quarta-feira, 4 de março de 2020

Olavo de Carvalho e seus discípulos bagunçam o casamento de Bolsonaro com Regina Duarte

Os seguidores de Olavo de Carvalho estão de novo com um arranca-rabo no governo Bolsonaro. A implicância agora é com Regina Duarte, depois dela demitir seis olavistas da Secretaria da Cultura. Um dos demitidos é Dante Mantovani, que ficou conhecido por dizer que o rock é um ritmo satânico que leva à droga e ao aborto.Os olavistas estão otimizando seus métodos: os ataques para derrubar a ex-atriz da Globo vieram antes dela assumir. Sua nomeação foi assinada nesta quarta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro, que lhe deu carta branca para demitir os discípulos de Olavo.

Indignados com as demissões, os olavistas agitaram o Twitter com um “Fora Regina”. A atriz virou comunista de uma hora pra outra. Nas redes sociais, andam dizendo que “Regina Duarte é um fantoche esquerdista dentro de um governo de direita”. Também a acusam de estar alinhada com a deputada comunista Jandira Feghali e Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Veloso e sua empresária. Regina também é acusada de colocar gente do deputado de extrema-esquerda Marcelo Freixo em sua equipe.

O mestre dos insatisfeitos já deu seu veredito no Twitter, dizendo que fez “cagada” ao aplaudir a indicação de Regina. Claro que também estão dizendo que as atitudes da nova ocupante da Secretaria de Cultura vai impedir a luta contra o “marxismo cultural”, seja lá o que seja isso, mas a verdade é que o alvoroço tem uma causa muito mais simples.

Sou muito mais novo que Olavo de Carvalho, mas também passei por outras épocas. No meu tempo isso tinha uma definição muita clara: é briga por boquinha. É isso que olavistas vêm fazendo, desde o início do governo Bolsonaro, metidos em briga por cargos desde a primeira balbúrdia provocada no Ministério da Educação, que levou à queda de Vélez Rodríguez, que virou ministro por indicação de Olavo. E o mais chato para os olavistas é que eles passaram mais de um ano brigando por boquinhas menores. Não se vê uma participação decisiva deles na criação de políticas públicas nas pastas que tentam aparelhar.

Mas alguém sabe o que Olavo de Carvalho e sua turma querem objetivamente? Fazem muito ruído, mas não conseguem estabelecer nada de prático no governo, sem alcançar também uma influência importante na sua organização política. Olavo de Carvalho fez um mea culpa grosseiro em um assunto localizado, ao lamentar o apoio à indicação de Regina Duarte, mas se for para falar de “cagada” o guru de Bolsonaro vem descuidando há muito tempo de suas obrigações.

Olavo não tem definida uma visão clara e objetiva sobre cultura e educação. Nos últimos anos desperdiçou em polêmicas de pouco proveito intelectual um tempo que na sua idade é cada vez mais escasso. Com isso, deixou de escrever e editar, de forma organizada e acessível, seu pensamento filosófico e político, com uma visão clara e abrangente, trazendo um conteúdo que fosse além da crítica ao que ele chama de marxismo cultural.

O que ele distribuiu a seus discípulos são lições de como atazanar o próximo, que servem no máximo para criar encrencas como esta, com Regina Duarte. Nem vou exigir de Olavo a criação de um sistema filosófico próprio, pois ele só pode ser chamado de filósofo em razão da generalização que permite dar essa definição a qualquer professor de filosofia. Mas se ele dispusesse de ideias mais amplas e objetivas sobre educação e cultura, isso poderia ter sido aproveitado para um projeto conservador com alguma qualidade intelectual. O que ele propõe é apenas ruído e é isso que vai ficar de seu legado.
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POR José Pires

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Ciro Gomes e Cid Gomes, irmãos da prepotência

Com o episódio da bizarra tentativa de mediação trabalhista feita por seu irmão Cid Gomes de cima de uma retroescavadeira, Ciro Gomes vem procurando entabular uma tese para amenizar o estrago causado pelo episódio. Como se sabe, Cid jogou um trator em cima de policiais acompanhados de filhos e esposas, até que foi parado por dois tiros no peito. Agora, Ciro culpa o presidente Jair Bolsonaro pelo acontecimento que teve seu irmão como protagonista ao volante de um trator.

No seu Twitter, Ciro se apresenta como pai de 4 filhos, avô, já foi deputado, prefeito, governador e ministro, porém mesmo com toda esta experiência ele se exime de dar um puxão de orelhas no irmão. Ele acha que Cid agiu corretamente. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, usou como justificativa para a estupidez até as palavras grosseiras de Bolsonaro em ataque a uma repórter do jornal. Para ele, quando “um canalha como o Bolsonaro faz a canalhice que faz com uma jornalista [Patrícia Campos Mello, da Folha] a indignação fica muito aflorada”.

Bem, muita gente não gostou da atitude de Bolsonaro, mas ninguém pensou em protestar jogando um trator sobre policiais. Como se viu, não é uma forma salutar de defesa da imprensa. Ciro vem tratando o assunto bem no seu estilo, buscando filosofar e ao mesmo tempo tentando impor uma imagem de rigor. Logo que seu irmão fez a besteira no Ceará, ele disse em um vídeo publicado nas redes sociais que a “única saída é a repressão” ao movimento dos policiais.

O político cearense não concorda que seu irmão tenha se exaltado durante a desastrada mediação. Ele disse que Cid queria “restaurar a ordem em Sobral”, aproveitando para alertar sobre o “fascismo”, que na sua opinião se instala no Brasil, avisando ao jornalista que “as primeiras vítimas do fascismo vão ser vocês”. E tem mais: ele afirmou que a situação de crise se deve “a um canalha que transformou a República brasileira em uma república de canalhas que se chama Jair Messias Bolsonaro”.

Ciro não consegue explicar como Bolsonaro pode ter responsabilidade na crise na segurança no Ceará, sendo que o clã político liderado por ele e o irmão está no poder no estado há pelo menos quatro décadas. Mas o candidato derrotado seguidamente em eleições presidenciais é desse jeito: nas suas divagações políticas reserva sempre um bom papel para ele — sempre dedicado, honesto e com a melhor solução para qualquer questão — e aponta sempre para um adversário — que pode ser Fernando Henrique Cardoso, Lula ou o Bolsonaro, como agora — impedindo maldosamente que ele, o grande Ciro, faça o melhor para o Brasil.

