quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Ética na gaveta

Ética nunca foi o forte do governo Lula, mas parece que agora, como diz a rapaziada de quadrilhas menores, liberou geral. Agora só falta Lula fechar a Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Desmoralizada já está.

O caso do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já se arrasta há meses. Temos também o caso dos cartões corporativos (veja abaixo), que agora começa a dar problemas em vários ministérios. Isso sem falar no mensalão e outros casos que, se Lula não viu, muito menos a Comissão de Ética do governo. A gaveta do Planalto deve estar cheia. Além do tapete, é claro, que deve ter montes e montes de sujeira por debaixo.

Ao acumular a presidência do PDT com o exercício do cargo de ministro do Trabalho, o ministro Lupi desrespeita o código de ética criado pelo próprio governo, mas não quer sair de nenhum de nehum dos cargos. Diz que não está indo contra a ética.

Mas se Lula tem até seu filho Lulinha encalacrado em negócios suspeitos faz de conta que nada acontece, será que o ministro Lupi não tem razão? O problema ético do governo deve ser mesmo a existência Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
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POR José Pires

Ética? Põe no cartão da Igualdade

Por falar em ética, no caso dos cartões corporativos do governo Lula, que pagam até a cervejinha, e que estourou agora com certo atraso, o mais sintomático é que os gastos mais absurdos tenham sido feitos pela ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro.

A revista Veja fez um apanhado dos gastos da ministra em 2007. Vale a pena recordar, por isso fiz o resumo que publico abaixo. Mas lembrem que os números são do ano passado, antes da ministra ter seus gastos questionados.

E a gastança continua. Segundo dados do Portal da Transparência, Matilde Ribeiro já pagou este ano, com cartão corporativo, R$15 mil, sendo R$11,2 mil com o aluguel de carros. Mas vamos à farra do ano passado.
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POR José Pires


OS GASTOS DA MINISTRA DA IGUALDADE RACIAL 

126 000 reais em aluguel de carros
A maior parte dos gastos se refere a aluguel de veículos. Em 2007, a ministra gastou com isso 126.000 reais. Se decidisse alugar um Vectra, o veículo mais caro oferecido pela sua locadora habitual, a Localiza, ela gastaria 116.000 reais por ano. Então a Veja pergunta que tipo de carro a ministra aluga.

35 700 reais em hotéis e resorts
No ano passado, a ministra pagou 67 contas em hotéis – média de 5,5 contas por mês. Seu favorito é o confortável Pestana, um cinco-estrelas, na Praia de Copacabana. Ela esteve por lá 22 vezes no ano passado, ao custo total de 10.000 reais.

4 500 reais em bares, restaurantes e até padaria
No Rio de Janeiro, ela gosta do restaurante Nova Capela, famoso reduto da boemia carioca, e o bar Amarelinho, onde é servido o chope mais gelado da cidade. Em São Paulo, a ministra Matilde é assídua na padaria Bella Paulista, que fica aberta 24 horas por dia e é freqüentada pelos notívagos paulistanos.

460 reais em free shop
Questionada pela revista sobre este estranho gasto, a ministra disse que usou o cartão pago com dinheiro público "por engano" e que "o valor já foi ressarcido à União".
4 800 reais despesas diversas


171 500 reais no total

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Tem recado aí

Pelo visto política é a arte de... mandar recados. Prestem atenção nos jornais e até na televisão. Em qualquer notícia política e até mesmo na voz de comentaristas políticos aparece sempre que este ou aquele político falou isso ou fez aquilo para “mandar um recado”. Para o presidente da República, para o partido, para a Câmara ou o Senado, para o governador deste ou daquele estado e até mesmo para o prefeito de Catolé do Rocha. Tem recado pra todo mundo.

Político vive mandando recado. Por que o José Dirceu deu entrevista para a revista Piauí? Para mandar recado. O Sarney deixou de pintar o bigode? Só pode ser recado. Até o implante de cabelo do deputado cassado deve ter sido recado. E a coisa vem de longe. Quem não se lembra daquela ocasião quando o então presidente Collor apareceu sem a aliança de casamento e a imprensa dizia que era recado para alguém?

Político manda recado até quando dá depoimento para a Polícia Federal, para o Ministério Público ou até mesmo para o Supremo Tribunal Federal.

