sexta-feira, 30 de maio de 2008

Agora vai

Vejam só essa: "É difícil explicar para o pessoal lá. Não, vem cá. É para falar com o Paulinho? Eu mesmo falo com ele e levo pra ele". Aí, o João [Pedro de Moura] ficou preocupado. O Paulinho ia saber da verdade total, né? O Paulinho ia saber que é R$2.600.000. Você acha que ele ia se contentar com... sei lá quanto é que eles iam dar pra ele?

Essa é uma parte da conversa entre o empreiteiro Manuel Fernandes de Bastos Filho, o Maneco, e Bóris Timoner, prestador de serviços para as Lojas Marisa, dois dos integrantes do esquema que intermediava a liberação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Eles foram flagrados em escuta telefônica feita pela Polícia Federal enquanto conversavam sobre a divisão da propina.

O João Pedro de Moura citado na conversa é o ex-conselheiro do BNDES (caiu quando a trama foi descoberta) e consultor da Força Sindical, presidida pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, citado também na conversa.

Mas algo que me chamou muito a atenção na conversa é o estilo da oratória. Não parece discurso do presidente Lula? É claro que não estou falando do conteúdo da peça, notadamente desonesto, me refiro à retórica do espertalhão. O espertalhão flagrado pela PF, naturalmente.

O texto dos dois tem uma proximidade estiística que daria até uma tese. Até a intimidade no tratamento com um deputado federal e presidente de uma importante central sindical, para eles apenas o Paulinho, lembra bastante o Lula. Aliás, antes do escândalo, quando o deputado era peça importante de sua base político, tenho certeza de que o presidente chamava-o apenas de Paulinho.

Dessa unidade estilística impressionante podem sair estudos sociológicos ou até mesmo de linguagem muito elucidativos. O modo de expressão é o mesmo do Lula, sem tirar nem por, excetuando, é claro, o conteúdo criminoso. Vou destacar mais um trecho e tenho certeza que vocês me darão razão: “Eu falei pro João largar de ser besta e pegar o do Paulinho e levar lá, né?”. Aqui a informalidade até um pouco rude revela uma inteligência intuitiva capaz de criar uma concisão de linguagem bastante expressiva, própria de quem até pode não ter diploma, mas com certeza tem o diploma da vida, da experiência.

E esta outra parte aqui, ó: “É. Porque ele (João Pedro) tá: "ah, o Mantovani..." E eu falei: Larga a mão de ser besta, meu, quem está se valorizando é o Mantovani, assim. E o [Ricardo] Tosto, né?”, me lembrou a presença de espírito do Lula na posse do novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Lembram da tirada dele? Foi quando ele disse: “O Minc já falou em uma semana mais do que a Marina falou em cinco anos e meio”. Informal, intuitivo, Lula nem se preocupou com a gravidade da situação − não estava nem aí, pra ficar mais próximo de seu estilo. Mandou ver uma fala bacana, espirituosa, pra desanuviar o ambiente e dar um chega pra lá na péssima repercussão internacional causada pela demissão de Marina Silva.

Mas voltemos à escuta da PF. Noutra parte da gravação, eles até fazem um humor involuntário: “Não dá para trabalhar sem contrato. Você viu quanto esse cara (o prefeito Mourão) malhou da gente, né?” O prefeito citado é um dos integrantes da quadrilha. O problema é que depois de por a mão no dinheiro, ele diminuiu a porcentagem da propina. Essa graça involuntária, ao falar em “contrato” numa transação totalmente ilegal, lembra também algumas das piadas que Lula comete sem querer.

Vejo aí uma unidade social que merece ser melhor estudada. Tem algo novo nisso, e talvez, como Lula diz sempre, algo que nunca aconteceu na história deste país. Reforço, no entanto, o que já falei acima: refiro-me apenas à interessante unidade estilística entre o criminoso e o presidente da República, sem nenhum juízo de valor em relação ao Lula.

Isto pode ser um sinal de que, ao menos no aspecto da linguagem, a separação de classes no País começa a desaparecer. Não se distribuiu a renda, mas ao menos falamos a mesma língua. O criminoso e o presidente revelam isso. Esta universalização da linguagem deve também eliminar sérios preconceitos. É uma uniformização por baixo, é claro, mas é o que temos. O Brasil está encontrando um caminho, de quatro, mas está encontrando um caminho.
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POR José Pires

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Assunto: e-mail das FARC

Ê computadorzinho cheio de informação esse que era de Raul Reys, o líder das FARC morto em março por forças do governo colombiano no Equador. Tem e-mail novo na parada. Agora é uma troca de mensagens de membros da guerrilha colombiana que revela que eles contavam com a proteção da cúpula do governo Lula.

