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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Meta a mãozinha
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José Pires
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Sem marolinhas
A crise financeira já está fazendo o Japão passar por um aperto sério. Ontem o governo japonês divulgou que no trimestre de julho a setembro a atividade econômica apresentou retração de 0,4% em relação ao mesmo período de 2007.A economia japonesa entra oficialmente em recessão e por lá não tem conversa de palanque eleitoral. Nada de fazer marolas, as autoridades falam com clareza. "Estamos em uma fase recessiva. Como a situação global deve desacelerar por um bom tempo, outras quedas são esperadas", afirmou o ministro de Finanças, Kaoru Yosano.
Ah, sim, e o efeito da recessão japonesa já atravessou o oceano Atlântico, depois de passar pelo Pacífico e o Índico, claro, e botou a Bovespa pra baixo.
Veja lá em cima uma imagem que também nada tem a ver com marolinhas. É uma das mais conhecidas imagens da história da arte, “A Grande Onda”, de Katsushika Hokusai (1760-1849), desenhista e gravurista japonês que teve forte influência na arte moderna ocidental. Clicando na imagem, você poderá apreciá-la com mais detalhes.
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Investigando o investigador
Bem, então por que a cerrada marcação em cima do delegado Protógenes Queiroz? O minucioso exame do ministério da Justiça, da própria Polícia Federal e também da imprensa sem cima dos métodos investigativos da Operação Satiagraha são de deixar qualquer um com centenas de pulgas atrás da orelha. Nunca houve nenhuma preocupação com os métodos da PF ou de qualquer outra polícia, então por que tanto zelo exatamente com esta investigação?
A explicação sobre esta singular preocupação do governo com a lisura de uma investigação da PF pode estar nos alvos atingidos pela Operação Satiagraha. Os documentos apreendidos na operação indicam a existência de um esquema que movimentava R$ 18 milhões apenas em propinas para políticos, juizes e jornalistas. É bastante dinheiro e também muita gente para se preocupar com o rigor da lei em uma investigação policial.
É parecido com a preocupação com uso de algemas quando bacanas começaram a aparecer algemados nas fotos e lembra bastante também a ocupação de ministro de Lula com a questão histórica da tortura a prisioneiros políticos e o descaso com a tortura cotidiana em nossas delegacias de polícia. O ministro da Justiça Tarso Genro, afinal, não devia cuidar disso?
Não podemos esquecer também que as investigações do delegado Protógenes e seus comandados atingiram Lulinha, o filho pródigo do presidente Lula, e chegaram até a ante-sala do presidente, com o grampeamento e vazamento das conversas de seu secretário e amigo pessoal, Gilberto Carvalho, que lançam fortes suspeitas de tráfico de influência por aquele lado do Planalto. A Satiagraha atrapalha também um negócio pelo qual Lula mostra grande interesse: a venda da Brasil Telecom para a OI.
Desse jeito, os métodos investigativos usados na Operação Satiagraha tinham mesmo que ser condenados. Principalmente porque deram certo.
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Olha a conta
Só no câmbio foram R$ 106 bilhões pela cotação do dólar de sexta-feira. Está fora desta conta os R$ 56 bilhões de depósitos compulsórios dos grandes bancos, recursos bloqueados pelo Banco Central que foram liberados para incentivar a compra de carteiras de crédito de bancos pequenos e médios.
A “marolinha” está ficando cada vez mais cara.
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A crise da boca pra fora
Falando em contas, o jornalista Augusto Nunes juntou as falas de Lula desde o início da crise, quando o petista tratava a crise com sua retórica de palanque. Nunes fez uma compilação desde a primeira declaração, em 27 de março, quando, em uma de suas costumeiras confusões, desta vez com a geografia, mandou um recado ao presidente norte-americano: “Bush, meu filho, resolve o problema da crise, porque não vou deixar que ela atravesse o Atlântico".
Vejam que interessante o histórico do nosso presidente (ele é... fazer o quê, não?) encarando a crise com sua verborragia.
