terça-feira, 3 de março de 2009

Dando assunto pro adversário

Mas a Folha caiu na besteira de falar em “ditabranda” e acabou dando o mote que muita gente ligada ao petismo precisava. Mas a besteira do jornal não parou aí. Entre as pessoas que mandaram cartas para o jornal reclamando do estranho neologismo, duas delas, o professor Fábio Konder Comparato e a socióloga Maria Victoria Benevides, receberam uma resposta bem agressiva.

O diretor de redação Octavio Frias Filho escreveu e publicou o seguinte: "Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa".

Desde quando o senador José Agripino, do DEM, fez a famosa pergunta à ministra Dilma Roussef sobre seu comportamento debaixo de tortura que a esquerda não recebia um mote tão bom para ocupar espaço político e de mídia. Não sei se foi de caso pensado, mas o fato é que quando sentiram a linha fisgar com a "nota da redação", Comparato e Benevidez caíram com gana no assunto.

Comparato menos. Quem tem agido com intensa avidez na exploração da polêmica é Maria Victória Benevides. Aproveitando-se do incrível erro da Folha, a socióloga tem estimulado a criação de manifestos, manifestações públicas e o que mais surge para fortalecer a polêmica e elevar seu papel pessoal.

O editorial da "ditabranda" somado à patada em Comparato e Benevides acabou sendo uma oportunidade e tanto para grupos com o interesse de desviar o foco cerrado sobre a corrupção e a incompetência do governo Lula, assuntos que estão entre os mais populares da internet brasileira apesar do investimento pesado dos petistas na criação de sites e blogs governistas.

A chamada blogosfera petista é um componente homogêneo da internet, com sites e blogs que falam a mesma linguagem, todos bem pouco atraentes e por isso mesmo com pouco público além de internautas com a mesma posição política.

A inacreditável bobagem da Folha com sua "ditabranda" trouxe uma oportunidade para essa gente mascarar seus propósitos governistas com a discussão da liberdade de expressão e do papel da imprensa durante a ditadura — alguns desses blogueiros recebem vantagens do governo, sendo que existem suspeitas de que há por detrás de vários deles a mesma sustentação política e financeira.

Daria até para entender se o puxão de orelha da Folha nos dois militantes fosse no âmbito da uma opinião pessoal, pois ambos partilham mesmo da incoerência comum em nossa esquerda de discutir com ênfase a ditadura militar brasileira e fechar os olhos para ditaduras comunistas, como a cubana. Mas do jeito que foi feito, com uma "nota de redação", que caracteriza uma opinião editorial do jornal, a Folha criou um problema institucional.

Octavio Frias Filho parece ter agido mais com a cabeça de dono do jornal (o que ele é de fato) do que de jornalista. É um dos problemas de ter o dono do jornal diretamente no comando da redação.
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POR José Pires

Blogs governistas babam de prazer

E a linha auxiliar do governo Lula, formada de blogs, sites e revistas está querendo fazer do deslize uma formidável bandeira de luta. Já houve protesto na frente da redação da Folha e corre um abaixo-assinado na internet. Esse pessoal tem mais de uma dúzia, sobre os mais diversos temas. Tem até um em defesa do italiano Battisti.

Houve uma época que eles até aparentavam ter propósitos ideológicos, mas pelo jeito o pragmatismo lulista contagiou de vez a tigrada vermelha. Já baixaram a bola, aparada e mantida no terreno meramente eleitoral. A tática imediata evidente é garantir o poder.

Maria Victoria Benevides, cuja dificuldade estilística impede qualquer proximidade com algum tipo de sutileza, entrega o jogo na revista Carta Capital dessa semana, onde publicou um texto sobre o assunto.

Lá no meio do arrazoado de má qualidade que escreveu, Benevides supõe que uma das razões para a nota de redação da Folha seria, vai em aspas, é coisa dela, “A possível derrota eleitoral do esquema PSDB-DEM, em 2010”. Bem, acho que nem precisa dizer que essa é uma argumentação bem estranha para quem pretende liderar um movimento pela liberdade de expressão e discutir o dimensionamento dos problemas históricos do país. Parece mais propaganda da candidatura da Dilma Roussef.

E acolhendo um texto tão estapafúrdio, Mino Carta, que parece ter problemas até pessoais com Frias, acabou respondendo a um erro com uma bobagem ainda maior. Sabemos o quanto é vital a a publicidade governista em uma revista semanal para o resguardo do "irremediável fracasso", como ele mesmo já escreveu. A responsabilidade em uma atividade comercial de vulto como é a da revista tem esse preço. Mas creio que não é preciso tanto.
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POR José Pires

Vamos contar direito a História

Foi um erro crasso da Folha essa conversa de “ditabranda”. O coice antijornalístico nos dois missivistas também não está certo. Mas não aconteceu nada de tão grave que não pudesse ter sido esclarecido com outra pequena nota. A vida é assim: errou, conserta.

Mas eu comecei dizendo que uma estupidez leva à outra. Pois elas se acumulam. Agora querem reescrever a história do jornal. A polêmica trouxe de volta a conhecida história dos carros que a empresa que edita a Folha de S. Paulo teria colocado à serviço da repressão policial na década de 70.

Pode até ter acontecido, mas não é fato comprovado que isso fosse uma política da empresa. A versões que circulam falam de carros da Folha da Tarde. Mas tem muita gente se aproveitando das imprecisões para tentar construir uma imagem da própria Folha de S. Paulo como colaboracionista da ditadura militar.

Mas aí já passa de equívovo. É mentira construída. O referido episódio teria ocorrido com outro jornal da mesma empresa, a notória Folha da Tarde, de triste memória. Este sim foi um jornal que colaborou, e muito até, com os setores mais extremistas da ditadura. Sua chefia da redação era ligada à repressão política.

Alguns espertos não estão nem um pouco interessado em deixar isso claro. Ao contrário, até incentivam a confusão. Não era a Folha de S. Paulo que publicava notícias sobre mortes de presos políticos enquanto eles ainda estavam bem vivos na prisão. Mas isso eles não dizem.

A mistura é até uma injustiça histórica com a redação da Folha de S. Paulo. Seus jornalistas não aceitavam a postura da Folha da Tarde e tampouco a da empresa. Existia um clima mútuo de animosidade entre os jornalistas das duas redações, que sequer tinham relações pessoais. Nem a cerveja eles compartilhavam.

