Estas armações feitas para forçar um resultado nas pesquisas do Google são sempre divertidas. Digite a palavra Mentiroso no Google. E na primeira linha vai aparecer o cara. Até que o suprido departamento petista para a internet se mexa para estragar a piada dá para divertir-se um pouco. Corra para ver.
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POR José Pires
segunda-feira, 8 de março de 2010
Sinônimo
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José Pires
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Puxando pela memória
O discurso é muito bom, de qualidade rara em nossa política, apesar de que isso não é elogio que se faça, já que nossos políticos falam bem mal e escrevem pior. Mas o elogio ao discurso de Serra é ainda mais válido, já que ele próprio pensa e escreve o que sai de sua boca, coisa raríssima por aqui.
No discurso ele lança uma idéia boa, um resgate histórico do mérito dos que realmente fizeram o Brasil não sair dos trilhos e descarrilar de vez na política e na economia. Serra fechou este período em um ciclo de 25 anos que vem do advento da Nova República para cá.
Em sua fala, o governador paulista cita nomes importantes como Ulisses Guimarães, Franco Montoro, Leonel Brizola, Teotônio Vilela, José Richa, Mário Covas, Sobral Pinto, Raimundo Faoro e Celso Furtado. Podia puxar mais gente nesta memória, pois são muitos os que se esforçaram para que o Brasil não caísse em desgraça.
É muita gente que ficou para trás e que vem morrendo na memória brasileira, primeiro por incapacidade dos tucanos e da oposição. De nós todos, é verdade. Depois por um trabalho canalha e persistente dos petistas, que enterram tudo que não é parte de seus interesses particulares calcados no partido.
Isso tem dado certo para seus propósitos políticos. Estão com o poder. Muitos deles ficaram ricos em pouco tempo. Mas essa estratégia que eles procuram implantar é um desastre para a construção da memória política de um país como o Brasl, que talvez precise mais que os outros de entender e valorizar o que aconteceu nos últimos trinta anos.
Serra traz de volta estes nomes e dá um realce ao de Franco Montoro, uma das figuras mais importantes da história recente do país e que os tucanos com sua idiotia política nunca tiveram a grandeza de exaltar.
Mas, também não deve ser nada fácil agregar a importância política de um Montoro a um partido liderado nacionalmente por senadores como Sérgio Guerra, Tasso Jereissati e Arthur Virgílio — este último bastante sumido ultimamente, o que não deixa de ser bom para os tucanos.
Será que um curso de seis meses basta para Jereissati, Guerra e Virgílio entenderem o significado de Franco Montoro? Duvido. E ainda é capaz de um deles alegar que o ex-governador paulista, um dos poucos governadores deste país que foi realmente um Estadista, poderia ter rejeição entre o eleitorado.
Mas voltemos à fala de Serra, que mostra que provavelmente ele irá trabalhar com a memória do que foi feito neste ciclo de um quarto de século, o período exato da Nova República. Com isso pode-se acabar com a mentira que os petistas pretendem aplicar aos eleitores de que os avanços neste país são da autoria exclusiva deles.
A mentira é ainda mais grave porque se dependesse do PT estaríamos em situação bem pior hoje. Mais ainda, o país poderia ter se desencaminhado de vez lá atrás. Não teríamos Nova República, mas sim um Brasil governado pelo Paulo Maluf. Isso se fosse seguida a linha programática do PT na época.
Na foto mais conhecida das diretas, temos no palanque um Lula com ar constrangido, de cigarro na boca para mostrar melhor o nervosismo. Então, para o PT, os que estavam ao lado de seu líder representavam a "oposição burguesa" ou até "da direita".
Pois o PT só entrou na campanha das Diretas Já quando o trem já estava andando. E a Constituição de 88 só tem o jamegão do PT porque Ulisses Guimarães (outro líder importante que as bestas dos tucanos esqueceram) insistiu junto a Lula para que os petistas não contribuíssem para melar um processo político vital para a nossa recente democracia.
A ausência do PT em fatos políticos definidores da nossa história forma uma lista bem grande. É certo que em muitos deles, a ausência de Lula e seus companheiros preencheu uma lacuna. Pelo menos não atrapalharam. Mas isso não os absolve da extrema irresponsabilidade política.
A história mostra que se prevalecesse a vontade política dos petistas, não haveria sequer espaço para uma vitória eleitoral de Lula. Talvez nem para a candidatura. É possível até que nem tivéssemos mais eleições, pois não é difícil supor o que faria um Paulo Maluf como um presidente apoiado na direita militar.
Pelo que se vê, Serra pretende reviver a memória dos políticos que evitaram esta tragédia e contribuíram para tivéssemos um país com um equilíbrio econômico e uma democracia que não é exatamente o ideal, mas em história muitas vezes é necessário raciocinar com o que poderia ter acontecido. E com certeza se essas pessoas não tivessem agido... bem, é bom nem pensar.
Bem, esse é um serviço atrasado dos tucanos. Deviam estar fazendo isso há pelo menos duas décadas. Porém, nunca é tarde para começar.
No discurso, Serra diz que o Brasil de hoje tem a cara e o espírito dos fundadores da Nova República. E elenca as qualidades para sustentar a frase: “senso de equilíbrio e proporção; moderação construtiva na edificação de novo pacto social e político; apego à democracia, à liberdade e à tolerância; paixão infatigável pela promoção dos pobres e excluídos, pela eliminação da pobreza e pela redução das desigualdades”.
Está aí um plano de campanha. Se esta base estivesse sendo trabalhada desde a fundação do PSDB, por certo os tucanos teriam até um partido. O discurso tem a vantagem de não ser meramente retórico. Muito menos marqueteiro. Foi isso mesmo que aconteceu e a maioria dos brasileiros que aí estão viveu estes acontecimentos ou tem alguém ao lado que pode contar como foi.
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sexta-feira, 5 de março de 2010
Do Barulho
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Vai lavar teu tcherembó
Em uma crônica longa, mas que a gente acompanha com paciência pois é bem escrita, Bessa Freire conta vários fatos interessantes lá daquelas bandas, de política ou não pois sua prosa é de “várias ramas”, como ele diz.
E traz esta expressão ótima: “Vai lavar teu tcherembó”. Nem precisa dizer o que é isso, pois é evidente que a coisa está suja. Além disso, o acento no final dá uma força para a indignação que poucas expressões de branco permitem.
“Vai lavar teu tcherembó” permite também uma diversificação rara. Não é como certos palavrões, que já adquiriram endereço certo ou acabam nulos em eleição disputada por homens e mulheres.
“Vai lavar teu tcherembó”, não. Serve para todos. Até para candidato negro, se aparecer um Obama local, já que tcherembó não tem diferença de cor, sexo ou religião. É um xingamento igualitário.
