sexta-feira, 24 de julho de 2020

As sabotagens de Jair Bolsonaro e seus custos em mais vidas perdidas para a Covid-19

Um estudo de professores da área de estatísticas econômicas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) concluiu que em maio o isolamento social pode ter poupado 118 mil vidas no Brasil. Os professores calculam que a cada 1% de aumento no isolamento social havia uma redução na taxa de crescimento do novo coronavírus de até 37%. Como o negacionismo do presidente Jair Bolsonaro forçou este isolamento a ficar abaixo do ideal, fica demonstrado que sua irresponsabilidade fez morrer muita gente.

O estudo da UFRRJ tomou por base como o vírus se espalhou pelos estados brasileiros, nos diversos graus de distanciamento, fazendo com isso uma equação estudando a transmissão do coronavírus. Desse modo, os autores puderam ver como teria sido a pandemia sem isolamento social.

Por este cálculo, no cenário de maio o registro do mês seria de 47.447 mortes, muito maior do que do que o registrado oficialmente: 29.367 óbitos registrados. Ou seja, de acordo com essa projeção estatística 118.080 vidas teriam sido salvas. Este é um dos cenários. Em um resultado mais pessimista, o mês teria fechado com 213.459 óbitos, 184.092 a mais que o registrado.

Porém, mesmo em um cenário mais otimista maio teria terminado com 81.405 mortes, 52.038 a mais do que o efetivamente registrado.

Um resultado interessante trazido pelos professores foi a definição em números da relação do isolamento no controle da transmissão do vírus. “O coeficiente da relação entre o isolamento social e a transmissão do vírus foi de -37,51, indicando que cada elevação de 1% no isolamento tende a reduzir em 37% a taxa de crescimento da transmissão”, afirma o estudo.

Isso significa, conforme diz o trabalho dos professores, que a elevação do isolamento reduz a taxa de transmissão do vírus de forma significativa e mais que proporcional. O estudo da UFRRJ permite projetar, agora com números, como estaria o Brasil agora se o país tivesse sido conduzido na perspectiva negacionista do presidente Jair Bolsonaro.

Seria um desastre colossal. Cabe lembrar que há três meses, Bolsonaro afirmava que o número de vítimas fatais da Covid-19 não passaria de 800 óbitos.

O país já caminha para o registro de 90 mil mortes, sabendo-se que muito mais gente deve ter morrido sem a confirmação da doença. O total de casos confirmados no Brasil é de mais de 2 milhões, mais exatamente 2.287.475, com claros sinais de que já se vive um descontrole da contaminação, causado não só pela falta de uma centralização efetiva no governo federal do combate ao coronavírus, como pela sabotagem explícita de Jair Bolsonaro, que fugiu à sua obrigação de comandar a luta pela saúde dos brasileiros.

Bolsonaro agiu o tempo todo no sentido contrário da defesa da integridade física da população. Mesmo contaminado pelo vírus, ainda desobedece à regras de proteção para evitar passar a doença para os outros e continua com suas idiotices que beiram a loucura, comportando-se com a mesma falta de empatia humana que faz os brasileiros suspeitarem que foi eleito um psicopata para comandar o país.

Suas mais recentes cenas são grotescas como filme de terror classe B, primeiro com ele levantando para seus seguidores uma caixa de cloroquina como se fosse um troféu e depois feito um zombie solitário no Palácio da Alvorada, oferecendo cloroquina para as emas soltas no gramado.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

Boris Johnson, das mentiras do Brexit ao confronto com os antivacinas

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson chamou de “malucos” os oponentes das vacinas. O governo britânico está expandindo seu programa de vacinação contra a gripe, como uma das medidas preventivas no caso de uma nova onda de coronavírus e tem pela frente muita gente tomada por teorias conspiratórias em relação a qualquer vacina.

O Reino Unido teve até agora 45 mil mortes pelo coronavírus, estando atrás apenas dos Estados Unidos e do Brasil em número de óbitos, mas cabe apontar o tamanho do seu território em relação a estes dois países e fazer também uma relação com o número de habitantes, para avaliar melhor o trauma de tantas mortes entre os britânicos. O Reino Unido está com 66 milhões de habitantes.

Exatamente por um grave erro de avaliação do governo conservador, houve uma demora no combate ao coronavírus. A preocupação agora é com as complicações que opositores de vacinas podem trazer ao trabalho de prevenção para que os serviços de saúde não entrem em colapso com uma nova onda de contaminação. "Agora existem todos esses antivacinas. Eles são malucos", disse Johnson durante uma visita a um centro médico em Londres.

Uma pesquisa recente detectou prováveis encrencas futuras com os tais malucos. A pesquisa é do instituto Yougov. Segundo ela, 16% dos britânicos “provavelmente” ou “certamente” rejeitarão a vacina contra a Covid-19 quando ela surgir. Mais que a atitude de cada um desses doidos, certamente Johnson teme a confusão que pode vir nas redes sociais e nas ruas com a desinformação criada por uma estupidez que ele conhece muito bem.

O primeiro-ministro britânico é um célebre precursor da tal da "pós-verdade", que nada mais é que manipulação de informação e  a criação de notícias falsas como ferramentas políticas. Foi dessa forma irresponsável e criminosa que Johnson conquistou o poder, com a imposição da ideia de que o Brexit era o melhor caminho para o Reino Unido. Foi com dados falsos e ataques agressivos e acusações aos adversários que ele convenceu os britânicos.

Agora, com responsabilidades de governo, Johnson está recebendo de seu próprio remédio. Aliás, o mundo todo sofre com a forma de fazer política que teve nele um pioneiro, para depois espalhar-se para outros países. É um vale-tudo em que cabem as mentiras mais absurdas, a criação de teorias conspiratórias muito idiotas, manipulação de notícias e o atiçamento de conflitos entre as pessoas, além, é claro, dos malucos antivacinas.

