segunda-feira, 13 de abril de 2009

Polêmica em preto e branco

Mas o programa de cotas existe e a gaúcha Tatiana Oliveira, de 22 anos, estava incluída nele até que uma comissão resolveu que ela não é negra. Pela foto não é mesmo. Tatiana é filha de mãe branca e pai pardo. É neta de negros.

Na universidade, uma comissão da qual faz parte também representantes do movimentos negros fez uma entrevista com ela para avaliar sua presença no sistema de cotas raciais. Ela ingressou este ano no curso de Pedagogia.

Tatiana conta como foi: “Eu falei que me considero parda. Menos parda do que meu pai, porque minha mãe é branca. Respondi que nunca sofri preconceito e que escolhi me inscrever no sistema de cotas porque ele dá chance para que nós, de cor parda, possamos ingressar na universidade. Falei a verdade”.

O pró-reitor de Graduação, Jorge Luiz da Cunha, que assina os documentos de cancelamento de vaga, disse que Tatiana nunca sofreu discriminação, nunca se considerou parda e se considera mais clara que outros integrantes da sua família.

Isso levou ao cancelamento da matrícula da moça. Segundo o pró-reitor, “partindo do espírito das políticas de ações afirmativas, a comissão, que inclusive tem representantes do Movimento Negro, entendeu que ela não se sente participante desse grupo”.

Reparem bem na ênfase dada a participação dos representantes do Movimento Negro na decisão de excluir Tatiana do programa de cotas raciais. Parece um processo de aprimoramento racial.

Na verdade o problema é que Tatiana não atendeu às necessidades ideológicas da comissão e do Movimento Negro. Chega a ser engraçado, parece mesmo piada, mas a observação de que o fato dela nunca ter sofrido discriminação é um dos critérios para a perda do direito de usufruir da cota racial foi feita com toda a seriedade pelo pro-reitor, chefe dos comissários, pelo que entendi.

Por que Tatiana não deu as respostas que a Comissão esperava? É muito honesta? Ignorava que seus colegas de cota fazem isso? Nenhuma das respostas acima? Bem, pode ser também que na hora tenha dado um branco nela.

Imaginem o desenvolvimento deste absurdo programa. Com tais critérios é óbvio que os pretendentes àsvagas começarão a trazer (se é que já não o fazem: na minha opinião fazem sim) as histórias que a comissão exige. Inclusive inventando preconceitos que nunca existiram. Bem, pensem também onde isso vai dar.

Um desenvolvimento de longo prazo pode até fazer com que os negros comecem a evitar relacionamento amoroso brancos. Genética é fogo. A criança pode nascer totalmente branca. E como se vai fazer depois para encaixar um branquinho no sistema de cotas?
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POR José Pires

Um país de todos pedintes

Estas duas histórias apresentam todos os ingredientes da construção de um país dos coitadinhos. Na primeira, a assistente social parece lamentar que o casal que busca o Bolsa Família cuide bem dos filhos apesar de viverem uma situação econômica difícil. E na segunda temos uma universidade exigindo como base para a obtenção de um direito que a pessoa se faça de vítima.

Este Brasil menor, de seres humanos submetidos a um sistema que faz do cidadão um torna pedinte, é um processo em andamento. E é do interesse de um partido que faz do Estado um esmoler caridoso que cinicamente distribui migalhas aos esmoladores criados por sua própria inépcia e má-fé.

É um sistema que precisa da inserção de vítimas o tempo todo. A manutenção do poder pede isso. E os eternizados palanques eleitorais também.

Para isso, em vez de investir na Educação, sempre é mais lucrativo criar programas para os jovens que ficaram para trás no aprendizado. E em vez do emprego digno, criam as políticas assistencialistas só com porta de entrada.

No final, não deixa de ser um projeto de poder muito bem elaborado. É um governo que não só ajuda os necessitados como também cria cada vez mais necessitados para serem ajudados.
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POR José Pires

sábado, 11 de abril de 2009

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Fora de pauta

Não parece ser proposital, mas o modo como são enfocados os assuntos no Brasil acaba sempre desviando a atenção daquilo que realmente importa. Ou será que é proposital? No momento em que as atenções se voltam pra o caso de Protógenes Queiroz, por exemplo, é anunciada a venda da fabricante brasileira de medicamentos genéricos Medley para a francesa Sanofi-Aventis.

O laboratório brasileiro era a terceira maior empresa farmacêutica do Brasil e estava em sérias dificuldades financeiras. É mais um passo na desnacionalização de um setor importantíssimo que, na sua maior parte, já é dominado por grandes corporações multinacionais.

No entanto, todos estão ocupados com outro assunto, de muito menos importância para o nosso futuro. E o pior é que é sempre assim. Agora é a Satiagraha, logo será outra questão circunstancial. Pois não perdemos tempo até com maluco que mata o próprio filho ou a ex-namorada? Os brasileiros sempre estão sendo chamados ao debate de assuntos de pouca ou nenhum importância estrutural. O Brasil está sempre fora de pauta.

Observe que nem deputados e senadores buscam fazer virar assunto a desnacionalização da nossa indústria ou outras tantas graves questões estruturais do país. Bem, ontem eles estavam ocupadíssimos em aparecer no cenário que cerca o delegado Protógenes.
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POR José Pires

Protógenes fala e fala e nada diz

O delegado Protógenes Queiroz havia prometido “dar o nome aos bois” em seu depoimento na CPI dos Grampos. Pois foi um dos depoimentos mais chochos que já se viu. Nenhum boi, nem bezerro. Nem sequer um peixe pequeno foi nominado pelo delegado.

A trajetória de Protógenes parece seguir o rumo de sempre. Já é candidato, só falta escolher o cargo e o partido. E como é um excelente chamariz de holofotes, tem em torno dele um grupo de políticos tentando grudar-se à sua imagem construída de obstinado justiceiro. É um jogo arriscado. Uma breve passada no blog do delegado permite ver que ele não bate bem da bola.

Parece um daqueles blogs amalucados de gente com uma missão no mundo. Os textos de Protógenes começam sempre assim: “ao povo brasileiro e aos internautas”. Quem não ver que tem algo errado, então tem mesmo que seguir o delegado.

O site Consultor Jurídico fez uma boa cobertura do depoimento e conta que deputados que nunca deram as caras na CPI dos Grampos apareceram por lá para tirar sua casquinha. A lista é interessante: Chico Alencar (PSOL-RJ), Ivan Valente (PSOL-SP), Paulinho da Força (PDT-SP), ACM Neto (DEM-BA), Mendonça Prado (DEM-SE) e Paulo Lima (PMDB-SP). Até senadores sem ligação com o caso foram dar uma bisbilhotada e, claro, marcar presença perante a mídia. O petista Eduardo Suplicy, o peemedebista Pedro Simon e José Nery, do PSOL, estavam entre os que deram as caras.