Já faz tempo que Ciro procura se encaixar no perfil de estadista-filósofo. Não é uma coisa nem outra e até agora o eleitor não foi besta de dar-lhe uma oportunidade de demonstrar, mas ele vai tentando, tecendo considerações sobre tudo e todos, de um ponto de vista em que julga com pretensa sabedoria qual é o melhor caminho para o país.

Claro que é muito difícil conduzir esta tese em apoio à mediação de conflitos com o negociador em cima de uma retroescavadeira. Ninguém vai engolir tamanho absurdo, ainda que seja incansável seu gogó, na sua incessante ambição pelo poder. Ciro logo perceberá que a retroescavadeira pilotada pelo seu irmão nos grotões dominados por sua família atingiu em cheio sua imagem nacional.
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POR José Pires

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Cid Gomes, o senador da retroescavadeira

A atitude do senador Cid Gomes investindo com um trator contra uma multidão de policiais em greve foi tão estúpida que o que define melhor seu feito é um meme do He Man, com um conselho útil para o irmão do Ciro Gomes e políticos da mesma arrogância dos chefes do clã cearense. “E no capítulo de hoje aprendemos que não é uma boa ideia partir pra cima de policiais com uma retroescavadeira”, foi o alerta deste sábio herói. Na direção do trator, Cid só parou de avançar sobre as pessoas depois de levar dois tiros.

Até aqui a imprensa vem tratando o caso com aquela dificuldade séria de narrar com exatidão os acontecimentos. Em vários sites diz-se que o senador foi atingido por tiros “quando tentava furar um bloqueio feito por policiais”. Bem, na verdade o tresloucado senador fez um pouco mais do que “tentar furar” um bloqueio. Cid arremeteu um trator contra uma manifestação de policiais que reivindicam aumento salarial.

Uma fala do senador, antes de avançar sobre a multidão, serve para demonstrar o grau da sua irresponsabilidade. Ele exigiu que os policiais deixassem o local. "Vocês têm cinco minutos pra pegarem os seus parentes, as suas esposas e seus filhos e sair daqui em paz. Cinco minutos. Nem um a mais", disse em um megafone. Como se viu depois, ele pretendia atropelar inclusive mulheres e crianças.

Uma pergunta inevitável é o que Cid Gomes representava no momento da sua estúpida façanha. Ele está licenciado do cargo, mas de qualquer modo não faria sentido um senador se intrometendo dessa forma em uma manifestação trabalhista. Pessoalmente, Cid não faz parte do governo nem responde pela área da segurança no Ceará. O governador do estado é Camilo Santana, do PT. O Brasil inteiro sabe muito bem como são esses dois irmãos, não só pela conhecida arrogância e prepotência de Ciro Gomes, como também pela grosseria de Cid, que já fez parte do governo Dilma. Mas será que o governador do PT é tão tutelado pelos Gomes que é obrigado a aceitar tamanha intromissão no governo?

O senador foi baleado, mas passa bem. Até já gravou vídeo da cama do hospital. Mas é óbvio que o episódio fere com gravidade a candidatura de seu irmão, Ciro Gomes, que repetidas vezes já tentou ser presidente da República. Essa tentativa do irmão atropelar uma multidão com uma retroescavadeira cola-se com certeza na imagem de Ciro, como mais um símbolo da prepotência da família de pavio curto.

Dá para imaginar como é o comportamento desses dois no Ceará, longe da atenção nacional, especialmente nas relações com pessoas mais humildes e fazendo política nos chamados grotões do interior do estado que dominam há décadas com a conhecida agressividade e falta de respeito. Ciro Gomes já teve sua eleição para presidente evitada por três vezes. Pois agora seu irmão deu mais um motivo para o eleitor impedir que esta doidice aconteça.
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POR José Pires

O papa Francisco cai no bico dos petistas

Corre pelas redes sociais uma informação de que o papa Francisco concedeu uma benção que inocenta Lula. Deram na notícia falsa até uma denominação em latim para a coisa, “benedictionem et innocentum”. Espalhado pela militância esquerdista, o fake news afirma que a bênção é “concedida apenas aos inocentes” e faz 800 anos que ninguém é agraciado por ela. Como se vê, é uma variação da cantilena de Lula, do “nunca antes na história deste país” para nunca antes na história da Igreja católica.

A notícia falsa já foi desmentida. O esclarecimento veio pelo Vatican News, portal de informações do Vaticano, que informou que esta bênção nem existe. Mas o que dizer de uma patifaria dessas? Ora, que o papa Francisco se prepare, pois com certeza mais falsidades aparecerão. Ao receber Lula no Vaticano, ele abriu espaço para uma longa pauta de mentiras. O próprio Lula vem dando sua versão desse encontro, aproveitando-se da surpreendente, digamos, boa vontade do papa.

Lula é condenado pela Justiça brasileira em três instâncias e já cumpriu pena. Responde também a outros processos e esteve à frente de dois governos, quando foram montados os esquemas de corrupção do mensalão e do petrolão, com uma roubalheira tão impressionante que no Brasil tirar dos cofres públicos menos de um milhão passou a ser mixaria.

Claro que, sabendo de tudo isso, o papa simplesmente deu um aceno para o uso de sua imagem em favor de um político que desgraçou o nosso país. Como eu disse, mais fake news virão por aí, pois como sempre Lula levou até seu fotógrafo particular para registrar o encontro com Francisco. Alguém duvida do uso disso em eleições? É capaz de aparecer até notícia afirmando que no encontro foi aberta ao condenado petista a porta do céu, como nos tempos de venda de indulgências papais.

