quinta-feira, 6 de março de 2008

Tadinho do Equador

A estratégia de “vitimização” no plano internacional é aplicada também em crises graves, como a da morte do líder das FARC na Colômbia. Lula quer restringir a análise do caso à invasão do território equatoriano pela Colômbia e escamotear o fato de que o país dirigido por Rafael Correa abrigava gente que seqüestra, mata e pratica a chantagem e extorsão. Além de serem aliados de narcotraficantes.

Na retórica lulista o Equador é um país coitadinho.
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POR José Pires

quarta-feira, 5 de março de 2008

Será Obama o Lula lá deles?


Todo cuidado é pouco com as análises sobre as eleições primárias nos Estados Unidos. A direita norte-americana existe e é bem ativa. Não é como no Brasil, onde todo mundo é de centro. A direita de lá age com precisão e sem escrúpulo algum. Quem acompanhou a eleição em que Al Gore foi vergonhosamente roubado, sabe do que estou falando.

Nos Estados Unidos existem instituições fortes de direita − fundações, centros de pesquisas − que patrocinam estudos intelectuais que favorecem sua ideologia e distribuem dólares inclusive entre a intelectualidade brasileira. A mídia de direita é também bastante forte, com publicações que atendem ao gosto do povão, da classe-média e até de intelectuais.

O fato é que não é de hoje que a direita norte-americana trabalha de modo incessante a comunicação. Sempre ocupou com eficácia a mídia e, com o advento das novas tecnologias, instalou-se na internet com sites e blogs. E para embasar essa estratégia tem seus intelectuais assumidamente de direita, alguns até respeitados. Nas eleições, essa máquina de comunicação trabalha à toda força, internamente e pelo mundo afora, em favor do Partido Republicano.

Muito desses arsenal, na forma de artigos ou entrevistas, cai por aqui. Nossa mídia adora. Muitas vezes são materiais gratuitos, sendo também por isso muito bem acolhidos. Dono de jornal no Brasil não gosta muito de pagar por trabalho algum, muito menos o intelectual. Parece haver também maior simpatia com presidentes republicanos. Vide o caso Bush, um desastre até para os padrões do partido de Nixon, mas tratado como grande estadista pelos nossos jornais.

Essa falta de cuidado, por displicência ou cumplicidade, com a origem da notícia, acaba contribuindo bastante para a desinformação sobre o que se passa na política norte-americana. O que dá para perceber é que os republicanos estão gostando bastante do surgimento de Barack Obama e ainda mais de sua escalada rápida. Uma das razões é óbvia. Basta ver a desunião que pode surgir no Partido Democrata com as agressivas discussões públicas entre ele e Hillary Clinton. Boa parte dos insultos lançados entre os dois acaba atingindo o eleitor democrata, criando atritos internos que podem influir negativamente nas futuras eleições.

A outra razão é que fica cada vez mais evidente que o adversário preferido dos dirigentes republicanos é Barack Obama. Parece mais fácil atingir seus pontos vulneráveis que os de Hilary Clinton. Obama, por enquanto, funcionaria para os republicanos como Lula aqui no Brasil em suas três derrotas. O petista era o adversário que todos queriam.

Percebe-se que os republicanos querem o seu Lula. A acidez com que analistas e intelectuais pró-republicanos tratam Hillary é proporcional à boa vontade em relação à Obama. Esta estratégia vem desde o lançamento da sua candidatura, mas foi bem mais forte agora, no período anterior às prévias de Ohio e Texas, quando o tom do noticiário da imprensa brasileira já dava como perdida a corrida presidencial de Hillary. E não foi bem assim, como vimos.

Nossa imprensa caiu como um patinho no clima derrotista criado em boa parte por estes intelectuais e articulistas norte-americanos de que falei. E o pior é que os jornais publicam os artigos ou entrevistas e não se dão ao trabalho de informar ao leitor que não são uma fonte imparcial. Algumas vezes o autor é até colaborador ativo do Partido Republicano.
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POR José Pires

A esperada derrocada que não veio

Uma reportagem publicada anteontem pelo site do jornal O Globo (deve ter saído também no jornal impresso, mas não tenho o exemplar aqui para conferir) na véspera das prévias no Texas exemplifica bem a situação. Nesses dias, o jornal foi um dos veículos que profetizava a derrocada de Hillary Clinton. Falavam até de uma suposta “pressão” de altas personalidades do Partido Democrata para que Hillary desistisse, sem contudo apresentar sequer um nome de peso

A matéria, pautada nesse clima de derrocada para Hillary Clinton, trouxe uma entrevista com Karen Hughes, que apenas foi da equipe de George W. Bush. Era do Departamento de Estado, onde ajudava Bush a divulgar os “valores americanos”. (guardem bem isso, no final explico). Nem precisa dizer, mas é uma republicana de carteirinha. Mas a entrevistada elogiou até os militantes da candidatura de Obama. E obviamente menosprezou a capacidade política de Hillary que, na sua opinião, “não é nada popular no Texas”.

