terça-feira, 15 de setembro de 2020

Lula e Bolsonaro: uma mão suja lava a outra

Lula defendeu a interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal. Isso mesmo, você que defende esse velho salafrário da esquerda imaginando que está lutando pelo aprimoramento da Justiça brasileira, saiba da nova patifaria do chefão do PT. Em entrevista a blogueiros de esquerda, o petista atacou Sergio Moro e de viés também a Rede Globo. Com isso, deu seu apoio a Bolsonaro.

 

Vejam o que disse o ex-presidiário: “Ele [Moro] poderia ter demonstrado seriedade quando virou bolsonarista. Ele é tão medíocre que, quando sai, ele tenta criar mais uma pirotecnia com o apoio da Globo: ‘Ah, eu vou sair porque o Bolsonaro quer indicar o diretor-geral da Polícia Federal’”.

 

Lula disse também que o presidente da República “tem o direito de indicar o diretor da Polícia Federal”. Como se Bolsonaro estivesse querendo fazer apenas fazer uma indicação rotineira no estado onde ele e a família enfrentam sérias complicações. Para reforçar o apoio ao parceiro, o petista questionou: “E por que o Moro achava que ele podia [indicar o diretor da PF] e o Bolsonaro não podia?”.

 

Já se sabe que Lula havia afinado sua pauta com a de Bolsonaro, no desmonte que é necessário fazer na Justiça para que ele não volte para a cadeia. Mas uma safadeza dessas é sempre revoltante. Quem ainda acredita neste enganador, que se prepare para mais decepções. Para livrar-se do xilindró ele é capaz até de colaborar com Bolsonaro, para o presidente livrar-se de encrencas, como faz agora apoiando a interferência na PF.

 

Pior ainda: esquerdistas otários podem se preparar para derramar rios de lágrima se o plano do Lula der certo, com um retrocesso aos tempos em que político ladrão jamais ia para a cadeia. O pretendido desmonte do rigor da lei não pode ser exclusivo dos corruptos, obrigatoriamente tendo que ser estendido aos chefões do narcotráfico, milicianos, chefes de facções criminosas e a bandidagem no geral. Ladrões e assassinos com certeza ficarão bastante abusados com o clima de impunidade trazido pelo “Lula livre!”.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


Covid-19 supera em número todas as outras causas de morte e o governo Bolsonaro continua no negacionismo

Nesta terça-feira temos uma informação que acaba de vez com a argumentação fraudulenta do bolsonarismo sobre o novo coronavírus, nas mentiras construídas por uma máquina política que age a partir do Palácio do Planalto para montar uma narrativa própria, estúpida e irresponsável, desde que o vírus chegou ao Brasil. Covid-19 já é a maior causa de mortes no Brasil registrada em um único ano. Covid-19 já é a maior causa de mortes no Brasil registrada em um único ano. Nada matou tantos brasileiros quanto o vírus. A notícia é do UOL, que comparou as mortes causadas pelo vírus com outras taxas importantes de mortalidade no Brasil.

 

O site informa que “as mortes causadas pela Covid-19 em apenas seis meses já correspondem a mais que o dobro do recorde histórico de homicídios, ocorrido em 2017, quando foram mortas 62 mil pessoas de forma violenta. Já os acidentes de trânsito tiveram seu maior número em 2012, com 46 mil vítimas”.

 

Quando ainda dava para contar as mortes pela Covid-19 nos dedos das mãos, esse pessoal que subiu ao poder fazendo com elas o gesto de matar a tiros gostava de comparar a letalidade do vírus, usando números de homicídios e acidente de trânsito na tentativa de minimizar o problema. A primeira morte brasileira pela doença ocorreu em 12 de março.

 

O presidente Jair Bolsonaro garantia então que o número de mortos pela Covid-19 não passaria de 800. Especialistas mostravam dados que alertavam para danos muito mais graves. O próprio ministro Luiz Henrique Mandetta avisava que não iria “ser um passeio”. Foi demitido por Bolsonaro. Já estamos com 132 mil mortes.

 

Nos primeiros dias da pandemia no Brasil para alimentar sua rede criminosa de desinformação o bolsonarismo apelava até para comparações com mortes por engasgamento com sanduíches nos Estados Unidos. Era um vale-tudo direitista para convencer a população e autoridades a não se preocuparem com a propagação do vírus. Cabe lembrar que a Covid-19 já assolava a Europa, causando milhares de mortes em países com muito mais estrutura social e capacidade econômica que o Brasil, no maior desastre daquele continente deste a Segunda Guerra Mundial.

 

Imaginem como estaríamos agora se governadores e prefeitos seguissem as recomendações desse presidente inviável e incorrigível que está atolando o Brasil nos piores entraves de sua história. Aquela história de que era preciso acabar com a saúva senão ela acabava com o Brasil era fichinha perto do que Bolsonaro vem fazendo. Ele é a pior praga que já apareceu neste país.