Tanto o PDT quanto o PSOL cobiçam a candidatura de Protógenes, o que dá uma boa visão do que ele pode desenvolver na política. Os políticos do PSOL elegeram Protógenes como ídolo. Mas aí dá para entender. Um partido guiado no plano teório e político por Heloísa Helena tem mesmo que ver Protógenes como o suprasumo da lucidez.

Durante o depoimento os deputados Luciana Genro e Chico Alencar, ambos do PSOL, agiram como advogados de defesa. Mas Paulinho da Força, deputado e dirigente do PDT também estava lá apoiando o delegado. É que Paulinho quer tê-lo figurando em seu partido como candidato.

Coincidentemente ou não, saiu hoje o relatório final da Corregedoria da Polícia Federal que investigou a atuação do delegado na Operação Satiagraha. E a investigação prejudica bastante a imagem de Protógenes.

Uma das conclusões do relatório é que Protógenes tem como objetivo seguir carreira política, o que só vem oficializar o que já é bem evidente desde que foi montado todo aquele aparato para prender Daniel Dantas e outros.

Quanto à espetacular prisão feita pela Operação Satiagraha, o relatório da Corregedoria afirma também que o próprio Protógenes telefonou para a reportagem da TV Globo para acertar a filmagem das ações de julho do ano passado, quando foram presos o ex-prefeito Celso Pitta, Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas.

O relatório também oficializa algo que todos desconfiavam. A TV Globo infringiu gravemente a ética no episódio da suposta tentativa de suborno de um agente da operação. Uma equipe da Globo de São Paulo filmou a pedido do delegado o flagrante no restaurante El Tranvia, em junho, quando emissários de Dantas teriam tentado corromper um delegado federal.

Teve um bandido famoso, o Lúcio Flávio, numa época em que os papéis não estavam tão misturados no Brasil, que disse que "bandido é bandido e polícia é polícia". Já passou da hora da mídia agir tendo em vista que "bandido é bandido, polícia é polícia e jornalista é jornalista".

Mas Protógenes nada falou sobre esses fatos e outra grande variedade de acontecimentos que cercam sua carreira desde que ele surgiu do anonimato para uma espantosa celebridade. Até agora não apresentou nada de substancial no âmbito de seu papel como investigador policial. A pergunta óbvia já antecipa qualquer resultado jurídico: onde estão as provas?

A cada nova divulgação do material colhido na operação chefiada por ele, percebe-se que havia um ensaísta (bem ruim, por sinal) onde era exigido um policial investigativo. Não há provas dos delitos. E o resultado pode ser até inverso ao pretendido, dando um atestado de inocente para gente sobre as quais pairam suspeitas imensas. Eu disse "pairam suspeitas"? Com policiais menos estouvados, mesmo com advogados caros e lobistas influentes seria bem mais difícil se safar da cadeia.

Mas, como sempre, o famoso delegado frustrou as expectativas sobre o seu depoimento, se é que ainda existe alguém que não percebeu que até o momento o que há neste assunto é só a manipulação eleitoral para uso efetivo no ano que vem. Parece uma pré-campanha.

E pelo que tem aconteceu durante na CPI dos Grampos, dá pra dizer que a campanha já tem até o slogan. Na entrada para o depoimento, Protógenes foi aplaudido por pessoas vestidas com camisetas amarelas com a frase “Protógenes contra a corrupção” em letras verdes.
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POR José Pires

Doentio

A senadora Roseana Sarney tem um aneurisma cerebral e precisa submeter-se a uma cirurgia. A senadora tem 56 anos. Em exames recentes, segundo várias fontes, o aneurisma cresceu bastante. Já circula a informação até sobre o tamanho do aneurisma, que teria crescido de 6 mm para 6,4 mm.

Porém, ela só vai marcar a cirurgia depois do julgamento que decidirá se o atual governador do Maranhão, Jackson Lago, fica no cargo. Caso ele saia, Roseana Sarney será a nova governadora.

O apego ao poder é realmente uma das piores doenças do ser humano. Tão forte que até faz o paciente negligenciar o tratamento de outras.
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POR José Pires

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O salvador da pátria


Sim, é ele mesmo, o cara, como personagem de quadrinhos. Barack Obama virou herói de história em quadrinhos, numa revista prevista para sair agora em junho. Ele é Barack, The Barbarian, num desenho bastante parecido com o guerreiro Conan, o Bárbaro, figura de bastante sucesso nos quadrinhos e no cinema.

Na primeira edição da revista, Barack, o Bárbaro, como deve ser chamado por aqui, tem como missão reativar a economia dos Estados Unidos. Luta para “salvar a América e destronar os déspotas que recebem pagamentos exorbitantes”. Sua inimiga é Red Sarah, na linha das vilãs muito gostosas. A malvada é claramente calcada na republicana Sarah Palin, candidata a vice de John McCain. Veja a fera aí ao lado. Para observar melhor suas formas ou as do herói de ébano, basta clicar nas imagens.

Barack tem também outros inimigos terríveis como Boosh, the Dim. O jornal espanhol El País traduziu como Boos, o Mentecapto. Seria um bom nome aqui no Brasil. Bem, não preciso dizer quem ele representa. Outro inimigo terrível é Cha-nee the Grim. Esse também não é preciso dizer quem é.

A turma do mal é da pesada. Mas, para a sorte da América e do mundo Barack, o Bárbaro conta com a ajuda da feiticeira Hilaria, cujo modelo evidente é Hillary Clinton. O ex-presidente Bill Clinton também faz uma ponta na história.

O autor da história é Larry Lama, um desenhista conhecido dos fãs de quadrinhos. Ele já desenhou o Wolverine. A primeira edição de Barack, The Barbarian é bastante democrática e com gosto de terceiro turno. Vai ter duas capas, com Barack e Red Sarah. O leitor escolhe quem vai levar pra casa.
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POR José Pires

Saiu a conta do celular de Tião Vianna

Os blogueiros governistas reclamam da imprensa, mas eu penso que, tirando um erro ou outro, a imprensa economiza um dinheirão para o Estado com as denúncias que faz. Se a roubalheira não para, pelo menos acaba sendo estancada quando é descoberta. E mesmo que os ladrões não sejam presos, pelo menos dificulta roubos futuros, já que eles ficam marcados.

