domingo, 9 de fevereiro de 2020

A lição de cinema do documentário "Indústria americana".

Os documentários “Indústria americana” e “Democracia em vertigem” são duas obras que se enfrentam nesta noite de domingo na festa do Oscar, por isso cabe uma comparação entre os estilos muito diferentes de Steven Bognar e Julia Reichert, diretores do primeiro, e de Petra Costa, autora do documentário brasileiro, que os petistas já acolheram como queridinha do PT, na sua afoiteza prejudicando a imagem de independência que se pretendia para o filme. Petra é uma das figuras mimadas pela militância petista. Críticas ao filme são repudiadas com agressividade, como se o partido do Lula tivesse poder de veto sobre quem coloca em dúvida esta joça.

Na minha visão, “Democracia em vertigem” está encaixado em categoria errada no Oscar. É uma obra de ficção, pautada, dirigida e montada de forma tão manipuladora que dá até vergonha alheia. Os petistas nem escondem a torcida pelo seu sucesso, pois na visão deles seria um reforço e tanto para a narrativa falsa sobre a situação do Brasil que buscam emplacar internacionalmente. Já “Indústria americana” é um filme que não depende da sua sorte na premiação desta noite. Já tomou seu lugar na história do cinema e tem uma larga carreira pela frente. Steven Bognar e Julia Reichert criaram uma obra-prima, tecnicamente perfeita, tratando de um tema de extrema importância não só para os Estados Unidos, mas para o mundo todo.

O documentário americano parte da instalação de uma fábrica pela China em uma cidade no interior americano para debater de forma inteligente os graves problemas do capitalismo no Ocidente e a entrada da poderosa economia chinesa nos Estados Unidos, tentando impor um modelo de produção tremendamente explorador da mão de obra, com pesado arrocho nos salários e a quebra de direitos básicos dos trabalhadores, além do desrespeito ao meio ambiente e a eliminação de regras de segurança coletivas e individuais. É o comunismo, quem diria, buscando submeter trabalhadores a um domínio dos sonhos do conservadorismo americano.

O documentário trata do choque cultural entre trabalhadores chineses e americanos e da dificuldade da implantação da mentalidade chinesa, com seu modo comunista de produção que tromba até com regras muito simples do capitalismo, como o uso de de aparelhagem de proteção. Porém, ao contrário do que fez a brasileira Petra Costa ao tratar do choque político entre a oposição e o PT, os cineastas americanos não foram invasivos politicamente nem procuraram amoldar a realidade em nenhum sentido ideológico ou partidário. Os diretores americanos desenvolvem o assunto abrindo amplos espaços para a compreensão própria de cada espectador, respeitando a inteligência das pessoas, sem manipular o que filmaram e muito menos atuando com pauta política pré-determinada.

“Indústria americana” é o contrário de “Democracia em vertigem”, do ponto de vista técnico e da arte do documentário. E deixo claro que faço a comparação apenas porque os dois filmes estão neste domingo no Oscar. O filme de Petra Costa é de um nível de qualidade inferior demais ao documentário americano e não digo isso apenas pela mentirada que ele contém. É uma obra tecnicamente tão fraca que não consegue alcançar nem seu objetivo como propaganda política de um partido tomado por ladrões e liderado por um corrupto que já pegou até cadeia por seus crimes contra o país.

O filme dos americanos Steven Bognar e Julia Reichert merece ser visto e discutido com atenção, até pelo fato de que o Brasil também vem sofrendo a invasão do tirânico poder econômico da China, mas também porque o documentário estimula o debate de muita coisa importante no campo do trabalho, da política e da globalização que tomou conta de tudo. É um exemplo de inteligência artística e respeito pela capacidade de cada um pensar e tomar decisões por sua própria cabeça. O filme de Petra Costa também merece atenção, mas neste caso é porque representa absolutamente o contrário disso.
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POR José Pires

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Bolsonaro, um presidente que sempre dá pra trás

Mesmo em um governo de tamanhos disparates pega muito mal o encaminhamento que o presidente Jair Bolsonaro vem dando ao caso de Vicente Santini, secretário-executivo da Casa Civil que usou um avião da FAB para se deslocar para a Suíça e de lá para a Índia.

Santini havia sido demitido por Bolsonaro, no modo impulsivo de sempre, depois que o presidente soube do uso indevido do avião para a viagem ao exterior — a um custo de certa de 700 mil reais, o que mostra que neste governo nem gastos de grande dimensão chegam ao conhecimento do gabinete do presidente antes da autorização.

O voador abusado da FAB era o número dois do ministro Onyx Lorenzoni. Estava como ministro interino da Casa Civil, organismo que existe exatamente para evitar coisas como o abuso escandaloso, o que demonstra a bagunça do governo Bolsonaro.

O número dois da Casa Civil foi demitido por Bolsonaro publicamente no dia 28 de janeiro e recontratado às escondidas 24 horas depois como assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil, com quase o mesmo salário, próximo de 17 mil reais. Tudo isso saiu no Diário Oficial. Com o efeito altamente negativo da decisão — que envolveu até a suspeita de que Santini teria sido readmitido a pedido do filho Carluxo —, Bolsonaro resolveu demiti-lo mais uma vez nesta quinta-feira.

