segunda-feira, 21 de setembro de 2009

E viva a marolinha

Com as contas apertadas por uma crise que é bem anterior à crise econômica mundial, a imprensa brasileira vem tentando animar o mercado interno com notícias favoráveis sobre a nossa economia. É claro que nas redações todos sabem que não bateu por aqui nenhuma marolinha. Muitos também sabem que o percurso é longo não só para encontrar a solução para o que vem ocorrendo, mas até para entender que tipo de procedimentos serão exigidos para conter uma crise como esta e encaminhar políticas renovadoras.

A crise até poderia ser a mesma de sempre, a dos manuais dos economistas. Mas, se já ocorreu alguma crise como esta, nenhuma outra teve como cenário um planeta com os recursos naturais próximo do esgotamento. Crise de 29? Bem, naquele tempo ainda havia muito planeta para queimar. O resultado, inclusive, é um crescimento de lá para cá feito às custas da destruição.

A fornalha manteve-se ativa como combustível do crescimento do mundo ocidental, ou pelo menos de alguns países sortudos. E lá se foi parte da África, da América Latina, e tantos continentes em que recursos naturais viraram cinza para fortalecer a economia. E a devastação para fazer caixa não se restringiu ao capitalismo. Foi um processo livre de afunilamentos ideológicos. A antiga União Soviética destruiu imensas porçoes de territórios anexados com a revolução comunista. Água, minérios, florestas, tudo virou combustível econômico. Até gente foi para a fornalha. Só na Ucrãnia morreram 10 milhões de pessoas em planos econômicos sem nenhuma sustentação.

Aqui também tivemos nossa parte nesta conta a fundo perdido. A Amazônia está sentindo de forma mais forte agora, mas a Mata Atlântica se foi quase toda. Regiões brasileiras, como o Nordeste, consumiram esta mata até o último toco. E hoje falta-lhes até água. A última notícia que tivemos é sobre o cerrado brasileiro, que teve consumida a metade de sua mata original.

Tenho falado bastante disso aqui. O mundo não sai da crise sem um modelo novo. Este usado até agora se esgotou e não é a ideologia que pesou no passamento do modelo. Pode-se se dizer que a morte foi natural. Morte natural do planeta, é claro.

Nesta inviabilidade não há o peso simbólico de um Muro de Berlim desmoronando. O esbororamento é bem mais grave e, por isso mesmo, não admite subterfúgios. É a própria forma natural do planeta que exige.

O lulo-petismo, é claro, não está nem aí para a sustentabilidade, a não ser a deles no poder. O único futuro que lhes interessa é o do ano que vem, dos palanques e das urnas. Então seguem a velha fórmula de promover gastança para esquentar a economia e dar uma impressão de que o trabalho está sendo feito.

A base do projeto econômico futuro do petismo é até assustadora. É a do pré-sal. O petróleo virtual. Mas suponhamos que seja mesmo possível colocar as mãos no óleo estocado abaixo do oceano, na profundezas do solo. Quer dizer então que o Brasil vai dar a volta por cima vendendo petróleo daqui a vinte anos para todo o planeta? Bem, causas naturais e geopolíticas levam à previsões nada otimistas neste campo. Dentro de duas décadas, o petróleo pode não ser mais um produto comercializável do mesmo modo que é agora. É possível que necessidades extremas até de sobrevivência leve alguns países a substituir o atual modelo de compra e venda pelo processo do me-dá-cá-que-é-meu. E os aviões comprados do Sarkozy ou de qualquer outro não bastarão para defender o modelo de agora.

Que superação econômica doida é esta de que a mídia fala? Voltar a um ponto anterior da nossa economia, qualquer um deles, sempre é regressar ao atraso e à exploração mais vil, em alguns casos abaixo até do ponto mais baixo de exploração capitalista. Exploração de seres humanos e do meio ambiente.

Numa economia como a nossa, onde até o moderno etanol é extraído por mãos submetidas a um regime próximo da escravidão, quem fala em recuperação do que tínhamos merece levar vaia, para dizer o menos. É triste ver nossa mídia nesta tolice de aplaudir a retirada do bode na sala. Mesmo a gente sabendo que é só para garantir que anunciantes não fujam berrando de pânico.

Mas, pelo menos temos uma compensação com o discurso da "marolinha", uma das grandes besteiras de Lula, tido sempre como grande articulador e tido em política como homem muito inspirado.

Esta bobagem, saída evidentemente de um improviso seu e depois alimentada por marqueteiros desatentos, impede até que os governistas aproveitem todo o potencial da mentira propagandística armada pelo lulo-petismo em torno desta crise. Será que querem que eu me junte à claque? Dá vontade.

Com a conversa de que tivemos uma "marolinha" no Brasil, o que pode se fixar na compreensão da população é que o problema econômico não foi tão grave. Parece que isso já vem ocorrendo. Ora, este entendimento forçado pela máquina governista diminui bastante o espaço de manobras para o lucro político do lulo-petismo.

Se o que vem pela frente não fosse tão grave, até eu sairia por aí dizendo que foi mesmo uma marolinha. Mas quem tem responsabilidade é obrigado a pensar o mundo bem além dos palanques de 2010.
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POR José Pires

Reticências...

Presidente Lula defende reformas...

...no sistema financeiro mundial.

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POR José Pires

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Maravilhas da internet

Ah, como sapear pela internet ilustra. São carradas de informação nesta revolucionária tecnologia. Passo por um site e vejo que o presidente Barack Obama disse que Kayne West é idiota. Não sei quem é o idiota, mas se é o Obama quem diz a gente sempre se obriga a ler a matéria, mesmo que seja apenas para não passar por idiota numa roda amigos.

Bem, se os que me lêem também não sabem quem é Kayne West, vão perceber logo que a internet ilustra mesmo.

West é o cara desta semana e eu só soube agora. É um cantor de rap que invadiu o palco na premiação do Video Music Awards 2009 da MTV, no último domingo, tirou o microfone das mãos da cantora Taylor Swift e disse que o prêmio que ela tinha acabado de receber deveria ter sido concedido à Beyoncé.

Foi por isso que Obama disse numa conversa informal que o cantor é idiota. E com toda a razão. E nem o Bush haverá de contestá-lo nisso, ainda mais que Taylor Swift é cantora de música country e West é negro. Ê lasqueira!

Viram como é? Agora, se o assunto surge numa roda, logo pegamos o mote e inserimos nossas observações inteligentes. Por idiota a gente já não passa. É como o caso do Fábio de Melo... Como assim, quem é Fábio de Melo?

São as vantagens de sapear por aí na WEB. E a vantagem de vocês estarem por aqui. Fábio de Melo é padre-cantor da Canção Nova, esta coisa estranha gerada no virgem seio da Igreja Católica. É também amigo do Gabriel Chalita, outro líder da Canção Nova, que está se bandeando para o lado do presidente Lula para ser candidato ao Senado pelo PSB em São Paulo.

