quarta-feira, 21 de abril de 2010

Bem na foto

Uma idéia interessante que apareceu na internet e parece vir de simpatizantes da candidatura de José Serra. É bem bolada e foi criada em cima da capa da revista Veja desta semana que traz uma reportagem com o candidato.

É só fazer uma foto parecida com a do candidato tucano na capa da revista e mandar para o site Meiguice Serra. Mas mesmo que você não queira encarar a pose, vale a pena uma visita ao site, que já está com muitas fotos, como a da brejeira eleitora abaixo, da bela dupla e dos palhaços mais embaixo.

Soube ontem do site e estava aqui pensando na melhor forma de dar a notícia sem que os aparelhados me acusem de serrista. É uma novidade boa já no início da campanha e, pelo jeito, o site pegou. Entrei lá agora e tem mais boas fotos.

Não sei quem é o autor do site. Pode até vir da própria campanha do candidato, mas mesmo se for, não tem problema. Estariam mostrando criatividade, algo que só ajuda a democracia e pode evitar que esta eleição caia na dicotomia estúpida que a blogosfera petista alimenta.

O formato permite muita criação e até gozação com a foto do Serra, que não precisa ser necessariamente a favor do candidato. Mas é claro que isso vai depender de quem está administrando a página.

A bela sacada mostra que os partidários do tucano estão na frente nesta eleição. E mostram mais bom humor. O que o PT tem aprontado até agora na internet é só ranzinzice, sem falar na calúnia na calúnia e difamação, mas aí é uma questão de estilo. Depois de tantas cachimbadas vai ser difícil desentortar o bico.

E além do mais, como bem disse Bernardo Kucinsky, que já foi inclusive guru do Lula e conhece esse pessoal bem de perto, eles não sabem fazer comunicação. Mas vamos esperar. Se aparecer coisa boa do PT, também publico por aqui.
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POR José Pires





Biblioteca internacional

Para não ficarem dizendo que só critico, aí vai uma dica de leitura para o presidente Lula fortalecer teoricamente sua nova e revolucionária política externa do olho no olho. A viagem para fitar as compreensivas pupilas do iraniano Ahmadinejad é no mês que vem, ainda dá tempo de ler este clássico da auto-ajuda. Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie, é bastante conhecido. Se não é o primeiro do gênero, pelo menos é o mais famoso no quesito antiguidade.

Sei que pode ser pesado para o presidente da República que disse às crianças do Brasil que é melhor encarar uma esteira de ginástica que pegar um livro para ler, mas pode-se dar um jeito. Na realidade, pelo barrigão dá para ver que ele não pega nem um nem outro, porém, se Lula não tiver coragem para encarar sozinho a leitura, alguém do Palácio pode ajudar. Dilma não está mais lá para o papel de faz-tudo, mas a Eunice pode dar uma mão. Leia para ele, Eunice, vai.

É edição bem antiga, de 1947, e até que está com um preço baixo. Custa apenas 20 reais no site Que Barato. O frete é de graça. Lula pode reclamar do estado de conservação, mas com paciência será possível convencê-lo que este aspecto de usado dará um ar mais especial à sua biblioteca particular. O volume ficará muito bem ao lado dos outros dois ou três livros e, manuseado como está, servirá também para convencer que pelo menos este exemplar de sua biblioteca foi lido por alguém.
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POR José Pires

terça-feira, 20 de abril de 2010

Barão em baixa

Homenagem no Brasil é algo muito perigoso. O sujeito vira nome de viaduto em um dia e no outro a imprensa descobre que a obra foi superfaturada. Ou pior: o viaduto cai. Pode até acontecer do autor da homenagem ser pilhado em corrupção.

Teve uma época, que não vai muito longe no tempo, em que o dinheiro mudava tanto que boa parte da intelectualidade brasileira foi desmoralizada com a homenagem de ter sua efígie estampada em notas que no lançamento davam pra comprar pelo menos uma boa calça e depois de um mês ou dois não compravam nem uma cueca.

Foi na época de José Sarney como presidente, que governou com tanta inflação que tinha que imprimir notas novas o tempo todo. O dinheiro de então era o cruzado. E como ele sempre foi metido a intelectual, resolveu homenagear seus supostos pares. De Villa-Lobos a Drummond, passando até pelo naturalista Augusto Ruschi, Machado de Assis, Cecília Meireles, a memória de muita gente boa pagou mico nas notas do Sarney.

Homenagem oficial? Sem dúvida é melhor fugir. Até recentemente a Ordem do Rio Branco era uma das poucas homenagens oficiais que ainda tinha algum valor de fato. Pois até essa foi para o vinagre.

Hoje, Dia do Diplomata, juntaram-se um monte de bacanas no Ministério das Relações Exteriores para a entrega da comenda criada em 1963 pelo presidente João Goulart. Entre os homenageados estão a primeira-dama Marisa Letícia e a vice-primeira-dama Mariza, Erenice Guerra e Bruno Gaspar.

O próprio site do Ministério explica que a comenda é oferecida às pessoas “pelos seus serviços ou méritos excepcionais, se tenham tornado merecedoras dessa distinção”.

Não sei qual é o mérito excepcional ou os serviços das mulheres do presidente Lula ou do vice José de Alencar. Marisa Letícia talvez tenha ajudado Lula na concepção de sua revolucionária política externa do olho no olho. Afinal, antes do tetê-à-tête com o iraniano Ahmadinejad ele tem que treinar com alguém.

Erenice Guerra ficou conhecida por prestar serviços para sua chefe, a então ministra Dilma Roussef, antes dela mesma, Erenice, subir para o cargo de ministra-chefe da Casa Civil. Seu serviço mais conhecido foi a produção do dossiê de gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de Ruth Cardoso.

E esse Bruno Gaspar? De que forma modesta e dedicada este sujeito colaborou com o país sem que soubéssemos nada até agora? Bem, Gaspar é é assessor do assessor internacional de Lula, Marco Aurélio Garcia. E seu gesto público conhecido foi na época do acidente com o avião da TAM, em Congonhas, quando foi flagrado pela televisão fazendo gestos obcenos junto com o chefe para comemorar a notícia de que o acidente teria sido causado por falha técnica.

Eu falei lá no início da desmoralização de personalidades com as homenagens no dinheiro de vida curta da época do Sarney. Pois antes desse período inflacionário, o Barão do Rio Branco, coitado, foi também vítima dessa homenagem na cédula de mil cruzeiros, uma nota que hoje em dia não tem valor nem para colecionador. Ainda agora, encontrei uma em um site de ofertas por R$ 2,99. Quando será que logo mais estará valendo uma Ordem do Rio Branco?
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POR José Pires

Senso crítico seletivo

Ainda sobre as teorias conspiratórias petistas, agora o alvo é o Datafolha, que andou apresentando em suas últimas pesquisas números que não agradam a campanha da candidata de Lula. O ataque ao instituto ligado à Folha de S. Paulo está inserido no mesmo processo marqueteiro que leva esta rede difamatória a atacar a Rede Globo e poupar, por exemplo, a rede Record, ligada ao mais que notório Edir Macedo.

Tudo bem que se faça críticas à Rede Globo. Quem pode dizer que a emissora não merece? Mas a Globo nunca esteve envolvida em denúncias do tipo que atingem a Rede Record. Até sobre a compra da Rede pela igreja de Edir Macedo pesam suspeitas pesadas. E se alguém duvida dos métodos de Macedo e seus “bispos”, não faltam vídeos com gravações de aulas dessa gente para extrair dinheiro das pessoas e até com conselhos para negociar com bandidos. Num desses vídeos o próprio Edir Macedo dá uma dessas aulas de, digamos assim, arrecadação. E de uma forma até irônica com seus fiéis.

No entanto, a inauguração recente das instalações milionárias da Record teve até a presença do presidente Lula, que confraternizou publicamente com Edir Macedo. E lá tem guarida profissionais que usam a internet de forma acintosamente propagandística, com críticas pesadas á oposição e muitos elogios ao governo Lula. E as críticas, é claro, vão todas para a Rede Globo.

Trata-se de crítica seletiva, muito bem direcionada e com claras indicações do uso de um esquema organizado na internet. Os ataques são bem agressivos. Não há nenhum espaço para a independência nas análises. Até gente que fez carreira como pensador segue a cartilha rigorosamente. Um grupo, numa escala superior, repassa o assunto e a forma de tratá-lo. E todos seguem com a maior obediência.

É o que está acontecendo agora também em relação ao Datafolha. O instituto tem sido xingado de fraudulento para baixo. E em contrapartida, não só não existem críticas ao Vox Populi, ao Ibope ou ao Sensus, como estes institutos até são usados como referência nos ataques feitos ao Datafolha.

Mesmo o Sensus, que teve sua pesquisa recente colocada em dúvida por muitos analistas e até sofreu uma representação judicial do PSDB, não recebe nenhuma apreciação crítica. Na realidade pouco tocam neste assunto e quanto o fazem é para atacar o PSDB ou qualquer um que apresente discordância quanto aos métodos do Sensus.

E não é só por esta última pesquisa que o Instituto Sensus pode dar boas notas em blogs. Não é de hoje que o trabalho do instituto é bastante interessante. Em sua história recente existe um “erro” muito estranho numa pesquisa de eleição presidencial.

Quem levantou o fato foi Gravataí Merengue no blog Imprensa Marrom. Na eleição anterior, em 2006, o Sensus publicou uma pesquisa nos dias finais da campanha de primeiro turno. Nela, o tucano Geraldo Alckmin estava com 27,5% das intenções de votos. E já que Lula estava com 51,1%, o levantamento indicava que o petista decidiria a disputa já no primeiro turno. Todos sabem que este era seu plano e que ele até ficou bastante contrariado de ter que disputar mais uma vez um segundo turno, e ainda mas com um adversário tão fraco como se mostrou Alckmin.

E apesar da pesquisa do Sensus, lá foi o Lula para o segundo turno. Ao contrário de FHC, que teve suas duas vitórias no primeiro turno, Lula nunca ganhou uma eleição no primeiro turno.

Teve que disputar segundo turno até com o Chuchu. No dia 26 de setembro de 2006 a pesquisa da Sensus dava 27,5% para Alckmin. Três dias depois os brasileiros foram às urnas e deram 41,43% dos votos para o candidato tucano. Lula teve 48,79% da votação. Nos últimos 40 dias de campanha esteve sempre nas pesquisas do Instituto Sensus com mais de 51%, por coincidência a quantia necessária para a vitória que não teve no primeiro turno.

