quarta-feira, 31 de outubro de 2007

terça-feira, 30 de outubro de 2007

UMA IMAGEM VALE POR MIL PALAVRÕESO BONDE DOS MAIORAIS

Janio de Freitas publicou na Folha de S. Paulo de hoje um belo artigo sobre a viagem de Lula à Suíça acompanhado de um grupo de governadores para festejar a indicação do Brasil para sede da Copa do Mundo de 2014. A viagem em si foi uma farsa. A justificativa geral era a necessidade de um “lobby” pela indicação do Brasil. Só que o nosso país era candidato único.

Freitas faz uma bem sacada relação entre o grupo de políticos e os “bondes” cariocas feitos por assaltantes em que eles agem uns seguindo os outros, com o mesmo objetivo. Lula e os governadores são o bonde dos irresponsáveis.

O artigo vale como símbolo de uma indignação com a irresponsabilidade das lideranças políticas brasileiras, que não encaminham o país para uma ética do trabalho, do planejamento, da construção equilibrada de um caminho para sairmos desse atoleiro político e econômico. Nada. O encaminhamento é sempre para a festa, o desvio do trabalho e da seriedade.

Lula contagia as demais lideranças do País com seu despreparo e sua tendência para a vagabundagem, o devaneio, a conversa fiada e a demagogia. Viagens sem objetivo sério como essa para a Suiça também contaminam a administração pública, que no Brasil já não é um bom exemplo de operosidade. Além disso, nós pagamos o bonde dos maiorais.

O jornalista também alerta em seu artigo sobre a péssima jogada que é trazer a Copa para o Brasil. Os custos são altíssimos e a suposta contrapartida não compensa. Isso sem falar nos desvios de verbas que devem ocorrer na construção da infraestrutura para os jogos. Só como lembrança, nunca foi apresentado o custo final e verdadeiro do Pan.

“A Olimpíada de 2004 custou à Grécia US$ 12 bilhões”, conta o jornalista em seu artigo. Além de não se pagar com o turismo imediato e os patrocínios, não se cumpriu nenhuma das previsões de receita. Além disso, a Grécia ficou com a imensa estrutura de construções esportivas e equipamentos que não encontram uso, mas tem um alto custo de conservação.

Na foto acima, Lula ri de todos e todos riem de nós. Só de governadores, estão na foto Eduardo Campos, Pernambuco; Jaques Wagner, Bahia; Blairo Maggi, Mato Grosso; Sérgio Cabral, Rio; Aécio Neves, Minas Gerais; Ana Júlia, Pará; Roberto Arruda, Distrito Federal. José Serra não está nesta foto, mas estava lá na Suíça: também pegou carona no bonde dos irresponsáveis.

Vale a pena ler o artigo de Janio de Freitas. Para fazer isso, clique aqui.
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POR José Pires

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O incrível caso do padre e o ex-interno

A história do padre Júlio Lancelotti, religioso e militante de esquerda um tanto quanto extremado, ainda vai render muito. É um daqueles fatos que traz à mente o velho chavão que diz que a gente morre e não vê tudo. O incrível caso que envolve o padre surgiu para a opinião pública da sua própria boca há cerca de duas semanas.

Lancelotti entrou com queixa na polícia por extorsão contra Anderson Marcos Batista, um ex-interno da Febem. É difícil acreditar na história do padre. Segundo ele, a extorsão durou cerca de três anos. E é claro que todos perguntam por que ele não fez a denúncia antes. E que ele não venha com a história de que tinha esperança de mudar a pessoa a quem dava o dinheiro. Foi o que ele disse e não dá para crer.

Na ocasião da denúncia, ele disse ter pago R$ 50 mil a Batista, em três anos. Depois a quantia foi subindo. Logo corrigiu o valor para R$ 80 mil e no sábado passado seu advogado calculou a quantia em R$ 140 mil a R$ 150 mil. Já o advogado do ex-interno acusado de extorsão afirma que a quantia passada a seu cliente foi de R$ 600 mil a R$ 700 mil.

Seja qual for a quantia, dos 50 mil aos 150 mil ou 700 mil, sempre será muito dinheiro em relação aos três mil reais que o padre Lancelotti ganha por mês. E isso lançou mais suspeitas sobre o caso, já que Lancelotti é membro influente de uma associação que recebe R$ 420 mil por mês da prefeitura.