Setembro, 17
"Que crise? Pergunta pro Bush"
Setembro, 18
"O Brasil vive um momento mágico"
Setembro, 22
"Até agora, graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico"
Setembro, 29
"O Brasil, se tiver que passar por um aperto, será muito pequeno"
Setembro, 30
"A crise é tão séria e profunda que nem sabemos o tamanho. Talvez seja a maior na História mundial"
Outubro, 4
"Lá, a crise é um tsunami. Aqui, se chegar, vai ser uma marolinha, que não dá nem para esquiar"
Outubro, 5
"Queremos que esse tema da crise mundial seja levado ao Congresso"
Novembro, 8
“Ninguém está a salvo, todos os países serão atingidos pela crise"
Novembro, 10
“Toda crise tem solução. A única que eu pensei que não tivesse jeito era a crise do Corinthians"
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Lula aconselha o papa
É que Lula anda de novo se metendo nas coisas da Igreja Católica. Na época em que levou o pito, o presidente estava tratando o enclave que elegeu Bento XVI como se fosse uma convenção de seu partido. Ele dizia então que o próximo papa podia ser brasileiro e até arriscava um palpite sobre o nome ideal, evidentemente candidato dele: o arcebispo brasileiro Luciano Mendes de Almeida.
O mais bizarro é que Lula fazia “boca de urna” junto à imprensa para a eleição do papa na viagem para os funerais de João Paulo II. Ele foi para Roma de avião particular, seu Aerolula, com uma imensa comitiva e despejando suas inconveniências durante a viagem.
Pois ele continua se metendo nos assuntos da Igreja Católica. Agora está dando conselhos a Bento XVI. Ele esteve em audiência com o papa nesta quinta-feira e saiu dizendo que pediu a ele que fale da crise econômica: “Eu pedi ao papa que nos seus pronunciamentos ele fale da crise econômica, pois, se todo o domingo o papa der um 'conselhozinho', quem sabe a gente encontra mais facilidade para resolver o problema".
Desse modo, a responsabilidade internacional do nosso presidente – é... o que se há de fazer...− vai crescendo gradativamente. Já deu conselhos para Barack Obama, agora indica ao papa Bento XVI o tema para seus pronunciamentos. E para não desperdiçar os conhecimentos dessa sumidade em assuntos internacionais, O Itamaraty tem que apressar-se para, antes do final do mandato petista, arranjar um jeito de Lula dar uma passada no Oriente Médio para resolver os probleminhas que eles têm por lá.
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Presidente sabe-tudo
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Na biblioteca
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Elementar, meu caro Watson
A profusão de supostas ilegalidades que a imprensa vem publicando sobre a Operação Satiagraha, comandada pelo delegado Protógenes Queiroz, o investigador investigado da Policia Federal levanta uma indagação de sherlock para aqueles que jamais acreditariam que a culpa é do mordomo: mas somente delegado Protógenes e apenas na Operação Satiagraha é que teriam sido cometidas tais ilegalidades?
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O analista de Obama
Parece que Lula chamou para si a responsabilidade da análise sobre os significados da vitória do democrata e também da personalidade do presidente eleito. Não pára de falar sobre o assunto: virou o analista do Obama.
Lá na Itália, Lula disse que o seguinte: “Se Obama fracassar, a frustração será tão grande, que serão necessários muitos séculos para que um negro seja de novo eleito presidente dos Estados Unidos".
Bem, isso é serviço para a assessoria. Alguém podia explicar para o Lula que Obama não se elegeu porque é negro. Nem é preciso aprofundar muito, analisando, por exemplo com ele o significado do verbo “fracassar” − fracassar em quê e para quem, cara-pálida? −, basta esclarecer que não é por ser negro que Obama foi colocado na Casa Branca.
E depois que ele já estiver totalmente convencido, podiam também explicar-lhe outra coisa muito importante, um esclarecimento já com um certo atraso, coisa de mais de seis anos, mas , enfim, sempre é tempo para esse tipo de revelação: ele, Lula, também não foi eleito pelo fato de ser ex-metalúrgico.
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Enfim uma fala honesta sobre a Lei de Anistia
Ontem, em entrevista à rádio Eldorado, o ex-preso político se colocou contra a posição de Tarso Genro, que ele acusa inclusive de estar usando o tema para se fortalecer junto a determinadas forças do PT que podem ajudá-lo a ser o candidato do partido à presidência da República em 2010.
Paulo de Tarso foi guerrilheiro da Ação Libertadora Nacional, a ALN de Carlos Marighela, e participou da ação mais marcante da guerrilha urbana brasileira, o seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick em setembro de 1969.
Ele acabou sendo preso, torturado, sendo depois um dos anistiados. Mais que isso, ele foi também um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e o primeiro militante do partido a perceber os descaminhos que levariam aos vários atos de corrupção de petistas tanto em prefeituras quanto no governo federal.