O erro do Sensus em relação aos votos de Alckmin foi de 14 pontos. Não gosto de exclamação, mas um erro desses até que merece: 14 pontos!

Talvez isso explique em parte a batelada de críticas ao Datafolha. Mas pode explicar bem mais a ausência total de críticas ao Sensus e até o apoio atual que o instituto tem recebido da blogosfera petista.
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POR José Pires

Questão de estilo

Sobre essa polêmica criada artificialmente em torno da propaganda de aniversário da Rede Globo — que artimanha mais pérfida, arquitetaram a fundação em 1965 só para completar 45 anos em 2010 e com isso favorecer os tucanos! —, penso que o recuo é a melhor decisão para apagar logo essa discussão besta mas muito apropriada para os interesses da candidata do Lula.

A Globo acertou. É melhor matar logo essa discussão antes que este falso debate vire uma questão política favorável à candidata do Lula. A patrulha veio da própria campanha petista. E chegou impulsionada pelo que eles tentam fazer há muito tempo fazer com a discussão sobre o papel da mídia: uma alavanca para atender seus interesses.

Este é um dos maiores problemas do governo Lula e de seu entorno. E um problema que deve prosseguir depois como uma herança maldita: marcar negativamente certas discussões necessárias na atualidade. Esse pessoal ainda vai acabar favorecendo até os que defendem o golpe de 64.

De qualquer forma, a campanha da Globo era mesmo muito ruim com aquele jogralzinho de estrelas pedindo mais. Isso: façam mais e, talvez, melhor do que o que foi para o ar. Ou pelo menos com mais de responsabilidade.

Mais responsabilidade, mais critério, mais maturidade. A verdade é que mesmo tendo sido criado há meses, o que é de uma evidência técnica que só golpistas podem deixar para lá, o comercial devia ter sido descartado por ser ambíguo em relação à eleição.

E como TV é um veículo que não permite imprecisão, muito menos em assuntos do interesse direto da empresa, a campanha veiculada ontem e tirada às pressas do ar revela que o que tem de mais dentro da Globo parece ser dirigentes idiotas.

Será que ninguém por lá tem a consciência de que este momento exige uma grande atenção? Mais atenção. Bem, já sabem. E aí, com certeza, o episódio veio na hora certa. Ainda dá tempo para afinar a máquina e procurar não dar pretexto para a máquina lulo-petista. Uma máquina profissional, não esqueçamos, e muito bem azeitada até com muita grana.

A Globo quer ajudar a oposição e revelar o que há por detrás da candidata do Lula? Muito bem, basta cumprir com suas obrigações na área do jornalismo. Aliás, se isso estivesse sendo feito há mais tempo o país estaria muito melhor. Se toda a mídia cumprisse da fato com suas obrigações, pelo menos o clima no Brasil seria melhor. O papo por aqui está venezuelano demais para o meu gosto.

A patrulha petista se espalhou com rapidez assim que foi para o ar a propaganda do aniversário. Isso mostra que o esquema tem agilidade e nenhum escrúpulo. É melhor então tomar mais cuidado. Caso isso acontecesse próximo da eleição, daria bem mais trabalho para desmascarar a patrulha.

E o efeito seria desastroso para a eleição. Ao PT não interessa o aprofundamento nas questões nacionais, daí essa busca ansiosa para estabelecer um clima de conspiração como o centro do debate político. Há bastante tempo que eles vem entoando a mesma ladainha marqueteira.

E esse pessoal está sempre em busca de um menchevique. O problema é que os mencheviques jé existiram e a história aí está para quem quiser aprender o que aconteceu com os que agiram com pouco rigor no embate que essa gente procura estabelecer.

O nível é baixo. Neste caso, eles sempre podem mais na descida para a sarjeta. Isso ficam bem claro numa descoberta feita pela coluna Painel, da Folha de S. Paulo, no que escreve Marcelo Branco, o responsável pela tropa-de-choque de Dilma na internet. Vejam o que saiu na Folha:

“Guru virtual da campanha de Dilma Rousseff, Marcelo Branco deixou a candidata de cabelos em pé, ontem, ao se referir repetidas vezes aos “perfius” dela no Twitter, Facebook, Orkut e Cia”.

Tirando o exagero da Folha em achar que a candidata de Lula ficaria de “cabelos em pé” ao ver seu assessor enrolado com um plural tão simples (para isso ela teria de reconhecer o erro, não?), nota-se que estão construindo um país com o perfil, ou perfiu, do chefão, o Supremo Apedeuta.

Outro ensinamento do episódio é que um país como este, metido numa dicotomia estúpida, é o país dos sonhos dessa gente. É onde de fato eles não teriam medo algum de ser feliz. Com o debate em um nível tão baixo e sem a possibilidade do aprofundamento de qualquer assunto, eles estariam como pinto no lixo. Lixo, aliás, que eles mesmo produzem para a própria felicidade.
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POR José Pires

Amor não correspondido

Na nota Namoro sério, onde analiso a revolucionária técnica do ollho no olho, que Lula pretende estabelecer como padrão das relações externas de seu governo, Newton Moratto escreveu um comentário que merece ser destacado aqui. Lá vai:


"Esse namoro de Lula por Ahmadinejad não é um amor correspondido. Só ele e o Marco Aurélio Garcia é que não viram ou não entenderam isso. O que os cegam é que eu gostaria de saber.

Dizem que entre o céu e a terra há mais coisas do que a nossa vã imaginação possa conceber. E entre o Brasil de Lula e o Irã de Ahmadinejad há o quê? Não entendo a razão pela qual Lula se apaixona tanto por ditadores. Talvez a psicanálise explique. Na política é difícil encontrar uma compreensão lógica para a postura que assume no plano internacional, nesse e em outros casos.

Lula é contraditório, pois se diz um homem de diálogo, e assim quer ser reconhecido, o que só é possível dentro de um contexto democrático. Contudo não se cansa de pedir em casamento ditadores, em cuja essência viceja exatamente a imposição de posturas unilaterais, que não admite ponderações e interação entre as partes.

Nesse drama, sem excluir outros, sua postura está mais para um monólogo do que para um diálogo. Ninguém o ouve. Quando o ouve, coitado!, é protocolar o encontro e ainda assim tem que dividir o tempo com o primeiro-ministro da Turquia.

Fico envergonhado. Sério mesmo. Por mim e por todos os brasileiros. Só não pelo Marco Aurélio Garcia.


Lula que gosta tanto de frases de efeito e populares deveria saber ou ter apreendido que “quando um não quer dois não brigam”. E, nem conversam."

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Muito abaixo da cintura

Correm na internet várias teorias conspiratórias nascidas em blogs de apoio oficial ou oficioso à candidata do presidente Lula, mas pouca batem, em ridículo, esta que acusa a Rede Globo de usar seu aniversário para fortalecer a candidatura de Serra. E o pior é que o golpe deu certo: a campanha institucional de aniversário da emissora foi cancelada antes de completar 24 horas no ar.

As teorias conspiratória petistas tem sempre um ponto em comum. O mundo gira apenas em torno da eleição para presidente da República e neste rodar o único sentido que é do bem evidentemente é o da candidata do Lula. Quem não pensa igual a eles recebeu sempre o rótulo de tucano. Tem que gostar até da peruca da Dilma, senão é chamado de serrista.

Dessa forma, enquanto os números deste ou daquele instituto de pesquisa favorecem a candidata petista, tudo bem. Vox Populi, Sensus e até mesmo o Ibope são tratados como repositórios da verdade científica. Mas quando os números não combinam com o que eles querem, como é o caso das recentes pesquisas do Data Folha, aí as acusações surgem são as mais baixas possíveis. E como eles sabem ser baixos. O Datafolha tem sido acusado de fraudulento. Logo o Datafolha, que eles sabem ser o instituto de maior credibilidade no país.

É uma conspiração de direita, é claro. Sempre a direita querendo acabar com um governo tão bacana apoiado por esquerdistas como José Sarney, Maluf, Renan Calheiros e Fernando Collor. Esta é a receita seguida à risca pela blogosfera petista. Todos fazem direitinho a lição de casa. E a cartilha vem de cima, sabemos. Além de também uma boa grana para os mais privilegiados.

Qualquer um que hoje não esteja torcendo de forma incondicional pelo sucesso do governo Lula e a vitória de sua candidata só pode ser da direita. É parte desta conspiração.

E a conspiração é tão articulada que a Globo chegou ao ponto de calcular há exatos 45 anos o momento de sua fundação, para que houvesse a coincidência neste 2010 com a candidatura do PSDB e seu número 45. Esse Roberto Marinho era fogo!

O rótulo evidentemente não se encaixa em direitistas históricos que hoje estão abraçados à Lula. Gente como Collor de Melo, Sarney, Renan Calheiros e tantos outros conhecidos representantes da direita no país e chefes notórios de esquemas corruptos são tratados com o maior respeito, enquanto sobram insultos para quem exerce seu senso crítico em relação à roubalheira instalada no país e a burrice galopante que toma conta da nossa cultura política.

É bem fraquinha a campanha que a Globo tira do ar motivada pela pressão política nascida no esquema pago que a candidata de Lula e o próprio chefão mantêm na internet. A propaganda usava o manjado jogral de tantas campanhas políticas e até de comerciais de lojas de varejo. Dava para fazer melhor. Ou mais.

Me impressionam duas coisas neste episódio. Primeiro a aparente ingenuidade dos dirigentes da Globo em não perceber de antemão que a associação de sua campanha com a candidatura de Serra poderia ser feita com a maior facilidade. Também, onde já se viu fazer 45 anos neste ano? Depois a total falta de escrúpulos que faz de um amplo setor da esquerda brasileira uma mão-de-obra pronta para qualquer esquema sujo, sem nenhum problema em usar qualquer argumentação, seja contra quem for. Pelo poder, vale tudo.

Usa-se a universidade pública e qualquer atividade da área do pensamento. Não há mais espaço para a credibilidade intelectual. A artimanha marqueteira se entremeia em textos que fingem tratar de sociologia e até de filosofia. Colunista políticos soltam textos que teriam sentido apenas como propaganda político-partidária. Nunca se viu o debate público descer tanto. Fazem de uma disputa presidencial objeto de mesquinharias ao nível da mais suja eleição interiorana.