Como se vê, Boris Johnson está sentido o perigo da monstruosidade criada por ele e parceiros políticos da direita européia, além dos direitistas americanos liderados por Donald Trump e que tem seus laços nojentos também por aqui, no Brasil, onde provavelmente surgirão malucos antivacinas para atrapalhar, caso apareça uma vacina contra a Covid-19.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

quinta-feira, 23 de julho de 2020

A filha do chefe da Casa Civil e a falta de jeito do governo de Jair Bolsonaro

A Casa Civil é um ministério que serve para evitar vexames como este da nomeação da filha do chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, em um cargo de gerência na Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS). Na noite desta quarta-feira ela desistiu de ocupar a função, porém já foi criado o estrago político.

Claro que o perfil de um ocupante da Casa Civil exige que ele saiba de antemão que um negócio desses não poderia acabar bem. O próprio processo acarreta tamanho desgaste que nem com a desistência pode ser resolvido. Este é um caso em que voltar atrás não passa um atestado ético: o que fica é a imagem do flagrante de ilegalidade.

A nomeação sequer deveria ter sido cogitada, pelo simples fato de que a moça é filha do ministro Braga Netto. Embora o governo Bolsonaro já tenha um histórico lamentável em matéria de verificação de currículo, nem vem ao caso suas referências profissionais, que não eram boas. Ela é formada em Design e o profissional que seria retirado do cargo é um servidor formado em Direito com especialização na FVG. O salário é de R$ 13 mil.

O fato da moça ser filha do ministro já teria encerrado a questão, ou melhor, nem teria começado se o ocupante da Casa Civil fosse mais capaz. Mas o erro é ainda mais crasso. Parece que tiveram a ideia da possibilidade de um golpe de esperteza. Havia um nepotismo cruzado. A indicação foi feita por um irmão de um subordinado de Braga Netto na Casa Civil.

Nem se pode falar em volta dos velhos hábitos, pois com Bolsonaro eles nunca saíram do Palácio do Planalto, mas o caso é de um amadorismo constrangedor, com esta falta de habilidade até para maracutaias, que já é uma marca indelével do governo Bolsonaro. Quem sabe, agora com a "espertise" do Centrão talvez possam dar ao menos uma guaribada nos malfeitos.

Um bom chefe da Casa Civil não permite que algo do tipo sequer comece, muito menos chegar ao ponto que chegou. Não é novidade no governo de Jair Bolsonaro, mas o erro prosperou. A nomeação já estava para ser assinada quando tiveram que voltar atrás. Mas a verdade é que na política, como na vida, voltar atrás em certas atitudes serve apenas para demonstrar a falta de jeito para o inconfessável.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

O propagandista da cloroquina, sem partido e com o futuro em risco

É patético ver Jair Bolsonaro ainda defendendo o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19, mas ele fica ainda mais ridículo tentando influir diretamente sobre o exercício da atividade médica, para justificar sua obsessão.

Em tuítada nesta segunda-feira em defesa do uso do remédio, o presidente compartilhou uma nota da Associação Médica Brasileira (AMB) que cita a autonomia do médico como argumento favorável à prescrição do uso da hidroxicloroquina para pacientes com Covid-19.

“É importante lembrar que o uso off label (fora da bula) de medicamentos é consagrado na medicina”, escreveu Bolsonaro. Opa, mais um pouco e este sujeito estará frequentando congressos médicos. Foi um mau militar, como dizia o general Ernesto Geisel, mas pelo jeito resolveu experimentar seus amplos conhecimentos na área médica.

Agora o “especialista” coloca em pauta a “autonomia do médico”, para manter no ar o repetido assunto da cloroquina, mesmo já estando em falta outros remédios importantes no tratamento da doença. Estão faltando até mesmo medicamentos para entubação de pacientes graves, mas ele só fala em cloroquina, que foi fabricada em excesso. É a conhecida política bolsonarista de levar os brasileiros a desperdiçar esforço em batalhas vazias.

No sábado passado, a Sociedade Brasileira de Infectologia tratou desses problemas em informe no qual pediu que o Ministério da Saúde pare de gastar dinheiro público “em tratamentos que são comprovadamente ineficazes”. Segundo a instituição, “é urgente e necessário que a hidroxicloroquina seja abandonada no tratamento de qualquer fase da Covid-19”.

O informe destaca que estudos feitos em pacientes com Covid-19 em 40 estados americanos e 3 províncias do Canadá “não teve nenhum benefício clínico: não houve redução na duração dos sintomas, nem de hospitalização, nem impacto na mortalidade”. Nos estudos, o uso de placebo ou cloroquina em grupos separados de pacientes teve o mesmo resultado: nenhum.

Claro que isso não fará Bolsonaro desistir da repetição de um tema que só tem atrapalhado durante esta pandemia, que já causou mais de 80 mil mortes no Brasil. Agora ele está até apelando para a “autonomia do médico”, entrando em um debate que não é da sua alçada.

Ele parece muito ocupado com questões profissionais bem distantes das suas reais obrigações. Mas como vão os trabalhos que lhe dizem respeito diretamente?

Peguemos, por exemplo, o registro do partido que ele pretende fundar, o Aliança pelo Brasil. Pelo menos em tese, eis um assunto que ele deveria dominar bem. Pois até  hoje seu partido só tem o nome. Nas eleições municipais deste ano, Bolsonaro terá de se virar sem uma sigla própria, que pode estar pronta para 2022, mas nem mesmo para o ano de eleição presidencial sente-se muita firmeza de que terá obtido o registro.