Mas os disparates não se restringem a esse embaralhamento deliberado de fatos. Já li em blogs até que a Folha de S. Paulo se engajou na campanha a favor de eleições diretas para presidente da República por mera questão de marketing. São os mesmo blogs que não fazem crítica alguma ao agora lulista José Sarney, este sim um esforçado ativista na derrubada da emenda das Diretas-Já.

Poderíamos até deixar essas bobagens para lá, mas a coisa não é tão inofensiva quanto parece. Essa gente não é lá de muita qualidade e, por isso mesmo, carecem de credibilidade, mas o problema é que esse tipo de versão pode ir pegando aos poucos. Isso ocorrendo, o que pode acontecer é um fortalecimento da cultura do do “somos todos iguais”, que veio com Lula e seus mensalistas, e que já está fazendo um mal danado á cultura brasileira.

E dizer que Folha de S. Paulo foi um jornal que colaborou com a ditadura militar, além de ser uma mentira escabrosa, também desmerece o árduo trabalho de toda uma geração de jornalistas da maior qualidade — tendo à frente o grande Cláudio Abramo, pe mais entre outros, Tarso de Castro, Paulo Francis, Plínio Marcos, Oswaldo Mendes, Lourenço Diaféria e Perseu Abramo — para fazer daquele jornal um importante veículo na luta pela democracia e também um abrigo democrático para as mais variadas opiniões políticas, um papel que desempenha, aliás, até hoje. Por isso, inclusive a senhora Maria Victoria Benevides teve sempre espaço por lá. Ela que pouco deve saber das dificuldades cotidianas para editar um jornal no período da ditadura, pois no máximo comparecia com um ou outro artigo.

Extremistas jamais estão preocupados com algo que não seja a demolição de valores, qualquer valor, desde que os favoreça oportunamente. E nem é estranho a atividade febril dessas patrulhas de esquerda a serviço de um governo que no final só lhes concede algumas migalhas. Isso é assim mesmo. A história mostra que eles se valem desses pequenos golpes sempre à espera do momento que pode favorecê-los definitivamente.

A nós, cabe vigiar e atuar para que eles não prevaleçam, pois quando conquistam o poder, aí é que não tem mesmo ditabranda. Com eles é ditaduríssima.
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POR José Pires

Pegando o mote


É muito engraçada a poesia que Miguelzinho de Princesa fez para a ministra Dilma Roussef, figura relativamente recente no plano nacional (alguém já tinha ouvido falar de Dilma Roussef antes do governo Lula?) e que tornou-se objeto do desejo dos políticos da noite para o dia. Não por causa dos esticados efeitos da cirurgia plástica, claro, mas pelo tilintar dos milhões do PAC.

Desde fevereiro o texto anda sendo publicado nos blogs do norte e do nordeste. Agora as rimas engraçadíssimas saltaram de lá para todo o país, levadas pela agilidade da internet. Neste pau-de-arara de tanta possança, do Cariri para o mundo agora é que é mesmo um pulinho.

O cordel de Miguelzinho de Princesa despertou meu lado de poeta (e de cangaceiro, dirão os inimigos) e peguei um trecho para escrever uma resposta para o poeta cearense, dialogando na forma dos cantadores do nordeste. Vamos ver o material? Está é a parte do Miguelzinho da Princesa:

Eu já vi um deputado
Dizendo no Cariri
Que Dilma é linda e charmosa
Igual não existe aqui
É capaz de ser mais bela
Que a Angelina Jolie!


E pegando o mote, agora a minha visão sulista dos encantos das inacreditáveis belezas petistas:

Também no Sul do país
Puxa-saco é sem limite
A Dilma é linda e charmosa
E o Lula é o maior hit
Pro PT ele é mais belo
Que o tal do Brad Pitt



E para ler toda a poesia de cordel de Miguelzinho de Princesa, clique aqui. E vamos correr trecho que faz tempo que a polícia já está de pé.
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POR José Pires

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Tudo dominado

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Apressadinhos

Nem bem o carnaval se foi e o PT já escolheu o vice da chapa de Dilma Roussef. O partido quer que seja o presidente da Câmara, Michel Temer, do PMDB de São Paulo.

O pessoal está com pressa. Nessa levada, acho que até setembro deste ano a Dilma já assume a presidência da República.
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POR José Pires

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Olha o pé-frio aí, gente!

O Salgueiro é o campeão do Carnaval 2009 do Rio de Janeiro. A Vila Isabel acabou em segundo lugar, ficando atrás por apenas um ponto.

Yo no creo en las brujas pero... o presidente Lula estava lá. E torcendo pela Beija-Flor. E o intéprete oficial da escola ainda cometeu a imprudência de juntar as energias da escola com as de Lula, quando passou no camarote onde estava o petista e trocou o tradicional grito de guerra da escola por "Olha o presidente Lula aí, gente!" Só o Coríntians fez algo semelhante e sofreu barbaridade depois. O time foi ao Palácio do Planalto fazer graça com o Lula e ainda deixaram ele pegar na taça de campeão de 2005. Pra que! Logo o time entrou em uma das piores crises de sua história e ainda caiu para a segunda divisão.

A pontuação das duas escolas — 399 para o Salgueiro, 398 para a Beija-Flor — mostra que havia completo equilíbrio na capacidade técnica das duas. O que pesou contra a Beija-Flor só pode ter sido mesmo algum fator extra-carnavalesco. Azar, talvez.

Bem, segundo lugar no carnaval é quase nada. A escola campeão é que vale. Alguém aí se lembra do segundo lugar do Carnaval do Rio no ano passado? Pois é, ninguém sabe. Mas o nome da campeã não sai da memória: foi a Beija-Flor. Aliás, foi bicampeã naquele ano. Pode até ser apenas coincidência, mas o fato é que Lula não estava lá.
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POR José Pires

Uma notícia boa, outra ruim

Primeiro a ruim: a crise econômica não é marolinha e, como o Lula disse, nós vamos sífu. Agora a boa: o Lula já está distribuindo camisinhas.
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POR José Pires

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Antes sem calcinha, agora com camisinha

Agenda do presidente Lula para hoje. É oficial: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa a terça-feira (24 de fevereiro) em Brasília/DF, sem compromissos oficiais".