E quando pensamos que eles já desceram ao mais baixo da sarjeta em termos de credibilidade política, intectual ou profissional, eles mostram que podem mais. Não estou falando das críticas à campanha da Rede Globo e seus 45 anos. Que fosse treze a idade da Globo, mesmo assim a má qualidade do debate não seria menor e este é o real problema: este estilo vil que eles buscam instalar no pensamento brasileiro.
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POR José Pires

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Namoro sério

Lula fala e a gente escuta, é claro, afinal o cara é o presidente da República. Mas que dá até vergonha, ah, muitas vezes isso dá.

Ontem o tema mais forte das falas do petista foi sua revolucionária política externa. Lula falou de uma tática inovadora nas relações entre os países, uma coisa que ele já insinuava em conversas informais sobre o assunto, mas que agora ela traz de forma explícita: é a tática do olho no olho.

Não deixa de ser uma sensacional inovação. Imaginem uma assembléia geral das Nações Unidas com os líderes mundiais negociando com o olho no olho. Pode sair até casamento entre as nações.

Falando nisso, muitos dos problemas que o mundo enfrenta atualmente até podem ter origem na falta deste olho no olho que o presidente brasileiro traz para a cena mundial. Vocês podem até rir pensando que é ironia minha, mas será que Hitler não poderia ter voltado atrás em seus planos se alguém, talvez Churchill, ou mesmo Roosevelt, tivesse tido um olho no olho com o alemão?

Charles Chaplin, que sempre foi um genial precursor, até antecipa esta sacada de Lula. No filme O Grande Ditador, na cena do encontro entre Hitler e Mussolini, os dois fazem um olho no olho. E eles afinal se entenderam , não é?

Falta isso no diálogo entre as nações. E o emblema dessa ausência é Nikita Kruschev batendo com o sapato na mesa para obter atenção ao que falava durante sessões do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Isso foi na década de 50 e desde então o que tem mudado são só os sapatos. O pessoal não se entende. Quem sabe, talvez falte um olho no olho para que se crie, enfim, uma harmonia entre os poderosos.

Este jeito novo de fazer política internacional pode ser meio complicado com líderes como Barack Obama, pelo menos para baixinhos como Lula. E não estou falando da altura política dos dois países. Nicolas Sarkozy, da poderosa França, enfrentaria a mesma dificuldade de Lula para ter um olho no olho com Obama. O francês e o brasileiro teriam inevitavelmente que olhar para cima.

E a conversa olho no olho também exige um certo tempo. Não bastam quinze minutos divididos ao meio, o tempo concedido a Lula e ao primeiro-ministro da Turquia, para os dois defenderem o Irã de Ahmadinejad. Obama ouviu o pedido — sete e meio minutos para cada dirigente — e depois foi informar a imprensa que as sanções contra o Irã devem avançar. E se o presidente dos Estados Unidos já conseguiu o apoio até da China, que diferença faz um olho no olho com o Brasil?

Mas Lula não esmorece. Não deu certo com os Estados Unidos, mas ele vai ter uma conversa olho no olho com Ahmadinejad, no Irã. Bem, tem gosto pra tudo.

Mas vejamos ver literalmente a fala de Lula: “O Brasil é contra qualquer arma nuclear, aliás, não é o Brasil, é a nossa Constituição que proíbe a construção de arma nuclear. Portanto, eu acho que o que o Brasil pode, o Irã deve poder. Mais do que o Brasil pode, eu acho que o Irã não deve querer”, ele disse.

Mas foi apenas o começo, para encaixara a explicação de como pretende convencer Ahmadinejad de que ele não deve desenvolver armas nucleares: “Eu vou conversar isso assim, como eu estou conversando com vocês, olho no olho. Se ele disser ‘eu vou construir’, ele vai arcar com as consequências do seu gesto”.

Bem, tomara que o presidente iraniano não diga a Lula que pretende, sim, construir armas nucleares. O final de um namoro, mesmo que seja apenas político como este de Lula com Ahmadinejad, é sempre chato. Seria decepcionante ver uma relação tão bacana acabar. Ainda mais assim, no olho no olho.
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POR José Pires

terça-feira, 13 de abril de 2010

Só na pose


Boa foto de Ricardo Stuckert, fotógrafo da campanha de Dilma Rousseff. Foi tirada para mostrar as habilidades da candidata de Lula na internet. Aqui ela estaria escrevendo no Twitter. Dizem que, no Twitter dela, é ela mesma quem dá o recado.

Stuckert era fotógrafo da presidência da República. Saiu de lá poucos dias para servir a candidata. São suas aquelas fotos escandalosas feitas em Cuba que mostram o presidente Lula dando gargalhadas com Fidel Castro na beira da piscina enquanto o dissidente Zapata morria na prisão.

Aquelas foram fotos reveladoras. Esta da Dilma também é. Stuckert está perdendo tempo como fotógrafo chapa-branca. Tem tino jornalístico o moço.

Na foto, a candidata do Lula finge digitar uma mensagem. Só finge mesmo, pois como não é do ramo ela não sabe que ali não é a área de postagem. Pois desse jeito ela pode bater no teclado quanto quiser que não vai sair nada.

Mas, enfim, Stuckert, o ex-fotógrafo de Lula e agora fotógrafo da candidata do Lula, acabou emplacando mais uma imagem reveladora. É por isso que a coisa não vai. Que o Lula não saiba postar no Twitter, dá até para vender como charme. Dilma tem que mostrar mais, é uma mulher antenada na moderna tecnologia. Tem currículo, mesmo que não tenha terminado o doutorado como dizia antes.

Mas, além de problemas para a campanha, bate uma dúvida terrível agora: se a candidata do Lula estava lá no Palácio do Planalto exatamente para compensar essas dificuldades do chefão, quem é que afinal dava uma mão para o presidente da República?

Não no Twitter, é claro. Mas nessa coisa muito mais complicada chamada Brasil. Salve-se quem puder! Dilma estava esse tempo todo fingindo que estava digitando.
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POR José Pires

Identificação

E tem aquelas pessoas que a gente sempre se pergunta se está viva, trabalhando onde, como vai a saúde, pessoas como a Sonia Braga, lembra dela? Ela está viva. Apareceu no Rio de Janeiro para ajudar a empacotar donativos para as vítimas dos temporais de dos últimos governos.

O Estadão acabou de estampar uma foto dela agorinha há pouco. O jornal não informa porque ela não apareceu em Santa Catarina ou mesmo em São Luís do Paraitinga. Mas não há de ser nada, pois logo mais podem precisar dela em algum outro lugar. Vítima neste país é que não há de faltar.

A foto do Estadão traz legenda, recurso que sempre foi da maior utilidade e que tornou-se imprescindíve nestes tempos em que atriz muda de cara ao revés. Vai ficando cada vez mais nova. E o chato é que não volta a ser o que era, o que seria uma dádiva no caso de Sonia Braga, pois não é sempre que temos de volta uma Gabriela.

A atriz está outra coisa. Outro nariz, outra bochecha, queixo esticado e liso e aquele bico estranho de sempre. Agora é assim nas nossas artes. Atriz brasileira precisa de crachá, senão nem o porteiro da emissora deixa entrar para trabalhar.
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POR José Pires

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sic, companheiro

Lula fala. E a gente ouve, os jornalistas anotam e publicam. Ele naturalmente pensa que a repercussão é pelo fato dele ser esperto, intuitivo, um homem de fraseados criativos e inteligentes. Mas sabemos que é só porque ele é presidente. Mais uns meses e ele perceberá como é de fato.

Ontem ele foi ao evento promovido pelo PCdoB para oficializar o apoio para a candidata dele. E que tem de novo? Nada, é claro. É a bobajada de sempre, mas gostei de uma novidade que vi ao sapear nos sites e blogs. Estão colocando "sic" nas frases do cara para identificar que o problema não é digitação ou o ouvido do repórter.

O problema é o cara mesmo. Vejam a frase: "Vocês vão fazer campanha para uma mulher cuja história é motivo de orgulho. Se eu conhecesse ela (sic) antes de ser candidato, eu não seria (candidato), porque teria indicado ela (sic)".

Sei que em muitas ocasiões fica impossível identificar com a expressão "sic" os erros de Lula, pois seria "sic" para todo lado. Colocar "sic" em frase do Lula pode parecer também pleonasmo. Mas quando o absurdo pesa demais, não deixa de ser uma boa medida. Pelo menos para não infuenciar mal nossas crianças.

No evento partidário, Lula desafiou a legislação eleitoral. Até chamou sua candidata de "futura presidente do Brasil" e também ironizou a Justiça, repetindo o que tem feito desde que foi multado pelo TSE. Os jornais noticiam também que Lula cancelou uma reunião da Comissão de Éica da Presidência para ir ao ato do PcdoB. Aí já parece coisa de marqueteiro, para dar um realce simbólico ao gesto.

Bem, isso tudo mereceria também um um "sic", desta vez moral. Coisa também muito normal, pois quase tudo o que esse governo faz merece um "sic".
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POR José Pires

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Área de risco

Quem passa com mais frequência por aqui sabe que acompanho com atenção a agenda do presidente Lula. Pois a de ontem trouxe na cabeça da página um aviso destacado sobre a alteração de toda a agenda prevista para esta terã-feira no Rio de Janeiro. Veja aqui.

O plano era passar o dia em cima do palanque no Rio de Janeiro, mas o temporal não deixou. Foi uma terça-feira brava. Lula pretendia inaugurar obras do PAC no Complexo do Alemão, mas teve ficar bem abrigado, pois a barra pesou em todo o estado. Até agora já são mais de 100 mortos. O governador e o prefeito do Rio já pediram ao governo 370 milhões de reais para recuperar os danos causados pelas chuvas.

A tática com certeza era deixar para lá o evento previsto para o Complexo do Alemão e fazer de conta que nada aconteceu ou que iria acontecer. Esquece a inauguração e pronto. Mas ninguém avisou a assessoria de imprensa do Ministério da saúde, que acabou mandando para a imprensa a seguinte nota: “Devido à forte chuva que atinge o Rio de Janeiro, por decisão da Presidência da República, comunicamos o cancelamento da cerimônia de inauguração de obras do PAC, no Complexo do Alemão, prevista para esta terça-feira (6), que contaria com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Saúde, José Gomes Temporão.”

