segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Economizando dinheiro público

Jornal mostrando serviço é coisa boa de ver. Só corrupto e petista no poder não gostam de imprensa que investiga, denuncia e cobra explicações. Os corruptos nunca gostaram, já os petistas só gostam quando estão na oposição.

E, se ninguém vai preso neste país, a Folha de S. Paulo comprova na edição de hoje que jornalismo bem feito pode, ao menos, economizar uns cobres para os cofres públicos.

O jornal fez uma matéria denunciando que o reitor UnB (Universidade de Brasília), Timothy Mulholland − ele mesmo, o paladino das cotas raciais que tinha cotas muito especiais para gastar − recebeu diária de R$ 3.953,06 para ir a um congresso ao qual não compareceu. O reitor recebeu essa grana de uma fundação mantenedora da UnB e recebeu também outra diária de R$ 550,63, esta paga pela secretaria de Educação Superior do MEC.

O dinheiro acabou sendo devolvido quando souberam que o caso estava para ser noticiado. A devolução foi feita no mesmo dia em que os jornalistas questionaram os gastos, mas duas semanas depois do pagamento.

Bem, jornalismo serve ao menos para isso: os cofres públicos foram poupados de R$4.503,69 de prejuízo. Ou alguém acredita que esse dinheiro iria sair do bolso do reitor se a Folha não estivesse atrás do assunto?
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POR José Pires

Agenda

Na agenda de Lula: hoje, às 9h30, teve uma “Reunião de coordenação”. Não seria mais apropriado “reunião de descoordenação”?
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POR José Pires

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Eppur si muove! Alguém do PT reconhece o mensalão

Finalmente um dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores reconheceu aquilo que todo o Brasil sabe que existiu: o mensalão. O deputado José Eduardo Cardozo, agora na secretaria-geral do partido, disse o seguinte em entrevista para a revista Veja desta semana: “Vou ser claro: teve pagamento ilegal de recursos para políticos aliados? Teve. Ponto final. É ilegal? É. É indiscutível? É. Nós não podemos esconder esse fato da sociedade e temos de punir quem praticou esses atos e aprender com os erros”.

No PT, reconhecer a existência do mensalão é algo como dizer que a Terra não é o centro do universo. Agora o deputado Cardozo tem que tomar o máximo cuidado para não ir para a fogueira.
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POR José Pires

Atriz gorda e Preta Gil: aparece cada coisa

Em relação a certos dissabores da vida a melhor reação é nada fazer. Não, este não é um texto sobre o Zen. É sobre a internet. Na rede mundial de computadores, reagir para conter certos abusos pode ter o efeito inverso.

Alguém devia ter ensinado isso para a cantora Preta Gil. Fizeram com ela uma patifaria usando um recurso bem comum com o Google, o conhecido sistema de busca. Foi feita uma associação entre o nome dela e as palavras “atriz” e “gorda”.

O internauta que for até o Google, clicar em “Imagens” e teclar “atriz gorda” verá aparecer, além de uma dezena de imagens (entre elas, estranhamente, de Geraldine Chaplin, uma da atrizes mais magras do cinema) verá também, como sugestão de busca, a frase “Experimente também: Preta Gil”.

Isso é coisa conhecida na internet. É um truque que faz a relação entre duas palavras para forçar a entrada de determinado assunto no resultado da busca. É usado como crítica política ou apenas como gozação. O presidente Lula e George W. Bush, por exemplo, já foram alvos. É tão usado que até ganhou nome: "Google bomb". E de tão deteriorado pelo uso acabou ficando chato.

Acontece que Preta Gil ficou muito brava e colocou um advogado na parada. E ameaça processar o Google por causa da brincadeira, que aparentemente começou no Kibe Louco, um site que faz piada com todo mundo − um pouco mais com a Preta Gil, de quem pega muito no pé, muitas vezes com piadas grosseiras sobre sua obesidade. O site só não faz piada com Luciano Huck, provavelmente porque Antonio Tabet, responsável pela página, é empregado do bizarro apresentador da TV Globo.