Estou falando isso porque o Delúbio Soares deu depoimento à Justiça na última quinta-feira e citou vários colegas petistas. É uma lista boa: ele citou Silvio Pereira, Valter Pomar, Joaquim Soriano, Romênio Pereira, José Genoino, Jorge Bittar, Marta Suplicy e Aloizio Mercadante, todos maiorais do PT.

E a imprensa já está dizendo que o tesoureiro do PT na época do “mensalão” está mandando um recado ao partido.

Que coisa! Esse pessoal não conhece e-mail?
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POR José Pires

domingo, 27 de janeiro de 2008

Paulo Patarra, um bravo jornalista

O jornalista Paulo Patarra morreu na segunda-feira passada, aos 73 anos, vitimado por um câncer na garganta. Patarra fumou durante 61 anos. Passou seu último ano de vida sem poder falar, depois que a doença obrigou a retirada da laringe e das cordas vocais. O cigarro é mesmo um vício terrível: horas antes da operação,em 2006, o jornalista fumou um último cigarro. Não duvido que tenha desejado uma última tragada antes de ir.

Mas Patarra era mesmo um bravo. Estava bem humorado em sua última entrevista, feita por escrito e publicada em abril do ano passado pelo ABI Online, site da associação Brasileira de Imprensa. Depois de quatro horas de entrevista − feita no hospital − escreveu nas anotações do repórter: “Falamos, não? Imagina só se eu não estivesse mudo!”.

Conheci Patarra no jornal Ex, em São Paulo, na década de 70, ele já um jornalista consagrado e eu recém-chegado em São Paulo com 16 anos e trabalhando na imprensa alternativa que fazia oposição à ditadura militar. Como criador da revista Realidade, uma as mais importantes publicações da nossa história jornalística, ele já era uma lenda nos meios jornalísticos. Pedira demissão da Editora Abril, onde tinha um bom cargo, e investiu sua indenização no jornal. Com a entrada de Patarra, o Ex teve um forte crescimento e passou a ser ainda mais visado pelos militares.

A edição com a reportagem sobre a morte do jornalista Vladmir Herzog, em outubro de 1975, colocou o jornal ainda mais no foco repressivo. O jornal, que já vinha crescendo,com a injeção do capital e do talento de Patarra saltou de 7 ou 8 mil exemplares para 30 mil e, na edição da morte de Herzog, tirou 50 mil exemplares em duas edições.

Mas o que era para se tornar a grande publicação alternativa do país acabou tendo morte prematura sob a pressão do regime militar. Vista de longe, a capa com a morte de Herzog (acima, à esquerda) pode até não parecer grande coisa. Mas para fazer aquilo era preciso muita coragem, já que o resultado podia ser tanto a prisão quanto a morte. Os aplausos para quem combate uma ditadura são sempre tardios.

Mylton Severiano da Silva, o Myltainho, um dos editores do Ex, conta que colegas do sindicato dos jornalistas de São Paulo chegaram a ir até a redação no dia do fechamento da matéria para pedir que nada fosse publicado. “Foi patético”, ele conta em uma ótima entrevista no site de Luiz Maklouf Carvalho. “Nós, implacáveis, decididos a publicar, e os colegas jurando que estavam tentando nos proteger ao pedir que não publicássemos”. Além de contar a história do Ex, Myltainho também faz um importante relato sobre nossa história política recente, com destaque para a importância de Patarra na modernização da imprensa brasileira.

Mas o jornal acabou tendo que fechar. A Polícia Federal apreendeu 50 mil exemplares de uma edição extra e, logo após, foi determinada a censura-prévia, o que impossibilitaria totalmente a feitura de um jornal como o Ex. Desse modo, a ditadura militar forçou sua falência.
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POR José Pires



A última entrevista

Trabalhei novamente com Patarra em 1978 na revista Repórter Três. A publicação durou apenas duas edições, mas marcou época na imprensa brasileira. Vocês podem ver aí ao lado, na página de apresentação da revista, parte da equipe na qual eu orgulhosamente estou incluído. Patarra está na primeira foto: como sempre, sorridente. Eu estou na última foto, jovem e cabeludo. A revista tinha uma equipe ótima. Além de Patarra como diretor de redação, alguns dos colegas de então eram: Hamilton Almeida Filho, o Haf, Mylton Severiano da Silva, o Myltainho, Narciso Kalili, Lourenço Diaféria, José Hamilton Ribeiro, Jayme Leão, Caco Barcelos e Fernando Morais.

