quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O herói da vez

Esta esquerda precisa afinal resolver quais são suas ideias e qual é o papel delas em seu posicionamento diante dos problemas brasileiros. Ficar desse jeito trocando de pedestal os heróis é que não dá. Já faz tempo que inventaram o "herói da vez". Se um ministro do STF vota favorável às cotas para o ensino superior passa a ser uma personalidade admirada. Mas se logo depois condena um mensaleiro, aí então só falta apedrejá-lo em praça pública. E só não fazem isso com seu corpo físico. A imagem da pessoa que vai contra seus interesses é soterrada por muitas pedras.
Agora deram para incensar a dona do Magazine Luiza e só porque ela diz coisas favoráveis ao governo do PT. É do interesse dela e isso é apenas uma questão de negócios. Sua empresa vai ganhar muito com programas do governo do PT e talvez ela conte também com algum amaciamento da relação do Estado com a postura trabalhista e econômica do setor.
O nome do partido não é Partido dos Trabalhadores? Por este significado bastaria a turma que agora carrega a empresária nos ombros ter uma conversa rápida de dez ou quinze minutos com um dos advogados trabalhistas dos milhares que gravitam em torno do PT para obter informações sobre como funciona nessas grandes redes do varejo a relação com os trabalhadores. Teriam histórias de arrepiar os cabelos e as barbas também.
Se quiserem avançar um pouco mais no conhecimento da realidade peguem um economista do partido e peçam para ele explicar o estrago que o arrocho salarial praticado por grandes redes de varejo causa na vida do trabalhador, na qualificação profissional do setor e até no bem estar do cliente. Talvez ele possa mostrar o esgotamento econômico causado nos municípios brasileiros por esta política de salários (trabalhador que ganha pouco estimula na mesma medida a economia local) e a inclemente pressão dessas redes sobre o pequeno e médio comerciante do varejo e fornecedores mais fracos.
Obviamente não estou propondo confronto com o empresariado da área e muito menos as agressões que a militância do PT comete com qualquer um que exerce o direito de crítica em qualquer situação, até mesmo na área de comentários de uma página do Facebook. Nada disso. Estou falando apenas de respeitar compromissos, deixar de falsificar informações, parar de faltar com a verdade e acabar com a falseta de apontar falsos heróis. Resumindo: é preciso ter vergonha na cara, companheiros.
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Por José Pires

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014


Cenas de uma falência

Um retrato da falência da infraestrutura no país pode ser visto no que aconteceu hoje no Rio de Janeiro depois de um descarrilamento de trem. A cidade parou. O site do Estadão republica o desabafo de um leitor no Twitter que sintetiza o drama dos cariocas: " Ninguém chega a lugar nenhum". Aliás, hoje em dia a única opção da população em relação aos graves problemas urbanos é o desabafo nas redes sociais.
Problemas como este do Rio são um estorvo no cotidiano das pessoas e na dificuldade criada para que o país produza. Mas trazem também preocupação no aspecto da segurança nas cidades. Estamos no limite da ocorrência de grandes desastres. Internautas fizeram a alusão óbvia entre o caos de hoje provocado pela falta de infraestrutura e a Copa do Mundo, que começa dentro de poucos meses. E sempre existe o perigo de atentados terroristas, um problema que felizmente até hoje não afetou o nosso país. Mas se isso vier a acontecer pode haver dúvida sobre a dificuldade de reação das nossas autoridades? Nem dá pra falar na falta de um plano B, pois não existe nem o plano A.
Esta é uma herança maldita do PT, que pode prejudicar muito o nosso futuro. E no caso do Rio esta falha administrativa não permite justificativa alguma. A capital é a cidade brasileira mais conhecida internacionalmente e o estado é um dos mais importantes. O governo estadual e a prefeitura da capital têm uma aliança estreitíssima com o governo do PT, desde a época do governo Lula. Cabral e o ex-presidente são velhos chapas, cuja intimidade permite inclusive que os dois saiam juntos pelos bairros cariocas batendo boca com garotos pobres, como se vê num conhecido vídeo da internet.
O Rio e o governo federal estão com os mesmos governos nos últimos dez anos. A administração que resultou naquele caos pode ser definida como uma parceria entre o PT no governo federal e Sérgio Cabral no Rio. E mesmo assim o estado não se preparou para nada, nem mesmo para manter o funcionamento efetivo do que já existia. Nossos governantes têm vários defeitos, sendo um deles o caráter corrupto de todo o sistema implantado. E além disso, eles são muito ruins em administração pública. Não sabem fazer. A única infraestrutura estabelecida por eles é a da corrupção e incompetência. No Brasil foi instituída a política do rouba e não faz.
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Por José Pires

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Imagem - Na foto do site d'O Globo, passageiros sobem numa plataforma depois do descarrilamento. Repare na qualidade da escada do sistema ferroviário usada nesta emergência.