Bolsonaro tem mesmo um modo inédito de governar. Como costumava dizer aquele ex-presidente corrupto, “nunca antes na história deste país”. E não deixa de ser revolucionário: com a demissão seguida da readmissão e agora novamente demitindo o voador da FAB, foi implantado no governo federal o recuo do recuo.
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POR José Pires


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Imagem- O presidente Jair Bolsonaro com o ex-secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini, antes da desatinada
viagem com o avião da FAB; Foto Alan Santos, PR

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

O bolivarianismo complica o governo do Partido Socialista na Espanha

A crise venezuelana aterrissou na Espanha, atingindo com impacto o governo do socialista Pedro Sánchez, recém-conduzido à presidência do governo espanhol. A complicação se deve a uma estranha passagem pela Espanha na semana passada de Delcy Rodríguez, vice-presidente do ditador Nicolás Maduro. Seu avião privado desceu em Madri, em escala técnica de viagem até Istambul, na Turquia, contrariando sanção imposta pela União Européia (UE) contra o governo de Maduro. O problema maior para os socialistas foi um encontro no próprio avião entre a vice de Maduro e o ministro de Transportes, José Luis Ábalos. Segundo o governo espanhol, o ministro foi para alertar a dirigente venezuelana de que a venezuelana não poderia tocar o solo espanhol, sob o risco de ser presa.

Delcy Rodríguez está entre 25 personalidades venezuelanas proibidas de viajar a qualquer país membro da UE. Devem ser presos se pisarem o solo europeu. Naturalmente, a oposição reagiu ao encontro de um dos ministros mais influentes do governo Sánchez com a vice-presidente venezuelana, argumentando que bastaria um aviso da torre do aeroporto. As sanções da UE obrigavam a Espanha a impedir o trânsito da vice-presidente venezuelana. O governo esquerdista espanhol vem sendo cobrado por ter aceitado a visita inoportuna. Cabe apontar que certamente a atitude do governo Sánchez seria diferente com a visita incômoda da autoridade de uma ditadura de direita.

Lembro também que foi por ordem de um juiz espanhol, Baltasar Garzón, que o ditador Augusto Pinochet foi preso em 1998 na Inglaterra, depois de ter tomado um chá com ex-primeira-ministra inglesa Margareth Thatcher. Sua prisão marcou de tal forma a jurisprudência internacional em relação a governantes criminosos que obrigou Fidel Castro a tomar mais cuidado com suas viagens ao exterior. Depois disso, o ditador cubano não saiu mais da ilha sob seu poder.

O governo espanhol poderia ter dado seguimento à regra, fazendo a prisão da companheira de governo do criminoso Maduro. Acontece que o Partido Socialista de Sánchez sofre a influência de poderosos membros com forte ligação com o governo bolivarianista da Venezuela. São laços suspeitos, que parecem ser de contas a pagar, obrigações que não seriam apenas ideológicas. É muito parecido com as suspeitas que caem sobre o ex-presidente Lula e seu partido, na incondicional submissão dos petistas ao regime instalado por Hugo Chávez na Venezuela e também à ditadura cubana. No caso espanhol, alguns opositores falam de um possível financiamento dos socialistas espanhóis pela narcoditadura de Caracas.

Independente disso ser ou não verdadeiro, razões muito especiais impediram o presidente Sánchez de recusar a se encontrar em Madri com o opositor venezuelano e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó. Em viagem a Davos para o Fórum Econômico Mundial, Guaidó foi recebido em Paris pelo presidente francês, Emmanuel Macron e pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em Londres. Em Madri, Guaidó se encontrou neste sábado com a ministra das Relações Exteriores, Arancha González Laya. A reunião foi na instituição da Casa da América, mas não na sede do ministério, como manda o protocolo.

O presidente espanhol justificou a indelicadeza como sendo para preservar a Espanha como intermediadora na crise venezuelana. A oposição o acusa de não definir seu lado em relação a uma ditadura.

O posicionamento em favorecimento ao governo de Nicolás Maduro criou um racha importante no Partido Socialista, opondo duas figuras históricas do partido, os ex-presidentes José Luis Rodríguez Zapatero e Felipe González. Zapatero acha que Sánchez acertou em não receber Guaidó, no entanto este ex-governante espanhol é antigo parceiro da ditadura bolivarianista, desde quando Hugo Sánchez estava vivo. Já González, afirmou que Guaidó teria de ser recebido pelo presidente da Espanha, ressaltando sua posição dizendo que ele é “o único representante legitimado democraticamente” e definindo o atual governo venezuelano como “tirania de Maduro”.

A visitinha da vice de Maduro teve um peso negativo alto para o governo Sánchez, que voltou ao poder no início deste ano em eleição parlamentar com a diferença de apenas dois votos, em um governo de coalizão com o ultraesquerdista Unidas Podemos. A eleição teve a oposição fortalecida, inclusive com o sucesso eleitoral de uma direita mais radical. Para voltar ao poder, Sánchez teve também que fazer acordo com a esquerda separatista da Catalunha, garantindo a vitória com a abstenção de 13 deputados da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC). Isso coloca o Partido Socialista como alvo fácil da oposição, que procura se posicionar no papel da defesa da unidade da Espanha e marcar a esquerda como anticonstitucional e divisionista.
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POR José Pires

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Imagem- O presidente espanhol Pedro Sánchez, em pose com outro criminoso latino-americano, durante visita em
fevereiro de 2015 ao ex-presidente Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. A foto é do
fotógrafo particular do petista, Ricardo Stuckert

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

O noivado de Regina Duarte e Bolsonaro com problema nas contas


Regina Duarte andou fazendo estágio nos últimos dias na Secretaria de Cultura do governo Bolsonaro, porque precisava saber como se dão as ações no âmbito da cultura nacional, mas apareceram complicações que mostram que também no papel de empresárias a atriz tem dificuldade na relação com os negócios da pasta.

Em 2018 ela teve reprovada pelo Ministério da Cultura as contas de um projeto, pelo qual captou 321 mil reais. A notícia é da revista Veja. Para não ter que devolver o dinheiro, a atriz entrou com recurso. Claro que este fato não demonstra desonestidade, mas com certeza revela uma inabilidade administrativa incompatível para alguém cotada o comando do órgão de governo. O interessante é que além de não conhecer o funcionamento da secretaria de governo, Regina Duarte não sabe também como é a coisa por fora.