A afirmação mais contundente de Karen Hughes foi a de que “se o Texas for o termômetro das primárias, o destino de Hillary Clinton já está selado”. Como é sabido, ontem ela venceu no Texas e também em Ohio.

O jornalista de O Globo conta que colheu essas informações quentes de Karen Hughes “durante um típico almoço em Austin, capital do Texas, onde ela mora”. Ou seja, o jornalista foi almoçar na casa da ex-assessora que trabalhava para o Departamento de Estado. O Texas, não por acaso, foi também governado pelo chefe dela.

E, para terminar, no final da reportagem o jornal explica em letras pequenas que “o repórter viajou a convite do Departamento de Estado dos EUA”. Bem, pelo menos tiveram a honestidade de confessar.
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POR José Pires

Políticos custam os olhos da cara

Sabemos que a democracia brasileira é de má qualidade. Mas é mais chato ainda constatar que ela está cada vez mais cara. A ONG Transparência Brasil já havia mostrado que os parlamentares federais brasileiros custam mais aos bolsos dos contribuintes que parlamentares de outros países, incluindo os do grupo dos mais ricos, como Alemanha, Canadá, Espanha, França, Grã-Bretanha e Itália. Ou seja, democracia cara assim nem na Europa.

Dentre os países pesquisados, o único que gasta mais que o Brasil com seu legislativo são os Estados Unidos. E mesmo assim, levando em conta o peso econômico de cada um, a diferença não é muita: de R$ 6.068.072.181,00 para R$ 10.215.609,73. O estudo também comprovou que o Congresso brasileiro gasta mais até que países da América do Sul, como Argentina e Chile.

Em 2007, cada mandato de cada um dos 594 parlamentares federais brasileiros custou quase quatro vezes a média do gasto dos parlamentos europeus e do canadense.

Acharam muito? Pois agora outro estudo da Transparência Brasil mostra que o custo por parlamentares de assembléias estaduais e câmaras de vereadores é maior do que dos deputados federais.

O projeto Excelências, que traz os novos números com a comparação entre os orçamentos deste ano e do ano passado, foi lançado em 2006, para as eleições daquele ano, tornando-se referência obrigatória para informações sobre parlamentares e Casas legislativas nas esferas federal e estadual. A partir deste ano o projeto incorpora dados sobre as Câmaras Municipais de capitais de estados.

O controle de gastos inexiste na maioria das Casas legislativas. Três quartos terão em 2008 orçamentos superiores aos do exercício anterior, contando a inflação. E notem que é um crescimento sobre o que já era caro: outro levantamento da Transparência Brasil, divulgado em 2007, já mostrava que os moradores das capitais brasileiras gastaram, em média, R$ 115 para manter seus Legislativos.

Nas Câmaras do Distrito Federal, Assembléia de Minas Gerais, Assembléia do Rio de Janeiro e Assembléia de Santa Catarina, o custo por parlamentar é maior do que na Câmara dos Deputados. Cada deputado da Alerj, por exemplo, custa R$ 7.210.451,79, enquanto cada deputado federal custa R$ 6.906.455,82 por ano.

A discrepância entre gastos e número de habitantes também é sentida na comparação entre estados. Santa Catarina, por exemplo, com um pouco mais da metade da população do Paraná (5.866.568 e 10.261.856) gasta mais com sua Assembléia Legislativa. E a do Paraná já custa pouco. Santa Catarina gastará R$ 286.879.399,00 no orçamento de 2008, com aumento de 17,65% em relação ao ano passado. Já o Paraná deve gastar R$ 250.314.330,00, com aumento de 9,02%.