Bem, mas eu dizia que para lidar com esse tipo de caso na internet a melhor reação é ignorar. A própria velocidade do meio se incumbe de sepultar a piada. Mas a Preta Gil resolveu fazer um escarcéu e até eu − um dos blogueiros mais sérios de toda a WEB − estou escrevendo sobre o caso. E fiquei sabendo da coisa depois que ela resolveu brigar. E o pior resultado de sua reação é que agora, quando se escreve “atriz gorda” em qualquer site de busca, surge o assunto que sua reação tornou muitíssimo famoso: o da Preta Gil e a “atriz gorda”.
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POR José Pires

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Uma receita revolucionária petista


Alguém já ouviu falar de molho de tomate industrializado com ervilha? É uma novidade petista, uma revolucionária receita criada no adentrar do século 21, lá no ano 2000, e aplicada na prefeitura de Ribeirão Preto, administrada então por Antonio Palocci.

O Ministério Público Estadual é que definiu bem a receita petista. “Uma forma quase mágica de direcionamento de licitação”, conforme ação protocolada na Vara da Fazenda Pública do Fórum de Ribeirão contra Palocci, que é acusado de favorecer um grupo de empresários contratados sem licitação pela prefeitura de Ribeirão Preto, dirigida por ele entre 2000 e 2002. Palocci saiu no meio do mandato para coordenar a campanha de Lula e depois vieram as farras na mansão de Brasília, o rompimento do sigilo do caseiro, o mensalão, os cartões corporativos e tanta coisa mais que fazem o molho do Palocci um caso até menor entre as maracutaias petistas.

Mas o Ministério Público trouxe agora essa precursora fraude para exame dos tribunais. É claro que a mágica essencial da receita do molho de tomate com ervilha é o fato de que poucos fabricavam o insólito produto. E adivinha quem é que fabricava?

A promotoria calcula um prejuízo de R$ 2,19 milhões aos cofres municipais de Ribeirão Preto, em valor não corrigido, e afirma que outras prefeituras, a maioria administradas por prefeitos do PT, experimentaram a receita revolucionária. E com razão. Afinal, o PT não surgiu para fazer uma revolução na política? Pois começaram pela culinária.
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POR José Pires

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Fenômenos



As notícias do dia comprovam: de Ronaldo pode esperar, que vem contusão. Do governo Lula, espere sempre confusão.
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POR José Pires

Notas frias na comitiva de Lula

E o TCU detectou 27 notas fiscais frias na prestação de contas de cartões corporativos para a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Ponta Porã (MS), em março de 2003, onde participou da inauguração de um assentamento de sem-terra.

E mais: para a viagem, o Planalto liberou pelo menos R$ 206 mil para a locação de carros, mas o dono da empresa que prestou o serviço disse ter cobrado apenas R$ 40 mil. É menos de um quinto do valor apresentado nas notas da prestação de contas da Presidência.

Corre PT! Corre em busca de alguma nota fria em governos do PSDB. Menos no do Aécio Neves, é claro, pois este é chapa do presidente Lula.
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POR José Pires

Pergunta quente

Será que o Lula viu alguém dar nota fria na sua comitiva?
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POR José Pires

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Direto do bunker: Lula e os cartões corporativos

Esse vídeo vale a pena ver, recomendar para os amigos, enviar por e-mail e tudo o mais possível para que muita gente veja a performance de Lula, às escondidas em seu bunker. O ator que faz o Lula está perfeito no papel.

O ano mal começou mas este, seguramente, ficará como um dos vídeos mais engraçados deste ano no Youtube. E também um dos mais vistos.

Clique aqui para ver também. Mas corra, antes que o governo petista consiga tirar o vídeo do Youtube. Afinal, esse pessoal é bastante chegado numa censura quando a liberdade de expressão é contrária aos seus interesses.
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POR José Pires

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Ministro oficializa a inépcia do governo Lula

Veio do ministro Franklin Martins, da Comunicação Social, a mais evidente comprovação de que Lula não tem o mínimo controle administrativo sobre o que passa sob suas barbas e que dirige um governo perdido, sem controle ou até conhecimentos básicos do andamento da máquina administrativa.

Martins é um ministro especial. Além dos afazeres formais, tem um compromisso direto com a imagem de Lula. Despacha todos os dias com o presidente e fica ainda mais operoso em situação de crises.