Até agora foi um fiasco a busca das assinaturas necessárias para o encaminhamento ao TSE. O fracasso do partido de Bolsonaro é um dado importante sobre as dificuldades de seu futuro político. Até a semana passada, o Aliança pelo Brasil conseguiu apenas 15.721 das 492 mil assinaturas de apoio exigidas pela legislação: 3,2% do mínimo necessário. A Folha de S. Paulo descobriu que 25.384 assinaturas foram rejeitadas pelo TSE por vários motivos.

Parece que na função de fundador de partido político o nosso especialista em cloroquina não vai nada bem. Como eu apontei, ele agora até fortalece as fileiras dos defensores da “autonomia do médico” para receitar o remédio que julga milagroso, no entanto tem sérias dificuldades para conseguir apoio suficiente para seu projeto político.

Mesmo com Bolsonaro no poder, não está fácil arrumar quem seja doido para correr o risco de assinar embaixo, avalizando seu partido.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

segunda-feira, 20 de julho de 2020

A cantilena da cloroquina e outras inutilidades de Bolsonaro

É patético ver Jair Bolsonaro ainda defendendo o uso da hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19, mas ele fica ainda mais ridículo tentando influir diretamente sobre o exercício da atividade médica, para justificar sua obsessão.

Em tuítada nesta segunda-feira em defesa do uso do remédio, o presidente compartilhou uma nota da Associação Médica Brasileira (AMB) que cita a autonomia do médico como argumento favorável à prescrição do uso da hidroxicloroquina para pacientes com Covid-19.

“É importante lembrar que o uso off label (fora da bula) de medicamentos é consagrado na medicina”, escreveu Bolsonaro. Opa, mais um pouco e este sujeito estará frequentando congressos médicos. Foi um mau militar, como dizia o general Ernesto Geisel, mas pelo jeito resolveu experimentar seus amplos conhecimentos na área médica.

Agora o “especialista” coloca em pauta a “autonomia do médico”, para manter no ar o repetido assunto da cloroquina, mesmo já estando em falta outros remédios importantes no tratamento da doença. Estão faltando até mesmo medicamentos para entubação de pacientes graves, mas ele só fala em cloroquina, que foi fabricada em excesso. É a conhecida política bolsonarista de levar os brasileiros a desperdiçar esforço em batalhas vazias.

No sábado passado, a Sociedade Brasileira de Infectologia tratou desses problemas em informe no qual pediu que o Ministério da Saúde pare de gastar dinheiro público “em tratamentos que são comprovadamente ineficazes”. Segundo a instituição, “é urgente e necessário que a hidroxicloroquina seja abandonada no tratamento de qualquer fase da Covid-19”.

O informe destaca que estudos feitos em pacientes com Covid-19 em 40 estados americanos e 3 províncias do Canadá “não teve nenhum benefício clínico: não houve redução na duração dos sintomas, nem de hospitalização, nem impacto na mortalidade”. Nos estudos, o uso de placebo ou cloroquina em grupos separados de pacientes teve o mesmo resultado: nenhum.

Claro que isso não fará Bolsonaro desistir da repetição de um tema que só tem atrapalhado durante esta pandemia, que já causou mais de 80 mil mortes no Brasil. Agora ele está até apelando para a “autonomia do médico”, entrando em um debate que não é da sua alçada.

Ele parece muito ocupado com questões profissionais bem distantes das suas reais obrigações. Mas como vão os trabalhos que lhe dizem respeito diretamente?

Peguemos, por exemplo, o registro do partido que ele pretende fundar, o Aliança pelo Brasil. Pelo menos em tese, eis um assunto que ele deveria dominar bem. Pois até  hoje seu partido só tem o nome. Nas eleições municipais deste ano, Bolsonaro terá de se virar sem uma sigla própria, que pode estar pronta para 2022, mas nem mesmo para o ano de eleição presidencial sente-se muita firmeza de que terá obtido o registro.

Até agora foi um fiasco a busca das assinaturas necessárias para o encaminhamento ao TSE. O fracasso do partido de Bolsonaro é um dado importante sobre as dificuldades de seu futuro político. Até a semana passada, o Aliança pelo Brasil conseguiu apenas 15.721 das 492 mil assinaturas de apoio exigidas pela legislação: 3,2% do mínimo necessário. A Folha de S. Paulo descobriu que 25.384 assinaturas foram rejeitadas pelo TSE por vários motivos.

Parece que na função de fundador de partido político o nosso especialista em cloroquina não vai nada bem. Como eu apontei, ele agora até fortalece as fileiras dos defensores da “autonomia do médico” para receitar o remédio que julga milagroso, no entanto tem sérias dificuldades para conseguir apoio suficiente para seu projeto político.

Mesmo com Bolsonaro no poder, não está fácil arrumar quem seja doido para correr o risco de assinar embaixo, avalizando seu partido.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Weintraub, o ex-ministro da balbúrdia ataca novamente

Sempre duvidei da viabilidade da indicação do ex-ministro Abraham Weintraub para o posto de diretor-executivo do Banco Mundial, mesmo sendo para um mandato que vai apenas até o final deste ano. O próprio ministro Paulo Guedes já disse que teme um veto do banco ao nome de Weintraub, sendo do titular da Economia o aval para o notório encrenqueiro ocupar a vaga.

Foi realmente uma estratégia de gênio essa, de tirar Weintraub do Brasil porque ele produzia ruído demais por aqui, para mandá-lo para um lugar onde ele possa fazer uma bagunça internacional, exatamente na área financeira.

Imaginem um diretor do Banco Mundial, colocado lá pelo governo brasileiro, que postasse isso que foi publicado por Weintraub nesta terça-feira no Twitter. Vejam na imagem. É tão absurdo que até parece algo forjado por inimigos dele, mas peguei de fato na sua página no Twitter.

Nesta quebradeira em que estamos, com o país precisando desesperadamente mostrar credibilidade e necessitado de muito investimento externo, me parece que tem algo muito errado nesta indicação.