O papa Francisco poderá até reclamar, mas não será possível alegar inocência, até porque sendo argentino ele deve ter uma vasta experiência com a mentirada que a esquerda costuma aprontar com a história de seu país.
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POR José Pires

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A economia doméstica de Paulo Guedes de voos para a Disneylândia

O governo de Jair Bolsonaro é composto de tanta gente grosseira, com tamanha quantidade de besteiras, que o resultado final acaba obrigando a uma comparação em que salva-se o menos pior, com o risco inclusive da exaltação de figuras que nem seriam notadas por qualquer qualidade pessoal caso sofressem uma avaliação fora do lamentável contexto desse governo. Como não dá para separar trigo em meio a tanto joio, aceita-se um joiozinho que não seja de todo miserável.

O próprio presidente Bolsonaro se esforça para desequilibrar o escore de qualidade moral, política e, vá lá, intelectual. O exagero leva as pessoas a descuidarem dos demais bestalhões, que seguem as ordens do chefe que o tempo todo fala tanta besteira que até deixou para trás aquele outro presidente muito grosseiro, que fazia citações elogiosas na primeira pessoa, alardeando que tudo o que era feito sob seu comando acontecia pela primeira vez na história deste país.

Ultimamente virou um hábito buscar nas falas de Bolsonaro ou nas suas medidas práticas a base de alguma estratégia. Sempre que dou de frente com alguém fazendo isso, me vem à cabeça uma frase de Emerson, naquela praticidade dos filósofos americanos, com ele dizendo o seguinte: “Analisando a história não convém sermos por demais profundos, pois muitas vezes as causas são extremamente simples”. Resumindo e atualizando a questão, agora de forma popular, não faz sentido buscar interpretações profundas em um governo de tão baixa qualidade, liderado por um sujeito desqualificado que fala e age meramente por impulso.

Não há estratégia alguma, nem mesmo no sentido espúrio dos objetivos políticos desse governo, onde todos querem meramente se dar bem na vida como nos tempos das rachadinhas em gabinetes do baixo clero. Ainda bem que eles são incompetentes. E o duro é que provavelmente será por esta falta de jeito que os brasileiros podem ser poupados das tremendas maldades planejadas para o Brasil. A depender de ações da oposição — igualmente de baixa qualificação em sua maioria — estaríamos irremediavelmente perdidos.

O governo se entrega pela língua, naquela incontrolável vaidade que todo idiota tem pelo que ele próprio fala. A desmoralização é tão grave que de vez em quando até o presidente Bolsonaro sente que a coisa foi longe demais. Nesta terça-feira os jornalistas o questionaram sobre as declarações do ministro Paulo Guedes, que andou falando coisas muito parecidas com a cantilena do ex-presidente Lula, que vivia dizendo que seu governo havia aberto aos mais pobres o paraíso do mercado de consumo. Os pobres já não viajam tanto de avião como no tempo de Lula. Agora estão botando ordem na casa. Com o dólar alto, as empregadas domésticas não vão mais para a Disney. O Guedes é quem disse.

Ao contrário do que costuma fazer, Bolsonaro não quis se alongar neste assunto. “Pergunta para quem falou isso. Eu respondo pelos meus atos”, ele respondeu e mais não disse, mas numa situação assim nem é preciso falar mais nada. Não deve ser fácil para ele ver aquele que acreditava ser um Posto Ipiranga falando besteira no estilo do padrinho da Dilma. E neste caso tenho que apoiá-lo na sua indignação. Pode ser interpretado até como traição, digamos, filosófica, um ministro de Bolsonaro ir até o repertório histórico de outro presidente para buscar idiotices que obteria com a maior facilidade dando uma passadinha no Palácio do Planalto.
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POR José Pires

Fernando Haddad e o modo petista de fazer as coisas

O ex-prefeito Fernando Haddad, que perdeu feio no segundo turno a eleição presidencial para Jair Bolsonaro, anda atarefado nos últimos tempos procurando ocupar espaço na mídia, tentando ao mesmo tempo manter uma posição destacada dentro do PT, pois o partido está num arranca-rabo entre suas lideranças, em conflito atiçado por Lula para manter-se sempre por cima entre seus companheiros.

Algum especialista deve ter alertado Haddad que sua imagem sofre de um problema muito sério, afetada pela confusão que costuma ocorrer no limite entre o pragmatismo e o sujeito parecer um banana. Para um petista isso pega muito mal, o que faz às vezes um ou outro capacho de Lula erguer o tom para provar aos companheiros que baixa a cabeça quando o chefão ordena, mas em seu peito não bate um coração tucano.

É o que vem ocorrendo com Haddad, que alterou bastante seu discurso, saindo do perfil do professor correto, compreensivo com o que os outros pensam, passando a descer a lenha em Jair Bolsonaro, inclusive com ataques pessoais. Não estou fazendo juízo de valor sobre o que ele anda falando do presidente, apenas pontuo a mudança do discurso.

>Haddad vem interpretando este novo papel nas redes sociais, dando violentas tuitadas no governo, buscando também encaixar frases agressivas em entrevistas, que trazem uma pauta bem definida de assuntos pelos quais ele acredita poder fortalecer este lado malvadeza que provavelmente algum marqueteiro o avisou que é absolutamente vital para que ele ganhe um realce dentro e fora de seu partido.

No sábado, o petista deu uma entrevista ao site UOL, com boas pancadas no ministro Paulo Guedes, em críticas que em boa parte subscrevo, afinal Guedes é um inimigo nosso em comum, sem que isso evidentemente faça de Haddad meu amigo, o que já está devidamente comprovado pelo que aconteceu no enfrentamento eleitoral entre ele e Bolsonaro, quando foi exigido pela honestidade e o bom senso que não se escolhesse nenhum.

Não vou entrar nas críticas que Haddad levantou, mas tenho que apontar uma expressão muito interessante, um lapso do discurso professoral do ex-prefeito que perdeu a reeleição em São Paulo no primeiro turno, em que ele sintetiza de forma magistral a posição política e administrativa dele e dos companheiros que o cercam. É um trecho de crítica à famosa fala do ministro Paulo Guedes, que tachou os funcionários públicos de “parasitas”. O petista diz que Guedes nunca fez nada de útil na vida, no que tem toda a razão, mas o que me chamou a atenção foi a expressão que usou. Haddad diz que Guedes “nunca pregou um parafuso”.

