lava Jato já apareceu até cartão de visita da Rosemary Noronha, encontrado numa busca da Polícia Federal nos guardados do Lula. Lembram dela, a Rose? Tem até o número de um telefone escrito à mão. Vá saber por que Lula tinha esse cartão. Mas isso não é pessoal, apesar deles terem sido amantes e ela ter sido do Gabinete Pessoal. O que interessa é que esta senhora está respondendo a processos, por sinal em cargo no qual ela foi nomeada por ele e depois mantida a mando dele.
Não nos interessa nada que não seja estritamente no âmbito das investigações, como bem falou o bravo juiz — bravo nos dois sentidos. Porém, não há dúvida de que deve ter muito papo indiscreto do Lula nesses grampos. Como o cara é um falastrão, é provável que existam conversas que podem dar problemas para ele até em casa. Bem, isso quando a polícia encontrar uma casa que seja dele.
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POR José Pires

O PT fazendo gênero

A política de gênero foi uma das jogadas eleitorais mais usadas pelo PT em suas campanhas. O instrumento político foi mantido no poder, com seu uso posterior pelos petistas no ataque a adversários e como escudo de defesa política. O discurso de gênero serviu também para formar em torno do partido e do governo grupos de fanáticos focados nesta questão como bandeira absoluta, com o governo do PT evidentemente representando como sempre o bem. E os adversários do lado do mal, é claro.
A enganação funcionou nas duas campanhas de Dilma Rousseff, mas do marketing sobrou apenas o ridículo termo "presidenta", para o uso no dialeto reservado à militância em torno do poder. O recurso eleitoreiro trouxe benefício só para grupos profissionalizados de militância, sob o mando de dirigentes saciados na sua ambição política pessoal e de benefícios financeiros, cevados com fartas verbas em suas ONGs de aparelhamento esquerdista. Na prática, o discurso de gênero petista produziu apenas privilégios para grupos de esquerda a serviço do interesse governista. O preconceito e a violência estão mantidos em índices assustadores — fato demonstrado, entre outros, pela escandalosa quantidade de mulheres assassinadas. Também não se ampliou com seriedade o debate e a informação a respeito do direito do indivíduo e da igualdade trabalhista. Ao contrário disso, a militância leviana e agressiva trouxe dificuldade para uma melhor compreensão sobre o assunto.
Esta foi mais uma fraude política de um governo de fachada, que para manter seu projeto de perenização no poder usa de forma inescrupulosa mesmo as questões mais delicadas da vida das pessoas. A farsa ficou mais clara agora, com a divulgação dos diálogos de maiorais petistas gravados pela Polícia Federal. Nos bastidores do poder, eles tratam com espantosa grosseria qualquer assunto, inclusive as grandes questões do Brasil. A vivência petista carece de qualidade política e intelectual. É de uma falta de inteligência e sensibilidade que esclarece muito bem a causa da derrocada desse projeto de poder. O machismo e o desrespeito humano e profissional estão presentes em todas as falas do líder máximo petista. O ex-presidente Lula fala e se comporta como um delinquente. Nada aprendeu de bom e manteve tudo o que tinha de ruim, apesar dos mais de quarenta anos de carreira política, dois mandatos presidenciais e um período de poder pessoal absoluto inédito no governo central, que já vai para 14 anos.
Nessas gravações é possível avaliar a sinceridade de Lula em política de gênero e no respeito às instituições. Uma conversa mais recente dá o tom exato de seu pensamento. O diálogo forma um símbolo dele próprio e de seu partido. A conversa é sobre o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão. Vejam o que Lula diz: "Eu às vezes fico pensando até que o Aragão deveria cumprir um papel de homem naquela porra, porque o Aragão parece nosso amigo". Aquela porra é o ministério da Justiça do governo de seu partido. E ele fala com Paulo Vannuchi, seu ex-ministro de Direitos Humanos. Eu disse que a coisa era altamente simbólica. Não acredito que o fato de ser homem ou mulher faça diferença no comportamento dos seres humanos na política ou no exercício do poder, no entanto fiquei curioso em saber o que seria "cumprir papel de homem" no ministério da Justiça. Uma feminista de esquerda ou um militante homossexual petista talvez possam explicar melhor este pensamento do mestre supremo deles.
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POR José Pires