Lula passou o carnaval no Rio de Janeiro em um camarote na Sapucaí. De domingo para segunda-feira ficou oito horas na maior animação: às quatro da manhã estava atirando camisinhas para o público. Isso mesmo, distribuia preservativos. O Brasil é mesmo incoerente em tudo. Por muito menos e numa situação sobre a qual ele não tinha responsabilidade direta, o presidente Itamar Franco aguenta até hoje a imprensa pegando em seu pé por causa da moça sem calcinha que posou a seu lado no carnaval de 1994. Como vocês podem ver ao lado, na época a revista Veja até deu capa.

Não sei o que pretendem com um presidente da República atirando camisinhas para o povo em plena Sapucaí, no meio da festa nacional que mais chama a atenção do mundo. Será alguma campanha para estimular o turismo sexual? Parece. Mas é certo que o efeito para a imagem do Brasil no exterior pode até ser bem pior.

E em um momento grave como esse, de crise mundial, um pouco de resguardo com certeza poderia ser bem melhor para estimular o brasileiro a enfrentar o que vem por aí, porque o previsão é de tempos que não estão para folia. E, tirando o Berlusconi, da Itália, tem algum outro chefe de governo festando por aí?

Mas Lula agüenta ficar quieto em um canto trabalhando? É claro que ele não podia perder o primeiro carnaval da crise. O carnaval da marolinha. Não foi permitida a entrada da imprensa no camarote, mas dá para ver pelas fotos que o presidente inzoneiro estava animado. Mais do que o Itamar Franco na capa da revista. Lula trazia até aquele inchaço na cara que já levou um compungido Brizola a lhe dar conselhos.

Lula pode tudo? Parece que sim. Até jogar camisinha para o povo. Ou se congraçar com a contravenção. O presidente é Beija-Flor roxo e amigo do peito de Neguinho, intérprete do samba-enredo da escola. Em frente ao camarote onde estava Lula o sambista trocou o tradicional grito de guerra "Olha a Beija-Flor aí, gente!" pela frase "Olha o presidente Lula aí, gente!" Bem, sem comentários. Nem sobre a responsabilidade de Neguinho grudando sua escola desse modo às energias de Lula que, bem, toda torcida corintiana sabe que, toc toc toc...

Quem deve ter gostado da parceria foi o Aniz Abraão David, contraventor e patrono da escola. Ele já foi preso quatro vezes pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro e enriquecimento ilítico.

Quando não custaria para Aniz Abraão David agregar sua imagem a de um presidente da República? Lula recebeu só o kit completo da Beija-Flor, com um jogo de camisas e brindes com a marca da escola, enviado pelo deputado federal Simão Sessim, primo de Anísio.

E hoje o presidente está sem "compromissos oficiais". A crise fica para amanhã. Ou para a próxima segunda-feira já que se foi metade da semana e ninguém é de ferro. E é oficial: hoje a ressaca em Brasília é braba.
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POR José Pires

Blogs d'além mar

Seria mesmo de muito bom proveito para os brasileiros uma real integração com os demais países de língua portuguesa. É claro que isso não será obtido por uma reforma ortográfica chinfrim. Isso nada vale, a não ser para criar terreno para a demagogia e o tilintar da caixa registradora de editoras. E para torrar a paciência de quem não passa o dia fazendo política, mas de fato usa a língua portuguesa.

Essa integração também nada tem a ver com almas e nem destino. Menos, menos... e menos romantismo também. Entre nações, relações baseadas em mútuo interesse já está muito bom.

Ah, puxa vida, nada daquela besteira que escreveram para o presidente Lula ler em discurso feito quando ele botou o jamegão no acordo ortográfico. Vamos ler de novo? Lá vai: “Quero destacar o imprescindível resgate dos nossos laços substantivos com a África, em particular com a África de língua portuguesa, que para nós representa mais, muito mais do que uma prioridade geopolítica. Diz respeito à nossa alma, à nossa identidade como nação multiétnica e multicultural, ao próprio destino da civilização brasileira”.

Deve ter sido um espanto para o Lula essas palavras saindo da sua boca. E depois, nossa, quanta emoção. Fico imaginando o Supremo Apedeuta de vez em quando virando-se para um assessor e comentando embevecido: “Como é mesmo aquele negócio bonito que eu falei quando mexemos na língua?”

Claro que a relação com os países de língua portuguesa é importante, mas não falemos em destino, não precisa, pois aí teríamos primeiro que ensinar inglês para a molecada. Claro, depois, de ensinar o nosso português.

Isso sem querer dizer que Portugal não tenha nada a oferecer para a gente. Tem e muito. Já pegamos bastante deles, ainda há muito para aproveitar. Mas se existe algum problema de entendimento, não é devido a uma consoante muda ou um trema. A não ser, claro, que a pessoa tenha azia com a leitura ou prefira encarar uma esteira de ginástica a abrir um livro.

Na internet, por exemplo, que permite uma comunicação eficiente e de longe — sem esse negócio de alma, ó pá! —, Portugal tem hoje um material de altíssima qualidade, principalmente em blogs pessoais, produção que evidentemente nasce de uma sólida formação cultural daquela gente. N'além mar estão fazendo ótimos blogs. No aspecto do estilo, da boa escrita e da escolha de assuntos realmente pertinentes eles por enquanto estão à frente dos brasileiros. E não sei a explicação, mas os sites jornalísticos deles não são lá essa coisa. Já os blogs, talvez porque não se fechem no em compromissos coemrciais e corporativos, são de ótima qualidade.

Mas um dia nós chegamos lá. Mas nada de romantismo de discurso, por favor. Do jeito que estamos, é bom encarar sem pudor nossos defeitos e consertar um por um. E estamos bem atrasados. Neste aspecto, o português José Almada Negreiros foi bem rigoroso como seus patrícios na primeira metade do século passado. Ele disse: “O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem portugueses, só vos faltam as qualidades.” É um conselho duro. Mas não deixa de ser um bom começo.
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POR José Pires

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Agora vai

No domingo o jornal O Globo publicou uma reportagem revelando que pelo menos 300 oficiais e praças da Polícia Militar fazem a segurança privada do carnaval do Rio contratados pela Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) por meio de uma empresa terceirizada. 60 desses PMs são oficiais com patentes que vão de tenente a coronel. O coordenador de segurança da Liesa é um coronel da reserva da PM.