Venceslau participou das primeiras administrações petistas no final da década de 80 e na primeira metade da década de 90, em cidades expressivas como Campinas e São José dos Campos, e ali percebeu que lideranças tramavam no PT um desvio radical em sua proposta de ser um partido ético.
Na prefeitura de São José dos Campos, da prefeita Angela Guadganin (que depois viria a ficar famosa como a deputada dançarina do mensalão), atuou como Secretário de Finanças por indicação de José Dirceu e Aloizio Mercadante. Foi então que apareceu a Consultoria para Empresas e Municípios, a notória CPEM. À frente da empresa estava o não menos notório compadre de Lula, Roberto Teixeira.
Paulo de Tarso impediu negociatas da CPEM em São José dos Campos e denunciou à Lula e à direção do partido o que andava acontecendo não só naquela cidade, mas também em outras administrações petistas, com um grupo do qual participava também Paulo Okamoto, outro compadre de Lula.
Em 1995 Paulo de Tarso mandou uma carta com as denúncias à Lula, que então era presidente do PT. O partido fez uma comissão interna para a apuração do caso, que acabou concluindo que Paulo de Tarso tinha razão, mas evidentemente nada de prático foi encaminhado, pois ali estava começando a trajetória de enriquecimento ilícito de várias ligadas ao PT e a inserção do partido nas velhas práticas políticas com o objetivo exclusivo de abocanhar o poder.
Essa vivência no PT é um elemento que dá ainda mais autoridade para Paulo de Tarso entrar na discussão sobre a revisão da Lei de Anistia, afinal essa questão inoportuna vem do próprio partido. O ex-guerrilheiro é contra a proposta e até alerta que o ministro da Justiça, Tarso Genro, estimula esse debate visando na verdade se fortalecer internamente junto aos setores mais de esquerda do PT, com o objetivo de ser o candidato à presidente da República pelo partido.
Paulo de Tarso traz também uma importante autocrítica sobre o papel da luta armada, com uma ressalva muito rara em manifestações da esquerda sobre este período da história brasileira. Ele diz que os erros vieram tanto do lado da repressão política quanto da esquerda armada. E que a esquerda lutava, na verdade, para a implantação de outro tipo de ditadura no país.
É algo bastante simples, mas que deve ser sempre reafirmado para deixar bem claro o papel dessas pessoas em nossa história: todas aquelas organizações armadas lutavam contra o regime militar não pela defesa da democracia, mas para a implantação de outro tipo de autoritarismo.
Cada organização tinha sua tendência – maoísta, stalinista, trotsquista, ou qualquer outra −, mas todas com uma meta em comum, que era o estabelecimento no Brasil de algum tipo de ditadura comunista.
Vale à pena ouvir as argumentações de Paulo de Tarso em sua própria voz, no importante depoimento histórico colhido pela rádio Eldorado. Para isso, clique aqui.
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A carta denunciando corrupção no PT
Simbolicamente o desvio ético do partido até pode ser vinculado à eleição de Lula para presidente da República, pois foi a traição manifestada de forma nacional para todos os brasileiros, mas o processo vinha sendo maquinado por Lula e seus aliados desde o início da década de 90, já no início da formação do partido.
A carta tem outra utilidade histórica imensa, que é a de não permitir que Lula se safe com a velha lengalenga de que estava distraído. Com a denúncia documentada, não há como ele dizer que de nada sabia. E como trata-se de um documento difícil de ser encontrado na internet, estou publicando-o no arquivo do blog, que você pode acessar clicando aqui.
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O negro que perdeu
Muita gente pensa que Barack Obama foi o único candidato negro à presidência dos Estados Unidos este ano. Pois não foi. Esta eleição teve 21 candidatos, (que você pode ver aqui), mas por uma deformação da democracia norteamericana apenas dois aparecem na mídia. Já falei neste blog da candidata negra Cynthia McKinney, do Partido Verde de lá, mas também teve outro negro disputando esta eleição. É Alan L. Keys, do Partido Americano Independente.É evidentemente um partideco norte-americano e não sei qual foi a votação do candidato, que deve ter sido bem baixa. Mas o candidato é negro. Aliás, bem mais negro que Obama, como comprova a foto ao lado. Pode até ser mais capacitado que Obama, uma probabilidade assegurada em exemplos de vários países, inclusive o nosso, pois nem sempre é o melhor que vence.