Pode ser usado por quem não gosta da Dilma Rousseff, do José Serra, também do Ciro Gomes, o neopaulista que ainda nem sabe para onde vai nesta eleição, e até mesmo, como não?, para a pacata Marina Silva.
Quer saber mais sobre esse negócio de lavar o tcherembó? Vai lá no Taquiprati.
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quinta-feira, 4 de março de 2010
Inauguração percentual
Já vai para dois anos do início das obras e a coisa não anda: só fizeram até agora pouco mais de um quarto do projetado, que representam pouco mais de um quarto dos R$ 220 milhões prometidos para a comunidade.
Vejamos como o jornal noticia o fato: "Foram concluídas as obras de um complexo esportivo (18,6% do orçamento previsto) e do Centro de Atendimento à Saúde, chamado pelo governo de “super UPA” (Unidade de Pronto-Atendimento), que oficialmente significou 7,1% do total. Obras do PAC estão em andamento em cinco favelas do Rio e as da Rocinha são as mais atrasadas."
Pois Lula vai lá na próxima segunda-feira cortar a fita de inauguração de 25% da obra. Não deixa de ser uma novidade. Talvez seja esse o tal do "modo petista de governar" que falaram tanto.
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Por José Pires
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Lembrando de Rubem Braga
Castello escreveu dois sobre Rubem Braga, os dois muito bons. Escreveu também um sobre o poeta João Cabral de Mello Neto, “João Cabral de Melo Neto: O Homem sem Alma”, que é um dos livros mais preciosos já feitos no Brasil. Chega perto do conceito de obra-prima, talvez já seja uma, apesar de que acho que é preciso de um pouco mais de tempo para resolver isso.
Mas estou falando do livro do Rubem Braga, de um deles, de “Na Cobertura de Rubem Braga”, no qual Castello escreve o que lembra uma extensa crônica com este título simples, mas que ao mesmo tempo — e o trocadilho é inevitável — é uma sacada.
De vez em quando me deparo com uma antiga edição de um livro seu (do Braga, é claro) em algum sebo, por vezes uma daquelas brochuras simples da Editora Sabiá, que era também de sua propriedade com alguns amigos escritores, e me vem na alma uma emoção de cronista. E aí me dá a vontade de levar para casa, mesmo já tendo na minha biblioteca um volume igual, algumas vezes até em duplicata que andei comprando em alguma viagem. E lá estou eu com dois livros iguais do Rubem Braga.
(Não é raro que estando em uma cidade estranha me vem a vontade de ler certo livro. Então eu compro e acabo depois ficando com dois livros iguais numa biblioteca que já avança por todos os cômodos da casa.)
Mas a emoção do cronista. O que o cronista tem de bom — e Rubem Braga exalava como ninguém esta qualidade em seus textos — é a capacidade de ver e entender o significado que as coisas aparentemente simples têm para a vida. Para a satisfação de seus leitores, Braga passava isso em cada texto. E quem lê este tipo de coisa desde cedo acaba vivendo bem melhor porque abre os olhos para o que realmente importa.
Logo que conheci seus textos, e isso foi bem cedo, fiquei maravilhado em saber de um escritor maduro e respeitado que gostava das mesmas coisas que eu: riacho, passarinho, nuvens passando, a criança feliz, a conversa amiga, essas coisas simples que, no final, é o que temos de melhor da vida. Eu até ia dizer “é o que sobra da vida”, mas na verdade não é sobra, não. É essência.
Engraçado que nunca conheci pessoalmente o cronista, mas ele é uma das pessoas de quem mais me lembro. Às vezes vejo uma paisagem e me vem à memória a sua cara fechada e penso; “Acho que o Rubem Braga ia gostar disso”. Sei que isso é um sentimento literário, a marca de um escritor muito importante para mim, mas gosto de pensar neste assunto como se fosse também uma grande amizade.
O livro do José Castello acabou dando ao leitor o que ele pretendia, “uma atmosfera” da vida do escritor, que é, no final, o que a gente procura nessas biografias e nunca acha. Em muitas biografias tem muita fofoca, coisas inventadas que o biógrafo acolhe porque quer mais inventar um pesonagem que entender o ser pesquisado. O Castello não faz isso. E o interessante é que ele não gruda em um mito algum, dos tantos que envolvem a figura arredia do cronista. E nem tenta fabricar um. De forma que quando você termina de ler “Na Cobertura de Rubem Braga” não sai com um Rubem Braga do José Castello. O cronista mantém-se ainda íntegro na sua memória. O que você ganha são vários elementos que fortalecem a estrutura deste espaço sentimental.
Castello até escreve que no fim do livro ainda haverá uma grande biografia do Rubem Braga a ser escrita. Pode até ser, até porque falar de gente assim nunca é demais. Mas não é uma dependência deste livro, que serve integralmente ao que pretende, sem nenhuma perna manca que exija outra obra para equilibrar.
Rubem Braga também escrevia bastante sobre artes plásticas, o que também fazia muito bem. Fazia isso juntando a qualidade do cronista com a do apreciador de arte que entendia como poucos do que era de seu gosto. Porque neste campo o cronista só falava do que gostava. Não era sua intenção ser um crítico de arte. Era mais o amante das artes que também entendia muito bem do assunto.
Alguém já juntou estes textos em um livro? Ainda não vi algo assim, mas não é improvável que já tenham feito, pois de vez em quando surge para mim com ar de novidade algum livro que depois vou saber que já foi editado há dois, três anos.
Mas se ninguém ainda fez um livro só com os escritos de Rubem Braga sobre arte, é uma boa pedida. Do meu lado, garanto que compro um exemplar. Ou até dois ou três, dependendo da vontade que surgir numa dessas viagens que a gente faz de vez em quando.
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Segura aí, meu vice
E este danado vício de palpitar em vez de analisar de fato não contagiou apenas colunistas políticos. É epidemia. Até em reportagens a mania está instalada. No lugar de informação o leitor encontra receitas miraculosas para salvar o Serra. Todo mundo virou Duda Mendonça.
Já temos idade suficiente para saber que não adianta exigir isenção jornalística, mas será que também é demais pedir bom senso, equilíbrio, ou mesmo que o profissional se atenha ao assunto, sem exercer o ofício de marqueteiro onde se pede jornalismo?
Até quem é atrelado ao governo Lula dá seus pitacos. Outro dia, Mino Carta, que sabidamente detesta Serra, dedicava-se em sua coluna na revista Carta Capital (não confundir com Carta Maior, que também é a favor do governo, mas é um site) a aconselhar o tucano. O jornalista começava dando um tremendo pito no governador por ele estar respeitando a lei e não fazendo campanha desbragadamente como a candidata do Lula. E no meio ia dando suas votiosas dicas.