 

Este mesmo mês de março em que Bolsonaro afirmava que as mortes não passariam de 800 era tido também como o pico da epidemia no Brasil pelo deputado Osmar Terra, que foi ministro da Cidadania. O deputado, que é médico, sempre foi contra medidas de prevenção como a quarentena. Chegou a ser cotado para o Ministério da Saúde, mas acabou sendo preterido, ninguém sabe exatamente por qual motivo.

 

Era com esse tipo de especialista que Bolsonaro se informava sobre uma doença que já havia demonstrado seu potencial destrutivo em países europeus, depois de obrigar a China a fechar regiões com milhões de habitantes. Foi no mês de abril que Terra enviou um áudio para o senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, dizendo que deviam “comemorar”. Para ele, a pandemia estava “desabando” no Brasil. Naquele mês, as mortes estavam em 1.335.

 

Na mensagem, o deputado bolsonarista ainda chamou as medidas de isolamento social de “exageradas”, afirmando que elas não levavam a “resultado nenhum”. Terra recebeu um apelido que muda seu sobrenome para “Trevas”. É como estaríamos na atualidade se a receita aplicada à pandemia fosse a dele e de Bolsonaro.

 

Este presidente inviável está até hoje receitando cloroquina, que já tem mais que comprovada sua total falta de eficácia contra a Covid-19. Nas outras necessidades, seu governo sempre falha. É ele também que ainda afirma, como fez no mês passado, "não ter visto no mundo" quem enfrentou melhor a pandemia de Covid-19 do que o governo dele. E cabe apontar também, para um melhor diagnóstico da nossa desgraça, que este é o mesmo sujeito que em uma live oficial da Presidência da República faz insinuações com sentido sexual a uma menina de apenas 10 anos.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


sexta-feira, 11 de setembro de 2020

A prisão em segunda instância e os planos para a Justiça andar para trás

O ministro Luiz Fux falou acertadamente sobre a Lava Jato, em entrevista à revista Veja. O ministro assumiu esta semana a presidência do STF. A mudança traz a esperança de uma alteração para melhor na qualidade do mais alto tribunal, o que já está garantido pelo menos em matéria de currículo, na comparação entre quem entra — um juiz de carreira, da magistratura até o topo — com quem sai, o ministro Dias Toffoli, que foi advogado do PT, assessor jurídico de José Dirceu na Casa Civil do governo petista e AGU de Lula, além de ter sido reprovado duas vezes em concursos da magistratura estadual de São Paulo.

 

Sobre a Lava Jato, Fux disse o seguinte: “Eventuais erros formais devem ser corrigidos pelos mecanismos processuais, mas não eliminam as verdades inequívocas surgidas na tramitação do processo. Ninguém inventou nada. Há muitas provas, o dinheiro foi encontrado e a confissão dos delatores mostrou o verdadeiro caminho das pedras”.

 

O ministro tem toda a razão. O trabalho da Lava Jato revelou uma realidade que não é possível mais manter escondida. Trouxe as provas de que estava em andamento um plano de completo domínio do país por uma máquina política, com o uso da corrupção como instrumento para que um partido jamais saísse do poder no Brasil.

 

Atualmente está em curso um esquema de manipulação que pretende fazer o país voltar no tempo, retornando à condição de um lugar onde corruptos podem apelar em liberdade para vastos recursos, em grande parte dos casos um caminho longo e demorado que nem chega ao fim, interrompido pela prescrição do crime, ou quando isso não acontece, com o criminoso inocentado por tribunais que ao contrário de atuar com o rigor da lei, amaciam o julgamento de processos que envolvem quem tem dinheiro e poder.

 

A Lava Jato trouxe uma transformação importante, com o fortalecimento da consciência coletiva sobre o papel extremamente negativo da corrupção no funcionamento da administração pública e a necessidade de seu combate, que quando não é feito com rigor condena o país a uma condição de ingovernabilidade, arrasando com a representatividade política porque mantém partidos sob o jugo de lideranças corruptas, sem permitir também que o Estado funcione, numa equação trágica: quando leis não são respeitadas, invariavelmente são os piores que sobem ao poder.

 

Na entrevista à Veja, Luiz Fux falou sobre a necessidade do STF voltar ao debate jurídico da Segunda Instância, cuja queda nesta mesma Corte deu início ao fortalecimento da corrente de salafrários que procura puxar o Brasil para trás, retomando o clima de amaciamento com os corruptos e tentando recuperar o plano criminoso da instalação de uma plutocracia, antes um sonho da esquerda e agora também do gosto da direita como projeto de poder.

