terça-feira, 14 de abril de 2020

O Brasil relaxando com o alerta ao novo coronavírus

A população brasileira começa a relaxar no isolamento social, antes da avaliação do resultado do que foi feito até agora e de qualquer planejamento para o abandono gradativo da quarentena, evidentemente se fosse esta a decisão viesse a partir de uma avaliação criteriosa feita por especialistas.

Pior ainda, este relaxamento começa a ocorrer exatamente quando todos que de fato conhecem o processo de uma epidemia dizem que a previsão para o Brasil é de que os próximos dias serão muito difíceis, com a possibilidade de um agravamento no contágio e no número de mortes. Depois de tanto empenho até agora, este abandono é até uma tolice — equivaleria a morrer na praia, sem querer fazer trocadilho.

Fiquemos com a opinião de quem conhece o assunto, um deles no comando do combate ao coronavírus no Brasil. Em entrevista ao site UOL, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi muito claro: a normalidade só deve voltar em agosto ou setembro. E o médico Jean Gorinchteyn, do Instituto Emílio Ribas, avisa que “a progressão da doença deve assumir um platô no mês de junho”. No entanto, ele esclarece que para isso acontecer não se deve “abrir as portas”, expressão dele, muito boa para alertar que não se deve relaxar a quarentena, que é exatamente o que vem acontecendo.

Gorinchteyn, que é médico infectologista e professor, é absolutamente claro sobre a conseqüência com essas portas se abrindo em todo o país para o vírus: “neste caso muita gente ficaria doente e muita gente morreria nos próximos dois meses”.

Há cerca de duas semanas eu já havia lido em vários lugares que as pessoas começavam a sair às ruas, encarando a quarentena como se fosse um período forçado de férias. Vi em páginas de Facebook o relato sobre grupos em praças, na praia, idosos reunidos para bater papo ou em volta de uma mesa com esses jogos que os mais velhos gostam.

Também andei observando nos últimos dias este relaxamento, que agora se amplia perigosamente. Eu mesmo, saindo estritamente para necessidades, tive que me proteger de perdigotos de pessoas pouco precavidas, de gente passando correndo ao meu lado em exercícios físicos e de desconhecidos que não respeitam a distância cautelar.

Claro que esta quebra prematura da quarentena vem sendo estimulada por comerciantes, industriais e a construção civil, sempre levados pelos dirigentes políticos desses setores, lideranças que no geral permanecem há décadas em um estágio pré-capitalista, de modo que não seria agora que agiriam com sensatez, embora seja espantosa esse abandono da precaução em meio à mortandade de uma pandemia que assola o mundo, desgraçando até países mais poderosos economicamente que o nosso, como Espanha, França, Itália ou mesmo os Estados Unidos, cujas populações sofrem exatamente por terem menosprezado a prevenção do isolamento, como começa a ser feito por aqui.

Fala-se demais no efeito negativo da quarentena na economia, sendo trágico como se perde com isso a oportunidade de debater o estrago da própria doença, que será muito pesado nos próprios custos médicos, com os gastos em saúde, pensões, na perda de mão de obra qualificada e tantos outros problemas econômicos centrados na própria ação do vírus e não no efeito econômico dos procedimentos para conter a contaminação.

Sou da opinião de que tenta-se impor a discussão do assunto errado, fugindo-se do objeto para a conseqüência, com uma pauta que atravessa o sentido da melhor condução para enfrentar o contágio e as mortes pelos vírus e os danos na vida do país, mas isso não é incomum em nosso país e tampouco se desenvolve pela boa-fé.

Este erro colossal do abandono da quarentena é movimentado por interesses de uma minoria que detém muito poder e dinheiro, vivendo neste estágio pré-capitalista de que falei, de uma ambição que mira o lucro no curto prazo, com muito pouca e às vezes até nenhum projeção da dificuldade de sustentação de seus ganhos imediatistas. Pelo visto encontraram um estimulante reforço no quinta-coluna Jair Bolsonaro, que atua a favor do vírus.

Não se sabe desta vez quanto será o custo se prevalecer este desatino, mas, se for quebrado de fato o isolamento, com certeza o país terá de se haver logo mais com uma conta pesada em vidas perdidas e o sofrimento humano terrível causado por uma doença que não permite nem a presença de familiares e amigos em volta do pobre do paciente e impede até os ritos fúnebres das vítimas fatais deste vírus mortal.