A internet ilustra tanto que fui saber do Fabio de Melo no blog do Reinaldo Azevedo, talvez um dos lugares mais inusitados para adquirir este tipo de conhecimento. E corri para o site do cantor porque fiquei curioso com uma foto dele descrita pelo Reinaldo Azevedo, uma foto em que ele, o Melo e não o Azevedo, está segurando uma hóstia “gi-gan-tes-ca”, conforme escreve o Azevedo, querendo, é claro, dizer mais que isso.

Esses rapazes da Canção Nova são mesmo esquisitões. Outro dia sapeando pelos canais de TV vi o Gabriel Chalita e me veio de imediato à memória a imagem do Clodovil apresentando o programa que ele tinha na TV. Era para lembrar a Ana Maria Braga, pois o Chalita comia um prato preparado por um cozinheiro que ele entrevistava, mas não: lembrei mesmo do falecido Clodovil.

Nem esperei o Chalita dar três garfadas e segui para o próximo canal para ver como seguia o leilão dos melhores bois zebus do Mato Grosso que já apareceram em nossa televisão, como dizia o leiloeiro. É que TV a cabo também ilustra.

Hoje em dia tudo ilustra. Vejam só: em menos de dois minutos soubemos quem é Kayne West, Taylor Swift, Fábio de Melo e até soubemos que o Gabriel Chalita tem um programa na TV que é um cover (palavra, aliás, dicionarizada) do que fazia o Clodovil.
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POR José Pires

Falou bonito

O presidente Lula frustrou minhas expectativas na posse ontem, em Curitiba, do primeiro juiz cego do país. Eu disse aqui que era uma ocasião certa para Lula falar besteira e não é que ele veio com uma afirmação correta?

Lula disse que sofre de "deficiência intelectual". Ainda bem que eu não estava lá, senão teria que me juntar à claque petista.
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POR José Pires

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Expectativa

É imensa a possibilidade de asneiras em discursos hoje em Curitba. O presidente Lula participa na capital paranaense da posse do primeiro juiz cego do Brasil.
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POR José Pires

terça-feira, 15 de setembro de 2009

O PIB da jogatina

Ainda sobre o significado do Produto Interno Bruto, o danado do PIB, temos mais uma notícia que mostra que nem sempre dinheiro em caixa traz um bom saldo social. Mais que isso, certo tipo de desenvolvimento acaba sempre em dívidas para o futuro, um custo sempre mais pesado que o lucro imediato.

Vamos aumentar o PIB? O Congresso Nacional está aprontando um novo incremento. Alguns deputados resolveram desengavetar o projeto que libera máquinas caça-níqueis, videopôquer, videobingo e cassinos. O projeto já está na Comissão de Justiça e ali deve passar fácil.

É claro que um projeto desses nada mais é que facilitar os negócios do crime organizado. Mas para facilitar o trâmite do monstrengo, o relator do projeto, deputado Régis Oliveira (PSC-SP), deu um boa incrementada no texto, usando até dados cedidos pela Força Sindical, do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, por sinal um deputado que está sempre encrencado com suspeitas de participação em negócios ilícitos.

Baseado em números da Força Sindical, o relator anda falando à imprensa que a proibição do funcionamento das casas de jogos resultou no fechamento de 320 mil postos de trabalho.

Bem, a prisão de Al Capone também deve ter tirado o emprego de muita gente em Chicago. Mas vamos ajudar o deputado-relator da liberação geral da jogatina. Então, com a liberação, de pronto já teremos 320 mil posto de trabalho.

Mas serão muito mais empregos e também bastante atividade industrial, pois alguém terá que construir as máquinas para os jogos e todo o mobiliário desses cassinos e casas de jogos. E haverá com certeza uma boa animação no mercado imobiliário. Também a atividade publicitária deve ser incluída, até com com uma estimulada na mídia, que anda implorando anúncios. E é claro que, por extensão, haverá um estímulo financeiro geral no comércio e na indústria, pois quem trabalha com jogo compra carros, roupas, televisão e até computador.

E nem vou falar de toda atividade ilícita em torno da indústria do jogo, um trabalho sempre encoberto, mas que no final não deixa de ser também atividade econômica que vai bater no PIB. Afinal, dinheiro sujo se lava em casa.

Conforme já avalizou a Força Sindical, o jogo é um incremento na economia. De início será uma euforia. O custo final, porém, evidentemente será muito mais alto que os ganhos imediatos. Pode colocar o dobro, ou até mais, do custo social dessa liberação.

O lucro do jogo para o Brasil é mais ou menos como o da bebida alcoólica, não à tôa dois vícios terríveis e que costumam andar juntos. E ambos também com bons lobbies na política.

Vamos à saideira. Tenho aqui dados de 2003, mas a situação deve ter piorado, pois bebe-se cada vez mais no Brasil. Estimava-se então que a indústria do álcool movimentava 3,5% do PIB. Mas o pais gastava 7,3% para tratar dos problemas resultantes da bebida. Sem contar a ressaca.

Mas de imediato o que conta é a lorota do PIB. Para isso, até a indústria criminosa do jogo é bem vinda. Pode colocar junto com a soja, o gado, os minérios que estão se esgotando. Depois de 2010 a gente pensa na conta.
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POR José Pires

Em vão

Sobre o vereador do Paraná acusado de embolsar parte do salário dos assessores e que, pego com a mão na cumbuca, disse "Prefiro que Deus tire minha vida se alguma vez agi desonestamente em meu gabinete ou na Câmara", o leitor Newton Morato suspeita que ele está sendo malandro até com Deus.

Vejam sua opinião:

"No 'gabinete ou na Câmara' disse o Arildo. Ocorre que os ilícitos foram praticados em outro lugar; a divisão dos salários com os assessores era no banco."

Pela teoria do Moratto, ainda não será desta vez que teremos a felicidade de ver um raio caindo na cabeça de um vereador. Mas tem o lado bom: pelo menos não terei de rezar o Pai Nosso todos os dias.
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POR José Pires

Castigo divino

Em Londrina, no Paraná, depois de ser afastado do cargo pela Justiça o vereador Paulo Arildo (PSDB), que é acusado de se apossar de parte dos salários de seus assessores, afirmou o seguinte: "Prefiro que Deus tire minha vida se alguma vez agi desonestamente em meu gabinete ou na Câmara".

Para você verem o risco que é acompanhar a política brasileira. Se um homem desses sofre um acidente fatal amanhã é capaz até de eu me converter.
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POR José Pires

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Um bom aniversário para a crise

Se alguém ainda tivesse dúvida sobre como a imprensa brasileira é imensamente mansa com o lulo-petismo quando se trata da economia, a cobertura do primeiro aniversário da crise mundial deixa bem claro que neste caso os interesses convergem. Imprensa e PT parecem não ter medo de ser felizes.

É interessante, pois a crise não pode ser discutida com rigor exatamente porque ela afetou o caixa da mídia também com rigor. E exatamente no momento em que esta mídia já estava envolvida com outra crise mais grave, provocada em boa parte pelas novas tecnologias. Vivendo uma crise financeira e de identidade que atinge os próprios conceitos de comunicação e ainda levando uma paulada da crise, nossos jornais tentam criar um clima otimista para pelo menos salvar os anúncios.