O editor-chefe do Mino Carta

Os petistas fazem uma marcação cerrada à imprensa, que estão sempre acusando de todos os males e para a qual tinham até um projeto de controle, mas gostam bastante de publicações como a revista Carta Capital, que tem como editor o veterano Mino Carta. A revista é de um governismo vergonhoso. Parece um órgão oficial do governo do PT, fazendo o serviço inclusive nos ataques à oposição. Mas não é pra menos: o editor Mino Carta recebe ordens diretamente do ex-presidente Lula, que até pauta assuntos dos artigos assinados pelo editor.
Essa informação apareceu numa das conversas telefônicas de Lula interceptadas pela Polícia Federal. Nesta segunda-feira, enquanto falava com o ministro Jaques Wagner sobre as manifestações oposicionistas de domingo, o ex-presidente comentou com o ministro sobre as indicações políticas que deu ao jornalista. Ele fala com o tom de editor-chefe do Mino Carta. Vejam o diálogo entre os dois.


"LULA: É, eu acho essa é (ininteligível). Acabei de conversar com o "MINO CARTA" aqui pra ele escrever um artigo, mostrando que teve duas coisas nesse movimento. Primeiro, a vontade das pessoas que o combate à corrupção continue. Sabe?
JAQUES WAGNER: Isso é bem vindo.
LULA: E o MORO representa isso fortemente. Segundo, é que a negação a política é total.
JAQUES WAGNER: "uhum"
LULA: E o resultado disso, você sabe o que é né?!
JAQUES WAGNER: Lógico, é o caminho pro autoritarismo.
LULA: Então eu pedi pro MINO escrever um artigo sobre isso."
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POR José Pires

quarta-feira, 16 de março de 2016


O aloprado Mercadante apronta novamente

Os petistas são uns patetas. Na tentativa de encobrir crimes vão piorando a situação e expondo em público uma impressionante falta de qualidade. Sabe aquela história de roubar e não poder carregar? Com o PT depois tem ainda as explicações sobre as razões da falcatrua não ter dado certo. E aí vão demolindo conceitos de moral, avançam sobre questões como a alma humana e vão avacalhando a amizade, a generosidade, qualquer coisa que sirva para encaixar nas suas justificativas. Eles estão esculhambando tudo durante a queda mais impressionante que este país já viu acontecer com um projeto político. Depois do flagrante na tentativa de comprar o silêncio do senador Delcídio do Amaral, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante disse que espera "que esse país valorize a solidariedade, o companheirismo, o gesto de generosidade, de caridade com as pessoas num momento de tragédia pessoal". Pena que não tem prisão para cinismo ou Mercadante sairia preso da entrevista coletiva.
Mas petista é assim. Enquanto afundam na própria lama vão demolindo conceitos essenciais das relações entre as pessoas. Foi levado por um espírito de fraternidade que o ministro ofereceu suporte financeiro para o senador e também usar a influência política do governo junto ao Senado e até ao STF para libertá-lo e evitar sua cassação. Eu escreveria "pasmem", se não soubéssemos que petista não tem limite algum. Com a divulgação das gravações, de imediato a presidente Dilma lançou nota negando qualquer envolvimento na “iniciativa pessoal do ministro Aloizio Mercadante” de procurar o chefe de gabinete do senador Delcídio do Amaral. Ou seja, revelou publicamente que é uma grande mentirosa ou de uma tolice sem precedentes. A escolha é dela. Ora, em qualquer governo seria impossível que um ministro se dispusesse a uma tarefa tão delicada sem o consentimento do presidente. É claro que é muito mais perigoso na desastrosa situação política de Dilma. Nem dá pra pensar numa coisa dessas sem acertar com a presidente. A não ser que ela seja idiota.
Mas o comportamento de patetas não para por aí. Sei que Dilma tem carência de gente capaz em sua equipe depois do risco dela ter de descer a rampa antes do tempo e talvez correndo. Mas dar a Mercadante uma tarefa dessas só vem comprovar aquele seu defeito insuperável na avaliação de competências. Mercadante é o cara do episódio do dossiê falso contra os tucanos, uma das maiores idiotices da política brasileira. É um aloprado de largo currículo de incompetências. Para saber disso, bastaria ela conferir a atuação dele em seu próprio governo. Antes da Educação ele esteve na Casa Civil, onde teve uma estupenda contribuição para este quadro de isolamento político do governo. A plena confiança de Dilma num sujeito desses em época de crise econômica chega a ser engraçado e até explica em parte o agravamento da crise. Mercadante tem o nome inscrito na história da economia brasileira pela sua influência decisiva para que o PT atacasse com agressividade o Plano Real. No lançamento do plano, sua previsão como economista foi a de que a proposta dos tucanos seria um grande fracasso. Mercadante é assim, o que pode inclusive explicar a admiração que Dilma sente por ele. Ele é o cara que sai para comprar silêncio e volta com um barulhão.
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POR José Pires