Não só pela dor e pelas lágrimas, vai custar bem mais que os efeitos colaterais na economia provocados pelos dias parados.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Coronavírus: aumentam as mortes e aumenta também o abandono do isolamento no Brasil

Com o contágio pelo novo coronavírus no Brasil chegando a números muito altos e as mortes alcançando seu milhar, exatamente neste ponto começa a haver um relaxamento do isolamento social. Nesta sexta-feira o Brasil terá o milésimo morto pela pandemia, evidentemente com a mortantade continuando a seguir em passos largos. Nesta semana as mortes já estavam em mais de uma centena por dia. É óbvio que a tragédia instalou-se, do mesmo modo que é muito claro que o relaxamento do isolamento dará uma dimensão ainda maior ao que já é desesperador.

O crescimento do contágio vem se acelerando, assim como as mortes. As pessoas tinham que ser confrontadas com os números desse crescimento. Esta verificação demonstra como serão os próximos dias, mesmo sendo mantido o isolamento. Os números servem também para prever como estaremos dentro de três semanas, que é o período para o agravamento até a morte dos que forem contaminados durante este relaxamento.

No dia 20 de março o Brasil tinha 11 mortos pelo Covid-19, infectados estavam em 904. Por esses dias é que começou a divulgação dos números pelo Ministério da Saúde, que dia após dia foram crescendo. Ontem estava em 17.857 os casos confirmados. Agora estamos com 19.638 casos confirmados. O número de mortes também aumentou — nesta sexta-feira o país passou da milésima morte, com 1056 vítimas. Mais 115 mortes foram confirmadas nas últimas 24 horas, um aumento de 12%. Desculpem a piada, mas este abandono do isolamento soa como uma espécie de comemoração.
Nem é preciso teorizar sobre este perigo de sair do isolamento. Aí estão os números que mostram um crescimento constante, que permite projetar o quadro dramático que se desenha para um futuro bem próximo.  Além disso, anteriormente tivemos meses para uma boa observação do que aconteceu em muitos países, desde que o vírus começou a matar na China. O vírus surgiu em dezembro de 2019 na cidade chinesa de Wuhan. O Brasil teve sua primeira vítima em 16 de março.

Primeiro na China e depois na Europa, tivemos nos outros países a observação prática de que a quarentena é o único recurso capaz de achatar a curva da contaminação para evitar o colapso do sistema sanitário. Isso foi inclusive reafirmado em Milão, depois que um relaxamento do isolamento em fevereiro causou um crescimento espantoso de mortes que até agora a Itália não conseguiu conter.

É simples assim, mas parece que mesmo sendo de tal simplicidade, a brutal realidade não entra na cabeça de parte dos brasileiros. Com um presidente desqualificado, como sempre na contramão do bom senso, este trabalho de convencimento fica ainda mais difícil. O discurso do “é só uma gripezinha” é criminoso e convincente porque acena para uma facilidade no tratamento de um grande problema. O que tem de melhor que enfrentar um vírus tomando batendo perna por aí? É disso que o brasileiro gosta.

Daí, vão-se arrumando subterfúgios para evitar encarar com seriedade o problema, que é, como todo mundo sabe, uma marca forte da nossa nacionalidade, junto com a ganância em se aproveitar dos recursos públicos. Espraia-se pelo país a capacidade engenhosa de enfrentar o novo coronavírus de forma diferente de como estão fazendo potências econômicas como França, Alemanha e tantos lugares em que os povos não têm a nossa manha, mas para ficar em apenas um exemplo, vou catar uma notícia que saiu hoje sobre a cidade paranaense de Ponta Grossa.

Um decreto municipal publicado nesta quinta-feira permite que restaurantes e lanchonetes recebam clientes a partir da próxima segunda-feira. Mas os pontagrossenses vão fazer isso seguindo regras científicas, com clientes respeitando a distância de um metro e meio nas mesas e filas para saldar a conta, que nós aqui no Brasil sabemos muito bem como enfrentar este vírus sem o alarde desnecessário que se vê na Europa e até nos Estados Unidos, em lugares como Nova York, que têm muito a aprender com Ponta Grossa e tantas outras cidades nossas, no jeitinho brasileiro de encarar o coronavírus.