No afã de desmontar a crise criada com a farra dos cartões corporativos, Martins enviou um e-mail a todos os ministérios com questões sobre os cartões. As treze − número casual ou coisa de marqueteiro para lembrar o partido?− perguntas do ministro esclarecem bastante sobre o caos do governo Lula. Vejam abaixo.
1 - Como é definido o montante de suprimento de fundos de cada órgão?
2 - Quem é o responsável pela gestão dos recursos destinados a pequenas despesas e gastos emergenciais?
3 - Como é feita a distribuição de recursos aos servidores responsáveis pelas compras e contratações?
4 - Quais os tipos de despesas permitidas por cada órgão?
5 - Por que são feitas retiradas em dinheiro?
6 - Como é feita a prestação de contas?
7 - Quem confere? Quem fiscaliza?
8 - Como é possível saber se a despesa realizada não foi de caráter pessoal?
9 - Como saber se o gasto foi efetivamente realizado para a finalidade alegada?
10 - Onde ficam guardados os comprovantes e notas fiscais?
11 - Por que certos gastos da Presidência da República são sigilosos?
12 - Qual o perfil dos funcionários responsáveis pelo pagamento e fiscalização dessas despesas?
13 - Por que os cartões foram distribuídos a tantos funcionários espalhados por todo o país?
Bem, Franklin Martins é um dos ministros mais próximos de Lula e, se ele teve que produzir este inédito documento oficial sobre a incompetência do governo de seu chefe, é óbvio que o próprio Lula e assessores não detém as informações administrativas necessárias para, em primeiro lugar, fazer propaganda e trabalho de contra-informação.

O documento do ministro é muito importante. A incompetência do governo Lula é notória, mas o reconhecimento oficial disso é coisa nova. Martins mostra que no sexto ano de mandato o governo Lula não sabe como funcionam os cartões, o que é muito preocupante: se nada sabem sobre um instrumento administrativo tão banal, então o que sabem da administração como um todo?

É uma pergunta que surge das treze perguntas do documento oficial sobre a incompetência de Lula, formulado pelo seu homem de comunicação. Com certeza não adianta perguntar para o Franklin Martins.
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POR José Pires

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Lula, Marcos Valério e a Granja do Torto

Diogo Mainardi faz uma pergunta interessante na Veja desta semana. Lula recebeu Marcos Valério na Granja do Torto?

O assunto foi levantado a partir da intervenção do advogado de Marcos Valério no interrogatório de Delúbio Soares há duas semanas. Uma das perguntas encaminhadas a Delúbio, insinua que ele teria acompanhado Marcos Valério numa visita à Granja do Torto.

Lula recebeu Marcos Valério? A questão é interessante. Mas não podemos esquecer que Mainardi é notório encrenqueiro, um subversivo que quer derrubar o governo Lula. Não é difícil que Valério tenha estado na Granja do Torto sem que o presidente o tenha visto. Lula pode, por exemplo, apenas ter emprestado a churrasqueira para Delúbio e o publicitário.
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POR José Pires

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Obama lá?

Sei que do ponto de vista político a distância entre o EUA e o Brasil é grande − afinal, como diz Lula, a terra do Tio Sam “fica do outro lado do Atlântico”. As dimensões históricas e econômicas tornam qualquer comparação sempre muito distorcida em razão da brutal desproporção em qualquer aspecto (a menos, é claro, quando o Lula acorda invocado e liga para o Bush), mas vejam aí como o candidato Barack Obama anima a esquerda norte-americana, a porção “petista” de lá.

No início da campanha o próprio candidato veio com a conversa de “esperança vencendo medo”, um papo que conhecemos bem. O papo é esse: Barack is hope. Dá até vontade de mandar a Regina Duarte aos EUA para explicar no que deu essa história por aqui.
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POR José Pires

Axé só com cachê

A modelo Naomi Campbell é que está certa. Foi ao carnaval de Salvador pela primeira vez. E cobrou cachê. Quem pagou foi o publicitário Nizan Guanaes, que comercializou o patrocínio da festa.

Além de ser paga, Naomi Campbell teve seguranças e esteve apenas nos camarotes. Nada de descer à rua para pular no meio da massa.

Sabe aquela malemolência, aquele gingado, aquela cor, o charme, o ritmo e o axé? Só se for com cachê.