A otimista oficial e o alvo

A esquerda sempre lidou com a informação conforme sua conveniência. Você sabe a causa da existência do mito sobre a sobrevivência de Hitler após a derrota do nazismo? A razão disso é que, por acordo com os ocidentais, foram os soviéticos que em 1945 entraram primeiro em Berlim. O Exército Vermelho chegou ao bunker onde Hitler passou os últimos meses da guerra, suicidou-se e teve o corpo cremado pelos seus assessores. Foi então que se deu o início do obscurecimento da verdade, apesar de não haver nenhuma razão prática para isso no caso da morte de Hitler. Até a foto de um falso cadáver do ditador nazista foi forjada pelo exército soviético. Fizeram estas manipulações simplesmente porque já era um costume interno do regime comunista. O tempo todo forjavam notícias, apagavam adversários em fotografias e filmes, censuravam livros, enciclopédias e jornais.

Faz tempo que o regime da União Soviética desmoronou numa implosão causada pela ineficiência do próprio sistema. Mas nem da própria história deste terrível descaminho político sofrido pela Rússia e por tantos outros países foi extraído pela esquerda um respeito no uso da comunicação. Até hoje prevalece ainda este costume da manipulação e do obscurecimento da verdade, uma atitude até chata. Eles fazem da internet um reposítório de falsificações e inverdades.

Esta prática se vê no relacionamento da esquerda com o empresariado. O raciocínio costuma ser apenas conveniente em relação a empresários: quando eles não se ajustam ao que interessa no momento são acusados falsamente até de racistas, como ocorreu em Londrina, no Paraná, e também acontece com os shoppings de todo o país que tentam evitar os rolezinhos por uma questão de segurança no ambiente público.

Nos últimos dias vêm correndo pela internet um post evidentemente criado na central de manipulação que o PT criou para a comunicação de suas propagandas e a difamação de adversários. É sobre o programa Manhattan Connection, que recebeu a dona do Magazine Luiza para um bate papo informal que costumam fazer com um convidado. A notícia é repassada para exaltar a política econômica do governo do PT e atacar especialmente Diogo Mainardi. Principalmente na coluna que mantinha na revista Veja ele deu golpes certeiros (e apoiados em fatos) que atingiram bastante a credibilidade do PT.

O post eleva a dona do Magazine Luiza à condição de uma sábia da economia. Isso só porque ela diz que a atual situação econômica é muito boa, em opinião contrária a de quase todos os especialistas econômicos, inclusive agora de economistas de esquerda. Abre-se também um espaço para a militância fazer comentários atacando Diogo Mainardi. Escrevem até que ele foi “humilhado” pela empresária, uma bobagem desmentida facilmente numa simples olhada no programa. Mas a comunicação petista sabe que a maioria dos leitores fixa-se apenas no título do post, que é um ataque ao Manhattan Connecttion.
O PT, todos sabem, significa Partido dos Trabalhadores. Deviam ter um pouco mais de cuidado com a informação ao menos nesta área. Pois vejam neste link uma matéria sobre a política interna nas lojas da empresária idolatrada pela militância petista, inclusive a oficiosa. O costume da manipulação entortou tanto o bico dessa gente que nem pesquisa na internet eles fazem mais sobre seus heróis da hora.
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Por José Pires

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Levantando altas granas

A militância petista está toda prosa com o sucesso da arrecadação de grana feita por um site aberto pelo mensaleiro condenado José Genoino. Comemoram a arrecadação de mais de 700 mil reais em menos de uma semana. Vai sobrar dinheiro até para a compra de uma capa melhor pro mensaleiro. Marketing exige um bom designer. O grande Jack Kirby é que entendia de uniforme de super-herói. O desenhista americano foi o criador do Capitão América, Thor e tantos outros. É o inventor da iconografia do super-herói de quadrinhos. Ele já morreu, mas sempre dá para fazer algo inspirado nas suas formidáveis criações. Nada contra bordados toscos feitos com carinho, desde que seja na intimidade do lar. Para sair voando em público a aparelhagem tem que ser profissional. Agora com dinheiro sobrando (por Odin!, ou melhor, por Midas!) o mensaleiro chorão pode ter coisa melhor.

