segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Dando pitaco no país dos outros

Na segunda-feira passada Paula Oliveira disse que foi atacada em uma estação de trem próxima de Zurique. Os agressores teriam marcado com estiletes em seu corpo as letras SVP, a sigla do Partido do Povo Suiço, partido de direita e atualmente no poder na Suiça. Paula afirmou ainda que teria sofrido um aborto causado pela agressão.

A história ainda estava no começo, quando o governo Lula resolveu declarar guerra à Suiça. Pelo jeito a coisa é com a Europa, pois já arrumaram complicação com a Itália no caso Battisti e agora passaram a encarar a Suiça. Poucas horas depois de saber da notícia o ministro das Relações Exteriores já via “fortes indícios” de xenofobia no caso. Pior ainda, o governo resolveu transformar o problema em um litígio com as autoridades suíças. Amorim disse que havia no caso "uma aparência evidente de xenofobia".

É curioso como um governo com tanto desarranjos internos se esforça em dar pitacos em assuntos internos de outros países. O ministro da Justiça, Tarso Genro, fez críticas ao sistema judiciário italiano (ainda não propôs reformas, mas ele ainda chega lá) para defender o asilo brasileiro a Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua por assassinato na Itália. Lula também vive falando sobre assuntos de responsabilidade de outros governantes. Pois ele até andou dizendo como Obama deve conduzir a solução da crise nos Estados Unidos.

Pode até ser que não venha a reeleição de Lula. Mas ele pode querer ser secretário-geral da ONU. Está aí um cargo para um governante que gosta tanto de se meter com as questões de outros países.
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POR José Pires

Arrumando encrenca de graça

Foi pelo blog de Ricardo Noblat que a história de Paula Oliveira chegou primeiro ao Brasil. O pai de Paula é conhecido do jornalista e passou-lhe a notícia em primeira mão. A agressão aconteceu na noite de domingo, dia 8, e na quarta-feira seguinte, dia 11, às 15h52m, Noblat dava a notícia, publicando inclusive as fotos com as marcas feitas no corpo de Paula.

Pois à noite já era noticiado na internet o anúncio do governo brasileiro de que poderia levar o caso ao Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas. Lula e sua equipe transformavam então um caso obscuro numa discussão internacional sobre a política imigratória da Suiça, praticamente acusando os suíços de intolerância.

Nesta mesma noite, claro, o presidente da República também falava sobre o assunto. “Eu acho que nós não podemos aceitar e não podemos ficar calados diante de tamanha violência contra uma brasileira no exterior”, disse Lula, que, como sempre estava viajando, fazendo política. Desta vez estava em Recife. Falou outras coisas também, sempre em um tom acusativo.

É notório que a leitura dá até azia em Lula, mas custava buscar se informar melhor antes de se pronunciar — se é que isso seja assunto para o presidente da República — sobre algo de tamanha importância? Se tivesse o interesse, Lula poderia saber que no mesmo dia da alegada agressão os suíços haviam votado em um plebiscito para decidir sobre o acordo livre de trabalhadores na União Européia. Por 59,6% dos votos, o acordo foi confirmado.
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POR José Pires

De volta pra casa?

A informação que faltou a Lula, ou uma delas, pois ele parece saber pouco sobre o assunto, estava no mesmo post em que Noblat revelou o caso em primeira mão. Noblat fez o que deve ser feito. Um blog exige a rapidez que usou para dar a notícia. Um único reparo à sua primeira nota é o tom afirmativo do texto. Nele também não fica clara a identidade da fonte, que foi revelada pelo jornalista dois dias depois, quando o caso já começava a ficar bastante complicado para a agora suposta vítima.

A polícia suíça já havia divulgado a suspeita de que a agressão teria sido forjada. E exames de legistas e ginecologistas do Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique negavam a afirmação de que Paula teria abortado de gêmeos após a agressão. Segundo os resultados dos exames, no momento da agressão ela não estava grávida.

Só então Noblat informou que recebera a notícia do pai de Paula, Paulo Oliveira, cum conhecido seu que trabalha no gabinete do deputado Roberto Magalhães (DEM-PE). As fotos com a marca da agressão publicadas junto com a notícia foram feitas e enviandar por e-mail pelo economista suiço Marcos Trepp, namorado de Paula.

É evidente que até a notícia chegar ao blog de Ricardo Noblat e dali para toda a imprensa brasileira a polícia suíça estava investigando o caso com a máxima discrição. É de se perguntar a razão da família de Paula ter se interessado em divulgar a suposta agressão,sem esperar um resultado oficial. Mas essa é apenas uma pergunta de um caso com muitos mistérios. O mais intrigante é o sumiço do namorado de Paula, Marco Trepp. Ele desapareceu depois que o caso veio a público.

Em quatro dias o caso mudou totalmente de foco. E com certeza a ONU não terá de abrir um espaço para as acusações do governo brasileiro contra a Suiça. O Itamaraty já trabalha com a idéia de Paula Oliveira deixar a Suiça antes de um provável processo por fraude. Os jornais dizem que o pai de Paula já estaria disposto a voltar ao Brasil. Ontem a consulesa do Brasil em Zurique, Vitória Clever, recebeu uma orientação do gabinete do chanceler Celso Amorim para solucionar rapidamente a crise e reduzir as conseqüências para o Brasil.

Caso se comprove uma fraude, a menor conseqüência deve ser um pedido de desculpas. do governo brasileiro. Mas desastrosa diplomacia brasileira já causou mais um estrago na imagem do país na Europa. O governo Lula deve ter achado que o caso Battisti era pouco.
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POR José Pires

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pinto no lixo

Eis aqui uma fala muito interessante. Em minha opinião é um preceito filosófico da maioria da nossa classe política. Evidentemente poucos são tolos a ponto de sair por aí expressando isso em voz alta. Mas sempre tem um digno representante da classe para falar o que está na mente — e também no coração, porque não? — de muito político. Vai com aspas.

“O Edmar tem que enfrentar a vida. Veja meu caso. Renunciei e fui embora para minha terra e dei a volta por cima. O eleitor nem se lembra disso e hoje estou aqui, vitorioso, feliz da vida.”

Quem falou foi Severino Cavalcanti, o ex-presidente da Câmara dos Deputados que renunciou ao mandato para evitar a cassação que poderia ocorrer depois que ele foi flagrado com propina extorquida de um empresário.

O Edmar citado na fala é o deputado do castelo de conto de fadas em Minas Gerais que renunciou ao cargo de Corregedor da Câmara.

Hoje Severino Cavalcanti é prefeito da cidade pernambucana de João Alfredo, onde se elegeu com 8.632 votos. Ele conta até com o apreço pessoal do presidente Lula que o defendeu na campanha eleitoral dizendo que o deputado acusado de corrupção foi vítima da oposição.