A associação já lançou uma nota muito estranha à imprensa afirmando que o sacerdote é apenas conselheiro fiscal não-remunerado da entidade e, portanto, "não tem acesso a seus recursos". Meu estranhamento é pelo fato de todos estarem dizendo que o padre é inocente, apenas uma vítima. Então não haveria razão para a ressalva de que ele “não tem acesso aos recursos”. Se ele é uma vítima neste caso, qual seria o problema com o acesso ao caixa da entidade?
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POR José Pires

História cai no centro de uma luta ideológica

Júlio Lancelotti é conhecido pelo trabalho na Diocese de São Paulo principalmente junto aos que ele chama de “povo da rua”. Tem feito oposição aos tucanos em São Paulo. Encrencou bastante com projetos da prefeitura, primeiro com José Serra e depois com seu sucessor, Gilberto Kassab.

O padre manteve polêmicas duras com a gestão de Serra na prefeitura de São Paulo. Mas antes era um aliado bem próximo de Marta Suplicy, do PT, que tentou a reeleição para a prefeitura em 2006 e perdeu para Serra. O escândalo atinge bastante o PT. E ainda tem a pior das coincidências para a esquerda: um Mitsubishi Pajero, que Lancelotti disse ter comprado para o ex-interno em seu afã de trazê-lo para o caminho do bem.

Lancelotti é uma das figuras mais proeminentes da Teologia da Libertação e ativo militante pelos direitos humanos, sendo inclusive de um rigor até ideológico. O padre está sempre além do limite da dedicação religiosa aos pobres quando se trata de uma polêmica ou de um debate público. Bate bem forte.

Sua posição dentro da igreja e também a proximidade com o PT dão ao seu caso os contornos de uma disputa ideológica que já vem sendo travada desde antes do início do primeiro mandato de Lula e que promete pegar fogo.
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POR José Pires

Quanto mais se mexe, mais piora

A história subiu de tom neste domingo quando os jornais trouxeram a versão do ex-interno passada por seu advogado à imprensa. Batista teria mantido com o padre Lancelotti um relacionamento homossexual por cerca de oito anos em troca de dinheiro.

Na guerra ideológica que se trava no país, um caso como esse ateia fogo ao fogo, como diz o famoso chorinho. A revista Veja, talvez o mais importante e com certeza o mais agressivo veículo nesta contenda política evidentemente já investigou a história e encontrou outras denúncias contra o sacerdote. Coisas até piores do que o suposto relacionamento com o ex-interno.

Sobre a Mitsubishi Pajero – olha aí o carro de novo, parece marcação – que o ex-interno teria comprado com o dinheiro da extorsão, a revista garante que a história é bem diferente. Veja conversou com o vendedor da concessionária que disse que a compra foi feita por Anderson e sua mulher. E os dois estavam acompanhados do padre Lancelotti. "Em momento nenhum o padre pareceu nervoso. Foi uma venda normal", disse o vendedor à revista.
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POR José Pires

Colunistas da Veja estão ouriçados

É na revista Veja que estão dois dos jornalistas mais ativos no ataque à esquerda, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi. Eles batem com gosto no governo Lula. Se divertem com as escorregadelas da esquerda. O caso do padre Lancelotti fez estampar um sorriso de orelha a orelha nos dois.

O fato do padre ter até entrado com ação de indenização por danos morais contra a revista, por uma matéria de alguns meses atrás, deve também estimular a agressividade. Na ocasião, Lancelotti disse que a revista havia se tornado “um panfleto político”.

Mainardi já tocou no assunto em seu “podcast” na internet e também na coluna na Veja. Ele faz jogo de palavras com duplo sentido, com insinuação sexual, lembra entrevistas do padre, faz o diabo. Mainardi é engraçado, um adversário temerário e com boas fontes.

Aliás, os dois tem boas fontes. Reinaldo Azevedo pegou o caso bem no início em seu blog e já mostrava que tinha boas informações sobre o assunto. Sutilmente apontava onde o caso iria chegar e realmente chegou. Sua aversão às opiniões do padre vêm de longe. Entre os dois há, inclusive, uma série divergência em relação aos rumos da Igreja Católica. Azevedo é católico tradicional e, pelo jeito, recém-convertido. Era trotskista. De ateu passou para católico e admirador da teologia do papa atual, o direitista Bento XVI, e este é o tipo de conservador em que a agressividade é permanente. O moralismo no cristão-novo tende mesmo a ser mais severo.