Lula, é claro, não deixou de dar seu pitaco sobre os problemas causados pelas chuva, tratando do assunto do jeito de sempre, como se ele fosse um marciano que estivesse passando pelo planeta só agora. Na sua visão, o problema é essa mania do brasileiro em querer morar em área de risco. "As pessoas estão vendo que vai acontecer uma desgraça e elas não querem sair", ele disse.

O negócio então é sair da área de risco. Será que ele empresta o Aerolula para os brasileiros se mandarem do país?

Mas, falando em PAC, com a chuvarada vieram à tona números de outro programa, o Programa de Prevenção e Preparação para Desastres. O Estadão de hoje revela que o Estado do Rio recebeu apenas 1% (isso mesmo, você não leu errado: um por cento) das verbas de 2009.

O valor transferido pelo governo lula foi de R$ 1,6 milhão . Para se ter uma idéia da mixaria, o jornal diz que um plano de remoção preventivo de cem barracos em área de risco fica hoje em pelo menos R$ 4 milhões. E a chuva nem acabou e já estão dizendo que o estado vai precisar de R$ 370 milhões para consertar o estrago.

No ano passado a União tinha neste programa uma verba de R$ 646,6 milhões para ser repassada a municípios para o combates a enchentes. E o governo repassou apenas 22% desse total.

A maior parte da verba foi para a Bahia, terra do ex-ministro Geddel Vieira Lima, responsável pelo programa até sua desincompatibilização para ser candidato à governador. Para lá foi 48% do total. O estado do ex-ministro levou R$ 69,4 milhões, distribuído para 58 cidades.

Para se ter uma idéia da influência que um palanque eleitoral pode ter no rumo das verbas do governo Lula, enquanto a Bahia do companheiro Geddel levou essa bufunfa os estados do Rio e São Paulo ficaram com apenas R$ 6,6 milhões em verbas da União para prevenir desastres. A construção de um reservatório de água para evitar enchentes, os chamados piscinões, custa em média R$ 30 milhões.
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POR José Pires

segunda-feira, 5 de abril de 2010

País maravilha

Alice acharia até banal o país que Lewis Carrol inventou para ela caso conhecesse o Brasil. Aqui é que é, de verdade, o país das maravilhas.

Pois não é uma maravilha um país onde os presos podem votar?

É sim. O preso não tem direito algum, nem aos mais banais, como ter um lugar decente para dormir, uma comida razoável ou até segurança física depois de encarcerado pelo Estado. Na verdade não tem o direito nem à própria vida, que fica ao dispor de chefões criminosos e da polícia.

Mas pode votar. Não é uma maravilha?
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POR José Pires

O debate errado

Os setores da esquerda que assumiram o poder com o governo Lula conseguiram algo prodigioso na historiografia brasileira. Os militares brasileiros vão sendo colocados em papel bem diferente daquele que lhes parecia destinado na História por causa do golpe militar de 64.

Nossas Forças Armadas começam a ser vistas como defensoras da democracia, ou pelo menos tendo valorizada sua atuação contra a luta armada promovida por vários grupos de esquerda alguns anos após o golpe. Neste caso, os militares acabam figurando como a força que evitou a instalação de ditaduras de esquerda no Brasil.

E naquele contexto histórico, esta é uma verdade indiscutível. Se tivessem dado certo os planos dos guerrilheiros de esquerda da década de 60 ou mesmo do PCdoB, com sua guerrilha no Araguaia na década de 70, é óbvio que nenhum deles traria de volta a democracia golpeada pelos militares.

No caso do PCdoB, teríamos uma ditadura com conseqüências que podem ser compreendidas além do plano da teoria. Os regimes que dominaram os países que esses malucos sempre idolatraram, como a antiga União Soviética, a Albânia e a China, foram pródigos na matança. Só o regime de Mao Tsé Tung, que até hoje este partido adora, matou 65 milhões de pessoas.

Ao abusos do Exército Brasileiro na luta contra os guerrilheiros comunistas no Araguaia foram terríveis e têm que ser condenados. Mas caso tivesse vencido, o PCdoB faria coisas bem piores e de efeito muito mais prolongado.

Mesmo a então guerrilheira Dilma Rousseff e seu grupo não fariam menos mal ao país em caso de vitória. Muito menos Marighela ou Lamarca, ou qualquer um daqueles que pretendiam estabelecer duras ditaduras por aqui. Foi certo Dilma ser torturada por isso? É óbvio que não. Assim como não é correto que ela faça de seu sofrimento um atenuante do projeto criminoso que eles tinham para o país.

E como se não bastasse a cretinice que fizeram naquele período e também como se fosse pouco não admitirem aquilo como um erro, ainda fizeram a bobagem de transferir de contexto a discussão sobre a atuação antidemocrática das Forças Armadas. Do golpe 64 foi para os combates na luta armada no final dos anos 60 e primeira metade dos 70.

E neste campo os militares levam vantagem até na contagem dos mortos, porque além dos que morreram em terras brasileiras têm que se adicionar também os mortos nos países que serviam como referência nos planos da esquerda armada.

O general Augusto Heleno, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, deu uma entrevista sobre o assunto para a revista Época desta semana. Ele já vem falando sobre isso desde o último dia 30, quando na troca de dois comandantes do Exército, em Brasília, disse o seguinte: “Hoje, fora do contexto, é fácil falar sobre abusos na luta contra a subversão. Como deveriam ter agido as forças legais? Saibam os que nos condenam, muitos deles ex-terroristas e ex-guerrilheiros, hoje ocupando altos postos da República, e que jamais defenderam ideais democráticos, que nossa paz teve um preço. Ela é um legado daqueles que cumpriram sua missão e não fugiram ao dever, nem à luta”.

Bem, é irretocável este trecho da fala do general. Vejam a que nos obrigam esses cretinos que foram da extrema esquerda e hoje estão no bem bom de cargos públicos ou endinheirados com a farra das verbas de anistiados.

O general trouxe até uma observação sobre as conseqüências da luta armada na Colômbia, com uma opinião que merece uma avaliação sem preconceito. De fato, se esta discussão for ampliada no âmbito de outros países que viveram situações parecidas como a nossa, a situação histórica da esquerda armada brasileira fica ainda pior. Este tipo de extremista acabaou atrapalhando até o governo Allende, no Chile, país, aliás, para o qual muitos deles correram depois de perder a luta aqui.

Fica também difícil não considerar a atuação rápída das Forças Armadas para conter a guerrilha no Brasil. Acho até que em breve esta situação poderá ser melhor avaliada. A própria ação do tempo, que enterra (ou crema, tanto faz) de forma natural os teimosos, deve criar um campo mais imparcial para esse estudo. E não acredito que a extrema esquerda sairá bem nesta nova avaliação.

Contribui também para a condenação dos grupos de esquerda a existência hoje de documentação comprovando que muitos desses movimentos comunistas recebiam dinheiro e até diretrizes políticas de outros paises. Ou seja, atuavam comandados por governos estrangeiros.

O debate estava muito bem situado no papel do Exército Brasileiro no contexto geral da sua atuação sobre a democracia brasileira que é a forma exata de se extrair uma exata compreensão sobre a nossa história. E não estou preocupado aqui em condenar este ou aquele lado, mas na melhpor compreensão sobre o que viveu o país. Isolado no contexto para o qual foi trazido por esta esquerda que foi incompetente até no aspecto militar, o debate não é esclarecedor e muito menos produtivo para que o país seja melhor plano político do que foi até agora.

Seria bom que esta esquerda que ainda vive de suas equivocadas ilusões deixassem este debate para os profissionais ou para quem não pensa a história com a amargura e o ressentimento. Era como até agora vinha sendo feita a discussão do que foi o Brasil durante a ditadura militar.
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POR José Pires

A malhação do bom senso


As cenas da malhação de Judas deste ano em São Paulo mostram bem como a violência está instalada no país como um estado mental. Entre os políticos de ocasião, esse ano Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram também escolhidos para personificarem o Judas.

A malhação de Judas sempre foi uma manifestação restrita ao local em que os bonecos eram destruídos pelos populares. Com a ampliação dos meios de comunicação, principalmente depois da internet, o que era uma simples bobagem de esquina acaba adquirindo expressão muito mais forte.

Hoje o espetáculo é encenado com uma preocupação em atender exigências circunstanciais da imprensa, especialmente da televisão. Se o casal não tivesse sido julgado recentemente, certamente não teriam suas caras nos bonecos que foram destruídos a pauladas.

Com um pouco mais de notoriedade, o assassino do cartunista Glauco poderia ter sido o escolhido. Ele ou qualquer outro criminoso ou até mesmo apenas suspeito, já que aqui o tal do transitado em julgado não tem a menor importância. O que interessa é que a pessoa figure num caso que a imprensa esteja em cima.

E só um país com as instituições também doentes permite algo assim. A grotesca encenação popular que nasce do espetáculo criado pela imprensa para posteriormente ser usado como imagem supostamente natural de um sentimento popular.

O descrédito com a Justiça está mesmo instalado no imaginário popular. E num país onde o desrespeito cívico se instala até mesmo com o estímulo público da nossa maior autoridade, é claro que basta juntar três numa rodinha para logo todos acharem que qualquer problema tem que ser resolvido no pau.

Mas o problema mesmo é quando este estado mental contagia instituições importantes como a imprensa. Aí é sinal de que o câncer não só não é benigno, como a metástase já se espalha de forma perigosa.

A malhação do Judas já é de origem uma manifestação de cunho preconceituoso. Já foi de fato racista, mas a violência simbólica acabou sendo desviada para os odiados de ocasião.

Mas os componentes de execração de personalidades públicas pioram ainda mais a elaboração de um espetáculo popular que, ao contrário do que pretensamente encena, violenta a Justiça e estimula o crime, caracterizado na atitude de vingança e morte violenta.

No aspecto simbólico, a malhação do Judas é até mais doentia e perniciosa socialmente que hábitos populares violentos como a Farra do Boi. No entanto a imprensa trata a malhação do Judas como algo inofensivo e pitoresco.

E não acho que seja correto ver dessa forma uma manifestação que envolve tamanha violência e que pretende transmitir uma visão de justiça. Mesmo que as pessoas envolvidas na ação atuem de forma irrefletida e irracional.

Dou um exemplo nesta imagem: se as crianças estivessem fingindo que fumam crack, certamente teriam uma faixa negra sobre os olhos. Então porque não recebem este mesmo tratamento uma imagem em que crianças encenam a morte violenta de seres trucidados à pauladas?