O problema era a proteção jurídica ao padre Olivério Medina, representante das FARC no Brasil. Havia um pedido da Interpol pela captura dele e a solução para evitar a prisão seria o governo brasileiro conceder-lhe a condição de refugiado político.

No e-mail em posse do governo colombiano Olivério Medina diz o seguinte: “Os amigos daqui [do Brasil] me advertiram que deveria ficar atento, pois há uma comissão da Procuradoria que tem uma ordem de captura". Mas, conforme a mensagem, os mesmos “amigos” garantiram que ele não deveria se preocupar, pois "a cúpula do governo com apoio de Celso Amorim estavam a par. Eles não apoiariam uma captura por crimes políticos".

É claro que a chancelaria brasileira já desmentiu a participação do ministro Amorim no caso, mas o fato é que a suspeita já está colocada. Uma conspiração da imprensa não pode ser aventada, já que essa foi última a saber. E uma trama do governo Uribe contra o PT também está descartada, pois os documentos do computador de Reys foram autenticados pela Interpol.
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POR José Pires

Correio eletrônico

O jornal El País já informou que são mais de dez mil documentos no computador. Não sei se as FARC fizeram backup, mas tem gente que com certeza já fez. Os arquivos estão com o governo colombiano e adivinhe com quem mais? Ah, vou falar: com o governo dos Estados Unidos. Ele é sócio, e não minoritário, nesta bem sucedida empreitada.

O que virá por aí? Vamos esperar e não sem alguma preocupação, mesmo que nós, o povo, não tenhamos uma participação efetiva no equívoco que é a política do governo Lula para a América do Sul e a relação de sua base política de esquerda com as FARC. O que vier atinge a todos nós, infelizmente.

Uma coisa é certa: com o governo norte-americano com tantos papéis nas mãos, se antes já era impossível acordar invocado e dar um pito nos ianques, agora até pedindo com educação já fica uma coisa complicada.
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POR José Pires

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Vereadores são ruins? Pois vem mais por aí

Discretamente a Câmara dos Deputados aprovou ontem emenda constitucional que aumenta em cerca de 7.500 o número de vereadores no Brasil. A manobra é parte daquele jogo histórico que emperra o país: um poder corta, o outro aumenta, e vice-versa e sempre. É interminável.

Em 2004, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cortou mais de 8 mil vagas de vereadores. Agora os parlamentares, agindo por pressão dos vereadores, tentam repor as vagas. A emenda ainda será votada em segundo turno e terá que depois ser aprovada pelo Senado. E eles têm pressa. A emenda precisa ser votada até 30 de junho para valer já para as eleições municipais deste ano.

O argumento dos deputados é bem malandro. Como o TSE reduziu o número de vereadores, cortando mais de 8 mil vagas, mas não mexeu no repasse de recursos às Câmaras a verba estaria sendo usada para outros fins como reforma de prédios e troca de frota de carros.

Bem, pela lógica, então a solução seria fazer o corte no repasse, que hoje está entre 5% a 8% da receita total do município. Mas o Brasil é um país onde a lógica é algo que se ajeita. Então como solução os deputados estão propondo o aumento do número de vereadores.
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POR José Pires

Cana amarga

O Relatório Anual da Anistia Internacional , divulgado ontem, condena abusos contra os direitos humanos no setor canavieiro. Trabalho forçado e condições de trabalho exploradoras foram detectados no setor de cana-de-açucar no Brasil. Os usineiros são o xodó de Lula, sempre embasbacado com o etanol.

No setor canavieiros, trabalhadores já foram resgatados em situações próximas à escravidão.

Lula podia um dia desses acordar invocado e resolver isso ligando para os usineiros. Afinal, os “heróis nacionais e mundiais” do presidente da República estão mais para vilões de histórias medievais.
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POR José Pires

Na informalidade

“O Minc já falou em uma semana mais do que a Marina falou em cinco anos e meio.” Papo de boteco, conversa de esquina, fofoca na sauna do clube? Não, é o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva na posse do novo ministro do Meio Ambiente. “O Minc” de que ele fala é o novo ministro, Carlos Minc.

O Brasil já era um país informal, um defeito que infelizmente a maioria acredita que é qualidade. Com Lula, virou deboche. Só falta o brasileiro começar a achar isso bacana também.
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POR José Pires

Miau

E Paulinho Pereira subiu mesmo no telhado. A Mesa Diretora da Câmara endossou por unanimidade a representação do corregedor Inocêncio Oliveira (PR-PE) contra o deputado o Paulo Pereira da Silva, o Paulinho Pereira, ou Paulinho da Força. O caso do deputado já está no Conselho de Ética, para onde foi enviado com uma rapidez incomum. A Mesa está célere, o que nada indica de bom para o serelepe deputado.