Esse problema com as contas é mais que uma água fria na tão festejada entrada no governo Bolsonaro. Outro fato que chama a atenção nesta embaraçosa situação é que a nomeação da atriz tem como padrinho de destaque o general Luiz Eduardo Ramos, chefe da Secretaria de Governo. Segundo o site O Antagonista, foi com ele que Regina Duarte mais se aconselhou antes de aceitar o convite de Jair Bolsonaro.

Acontece que uma função de Ramos é exatamente a de evitar a explosão de bombas desse tipo, algo até muito fácil neste caso. Bastava ter conferido o histórico do relacionamento comercial da atriz com o governo federal, algo que pode até parecer obrigatório em nomeações oficiais, mas pelo jeito não é feito no governo Bolsonaro. Mas até dá para entender, afinal este raciocínio só faz sentido em lugares onde não batem a porta na cara da lógica o tempo todo.
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POR José Pires

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Imagem- O capitão e o general tietando a atriz Regina Duarte, em foto que eles
mesmo distribuíram pelas redes sociais

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

A militância esquerdista e o concurso sem rock

Então, como é muito difícil encontrar defeitos no governo Bolsonaro — que é de uma qualidade “imprecionante”, como diria o ministro Weintraub —, a militância de esquerda andou espalhando que a Funarte publicou um edital de concurso de bandas que proíbe a inscrição de bandas de rock. A turma do nenhum direito a menos saiu gritando que isso é um escândalo.

Mas já ficou explicado que esta regra, anterior ao governo Bolsonaro, está lá porque o concurso é destinado a grupos como bandas municipais, sinfônicas, filarmônicas ou de concerto e também para orquestras de sopro e outras categorias. Não dá para entrar banda de rock, como também não podem disputar grupos de MPB.

Alguém deve ter colocado este aviso explícito no edital para evitar que algum roqueiro de mente esfumaçada inscreva sua banda para competir com a Banda Municipal de Santo Antonio do Pé da Serra ou a Sinfônica de São Tomé do Riacho Fundo, entre outras. Ficou tudo esclarecido, mas é enorme a quantidade de militante fingindo de morto nas redes sociais depois de postar a notícia idiota sobre a proibição do rock.
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POR José Pires

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Imagem- A ilustração é um detalhe da capa da revista Zap Comics,
de 1974, do grande Robert Crumb

Regina Duarte e Bolsonaro: um noivado que pode dar em mau casamento

Para que Regina Duarte tenha uma boa atuação na combalida Secretaria da Cultura o presidente Jair Bolsonaro teria de mudar completamente sua atitude frente ao conjunto dos profissionais do setor em todo o país, na sua quase totalidade com sentimentos opostos ao que pretende este governo. Não estou fazendo juízo de valor de um lado nem do outro, apenas situando uma dificuldade séria de relacionamento deste governo com o que se passa atualmente na cultura no Brasil.

Para mim é muito claro que não basta colocar no cargo uma pessoa amistosa para que se resolva esse dilema político, muito mais profundo do que pode aparentar. Toca em questões de doutrina, visão de mundo, nas relações familiares e de comportamento. É exatamente por aí que veio um dos impulsos mais determinantes para o sucesso eleitoral de Bolsonaro. É óbvio que não é fazendo vídeo com discurso de Joseph Goebbels que vai-se encontrar a tônica cultural do governo, mas isso também não virá de uma troca de amabilidades com um setor tomado quase todo por um espírito contrário ao que Bolsonaro representa.

Bolsonaro parece ter dificuldade de raciocinar como adulto, mas nós podemos fazer isso: se houver um fortalecimento da cultura que aí está o que sobrará desse governo? Bolsonaro vai se estrepar quando tentar a reeleição e não deixará nenhum legado cultural, o que é mortal na política.

Se Regina Duarte for mesmo tão amável como ficou marcado em sua imagem, então Bolsonaro fez uma péssima escolha para o cargo. Num governo como este a questão cultural não pode ser um mero apêndice e muito menos pode ser tocada ao sabor dos rumos definidos pelos que trabalham na área da arte e da cultura, com pesada influência em todos os meios de comunicação. É preciso personalidade forte e amplo conhecimento do meio, não só do ponto de vista cultural como também administrativo, com o controle sobre o que corre por todo o território nacional.

Será que é preciso ressaltar que minha análise nada tem a ver com torcer ou não para que este governo dê certo, do mesmo modo que não procuro me contrapor aqui aos rumos da cultura brasileira? Do jeito que rola o desentendimento e a dificuldade de interpretação de texto, creio que cabe o aviso.

Com todo o respeito por Regina Duarte, ela parece não ter essas qualidades que apontei como necessárias para o cargo. Já com mais de um ano de mandato de Bolsonaro, em uma situação em que, no geral, quase tudo anda atrasado neste governo — de forma “imprecionante”, como diria o ministro Weintraub —, vimos ela passar os últimos dias feito uma estagiária, procurando saber como é o funcionamento da pasta. Nesta situação quais serão os fundamentos de quem vem afirmando que Bolsonaro acertou na escolha e que a atriz vai dar conta do trabalho de focar o trabalho da Secretaria da Cultura em termos mais eficientes do que a pauleira e incompetência que houve até agora?