Mas, voltando aos rojões da militância, para mim estão comemorando um tiro no pé. Divulgou-se que a campanha é da "Família Genoino" e a imprensa caiu nessa lorota. Então para juntar uma fortuna dessas bastou a família passar o chapéu? Hmmm, conta outra. Desde que percebeu que seria condenado pela Justiça como um dos chefes do esquema montado pelo PT que Genoino vem tentando usar a própria família como escudo moral de suas ilegalidades no cargo de presidente do partido. Usar a família é coisa banal entre corruptos. O próprio deputado Donadon, o primeiro parlamentar presidiário do país, recentemente fez isso em discurso na Câmara, onde chegou sob a guarda da polícia e depois voltou para a prisão. Está lá até agora, ainda como deputado na mesma penitenciária em que está preso o companheiro de base aliada Genoino.

Genoino e os que o cercam podem pensar que com a história da arrecadação estão praticando alta filosofia política. Mas estão enganados, isto é só tática eleitoral da mais baixa extração. Já faz tempo que os dirigentes do PT vêm usando instrumentos de tática eleitoral de forma abusiva e vão com isso causando uma confusão danada na imagem do partido. Muito do que eles têm feito nos últimos tempos tem mais a ver com bolação de marqueteiro e é de pouca serventia na construção partidária. Ao contrário disso, acabou inviabilizando de forma irremediável a visão do PT como algo diferente. Com isso, não podem mais sair do poder, pois acabarão como um partido a mais, com um grande risco de diminuir bastante. Vivendo de táticas menores o partido perdeu o controle da estratégia que o levou ao poder.

Mas neste caso da extraordinária arrecadação de fundos para o pagamento da multa da condenação já começam a surgir correções drásticas no discurso político de Genoino. No agradecimento assinado pela "Família Genoino" já não aparece mais a qualificação do mensaleiro como "combatente pela democracia". Mexeram bastante no texto original e isso foi feito evidentemente depois da percepção de que aquela coisa de lutar "pela democracia” numa guerrilha maoista abria espaço de crítica em respeito à inquestionável verdade histórica. Agora o mensaleiro condenado "luta por causas, sonhos e projetos coletivos". É outra coisa, apesar de ser de uma generalização que nada diz. Na definição dá para encaixar Hitler, Stálin e Churchill ao mesmo tempo. Serve até para os dois ídolos de Genoino quando ele lutava na década de 70 no Araguaia por "causas, sonhos e projetos coletivos". Era isso que também os movia. Ambos eram ditadores malucos que mataram muita gente: Enver Hoxha, da Albânia, e Mao Tsé-Tung, da China.
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Imagem - No desenho do grande Jack Kirby, a cara de pau do mensaleiro José Genoino

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Rolezinho que rende

Os rolezinhos que ocorrem em São Paulo vêm sendo seguidos de manifestações escritas por gente de esquerda e politicamente corretos que insistem numa interpretação dos fatos que soa como uma instigação à divisão social. A revolução não deu com os black bocs, quem sabe se agora vai com os rolezinhos. A interpretação desses acontecimentos como uma repressão dirigida a jovens pobres não bate nem com a ação atual da segurança dos shoppings e da polícia, que vem sendo feita como prevenção aos encontros convocados por meio da internet. São medidas práticas, que servem como proteção até para esquerdistas e politicamente corretos.

Mas tem sido assim de uns tempos para cá. Qualquer tipo de evento que junte uma porção de pessoas pretensamente expressando algum direito coletivo logo recebe a pronta adesão de gente disposta a escrever qualquer coisa para justificar até barbaridades. O que se escreve de absurdos é tão sem sentido quanto os próprios acontecimentos, que estimulam interpretações que juntam luta de classes, racismo, preconceito contra pobres e qualquer outro qualificativo que faça o ressentimento ideológico parecer ter algum conteúdo. Sobre os rolezinhos vi até gente escrevendo que a situação é de “apartheid social”. Qualquer palavra serve para pontuar opiniões que não condizem com o que todos estamos vendo.

Tem rolezinho que junta milhares de jovens em atitude de manifestação política. Estará o bom senso tão em falta na esquerda que o raciocínio não compreende mais nem a lógica mais simples da segurança das pessoas numa situação dessas? Estes ambientes de shoppings já não são absolutamente seguros nem numa situação normal. Imaginem então com milhares de jovens agitados, que evidentemente estão ali para bagunçar. Mesmo que em suas cabecinhas ocas este agito seja pacífico, creio que nem é preciso ser um especialista em segurança para saber o que pode ocorrer em caso de tumulto.

A deformação de visão pode ser sentida até na falsa oposição entre pobres e classe média. Vejo por aí escrito que “rolezinhos apavoram a classe média”. Ah, então uma família pobre que estiver num shopping tumultuado por bandos “tocando o terror” vai se sentir muito tranquila e em segurança, é isso? Onde está garantido que em caso de tragédia filho de pobre não será pisoteado?