O padre Lancelotti ainda vai penar muito. Veja e seus dois colaboradores são cruéis. Mas tudo está parecendo aquela velha moral de Mateus, a do “não julgueis, para que não sejais julgados", porque também é verdade que o padre não poupava seus adversários antes de ser pego nesta embrulhada.
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POR José Pires

sábado, 27 de outubro de 2007

JÁ ESTOU INDO!!!
Capa ótima: ironia, reverência, comunhão. Eric Clapton e B. B. King na capa do disco Riding With The King. Ando re-ouvindo muitas músicas. E ainda estou devendo o texto sobre a imagem lá embaixo. Mas já passo pra vocês. E ainda tem gente que lá de Portugal me pede cartum sobre Hugo Chávez . Tenho que fazer. Já faço. Assim que me livrar de outros afazeres que bancam o blog.
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POR José Pires

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

DE COSTAS PRA DITADURA...
Quem são as figuras de bunda de fora na foto? É a contracapa de um LP, sim senhores, um long-play – ou disco, se preferem.

É um disco da época da censura no Brasil: teve duas músicas vetadas mas, estranhamente, os milicos não passaram o xis da censura nesta foto. O grupo que tirou a roupa, num misto de contestação com gozação, foi muito importante na oposição à ditadura militar – bons tempos aqueles, até os bravateiros eram pela democracia... – e também na difusão de belas canções. Era um tempo de uma competência musical que, como muita coisa boa neste país, anda em falta.

Quem adivinhar quem são as figuras ganha um elogio. E depois eu conto mais.

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POR José Pires

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Dormindo com o inimigo

Tucano é um bicho interessante, muito inovador. Se a meia-virgindade já não existisse quando o PSDB foi fundado em 1988, certamente a tucanaiada faria questão de inventar.

De tanto usar meias palavras o PSDB acabou se tornando um partido meia boca.

Agora os tucanos estão para inventar a Meia-CPMF, algo que é a CPMF mas não é, uma CPMF aperfeiçoada, entenderam? Eu também não. Governadores e parlamentares tucanos já estão, como político gosta de falar, envidando esforços na bolação dessa nova engenhoca legimamente brasileira, a Meia-CPMF.

O PT está gostando bastante da idéia. Se a invenção passa pelo Senado, quem vai ter que ficar dando explicações ao eleitorado sobre o tributo serão os tucanos e não mais eles.
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POR José Pires

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Senador sem voto e sem freio

O senador Renan Calheiros tem uma tropa de choque à altura. Não tem nenhum de seus aliados que fazem o serviço sujo na linha de frente que não esteja encalacrado em alguma treta.

O recordista é seu mais animado companheiro, o senador sem voto e sem senso do ridículo, Wellington Salgado (PMDB-MG). O cara é um craque da lama. Está parecendo o chefe: cada dia aparece uma do senador Salgado.

Na semana passada já havia surgido a denúncia sobre a tentativa do senador de mudar as regras de nomeação do Conselho Nacional da Educação (CNE) para favorecer a própria mãe. Desde 2004, a mãe do senador, Marlene Salgado de Oliveira, tenta integrar o CNE.

A família do senador Salgado é dona da Universidade Salgado de Oliveira (Universo). Sua mãe é reitora da Universo. É evidente a tentativa de usar suas prerrogativas para beneficiar a família e seus próprios negócios.

Mas tem mais: o governo federal acusa na Justiça o senador, seus pais, irmãos e instituições de ensino da família no Rio de Janeiro e em Minas Gerais de sonegarem cerca de R$ 75 milhões em contribuições previdenciárias e Imposto de Renda.

E agora surge outra mutreta, também relacionada com a Universo. O grupo educacional conseguiu 80% de desconto para comprar, sem licitação, um terreno público em Brasília avaliado em R$ 22,5 milhões. O negócio foi fechado em 2004, no governo do notório Joaquim Roriz

A lucrativa transação só foi possível com a inclusão do projeto da Universo em um programa de desenvolvimento do governo do DF. Foi aberta uma brecha para a Universo entrar. Além do abatimento no valor do imóvel, a empresa da família do senador também terá benefícios tributários.