Aliás, este tem sido um hábito de grande parte dos jornalistas. Em vez de denunciar a ilegalidade da campanha de Dilma Rousseff fora do período eleitoral permitido, eles criticam Serra por não fazer o mesmo.
E agora a queda nas pesquisas criou um coro: Serra, tem que botar a campanha na rua! As orelhas do tucano devem estar ardendo. É conselho demais, muita receita miraculosa. Só falta fornecerem slogan, programa de governo e programa no horário gratuito.
Mas não deixa de ser confortável. Com tanta gente cuidando de sua candidatura, pelo menos ele pode se dedicar ao governo de São Paulo. Mas não dá, pois mesmo entre os seus correligionários em São Paulo há quem tenha lá suas idéias para a coisa melhorar.
O Fernando Henrique Cardoso é um deles. No início da semana ele veio com a melhor: botar o senador cearense Tasso Jereissati de vice para barrar o crescimento da candidatura lulista na região de sua base. É coisa de gênio. O PT tem força no Nordeste por causa do marketing de migrante pobre espalhado por Lula e então os tucanos lançam um político ricaço de vice. E como desta vez os petistas tiveram o bom senso de não aplaudir é até capaz da idéia prosperar.
E eu que pensava que não surgiria entre os tucanos besteira maior que a proposta de apoio a descriminalização das drogas em ano de eleição para presidente da República.
Mas eu até gostei de outra propalada qualidade de Tasso Jereissati que faria dele um excelente vice para Serra. É que sua presença na chapa refrearia os ataques do deputado Ciro Gomes.
Aí eu acho interessante, até porque como ninguém nunca soube muito bem para o que serve um vice numa campanha, isso daria um sentido para esta figura política. Está aí o papel do vice: esse é bom porque segura fulano, aquele segura o sicrano.
E o Tasso Jereissati também não precisaria mais se preocupar com sua imagem histórica. Quando depois de passar pela Rua Tasso Jereissati ou entrar na Escola Tasso Jereissati alguma pessoa fizer a famosa pergunta "Quem é esse cara?" na certa vai receber a resposta na bucha: é o cara que segurava o Ciro Gomes.
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quarta-feira, 3 de março de 2010
Chapa quente
Até agora vai dando José Dirceu de vice. E com tamanha vantagem que dificilmente, se depender da vontade dos leitores do blog, não será ele o companheiro de chapa do mais novo político paulista. O antigo capitão do time do Lula já está com 42%.
Eu já votei. Em José Dirceu, é claro. Eu não iria perder esta chance única de votar em um petista. Quem quiser votar também é aqui. E se esses dois ganham a eleição de fato a única dúvida é quem vai ser pego primeiro numa maracutaia.
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PT quer superfaturar briga com Requião
Quando Requião começa uma briga os paranaenses nem se preocupam quem está com a razão. Então é hora de sair pra rua, colocar as cadeiras na calçada. Com certeza virá animação. O Paraná é uma terra entediante e para isso Requião serve: traz agitação em um estado onde a política é feita só de conchavos.
Sua briga com Paulo Bernardo continua animada. Requião só faltou chamar de ladrão o ministro de Lula. Acusou o petista de pedir superfaturamento em um projeto conjunto do Paraná com o Governo Federal.
Bernardo revidou acusando o governador de mentir. Requião reafirmou a denúncia de superfaturamento e ainda disse que o ministro queria favorecer a empresa ALL, que deixaria de pagar R$ 52 milhões por ano por uma concessão ferroviária.
Anteontem o PT oficializou o rompimento com o governo Requião, o que mostra bem o nível político do partido. Isso é que é superfaturar politicamente um rompimento. Arrotam coragem onde existe apenas oportunismo. Faltam apenas nove meses para acabar o governo e dificilmente Requião fará o sucessor. Teriam mesmo que sair da boca. E cargos comissionados que vão disputar eleições teriam mesmo que deixar o governo em poucos meses.
Em nota oficial a executiva estadual do partido, que é dominada pelo grupo de Paulo Bernardo, afirma que "foi acertada a decisão de participar do governo Requião". Mas claro que foi. Mamaram durante anos, estabeleceram com isso forças no interior do estado e agora saem como se fosse em defesa da honra.
Requião não volta atrás. Ameaçado de ser processado por Paulo Bernardo, o governador fez piada dizendo que vai passar a chamar o ministro de “pseudoladrão” e sua proposta de “pseudomaracutaia” para escapar de uma condenação.
Uma revelação que surge da briga é o imenso número de comissionados que o PT encaixou no governo paranaense: as estimativas dizem que são cerca de 600.
E isso só vem comprovar aquilo que foi dito pelo ex-governador Anthony Garotinho. Na época o PT carioca também abandonava seu governo no Rio de Janeiro depois de mamar bastante nas tetas do Estado. O PT, disse garotinho, é o “Partido da Boquinha”. Foi uma das únicas verdades saídas da boca de Garotinho e, talvez até por isso, virou uma frase histórica.
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Ministro acusado por Requião de superfaturamento já teve nome envolvido em outra treta
E aí está o perigo. Se Bernardo ficar enrascado é bem mais difícil para Lula dizer que nada sabia. O perfil do ministro não é o de fazer as coisas por conta própria.
O escândalo a que o leitor se refere foi tratado aqui mesmo neste blog em abril do ano passado. E é sobre uma questão relacionada a dívidas de usineiros com o Governo Federal. A revista Época foi que levantou o problema, mas a máquina do abafa do governo Lula pelo jeito funcionou bem: o assunto desapareceu. Já perceberam que é bem mais fácil abafar assunto na imprensa quando o fato é ligado a dívidas junto ao governo?
Vou postar novamente o texto do ano passado.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Cadê a bolada milionária?
A denúncia publicada na revista Época desta semana fala de um escândalo de R$ 179 milhões. A quantia se refere a um acerto para pagamento de uma suposta dívida do governo com usineiros. Segundo a revista, “em teoria, os recursos destinavam-se a atender à reivindicação de 53 usinas de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que cobravam subsídios atrasados pela produção de álcool referentes aos anos 2002 e 2003”.
Todo mundo sabe como funciona o recebimento de dívidas junto ao Governo Federal. A fila é grande e anda bem devagar. Mas no caso dos R$ 178 milhões aconteceu uma movimentação no governo Lula para fazer o pagamento com rapidez. Participaram do aceleramento do processo o deputado federal paulista José Mentor, Haroldo Lima, da Agência Nacional do Petróleo, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
Foi um presentão de Natal. Toda a bolada foi paga em duas parcelas, a primeira em outubro e a segunda em dezembro, ambas no ano passado.