Podia ser até o caso de cidades como Milão, Madri, Barcelona, Paris e até Nova York mandarem delegações para aprender no Brasil, talvez até em Ponta Grossa mesmo, como se dá essa solução mágica, mas isso com certeza terá que esperar um pouco. A embaixada da Alemanha já está pedindo que cidadãos que estejam no Brasil voltem o mais rapidamente possível para casa. O embaixador Georg Witschel fez o alerta em carta publicada nesta quinta-feira no site da embaixada.

No texto, o embaixador alemão fala da escalada de casos graves, da quantidade de mortes e afirma que teme o agravamento da situação. Ele diz ainda que os sistemas de saúde já estão sobrecarregados em alguns estados brasileiros. "É sua responsabilidade deixar o país agora e voltar para a Alemanha", escreveu Witschel. Pois é, parece que não tem jeito: esses estrangeiros são mesmos uns histéricos.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

segunda-feira, 6 de abril de 2020

A hora é de mudar de ideia, com Keynes

John Maynard Keynes é autor de uma grande frase, muito simples como costumam ser as grandes sacadas, que é para mim uma das definições mais precisas do que é o pensamento científico e dessa atividade humana essencial na nossa existência: o ato de pensar. Keynes disse: “Quando mudam os acontecimentos, mudo de ideia”.

É interessante que este grande pensador volte a ser o ponto central da discussão sobre o que deve ser feito na condução do ataque a este sério problema do novo coronavírus que se abate sobre o mundo todo, nas ações práticas e imediatas exigidas na economia em razão de um vírus que provoca a morte e traz um efeito colateral de destruição dos chamados modos de produção e, enfim, de muita coisa que vínhamos fazendo nas últimas décadas, que a julgar pelo surgimento e rápido espalhamento do coronavírus, era uma forma de vida no mínimo muito arriscada.

Keynes foi o centro de um debate que atravessou o século 20 e entra nesse novo milênio, em questões muito parecidas, na discussão sobre a eficiência do liberalismo econômico e ainda com aquele velho fantasma — que arrasta correntes desde o século 19 — que Karl Marx e Friedrich Engels anunciaram que rondava a Europa, o fantasma do comunismo, que por sinal foi uma ideia enxotada da Europa pelo keynesianismo. Ou alguém duvida que estejam criadas as condições para que que seja reavivada esta velha solução do comunismo, tão absoluta e pretensamente científica, no cenário de terra arrasada previsto para depois do impacto avassalador dessa pandemia?

Nesses dias de desespero que ninguém ainda sabe até quando vai durar foi o liberalismo econômico que levou a maior pancada, até porque não há dúvida de que as bases para o espalhamento descontrolado do contágio foram criadas pela condução radical e totalmente sem limites desse sistema. Também se comprova que no liberalismo não há remédio econômico para tratar de imediato o paciente, daí a necessidade da mudança de ideia, em muitos casos longe de uma transformação pela inteligência, mas pela necessidade da sobrevivência, para alguns apenas na medida da circunstância política da própria carreira pessoal.

A volta de John Maynard Keynes teve que ser engolida até por Donald Trump, é verdade que com uma má-vontade de garoto adoentado forçado a tomar uma generosa colherada de óleo de fígado de bacalhau, até porque os liberais sabem que depois disso que estamos vivendo será muito complicado convencer populações inteiras a voltar ao pretensamente doce remédio de antes, de um liberalismo que desorganiza de tal forma a vida humana que em certos países, como no nosso Brasil, complica até para encontrar os desgraçados na hora da absoluta necessidade da ajuda.
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POR José Pires

Olavo de Carvalho, o mentor de Jair Bolsonaro na crise do coronavírus

Estava demorando para Olavo de Carvalho usar suas redes sociais pedindo a cabeça do ministro no ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, até que afinal ele não se conteve e passou a descer o sarrafo no ministro. Com a demora podia-se até pensar que ele poupava publicamente o ministro em razão de uma estratégia, o que não é o meu caso, pois sei muito bem que se tivesse senso estratégico o velho professor não teria ligado o conservadorismo brasileiro e sua própria imagem intelectual ao governo de um sujeito despreparado como Jair Bolsonaro.

