sexta-feira, 18 de junho de 2010

Leão azarado

A situação da seleção da Inglaterra nesta Copa do Mundo está péssima. Empatou de zero a zero hoje à tarde com a Argélia, algo que espantou até o técnico argelino. "Pensava que os ingleses eram melhores", ele disse. Bem, é que ele não sabe o que nós sabemos.

A Inglaterra era um dos times mais favoritos e agora divide a segunda colocação com os Estados Unidos, com um problema: os norte-americanos levam vantagem na contagem de gols. Parece incrível, mas os ingleses fizeram apenas um gol até agora. Na semana que vem terão que jogar muito para não voltarem bem cedo para a ilha. E terão que ter um santo forte para vencer o desafio da próxima semana.

Mas será difícil. O time deve estar muito por baixo psicologicamente com esta maré de azar. Teve o frangaço da primeira partida e até trocaram de goleiro. E o Lampard, ah, o Lampard... bem, o Lampard era uma esperança para o time e esta copa poderia ser aquela na qual ele mostraria suas qualidades de craque. Mas ele acabou não jogando nada nas duas primeiras partidas.

Que urucubaca, não? E tudo por uma imprevidência impressionante do Felipão.
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POR José Pires

Foi-se o Saramago

Soube da morte do escritor José Saramago e me veio logo à cabeça uma situação muito engraçada e não é porque ele é português, não. Saramago talvez seja o último comunista de Portugal, o que até parece piada, mas não é sobre isso que me veio a idéia engraçada.

O escritor era ateu empedernido, desses bem duros mesmo. Então fiquei aqui pensando como seria se depois de morto ele descobrisse que estava errado e que Deus existe mesmo. Puxa vida, iria ser uma decepção maior para o Saramago que aquela que ele teve quando o Fidel Castro mandou fuzilar os oposicionistas que seqüestraram um barco para fugir para os Estados Unidos.
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POR José Pires

A fujona do PT

Dilma Roussef acaba de se recusar a participar de mais um debate. Alegando que “não tem agenda”, ela não aceitou o convite da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) para a sabatina entre os presidenciáveis que será realizada no próximo dia 1º de julho.

A candidata do Lula está repetindo o que o chefão fez na eleição passada. Todos se esquecem, mas Lula evitou qualquer debate no primeiro turno em 2006. Obviamente é uma atitude de desrespeito às regras da democracia e um desprezo ao direito do eleitor de se informar com profundidade para votar melhor. Bem, vindo do PT não há nisso nenhuma novidade, mas os acontecimentos mostraram que ele estava correto em sua estratégia.

Mesmo evitando qualquer evento público com outros candidatos, teve que enfrentar um segundo turno. Isso significa que se ele tivesse que explicar maracutaias como o mensalão, além de ouvir pessoalmente críticas à incompetência administrativa de seu primeiro mandato, a história poderia ser outra.

Mas o fato é que mesmo fugindo da discussão, Lula foi obrigado a enfrentar um segundo turno. Mesmo não tenho enfrentado candidatos de peso naquela eleição.

O plano dele era ganhar a eleição no primeiro turno, como um projeto de consagração pessoal e como meio de apagar o recorde de seu adversário, Fernando Henrique Cardoso, que o derrotou duas vezes no primeiro turno.

Por razões parecidas, Dilma segue uma estratégia parecida. No caso da candidata, a fuga premeditada é para evitar a exposição da falta de conteúdo e da sua extrema dificuldade para se expressar. Dilma não pode se expor porque não fala coisa com coisa. E haja viagens para a França para que o eleitor não descubra que onde Lula afirma que tem um às, na verdade ele joga é com um blefe.

E é esta a candidata que faz propaganda de que “não foge à luta”... Imaginem se fugisse.
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POR José Pires

Tour europeu

A imprensa brasileira atende às pautas criadas pelos políticos com uma facilidade que chega a ser constrangedora. Os jornalistas foram à Europa atrás de Dilma Roussef, quando deveriam ter ficado por aqui e explicado a seus leitores o que é que a candidata de Lula foi fazer na Europa.

Dilma viajou para criar um factóide. E os jornalistas foram ajudá-la em vez de se concentrarem no que realmente importa.

A coordenação da candidata do Lula sabe que um dos problemas mais sérios deles nesta eleição é a falta de conteúdo de Dilma. Por isso inventaram esta viagem, que serviu também como pretexto para ela fugir de uma sabatina promovida pelo UOL e pela Folha de S. Paulo.

Dilma fez uma visita ao presidente da França, Nicolas Sarkozy. Ah, dirão alguns, então a viagem tem mesmo que ter cobertura da imprensa, pois ela até foi recebida pelo Sarkozy. Bem, dá para notar o constrangimento do presidente da França, mas o que ele poderia dizer quando pediram o encontro. Não podemos esquecer que ele tem um negócio de uns aviõezinhos para acertar com o governo do chefe da Dilma, são 36 caças ao custo unitário de 96 milhões de euros. O acerto prevê ainda a compra de submarinos e helicópteros num total de 8,5 bilhões de euros.

É um constrangimento esse tipo de pedido, mas o PT já deve ser um partido famoso por este método nos bastidores da política internacional. Como é que Sarkozy poderia recusar um pedido feito por clientes tão especiais?

— Quem está aí? Dilma? Ah, a candidata do Lula! Manda entrar e abra aquele champanhe.

Porém, depois do encontro Dilma teve que dizer aos repórteres sobre a conversa que teve com Sarkozy. E aí o plano falhou. Qualquer plano marqueteiro dá chabu no momento em que a candidata petista tem que agir pessoalmente. Por isso mesmo, é que sua coordenação de campanha tem recusado todos os convites para debates entre os candidatos e até para eventos com questionamentos do eleitor. Vejam o que Dilma disse aos repórteres.

“Muito gentil… Sobre a parceria estratégica entre o Brasil e a (pausa) França, sobre o fato de que, é…, nós temos, ao longo dos anos, evoluído cada vez mais pruma parceria em várias áreas; destaque: pra… pro setor de… de… pro meio ambiente.”

Se é tão absurdo e até constrangedor na transcrição, no vídeo é bem pior. É certo que candidato algum teria qualquer assunto objetivo para tratar com o presidente da França. Se aqui as instituições responsáveis pela vigilância e punição desta mistura entre o Estado e as campanhas políticas, na França não há jeitinho que permita tais abusos.