Uma das melhores peças que vi até agora na internet foi uma convocação para um rolezinho na frente da casa da Eliane Brum, uma jornalista que tem usado este assunto como uma mina de ouro para fortalecer sua imagem de musa do politicamente correto. Eu acho que uma outra situação para a Eliane Brum e seus adeptos perceberem que estão errados neste assunto é convidá-los a passear com um filho pequeno ou um parente idoso em um shopping paulistano num dia desses de rolezinho.
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Por José Pires

Em família

A notícia de que a coordenação da campanha campanha presidencial de Aécio Neves seria assumida por sua irmã, Andrea Neves, chama a atenção sobre um estilo de fazer política e de governar. Será difícil saber se Aécio pretendia de fato colocar a própria irmã num cargo desses, pois a notícia pegou mal e ele logo veio a público desmentir a nomeação, dizendo que sua irmã “só ajudará na comunicação”. O tucano ressaltou que “é a área dela e algo de que ela entende”. Só faltou a justificativa de que o elogio não é só porque ela é irmã dele.

Mas não é só esta entrada em cena de Andrea Neves que revela uma forma de ver a administração pública como uma ação de benefício entre familiares. O que dá o toque sobre o estilo do tucano mineiro é uma informação que ele mesmo trouxe durante o esclarecimento sobre a entrada da irmã na coordenação de campanha. Antes disso, ela estava na presidência do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), um órgão do governo mineiro. Vale lembrar que Aécio Neves foi governador de Minas Gerais por duas vezes consecutivas e fez como seu sucessor o atual governador, Antonio Anastasia.

Com a saída de Andrea Neves do cargo no governo mineiro quem é que foi para a presidência do Servas? Vamos deixar o próprio presidenciável responder, o que ele fez de forma espontânea: "Ela deixou o posto para que a mulher do vice-governador Alberto Pinto Coelho pudesse assumir e ficar um ano no cargo". Este é o estilo de que estou falando.
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Por José Pires

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Se fazendo de coitado

José Genoino segue na sua política de tentar se fazer de coitadinho depois de condenado por corrupção ativa pelo STF. Agora lançaram um site de arrecadação de dinheiro para o pagamento da multa de R$ 667,5 mil imposta a ele no julgamento do mensalão. A alegação já é conhecida. Dizem até que o ex-deputado é um homem pobre. Seu advogado garante que seu único patrimônio é a casa onde ele mora em São Paulo. Mas ele tem também um salário de mais de 20 mil reais, não é mesmo? Pouquíssimos aposentados ganham isso no Brasil de hoje.

Pode até ser que Genoino de fato não tenha acumulado fortuna enquanto foi um dos maiorais do PT. Porém, considerando o projeto no qual ele estava envolvido, isso não é nenhuma qualidade. Ao contrário, tudo indica que ele vai passar para a História com a fama de trouxa. Seus companheiros estão todos muito bem de vida, a começar por Lula, que com certeza é um milionário. Mas, de qualquer forma, na atividade em que Genoino esteve a vida toda os ganhos não são apenas em espécie. Como político poderoso que foi nos últimos vinte anos Genoino teve boas compensações e até privilégios fora do alcance da maioria dos brasileiros, mesmo de pessoas em boa situação financeira.

O sistema sustenta os seus e disso Genoino sabe muito bem. Ele sempre foi um quadro partidário praticamente profissional, mesmo antes de entrar para o PT. É uma atividade que facilita o acesso a muita coisa pela qual quem está fora da direção de um partido tem que trabalhar bastante. O primeiro político do PT que teve uma estreita relação com o marqueteiro Duda Mendonça foi Genoíno. Bem lá atrás, muito antes de Duda comandar a campanha vitoriosa de Lula para presidente, o marqueteiro fazia as campanha de Genoino para deputado. E ele, que sempre foi um dos profissionais mais caros do mercado, fazia isso totalmente de graça. É claro que para Duda isso era um investimento. A partir desta cortesia ele buscava a aproximação com o partido que depois deu a ele muito dinheiro.

Desta forma, o sistema funcionava a favor de Genoino em razão da sua influência no partido. Numa época de muita dificuldade para um candidato de esquerda bancar uma campanha, ele tinha de graça o melhor marqueteiro da praça. Imaginem o impulso que isso não foi num início de carreira como deputado. Qual é o valor de algo assim? Mesmo sem correção monetária é bem mais, mas muito mais mesmo que os R$ 667,5 mil que ele tem que pagar para a Justiça.