Com a publicação da matéria de O Globo a Subsecretaria de Inteligência e o Serviço Reservado da PM decidiram abrir investigação conjunta para apurar o caso. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrano, ficou até indignado ao ser informado pelo jornal de que os PM estão fazendo esse tipo de coisa.

Bem, isso não deixa de ser um bom sinal. Pelo menos ficamos sabendo que na Secretária de Segurança do Rio de Janeiro o pessoal lê os jornais.
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POR José Pires

Antes tarde...

Para certas coisas na vida o lugar comum basta como síntese do material analisado. Para entender um tucano, por exemplo. Com este ser político, o jargão “antes tarde do que nunca”, é sempre adequado, apesar de que a experiência também demonstra que assim como pode chegar à uma conclusão óbvia bastante tarde, o tucano também tem o hábito de manter a descoberta no terreno da teoria, com a sua aplicação prática impedida pelos compromissos e tratos corriqueiros do cotidiano da política e os interesses circunstanciais mantidos até com adversários. Então, além de chegar tarde o esclarecedor insight fica também paralisado no nunca.

A compreensão repentina que bateu na cachola do senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB, é um desses casos. “O que nós precisamos é aprender a fazer oposição. Temos sido um fracasso neste quesito”, ele disse aos jornais nesta semana de carnaval. Mas que ninguém se anime, o senador e seus correligionários podem esquecer tudo na quarta-feira. Coisas do carnaval.

É já é bem tarde para a descoberta. O governo do PT já avança no terceiro ano do segundo mandato. E o fracasso do PSDB como oposição só é comparável ao sucesso que Lula teve em se apossar de quase tudo que o Fernando Henrique Cardoso deixou praticamente pronto ao deixar o governo. E era tão simples. Bastava fazer a troca, se apropriando da habilidade petista de fazer oposição.

Mas esperemos. Já é louvável que os tucanos parecem estejam acordando para mais esse fracasso. Já aprenderam que mesmo quando ferido o inimigo não sangra por conta própria. Antes tarde do que nunca. Mas agora tem que tirar as penas do rabo e usar nas flechas.

O problema é que o tempo é curto . E a situação atual não é estimula nenhum otimismo, levando em conta que a menos de dois anos da eleição o partido tem dois candidatos à presidente da República e ao mesmo tempo nenhum, enquanto a candidata do governo já faz campanha com um palanque solidamente estruturado em verbas federais e uma bolsa família na qual tem até o batom.

Ou os tucanos tem que correr — ou voar, o que é até melhor — e começar logo a fazer oposição. Se é que sabem. Mas, de qualquer modo, caso o tempo seja curto, depois das eleições do ano que vem eles terão bastante tempo para aprender.
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POR José Pires

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

E de novo o Brasil passa vergonha

E o caso Paula Oliveira terminou de um modo muito ruim para o Brasil. A advogada confessou à polícia que mentiu sobre a agressão que disse ter sofrido de três skinheads neonazistas próximo de Zurique, na Suiça, quando eles teriam feito cortes em seu corpo, marcando em sua pele a sigla do partido suíço de direita, o SVP, atualmente no governo.

O que vimos é que o problema estava bem encaminhado pela polícia suíça até a imprensa brasileira e governo Lula entrarem no meio. Poderia ter acabado de forma razoável também para a moça, que não estaria agora no centro de um imbróglio internacional e com a vida bem complicada. Na Suiça ela não pode ficar mais. Aqui no Brasil terá bastante complicações no cotidiano.

Já historiei o caso aqui no blog, desde o momento em que o jornalista Ricardo Noblat deu a notícia em primeira mão. A publicação da notícia no blog do Noblat resultou no efeito manada que costuma acometer nossa imprensa, especialmente em casos passionais. Blogs, sites e jornais se meteram em estranhas teorias sobre a perseguição a brasileiros no exterior e na dicussão de uma suposta xenofobia suíça, quando o que havia era evidentemente um caso obscuro que exigia o maior cuidado.

Para notar que havia algo pelo menos suspeito na versão contada pela moça, bastava prestar um pouco mais de atenção à foto que mostra as marcas no corpo dela — foto distribuída pela própria vítima, é bom lembrar. Teve gente, como o jornalista Reinaldo Azevedo, que desde o início apontou a superficialidade e também a regularidade dos cortes na pele, algo difícil de acontecer em uma agressão como a relatada.

Mas a imprensa preferiu compor uma manada. E manada costuma chegar é no abismo.
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POR José Pires

Até Lula tirou casquinha

E o governo Lula também entrou na história da mesma forma atabalhoada de sempre. Tudo é política para essa gente. Pois se tudo tem que ser tocado como se fosse um palanque eleitoral, por que não colocar o Itamaraty nesse ritmo? Apenas algumas horas depois do problema ser noticiado, Lula já dava sua opinião e fazia discurso sobre xenofobia. Antes, o ministério das Relações Exteriores, havia ameaçado levar o caso à ONU.

Qual caso? Não havia caso algum. Até então o que existia era só a nota dada pelo Noblat e a enxurrada de notícias em blogs e sites jornalísticos que vieram no embalo, todos apresentando informações muito superficiais.

O Brasil já tem problemas suficientes com sua imagem na Europa devido ao caso Battisti. Mesmo que não fosse por algo simples como o bom senso que deve reger a atividade diplomática, pelo menos esta situação deveria ter levado o governo brasileiro a buscar melhores informações antes de emitir qualquer opinião, ainda mais com tanta agressividade. Mas alguma lógica ainda funciona com este governo?
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POR José Pires

De olho atento

Agora a imprensa está catando os cacos da sua credibilidade. O próprio Noblat, que deu o primeiro grito que atiçou a manada, até agora tenta justificar o que fez, dando destaque a comentários de leitores e até trazendo artigos, como o do jornalista Zuenir Ventura, publicado ontem, em que ele tenta consertar o “desconcerto” geral entre os jornalistas. “Já pecamos muito, mas acho que desta vez não”, ele diz, para perguntar em seguida: “o que fazer com aquelas fotos e com as declarações desesperadas da vítima?” Bem, observar melhor a foto seria um bom caminho. Outra atitude seria ficar atento aos fatos, que desde o primeiro dia eram no mínimo nebulosos.