AMBIENTE FAMILIAR
O senador sem voto Wellington Salgado não tem freios. E nem digam ao senador que ele não tem superego. Ele pode querer comprar.

Salgado é suplente do ministro das Comunicações, Hélio Costa. E é também o maior financiador da campanha de Costa. Ele pagou 50% da campanha do atual ministro de Lula e valeu a pena. É senador desde julho de 2005, quando Costa se licenciou.

Remexer na biografia de Salgado é um trabalho que exige nariz tapado. Quando assumiu o mandato no lugar de Costa, ele era presidente da ASOEC(Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura). A ASOEC é a entidade mantenedora do grupo da família.

Contra a associação correm três ações de execução fiscal movidas pelo INSS. O senador também é alvo de dois inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) em que é acusado de apropriação indébita no valor de R$ 12 milhões de IR. A Receita afirma que foi descontado o imposto de funcionários e prestadores de serviço e não houve o repasse ao fisco.

Apenas em uma ação da 5ª Vara de Niterói a ASOEC é cobrada pela Fazenda em R$ 43,282 milhões, em valores de outubro de 2005. Além do senador, são réus no processo seus irmãos e seu pai.

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POR José Pires

Justiça social

Reinaldo de Azevedo, Ferréz, Alberto Dines, Diogo Mainardi podem parar de brigar. O caso de Luciano Huck, que teve seu rolex roubado numa rua de São Paulo, já está resolvido. O apresentador disse, em artigo na Folha de S. Paulo, que era caso de chamar o capitão Nascimento, mas felizmente não foi necessário.

Fernando Di Gênio, da Mix TV, dono do carro onde estava o apresentador quando aconteceu o assalto, vai comprar um novo rolex, no valor de R$ 10 mil, para dar de presente para Luciano Huck. Ele ficou sensibilizado com a perda do amigo. E como o assalto em seu carro, resolveu brindar o amigo com o presente, que não é surpresa, é claro, pois Di Gênio já falou para a imprensa.

Mano, gente fina é outra coisa mesmo. Mas o "correria" que levou o rolex de Huck também não merecia um presente? O estresse foi geral.
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POR José Pires

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Jota e as GRANDES REPUTAÇÕES

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Uma sigla infernal
Lula chamou o partido Democratas (ex-PFL) de “demo”. Foi agora há pouco em uma entrevista durante sua viagem à África. O presidente boquirroto está apenas antecipando uma das táticas de ataque à oposição no ano que vem, quando serão disputadas as câmaras municipais e prefeituras em todo o País.

Os ex-pefelistas vão ser chamados de “demo”, é claro. A sigla do partido é DEM. Vai ser uma festa pelas cidades brasileiras afora. Basta aplicar a letra “O” sobre a propaganda eleitoral do partido em cartazes, outdoors e muros.

Mas os democratas (ou “demos”) merecem. O partido precisava se renovar e resolveram mudar de sigla.Mas onde foram arranjar este nome infernal? Talvez com um marqueteiro do inimigo.

Mas o fato é que a sigla do ex-PFL é um sucesso. Os adversários estão adorando.
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POR José Pires

Mainardi e sua anta que também é nossa
Lula disse que depois que virou adulto não viu mais a Playboy, o que é um caso bem estranho, pois depois de adulto ele até deu entrevista para a revista. Era sindicalista de esquerda ainda e a revista deu espaço para ele em uma época em que isso não era fácil. Normal, é apenas mais um prato cuspido depois que Lula nele se fartou.
Porém, se não vê mais a Playboy depois de adulto, Lula tem algo para ler: saiu o novo livro de Diogo Mainardi. O título é sugestivo, Lula é Minha Anta, e reúne os textos do colunista da Veja publicados neste ano. São as porretadas e denúncias que evidentemente devem interessar aos petistas, que lêem Mainardi ávidamente, mesmo que escondido.

É igual ao Lula. Cercado das maiores sem-vergonhices que já se viu neste país (olha aí de novo!) e quer fazer moral dizendo que não vê fotos de mulher nua.