Os exemplos que provam que Genoino vem faturando muito nesses anos todos dentro deste sistema poderiam se alongar bastante, mas vou fechar com mais um ótimo benefício monetário que veio muito fácil para este mensaleiro canastrão que tenta se fazer de vítima. Na última eleição ele não teve votos suficientes para ser deputado. Ficou na suplência. Pois logo conseguiu uma nomeação de assessor do Ministério de Defesa, quando acrescentou a seus rendimentos a quantia mensal de R$ 8.988. Só isso já é um salário que poucas pessoas qualificadas ganham no Brasil. Mas ele já tinha o salário de deputado aposentado, que é de R$ 20.300.

Alguém ainda acha que é pra ter pena do Genoino? Pois pra mim o que ele merece é desprezo por esta falta de dignidade na hora de arcar com suas responsabilidades.
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Por José Pires

Aval de qualidade

Como é bom saber que um escritor que admiramos muito tem, por seu lado, um grande respeito por um outro escritor que seguimos lendo há bastante tempo, depois de descobri-lo num passado já relativamente distante numa obra muito rara perdida entre centenas de livros num sebo. É do escritor gaúcho Alvaro Moreyra que estou falando. Dele, tenho sempre ao lado o livro "As amargas, não", uma obra em tom memorialístico que é uma das mais belas da nossa língua. Já tive dois ou três exemplares deste livro, que achei em diferentes cidades. O primeiro encantamento de quem se vê diante de um grande texto foi na década de 80.

"As amargas, não" foi escrito de forma fragmentada, alguns textos de umas poucas linhas e outros um pouco maiores, mas raros são os que passam de uma página. É com estilo personalíssimo e um humor sutil que ele conta sobre o que viu em vida. Lembra um diário. Ele vai escrevendo sobre acontecimentos e pessoas sempre com uma percepção bastante singular. É um artista completo, da mais fina capacidade de expressão. Álvaro Moreyra tinha aquele talento raro de saber acrescentar poesia a tudo que escrevia.

O escritor nasceu em Porto Alegre em 1888 e morreu em 12 de setembro de 1964, no Rio de Janeiro, onde passou a maior parte da sua vida, sendo de lá as lembranças deste livro tão bonito. "As amargas, não" é um daqueles livros que servem de impulso criativo quando a gente fica engastado num daqueles marasmos que atrapalham a escrita. Para que a cabeça recomece a funcionar basta dar uma lida nas linhas de Álvaro Moreyra. Elas correm tão soltas pelas páginas que ajudam a desembaralhar até o texto de um leitor empacado diante do que tem para fazer.

Mas o que liga o Álvaro Moreyra ao que eu disse no início deste texto é outro livro que abri há pouco, onde vi uma citação de seu nome que me havia passado desapercebida. É um livro de Carlos Drummond de Andrade também muito bom. É "O observador no escritório", uma seleção de textos extraídos do diário pessoal do poeta. Infelizmente é um trabalho pouco conhecido de Drummond, porque nele o poeta faz observações muito lúcidas sobre importantes acontecimentos brasileiros e figuras da nossa história política e literária. Então, bem lá no meio deste livro leio o seguinte: "Setembro, 15 — Enterro de Alvaro Moreyra, escritor que exerceu a mais profunda influência em minha juventude literária. Da influência nasceu a estima pessoal, uma espécie de adoração que certo incidente pareceu frustrar, mas que ressurgiu em forma de carinho, pelo resto da vida."

Tão bom quanto o contentamento de saber da admiração do grande poeta pelo escritor Alvaro Moreyra foi ter este aval tão precioso de alguém que sempre dominou as ferramentas do ofício de forma esplêndida. É a satisfação de ter acertado lá atrás, há mais de vinte anos, na avaliação pessoal que me fez pegar o "As amargas, não" e nunca mais largar.
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Por José Pires


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Imagem - Na capa de "As amargas, não", Álvaro Moreyra em uma caricatura do grande Alvarus, que é um dos amigos citados no livro.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013


Marketing de ocasião

Concepção de qualidade de vida quando é torta acaba dando até em marketing errado. A modelo Gisele Bündchen divulgou uma foto cuidando das unhas e cabelos enquanto amamenta o filho. Ela pensou estar fazendo algo muito bacana, de mulher extremamente ativa que não descuida dos cuidados com o filho. Deve também ter tido uma assessoria profissional na decisão de fazer e divulgar a foto. Mas sabe como é, todo mundo de bico torto pelo uso continuado do cachimbo, ainda que milionário. Por isso agora ela está sendo criticada pelo fato de não interromper o trabalho para dar atenção ao bebê.