Myltainho garante que a revista acabou por causa da censura a um cartum meu, mas acometido por uma impressionante amnésia em relação àquele período, não lembro desse episódio. O que me lembro da Repórter Três é que gostava muito da convivência com tantos mestres e ainda mais de Patarra, que era uma pessoa muito afetuosa. Então eu já tinha um pouco mais de idade, 19 anos, e, a não ser do caso do cartum censurado, lembro de tudo o mais; recordo que além de coragem e talento, nele se destacava uma imensa generosidade.

Lembro do miúdo Patarra ocupando todos os espaços: falante, criativo, corajoso. Uma pessoa estimulante, o colega que queremos como amigo. Myltainho, que o conheceu mais do que eu, tem uma definição ótima para ele: "um sujeito elétrico, de um bom senso afiadíssimo, peitudo apesar do físico esquelético".

Leiam sua última entrevista para a ABI, clicando aqui. Até o final Paulo Patarra, estava mesmo “falando” muito. Em quantidade e qualidade.
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POR José Pires

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Por que no te callas, Requião?

Até terça-feira passada Jozeléia Nogueira era procuradora-geral do governo do Paraná. Agora, ela é autora de uma das melhores frases desses últimos anos, com uma fala que expõe o comportamento autoritário e grosseiro de Requião. O governador a ofendeu em público, como faz com todos, levando a procuradora a pedir demissão do cargo. Respaldada nesta atitude pessoal muito digna, a frase da ex-procuradora adquire um caráter histórico.

Ela saiu dizendo o seguinte: “Em público, diante da imprensa e de todos os demais secretários de Estado, as agressões verbais [de Requião] ultrapassam todos os limites da tolerância, da civilidade e, com todo o respeito e sinceridade, de educação também”.

A frase da ex-procuradora sintetiza o modo de governar de Requião, caracterizando bem seu estilo pessoal, de comportamento agressivo, truculento e de modos extremamente grosseiros. O governador é famoso pela grosseria. Ele destrata seus secretários até com palavrões e hoje, no estado, é difícil encontrar uma categoria profissional que ele não tenha xingado ou ameaçado. A reação da ex-procuradora é muito importante, pois até aqui seus subordinados têm agüentado calados o cotidiano de agressões.
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POR José Pires

Patadas e também burradas

O estilo de Requião fez dele uma das estrelas do Youtube, site que disponibiliza vídeos na internet. O governador do Paraná protagoniza os mais bizarros da área política. Ele aparece ofendendo manifestantes, fazendo ironias com a política militar do estado, desrespeitando as mulheres, enfim brigando e agredindo os mais variados setores.

Seu descontrole também é responsável por burradas muito engraçadas. Ele já usou uma das reuniões de governo − televisionadas pela TV Educativa − para atacar um plano internacional para dominar a amazônia brasileira e que, na verdade, é apenas um jogo eletrônico criado para a publicidade do guaraná Antárctica (veja aqui). Em sua ansiedade, Requião interpretou como verdadeiro o jogo virtual.No Youtube ele aparece também comendo mamona em reunião com o presidente Lula, numa das cenas mais famosas do nosso besteirol político (veja aqui)

E aqui você pode ver Requião fazendo piada de mau-gosto com os idosos, dizendo que atividade esportiva da terceira idade tem que ser acompanha pelo camburão do necrotério. Não há dúvida: é um governador com alto índice de patadas.
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POR José Pires

Sadomasoquismo como forma de governo

A ex- procuradora Jozeléia Nogueira teve mais dignidade que os demais marmanjos que cercam Requião e vivem sob regime de patadas. É uma relação política estranha, que parece alimentada por um sadomasoquismo político muito particular. É um cotidiano pesado, agravado também pelas piadas de mau-gosto de Requião.

Mas parece que tem gente que gosta. Houve uma ocasião, há cerca de três anos, que uma deputada de sua base política defendeu a má-educação do governador em uma reunião com professores universitários. Os professores haviam sido ofendidos por Requião. A deputada disse, em reunião pública, que as grosserias deviam ser desculpadas por serem decorrentes da personalidade do governador.

Por esta fala, a deputada foi vaiada no ato. E esta extraordinária tese em defesa da grosseria foi com certeza um dos motivos para que ela não tenha sido reeleita.
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POR José Pires

Criança também sofre no Paraná

E enquanto o governador surta em seu gabinete e até em público, o Paraná colhe péssimos índices em todas as áreas. É o mais pobre estado do sul do Brasil, tem a pior renda per capita e baixos índices de desenvolvimento.