 

A anulação da prisão em Segunda Instância se deu pela necessidade do PT tirar Lula da cadeia, o que foi possível quando se criou uma combinação do interesse desse partido de esquerda com o aperto de uma ainda ampla quantidade de figurões com medo de acabar no xilindró, além de incomodados com a dificuldade de fazer a única coisa que os levou a ir para a política: ganhar dinheiro fácil. Pressões conjuntas fizeram o STF anular uma lei que estava dando certo, fazendo o Brasil retornar à condição de único país do mundo onde não se decreta a prisão assim que a polícia apresenta as provas de um crime.

 

Então, que comece logo no STF a discussão sobre a prisão em segunda instância, tema sobre o qual, segundo o ministro Fux, “a Corte não está em paz”. Ora, todo o país está intranqüilo quanto a esta questão. Os brasileiros esperam que venha logo este debate decisivo e que o resultado seja a volta da justa punição, cuja ausência, é bom que se diga, cria um clima que estimula não só a corrupção como também abre espaço para os criminosos comuns serem mais abusados.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


quarta-feira, 9 de setembro de 2020


 

 


terça-feira, 8 de setembro de 2020

O coronavírus, a ilusão dos caminhos mais fáceis de Bolsonaro e outros enganos da política brasileira

Está havendo um espanto com o liberou geral nos cuidados com a pandemia, com as aglomerações impressionantes ocorridas em todo o Brasil e claro que algumas em torno do pior presidente do mundo nesta pandemia — o insensato Jair Bolsonaro, que usou também este feriado de Sete de Setembro para sua farra anti-sanitária. Tivemos praias e bares com grande lotação, lugares turísticos ficaram lotados, com uma despreocupação que não faz sentido, levando em conta o que já se sabe sobre este vírus. O mais grave é que isto não é sintoma apenas desta pandemia. É outro o mal, bem mais antigo e de origem cultural.

 

O desvario coletivo nesta pandemia com mais de 10 mil mortos é ainda mais grave porque aparentemente começava a se dar a tão esperada descida da curva, muito demorada por causa exatamente das idas e vindas na prevenção ao contágio. Claro que teremos novamente um resultado científico depois dessa saída atropelada às ruas, com um crescimento do contágio e das mortes. Dentro de poucos dias voltaremos a um platô ou nem sairemos dessa dificuldade que pelo jeito uma porção de brasileiros acredita que pode-se atravessar sem máscaras.

 

O novo coronavírus já chegou ao Brasil com uma boa verificação sobre os cuidados necessários para evitar mortes e amenizar estragos econômicos, depois do povo europeu, principalmente na Itália, servir involuntariamente de objeto de avaliação científica sobre os efeitos da Covid-19. Quando este idiota eleito presidente dizia em março que no Brasil não haveria mais de 800 mortes, já se sabia que com a falta de cuidados a letalidade do vírus poderia chegar à casa do milhar diariamente, como de fato se deu, agora com o país já chegando aos 130 mil mortos.

 

Uma parte de dirigentes políticos compreendeu a gravidade da questão, o que foi determinante para o Brasil não arcar com consequências ainda piores. Mas a atrapalhação foi geral. Uma parcela expressiva de brasileiros costuma se guiar em bloco mais pelo imaginário do que pelo real, o que é próprio da falta generalizada de conhecimento, de uma população que há décadas sofre coletivamente com a carência extrema de educação de base, agravada nos últimos tempos por uma carga impressionante de dificuldades emocionais. Como se costuma dizer, o povo anda doido.

 

Teve efeito neste imaginário do brasileiro a ilusão de que não enfrentaríamos aqui as dificuldades que bateram em países com muito mais equilíbrio social e poder econômico, como se um vírus como o da Covid-19 pudesse se encaixar no antigo jeitinho brasileiro.

 

Claro que o acolhimento desta absoluta tolice teve um empurrão importante de Jair Bolsonaro, com sua opinião sustentada pelo respeito institucional do cargo. Bolsonaro é o mesmo bestalhão que durante quase trinta anos na Câmara foi um tremendo chato, um parlamentar desqualificado repelido até entre o baixo clero da política em Brasília, mas, enfim, tem o respeito de quem chegou à Presidência da República. Não bastou ter Lula no governo por dois mandatos para ficar claro que neste sistema partidário qualquer idiota se elege presidente.

 

Bolsonaro foi o colaborador mais eficiente nos descaminhos, porém não é dele a culpa exclusiva pelo desastre sanitário. Seus apelos irresponsáveis como presidente encontraram ouvidos cúmplices, fáceis de serem convencidos da imaginada facilidade, pelos que vivem esperando soluções que não exigem um enfrentamento rigoroso dos problemas. Coitado do brasileiro, não é por maldade a busca do caminho mais fácil, mas depois que o inferno se apresenta é de pouco valor a boa intenção inicial.