Saberemos do desfecho quando finalmente a atriz tomar uma decisão, já que vem mostrando ser bastante enrolada, prolongando um “noivado” que tem pela frente muita coisa para ser feita. De qualquer forma, será com rapidez que o país terá notícias do casamento, pois tanto do lado dos bolsonaristas quanto de quem faz cultura no país essas coisas são resolvidas de pronto, com muita confusão e desacertos. E Regina Duarte que se cuide, pois Bolsonaro costuma abandonar a noiva assim que as coisas se complicam.
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POR José Pires

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Imagem- Regina Duarte em "Véu de noiva", novela da TV Globo, de 1969, quando a atriz
começou sua carreira de "namoradinha do Brasil"

Marcelo D2 versus Arthur do Val: o debate político brasileiro no nível de briga de rua

Já faz algum tempo que o debate político brasileiro chegou em um nível do cospe-aqui-quem-for-mais-homem, até com cuspidas literais, como já aconteceu com o ex-deputado Jean Willys e o ator José de Abreu, notórios militantes cuspidores, mas agora pode ser que as desavenças afinal cheguem literalmente à fase das porradas. Vai depender do rapper Marcelo D2 ter a coragem de tentar fazer o que propôs em uma tuitada bravateira que teve resposta à altura do deputado estadual Arthur do Val, também conhecido como Mamãe Falei.

Marcelo D2 correu para o Twitter depois do lamentável vídeo do ex-secretário da Cultura de Bolsonaro citando o nazista Joseph Goebbels e postou uma mensagem dizendo que “tinha que fazer uma suástica” na testa de quem é da “direita liberal”. O cantor ainda destacou que a suástica tem que ser feita à faca. Arthur do Val reagiu com um desafio. ““Eu sou direita liberal. Vem cá fazer na minha”, escreveu no Twitter.

Bem, desse modo abre-se uma oportunidade de Marcelo D2 provar que não é apenas um “machão do Twitter”, como também foi chamado por Arthur do Val. De fato, o cantor faz parte das hordas de bravateiros que ocupam as redes, incomodando os debates com uma valentia que sabem que não será posta à prova. São os “antifascistas” que não correm risco algum de encontrar pela frente na rua algum grupo de fascista pronto para descer o cacete em esquerdista.

É claro que este ambiente democrático faz crescer a ousadia entre os esquerdistas, a começar pelo chefão e ídolo condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Lula, que logo que saiu da cadeia disse que no Brasil deveria ser repetido o que vinha acontecendo nas ruas do Chile, tomadas pela violência e o vandalismo. Alguém devia ter-lhe dado um coquetel molotov, para que desse início ao que propôs.

É claro que não sou favorável a resolver divergências políticas por meio de violência física, mas não deixa de ser interessante a situação criada pela reação do deputado paulista à bravata do cantor. Marcelo D2 se animou com a tropa de militares americanos do filme de Quentin Tarantino, que caçam nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, fazendo uma suástica na testa de seus prisioneiros. Mas uma coisa é delirar com a violência estilizada de um explorador dos desejos maléficos da plateia, como Tarantino. Bem diferente é fazer o mesmo com uma faca na testa de alguém, na vida real.

Marcelo D2 encontrou a oportunidade de realizar o que escreveu na mensagem nas redes sociais, uma tremenda idiotice que, ressalte-se, não é a única de sua lavra. Ele é reincidente na linguagem violenta muito comum nas redes sociais. Mas é claro que o cantor pode também voltar atrás, confessando que cometeu um grave erro, talvez até passando a se comportar com mais respeito e responsabilidade na hora de escrever no Twitter ou em qualquer outro lugar.

Seria uma atitude sensata, de melhor proveito para o debate político, numa mudança de comportamento que, aliás, deveria ser seguida por muita gente que atrapalha bastante a convivência democrática, ameaçando os outros o tempo todo com aquilo que não vai fazer de jeito nenhum.
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POR José Pires

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Bolsonaro se rende à garantia da impunidade

Neste período de festas a hastagh “BolsonaroTraidor” foi às alturas e a verdade doeu para o próprio presidente Jair Bolsonaro, que foi para as redes sociais queixar-se do descrédito geral quando completa um ano de governo. Bolsonaro sancionou mudanças no Código de Processo Penal, o chamado “projeto anticrime” votado na Câmara, repleto dos chamados “jabutis”, as emendas traiçoeiras que parlamentares costumam encaixar em projetos que tramitam por lá. Foi seu presente de Natal para os que ainda acreditavam que ele é contra a corrupção. A lei chegou às mãos de Bolsonaro com emendas que favorecem corruptos e outros bandidos. E o presidente sancionou as piores, mantendo até o juiz de garantias, causando uma revolta entre o que sobrou de seus seguidores.

Não faltaram avisos sobre a necessidade de vetos, com um alerta direto do ministro Sérgio Moro. A emenda do deputado Marcelo Freixo é um despropósito que deve criar problemas sérios até na sua aplicação. A proposta é tão furada que o próprio Bolsonaro, com aquele seu jeitão de deputado do baixo clero, já colocou em dúvida em um vídeo nas redes sociais se ela poderá de fato entrar em vigor. Da parte do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, seu encaixe no projeto anticrime parece ir um pouco além dos costumeiros agrados na parcela poderosa de políticos interessados em desmontar o rigor que a Lava Jato implantou contra os corruptos no Brasil. Ele quis comprometer negativamente Bolsonaro. E conseguiu.

Este é apenas um problema do safado pacote. Entre outros “jabutis”, as mudanças aprovadas pelo Congresso vão dificultar até decretação de prisões preventivas. Como eu disse, Bolsonaro foi avisado pelo ministro Moro, mas assinou a lei sem os vetos necessários. O juiz de garantias serve como peça simbólica do desastre, como uma complicação séria para a popularidade de Bolsonaro, pelo impacto negativo em uma bandeira essencial na sua imagem política.