No mesmo dia em que a ex-procuradora se demitia por ter sido ofendida em público, a Unicef apresentava um estudo que revela que o Paraná apresenta os piores números em mortalidade infantil. A taxa de mortalidade infantil é considerada pelo Unicef como um indicador básico de desenvolvimento humano.

O Paraná está na pior situação na região. Entre menores de cinco anos o estado tem 22,3% de mortes por mil nascidos vivos no ano de 2006 enquanto Santa Catarina está com 19,0% e Rio Grande Sul com 16,0%. Segundo a Unicef, as crianças do Paraná com menos de dois anos também são as mais desnutridas do sul do país.
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POR José Pires

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Agora é a economia mesmo, estúpido!

Ontem eu observava aqui neste blog que fazia alguns dias, bem poucos, que o presidente Lula não disparava alguma sandice nos ouvidos brasileiros. Eu dizia até que era ainda mais estranho, pois um assuntão, o da recessão americana, quicava na área, para usar uma hipérbole de seu gosto. Falei cedo. Ele resolveu falar besteira para o mundo.

Ontem deu um pito no presidente George W. Bush. Ainda não sabemos qual será sua próxima ação, para onde será dirigida uma firme descompostura para que o mercado financeiro se arranje. Que ele não acorde invocado. Pode acabar ligando para dar um esporro no presidente do Federal Reserve, o Banco Central americano.
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POR José Pires

De olho na agenda

É claro que fui dar uma olhada na agenda do Lula para hoje. Nenhuma reunião com o ministro da Fazenda. O homem está calmo. Ou cego. Ou os dois.
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POR José Pires

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Conspiração

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, culpa a mídia pelo “clima” em torno da febre amarela. É suspeito mesmo: esse alarde com a febre amarela só pode ser coisa da imprensa marrom.
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POR José Pires

Teste divino

Agora é que vem a grande prova se Deus é brasileiro ou não. Com Edison Lobão assumindo o ministério das Minas e Energia tem que chover e muito. Senão fica comprovado que o de cima tem mesmo outra cidadania.
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POR José Pires

Vejam a piada publicada em um site americano e que corre pela internet. A nossa imagem no exterior está como o diabo gosta.
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POR José Pires

Vaia educativa

O ministro da Educação, Fernando Haddad foi tocado do 30º Congresso Nacional da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). Haddad chegou ao congresso e foi recebido com vaias por militantes do PSTU e de correntes de profissionais da educação ligadas ao partido e à central sindical Conlutas.

O ministro foi praticamente posto pra foras pelos militantes que tinham como um dos gritos de guerra “eu sou de luta, sou radical, não sou capacho do governo federal".

Os gritos dos manifestantes também foram de “fora já daqui!”. Alguns jogaram bolinhas de papel em Haddad, que sentado na primeira fila, era defendido com gritos por militantes da CUT (Central Única de Trabalhadores).

O ministro pretendia falar durante o congresso, mas diante do clima de confronto, resolveu deixar o local.

Tirante a ironia da má-educação em um congresso de trabalhadores da Educação, sempre é bom ver autoridades petistas tomando do próprio remédio − atitudes ferozes e desequilibradas que eles próprios tinham quando estavam fora do poder. Não deixa de ser um remédio para que aprendam a se comportar quando voltarem a ser oposição.
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POR José Pires

Recordar é viver

Haddad tomou a vaia no sábado e hoje no meio da tarde tem reunião com Lula. Parece maldade. Logo agora que o presidente já tinha esquecido das vaias do PAN?
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POR José Pires

Look final

Fidel Castro sempre cuidou muito bem da imagem, mas agora no finalzinho cometeu um deslize fatal. Passou a vida de uniforme de guerrilheiro e vai entrar para a história vestido com um agasalho esportivo.
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POR José Pires

Calote em legítima defesa

A desobediência civil está firme no Rio de Janeiro. Moradores de bairros da zona sul e da zona norte da cidade anunciam que não vão pagar o Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU), principal receita de qualquer município. É um movimento organizado. Associações de moradores exigem que a a prefeitura carioca cumpra suas obrigações com serviços básicos (limpeza e asfalto, por exemplo), que por lá também estariam em falta.

Com a ameaça de calote, o prefeito do Rio, Cesar Maia, está mais alucinado que de costume.