Uma leitura atenta ao estudo faz a gente se deparar com números que chegam a ser humorísticos. Na Câmara do Distrito Federal, dos R$ 236 milhões referentes ao orçamento 2007 ao menos R$ 2,2 milhões foram de verbas de gabinete. Só nos primeiros dez meses do ano um terço desse valor (R$ 722 mil) foi gasto com combustível. Com a gasolina comprada com esse montante, seria possível percorrer Brasília de uma extremidade a outra 235 mil vezes.

O maior aumento de gastos ocorrerá em Minas Gerais, onde haverá um acréscimo de 40%. O custo de cada mandato na Assembléia de Minas, que foi de R$ 6,4 milhões em 2007, saltará em 2008 para R$ 9 milhões.

O estudo da Transparência Brasil é simples, como deve ser o resultado de uma boa pesquisa, e bem curto: apenas 12 páginas. Quem quiser ler na íntegra, até para fazer uma comparação com a cãmara de sua cidade, pode clicar aqui.
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POR José Pires

terça-feira, 4 de março de 2008

Mônica Veloso dá notícias

O SBT é pródigo em desperdiçar oportunidades, mas desta vez exagerou. Mônica Veloso, a ex-amante do senador Renan Calheiros, estréia no domingo um programa na televisão do Silvio Santos. O nome do programa? Vrum. É isso mesmo: Vrum. Ela será a âncora − e bota âncora nisso; por pouco o senador não vai pro fundo − do programa com com dicas de lançamentos, manutenção, testes e outras dicas sobre automóveis.

Mas, peraí. Com tal apresentadora o programa não tinha que ser outro? Mônica Veloso falando de carros sai bastante do perfil da moça. Ela merecia coisa melhor. Talvez uma atração para a dona de casa, com receitas culinárias, dicas para cuidar da pele, dos cabelos e, entre tudo isso, conselhos sobre como manter o casamento, orientação sexual e dicas para lidar com o batom na cueca do marido. E claro que teria que ter também muito material sobre economia doméstica, pois disso a moça manja.

Fica aqui a sugestão, sem custos para o Sílvio Santos, coisa que ele gosta. Como esse tipo de programa é só um cenário e reportagens mal feitas rolando, até domingo ainda dá pro SBT repensar. E quanto ao nome, Vrum não. Qualquer outro nome, menos Vrum. Pode dar uma conotação de sacanagem explícita ao programa.
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POR José Pires

Calma, pessoal

Faltava uma crise boa como essa entre a Venezuela e a Colômbia, com o Equador no meio como triste títere de Hugo Chávez, para testar a "nova política externa" brasileira com a qual Lula estufa o peito de orgulho. Está testada. É a diplomacia da turma do deixa disso.
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POR José Pires

segunda-feira, 3 de março de 2008

Candidatos para todos os gostos

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) tomou algum remédio forte no café da manhã. Pois ele subiu à tribuna do senado e lançou uma porção de candidatos presidenciais, todos colegas senadores. Ou pelo menos pré-candidatos.

Buarque acredita que disputando nos partidos a indicação para a eleição presidencial, os senadores podem aprofundar o debate sobre o país e levantar a imagem do Senado. Ele só não explicou porque com oito anos de mandato um senador não pode fazer o mesmo.

Mas vamos à chusma (ou magote, tanto faz) de candidatos que o senador Buarque lançou: Kátia Abreu, Marco Maciel, Álvaro Dias, Mário Couto, Mão Santa, Eduardo Suplicy, Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, Geraldo Mesquita e até o petista gaúcho Paulo Paim.

Falando sobre as chances de Paim numa eleição presidencial, Buarque pegou pesado. Disse que ele é o “Barack Obama brasileiro”. Não precisava. Nem Hillary Clinton, que tem toda a razão de estar fula da vida, atacou Barack Obama desse jeito.
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POR José Pires

Extra, extra, extraordinário

Agenda do Lula: reunião às três e meia da tarde com Roberto Mangabeira Unger, ministro extraordinário − e bota extraordinário nisso − de Assuntos Estratégicos da presidência da República.

Alguma sugestão valiosa para hoje? Talvez algo na dimensão de um aqueduto amazônico. A Nação espera, com ansiedade, a genial idéia de hoje para o “governo mais corrupto de nossa história nacional”.
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POR José Pires

Mais uma do Lula

O estoque de asneiras do presidente Lula aumentou com a frase “Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas deles”. Porém, a frase não é apenas mais uma entre o besteirol presidencial. Esta fica lá em cima, no cume da montanha de asneiras que brotou da incontinência verbal de Lula nesses seis anos.