Porém, como não foi lançado por um dos grandes partidos (a democracia dos Estados Unidos só tem dois nesta situação) e nem faz parte do establishment, a candidatura de Keys não teve da parte esquerda brasileira a animação que se viu com Obama.
Entre Obama e Keys está uma diferença muito mais marcante que a cor da pele: é aquela entre o candidato vitorioso e o derrotado. O candidato negro do Partido Americano Independente perdeu a eleição e sequer teve um telefonema de consolo de Lula.
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Agora vai
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terça-feira, 11 de novembro de 2008
Outro McCain no limbo
O pai dela perdeu a eleição no dia 6, o último post é do dia 7. E o McCainblogette é mais um blog fantasma na internet, pois a filha do candidato republicano fez igualzinho essas moças que abrem blog para chorar suas dores-de-cotovelo e logo arrumam um namorado: parou de postar e foi cuidar da vida.
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Marta não larga do pé
Mas, se é Martaxa, a petista é também Marchata. Pois até agora ela está tentando ganhar a eleição em São Paulo. Derrotada por Kassab, a ex-prefeita quer que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) casse a candidatura do adversário.
A alegação é de que na confecção de uma revista de propaganda, “Um Olhar Sobre São Paulo”, teria sido usado dinheiro público.
Para petista, democracia é assim. Quando o PT vence, a eleição foi democrática, transparente, de uma lisura irrepreensível. Mas quando eles perdem, bem, aí então a eleição tem que ter um terceiro turno.
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Presidente viajado
Lembra quando os petistas viviam fazendo crítica e até gozações com o número de viagens do então presidente Fernando Henrique Cardoso? Foi no tempo em que o PT era oposição. Lembram? Pois esqueçam.
O ano ainda não terminou e o presidente Lula (sim, ele é presidente, que coisa, não?) já passou 62 dois dias fora do país, em 21 viagens por 25 países. Contando as viagens nacionais, ele passou 132 dias fora do Palácio do Planalto. Bem, não é a toa que o trabalho não anda.
E ele tem agendadas três viagens agendas para o exterior. Tem a ida para a Itália e aos Estados Unidos, que acontece nesta semana, e também para a Venezuela em novembro.
A soma das viagens de Lula saiu em O Globo. O jornal comenta que o presidente FHC, que era criticado pelos petistas como um presidente que viajava demais, tem como recorde 13 viagens internacionais em 2000, no segundo ano de seu segundo mandado.
Lula não pára na sala de trabalho.
Quando o PT perdeu a eleição para Fernando Collor, o partido fez o tal “governo paralelo”. Pois, pode-se dizer que agora o PT tem um governo itinerante. Lula faz em média duas viagens semanais por semana. E evidentemente quando tem eleição ele só passa por Brasília para... para que será mesmo?
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008
O precursor de Obama
Em declarações públicas Lula vem fazendo analogia entre a vitória do democrata nos Estados Unidos e sua eleição aqui, em 2002. Lula disse que torcia pela eleição de Obama, o que não é nenhuma novidade. Nova é a teoria dele, de que a vitória de Obama “começou na América do Sul”, com ele, Lula, claro.
Para embasar sua análise Lula citou a eleição de Tabaré Vázquez, no Uruguai, de Evo Morales, na Bolívia, e de Fernado Lugo, no Paraguai. A cadeia de vitórias que acabou dando na de Obama, começou teria iniciado com a dele aqui no Brasil. É óbvio que ele não explicou qual é o elemento que liga esta cadeia e, principalmente, de que modo esta interação teria propulsionado a ascensão e eleição do candidato democrata. Um detalhe que chama a atenção é a falta de Hugo Chávez nesta corrente revolucionária.
Mas tirando o esquecimento, não há como não ficar curioso para saber qual é a liga entre essas vitórias. Serão todos esquerdistas, sendo Obama a conclusão desta revolução política inciaciada com Lula? Alguém devia contar isso para o presidente eleito.
Pena que Obama até agora não ligou para o Lula. Depois de eleito, ele falou com 10 chefes de Estado, sendo que da América Latina foi apenas com o presidente do México. O telefone vermelho do Palácio do Planalto até agora não tilintou.
Pois Lula devia se invocar e telefonar para o Obama para explanar sua interessante teoria. O presidente eleito deve estar com tantas preocupações que até pode lhe fazer bem uma folgazinha na agenda para dar umas boas risadas.