E aproveitando que bolsonaristas são tarados por teorias conspiratórias, por que não perguntar se Olavo não seria um agente gramscista que infiltrou-se na direita brasileira para desmoralizar a própria direita e impedir que se estabeleça no Brasil um pensamento conservador inteligente e equilibrado? Mas, supondo que o guru do Bolsonaro não seja de fato um traíra esquerdista com a missão de quebrar a direita, mesmo nesse sentido o irascível mentor fez um serviço completo. Ah, isso ele fez.

Depois do maquiavélico Olavo e seu príncipe de araque Bolsonaro, por muito tempo ficará difícil aplicar no país um pensamento de direita, sendo que as agressivas trapalhadas de Olavo complicaram ainda o conservadorismo, que fica difícil de ser levado a sério depois de ter sido associado a tantas idiotices, que vão da terra plana à negação da existência da mortalidade do Covid-19 e até mesmo da existência da ditadura militar, entre outras estapafurdices, seja negando obviedades ou trazendo novidades que dão até vergonha alheia.

Então Olavo de Carvalho seria mais um desses gramscistas com suas matreirices? Desenvolvam isso, bolsonaristas, que eu sei que vocês conseguem. Ah, mais um dado: Olavo já foi do Partido Comunista e confessou em vídeo que trabalhava em missões sob as ordens da cúpula do partido.

Mas, voltando ao pedido de Olavo nas redes sociais pela cabeça do ministro Luiz Henrique Mandetta, a posição assumida por Bolsonaro em relação ao novo coronavírus é a repetição do que o velho professor vem publicando em suas redes sociais. Os filhos do presidente repetem a mesma ladainha, vinda de um sujeito que afirmou que nenhuma das mortes ocorridas no mundo foi causada pelo Covid-19.

Na sua visão muito peculiar, os procedimentos de combate ao contágio, como o isolamento social, não passam de manipulação política, sendo, ainda do jeito que ele falou, “a mais vasta manipulação de opinião pública que já aconteceu na história humana”.

“Essa epidemia simplesmente não existe”, ele disse da pandemia que assola o mundo com mais de 60 mil mortes até agora, causando perturbação até em países de alto poder econômico e capacidade científica, pela dificuldade de cessar a mortandade e para administrar as terríveis condições previstas no enfrentamento das consequências dessa dramática situação.

Bolsonaro segue mais ou menos nessa linha, um negacionista como Olavo, de modo que não dá para ter dúvida de quem vem as instruções da sua desastrosa posição como presidente da República. O presidente ficou isolado tanto no Brasil como no plano internacional, numa lição, digamos, filosófica, muito prática da diferença entre um velhaco afirmando bobagens sozinho de um escritório nas Virgínia e um líder popular fazendo o mesmo em meio a maior crise mundial depois da Segunda Guerra.

Mandetta virou alvo do ódio de Olavo por causa da recusa do ministro em obedecer as ordens insensatas de Bolsonaro. O Brasil segue aplicando o isolamento social e evidentemente acreditando que a ação letal do vírus não é ilusão criada por manipuladores. Acaba sendo um estorvo sério para o professor se impor como filósofo que haja esta recorrente negativa de um conjunto de pessoas em ajudá-lo a forçar uma disciplinada adequação da realidade às suas teorias. Ninguém colabora. Fica difícil também que ideias conservadoras ganhem respeito no país, criando, como eu já disse, horizontes de muita complicação para uma direita de uma burrice que chega a anular até seu instinto de sobrevivência.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Bolsonaro e Mandetta: a tentativa de fritura em meio ao coronavírus

Jair Bolsonaro ficou mal acostumado com as frituras de ministros, que no seu governo sempre contou com uma entusiasmada claque nas redes sociais, de tal modo alucinada em seus aplausos, que foi fazendo o carrasco perder-se na exibição da violência gratuita, na grosseria totalmente abusiva, em espetáculos fora do normal que gradativamente foram ficando excessivos, deixando de ter qualquer sentido político que não fosse o de divertir seguidores enlouquecidos.