Noutro dia até o Estadão, que tem feito um jornalismo bastante crítico na área política veio com a história de que O Brasil sai maior da crise. Só falta falar então que a crise foi boa. Seria até boa a piada, se não estivéssemos nela. O Brasil sempre se recupera, sempre se sai bem. Só esquecessem de dizer que nem ao patamar anterior nós voltamos. E também não dirão jamais que este patamar já não era bom.

É uma afinidade estranha com um governo que peca em praticamente tudo quando se pensa numa economia sustentável e com algum fôlego para enfrentarmos os tempos difíceis que vem por aí. Sem falar que também é um governo que, como disse um ministro de Lula, é o mais corrupto da nossa história. Mas o fato é que, mesmo praticando toda espécie de maracutaia, se atender a certos interesses, na economia dá para perdoar até ministro da Fazenda envolvido em invasão e divulgação do sigilo bancário do contribuinte.

Lula só reclama da imprensa porque precisa apontar demônios para que a população não perceba que o diabo é ele mesmo. A cobertura do primeiro aniversário da crise faz do Brasil um paraíso blindado em meio à crise. A palmas abafam o senso crítico. Para a crise nada? Tudo! Bem, tomara que com isso a imprensa consiga ao menos segurar os anunciantes.

Chega a ser apavorante que nesta situação que o planeta atravessa, nossos jornalistas ainda analisem a economia completamente dissociada do meio ambiente, uma questão estrutural sempre relegada a segundo plano e que, até por isso, hoje adquire um valor vital. O desenvolvimento brasileiro é baseado na queima dos nossos recursos naturais. E já não sobra muito para fazer caixa.

Só olhos treinados podem ver a verdade nas análises do aniversário da crise. Está nas entrelinhas, em pequenas notas ou numa ou outra coluna de analistas mais sérios. Daí pode-se ver a falsa musculatura da economia anabolizada para as eleições de 2010.
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POR José Pires

Negócios sem futuro

Já se começa a perceber que o PIB não é a medida certa para analisar o futuro de país algum. Muito menos um PIB como o nosso, feito à base de exportação de produtos primários. O grande responsável por este falso equilíbrio da economia brasileira são as exportações para a China. Vinicius Torres Freire, jornalista da Folha de S. Paulo, que costuma informar com qualidade seus leitores, diz que enquanto as exportações para os EUA e para a Argentina caíram, respectivamente, 45% e 41%, as vendas para a China cresceram 22%.

O problema é que 80% dessas vendas brasileiras foi de produtos primários. E, pior ainda, mandamos para lá soja e ferro. Bem, isso ajuda a equilibrar o caixa e anima bastante o falatório de Lula. Mas temos que ver quanto custa de fato essas exportações, quando sabemos que retirar esta soja e o minério do nosso solo vai ficar bem caro para o futuro.

O Brasil ainda parece um país colonizado. Vende solo, água, minérios, muita coisa já no caminho do esgotamento. Até agora nossa natureza resistiu, mas já não agüenta a próxima década neste ritmo. O Ministério do meio ambiente veio na semana passada com a notícia de que o cerrado brasileiro já teve destruída metade da sua mata nativa.E este é apenas um dos rombos em nossos recursos naturais. Vão cortando em fatias e fazendo caixa. Do cerrado, já foi metade. Dá para comemorar um PIB feito desse modo?

Isso sem falar no comprador, a China, um país que só pode ser bem visto por que tem visão apenas de curto prazo. Os chineses tocam um projeto de desenvolvimento que está para trombar com o desastre ecológico que vai-se construindo conjuntamente com o impressionante crescimento de sua economia.

O arquiteto francês Christian de Portzamparc, que lidera um plano de reurbanização de Paris conta que a cidade de Pequim não investe nada em transporte público porque todas as indústrias automobilísticas estão investindo na China. De olho neste capital, os chineses encheram a cidade de autoestradas periféricas. Isso lembra nosso modelo.

O arquiteto fala em “décadas de crescimento no mercado automobilístico na China”, mas aí acho, que apesar de ter detectado tão bem o problema urbano, ele se distraiu em relação ao panorama geral. Só é possível a China ter “décadas” de crescimento de qualquer tipo caso seus dirigentes encontrem um jeito de dar a seus milhões de habitantes a água que já começa a faltar até para os usos básicos.

Fazer PIB desse jeito e com parceiros desse tipo pode até dar resultado eleitoral para 2010. Mas e depois?
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POR José Pires

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Marqueteiro em queda

A queda da ministra Dilma Rousseff na pesquisa eleitoral do CNT/Sensus é algo muito grave. Sempre é ruim sair mal em pesquisas, é claro, mas a diminuição dos números é ainda mais inquietante pelo período em que isso ocorreu.

É esperar o que vem pela frente. Mas se for confirmada a tendência de queda, a candidata de Lula deve perder um de seus profissionais de campanha mais gabaritados, o assessor especial para assuntos internacionais da presidência da República, Marco Aurélio (Top! Top!) Garcia, que sem que lhe fosse pedido, em abril passado exibiu insólitos predicados de marqueteiro.

Naquele mês a imprensa havia descoberto que Dilma tinha câncer. Dizendo-se um “dilmista de primeira hora” (também de forma espontânea; ninguém perguntou nada sobre isso), Garcia disse sobre a doença o seguinte: “do ponto de vista político isso vai reforçar a candidatura dela”.

Não é o que vem ocorrendo, de modo que Dilma Rousseff talvez não deva contar com este marqueteiro.
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POR José Pires

O agora lido Lula

Ainda não há sinal de que tenha passado a azia que Lula confessou recentemente que o hábito da leitura lhe causa. Leitura é um costume que exige um certo tempo para ser adquirido e, como ele não fez nenhum esforço para isso nos últimos trinta anos, não há de ser agora que irá achar suportável passar a tarde com um bom livro. O estudo e a leitura de estudos e documentos, então, nem pensar.

Mas parece que perceberam que a confissão do Supremo Apedeuta pegou mal. Nesta semana, na coluna semanal “O Presidente Responde”, publicada em vários jornais brasileiros, Lula afirma não é verdade que esteja pouco interessado em se manter informado.

Bem, disso não dá para culpar a oposição, pois foi ele que disse que não gosta de ler jornais. Além disso, ele também espalha de forma incansável o desprezo pelo mérito que pode ser alcançado por meio do estudo e da aplicação pessoal.

Na coluna tem lá um palavrório sobre o tema, evidentemente escrito por algum profissional. Se Lula tem azia para ler, o enfrentamento do teclado de um computador pode exigir depois um transplante de estômago. Então é bom evitar.

Mas tem algo bem interessante nesta coluna da semana. Lá pelas tantas, Lula, ou melhor, alguém escreve no texto assinado por ele: "Inclusive, concedo entrevistas praticamente todos os dias e não poderia dar informações se não contasse com informações".