Lula só não explicou como é que o Poder Judiciário poderia funcionar caso “metesse o nariz apenas nas coisas deles”, sendo uma instituição que existe exatamente para “meter o nariz” (sic) nas coisas dos outros.
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POR José Pires

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A indubitável participação de Palocci

Indubitável e incontroverso são palavras fortes. Ambas tem o mesmo sentido: de algo incontestável. As duas ressaltam que o fato não admite discussão.

Pois o Ministério Público Federal afirma que é “indubitável” e “incontroversa” a constatação da participação do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. A denúncia afirma que também tomaram parte na quebra o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso e o ex-assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Neto.

Em sua denúncia, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza − o mesmo do caso do mensalão, no qual denunciou 40 −, lista vários telefonemas trocados e encontros mantidos entre os três nas horas anteriores à publicação da notícia no site da revista Época.

A intenção aparente da notícia era colocar Francenildo Costa sob suspeição. Seus depoimentos à CPI do Bingo, em março de 2006, haviam deixado o então ministro da Fazenda, Palocci, em situação bastante difícil. Entre outras coisas, Francenildo, que era caseiro da mansão mantida por lobistas em Brasília, disse que Palocci também a frequentava. A mansão era da chamada “República de Ribeirão Preto”, um grupo de lobistas com ligações antigas com Palocci.
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POR José Pires

E a incontroversa participação da Época

A quebra do sigilo bancário de Francenildo Costa e a participação de setores da mídia no caso é um dos casos mais sórdidos do governo Lula. E vai ficar na história da República entre os piores fatos da política. O depoimento do caseiro foi no dia 16 de março. Um dia depois a notícia de que ele teria movimentação financeira incompatível com a renda saiu no site da Época.

Para publicar com urgência a notícia, com a suposta intenção de abafar o depoimento de Francenildo, a revista lançou naquele dia um blog na internet. O blog foi aberto no dia 17 de março de 2006 postando às 18:45:02 a notícia sobre depósitos na conta do caseiro. Evidentemente a revista não conta como obteve a informação. Hoje o blog está abandonado. Fui ver como ele está agora. A última postagem data de 17 de março de 2007, ou seja, durou exatamente um ano. Dez dias depois, no dia 27, Palocci caiu do ministério.

O procurador da República lista seis telefonemas para a revista Época no dia 17 de março: nos horários de 10h03, 12h33, 12h40, 15h38, 16h43 e 17h40. A notícia saiu no blog às 18:45:02, como disse acima. O dia foi bem corrido, na revista e no ministério. Além disso, um dia antes aconteceram 12 ligações entre Palocci e seu assessor de imprensa. No dia 17 falaram nove vezes.

O primeiro a revelar que o então assessor de imprensa de Palocci, Marcelo Netto, estava envolvido no vazamento do sigilo foi Diogo Mainardi em sua coluna na Veja. No mesmo texto, Mainardi deu também uma importante notícia: um dos filhos de Marcelo Netto, Matheus Leitão, era repórter da Época. Escreveu então Mainardi: “O episódio é ilustrativo dos esquemas de aliciamento, apadrinhamento e cumplicidade do petismo. Um protege o outro. Um defende o outro. Um conluia com o outro. Um contrabandeia mercadoria ilícita para o outro. Toda essa história surgiu porque o caseiro Francenildo Costa não sabia quem era seu pai. O jornalista Matheus Leitão sabe perfeitamente quem é o seu. É Marcelo Netto”.

A alusão ao pai de Francenildo Costa se deve ao fato de que o depósito em sua conta havia sido feito por seu suposto pai (Francenildo teria nascido de uma relação extraconjugal) como parte de um acerto entre os dois. O vazadores do sigilo não tinham tido tempo para saber que, na verdade, o que estava em suas mãos era apenas uma “bombinha” jornalística, cujo efeito ao invés de desmerecer acabou aumentando a credibilidade do caseiro.

Helena Chagas, chefe da sucursal do jornal O Globo em Brasília, também esteve implicada no caso. A jornalista morava, que morava ao lado da mansão do grupo de Palocci, soube da alta movimentação na conta do caseiro. Nem pensou em fazer uma matéria jornalística: passou a informação para Palocci.