Ele se dedicava à desmoralização pública de seus auxiliares com um sadismo deplorável e no seu prazer patológico foi perdendo o senso de oportunidade, até complicar-se ao fixar sua agressividade doentia no ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em plena crise do coronavírus. Bolsonaro não compreendeu a dramática complexidade do problema deste vírus mortal e entendeu menos ainda que politicamente o prestígio do ministro tomou uma dimensão relacionada diretamente com o peso da questão sob sua responsabilidade.

O presidente azucrinador do Brasil não compreendeu que não se frita um ministro dedicado ao ataque a um problema que envolve o mundo todo e que até o momento vem tendo um apoio unânime, até porque ninguém, a não ser Bolsonaro, seria idiota de procurar desestabilizar uma pessoa que está no comando de uma tarefa da qual depende nossa integridade física.

Ao empunhar fora de hora a frigideira, Bolsonaro ficou em uma condição politicamente perigosa. Se o presidente demite este ministro, pode ser o fim de seu mandato. Invertendo-se totalmente a posição em que planejava colocar o ministro Mandetta, Bolsonaro criou para si próprio uma cena de desenho animado: ele é o peixe que acha que pode fritar o cozinheiro.
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POR José Pires

Carlos Vereza tira o time do apoio ao governo Bolsonaro

O ator Carlos Vereza rompeu com Jair Bolsonaro nesta sexta-feira. Vereza era um apoiador entusiasmado do presidente, tendo sido um cabo-eleitoral de primeira hora da sua candidatura, mas ficou desgostoso com as ações de Bolsonaro nesta pandemia do novo coronavírus. Por causa do que Bolsonaro andou fazendo nos últimos dias, chegando até a desrespeitar publicamente o ministro Luiz Henrique Mandetta, o ator escreveu no Facebook que Bolsonaro é “irresponsável”.

“Desautorizar publicamente o ministro da Saúde por ciúmes não dá mais; tirei o time”, ele escreveu. Vereza chegou a ser cotado para trabalhar junto com Regina Duarte na Secretaria de Cultura. Deve ser uma das últimas personalidades importantes da cultura que ainda dava apoio ao governo de Bolsonaro. Sobrou mais alguém?

Bolsonaro está sempre debochando do Covid-19, que chamou de “gripezinha”, num desrespeito monstruoso às mais de 50 mil mortes em todo o mundo, 365 só no Brasil, numa mortandade que não se sabe quando vai parar. Foram registradas 60 mortes no Brasil nas últimas 24 horas. O país está com quase 10 mil contaminados e o risco do vírus obriga as pessoas a manter um afastamento dos amigos e familiares.

Atuando na sabotagem ao esforço dos brasileiros para conter o contágio e fazendo piadas com uma doença mortal, que impede até que o doente tenha a companhia de seus entes queridos, Bolsonaro acabou numa desesperadora solidão política. E seu isolamento não vai terminar depois que passar o perigo do Covid-19.
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POR José Pires

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O presidente mentiroso e o liberalismo sendo obrigado a usar receitas keynesianas

O presidente Jair Bolsonaro fez mais um pronunciamento em rede nacional, nesta segunda-feira, com uma manipulação muito feia sobre a fala de outra pessoa. Desse modo, ele repetiu a sujeira do pronunciamento anterior, também sobre a crise do novo coronavírus, quando citou fora do contexto um vídeo do médico Drauzio Varella. Fez o mesmo agora, tentando usar uma fala do presidente da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus, para favorecer sua posição a favor de acabar com o isolamento social colocado em prática por prefeitos e governadores, também indicado pelo Ministério da Saúde.

Bolsonaro fez um recorte na fala do presidente da OMS, com um apelo para que governos levem em conta a população pobre na decretação de quarentenas, como se com isso Ghebreyesus estivesse sendo favorável ao isolamento vertical. No entanto, Bolsonaro não mencionou que Ghebreyesus simplesmente defendia a necessidade de dar ajuda a essas pessoas, reiterando a posição da entidade que preside, da continuidade do isolamento social.

Bolsonaro tirou do contexto a fala de uma autoridade mundial para validar suas incitações ao abandono do isolamento e a volta ao trabalho, na contramão do que todos os países atingidos pelo vírus estão fazendo para achatar a chamada curva de contaminação. Desonestamente, o presidente tentou transformar uma mensagem de solidariedade em um apoio aos seus ataques ao isolamento social. Bolsonaro criou o discurso oficial com fake news. A OMS já fez um desmentido, também oficial.