Mesmo que o assunto ficasse só na forma acelerada do pagamento, já seria um negócio bastante suspeito. Mas existem mais problemas com a fortuna saída dos cofres públicos. E vem desde o início do processo. José Alfredo de Paula Silva, procurador da República do Ministério Público Federal, examinou as negociações para o pagamento em dezembro de 2005 quando o acordo ainda não havia sido finalizado e concluiu que estava tudo errado.
Deu parecer contrário ao acordo, com uma análise que poderia ter permitido à ANP, presidida por Haroldo Lima, do PCdoB, lutar por um desconto de 90% na suposta dívida. Ele foi ignorado. Já na primeira instância a ANP optou por um acordo com o custo 20 vezes maior.
O procurador da República só soube que o caso fora encerrado e a dívida paga no total quando recebeu os repórteres da revista para uma entrevista. A revista diz que ele afirmou com perplexidade: “Estou sabendo agora”.
Os subsídios reclamados pelos usineiros haviam sido extintos em 2001, no governo de Fernando Henrique Cardoso. O procurador viu erros políticos e financeiros no pagamento. Segundo Época, em sua interpretação, o único pleito legítimo dos usineiros envolvia benefícios da ordem de R$ 14 milhões – e não os R$ 178 milhões. Ou seja,ao pagar com tanta rapidez uma dívida colocada em dúvida pela Ministério Público o ministro Paulo Bernardo deixou de economizar no mínimo R$ 164 milhões para os cofres públicos.
Já é demais, mas o enrosco ainda não acabou. A revista constatou também que é praticamente impossível encontrar o destino dos R$ 178 milhões. Ninguém sabe, ninguém viu. Nem os usineiros que estão indicados como recebedores de grandes parcelas do pagamento. Apenas como um exemplo, a assessoria do alagoano João Lyra informou aos repórteres de Época que ele nada recebeu. E consta que ele seria o destinatário de R$ 2,2 milhões em dívidas relativas a duas usinas em Minas Gerais.
Tem mais exemplos na reportagem da revista, que fez um excelente trabalho jornalístico de investigação. Checaram desde o início do acordo até os destinatários finais. O destino do dinheiro é um mistério.
Em Brasília, conforme noticia Época, existe a suspeita de que parte desses R$ 178 milhões tenha sido desviada. Um graduado funcionário do ministério chefiado por Paulo Bernardo disse à revista que “esse acordo foi visto com susto, depois com medo e, por fim, não se falou mais”. Segundo ele, “o receio era de um escândalo, porque tudo lembrava uma operação para desviar dinheiro para campanhas eleitorais”.
Temos aí então mais um grande escândalo do governo petista. E sobre este o presidente nem pode dizer que nada sabia. Os documentos impedem esta típica peta petista. Por força de normas comuns em gastos federais, o pedido foi aprovado pela Comissão Mista de Orçamento, presidida pelo senador Delcídio Amaral, também do PT. E recebeu a sanção presidencial de Lula.
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POR José Pires
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Requião cai de pau em ministro de Lula
Mas voltando aos palanques lulo-petistas, no Paraná eles terão dificuldade para construir palanques. O mais importante aliado no estado, o governador Roberto Requião (PMDB), dificilmente subirá em palanque com o PT. Esta semana o governador fez acusações graves contra o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
Requião acusou Bernardo de tentar superfaturar um projeto de um ramal ferroviário no Estado. É caixa alto: o governador paranaense disse que a obra sairia por R$ 150 milhões e ficou espantado quando o ministro de Lula levou a ele o custo de R$ 550 milhões. A denúncia faz pensar que este governo está ficando cada vez mais caro. É um superfaturamento de cerca de R$ 400 milhões.
Requião fez as declarações na última segunda-feira na reunião semanal de seu secretariado, que é transmitida pela televisão do governo.
O governador disse o seguinte: "O que você está me propondo é o seguinte, Paulo Bernardo: eles [ALL, empresa privada que detém concessões de ramais no Estado] recebem R$ 550 milhões e o governo federal abre mão das prestações. Então, ministro, anote aí: eu não concordo. Se isso for feito, eu denuncio imediatamente".
E denunciou. Paulo Bernardo respondeu imediatamente em nota oficial e piorou as coisas. Chamou Requião de mentiroso e disse que ele, ministro, agiu por determinação do presidente Lula. Bem, aí fica difícil para o cara dizer que não sabia de nada.
Requião, que é de dar boiadas tanto para entrar como para não sair de briga, respondeu de bate-pronto. Desmentiu todas as alegações do ministro e afirmou que não poderia acreditar que Lula tenha montado “a absurda proposta que o ministro me trouxe”.
Na nota, Requião ainda destacou as nada republicanas ligações entre servidores públicos nomeados e os interesses da iniciativa privada que costumam acontecer no governo Lula. Segundo Requião, na reunião com Paulo Bernardo estava presente Bernardo Figueiredo, “àquela época assessor da Casa Civil da Presidência da República e hoje diretor da ANTT”, a Agência Nacional de Transportes Terrestres, órgão do governo federal que centraliza um plano nacional de reativação do transporte ferroviário no país. É coisa para a imprensa ficar de olho.
Segundo Requião, além de trazer o superfaturamento extraordinário da obra, pela proposta do ministro a ALL, empresa privada do setor, ainda receberia de presente o trecho ferroviário Guarapuava-Ipiranga, deixando de pagar pela concessão da antiga Rede Ferroviária Federal a quantia de R$ 52 milhões por ano.
Nesta quinta-feira a direção estadual do PT também se manifestou a favor do ministro. Bernardo é o chefão do PT no estado e tem pretensões caudilhescas, para isso contando com o domínio praticamente total do partido. O ministro é altamente prestigiado por Lula, na condição de um faz-tudo palaciano que não discute ordens. E é claro que os quase oito anos no ministério dão um cacife danado à ele e seu grupo, que avançam sobre municípios do interior para aumentar suas chances eleitorais.
Para concretizar seu plano, é claro que Paulo Bernardo não pode colocar a conhecida carranca, de pouca eficiência eleitoral, por isso é sua mulher, Gleisi Hoffmann, a estrela de campanhas eleitorais onde rola muito dinheiro. A campanha dela para a prefeitura de Curitiba (com 1.179.223 eleitores) foi mais cara até do que a de Marta Suplicy, que disputava a prefeitura de São Paulo, cidade com um total de eleitores de 8.198.282.
É sempre grana alta, mas até agora não tem dado resultado. A mulher do ministro perdeu no primeiro turno para o tucano Beto Richa, que teve mais de 70% dos votos. Mas pelo que se vê o projeto deste ano para colocar Gleisi Hoffmann no Senado está bem “azeitado”. Um ano antes da eleição a candidata já forra o estado de outdoors e distribui nas cidades farto material gráfico de alta sofisticação e custo.