Boa essa. É torcer para que a moda pegue. Bem que viria bem um movimento desses no plano federal. Lula iria ficar de cofre vazio.
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POR José Pires

Caladão

Lula não deve estar bem da saúde. Não falou nenhuma besteira na semana passada. E olha que ele tem um assuntão: a recessão nos EUA.
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POR José Pires

O culpado, o culpado

Falando nisso, a recessão nos EUA é herança maldita de quem?
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POR José Pires

Inversão de valores

Vai entender um negócio desses. O governo Lula não consegue gastar o dinheiro do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Dos R$ 16,5 bilhões previstos em 2007, apenas R$ 5,4 bilhões foram gastos.

Já com o pagamento de diárias a funcionários públicos, assessores e ministros no ano passado, gastaram de R$ 1,7 bilhão nos últimos quatro anos, o que dá R$ 1,2 milhão por dia.

Pra mim a equação é simples: tem que mudar a gastança de lugar.
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POR José Pires

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Gil diz ao povo que fica

Gilberto Gil não vai mais deixar o Ministério da Cultura. Recentemente ele dizia que havia incompatibilidade entre o ministério e sua carreira artística e que também precisava curar uma lesão nas cordas vocais e por isso deixaria de ser ministro.

Pois agora decidiu ficar. “Eu continuo mais do que nunca”, ele disse. Não é nada espantoso vindo de quem vem: era só gogó mesmo.
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POR José Pires

Jogando conversa fora

Repercute bastante a idéia do ministro de Assuntos Estratégicos (o famoso ministério Sealopra), Roberto Mangabeira Unger, de fazer a transposição de águas da região do semi-árido nordestino. Mangabeira está em viagem pela Amazônia, para onde foi levar suas idéias futurísticas.

O ministério de Mangabeira, pelo jeito, é o ministério de jogar papo fora. Ou, como diziam os antigos, da conversa fiada. Em um texto de dez páginas lançado em Belém surgiu a idéia de fazer um aqueduto levando água da Amazônia para o nordeste. Foi criticado, é claro, pelo absurdo.

Mas a viagem está sendo bastante útil. Para Mangabeira. Ele já foi informado que só em Manaus, onde vivem mais de 1,8 milhão de habitantes, quase 700 mil não dispôs de água encanada em suas casas. Agora ele promete que vai pensar primeiro em utilizar a água da Amazônia na própria Amazônia. Não deixa de ser um avanço.
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POR José Pires

Pela defesa do Brasil

O ministério de Mangabeira − que não sei por que é chamado de Extraordinário em um governo em que praticamente tudo é fora do comum − também está envolvido em um estudo muito importante e com certeza até mais urgente que construção de aquedutos.

É o Comitê Ministerial de Formulação da Estratégia Nacional de Defesa, um grupo de trabalho que vai apresentar um plano estratégico de defesa nacional. E é claro que o plano já tem apelido: é o PAC da Defesa.

O grupo de trabalho, presidido pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, e coordenado por Mangabeira, também terá a participação dos ministros da Fazenda, do Planejamento, Orçamento e Gestão e da Ciência e Tecnologia, além dos comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

O grupo deve apresentar até 7 de setembro deste ano um plano estratégico de defesa nacional. Até lá, os brasileiros devem rezar para que não aconteça nenhuma ameaça grave, como um ataque de nação estrangeira, uma hecatombe nuclear, coisas assim. Se algo acontecer antes de 7 de setembro, sem o plano do Mangabeira estaremos fritos.
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POR José Pires

O mundo não confia nos políticos

Se os marcianos vissem essa, chegariam à conclusão de que sim, existe vida inteligente na Terra: 900 milhões de terráqueos não confiam nos políticos. O resultado é de uma pesquisa feita pelo Gallup International para o Fórum Econômico Mundial, a entidade que organiza os encontros de Davos.

O Gallup ouviu 61,6 mil pessoas em 60 países o que, pelo método da pesquisa, equivaleria à opinião de 1,5 bilhão de pessoas. 60% dessas pessoas acham que os políticos são desonestos.

O estudo afirma também que apenas 8% dos pesquisados no mundo confiam nos políticos. Na América Latina a desconfiança é ainda maior: só 4% confiam.

E se você está achando que ainda é muita gente confiando nos políticos, tem uma coisa que explica: o Brasil não entrou na pesquisa.
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POR José Pires