Claro que com isso ele aumenta sua rejeição internacional, dando ao Brasil a imagem de uma republiqueta comandada por um desmiolado. Bolsonaro distorceu a fala do chefe da OMS para no meio de uma pandemia. Não é qualquer presidente que faz isso em um discurso oficial.

Como eu já disse, depois de dar conta do coronavírus, os brasileiros terão de decidir se permanecem com este empecilho na presidência da República, até porque estão previstas outras crises mundiais, entre elas, a mais aterrorizadora de todas, que é a do aquecimento global. Não há fake news que recomponha o gelo nos polos da Terra, que, falando nisso, é redonda.

A crise do coronavírus exige um redirecionamento da política econômica do governo, com amparo aos mais pobres e auxílio direto aos trabalhadores informais, além de uma mudança total do padrão que o ministro Paulo Guedes queria implantar no Brasil, do desmantelamento do Estado e abertura incondicional ao mercado. Isso é exatamente o que não funciona em época de crise, como já se sabe pelo menos desde o New Deal, programa econômico implantado nos Estados Unidos entre 1933 e 1937, pelo governo do presidente Franklin Delano Roosevelt, que acabou com a depressão americana, abrindo caminho para os Estados Unidos como potência econômica mundial.

O dilema deve ser muito complicado para um discípulo da Escola de Chicago, ainda mais que Paulo Guedes está entre os mais radicais, com uma visão ultraliberal de como deve ser a condução econômica de um país. A transformação imediata de Donald Trump em um keynesiano mostra o caminho que o Brasil deveria tomar, ainda mais rápido que o maior ídolo político de Bolsonaro, já que por aqui as condições materiais são bem menores que nos Estados Unidos.

Numa crise como a do coronavírus, com suas graves consequências econômicas, esfarela-se o mito do mercado como ativo transformador do progresso da humanidade. Políticos liberais estão obrigados a se amparar na ação do Estado que sirva, sem trocadilho, no mínimo como paliativo para o desespero coletivo.

Como pode-se observar na história mundial, com todo o século 20 como exemplo, nas crises o mercado costuma dar no pé, correndo de um lado para o outro procurando explorar os lugares com menor imunidade à sua sede de lucros mais facilitados. É aí que receitas como as do economista britânico John Maynard Keynes não caem nada bem ao estômago de tipos como Paulo Guedes.

Vale repetir que isso cristaliza a visão de que o liberalismo não tem mecanismos para o enfrentamento de situações que afetam com mais perigo nossa existência ou, para usar uma imagem apropriada ao momento terrível que vivemos, quando a mão invisível que cai sobre os seres humanos não é a da ilusão liberal de um arranjo mágico das forças econômicas, mas um vírus mortal que para ser contido no seu trágico extermínio de vidas humanas exige medidas que afetam pesadamente a estrutura material por onde ele passa.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

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Imagem- à direita do desorientado ministro Paulo Guedes, o economista John Maynard Keynes, que
há muitos anos falou o seguinte: “Quando mudam os acontecimentos, mudo de ideia”. Mas é claro
que para isso — e agora eu que digo — é preciso ter uma.


segunda-feira, 30 de março de 2020

O negacionista Bolsonaro e sua rejeição mundial

Logo que o presidente Jair Bolsonaro começou com seu espetáculo de cretinices, tentando sabotar o esforço coletivo dos brasileiros no enfrentamento do novo coronavírus, escrevi sobre o panorama político armado por ele no plano internacional com suas atitudes horrorosas, de um governante totalmente isolado, que perdeu totalmente a condição de comandar as relações externas do Brasil.

O efeito trágico do coronavírus em vários países é de uma dimensão próxima do que tivemos de pior no século passado, um período barra pesada da humanidade, que começou já nos primeiros anos, com a Primeira Guerra Mundial, passando pela Segunda Guerra, as explosões da bomba atômica, que teve até o horror do Holocausto e os Gulags comunistas, escritos assim, com iniciais maiúsculas, em razão do peso na memória humana desses genocídios instaurados como política de Estado, à direita e à esquerda.