Mesmo que não seja armação de Maia, o que está muito claro é que ele deixou tudo ir à frente como forma de pressão sobre  o presidente da República. E Bolsonaro deu aval a uma bomba. O juiz de garantias dificulta o enfrentamento de crimes, indo ao encontro do interesse corruptivo de parcela influente parcela de políticos. A medida tem também dificuldades práticas e orçamentárias, inclusive para governos estaduais, além de ter vício de iniciativa: teria de ser proposta pelo Judiciário. Não teria como Rodrigo Maia não saber das incongruências, pois o projeto esteve na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde foi definido como inconstitucional.

A presidente da CCJ, senadora Simone Tebet, disse que o veto a este item no pacote havia sido acertado com o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), mas, ora, atualmente Bezerra está mais preocupado em evitar ir para a cadeia por corrupção do que desenvolver leis eficientes contra o crime. Em setembro, a Polícia Federal fez buscas no Congresso, com mandado de busca e apreensão no gabinete do senador e também no do seu filho, o deputado Fernando Bezerra Filho (DEM-PE). Mesmo com tudo isso, Bezerra foi mantido por Bolsonaro na líderança de seu governo. Para ter dúvida sobre a posição de Bolsonaro no enfrentamento da corrupção, só se o sujeito for muito mal informado, diria um idiota político consumado, ou tiver comprometimento com malfeitos graves.

O juiz de garantias é apenas um símbolo da derrocada de Bolsonaro em conceitos fundamentais para seu prestígio político, que vem sendo corroído rapidamente desde sua posse como presidente e agora ficou totalmente abalado até entre eleitores remanescentes na crença do mito. Não são isolados os gritos de traidor, com o presidente de perfil direitista sendo acusado nos meios que foram a sustentação da onda eleitoral que o levou até o Palácio do Planalto.

Um ponto que deixa muito bem marcado o nível dessas complicações políticas são os elogios efusivos a Bolsonaro vindos do deputado Marcelo Freixo, que tem sido um parlamentar de intensa atuação a favor da impunidade, trabalhando ativamente para amenizar o rigor da lei não só contra o crime do colarinho branco, como também para o narcotráfico, estupradores, assaltantes e ladrões.

Neste pacote, Freixo está dando todo apoio a Bolsonaro, até porque é do deputado esquerdista um importante jabuti da impunidade. Pode-se dizer que são elogios em que os extremos se encontram no estimulo à corrupção, Bolsonaro fazendo gesto de arminha na extrema-direita e Freixo com o cinismo da extrema-esquerda, atuando pela impunidade e vestido com camiseta exigindo punição aos matadores da sua companheira de partido.
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POR José Pires

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Abraham Weintraub: mais um ministro no tiroteio olavista das redes sociais

A deputada Carla Zambelli convidou Abraham Weintraub para ser padrinho de seu casamento, porém na cerimônia, em fevereiro, ela poderá um ex-ministro como padrinho. Weintraub saiu de férias e pouca gente acredita na sua permanência no ministério da Educação. E mesmo quem aposta nele vai ter dificuldade em apontar onde está sua sustentação.

É geral o descontentamento com o ministro. Ele não criou empatia com a classe política e tampouco conseguiu apoiamento no meio universitário, onde conforme seu repetido discurso de alto teor ideológico, haveria um ferrenho domínio comunista imposto pelo aparelhamento petista da Educação. Pelo jeito, faltou habilidade a Weintraub para cooptar dissidentes deste Gulag liberto e atrair a colaboração dos setores conservadores, entre professores e servidores.

Mas é mesmo muito complicado o relacionamento com Weintraub. O sujeito é tão autoritário que até acredita nisso como um eficiente conceito de gestão. É de se ver seu orgulho em entrevistas a jornalistas, quando diz que com ele as coisas acontecem ou o responsável pela falta de solução é imediatamente demitido. Weintraub exibe com contentamento essa forma de agir em uma das pastas mais complexas do Governo Federal e que, conforme suas próprias denúncias verbais, ele pegou totalmente arruinada.

Deve ser difícil até puxar o saco desse ministro, pois ele mesmo se incumbe dos elogios à sua magnífica capacidade. Com a mesma falta de amparo técnico das suas críticas ou dessa sua absurda tese da pressão contínua e da ameaça do desemprego como estímulo à produtividade, ele afirma que fez uma “revolução” no ministério, o que em tão pouco tempo não seria possível nem para um gênio político e administrativo, mesmo sem levar em conta o alegado cenário de ruínas. Ele nem percebe que com essa lorota desmente a exposição da desastrosa condição deixada por administrações anteriores.

Weintraub é ineficaz até na propaganda de suas supostas qualidades. A carrada de autoelogios não tem referência em informações verificáveis do seu trabalho. É um revolucionário que não apresentou até agora nenhuma vitória em alguma batalha de peso. A precariedade de realizações fica muito clara quando ele se gaba da realização do Enem, como se isso fosse um grande êxito.

Se fosse ministro da Saúde é provável que de forma parecida citaria como uma grande façanha a realização do Calendário Nacional de Vacinação. Mesmo jornalistas favoráveis ao governo ouvem esse tipo de coisa com constrangimento, mas o ministro não se toca. Weintraub é o tipo de sujeito que se encanta com suas próprias palavras, de modo que os elogios à sua própria performance estimulam o andamento acelerado do discurso vazio.

O ministro tem dificuldade de se entender até com o que sobrou da base partidária do governo, no esfacelado PSL. Aparentemente, Weintraub não se apercebe de mudanças determinantes na realidade política, em razão da sua própria posição atual e do reposicionamento que atinge até o partido que elegeu Bolsonaro. E olhem que existem condições práticas muito óbvias, como sua presença na Câmara não mais por convite, mas agora pela obrigatória convocação. Falta-lhe também a lembrança que chegou a ser conduzido de mãos dadas até a mesa pela então amiga de Bolsonaro, deputada Joice Hassellmann, que no último depoimento não estava nem na sua defesa entre os parlamentares.