 

No geral, temos um povo bastante dissimulado. E dá para compreender a ausência de aplicação, com quase nenhum rigor nas relações com os outros, a dificuldade de ter opinião bem fundamentada, a falta de vontade fazer as coisas do modo mais certo. Já faz tempo que o Brasil não tem regras claras para nada, socialmente atolado em instabilidades que atravessam toda sua história moderna, entrando neste século 21 ainda sem que se possa saber exatamente qual é o comportamento exigido de um cidadão.

 

Vou ser franco, minha atitudes sociais se baseiam em virtudes próprias, vindas da família e do conhecimento pessoal. De fora, foram raras as vezes em que tive motivação social para agir com qualidade. Neste país estamos sempre forçados a reunir forças diante de tantos apelos para sair da linha.

 

No meu convívio pessoal, no âmbito pessoal e na política, em toda a minha vida, os acenos mais fortes foram sempre os de me dar bem, da enganação, de fazer as coisas exigindo-se o mínimo possível — no popular, fazendo o conhecido “corpo mole”. Em quatro décadas de aplicação naquilo que faço, foi sempre uma briga difícil para trabalhar da melhor forma possível — tendo que convencer disso até os empregadores. E pelo que se vê hoje em dia, essa batalha mantém-se na mesma.

 

O brasileiro mente demais. As mentiras são sobre expectativas políticas, os sentimentos pessoais e até quanto ao desconforto com os acontecimentos, mesmo nas situações em que há um prejuízo coletivo muito amplo. Mente-se até para se fazer de bom de cama. Tenho a impressão de que o caráter nacional permitiria até o restabelecimento da escravidão no país que, bem, é um pouco pior do que forçar os mais jovens à entrada na vida profissional entregando lanche, ganhando pouco e sem ganho regular garantido, sem nenhum direito trabalhista e ainda menos possibilidade de crescimento pessoal.

 

Voltaríamos ao trabalho escravo se um espertalhão conseguisse descobrir uma forma de convencer o Brasil a seguir este caminho, mas claro que no dia anterior à volta do chicote no lombo o Datafolha, Ibope ou qualquer outro desses institutos de pesquisa apareceria com a informação de que 99,9% dos brasileiros são contra a escravidão.

 

Não pretendo com isso uma explicação definitiva sobre comportamento coletivo em um país onde pesquisas trazem o registro de uma preocupação ampla sobre a Covid-19, para depois as pessoas saírem em massa, nas aglomerações pelo país afora, sem o devido repúdio social a tamanho desrespeito e sem a aplicação de regras. Este não é um veredito sociológico — até porque a sociologia não tem ferramentas para isso nem é sua serventia. São apenas uns dados empíricos, trazidos com a preocupação de quem vive em um país que parece prestes a chegar a uma condição em que será difícil arrumar conserto, se é que isso já não aconteceu.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


Renan Calheiros versus Deltan Dallagnol e o Brasil da Justiça que corre perigo

A gente sabe que a Justiça no Brasil vem rolando a pirambeira, especialmente agora com petistas e bolsonaristas juntando-se para manter o país no sistema que garante que com poder e dinheiro jamais se vai para a cadeia, mas é lamentável a censura feita pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) ao procurador Deltan Dallagnol.

 

O procurador da República recebeu a punição em processo apresentado ao CNMP pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). O político alagoano, que já foi obrigado a renunciar à presidência do Senado por causa de denúncia de corrupção, não gostou de uma postagem de Dallagnol nas redes sociais.

 

Renan Calheiros responde a dez processos no STF, onde já teve onze outros processos arquivados, sendo oito da Lava Jato. Com o ritmo em que andam as maquinações para que no Brasil os ricos e poderosos sejam poupados de cadeia, é muito provável que ele se livre também dos processos ainda pendentes.

 

A partir do esquema que junta bolsonaristas e petistas, abraçados a tudo quanto é coisa ruim da política brasileira, não duvide que um dia desses possam prender Dallagnol, esse tuiteiro impertinente. Neste rumo, o Brasil caminha para ser um lugar onde quem vai preso é o Eliot Ness e não Al Capone.

 

E se tem alguém que acha que nada sofrerá com esse estado de coisas, independente da pessoa estar torcendo pelo Lula livre ou para Jair Bolsonaro se livrar de encrencas, que então se acautele porque o clima de impunidade certamente vai criar a oportunidade para a bandidagem comum ficar ainda mais abusada e violenta.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

 

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Imagem- Renan Calheiros e um chapinha dele que só não está na cadeia por causa da anulação da prisão em segunda instância, que o esquema contra a Lava Jato quer enterrar de vez


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Israel e Estados Unidos: as bandeiras alucinadas do bolsonarismo

Neste Sete de Setembro, na cerimônia no Palácio da Alvorada, apoiadores de Jair Bolsonaro seguravam bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. É patética uma coisa dessas exatamente no Dia da Independência, mas dá para entender o apego boboca à bandeira dos Estados Unidos. Afinal, eles são seguidores de um presidente de um capachismo capaz de bater continência para a bandeira do país de Donald Trump.