Mas Dilma Roussef tem mesmo uma dificuldade imensa para expressar qualquer idéia simples. Não é a primeira vez que isso acontece e nem será a última, porque essa incapacidade não pode ser resolvida com algumas aulas com um marqueteiro. Não podemos esquecer que o chefe dela levou pelo menos vinte anos para aprender.

Mas o interessante é essa mistura entre o eleitoral e as atribuições do Estado, o que não só se permite no Brasil, como também a imprensa vai atrás.
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POR José Pires

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Armação no Twitter

Já estou vendo a hora em que o deputado André Vargas vai ser proibido pela coordenação de campanha de Dilma Roussef de usar o Twitter. O petista já andou aprontando, quando espalhou em seu Twitter um boato de que a TV Globo não divulgaria uma pesquisa para favorecer José Serra. É claro que a Globo deu os resultados e Vargas, rapidinho, eliminou as notas de seu Twitter. Mas teve este ato flagrado por gente que estava de olho no que ele escreve.

A mais nova de Vargas é um post sobre a campanha eleitoral no Paraná, onde o PT tenta criar uma situação que favoreça a candidatura da mulher do ministro Paulo Bernardo para o Senado.

O texto do petista em seu Twitter: "@deputadocaito Precisamos ter juizo nesta hora meu irmão.Podemos DAR A ELEIÇÃO PRO BETO se não armarmos a disputa adequadamente".

O Beto, a que ele se refere, é o tucano Beto Richa, prefeito de Curitiba que está a frente nas pesquisas. A gente sabia que o PT é um partido da armação, o que eles tem demonstrado muito bem nesta eleição, até com a volta de seus aloprados fazendo dossiê, mas deve ser a primeira vez que um deputado petista confessa isso publicamente. Ah, ainda vão tirar o Twitter desse companheiro.
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POR José Pires

Gaspari na marcação

Imagens de futebol aplicadas à linguagem da política não funcionam. Simplificam demais um assunto que, por mais que os políticos tentem puxar para o nível da sarjeta mental, exige raciocínio mais elevado. A política também não permite vitórias devidas à casualidades, como acontece com freqüência no futebol. Na política não tem morrinho na área. E, cá pra nós, para alcançar o morrinho na área, a bola tem que ser tocada pelo jogador o campo inteiro. E isso exige muita técnica.

Quem gosta de colocar o futebol na política, como uma simplificação do discurso é o presidente Lula. Mas isso faz parte de um jogo muito bem calculado. Porém, jornalistas deveriam evitar este artifício, mesmo que seja em tom de piada. Seria bom evitar também o uso excessivo de termos futebolísticos só porque estamos em período de Copa do Mundo. Muitos fazem isso, também vou fazer agora, mas prometo que é só neste post.

Talvez animado pelas vuvuzelas, Elio Gaspari resolveu se fazer de Lula hoje em sua coluna. E não foi como piada. É uma análise séria, pretensiosa. Pretendeu abarcar todo o desenvolvimento desta eleição até o momento. Gaspari tem dado seus chutões nesta eleição, mas desta vez foi de bico e de uma forma muito feia.

De início, cometeu uma falta que merece expulsão: esqueceu Marina Silva. Nem toca em seu nome. Não sei se Gaspari está no Brasil, mas mesmo que esteja fora, isso não é desculpa. Qualquer análise desta eleição que exclua Marina Silva não faz sentido algum.

Primeiro porque se guia por um quadro criado pelos institutos de pesquisa, que não são confiáveis como instituição e, mesmo que fossem, hoje não existe instrumento capaz de dar uma referência do que pensa o eleitorado brasileiro.

E depois, mesmo que o quadro atual seja mesmo este que os institutos de pesquisa divulgam, muita coisa vai mudar quando a eleição estiver de fato em pauta. E aí, Marina Silva fará a diferença. A única dúvida é se o prejuízo maior será de Serra ou de Dilma Rousseff.

Não vou abarcar aqui toda a análise feita por Gaspari em sua coluna. Ele é aquele tipo de jornalista que se encanta muito com a suposta habilidade com as palavras e, por vezes demais também, se ocupa mais com elas do que com o conteúdo. Não é à toa que a revista Veja tenha ele como um dos criadores de seu estilo.

Gaspari tem um problema antigo com os tucanos e com Serra também. Então, em qualquer jogo que tenha o Serra, em seus comentários ele sempre vai implicar com o estilo do tucano, mesmo que o adversário seja um perna de pau da política como Dilma.

E vou ficar só neste ponto, para provar que Gaspari mais uma vez tentou marcar um golaço e deu um chutão de pelada. Num trecho, Gaspari escreve o seguinte: “José Serra chegou ao jogo com a popularidade de Neymar e, em poucas semanas, passou a comandar uma campanha interessada em cavar faltas”.

O presidente Lula (meu nome é Dilma!) faz campanha ilegal desde o início do segundo mandato, usa a máquina pública de forma abusiva e desavergonhada, utilizou a mesma a máquina para brecar outras candidatura e até esmagar a de seu aliado Ciro Gomes, ainda fazem dossiês contra a candidatura tucana e... é o Serra que comanda “uma campanha interessada em cavar faltas”.

Acho que não é só o Galvão Bueno que precisa calar a boca, não é mesmo Gaspari?
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POR José Pires

Propaganda do Serra em campo

Que negócio é esse de 45 minutos de jogo numa Copa do Mundo disputada em pleno período eleitoral? Só não vê quem não quer que esta copa foi planejada para favorecer a candidatura do Serrra. E onde está o dilmista empedernido e ágrafo Marcelo Branco que não denuncia uma coisa dessas? É fogo, torcida brasileira.
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POR José Pires

terça-feira, 15 de junho de 2010

Bola pra trás

E então o país vai parar para ver um jogo entre nossa seleção e a seleção da... Coréia do Norte. Ah, sim, é também a oportunidade para conferir o resultado do trabalho de um técnico que de forma unânime é visto pelos torcedores como um profissional sem qualidade estética. É um técnico contrário à tradição brasileira de um futebol de qualidade, alegre, bonito de se ver e cuja respeitalidade foi toda construída neste estilo. Um técnico que tem até o apelido errado. É Dunga, quando deveria ser Zangado.