É tamanha a falta de percepção que sem dúvida também será difícil para Weintraub compreender que não se espera dele o sucesso de um lacrador de redes sociais, muito menos no diálogo sempre difícil com uma oposição que atua em comissões ou audiências públicas sempre para estabelecer um clima de constrangimento e confusão, tarefa a que se dedicam com histeria impressionante, obtendo um sucesso estupendo e até muito fácil com a natural irritabilidade do ministro da Educação.

Passadas suas férias, pode até ser que Weintraub suba ao menos uma vez a rampa do Palácio do Planalto até a sala de Bolsonaro, mas os indicativos são de que deve descer quase de imediato. É impossível detectar apoio ao ministro em qualquer setor relacionado ao seu trabalho, tendo surgido ainda entre a boataria de sua demissão a conversa de que ele já está sendo fritado pela equipe da Economia e a área militar do governo. Pior ainda, não há engajamento a favor dele nem entre a chamada corrente ideológica governista.

Até mesmo no meio olavista, que é de onde ele veio, existe um desentendimento sobre o apoio a Weintraub, tendo o próprio Olavo de Carvalho simplesmente lavando as mãos sobre o assunto, que ele chama de "Caso Weintraub", em um vídeo postado nas suas redes sociais. Uma ala influente do olavismo já cai de pau em cima do ministro e o adorado guru da Virgínia evitou dar qualquer apoio pessoal, mantendo o clima de críticas, como sempre muito pesadas. Como se vê, Weintraub só conseguiu convencer ele mesmo de que é o homem mais que certo no lugar certo.
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POR José Pires


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Imagem- Weintraub desce a rampa do Palácio do Planalto com o chefe,
em foto de Fabio Rodrigues Pozzebom, da Agência Brasil

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Caetano e Olavo de Carvalho: uma briga que vale milhões

Aquela expressão “mau igual a um pica-pau” encaixa bem em Caetano Veloso, embora ele esteja fazendo maldade com Olavo de Carvalho, um sujeito que pelo tanto que apronta não merece que alguém tenha dó dele. O cantor está cobrando R$ 2,8 milhões do guru de Bolsonaro por descumprimento de decisão judicial que ordenava que ele apagasse mensagens em suas redes sociais.

A encrenca ainda é relacionada à acusação de pedofilia a Caetano, que correu entre discípulos de Olavo, com o próprio mestre assanhando a rapaziada com posts no Facebook que levaram Caetano a entrar na Justiça com um pedido de indenização. O processo já foi sentenciado, condenando Olavo a pagar R$ 40.000,00 e excluir os conteúdos considerados ofensivos.

O processo de milhões pelo descumprimento da decisão considera a determinação do juiz de multa de R$ 10.000,00 por dia. Advogados de Caetano fizeram a conta do tempo que o professor manteve os posts, em desobediência à decisão judicial. Foram identificados diversos textos e imagens que ainda estão no ar e deveriam ter sido deletados. Pelo cálculo foram 281 dias desde a data da intimação, somando R$ 2,8 milhões.

A cifra parece um exagero, mas Olavo terá que pagar alguma coisa pelo descumprimento. Mesmo a condenação não chegando a milhões, ainda assim a quantia poderá ser bastante alta. A advogada de Caetano, Simone Kamenetz, explicou que o fato do professor de filosofia morar nos Estados Unidos não impede que o valor seja pago. Ela afirmou que caso os R$ 2,8 milhões não sejam quitados "espontaneamente", poderá ser pedido bloqueio de bens ou até mesmo a penhora dos direitos autorais sobre os livros de Olavo.
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POR José Pires

Bolsonaro, seu problema de pele e outras faltas de prevenção

Jair Bolsonaro esteve no Hospital da Força Aérea, onde passou por um procedimento dermatógico. Questionado pelos jornalistas sobre um curativo na orelha, o presidente disse que é “um possível câncer de pele”. Em fotografias de alta digitalização que costumo arquivar é possível notar que de fato a pele do rosto de Bolsonaro não está nada bem. Observem nesta imagem como está o estado de sua orelha e também o aspecto geral de toda a face. Há uns dias atrás ele apareceu com um pequeno curativo em um ponto no lado direito da cabeça, próximo da testa, que ainda dá para notar na foto.

Ainda conforme o presidente disse aos jornalistas, existe a possibilidade de câncer porque “pesquei muito na vida, fiz muita atividade”. Certamente também deixou de lado a prevenção, não se protegendo do sol e tomando outros cuidados com a pele. Bolsonaro exibe até com um orgulho besta esta falta de atenção a regras de saúde ou de prevenção em muitas coisas, o que do ponto de vista individual é um problema dele. O que é preocupante é que ele está sempre falando contra medidas de prevenção.

O assunto passa a nos interessar mais quando ele usa o cargo de presidente para espalhar seus equívocos, transmitindo à população sua visão absolutamente errada sobre riscos que afetam a vida das pessoas. Pior ainda é quando ele interfere diretamente, desmontando leis importantes, desestimulando a fiscalização e a penalização de infratores, algo que infelizmente tem feito bastante ultimamente, afetando negativamente a segurança pública, o meio ambiente e até atividades do governo ligadas ao terrível drama dos acidentes de trânsito, em níveis altíssimos em nosso país e causando tremenda infelicidade nas famílias brasileiras.