O jornalista diz que quase cometeu a “maior barriga" da sua vida profissional. Ele já tinha pronto para a publicação um artigo “contundente falando mal da polícia e da imprensa suiças". Bem, sem comentários. Zuenir Ventura tem 50 anos de jornalismo. É bastante chão. Talvez não precise de conselhos.

Mas no dia 16, às duas da tarde, o próprio blog do Noblat publicava, desta vez em um raro texto próprio, que Paula havia confidenciado a um amigo que era possível ela ter perdido os bebês antes da agressão. Zuenir Ventura não viu o gato no telhado? No mesmo dia, neste blog, eu já colocava em dúvida a história toda e até perguntava se o governo brasileiro já estava preparado para pedir desculpas aos suiços. E não me gabo de esperteza alguma: é que o gato miava bem alto.
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POR José Pires

História mal contada desde o começo

Não sei onde Zuenir Ventura estava no início desta história, mas não teve nenhuma ”declaração desesperada” da vítima. Paula falou bem pouco nesta história. Noblat escreveu que ela lhe disse apenas que “estava mal”. Quem passou toda a história para Noblat foi o pai de Paula, Paulo Oliveira, que é assessor do deputado Roberto Magalhães, portanto alguém supostamente bastante experiente no trato com a imprensa.

Na primeira nota publicada sobre o caso, “em primeira mão”, como destacava uma chamadinha cima do texto, Noblat cometeu a incorreção de ser extremamente afirmativo, sem deixar claro para o leitor que sua fonte era o pai da suposta vítima.

O texto de Noblat, já disse aqui, também é afirmativo demais. Pelo título do post já dá para se perceber o tom do texto : "Brasileira torturada na Suiça aborta gêmeos". Sim, foi assim que ele chamou a matéria feita com uma única fonte: o pai da suposta vítima.

Ele faz uma descrição detalhada da suposta agressão, sem colocar nenhuma dúvida sobre o fato. Só assume um tom crítico quando cita o policial suíço que teria alertado Paula com a seguinte frase: “Se a senhora estiver mentindo será processada”. Noblat não informa como soube desse diálogo. Ele escreve como se estivesse presente no acontecimento.

Hoje já se vê que era apenas um policial experiente fazendo bem seu serviço e que, suspeitando de algo, alertou a moça. Foi tratado como um prepotente. Eu até acharia engraçado, caso não estivesse dentro da piada, ver tanta indignação em um país como o nosso, onde a polícia chega ao local do crime já batendo na vítima.

Pois se a moça tivesse escutado o alerta do policial suiço, talvez nem tivessemos tomado conhecimento dessa história. Nada do assunto vazou da polícia suiça antes que a imprensa brasileira se metesse no assunto. Parece que lá, ao contrário daqui, a primeira coisa que a polícia faz não é chamar a imprensa e expor a vítima.
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POR José Pires

Toma que o filho é teu

No texto de Noblat que deu início à exploração do caso tem até bobagens como dizer que os agressores “entalharam” a sigla SVP no corpo da moça. Ah, não, por favor, entalhe é em madeira. Até se tatua na carne, mas entalhe no corpo é difícil. Mas deixemos isso pra lá, senão a gente não termina.

Depois que fizeram a besteira de tratar um caso tão sério com afobação, o passo seguinte foi o de tentar matar qualquer mensageiro com más notícias. Ontem Noblat publicava a matéria da Folha de S. Paulo que informava (ou, pelo tom, acusava) a revista suiça Die Weltwoche de ter, vou aspar as palavras do jornal, “claros laços ideológicos com o partido ultranacionalista SVP (Partido do Povo Suiço)”. Mas o problema mesmo foi a revista foi ela ter trazido uma má mensagem: a de que a brasileira teria confessado ter mentido sobre a agressão, notícia agora confirmada.

Os brasileiros ficaram o tempo todo tentando desqualificar a imprensa suíça. Até escreveram que a revista Die Weltwoche é de propriedade de um milionário. Claro, deve ser porque os donos da Folha de S. Paulo e a TV Globo são bem pobres.

Noblat publicou a matéria sem nenhum comentário pessoal. Seu blog, na verdade, está mais para clipping, com pouca participação autoral dele. Mas é bastante cômodo posicionar-se em torno dos assuntos apenas republicando notícias de jornais. Isso facilita bastante a vida do blogueiro. Além de economizar o ato de pensar, caso o tempo comprove algum erro de visão, a responsabilidade é sempre de outro.

Todo mundo agora quer se safar. Uma Escola de Base internacional é duro de segurar. Alguns tentam também dar uma força para que o governo se livre de responsabilidades. Luís Nassif, que acaba de ser contratado pela TV Lula, ou TV Brasil, do governo federal, quer até culpar a imprensa pela tremenda gafe internacional do governo Lula. Nassif está fazendo seu serviço, mas não é por aí. Se quer defender bem o governo, aliás, ele deveria fazer direito. Desse jeito, está acusando a diplomacia petista de se deixar conduzir pelos atropelos da mídia.

Mas a verdade é que a imprensa brasileira fez feio nessa história. Não seria melhor então encarar uma autocrítica e tentar melhorar? E para que isso se conduza nos melhores termos, primeiro é preciso deixar que os suíços cuidem da sua imprensa e de seu país e passar a olhar melhor para os erros cometidos aqui.

Rudyard Kipling dizia que as palavras são as drogas mais poderosas que a humanidade conhece. Sempre concordei com ele. O governo Lula não tem mais jeito. Mas nossa imprensa tem que aprender a evitar a overdose.
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POR José Pires

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Momento de reflexão: os rumos da Nação


Não, meus senhores e senhoras, não é o blog Brasil Limpeza, desesperado pela falta de leitores, aderindo à sacanagem tão presente na rede de internet. É só uma foto da atriz Carolina Dieckmann em um intervalo de gravação fazendo ioga. Foi publicada por um grande portal da internet.

Que isso é ioga é o que diz o portal para justificar a publicação das fotos dela esticando o corpinho numa praia pública no Rio.

Se é ioga ou não, isso é conversa para especialista. Mas é uma ocasião bem original para um exercício que exige concentração até espiritual. Ou o flash dos inúmeros fotógrafos que sempre estão por perto das gravações externas de novelas da Globo ilumina a entrada para o Nirvana ou o instrutor de ioga é também assessor de imagem da moça.