Em depoimento à Polícia Federal o ex-ministro Palocci disse que foi por meio de Helena Chagas que tomou conhecimento de que Francenildo Costa tinha uma movimentação atípica em sua conta bancária. À polícia, Palocci disse que a jornalista contou-lhe que seu jardineiro conhecia o caseiro e que este lhe passara a informação. Helena Chagas acabou sendo demitida de O Globo.

A denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, já está na a Justiça. Caso seja acatada, será um empecilho ético para o trânsito fácil do profissional Palocci na política brasileira.
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POR José Pires

As fontes

Fui atrás dos blogs citados na denúncia do Ministério Público. Para quem quiser conferir, aqui vão os links. A notícia sobre a movimentação financeira de Francenildo Costa está aqui. E a última publicação no blog, que parou um ano depois, o que pode comprovar que foi aberto unicamente para vazar a conta do caseiro, está aqui.

Mas quem quiser checar, aconselho que o faça rápido. Não duvido que tirem tudo do ar.
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POR José Pires

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Pé na estrada

Notícia quentíssima, publicada agora há pouco no site da BBC, revela que o príncipe Harry, terceiro na linha de sucessão ao trono britânico, está há mais de dois meses participando de combates no Afeganistão.

Eu já soube de muitos modos de fugir de casa para ficar longe das chateações da família, mas este é de longe o mais radical.
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POR José Pires

Nunca neste país

Lula fala tanta asneira que pode conseguir um feito inédito na política brasileira: vai acabar fazendo os tucanos serem oposição.
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POR José Pires

Em ninho alheio

Por falar em profissionalismo (veja o texto abaixo), caiu o delegado que comandou as investigações sobre as denúncias de falcatruas na coleta do lixo em Ribeirão Preto. As suspeitas sobre a existência de uma “máfia do lixo” na cidade surgiram durante o mandato de Antonio Palocci como prefeito.

O delegado Benedito Valencise foi exonerado ontem, após quatro anos na cidade. A Secretaria de Segurança Pública (do governo Serra, notem bem, do tucano Serra) explicou que trata de mudança administrativa.

Bem, a gente sabe que quando delegado cai neste país, raramente é pelo fato de estar fazendo as coisas de modo errado. Com a exoneração do delegado Valencise, o governo Serra plantou uma baita dúvida em praça pública.

Fica parecendo que o profissionalismo de Palocci é mesmo de uma excelência admirável. Será que o homem manda até em governo tucano?
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POR José Pires

Palocci, o profissional


O ex-ministro da Fazenda e atual deputado federal Antonio Palocci é um um homem cercado de suspeitas. Mas ninguém pode negar que ele é um profissional. Como prefeito de Ribeirão Preto, entre outras coisas, revolucionou a culinária brasileira com o molho de tomate com ervilha. Depois teve uma ascensão rápida na carreira, passando de deputado a coordenador da campanha de Lula para presidente em 2002 − um golpe de sorte seu e de azar de Celso Daniel, o prefeito de Santo André, que seria o coordenador caso não fosse assassinado − e logo depois para ministro da Fazenda.

No ministério foi uma festa. Reinava em Brasília com a “República de Ribeirão Preto”, grupo que o chamava de chefe e que até tinha uma mansão em Brasília para festanças que causavam inveja naquela terra de tantos lupanares. Era uma turma unida, mas aconteceram desavenças. E dizem até que a briga era por mulher.

Mas a festa acabou. Palocci caiu do ministério após se envolver na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Já estava encalacrado na CPI dos Bingos em razão dos depoimentos de Rogério Buratti, seu parceiro de sempre, mas o episódio da quebra do sigilo foi o golpe final.

A relação de Palocci com Buratti deixou pelos menos dois mistérios. O primeiro é a razão de Buratti abrir o bico e acusar o ex-ministro de Lula. O outro mistério é sobre o porquê de agora Buratti voltar atrás sobre o que disse sobre Palocci, a quem atribuiu fraudes e envolvimento em esquema de propinas. Ele desdisse tudo e ainda registrou a negação em cartório. Buratti retirou o que afirmou em agosto de 2005 perante promotores de Justiça e um delegado. E também negou suas declarações à CPI dos Bingos. O fato foi descoberto na semana passada, mas o desmentido está registrado desde 28 de junho do ano passado.