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Nossos caros políticos
Estamos sempre sabendo de novos custos, aumentos de verba para isso e para aquilo, além, claro, de aumentos em surdina que só saem publicados em poucos jornais.
Agora temos aumentos na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Os deputados distritais de Brasília, que já contavam com a maior verba para a contratação de assessores pessoais, pretendem aprovar até o final do ano um aumento que totalizará R$ 111 mil por mês para gastos com pessoal, escritório político, transporte e publicidade. A verba para o óleo de peroba facial deve estar incluída.
Esse negócio aí de “escritório pessoal” é a piada repetida daquela justificativa dos deputados federais para terem uma verba de manutenção de “escritório pessoal” em seus estados de origem. Mas os deputados distritais de Brasília têm ali mesmo na cidade suas bases, então como é que fica? Do mesmo jeito: sem nenhuma vergonha na cara.
O custo dos deputados de Brasília é alto, mas o restante não fica muito atrás. Vamos a alguns exemplos.
Na Assembléia Legislativa do Rio, a notória Alerj, cada deputado tem direito a 20 cargos comissionados de gabinete, com salários entre R$ 3,7 mil e R$ 5,7 mil. O gasto por lá fica perto de R$ 80 mil mensais.
Já na Assembléia Legislativa de São Paulo o custo mensal em 2007 foi estimado em R$ 73 mil mensais. Por que em 2007? Ora, também seria demais que o contribuinte querer que os gastos fossem transparentes e a imprensa (tirei esses números de O Globo) recebesse, mês a mês, o total de gastos do Legislativo.
Toda vez que faz seus relatórios sobre custos na administração pública, a Transparência Brasil, lembra que várias Assembléias sequer disponibilizam seus gastos na internet. E não são apenas os legislativos dos chamados grotões do país que agem assim. A Assembléia Legislativa do Paraná, por exemplo, é uma das menos transparentes.
O fato é que os políticos estão nos custando cada vez mais. É muito dinheiro por um produto que, como todos sabem, não é lá grande coisa. E é também por causa deste alto preço que a democracia é cada vez menos valorizada pelos brasileiros.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Jabor arruma pra cabeça
Aqui a torcida de alguns colunistas era evidente. Arnaldo Jabor, por exemplo, era “obamista” desde criancinha. Obama deve ter algum projeto de redenção da humanidade, bem definidor dos rumos do planeta e que logo deve vir a público. O mundo logo vai saber disso, mas Jabor já o conhece na íntegra. Só isso pode explicar tamanha paixão do colunista por Obama, além do ódio, claro, por John Mccain.
Tamanho ardor evidentemente acabou fazendo com que o colunista fizesse uma besteira sem tamanho. Escrever com paixão não é defeito nenhum, mas no momento da edição ou da publicação é preciso ter equilíbrio.
E parece que faltou isso a Jabor, que acabou dando uma de jeca texano agora no final da eleição. Esta imagem é inversa ao pretenso posicionamento do colunista, sei disso. Ele posa de avançado, como se fosse um audaz demolidor de conceitos e preconceitos. Não é o que penso dele, mas esta imagem tem dado certo. E hoje ele é um dos mais bem pagos palestrantes do país com seu perfil de cronista de auto-ajuda. Avançadinho, mas de auto-ajuda.
Mas voltemos ao jeca texano. Isso fica por conta da grosseria do artigo de Jabor publicado hoje em O Globo e que já corre pela internet.
É um texto com loas à Obama e agressivos ataques ao candidato republicano, chamando-o inclusive de (estranha desqualificação) “velho”, e “caído”. Mas o problema é outro: nele, o colunista afirma que Sarah Palin, a vice do republicano, é a “boceta de Pandora” final para o mundo. O texto tem o título de "Vai dar Obama na cabeça". Pois com ele Jabor arrumou pra cabeça.
Com esse negócio de "boceta de Pandora" ele entrou pelo cano, mas já chego lá. Antes vamos falar dessa permissividade que existe na mídia, na internet principlamente, onde contra Mccain vale tudo e contra Obama qualquer crítica um pouco mais rigorosa é taxada logo como racismo.