É que por ignorância de causas e conseqüências ou até pelo assunto não ser aprofundado em razão da pressa de publicação, o fato acaba sendo tratado como se fosse socialmente inofensivo. E não é.

As coberturas jornalísticas dão a impressão de que nas redações já não têm pessoas adultas. Para um país que parece que caiu numa imaturidade geral, uma imprensa assim só piora as coisas. A falta de senso crítico em casos como a malhação do pai e da madrasta da menina Isabella nos remetem inclusive à cobertura de outro espetáculo encenado às portas do Fórum de Santana, na capital paulista, onde os dois foram julgados há poucos dias.

Populares se juntaram na frente do Fórum, xingando e ameaçando familiares dos acusados e seus advogados. Da mesma forma, as coberturas jornalísticas incorreram na falta de rigor crítico ao noticiar estas manifestações, muitas delas feitas por malucos em busca de quinze minutos de fama, sem nenhum rigor crítico. As autoridades também deixaram de agir para coibir os abusos. E o que se viu ali foram atos de violência e intimidação.

Uma coisa é um maluco ou vários deles com fotos recortadas de revista nas mãos e suas frases difamatórias. Outra é a imprensa que dá voz a estes malucos. Ao jornalista é exigido responsabilidade na análise dos efeitos da informação que transmite com seu trabalho. O maluco é um problema da polícia e da Justiça. Mas infelizmente é uma prática corriqueira hoje em dia publicar qualquer besteira, meter as aspas, esquecendo-se que a responsabilidade social maior é sempre de quem colheu a besteira.

É óbvio que depois do tratamento que estes atos de incivilidade tiveram por parte da imprensa e das autoridades, o espetáculo grotesco e perigoso deve prosseguir à porta de outros julgamentos.

E na malhação de Judas deste ano o enredo seguiu, sem nenhum alteração dos que teriam a obrigação de serem mais responsáveis: a imprensa e autoridades.

O Brasil está com um problema muito grave: quem tem a obrigação de punir parece não ter coragem suficiente de agir. A covardia está instalada em nossas instituições. Seja por medo político ou pessoal, no Brasil o rigor da lei não é aplicado nem em chefes de quadrilhas já condenados e cumprindo pena.

Quem ameaça pessoas e até agride pessoas à frente de um tribunal, como ocorreu no julgamento dos Nardoni, deveria responder por seus atos. Deveria ser sempre assim, mas como isso não acontece os abusos vão aumentando. E aquelas pessoas chutando advogados não nos remetem aos manifestantes petistas chutando adovogados e empresários durante os leilões das privatizações no governo de Fernando Henrique Cardoso?

O sentimento é o mesmo, cada um com as devidas manipulações. Não à tôa, a malhação do Judas é usada também para casos políticos. A idéia de que o populacho é que sabe das coisas serve num caso para extravasar a miséria moral, no outro para ganhar votos e subir ao poder.

E é claro que este senso de Justiça de sarjeta não se ocupa sequer do fato em questão. A simbologia aqui só interpreta a culpa punida no olho por olho, dente por dente. A mensagem não permite um olhar objetivo. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram julgados e condenados, até com penas bem extensas. Nunca estiveram foragidos. Compareceram perante o júri e foram reconduzidos à prisão.

Até no caso do ex-governador José Roberto Arruda, um político escolhido este ano para personificar o Judas, também há uma flagrante injustiça e desrespeito. As provas mostram que ele aprontou muito, mas Arruda se apresentou à Justiça, está preso e seu caso tem o devido andamento.

E se em nosso país não existe punição para político ladrão nem quando existe farta documentação do roubo ao dinheiro público, paciência. Paciência e equilíbrio, pois não dá para acreditar que a solução desse e de tantos outros problemas éticos vá surgir desse tipo de simbolização que prega a violência como punição.

Num país sério, os adultos que estiveram por detrás da malhação de Judas que desrespeitou tanto os pais de Isabela quanto o político teriam que ser identificados e processados. Como se pode ver na imagem acima e também aqui, muitas crianças participaram da malhação, aprendendo bem cedo esta terrível prática de fazer justiça com as próprias mãos. As fotos são do site G1.

O maior problema é que este tipo de cobertura sem rigor crítico algum chega à nossas casas, trazendo esta estranha forma de fazer justiça e sem fazer nenhum contraponto sério à tais barbaridades. Em um país onde de fato pessoas são mortas nas ruas a tiros e até com pauladas, mensagens desse tipo são tão perniciosas que até deveriam ser proibidas para menores.
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POR José Pires

sábado, 3 de abril de 2010

O perigo é leve como uma pluma

As pessoas envolvidas com política costumam temer os colunistas políticos ou jornalistas e articulistas da área. Dependendo das circunstâncias ou do lado político (que por muitas vezes é também circunstancial), podem ficar atentas a um Janio de Freitas, o Josias de Souza, Elio Gaspari, Míriam Leitão, Reinaldo Azevedo, ou até mesmo quem não escreve especificamente sobre o assunto, mas que também é de se temer, como o Demétrio Magnoli, o Diogo Mainardi ou Janer Cristaldo.

Um político faria diversas vezes a lição de casa antes de sentar à frente de uma dessas figuras para responder à algumas perguntas. Tem que decorar as frases, estudar bem os conceitos e até retocar a tintura do cabelo e do bigode.

Pois aí é que está o erro. O perigo não está aí. Ele mora em outro caderno. Pois se tem alguma coisa muito perigosa em política é a desatenção. E o alerta que se acende com esses nomes citados é proporcional ao relaxamento em relação a jornalistas que se dedicam a assuntos supostamente de menor rigor crítico.

Na imprensa brasileira o risco mesmo é com gente como a Mônica Bergamo, da Folha. Que nenhum esquerdista me acuse de racismo, mas ô raça!

A jornalista chega e fica ciscando em volta do entrevistados, anotando atitudes, sapeando o local de trabalho ou a casa da pessoa, observando a roupa e adereços, fazendo umas perguntas songamongas e depois o que é publicado no jornal é mais revelador do que se a pessoa fosse espremida por todos os caras que citei acima.

Muitas vezes o estilo é leve feito uma pluma, quase doce até, mas atinge mais que um editorial feito para servir de tijolaço.

Foi o que aconteceu hoje na coluna da Mônica Bergamo com a militante Bebel,ou Maria Izabel Noronha, a presidente da Apeoesp que botou suas tropas na rua para combater a candidatura de José Serra e, é claro, ajudar a companheira candidata do Lula.

A colunista da Folha mexe com a vaidade das pessoas. É a possibilidade da foto colorida, o suposto momento sentimental, um tipo de revelação ao estilo da revista Caras que, sabe-se lá por quê, esse pessoal gosta muito.

E aí quebram a cara, como aconteceu com a militante Bebel. Os 100 votos obtidos na disputa de uma vaga na Câmara Municipal de Águas de São Pedro é uma novidade no currículo da braba combatente da Apeoesp, mas é um desastre para suas pretensões políticas. Disso, ela devia guardar segredo.

Os 15 anos fora das salas de aulas não no novidade no meio sindical. No geral, sindicalista não trabalha e aí está o Lula para comprovar. Sindicalismo no Brasil é uma profissão à parte, com privilégios impressionantes e nenhuma responsabilidade quanto aos gastos e resultados da atividade, que de corporativa hoje em dia não tem nada. É política e partidária e sempre com a bússola apontada para interesses que nunca são especificamente os da profissão que deviam representar.

Na área da educação, são poucos, quase nada, os que se dedicaram de fato ao trabalho profissional. E o interessante é que sempre se lê que eles estão voltando às salas de aulas, como aconteceu recentemente com uma militante do governo Lula que saiu de um ministério afirmando que voltaria à dar aulas na universidade. A verdade é que nos últimos quinze anos esta militante foi de tudo — vereadora, secretária municipal —, menos professora. Mas também desta vez a vontade de voltar à universidade passou rápido. Ela já está de volta ao governo Lula, desta vez como ministra alçada por um ítem de peso no currículo: é irmã do chefe de gabinete do Lula.

Mas voltemos à militante Bebel. Leia abaixo o texto de Mônica Bergamo. Vai para o currículo da presidente da Apeoesp, com foto e tudo. É um interessante réquiem à sua credibilidade.
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POR José Pires

Bebel bota pra quebrar
Coluna de Mônica Bergamo

“Menina, errei no tempo, né? Tá frio, não tá?”, pergunta Maria Izabel Noronha, a célebre Bebel, a mulher que, na presidência da Apeoesp, lidera greve de professores, diz que vai “quebrar a espinha dorsal” de José Serra (PSDB-SP) e para a cidade com passeatas por aumento salarial.

De vestido florido e sandália plataforma, ela entra em um bar na avenida Paulista meia hora antes da passeata de quarta-feira, para almoçar. “Fritas, não! Vou querer um contrafilé grelhado com salada e arroz. E um suco de mamão com água.” Bebel tira um saquinho de adoçante da bolsa. “Hoje, precisamos ter energia!”

“Muito vaidosa”, Bebel diz que, por conta da greve, não está conseguindo se cuidar. “Estou irritada porque tô com a perna peluda, acredita?”, diz ela, mostrando as unhas, também por fazer.

Já os cabelos estão em ordem, graças à escova que ela mesma fez antes de sair do apartamento em que fica quando está na cidade. “Acordo cedinho, seco o cabelo, me maquio.” E sobe nas plataformas -ela não vê problema em caminhar de salto alto na passeata, que naquele dia iria do Masp até a praça da República. Brincos dourados, colar de pérolas, três anéis na mão esquerda, pulseira e relógio, a professora usa sombra verde, lápis azul nos olhos e batom rosa-choque.

“Precisa mesmo?”, responde ela quando a coluna pergunta a sua idade: 48 anos, revela, 24 deles como professora de Português e Literatura do ensino médio da rede pública estadual.

Bebel nasceu em Piracicaba e, aos seis anos, se mudou para Águas de São Pedro, onde vive até hoje, na casa da mãe. Nunca se casou. “Meus namoros não deram certo.” Em breve, será mãe. Ela deu entrada em um processo de adoção de uma menina de três meses, a quem deu o nome de Maria Manoela em homenagem a seu pai, Manoel, morto no ano passado. “Ele era a paixão da minha vida.”