Lula dando informações? Eis aí outra novidade, ou mais que isso, outro mistério petista insondável.Ora, todas as vezes em que o país precisou de informações do Lula ele disse que não viu nada.
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POR José Pires

terça-feira, 8 de setembro de 2009

De olho no doutor

Na pesquisa CNT/Sensus, em seu quesito escolaridade, a ministra Dilma Rousseff tem sua melhor marca entre os eleitores que possuem curso superior: 20,5%. Curso superior? Espera aí, se algum desses se apresentar como doutor é bom verificar bem se o título confere.
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POR José Pires

Noblat e a opinião da mulher dos outros

As encrencas que a internet pode criar. Junte-se uma certa irresponsabilidade do blogueiro e a vida de uma pessoa pode ser bastante prejudicada com apenas um pequeno texto.

Como faz todo mundo hoje em dia, Gisele Sayeg Nunes Ferreira tem sua página no Facebook. Deve possuir uma também no Orkut, talvez até no Flickr, hoje em dia as pessoas tem páginas de uso próprio em vários endereços.

Pois ela teve um problema em um vôo da Gol hoje, talvez em função do mau tempo que está fazendo em várias regiões do país ou até por deficiências da empresa aérea. Acontece que ela escreveu um desabafo em sua página do Facebook, onde disse que a Gol tem “tem todo jeito de uma arapuca” e que, desse jeito é difícil o país pensar em ter Copa ou Olímpiada, pois “basta o mau tempo fechar alguns aeroportos no sudeste para que o Galeão naufrague no caos”.

Não peguei estas opiniões na página da Gisele. Elas foram publicadas agora há pouco no Blog do Noblat, de responsabilidade do jornalista Ricardo Noblat, que transcreveu dois textos inteiros da Gisele e a identificou como "mulher de Aloysio Nunes Ferreira, chefe da Casa Civil do governo de São Paulo". Bem, digo com o maior respeito pela Gisele, que não conheço nem de dar uma passadinha em sua página do Facebook, que é óbvio que o cargo político de seu marido é única razão do Noblat ter destacado um pequeno recado no Facebook de uma pessoa que, ao que eu saiba, não está em nenhum cargo público.

E é claro que, dependendo do uso que alguém pode fazer desta informação, este tipo de opinião pode até ser prejudicial para seu marido, Aloysio Nunes Ferreira, que também é identificado por Noblat como “aspirante à vaga de José Serra”. Também é óbvio que pode atingir Serra.

As ligações, vejam bem, quem faz é o Noblat. É a opinião da mulher de um dos homens mais próximos do governador Serra. De outro modo obviamente isso não seria assunto de divulgação ampla, como ele está pretendendo. O Facebook de Gisele não interessaria como informação para um público amplo a não ser no contexto da opinião da “mulher do Aloysio Nunes Ferreira, chefe da Casa Civil do governo de São Paulo e aspirante à vaga de José Serra”, como escreve o Noblat.

Ele está inventando assunto e, com isso pode complicar a vida pessoal de alguém. É correto ficar sapeando páginas pessoais na internet e pinçar opiniões dando a elas um peso totalmente fora do contexto em que foram emitidas? É uma pergunta retórica, é claro, pois eu penso que não.

Fico imaginando se a moda pega. Com tanta informação inútil tomando o nosso tempo, não precisamos de mais esse jeito de fabricar notícia, uma técnica bem parecida com aquela outra muito citada, a de encher lingüiça.

Talvez eu seja muito antiquado nessas coisas, mas não acho ético esse procedimento. Mas também pode ser um preciocismo da minha parte e o Noblat só estivesse querendo estragar o jantar do casal Nunes Ferreira. Talvez ele tenha conseguido.
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POR José Pires

Os números falam e alguns até babam

Saiu mais uma pesquisa CNT/Sensus no início dessa tarde. O governador José Serra lidera em todos os cenários de primeiro turno. Para a candidata de Lula, Dilma Rousseff, é um desastre. Ela teve índices menores que na última pesquisa divulgada em maio, numa queda abaixo da margem de erro. Sua rejeição também é muito alta. 37,6% dos entrevistados não votariam nela. O diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes, disse que nenhum candidato é eleito quando sua rejeição chega à casa dos 40%.

Bem, não sou de confiar em institutos de pesquisa, muito menos tão longe assim da eleição e muito menos ainda no CNT/Sensus, por motivos que já expliquei aqui.

Mas, de qualquer forma, depois de divulgados, os números não deixam de ter sua influência eleitoral. E os que estão aí colocam Dilma Rousseff numa situação bem difícil. O que ele deve fazer, primeiro, para atrair a atenção do eleitor, e, depois, ganhar seu voto? A ministra está em campanha permanente. A verdade é que até o câncer está sendo usada desde a revelação de sua doença.

E a candidatura não vai. O poste não decolou. E os brasileiros até acham que ela é mentirosa. O CNT/Sensus perguntou sobre a reunião informal que a ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, afirma ter tido com a ministra-chefe da Casa Civil, quando Dilma teria pedido intercedido pelo senador José Sarney. Pois 35,9% dos entrevistados acreditam em Lina Vieira. E 23,6% acreditam em Dilma Roussef. Sorte dela que a mentira em seu currículo é uma questão distante da população. É bom para a ministra que o doutorado que ela nunca fez, mas que ostentou, esteja mesmo fora do universo popular, pois se fosse objeto de pesquisa é provável que este índice de mentirosa fosse bater nos 50% ou mais.

Outro problema é que seu adversário mais visado, o governador José Serra, não está em campanha pelo Brasil, ocupando todos os palanques possíveis, como vem fazendo Dilma, com seu PAC de araque. Serra ainda sofre, como sempre, com o bombardeio dos próprios colegas tucanos. E não sai da primeira colocação.

Mas tudo isso não é surpresa para mim. Nunca achei que a candidatura de Dilma Roussef fosse dar certo. O que me parece mesmo inusitado é a situação de Heloisa Helena, hoje vereadora em... onde mesmo?, ah, em Maceió. A chefona do PSOL está brilhando em todos cenários, com números de 10 a 18%.

Numa improvável simulação em que saem os nomes de Dilma Roussef, Ciro Gomes e Serra e entram Aécio Neves, Marina Silva, Antônio Palloci e ela, a ex-senadora fica com 18%, empatando com Aécio Neves na primeira colocação.

O que isso significa? É um resultado constrangedor. Este monte de voto cravado em Heloísa Helena prova que cerca de 10% dos brasileiros não tem jeito, não. Só internando.
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POR José Pires

Claque lulo-petista

As viagens do presidente Lula à África não foram em vão. Ele aprendeu muito por lá. O petista não trouxe o segredo para ficar mais de 20 anos no poder, como ficou curioso em saber de um dos ditadores a quem fez gracejos e trocou amabilidades, mas já está colocando em prática o modo deles forjarem popularidade para ficarem bem com os visitantes estrangeiros.

No desfile de Sete de Setembro em Brasília, o governo fez ocupar com uma claque de simpatizantes as arquibancadas mais próximas do palanque principal, onde estava Lula e as demais autoridades.