Mas não é sobre isso que eu quero falar. Enxuguemos o suor da testa e vamos lá: não estou aqui para escrever sobre a Carolina Dieckmann, mas é que me chamou a atenção a marolinha lá atrás da moça. Vocês não tinham reparado, certo? Olhem agora com mais atenção. A marolinha, a marolinha.

Pois bem. Em plena época de crise econômica, apelidada carinhosamente de marolinha aqui no Brasil, mas sempre brava, inclemente, os portais da internet ficam fazendo essas coisas.

Já imaginaram o quanto o país perde em produtividade com uma foto dessas? Só para ler este texto, por exemplo, mesmo com rapidez e concentração (se é que isso é possível depois de ver a, vá, lá, ioga da Carolina Dieckmann) a pessoa leva pelo menos um minuto e meio.

Multiplique isso pelos milhões (lá no grande portal, claro, sou realista, mesmo sabendo tanto quanto eles que citação de nome de atriz da Globo sempre faz o detector de entradas disparar para cima) que param para ver esse tipo de imagem e você terá um número assustador em perda de produtividade.

Se o sujeito parar para ver as 27 fotos ((contei as fotinhas) de todo o ritual em slideshow, então, aí é que a produtividade vai lá embaixo.

Não, não tem clique. O endereço não dou, que não estou aqui para essas coisas. Vão trabalhar, gente. Não vamos piorar a situação da blindagem econômica do nosso querido Brasil.
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POR José Pires

Inauguração histórica

O presidente Lula é realmente um prodígio em desfaçatez. Pois ele inaugurou uma escola construída por Juscelino Kubitschek em 1958. Isso mesmo, você não leu errado. Inaugurou nesta semana uma escola construída antes de boa parte de nós brasileiros termos nascido.

Está aí uma situação onde cabe o “nunca neste país”. Nunca neste país um presidente da República inaugurou uma escola construída por Juscelino Kubistcheck em 1958. A não ser o companheiro JK, é claro.

A escola já completou 50 anos e Lula esteve lá, não para a comemoração do aniversário, mas para cortar a fita de inauguração. Teve até discurso. O presidente (ó, céus!) da República disse que estava “inaugurando” a primeira escola técnica de uma série de 100 que pretende entregar em 2009.

É claro que não faltou publicidade para o ato. O Palácio do Planalto e o ministério da Educação divulgaram material frisando que a escola foi “inaugurada”.

A oposição que se cuide. Pode ser tática. Lula deve ter uma vista danada de boa daqueles prédios magníficos de Brasília através da janela da sala onde trabalha, ou melhor, onde joga paciência no computador. A idéia só pode ter vindo dele. Não duvido que em 2010 saiam inaugurando os prédios de Brasília.
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POR José Pires

Coerência a classe política tem até pra vender

O Senado brasileiro não decepciona a gente, pelo menos no aspecto da coerência. O senador José Maranhão, do PMDB, deixou o cargo para assumir o governo da Paraíba em substituição a Cássio Cunha Lima (PSDB), cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Pois seu suplente, o empresário Roberto Cavalcanti Ribeiro, do PRB, assume a cadeira no Senado com processos na Justiça Federal por suspeita de crimes como corrupção ativa e estelionato. O PRB é o partido ligado a Igreja Universal, sob a liderança do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).

O novo senador sem voto, Cavalcanti Ribeiro, é empresário do ramo de comunicação. É dono do Sistema Correio de Comunicação, na Paraíba, filiado à Rede Record, televisão ligada também à Igreja Universal. Aí a gente entende porque Maranhão o escolheu para suplente.

Pobre Brasil. Pobre Paraíba. Cássio Cunha Lima foi cassado por abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral de 2006. Distribuía cheques de R$ 150 e R$ 200 para eleitores. Os cheques eram de um programa assistencial Ciranda de Serviços.

Bem, mude o nome Ciranda de Serviços para Bolsa Família e você tem praticamente a mesma coisa. Com a diferença de que Lula tem muito mais eleitores em seu programa e é bem mais ativo na autopromoção com seu Bolsa Família. Outra diferença é que com Lula a Justiça não age.

Mas voltemos à pobre Paraíba e aos políticos, categoria das mais coerentes, pois sim. José Maranhão, o novo governador que entra no lugar do que saiu, tem também bons motivos para ser cassado. Ele é acusado de abuso de poder político e econômico e de compra de votos, também na eleição de 2006. Vê-se que a Paraíba teve um pleito bastante disputado.

Existem contra ele oito processos, sendo que dois podem levar à cassação. Num, ele é acusado de participação em um esquema de troca de votos por cargos, e em outro ele é acusado de ter se beneficiado de um esquema de distribuição de 50 mil camisetas para obter votos.
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POR José Pires

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Chávez, por que te callas?

Onde está Hugo Chávez que até agora não rompeu relações da Venezuela com a Suiça? O chanceler Celso Amorim tem feito a parte, até defendendo a sede de poder do venezulenao, que quer se reeleger para todo o sempre (um parêntese para mostrar a pressa dele: terminado o plebiscito ele disse que é candidato nas próximas eleições; só que a eleição é ainda daqui a três anos).

Pois o chanceler brasileiro defende a reeleição de Chávez para todo o mundo e ele nada de tomar uma posição contra a Suiça. Ara! Muito unilateral essa solidariedade.
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POR José Pires

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Diplomacia do crioulo doido

Se alguém ainda tem alguma dúvida de que a política externa do Brasil é pirada, o chanceler Celso Amorim sempre aparece na mídia para tirar a dúvida confirmar que o samba do crioulo doido é o ritmo diplomático brasileiro. Agora parece que ele entrou para o governo de Hugo Chávez.

O presidente venezuelano Hugo Chávez venceu o plebiscito que concede (a ele, claro) a reeleição indefinida a presidente da República. Chávez é hoje um líder político isolado. Suas reuniões públicas com Evo Morales, Rafael Correa e Lula são o retrato deste isolamento. Quem mais poderíamos colocar ao lado dele? Bem, tem o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, o que aumenta o isolamento do venezuelano. Ah, sim, de vez em quando, ele se reúne no pé da cama com o moribundo Fidel Castro.