Diogo Mainardi escreve com frases curtas, com objetividade e ironia. O humor é seco, bem colocado. Ele escreve com objetividade. É fácil de ler, Lula não vai ter dificuldade. E também vem sem mulher pelada: até o Lula pode ver depois de adulto.
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POR José Pires

Pirata de fábrica
O estouro que a Receita Federal fez nas importações da Cysco Sistems mostra que no Brasil ou você compra direto do pirata oficial nas calçadas da cidade ou compra mesmo de pirata oficioso.
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POR José Pires

Epitáfio
Foi-se Paulo Autran, um ator que dizia que não gostava de televisão e que só lhe ofereciam papéis de “débeis mentais”. Mas nas novelas brasileiras tem algum outro tipo de papel?
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POR José Pires

Hora extra
Pode-se falar tudo do governo Lula, mas uma coisa esse governo tem de inquestionável: seu papel simbólico no colapso ético que sofre o País.

Mais uma simbólica do governo Lula: o ministro do trabalho Carlos Luppi foi assistir o jogo da seleção no Maracanã. E foi com carro oficial. O governo Lula tem mesmo um time esforçado. O pessoal trabalha até em jogo da seleção no Maracanã.
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POR José Pires

Dize-me com quem andas
O próprio repisador da expressão “nuncanestepaís” já andou fazendo sua autocrítica. A expressão ficou mesmo bem batida, mas com esta triunfante viagem à África não podemos evitar: nunca este país teve um governante que confraternizou tanto com ditadores. E como gosta!
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POR José Pires

As muitas viagens de Requião
O brasileiro sempre achou que o governador Roberto Requião “viaja” muito, desde quando ele fazia espetáculos no Senado e dava de dedo em banqueiro em CPI sem nenhum outro resultado prático que não esse: o dedo na cara do banqueiro.

E depois que se tornou governador do Paraná, Requião continuou viajando. E quanto! A oposição paranaense revelou que Requião gastou R$ 150 milhões em viagens nos quatro anos do mandato anterior.

Azar do contribuinte. As “viagens” de Requião no Senado eram bem mais baratas.
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POR José Pires

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

JOTA E AS COMPENSAÇÕES

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRÕESO presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, cumprimenta o capitão Blaise Campaoré, ditador de Burkina Faso. Lula participa das comemorações dos 20 anos de ditadura no país. Em 15 de outubro de 1987, Campaoré comandou um golpe que resultou no assassinato do então presidente marxista, Thomas Sankara.

Desde a independência da França em 1960, o país - conhecido antigamente como Alto Volta - passou por cinco golpes de Estado, com uma série de assassinatos de líderes da oposição.

Repare no logotipo atrás dos dois, digamos assim, chefes de estado. É o logotipo em comemoração à data, feito por um Duda Mendonça local. Lê-se na inscrição: “20 anos de Justiça e Democracia”. No alto do logotipo, a cara do ditador.

Lula e o ditador Blaise Compaoré participaram também do Colóquio "Democracia e Desenvolvimento na África", patrocinado pelo governo de 20 anos.

A foto é do site do governo Lula. Com certeza, seu governo orgulha-se da participação nos festejos. Deve ser a tal política externa avançada do PT.
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POR José Pires


A incendiária Doris Lessing
Doris Lessing ganhou o prêmio Nobel de literatura e desta vez os jurados suecos acertaram. Mesmo com um nome como Philiph Roth no páreo, um escritor muito mais interessante para o meu gosto, foi uma boa escolha.

Mas quem for procurar nas livrarias a obra mais conhecida da escritora, O Caderno Dourado, vai se decepcionar. Não tem. O livro foi editado no Brasil há alguns anos, está esgotado e não foi reeditado. São coisas do Brasil. Tem muito livro importante por aqui do qual se edita 2 ou 3 mil exemplares e depois nunca mais.

Da escritora, em nossa língua, o leitor vai encontrar alguns livros de ficção científica, tema explorado por ela nos anos 70 e 80 e que segundo alguns críticos até diminuiu sua cotação literária. Ficção científica é um gênero considerado menor.

Doris Lessing está com 87 anos e cara de velhinha pacata. Mas que ninguém se engane. É uma pessoa que viveu de modo corajoso, se envolveu em lutas políticas até na África colonizada e racista e tem também uma obra sólida, sem espaço para o sentimentalismo. Sua audácia também se revelou na quebra de regras sociais na metade do século passado e na colocação da sua obra em um patamar bem alto em um terreno difícil como o da literatura. Escreveu mais de cinquenta títulos e é autora de um livro polêmico, incendiário até, um marco da literatura e do comportamento.