Na arquibancada chapa-branca só entrou gente disposta a aplaudir, inclusive com camisas promocionais distribuídas pelo governo da candidatura do Brasil a sede das Olimpíadas de 2016. Para entrar, era preciso apresentar um convite oficial distribuído pela Presidência da República.

Quando desceu do palanque para receber o presidente Nicolas Sarkozy, Lula fez questão de levar o francês até sua claque particular. É claro que os dois foram aplaudidos. Sarkozy não deve ter estranhado. Eles já tiveram tratamento semelhante ao longo da história colonial da França.

Aquele amigo do Lula, o Chico Buarque, dizia que o Brasil um dia ainda haveria de tornar-se “um imenso Portugal”. Pois é, nem chegamos a tanto. Com os hábitos do lulo-petismo, estamos virando apenas uma África um pouco menor.
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POR José Pires

sábado, 5 de setembro de 2009

O blog do Planalto que não é blog, seu clone e outros blogs

O chamado Blog do Planalto ganhou um clone. Este, vamos começar a aspar, "blog" oficial é feito pelo setor de comunicação do Palácio do Planalto. É coisa do ministro Franklin Martins. Na época da Ditadura Militar, quando alguma coisa ia bem na resistência democrática ao regime eles se infiltravam para atrapalhar ou faziam alguma porra-louquice que criava justificativa para um endurecimento político do regime. Era um jeito de ocupar espaço, como eles diziam. Agora eles fazem blog.

O material é produzido por uma equipe profissional. Ou seja, é mais gente da blogosfera petista sendo paga por você, contribuinte. O "Blog", que de blog nada tem, sendo mais um mero repositório de informações do interesse do governo Lula, estreou há alguns dias sob críticas: as mais contundentes, por incrível que pareça, é a de que o dito “blog” não tem espaço para comentários. Os descontentes embasaram suas críticas inclusive neste argumento, como se o fato de ter ou não comentários é que defina tecnicamente um blog.

E não é. O blog do Janer Cristaldo, por exemplo, é fechado para comentários. E nem por isso deixar de ser um blog e, melhor ainda, um dos mais bem escritos de toda a internet. Cristaldo não aceita comentários. Porém, seus leitores enviam mensagens eletrônicas que ele costuma publicar no meio das notas.

Em muitos casos, aliás, a seção de comentários de muitos blogs é um terreno onde aparece apenas a turma da casa. Gente de fora mas que é do ramo, como eu, de vez em quando dá uma sapeada, mas aí é uma questão de dever. E sem receber adicional pela tarefa insalubre. Vocês não sabem o que é passar alguns minutos no blog do Luís Nassif ou do Ricardo Kotscho para investigar qual é a linha política ditada por chefões lá de cima para tigrada governista da internet. E tem outros também que exigem esta visita. A labuta é árdua.

Mas vocês merecem. Alguém tem que ver como as coisas estão na blogosfera petista. E estão mal. Blogs com cerca de 100 comentários, por exemplo, são de 20 ou 30 autores, chapinhas da casa, que comentam sempre como o blogueiro está do lado certo. Alguns comentários parecem até ter sido escritos pelo próprio blogueiro. E em muitos casos eles conversam entre si na área dos comentários. Até sobre assuntos que nada tem a ver com a nota.

Tirando o atrapalho dessa puxação militante, mesmo que os comentários fossem inteligentes e providos de importantes informações, dá para encarar mais de cem comentários apenas em uma nota? Bem, só se você arrumar um sócio que faça tudo, inclusive depositar seu pagamento no final do mês, e uma governanta ou mordomo que cuide da sua vida profissional e familiar e ainda saia para comprar os livros do seu gosto. Ah, sim, a governanta, ou o mordomo, teria também que sair periodicamente para jantar fora e pegar um cineminha com sua mulher (ou marido, namorada, namorado, e sei lá mais o quê, porque hoje tem de tudo). Ir pra cama depois é coisa que fica para eles resolverem.

Ou então, e aí é mais fácil, para fazer isso você pode ter caindo na sua conta mensalmente uma grana pública, oficial ou não, como paga deste tempo perdido. Este é um mercado em crescimento nos últimos seis anos. Tem gente que só faz isso. É a claque militante. E, pelo jeito, ganham bem.

Mas, voltando à falta de espaço para comentários no, vá lá, Blog do Planalto... Não é esta questão que o desqualifica. Existem muitos outros espaços na internet que são tidos como blog e, na verdade, deveriam ser encaixados em outra definição. Alguns são até bem populares, como o Blog do Noblat, por exemplo, que de blog só tem o nome. É aberto para comentários, mas não é blog.

Ora, a característica essencial de um blog é o aspecto autoral. Fazer clipping e inserir uma nota ou outra entre as notícias de outros veículos não faz de um espaço na internet um blog. A página pode ser até boa, com credibilidade, mas é quase um site. E blog não é de maneira alguma.

Claro que comentários são importantes. Bem sei eu disso, com tão poucos por aqui — comentários de qualidade, é claro, porque os anônimos que chegam com aquele veneno com jeito petista, ah, estes temos que eliminar. O comentário pode ser uma interação proveitosa entre o leitor e o blogueiro e, como o formato permite, um comentário ou outro pode até ser transformado numa nota, como faço de vez em quando aqui.

Isso quando o blog não é tomado por comentaristas militantes, que escrevem mais como uma ação militante pelo partido ou pelo governo. Infelizmente tomaram a blogosfera. Aqui costuma aparecer uns desses. Não dá pra publicar. Não pelas críticas, mas é que insulto anônimo tem que entrar por um ouvido e sair pelo outro

Mas o clone do “blog” inventado pelo Franklin Martins está no ar. Claro que foi uma boa idéia. É uma excelente metalinguagem política. Os autores da clonagem aplicaram na prática e de forma inteligente a independência própria da internet. Até a pretensão de Lula ter um blog acabou sendo escrachada de vez. É evidente que publica-se o mesmo material que sai no “blog” feito no Palácio do Planalto. A diferença qualitativa é a abertura para os comentários.

O problema é que o “blog” produzido pelo Planalto é malfeito. Traz um texto bem oficialesco, parecendo recortado diretamente da agência de notícias do governo Lula. Claro que isso deve prejudicar o clone, caso seus autores fiquem só nisso. Mas, como é novidade, vale a pena conferir. Corra pra lá, clicando aqui.
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POR José Pires

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Escrito nas estrelas

Parece aquela antiga série do “Acredite se quiser”, mas é notícia verdadeira. A nova primeira-dama do Japão, Miyuki Hatoyama, de 66 anos, diz ter tido experiências de contato com extraterrestres. No livro "Coisas Muito Estranhas que eu Encontrei", ela relata que há 20 anos esteve com eles e até achou bem bacana.

A primeira-dama tem uma conversa muito doidona. "Enquanto meu corpo estava adormecido, eu acho que minha alma subiu em uma nave espacial de forma triangular e foi para Vênus", ela escreveu no livro em que narra suas experiências estelares.