Severino Cavalcanti está feliz da vida, ele mesmo é quem diz. E não era pra estar?
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POR José Pires

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O pé-frio do Planalto


Quem não se lembra do presidente Lula passando a mão no topete do ginasta Diego Hipólito em agosto de 2008? O sapo barbudo estava como sempre passeando, desta vez em Pequim, onde acompanhava a cerimônia de abertura dos Jogos e foi visitar os atletas na Vila Olímpica. Esteve com os atletas e fez as brincadeiras sem graça de sempre. E é claro que disse que era o primeiro presidente a visitar uma delegação na Vila Olímpica.

Bem, espera-se que seja também o último. Pois o seca-pimenteira visitou a delegação e deu no que deu. O resultado foi desastroso. Diego Hypólito, coitado, ficou perto demais do pé frio — agora sem hífen, mas ainda pé-frio. Talvez seja apenas coincidência, mas ele sofreu uma queda e ficou em sexto lugar. Era o grande favorito e teve a pior atuação da carreira.

Coincidências não existem, já dizia o suiço Carl Jung, o que qualquer benzedeira brasileira também sabe. Neste caso sou como o espanhol, yo no creo em las brujas, pero... com Lula por perto parece que a coisa pega. O caso do técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão, demitido ontem do Chelsea, traz novamente essa suspeita, mais uma, sobre o presidente da República. Felipão visitou Lula no Palácio do Planalto há menos de três meses.

Na ocasião ele ainda deu ao petista uma camisa com o nome de Frank Lampard, meio campista do Chelsea. Sinta o clima na foto acima. Hmmm... é de bater na madeira. E a imprudência de Felipão em expor ao azar o nome do maior craque do time? É pior, muito pior, que meter a canela na frente do Serginho Chulapa. Eu, se fosse esse cara, o Lampard, fazia logo um baita seguro de vida. E ficava em casa. Parava de jogar futebol. Não atravessava rua de jeito nenhum.

O técnico demitido, que evidentemente sofreu os efeitos do seca-pimenteira do Planalto, devia ligar imediatamente para avisar o Lamparf para ele não dormir de touca, ou qualquer outra expressão em inglês que explique bem a urucaba em que ele está metido.
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POR José Pires

Azarando as visitas

Mas para atestar que não é apenas coincidência o azar de atletas que estiveram com Lula, não devemos ficar apenas nos casos de Diego Hipólito ou Felipão. O assunto é esotérico, mas não vamos perder o ponto focal do blog, sempre científico, muito equilibrado. Aos fatos. No esporte a azaração de Lula sobre quem chega perto dele já está virando uma lenda. Até corre na internet uma lista de casos. Vou mostrar pra vocês.

É só visitar Lula que a coisa pega. Caso ele se anime (e ele sempre se anima!) e faça um gesto mais efusivo, umas palavras a mais, aí então é batata. Deixar ele abraçar, fazer gracinha, contar caso, pegar em camisas, troféus ou qualquer outro objeto simbólico não é coisa aconselhável. Passar a mão na cabeça, pegar no topete,nem se deve pensar nisso: é fria na certa.

Uma história impressionante é a do time do Coríntians que foi visitar Lula depois da conquista do título de Campeão Brasileiro de 2005. Evidentemente foi um descuido do departamento de urucubaca do clube. Deixaram até que ele pegasse a taça nas mãos. O deslize aconteceu em dezembro de 2005. A partir disso o Corintians entrou em uma maré de azar, nada de marolinha não, maremoto astral mesmo. Até a Polícia Federal entrou no meio, com a investigação da parceria Coríntians/MSI, a Media Sports Investment. O time perdeu os investidores e entrou numa crise financeira braba. Vários craques saíram. Até que o time caiu para a segunda divisão.

Não sou um grande conhecedor de futebol, mas nem precisa disso. Da fama de pé-frio de Lula, como se diz por aí, só a torcida inteira do Corintians sabe. Eu poderia falar sobre pessoas de outras áreas que também viveram dissabores por ficarem próximas de Lula, mas fugiria um pouco do assunto, além de que disso a torcida do Coríntians também sabe.

A fama de azarento é preocupante, pois o que o Brasil mais precisa no momento é de competência e sorte. E se Lula não tiver o segundo quesito, bem, aí estamos mesmo todos fritos.

É um azar danado. Vejam o que acontece com os que subiram ao poder com ele. José Dirceu, Gushiken, Duda Mendonça, Luiz Genoíno, e tantos outros, um número notável de gente acabou com a imagem destruída. Até simbolicamente a coisa é pesada, e aí vou dar uma de Lula e esticar o assunto. São muitos elementos ligados ao azar. Pois o número do PT não é, toc-toc-toc, 13? Tenho até medo do que pode acontecer com a língua portuguesa depois que ele assinou a reforma ortográfica. Com a energia negativa do homem, sem falar no que ele faz na Educação, logo ninguém mais usa essa joça pra nada.

Mas voltemos ao campo. Vamos à lista. Vou transcrevê-la na íntegra, exatamente do jeito que está correndo pela internet, para manter o fator documental. Até porque a noção de que Lula transmite azar é um fenômeno da cultura do esporte e não opinião do blog. A fama está pegando. E, como vocês podem conferir abaixo, motivo para isso a torcida brasileira tem de sobra.
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POR José Pires

A lista que prova que Lula dá azar

Aí está a lista que consagra Lula como o presidente da República mais pé-frio deste país. Não é pouco para uma terra na situação do Brasil. Neste caso, Lula ganha até de José Sarney. Já vi o texto publicado em diversos blogs e trechos dele em comentários de leitores e notícias referentes ao tema. Com diziam os antigos, está ipsis literis.



Lula sai pro abraço com Ronaldo e Roberto Carlos: os dois jamais se recuperaram da energia
negativa do pé-frio


1 – Guga presenteou o presidente com uma raquete e abandonou a carreira vitoriosa.

2 – Popó presenteou o presidente com um par de luvas e não ganhou de mais ninguém.

3 – O mega-star Lenny Kravitz presenteou o presidente Lula com uma guitarra e os shows começaram a rarear.

4 – Bebeto de Freitas, presidente do Botafogo, presenteou Lula com uma camisa do clube e foi eliminado - pelo Figueirense - da Copa do Brasil.

5 – Lula recebeu uma bandeira do Corinthians e o time foi para a segundona.

6 – Roberto Carlos - antes de viajar para a Alemanha com a Seleção - presenteou Lula com a camisa número seis da seleção. O Brasil foi um fiasco e Roberto Carlos também.

7 – Antes de decidir a Libertadores de 2008, o presidente do Fluminense ofereceu a camisa tricolor ao presidente Lula. Deu LDU.

8 – A poderosa Seleção Masculina de Vôlei visitou o presidente e perdeu o título da Liga Mundial.

9 – Diego Hypólito - atleta favorito nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008 - recebeu a bênção de Lula e deu no que deu: o brasileiro fazia uma apresentação quase perfeita no solo até perder o equilíbrio após o seu último salto e cair no chão.