O amigo do Lula e a reforma agrária


O depoimento do senador Delcídio do Amaral, na sua colaboração com a Justiça homologada nesta segunda-feira pelo STF, traz uma revelação sobre negócios do pecuarista José Carlos Bumlai em compra e venda de terras para a reforma agrária, que é chamado no documento do Ministério Público de "incursões ilícitas de Bumlai na reforma agrária". Bumlai, que está preso pela Lava Jato, é muito próximo do ex-presidente Lula, amizade confirmada por fotografias e testemunhas. Ouvido pelo juiz federal Sérgio Moro nesta segunda-feira, o consultor Antonio Marmo Trevisan, amigo do ex-presidente Lula, falou que esteve com Bumlai e Lula em encontros sociais na Granja do Torto. A intimidade era grande. Até jogavam um tal de "mexe-mexe", que Lula adora. Bumlai foi do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social na Presidência da República, o Conselhão, criado por Lula. Na semana passada, o ex-presidente escreveu uma declaração a pedido da defesa de Bumlai, onde diz que o amigo é "homem de bem, honesto e pai de família exemplar, tendo-o na mais alta conta".
O senador Delcídio disse aos promotores que Bumlai atuou na venda da fazenda Itamarati, no primeiro governo de Lula. O então presidente chegou a passear de trator na propriedade rural. Foi um dos maiores negócios fundiários do Brasil — de R$ 245 milhões — e era tratado em discursos por Lula como "maior projeto de assentamento do país". Outro projeto de Bumlai, segundo Delcídio, foi da Fazenda São Gabriel, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, estado do senador. Na época, o hectare foi vendido ao Incra por R$ 4.500,00, quando o preço de mercado era de R$ 2.500,00.
O sobrepreço que Delcídio afirma ter sido praticado pelo amigo de Lula evidentemente coloca sob suspeita outros assentamentos feitos em seus dois governos e até nos de Dilma. Quantos projetos de reforma agrária do governo do PT foram negociados dessa forma? O curioso é que com essa bandalheira promovida em cima das necessidades de agricultores pobres o MST não se revolta nem aciona seus militantes, que costumam destruir instalações de empresas que atuam de forma legal. Seria interessante saber qual é a razão de Stédile e seu "exército" ficarem caladinhos com fraudes como as relatadas pelo senador Delcídio do Amaral, que até agora era do PT.
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POR José Pires

sexta-feira, 11 de março de 2016