Está aí um bom modo de passar o carnaval na Bahia. Apesar de que, para alguns, e nisso me incluo, carnaval na Bahia nem se pagarem.
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POR José Pires

Vai um cartão aí, companheiro?



sábado, 2 de fevereiro de 2008

Igualdade já

Parafraseando o Barão de Itararé, ou distribuem o cartão corporativo − com direito, inclusive, a compras no free shop − para todos os brasileiros ou restaure-se a moralidade.
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POR José Pires

Utilidade pública


Matéria para a ex-ministra Matilde Ribeiro ler no final de semana, aqui. Tudo bem, é texto de revista velha, mas sempre é tempo de se aprender alguma coisa para prevenir futuros pés-na-bunda.
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POR José Pires

Mais coisa fina no cartão

Matilde Ribeiro saiu praticamente demitida (recebeu um ultimato: ou saía ou seria demitida) da Secretaria da Igualdade Racial, mas a verdade é que ainda tem muito maioral usufruindo do bom e do melhor e colocando a conta no cartão corporativo.

Descobriram mais um grande gastador. E ele gosta de comprar só em lugares chiques: loja de vinho, delicatessen, boutique de carnes e supermercados de alto padrão.

As despesas estão em nome de José Henrique Souza, assessor especial do gabinete do presidente e responsável, entre outras coisas, pelos gastos do gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No ano passado os gastos foram de R$ 114,9 mil. Além de compras no supermercado Pão de Açúcar em área nobre de Brasília, chamam a atenção as compras na Reisman Carnes, especializada em carnes importadas e exóticas, cortes especiais e frutos do mar, lugar bem caro. O cartão do assessor de Lula era só para coisa fina. Também há compras em outros lugares de gente rica de Brasília, lojas com preços altíssimos mesmo para a capital federal, onde os preços já são normalmente altos.

E essa agora, como Lula vai dizer que não sabia? Bem, ele pode dizer que era coisa tão boa que comeu e bebeu de olhos fechados.
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POR José Pires

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Igualdade? Põe no cartão

Se apenas aceitasse a demissão de seus ministros que caem em desgraça, Lula os deixaria em situação melhor do eles ficam com suas falas ou cartas após o pé-na-bunda. Primeiro porque o país inteiro sabe que nenhum deles pediu demissão. Foram demitidos. E depois, bem, depois é pela qualidade do que Lula fala ou escreve para amenizar a situação dos desgraçados.

Com a demissão da ministra Matilde Ribeiro agora há pouco, no meio da tarde, já são nove os ministros que caem metidos em escândalos. E pra ninguém dizer que não há igualdade racial no governo, dois são negros (além da atual, a ministra Benedita da Silva) e um é descendente de japonês (Luiz Gushiken).

A justificativa de Matilde Ribeiro é difícil de engolir e a carta de Lula aceitando a demissão é de doer. A ex-ministra disse que a farra no uso dos cartões foi culpa de funcionários que a orientaram mal. Segundo ela, já foram demitidos. Está certo, só por maldade alguém deixaria de dizer para a ministra que o cartão corporativo não é para o chopinho no Leblon e nem para compras no free-shop.

Na carta aceitando a demissão, Lula fala das “imensas dificuldades” para a ministra trabalhar, fruto de “séculos de preconceito”. Ele não explica o que isso tem a ver com gasto indevido, mas se o problema com o cartão da ministra é o racismo, então é só fazer uma cota especial de cartões para o ministério da Igualdade Racial. Em nome dos “séculos de preconceito” o futuro ministro pode gastar quanto quiser. E pra ter justiça histórica maior fica liberado até compras no free-shop.
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POR José Pires

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Ética na gaveta

Ética nunca foi o forte do governo Lula, mas parece que agora, como diz a rapaziada de quadrilhas menores, liberou geral. Agora só falta Lula fechar a Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Desmoralizada já está.

O caso do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já se arrasta há meses. Temos também o caso dos cartões corporativos (veja abaixo), que agora começa a dar problemas em vários ministérios. Isso sem falar no mensalão e outros casos que, se Lula não viu, muito menos a Comissão de Ética do governo. A gaveta do Planalto deve estar cheia. Além do tapete, é claro, que deve ter montes e montes de sujeira por debaixo.

Ao acumular a presidência do PDT com o exercício do cargo de ministro do Trabalho, o ministro Lupi desrespeita o código de ética criado pelo próprio governo, mas não quer sair de nenhum de nehum dos cargos. Diz que não está indo contra a ética.