A última nota do PT estadual chama Requião de mentiroso e divisionista. A briga é boa e não vai pela cabeça de nenhum paranaense a idéia de apartar. Requião é firme no confronto e o PT não goza de simpatia entre os paranaenses. Além perder feio na capital, o partido também levou uma sova nas cidades mais importantes do interior.
Em Londrina, maior colégio eleitoral do interior, o candidato petista a prefeito só não ficou em último lugar porque o PSOL tinha um candidato para evitar que o vexame fosse total. O deputado federal André Vargas, muito próximo do ministro, quase teve menos votos que o vereador mais votado do município.
Os palanques sonhados para Dilma Rousseff estão, portanto, neste pesadelo no Paraná. Com esta briga política, que dificilmente terá um fim próximo, não deve sobrar estrutura para Lula montar palanque algum.
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POR José Pires
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
A Cesar...
Seu Ex-Blog é uma das poucas coisas que dá prazer de receber por e-mail. Hoje ele traz a indicação de um vídeo no Youtube que traz a notícia sobre o envio de ajuda humanitária do governo da Romênia para o Haiti. O problema é que os romenos se confundiram e mandaram a ajuda para o Taiti. Bem, sorte do Taiti que era ajuda e não bombardeio.
Comentário de Cesar Maia: "Cada país tem o Marco Aurélio Garcia que merece". Perfeito. Para ver o vídeo, clique aqui.
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POR José Pires
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Cenas da vida real
O problema são os blogs com ares profissionais, muitas vezes produzidos por profissionais da escrita e que parecem blogs de adolescentes. Ou aquelas antigas e rídiculas colunas sociais, antigas pelo menos nos grandes jornais, mas que ainda tomam as páginas de todos os jornais do interior, ainda mais ridículas.
Os blogs são usados para postar fotos de amigos do autor, o encontro da patota ou reminiscências que mal interessa aos que participaram delas. É o dramaturgo que fala das bebedeiras e publica os elogios feitos a ele, o jornalista que conta como foi legal aquele churrasco ou o artista plástico que fala de seu passado que não interessa a ninguém. Vale tudo, até falar do netinho.
Vez por outra a gente bate com esse tipo de blog, principalmente feitos aqui no Brasil. Esses exercícios em torno do próprio umbigo, que sempre foi um vício nacional, acabou sendo exacerbado pela facilidade criada pela internet.
Mas se isso já é chato o que dizer de um ministério sendo usado como blog de adolescente? É o que aconteceu com a Secretaria de Comunicação Social do ministro Franklin Martins, o ex-comentarista da TV Globo que virou petista de carteirinha.
Franklin Martins fez dessa viagem do presidente Lula a Cuba um encontro da patota, usando a ocasião para coalhar de fotos suas a página de fotografias do ministério que comanda. Ele aparece em várias fotos como papagaio-de-pirata de Fidel Castro.
Como a única função da página é para a imprensa nacional colher fotos da presidência da República vale perguntar a quem interessa fotos do ministro Franklin Martins abraçado ao alquebrado ditador à beira da piscina? Ao Franklin Martins, é claro.
Só o ministro de Lula pode explicar o significado dessa coisa em termos de comunicação. Das cerca de duas dezenas de fotos, ele aparece em sete. Pode-se dizer que nunca neste país um assessor direto do presidente da República apareceu tanto.
Posto estas fotos como mostra, mas quem quiser ver mais desse momento patético, pode clicar aqui.
A página da Presidência da República disponibiliza até as fotos que Lula costuma bater nestas ocasiões, fazendo o papel que muitos elogiam, mas que eu acho coisa de idiota, do chato da reunião. Ou o cara que bebeu demais.
Está certo que o rum cubano tem boa fama e sabor melhor ainda, mas depois de passada a bebedeira o bom senso ensina que não se publica o que aconteceu no porre.
Não estou dizendo que ontem se bebeu demais na ilha, mesmo que isso até fosse uma boa justificativa para o que eu vejo como uma barbeiragem tremenda de comunicação. Qual será mensagem das fotos de Lula às gargalhadas ao lado de um Fidel Castro que parece nas últimas ou de Lula brincando de ser fotógrafo do ditador ou mesmo de Franklin Martins posando ao lado dos irmãos Castro?
Uma intenção óbvia é de propaganda política, não de Lula desta vez, mas do regime cubano. É a velha jogada de exibir o velho ditador na tentativa de conter o desmoronamento inevitável do governo autoritário que já vai para mais de quatro décadas.
Que o governo petista se rebaixe a tanto não é uma surpresa, mas não deixa de ser vergonhoso. Porém, o efeito que Franklin Martins conseguiu com essa jogadinha foi outro. Publicou provas que revelam que de fato Fidel Castro já era.
As imagens mostram o ditador cubano totalmente alheio ao que se passa à sua volta. Parece um velho em estado terminal em um asilo. É a prova de que o ditador cubano já perdeu a autonomia pessoal.
Mesmo a tentativa dos petistas e do staff cubano de criar um clima informal na visita não esconde sua debilidade física e aparentemente mental, além da péssima aparência. O resultado foi o contrário do planejado. Na antiga União Soviética os comunistas expuseram ao público o corpo embalsamado de Lenin. Está lá até hoje, como se tivesse ido para a cama ontem. O problema com Fidel Castro é que o embalsamento não preservará a presença forte que parece tão imprescindível para o governo cubano. Sua aparência atual já é de um cadáver.
Outro serviço que Franklin Martins fez para o país é que escancarou a face provinciana e deslumbrada de Lula e seu governo. A página da Secretaria publica imagens de Lula fingindo que é o fotógrafo do ministro e junto também estampa o resultado da micagem do presidente: a foto dele, Franklin Martins, abraçado a Fidel Castro. Duas dessas fotos estão aqui, mas lá na página do governo tem mais.
Fidel é que parece não estar entendendo nada. E se estivesse certamente não teria permitido tamanho equívoco. É um erro de conceito. As cenas soam até como jocosas e destoam totalmente da imagem histórica do velho caudilho. Ninguém toca no rei, assim como ninguém toca no caudilho. Alguém já ouviu falar de um Franklin Martins metendo a mão no ombro de um Stalin? Nem pensar.
Notem bem que quando teve vigor físico e mental (quase que escrevo “quando estava vivo”) Fidel Castro nunca permitiu proximidades do tipo que o ministro brasileiro encenou. Podem procurar nas imagens históricas do governante cubano. Nem o antigo companheiro Che Guevara o abraça. As imagens disponibilizadas pelo governo Lula parecem até abuso sobre um homem que está no fim. Coisas que nem o nosso Estatuto do Idoso permite.