Diego Hypólito cai com cara de espanto durante salto em Pequim:
dias antes ele havia feito uma visita ao pé-frio Lula, que até (olha o perigo!) passou a mão no topete do atleta até então favorito das Olímpiadas de 2008


10 - Paulo Odone levou a camisa do Grêmio para Lula e foi ultrapassado pelo São Paulo, que estava onze pontos atrás.

11- Fernando Carvalho entregou para Lula a camisa de campeão Mundial Fifa e só agora tenta outro título.

12 - O presidente Lula recebeu de presente em Brasília uma camisa do Coritiba, levada ao Palácio do Alvorada em 19 de junho de 2009 por uma comitiva liderada pelo ingênuo e desprevenido presidente do clube da capital paranaense. Foi na comemoração do centenário do clube. Menos de seis meses depois, no mesmo ano, o Coritiba foi rebaixado à segunda divisão do futebol brasileiro.

13 - Lula visitou a sede do Corinthians em São Paulo poucos dias antes do time disputar com o Flamengo as quartas de final das Libertadores, em 5 de maio de 2010. Esteve com os jogadores e abraçou Ronaldo, a estrela corintiana. Além da imprevidência desse contato, Lula ainda disse: "Estarei com vocês. Confiem na vitória". O Flamengo eliminou o Corinthians. Com a eliminação, o prejuízo do Corinthians foi calculado em cerca de R$ 12 milhões. A carreira de Ronaldo ficou abaladíssima com esta derrota.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Se entregando pelo telefone

Na semana passada caiu um pouco mais a máscara do senador José Sarney e, por coincidência, o que se revelou foi também um pouco mais de um lado que Sarney tem escondido com eficiência: seu caráter autoritário e violento. Uma violência dissimulada que oprime as vozes críticas em seu estado, o Maranhão, e no Amapá, um novo estado que surgiu quando ele foi presidente da República e que ele pretendia ter como um novo feudo político.

O senador Antonio Carlos Magalhães, da Bahia, era conhecido por Toninho Malvadeza porque além de fazer suas maldades ainda se expressava em público e com agressividade contra seus adversários. Sarney não. Pode até ser chamado de Sarney Malvadeza, mas não expressa sua perversidade. Suas maldades são cometidas na surdina.

Na conversa com o filho, Sarney se entrega, mostra realmente o que é. Aliás, além do peso negativo que há no tipo de conversa, na trama manipuladora que está organizando, tem também o fato de ele estar conversando com o próprio filho. Não que nos surpreenda, mas não deixar de ser terrível ver alguém exercendo esse tipo de influência paterna.

Etá provado que ele não poupa os próprios filhos, mas para a opinião pública Sarney sempre posou de democrata, buscando compor uma imagem de político conciliador e equilibrado. Não é fácil revelar o que há escondido por detrás daquele ar de velhote pacato. E mesmo com o esforço da oposição nos dois estados onde faz política e de uma parcela de profissionais decentes na mídia, Sarney ainda detém grande poder, ou "pudê", como diz.

É um político que sabe como poucos usar tanto o Legislativo quanto o Executivo para aliciar e manter apoiadores explícitos ou não, com preferência para aqueles que trabalhem para ele com discrição. Inclusive escribas de aluguel que aparentam independência. Aliás, esse é o tipo de serviço no qual um ar de independência traz até mais eficiência.

É verdade que movimentos espontâneos como o “Xô Sarney”, no Maranhão, arranharam bastante esta casca superficial de democrata, mas ainda não surgiu a estaca que Paulo Francis dizia ser o remédio para um político como ele.

A dissimulação é uma ferramenta comum na política brasileira. E Sarney tem uma habilidade ímpar no uso deste instrumento, posando às vezes até como Estadista. Já disse alguns posts abaixo que, ao contrário do deputado corregedor de Minas Gerais, Sarney tem os feudos, mas sempre tomando o cuidado de não construir nenhum castelo.

Essas gravações que surgiram mostram um pouco do castelo de Sarney. Sei que aparecem por causa da disputa pela presidência do Senado e também acho preocupante o uso que se faz de vazamentos oportunos de dados sob a guarda do Estado, mas como aqui não se faz blog com a pretensão de ditar decretos de regulação da democracia, temos que seguir os fatos.

E dentro da desordem jurídica, institucional e tantas outras bagunças brasileiras, não somos nós que vamos lamentar um vazamento que atinge alguém como Sarney. Que ele prove então um pouco do seu próprio remédio. 
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POR José Pires

Sarney pego no flagra

Mas o macaco velho foi pego com a mão na cumbuca. Foram dois vazamentos de conversas telefônicas entre Sarney e um de seus filhos gravados em escuta da Polícia Federal. Um mostra que ele conseguiu informações sigilosas sobre uma investigação sigilosa sobre negócios suspeitos de sua família. A informação teria sido passada pela Agência Brasileira de Inteligência, a notória Abin.

A outra escuta vazada reforça algo já bem conhecido: os meios de comunicação em mãos de políticos, especialmente o rádio e a televisão, são nada mais que instrumentos para a perpetuação de oligarquias locais. É assim em muitas cidades e isso só vai ser resolvido quando a solução sair das mãos dos políticos.

Mas é o caso de engolirmos uns salgadinhos chips às avessas. Em um país com funcionamento mínimo das instituições as duas gravações levariam a um processo de cassação de Sarney e a instalação de um processo de mudança total na concessão de rádio e televisão, mas acontece que num país assim Sarney não existiria e tampouco sua família teria a concessão da TV Globo no estado do Maranhão, além de rádios e o jornal diário da capital.

Então nada vai acontecer? Também não podemos pensar assim, senão só nos restaria tentar convencer a ministra Dilma Roussef (ou aquele outro revolucionário, o José Dirceu) a largar esse negócio de candidatura à presidência para montarmos uma célula revolucionária armada. As denúncias sobre Sarney acabam, no mínimo, armando um cenário menos tranquilo para essa gente. E também vai colocando sua vitória no Senado em seu devido nível, o da sarjeta mais suja, ao lado de aliados como Renan Calheiros.

A coisa anda, aos poucos como é usual no Brasil, mas pelo menos não estamos indo para trás. Não levou nem uma semana para o senador do Maranhão eleito pelo Amapá ser reconduzido à sua verdadeira condição de cacique político provinciano. Não pode mais falar como estadista, como já vinha tentando fazer na condição de presidente do Senado.

É chato para Sarney, homem de enormes pretensões, inclusive no plano literário — tão tolo em sua vaidade que até está fazendo um memorial sobre ele mesmo em São Luís —, saber que o objeto mais marcante da família ainda é a escrivaninha onde a filha Roseana e o marido Murad guardavam R$ 1,5 milhão em dinheiro vivo. Será que vão exibir a gaveta no memorial dele?
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POR José Pires

Manipulando sempre

É bem representativo da política brasileira o diálogo entre José Sarney e o filho Fernando Sarney com os dois tramando o uso de duas empresas do grupo da família — a TV Mirante, afiliada da rede Globo, e o jornal O Estado do Maranhão — contra o grupo do senador Jackson Lago (PDT). É assim que se faz política principalmente nos estados mais afastados do foco da opinião pública nacional.