Sobre a situação do deputado Paulinho, Inocêncio Oliveira, que é normalmente comedido quando atua em casos onde existe algum acordo de bastidores, foi bem firme: “A situação dele é gravíssima. Não tenho a menor dúvida de que ele é culpado. É caso para perda de mandato, sim”.

O Conselho de Ética tem até 90 dias, prorrogáveis por mais 90, para se manifestar, mas o próprio Paulinho Pereira disse que quer ser julgado logo. Bravata dele, é claro. O homem está apavorado. Pelo jeito, não virá nenhuma escada.
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POR José Pires

A última das FARC

Continuam sendo revelados novos documentos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia , as FARC, do arquivo encontrado no computador de Raúl Reyes, o número dois da guerrilha colombiana.

Agora apareceu um e-mail do líder da guerrilha, Pedro Antonio Marín, conhecido como "Tirofijo", morto também recentemente em circunstâncias ainda não esclarecidas. Em sua última mensagem, dirigida a seis membros do comando da guerrilha, “Tirofijo” teria se referido a uma oferta de dinheiro do governo da Venezuela.

Segundo o jornal colombiano El Tiempo, no e-mail o chefe máximo da guerrilha colombiana diz ter a impressão de que Chávez, a quem se refere como "o homem", "está interessado em financiar a causa bolivariana das FARC para fortalecer seu projeto geopolítico em vários países".


O computador de Raul Reyes é uma mina de ouro para o governo de Alvaro Uribe. O jornal espanhol El País informou que os arquivos contêm cerca de dez mil documentos. Será que as FARC fizeram backup de tudo? Sim, porque isso é o que pode se chamar na verdade de "dar pau no computador".

Para uma força militar clandestina, tem documento demais arquivado em computador, não acham? São obscuras as atuais bases teóricas das FARC, mas esse negócio de juntar tanto documento comprometedor em um computador dá a impressão de que ultimamente os guerrilheiros colombianos andam se guiando por algum manual de guerrilha do valoroso PCP. E o que é PCP? Ora, é o Partido Comunista Português, o pá.
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POR José Pires

terça-feira, 27 de maio de 2008

De galochas

Lula disse que nada mudará na política ambiental. Ah, mas aí é que vai pegar mal para a ex-ministra Marina Silva. Os brasileiros vão pensar que ela saiu só porque ela é chata.
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POR José Pires

Octavio Frias de Oliveira? Não, não sei onde fica

O bom das homenagens que os políticos criam para puxar o saco de maiorais neste país é que as próprias obras se incumbem de colocar as coisas em seu devido lugar. E, quando isso não ocorre, o povo se encarrega disso.

Pode ser um apelido, que até apaga o nome original da obra. Paulo Maluf, quando era sabujo da ditadura militar, prefeito nomeado de São Paulo, pôs o nome de um dos ditadores de 64 em um viaduto que corta toda a cidade, o Minhocão. E alguém lembra do nome do milico homenageado? Nunca. Nem nós vamos citar aqui.

Mais recentemente, Roberto Marinho virou nome de avenida em São Paulo, mas para a bajulação os petistas usaram a antiga Águas Espraiadas, símbolo da corrupção malufista. Então o falecido dono da Rede Globo será lembrado para sempre como uma avenida onde rolou a corrupção.

Agora foi a vez de Octavio Frias de Oliveira, dono da Folha de S. Paulo, morto há pouco mais de um ano, virar nome de obra. Coisa do prefeito Kassab para amaciar o coração dos Frias. É uma “ponte estaiada”, o que parece muita coisa, mas é apenas uma ponte sustentada por cabos. É feia de doer.

Não faz nem um mês que a ponte foi inaugurada e já tem um apelido: Estilingão. Pronto, o dono da Folha virou Estilingão.
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POR José Pires

A carreira de Paulinho Pereira está periclitando

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) − ou Paulinho Pereira, ou Paulinho da Força, diachos, o homem tem vários codninomes, ou melhor, apelidos − subiu no telhado. Ele vai responder processo por falta de decoro no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados.

O corregedor da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PR-PE) entregou agora há pouco à Mesa Diretora da Câmara o pedido de abertura de processo. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que se quatro dos seis integrantes da Mesa votarem favoravelmente, encaminha ainda hoje o pedido de cassação ao Conselho de Ética.

Mas, vocês podem até se perguntar por que eu já botei o homem em cima do telhado, o anúncio do final, se esse Congresso esta mais para pizzaria que casa legisladora. É que tudo indica que governo e possíveis aliados do deputado já lavaram as mãos sobre o caso. Há menos de seis meses de uma eleição não dá para carregar Paulinho Pereira. Com o perdão do inevitável trocadilho, haja força para isso.