São mistérios da política brasileira. E que devem ficar encobertos por mais uns tempos, afinal, como já disse, envolve um político que, acima de tudo, é um profissional.
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POR José Pires

O país do conchavo

O cara é profissional, mas o país é amador em suas mínimas regras éticas e de Justiça. Durante as negociações em torno da votação da CPMF chamou a atenção a desfaçatez com que Palocci, como deputado federal, encaminhou negociações com a oposição com autoridade certamente conferida a ele lá do mais alto gabinete do Palácio do planalto.

Em que país uma autoridade pública que comete um crime abominável como o da quebra do sigilo do caseiro Francenildo volta à vida pública com esta projeção e poder? Não vale citar o Paraguai.
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POR José Pires

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

¡Arriba hermanito!


A esquerda passou tanto tempo falando do Grande Irmão − o notório Big Brother, o poderoso ditador do futuro criado por George Orwel no livro 1984 − e Cuba acabou sendo o primeiro país a ter no poder, senão um Grande Irmão, mas pelo menos o irmão menor, el hermanito Raul Castro.

O irmão de Fidel Castro assumiu o comando de Cuba nesta semana. Na ilha, quem manda agora é o Grande Irmãozinho.
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POR José Pires

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Corruptos já cobram seus direitos

As gravações feitas pela Policia Federal que mostram deputados estaduais de Alagoas cobrando o recebimento de parcelas de corrupção são o retrato do estado a que chegou a corrupção no Brasil.

Os corruptos cobram o seu como se estivessem tratando de direitos adquiridos. Se a coisa continua do jeito que está − e no curto prazo nada indica que mudará − logo teremos corrupto cobrando seus direitos na Justiça.

Como funciona desde 2001, o esquema de Alagoas já passou por várias legislaturas. Isso significa que a gatunagem não é obra deste ou daquele deputado, mas uma corrupção instituída, parte do Legislativo daquele estado.

Veja o diálogo entre o ex-deputado Gilberto Gonçalves (PMN) com o então diretor de recursos humanos da Assembléia, Roberto Menezes. Saiu na Folha de S. Paulo, que também colocou na internet a gravação, que você pode ouvir aqui.
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POR José Pires

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Padrão de qualidade

O logotipo da Olimpíada de Pequim faz jus ao padrão de qualidade chinês que conhecemos tão bem. É um logotipo genuinamente made in China: mal feito, feio e pouco prático. Desconfio até que faz mal à saúde. Afastem as crianças dele.
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POR José Pires

Vítima de sempre

Para o presidente Lula, o Brasil é “vítima do desmatamento”. Bem, por esta linha de raciocínio seu governo é vítima dos maus gastos do cartão corporativo.
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POR José Pires

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Economizando dinheiro público

Jornal mostrando serviço é coisa boa de ver. Só corrupto e petista no poder não gostam de imprensa que investiga, denuncia e cobra explicações. Os corruptos nunca gostaram, já os petistas só gostam quando estão na oposição.

E, se ninguém vai preso neste país, a Folha de S. Paulo comprova na edição de hoje que jornalismo bem feito pode, ao menos, economizar uns cobres para os cofres públicos.

O jornal fez uma matéria denunciando que o reitor UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland − ele mesmo, o paladino das cotas raciais que tinha cotas muito especiais para gastar − recebeu diária de R$ 3.953,06 para ir a um congresso ao qual não compareceu. O reitor recebeu essa grana de uma fundação mantenedora da UnB e recebeu também outra diária de R$ 550,63, esta paga pela secretaria de Educação Superior do MEC.

O dinheiro acabou sendo devolvido quando souberam que o caso estava para ser noticiado. A devolução foi feita no mesmo dia em que os jornalistas questionaram os gastos, mas duas semanas depois do pagamento.

Bem, jornalismo serve ao menos para isso: os cofres públicos foram poupados de R$4.503,69 de prejuízo. Ou alguém acredita que esse dinheiro iria sair do bolso do reitor se a Folha não estivesse atrás do assunto?
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POR José Pires

Agenda

Na agenda de Lula: hoje, às 9h30, teve uma “Reunião de coordenação”. Não seria mais apropriado “reunião de descoordenação”?
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POR José Pires

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Eppur si muove! Alguém do PT reconhece o mensalão

Finalmente um dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores reconheceu aquilo que todo o Brasil sabe que existiu: o mensalão. O deputado José Eduardo Cardozo, agora na secretaria-geral do partido, disse o seguinte em entrevista para a revista Veja desta semana: “Vou ser claro: teve pagamento ilegal de recursos para políticos aliados? Teve. Ponto final. É ilegal? É. É indiscutível? É. Nós não podemos esconder esse fato da sociedade e temos de punir quem praticou esses atos e aprender com os erros”.