Não que não seja bem parecido em São Paulo ou no Rio de Janeiro, ou mesmo em Brasília, mas é que nos grandes centros a diversidade de interesses não permite a instalação de oligarquias, como acontece no Maranhão. O poder da família Sarney vem desde a instalação da ditadura. Então imaginem sobre quanta violência se instalou o império de comunicação que domina hoje o estado.

É evidente que o grupo de Jackson Lago deve fazer cosas parecida. Devem ter também suas emissoras de rádio e televisão, seus jornais. São todos muito parecidos, mas nem por isso devemos virar as costas para esse tipo de coisa com o argumento de que “é tudo igual”.

O que aparece na conversa de Sarney com o filho é um dos pontos fundamentais do poderio dessa gente e um empecilho básico que impede qualquer transformação: o domínio da informação.

Para o azar deles, novas tecnologias vem quebrando o monopólio da informação. Não é à toa que deputados e senadores tentam todo o tempo encaixar no Congresso Nacional alguma lei mascarada como defesa da privacidade e que verdade visa o controle dessa liberdade.
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POR José Pires

Informação em proveito próprio

É bem representativo da política brasileira o diálogo entre José Sarney e o filho Fernando Sarney com os dois tramando o uso de duas empresas do grupo da família — a TV Mirante, afiliada da Rede Globo, e o jornal O Estado do Maranhão — contra o grupo do governador Jackson Lago (PDT). É assim que se faz política principalmente nos estados mais afastados do foco da opinião pública nacional.

Não que não seja muito parecido em São Paulo ou no Rio de Janeiro, ou mesmo em Brasília, mas é que nos grandes centros a diversidade de interesses não permite a instalação de oligarquias, como acontece no Maranhão. O poder da família Sarney vem desde a instalação da ditadura. Então imaginem sobre quanta violência se instalou o império de comunicação que domina hoje o estado.

É possível que o grupo de Jackson Lago faça coisas parecidas. Devem ter também suas emissoras de rádio e televisão, seus jornais, e duvido que nas redações sob seu poder seja possível fazer jornalismo com ética. No Brasil todo os políticos são muito parecidos. Mas, de qualquer modo a derrota de um grupo que esteve tanto tempo no poder sempre abre a possibilidade de transformações de qualidade, mesmo que os avanços sejam menores do que o desejado. Neste meio tempo, enquanto eles brigam e as novas forças se acomodam, sempre surgem espaços para que a sociedade civil conquiste direitos negados pela antiga oligarquia.

E o que aparece na conversa de Sarney com o filho é exatamente um dos pontos fundamentais do poderio dessa gente e um empecilho básico que impede qualquer transformação: o domínio da informação.

Mas para o azar deles, novas tecnologias vem quebrando o monopólio da informação. Não é à toa que deputados e senadores, tentam todo o tempo encaixar no Congresso Nacional alguma lei mascarada como defesa da privacidade e que verdade visa o controle dessa liberdade de expressão e de informação .
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POR José Pires

"Xô Sarney!", uma marca que pegou

O movimento “Xô Sarney!” mostrou bem a força internet para a mudança dos maus costumes na política. Tudo começou com um desenho feito pelo cartunista e publicitário Ronaldo Rony no muro de sua casa em Macapá, capital do Amapá. Mesmo em um estado de pouca expressão no uso da internet, a divulgação dessa caricatura, que de outro modo dificilmente extrapolaria os limites do muro da casa, virou primeiro um importante fato local e depois notícia nacional.

Do muro, a campanha se espalhou por toda a capital até chegar na internet por meio dos blogs. Daí, o que era local virou um tema de ampla discussão na mídia nacional. O “Xô, Sarney!” tornou-se um grande acontecimento na campanha de 2006 e uma marca na biografia do senador.

Sarney pleiteava a reeleição ao Senado e quase perdeu. Passou apertado. Mesmo usando de todos os recursos (inclusive os financeiros, claro) ficou com 152.486, contra 123.378 da adversária mais próxima, Maria Cristina do Rosário Almeida, candidata de poucos recursos financeiros e do pequeno PSB.

Para tentar calar a campanha “Xô Sarney!”, o presidente do Senado até tentou tirar do ar um blog, o que desencadeou uma campanha na internet pela liberdade de expressão. A prepotência levou também a coligação que apoiava Sarney a processar o Google para que este tirasse do ar todas as matérias supostamente contrárias à sua imagem.

É provável que a repercussão do “Xô Sarney!” tenha chegado até o Maranhão, como um estímulo na derrota de Sarney na sua terra natal. Mesmo com o apoio pessoal de Lula, que até subiu em palanques, Sarney perdeu feio.

O governador Jackson Lago, que figura como vítima de Sarney na combinação de Sarney com o filho flagrada na escuta feita pela PF, na época liderava uma coligação de partidos com um nome que parece saído de lutas anticoloniais: Frente de Libertação do Maranhão. E pelo menos de Sarney a Frente libertou o Maranhão. Com a vitória de |Lago sobre Roseana Sarney, então no PFL e hoje, pelo menso até onde se sabe, no PMDB, encerrava-se quarenta anos de dominação total dos Sarney no Maranhão.
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POR José Pires

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Conto de fadas no Congresso

A classe política já fez do Brasil uma piada. Mas sempre tem alguém que dá um jeito de aperfeiçoar. Essa do recém-eleito corregedor da Câmara dos Deputados, Edmar Moreira (DEM-MG), ter um castelo valiosíssimo escapa a qualquer regra de ficção, mesmo que publicado em livro de humor. Pareceria forçado, até inverossímil.

Mas é a pura verdade. O castelo é imenso e fica entre as montanhas do interior de Minas Gerais. Tem oito torres, 36 suítes com hidromassagem, salões para festas, sauna, piscina, lagos para pescaria e estrutura para golfe. Veja a preciosidade ao lado. É coisa que impressiona, mesmo vindo de um deputado.

Não é como o sujeito deixar de pagar os funcionários de suas empresas ou praticar falências fraudulentas, atitudes normais entre os políticos.  Se apossar de contribuições previdenciárias ao INSS descontadas dos empregados? Ah, natural também. Declarar bens irrisórios à Justiça Eleitoral, como ele fez, dizendo que tinha R$ 17,5 mil em propriedades, quando é um notório ricaço, isso também não é nenhum problema. Não dá pra se espantar com esse tipo de mixaria numa instituição onde tem gente acusada até de usar trabalho escravo. Quantos não são assim na Câmara? Conta-se nos dedos das mãos. Claro que com sobra.