Nós também tivemos uma primeira-dama aqui no Brasil com um estranho relacionamento com as estrelas, mas felizmente passou logo. Bem, o "Acredite se quiser" é fichinha para nós neste país inacreditável.

Foi no início do primeiro mandato de Lula, me lembro agora, quando sua mulher — Marisa, é isso? — começou a plantar flores vermelhas nos jardins do Palácio do Alvorada criando o formato de estrelas.

Isso foi antes dos dólares na cueca e do mensalão, entre outros escândalos petistas, fatos que criaram um clima bem pesado e tornaram menor este negócio de encher de estrelas vermelhas um jardim que nunca foi propriedade do PT. O fato é que até hoje o país está vendo estrelas. E bem além dos jardins.

Era bom alguém avisar a senhora Hatoyama do risco que o Japão está correndo. Essa mistura entre política e estrelas acaba sempre muito mal.
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POR José Pires

Beletrista muito grosso

Falei ontem aqui que Fernando Collor é o mais novo beletrista alagoano, mas evidentemente esta ousadia só é permissível de ser feita bem longe do ex-presidente que saiu corrido do Palácio do Planalto.

Que ninguém seja besta de chamar o ágrafo senador Collor frente a frente de "beletrista". É capaz de ele se ofender e mandar o incauto digerir a palavra.
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POR José Pires

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Beletrista alagoano

Fernando Collor foi eleito agora à tarde em Maceió o mais novo imortal da Academia Alagoana de Letras. Não dá para levar a sério, é claro. Para sentir o nível da beletrista instituição alagoana, basta dar uma sapeada na página deles na internet. Não, não vou dar o link. Ao contrário deste blogueiro que vos serve, vocês não têm a obigação de espiar esse tipo de coisa.

Parece página de clube de truco ou algo parecido. Clube de truco do interior de Alagoas, bem entendido. É melhor nem ver.

Mas leio aqui nas notícias que Collor apresentou sete livros de sua autoria para se candidatar. Isso é novidade. Era desconhecido esse lado livresco do ex-presidente que saiu correndo do Palácio do Planalto para não ser cassado.

Sete livros, hein? Mesmo sendo óbvio que a academia onde ele entrou não tem seriedade alguma, seria bom dar uma boa olhada nestes livros para conferir se ele já coloriu todos.
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POR José Pires

sábado, 29 de agosto de 2009

Os bigodes da hora

Bomba! Bomba! Acabou de surgir uma foto provando que o presidente do Senado, José Sarney, e o cantor Belchior estiveram juntos em fevereiro deste ano. O rapaz latinoamericano sem dinheiro no banco e sem parentes importantes e o senador maranhense eleito pelo Amapá, com bastante dinheiro no banco e muitos parentes em cargos importantes se encontraram em um evento na OAB de Brasília. A foto foi tirada por Eugenio Moraes.

Veja o flagrante dos dois bigodes. À esquerda, também aparece na imagem o presidente da Câmara Federal, Michel Temer. Como sempre, Temer tenta aparentar que nada tem a ver com o que está acontecendo. Belchior parece constrangido, mas nada prova que este tenha sido o motivo de seu desaparecimento.

E como o Brasil é azarado, o bigode errado é que acabou sumindo de cena.
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POR José Pires

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Bate-boca em inglês

Os ingleses devem estar espantados. A revista The Economist critica novamente o presidente Lula na sua edição desta semana e sua página na internet já está carregada de comentários de brasileiros fazendo o acirrado debate a que já estamos acostumados por aqui. O esquema lulo-petista está funcionando bem. Vários comentários são evidentemente da militância grudada no poder.

Na edição anterior, em um editorial bastante crítico à política externa brasileira, a The Economist perguntava:“De que lado está o Brasil?” Esta semana, a revista afirma que o PT foi transformado em uma força política com a única função de manter o Lula no poder.

E é claro que os defensores de Lula já correram para defender o chefão. A argumentação, os números e até a cantilena de ataque aos tucanos ─ um governo que já acabou há quase oito anos! ─, a técnica é a mesma usada por aqui. Certos textos sequer conseguem esconder o profissional que finge ser apenas mais uma figura da opinião pública.

É o que eles fazem nos blogs e sites brasileiros. Basta ter algum assunto da pauta política do interesse petista que eles aparecem. Em alguns blogs governistas a coisa chega a ser engraçada. Alguém publica um post bem chapa-branca e embaixo publica-se muitos comentários ─ em alguns casos até mais de uma centena ─, sempre em apoio ao governo e, é claro, com críticas ao governo anterior. Aquele de quase oito anos atrás.

Eu sempre me pergunto quem, a não ser os próprios comentaristas, que vai mais de cem comentários em apenas uma nota, mas o fato é que as seções de comentários dos sites e blogs brasileiros são a seção mais movimentada da nossa internet. Agora, pelo jeito, estamos exportando este modelo.

É o que começa a acontecer na The Economist. É interessante entrar na página para ver como funciona a máquina de comunicação lulo-petista em inglês. E também para apreciar a nossa oposição. Comentaristas críticos a Lula e ao PT não estão deixando a militância governista usar com exclusividade o espaço: já postaram seus textos por lá.

Entre por aqui, mas vá logo, pois agora no início da noite já tinha 35 comentários. E o debate promete esquentar.

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POR José Pires

Volta, Belchior

O Belchior não pegou o espírito da coisa. O bigode que o Brasil quer que suma é o outro, o do Senado.
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POR José Pires

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Um colar de irresponsabilidades


Pena que o presidente Lula não goste de ler. É também mentiroso, pois disse que prefere uma esteira. Esteira? O barrigão prova que ele também não é chegado nisso. Mas deixa a esteira pra lá. Lula deveria ler a autobiografia de Eric Clapton. É uma história cheia de lances interessantes, a trajetória de um artista que conseguiu fazer música popular de grande qualidade ultrapassando os limites da indústria cultural dos Estados Unidos. Clapton é inglês, mas é como se ninguém estivesse interessado nisso. Está mais vinculado aos Estados Unidos, onde descobriu a riqueza da música popular, especialmente o blues, matéria-prima que usou para criar uma das obras musicais mais marcantes no mundo.

É claro que alguém como Clapton tem muita história para contar e, neste livro, ele narra com sinceridade o que viu. A autobiografia é também um interessante relato do desvio ocasionado pela droga, desvio que acaba em um inferno, mas do qual, no final, ele acabou escapando.

As drogas quase acabaram com a sua vida. Somando tudo o que ele aspirou, injetou ou jogou boca abaixo em seu corpo, é até uma surpresa que ele tenha sobrevivido. Do amontoado de viagens trágicas saiu até uma música, "Cocaine". É como se fosse um anti-jingle e ele vai no ponto certo, tocando na força sedutora da droga, na sua função como fuga eficaz da complexidade da vida e até dos problemas. A miséria, é claro, vem depois.