Outra paixão, ou “uma opção de vida”, é o movimento sindical. Bebel está longe das salas de aula há 15 anos, desde 1995, quando se afastou para fazer uma dissertação de mestrado e depois assumiu o cargo de vice-presidente na Apeoesp. Recebe R$ 1.800 por mês, salário de professora, e “nada a mais por presidir a Apeoesp”.

Depois do almoço, Bebel caminha até o Masp. Saca batom e espelho da bolsa e retoca a maquiagem. “Vai lá, Bebel! Força!”. Na mesma hora, no Palácio dos Bandeirantes, José Serra, que se despedia do governo de SP, se referia indiretamente ao movimento como “falanges do ódio”. Já Bebel dizia que o tucano é “igual ao Maluf”.

“Comecei bem de baixinho mesmo”, diz ela ao relatar seus passos na carreira sindical. “Fui representante de escola, da região,secretária de organização do interior, vice e presidenta [da Apeoesp].”

Já na política eleitoral, não fez tanto sucesso. Filiada ao PT em 1991, concorreu a vereadora em Águas de São Pedro um ano depois. Recebeu cem votos.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ô psit

Uma passada de olhos na lista de ministros que sairam esta semana do governo Lula dá bem uma idéia da falta de qualidade humana deste governo. Vem sempre a dúvida sobre este ou aquele nome, no entanto eles estiveram aí nesses últimos quatro anos e alguns até mais. Olhar para os que entram também não ajuda muito: quem são essas pessoas?

É o fim de um governo chocho, de gente sem recheio interno; e não estou falando dos dólares na cueca. A solenidade de despedida da candidata de Lula, que saiu junto com outros nove ministros que também vão disputar eleições, foi bem reveladora da falta de qualidade deste governo. Para um governo que arrota arrogância o tempo todo, faltou animação no bota-fora.

A começar pela fala da mais importante exonerada, que fez um discurso ao nível de uma formatura do primeiro grau. Nem perguntemos como é que uma pessoa que há mais de 20 anos ocupa cargos de chefia no serviço público ainda gagueja durante um discurso. Esta questão só faria sentido se a pessoa com tal incompetência verbal não fosse a escolhida para candidata à presidência da República.

Dilma Roussef tem uma dificuldade danada com a língua portuguesa. No conteúdo é um Conselheiro Acácio de saia. É também uma mestra do pleonasmo, a esgrimista do "peso que pesa". Mas é impressionante como desconhece até a acentuação de palavras comuns. Neste caso, o jornalista Augusto Nunes tem feito um serviço exemplar em seu blog, apontando e corrigindo com ironia os deslizes da candidata de Lula. Eu disse deslize, mas teria que achar outra palavra para a singular gramática da ex-ministra, o “dilmês”. Como neste estilo o erro é praticamente a regra, então o deslize seria quando ela acerta.

Se as vogais não encontram o lugar certo nas falas de Dilma, muitas vezes elas são também bombardeadas com acentos que explodem no lugar errado. No discurso de saída do ministério ela veio com um estranho “tênhamos”, colocando na palavra um estranho chapeuzinho que nem o corretor do computador aceita.

Existe a expressão trocar seis por meia dúzia. No fim de festa do governo Lula trocou-se dez por uma dezena. Nos que saem e nos que entram o que marca é a inexpressividade do conjunto. E o discurso de Dilma deu a chave de ouro para este entra e sai de nulidades.

A dificuldade de lembrar o nome de algum ministro de Lula é tamanha que sua candidata até enrolou a língua quando fez menção ao ministro da Igualdade Racial (que ela também identifica de forma errada como "ministro da Integração Racial", errando inclusive o cargo) para ilustrar uma demagogia com a situação dos negros no Brasil.

Dilma queria falar o nome do ministro, porém, e não percamos o trocadilho, deu aquele branco.

Não houve como ela lembrar o nome, se é que sabe. Tanto que deu aquela paradinha característica do orador que se enrola e ficou nisso mesmo. Encaixou um "querido", seu jeitão de se referir às pessoas. É verdade que o ministro é uma figura que conseguiu ficar praticamente no anonimato, mesmo estando a frente de uma pasta que trata de um tema que não sai da mídia. Mas nem a Dilma sabe seu nome?

É o que podíamos chamar de um ministro à altura do cargo, pois o ministério só existe mesmo por força do lobby de lideranças de movimentos raciais de esquerda e grudados na máquina oficial. E nem é bom lembrar dos ministros que passaram por ali. O atual é o segundo e entrou depois da queda da ministra anterior após denúncias de mau uso do cartão corporativo.

Nesta troca de lugares até mesmo no lugar da candidata entra uma figura que para eles é bomque se fale pouco. Dilma será substituída por Erenice Guerra, que de mais notável no currículo tem a participação na confecção do dossiê interno da Casa Civil com ataques à ex-primeira-dama Ruth Cardoso.

Mas a escolhida que Lula tenta vender como de grande capacidade administrativa teria a obrigação de saber o nome dos colegas ministros e se não souber, como candidata tem a obrigação de pelo menos decorar.

Vejam o trecho da fala: “E aí, o ministro da Integração, [aqui ela dá uma parada e pensa, mas o nome não vem] o nosso querido ministro da Integração Racial [o certo é Igualdade Racial], ele sabe do que eu estou falando, porque neste processo nós continuamos vencendo mais de quatrocentos de peso e de exclusão que pesa e que oprime o nosso país.”

Dilma se apóia num truquezinho manjado, com este “querido”, que ela usa para se referir a qualquer pessoa. No seu ministério, contam os que sofreram sob sua chefia, quando ela fala este “querido” a debandada é geral.

E no discurso ficou nisso mesmo. Cercada de nomes inexpressivos da política brasileira, alguns entrando e outros saindo do governo, o colega fica sendo então conhecido como o Ministro da Integração Social, o querido.
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POR José Pires

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Retoque

Tem frase que chega pedindo complemento. E como é nosso ofício, não podemos nos furtar (com o perdão da palavra) a acrescentar um bom complemento para dar uma melhorada no recado.

A ex-ministra Marina Silva, pré-candidata do PV à presidência da República, é uma pessoa de coração mole. Nesta quarta-feira ele disse ter ficado emocionada na visita que fez a Garanhuns, terra onde nasceu o presidente Lula.

É possível que ela tenha recordado do doce convívio com aquele que já foi seu líder, um homem de tal sapiência que até na área do meio ambiente lhe trazia ensinamentos, como quando à sua maneira franca disse à então ministra em reunião oficial que "essa coisa de meio ambiente é igual a um exame de próstata, não dá para ficar virgem toda a vida. Uma hora eles vão ter que enfiar o dedo no ..."

São coisas assim que tornam inesquecível um amigo, um correligionário ou, enfim, um chefão.O que sei é que as lembranças de Lula ainda tocam o coração da candidata Marina Silva, como ocorreu agora com ela ao pisar na terra natal de Lula. Então ela soltou a seguinte frase: "Aqui nasceu o menino Lula, aqui ele já chorou, mamou e virou presidente da República".

A ex-ministra está com assessoria fraca ou ela mesma é ruim da cabeça. Ela ainda percebeu que se for para votar numa mulher a favor do Lula o eleitor vai ficar é com a Dilma Rousseff.

Mas ruim de frase a candidata com certeza é. Ninguém pediu, mas vamos melhorar. "Aqui nasceu o menino Lula, aqui ele já chorou, mamou e virou presidente da República... Quando passou a mamar ainda mais e melhor".
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POR José Pires

Dureza

Lá vai um trecho retirado do discurso de Dilma Rousseff na despedida dela e de mais nove ministros no Palácio do Planalto. Todos saem para disputar eleições. É parecido com tantas coisas que a ministra fala, pela ambiguidade e a dificuldade com a gramática.

"Eu acho que eu estou preparada na vida para coisas muito mais duras que disputar uma eleição. Difícil mesmo era aguentar a ditadura".

O lado ambíguo é esta preparação para "coisas mais duras". Estamos falando de política, é claro. Era este o contexto da fala da candidata do Lula.

O que serão estas "coisas mais duras" para as quais a ministra se diz preparada? A gente sempre espera que eles se mantenham respeitosos às regras democráticas, mas sabe-se lá, não? Afinal, não é improvável que venham coisas ruins de quem na passagem para a segunda década do século 21 ainda está abraçado a Fidel Castro.

Nós que também vivemos o período da ditadura militar sabemos muito bem que, ao contrário da candidata de Lula e seus companheiro de então (Marighela, Lamarca e outros que ainda estão vivos e se gabando das besteiras que fizeram no passado), aquela época exigia um esforço redobrado dos que tinham que aguentar não só a ditadura, mas também as "coisas mais duras" que a turma de Dilma Rousseff aprontava.
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POR José Pires

quarta-feira, 31 de março de 2010

Relações pra lá de estranhas

Já vêm de longe as evidências de que a política externa do governo Lula é uma grande burrada. Havia até gente, que apesar de ter restrições ao governo, vinha com a conversa de que o rumo empreendido por Lula nas relações externas tinha lá seu acerto. Bem, acredito que os últimos passos de Lula devem ter desencantado até essas pessoas.

A coisa tem seu lado cômico. Manuel Zelaya de chapelão e com as botas sobre as cadeiras de pano de nossa embaixada em Honduras ilustra bem este lado. Apesar de já estar cercado de malucos como Chavez, Morales, Ortega e Rafael Correa. Lula ainda foi atrás do maluco hondurenho. Era de mau gosto, mas no final era apenas uma piada. Não é o caso de Ahmadinejad, um maluco que é mais pra chorar que pra rir. Aqui o Brasil entra numa área de risco.

Lula enganou enquanto pode, até que resolveu exercitar toda sua verve. Me parece que o plano traçado não levava em conta os arroubos do Apedeuta Maior. O cara é fogo, como dizia seu antigo capitão, o José Dirceu.

Fez a bobajada de tratar os conflitos pós-eleitorais como se fossem um jogo de futebol. E a verdade é que as divergências no regime dos aiatolás permanecem até hoje e terão ainda outras conseqüências.

Depois foi fazer fotos com Fidel Castro à beira da piscina enquanto um dissidente cubano morria em greve de fome. No meio disso, não podemos esquecer a passagem por Israel, onde deu uma piorada em sua imagem externa.

Muita gente se enganou com Lula, especialmente os europeus, que viram nele o líder terceiro-mundista que ele nunca foi. Obama, por exemplo, recuou rápido da intimidade ensaiada nos primeiros encontros com o petista. É provável que hoje se falem apenas formalmente. Se é que se falam. Nem adianta Lula acordar enfezado pois o telefone do lado de lá não deve atender.