E eu acho também que um ambiente com todos aqueles elementos químicos de produtos de beleza também não é muito bom para a saúde de uma criança de colo. Mas o bebê até que tem sorte, porque hoje em dia as mulheres estão presentes em todas as atividades profissionais. Seria pior para ele se, por exemplo, a mamãe fosse metalúrgica.
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Por José Pires

O logo da luta

Foi cerca de uma hora antes da luta entre Anderson Silva e Chris Weidman que escrevi o post abaixo. O confronto terminou no segundo round, com Silva quebrando a perna. O desfecho da disputa do título no UFC deu em CQD: como queríamos demonstrar. Anderson Silva quebrou a perna num golpe que deu para quebrar a perna do adversário. A razão dessa luta é basicamente esta: destruir o outro.

Anteontem os admiradores do lutador brasileiro haviam cunhado o expressivo slogan "Vai morrer!" para este tipo de luta, quando desejaram a morte do adversário. É o conceito exato do MMA. E logo depois a grande estrela do espetáculo acabou saindo do ringue com a perna quebrada. Os torcedores criaram o slogan da luta e em seguida veio a cena da perna se quebrando, que pode ser um trágico logotipo do MMA.

E o triste é que para uns poucos ganharem muito dinheiro o Brasil todo tem a atenção atraída para este tipo de coisa. Numa época em que a violência é um dos mais graves problemas brasileiros nós não precisávamos de espetáculos assim, tão marcados pela brutalidade. Ao contrário, o país deveria estar investindo sua energia em atividades mais saudáveis tanto para a saúde física quanto para a mental.
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Por José Pires


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Imagem - Anderson Silva quebra a própria perna na tentativa de quebrar a do adversário. Está criado o logotipo do MMA.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Luta conceituada

Nos últimos anos os brasileiros viram despontar para o primeiro plano as lutas de vale-tudo, ou MMA, o nome que foi determinado para atender ao interesse dos detentores da marca milionária. O MMA é de uma violência das mais brutais. O foco está na destruição do adversário. Quem entende do assunto já definiu esta troca de porradas como uma atividade a qual faltam técnicas definidas. Não há nem o domínio técnico do boxe. Um conhecedor inegável do tema já deu sua opinião determinante sobre isso. O campeão brasileiro Eder Jofre disse que "se [no MMA] fossem lutar na regra do boxe não aguentariam um minuto”. E o ex-boxeador disse isso muito tempo antes de Anderson Silva dar aquela bobeada e ir para o chão numa luta importante.

O MMA não é esporte, mas de uma hora pra outra já virou o centro da atenção do jornalismo e dos programas de esporte. Hoje esta luta talvez só tenha menos espaço na pauta do que o futebol. Com a Rede Globo dando tudo para fazer dela um sucesso, não teve como o MMA não saltar à frente. Encaixaram o assunto até em novela, com atriz global berrando de encantamento com as trocas de porrada. O interesse em ganhar dinheiro forçosamente fez o MMA virar uma mina de ouro no Brasil. É pesado o investimento publicitário, muita grana mesmo, com a indústria e o comércio dando este privilégio em detrimento de esportes muito mais importantes para a saúde física e mental, que no Brasil pouco recebem de incentivo na forma de publicidade.

O MMA está na crista da onda, mas faltava para esta luta um slogan com uma pegada forte. E digo "faltava" porque hoje na pesagem dos lutadores Anderson Silva e Chris Weidman os torcedores brasileiros que estavam no local gritaram para Weidman uma frase que sintetiza muito bem o MMA. Os fãs de Anderson Silva gritaram para o adversário várias vezes "vai morrer". Com isso, acharam o slogan ideal desta luta: "Vai morrer!". É o conceito perfeito do MMA e veio da própria torcida. Nem um publicitário dos mais bem pagos faria melhor.
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Por José Pires

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Impressões vistas de cima

A presidente Dilma Rousseff interrompeu suas férias para vistoriar áreas atingidas pelas chuvas em Minas Gerais. Já morreram 18 pessoas no estado em razão das chuvas. Na véspera do Natal a presidente já havia sobrevoado o Espírito Santo para observar danos causados também pelas chuvas. Quando ela passou de avião por cima da região afetada haviam morrido 14 pessoas. Hoje o número de mortos subiu para 21. Sobre o que viu no Espírito Santo, Dilma disse que foi 'impressionante".

Bem, eu usaria outra palavra. É lamentável o que acontece no Espírito Santo e também em Minas, mas a situação está mais para "previsível" do que "impressionante". Essas tragédias se repetem todos os anos, apenas mudando às vezes de lugar os acontecimentos mais trágicos. Porém estes desastres causados pelas chuvas já são parte da agenda nacional. É só chegar a estação das chuvas para que o brasileiro fique na espera das más notícias.