Bolsonaro é um homem que fez da negação da realidade uma forma rápida de subir ao poder. Em política isso não é incomum, sendo uma forma de manipulação que infelizmente tomou conta do processo eleitoral brasileiro nos últimos tempos. A meu ver, o desequilíbrio do uso desse truque sujo veio do fato de Bolsonaro ser um negacionista meramente por intuição, sem um controle intelectual dessa manipulação.

Uma grave deficiência de formação deixou este sujeito sem noção completamente empolgado com a aparente facilidade de obter sucesso rápido falando certas besteiras ou agindo de forma polêmica.

Suas performances frente ao novo coronavírus estão relacionadas a esta dificuldade de avaliação mais ampla sobre as conseqüências de seus atos. Com a mortandade produzida na Europa, que começa agora a espalhar-se também pelos Estados Unidos, este vírus passa a se ligar a nomes próprios, com as histórias pessoais de quem morreu e das pessoas em torno. O número de mortos já está em 35 mil em todo o mundo. No Brasil já passa de uma centena, com previsão de morrer muito mais gente.

É um contágio mortal que impede até que o doente tenha quem ama ao seu lado durante o tratamento. Não permite também a proximidade dos entes queridos no enterro dos mortos.

Como escreveu o poeta inglês John Donne, qualquer morte nos diminui, pelo menos a quem faz parte do gênero humano, que não parece ser uma categoria em que Bolsonaro se enquadra, a julgar pelo que ele vem dizendo sobre os que morreram e serão mortos por este vírus, sem nenhum respeito pela dor de familiares e amigos, nem pelo arriscado trabalho de equipes médicas e profissionais que estão nas ruas mantendo as atividades essenciais do país.

A rejeição ao nosso presidente em todo o mundo vem dessa desumanidade que ele expressa no que fala e no que faz. Sua imagem internacional, sejamos francos, é a de um ser monstruoso, sem compaixão com os que sofrem e sem respeito por quem se ocupa em trabalhar para que tenha fim tanto sofrimento.

Depois de vencida a batalha contra este coronavírus, teremos em Bolsonaro um empecilho grave nas relações internacionais que serão exigidas para restabelecer o equilíbrio da nossa economia e o redirecionamento político e administrativo que com certeza terá de ser aplicado nos mais variados campos das atividades humanas, em governos de vários países, independente da ideologia de quem estiver no poder.

Será difícil que algum governante estrangeiro aceite receber um tipo como Bolsonaro em seu país e vai haver ainda mais dificuldade de estabelecer cooperação internacional com alguém que trata jocosamente como “gripezinha” uma das maiores tragédias mundiais de todos os tempos. Bolsonaro está com uma rejeição internacional que é impossível desfazer, mas isso é problema dele. Os brasileiros é que terão de decidir se aceitam permanecer colados nesta monstruosa rejeição.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

domingo, 29 de março de 2020

Bolsonaro e seu passeio de sabotagem da luta contra o coronavírus

Pode-se discordar do isolamento social que vem sendo aplicado por prefeitos e governadores e que até o momento é indicado pelo Ministério da Saúde, no entanto ninguém que tenha sensatez coloca em dúvida que o Covid-19 espalhou-se por todo o país e que seu contágio é perigoso, não só para quem adquire a doença como também para os que convivem com o portador. Evita-se o vírus não só em defesa própria como também em respeito ao próximo.

Só alguém muito estúpido não estaria sabendo que o risco do contágio está em aglomerações humanas, de modo que, além de evitar o contato com muitas pessoas ao mesmo tempo, jamais iria estimular que isso seja feito. Claro que esta consciência é exigida muito mais dos que ocupam cargos públicos ou qualquer posição como dirigente, quando a obrigação com a coletividade está acima do interesse individual.

Daí que o passeio do presidente Jair Bolsonaro, na manhã deste domingo em Brasília, provocando aglomerações e fazendo selfies com apoiadores e até mesmo com menores de idade, fortalece a necessidade de encontrar um caminho democrático para retirá-lo do cargo. Bolsonaro atenta contra a integridade física da população. Um político que coloca em perigo até sua própria integridade, já que está com 65 anos, numa faixa perigosa da doença, certamente não tem estabilidade psicológica para o comando do país.

Imaginem a insegurança social causada no povo de uma nação, durante uma crise sanitária mundial que com certeza causará graves estragos na economia de todos os países, vendo sua maior liderança se expondo ao risco de contrair uma doença perigosa, podendo perder dessa forma uma figura essencial numa difícil luta, com efeitos desastrosos que seguiremos enfrentando nos próximos anos.