A imprensa também é de uma extraordinária importância para o amadurecimento dos nossos políticos. Se não fosse a mídia, por exemplo, o deputado petista José Genoíno estaria até hoje assinando empréstimos na ordem dos milhões de reais sem se preocupar sequer em ler o documento.

E o presidente Lula jamais saberia que estava cercado de mensaleiros e aloprados. Já pensaram como estaria alta a conta se a imprensa não o tivesse avisado?

No final, a mídia ajuda a poupar. No mês passado, por exemplo, a ieconomia foi de exatamente R$ 14.758,07 para os cofres públicos. E só numa velhacaria descoberta no Senado. É a conta do telefone celular do Senado que o senador Tião Viana, do PT do Acre, emprestou para a filha levar em viagem de passeio para o México.

O telefone celular dos senadores — cada político tem dois — é de um ineditismo talvez mundial no aspecto administrativo. É pago pelo Senado e até aí tudo bem, apesar de ser estranho o senador ter dois. Em teoria é uma ferramenta de trabalho. Mas não há limite de gastos nas contas telefônicas. Existe alguma empresa que faz isso? Nem em conto de fadas.

O paternal empréstimo foi descoberto pelo jornal O Estado de S. Paulo, mas Vianna se negou a fornecer o valor da conta. Agora o próprio Estadão descobriu que o custo ficou em, vou repetir, R$ 14.758,07. Foram 20 dias de uso, de 2 a 22 de janeiro. Neste período a filha do senador gastou cerca de 730 reais, quantia que poucos brasileiros gastam por mês.

E a conta ia ficar para o Senado. Só depois que a imprensa divulgou o caso o senador Tião Vianna repôs o dinheiro que, aliás, já havia saído dos cofres públicos. O Senado já havia pagado. É óbvio que se o mimo para a filha não tivesse vazado Vianna deixaria a conta para nós, os contribuintes que, mesmo que contrário à nossa vontade, somos sempre um paizão para essa gente.
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POR José Pires

terça-feira, 7 de abril de 2009

Fusão faz trabalhadores sífu

Tem ligação urgente para o presidente Lula. É a Oi, a operadora que virou supertele, agradecendo o negocião que teve a ajuda do governo: 500 trabalhadores vão ser mandados embora.

Lula até fez mudanças nas regras da Anatel exclusivamente para possibilitar a compra da Brasil Telecom pela Oi. Foi um dos atos mais escandalosos do presidente inzoneiro, feito sob medida para a fusão que criou um monopólio na telefonia. A desfaçatez foi tamanha que o negócio já estava praticamente fechado antes mesmo da mudança que o tornaria legal. Até dinheiro público, por meio do BNDES, foi colocado à disposição da Oi.

Pois nesta terça-feira, no início da noite, a operadora anunciou que vai demitir mais 500 funcionários. Com as 400 demissões anunciadas em fevereiro, desde a fusão já são 900 trabalhadores na rua. E isso em plena marolinha que virou maremoto, quando qualquer recolocação fica cada vez mais difícil.
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POR José Pires

Baixando o limite do voto obrigatório

O Senado aprovou proposta de emenda constitucional que torna o voto facultativo para quem tem mais de 65 anos. Hoje o voto obrigatório é para quem tem até 70 anos.

A matéria ainda vai ao plenário, mas deve passar pois tem o fundamento lógico de uniformizar o tratamento legal conferido aos idosos, que é sempre baseado nos 65 anos.

Bem, é menos cinco anos. Já torna mais possível morrer sem passar a vida inteira sendo obrigado a votar. Mas para ser uma democracia mesmo acho que tem que baixar mais o limite. Acho que o voto deve ser facultativo após os 16 anos.
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POR José Pires

Protógenes, o assunto interminável

O delegado federal Protógenes Queiroz tem um deslumbramento de foca na sua relação como investigador da imprensa. Foca é o jargão jornalístico para definir o novato na profissão. E cada trecho novo que aparece de seu trabalho investigativo vem confirmar que nesse negócio de mídia ele é mesmo um neófito.

O jornalista Claudio Julio Tognolli teve acesso a dois arquivos confiscados pela Corregedoria da Polícia Federal nos computadores do delegado. Os arquivos fazem parte das centenas de documentos do inquérito que apura abusos na Operação Satiagraha.

É a batelada de arquivos que o delegado tinha no HD de seu computador, junto com o esboço da autobiografia intitulada "Protógenes, a lenda". No HD, viu-se depois que Protógenes avançou além dos objetivos da Operação Satiagraha, espionando pessoas que nada tinham a ver com os objetivos da investigação, que eram os negócios de Daniel Dantas, o banqueiro do Opportunity.

Nos dois arquivos, disponibilizados por Tognolli no site Consultor Jurídico, repete-se a ineficiência investigativa revelada nos primeiros vazamentos da Satiagraha.

No primeiro relatório vazado para a imprensa há meses já era evidente a dificuldade de Protógenes Queiroz e sua equipe em compreender procedimentos básicos do cotidiano profissional de um repórter. Tamanha incompetência os levou a interpretar um e-mail de uma assessoria de imprensa captadora de clipping como se fosse o jornalista Paulo Henrique Amorim se vendendo para Daniel Dantas. Desse modo, tomaram como aliados dois inimigos notórios.

Os blogs e sites chapas-brancas já se movimentam para atacar o trabalho de Tognolli, colocando em dúvida os motivos para este novo vazamento. Levantam novamente a teoria conspirativa de que tudo é parte de um esquema para desqualificar o trabalho de Protógenes.

Mas a verdade é que fogem da questão principal, que é a própria fragilidade do trabalho investigativo do delegado da PF. Seus relatórios parecem mais ensaios jornalísticos do que uma peça judicial. Maus ensaios, é claro, já que para o jornalismo, como eu já disse, o delegado não passa de um foca.

O material revelado por Tognolli refere-se apenas ao esquema que o banqueiro Daniel Dantas teria montado na imprensa brasileira, razão principal da expectativa em torno dos resultados da Operação Satiagraha. E estes trechos inéditos novamente decepcionam. A decepção maior, é claro, foi de quem esperava uma peça incriminatória com provas do domínio de Dantas sobre jornalistas e veículos de oposição a Lula.

O resultado é tão pífio que obrigou Luís Nassif, um dos blogueiros que mais acreditou na Operação Satiagraha em seu início, a afirmar que o relatório tem poucos trechos efetivamente relevantes.