É curiosa esta prática brasileira de destruição dos valores que até agora deram qualidade ao nosso país. Isso tem sido feito com a nossa música, uma das marcas da respeitabilidade internacional do Brasil. Que o país que criou a bossa nova tenha seus ouvidos dominados agora por sertanejos bregas, axés e outras porcariadas, é não só a marca de um povo que nivela sua cultura por baixo, mas também é perda econômica e de respeitabilidade.

Uma cultura de qualidade é tudo na vida. A música, a pintura, a literatura, o teatro, o cinema, são essas habilidades que no fazem um país. É por meio dessas ferramentas que o ser humano se compreende, se revela, se aprimora. E avança, criando belezas que vão repercutir diretamente em todas as outras ações. Uma boa cultura eleva diretamente todos os outros valores.

Alguém acha que Brasília sairia do papel com outro som ambiente que não fosse o da bossa nova? Não, dificilmente um axé ou um breganejo estaria aliado a qualquer inovação arquitetônica e urbanística. O Brasil é dominado cada vez mais por uma cultura que estimula no máximo a distribuição de camisinha.

O futebol era a última fronteira dos desmatadores da vigorosa cultura brasileira. E pelo que se vê em campo, estão fazendo uma destruição bem parecida com o que foi feito nas artes. E o que foi feito com essas outras manifestações mostra que fica um deserto por onde eles passam.

É óbvio que se a visão de um Dunga tivesse sido definidora do futebol brasileiro nestes anos todos dificilmente o Brasil teria alcançado tantas vitórias e, mais que isso, a respeitabilidade de um estilo que é reverenciado até hoje, apesar de ser apenas um suporte histórico já que em campo os jogadores são até impedidos de expressar qualquer alegria.

Nunca vamos saber a composição certa entre razão e criatividade para que algo fique bom. Que seja prático sem perder o sabor, a beleza estética, a alegria. Essas coisas é como tempero na comida, vão na pitada e cada um sabe o ponto certo para não desandar. E gente como o Dunga desequilibra muito esta receita. Tira a alegria, salga demais, elimina a criatividade onde este é o tempero essencial.

Um jogo como o de hoje deve ficar bem caro para os brasileiros. O dia praticamente ficará parado. Andando lentamente pela manhã e a partir do meio-dia com os negócios e o trabalho parados totalmente.

Se for feita a conta, certamente o custo de um desses deve espantar até o mais fanático torcedor. E o preço dessa entrada fica ainda mais alto, quando o que temos é uma seleção pela qual se torce mais por obrigação. E, além disso, temos um time que joga contra o que foi construído até agora no futebol brasileiro. Dessa forma, até uma vitória pode ser um resultado que no final virá desfavorecer a marca brasileira no futebol mundial.
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POR José Pires

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Inglaterra pode estar na lista do pé-frio do Planalto


Estou preocupado com a Inglaterra. Não estou falando da crise econômica que assola a Europa: o assunto continua sendo futebol. Faz tempo que a seleção inglesa não vem bem e esta Copa poderia ser a chance de redenção do time da terra que inventou o futebol.

Mas não é o que vem acontecendo. Os ingleses já ficaram marcados nesta Copa pelo terrível frango do goleiro Green. É claro que um acontecimento terrível deste logo no jogo de estréia faz muito mal para qualquer time.

É um problema a mais para uma seleção que já vem não vinha bem antes mesmo de embarcar para a África do Sul. Os britânicos já haviam tido complicações que derrubaram seu capitão, o zagueiro John Terry, que perdeu o posto por causa de um escândalo sexual criado pela relação extraconjugal com a ex-namorada do lateral-esquerdo Wayne Bridge, também da seleção inglesa. Antes disso, a maior estrela da seleção, David Beckham, teve que se submeter a uma cirurgia por causa de uma ruptura no tendão de Aquiles. Agora assiste os jogos do banco.

Até aí, pelo menos o mal-estar poderia ser creditado em boa parte à irresponsabilidade do zagueiro Terry, mas acontece que o novo capitão, o também zagueiro Rio Ferdinand, acabou machucando o joelho durante os treinos e teve de sair do time.

E agora na estréia a seleção inglesa não foi nada bem e ainda teve o frangaço do goleiro Green. Com tanta adversidade acontecendo dessa forma no terreno da casualidade, até o desportista mais cartesiano, se é que isso existe, estaria fazendo toc, toc, toc na madeira mais alto que uma vuvuzela.

E pela imagem acima, dá para perceber a razão do meu temor. É algo que já deveria estar sendo devidamente administrado pelos britânicos. A foto é da visita do técnico Felipão ao pé-frio do Planalto em fevereiro do ano passado. Na época ele era técnico do Chelsea e é claro que logo depois da visita foi demitido do cargo.

Esta foi apenas mais uma desgraça da lista do apedeuta azarento. Mas na visita Felipão ainda cometeu a imprevidência de presentear o seca-pimenteira com a camisa de logo quem? Pois é, de Frank Lampard.

Alguém até pode dizer que finalmente o cara secou o time certo, mesmo a Inglaterra não sendo uma Argentina, mas a gente precisa ter espírito esportivo, não? Será que é correto usar uma arma forte como o pé-frio do Lula para ganhar uma Copa do Mundo? Creio que neste caso até a mão do Maradona é mais honesta.

Vejam o que eu escrevi na ocasião, a propósito da entrega da camisa de Lampard ao espalhador de inhaca. Sempre preocupado com o destino do rude esporte bretão, afirmei o seguinte: “Eu, se fosse esse cara, o Lampard, fazia logo um baita seguro de vida. E ficava em casa. Parava de jogar futebol. Não atravessava rua de jeito nenhum”.

Ainda continuo preocupado com Lampard, é claro, mas tudo indica que a má-sorte foi definitivamente transmitida à seleção da Inglaterra quando o cold-foot (é assim em inglês?) pegou nas mãos a camisa oito do craque inglês.
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POR José Pires

A vuvuzela no contexto global

O assunto é vuvuzela. Vejo nos sites e nos jornais que só se fala nisso. Devem estar fazendo mesas redondas para o debate do assunto. Já deve até existir especialistas em vuvuzela, talvez até diplomados, já que o nosso sistema universitário é rápido nessas coisas. Será que já perguntaram para o Caetano Veloso o que ele acha do assunto?