A verdade é que o governo venezuelano não é bem visto internacionalmente. E é bobagem achar que isso é coisa de governantes como Bush. Até Barack Obama quer ver Chávez de longe, bem distante. E com razão. Nem vamos falar do controle da informação que seu governo impõe sobre os venezuelanos ou das mílicias chavista que controlam amplas áreas da capital e do interior. Pois ele venceu o plebiscito e quem saiu em sua defesa, numa fala que evidentemente deve ecoar internacionalmente? Foi o chanceler brasileiro Celso Amorim.

Então estamos desse jeito no plano internacional: litígio com a Itália por causa de um criminoso que o governo brasileiro quer dar status de refugiado comum, problemas com a Suiça por causa do modo precipitado que o governo brasileiro agiu em um caso que até o momento é difícil de entender, e agora com um chanceler que age como porta-voz do governo de Hugo Chávez.

Amorim é aquele que acusa de nazistas interlocutores que são descendentes de vítimas do holocausto. Bem, para uma loja de cristais é melhor levar um elefante.

E logo com quem eles querem ver o Brasil abraçado... Com alguém que não quer de modo algum sair do poder. A luta pela reeleição indefinida já mostra bem o caráter de Chávez. É óbvio que ele quer se perpetuar no poder, algo bem ruim em qualquer parte do mundo e sempre bem mais na América Latina, continente com uma longa cadeia de autocracias e ditaduras. Chávez tenta vender seu bolivarianismo como uma iedologia libertária e anti-imperialista, mas tenho a impressão que nem Bolívar iria gostar do discípulo que a história lhe concedeu.

O referendo em si é cercado de suspeitas. A própria pergunta feita ao eleitor é capciosa, ou melhor, enganadora mesmo. É a seguinte, com o destaque feito por mim no trecho ardiloso:

"Você aprova a emenda dos artigos 160, 162, 174, 192 e 230 da Constituição da República, tramitada pela Assembléia Nacional, que amplia os direitos políticos do povo, com o fim de permitir que qualquer cidadão ou cidadã em exercício de um cargo de eleição popular possa ser sujeito à postulação como candidato ou candidata para o mesmo cargo pelo tempo estabelecido constitucionalmente, dependendo sua possível eleição exclusivamente do voto popular?"

Quem pode ser contrário à "ampliação dos direitos do povo"? O povo é que não. E aprovou a reeleição. Todo o conteúdo da pergunta é bem pouco claro, mas a tentativa de enganar o eleitor fica comprovada pelo trecho em destaque.

O ex-prefeito Cesar Maia, do Rio de Janeiro, que volta agora em março com o seu Ex-Blog, aponta uma questão muito importante no plebiscito venezuelano. "Sempre é bom lembrar", escreve ele no correio eletrônico distribuído pela internet, "que nos plebiscitos normalmente se exige maioria absoluta sobre o total de eleitores inscritos".

Maia costuma trazer bons esclarecimentos sobre variados assuntos, tomando como base, muitas vezes, os números. E em muitos casos, principalmente quando não envolve estatística, não há como discordar de números.

No plebiscito na Venezuela, ele diz, a abstenção foi de 32,9% e 1,3% de nulos sobre o total de eleitores inscritos, num total de 34,2%. Ou seja, os 54% a favor da reeleição ilimitada corresponderam a 35,5% dos eleitores inscritos.

Mas atentem para o número de abstenção e de nulos. É a prova de que Chávez, ao contrário inclusive do que alguns esquerdistas afirmam com alegria, não tem um controle tão firme da Venezuela.

As coisas não vão bem para Chávez no plano econômico. Nenhum país está livre da crise, a Venezuela muito menos porque depende das vendas de seu petróleo, produto que desde julho teve queda de preço de 72%. A grana do petróleo, aliás, é o que garante parte do prestígio do presidente venezuelano, que usa os rendimentos públicos para seduzir aliados. A inflação venezuelana também está alta: foi de 32% ano passado, a maior do continente. E o país já tem muito desabastecimento, até de gêneros de primeira necessidade, e sofre os efeitos da falta de investimento em infra-estrutura nestes dez anos de governo chavista.

Em uma eleição para presidente, a oposição teria grandes chances de vitória agindo com sensatez e tendo um bom candidato. Bem, mas existe no mundo alguma oposição pior que a Venezuelana? Talvez só a brasileira.
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POR José Pires

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

PMDB é corrupto. E ninguém vai fazer nada

A entrevista do senador Jarbas Vasconcelos à revista Veja desta semana, mostra bem como vai a política brasileira. Vasconcelos é um dos fundadores do atual PMDB. É da safra antiga, antes de agregar o P ao MDB, quando o partido fazia oposição à ditadura militar. É fundador do MDB e do PMDB.

Jarbas Vasconcelos afirma na entrevista que a maioria — vejam bem, escrevi a maioria —, bem, que a maioria em seu partido “se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral”.

Então o maior partido brasileiro é uma agremiação de peritos em afanar o dinheiro público, é isso? Foi o que o senador disse. O depoimento é bombástico, ou melhor, seria bombástico em outra época, menos amorfa que esta. Neste momento histórico sombrio e petista, com certeza vai dar chabu. Numa coisa o governo Lula foi bem competente: como ele e seu partido além de faltarem com a ética ainda trabalharam bastante o conceito de que na política são todos iguais, acabaram dando anestesia geral no país.

O brasileiro virou um ser desconsolado e que sabe que em relação à corrupção só existe a certeza de que não vai dar em nada, ninguém será preso e muito menos terá que devolver o que roubou. É tanta impunidade que até não parece justo que alguns crimes não sejam descobertos, pois seus autores não podem gozar deste privilégio.

O país sofre de letargia cívica ou coisa pior que isso. O gigante pode até já ter morrido sem que ninguém saiba.
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POR José Pires

Veja errou

Um dos senadores mais conhecidos do país, ex-governador, liderança nacional de destaque, diz em entrevista à mais antiga revista brasileira de informação e a de maior tiragem que seu partido se especializou em corrupção. Então o que vai acontecer?

Já aconteceu: nada. A Veja até tentou fazer um paralelo entre esta entrevista e a de Pedro Collor, irmão do presidente Collor. Dezenove semanas depois da entrevista do irmão, conforme a soma da própria revista, Collor caiu.