Bem, eu li todo o conteúdo. O relatório não tem trecho algum relevante. É um amontoado de análises desconexas. Os policiais destacam cenas e diálogos irrelevantes. Aparentam saber pouco sobre o objeto da investigação. Em um determinado trecho flagram um diálogo telefônico entre Naji Nahas e alguém com um nome bastante conhecido. E apenas destacam entre parênteses que existe um jornalista famoso com o mesmo nome: Roberto D' Ávila. Mas é ou não é o jornalista?

O relatório acrescenta que "pelo tom de voz e a forma de se expressar, muito provavelmente é o apresentador do programa “Conexão Roberto D´Ávila”, que vai ao ar pela TV Brasil. Ora, na PF não é possível comparar as vozes para checar um fato desta relevância?

Aí também já é deficiência profissional também na área policial. Mas o desconhecimento de procedimentos profissionais da imprensa leva à interpretações erradas sobre as atividades das pessoas espionadas. E acabam vendo arranjos conspiratórios onde parece estar havendo apenas acertos de entrevistas ou busca de informações com as fontes.

Para Protógenes Queiroz todo jornalista que escreve sobre Daniel Dantas é um suspeito. Neste relatório eles misturam bastante as coisas, lançando a suspeição até sobre a revista Carta Capital, editada por Mino Carta, outro notório inimigo do banqueiro do Opportunity. Na revista, Dantas é tratado sempre como “o orelhudo”.

Já se forma uma mobilização para culpar Tognolli por ter juntado todos os jornalistas na lista com a intenção de desqualificar Protógenes, mas acontece que o quadro listando os veículos de comunicação e depois os autores das matérias foi criado pelos próprios policiais. Portanto, se alguém misturou as bolas foram os investigadores.

O relatório transparece ambiguidade. Este é um defeito terrível em qualquer texto e mais ainda em um relatório policial. Neste caso, qualquer ambiguidade prejudica de forma irreparável o resultado.

Luiz Antonio Cintra, da Carta Capital, um dos jornalistas citados no relatório da PF, usou o blog de Nassif para afirmar que irá processar o site onde Tognolli publicou a notícia. Ele se sente difamado. E o mais estranho é que na mesma nota em que faz a ameaça, Cintra insinua que Tognolli favorece a estratégia jurídica dos advogados de Dantas. Ele até pergunta se foi “coincidência ou estratégia jurídica” a simultaneidade entre a divulgação da lista por Tognolli e o depoimento de Protógenes na CPI dos Grampos, marcado para esta quarta-feira.

É óbvio que um processo entre jornalistas deve embolar ainda mais o caso. É um modo estranho de esclarecer um assunto já tão confuso. Mas o fato é que foi apontado mais um suspeito de trabalhar para Daniel Dantas. É por isso que os jornalistas adoram Protógenes Queiroz. Com ele a pauta não acaba.

O delegado é tão eficiente para esquentar notícias que até o livro de Diogo Mainardi, o sucesso de vendas, público e detratores “Lula é Minha Anta”, é citado no relatório. Pronto. Eu não disse que Protógenes é o cara? Mainardi já tem assunto para esta semana.

A reportagem de Claudio Julio Tognolli no site Consultor Jurídico, onde tem também o link para o relatório, está aqui.
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POR José Pires

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Mais do mesmo no governo Lula: lama

Hoje o cara deve ter acordado com azia. Pois nem seja uma sinopse bem curta (talvez uma sinopse da sinopse?) o presidente Lula deve ter lido a denúncia da mais um escândalo que atinge seu governo, desta vez em reportagem da revista Época.

A denúncia atinge o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Falta mais algum ministro do Lula se enredar em alguma treta? Não estou lembrando agora, acho que nesse aspecto já deve estar zerando os ministros que o acompanham desde o primeiro mandato. Bem, os mais importantes cairam ainda no primeiro mandato.

Paulo Bernardo ainda estava “limpo”, pelo menos no plano nacional. Não está mais. Na sua base eleitoral, no Paraná, ele já havia sido denunciado como tendo seu nome inscrito numa caderneta de pagamentos de um assessor do ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati, cassado por corrupção em junho de 2000.

Com o escândalo denunciado por Época, o ministro Paulo Bernardo passa a ter que explicar muito mais que os cortes no orçamento exigidos pelo que pensvam ser marolinha.
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POR José Pires

Cadê a bolada milionária?

A denúncia publicada na revista Época desta semana fala de um escândalo de R$ 179 milhões. A quantia se refere a um acerto para pagamento de uma suposta dívida do governo com usineiros. Segundo a revista, “em teoria, os recursos destinavam-se a atender à reivindicação de 53 usinas de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que cobravam subsídios atrasados pela produção de álcool referentes aos anos 2002 e 2003”.

Todo mundo sabe como funciona o recebimento de dívidas junto ao Governo Federal. A fila é grande e anda bem devagar. Mas no caso dos R$ 178 milhões aconteceu uma movimentação no governo Lula para fazer o pagamento com rapidez. Participaram do aceleramento do processo o deputado federal paulista José Mentor, Haroldo Lima, da Agência Nacional do Petróleo, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Foi um presentão de Natal. Toda a bolada foi paga em duas parcelas, a primeira em outubro e a segunda em dezembro, ambas no ano passado.

Mesmo que o assunto ficasse só na forma acelerada do pagamento, já seria um negócio bastante suspeito. Mas existem mais problemas com a fortuna saída dos cofres públicos. E vem desde o início do processo. José Alfredo de Paula Silva, procurador da República do Ministério Público Federal, examinou as negociações para o pagamento em dezembro de 2005 quando o acordo ainda não havia sido finalizado e concluiu que estava tudo errado.

Deu parecer contrário ao acordo, com uma análise que poderia ter permitido à ANP, presidida por Haroldo Lima, do PCdoB, lutar por um desconto de 90% na suposta dívida. Ele foi ignorado. Já na primeira instância a ANP optou por um acordo com o custo 20 vezes maior.

O procurador da República só soube que o caso fora encerrado e a dívida paga no total quando recebeu os repórteres da revista para uma entrevista. A revista diz que ele afirmou com perplexidade: “Estou sabendo agora”.

Os subsídios reclamados pelos usineiros haviam sido extintos em 2001, no governo de Fernando Henrique Cardoso. O procurador viu erros políticos e financeiros no pagamento. Segundo Época, em sua interpretação, o único pleito legítimo dos usineiros envolvia benefícios da ordem de R$ 14 milhões – e não os R$ 178 milhões. Ou seja,ao pagar com tanta rapidez uma dívida colocada em dúvida pela Ministério Público o ministro Paulo Bernardo deixou de economizar no mínimo R$ 164 milhões para os cofres públicos.