Um dos talentos maiores do ditador cubano é o da comunicação. Se ainda estivesse vestindo a velha farda verde-oliva certamente ele não permitiria as encenações. Sempre soube cuidar bem da sua imagem pessoal que, no final e como agora se comprova, sempre foi a base do governo que instalou em 1959 e de onde só saiu pela velhice.
As fotos de Franklin Martins não deixam de ser um retrato dessa derrocada.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Desligadão
Pois ando encafifado dele ignorar um assunto como o escândalo do panetone, de Brasília. O governador José Roberto Arruda está preso, seu vice Paulo Octávio teve que renunciar e o DEM, que elegeu os dois, caiu para a sarjeta da corrupção brasileira. Hoje a executiva nacional do partido dissolveu o diretório brasiliense, mas é provável que a vontade dos dirigentes é que fosse dissolvida a própria existência do DEM de Brasília, que ninguém lembrasse que existiu por lá esse partido. DEM? Não conheço...
Pois o Cesar Maia não dá um pio sobre o assunto. Hoje fala da viagem do Lula a Cuba, dos negócios de José Dirceu e até dos problemas de Barack Obama. E nada do escândalo de Brasília.
Isso me preocupa muito. É que o Cesar Maia é uma importante liderança nacional do DEM e pode estar desavisado. Será que alguém contou para ele que seu partido está metido numa fria danada?
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Um cadáver cubano no caminho de Lula
Os petistas costumam destacar a política externa como uma qualidade do governo Lula. Evidentemente não é uma situação como esta que vai fazer uma militância tão cabeçuda mudar de idéia, mas hoje Lula pode colher um resultado significativo desta política. Enquanto as nações ocidentais protestam em coro contra a morte de Zapata, que desde 2003 era classificado pela Anistia Internacional como "prisioneiro de consciência", o presidente do Brasil participa de um banquete com os irmãos ditadores. Levantarão um brinde pela morte do prisioneiro político?
Há pouco a blogosfera petista se gabava do prêmio concedido a Lula pelo jornal espanhol El País de "personagem ibero-americano de 2009". Pois podem correr agora para o site do jornal, que estampa a chamada “Lula llega a Cuba para respaldar al régimen castrista”. Nem precisa traduzir, não?
O prisoneiro político morto na véspera da chegada de Lula foi detido em 2003 numa onda de prisões na qual o regime castrista encarcerou 75 opositores. Tamayo havia sido sentenciado a três anos de prisão por desacato, desordem pública e desobediência, ou seja, fez o mesmo que um manifestante cutista faz em São Paulo ou em qualquer outra cidade brasileira (mas fazem bem mais na capital paulista, pois rende bastante para a candidatura petista), coisa para a qual aqui temos liberdade. Depois de preso, Zapata foi tendo condenações adicionais que elevaram sua pena em quase trinta anos. Segundo dissidentes, isso foi devido à sua atitude de desafio às autoridades na prisão
Não é improvável que com a presença de Lula, os irmãos Castro façam algum teatro liberando opositores presos, mas agora é tarde. Como já estão dizendo vários jornais, o respaldo do governo Lula à ditadura cubana é absoluto. Lula não diz nada sobre o desrespeito aos direitos humanos na ilha de seu companheiro. Logo mais, aliás, às 14h30, segundo sua agenda, ele estará confraternizando com Fidel Castro. Certamente não existe clima para fazer gracinha com o uniforme da Nike que Castro trocou pela farda.
Hoje Cuba é um país arruinado. Vive da boa vontade de Hugo Chávez, que de vez em quando também aparece por lá para posar com Castro. A ilha precisa de empréstimos externos até para comprar alimentos. Isso Karl Marx não previu: que alguém implantaria em seu nome o “socialismo na miséria” que tanto o desgostava.
Lula está levando algum dinheiro. Segundo o El País, o governo brasileiro aprovou um crédito de quase U$ 1 bilhão. Cerca de um terço servirá para a compra de alimentos e o resto vai para a produção de arroz e cana e a ampliação e modernização do porto de Mariel, entre vários projetos. Aliás, foi do porto de Mariel que saiu a leva impressionante de cubanos em fuga para os Estados Unidos em 1980, quando mais de 100 mil pessoas deixaram a ilha.
Tamayo era pedreiro. Sua greve de fome foi contra brutalidades sofridas na prisão. Por decisão de sua mãe, o enterro será em Banes, 700 quilômetros distante de Havana. Pegando um avião na capital cubana dá para chegar lá em pouco tempo, mas mesmo estando em ativa campanha eleitoral, com certeza nesse enterro Lula não vai discursar.
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Cinismo ético
Vejam o que o notório Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal e senador que renunciou para fugir da cassação por corrupção, falou cobre os escândalos protagonizados pelo governador encarcerado José Roberto Arruda: "É tão vergonhoso, é tão escandaloso, e eu fico numa indignação, eu fico numa vergonha. Meu Deus do céu, como pode chegar nisso aí?”
Se a gente levasse a sério era para abandonar de vez essa tal de ética.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Juntando os fatos
No primeiro domingo deste mês, dia 7, o deputado transformista (num dia era cearense, no outro virou paulista) Ciro Gomes soltou os cachorros contra o deputado cassado José Dirceu, que sempre foi homem forte no PT e não parece ter deixado de ser o “capitão” que Lula falava.
Em entrevista ao Estadão, Ciro Gomes, lançou suspeitas sobre os métodos que Dirceu usa para ganhar a vida. O chefão petista, como se sabe, é hoje um homem de negócios muito bem sucedido.
Em um texto publicado neste blog me referi à briga entre os dois nestes termos:
“A briga é pela exclusividade dos carinhos de Lula. Para garantir os afagos, Ciro até insinua suspeitas sobre o modo de Dirceu ganhar dinheiro, o que, pelo que consta, o líder petista ganha de montão. Veja a porretada: "Neste momento, para recuperar o espaço perdido, [José Dirceu] simula para o planeta que é íntimo de Lula de novo. Com isso ganha dinheiro e, por outro lado, faz política. Ele não é consultor da República? E ganha quanto por isso?”
Não precisa procurar nas entrelinhas, pois está claro que o neopaulista Ciro Gomes afirma que Dirceu usa a política para ganhar dinheiro. Então agora vamos juntar as notícias. Vejam esta que saiu hoje no site Folhaonline, do jornal Folha de S. Paulo. Vai publicado na íntegra:
“Nova Telebrás beneficia cliente de José Dirceu
da Folha Online
O ex-ministro e deputado cassado José Dirceu recebeu pelo menos R$ 620 mil do principal grupo empresarial que será beneficiado caso a Telebrás seja reativada, como promete o governo, informa a reportagem de Marcio Aith e Julio Wiziack publicada nesta terça-feira pela Folha.