Achei perfeito. O partido de Haddad é exatamente isso na política, na economia e nas demais tarefas exigidas em um governo. O PT é um partido que prega parafusos.
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POR José Pires

domingo, 9 de fevereiro de 2020

A lição de cinema do documentário "Indústria americana".

Os documentários “Indústria americana” e “Democracia em vertigem” são duas obras que se enfrentam nesta noite de domingo na festa do Oscar, por isso cabe uma comparação entre os estilos muito diferentes de Steven Bognar e Julia Reichert, diretores do primeiro, e de Petra Costa, autora do documentário brasileiro, que os petistas já acolheram como queridinha do PT, na sua afoiteza prejudicando a imagem de independência que se pretendia para o filme. Petra é uma das figuras mimadas pela militância petista. Críticas ao filme são repudiadas com agressividade, como se o partido do Lula tivesse poder de veto sobre quem coloca em dúvida esta joça.

Na minha visão, “Democracia em vertigem” está encaixado em categoria errada no Oscar. É uma obra de ficção, pautada, dirigida e montada de forma tão manipuladora que dá até vergonha alheia. Os petistas nem escondem a torcida pelo seu sucesso, pois na visão deles seria um reforço e tanto para a narrativa falsa sobre a situação do Brasil que buscam emplacar internacionalmente. Já “Indústria americana” é um filme que não depende da sua sorte na premiação desta noite. Já tomou seu lugar na história do cinema e tem uma larga carreira pela frente. Steven Bognar e Julia Reichert criaram uma obra-prima, tecnicamente perfeita, tratando de um tema de extrema importância não só para os Estados Unidos, mas para o mundo todo.

O documentário americano parte da instalação de uma fábrica pela China em uma cidade no interior americano para debater de forma inteligente os graves problemas do capitalismo no Ocidente e a entrada da poderosa economia chinesa nos Estados Unidos, tentando impor um modelo de produção tremendamente explorador da mão de obra, com pesado arrocho nos salários e a quebra de direitos básicos dos trabalhadores, além do desrespeito ao meio ambiente e a eliminação de regras de segurança coletivas e individuais. É o comunismo, quem diria, buscando submeter trabalhadores a um domínio dos sonhos do conservadorismo americano.

O documentário trata do choque cultural entre trabalhadores chineses e americanos e da dificuldade da implantação da mentalidade chinesa, com seu modo comunista de produção que tromba até com regras muito simples do capitalismo, como o uso de de aparelhagem de proteção. Porém, ao contrário do que fez a brasileira Petra Costa ao tratar do choque político entre a oposição e o PT, os cineastas americanos não foram invasivos politicamente nem procuraram amoldar a realidade em nenhum sentido ideológico ou partidário. Os diretores americanos desenvolvem o assunto abrindo amplos espaços para a compreensão própria de cada espectador, respeitando a inteligência das pessoas, sem manipular o que filmaram e muito menos atuando com pauta política pré-determinada.

“Indústria americana” é o contrário de “Democracia em vertigem”, do ponto de vista técnico e da arte do documentário. E deixo claro que faço a comparação apenas porque os dois filmes estão neste domingo no Oscar. O filme de Petra Costa é de um nível de qualidade inferior demais ao documentário americano e não digo isso apenas pela mentirada que ele contém. É uma obra tecnicamente tão fraca que não consegue alcançar nem seu objetivo como propaganda política de um partido tomado por ladrões e liderado por um corrupto que já pegou até cadeia por seus crimes contra o país.

O filme dos americanos Steven Bognar e Julia Reichert merece ser visto e discutido com atenção, até pelo fato de que o Brasil também vem sofrendo a invasão do tirânico poder econômico da China, mas também porque o documentário estimula o debate de muita coisa importante no campo do trabalho, da política e da globalização que tomou conta de tudo. É um exemplo de inteligência artística e respeito pela capacidade de cada um pensar e tomar decisões por sua própria cabeça. O filme de Petra Costa também merece atenção, mas neste caso é porque representa absolutamente o contrário disso.
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POR José Pires

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Bolsonaro, um presidente que sempre dá pra trás

Mesmo em um governo de tamanhos disparates pega muito mal o encaminhamento que o presidente Jair Bolsonaro vem dando ao caso de Vicente Santini, secretário-executivo da Casa Civil que usou um avião da FAB para se deslocar para a Suíça e de lá para a Índia.

Santini havia sido demitido por Bolsonaro, no modo impulsivo de sempre, depois que o presidente soube do uso indevido do avião para a viagem ao exterior — a um custo de certa de 700 mil reais, o que mostra que neste governo nem gastos de grande dimensão chegam ao conhecimento do gabinete do presidente antes da autorização.

O voador abusado da FAB era o número dois do ministro Onyx Lorenzoni. Estava como ministro interino da Casa Civil, organismo que existe exatamente para evitar coisas como o abuso escandaloso, o que demonstra a bagunça do governo Bolsonaro.

O número dois da Casa Civil foi demitido por Bolsonaro publicamente no dia 28 de janeiro e recontratado às escondidas 24 horas depois como assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil, com quase o mesmo salário, próximo de 17 mil reais. Tudo isso saiu no Diário Oficial. Com o efeito altamente negativo da decisão — que envolveu até a suspeita de que Santini teria sido readmitido a pedido do filho Carluxo —, Bolsonaro resolveu demiti-lo mais uma vez nesta quinta-feira.

Bolsonaro tem mesmo um modo inédito de governar. Como costumava dizer aquele ex-presidente corrupto, “nunca antes na história deste país”. E não deixa de ser revolucionário: com a demissão seguida da readmissão e agora novamente demitindo o voador da FAB, foi implantado no governo federal o recuo do recuo.
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POR José Pires


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Imagem- O presidente Jair Bolsonaro com o ex-secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini, antes da desatinada
viagem com o avião da FAB; Foto Alan Santos, PR

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

O bolivarianismo complica o governo do Partido Socialista na Espanha

A crise venezuelana aterrissou na Espanha, atingindo com impacto o governo do socialista Pedro Sánchez, recém-conduzido à presidência do governo espanhol. A complicação se deve a uma estranha passagem pela Espanha na semana passada de Delcy Rodríguez, vice-presidente do ditador Nicolás Maduro. Seu avião privado desceu em Madri, em escala técnica de viagem até Istambul, na Turquia, contrariando sanção imposta pela União Européia (UE) contra o governo de Maduro. O problema maior para os socialistas foi um encontro no próprio avião entre a vice de Maduro e o ministro de Transportes, José Luis Ábalos. Segundo o governo espanhol, o ministro foi para alertar a dirigente venezuelana de que a venezuelana não poderia tocar o solo espanhol, sob o risco de ser presa.