Esses descuidos com a prevenção ou mesmo com o ataque direto a problemas sérios já identificados na área da saúde humana são marcantes na geração de Bolsonaro. Alguns até se gabam disso. Não justifica a desatenção, mas dá para compreender que durante sua formação inicial não havia acesso a conhecimentos que são relativamente recentes. Muito desses equívocos costumam se instalar como regras pétreas na personalidade dos mais turrões, com o agravante de nos últimos tempos terem também o suporte de uma tola falta de compreensão do limite entre a liberdade do indivíduo e a necessária ação do Estado para evitar mortes e danos na saúde pública, que no descuido coletivo acaba gerando mais gastos no orçamento.

Essa  falta de inteligência se traveste em um liberalismo de fachada, no ataque à interferência do governo na área de alimentos, das poderosas indústrias do tabaco e da bebida, além de servir para manifestações idiotas, como as recentes de Bolsonaro falando em acabar com obrigatoriedade do uso de cadeirinha para criança nos carros e as multas contra motoristas irresponsáveis com a vida dos outros e a deles próprios.

Sendo uma pessoa que não acredita em respeito ao meio ambiente, como ele já disse tantas vezes, provavelmente Bolsonaro nunca deve levado em consideração alertas sobre o risco de exposição excessiva ao sol. Um sujeito que até hoje não aceita que alta velocidade causa acidentes de trânsito não deve ser fácil de ser convencido a colocar um chapéu e passar uns cremes no corpo antes de sair para pescar.

A consequência agora pode ser muito séria, caso esteja mesmo com câncer de pele. Sinceramente, tomara que não seja algo tão grave. Mas de qualquer forma, a ocasião é oportuna para uma mudança de comportamento de Bolsonaro, que deveria esclarecer melhor as pessoas sobre prevenção e maiores cuidados com a saúde. Ou que pelo menos o presidente pare de passar para a população, especialmente aos mais jovens, o monte de baboseiras de costume, que no final só servem para gerar dores e sofrimento.
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POR José Pires


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Imagem- Na foto de Marcelo Camargo, da Agência Brasil, pode-se observar como
anda a pele de Bolsonaro

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O jornal de Olavo de Carvalho na internet

Olavo de Carvalho anuncia em um vídeo que corre pelas redes sociais um “jornal eletrônico” chamado Brasil sem medo. Já está sendo chamado de jornal do Olavo, o que não é bom e não digo isso fazendo nenhum juízo de valor sobre a figura, mas é que esse personalismo vai com certeza restringir o chamado público-alvo. As aspas em “jornal eletrônico” eu coloco como prevenção a um hábito desses tempos digitais, que é o de dar definições absolutamente incorretas aos veículos de comunicação produzidos hoje em dia na enganosa facilidade dos computadores.

Quase todas as páginas de grupos políticos na internet se auto-intitulam como “site” ou “jornal eletrônico”, porém não passam de blogs, sendo também a maioria deles muito malfeitos. E estou falando apenas do aspecto técnico. Em matéria de comunicação, não sei de nenhum que seja mais que mera exaltação de uma facção política e de ataques aos adversários e a qualquer um que pense diferente. De esquerda ou de direita, são ilegíveis. E não acredito que tenham serventia como informação nem para o lado que defendem.

Qualquer coisa referendada por Olavo de Carvalho traz essa marca de um pensamento fechado. E digo isso pelas referências do que ele próprio tem apresentado ultimamente, com visão de tal forma autocentrada que não admite uma mínima discussão de ideias. Se Olavo tem algum sistema filosófico, só pode ser o do “pense como digo ou cale sua boca”. Obrigatoriamente, tal sistema tem que ser seguido por todos que o cercam, sob o risco de expulsão e pressões extremas dos que se mantém com claque do professor, sendo exigida esta norma mesmo nas atividades práticas da vida política, como vimos durante este primeiro ano de conturbação olavista no governo de Jair Bolsonaro.

Vamos esperar para ver o que será o Brasil sem medo, embora eu não tenha esperança alguma de que seja de fato um “jornal eletrônico”. Para atender aos requisitos, este veículo teria de ter ampla cobertura política e exposição honesta da diversidade de opiniões sobre os acontecimentos. Este não é bem um sistema olavista, mas sim jornalístico.

Por enquanto, a página tem apenas uma imagem estática anunciando o lançamento no dia 19 deste mês. Eles se dizem “o maior jornal conservador do país”, o que vindo de um grupo olavista pode ser tomado até como piada involuntária, já que o mestre vive afirmando que a imprensa brasileira — chamada por seus discípulos de extrema-imprensa — é dominada por comunistas, também dizendo o tempo todo que em nosso país não existe imprensa conservadora. Ora, se é assim, então o Brasil sem medo não é “o maior jornal conservador do país”. Será o único.
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POR José Pires


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Veja aqui a página do Brasil sem medo

Sergio Moro: imbatível no respeito dos brasileiros

Pesquisa do Datafolha mostra que Sergio Moro é o ministro mais bem avaliado do governo de Jair Bolsonaro, estando à frente do próprio presidente no gosto popular. Sua gestão é aprovada como ótima/boa por 53% dos entrevistados. Bolsonaro está com 32% de ótimo/bom. Mas a verdade é que para saber da popularidade do ministro da Justiça nem precisava o Datafolha trazer os números que o consagram. É visível a respeitabilidade de Moro, que como poucos neste governo, demonstrou grande capacidade de trabalho, atuando em uma pasta onde batem graves complicações nacionais e sendo alvo de ataques cerrados de seus inimigos do PT, que não o perdoam por ter condenado o corrupto Lula à prisão.

Para tentar derrubá-lo, os petistas apelaram até para a exploração de mensagens roubadas por hackers, mas o ministro agüentou firme, superando as jogadas sujas dos inimigos e mantendo um ritmo de trabalho que já vem mostrando resultados positivos na segurança pública.