Mas se Lula tem até seu filho Lulinha encalacrado em negócios suspeitos faz de conta que nada acontece, será que o ministro Lupi não tem razão? O problema ético do governo deve ser mesmo a existência Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
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POR José Pires

Ética? Põe no cartão da Igualdade

Por falar em ética, no caso dos cartões corporativos do governo Lula, que pagam até a cervejinha, e que estourou agora com certo atraso, o mais sintomático é que os gastos mais absurdos tenham sido feitos pela ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro.

A revista Veja fez um apanhado dos gastos da ministra em 2007. Vale a pena recordar, por isso fiz o resumo que publico abaixo. Mas lembrem que os números são do ano passado, antes da ministra ter seus gastos questionados.

E a gastança continua. Segundo dados do Portal da Transparência, Matilde Ribeiro já pagou este ano, com cartão corporativo, R$15 mil, sendo R$11,2 mil com o aluguel de carros. Mas vamos à farra do ano passado.
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POR José Pires


OS GASTOS DA MINISTRA DA IGUALDADE RACIAL 

126 000 reais em aluguel de carros
A maior parte dos gastos se refere a aluguel de veículos. Em 2007, a ministra gastou com isso 126.000 reais. Se decidisse alugar um Vectra, o veículo mais caro oferecido pela sua locadora habitual, a Localiza, ela gastaria 116.000 reais por ano. Então a Veja pergunta que tipo de carro a ministra aluga.

35 700 reais em hotéis e resorts
No ano passado, a ministra pagou 67 contas em hotéis – média de 5,5 contas por mês. Seu favorito é o confortável Pestana, um cinco-estrelas, na Praia de Copacabana. Ela esteve por lá 22 vezes no ano passado, ao custo total de 10.000 reais.

4 500 reais em bares, restaurantes e até padaria
No Rio de Janeiro, ela gosta do restaurante Nova Capela, famoso reduto da boemia carioca, e o bar Amarelinho, onde é servido o chope mais gelado da cidade. Em São Paulo, a ministra Matilde é assídua na padaria Bella Paulista, que fica aberta 24 horas por dia e é freqüentada pelos notívagos paulistanos.

460 reais em free shop
Questionada pela revista sobre este estranho gasto, a ministra disse que usou o cartão pago com dinheiro público "por engano" e que "o valor já foi ressarcido à União".
4 800 reais despesas diversas


171 500 reais no total

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Tem recado aí

Pelo visto política é a arte de... mandar recados. Prestem atenção nos jornais e até na televisão. Em qualquer notícia política e até mesmo na voz de comentaristas políticos aparece sempre que este ou aquele político falou isso ou fez aquilo para “mandar um recado”. Para o presidente da República, para o partido, para a Câmara ou o Senado, para o governador deste ou daquele estado e até mesmo para o prefeito de Catolé do Rocha. Tem recado pra todo mundo.

Político vive mandando recado. Por que o José Dirceu deu entrevista para a revista Piauí? Para mandar recado. O Sarney deixou de pintar o bigode? Só pode ser recado. Até o implante de cabelo do deputado cassado deve ter sido recado. E a coisa vem de longe. Quem não se lembra daquela ocasião quando o então presidente Collor apareceu sem a aliança de casamento e a imprensa dizia que era recado para alguém?

Político manda recado até quando dá depoimento para a Polícia Federal, para o Ministério Público ou até mesmo para o Supremo Tribunal Federal.

Estou falando isso porque o Delúbio Soares deu depoimento à Justiça na última quinta-feira e citou vários colegas petistas. É uma lista boa: ele citou Silvio Pereira, Valter Pomar, Joaquim Soriano, Romênio Pereira, José Genoino, Jorge Bittar, Marta Suplicy e Aloizio Mercadante, todos maiorais do PT.

E a imprensa já está dizendo que o tesoureiro do PT na época do “mensalão” está mandando um recado ao partido.

Que coisa! Esse pessoal não conhece e-mail?
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POR José Pires

domingo, 27 de janeiro de 2008

Paulo Patarra, um bravo jornalista

O jornalista Paulo Patarra morreu na segunda-feira passada, aos 73 anos, vitimado por um câncer na garganta. Patarra fumou durante 61 anos. Passou seu último ano de vida sem poder falar, depois que a doença obrigou a retirada da laringe e das cordas vocais. O cigarro é mesmo um vício terrível: horas antes da operação,em 2006, o jornalista fumou um último cigarro. Não duvido que tenha desejado uma última tragada antes de ir.