Dá pra aceitar como normal até mesmo essa outra revelação sobre o deputado corregedor, de que ele foi um aferrado defensor dos deputados mensaleiros e que, mesmo na época fazendo parte do Conselho de Ética da Câmara, votou sistematicamente contra a cassação de cada um dos mensaleiros.

Normal, normal, tão corriqueiro quanto o fato de ele ter gasto no ano passado 80% da verba indenizatória para contratar segurança, sendo ele próprio dono de três empresas que oferecem serviços de segurança privada. É natural. Quem na Câmara não faz uso indevido de tudo quanto é recurso que é direito de cada parlamentar? De novo usaríamos apenas os dedos das mãos para dar os nomes.

Até aí, tudo bem. Mas ter um castelo também já é abusar da situação ficcional do Congresso Nacional. É demais mesmo entre pessoas que vivem em algo parecido com um conto de fadas. O deputado corregedor é um fenômeno: ultrapassou os limites da falta de decoro até de uma classe que todos sabem não ter limite algum.
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POR José Pires

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Amigos, amigos; negócios incluídos


José Sarney já começou com a demagogia. Alguém pode dizer “mas algum dia ele parou?”, mas digo na função de presidente do Senado. Ontem mesmo espalhou pela mídia que fará um corte de 10% nos gastos do Senado.

Bem, se o governo Sarney não tivesse inflacionado inclusive a corrupção, eu diria que isso é a comissão. Mas comissão de dez por cento no Brasil não existe nem nas câmaras de vereadores.

Dez por cento? Esses números redondos são um mistério. Por que não doze por cento? Ou catorze? Bem, vinte por cento ainda seria pouco. Um senador brasileiro custa hoje para o contribuinte três vezes mais que um parlamentar dos Estados Unidos. Então, o corte teria de ser de um terço só para igualar com a maior economia mundial.

A desfaçatez de Sarney é ainda maior, quando sabemos que ele é um dos responsáveis históricos pela gastança. As mordomias internas no Senado são a garantia de poder para essa gente. Sua eleição, que teve por detrás tipos como o senador Renan Calheiros, só para citar um elemento da malta, tem como moeda de pagamento também os privilégios internos. Um gabinete melhor, agilidade no atendimento de pedidos e, claro, as verbas infindáveis para tudo quanto é coisa, inclusive para ir direto ao bolso dos senadores. Esta é a negociação "política" dos senadores para os cargos. Na verdade, fazem lá dentro o mesmo que aqui fora.

O corte de dez por cento, ou melhor, suposto corte, é factóide. Primeiro que é pouca economia. Numa casa dissipadora do dinheiro público como o Senado, administrar com eficiência exigiria bem mais que pequenos cortes. Tem que mexer na estrutura. Além disso, resultado desta mixaria de corte, se tiver, só daria resultado e poderia ser cobrado dentro de um ano. E até lá, brasileiros e brasileiras, isso já terá entrado no rol dos assuntos engavetados na memória da mídia.

Passado o primeiro semestre deste ano, entra a eleição de 2010 na pauta. Então a classe política, e por extensão os demais brasileiros, cai no ciclo eleitoral e deixa os assuntos urgentes da Nação para uma outra ocasião.

E o Sarney, o nosso Batatinha sem a inocência do gato vadio dos desenhos animados—, está com o “pudê” para uma eleição de importância extrema, numa situação em que os problemas mundiais estão no limite; na economia, no meio ambiente e até na segurança militar do planeta.

E o Manda-Chuva do Palácio do Planalto? Depois da derrota do PT, ele já deve estar se acertando com o Batatinha. Coisa boa é que não vem por aí. Preparem os bolsos: a conta vai ser bem alta.
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POR José Pires

Sobre o "Xô Sarney!"

Me pedem que eu fale mais sobre o movimento "Xô Sarney!", que começou em um muro de Macapá e se espalhou pela internet. Foi um dos elementos que quase fez Sarney perder a eleição para senador em 2006. Mas infelzmente não foi a "estaca no coração", que o finado Paulo Francis dizia ser a solução para o caso do senador maranhense eleito pelo Amapá — uma das tantas bizarrices próprias do oportunismo sarneyzista.

Logo mais toco no assunto. Estou atolado em corrupção no momento, quando sossegar um pouco falo do "Xô Sarney!" calma, não me vendi; só estou escrevendo sobre o assunto).
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POR José Pires

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Xô azar!

José Sarney acaba de se eleger presidente do Senado. Eu, se fosse o Lula, me cuidava. O cargo é o terceiro na linha da sucessão e, bem, com o vice José de Alencar mal de saúde como está, Sarney logo pode ser o segundo. Nem pensemos nisso (bate na madeira).

Mas aí mora o perigo. Sarney dá azar. Nos estertores da ditadura militar, tudo vinha bem até ele aparecer. Deu no que deu: a construção da democracia entrou em agonia, veio a morte de Tancredo Neves, e o político esquisito que sempre servira aos milicos e que por um capricho pessoal se bandeara para a candidatura de Tancredo acabou virando presidente da República.

Foi o pior governo depois da ditadura militar. Sarney foi um desses acontecimentos que, de tempos em tempos, ocorrem para impedir que o país ande. Então, quando era a época do cultivo da ética e do planejamento, para que o país pudesse enfim colher algo de bom, cevou-se a corrupção e o desleixo administrativo. No governo, usou a administração da economia para as politicagens mais baixas. Criou planos econômicos embalados na demagogia e na manipulação da opinião pública.

O que veio depois, da roubalheira de Collor de Mello aos mensalões petistas, tudo tem sua origem nos malfeitos sarneyzistas. Para que tivéssemos algo melhor agora, era indispensável que no pós-ditadura se desse início a uma estruturação político e social de qualidade para o país, mas Sarney foi um estímulo ao que de pior existe na política.

Fala-se bastante em “década perdida”. Pois da ditadura pra cá Sarney tem se empenhado a fundo para se perca cada década. Se for para algo não ir bem, Sarney é o homem. É um desconstrutor nato.

Na presidência, ele fez as mais vergonhosas barganhas para aumentar o mandato para cinco anos. Conseguiu e foi até 1990, quando saiu do governo com a nossa economia com a maior inflação da história: 2.751%. Isso mesmo, vou repetir: 2.751%.

Depois, virou um senador esquisito, masi até que a estranha normalidade do Senado. É do Maranhão, mas foi eleito pelo Amapá. Sua família domina o Maranhão há décadas desde que, em 1965, virou governador do estado com o apoio da Ditadura Militar. O Maranhão é o segundo estado mais miserável do país, uma façanha, cá entre nós, já que no conjunto Brasil não vai nada bem.

Porém, desgastado em seu estado natal, ele teve que fazer outro para se eleger. Foi em seu governo que o Amapá saiu da condição de território para estado.