Já é demais, mas o enrosco ainda não acabou. A revista constatou também que é praticamente impossível encontrar o destino dos R$ 178 milhões. Ninguém sabe, ninguém viu. Nem os usineiros que estão indicados como recebedores de grandes parcelas do pagamento. Apenas como um exemplo, a assessoria do alagoano João Lyra informou aos repórteres de Época que ele nada recebeu. E consta que ele seria o destinatário de R$ 2,2 milhões em dívidas relativas a duas usinas em Minas Gerais.

Tem mais exemplos na reportagem da revista, que fez um excelente trabalho jornalístico de investigação. Checaram desde o início do acordo até os destinatários finais. O destino do dinheiro é um mistério.

Em Brasília, conforme noticia Época, existe a suspeita de que parte desses R$ 178 milhões tenha sido desviada. Um graduado funcionário do ministério chefiado por Paulo Bernardo disse à revista que “esse acordo foi visto com susto, depois com medo e, por fim, não se falou mais”. Segundo ele, “o receio era de um escândalo, porque tudo lembrava uma operação para desviar dinheiro para campanhas eleitorais”.

Temos aí então mais um grande escândalo do governo petista. E sobre este o presidente nem pode dizer que nada sabia. Os documentos impedem esta típica peta petista. Por força de normas comuns em gastos federais, o pedido foi aprovado pela Comissão Mista de Orçamento, presidida pelo senador Delcídio Amaral, também do PT. E recebeu a sanção presidencial de Lula.
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POR José Pires

Em baixa, mesmo com o caixa cheio

O ministro Paulo Bernardo tem sua base eleitoral no Paraná. Não tem nenhum apreço por esta ou aquela cidade. Mas qual petista tem? A cartilha partidária deles parece ter como o objetivo apenas o poder, não importa onde. Começou em Londrina, passou pelo Mato Grosso, voltou à Londrina, e hoje está de olho em Curitiba. Dizem que até seu título eleitoral já é da capital paranaense.

O PT do Paraná nunca teve facilidade na arrecadação de verbas de campanha eleitoral até que Paulo Bernardo foi para o ministério de Lula. Desde então, o caixa aparece ter aumentado de forma extraordinária. No mês passado, com as denúncias de doações ilegais da empreiteira Camargo Correia feitas pela Polícia Federal o PT nacional apareceu como o partido que mais recebeu dinheiro da construtora, com um destaque especial para os paranenses.

A maior doação foi para a mulher de Paulo Bernardo, Gleisi Hoffmann, candidata à prefeitura da capital paranaense. A mulher do ministro fez uma campanha caríssima, mas nem foi ao segundo turno. A eleição foi decidida por Beto Richa, reeleito no primeiro turno com 77,27% dos votos válidos.

Richa tem seus predicados, mas o Paraná é um dos estados do Sul do país vacinados contra o PT. Mesmo com o caixa cheio e fazendo campanhas bem caras, os petistas foram derrotados fragorosamente nas cidades mais importantes do estado. Em Londrina, cidade em que o ministro começou sua carreira política e onde é o mais poderoso chefe partidário, na eleição para prefeito o PT ficou em quinto lugar com 5.36% dos votos.

Para ler a reportagem de Época na íntegra clique aqui.
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POR José Pires

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Apoquentando o papa

Da série "Se você não tem o que fazer, faça na internet", veja o que estão arrumando para Bento XVI. Corre na internet um movimento para abarrotar o Vaticano de camisinhas. O assunto no qual o papa tem fixação levou à criação de um site com esta idéia maluca.

O site já conta, sem trocadilho, com 15 mil membros. O plano é enviar camisinhas ao papa e eles já tem mais de 70 mil delas.

Para ver a safadeza com Bento XVI, clique aqui.
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POR José Pires

Levando vantagem

A mídia chapa-branca incrustada na internet feito craca em casco de navio se animou com a brincadeira feita pelo presidente Barack Obama com o presidente Lula antes da reunião do G-20. “Este é o cara!” Hmmm, não sei não... Mesmo nos bandos juvenis de esquina este não é o jeito que se fala com os mais respeitáveis. Pode até não ter sido a intenção de Obama, mas parece gozação. Ainda mais vindo de quem realmente é “o cara” do momento.

Mas jornalistas governistas abrigados em sites ou na chamada blogosfera petista viram na brincadeira de Obama o significado de um alto prestígio de Lula. Mas e por que não? Lula é o dirigente de um país com uma das grandes economias do mundo e de grande peso estratégico na América do Sul. É verdade que isso é um sinal que o mundo não vai mesmo bem das pernas Nosso país tem uma economia de fachada externa. Sofre com graves problemas estruturais internos. Mas é o que temos. Sua importância é uma realidade mundial e isso obviamente confere respeito ao presidente brasileiro, qualquer um deles. Até os notórios Fernando Collor e Sarney gozavam do privilégio internacional de ser presidente de um país deste tamanho.

Fernando Henrique Cardoso gozou bem mais que todos. Sempre foi evidente sua proximidade com Bill Clinton durante a presidência dos dois. Era uma relação próxima da amizade. E se mantém até hoje. Mas por que digo isso? Bem, isso favoreceu bem pouco o Brasil. Nada mesmo. Penamos em várias crises e perdemos aquela década. Assim como estamos perdendo esta década capitaneada por Lula.

É que o que vale no final é o interesse de cada país. E para esse fim os norte-americanos são bastante habilidosos. Além de que, por tradição, esta defesa do interesse próprio é um valor muito caro para eles, forte até no aspecto pessoal. Lutam com afinco por seus interesses. São capazes até de cultivar a vaidade em adversários que se contentam com frivolidades.

Fernando Henrique Cardoso gostava de uns afagos no ego. Lula gosta bem mais. Vive disso. E assim como Bill Clinton, Obama sabe que parte substancial das relações na política é o cultivo da simpatia. Ambos também sabem que para levar vantagem às vezs é preciso fingir que o boa pinta é o outro.
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POR José Pires

Fala o eterno amigo do rei

Foi só uma brincadeira do Obama, companheiros. Inconveniente para nós pelo fato de Lula já estar disputando mais uma eleição e também porque mesmo tendo sido claro que aquilo foi uma amistosa galhofa entre colegas, nada impede que a máquina de propaganda governista tente transformar o fato em um símbolo do prestígio de Lula. Aliás, já estão trabalhando para isso desde ontem.