Inocêncio Oliveira, todo mundo conhece. É p..., ou melhor, político velho. Suas ligações com o poder − qualquer um − são antigas. Ali não há improviso, com ele as coisas só funcionam no combinado. Se houvesse o interesse em resguardar Paulinho Pereira e seus casos com o BNDES, Inocêncio Oliveira poderia até encaminhar o pedido, mas maneiraria sua posição no caso.

Pois bem, falando à imprensa na entrega do documento, ele disse o seguinte: “Não tenho a menor dúvida da culpa do deputado Paulinho. Fazer comissão de sindicância na Corregedoria seria perda de tempo. O melhor é encaminhar direto ao Conselho de Ética. A situação é gravíssima. Tem algum termo mais forte que gravíssimo? Se tivesse, seria o termo.”

É ou não um indicativo de que o presidente da Força Sindical, uma liderança que parecia ter um grande futuro, subiu no telhado? E em ano eleitoral duvido que alguém arranje uma escada para ele descer.
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POR José Pires

Abraço de urso

Mas e as fotos e filmagens com o deputado Paulinho Pereira? E aquela festa toda, manifestações da Força Sindical, foguetório, sorteios, tudo aquilo que parecia que ia dar tanta vantagem nas próximas eleições? Céus, o que faremos com isso?

Quem andou abraçado com o deputado Paulinho Pereira não se preocupe. Relaxem, os adversários saberão muito bem o que fazer com o belo material produzido.
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POR José Pires

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sem votos voltam a crescer

Com a morte do senador Jefferson Péres (PDT-AM), entra outro Jefferson, Jefferson Praia. É mais um senador sem voto, que somam agora 16.

A bancada dos sem voto tinha sofrido uma rápida encolhida com a saída do suplente de Marina Silva, o acreano Sibá Machado, representante de peso da classe dos sem voto, mas agora volta a ter a influência de antes. É a segunda maior bancada do Senado, tendo a frente apenas o PMDB, com 19 senadores.
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POR José Pires

Dinossauros em extinção, mais um se vai

Jefferson Péres ia abandonar a política assim que acabasse seu mandato, dentro de dois anos. Após mais de dez anos como senador ele não agüentava mais. “Não me acostumo com a classe política”, ele dizia em 26 de maio de 2007 ao site Congresso em Foco. Na ótima entrevista, Péres antecipa a absolvição do senador Renan Calheiros, na época respondendo a processo de cassação por falta de decoro.

Não era profecia dos céus, evidentemente. A revelação vinha da observação sensata das safadezas políticas de Brasília e do comportamento de seus colegas do Senado, onde, segundo ele, tudo se resolve “na base do conchavo”. Daí ele tirava a conclusão de que empurrariam a coisa com a barriga para no final absolver o senador alagoano, o que aconteceu de fato em setembro daquele mesmo ano.

Péres era um dinossauro político, desses que acreditam em ética. Seu partido, o PDT, que tem o ministério do Trabalho no governo Lula, indicou um nome para a Delegacia Regional do Trabalho e ele recusou. O senador era da opinião de que “o partido deveria ir [para o governo] para executar uma política pública predefinida, sem se preocupar com preenchimento de cargos”.

Na entrevista, ele faz uma análise perfeita sobre a deterioração moral da classe política, gente, para ele, “na média, muito ruim”. Numa parte em que o entrevistador faz uma pergunta que faria qualquer político desconversar, ele encara firme e sintetiza a razão dos parlamentares terem tanta sede por cargos. Uns apenas para acomodar os filhos, ele diz, outros com fins de corrupção. "São basicamente esses dois motivos. Um mais grave, outro menor, mas todos contrários ao interesse público".

E para agravar o problema, essa má qualidade dos políticos não teria da parte da população nenhuma contraposição mais firme. “O povo brasileiro, em geral, é muito ambíguo. Ele condena todos esses desmandos políticos, mas talvez fizesse o mesmo se estivesse lá”, ele disse, para em seguida narrar uma história que servia de exemplo para sua afirmação.

Veja, conforme suas próprias palavras, no site Congresso em Foco: “Recebo muitas pessoas que não conheço que chegam para dizer que admiram minha atuação, afirmam que sou honesto, mas aí me pedem um pequeno favor: “Olha, minha filha passou num concurso, ela ficou em 100º lugar. Será que o senhor não podia dar um jeito de ela ser chamada?”. Eu digo: olha, não posso ajudá-la, porque não posso fazer o que a senhora condena nos outros. Não é interessante isso?”

Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui. É um interessante depoimento de uma espécie em extinção: o político honesto.
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POR José Pires

Dize-me com quem andas...