Mas mesmo no Amapá, na última eleição entrou raspando no Senado. Por pouco não perdeu a eleição. A imagem acima é de uma campanha contra sua eleição para senador que surgiu nos muros da capital, Macapá, e se espalhou pela internet. Foi a ocasião também para Sarney revelar seu perfil autoritário: processou gente, mandou fechar blogs na internet.
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POR José Pires

Estadista da boquinha

Sarney tem um poder danado junto a Lula. Forçou a nomeação do conterrâneo e apaniguado Edison Lobão (PMDB-MA) mesmo com as denúncias contra seu filho, acusado de usar laranjas em uma empresa para driblar dívidas fiscais. O filho, no caso, é do ministro Lobão. Não que Sarney não tenha problemas com os seus. Quem não se lembra dos milhões de reais que a Roseana guardava na gaveta da escrivaninha?

Para pegar uma boquinha, joga dos dois lados, três, quantos tiver que ser. Não é o serviço que importa, mas o uso do cargo. No governo de Fernando Henrique Cardoso colocou o filho Zequinha, isso mesmo, Zequinha Sarney, no ministério do Meio Ambiente. Quando foi presidente, Sarney construiu em seu estado a ferrovia Carajás-São Luís. Fez do seu jeito, sem planejamento algum, muito menos ambiental. Em ambos os lados da ferrovia, numa faixa de pelo menos vinte quilômetros, destruiu-se tudo.

Em política ele vai pra onde sopra o vento do poder. Afaga sempre a mão forte. Apoiava João Goulart, o presidente quie os militares derrubaram. E de um modo tão marcante que antes de 1964 sua mulher, Marli Sarney, chegou a assinar um manifesto de mulheres de congressistas em apoio ao presidente. Com o golpe, claro que ficou do lado dos milicos. No final, acabou indo parar no lado de Tancredo Neves e veio o azar de que falamos. Enterrou o presidente eleito e ficou com a faixa.

Ele gosta de posar de "Estadista". Agora mesmo, na campanha pela presidência do Senado, veio com a conversa de que faz isso pelo Brasil. Bem, Estadista só se for da boquinha. É só farejar um naco proveitoso de poder que ele aparece com sua "faccia" de gato vadio — não é ofensa: já repararam como Sarney é a cara do Batatinha, um dos gatos vagabundos da turma do beco do Manda-Chuva? Veja lá em cima se não tenho razão.

Agora é presidente do Senado, o que, de certo modo, é um demonstrativo do nível da Casa. Lula é bastante responsável pelo que acontece, pois com sua costumeira política de reinar sobre a divisão dos que o cercam, estimulou Sarney. E claro que também jogou dos dois lados nesta eleição. E vai ficar caro politicamente, pois agora tem que contentar os vitoriosos e conter os derrotados.

O cargo é bom, “é o pudê”, como ele costuma falar. O Senado tem um orçamento de R$ 6,2 bilhões e cerca de 20 mil funcionários. Só não é coisa de primeiro mundo porque é bem mais caro. Nossos senadores pesam no bolso do contribuinte. Em 2007, cada um de seus 81 integrantes custou cerca R$ 33 milhões, mais que o dobro da média norte-americana. É algo equivalente a 6.699 salários mínimos, ou cinco vezes mais que o gasto anual de cada deputado, de R$ 6,6 milhões.

Além disso, o presidente do Senado domina a pauta legislativa, com o poder de impugnar projetos, desempatar votações e de impedir CPIs. Mais ainda, é um cargo de visibilidade nacional e de grande influência junto à opinião pública.

É muito para um Sarney. E ainda mais agora que a crise econômica não é mais marolinha nem na cabeça do Lula. O Brasil não merece. Além de incapaz o cara ainda é azarado.

Mas agora só nos resta esperar. O Brasil entrou em mais esta furada. Não é novidade, mas  é sempre chato. Já está avisado: o cara dá azar.
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POR José Pires

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Papai, não esqueça a minha metralhadora giratória


Você já deve ter lido e ouvido em muitos lugares que educação é tudo. Então, que tal um presentão desses para o seu filho enfrentar este mundo com competitividade e espírito de vencedor? Não é barato, custa 42,99 dólares, mas veja a coisa como um investimento no futuro da criança. E você pode pedir pela internet — pode não, tem que ser pela internet; a menos que um de seus filhos seja um craque nos games como o filho do Lula e já tenha ganho seu primeiro milhãozinho de uma grande empresa.

Não espere o Natal ou o Dia da Criança. Até lá, pode ser tarde. Pense na educação do pimpolho e clique aqui.
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POR José Pires

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O 171 que virou refugiado político

O caso do italiano Cesare Battisti, o criminoso italiano que recebeu a condição de refugiado político das mãos do próprio ministro da Justiça, Tarso Genro, chega a ser engraçado. Claro que sempre dentro daquela lógica de que temos que abstrair o fato de vivermos dentro da piada, mas não tem como não rir desta burrada do governo Lula, nem a primeira, muito menos a última, mas um dos desconcertos petistas que está dando até problema internacional.

Este é o problema de um governo que joga para várias platéias ao mesmo tempo. Tem que contemplar o grande capital e para isso seguiu na risca o receituário anterior do governo de Fernando Henrique Cardoso, com especial atenção aos ganhos por fora na jogatina dos juros, mas precisa dar atenção também aos setores, digamos assim, mais à esquerda da sociedade e, de forma preferencial, aos do partido. Não que seja difícil segurar esses tipos. Eles se contentam com algumas boquinhas, uns ministérios e secretárias sem poder algum, mas, de vez em quando, exigem um reforço na ideologia. Ao menos para parecer que ainda estão ativos na luta contra o sistema.

O imbróglio em torno de Battisti evidentemente vem disso. E tenho a impressão de que neste caso Lula foi enrolado por Tarso Genro e o próprio ministro acabou sendo surpreendido pela conseqüência do que fez. Não esperava a reação italiana, o que não comprova de imediato nenhum despreparo, mas apenas a distração de que foi vítima. Na verdade, visava apena uma platéia, a da esquerda de seu partido, onde trava uma luta intestina para ser candidato à presidente.

Lula é ladino, sem dúvida, mas não é o tipo de governante que centraliza toda a estratégia política. Se fosse assim, José Dirceu não daria nem mais um telefonema para o Palácio do Planalto. Muito menos Luiz Eduardo Greenhalgh, claro. Não adianta, a barriguinha é igual a do Getúlio Vargas, mas as semelhanças acabam aí.

O presidente da República é alimentado pelo famoso sopro no ouvido. Ele mesmo confessou que nem lê jornais e, digo eu, evidentente não faz análise própria. Imagino o Lula na internet: quantas tardes será que ele precisa para ler, por exemplo, o "Estadão"? Não dá. Quem sopra as notícias pra ele são os assessores.

Colocou o caso Battisti na sua agenda política embalado pela lábia de Tarso Genro. É claro que o peixe que comprou não é este que aí está, de fedor até internacional, mas agora é tarde. E, repito, o que aconteceu depois surpreendeu o próprio ministro. Ele decerto não esperava a reação italiana, pois aí, então seria caso de hospício.