O brasileiro também reza para que não seja na sua região que apareçam as equipes de jornalistas para pegar essas notícias. E só resta mesmo ao brasileiro apelar para o socorro do mesmo céu que manda a chuva. A presidente Dilma se diz impressionada com o que viu, mas devia estar impressionada é com a incompetência de seu governo para evitar que aconteçam essas cenas todos os anos. Seu próprio governo já vai para o quarto ano e ela mesma já foi ministra poderosa nos outros dois mandatos de Lula, que a antecedeu na presidência da República.

O governo do PT não atua com prevenção e sequer dá atenção posterior ao problemas depois que a tragédia acontece. Várias regiões atingidas em anos anteriores por tragédias parecidas com as do Espírito Santo e Minas esperam até hoje pela ajuda prometida e pela obras necessárias para que a destruição de casas e as mortes não voltem a acontecer.

Nesses dias de tragédia a imprensa busca em seus arquivos estes temas e descobre que nada foi encaminhado na prática sobre as necessidades anteriores. O governo faz a maior propaganda política na hora do estrago, mas depois joga a questão numa gaveta qualquer. Assim vem sendo tocado este governo que só dá atenção aos problemas quando surgem os desastres e com eles a exigência de alguma resposta. É um governo que apenas sobrevoa o Brasil e por isso tem mesmo que achar tudo impressionante.
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Por José Pires

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013


O horror nosso de cada dia

Foi no mês passado que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, soltou aquela frase sobre as cadeias brasileiras, quando disse que "se fosse para cumprir muitos anos em alguma prisão nossa" ele "preferia morrer”. O ministro não falou isso em razão de nenhum estudo aprofundado da sua pasta sobre o sistema penitenciário brasileiro e nem foi a propósito de modificações de qualidade neste sistema. Nada disso. O desabafo veio como um lamento pela prisão de seus companheiros do PT, os mensaleiros condenados por corrupção pelo STF.

De lá pra cá não teve nenhum trabalho do ministério da Justiça para mudar o padrão medieval das cadeias brasileiras, até porque o ministro Cardozo continuou na defesa dos mensaleiros e também esteve ocupado em ataques políticos aos tucanos. As cadeias estão na mesma. O péssimo tratamento dado aos presos em nosso país é um daqueles horrores que já é visto como normalidade. É uma perversão praticamente oficializada e até é vista por muitos brasileiros como um castigo merecido para quem vai preso. Esta reação é uma óbvia confusão causada pelo terror da insegurança brasileira e quem pensa dessa forma nem se apercebe que além de ser uma desumanidade, tratar preso com crueldade e descaso não resolve o problema da segurança. Ao contrário, piora bastante.

Na oposição, os petistas aporrinhavam bastante com a situação violenta do país. E isso numa época que era até suave perto do que passamos hoje. Mas agora no poder o partido seguiu sua linha programática de esquecer o assunto. A insegurança dos brasileiros e a violência cotidiana só cresceu nos três mandatos seguidos do PT. Muitos são os dramas humanos causados pela violência, com famílias destruídas e o medo instalado até em cidades pequenas. Não deve existir ninguém hoje em dia que não tenha por perto uma história de horror. O medo obriga até a um toque de recolher oficioso em todo o Brasil. Tem que ter muita coragem para andar nas ruas brasileiras depois que o sol se põe.

O domínio do tráfico vai avançando e o das milícias paramilitares também. Nesta década de governo petista as drogas se espalharam por nossas cidades. Até o crack já é de uso comum. Uma pesquisa da Fundação Osvaldo Cruz mostra que nas capitais brasileiras cerca de 370 mil pessoas consomem regularmente esta perigosa droga. É um espanto a quantidade de mortes violentas. No ano passado a taxa de homicídios foi para 50 mil. E junto com este número veio outro espantoso: mais de 50 mil estupros.

Esta quantia escandalosa de estupros vem inclusive desmentir a retórica fraudulenta que trouxe a questão de gênero para a política, como se o fato de ser mulher desse ao dirigente público mais sensibilidade a determinados assuntos. É outra lorota de patifes da política. A presidente Dilma Rousseff ficou caladinha em relação ao número absurdo de estupros. A militância feminina de esquerda também não toca no assunto e muito menos cobra solução de seus companheiros no poder. A indignação seletiva não têm ouvidos nem para os gritos de socorro das mulheres brasileiras.
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Por José Pires

terça-feira, 24 de dezembro de 2013



sábado, 21 de dezembro de 2013


domingo, 8 de dezembro de 2013


sábado, 7 de dezembro de 2013

E essa agora: Lula era informante da ditadura, diz Tuma Júnior

A revista Veja sempre é esperada com ansiedade pelos petistas, mas a desta semana é mesmo de abalar. Ela vem com revelações espantosas feitas pelo delegado Romeu Tuma Júnior, ex-secretário Nacional de Justiça do governo Lula. Ele também é filho de Romeu Tuma, policial poderoso durante a ditadura militar e que chegou até a se eleger senador. Depois da ditadura, seu pai foi superintendente da Polícia Federal de São Paulo e também diretor-geral da PF, cargo em que permaneceu até 1992. Quando morreu em 2010, Romeu Tuma era senador pelo PTB, de São Paulo, atuando na base aliada do governo do PT. O pai de Tuma Júnior estava na chefia do Dops paulista, quando Lula foi preso como sindicalista em 1980.