O dinheiro foi pago entre 2007 e 2009 pelo empresário Nelson dos Santos, dono da Star Overseas, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Em 2005, Santos havia comprado participação de 49% na empresa Eletronet pelo valor simbólico de R$ 1.
Praticamente falida, a Eletronet era dona de 16.000 km de cabos de fibra óptica ligando 18 Estados, o que não cobria suas dívidas, estimadas em R$ 800 milhões.
Após Santos contratar Dirceu, o governo decidiu usar as fibras ópticas da Eletronet para reativar a Telebrás e arcar sozinho com a caução judicial necessária para resgatar a rede, hoje em poder dos credores. Estima-se que o negócio renda ao empresário R$ 200 milhões.
Segundo Santos, o dinheiro pago a Dirceu não se destinou a lobby. O ex-ministro não quis comentar.”
É interessante como as duas notícias parecem fazer parte da mesma reportagem, mesmo separadas por um grande intervalo de dias e até mesmo publicadas em seções diferentes. A realidade não só é uma grande editora, como muitas vezes até direciona o alvo para o que talvez a imprensa nem pensasse em atingir.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Ajuda encalhada
No Recife, mais de 200 toneladas de alimentos ainda estão sob a guarda do Exército Brasileiro à espera de embarque. 75 toneladas de suprimentos com o prazo de validade próximo de vencer acabaram sendo distribuídos para vítimas da seca no Nordeste.
E este é o governo que estava brigando com os Estados Unidos pelo controle das operações de ajuda aos haitianos. Para sorte dos haitianos, eles foram salvos da ajuda do governo brasileiro.
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Bis
Lá numa parte ela diz o seguinte: "Vamos continuar reaparelhando o Estado".
É muito lógico. Os petistas passaram os dois governos de Lula aparelhando o Estado, então é até natural que reaparelhem o Estado se a candidata do chefe ganhar a eleição.
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
As fotos inéditas do ataque ao World Trade Center e o blog brasileiro que publicou bem antes
Por enquanto apenas 12 imagens foram publicadas. A emissora norte-americana informou estar de posse de 2.779 fotos, mas é improvável que eles tenham cenas mais surpreendentes do que as divulgadas.
Mas com a internet tudo é possível. Daqui sai de tudo. Mesmo o ineditismo destas imagens propagado pela ABC News também não é nem um pouco confiável. Pode até estar havendo agora mais divulgação dessas fotos, mas acontece que algumas destas imagens aéreas já haviam sido publicadas pelo Pictura Pixel, o excelente blog editado pelo fotógrafo Cláudio Versiani.
Versiani fez a descoberta das fotos em julho de 2008, entre várias que recebeu em um PPS — o "detestável arquivo" que cai em nosso correio eletrônico, como ele diz com razão. No meio de várias imagens, o olhar treinado do fotógrafo identificou três que nunca haviam sido vistas. Elas estão entre as 12 divulgadas este mês.
No texto de 2008, ele diz com precisão: "No PPS tem fotos impressionantes que eu nunca tinha visto. Parecem ser da polícia de NY, são fotos aéreas feitas de um helicóptero e como o espaço aéreo estava fechado..."
É o poder impressionante da internet. Alguém da polícia novaiorquina deve ter passado as imagens para um amigo internauta e elas foram bater na caixa de e-mails do Pictura Pixel.
Veja aqui as imagens divulgadas agora pela ABC News e aqui a história do “furo” que Versiani deu na emissora norte-americana, com dois anos de antecedência.
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Te peguei
A imagem veio daqui, ó...
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Ciro Gomes, um tipo que não dá mesmo pra esquecer
O ex-deputado cearense que virou paulista a mando do presidente Lula é macaco velho daqueles que desmente o ditado. Ele mete a mão na cumbuca. Transferir seu título eleitoral para São Paulo foi uma de suas burradas mais deliciosas: meteu a mão na cumbuca e agora, pelo menos neste ano, tem que mantê-la lá dentro acariciando a banana que não poderá ter jamais.
São Paulo é um problema para ele. Se quiser ir para a Mooca, tem que pegar táxi. Não sabe ir de metrô, de ônibus. Muito menos dirigindo seu próprio carro. Foi o que ele confessou em reportagem publicada neste domingo em O Estado de S. Paulo. Ele falava da sua candidatura ao governo paulista, que ele garante que não sairá. Vejam o que ele disse.
“Se eu topasse, seria para dizer, eventualmente: ‘Atenção paulistas, nasci em Pindamonhangaba, conheço a importância de São Paulo, mas vim para mobilizar a intelligentsia, trazer meu conhecimento de governante para quem acha que o que está aí é medíocre. Mas não vou dizer que sei onde está a Mooca. Se tiver de ir até lá, desculpe, só se for de táxi’."
Esperteza demais dá nisso. Ele pensa que tem o melhor conceito para uma candidatura ao governo de São Paulo e já deu munição para aos prováveis, bem prováveis futuros adversários. Porque no Ciro Gomes dá para confiar. Quando ele diz que não fará algo, bem, aí então ele pode fazer mesmo.
E se ele não sabe onde está a Mooca, aí o problema nem é eleitoral. Não é possível levar à sério um político que se pretende cosmopolita que não conheça pelo menos os bairros principais da capital paulista. Ou será que quando passa por São Paulo o deputado janta no próprio quarto de hotel? E se não conhece a Mooca, então Bauru, ou Presidente Prudente, Ribeirão Preto, ou mesmo Campinas, nenhuma dessas cidades ele deve conhecer. Batatais, nem pensar.
Gosto de Ciro Gomes porque ele reúne todos os defeitos de um político brasileiro. O homem é um símbolo até numa qualidade que todos gostam de ostentar: a de um homem moderno, aberto para o mundo e conhecedor das últimas filosofias políticas e também das penúltimas. Mesmo que não saíba ir até a Mooca. Mas nada que um táxi não resolva. E desse modo ainda dá para ir no banco de trás botando em dia a leitura, não é mesmo, ô meu?
Quanto ao perfil moderno, se Fernando Collor não tivesse existido, não precisaria ser inventado, pois Ciro Gomes sempre esteve aí.
Voltemos à cumbuca. Está dando problema. Só ele não sabia disso antes. E para o ex-cearense o problema extra é que ele está na terra de José Dirceu, ao menos no âmbito do PT, sem o qual em São Paulo nada pode dar certo para quem serve aos interesses de Lula.
Na mesma entrevista ao Estadão, Ciro Gomes bombardeou forte o companheiro José Dirceu. Lá vai, palavras dele: "Gosto dele, mas acho que tem uma cabeça política que precisa muitas vezes ser contrastada. Zé Dirceu tem o ego pouco regulado e de vez em quando navega na maionese".