Isso não comprova de imediato nenhum despreparo, mas apenas a distração que pode ocorrer com qualquer um que se concentra demais em um ponto e perde a noção do conjunto. É quando acontece a trombada. Genro visava apenas uma platéia, a da esquerda de seu partido, onde trava uma luta intestina para ser candidato à presidente. Mas não deu pra desviar da árvore, ou melhor, dos italianos.

Já observaram bem a “faccia” de Cesare Battisti? É de fazer babar de contentamento seu conterrâneo Cesare Lombroso, aliás, também um xará seu e com uma "faccia" nada confiável. Veja lá em cima a cara de criminoso do colarinho branco que ele, Lombroso, ostenta com orgulho. E o outro Cesare, o Battisti... bem, tenho um cachorro rotweiller que, coitadinho, jamais daria para o italiano levar pra passear.

A teoria de Lombroso já nasceu ultrapassada. Ele afirmava que o criminoso pode ser identificado por suas características faciais, o que é uma bobagem. Mas tem tipo que não engana. E a verdade sobre Battisti não está só na cara. Sua história pessoal é a de um delinqüente comum, um espertalhão oportunista que viu uma boa chance de aplicar um estelionato ideológico. Na Itália não se enganaram. Aqui no Brasil deu certo. Sempre dá.

E por que Tarso Genro foi se misturar com um tipo como esse, arrumando um problema internacional para O Brasil? Bem, para uma melhor explicação ajuda bem lembrar a atuação do ministro da Justiça na questão da revogação da Lei da Anistia. Esta é outra causa inoportuna que ele abraçou recentemente, com metodologia e objetivos muito parecidos com os de agora. Para ficar bem com a esquerda de seu partido é preciso fazer essas coisas, estranhas para nós aqui de fora, extraordinariamente bizarras até, mas normais e até muito bem-vindas pelos seus correligionários. E para ser candidato à presidente da República pelo PT, Genro só conta com esse pessoal à esquerda.
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POR José Pires

Anistia: uso e abuso

A articialidade do caso do delinquente italiano que virou refugiado político pode ser encontrada nas incoerências do discurso de Tarso Genro. É o de sempre. Como está sempre procurando palavras para justificar seus interesses pessoais, hábito seu de muito tempo, obviamente antes de ser ministro de qualquer coisa, as falas de Genro apresentam incoerência o tempo todo. Um especialista em tantas áreas acaba misturando as bolas.

Quando foi ministro da Educação ele não sabia tudo do tema? Sabia sim. Na época ele dava aulas em público sobre universidade pública para os professores universitários. Com Deus faria a mesma coisa. Pois agora repete-se o enredo. Recheia o discurso com conceitos de credibilidade política e até jurídica para tentar dar razão ao que na verdade foi essencialmente pura jogada política.

O economista Paulo de Tarso Venceslau, dissidente petista que conheceu de perto essa gente, inclusive o ministro da Justiça, matou a charada em entrevista à rádio Eldorado em outubro do ano passado, quando a polêmica sobre a revogação da Lei de Anistia estava quente. Venceslau foi preso político e sofreu torturas na prisão, porém é contra a revogação. Tarso Genro quer mexer na lei para favorecer setores da esquerda. “Ele [Tarso Genro] deve estar fazendo uma média com o pessoal mais de esquerda. É mais uma jogada para a platéia que uma garantia, uma luta política reforçada em qualquer coisa mais generosa e ambiciosa. É alguma coisa pensando em 2010 e por aí vai", disse Venceslau.

E a revogação da Lei de Anistia é apropriada também para apontarmos uma incoerência, mais uma, esta bem, grave, nas falas de Tarso Genro defendendo a porcaria que fez. Comentando ontem a reação do governo italiano, o ministro soltou esta pérola: "Não existe crise entre o Brasil e a Itália nem atos de hostilidade. Acho que esse, realmente, é um caso doloroso para a sociedade italiana. Como a Itália não teve uma lei de anistia, essas graves questões, dos anos 70, ainda não estão cicatrizadas."

Espere aí, mas não é o ministro que luta para revogar a Lei de Anistia? Sim, o ministro é o mesmo, mas é o Tarso Genro. E com ele é assim: a Lei de Anistia serve pra qualquer coisa, desde que atenda a seus interesses pessoais imediatos.
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POR José Pires

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Obama na cabeça



Nem todo mundo gosta. Hillary Clinton odiou desde o começo e só agora está aceitando melhor. Reinaldo Azevedo abomina, Diogo Mainardi detesta, mas o planeta está em fase de Obamania. Esta coisa horrorosa ao lado é mais um produto que explora a imagem do presidente dos Estados Unidos.

Funciona como aqueles bonecos ecológicos. É o Chia Obama: basta regar e o cabelo do Obama cresce bem verdinho. São dois modelos, o Obama Determinado e o Obama Feliz, ao preço de US$ 19,90 cada um. Se não fosse a crise, uma invenção dessas já teria chegado aqui. Seria um produto bom para vender no Fórum Social, no Pará, já que junta dois temas quentes do evento: a salvação da pátria — qualquer uma delas, Bolívia, Venezuela, ou até mesmo os Estados Unidos — e a ecologia.

Mas aqui não custa nada. Você pode dar uma passadinha todos os dias no blog para ver o cabelo do Chia Obama (este aí é o Determinado) crescendo verdinho, enquanto o do Obama de verdade vai ficando branco lá em Washington. E quem gosta de ver bobagem na internet ou até é doido de comprar uma coisa dessas, pode clicar aqui.
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POR José Pires

Um esquecido na equipe de Obama

Mesmo para um santo como Barack Obama é uma dificuldade formar um governo. Ou melhor, para um santo como ele (precisa beatificar o homem; é o primeiro passo) é ainda mais complicado.

O Departamento do Tesouro, peça das mais importantes em uma máquina atolada na crise, já tem comandante, mas foi uma indicação polêmica que provocou debates acalorados no Senado (é, o Senado de lá debate as indicações do governo) e teve 34 votos contra e 60 a favor (é, de novo: no Senado de lá não tem apoio unânime ao governo).

O problema com Geithner é que ele não pagou impostos à seguridade social quando trabalhou como economista no Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele deixou de pagar 34 mil dólares, alegadamente por erro no preenchimento das respectivas declarações. Nas discussões no Senado também entrou a descoberta recente de que ele continuou a empregar uma imigrante como diarista após o visto de trabalho dela nos EUA ter expirado.

São coisas que acontecem, nós aqui sabemos bem disso. Tanta coisa maior acabam sendo esquecida por nossos políticos e tecnocratas, uns distraídos empedernidos. A diferença é que o nosso Senado também de nada lembra.
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POR José Pires

Veja errou

Falando em erro, a revista Veja fez uma matéria com o ex-governador de Minas Gerais Newton Cardoso sobre seu divórcio com a deputada Maria Lúcia Cardoso e cometeu uma falta com o político mineiro.