Entre as acusações graves que faz na entrevista à Veja, Tuma Júnior diz que o então sindicalista Lula era informante da ditadura militar. Palavras do delegado: "Não considero uma acusação. Quero deixar isso bem claro. [...] 0 que conto no livro é o que vivi no Dops. Eu era investigador subordinado ao meu pai e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi o Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Presenciei tudo. {...} 0 Lula era informante do meu pai no Dops".

Na entrevista, o delegado diz também que quando ocupava a função de secretário Nacional de Justiça (foi exonerado em junho de 2010) sofreu pressão vinda de Brasília para divulgar dossiês apócrifos contra os tucanos. Quem o pressionou foi Tarso Genro, na época ministro da Justiça. Segundo ele, a Casa Civil também forçava a divulgação dos documentos falsos. A ministra era Dilma Rousseff.

Tuma Júnior conta ainda que militantes do PT estão envolvidos no assassinato do ex-prefeito Celso Daniel. "Aquilo foi um crime de encomenda. Não tenho nenhuma dúvida", diz ele, acrescentando que a intenção era apenas sequestrar o petista, que na época era coordenador da campanha de Lula para presidente, mas acabou acontecendo o homicídio.

O que sai na Veja desta semana já é suficiente para embrulhar o estômago dos petistas, porém isso não é tudo o que o delegado federal tem para contar. Ele já tem pronto o livro "Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado", que traz um longo depoimento dado ao jornalista Cláudio Tognolli. O livro deve ser lançado nos próximos dias. Outra informação antecipada é que além da espionagem feita em telefones e no computador de Gilmar Mendes, outros ministros do STF também sofreram espionagem de delegados da Polícia Federal.
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Por José Pires

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013


Um herói e toda uma luta

Louve-se a energia simbólica e a liderança de Nelson Mandela na luta pelos direitos da população negra na África do Sul e que se faça também a aclamação de sua presença carismática, que perdurou até a hora de sua morte e deve manter-se como uma consciência vital na história da África. Porém, para compreender a história é sempre bom manter os pés no chão e se desapegar de mitos. A queda do regime do apartheid na África do Sul não aconteceria se não fosse a pressão dos países ocidentais, iniciada a partir de 1973, quando a Assembléia Geral das Nações Unidas considerou o apartheid "crime contra a humanidade". O regime segregacionista caiu principalmente pelo bloqueio econômico decretado pelos Estados Unidos em 1986, que abalou a economia da África do Sul e forçou o governo racista a uma solução negociada que acabou por abolir o apartheid em 1994.

A eliminação daquele regime odioso não deve ser vista como resultado da força mágica de uma só figura, por mais importante que um indivíduo possa ser numa luta política e na história de um país. A movimentação mundial que ocorreu naquela época foi um dos grande eventos da história dos direitos humanos no mundo, que juntou na luta a comunidade internacional de uma forma muito rara no passado e infelizmente também pouco vista depois. A semelhança política do apartheid com o nazismo (que fora derrotado em 1945, também a partir da associação de várias nações) pode ter contribuído para que se juntassem países de diferentes sistemas políticos para acabar com o horror que era imposto aos negros da África do Sul em sua própria terra.

De início, o apartheid foi favorecido bastante pela dificuldade de comunicação naquela época, um tempo do telex e do telefone que funcionava com dificuldade. Na verdade, durante alguns anos do regime racista pouco se sabia do que acontecia na África do Sul. Porém, isso não impediu o empenho que se viu em todo o mundo quando apareceram as revelações sobre o horror. Jornalistas, intelectuais, cineastas e toda uma variedade de profissionais começaram a produzir materiais condenando o apartheid. Esta ação coletiva acabou criando o clima mundial que pressionou com rigor pela mudança do regime segregacionista.

A derrota do apartheid pode ter sim uma figura como Mandela lá no alto de sua significação, mas o movimento que levou a liberdade à África do Sul foi uma ação da comunidade internacional que mostrou a possibilidade das nações influírem de forma consequente no respeito aos direitos humanos. É sobre esta energia humana coletiva que precisamos meditar mais, porque ela é a prova de que o mundo pode ser melhor quando as pessoas são estimuladas a agir com boa vontade.
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Por José Pires

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013