O jornal El País foi um dos desenganados. O diário espanhol, que até havia dado um prêmio para Lula, saltou fora recentemente depois dos abraços e risos do presidente brasileiro com Fidel Castro e seu irmão, Raul Castro.

Não é de agora que a ditadura cubana sofre um esboroamento interno. Este descontentamento já não tem mais nada a ver com os exilados de Miami ou com as pressões do governo dos Estados Unidos. A abertura cubana já devia ter sido feita há muito tempo, mas Fidel Castro nunca quis este caminho. Manteve fechado o regime até que o desgaste da saúde força-lo a abandonar a farda verde-oliva. E fechamento se mantém, pois a linha-dura do regime é que está atualmente no poder. E o irmão de Castro não tem nada de liberal. Ao contrário, dizem que Raul Castro é o mais linha-dura da família.

Que Lula e comitiva saia do Brasil num momento deste para ir abraçar essa gente e ainda distribuam para a imprensa as fotos do congraçamento com os ditadores, só dá para entender como pagamento de dívida política. E dívida bem pesada. Um esforço inoportuno desses, assim como o excessivo comprometimento com um tipo como Ahmadinejad, trazem à memória denúuncias antigas de dinheiro vindo de Cuba ou do Irã, mas deixa pra lá.

Até os cantores cubanos Silvio Rodriguez e Pablo Milanés andam dando entrevistas criticando a falta de mudanças políticas na ilha. A manifestação destes dois ícones políticos e culturais da Revolução Cubana mostra bem como anda o clima político em Cuba. O depoimento dos dois também revela de forma especial a fria em que se meteu Lula ao expressar irrestrito apoio a uma ditadura moribunda.

Silvio Rodriguez disse que é “aos gritos” que Cuba está pedindo reformas. "Tenho escutado que estão sendo feitas revisões, sempre extraoficialmente, lamentavelmente nunca em nossa imprensa. Deus queira que isso seja verdade, ele disse. E este “Deus” encaixado no desabafo dimensiona de forma curiosa o fracasso da revolução comunista de Castro.

Tanto Milanés quanto Rodriguez cresceram com a revolução e sempre deram um apoio enfático ao regime. Que os dois já não suportem o que ocorre em seu país, mostra que o descontentamento em Cuba já ficou impossível de ser contido. E que dificilmente os cubanos vão aceitar o próprio regime administre a abertura política. Já dá para ouvir o dique se rompendo.

Milanes já vinha criticando a falta da abertura do regime cubano nos últimos meses. No ano passado andei lendo algumas reportagens em jornais de fala espanhola em que ele revelava ainda de forma cuidadosa que as coisas não iam bem na sua opinião. Nos últimos dias o tom se elevou bsastante. Recentemente, ele disse que "o sol enorme que nasceu em 1959 encheu-se de manchas ao envelhecer".

No Brasil, Milanés é mais conhecido como o compositor de "Yolanda", uma bela canção de amor, das tantas que ele fez. Mas ele também é o compositor de "Canción por la unidade latinoamericana", que tem uma versão brasileira feita por Chico Buarque e gravada junto com Milton Nascimento em 1978.

Na versão brasileira Chico Buarque deu uma amaciada no conteúdo político da música. Na canção original de Milanés tem uma parte na qual ele canta que ‘Bolívar lançou uma estrella que junto a Marti brilló, Fidel la dignificó para andar por esta tierras”.

Pois o fraseado do artista mudou bastante. Agora ele afirma que não está de acordo com a atitude do governo cubano em relação aos dissidentes políticos e também critica Raul Castro por não colocar em prática as reformas prometidas. Milanes disse também que é a favor dos direitos humanos, da livre expressão, do direito à greve de fome ou da liberdade para o cubano sair do país.

Só falta o Chico Buarque saltar do barco furado em que se meteu. Mas aí vai demorar bem mais. As reações do compositor brasileiro são conhecidamente demoradas. Sobre o próprio governo Lula, para o qual fez até propaganda eleitoral dirigida elo marqueteiro Duda Mendonça, até agora não se sabe de nenhuma manifestação sua condenando qualquer uma maracuraia da vasta enxurrada de escândalos petistas.

As falas dos dois artistas cubanos são bem claras. Dão a impressão de que perceberam as transformações passam agora dos gabinetes para as ruas cubanas.

Lula e seu séquito é que não entenderam nada do que se passa na ilha. O cara não é tido como muito perceptivo e dono de uma intuição admirável? Pois neste caso boiou no assunto.

Quando devia ter ouvido a voz das ruas estava aos risos e abraços à beira da piscina com os dois irmãos ditadores. Historicamente é tarde para um recuo do governo petista. Fidel morre abraçado com Lula, que deve estar torcendo bastante para que nada de mais grave ocorra em Cuba até que a eleição brasileira esteja resolvida. Uma crise que aconteça por lá neste período bate com certeza em Lula e na sua candidata. Vão ter que explicar suas estreitas relações com regime castrista.

Falando em problema até as eleições, Lula deve também estar rezando — para Deus ou Alá, não importa — para que também o Irã se mantenha imune a acontecimentos de maior gravidade, o que é bastante improvável para um regime político tão encrenqueiro. Lá no Irã também não pode acontecer nada de ruim até outubro, senão Lula e sua candidata terão muito para explicar sobre mais este conceito explosivo de relações externas.

E desde o anúncio da viagem de Lula para o Irã só piora a situação para os lados do companheiro Ahmadinejad. Notícias de hoje adiantam que Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha já teriam decido sobre as sanções ao Irã que serão apresentadas ao Conselho de Segurança da ONU. Desse modo, Lula deve chegar em maio em um país ainda mais isolado que hoje. Com certeza não vai faltar assunto para debater com Ahmadinejad.
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POR José Pires

domingo, 28 de março de 2010

Caindo na real

Já comentei aqui sobre o absurdo dos colunistas políticos e das seções de política criticando o governador José Serra porque ele não se lançou candidato e ainda não colocou a campanha na rua. Teve até senador do PSDB exigindo isso. Foi o senador Jereissati, pois não, sempre dando uma mão ao adversário e já irritado pelo fato da candidatura de seu partido continuar forte. Pois não teve nenhum jornal para colocar um senão à fala do senador: a campanha não poderia ser colocada na rua, pois isso seria ilegal.

Deram um imenso espaço para o senador cearense, um político que sem o espaço nacional conferido pelo seu partido seria, cá pra nós, um senador do baixo clero. Está aí registrado: um senador da República reclamando que o virtual candidato de seu partido cumpre a lei. E pedindo uma ilegalidade. E isso não é falta de decoro? Uma imprensa que acolhe tal opinião sem nenhum senso crítico não está se comportando corretamente.

As críticas ao governador já duram meses. Um dia, caso este país tome jeito, essas páginas vão ser vistas com muita vergonha. Deviam criticar o presidente Lula e sua candidata, que estão usando a máquina pública de uma forma nunca vista para fazer campanha eleitoral muito antes do prazo legal e com a candidata ainda em um cargo público. Mas atacam o tucano por não fazer o mesmo.

Ninguém é ingênuo. Sabemos que o Brasil é uma lugar onde a inversão de valores é que se tornou norma. Mas é novidade a imprensa embarcar dessa forma neste desvirtuamento.

Nossa imprensa nunca foi boa em cobertura eleitoral. Sempre optou mais pela espetacularização das campanhas do que pela análise rigorosa e o acompanhamento equilibrado dos acontecimentos. Vale mais a fofoca sensacional do que o fato sólido que não traga espanto e supostamente mais leitores. Talvez seja por isso que gostam mais de certos políticos.

Com a internet essa predileção pelo espetáculo piorou. Qualquer coisinha sem nenhuma apuração já salta para as manchetes, pois a regra é dar rápido a notícia. A qualidade é uma questão de segundo plano.

A parcialidade é enorme. Vale mais o interesse do veículo do que o respeito ao leitor. Com isso, acabam sendo antidemocráticos e não só com seus leitores. Agora, por exemplo, já elegeram como foco do noticiário as candidaturas tucana e petista. Até preferiam Aécio Neves no lugar do governador paulista. O governador mineiro sempre esteve atrás de todos, mas por alguma razão todos queriam ele como candidato tucano. Mas não teve jeito do eleitor concordar.

Será que o problema é o Serra não gostar de conversa fiada? Bem, mas o fato é que mesmo com toda a torcida não foi possível desfazer a realidade de uma reputação política sólida. Esse Serra não ajuda mesmo. E ainda não pàra de crescer. Então não há o que fazer: terão de encontrar assunto com ele mesmo.

Mas não temos apenas os tucanos e petistas no embate. Existe outra candidatura definida e até de alto valor histórico, a de Marina Silva, do PV. E algum jornal dá atenção à ex-ministra do Lula? Nem pensar. Ouvem mais até o boquirroto e neopaulista Ciro Gomes, que não tem nem legenda garantida.

Nossa imprensa está pra lá de mexicana. Resolveram estabelecer um bipartidarismo no país, ay caramba! E até dão a impressào de torcer para o PRI do Lula. E depois, quando algum tribunal faz sua intervenção exigindo um pouco mais de igualdade entre os candidatos, logo berram alegando liberdade de expressão.

Mas agora a imprensa tem outro problema. Serra não começou a campanha e vem o Datafolha da Folha de S. Paulo, reconhecidamente o instituto de pesquisas de maior credibilidade, e detecta o tucano em crescimento e bem na frente da candidata de Lula.

Os jornais e seus colunistas já estão se esforçando para achar um defeito nesta situação, mas não deixa de ser um problema trazido pela candidatura Serra: como é que algo que nem começou já está tão à frente? E todas as análises feitas até agora por essa gente que queria Serra nos palanques acabaram sendo furadas pela realidade.

Estão batendo as cabeças. Alguns, como o colunista Clóvis Rossi, da Folha, estão próximos do desespero. "Mas o que houve para que Serra subisse? Não vi nada no noticiário, a menos que tenha perdido algo por viajar frequentemente para o exterior, o que às vezes faz com que leia apenas superficialmente os jornais brasileiros", ele escreveu hoje.

Chega a ser impressionante que não vejam coisas simples como a própria desistência de Aécio Neves. Mais cedo ou mais tarde, este efeito seria sentido nas pesquisas, não? E por esta via é evidente que a candidatura de Serra ainda tem muito a ganhar.