Ah, se eu pudesse apagar aquela foto. É isso que deve estar passando pela cabeça de muita gente com os resultados da Operação Santa Tereza, em que investigando prostituição a Polícia Federal Polícia Federal deu de encontro com uma quadrilha que desviava dinheiro do BNDES. A PF acabou chegando também no deputado federal Paulinho Pereira da Silva, também presidente da Força Sindical.

A história política no Brasil é uma coisa rápida. Paulinho Pereira era uma das figuras mais influentes da República e, de um momento para outro, bem ligeiro, tornou-se um peso político. Quem andava ao seu lado quando ele estava bem na foto, de olho em sua influência política e no peso da sua central sindical, hoje está com um problemão para resolver, mais ainda se for candidato nas eleições deste ano.

Esse é um dos problemas da política feita de modo oportunista, coisa comum no Brasil. Grudar em gente poderosa pode ser muito lucrativo, tanto no aspecto político quanto no financeiro. Porém, todo o cuidado é pouco com a política brasileira. De uma hora pra outra, o que era boa companhia torna-se um péssimo enrosco. Existe sempre o risco de acordar abraçado com o aliado no meio da lama.

Paulinho Pereira tinha prestígio. O deputado e líder sindical foi articulador e beneficiário de um dos acordos políticos mais importantes do governo Lula, que juntou as duas maiores centrais sindicais do país e ainda tinha no meio um partido de peso, o PDT, que, como parte do acordo, ganhou de Lula o ministério do Trabalho. Com uma importante central sindical na mão e à testa de uma aliança que lhe dava acesso direto até ao presidente da República, Paulinho Pereira virou um aliado importante para tudo quanto é político que almeja algum cargo pelo Brasil afora.

E como o PDT jamais teve coerência alguma na busca de aliados, foi sopa no mel para Paulinho Pereira. Usando a Força Sindical e o partido como suportes, ele foi à luta para tornar-se um nome nacional. A central sindical presidida pelo deputado fez muitas de suas manifestações de cunho falsamente sindical pelo interior do Brasil. Essas reuniões, que juntam multidões atraídas pelo sorteio de carros e casas, eram o sonho de consumo dos políticos.

É claro que muita gente fez questão aparecer sendo filmado ou em fotos com Paulinho Pereira. E agora, o que fazer com as imagens depois que ele encalacrou-se em um dos piores escândalos dos últimos tempos? Bem, os adversários saberão o que fazer com elas.

E nem será preciso muito esforço. O escândalo em que Paulinho Pereira se meteu fala por si e aos berros. E com os piores ingredientes para um ano eleitoral. Até prostituição tem no caso. Bem, se uma imagem fala por mil palavras, imagem com Paulinho Pereira virou palavrão.

Na foto acima, Chico Buarque e o falecido humorista Bussunda, quando o companheiro da Casseta era jovem e de esquerda. Se arrependimento matasse, o idoso, problemático e esquerdista compositor teria sido enterrado ainda no meio do primeiro mandato.
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POR José Pires

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Por um triz

Barack Obama é a prova viva de como o destino pode ser determinante na existência humana. Nesta semana 11 pessoas foram queimadas vivas no Quênia na aldeia de Nyakeo, a cerca de 300 quilômetros de Nairobi, a capital. As pessoas foram acusadas de bruxaria e mortas por populares que incendiaram suas casas.

O horror aconteceu em uma aldeia a oeste da capital, na mesma direção da localidade onde vivem os parentes africanos do senador democrata. Obama foi criado pelos avós maternos, nos Estados Unidos evidentemente. Já pensou se o menino fosse criado com os avós paternos. Pois é, o destino tem mesmo uma importância enorme na vida da gente.
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POR José Pires

O coração das trevas

O horror, o horror. A trágica ficção de Joseph Conrad ainda é realidade na África. Esse tipo de coisa não é novidade por lá. A crença em poderes mágicos e feitiçarias já foi motivo de muitos assassinatos em massa na África. No Quênia também não é a primeira vez que matam pessoas desse modo, com acusações absurdas de bruxaria.

Quando Conrad escreveu O Coração das Trevas a África ainda era um continente misterioso, pouquíssimas informações vinham de lá. Agora sabemos de tudo bem rápido: no mesmo dia em que as pessoas foram queimadas vivas a notícia já caía nos correios eletrônicos de todo mundo. Um mundo medieval por meio da tecnologia moderna.