Felizmente estou fora disso. Nem a insônia faria eu me interessar por futebol. Por isso tive até que ir atrás de um vídeo na internet para ouvir este novo instrumento musical. Afinal, quando um assunto tão importante quica entre os sites e blogs, não há como resistir a um chutão para gol. E tem também a minha conhecida dedicação aos meus leitores, coisa que faço de coração, sem sequer pensar em boquinha na TV Brasil ou empréstimo facilitado no BNDES

Nos anos 80, já muito chateado com o relativismo cultural dos politicamente-corretos, o escritor Saul Bellow saiu com a melhor tirada, uma frase implacável para matar o assunto. “Me mostrem o Tolstoi dos zulus”, ele disse.

Não tem, é claro. Não sei se Bellow tem os olhos azuis, mas isso me parece preconceito e até sacanagem com a Nadine Gordimer. E também pode não ser por aí o caminho da redenção do políticamente correto. Schönberg inventou o sistema de doze sons, quem sabe um sul-africano não teria concentrado esta revolução em um ou dois sons e feito uma subtração genial para os nossos ouvidos?

Ouvi finalmente a vuvuzela e já posso até participar da discussão. É provável que, logo mais, tenhamos seminários sobre o assunto. Talvez até com patrocínio da Petrobrás. Quem sabe não me chamam para dar a minha contribuição ao momentoso tema? Nâo seria bacana eu, o Diogo Mainardi e o ex-ministro Armínio Fraga discutindo a vuvuzela?

Nessas coisas a gente sempre sente falta do ex-ministro Gilberto Gil e sua vasta cultura, para situar intelectualmente a vuvuzela na relação intrínseca e indistinguível, senão num plano astral e prático dentro desta relação vis-à-vis das culturas, nos variados traços semânticos que a cultura permite, entende?, e que criam os laços intermitentes das camadas que ligam, como a magia do genoma que integrou todos os DNAs, entende?, estas variedades do ser e estar no âmbito global, entende?, as várias faces que acabam refratando o organismo polimorfo que compõe a cultura do humano, entende?, nesta contínua e matizada busca das várias interfaces dos sons, numa visão quântica do espaço sonoro que interliga os povos, entendeu agora?

É preciso aprofundar o assunto para chegar numa resposta concisa: esta porcaria não é aquela mesmo corneta de plástico usada durante pelos torcedores para encher a paciência do próximo? É o que me parece. Ou uma variação daquele tormento idiota.

Pensaram até em proibir a vuvuzela, que estaria interferindo na transmissão dos jogos da Copa. E aí espero que o governo Lula tome logo uma posição e até resolva este assunto, já que a expressão internacional que o nosso país alcançou com a nova diplomacia lulo-petista permite solucionar questões desta amplitude. Um olho no olho pode salvar a vuvuzela.

A proibição seria uma intromissão indevida em assuntos internos de um povo, coisa que o Brasil não pode permitir. Proibir a vuvuzela seria algo como condenar Ahmadinejad por espancar oposicionistas e adúlteros em praça pública ou pendurar homossexuais pelo pescoço em altos guindastes e forçar as mulheres a ficarem caladinhas. Isso é parecido também com a proibição dos hondurenhos ao democrático desejo da reeleição de Manuel Zelaya.

Acho até que esta proibição atende somente ao interesse de torcedores de olhos azuis do primeiro mundo. Eles estão morrendo de inveja da vuvuzela, só porque os sul-africanos conseguiram criar a torcida mais chata da história do futebol mundial.
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POR José Pires

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sintonia internacional

Juntar notícias é sempre um exercício interessante e, mais que isso, é bastante esclarecedor. Ontem o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, deu sua opinião sobre as sanções contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Garcia criticou o governo Obama e desprezou as sanções. Sobre isso, ele disse o seguinte: "Se o objetivo disso era frear o programa iraniano, para fins pacíficos, ou para qualquer fim, vai dar exatamente o contrário".

Pois hoje o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, também criticou as sanções nos seguintes termos: "Eu penso que o presidente Obama cometeu um grande erro. Ele sabe que a resolução não terá efeito".

Os dois discursos são tão parecidos que a gente até poderia pensar que houve alguma combinação, mas, ao que consta, Garcia é assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, mas apenas no Brasil.

A menos que o assessor do Lula esteja fazendo uns bicos pra fora. Mas acho que isso nem é permitido legalmente, não? É provável que a afinação entre os discursos seja mesmo apenas coincidência.
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POR José Pires

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A violência "municipal"

O crime que aconteceu na Paraíba vitimando um jornalista é uma mostra de duas questões muito interessantes da nossa política, ambas interligadas, e de expressiva força simbólica.

O jornalista Gilvan Luiz, que faz oposição ao grupo político que detém poder local, foi seqüestrado e torturado em Juazeiro do Norte, Ceará. São acusados do crime dois guardas municipais que trabalham como seguranças do prefeito Manoel Santana. O prefeito é do PT.

O PT metido num assunto como este é de grande peso simbólico, vem como um fechamento do modelo político petista implantado em todo o país. Só podia dar nisso e a tendência é que até piore.

O prefeito suspeito do crime é figura conhecida do Diretório Nacional do PT. Tanto que há poucos dias Dilma Roussef cancelou uma visita à famosa estátua do padre Cícero, localizada em, Juazeiro, só para não ser fotografada ao lado do correligionário. E foi só isso que ela e seu partido fizeram.

Outro dado curioso é o da tal “guarda municipal”. Esta novidade brasileira, quase uma das nossas jabuticabas, tem sido a grande panacéia vendida em comícios como solução para o problema da segurança.

Quando surgiu a idéia lá atrás, há pelo menos vinte anos, cravei o bingo: vai acabar como um corpo de sicários do governo local.

Coloquei a foto da vítima no blog, porque este tipo de imagem mostra bem a gravidade do crime. E o site Miséria, do Ceará, onde peguei a foto, publica várias notícias de crimes que acontecem por lá. Tem a mulher que foi queimada viva no quintal e cujo assassino confesso está solto. As duas moças assassinadas, uma delas amordaçada e queimada viva, a outra com os dedos decepados, crime tido como passional e com o autor intelectual respondendo em liberdade.

Não é nada diferente do que acontece em várias cidades do interior deste país de PIB chinês. E nestas cidades é que estão instalando guardas municipais.

O raciocínio que criou esta excrescência bem brasileira, um tipo de solução que torna ainda pior o problema que a originou, é bem doido. As polícias civil e militar, mais a Federal, todas interligadas com a Interpol e contando com a ajuda do Exército Brasileiro em casos de emergência, não dão conta do problema da segurança. Então vamos criar uma polícia militar.