No PT, reconhecer a existência do mensalão é algo como dizer que a Terra não é o centro do universo. Agora o deputado Cardozo tem que tomar o máximo cuidado para não ir para a fogueira.
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POR José Pires

Atriz gorda e Preta Gil: aparece cada coisa

Em relação a certos dissabores da vida a melhor reação é nada fazer. Não, este não é um texto sobre o Zen. É sobre a internet. Na rede mundial de computadores, reagir para conter certos abusos pode ter o efeito inverso.

Alguém devia ter ensinado isso para a cantora Preta Gil. Fizeram com ela uma patifaria usando um recurso bem comum com o Google, o conhecido sistema de busca. Foi feita uma associação entre o nome dela e as palavras “atriz” e “gorda”.

O internauta que for até o Google, clicar em “Imagens” e teclar “atriz gorda” verá aparecer, além de uma dezena de imagens (entre elas, estranhamente, de Geraldine Chaplin, uma da atrizes mais magras do cinema) verá também, como sugestão de busca, a frase “Experimente também: Preta Gil”.

Isso é coisa conhecida na internet. É um truque que faz a relação entre duas palavras para forçar a entrada de determinado assunto no resultado da busca. É usado como crítica política ou apenas como gozação. O presidente Lula e George W. Bush, por exemplo, já foram alvos. É tão usado que até ganhou nome: "Google bomb". E de tão deteriorado pelo uso acabou ficando chato.

Acontece que Preta Gil ficou muito brava e colocou um advogado na parada. E ameaça processar o Google por causa da brincadeira, que aparentemente começou no Kibe Louco, um site que faz piada com todo mundo − um pouco mais com a Preta Gil, de quem pega muito no pé, muitas vezes com piadas grosseiras sobre sua obesidade. O site só não faz piada com Luciano Huck, provavelmente porque Antonio Tabet, responsável pela página, é empregado do bizarro apresentador da TV Globo.

Bem, mas eu dizia que para lidar com esse tipo de caso na internet a melhor reação é ignorar. A própria velocidade do meio se incumbe de sepultar a piada. Mas a Preta Gil resolveu fazer um escarcéu e até eu − um dos blogueiros mais sérios de toda a WEB − estou escrevendo sobre o caso. E fiquei sabendo da coisa depois que ela resolveu brigar. E o pior resultado de sua reação é que agora, quando se escreve “atriz gorda” em qualquer site de busca, surge o assunto que sua reação tornou muitíssimo famoso: o da Preta Gil e a “atriz gorda”.
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POR José Pires

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Uma receita revolucionária petista


Alguém já ouviu falar de molho de tomate industrializado com ervilha? É uma novidade petista, uma revolucionária receita criada no adentrar do século 21, lá no ano 2000, e aplicada na prefeitura de Ribeirão Preto, administrada então por Antonio Palocci.

O Ministério Público Estadual é que definiu bem a receita petista. “Uma forma quase mágica de direcionamento de licitação”, conforme ação protocolada na Vara da Fazenda Pública do Fórum de Ribeirão contra Palocci, que é acusado de favorecer um grupo de empresários contratados sem licitação pela prefeitura de Ribeirão Preto, dirigida por ele entre 2000 e 2002. Palocci saiu no meio do mandato para coordenar a campanha de Lula e depois vieram as farras na mansão de Brasília, o rompimento do sigilo do caseiro, o mensalão, os cartões corporativos e tanta coisa mais que fazem o molho do Palocci um caso até menor entre as maracutaias petistas.

Mas o Ministério Público trouxe agora essa precursora fraude para exame dos tribunais. É claro que a mágica essencial da receita do molho de tomate com ervilha é o fato de que poucos fabricavam o insólito produto. E adivinha quem é que fabricava?

A promotoria calcula um prejuízo de R$ 2,19 milhões aos cofres municipais de Ribeirão Preto, em valor não corrigido, e afirma que outras prefeituras, a maioria administradas por prefeitos do PT, experimentaram a receita revolucionária. E com razão. Afinal, o PT não surgiu para fazer uma revolução na política? Pois começaram pela culinária.
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POR José Pires