No romance, Conrad narra a queda moral de um europeu, Kurtz e seu enlouquecido poder sobre nativos do então Congo Belga. Kurtz implanta o terror em seus domínios. O livro é maravilhoso, uma queda no pior dos abismos humanos; e aqui vale o clichê. A grande obra de Conrad inspirou T. S. Eliot a escrever “A Terra Devastada”, poema que ficará para sempre como um dos mais grandiosos da história da literatura − ou pelo menos enquanto o espírito de Kurtz, imanente na espécie humana, permanecer em relativo controle.
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POR José Pires

Surfando no horror

Francis Ford Coppola filmou o livro e fez de Kurtz um enlouquecido coronel do exército norte-americano, um renegado que exerce uma insana ditadura pessoal em uma região do Camboja. O cineasta transportou a história para a sordidez da guerra que envolveu norte-americanos e vietcongs entre 1964 e 1975. Funciona bem. Mas a geografia do centro da África me parece melhor para caracterizar nossos medos internos.

No filme de Coppola, Marlow torna-se o capitão Willard, na interpretação de um Martin Sheen ainda jovem. No trajeto que faz até a região dominada por Kurz, em missão oficial do exército dos Estados Unidos para matá-lo, Willard vai se encontrando com os traços da sua civilização sobre a região. Não falta nem Rolling Stones. É a mão do cineasta sobre o original de Conrad e também a parte mais forte do filme.

É nessa parte que Coppola cria uma das personagens mais fascinantes do cinema, numa interpretação absolutamente fascinante de Robert Duvall. De chapéu texano e cercado de um aparato mortífero, Duvall faz o comandante de um corpo de cavalaria que destrói com potentes helicópteros uma aldeia vietnamita para poder surfar em uma praia. Duvall está soberbo no papel.
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POR José Pires

Uma vida aventurosa

Mas o livro de Conrad evidentemente não tem nada disso. Aproveite a tecnologia, busque um mapa do Congo e dê uma olhada e me dará razão de que a África é mais apropriada para espelhar os terrores humanos. A viagem de Marlow é feita pelo rio Congo. O próprio Conrad navegou pelo rio, veja só, em 1890. O livro é de 1902. O escritor tinha coragem. Em 1890 devia ser uma aventura até navegar no rio Tietê, que hoje corta a capital paulista. A vida do escritor, aliás, foi mesmo uma aventura. Chegou a sobreviver a um naufrágio, em uma viagem que o levaria de Londres a Cingapura. Dessa experiência nasceu outro livro grandioso: Lord Jim.

Martin Sheen também está muito bem fazendo Marlow, ou melhor, Willard, que acaba matando Kurtz − pronto, contei o final do filme, ainda bem que aqui todo mundo já o viu. A qualidade da sua atuação é de altíssima qualidade, ainda mais levando em conta que contracena com Marlon Brando, na pele de Kurz. E quando digo na pele, é quase literalmente. É um grande momento do ator. E ele em um de seus melhores momentos é... bem, não precisa dizer mais nada, é Marlon Brando. "O horror, o horror" é a conhecida frase, tornada ainda mais famosa como o sussurro que sai da boca de Brando.

Marlow (ou Willard) é a civilização ou parte do tormento de Kurtz? Talvez seja os dois. Mas voltemos a Barack Obama. Ele não é Marlow, não chega a tanto. Mas é interessante notar em variados textos de jornalistas que foram buscar depoimentos da sua família no Quênia que a África, ou parte dela, vá lá, ainda espera por alguém que mate, ou pelo menos regaste Kurz.
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POR José Pires

Sem saída

Caso seja eleito, os parentes de Obama têm esperança de que ele ajude o Quênia a sair de seu atual estado de horror. A morte de pessoas queimadas vivas é só parte de um grande problema. Desde as eleições de 27 de dezembro o clima de violência já matou centenas de pessoas por lá.

Mas o que Obama poderia fazer como presidente? Mandar o louco comandante texano surfar nas praias africanas? O Quênia quase faz fronteira com o Congo. Entre os dois está a pequena Uganda, outro lugar com uma história de horrores. As outras fronteiras são com a Tanzânia, a Somália e o Sudão. Desse jeito, fugir pra onde? Dá pra entender as esperanças dos parentes africanos de Obama.
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POR José Pires

Buscando raízes

Obama nasceu em 1961 e mal viu seu pai depois dos dois de idade. O pai, Barack Hussein Obama, era um negro queniano e morreu em 1982. A mãe, Stanley Ann Soetoro, branca e do Kansas, morreu em 1995. O que se escreve dela revela que era uma grande mulher. Bem, ela casou-se com um negro do Quênia nos anos 60, em plena era da segregação nos Estados Unidos. Acho que não é preciso acrescentar mais nada sobre o grande caráter de uma mulher como essa.