Delcy Rodríguez está entre 25 personalidades venezuelanas proibidas de viajar a qualquer país membro da UE. Devem ser presos se pisarem o solo europeu. Naturalmente, a oposição reagiu ao encontro de um dos ministros mais influentes do governo Sánchez com a vice-presidente venezuelana, argumentando que bastaria um aviso da torre do aeroporto. As sanções da UE obrigavam a Espanha a impedir o trânsito da vice-presidente venezuelana. O governo esquerdista espanhol vem sendo cobrado por ter aceitado a visita inoportuna. Cabe apontar que certamente a atitude do governo Sánchez seria diferente com a visita incômoda da autoridade de uma ditadura de direita.

Lembro também que foi por ordem de um juiz espanhol, Baltasar Garzón, que o ditador Augusto Pinochet foi preso em 1998 na Inglaterra, depois de ter tomado um chá com ex-primeira-ministra inglesa Margareth Thatcher. Sua prisão marcou de tal forma a jurisprudência internacional em relação a governantes criminosos que obrigou Fidel Castro a tomar mais cuidado com suas viagens ao exterior. Depois disso, o ditador cubano não saiu mais da ilha sob seu poder.

O governo espanhol poderia ter dado seguimento à regra, fazendo a prisão da companheira de governo do criminoso Maduro. Acontece que o Partido Socialista de Sánchez sofre a influência de poderosos membros com forte ligação com o governo bolivarianista da Venezuela. São laços suspeitos, que parecem ser de contas a pagar, obrigações que não seriam apenas ideológicas. É muito parecido com as suspeitas que caem sobre o ex-presidente Lula e seu partido, na incondicional submissão dos petistas ao regime instalado por Hugo Chávez na Venezuela e também à ditadura cubana. No caso espanhol, alguns opositores falam de um possível financiamento dos socialistas espanhóis pela narcoditadura de Caracas.

Independente disso ser ou não verdadeiro, razões muito especiais impediram o presidente Sánchez de recusar a se encontrar em Madri com o opositor venezuelano e presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó. Em viagem a Davos para o Fórum Econômico Mundial, Guaidó foi recebido em Paris pelo presidente francês, Emmanuel Macron e pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em Londres. Em Madri, Guaidó se encontrou neste sábado com a ministra das Relações Exteriores, Arancha González Laya. A reunião foi na instituição da Casa da América, mas não na sede do ministério, como manda o protocolo.

O presidente espanhol justificou a indelicadeza como sendo para preservar a Espanha como intermediadora na crise venezuelana. A oposição o acusa de não definir seu lado em relação a uma ditadura.

O posicionamento em favorecimento ao governo de Nicolás Maduro criou um racha importante no Partido Socialista, opondo duas figuras históricas do partido, os ex-presidentes José Luis Rodríguez Zapatero e Felipe González. Zapatero acha que Sánchez acertou em não receber Guaidó, no entanto este ex-governante espanhol é antigo parceiro da ditadura bolivarianista, desde quando Hugo Sánchez estava vivo. Já González, afirmou que Guaidó teria de ser recebido pelo presidente da Espanha, ressaltando sua posição dizendo que ele é “o único representante legitimado democraticamente” e definindo o atual governo venezuelano como “tirania de Maduro”.

A visitinha da vice de Maduro teve um peso negativo alto para o governo Sánchez, que voltou ao poder no início deste ano em eleição parlamentar com a diferença de apenas dois votos, em um governo de coalizão com o ultraesquerdista Unidas Podemos. A eleição teve a oposição fortalecida, inclusive com o sucesso eleitoral de uma direita mais radical. Para voltar ao poder, Sánchez teve também que fazer acordo com a esquerda separatista da Catalunha, garantindo a vitória com a abstenção de 13 deputados da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC). Isso coloca o Partido Socialista como alvo fácil da oposição, que procura se posicionar no papel da defesa da unidade da Espanha e marcar a esquerda como anticonstitucional e divisionista.
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POR José Pires

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Imagem- O presidente espanhol Pedro Sánchez, em pose com outro criminoso latino-americano, durante visita em
fevereiro de 2015 ao ex-presidente Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. A foto é do
fotógrafo particular do petista, Ricardo Stuckert

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

O noivado de Regina Duarte e Bolsonaro com problema nas contas


Regina Duarte andou fazendo estágio nos últimos dias na Secretaria de Cultura do governo Bolsonaro, porque precisava saber como se dão as ações no âmbito da cultura nacional, mas apareceram complicações que mostram que também no papel de empresárias a atriz tem dificuldade na relação com os negócios da pasta.

Em 2018 ela teve reprovada pelo Ministério da Cultura as contas de um projeto, pelo qual captou 321 mil reais. A notícia é da revista Veja. Para não ter que devolver o dinheiro, a atriz entrou com recurso. Claro que este fato não demonstra desonestidade, mas com certeza revela uma inabilidade administrativa incompatível para alguém cotada o comando do órgão de governo. O interessante é que além de não conhecer o funcionamento da secretaria de governo, Regina Duarte não sabe também como é a coisa por fora.

Esse problema com as contas é mais que uma água fria na tão festejada entrada no governo Bolsonaro. Outro fato que chama a atenção nesta embaraçosa situação é que a nomeação da atriz tem como padrinho de destaque o general Luiz Eduardo Ramos, chefe da Secretaria de Governo. Segundo o site O Antagonista, foi com ele que Regina Duarte mais se aconselhou antes de aceitar o convite de Jair Bolsonaro.