Mas milhões de pessoas não tem a felicidade de escapar do pior. Em vários países do mundo a droga destrói cedo a vida dos jovens. Famílias inteiras se destroem quando a droga se faz presente. A cocaína é uma das mais poderosas, tanto no efeito sedutor, quanto na força que ela acabou conferindo ao crime no mundo todo. Hoje bandos terroristas dominam comunidades inteiras, onde os bandidos têm poder de vida e morte sobre as pessoas. Os criminosos chantageiam, subornam, torturam e matam. Estão entrelaçados com setores da polícia e também já entraram com peso na política partidária.

Claro que Lula poderia ter a informação sobre o problema terrível que é a cocaína recebendo informações até na cidade onde tem sua casa, ou melhor, seu apartamento de cobertura no ABC paulista. Não precisa do livro de Clapton, nem precisa ler nada. O porteiro de seu prédio poderia informá-lo o que as drogas significam em São Bernardo do Campo e em todo o Brasil.

Não é o porteiro que vai lhe dizer isso, mas talvez sua consciência, se ainda houver um pouco de responsabilidade lá por dentro, bem fundo, onde a política ainda não implantou o cinismo, então pode até acontecer de ele perceber que não é correto sair em fotos com um colar de folhas de coca no pescoço.
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POR José Pires

Evo Morales e seu Bolsa Coca

Mas a foto é ótima. O momento até parece arquitetado. Pelo governo da Bolívia, com certeza foi. Mas as providências posteriores da assessoria do presidente Lula, como o fato da própria Secretaria de Comunicação distribuir a imagem e disponibilizá-la no site da Presidência da República, tudo isso dá a impressão de um esforço também do governo brasileiro para ligar a imagem de Lula às folhas de coca. Ou foi uma distração?

De qualquer modo, é mais uma forte simbologia do que temos hoje no governo. Falta de senso, irresponsabilidade e uma extrema confusão entre o respeito às verdadeiras tradições e o que é pura empulhação ideológica.

Se para Evo Morales é bacana pendurar folhas de coca no pescoço, para Lula é um desastre. Cada demagogo tem seu Bolsa Família e a coca é o Bolsa Família do presidente boliviano. No caso, um Bolsa Coca. Com a promessa de aumentar o plantio e estimulando sua importância para a Bolívia é que ele conquistou o poder. Essa conversa também o ajuda a manter-se popular, sem precisar agir efetivamente pelo bem-estar de seu povo, mas apoiando-se nesta simbologia que é apenas uma demagogia para fortalecer sua imagem.

Já Lula só tem a perder com um colar desses no pescoço. Claro que isso nem sequer vai chegar ao eleitor nordestino que recebe Bolsa Família, mas tem um peso negativo para sua imagem internacional. A fotografia deve ter tido um efeito forte em dirigentes e formadores de opinião de várias partes do mundo.

Para o presidente Barack Obama com certeza não caiu bem. Pois é, este é o cara com um colar estranho. A foto deve ter ido parar na tela de seu computador logo depois de batida por Ricardo Stuckert, fotógrafo do presidente brasileiro.

Nos Estados Unidos eles dão importância à informação, um fator, aliás, muito significativo para que tenham alcançado o patamar poderoso em que estão. Não é só com poder militar que se obtêm hegemonia. Lá, por exemplo, eles não apagam nenhuma informação do controle das visitas à Casa Branca. E aqui, passado um mês já não se sabe quem entrou e saiu no Palácio do Planalto.

Mas, voltando à coca. Nós estamos em um mundo melhor simplesmente porque Obama não é o Bush. Sua presença na Casa Branca é um empecilho para aquelas velhas justificativas cujo único suporte era a retórica ideológica de ser contra o demônio ianque.

Os Estados Unidos mantêm a Bolívia fora da ATPDEA, sigla em inglês para Lei de Preferências Tarifárias Andinas e Erradicação de Drogas, um programa que oferece benefícios tarifários que poderiam ser de muita utilidade para o país mais pobre da América do Sul. Foi o presidente Bush quem determinou no ano passado a retirada da Bolívia, com a alegação de que o país não combatia as drogas.

Acontece que Obama manteve a decisão, afirmando que o “alto escalão do governo” incentiva a produção de coca, de onde se extrai a cocaína.

Durante a visita de Lula, Evo Morales foi claro sobre a ajuda financeira que espera do presidente brasileiro. “É um APTDEA sem nenhum condicionamento”, ele disse. E saíram os dois na foto com os colares de folhas de coca no pescoço. E Morales ainda gritou em outra língua desconhecida por Lula, o quéchua: "Viva a coca, morte aos ianques”. Mais um problema: o presidente ianque agora é outro cara. Ianque é o Obama, que Lula gostaria de ter como aliado.

Mas para Evo Morales tudo bem, ele só tem a ganhar com isso. E Lula? No seu caso, tudo isso não cheira bem. Aí o colar de coca pesa.

O Afeganistão produz quase todo o ópio do mundo e hoje é de extrema importância estratégica para a política externa de Obama. Mas o presidente norte-americano não colocaria no pescoço um colar de papoulas, de onde se extrai a droga, nem que a flor fizesse parte de tradições milenares dos afegãos. E olha que um colar de papoulas ficaria infinitamente mais bonito que aquela coisa de folhas de coca.

Evo Morales é cocaleiro e fez da atividade a mola impulsionadora da sua carreira política. Já disse: é sua Bolsa Família. Para tornar legítimo o apego simbólico às folhas da planta alega tradições populares e a utilidade da planta no cotidiano dos bolivianos.

E lá vem aquela história de que o boliviano masca coca para escapar aos rigores da vida. Não dos rigores naturais, mas de condições opressivas externas: a imposição do trabalho injusto e mal pago, a falta de alimento e de condições básicas de vida.

A coca é o estímulo do boliviano faminto do altiplano, do mineiro explorado secularmente, vivendo uma vida miserável e empurrado para ir catar todo dia a riqueza imensa do subsolo daquele país.

Esta coca que serve de combustível para subnutridos não é a do Chapare, onde Evo Morales fez sua base eleitoral e começou seu socialismo de araque. A folha de coca do Chapare não serve para mastigar. Tem efeito mais fraco e provoca lesões nas gengivas. Tanto que os habitantes de Chapare preferem a coca da região dos Yungas, no departamento de La Paz, bem longe dali, cerca 250 km.

Então para que serve a coca de Chapare se a folha não é boa para mastigar? Bem, para fabricar cocaína ele serve muito bem. Como escreveu na Folha de S. Paulo o jornalista Fabio Maisonnave, em uma excelente matéria sobre a visita de Lula ao colega boliviano, “a ausência da coca do Chapare no comércio local talvez seja a principal evidência de que o berço político do ex-cocaleiro Evo Morales é atualmente o epicentro da produção de cocaína da Bolívia”.

Mas fiquemos com o hábito de mastigação. Ora, se a folha da coca tem a função de enganar a fome, fazer o boliviano suportar o trabalho extenuante, enfim, de manter o pobre do boliviano sob o tacão de maus patrões e imerso numa miséria secular, então este vegetal é uma maldição que um governo decente teria a obrigação de fazer tudo para apagar da vida do país. Motivo de orgulho é que essa folha não pode ser.