Dá vontade até de nem comentar nada, mas dessa forma para quê estaríamos aqui? A idéia da polícia municipal é uma variante bem perigosa de outra panacéia, a das Ongs. Querem ver, como é? Bem, a Receita Federal, o TCU, o Ministério Público, a Justiça Estadual e a Federal, mais as câmaras de vereadores, assembléias estaduais e o Congresso Nacional, essas instituições todas e mais algumas não dão conta do problema da corrupção. Então que tal a gente criar uma Ong?

O problema é que a guarda municipal lida diretamente com a integridade física do cidadão. É a institucionalização do drama previsto por Pedro Aleixo na época da edição do AI-5, num 13 de dezembro de 1968, o do poder discricionário na mão do guarda da esquina. E este guarda da esquina de agora tem como chefes o prefeito e seu grupo político.

Ah, mas hoje vivemos numa democracia. Ora, se não fosse a máquina de propaganda do lulo-petismo estaria claro que vivemos num estado próximo ao da emergência na questão da segurança, no qual nem o direito à integridade física merece respeito. E no abismo moral que Lula e seus companheiros jogaram o país, acho bem difícil convencer o guarda do prefeito sobre os nossos direitos.
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POR José Pires

Cuidar do local para ser global

O Brasil já teve um Crioulo Doido. Isso foi no tempo do Stanislaw Ponte Preta. Hoje o Brasil todo vai ficando doido. Nós temos em todo o país “prefeituras municipais”, esta abominável redundância desta pleonástica República, que é ainda mais engraçada porque de assuntos municipais é que os prefeitos não tratam mesmo.

Se elegem prometendo ações até para acabar com o aquecimento global e seguem nesta linha na prefeitura municipal. Vão cuidar da segurança, resolver o problema do desemprego, da industrialização, mas os assuntos municipais mesmo, coisas como buraco de rua, mato alto, lixo, posto de saúde, plano diretor, transporte público, manutenção dos bens públicos, essas coisas municipais recebem pouca ou nenhuma atenção.

E é óbvio que não cuidam também do aquecimento global. Vejam como está o planeta, apesar de tanto esforço dos "prefeitos municipais".

Uma frase muito falada e identificada em muitos autores — o mais citado é o grande Alexei Tolstoi — é aquela que diz "cante sua aldeia para ser global". É, pois então cuide dela também.

Mas o fato é que os problemas locais não têm encaminhamento conseqüente. E quando ocorrem desastres graves advindos da incompetência e descaso, como deslizamentos com mortos e feridos, enchentes que matam e desabrigam, e outros dramas urbanos que já são parte do cotidiano do brasileiro, então surgem as lorotas que mantêm o assunto fora da questão central: a necessidade de cuidar do básico.

A chocante tragédia de Niterói, ocorrida há menos de dois meses, com mais de cem mortos e sete mil desabrigados, aconteceu porque as vítimas viviam sobre um antigo lixão. É simples assim. E o prefeito da cidade, Jorge Roberto Silveira (PDT), nem sabia que aquela localidade havia sido construída sobre um aterro. Pelo menos foi o que ele disse. E temos que ficar com sua palavra, mesmo sabendo que numa situação dessas alegar incompetência é muitas vezes a única saída.

O prefeito culpou as chuvas, falou do tsunami na Ásia (sic), do terremoto chileno (sic, de novo), mas na minha visão a causa tanto de um problema deste tipo como de questões cotidianas que infernizam a vida nas cidades brasileiras é que o prefeito municipal... não é municipal.

Basta dar uma passeada na rua para notar que ninguém está cuidando das questões básicas. Mas como fazer isso em um país em que o nosso presidente da República cuida dos problemas nucleares do Irã, resolve o problema da fome na África e dá uns pitos em Israel?

O desemprego é a grande moeda eleitoral dos nossos dias. Ora, todo mundo sabe que esta é uma questão estadual e, em um plano mais efetivo, um assunto que só anda bem com as ferramentas do Governo Federal.

Mas os nossos prefeitos estão à toda na luta contra o desemprego. Primeiro o da própria família e apaniguados, é claro. Mas se metem também a resolver em suas cidades este grande problema da atualidade.

E o que fazem é enfiar os municípios em guerras fiscais desenfreadas, fatiando e entregando terrenos públicos e abrindo mãos de impostos, isso quando a própria prefeitura não entra com capital público para atrair empresas. Entregam tudo, inclusive sem contrapartidas ambientais ou de infraestrutura pública.

O resultado é que mesmo quando aparecem os empregos, no cálculo final é o próprio município que paga a conta. Quando não é o estado e o país que acabam arcando com custos que, muitas vezes afetam não só os cofres públicos como também agridem a saúde humana e arrasam o meio ambiente, problemas crônicos que o dinheiro pode apenas amenizar.

Mas de qualquer forma a conta sempre é bem alta também para as prefeituras. E municípios, todos sabemos bem, ainda não contam com máquinas próprias para a impressão de dinheiro.
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POR José Pires

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sala de leitura

Lula fala, a gente escuta e comenta. Fazer o quê, não? Afinal, ele é o presidente da República.

Hoje no Ceará ele disse o seguinte, sobre o dossiê contra o pré-candidato José Serra: "Olha, com todo respeito que tenho a vocês [jornalistas] e por todo respeito que eu tenho a mim, eu tenho coisa mais séria para fazer do que discutir dossiê do PSDB. Eu conheço essa história do dossiê do PSDB. Eu não falo disso porque a matéria que falou do dossiê é uma coisa tão absurda que se algum de vocês parasse trinta segundos para ler o dossiê, vocês falariam: é mais uma armação que está em jogo".

Bem, de livro ele já confessou que não gosta. Mas a frase dá a entender que entre uma esteira de ginástica e um dossiê, ele fica com o último.
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POR José Pires

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sem vergonha de ser feliz

Feliz como o PT no lixo

O PT é um partido que define-se muito bem com a frase que o sambista Jamelão tornou famosa nacionalmente no ano da visita do então presidente Bill Clinton à escola de Samba Mangueira, no Rio. Jamelão observou que Clinton estava “feliz como pinto no lixo”.

E quem pode resistir à paráfrase que isso pede? Na realidade, na política o certo é "feliz como um petista no lixo". É assim que eles eram na oposição. No poder, não mudaram nada.