Acontece que uma função de Ramos é exatamente a de evitar a explosão de bombas desse tipo, algo até muito fácil neste caso. Bastava ter conferido o histórico do relacionamento comercial da atriz com o governo federal, algo que pode até parecer obrigatório em nomeações oficiais, mas pelo jeito não é feito no governo Bolsonaro. Mas até dá para entender, afinal este raciocínio só faz sentido em lugares onde não batem a porta na cara da lógica o tempo todo.
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POR José Pires

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Imagem- O capitão e o general tietando a atriz Regina Duarte, em foto que eles
mesmo distribuíram pelas redes sociais

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

A militância esquerdista e o concurso sem rock

Então, como é muito difícil encontrar defeitos no governo Bolsonaro — que é de uma qualidade “imprecionante”, como diria o ministro Weintraub —, a militância de esquerda andou espalhando que a Funarte publicou um edital de concurso de bandas que proíbe a inscrição de bandas de rock. A turma do nenhum direito a menos saiu gritando que isso é um escândalo.

Mas já ficou explicado que esta regra, anterior ao governo Bolsonaro, está lá porque o concurso é destinado a grupos como bandas municipais, sinfônicas, filarmônicas ou de concerto e também para orquestras de sopro e outras categorias. Não dá para entrar banda de rock, como também não podem disputar grupos de MPB.

Alguém deve ter colocado este aviso explícito no edital para evitar que algum roqueiro de mente esfumaçada inscreva sua banda para competir com a Banda Municipal de Santo Antonio do Pé da Serra ou a Sinfônica de São Tomé do Riacho Fundo, entre outras. Ficou tudo esclarecido, mas é enorme a quantidade de militante fingindo de morto nas redes sociais depois de postar a notícia idiota sobre a proibição do rock.
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POR José Pires

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Imagem- A ilustração é um detalhe da capa da revista Zap Comics,
de 1974, do grande Robert Crumb

Regina Duarte e Bolsonaro: um noivado que pode dar em mau casamento

Para que Regina Duarte tenha uma boa atuação na combalida Secretaria da Cultura o presidente Jair Bolsonaro teria de mudar completamente sua atitude frente ao conjunto dos profissionais do setor em todo o país, na sua quase totalidade com sentimentos opostos ao que pretende este governo. Não estou fazendo juízo de valor de um lado nem do outro, apenas situando uma dificuldade séria de relacionamento deste governo com o que se passa atualmente na cultura no Brasil.

Para mim é muito claro que não basta colocar no cargo uma pessoa amistosa para que se resolva esse dilema político, muito mais profundo do que pode aparentar. Toca em questões de doutrina, visão de mundo, nas relações familiares e de comportamento. É exatamente por aí que veio um dos impulsos mais determinantes para o sucesso eleitoral de Bolsonaro. É óbvio que não é fazendo vídeo com discurso de Joseph Goebbels que vai-se encontrar a tônica cultural do governo, mas isso também não virá de uma troca de amabilidades com um setor tomado quase todo por um espírito contrário ao que Bolsonaro representa.

Bolsonaro parece ter dificuldade de raciocinar como adulto, mas nós podemos fazer isso: se houver um fortalecimento da cultura que aí está o que sobrará desse governo? Bolsonaro vai se estrepar quando tentar a reeleição e não deixará nenhum legado cultural, o que é mortal na política.

Se Regina Duarte for mesmo tão amável como ficou marcado em sua imagem, então Bolsonaro fez uma péssima escolha para o cargo. Num governo como este a questão cultural não pode ser um mero apêndice e muito menos pode ser tocada ao sabor dos rumos definidos pelos que trabalham na área da arte e da cultura, com pesada influência em todos os meios de comunicação. É preciso personalidade forte e amplo conhecimento do meio, não só do ponto de vista cultural como também administrativo, com o controle sobre o que corre por todo o território nacional.

Será que é preciso ressaltar que minha análise nada tem a ver com torcer ou não para que este governo dê certo, do mesmo modo que não procuro me contrapor aqui aos rumos da cultura brasileira? Do jeito que rola o desentendimento e a dificuldade de interpretação de texto, creio que cabe o aviso.

Com todo o respeito por Regina Duarte, ela parece não ter essas qualidades que apontei como necessárias para o cargo. Já com mais de um ano de mandato de Bolsonaro, em uma situação em que, no geral, quase tudo anda atrasado neste governo — de forma “imprecionante”, como diria o ministro Weintraub —, vimos ela passar os últimos dias feito uma estagiária, procurando saber como é o funcionamento da pasta. Nesta situação quais serão os fundamentos de quem vem afirmando que Bolsonaro acertou na escolha e que a atriz vai dar conta do trabalho de focar o trabalho da Secretaria da Cultura em termos mais eficientes do que a pauleira e incompetência que houve até agora?

Saberemos do desfecho quando finalmente a atriz tomar uma decisão, já que vem mostrando ser bastante enrolada, prolongando um “noivado” que tem pela frente muita coisa para ser feita. De qualquer forma, será com rapidez que o país terá notícias do casamento, pois tanto do lado dos bolsonaristas quanto de quem faz cultura no país essas coisas são resolvidas de pronto, com muita confusão e desacertos. E Regina Duarte que se cuide, pois Bolsonaro costuma abandonar a noiva assim que as coisas se complicam.
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POR José Pires

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Imagem- Regina Duarte em "Véu de noiva", novela da TV Globo, de 1969, quando a atriz
começou sua carreira de "namoradinha do Brasil"

Marcelo D2 versus Arthur do Val: o debate político brasileiro no nível de briga de rua

Já faz algum tempo que o debate político brasileiro chegou em um nível do cospe-aqui-quem-for-mais-homem, até com cuspidas literais, como já aconteceu com o ex-deputado Jean Willys e o ator José de Abreu, notórios militantes cuspidores, mas agora pode ser que as desavenças afinal cheguem literalmente à fase das porradas. Vai depender do rapper Marcelo D2 ter a coragem de tentar fazer o que propôs em uma tuitada bravateira que teve resposta à altura do deputado estadual Arthur do Val, também conhecido como Mamãe Falei.