Para vocês terem uma idéia da audácia dela, notem na foto acima, uma imagem da juventude da escritora, que ela está fumando. É uma foto da década de 50.

Em O Caderno Dourado ela antecipou muitas coisas que ainda estão em processo de discussão até hoje, quase cinqüenta anos após seu lançamento. É seu trabalho mais lembrado e tido como o mais importante. Trata da psicanálise, a experiência sexual, a neurose, os conflitos entre homem e mulher, a liberação da mulher, tudo isso junto com uma discussão profunda sobre o stalinismo, a situação colonial e o racismo.

O interesse de Lessing nas últimas duas questões pode ser creditado em boa parte à sua origem. Nascida na Pérsia, atual, ela cresceu na Rodésia, antiga colônia britânica que conquistou a independência em 1980 e mudou de nome para Zimbábue. Sempre foi anti-racista e ligada aos movimentos negros pela independência.
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POR José Pires

Livro deveria ser lido pela esquerda brasileira
O Caderno Dourado fala de temas que infelizmente ainda não foram devidamente discutidos no Brasil. Devia ser leitura obrigatória da esquerda brasileira. Os esclarecimentos que ele traz sobre o autoritarismo e sobre a visão curta que a militância ideológica acaba imprimindo na vida das pessoas, sua aridez humana e intelectual, bem que poderiam ser bem úteis por aqui.

Se a leitura fosse um hábito na universidade brasileira, deveria ser leitura obrigatória em todos os cursos.

Mas estamos bem atrasados nessas discussão. E Doris Lessing sabe disso. Em entrevista à BBC de Londres em março de 2002, ela foi bem irônica. Disse o seguinte: “Ouvi dizer que em partes da América do Sul ainda existem comunistas, o que acho um charme. É como se nada tivesse acontecido”.

Os acontecimentos que não tocaram os comunistas da América do Sul são os crimes de Stálin. O totalitarismo soviético que oprimiu culturas e destruiu pessoas. Parece que Lessing falava de nós, do Brasil, país em que o relatório de Kruschev aparentemente ainda não chegou.

Sobre O Caderno Dourado ela diz que queria deixar uma memória para que as pessoas sempre saibam como viviam aqueles que eram comunistas e que sonhavam com uma era de ouro. “Uma era, é preciso que eu repita, que nós de fato acreditamos, por um breve período, que estivesse logo adiante”, ela escreveu em sua autobiografia.

Lessing acha absurdo ter acreditado nisso. Uma coisa tão estúpida, ela diz. E afirma que escreveu o livro para que pelo menos “essas loucuras” fiquem registradas.
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POR José Pires

O mais importante caderno de Doris Lessing
Para a escritora é um mito que o movimento das mulheres tenha começado nos anos 60. Ela diz que tudo começou bem antes, nos anos 40 e 50, quando dentro e nas vizinhanças dos movimentos progressistas as mulheres começaram a ter voz. O Caderno Dourado é também sobre essa complexa mudança, a mulher ocupando espaço na sociedade e os conflitos inerentes à esta nova situação.

Lançado em 1962 na Inglaterra, o livro foi recebido com espanto. Demorou dez anos para ser editado na Alemanha e na França. Era considerado incendiário demais. E quando enfim foi editado nesses dois países, seu sucesso foi imediato.

A polêmica também se colou à obra. A escritora recorda que os críticos escreviam não sobre o livro e sim sobre si mesmo. Ou como os temas apresentados tocavam em seus temores pessoais. Um nervo havia sido tocado. O clima era tão conservador que até a menção da menstruação feminina desconcertou as pessoas. Ela julga que foi a primeira vez que a menstruação tenha figurado em romances. E os críticos também deram uma atenção danada para isso.

Mesmo tratando com profundidade do universo feminino (ou talvez por isso mesmo) O Caderno Dourado, de início, não teve a aceitação positiva das mulheres. Foram os homens que o aprovaram primeiro. Mas depois as feministas descobriram o livro e ele virou a “Bíblia dos Movimentos das Mulheres”. Até hoje a escritora não gosta nada disso.