O PT gosta de fazer propaganda da sua coragem de ser feliz. Mas o contentamento sempre é maior quando estão como pinto no lixo. O prazer é tamanho que estão sempre tratando de fabricar lixo, como aconteceu agora e têm acontecido nesses anos todos.

O combustível da sujeira aciona a máquina da conquista do poder e serve também para o projeto de perenizar-se no governo.
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POR José Pires

O petista falsificador do Twitter

A alegria é geral entre os petistas, mas uns se destacam mais neste contentamento, como é o caso do deputado paranaense André Vargas, que mostra um deslumbramento notável nesta política de ciscar no lixo. Vargas é um caso notável dos 15 minutos de fama predito por Andy Warhol e hoje muito comum na política brasileira. Ele é o mais famoso desconhecido da hora. Foi alçado do anonimato do baixo clero para um cargo de ressonância nacional na campanha da candidata do Lula.

É secretário de comunicação do PT nacional. E isso explica muita coisa, a começar pela cada vez mais baixa estatura de capacidade dos quadros do partido, até a queda política forçada pelos descaminhos que a subida ao poder impôs às questões programáticas do partido.

Neste episódio do dossiê contra o pré-candidato José Serra, Vargas apareceu com a frase que melhor define o velho estratagema petista de acusar a vítima. “Serra se comporta como aquele que bate a carteira e sai gritando: pega ladrão!”, disse Vargas.

Quando o nível do debate político é este, dá pra imaginar o que vai pelos bastidores. É bobagem achar que existe motivo para ter medo de ser feliz. Para quem se alegra em ciscar no lixo, material é que não deve faltar.

O dossiê contra Serra derrubou da campanha de Dilma o jornalista Luiz Lanzetta, mandou para casa o coordenador e amigo da candidata, Fernando Pimentel, mas os petistas insistem na tática de acusar quem teve o bolso surripiado.

O estilo é o homem. Na semana passada, tentando antecipar uma denúncia contra a TV Globo, o deputado Vargas, espalhou em sua página no Twitter o boato de que a emissora iria cancelar a divulgação dos resultados da última pesquisa do Ibope para atender o interesse de Serra.

Uma nota escrita pelo em seu Twitter: "Corre o boato que a GLOBO vai cancelar a divulgação do IBOPE.Será que o resultado realmente foi desfavorável ao Serra?"

Depois que a TV Globo divulgou a pesquisa em seu noticiário, Vargas apagou as todas mensagens com referência ao assunto.

É a falsificação do Twitter. E o que pode parecer um detalhe, na verdade é bastante relevante. Se for seguido o exemplo do deputado petista, esta nova ferramenta de comunicação vai à falência. O Twitter exige que haja um respeito às mensagens postadas. Esse tipo de manipulação quebraria a base mais significativa do sucesso deste novo meio: a credibilidade. Não deixa de ser parecido com o que tem sido feito com a política.
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POR José Pires

Uma coisa leva à outra

A imprensa tem feito uma má cobertura dessa eleição, que começou antecipadamente e de forma ilegal, por força de ações políticas do próprio PT e do presidente Lula, com um uso da máquina pública como nunca se viu neste país. Os jornalistas deviam ir atrás de outras pistas, além das que o PT solta para desviar a atenção de problemas reais.

Deviam ser seguidas também as pegadas de políticos emergentes, como o deputado Vargas e tantos outros. A ascenção abrupta de um André Vargas, do baixo clero à escala mais alta do poder partidário e eleitoral, explica o destino do PT na mesma medida da queda de outros políticos de seu partido.

Alguns, como Fernando Gabeira, saíram faz tempo pelo fato de não gostarem de ciscar no lixo. Outros foram ao pó abatidos pelas rasteiras internas e desacertos com os rumos impostos no partido e no governo pelo poder central. É o caso de Patrus Ananias, que foi durante sete anos responsável por um dos ministérios mais importantes de Lula, o do Desenvolvimento Social, a pasta do Bolsa Família.

Patrus Ananias vem sendo aplastrado desde sua saída de um ministério da mais alta importância política e a imprensa parece nem tomar conhecimento. Seu trabalho político de tantos anos foi para lixo na política de Minas Gerais.Este tipo de lixo também faz a alegria de certos pintinhos petistas. Na política mineira, o PT local virou moeda de troca no amplo comércio eleitoral para eleger Dilma.

Que a imprensa não aprofunde a cobertura dessas eleições, indo atrás desse e de outros casos, explica não só o sucesso do lulo-petismo (em eleitores) como também o insucesso da imprensa (em queda de leitores).
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POR José Pires

Nas origens

No caso do deputado Vargas, dá para resumir suas pegadas. O deputado é do Paraná, onde sempre foi baixo clero na política.

A última eleição disputada por ele foi a de prefeito, em 2008, quando foi derrotado fragorosamente, ficando em quinto lugar, com 5,3% da votação, ou 14.506 votos de uma colégio eleitoral de 270.580 eleitores. O deputado só não ficou em último, porque esse papel coube a um candidato de partido nanico. O sexto lugar ficou com PV, com 3.371 votos.

Anteriormente o PT havia ficado oito anos na prefeitura, finalizando os mandatos com tal taxa de rejeição que o apoio do então prefeito Nedson Micheletti, sindicalista bancário, era usado pelos adversários na TV contra o candidato oficial.

Vargas elegeu-se deputado federal escorado pelo grupo do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que manda no partido no Paraná. O PT no Paraná sempre manteve uma aliança histórica com o ex-deputado José Janene, chefe do PP no estado e um dos réus do inquérito do mensalão no STF. Esta relação íntima de Vargas com Bernardo, além dos laços com o ex-ministro e deputado cassado, José Dirceu, é uma das explicações do seu atual sucesso.

Em seu passado recente, o deputado também andou envolvido com problemas de corrupção que levaram à cassação pela Câmara Municipal do prefeito Antonio Belinati em junho de 2000. O prefeito, que hoje é deputado estadual pelo PT e também é ligado a Janene, foi também preso duas vezes.

Na época da cassação de Belinati, o então deputado federal Paulo Bernardo e André Vargas, que era vereador do PT, foram objeto de ação do Ministério público.

O mais escandaloso, no entanto, foi o surgimento do nome dos dois políticos petistas na caderneta do tesoureiro do prefeito cassado, um caderno manuscrito aprendido pela polícia onde eram anotados pagamentos feitos em dinheiro. Paulo Bernardo estaria identificado na sigla P.B. e André Vargas estava identificado pelo nome por extenso.