Marcelo D2 correu para o Twitter depois do lamentável vídeo do ex-secretário da Cultura de Bolsonaro citando o nazista Joseph Goebbels e postou uma mensagem dizendo que “tinha que fazer uma suástica” na testa de quem é da “direita liberal”. O cantor ainda destacou que a suástica tem que ser feita à faca. Arthur do Val reagiu com um desafio. ““Eu sou direita liberal. Vem cá fazer na minha”, escreveu no Twitter.

Bem, desse modo abre-se uma oportunidade de Marcelo D2 provar que não é apenas um “machão do Twitter”, como também foi chamado por Arthur do Val. De fato, o cantor faz parte das hordas de bravateiros que ocupam as redes, incomodando os debates com uma valentia que sabem que não será posta à prova. São os “antifascistas” que não correm risco algum de encontrar pela frente na rua algum grupo de fascista pronto para descer o cacete em esquerdista.

É claro que este ambiente democrático faz crescer a ousadia entre os esquerdistas, a começar pelo chefão e ídolo condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Lula, que logo que saiu da cadeia disse que no Brasil deveria ser repetido o que vinha acontecendo nas ruas do Chile, tomadas pela violência e o vandalismo. Alguém devia ter-lhe dado um coquetel molotov, para que desse início ao que propôs.

É claro que não sou favorável a resolver divergências políticas por meio de violência física, mas não deixa de ser interessante a situação criada pela reação do deputado paulista à bravata do cantor. Marcelo D2 se animou com a tropa de militares americanos do filme de Quentin Tarantino, que caçam nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, fazendo uma suástica na testa de seus prisioneiros. Mas uma coisa é delirar com a violência estilizada de um explorador dos desejos maléficos da plateia, como Tarantino. Bem diferente é fazer o mesmo com uma faca na testa de alguém, na vida real.

Marcelo D2 encontrou a oportunidade de realizar o que escreveu na mensagem nas redes sociais, uma tremenda idiotice que, ressalte-se, não é a única de sua lavra. Ele é reincidente na linguagem violenta muito comum nas redes sociais. Mas é claro que o cantor pode também voltar atrás, confessando que cometeu um grave erro, talvez até passando a se comportar com mais respeito e responsabilidade na hora de escrever no Twitter ou em qualquer outro lugar.

Seria uma atitude sensata, de melhor proveito para o debate político, numa mudança de comportamento que, aliás, deveria ser seguida por muita gente que atrapalha bastante a convivência democrática, ameaçando os outros o tempo todo com aquilo que não vai fazer de jeito nenhum.
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POR José Pires

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Bolsonaro se rende à garantia da impunidade

Neste período de festas a hastagh “BolsonaroTraidor” foi às alturas e a verdade doeu para o próprio presidente Jair Bolsonaro, que foi para as redes sociais queixar-se do descrédito geral quando completa um ano de governo. Bolsonaro sancionou mudanças no Código de Processo Penal, o chamado “projeto anticrime” votado na Câmara, repleto dos chamados “jabutis”, as emendas traiçoeiras que parlamentares costumam encaixar em projetos que tramitam por lá. Foi seu presente de Natal para os que ainda acreditavam que ele é contra a corrupção. A lei chegou às mãos de Bolsonaro com emendas que favorecem corruptos e outros bandidos. E o presidente sancionou as piores, mantendo até o juiz de garantias, causando uma revolta entre o que sobrou de seus seguidores.

Não faltaram avisos sobre a necessidade de vetos, com um alerta direto do ministro Sérgio Moro. A emenda do deputado Marcelo Freixo é um despropósito que deve criar problemas sérios até na sua aplicação. A proposta é tão furada que o próprio Bolsonaro, com aquele seu jeitão de deputado do baixo clero, já colocou em dúvida em um vídeo nas redes sociais se ela poderá de fato entrar em vigor. Da parte do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, seu encaixe no projeto anticrime parece ir um pouco além dos costumeiros agrados na parcela poderosa de políticos interessados em desmontar o rigor que a Lava Jato implantou contra os corruptos no Brasil. Ele quis comprometer negativamente Bolsonaro. E conseguiu.

Este é apenas um problema do safado pacote. Entre outros “jabutis”, as mudanças aprovadas pelo Congresso vão dificultar até decretação de prisões preventivas. Como eu disse, Bolsonaro foi avisado pelo ministro Moro, mas assinou a lei sem os vetos necessários. O juiz de garantias serve como peça simbólica do desastre, como uma complicação séria para a popularidade de Bolsonaro, pelo impacto negativo em uma bandeira essencial na sua imagem política.

Mesmo que não seja armação de Maia, o que está muito claro é que ele deixou tudo ir à frente como forma de pressão sobre  o presidente da República. E Bolsonaro deu aval a uma bomba. O juiz de garantias dificulta o enfrentamento de crimes, indo ao encontro do interesse corruptivo de parcela influente parcela de políticos. A medida tem também dificuldades práticas e orçamentárias, inclusive para governos estaduais, além de ter vício de iniciativa: teria de ser proposta pelo Judiciário. Não teria como Rodrigo Maia não saber das incongruências, pois o projeto esteve na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde foi definido como inconstitucional.

A presidente da CCJ, senadora Simone Tebet, disse que o veto a este item no pacote havia sido acertado com o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), mas, ora, atualmente Bezerra está mais preocupado em evitar ir para a cadeia por corrupção do que desenvolver leis eficientes contra o crime. Em setembro, a Polícia Federal fez buscas no Congresso, com mandado de busca e apreensão no gabinete do senador e também no do seu filho, o deputado Fernando Bezerra Filho (DEM-PE). Mesmo com tudo isso, Bezerra foi mantido por Bolsonaro na líderança de seu governo. Para ter dúvida sobre a posição de Bolsonaro no enfrentamento da corrupção, só se o sujeito for muito mal informado, diria um idiota político consumado, ou tiver comprometimento com malfeitos graves.

O juiz de garantias é apenas um símbolo da derrocada de Bolsonaro em conceitos fundamentais para seu prestígio político, que vem sendo corroído rapidamente desde sua posse como presidente e agora ficou totalmente abalado até entre eleitores remanescentes na crença do mito. Não são isolados os gritos de traidor, com o presidente de perfil direitista sendo acusado nos meios que foram a sustentação da onda eleitoral que o levou até o Palácio do Planalto.