O escritor peruano Mario Vargas Llosa escreveu sobre O Caderno Dourado em seu belo livro de ensaios A Verdade das Mentiras. Ele também não entende por que as feministas fizeram desse livro uma “bíblia”.

Para ele, “o livro não tem heróis ou heroínas”. E na obra de Lessing os propósitos de transformar o mundo ou suas próprias vidas também não dá muito certos para os personagens.
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POR José Pires

Feministas fizeram da obra uma bíblia
Mas as feministas tomaram o livro para si. Como costuma acontecer em algo que toca demais as pessoas a escritora perdeu o controle do livro depois de publicado. As pessoas assumiam O Caderno Dourado como seu, fazendo da obra a leitura que lhes convinha. As feministas viam o romance como um tema único, não enxergando nada além de seus próprios interesses no livro. E isso sempre desagradou à escritora porque encerra o livro em um círculo fechado que afasta os demais leitores.

E O Caderno Dourado trata exatamente desse “fechamento”. Foi escrito para se purificar desse mal. Uma carta recente que ela destaca na autobiografia mostra bem as transformações criadas pelo livro. “Acabei de ler O Caderno Dourado. Não sabia que as mulheres falavam de alguma coisa que não fossem bebês”, um homem escreve do México. E diz que deu o livro para sua mulher.

Ela também disse que encontra sempre mulheres que dizem que leram o livro e tiveram suas vidas mudadas por ele. E que suas filhas também leram e que as netas estão lendo.

Em sua opinião, escrever o livro operou uma mudança também nela. Embora ela tivesse descartado o comunismo, ainda tinha todas as estruturas mentais do comunismo, estruturas que, acredita, também dominam o pensamento de pessoas que nada tem a ver diretamente com a ideologia. É uma estrutura fixa, com códigos que impregnaram a sociedade.

Vargas Llosa, que gosta muito do livro, ressalta que Doris Lessing se antecipou à sua época. E o escritor peruano é uma pessoa indicada para fazer tal análise, pois além de ser um ensaísta de grande qualidade estava em Londres no início da década de 60, época em que o romance foi lançado. Além disso, ele também sofreu os mesmo tormentos ideológicos e a desilusão com o marxismo sofridos pela autora e que são muito importantes no romance.

Para ele, O Caderno Dourado perdura na memória “como somente conseguem os romances bem-feitos”. Doris Lessing conseguiu o feito que dezenas de escritores tentaram sem sucesso nos anos de 1950 e 1960: “capturar o espírito da época, com suas grandes ilusões, seus terríveis fracassos e as profundas transformações históricas”.
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POR José Pires

Autobiografia também merece atenta leitura
A autobiografia de Doris Lessing também deveria ser livro de cabeceira da esquerda. A edição publicada no Brasil é péssima, mas vale pelo conteúdo. Foi publicada em dois volumes (Debaixo da Minha Pele e Andando na Sombra) pela “Companhia das Letras”, numa edição malfeita, sem sequer um índice onomástico, o que torna complicado qualquer busca no livro. E não é a primeira vez que a “Companhia das Letras” faz isso.

E o livro ainda traz uma falha muito estranha. O Caderno Dourado, seu livro mais conhecido, é chamado o tempo todo de "O Carnê Dourado", inclusive na apresentação da contracapa. Ora, no Brasil nunca existiu este livro. O que se editou por aqui foi O Caderno Dourado, uma tradução bem mais correta, pois a protagonista do romance escreve em cadernos – são cinco, de cores diferentes – sendo o caderno dourado a pretensa síntese de todos eles.

Além do mais, no Brasil um carnê é algo com que se paga contas numa loja. Ou será que na editora brasileira alguém escreve anotações pessoais em um carnê e não em um caderno? Pode ser. Não me espantaria se agora com o Nobel a “Companhia das Letras” das letras lançar o livro de Doris Lessing com esse título idiota.

Mas, repito, o conteúdo é de altíssima qualidade. A autobiografia é um relato sincero. Lessing não faz de conta que viveu uma vida de heroína, como ocorre em certas autobiografias. Expõe seus erros políticos, desacertos sentimentais e toda sua busca existencial sem meias-palavras, com franqueza e simplicidade.
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POR José Pires