É verdade que alguns blogueiros governistas ficaram mais comedidos com a cena no G-20. É possível que saibam que esta é uma crise que não pode ser vencida com pequenos golpes, muito menos de marketing. Até alguns governistas sabem que no aspecto econômico estamos todos no mesmo barco. Só um petista boboca ou mesmo um tucano idem pode acreditar que um desastre econômico nesta fase da nossa vida política e social favorece algum lado. O aprofundamento da crise só oferece um lado: mais pro fundo do poço.

O evidente nervosismo de Barack Obama mostra bem o tamanho do buraco. E olhem que quase o mundo inteiro torce para que ele dê certo.

Mas tem gente exagerando quanto ao prestígio do “cara”, como disse Obama. Um desses é o jornalista Ricardo Kotscho, que tem um blog no... adivinhem onde — claro que é no portal IG, abrigo da blogosfera chapa-branca, ou pelo menos da parte mais nobre em proventos profissionais.

É ali que José Dirceu escreve, se é que é ele mesmo que faz seus textos. Paulo Henrique Amorim também tinha lá seu blog, antes de ser chutado desonrosamente depois que passou a questionar a estranha à fusão da Embratel/Oi com a Brasil Telecom, um negócio no qual o presidente Lula foi bastante ativo.

Kotscho saiu do governo petista no final de 2004. Era Secretário de Imprensa e uma das figuras mais próximas do presidente Lula, intimidade que vem desde a primeira campanha presidencial em 1989. Sua saída do governo não foi bem explicada até hoje. O jornalista até publicou um livro sobre o período, mas é uma obra choca, superficial até mesmo na análise puramente profissional da sua atuação no governo.

Kotscho publica seu blog no Ig e também escreve na revista Brasileiros. Quem nunca ouviu falar, nada perdeu. Não vale a pena. É de folhear e jogar num canto junto à Caras. Acompanho o blog por obrigação. É claramente a favor do governo. É escrito em um estilo songamonga, buscando a cumplicidade solidária do leitor com um suposto jeito boa-praça de servir o governo e fazer campanha eleitoral, mas é governista da fato.

Deve ser bacana ter um emprego para falar bem do governo. Nunca experimentei, mas parece bem bem mais fácil que o esforço individual para colocar uma voz crítica na internet.

Mas, deixando isso pra lá, não há honestidade na apresentação do autor do blog. Kotscho é apresentado numa coluna à direita como "paulista, paulistano e são-paulino e repórter do iG e da revista Brasileiros". Para saber que o jornalista também foi Secretário de Imprensa da Presidência da República no governo Lula" tem que clicar e ir para outro link, onde a informação está no meio de um texto, novamente sem o destaque necessário.

Bem, isso não é honesto. A menos que alguém me prove que na identificação de um blog que fala de "política" e critica a oposição é mais importante o autor ser "são-paulino" do que ter sido Secretário de Imprensa do Governo Lula.

E além de assessor Kotscho sempre foi amigo de Lula e de vários maiorais do PT, entre eles o deputado cassado José Dirceu. Na revista Brasileiros, por sinal, Kotscho publicou no início do ano passado uma entrevista com Lula que faz até parecer que ele jamais saiu do governo. É praticamente um release governista. Lula pediu para ser entrevistado, o que não soa como elogio para um profissional. Isso para falar em jornalismo. Mas foi novamente tão chocho que não repercutiu na opinião pública.

A revista é de uma acuidade polítia impressionante. Em julho de 2008 o encontro entre Fernando Henrique Cardoso e Lula no enterro da ex-primeira-dama Ruth Cardoso levou a revista a fazer do assunto a capa do mês e prever a aproximação política entre o tucano e o petista.

A capa da edição deste mês é a socióloga Maria Victória Benevides, petista histórica que no mês passado tentou fazer de uma breve rusga nascida na seção de cartas da Folha de S. Paulo uma polêmica nacional sobre nossa história recente e o papel da mídia. Falo mais alguma coisa sobre a Brasileiros? Deixa pra lá.
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POR José Pires

Vendo coisas na foto do antigo chefe


Mas vamos à animação de Kotscho com o prestígio internacional de antigo chefe. Para o dia da reunião do G-20 ele já havia preparado um texto para estimular essa imagem de grande prestígio internacional do Lula. Para isso baseou-se numa estranha análise da foto oficial que junta todos os chefes de estado com a rainha da Inglaterra. Parece ser o início da arrumação para a foto e nela Lula está sentado á esquerda da rainha.

O jornalista endoidou com a cena que entitulou como “O Brasil de Lula sai bem na foto”. Bem original, não? Pois Kotscho fez da disposição dos personagens um critério de valor no qual a proximidade com a rainha revela o prestígio de cada um. Pelo que se entende, o fato de estar sentado junto à Sua Majestade também dignifica mais um dirigente em relação a outro. A rainha é que ia gostar desse papo monarquista. Mas pela visão de Kotscho Lula está numa situação privilegiada porque ficou à esquerda da rainha. E sentado. Até o fato de Obama estar de pé atrás de Lula é insinuado como uma valorização do presidente o brasileiro. E, conforme Kotscho, Obama também tem um "o mesmo sorriso franco" de Lula.

A tecnologia da internet nos permite flagrar até a arrumação da sabujice. A foto analisada por Kotscho, que é a mesma aí de cima, está registrada como "lula-rainha-obama". Pode não significar nada, mas para mim é igual o Kotscho olhando foto do chefe, ou melhor ex-chefe: revela muita coisa.

Bem, usando o critério do ex-secretário de imprensa do Lula, dirigentes como Ângela Merkel, a primeira mulher a dirigir um governo na Alemanha, está — vá lá, vamos usar seu genial título — mal na foto. Do grupo dos 20, além da Alemanha também países como a China, Índia e pelo menos dez outros estão bastante desprestigiados mundialmente.

Esse é o Kotscho, ele que era um dos mais capacitados assessores de Lula. E pelo que escreve continua na assessoria informal. Lula está bem de assessores, mesmo os informais.

Levando em conta sua análise vamos ser nós e o país do Obama o centro da solução desta crise econômica mundial. Ainda nem, que estamos cheios das bufunfa, com dinheiro de sobra até para emprestar para o FMI.
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POR José Pires

Cenas da vida real

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O boa pinta brasileiro

Já roda pela internet o vídeo feito pela BBC em que o presidente Barack Obama faz o comentário de que o presidente Lula é o “político mais popular da Terra”.

A cena acontece pouco antes do início da reunião do G-20. Obama troca um aperto de mão com Lula e diz: “Esse é o cara! Eu adoro esse cara!” Depois, enquanto Lula cumprimenta o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, Obama diz: “Esse é o político mais popular da Terra”. E então finaliza: “É porque ele é boa pinta”. Você pode ver o vídeo aqui.