Obama viu o pai só uma vez, aos dez anos. A grande referência de sua vida é mãe, mas é sobre o pai que ele mais fala em suas memórias. No prefácio que escreveu para uma das últimas edições revela arrependimento por ter escrito pouco sobre a mãe, mas agora é tarde. Obama deve tudo o que é aos dois avós maternos, que são brancos evidentemente. Foi criado por eles. E o provável candidato do Partido Democrata fala muito em raízes africanas. Será uma raiz literária?
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POR José Pires

Esperança e medo

Supondo que seja eleito presidente e tirando de lado as esperanças dos quenianos, Obama tomaria posse como o presidente norte-americano que mais expectativas criou no eleitor dos Estados Unidos. É uma responsabilidade sem precedentes e sem que nada comprove que ele estaria preparado para isso.

Boa parte do que Obama fala, me parece pura demagogia. Parece literatura, má-literaura, é claro, e isso raramente dá boa coisa em política. Parece mais um caso de um eleitorado desesperado para preencher o vácuo moral criado pelos políticos. Sempre existe o perigo de colocar algo pior que este vazio. Já tivemos isso aqui no Brasil. E sabemos onde vai dar.

O ator Sean Penn, um dos artistas mais representativos da esquerda norte-americana, foi quem até agora resumiu com mais clareza o papel histórico que Obama pode ter para os Estados Unidos. Ele disse estar animado “pela esperança que Obama inspira”, mas não esqueceu de alertar sobre o risco de uma grande frustração: “Espero que, se eleito, ele esteja ciente do grau de desilusão que causará se não corresponder à expectativa”.
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POR José Pires

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Palavra de índio

Branco ser mais malvado que pica-pau. Veio pelo mar, trouxe pau-de-fogo, doença, maldade. Matou índio, tomou terra de índio. Esse tempo todo.

Mas branco também ser mais boboca que cachorro de aldeia. Branco faz tudo isso, tudo maldade, tudo pra prejudicar índio. E depois ainda vem dar aula sobre recursos energéticos pra índio, tudo com facão na mão.
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POR José Pires

terça-feira, 20 de maio de 2008

A vida como ficção

Luiz Fernando Emediato era pra ser um famoso contista brasileiro. Era isso que ele era, quando o quente no Brasil era escrever contos. Ali por 1970 isso era uma epidemia, quase como a dengue hoje. Todo mundo era contista, até o Chico Buarque. Contista parecia então uma profissão que dava futuro. Mas hoje a gente lembra apenas do João Antonio e do... como é mesmo o nome daquele? Ah, sim o Emediato. Onde anda ele?

Em São Paulo era assim: no bar Redondo, na esquina da avenida Paulista, pois ainda não existia bar da moda na Vila Madalena, nove entre dez contas dependuradas eram assinadas por contistas. Este outro era um jornalista que só escrevia em jornais. Havia poucos romancistas, quase nenhum, mas todo escritor escrevia contos, o que dava certeza de livro na praça, em obra única ou coletiva.

Obra coletiva tinha uma vantagem. Era só juntar uma meia dúzia de contistas para ter um livro inteiro. Um romance pode levar décadas, um conto pode ser escrito numa tarde em Ubatuba. E então era uma brochura a mais na estante, o que dava um status danado. Valia até entrevista em cadernos culturais, suplementos que naquela época cuidavam menos de baladas, desfile de moda, cantor porcaria e programas de TV. Parece coisa antiga, mas os cadernos culturais se dedicavam à cultura.

Um dos problemas da obra coletiva era que os contos obviamente se misturavam, o joio com o trigo, mais joio do que trigo, o que dava em livro ruim. Imaginem então a situação do Emediato, que, concedo, até escrevia bem. Ficava chato a mistura.

Falando nisso, e o Emediato, aonde anda? Continua se dedicando à ficção, agora em área mais lucrativa. Eis que o ex-contista volta às páginas dos jornais, não de cadernos culturais, coisa que, aliás, nem existe mais. Volta nas páginas políticas e tem que agradecer aos céus que seja assim, pois se não fosse a característica amena e até leniente da nossa Justiça, sua aparição bem que podia ser nas páginas policiais.

Emediato também está encrencado na Operação Santa Teresa, da Polícia Federal, que detectou sujeira nos negócios da Força Sindical. As denúncias envolvem também seu presidente, o deputado Paulinho Pereira da Silva. O enrosco do ex-escritor de contos com a Força Sindical é antigo. Depois de abandonar a literatura, Emediato virou assessor e mentor intelectual da central sindical, primeiro com seu criador, o ex-deputado Luiz Antonio de Medeiros, depois com Paulinho Pereira da Silva. Representando a central sindical, Emediato é o atual presidente do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), cargo bom, com verbas e influência.

Agora foi descoberto que um repasse de R$ 1,32 milhão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a ONG Centro de Atendimento Biopsicossocial Meu Guri, presidida pela mulher do deputado Paulinho Pereira da Silva, Elza Pereira, tem a assinatura de Emediato como testemunha. Acontece que o repasse está entre as denúncias da PF de desvio de verbas do NDES.