Mas se Bolsonaro e Guedes insistem mesmo na nomeação, que pelo menos afastem Weintraub das redes sociais e proibam este sujeito até de fazer comentários nas páginas dos outros.
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POR José Pires

quarta-feira, 15 de julho de 2020

O Capitão Corona e suas responsabilidades na pandemia do coronavírus

Gilmar Mendes tem uma longa carreira de desserviço ao Brasil, porém é preciso apontar que ele acertou ao alertar sobre a responsabilização dos militares pela desastrosa condução do governo Bolsonaro nesta pandemia, até porque não é nenhum grande mistério a posição lamentável em que ficaram as Forças Armadas pelo seu envolvimento em um governo que não tem como escapar de ficar conhecido como o mais desastroso da nossa história recente.

Acho até que o ministro do STF deu uma amenizada em seu espírito belicoso, pois colocou sua observação no plano de um alerta, quando é muito claro que já está irremediavelmente manchada a imagem dos militares brasileiros, com prejuízo inclusive à alegada fama da competência para resolver qualquer problema, como se a formação profissional de um militar tivesse um diferencial quase mágico em relação ao da população civil.

As Forças Armadas ficaram com a imagem bastante abalada, depois que o país conheceu o estilo de sargento de anedota desses generais que Jair Bolsonaro pegou como parceiros de um governo inepto e que faz qualquer negócio. Mas voltando ao que falou Gilmar Mendes, nesta terça-feira ele comentou novamente o assunto, buscando esclarecer inclusive o uso da expressão “genocídio”, que até mesmo críticos do governo vêm apontando como uma qualificação inadequada para os fatos que envolvem Bolsonaro e os militares nesta pandemia.

O ministro do STF afirmou que a expressão “genocídio” vem sendo levantada internacionalmente, pela preocupação com o avanço da doença entre as comunidades indígenas. Vejam o que ele disse:

“Como vocês sabem, estou na Europa. Participamos recentemente de um webinar com [o fotógrafo] Sebastião Salgado e a temática foi toda de ameaça aos povos indígenas. Salgado liderou um grupo apontando que o Brasil pode estar cometendo genocídio. Então é esse debate. A responsabilidade que possa ocorrer.”

>De fato, dependendo do efeito da Covid-19 entre os índios, devem surgir denúncias sérias contra o governo Bolsonaro em instituições internacionais, até mesmo na forma jurídica, em tribunais que tratam de direitos humanos. Atos desse governo e posicionamentos pessoais do próprio presidente podem motivar processos não só na justiça brasileira, como em tribunais internacionais.

Existem muitos materiais comprovando que houve muito mais do que descuido na condução de Bolsonaro em relação ao novo coronavírus, especialmente no desprezo com as comunidades mais desassistidas. Este é o presidente do "E daí?", que pretendia destinar apenas 200 reais para os mais pobres durante a pandemia. É dele também o veto a trechos do projeto de lei aprovado pelo Congresso que garantia aos índios e quilombolas durante a pandemia cuidados hospitalares e sanitários dignos, além de alimentação, auxílio emergencial e também água potável.

Cabe lembrar o desprezo de Bolsonaro pelas vítimas fatais quando acreditava-se que a letalidade do vírus atingia apenas pessoas mais velhas. Estávamos em março, com apenas 25 mortos. Com aquela sua falta de empatia como o outro, Bolsonaro foi tão duro ao colocar a morte de idosos como um mal menor que provocou uma reação emocionada do ator Lima Duarte.

“O discurso dele é uma coisa trágica pra mim. Ele quer dizer: ‘deixe o velho morrer’. Os jovens estão bem, os meninos estão bem, então, deixa o velho morrer”, falou Lima Duarte, em um vídeo que causou comoção nas redes sociais. “Conforme ele ia falando eu pensava: 'Ele está falando comigo. Ele quer que eu morra! É isso que ele está dizendo pra mim e para todos os velhos desse país, que velho não importa.' Difícil, né?”, completou o ator, que está com 90 anos.

Bolsonaro já está marcado internacionalmente como um governante altamente desastroso e até impiedoso durante esta pandemia, com atitudes que pelo descaso da sua posição negacionista conduziram o Brasil a uma quantidade colossal de mortes, com a Covid-19 por aqui já registrando quase 80 mil mortes e ainda longe da descida da curva, colocando o nosso país atrás apenas dos Estados Unidos nesta tragédia mundial.

A fama desse presidente sem noção já faz dele motivo de piada até em publicações reconhecidamente sisudas e de grande influência internacional, como saiu recentemente no Financial Times, com ele sendo chamado de “Captain Corona”. É impossível para Bolsonaro corrigir esta imagem negativa, do mesmo modo que será muito difícil que ele escape de responder juridicamente por acusações muito sérias.

Não importa que seja “genocídio” ou qualquer outra palavra que caracterize as responsabilizações criminais que certamente serão cobradas quando esta pandemia se amenizar. O que deveria preocupá-lo desde já é que haverá julgamento pelo que seu governo vem fazendo, neste seu negacionismo de consequências terríveis para a população brasileira. E claro que, além do plano moral, estas contas terão de ser prestadas na forma da lei.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

terça-feira, 14 de julho de 2020

Nise Yamaguchi, da cloroquina ao Holocausto

A encrenca em que a médica Nise Yamaguchi se meteu com a comparação fora de propósito feita por ela entre o Holocausto e a atual situação brasileira, com o temor social causado pelo coronavírus, tem uma explicação muito simples. Desde que o país foi atingido pela pandemia, ela vem sendo leviana ao tratar de uma questão que envolve a saúde de toda uma população, com danos muito sérios relacionados até mesmo à economia do país. Para isso, Yamaguchi cria relações sem sentido, usando fatos cuja conexão serve apenas para justificar sua opinião favorável ao uso de hidroxicloroquina.