 

E é evidente que a presença da bandeira americana nas suas manifestações se deve apenas à adoração por Donald Trump, que é de onde vem a inspiração de seu adorado Jair Bolsonaro, imitador do presidente americano na retórica ignorante e agressiva, na manipulação cretina, irresponsável e até na patológica crueldade.

 

Não é por Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, ou qualquer outro fundador dos Estados Unidos que eles se enrolam na bandeira de um país estrangeiro. É por Trump. A ligação é de mera oportunidade, de tal modo que caso Joe Biden derrote Trump em novembro é capaz de vermos esse mesmo pessoal queimando a bandeira americana nas ruas. Na cabeça oca dos bolsonaristas, os Estados Unidos cairão no comunismo no mesmo dia da eleição de Biden.

 

Bem, mas e a bandeira de Israel, como se explica essa outra fixação? Isso é coisa que não se vê nem nos Estados Unidos, que por motivos geopolíticos estabeleceu há muito tempo relações externas muito fortes com este país do Oriente Médio. Ora, acho que nem em Israel tem isso de levar essa bandeira para todo lugar.

 

Este hábito de direita por aqui provavelmente deve ter algo a ver com a obsessão mística de neopentecostais com Jerusalém, mas o negócio acabou virando mero fetiche porque adoram a bandeira de um país com quase nada de relação cultural com o Brasil.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

 

 

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Imagem- O Sete de Setembro em Brasília, em foto de Marcelo Camargo, Agência Brasil

 


sábado, 5 de setembro de 2020

Bolsonaro acenando eternamente à beira do caminho

É um retrato patético desses tempos a cena de Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira, passando cerca de 1 hora acenando a caminhoneiros e motoristas que trafegavam pela rodovia Régis Bittencourt. Não vai faltar bolsonarista interpretando esta idiotice como um grande lance instintivo de gênio da política, mas o paralelo mais próximo disso é o doido que vai para a beira da estrada acenar para quem está passando. A diferença é que o doido não causa prejuízo ao país.

 

Que resultado caro, este da eleição passada, com um erro eleitoral só comparável à eleição de Jânio Quadros e Fernando Collor, lembrando que no engodo de Collor houve a colaboração do PT, com Lula — sempre este enganador: e ainda tem quem duvide das suas tranquilas sonecas no sofá vermelho do delegado Romeu Tuma, no Dops. O covardão teimou em ir para o segundo turno, mesmo tendo sido amplamente avisado que seria derrotado por Collor, como aconteceu depois com o lamentável poste Fernando Haddad, fazendo-se de escada para Bolsonaro subir ao poder.

 

Voltando à beira da estrada, a ideia de jerico de Bolsonaro, segundo o jornal O Globo, causou um congestionamento de cerca de 5 km na Régis Bittencourt. Provavelmente é muita coisa para mentes bolsonaristas, mas a preocupação com congestionamentos nas cidades ou nas estradas não se deve somente à irritação que isso causa nos motoristas. No final, a paradeira acarreta em custos, devidamente incorporados à economia do país.

 

Um exercício interessante seria avaliar quanto foi o prejuízo com este sujeito sem noção acenando durante uma hora na beira de uma rodovia importante para a economia de São Paulo e do país. Claro que, inserido na quebradeira em que está o Brasil, o custo não deve dar em grande coisa. Mas levando em consideração que Bolsonaro como presidente está acenando na beira da estrada desde que tomou posse, vai ser de cair pra trás se alguém for colocar na ponta do lápis o prejuízo total desses quase dois anos.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

 

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Imagem; Bolsonaro acena e acena, na foto distribuída pela Presidência da República, feita por Carolina Antunes, PR


Direita e esquerda na aliança do "Corruptos livre!"

O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, converteu a prisão do pastor Everaldo Pereira de temporária para preventiva. Agora não tem prazo para acabar. Achei justo. Mais que isso, foi até uma decisão apropriada no aspecto espiritual, afinal o pastor deve estar precisando de um tempo de para meditar, talvez até para uma ponderação sobre seus pecados, se é que os tem, é claro, pois existe sempre a possibilidade de que esteja em um grau de santidade à altura do Lula, nunca se sabe.

Até sou de opinião que o pastor Everaldo deveria passar muitos dias numa humilde cela, primeiro para permitir que a investigação se desenvolva sem atrapalhação, evitando inclusive que ele não ceda à tentação de cair no pecado da obstrução. E depois, caso se comprove sua culpa, na minha visão a Justiça deveria dar-lhe uma boa temporada para a meditação sobre seus muitos erros.