O divórcio de Newtão, como é chamado, é um barraco: ele é acusado pela ex-mulher de tê-la agredido com “unhadas, puxões de cabelo e bofetões”, mas não é disso que falamos. Em 2006, o ex-governador declarou à Justiça Eleitoral ter um patrimônio de 12,7 milhões de reais. Veja afirmou que é bem mais: 150 milhões de reais. Sua mulher aumentou a suspeita: disse que, na verdade, a fortuna do marido chega a 2,5 bilhões de reais.

Newtão ficou muito bravo. Convocou uma entrevista coletiva e disse que a revista e a mulher erraram feio. Ele gritou, chorou e deu socos na mesa. E esclareceu o assunto.

A revista disse que ele possuiria 25 carros. São 150, corrigiu. Veja disse também que ele é dono de setenta fazendas. Aí ele ficou fulo. Vai lá, em sua voz peculiar: “Não tenho só essa merda de setenta fazendas. São 145, sendo que em uma delas foram encontrados dois poços de petróleo”.

E fez relato de suas posses: não tem um, mas dois apartamentos nos Estados Unidos; tem apartamento e um hotel em Paris e uma casa em Roma; na Bahia tem uma praia e no Rio uma ilha.

Newton Cardoso começou pobre na política e hoje é bilionário. Sua fortuna pode chegar a 3 bilhões. Mas que surpresa é essa? Nosso presidente da República também começou pobre na política, metalúrgico morando em casa popular, e hoje é milionário. Mas fiquemos no Newtão.

Para ele, os jornalistas de Veja são “jumentos” e “imbecis”. Vejam mais, na sua própria fala: "A revista diz que descobriu R$ 150 milhões, mas só no Banco do Brasil tenho R$ 200 milhões aplicados. Como é que eu posso ter essa merda de dinheiro só?"

Com se vê, o ex-governador sabe muito bem o dinheiro que tem. A imprensa que se corrija. Aliás, mesmo porque talvez mais do que a própria fortuna Newton Cardoso conhece muito bem o Brasil. Num país como o nosso, ainda é capaz da Veja ser condenada porque errou pra menos a fortuna de um político endinheirado.
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POR José Pires

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Juros caem um pouco, mas Meirelles não

E agora? Uma revista, a Carta Capital dessa semana, garante que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, já está quase fora do cargo. A outra, a Veja de outubro do ano passado, afirma que Meirelles ficou ainda mais firme para passar 2009 enfrentando a crise.

O editor de Carta Capital, Mino Carta, já alertou em seu blog que a demissão não é pra já. Ele até faz a ressalva de que a revista talvez tenha induzido a esse erro de avaliação por causa do título da reportagem de capa. Ele diz que é coisa para “dois ou três meses, quem sabe mais”. Mas é notícia para este ano? A pergunta é minha. Esperemos, portanto, para saber qual das duas capas acertou.

Porém, mais dois ou três meses de Meirelles não é dose muito forte para a doença da economia brasileira? Pensem bem: é tempo demais para ele deixar de fazer o que deve ser feito, coisa, aliás que ele faz, ou melhor, deixa de fazer há mais de seis anos.

Ontem o BC diminuiu os juros em um ponto percentual, que vai de 13,75% para 12,75% ano. Como dizem por aí: demorou... O desemprego aumenta e a produção industrial cai: nem é preciso olhar para a Bolsa, a de valores,  para ver que a situação é terrivelmente difícil. Em dezembro o país perdeu quase 700 mil posto de trabalho formal,  número corresponde a mais que o dobro da média registrada para o mês e o pior dos últimos dez anos.

O governo Lula não aproveitou o período de bonança da economia internacional para cuidar da infra-estrutura ou de qualquer outro aspecto da governabilidade, além de se embolar na lorota da “marolinha”. Agora com o maremoto é preciso acelerar. Mas como um governo que mal cuida das questões administrativas básicas do país pode fazer isso? Talvez o Lula tenha uma resposta e também é provável que logo arrume um tempo para se ocupar disso. No momento ele está ocupado com a eleição de Sarney para presidente do Senado.

Se fosse para agir como os petistas faziam na oposição, diria que não é problema meu. Mas é de todos nós. E um problemão. Depois de perder tanto tempo, como é que o BC vai fazer agora? Redução semanal de juros? Ou vai rebaixar os juros dia sim, dia não. Para que os juros cheguem em um nível razoável, estas receitas prováveis nem podem ser tomadas como piada. Piada é uma economia onde se reduz os juros para... R$ 12,75%.

O problema é que só daqui a 45 dias tem nova reunião do Comitê de Política Monetária, o Copom. E o país aguenta, agora sem trema, até lá? Analistas econômicos e lideranças empresariais, como o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmam que é muito tempo. E dá até para sentir um certo desespero na fala de muitos deles.
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POR José Pires

Dois na mesma cadeira

Tucano é mesmo um bicho esquisito. De salto alto é mais estranho ainda. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, por exemplo só dá para ser visto de baixo pra cima, de tão alto é o sapato em que se empoleirou.

“Temos a convicção de que podemos ganhar a eleição com Aécio Neves ou com José Serra”, foi o que ele disse. Bem, então é só encomendar o terno da posse, sendo que a nós, eleitores, cabe apenas dar uma passada em Brasília no dia para aplaudir o eleito, José Serra ou Aécio Neves, tanto faz.

Ah, o tempo... bem, que viveu sabe que ele, na verdade, nada ensina. O que o tempo faz é tirar de foco as questões, dando a impressão de que elas foram resolvidas ou compreendidas.

A última vez que vi tucano de salto tão alto foi na eleição paulistana de 1985, quando Fernando Henrique Cardoso sentou-se na cadeira do prefeito — fácil então, já que o prefeito em exercício, em mandato-tampão, era Mário Covas. A história todo mundo sabe: quem tomou posse foi seu adversário Jânio Quadros, não sem antes desinfetar a cadeira onde FHC havia colocado suas nádegas de favorito.
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POR José Pires

Tacada certeira

Falando nisso, o governador José Serra colocar Geraldo Alckmin na secretaria de Desenvolvimento de seu governo é uma excelente tacada política. Claro, nos níveis em que a política se nos apresenta; real politik, é assim que se fala?

Alckmin na tal secretaria é excelente para o desenvolvimento da candidatura de Serra a presidência da República.

Foi bem hábil da parte de Serra, mas Aécio Neves e seus parceiros tucanos têm ajudado bastante também dando entrevistas para todos os veículos de imprensa do país dizendo que não sentiram o golpe.
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POR José Pires

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Conversa de pescador

O presidente Lula telefonou para
George W. Bush no dia anterior
à sua saída da presidência
dos Estados Unidos e o convidou
para vir pescar no Brasil.
Não, não é piada.
É o que temos na presidência
da nossa república.
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POR José Pires