Levada pelo hábito, ela foi encontrar um sério problema ao usar um comparativo entre a nossa situação atual de pressão criada pelo medo da contaminação e o Holocausto judeu, o que foi tomado como ofensivo aos judeus pela direção do Hospital Albert Einstein, no que eles têm toda a razão. Nise Yamaguchi foi suspensa por este hospital, onde trabalha.

Ao trazer o Holocausto na sua fala “insólita”, como bem definiu em nota o Hospital Albert Einstein, a médica demonstrou não só uma grave dificuldade de interpretação de fatos como também a falta de percepção e responsabilidade quanto ao seu posicionamento pessoal. Parece que ela não presta atenção nem ao que acontece no seu entorno. O governo Bolsonaro, no qual ela tem um cargo de conselheira, já teve problemas com a comunidade judaica por causa de fala igualmente “insólita” de um ministro trapalhão, relacionada também à opressão do nazismo contra os judeus.

Talvez seja exigir demais da inteligência da profissional, mas ela não deveria ter com sua linguagem os cuidados referentes à sua condição de empregada de um hospital israelita?

A polêmica que causou a suspensão da médica veio de uma entrevista em um programa da TV Brasil, emissora do governo, com uma pauta evidentemente criada no Ministério da Saúde. Isso fica claro na conversação inicial entre a entrevistadora e a médica. O programa foi sobre “tratamento eficaz para o coronavírus”, conforme disse a jornalista, trazendo um furo mundial na voz de Nise Yamaguchi: a Covid-19 tem cura com um tratamento precoce feito com hidroxicloroquina.

Sim, a doutora Yamaguchi ainda está falando desse assunto, que, aliás, só existe no Brasil. É grande seu entusiasmo na defesa do uso do medicamento. Ela afirma que o tratamento que defende é usado em “vários países” da Europa. Também dá como referência que Donald Trump tomou o remédio preventivamente, sem apontar em momento algum, nem ela muito menos a apresentadora da TV Brasil, que os Estados Unidos já abandonaram esse tratamento e que a OMS já desistiu até de pesquisas sobre cloroquina.

Sei que as falas da doutora são absurdas demais, excessivamente simplórias como base de uma opinião, mas peguei exatamente da entrevista dada por ela, que tive a paciência de assistir na televisão do governo Bolsonaro.

O programa é um case que serviria como base de estudo do que não deve ser feito pelo jornalismo com uma pauta científica e sanitária e, claro, por uma profissional da medicina. Yamaguchi chega a afirmar que a ivermectina pode ser usada como prevenção ao coronavírus, o que é contrário ao indicado pela ANVISA e de quase todos os especialistas do setor.

Na entrevista, ela não toma sequer cuidado com os riscos da influência que uma opinião profissional pode ter sobre uma população em meio a uma pandemia, levando à automedicação e a busca excessiva de um remédio.

Nise Yamaguchi não abandona seus falsos fundamentos mesmo depois deles terem sido refutados cientificamente ou na prática por profissionais do setor médico, como ocorreu na França. Um de seus heróis é o médico Didier Raoult, o pioneiro defensor do uso da cloroquina, que para ela foi injustiçado na França, porque, ainda segundo suas palavras, “acharam que era um absurdo que remédios tão simples pudessem estar tratando uma doença tão complicada e também porque existia sim o interesse que grandes indústrias tivessem remédios muito mais caros”.

Dá para perceber de onde vem essa teoria da conspiração espalhada por bolsonaristas de que a cloroquina só não é usada porque não daria lucros às grandes corporações da indústria farmacêutica, não é mesmo? A verdade é que se dependesse do francês Raoult e da brasileira Yamaguchi o mundo estaria sofrendo ainda mais tragicamente com esta pandemia.

Se fossemos seguir esses dois, já não teria mais nenhum leito de hospital vago no mundo. O médico francês não acreditava sequer que o coronavírus estava vinculado à “realidade das mortes por doenças infecciosas”. A afirmação é de um livro dele publicado em março deste ano.

E Nise Yamaguchi tem relação direta com o Jair Bolsonaro, um presidente que teria arruinado o sistema sanitário de todo o país se tivesse conseguido implantar suas ideias sobre o coronavírus. Desinformado sobre este e outros tantos assuntos, no mês de março passado ele garantia que as mortes não passariam de 800. Já temos mais que isso por dia. No total, já ultrapassamos 70 mil mortes.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

sábado, 11 de julho de 2020

O novo ministro da Educação e o velho Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro anunciou o novo ministro da Educação e não há muito o que falar dele, pois mesmo se fosse altamente capacitado na área dificilmente conseguiria fazer um trabalho de qualidade no ministério. Na verdade, com Bolsonaro na chefia é impossível até mesmo chegar a um rendimento razoável.

É patética a condição em que entra este novo ministro. Como nada está de pé no Ministério da Educação, com funcionamento precário até no que é mais básico embora o governo já esteja na metade do segundo ano, na prática ele terá que passar um período como se estivesse em um governo de transição. Quem sabe, um dia eles comecem de fato a trabalhar.

O presidente é um homem de múltiplas limitações, sendo além disso muito autoritário, grosseiro e ansioso para que suas vontades deem resultado de imediato, de modo que ele passa o dia atazanando seus subordinados, até mesmo por canais externos ao trabalho de governo. Para pressionar, Bolsonaro usa até a máquina de fabricação de fake news, que felizmente vem sendo desmontada pela ação da Justiça e até mesmo pelas plataformas que ganham muito dinheiro com o clima de zorra política e cultural criada por elas próprias.