Em um ano de governo, Moro mostrou que é capaz até de fazer política, quando isso é fundamental para levar seus planos de trabalho à frente. E tem feito isso sem comprometer sua independência, evitando também a criação de confusões que só trazem aborrecimentos, como é de hábito neste governo. Com habilidade que muita gente não esperava e até torcia para que ele não tivesse, contornou conflitos que estavam sendo criados com a classe política, usando de pragmatismo em articulações políticas para conseguir da Câmara os meios para alcançar, senão os objetivos completos da sua pasta, mas ao menos o suficiente para manter o andamento que até agora vem garantindo para ele o respeito da população.

E a popularidade de Moro tem a sustentação não só de suas realizações como também pelo que ele não consegue fazer, que neste caso fica sob a responsabilidade dos adversários, que levam a culpa pela dificuldade de fazer passar no Congresso Nacional leis mais rígidas contra o crime e até por decisões do STF interpretadas pela população como favoráveis à impunidade. Por estupidez, a esquerda brasileita travou-se na defesa do chefão corrupto do PT e acabou irremediavelmente marcada como defensora da impunidade e contrária ao uso do rigor com os criminosos.

Conforme vão batendo em Moro, sua imagem mais se fortalece, enquanto vai aumentando também a expectativa de que os problemas podem ser resolvidos se ele tiver mais poder político. Claro que esta é uma fórmula excelente para criar um candidato imbatível no futuro. É uma espécie de “efeito Tostines” às avessas e até meio engraçado, em que ele só não faz mais porque forças contrárias estão impedindo. Sabendo administrar esta percepção, o ministro vai longe.

Os bons números trazidos pelo Datafolha apenas reforçam sua evidente popularidade, apontando para uma influência poderosa nas próximas eleições municipais. No geral, os políticos e a imprensa especulam demais sobre seu papel na próxima eleição presidencial, quando na verdade será já no ano que, caso ele queira, poderá atuar de forma direta para conquistar o voto do eleitor.

A segurança pública será um tema dominante nas eleições municipais. Nas cidades brasileiras, vive-se hoje em dia um clima de desespero com a violência que toma conta de todo o país. Nesta condição, imaginem o peso que pode ter o apoio de uma prestigiada figura nacional, que simboliza como ninguém a luta contra a impunidade e o empenho para colocar criminoso na cadeia. É o que veremos no ano que vem, quando Moro poderá ser um grande definidor do voto dos brasileiros.
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POR José Pires


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Imagem; O ministro Sergio Moro, em foto de Marcelo Camargo, Agência Brasil

Bolsonaro, o demolidor de regras e leis

Já vão aparecendo os maus resultados da irresponsabilidade do presidente Jair Bolsonaro com seu discurso continuado contra regras de controle e leis que punem infratores. Já ficou claro o estímulo negativo das falas de Bolsonaro, com os problemas criados pela falta de atenção e controle do governo sobre o desmatamento e queimadas de florestas, além de outros problemas dramáticos ligados ao meio ambiente, que nos últimos meses causou um sério estrago na imagem internacional do nosso país.

Um prejuízo grave vem sendo criado pelo governo Bolsonaro no desmonte dos mecanismos de fiscalização e controle do governo em vários setores da vida nacional, anulando inclusive leis importantes que afetam a segurança e integridade física da população. Bolsonaro vem criando problemas terríveis para a vida das pessoas, alguns deles com a capacidade de acumular danos que já começam a pesar em algumas áreas.

Esta pode ser sua herança maldita, já que o desmonte afetará a vida dos brasileiros durante muito tempo. Uma insensatez que já traz os primeiros números negativos é a determinação recente do presidente do afrouxamento da fiscalização feita pela Polícia Rodoviária Federal. Ele chegou a ordenar o cancelamento de contratos para a instalação de radares nas rodovias federais.

Com isso, Bolsonaro como de costume libera o que há de pior nesse pessoal plenamente irresponsável que não aceita regras de respeito à convivência. Felizmente governos estaduais não foram atrás do péssimo exemplo dado pelo presidente, pois a interferência desse sujeito sem noção já pode ser sentida no número de acidentes de trânsito. Reportagem publicada pelo jornal O Globo mostra que houve uma redução de 54% nas infrações por excesso de velocidade em setembro.

O cara é tão estúpido que em meio a esta penúria econômica fez o seu próprio governo perder dinheiro. Numa comparação com o ano passado, em setembro foram aplicadas 200 mil multas a menos por excesso de velocidade em rodovias federais. Cerca de R$ 30 milhões deixaram de ser arrecadados, em verbas que seriam aplicadas no próprio setor. Enquanto as multas caíram, os acidentes cresceram, um efeito que já havia sido alertado logo que Bolsonaro começou a falar do assunto, acenando para o desmonte da fiscalização e aplicação de leis.

Segundo O Globo, o empenho de Bolsonaro em favorecer maus motoristas fez aumentar o número de acidentes graves 5,6% em setembro e 8,4% em outubro. E a tendência é que haja um agravamento do problema, conforme for se disseminando a percepção de que ninguém vem sendo multado ao colocar em risco a vida do próximo, além de sua própria segurança.

Bolsonaro é uma piada que vem acrescentar um absurdo a mais na gozação do cantor Tim Maia, que dizia que o Brasil é um país em que prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita. Pois temos aí um militar contrário a regras e leis. Tim Maia iria gostar de mais esta discrepância, embora os custos de tamanha cretinice sejam muito altos, em dinheiro, perdas de vidas e sofrimento dos brasileiros.
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POR José Pires

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Imagem- Foto de Marcello Casal Jr., Agência Brasil