Vargas confirmou os recebimentos, mas alegou que eram para campanha eleitoral, buscando encaminhar as denúncias para o terreno do Caixa 2, uma situação mais fácil de administrar, tanto politicamente quanto no aspecto jurídico. Com se vê, essa história vem de longe.
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POR José Pires

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Objeto muito democrático



Maravilhosa invenção para o aprimoramento da nossa democracia. Muito útil para o uso em convenções, debates, alianças eleitorais e até mesmo para depois da eleição, para a convivência no pleno exercício do poder.

É uma idéia muito simples, como todo ovo depois de colocado em pé. Além da ampla utilidade na atividade política, pode também ser usado na fraterna convivência social de nossos dias. Sendo um objeto de fácil manejo e de mobilidade facilitada, pode ser levado à bares, festas, casamentos, enfim a todo lugar onde o convívio social exija regras de amabilidade e cortesia.

Já encomendei um com reforço especial, só para cumprimentar petistas.




Tirei daqui

Semelhanças com Belíndia

Sei que o Brasil anda numa Bélgica danada, embalado pelo gogó do Lula, mas sempre é bom lembrar daquele lado que pesa um bocado na nossa identidade, a Índia, sem a qual não seríamos a Belíndia que somos.

Esse negócio de resolver problema nuclear do Irã, dar de dedo nos Estados Unidos, além de outras façanhas, pode deixar o brasileiro nos ares. Então puxemos uma notícia para descermos ao nível da realidade.

Saiu o veredito do julgamento dos acusados da tragédia de Bhopal, o vazamento de gás tóxico que matou milhares de pessoas — 3,5 mil conforme dados oficiais, mais de 7 mil, segundo outras fontes. O vazamento aconteceu em dezembro de 1984 e, desde então, o caso vem rolando de corte para corte.

Organizações que se dedicaram ao caso afirmam que desde o incidente, cerca de 20 mil pessoas teriam morrido até hoje em razão da ação do veneno. Outras 600 mil teriam tido a saúde afetada.

O veneno que vazou da norte-americana Union Carbide teve efeito rápido. As mortes ocorreram em três dias. Até hoje Bhopal tem uma alta taxa de enfermidades e de crianças portadoras de deformidades de nascença.

Foram 25 anos de espera para que os alguns culpados fossem punidos. Parece um país conhecido nosso, não? Pois é, mas as penas recebidas por eles na Índia também fazem a gente se sentir em casa.

A justiça da Índia condenou oito pessoas a dois anos de prisão cada uma. E os condenados, entre os quais estão executivos da Union Carbide, ainda podem apelar da decisão.

Não sei como é na Índia, mas na nossa Belíndia ninguém iria dar trabalho para o sistema penintenciário. Aqui seria bem grande a possibilidade dessa condenação cair para zero.
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POR José Pires

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Equipe de Dilma aumenta currículo de Oliver Stone

Falei ontem aqui sobre o trabalho de assessoria de imprensa feito pela campanha de Dilma Roussef para o cineasta Oliver Stone. Finalmente ele encontrou uma assessoria à sua altura.

Agora vejo mais uma trapalhada de destaque da turma de Dilma. No vídeo postado no site da candidata, Stone aparece como "ganhador de três Oscars", sendo um deles pelo filme ‘O Expresso da Meia-Noite”.

Mas seria bom deixar claro que “O Expresso da Meia-Noite” não é de Oliver Stone. Este filme foi dirigido por Alan Parker. Stone fez apenas o roteiro, adaptado do livro de outro autor. Mas sempre é bom valorizar os apoiadores.

São coisas da assessoria de Dilma. Mas este descuido com a biografia do cineasta paparicador é até compreensível. Deve ser vício. Dilma também gosta de aumentar currículo, tanto que passou anos identificando-se como doutora sem nunca ter feito doutorado algum.

Mas, como já disse, assessorias correspondem sempre à qualidade da chefia. Nada mal que Dilma e Stone tenham a mesma turma trabalhando para os dois.
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POR José Pires

Os teóricos da chatice e do autoritarismo

Stone esteve no Brasil para divulgar o documentário "Ao Sul da Fronteira", um apanhado de entrevistas com alguns presidentes latinoamericanos. São ouvidos, em conversas informais com com o cineasta, os presidentes Lula (Brasil), Cristina Kirchner e seu marido ex-presidente Nestor Kirchner (Argentina), Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai), Rafael Correa (Equador) e Raul Castro (Cuba).

É marcante a ausência de alguns nomes importantes nesta lista, como Michelle Bachelet, que foi presidente do Chile até março passado, e Alan Garcia, do Peru. Mas é que esses presidentes destruiriam a teoria perseguida pelo cineasta norte-americano, de que a América Latina vive um processo revolucionário encarnado pelos nomes que estão em seu filme.

Falta também Fernando Lugo, mas o presidente do Paraguai teve um brilho fugaz nesta constelação eleita por Stone. A princípio foi tratado como um dos revolucionários da hora, mas foi rapidamente proscrito.

Dificilmente verei um filme desses, apesar de que tenho feito esforços consideráveis para informar bem os leitores deste blog. Mas já dá para ter um idéia do conteúdo da obra pelas atitudes de Stone no Brasil e também pelos elogios de um de seus entrevistados e seu ídolo máximo, o presidente venezuelano Hugo Chávez.

“Oliver compreendeu muito bem que na América Latina se está forjando uma revolução.
Seu documentário é um tributo à América Latina, que está lutando para unir-se e forjar seu próprio destino”, disse Chávez.

É interessante a intimidade de Chávez, tratando o autor como “Oliver”. É um tom que caracteriza ainda mais esta fala como uma boa definição da qualidade da do trabalho de Stone.

O filme deve ser uma porcaria. E nem falo isso pelo que penso das personalidades que dão base ao documentário. É uma questão técnica. É impossível fazer algo de qualidade com esta falta de senso crítico demonstrada por Stone. Mesmo na ficção exige-se algum distanciamento para que saia algo bom. Num documentário é preciso ainda mais capacidade de avaliar com relativa imparcialidade o tema escolhido. No jornalismo é preciso até ser cético para obter alguma coisa de qualidade.

E como Stone parte sempre de um ponto de vista propagandístico, duvido que tenha produzido um bom documentário. Com sua visão de militante, tudo o que realmente importa terá passado desapercebido.