Bolsonaro e seus seguidores passaram dos limites até do Facebook e Twitter, empresas que lucram com a balbúrdia, abrindo espaços para a liberação dos piores instintos, para a desinformação e a manipulação política. Pelo que se soube, a família Bolsonaro ocupou as redes sociais com o estilo de um “Escritório do crime” em Rio das Pedras, com a diferença que, conforme descobriu o próprio Facebook, a sede deste escritório digital fica no Palácio do Planalto.

No início de abril, quando Luiz Henrique Mandetta ainda era ministro, na entrada de uma reunião ministerial ele foi questionado por Bolsonaro sobre uma notícia que havia circulado no fim de semana, falando da renovação pelo ministério de um contrato de R$ 1 bilhão firmado no governo Dilma. A notícia era falsa. E alguém acha que Bolsonaro não sabia disso? É capaz que soubesse até de onde tinha vindo o fake news, que afinal, para ele é um modelo de governo.

Para atrapalhar o trabalho de Mandetta durante a pandemia chegaram até a fazer um perfil falso dele no Twitter, onde saíam críticas a Bolsonaro como se estivessem sendo escritas pelo ministro.

Agora, em julho, logo que o Facebook desbaratou a rede de milicianos digitais bolsonaristas, revelando que o responsável trabalha ao lado do gabinete presidencial, como assessor de Bolsonaro, ele publicou em seu perfil verdadeiro o seguinte:

“Que feio! Então eram vocês… Quem poderia  imaginar? O Facebook tirou do ar. Descobriu hoje? Demorou hein! Solidariedade a todas as vítimas das quadrilhas cibernéticas.”

O que ocorreu com Mandetta no Ministério da Saúde serve como exemplo de que nada pode dar certo neste governo, independente da qualidade pessoal do ministro. A atual condição da pandemia no Brasil, que ontem passou dos 70 mil mortos, mostra que a linha de trabalho proposta por Mandetta era a correta e que Bolsonaro sempre esteve completamente errado também nesta crise sanitária do coronavírus.

Vamos aos fatos. No dia 22 de março, Bolsonaro disse o seguinte: “No ano passado, o número de pessoas que morreram de H1N1 foram (sic) da ordem de 800 pessoas, a previsão é não chegar a esta quantidade de óbitos no tocante ao coronavírus”. Quando Bolsonaro fez esta tola previsão o Brasil tinha 1.546 casos confirmados, com 25 mortes registradas.

Como todos sabem, a opinião de Mandetta era diferente. O então ministro alertava sobre a duração e os riscos da pandemia, trabalhando com previsão científica da possibilidade de uma quantidade enorme de mortes, que poderia levar ao colapso do sistema hospitalar, com o risco, como cabe sempre apontar, da falta de atendimento evidentemente atingindo também pacientes de qualquer outra doença.

O plano de trabalho de Mandetta era intensivo, o de Bolsonaro era deixar a coisa acontecer, afinal sua previsão era de que menos de 800 pessoas morreriam da doença. Nesta sexta-feira o registro superou 70 mil mortes: exatamente 70.524. O número de mortes em 24 horas foi de 1.270. Já morre por dia mais gente do que Bolsonaro previa para toda a pandemia.

Alguém acha que é possível fazer alguma coisa de qualidade em um governo comandado por este sujeito sem noção? Vivemos uma tragédia que só não é maior por causa da ação de governadores e prefeitos, trabalhando sob o ataque cerrado de Bolsonaro, que atua o tempo todo como sabotador do esforço nacional contra o coronavírus.

Imaginem como estaríamos agora se a base da ação fosse a previsão de um total de 800 mortos. E é desse jeito que este presidente age em qualquer setor, feito uma saúva acabando com o Brasil. Por isso não cabe esperança de que algo pode ser feito com uma qualidade razoável neste governo.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

quarta-feira, 8 de julho de 2020


terça-feira, 7 de julho de 2020

A contaminação de Bolsonaro e sua contribuição à ciência

O presidente Jair Bolsonaro testou positivo para Covid-19. É o que foi informado pela Secom e o que ele acabou de dizer em entrevista coletiva. Primeiro, é preciso tomar cuidado com a notícia, porque o cabra é mentiroso e pode estar armando algo para dar veracidade às suas amalucadas teorias sobre esta doença que já matou quase 70 mil pessoas no Brasil e meio milhão no mundo.

Aliás, no seu pronunciamento a economia foi colocada em primeiro plano, como se a quebradeira atual não fosse resultado exatamente da sabotagem que ele vem fazendo contra medidas que poderiam ter criado melhores condições para o país abrir suas atividades e a economia sofrer menos consequências negativas.

Mas, se de fato ele contraiu o vírus e apresenta sintomas, pode ser de maior utilidade ao Brasil que ele não seja afetado na forma mais leve da doença, que costuma ocorrer com muitos pacientes. Não, não estou sendo maldoso e desejando o pior para o presidente. Não faria isso, principalmente porque não tenho esse tipo de sentimento e depois porque não acredito que desejar o mal ou o bem à uma pessoa possa provocar qualquer efeito. Não sustento minha visão de mundo com sentimentos de leituras de autoajuda.

Até seria interessante ter este poder, mas, francamente, se isso tivesse resultado prático não seria contra Bolsonaro que eu lançaria minhas pragas. Existem alvos melhores acima dele. Aliás, Bolsonaro nem existiria, pois eu teria resolvido há bastante tempo questões muito mais complicadas que nem permitiriam o surgimento político desse sujeito.

É com o mais puro objetivo científico que faço esta observação de que o Brasil poderia obter muitos ganhos se Bolsonaro enfrentar uma situação bem dura com esta doença. Sintomas mais graves da Covid-19 podem permitir que ele demonstre que pode se tratar com a tal da cloroquina, talvez aquele remédio para vermes, que em maio seu ministro-astronauta garantia que seria a cura definitiva ou então qualquer outra panacéia, das que ele vem falando enquanto lança perdigotos sobre este nosso pobre país.