Pois é, já virou piada.
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POR José Pires

Lulices para o mundo inteiro

Costumo escrever aqui no blog sobre como é preocupante para a imagem do Brasil no exterior ter o nosso presidente inzoneiro falando bobagens mundo afora. É claro que penso apenas nos círculos restritos, entre personalidades políticas e formadores de opinião. Os outros povos se importam com o Brasil muito menos do que imaginam os brasileiros.

O que alguém como Barack Obama deve pensar depois de receber Lula? Nosso presidente (é... o que se há de fazer?) ficou por lá cerca de uma hora, fazendo piadinhas o tempo todo. Deve ter sido uma experiência pitoresca, algo como confabular com um político republicano daqueles bem retrógrados.

E o pior é que Lula quer fazer o papel do boa-praça com todos os dirigentes de outros países. Ele parece ter dificuldade de diferenciar entre uma reunião com meia dúzia de prefeitos de pequenas cidades e o encontro com um alto dirigente de um país estrangeiro. Tudo se mantém no mesmo nível de uma conversa de churrasco de domingão.

Agora, na visita do primeiro-ministro Gordon Bown ao Brasil, acabou soltando aquela frase sobre a culpa da crise ser dos brancos de olhos azuis. Esse é o resultado da condescendência de todos com seu estilo. Ele acaba passando do limite. Cercou-se de áulicos que veêm luzes quando ele fala e por isso perdeu o senso de medida. Não vê que aquilo que internamente até pode ser visto como a atitude de um governante boa-praça tem um efeito bem diferente no plano internacional. Aí, pode até ser desastroso.

O que ele fez foi uma afirmação racista. É inaceitável que o presidente da República faça distinções absurdas como esta, de que gente branca é responsável pelos males do mundo. Quando olho para o meu pequeno filho, branco e de olhos claros, mais para o verde, mas que sempre pode ser identificado como da "raça" dos causadores da crise, me dá um pesar e um alívio: primeiro, o pesar de que o futuro dele esteja sob a responsabilidade de um bestalhão desses, e depois o meu alívio por não vivermos [ainda] um clima de tensão racial. Com um presidente como Lula estaríamos guerreando nas esquinas.

Com essa conversa, aliás, Lula poderia ter feito o maior sucesso na sua rodada pela África, quando fez graça para ditadores de alguns países por onde passou. É a mesma auto-vitimização feita por ditadores como o africano Robert Mugabe quando são acusados por instituições internacionais por crimes em seus países. Mugabe culpa sempre os estrangeiros e por uma razão simples, talvez parecida com a de Lula: isto o exime de assumir suas próprias responsabilidades.

Também é bastante contraproducente levar para o plano racial uma discussão até justa sobre os graus de responsabilidade de cada país em relação à crise. Algum petista pode até dizer que é isso que ele quis dizer. Mas aí já temos outro problema, o de alguém que precisa de tradutor até para o que fala em português.

Mas, de qualquer modo, ele acabou culpando as pessoas brancas e de olhos azuis. O primeiro-ministro Brown ouviu a barbaridade e se calou, pelo menos aqui no Brasil. Mas ouviu outras coisas também. E agora saiu falando para o mundo todo.

Até parece uma desforra do inglês. Ontem durante entrevista coletiva ao lado de Obama na reunião do G-20, ele revelou para mundo inteiro o que Lula falou durante aquela reunião. É algo tão absurdo que até deixou em segundo plano a frase sobre a raça branca.

Vejam o que disse Brown: "Estive no Brasil na semana passada e acho que o presidente Lula me perdoará por dizer isso. Ele me disse: Quando eu era líder do sindicato, eu culpava o governo. Quando me tornei líder da oposição, eu culpava o governo. Quando me tornei governo, passei a culpar a Europa e a América."
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POR José Pires

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Decisão adiada

O Supremo Tribunal Federal (STF)decidiu adiar para o próximo dia 15 o julgamento sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalista. A decisão sobre a Lei de Imprensa, que também estava em julgamento hoje, fica também para o próximo dia 15. Dificilmente o STF não acaba com a Lei de Imprensa. A dúvida maior ainda é em relação à outra excrescência, o tal do diploma.

Mas, como sempre, fica para depois.
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POR José Pires

Liberdade de expressão, diploma não

O Supremo Tribunal Federal colocou na pauta de hoje a questão da obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista. Esta data, um primeiro de abril, é bem interessante para a análise deste tema baseado em mentiras, em posturas autoritárias. A cabeça fechada de setores corporativistas já produziu muitas inverdades na defesa de um instrumento puramente de reserva de mercado, mas o pior é ficarmos neste debate tolo, quando deviámos centrar nossas forças na construção da nova comunicação que surge no mundo. E isso não se faz com decretos.

A lei que criou a obrigatoriedade foi concebida pela Ditadura Militar no mesmo ano em que foi editado o AI-5 e só por isso já mereceria nosso repúdio. Mas a obrigatoriedade fecha um canal de expressão tornando e torna um privilégio corporativista algo que deve ser um direito de toda a sociedade, de todas as profissões, e até dos sem-profissão: a liberdade de expressão.

Os setores que defendem o diploma não gostam disso, mas o cerne da questão é a liberdade de expressão. E a obrigatoriedade é um impedimento para o exercício deste direito.

A nossa imprensa nem foi criada por profissionais diplomados. A imposição de um diploma em uma atividade que exige apenas certos conhecimentos técnicos que podem ser aprendidos em poucos toques é de uma tolice sem tamanho. Para exercer bem o jornalismo ou qualquer atividade de escrita o que vale é o conhecimento acumulado da pessoa. E isso não está em universidade alguma, muito menos no momento atual brasileiro, quando nossa educação universitária é de tão má qualidade que até já começa a criar problemas estruturais para o país.

Várias mentiras em defesa da obrigatoriedade já foram demonstradas pelo próprio avanço dos processos tecnológicos que colocam em xeque todo o conjunto da mídia. A modernidade da informática questiona o meio e a mensagem e fez da obrigatoriedade do diploma uma questão ultrapassada.