Mas Patarra era mesmo um bravo. Estava bem humorado em sua última entrevista, feita por escrito e publicada em abril do ano passado pelo ABI Online, site da associação Brasileira de Imprensa. Depois de quatro horas de entrevista − feita no hospital − escreveu nas anotações do repórter: “Falamos, não? Imagina só se eu não estivesse mudo!”.

Conheci Patarra no jornal Ex, em São Paulo, na década de 70, ele já um jornalista consagrado e eu recém-chegado em São Paulo com 16 anos e trabalhando na imprensa alternativa que fazia oposição à ditadura militar. Como criador da revista Realidade, uma as mais importantes publicações da nossa história jornalística, ele já era uma lenda nos meios jornalísticos. Pedira demissão da Editora Abril, onde tinha um bom cargo, e investiu sua indenização no jornal. Com a entrada de Patarra, o Ex teve um forte crescimento e passou a ser ainda mais visado pelos militares.

A edição com a reportagem sobre a morte do jornalista Vladmir Herzog, em outubro de 1975, colocou o jornal ainda mais no foco repressivo. O jornal, que já vinha crescendo,com a injeção do capital e do talento de Patarra saltou de 7 ou 8 mil exemplares para 30 mil e, na edição da morte de Herzog, tirou 50 mil exemplares em duas edições.

Mas o que era para se tornar a grande publicação alternativa do país acabou tendo morte prematura sob a pressão do regime militar. Vista de longe, a capa com a morte de Herzog (acima, à esquerda) pode até não parecer grande coisa. Mas para fazer aquilo era preciso muita coragem, já que o resultado podia ser tanto a prisão quanto a morte. Os aplausos para quem combate uma ditadura são sempre tardios.

Mylton Severiano da Silva, o Myltainho, um dos editores do Ex, conta que colegas do sindicato dos jornalistas de São Paulo chegaram a ir até a redação no dia do fechamento da matéria para pedir que nada fosse publicado. “Foi patético”, ele conta em uma ótima entrevista no site de Luiz Maklouf Carvalho. “Nós, implacáveis, decididos a publicar, e os colegas jurando que estavam tentando nos proteger ao pedir que não publicássemos”. Além de contar a história do Ex, Myltainho também faz um importante relato sobre nossa história política recente, com destaque para a importância de Patarra na modernização da imprensa brasileira.

Mas o jornal acabou tendo que fechar. A Polícia Federal apreendeu 50 mil exemplares de uma edição extra e, logo após, foi determinada a censura-prévia, o que impossibilitaria totalmente a feitura de um jornal como o Ex. Desse modo, a ditadura militar forçou sua falência.
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POR José Pires



A última entrevista

Trabalhei novamente com Patarra em 1978 na revista Repórter Três. A publicação durou apenas duas edições, mas marcou época na imprensa brasileira. Vocês podem ver aí ao lado, na página de apresentação da revista, parte da equipe na qual eu orgulhosamente estou incluído. Patarra está na primeira foto: como sempre, sorridente. Eu estou na última foto, jovem e cabeludo. A revista tinha uma equipe ótima. Além de Patarra como diretor de redação, alguns dos colegas de então eram: Hamilton Almeida Filho, o Haf, Mylton Severiano da Silva, o Myltainho, Narciso Kalili, Lourenço Diaféria, José Hamilton Ribeiro, Jayme Leão, Caco Barcelos e Fernando Morais.

Myltainho garante que a revista acabou por causa da censura a um cartum meu, mas acometido por uma impressionante amnésia em relação àquele período, não lembro desse episódio. O que me lembro da Repórter Três é que gostava muito da convivência com tantos mestres e ainda mais de Patarra, que era uma pessoa muito afetuosa. Então eu já tinha um pouco mais de idade, 19 anos, e, a não ser do caso do cartum censurado, lembro de tudo o mais; recordo que além de coragem e talento, nele se destacava uma imensa generosidade.

Lembro do miúdo Patarra ocupando todos os espaços: falante, criativo, corajoso. Uma pessoa estimulante, o colega que queremos como amigo. Myltainho, que o conheceu mais do que eu, tem uma definição ótima para ele: "um sujeito elétrico, de um bom senso afiadíssimo, peitudo apesar do físico esquelético".

Leiam sua última entrevista para a ABI, clicando aqui. Até o final Paulo Patarra, estava mesmo “falando” muito. Em quantidade e qualidade.
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POR José Pires