Enfim, depois de passar meses fazendo piadas com uma pandemia que vem causando grande sofrimento no Brasil e no mundo, Bolsonaro pode servir de cobaia para experimentar os tratamentos milagrosos que vem receitando para a população. Mas  tenho que novamente dizer que o cabra é mentiroso e um trapaceiro como ele pode muito bem ter armado isso para criar a ilusão de que venceu com facilidade uma das piores doenças que os seres humanos já enfrentaram.

E claro que desejo melhoras para Bolsonaro, com seus tratamentos médicos muito pessoais. Quem é que não iria querer um remédio fácil para esta terrível doença e deixar de lado todas as preocupações? Eu não teria problema algum em reconhecer que estive entre as milhões de pessoas que por meses foram tolas em tomar vários cuidados que atrapalham a vida, evitando tantas coisas que faziam parte do nosso cotidiano e até andando o tempo todo com uma incômoda máscara no rosto.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

segunda-feira, 6 de julho de 2020

O ótimo acordo de Bolsonaro e Ricardo Salles para a Vale

Jair Bolsonaro fez um acordo com a Vale pelos danos causados em Brumadinho. O Ibama havia aplicado uma multa de R$ 250 milhões à empresa mineradora e agora, um ano e meio depois, Bolsonaro acertou que o valor das multas será revertido para ações ambientais em Minas Gerais. Ele fez o acordo junto com Ricardo Salles, o ministro que disse na famosa reunião ministerial de 22 de abril para o governo aproveitar a concentração da população no Covid-19 “para ir passando a boiada”, desregulamentando tudo que for possível.

Ora, este acordo vai livrar a Vale de uma penalização inclusive no aspecto conceitual, em um desastre que não foi um mero acidente. Ao contrário, a Vale tem um longo histórico de desastres ambientais, os maiores que já ocorreram no país. Claro que a empresa vai explorar o acordo com farta publicidade, podendo se colocar no papel de protetora do meio ambiente em Minas Gerais, quando quem tem que exercer este papel é o governo.

A empresa errou, paga a multa e a administração pública decide como será a utilização do dinheiro em favor da população. Caso a Vale queira beneficiar os mineiros cuidando melhor do meio ambiente, deveria fazer isso com o próprio orçamento da empresa, que não é o caso do valor de multas. Deveria ser assim, mas não será com o ex-capitão que infelizmente é o presidente do Brasil e que amolece fácil nos acertos com os poderosos.

Temos no comando da nação esta figura, que ameaça, esbraveja, xinga, mas que no fundo é um banana. Este defeito de caráter de Bolsonaro não é uma surpresa para mim, que sempre desconfiei de quem fala de forma muito agressiva e vive fazendo ameaças, mas cabe apontar esse traço da sua personalidade, afinal uma motivação importante do seu eleitorado foi a de que com ele no governo o rigor seria devidamente aplicado na administração pública brasileira.

Claro que não vai acontecer nada disso. Bolsonaro é contraditório até neste caso, pois temos uma figura que chegou ao posto de capitão, mas tem a visão contrária ao cumprimento de regras, buscando anular o respeito às leis até onde isso já está estabelecido coletivamente. É o ex-milico que faz tudo para favorecer maus motoristas, em detrimento de quem dirige com responsabilidade, de modo que faz sentido que amacie as coisas para uma grande mineradora causadora de desastres ambientais continuados.

Já faz muito tempo que o próprio Ernesto Geisel disse que Bolsonaro é um mau militar, mas é uma surpresa que o Exército Brasileiro dê ao país tipos de formação tão precária, moralmente tão fracos, afinal esta figura que está o tempo todo quebrando regras chegou ao posto de capitão. A Vale ganhou dele um presentão. Uma empresa responsável pelo desastre colossal de Brumadinho, depois de ter causado uma outra grande tragédia anterior em Mariana, poderá posar de protetora do meio ambiente.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

O cachorro de Paulo Guedes e o fracasso da economia

Paulo Guedes foi mordido por seu cachorro. Claro que o interesse jornalístico cresceria se o Guedes é que tivesse mordido o cachorro, mas não fará mal a ninguém se a dentada for interpretada politicamente. Segundo o que se sabe, a mordida ocorreu quando Paulo Guedes tentou impedir o cachorro da família sair de casa, o que esclarece um pouco mais o fato: o cachorro não é exatamente do Guedes. Com certeza, para o animal o alfa não é esse ministro aí.

O ponto interessante do fato é que o cachorro fez o que milhões de brasileiros tinham que fazer. Segurem-se, não devemos morder o Guedes. Faço apenas uma metáfora, mas a indignação dos brasileiros teria que ser relativa, para o ministro sentir o desprezo por não ter feito nada para tirar o país do sufoco econômico, numa ineficiência gritante que já vinha de antes do coronavírus.

O primeiro ano do governo Bolsonaro foi o ano de um PIB menor que os lamentáveis pibinhos de Dilma e Temer e a previsão é de que 2020 seria também decepcionante. Até o chegada do coronavírus o Congresso esperava suas reformas, que se tornaram anacrônicas mesmo sem ninguém saber como eram afinal. Com a explosão da pandemia, o ministro da Economia mostrou-se despreparado para um mundo que virou de ponta cabeça. Ele tem uma receita só, ou tinha, já que mudaram absolutamente os ingredientes.

Guedes é o tecnocrata que se diz liberal, mas que só sabe fazer cortes, arrochar e quebrar tecnicamente a força de trabalho, vender o patrimônio público e desmontar as estruturas de Estado. Felizmente não conseguiu fazer nada disso. Para gente como ele o Brasil não deveria ter nem o SUS, então imaginem como estaríamos desse jeito, para o enfrentamento dessa pandemia.