 

Claro que por mim, além de cumprir toda a pena, o pastor Everaldo tinha que ir para a prisão logo na segunda instância, mas aí batemos de frente com a complicação do desmonte do combate à corrupção no Brasil, em pleno andamento e que vem juntando Lula e Bolsonaro, petistas e bolsonaristas, do qual faz parte o ataque cerrado à Lava Jato. Ora, se isso der certo, então no final tudo dará em “pastor Everaldo livre!”.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


Perpetuação no poder: o eterno desejo da classe política brasileira

A reeleição foi uma das criações mais nefastas do nosso sistema eleitoral, com uma influência de tal forma negativa nas relações políticas no Brasil, que será para sempre uma grave nódoa na história de Fernando Henrique Cardoso, mesmo constando na história pessoal do ex-presidente o Plano Real, o plano econômico mais importante da história moderna brasileira. Como os planos econômicos vão ficando para trás, aplastrados pelas conveniências da política, pode ser que mais à frente aconteça de apenas a reeleição — esta sim, uma herança maldita — ficar colada à sua imagem.

 

Ninguém duvida do destaque desse plano em nossa história, porém Fernando Henrique Cardoso carregará no currículo a feitura dessa coisa horrorosa que foi a reeleição,  arrancada do Congresso, por sinal, de forma suspeita. Penso até que, tolamente, com a reeleição o ex-presidente tucano instituiu um grave complicador para um instrumento essencial do Plano Real; a responsabilidade fiscal.

 

Com prefeitos, governadores e também o próprio presidente excitados na ambição de mais um mandato, criou-se um ambiente político que sempre joga para segundo plano o zelo na administração do dinheiro público. Todo mundo sabe como é: o primeiro mandato não passa de um palanque para conquistar o segundo.

 

De dois em dois anos, os brasileiros são colocados de frente com a desgraça que é a reeleição. O espetáculo grotesco pode ser assistido nesses dias, quando, mesmo em meio a uma pandemia e sem ter concluído metade de seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro faz qualquer coisa — chegando até a imitar o Lula — para estar bem em uma eleição que só acontecerá dentro de dois anos.

 

É óbvio que a classe política deveria estar atuando para eliminar essa praga, mas como se faz para o convencimento dos próprios beneficiários do sistema, para que eles acabem com algo que desmoraliza a própria representação política? Pois no Senado se faz o contrário, com o atual presidente Davi Alcolumbre manipulando para passar por cima do regimento interno da Casa e da própria Constituição, tentando faturar com a instituição da reeleição dele próprio.

 

Não é surpresa, mas é sempre triste: parte influente da classe política está sempre procurando o retrocesso em vez de cumprir a obrigação de trabalhar para que o Brasil avance.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Os “Guardiões do Crivella” e outros "guardiões"

O esquema de pressão do prefeito Marcelo Crivella sobre a imprensa e a população — com o grupo auto-intitulado “Guardiões do Crivella” — pode ser risível no seu amadorismo, mas deve ser visto com toda a seriedade pelo que revela do ideário político desse pessoal que faz da mistura de política com religião um instrumento eficiente de poder e enriquecimento pessoal. A denúncia feita pelo jornalismo da Rede Globo pode ter chegado apenas até um ponto superficial de um esquema que provavelmente atua de forma agressiva em ambientes até agora fora do alcance da opinião pública.

 

A atuação dos tais “Guardiões do Crivella” não estará servindo como pressão também contra a população, para evitar um debate mais aberto sobre o mandato de Crivella como prefeito, especialmente nas faixas dos mais desassistidos? É o que pode ser notado na reportagem exibida na televisão. O método de pressão também leva a perguntar se coisas parecidas não acontecem nos subterrâneos onde impera esta cultura neopentecostal, que nem o céu parece ter como limite. Marcelo Crivella é da cúpula da Igreja Universal, sendo um dos líderes mais poderosos da corporação de Edir Macedo, com o status de herdeiro de sua poderosa máquina, até pelo fato de ser sobrinho do “bispo” ungido por si mesmo.

 

O nome “Guardiões do Crivella” remete à linguagem bíblica, ainda que na leitura sempre utilitária desse pessoal que faz ouvidos de mercador à frase “dai a César o que é de César”. A fúria dos “guardiões” do prefeito do Rio também é própria da idolatria fanática, aplicando no contribuinte mais crítico a pecha de herege e tentando calar a imprensa aos gritos. Bateram de frente com o jornalismo de alta qualidade técnica da Rede Globo, em um confronto com uma empresa que sabe se cuidar, mas onde poderão chegar com este método autoritário e impositivo de cultura de seita religiosa se a sociedade civil não confrontar a serpente?