O editor faz a relação entre Jarbas Vasconcelos e Pedro Collor como uma referência ao peso, ou suposto peso, dos dois depoimentos, cada um em sua época. No final, ele ainda aconselha o Brasil a “acompanhar de muito perto o desenrolar do depoimento do senador a Veja”. O final chega a ser constrangedor. Lá vai, na íntegra: “Ele [o depoimento] tem tudo para ser o motor de um profundo e histórico processo de limpeza da vida pública brasileira”.

Não porque o editora da revista deseja, claro, mas porque é nossa obrigação, acompanhamos o desenrolar e já estamos vendo no que vai dar. Em nada.

Será que os profissionais da Veja pensam que a queda de Fernando Collor foi causada pelo desabrochar da alma cívica do brasileiro? Espero que não. Seria melhor para a credibilidade da revista que figuras de linguagem como esse “motor profundo e histórico processo da vida pública brasileira” fossem consideradas um resultado da necessidade premente de encher páginas e páginas toda semana.

Quem é profissional sabe que isso pode fazer qualquer um, por cansaço ou enfado, escrever uma besteira ou outra. Mas, de qualquer forma, soa como imaturidade a revista acreditar que pode haver alguma movimentação pela ética só porque uma das figuras mais significativas do PMDB diz que seu partido está tomado pela corrupção.
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POR José Pires

Entre companheiros tudo pode

De Collor para cá a desfaçatez tomou conta do país. Isso mesmo, do país e não apenas da classe política. O PT, partido historicamente preparado para atuar no campo da ética ou pelo menos para não roubar, rendeu-se à corrupção, tomado que foi pelos profissionais da política, os ávidos pelo poder, aqueles para quem os fins estacionam na fase dos meios escusos.

Na entrevista, aliás, Vasconcelos conta que sofreu na pele o mal que o exemplo de Lula e seu PT vem fazendo ao país. O pensamento típico do servidor desonesto, diz o senador, é "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?".

O PT, com Lula à frente fez o serviço de nivelar a classe política pela mais baixa estatura ética. Além disso, a classe política desenvolveu com habilidade a tática de matar o assunto pelo silêncio. É fugir do tema até que ele desapareça da cabeça das pessoas. Para isso eles recebem uma boa ajuda, claro, da crescente subalternidade do brasileiro.

Entre os políticos existe até um acordo tácito que faz todos que são pegos em falta pela opinião pública saírem de imediato da cena política. Pode ser pela demissão, mudando de cidade ou estado e até com a renúncia ao mandato.

Existe sempre a garantia do grupo, que é imenso e pluripartidário, do acolhimento fraterno em cargos longe do conhecimento da mídia para, após o esquecimento, terem o apoio para eleição futura ou para cargos mais altos, até mesmo em ministérios destacados.

Foi assim com muitos, de Antonio Carlos Magalhães a este deputado mineiro, o do castelo, este que renunciou ao cargo de corregedor da Câmara, passando por tantos outros: Renan Calheiros, José Genoíno, José Mentor, Professor Luizinho, José Janene, Gim Argello, José Dirceu e tantos mais.

Ninguém fica ao relento na planície de que fala muito o próprio Dirceu. Além do manto da impunidade, cada um tem o cobertor quente do poder (opa, desse jeito vou acabar escrevendo na Veja). Algumas vezes, como aconteceu com o ex-deputado Severino Cavalcanti, recebem até palavras elogiosas do compar..., ou melhor, do companheiro Lula.
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POR José Pires

Mais um que se vai

Ademais, o mais marcante na entrevista do senador Jarbas Vasconcelos é seu desalento quanto ao resultado das denúncias. Ele mesmo diz que não deve dar em nada. Seu tino político ainda o faz dizer que é possível mudar a situação. Mas não é coisa pra agora, ressalva, não para esta geração. Entendeu? Pois é: para nós, nada feito, mesmo que você tenha aí seus trinta anos.

Também na entrevista o senador diz que pretende abandonar a política exatamente porque não agüenta mais o que está aí. É a mesma coisa de que falava o senador Jefferson Péres, morto em maio do ano passado. Era um dos poucos que prestavam no Senado e já havia avisado que abandonaria a política ao final de seu mandato. Para a sorte de seus colegas ccanalhas, o que no Senado também é maioria, ele morreu antes.

Repete-se a situação de cansaço em mais um dos senadores que não é ladrão. E não se trata de um neófito em política. É alguém com bastante chão. De estômago forte, certamente. Mas mesmo para os experientes parece que a podridão já é demais.
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POR José Pires

Diplomacia metida a besta

Lula tem a mania de se fazer de importante. É um problema pessoal, muito ajudado por acadêmicos e políticos, com os primeiros ajudando-o bastante desde que ele se lançou na política, acobertando seus graves defeitos pessoais — entre eles, o de aproveitar esse encanto para se aproveitar dos encantados.

Se a pessoa for confiar em certos acadêmicos ou políticos, é capaz de achar que a abertura democrática no Brasil e a posterior democracia foi obra de Lula quando era lider sindical. E não foi assim. A conquista da democracia no Brasil teve atores bem mais importantes. E inicialmente, Lula com seu PT até atrapalhou.

Mas ele gosta de se dar ares da maior importância. É uma forte característica pessoal sua, marcada repetidamente pelo bordão “nucanestipaiz”. A vaidade do chefe, no entanto, contaminou todo o governo. Por aqui, nenhum problema. Com a oposição incompetente que tem, Lula pode arrotar com tranqüilidade o peru enquanto palita a mortadela nos dentes. O país pode estar sendo tomado por mílicias terroristas, como acontece no Rio, por exemplo, e ele deitar falação sobre as obras de seu governo na área da segurança. A classe política não vai mesmo chiar. Parece que todos estão muito bem contemplados.

Então ele pode ser metido a besta. Mas o problema é quando acontece o contágio em áreas muito delicadas, onde um mal entendido não dá para ser resolvido com benesses às custas do Estado. Como nas relações exteriores, por exemplo. O problema não é novo, mas o afobamento do Ministério das Relações Exteriores com o caso de Paula Oliveira, na Suiça, mostra que a falta de equilíbrio está afetando até uma área onde as palavras tem um peso bem diferente do que acontece com a nossa política interna.

O presidente até poder ser metido a besta. Chega a ser engraçado. já que o pitoresco é que domina a nossa política. Mas uma diplomacia assim não tem absolutamente graça nenhuma.
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POR José Pires