Poucos acharão que não veio em boa hora a mordida do cachorro, na falta de que os brasileiros tomem vergonha e mandem pras cucuias este governo e o ministro que é um fiasco. O totó podia inclusive ter feito xixi no Posto Ipiranga do Bolsonaro — e talvez até faça de vez em quando, sem que tenha virado notícia, algo que, aliás, os brasileiros também deveriam fazer. Na forma de metáfora, é claro.
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POR José Pires

Bolsonaro: isolando o Brasil no mundo

Os vetos de Jair Bolsonaro ao projeto de lei que estabelece uso obrigatório de máscara de proteção facial em todo o país servem como referência da sua concepção de governo, totalmente ineficaz não só para o enfrentamento do novo coronavírus como também para o país se colocar de um modo efetivo no mundo que teremos pela frente, com o risco mortal desse vírus obrigando a cuidados que se prolongarão por um período de tempo que ninguém sabe até quando vai.

O presidente vetou partes da lei da Câmara Federal, dispensando o uso obrigatório de máscaras em lojas, templos religiosos e até em fábricas. Ele vetou também uma norma exigindo que os estabelecimentos forneçam máscaras grátis aos próprios funcionários.

Bem, pela intenção de Bolsonaro os próprios funcionários teriam de arcar com os custos para se protegerem no trabalho. Na atual situação, é como se trabalhadores da construção civil fossem obrigados a comprar seus materiais de segurança nas obras.

Com esse tipo de veto, Bolsonaro encaixa mais desinformação no debate travado entre a população, criando ainda mais confusão para a compreensão que já não está fácil sobre esta pandemia. Claro que o aceno é para sua bolha bolsonarista, onde ele segue buscando aplausos fáceis de um número cada vez menor de seguidores, mas ainda assim criando dificuldades para o enfrentamento de sérias questões que afetam a vida brasileira.

Complicações também podem ser previstas no plano internacional, porque mesmo já existindo leis municipais e estaduais que obrigam o uso da máscara, internacionalmente passa-se uma mensagem de descaso do governo brasileiro com uma pandemia que já matou meio milhão de pessoas no mundo, mais de 60 mil dessas vítimas no Brasil. Cabe lembrar que a suspensão nesta semana de importação de carne pela China foi em razão de descuido de frigoríficos com a contaminação de trabalhadores.

Independente do estrago que Bolsonaro pode causar na saúde pública, nas relações de trabalho e até na relação entre o comércio e o consumidor, seus vetos demonstram que ele não consegue compreender o efeito internacional de medidas de prevenção durante esta pandemia, que pode ser positivo ou causar um desgaste de imagem que complicará bastante as relações com outros países.

Este risco nada tem a ver com o que Bolsonaro e seus seguidores pensam sobre os riscos da Covid-19. Não tenho dúvida sobre a concepção bolsonarista de política. Esse pessoal pensa e age como terraplanistas que não aceitam nenhuma alteração no discurso mesmo que o mundo siga girando no sentido contrário do que eles querem.

O problema é na ação de governo, que exigiria um pragmatismo que parece impossível para um presidente cabeça-dura. Então, caem sobre todos nós as conseqüências desse modo chucro de governar, que vai posicionando o Brasil internacionalmente como um lugar com pouca atenção e respeito aos problemas que afetam perigosamente o mundo todo, em questões que na atualidade não podem mais ser fixadas em estreitos limites ideológicos.

Bolsonaro na Presidência da República já vinha sendo um desastre no posicionamento perante problemas globais como o aquecimento global e o desmatamento, afetando com suas bobajadas até o peso das exportações agrícolas na balança comercial do país e o apoio financeiro de países ricos ao meio ambiente brasileiro.

Com o novo coronavírus, Bolsonaro segue na mesma toada, por um caminho que já causa prejuízos ao país e com a expectativa de mais dificuldades inclusive quanto ao nosso futuro, porque a relação delicada com este vírus com certeza prosseguirá mesmo depois dos brasileiros terem se livrado desse presidente sem noção.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Bolsonaro, um mentiroso que acredita no que fala

Jair Bolsonaro disse em sua live desta quinta-feira que vetou trechos do projeto de lei que estabelece uso obrigatório de máscara de proteção facial para a circulação em espaços públicos e privados no país, afirmando que a obrigatoriedade seria inclusive dentro de casa, que é algo que não consta no projeto.

Vejam o que ele disse: “Eu vetei, né? Ninguém vai entrar na tua casa para te multar. Eu mesmo aqui poderia ser multado agora, porque estou sem máscara”.

Bolsonaro anda tão ligado nas desinformações que são repassadas pelos que o cercam que parece que se contamina com a mentirada que esses irresponsáveis despejam sobre as redes sociais. Essa mentira sobre um projeto da Câmara dos Deputados que permite que a polícia prenda quem não usar máscara dentro de casa andou sendo compartilhada pelos remanescentes da doideira fanática bolsonarista, que felizmente estão cada vez em menor número.

Acontece que isso nem poderia constar em um projeto de lei, pois seria inconstitucional. A inviolabilidade de domicílio é garantia constitucional que não pode ser eliminada por lei ordinária. Isso já foi explicado em várias situações anteriores e até mesmo sobre este boato, que bolsonaristas andam espalhando para atrapalhar o combate ao novo coronavírus.

A gente sabe que é perda de tempo tentar das explicações a um militante bolsonarista, mesmo que seja uma informação muito simples. E claro que sabemos também da impossibilidade de fazer qualquer esclarecimento a um sujeito sem noção que caiu por acaso na Presidência da República, sem saber sequer ler a Constituição Brasileira.

Bolsonaro pensa que é muito esperto, mas está fazendo papel de idiota, algo que, por sinal, seus seguidores também fazem o tempo todo.
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POR José Pires