Um ponto que deixa muito bem marcado o nível dessas complicações políticas são os elogios efusivos a Bolsonaro vindos do deputado Marcelo Freixo, que tem sido um parlamentar de intensa atuação a favor da impunidade, trabalhando ativamente para amenizar o rigor da lei não só contra o crime do colarinho branco, como também para o narcotráfico, estupradores, assaltantes e ladrões.

Neste pacote, Freixo está dando todo apoio a Bolsonaro, até porque é do deputado esquerdista um importante jabuti da impunidade. Pode-se dizer que são elogios em que os extremos se encontram no estimulo à corrupção, Bolsonaro fazendo gesto de arminha na extrema-direita e Freixo com o cinismo da extrema-esquerda, atuando pela impunidade e vestido com camiseta exigindo punição aos matadores da sua companheira de partido.
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POR José Pires

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Abraham Weintraub: mais um ministro no tiroteio olavista das redes sociais

A deputada Carla Zambelli convidou Abraham Weintraub para ser padrinho de seu casamento, porém na cerimônia, em fevereiro, ela poderá um ex-ministro como padrinho. Weintraub saiu de férias e pouca gente acredita na sua permanência no ministério da Educação. E mesmo quem aposta nele vai ter dificuldade em apontar onde está sua sustentação.

É geral o descontentamento com o ministro. Ele não criou empatia com a classe política e tampouco conseguiu apoiamento no meio universitário, onde conforme seu repetido discurso de alto teor ideológico, haveria um ferrenho domínio comunista imposto pelo aparelhamento petista da Educação. Pelo jeito, faltou habilidade a Weintraub para cooptar dissidentes deste Gulag liberto e atrair a colaboração dos setores conservadores, entre professores e servidores.

Mas é mesmo muito complicado o relacionamento com Weintraub. O sujeito é tão autoritário que até acredita nisso como um eficiente conceito de gestão. É de se ver seu orgulho em entrevistas a jornalistas, quando diz que com ele as coisas acontecem ou o responsável pela falta de solução é imediatamente demitido. Weintraub exibe com contentamento essa forma de agir em uma das pastas mais complexas do Governo Federal e que, conforme suas próprias denúncias verbais, ele pegou totalmente arruinada.

Deve ser difícil até puxar o saco desse ministro, pois ele mesmo se incumbe dos elogios à sua magnífica capacidade. Com a mesma falta de amparo técnico das suas críticas ou dessa sua absurda tese da pressão contínua e da ameaça do desemprego como estímulo à produtividade, ele afirma que fez uma “revolução” no ministério, o que em tão pouco tempo não seria possível nem para um gênio político e administrativo, mesmo sem levar em conta o alegado cenário de ruínas. Ele nem percebe que com essa lorota desmente a exposição da desastrosa condição deixada por administrações anteriores.

Weintraub é ineficaz até na propaganda de suas supostas qualidades. A carrada de autoelogios não tem referência em informações verificáveis do seu trabalho. É um revolucionário que não apresentou até agora nenhuma vitória em alguma batalha de peso. A precariedade de realizações fica muito clara quando ele se gaba da realização do Enem, como se isso fosse um grande êxito.

Se fosse ministro da Saúde é provável que de forma parecida citaria como uma grande façanha a realização do Calendário Nacional de Vacinação. Mesmo jornalistas favoráveis ao governo ouvem esse tipo de coisa com constrangimento, mas o ministro não se toca. Weintraub é o tipo de sujeito que se encanta com suas próprias palavras, de modo que os elogios à sua própria performance estimulam o andamento acelerado do discurso vazio.

O ministro tem dificuldade de se entender até com o que sobrou da base partidária do governo, no esfacelado PSL. Aparentemente, Weintraub não se apercebe de mudanças determinantes na realidade política, em razão da sua própria posição atual e do reposicionamento que atinge até o partido que elegeu Bolsonaro. E olhem que existem condições práticas muito óbvias, como sua presença na Câmara não mais por convite, mas agora pela obrigatória convocação. Falta-lhe também a lembrança que chegou a ser conduzido de mãos dadas até a mesa pela então amiga de Bolsonaro, deputada Joice Hassellmann, que no último depoimento não estava nem na sua defesa entre os parlamentares.

É tamanha a falta de percepção que sem dúvida também será difícil para Weintraub compreender que não se espera dele o sucesso de um lacrador de redes sociais, muito menos no diálogo sempre difícil com uma oposição que atua em comissões ou audiências públicas sempre para estabelecer um clima de constrangimento e confusão, tarefa a que se dedicam com histeria impressionante, obtendo um sucesso estupendo e até muito fácil com a natural irritabilidade do ministro da Educação.

Passadas suas férias, pode até ser que Weintraub suba ao menos uma vez a rampa do Palácio do Planalto até a sala de Bolsonaro, mas os indicativos são de que deve descer quase de imediato. É impossível detectar apoio ao ministro em qualquer setor relacionado ao seu trabalho, tendo surgido ainda entre a boataria de sua demissão a conversa de que ele já está sendo fritado pela equipe da Economia e a área militar do governo. Pior ainda, não há engajamento a favor dele nem entre a chamada corrente ideológica governista.

Até mesmo no meio olavista, que é de onde ele veio, existe um desentendimento sobre o apoio a Weintraub, tendo o próprio Olavo de Carvalho simplesmente lavando as mãos sobre o assunto, que ele chama de "Caso Weintraub", em um vídeo postado nas suas redes sociais. Uma ala influente do olavismo já cai de pau em cima do ministro e o adorado guru da Virgínia evitou dar qualquer apoio pessoal, mantendo o clima de críticas, como sempre muito pesadas. Como se vê, Weintraub só conseguiu convencer ele mesmo de que é o homem mais que certo no lugar certo.
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POR José Pires


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Imagem- Weintraub desce a rampa do Palácio do Planalto com o chefe,
em foto de Fabio Rodrigues Pozzebom, da Agência Brasil