Vejam esta outra fala: "Zé, chega. Muda de método que essa simulação de alter ego do Lula só serve para desinformar". Notem aqui que o tom usado é o mesmo do alerta do ex-deputado Roberto Jefferson, quando ele denunciou o mensalão, o esquema de suborno de parlamentares para garantir a maioria do governo no Congresso Nacional. Dirceu é réu no STF por causa disso> No inquérito da Procuradoria-Geral da República ele é o "chefe da quadrilha".
A briga é pela exclusividade dos carinhos de Lula. Para garantir os afagos, Ciro até insinua suspeitas sobre o modo de Dirceu ganhar dinheiro, o que, pelo que consta, o líder petista ganha de montão. Veja a porretada: "Neste momento, para recuperar o espaço perdido, [José Dirceu] simula para o planeta que é íntimo de Lula de novo. Com isso ganha dinheiro e, por outro lado, faz política. Ele não é consultor da República? E ganha quanto por isso?”.
Boa pergunta. E não é para gostar de um cara desses? A briga pública com José Dirceu já vem de antes. Na semana anterior, Ciro chamou o deputado cassado de golpista. Também no Estadão, ele afirmou que Dirceu havia tentado destruir Lula quando foi presidente do PT.
Fala Ciro: “Não vou explicar isso... Quando Lula foi acusado de tráfico de influência, o Zé Dirceu era presidente do PT e abriu inquérito contra Lula na comissão de ética do partido para apurar as relações dele com o compadre Roberto Teixeira. Ele quis acabar com o Lula lá atrás. O Zé Dirceu estava decidido a destruir o Lula, era um trabalho para liquidar o Lula.”
Aqui o deputado neopaulista cita as irregularidades denunciadas por Paulo de Tarso Venceslau, que foi secretário de Finanças da administração petista de São José dos Campos nos anos 90.
Segundo Venceslau, a roubalheira seria do conhecimento de Lula, que na época recebia salário de militante do PT, o único caso conhecido no Brasil de um líder político assalariado de partido. Segundo a denúncia, o notório compadre de Lula, Roberto Teixeira, participava das irregularidades. Foi aberta então uma investigação interna no partido e os petistas aproveitaram para inaugurar sua política de matar o mensageiro: quem acabou sendo expulso foi Venceslau. A prefeita era Ângela Guadagnin, que depois ficou conhecida como a dançarina do mensalão.
Para Ciro Gomes estar desencavando estes fatos históricos petistas, ele deve estar muito fulo da vida de ter se metido nesta. E quem vai acalmar o cearense que virou paulista? Corre, Lula, corre.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Roubalheira
A matéria é muito bem feita, com aquela concisão (veja aqui)que só a Globo sabe dar ao jornalismo televisivo. Mas, no final, quando a gente pensa no contexto político de Alagoas e do Brasil, fica até parecendo programa de humor.
Os representantes nacionais mais conhecidos do estado são os senadores Renan Calheiros e Fernando Collor. Lideranças do tipo é que seriam responsáveis em conter a roubalheira em Alagoas. É como eu digo sempre, se não fizéssemos parte da piada, até que o Brasil seria engraçado.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Dando e recebendo
Numa tacada, acaba sendo falado no mundo todo, criando uma situação bastante favorável para ele e sua obra. É sempre bem mais do que poderia obter, mesmo que sua editora investisse bastante dinheiro em promoção. Não é diferente do que vários artistas milionários de Hollywood vêm fazendo. Tinha que ser cego para não ver a miséria do Haiti antes dos prédios desabarem sobre as cabeças dos haitianos. Mas a bondade internacional precisa sempre de um grande tema. E o terremoto está aí para isso.
Não posso afirmar que seja uma ação premeditada. Isso é até improvável, mesmo que exista motivo para que estranhemos que Saramago não tenha feito algo parecido para, digamos, o Sudão, ou o próprio Haiti em sua miséria antes da terra tremer.
Enfim, não deixa de ser um exercício da compaixão que acaba rendendo dividendos.
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POR José Pires
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Marquetagem disfarçada
Na sua última coluna, neste domingo no jornal O Globo, o jornalista faz crer que pensa que seu leitor é Eremildo, o Idiota, seu personagem que se esforça para cair em engodos políticos.
Vejam a nota pra lá de estranha que ele publica:
"O PT colecionou um acervo de filmes de propaganda usados pela campanha presidencial de Geraldo Alckmin mostrando que suas obras de drenagem dos rios de São Paulo protegeriam a cidade das enchentes.
Só no leito do Rio Tietê gastou-se R$ 1,1 bilhão. As obras serviram para muita coisa, mas a máquina do governo estadual anunciou que o risco de enchente na região cairia de 50% para 1%.
Quem com marquetagem feriu, com marquetagem será ferido."
Nem Eremildo, O Idiota, deixaria de desconfiar de algo assim. A fonte óbvia do texto de Gaspari é o PT. Aí instala-se um conflito de interesses que não dá para acreditar que um jornalista com tanta experiência cometa por descuido. Gaspari não é, como Eremildo, um idiota. Daí vem a suspeita de que age por má-fé quando espalha notícia que interessa ao partido de Lula.
E agindo desse modo, parece estar ajudando a marquetagem petista ferir o adversário. E quem acaba saindo com a credibilidade ferida é o próprio Gaspari.
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Atalho do Facebook
Jorge Luis Borges e "O Aleph" brasileiro de Paulo Coelho
Arquivo do blog
- José Pires
- José Pires, também conhecido como Jota, é jornalista, cartunista e artista gráfico. Como cartunista, foi premiado nos Salão de Piracicaba e no Salão de Humor do Piauí, tendo participado também de vários salões internacionais. Em 1980 foi premiado no Salão de Humor do Canadá. Jota já publicou na Folha de S. Paulo, onde fez parte do Folhetim e da Folha Ilustrada, suplementos modernizadores do jornalismo cultural brasileiro. Publicou também em O Estado de S. Paulo, onde durante cerca de dois anos publicou uma coluna de humor no suplemento diário Caderno 2. Já publicou também na antiga Última Hora, de São Paulo, Correio Popular, de Campinas, Gazeta de Pinheiros, no semanário Primeira Mão, nas revistas Visão, Repórter Três, Tênis Esporte e no jornal paranaense Folha de Londrina. Entre as décadas de 70 e 80, participou ativamente da imprensa alternativa brasileira, de oposição à ditadura militar. Foi da equipe do jornal Movimento, um dos mais importantes órgãos de imprensa durante o regime, de seu primeiro número, em 1975, até seu fechamento em 1981. Publicou também em O Pasquim e no jornal Ex e participou da revista Versus, além de outras publicações de oposição ao regime militar.



