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terça-feira, 8 de junho de 2010

O petista falsificador do Twitter

A alegria é geral entre os petistas, mas uns se destacam mais neste contentamento, como é o caso do deputado paranaense André Vargas, que mostra um deslumbramento notável nesta política de ciscar no lixo. Vargas é um caso notável dos 15 minutos de fama predito por Andy Warhol e hoje muito comum na política brasileira. Ele é o mais famoso desconhecido da hora. Foi alçado do anonimato do baixo clero para um cargo de ressonância nacional na campanha da candidata do Lula.

É secretário de comunicação do PT nacional. E isso explica muita coisa, a começar pela cada vez mais baixa estatura de capacidade dos quadros do partido, até a queda política forçada pelos descaminhos que a subida ao poder impôs às questões programáticas do partido.

Neste episódio do dossiê contra o pré-candidato José Serra, Vargas apareceu com a frase que melhor define o velho estratagema petista de acusar a vítima. “Serra se comporta como aquele que bate a carteira e sai gritando: pega ladrão!”, disse Vargas.

Quando o nível do debate político é este, dá pra imaginar o que vai pelos bastidores. É bobagem achar que existe motivo para ter medo de ser feliz. Para quem se alegra em ciscar no lixo, material é que não deve faltar.

O dossiê contra Serra derrubou da campanha de Dilma o jornalista Luiz Lanzetta, mandou para casa o coordenador e amigo da candidata, Fernando Pimentel, mas os petistas insistem na tática de acusar quem teve o bolso surripiado.

O estilo é o homem. Na semana passada, tentando antecipar uma denúncia contra a TV Globo, o deputado Vargas, espalhou em sua página no Twitter o boato de que a emissora iria cancelar a divulgação dos resultados da última pesquisa do Ibope para atender o interesse de Serra.

Uma nota escrita pelo em seu Twitter: "Corre o boato que a GLOBO vai cancelar a divulgação do IBOPE.Será que o resultado realmente foi desfavorável ao Serra?"

Depois que a TV Globo divulgou a pesquisa em seu noticiário, Vargas apagou as todas mensagens com referência ao assunto.

É a falsificação do Twitter. E o que pode parecer um detalhe, na verdade é bastante relevante. Se for seguido o exemplo do deputado petista, esta nova ferramenta de comunicação vai à falência. O Twitter exige que haja um respeito às mensagens postadas. Esse tipo de manipulação quebraria a base mais significativa do sucesso deste novo meio: a credibilidade. Não deixa de ser parecido com o que tem sido feito com a política.
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POR José Pires

Uma coisa leva à outra

A imprensa tem feito uma má cobertura dessa eleição, que começou antecipadamente e de forma ilegal, por força de ações políticas do próprio PT e do presidente Lula, com um uso da máquina pública como nunca se viu neste país. Os jornalistas deviam ir atrás de outras pistas, além das que o PT solta para desviar a atenção de problemas reais.

Deviam ser seguidas também as pegadas de políticos emergentes, como o deputado Vargas e tantos outros. A ascenção abrupta de um André Vargas, do baixo clero à escala mais alta do poder partidário e eleitoral, explica o destino do PT na mesma medida da queda de outros políticos de seu partido.

Alguns, como Fernando Gabeira, saíram faz tempo pelo fato de não gostarem de ciscar no lixo. Outros foram ao pó abatidos pelas rasteiras internas e desacertos com os rumos impostos no partido e no governo pelo poder central. É o caso de Patrus Ananias, que foi durante sete anos responsável por um dos ministérios mais importantes de Lula, o do Desenvolvimento Social, a pasta do Bolsa Família.

Patrus Ananias vem sendo aplastrado desde sua saída de um ministério da mais alta importância política e a imprensa parece nem tomar conhecimento. Seu trabalho político de tantos anos foi para lixo na política de Minas Gerais.Este tipo de lixo também faz a alegria de certos pintinhos petistas. Na política mineira, o PT local virou moeda de troca no amplo comércio eleitoral para eleger Dilma.

Que a imprensa não aprofunde a cobertura dessas eleições, indo atrás desse e de outros casos, explica não só o sucesso do lulo-petismo (em eleitores) como também o insucesso da imprensa (em queda de leitores).
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POR José Pires