Nisso ele é parecido com Michael Moore, um diretor que exige que a realidade se acomode ao que ele pretende políticamente. Não à tôa, é com a mesma leviandade que os dois dão apoio à causas políticas e grupos de paíse estrangeiros metidos em complexas situações políticas. São dois tiranos. Até o que já aconteceu tem que ser como eles querem.

Stone age como a militância que conhecemos bem por aqui. Eles tem uma visão que deve ser combatida, pelo dirigismo autoritário que prejudica todo trabalho intelectual ou de arte e que tenta determinar até mesmo o cotidiano das pessoas.

Esse pessoal é perigoso. São também muito chatos. Sua meta é abolir qualquer coisa que venha a descompor a teoria pré-montada do enredo que eles pretendem impor, seja em um filme ou na política.

Em filmes, a obra acaba ficando chata demais. Com a bajulação política, perdem até bons temas, como foi o caso da biografia de Lula, um político com uma história de vida sem dúvida muito interessante, mas que foi transformada numa porcaria de filme propagandístico. No final, a obra foi um fiasco até como propaganda.

E no caso da vida, esta mesma atitude transforma o cotidiano numa coisa chata, isso quando a destruição não avança para o pior, como já se viu em vários países onde essa mentalidade tomou o poder.
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POR José Pires

O cineasta marqueteiro

O estilo marqueteiro exibido por Stone em sua passagem pela Venezuela e pelo Brasil também é revelador da sua leviandade como autor. Após a visita ao comitê de campanha de Dilma, ele deu entrevista para a equipe da candidata. Foi na “exclusiva”, como eles dizem, em que eles erraram o currículo do entrevistado.

O cineasta fala igual a um político do baixo clero de olho em algum carguinho futuro. Stone intromete-se em uma realidade política que desconhece, falando com determinação sobre assuntos que exigiriam de um estrangeiro pelo menos um pouco mais de respeito.

Mas quem é que pode exigir que um norte-americano convertido ao “bolivarianismo” chavista não seja leviano?

O estilo é parecido com o que vemos aqui, no Brasil, nas intromissões da nossa esquerda em assuntos de outros países. De um dia para o outro, porque é desse modo que surgem certos assuntos internacionais, esta esquerda passa a apoiar malucos como, por exemplo, Manuel Zelaya, e a fazer a divisão do país estrangeiro entre bons e maus.

Mas, além da má-fé, existe também algo de maluco nesta gente. Parece coisa de seita. Só falta aquele colar de folhas que o Evo Morales joga no pescoço dos visitantes.

Stone disse que Dilma tem “uma mente brilhante”, um elogio que deve ter surpreendido até Lula, o iluminador da sala da Marilena Chauí. Que a Santinha não é tudo isso até seu assessor mais puxa-saco sabe muito bem.

Mas Stone age como um profissional da bajulação. Tem gente que faz isso como marqueteiro e aí dá para entender. Mas num cineasta isso rebaixa bastante.

Segundo ele, a candidata “tem muita informação, sabe tudo de energia, de economia, tem determinação e energia.” E mais: “Ela é muito focada e fiquei muito impressionado com isso. Dedicada ao desenvolvimento e a continuidade do projeto de Lula e avançar.”

O marqueteiro da Dilma que se cuide. O Oliver Stone está querendo tomar o lugar dele.
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POR José Pires

terça-feira, 1 de junho de 2010

Oliver Stone e o efeito Norma Bengell

O cineasta Oliver Stone teve uma reunião nesta terça-feira com Dilma Rousseff. Os dois ficaram juntos cerca de uma hora e no final a assessoria da candidata do Lula passou algumas informações à imprensa sobre o encontro. A intenção óbviamente era a de levantar a bola de Dilma, mas acabou parecendo que Stone não pode ser levado a sério.

Essa assessoria da Dilma não toma jeito. Bateu novamente o efeito Norma Bengell, agora com alguém do cinema dos Estados Unidos.

Segundo a assessoria, Stone disse que Dilma é "carismática" e que, caso seja eleita, a América do Sul terá duas mulheres presidentes. A outra é Cristina Kirchner, da Argentina.

Ainda de acordo com a assessoria da petista, o cineasta ficou "impressionado" com o conhecimento de Dilma sobre o Brasil, principalmente sobre energia.

Bem, a primeira afirmação é totalmente errada e a que mais prejudica o cineasta, já que é da sua área. Se achou realmente que Dilma é carismática, ele é uma porcaria de profissional. Se existe uma unanimidade entre os analistas sobre esta eleição é a de que Dilma não é carismática. Nem o Lula acha o contrário.

A segunda opinião mostra que Stone é de uma perspicácia impressionante. Esta aí uma verdade política inquestionável: se já tem uma mulher na presidência da Argentina, com a Dilma aqui serão duas na América do Sul.

Sabe tudo de América Latina esse cara. E com esse tipo de raciocínio abre a possibilidade de extrairmos lições muito úteis também de outros cenários. Se for o Serra o eleito, teremos uma situação mais original: ele será o único presidente careca da América do Sul. O presidente da Guiana perdeu bastante cabelo nos últimos tempos, mas genuinamente careca seria só o nosso Serra. Ninguém segura mesmo este país.

Sobre a terceira bobagem, a de que Stone ficou impressionado com o conhecimento de Dilma sobre o Brasil, das duas, uma: ou é mentira da assessoria de Dilma ou o cineasta mentiu para favorecer a petista.

Para avaliar o conhecimento de alguém sobre algo, o avaliador precisa conhecer muito bem o assunto em discussão. E é óbvio que Stone nada sabe sobre o Brasil. Além do mais, em uma hora não dá tempo para tanta conversa assim sobre país algum. Se juntar o assunto da geração de energia, então, aí então é que o tempo fica escasso. E se levarmos em conta a deficiente capacidade de expressão da carismática (sic, sic e sic!) Dilma, uma hora não é tempo suficiente nem para ela explicar onde é Copacabana.

Já é evidente há algum tempo que politicamente o cineasta norte-americano é um estouvado. Não fosse assim, ele não seria fã de carteirinha de Hugo Chávez. Mas esta visita a um candidato à presidência de um país estrangeiro deixa ainda mais claro sua leviandade.

E as informações passadas pelos assessores de Dilma, que o transformam num idiota político, mostram que, enfim, Oliver Stone encontrou uma assessoria à altura da sua capacidade política.
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POR José Pires