Tivemos também o escândalo do Bancoop, uma dos esquemas mais revoltantes já bolados pelos sindicalista petistas, já que ali foram surrupiados seus próprios colegas. E este é apenas um escândalo novo. No baú de falcatruas petistas ainda tem muita maracutaia que não foi resolvida.

Existem muito mais motivos para a candidatura petista se preocupar. E ainda mal começou a movimentação que estes fatos podem trazer para a eleição presidencial e até nas outras disputas que a imprensa até agora mantém em segundo plano no noticiário.

É preciso se profundar mais. E para alguns profissionais, como o surpreso Rossi, da Folha, não bastaria ler detalhadamente o próprio jornal em que trabalha. Pelo que o seu jornal publicou até agora, ele pode achar que o melhor candidato tucano ainda é o Aécio Neves.

Teve colunista que até se apoiou na acuidade política de Lula, naquela tão falada "intuição" sábia e profética. Jornais e sites também embarcavam na fanfarronice lulista de que a eleição já estaria praticamente ganha. E poucos pensaram na questão mais simples: temos ainda sete meses pela frente. E como é que algum jornalista com a cabeça no lugar pode achar que um governo como o de Lula, de onde sempre está jorrando a lama da corrupção, pode garantir solidez à candidatura oficial?

Mas está aí um exercício bem útil para a nossa imprensa. Algo que os jornalistas deveriam fazer com maior frequência. Trabalhar a partir da realidade e não movidos unicamente pela própria opinião ou por melindres ou simpatias pessoais com este ou aquele candidato. Ah, sim, e sem torcer para candidatura alguma.
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POR José Pires

terça-feira, 23 de março de 2010

Caseiro

O deputado Paulo Maluf (PP-SP) teve seu nome colocado na famosa lista vermelha pela Interpol. A difusão vermelha é o nível máximo de alerta da Interpol. Quem está nele vai em cana se ingressar em território que integra a Polícia Internacional.

Maluf, é claro, já soltou nota ameaçando de processo e dizendo-se inocente. Diz também que é vítima de retaliação. Enquanto finge indignação, vai ficando por aqui, onde está protegido inclusive pelo foro privilegiado. E mesmo fazendo parte da Interpol o nosso país não permite a extradição de brasileiros. Viajar para o exterior, ah, mas isso é coisa que o pepista não vai fazer tão cedo.
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POR José Pires

Desidratação

O jornalismo brasileiro inventa cada coisa. Leio no site do Estadão uma chamada que diz o seguinte: "Prioridade no PT Paulista é desidratar PSB". É claro que corro lá para saber que negócio novo é este de "desidratar" partidos.

Neologismo por neologismo, eu acho que seria melhor para a política brasileira que partidos como o PSB fossem “deletados”. Mas o partido de Lula jamais faria isso. O aluguel do PSB rende bem.

Mas esses jornalistas estão cada vez mais parecidos com os políticos que têm como tema. Prometem, mas não cumprem. Na coluna que fala em “desidratar” temos o de sempre. O PT deve usar o poder federal (a caneta que infelizmente está na mão do presidente Lula) para barrar a possibilidade do PSB fechar coligações em São Paulo para a disputa do governo estadual. Isto é, ou veja, vão isolar o PSB. Só isso e o de sempre: não vão "desidratar" coisa alguma.

Para que a novidade para definir uma tática velha como essa? “Desidratar” não dá. Tomara que não pegue. Já é tanto jargão nas colunas políticas que algumas vezes, como aconteceu agora, até quem é do ramo acaba tendo a sensação de estar entrando em um gueto.

Teve um tempo nas editorias políticas em que chamavam as coisas pelo nome. Bons tempos aqueles, como dizia Dom Rossé Cavaca. E como ganhávamos pouco. Colunistas como Carlos Castelo Branco, Fernando Pedreira e outros que faziam um bom jornalismo iam no ponto certo. Tanto é que sua colunas valem como leitura ainda hoje.

Tenho pelo menos três livros de Fernando Pedreira que podem ser lidos como se tivessem sidos escritos hoje de manhã.

Ainda temos um Janio de Freitas, é verdade, mas tirando ele e uns poucos, bem poucos, está difícil ler coluna política. E a maior parte dessas colunas já não servem mais como referência histótica. O jornal de sábado não dura mais nem até segunda-feira. Na internet, muitas colunas matinais já não importam nada depois das duas da tarde.

Agora é assim. Certos assuntos são tão fechados em um contexto restrito, muitas vezes bem pequeno mesmo, que se você pega um jornal do ano passado ou alguma notícia antiga da internet, alguns textos parecem saídos de algum país estrangeiro. Isso quando não “desidratam” a linguagem. Aí é que não mesmo não dá para digerir.
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POR José Pires

Empacado

A ONG Contas abertas checou o andamento do Programa de Aceleração do Crescimento, o marqueteiro PAC de Lula. De 2007 para cá só 11,3% das obras foram concluídas. É tão impressionante que até parece erro de digitação, mas é isso mesmo. Terminaram apenas 11,3% das obras.

A ONG informou que, de acordo com relatórios estaduais divulgados na sexta-feira pelo comitê gestor do PAC, dos 12.163 empreendimentos, 54% não saíram do papel e apenas 1.378 foram concluídos depois de três anos de implantação.

Essa informação bate de frente com a suposta qualidade que Lula tenta vender como grande diferença de sua candidata: a administradora eficiente e tocadora de obras, aquela história de "mãe do PAC".

É que ele sabe que Dilma Rousseff não é de grande capacidade de oratória, não tem história política boa para vender em eleição, não tem carisma, não é nada simpática, enfim é difícil do eleitorado engolir. Eles tem a máquina, é claro. Mas é preciso um pouco mais que isso para vencer uma eleição.

E é aí que entra a história dela ser uma administradora muito capaz. Mas os números mostram que isso é tão falso quanto seu título de doutora.
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POR José Pires

terça-feira, 16 de março de 2010

Visita indelicada

Lula visitou o Museu do Holocausto, em Israel. Para ele é um visita “quase obrigatória”. Não sei o que ele quer dizer com esse “quase”. Será que é algo como ir a Roma e “quase” não visitar o papa?

O cara está cheio de dedos depois de levar um chega pra lá de deputados israelenses e até de ter sido boicotado pelo ministro de Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, que faltou propositadamente a uma reunião pelo fato do presidente brasileiro ter se recusado a uma visita ao túmulo de Theodor Herzl, o fundador do movimento sionista.

Lula é um fenômeno. Esta é a primeira visita oficial de um presidente brasileiro a Israel. Pelo efeito político conquistado, era melhor que continuasse do jeito que estava. Na realidade a passagem por Israel é parte da demagogia internacional do governo petista. Como já estão de viagem marcada para o Irã, entrou Israel no roteiro para amenizar o mal estar da futura visita ao doido do Ahmadinejad.

Poucas vezes Lula passou tanto aperto na vida. Mas pra quem gosta de ser o primeiro em tudo, tem uma compensação: os israelenses já informaram que ele é o primeiro chefe de estado a se recusar a prestar a homenagem em Israel da visita ao túmulo de Herzl .

E os assessores do presidente que se apressem a evitar que ele cometa a gafe de falar no Irã sobre a visita ao Museu do Holocausto. O dono da casa pode achar que é lorota dele, pois se Ahmadinejad não acredita que o Holocausto existiu certamente também não deve acreditar em Museu do Holocausto.
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POR José Pires

segunda-feira, 15 de março de 2010

Interiorização política

Não é só piada quando eu digo que o deputado que virou paulista, Ciro Gomes, é o meu tipo inesquecível. Não há como não apreciar um homem que por ter tantas características dos políticos brasileiros acaba sendo o próprio símbolo da... bem, quase que escrevo categoria, mas pode parecer ironia, então vai coisa mesmo: ele é o próprio símbolo dessa coisa que é fazer política no Brasil.

É engomado como um Collor, mas ao mesmo tempo traz latente a grosseria do Lula. E na última sexta-feira ele demonstrou que tem inclusive uma capacidade de autoavaliação que também não é de muitos, não. Nosso ex-cearense é mesmo singular.

Afirmando em entrevista à rádio Eldorado,de São Paulo, que vai largar a vida de deputado, explicou de forma bem sincera como tomou a importante decisão.

Olha o que ele disse: "Nunca mais vou ser deputado na vida. Não tenho mais paciência de passar nove horas conversando fiado e não fazendo nada pela vida de ninguém".

Autoconhecimento é tudo e não apenas na política. Como diz o pessoal da auto-ajuda, é uma ferramenta essencial para a vida. Conhece-te a ti mesmo, já dizia o mestre grego. Pois na mala de ferramentas do neopaulista é garantido que esse negócio não está em falta não.
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POR José Pires

Agora vai

Eu até pensava que nossos políticos não iam chegar a nenhuma solução para o problema gravíssimo da violência no país. Em alguma cidade brasileira é possível andar com tranqüilidade na rua? Está bem, está bem: tranqüilidade, tranqüilidade mesmo, nem dentro de casa.

A violência está instalada até em cidades pequenas. Noutras cidades importantes como Rio e São Paulo existem setores urbanos cada vez mais amplos onde os criminosos mandam: seqüestram, julgam, matam. Comunidades inteiras estão sob o poder de quadrilhas, das quais dependem até para coisas básicas como um botijão de gás.

A lei evidentemente não existe. Os assassinatos já entram nas estatísticas como ações diárias. Milícias agem impunemente, com a conivência da polícia ou até mesmo a participação de policiais corruptos.

E a violência também já está em estado avançado como um dado cultural instalado na mente das pessoas. Dá a impressão de que é normal o convívio com tanta barbaridade e que mudar-se para condomínios fechados e escurecer cada vez mais os vidros dos carros é o suficiente para isolar o mal que está instalado em nossas cidades.

O brasileiro faz de conta que não sabe que a violência está perto de todos e que até a morte violenta começa a deixar de ser exceção. Já parece uma regra em um país com medo, muito medo. Quem não conhece alguém que já sofreu algum tipo de violência criminosa?

Bem, mas a população não está totalmente abandonada. Temos aí zelando por nós o Senado, por exemplo, que agora na quarta-feira deve votar um projeto que torna obrigatória a instalação de cãmeras de filmagem em shopping centers em qualquer ponto do País.
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POR José Pires