Emediato quer saltar logo fora dessa frigideira e evidentemente não para o fogo. E arranjou uma desculpa prosaica para ter assinado como testemunha da, digamos assim, alocação de verba do BNDES pelos sindicalistas. “Porque pediram e eu estava por perto. Testemunha é isso”, explicou ao ser questionado sobre por que assinou como testemunha.

Que coisa, a história se repete. É do mesmo jeito que saiam os livros de contos na década de 70. Alguém fazia um e você, estando por perto, entrava também. Então, pimba: lá estava seu conto no meio de um monte de porcarias que, juntas, elevavam uma brochura à categoria de livro de contos. É coisa do acaso, como ser testemunha em um repasse de mais de um milhão de reais que depois acaba como caso de polícia.

Emediato até pode se safar dessa. E aposto que se safa, no Brasil é assim. Mas tudo é muito parecido com aquela época quando ele colocava sua assinatura em livros de contos quase sem pensar, imagino, porque alguém pediu e ele estava por perto. Emediato já devia ter aprendido essa, tem que ter mais cuidado com o que assina: o livro ruim fica para trás, mas a fama fica.
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POR José Pires

Salve-se quem puder nas FARC

A guerrilheira (ou terrorista, tanto faz, hoje dia os termos se tornaram sinônimos) colombiana das FARC Nelly Ávida Moreno, a companheira Karina, se entregou no domingo às autoridades colombianas. É mais uma importante deserção das FARC, organização armada que faz uma dobradinha interessante de marxismo com narcotráfico.

A ex-companheira Karina é uma deserção de peso. Ela era líder guerrilheira e lendária na história do grupo armado. O processo de demolição das FARC é acelerado. No final, perde a esquerda latino-americana, principalmente do Brasil, que não desgruda das FARC. A derrota do grupo armado também é um golpe duro para as análises estratégicas da mesma esquerda, que afirmava com decisão que a estratégia repressiva do governo colombiano não daria resultado.
O sucesso da política de Uribe, que conta com assessoria e apoio dos Estados Unidos, fortalece imensamente a idéia política de que repressão é um remédio eficaz contra o narcotráfico e o terror.

Ontem a ex-guerrilheira pediu aos companheiros rebeldes que se rendam, aderindo ao programa de "reinserção" do governo colombiano. E as rendições, além das derrotas, são muitas.

O Brasil não pode ficar parado. A atual situação da guerrilha colombiana exige uma mudança rápida na política que o governo petista tem tido para com esse grupo. E é preciso usar de toda a agilidade política e diplomática, correr contra o tempo. Senão o nosso país pode ficar no final da fila do abandono das FARC.
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POR José Pires

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Voando alto

E Lula ameaça criar uma companhia aérea estatal. Invocado com a eterna crise da aviação civil, ele culpou o setor privado pela bagunça e soltou o brado estatizante. Saquem só a sua frase, naquele estilo tão peculiar: “Tudo o que eu não quero é que eles sejam tão inoperantes nessa área que comecem a fomentar na minha cabeça a idéia de que o Estado vai ter de criar uma nova empresa. Eu não quero fazer. Mas se os empresários não tiverem ousadia, a gente terá que ter ousadia" .

Taí, gostei dessa idéia. Acho até que não deve ser uma estatal apenas do Brasil, não. Talvez uma estatal latino-americana, que tal? Mas tem que buscar um aliado com capital. Nada de ligar para o boliviano Evo Morales, que esse não tem verba nem para teco-teco. O presidente podia convidar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que além de ser estatizante de primeira hora é da Opep, o que é melhor. Esse é um bom sócio.

Já tenho até o nome: Aerobrazuela. Não é um nomão?
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POR José Pires

Verde que te quero...

A demissão da ministra Marina Silva serviu pelo menos para uma coisa. Voltou a discussão sobre a necessidade da preservação da Amazônia, tarefa na qual historicamente os brasileiros têm falhado. O mundo faz uma pergunta para a qual os líderes das grandes nações já têm uma resposta há muito tempo: De quem é a Amazônia?

Do Brasil é que não é. O país não soube cuidar e nada indica que conseguirá um dia proteger esse importante patrimônio da humanidade, patrimônio, aliás, que fica ainda mais precioso com a acelerada deterioração ambiental do mundo.

Logo mais será questão de vida ou morte a resolução de graves problemas ambientais que o governo petista empurra com a barriga − e que barriga, companheiro presidente! O combustível que faz falta à humanidade não é o etanol do companheiro Lula. É oxigênio, água e alimento.

A proposta de internacionalização da Amazônia, que sempre esteve em pauta, agora está acelerando. E quem pode ser contra? Quem não cuida, perde.
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POR José Pires