É uma perversa inversão cometida pelo politicamente correto e muito conhecida por aqui, onde já sofremos bastante este tipo de manipulação. Mas aí está uma ironia boa: é exatamente o politicamente correto que agora complica a vida de Jabor. Seu texto é preconceituoso e marcadamente misógino. Desde que foi indicada como vice na chapa republicana, Sarah Palin vem sendo usada por ele como caixa de pancada. Até aqui tem até parecido engraçado para muitos leitores. Mas s paixão “obamista” de Jabor acabou levando a este deslize fatal. O texto pode ter desdobramentos péssimos para ele. Veremos.
Leiam o trecho que pega pesado com Sarah Palin: “McCain luta por sua fama. Como está velho, caído, finge uma desenvoltura de caubói ligeiro que não cola e, como teve câncer que pode voltar, pode acabar nos legando aquele pit bull de batom, a perua careta e despreparada Sarah Palin, que seria a ‘boceta de Pandora’ final para o mundo, a mulher de onde sairiam todos os males".
Já surgem defensores de Jabor buscando justificativa na acepção, digamos assim, mais erudita da palavra boceta. De fato, o termo “boceta de Pandora” é usado também para se referir à “Caixa de Pandora”, o mitológico objeto aberto por Pandora e de onde saíram todos o males, ficando apenas a esperança no fundo. No mito grego não está definido com precisão se era um vaso, um jarro, ou o que seja. Para Jabor é uma boceta, mas sua grosseria nada tem de erudição, sabemos bem disso.
Já somos suficientemente adultos para saber do que ele queria falar. Foi um jogo de palavras bem idiota. E vá lá saber onde Jabor estava com a cabeça quando resolveu desqualificar uma direitista empedernida como Sarah Palin exatamente em sua condição de mulher.
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Obama lá?
É mesmo? Obama é um intelectual, aliás, um raro exemplo de político que escreve bem e até com estilo. Lula, bem... não preciso dizer. Acho que seria difícil um negro sequer tornar-se candidato nos Estados Unidos usando como qualificativo o fato de não ter diploma universitário. E essa é apenas uma das qualidades que colocam aquele país acima (e até em cima) do Brasil.
Já li até bobagens relacionando ao ambiente da eleição que levou Lula ao poder à frase de Obama que fala sobre a esperança vencendo o medo. Esperança e medo agora são propriedades intelectuais exclusivas do petista? E talvez até registradas. De tanto falarem que a história do Brasil começou com o PT, os petistas já começam a acreditar que o pensamento humano é baseado em frases boladas pelo filósofo maior do partido, o Duda Mendonça.
Bem, se as coisas podem ser interpretadas desse modo, então quando Obama fala em reconstruir a América “tijolo por tijolo”, com fez em seu discurso de vitória ontem à noite, teríamos a obrigação de lembrar de Chico Buarque e sua construção musical.
E também a barreira histórica que a candidatura democrata desafiou e venceu é um pouco maior do que a do operário alcançando a presidência da República. Operários não eram segregados até em ônibus públicos há cerca de quarenta anos, como aconteceu com os negros nos Estados Unidos.
Comparar Lula com Obama, penso eu, é forçar a barra, mas vamos ouvir falar bastante disso nos próximos dias, afinal a imprensa sempre teve muito espaço para preencher em papel, no rádio e na televisão. E agora tem até os outros meios, como a internet, o que exige alongar muitos assuntos com pouca ou nenhuma sustentação.
Além disso, o permanente sentido marqueteiro dos petistas deve estar em estado de felicidade máxima. Vista por este ângulo, as lideranças petistas e seus marqueteiros podem explorar muitas similaridades entre a vitória de Obama e os pretensos feitos do Supremo Apedeuta. É como procurar chifre em cabeça de cavalo, coisa que eles fazem muito e que, devido ao esforço, até encontram.
Lula e Obama, essa é a palavra de ordem que pode servir para desviar a atenção das agruras econômicas que começam a nos atingir e que certamente afetarão bastante a inflada popularidade de Lula. Mas é pouco, pois a marolinha de que Lula falou é na verdade um maremoto. Por isso, não tem golpe marqueteiro que possa esconder o tsunami que vem aí.
Mas se existe alguma semelhança entre a vitória de Obama e a de Lula é pela expectativa que envolve os dois resultados. Aqui a frustração já vem de longe. Começou já na posse de Lula. E a decepção com Obama também pode vir logo, ou melhor, deve vir logo, pois são irreais os anseios que cercam sua ascensão e que até ajudaram a impulsionar sua candidatura.