 

Os brasileiros que se cuidem. Germina nos subterrâneos uma cultura perigosa, por meio dessas igrejas neopentecostais, que vão crescendo, fortalecidas por privilégios e a condescendência da sociedade civil quanto a sua intromissão indevida nos assuntos de Estado, na imposição gradativa de uma cultura que nem pode ser qualificada como religião. Proliferam-se e ganham dinheiro, ao resguardo do respeito às religiões, que não fazem por merecer. A falta de base teológica e histórica não permite que muitas dessas igrejas sejam vistas como algo mais do que seitas de propriedade particular.

 

A ironia com os “Guardiões do Crivella” é que se parecem bastante com grupos de pressão psicológica e pela violência, como os que existem no regime da Venezuela, que o governo chavista copiou do método comunista imposto em Cuba logo que Fidel Castro subiu ao poder. A diferença é que tanto em Cuba como na Venezuela este controle sobre a população tem respaldo em largos setores da população, sendo feito em todo o país, por meio dos Comitês de Defesa da Revolução, os antigos CDRs.

 

Essas lideranças que no Brasil misturam política com religião não conquistaram ainda por aqui um controle tão ampliado, porém é evidente sua intenção de chegar lá, impondo na administração pública uma cultura própria de suas crenças. O engajamento popular para isso, ao modo dos CDRs cubanos, já existe atualmente, mesmo tendo por enquanto influência menor. Veja-se como exemplo a rápida mobilização de grupos religiosos, entre dois estados distantes, na ocasião do aborto legal da menina de 10 anos de idade engravidada por estupro, quando se juntaram em Pernambuco, em agressiva pressão na frente do hospital, inclusive com xingamentos aos médicos.

 

Ressalte-se que as pressões começaram bem antes, no Espírito Santo, nos bastidores, com crentes, que são membros de conselhos tutelares, insistindo para convencer a família da menina a desistir do aborto.

 

Os chamado “Guardiões do Crivella” talvez sejam apenas a pontinha de um iceberg, que pode estar ainda em formação. Mas de qualquer modo esse tipo de coisa coloca em sério risco a democracia brasileira. As ações contra a imprensa foram taticamente amadorísticas, no entanto provavelmente eles devem avaliar os erros, buscando aprimorar o método autoritário. Portanto, mantém-se o perigo à liberdade de expressão e aos direitos individuais.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


segunda-feira, 31 de agosto de 2020

O Brasil de Bolsonaro passando vergonha no mundo

A situação do Brasil no contexto internacional vai ficando cada vez mais parecida com uma piada pronta. Piada pronta de humor negro, assim é que está o nosso país no plano mundial. Entramos nesta segunda-feira com a notícia de que a Heckler & Koch (H&K), fabricante alemã de armas, vai suspender a exportação de armamento para o Brasil. A empresa é fabricante da arma que foi usada para matar a vereadora Marielle Franco, uma submetralhadora de uso restrito.

 

A suspensão da exportação de armas para o Brasil se deve a pressões de acionistas alemães, a partir de questionamentos da Associação Críticos na Alemanha feitos à direção da empresa. Este é um tipo de ação social já comum na Europa e nos Estados Unidos, com a pressão de ativistas sobre marcas e empresas, exigindo respeito ético na escolha de sua clientela, que neste caso da H&K atinge por inteiro um país tomado por barbaridades que arrasam com a nossa imagem no exterior.

 

Um porta-voz da fábrica de armas alemã disse que a situação política e a violência policial fizeram a H&K suspender a exportação das armas. Os bolsonaristas vão ficar irritados. A justificativa mira exatamente este governo que tem no comando esta figura execrável que se elegeu fazendo com as mãos um gesto de matar com arma de fogo.

 

Vejam o que disse o porta-voz da H&K: “Com as mudanças no Brasil, especialmente a agitação política de antes das eleições presidenciais e a dura ação da polícia contra a população, foi confirmada a decisão de não fornecer mais para o Brasil”.

 

Como eu disse, a notícia tem até um toque trágico de humor, no entanto tem consequências muito sérias, com a consolidação do Brasil como um estado pária no contexto internacional. Como por aqui se obedece cada vez menos a leis, regras ou normas, especialmente da parte das mais altas esferas, dos que têm dinheiro, poder e o domínio do uso da violência, as relações externas vão ficando cada vez mais difíceis.

 

Esta é a nossa imagem atual e ponto final. Vivemos em um país de tal forma descontrolado, que aos olhos estrangeiros não tem responsabilidade suficiente nem para comprar armas. E nada vai adiantar ficar buscando justificativas, que servirá apenas para o costumeiro auto-engano entre nós.

 

É preciso tomar decisões sobre o destino que se deseja afinal para este nosso país. O que ficou muito óbvio é que o Brasil não pode ser conduzido por um sujeito que podia até ser motivo de riso quando fazia suas besteiradas como político idiota do baixo clero, mas que na presidência da República arruína o futuro do país.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


sábado, 29 de agosto de 2020

As várias tramas da rede que se apossa do dinheiro público

O caso de corrupção que levou ao afastamento do governador Wilson Witzel e à prisão do pastor Everaldo Pereira envolve o roubo de dinheiro da Saúde no governo do Rio de Janeiro, em contratos relativos à pandemia do coronavírus, que vem arrasando o país, com a Covid-19 matando e desestabilizando a convivência entre as pessoas, além de afetar tragicamente a economia.