Morales pensa o contrário. Recentemente ele até propôs que a coca fosse usada em uma campanha internacional simbolizando dignidade. Mas como é que algo usado para mitigar a fome e trabalhar sem se queixar em condições sub-humanas pode significar dignidade? Se for para pensar assim, talvez fosse o caso de usar então como símbolo o chicote. Pelo menos é uma imagem mais universal.

Mas se os bolivianos assim desejarem, o que fazer? Lá na casa deles, tudo bem. É óbvio que ninguém é contra o uso “tradicional” da planta. Que masquem a folha e façam seus chás na Bolívia. Não há problema algum, a não ser os decorrentes de seu uso por lá, entre eles o fato de que o hábito de mascar pode fazer com que a pessoa passe a se alimentar mal.

Mas a ONU afirma que a Bolívia aumentou a área de cultivo e da produção de cocaína. Não está ocorrendo, portanto, o prometido por Morales no início de seu governo, de tolerar o plantio da coca apenas para o uso "tradicional". A não ser que que esteja havendo um aumento vertiginoso do hábito de mascar folha na Bolívia.

Morales também pretende também exportar a folha, com o argumento calcado no uso tradicional na Bolívia. Mas existe uma diferença muito grande entre mascar coca no altiplano boliviano e um garoto fazendo o mesmo em uma cidade brasileira. Há o componente simbólico: este hábito pode acabar com a prevenção psicológica que todos temos contra a cocaína. Mascar a folha favorece o vício das drogas. Além disso, sendo exportada para outros países, quem garante que será apenas para fazer chá ou mascar?

Mas caso Morales consiga realmente dar um peso à exportação da folha de coca na balança comercial de seu país, até que o produto pode ter um bom uso na política assistencialista e eleitoral do governo Lula. Pode até fazer sentido adicionar no Bolsa Família uma folha que faz esquecer o cansaço e a fome.
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POR José Pires

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Dando nome e identificando os bois

A Folha de S. Paulo fez algo meritório neste domingo em um artigo de José Dirceu. Calma, não foi o artigo em si, mas na identificação do autor, aquele texto em letras miúdas que vai logo abaixo. Finalmente uma publicação identifica José Dirceu como deputado cassado, afinal o título mais marcante que ele adquiriu recentemente.

Em seu artigo Dirceu aponta incoerências na trajetória do Partido Verde, o PV, que tem o plano de ter Marina Silva como candidata à presidência da República. É claro que o fato de Dirceu, logo ele, apontar incoerência em outros só convence quem não o conhece bem. Porém, deixemos de lado a óbvia hipocrisia e elogiemos outros talentos do político cassado: Dirceu é um petista que detectou rápido o estrago que a saída de Marina Silva provoca no PT e também sabe o problema que sua candidatura deverá ser para a candidatura oficial e ungida pelo lulo-petismo. A questão é menos o que a ex-ministra pode tirar de votos, mas pelos conceitos novos que ela traz à disputa, a começar pelo fator de dissidência, fatalmente nocivos para Dilma Rousseff — ou outra pessoa que ocupar seu lugar na chapa oficial, já que a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil não deslancha com a tranquilidade pretendida por Lula.

Daí ele ter logo publicado um artigo sobre o fato. O destinatário não é o leitor da Folha, como muitos podem pensar. O que se pretende atingir com rapidez é a militância lulo-petista, buscando dar ao assunto uma condução política do interesse do partido.

Dirceu é o tubarão da globosfera petista, oficiosa ou financiada, e esta é a linha que os peixes-pilotos petistas dos blogs devem seguir. Podem anotar: Marina Silva não terá descanso na blogosfera. Já na semana passada, Luís Nassif publicava que o marido dela está sendo acusado de improbidade administrativa pelo Ministério Público em um mesmo processo em que consta o nome de Roseana Sarney.

Não há comprovação alguma do fato e Nassif sabe bem disso, tanto que inventou uma identificação para este tipo de nota: “Em Observação”. Com esta identificação acima dos textos ele vai levando o assunto durante dias, de forma bastante ambígua mas alcançando no mínimo o resultado de colocar sob suspeição a pessoa citada.

Na explicação que deu à invenção — estampada pela primeira vez exatamente na nota que fala sobre a acusação ao marido de Marina Silva — ele diz que “Em Observação” é quando a informação ainda carece de confirmação.

Ah, “Em Observação”... Para mim isso tem outro nome: boato.

Mas, voltando à identificação de Dirceu, esse é um problema antigo em nossa imprensa e não ocorre só com ele. São muitos os políticos cujo passado não fica claro nas apresentações escritas por jornais.

Não existe aquela frase popular que fala em "dar o nome aos bois"? Pois é, tem que identificar também. Bois, gatos, raposas, abutres, com todos bem identificados aumenta a qualidade da informação.

A Folha acertou neste domingo colocando abaixo do artigo a identificação: “José Dirceu de Oliveira, 63, é advogado. Foi ministro-chefe da Casa Civil (governo Lula) e presidente do PT. Teve seu mandato de deputado federal pelo PT-SP cassado em 2005”.

O nome completo é uma das esquisitices da Folha, jornal moderninho, mas que, de vez em quando, veste um smoking. É capaz de colocarem até o nome completo do Paulinho da Viola embaixo de um artigo. Não era preciso: o cara é o José Dirceu e ponto. Mas a identificação dele como deputado-cassado aponta para um caminho correto. Poderia até constar que a cassação foi por falta de decoro, mas acho que considerando que nem a cassação sai em outras publicações, creio que já está razoável.

O Blog do Noblat, uma das páginas mais lidas da internet brasileira, é um dos que cometem este tipo de erro que, a meu ver, é até um desrespeito ao leitor. E desinforma também. Noblat publicou na semana passada um artigo de José Dirceu e colocou embaixo o seguinte: “José Dirceu - advogado e ex-ministro da Casa Civil”.

Bem, esse José Dirceu eu não conhecia. Acho que aí até é dar pouco valor à carreira política do homem.

No seu currículo político, além de deputado cassado consta até a condição de réu no Supremo Tribunal Federal pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. Isso não é pouco. Mas, até por questões técnicas, acho dispensável que conste embaixo dos artigos. É um texto que exige certa concisão.

Mas o fato de ele ter sido cassado por falta de decoro é indispensável. Serve para cientificar o leitor da qualidade do articulista. E além do mais é até um reforço para a melhor compreensão da análise política. Neste artigo da Folha, por exemplo, Dirceu se propõe a distribuir conselhos políticos à variadas personalidades, entre elas Marina Silva, e até julga com rigor condutas alheias.

Bem, se embaixo do texto constar a indispensável informação de que o autor de tais observações morais é um deputado cassado por falta de decoro, no mínimo isso vai evitar que o leitor perca tempo analisando com respeito o palavrório.
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POR José Pires

sábado, 22 de agosto de 2009

Isso é que é