Certas esperanças em torno da presidência de Obama, de atitudes internas e até internacionais, não são factíveis. Por isso, no embalo dessas falsas expectativas deve se repetir por lá e também com os "obamistas" internacionais a mesma frustração que os brasileiros sofreram com o PT no poder.
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terça-feira, 4 de novembro de 2008
Fora da luta pela ética
Falei ontem aqui sobre o procurador-geral da União, Jefferson Carús Guedes, que precisava de um habeas-corpus para continuar sua luta contra a corrupção. Processado por fraude ao INSS, ele se diz inocente. Pois o caso acabou em demissão.
Guedes pediu exoneração do cargo e na carta enviada ao advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, ele afirma que pede demissão por não querer causar desgaste à Advocacia-Geral da União, a AGU.
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POR José Pires
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Yes, eles têm nanicos
O nanico mais destacado é Raplh Nader, independente como sempre e que, claro, está na luta. Nader ainda recebe alguma atenção da mídia norte-america, é convidado para programas de TV, dá entrevistas para jornais, mas quanto aos demais o silêncio é quase absoluto. Nader é aquele que tem o eterno agradecimento de George W. Bush, pois em 2000, colaborou para a derrota do democrata Al Gore com os 2% de votos que conquistou na Flórida.
Mas o partido de Bush também já teve seu “Ralph Nader”. Em 1992, Ross Perot deu uma mãozinha para Bill Clinton ao tirar votos do pai do Bush atual. O milionário teve 18,9% de votos e prejudicou bastante Bush pai em estados importantes.
Desta vez Perot não concorre, mas Nader está na parada, o que é sempre um risco para o Partido Democrata e uma satisfação para o Partido Republicano.
Ralph Nader, de certo modo, faz um papel semelhante ao do PT em seu nascedouro. Naqueles primeiros anos pós-ditadura o partido de Lula fazia um excelente serviço para a direita brasileira batendo firme nos democratas e poupando gente como Maluf. Em alguns lugares os petistas até tinham uma votação melhorzinha, tirando votos de candidatos melhores e mandando para o poder corruptos e capachos do regime militar.
Eram tempos do início da reconstrução da democracia e então os apaniguados do regime ainda detinham muito poder. O resultado, claro, era que gente como o Maluf tinha pelo país afora também esta vantagem – a forcinha do PT, que batia mais em quem estava do lado da defesa da democracia do que nos outros. Em um tempo em que a máquina da Ditadura Militar ainda estava bem azeitada para o uso eleitoral. Se alguém aí pensou em quinta-coluna, era mais ou menos este o papel petista.
Para não ficar apenas nesta semelhança, a eleição norte-america tem até um Psol de lá, inclusive com um nome que dá em sigla igualzinha, e também um PV. O PV deles lançou uma mulher negra, Cynthia McKinney e o Partido Socialismo e Libertação (eu falei: dá em Psol) tem uma candidata fã do Che Guevara, a latina Gloria LaRiva.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Com fusão
A fusão Itaú mais Unibanco é um problema para os publicitários. Isso vai dar em quê, Uniaú ou Itabanco? E também é problema para os sindicalistas. Em fusão de bancos, todo mundo sabe, a única coisa que diminui é emprego.
PS: Vai dar em desfalque também na conta publicitária dos dois bancos que viraram um. Ou dividem pelo meio a conta para as agências de publicidade?
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POR José Pires
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Tudo pela ética, até habeas-corpus
Alguém ainda duvida disso? Pois então vejam essa: o procurador-geral da União, Jefferson Carlos Carús Guedes, que está na coordenação de uma força-tarefa de combate à corrupção e à improbidade administrativa é réu em processo por formação de quadrilha.
A acusação é da Procuradoria da República com base em inquérito da Polícia Federal. Vem de 2004, da Operação Perseu, feita pela PF. Na época foram presos 12 auditores fiscais do INSS e empresários de Mato Grosso do Sul e outros 7 Estados, acusados de fraude na Previdência estimada em R$ 100 milhões.
Em abril a defesa de Guedes impetrou harbeas-corpus e o procurador-geral está à espera da decisão final para poder prosseguir com mais tranqüilidade sua batalha pela ética.
E a gente torce, claro, para que o habeas-corpus seja concedido. Afinal, não podemos perder ninguém na luta contra a corrupção.
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POR José Pires
Postado por
José Pires
às
18:40
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