 

Claro que políticos roubando até recursos emergenciais de uma pandemia é motivo para muita indignação, porém, um ataque mais rigoroso aos ladrões de dinheiro público exige que não se entre na onda de que casos como este pedem um tratamento especial, até com penas diferenciadas. Quando a corrupção atinge uma condição sistêmica, como aconteceu no Brasil, não é com ataques localizados que vai-se atingir um resultado mais abrangente na defesa do dinheiro da população.

 

Não faz sentido uma avaliação isolada de um fato, quando a corrupção se processa como uma rede com linhas que se intercomunicam não só na ação deletéria ao interesse e direitos da maioria, como também na defesa dos corruptos. E que não se caia também no engano de personalizar o dano em figuras como Witzel ou neste pastor Everaldo, muito menos de achar que é uma questão exclusiva da direita.

 

Eleito na onda de Jair Bolsonaro e fazendo campanha com o presidente, Witzel é meramente a continuidade da corrupção estabelecida anteriormente por Sergio Cabral e antes disso por Anthony Garotinho, ambos eleitos com o apoio direto e entusiasmado de Lula, que fortaleceu Cabral inclusive com verbas e sustentação política da parte do Governo Federal, enquanto ele esteve como presidente em paralelo com Cabral no governo do Rio.

A corrupção no Brasil junta a direita, a esquerda, além do centro e até da extrema-esquerda, às vezes até ingenuamente quando estes extremistas atuam dificultando o uso da mão forte da Justiça contra corruptos e quadrilheiros, ladrões e gente muito cruel — que cabe dizer que estão também entre os pobres e não depende da cor da pele nem da orientação sexual.

 

Não se pode criar uma pena exclusiva num ou noutro caso de corrupção e cabe até evitar que nossa indignação se torne seletiva, pois o crime contra os recursos emergenciais de uma terrível doença está interligado a toda atitude imoral que acontece nos serviços públicos e também na iniciativa privada.

 

Acontece do mesmo modo com a defesa da manutenção dessa corrupção sistêmica. Os corruptos estão sempre atuando para fortalecer o conjunto da trama que os defende em rede, que se entremeia no apoio mútuo, mesmo quando suas ações não se intercomunicam diretamente. A corrupção é sempre uma ação conjunta, independente de fatores geográficos e temporais e dos lados políticos de cada ladrão do dinheiro público.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


Bolsonaro e suas companhias

Na sua live desta quinta-feira o presidente Jair Bolsonaro teve a companhia da ministra Damares Alves, com a óbvia intenção de descolar sua imagem da deputada Flordelis. Logo que a deputada foi apontada pela Polícia Civil do Rio e o Ministério Público como mandante da morte de seu marido, o pastor Anderson do Carmo, começaram a aparecer nas redes sociais vários vídeos de Damares fazendo emocionados elogios à acusada. Fotos de Bolsonaro com Flordelis também foram sendo publicadas.

 

Na live com o presidente, Damares veio com a conversa de que foi enganada por Flordelis, procurando colocar a relação dela com o governo no âmbito de relações formais em torno uma pauta específica. E isso não é verdade. Flordelis tinha relações preferenciais com sua pasta e teve um papel importante na campanha de Bolsonaro no Rio, onde foi muito bem votada. É muito clara a relação eleitoral entre ela e Bolsonaro na última eleição. Aquela base conceitual asquerosa é a mesma.

 

A deputada atuou intensamente para difundir os conceitos atrasadíssimos que fortaleceram Bolsonaro, em questões como o aborto e os direitos dos homossexuais, fortalecendo esta pauta eleitoral com a imagem mentirosa de líder religiosa. A família de Bolsonaro também parece ter proximidade pessoal com Flordelis. No dia em que o marido da deputada foi morto a tiros, Eduardo Bolsonaro afirmou em um post de condolências que ele era seu “amigo de futebol em Brasília”.

 

O que importa para Bolsonaro agora é livrar-se do comprometimento moral com as relações com a deputada caída em desgraça, mas nesta sexta-feira já apareceu a necessidade de explicação sua sobre uma relação ainda mais especial. A prisão do pastor Everaldo Pereira ocorrida hoje no Rio exige um esclarecimento, afinal foi ele quem batizou Jair Bolsonaro nas águas do Rio Jordão. Ora, se como dizem, pode-se conhecer alguém pelo nível de suas companhias, diga-me quem te batizaste que saberei ainda mais dizer quem tu és.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