Seria melhor que o STF abolisse logo essa bobagem. Porém, mesmo que a obrigatoriedade seja mantida, teremos uma lei inócua, sem nenhuma possibilidade de ser colocada em prática. Ou vão mandar a Polícia Federal aprender computadores pelo país afora e prender esse monte de ilegais que escrevem sem diploma?
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POR José Pires

Perdendo tempo com discussão vencida

Este debate já retrógrado na época dos impressos, quando os sindicatos começaram a apelar para a obrigatoriedade do o diploma. E acabou sendo atropelada pelos avanços tecnológicos. Nossa esquerda está sempre atrasada, mas agora exageraram. Na era da internet querem decidir quem pode ou não exercer uma profissão sobre a qual nem mesmo existem mais certezas. O jornalismo está em processo de rediscussão no mundo.

No processo intenso de discussão sobre o jornalismo e os meios de comunicação existe pouca clareza sobre para onde vamos, mas já sabemos que o que está aí não dura muito tempo. O próprio conceito do jornal impresso está desmoronando em todo o mundo. As árvores agradecem. Talvez os peixeiros percam alguma coisa, mas eu penso que só teremos ganhos.

Jornais importantes tem cada vez menos leitores. Muitas dessas publicações já estão com um pé na internet. E muitos nem discutem se a canoa dos impressos afundará. A questão é apenas saber quando ela vai para o fundo.
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POR José Pires

A esquerda chutando os pobres

Mas a obrigatoriedade cria outra situação que nunca entra neste debate. Com fica o acesso dos pobres à liberdade de expressão e até mesmo à ascensão social possibilitada pela escrita?

Para ter o canudo preciso cursar uma universidade pública ou pagar para estudar em uma dessas arapucas privadas. Nos dois casos isso fica caro. Poucos falam, mas é demagogia dizer que o pobre pode ter o acesso à universidade por programas governamentais como o que estão aí.

Não é nenhuma novidade apontar as incoerências da esquerda, mas neste caso da exigência do diploma ela atenta contra um dos fatores sociais mais importantes do jornalismo em nossa história. Os jornais sempre foram a porta de acesso para as classes mais pobres participarem das grandes discussões nacionais. Era também a possibilidade de ascenção social, da busca de voz política para as classes mais pobres.

Sem a exigência de canudo algum o jornalismo esteve sempre aberto aos jovens talentosos saídos da pobreza. Bastava ter inteligência e uma certa habilidade na escrita para alcançar um espaço social e político significativo. Isso acontecia, é claro, não só com jovens pobres, mas também com pessoas que não queriam seguir nenhum curso universitário, mas construir uma carreira intelectual ou criativa de forma independente. Os jornais sempre atrairam este tipo de gente. E a sociedade sempre ganhou muito com isso.

Na área do Direito ou Arquitetura, por exemplo, só se entrava com o canudo. E para isso era preciso ter alguma posse. No jornalismo não. Bastava mostrar inteligência e talento para poder freqüentar as redações e logo estar publicando nos grandes jornais do país.

É indiscutível a qualidade que isso sempre trouxe não só ao jornalismo, como também à democracia brasileira.

Com a obrigatoriedade do diploma exigida pela esquerda, fecha-se a porta para os jovens pobres. E que nenhum cínico venha dizer que o Prouni é uma chave para evitar
essa injustiça.
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POR José Pires

Obrigatoriedade de difícil aplicação

Outra mentira corporativista, esta bem cínica, é colocar a obrigatoriedade no campo da melhoria da qualidade crítica da nossa imprensa. Não é verdade nem na essência. Se fosse assim, os sindicatos de jornalistas e as federações produziriam o melhor material da mídia brasileira. E a verdade é que produzem pouco. E o que sai do meio sindical jornalístico é muito, mas muito ruim mesmo. É basicamente ideológico e sem qualidade jornalística.

Outro fato é que a obrigatoriedade nem está mais afeita aos jornalistas, mas sim aos assessores de imprensa, que com a crise no mercado jornalístico acabaram se tornando mais numerosos que os jornalistas que trabalham nas redações. Estes, com todo o respeito às suas atividades, não praticam jornalismo. Faço a ressalva porque sei que alguns tentarão me indispor com os assessores. Para desviar do que é substancial na discussão, vale tudo. Mas um bom assessor de imprensa sabe que um requisito jornalístico obrigaria que ele ouvisse o outro lado. Bem, em sua atividade o outro lado muitas vezes é o próprio produto concorrente.

Trata-se de outra atividade, cada vez mais influente e que, aliás, ocupa espaços também cada vez maiores e sem a necessidade da intermediação profissional do jornalista. Nestes tempos de internet o que deve acontecer cada vez mais é a comunicação direta com o público que interessa às empresas. Daí entra o assessor de imprensa e não mais o jornalista.

A internet traz também uma questão importante caso o STF cometa o erro de validar a obrigatoriedade. Para mim, é o mais significativo nesta discussão. O que os interesses corporativistas irão fazer com a numerosa quantidade de pessoas de todas as profissões que escrevem na internet?

É muita gente sem o diploma. E muitas delas escrevendo e informando melhor que qualquer jornalista saído dessas arapucas chamadas faculdades de jornalismo — inclusive algumas universidade públicas que também praticam algo bem parecido com o estelionato. Na área dos blogs de música, por exemplo, a maioria está sob o comando de pessoas que jamais trabalharam em jornais, sem diploma ou com diploma. E esses blogueiros fizeram em pouco tempo uma revolução no acesso ao conhecimento musical e às própria músicas. A Federação dos Jornalistas vai mandar fechar estes blogs como as grande corporações fonográficas tentam fazem?

Se houvesse alguma obrigatoriedade do tipo na internet eu penso que hoje em dia este meio nem teria se desenvolvido. Na minha opinião, a obrigatoriedade do diploma é uma das causas maiores da derrocada da mídia impressa que, no Brasil, teve uma queda de qualidade enorme nos últimos tempos. Antes do início da internet nossos jornais já caíram bastante em qualidade, em parte pelo descompasso no mercado de trabalho criado pela proliferação de péssimos cursos jornalísticos.

Então irão proibir de escrever na internet sem o diploma? A Polícia Federal atacará, sem algemas ou com algemas, os escritórios e cantos de sala onde são produzidos blogs que estão produzindo conteúdos que apontam para o que de melhor se pode fazer na comunicação global? Será que pelo menos e-mail poderá ser escrito sem o diploma?

Pode ser uma boa idéia para aumentar o mercado de trabalho e a conseqüente renda dos sindicatos. Impor a obrigatoriedade de que todo todo e-mail seja escrito por um jornalista com diploma.

Tomara que hoje no STF seja extinta definitivamente a obrigatoriedade do diploma de jornalista. Pelo menos para ficarmos livres desse debate retrógrado e podermos nos concentrar naquilo que realmente importa.
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POR José Pires

terça-feira, 31 de março de 2009