Bem, haveria essa preocupação se o presidente da República não fosse um sujeito sem noção como Bolsonaro, de quem cada vez menos brasileiros esperam uma atitude de qualidade ou minimamente decente. É impossível encontrar qualidades em um governante que desde que assumiu o mandato faz todo esforço para provar que é um imprestável.

Ninguém está nem aí para Bolsonaro, cuja estupidez não causa espanto, mesmo ele sendo até desumano no que fala e tenta impor aos outros. Só não se sabe ainda como os brasileiros vão se livrar de um problema tão grave, que como eu já disse, é a saúva que pode acabar com o país. O episódio patético desta manhã de domingo mostra um alto grau de falta de empatia até dentro de seu círculo familiar. Qual é o filho que deixaria um pai já idoso arriscar sua saúde do modo que ele fez neste domingo? Ora, os filhos do Bolsonaro.
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POR José Pires

Fake news e carreatas para atrapalhar a luta coletiva contra o coronavírus

Com Jair Bolsonaro trabalhando contra a estratégia de isolamento social para conter o novo coronavírus, aconteceram algumas movimentações em alguns pontos do país pedindo o fim do isolamento. São uns gatos pingados, porém o ruído atrapalha bastante, até porque é sustentado pela máquina de comunicação do gabinete do ódio em volta do presidente da República. O fundamento dessa posição é frágil. Nem é preciso buscar teorias para demonstrar que o tal “isolamento vertical” não funciona. Países que atualmente choram milhares de mortos chegaram a optar por esta via de combate ao vírus mortal, que hoje lamentam.

Defensores desse procedimento no Brasil também já demonstraram uma irresponsável má-fé, com o uso de notícias falsas para sustentar o isolamento vertical. Os fake news vieram de pessoas próximas a Bolsonaro, como na difusão pelo ministro Ricardo Salles de um vídeo de Drauzio Varella, com o médico dizendo que não se deve ter maior preocupação com o vírus. Acontece que a gravação foi em janeiro, quando de fato o problema ainda não tinha tomado uma dimensão perigosa.

Ficou evidente que a manipulação foi planejada, quando a falsidade saltou da publicação do ministro de Bolsonaro para seu pronunciamento em rede nacional, um discurso oficial com fake news.

Outra fake news criminosa foi o espalhamento da notícia de que a cidade italiana de Milão parou seu isolamento, com os cidadãos voltando ao trabalho mesmo com a pandemia. Era outra manipulação perigosa, invertendo um fato de modo temporal, escondendo que esta decisão da prefeitura de Milão foi em fevereiro e levou ao recrudescimento do contágio pelo vírus. A cidade teve que voltar ao isolamento, mas até agora sofre de forma dramática o efeito do erro.

Nessa questão, o melhor é ficar com a opinião de especialistas e dos que viveram o drama bem de perto. Já que Bolsonaro não cala a boca, que deixe de ser ouvido. A Itália é um exemplo a ser seguido, não Brasília. Nesta sexta-feira, o governador da Lombardia, Attilio Fontana, deu um conselho aos brasileiros: mantenham o isolamento. Milão é a capital da Lombardia, região italiana mais afetada pela pandemia. Milão está com 32.346 casos de pessoas contaminadas e 4.474 óbitos. No todo, a Itália chora quase dez mil mortos.

Em entrevista coletiva, o governador da Lombardia disse o seguinte: “Tenho tido contato com um amigo no Brasil e digo a ele para ficar o máximo possível em casa, evitar contato com pessoas e difundir esta mensagem”.

Aqui no Brasil, felizmente, em relação ao que deve ser feito com o coronavírus a população segue no sentido contrário ao de Bolsonaro. As poucas carreatas em algumas cidades servem inclusive para demonstrar a solidão política desse sujeito despreparado, que coloca em perigo a vida dos brasileiros.

Não há fundamento científico no que o presidente fala, nem mesmo conhecimento administrativo, que disso ele também não entende nada. A única base desse confronto de Bolsonaro com o esforço coletivo é a defesa de um interesse político pessoal e a sua total falta de empatia humana, que se resume na impressionante justificativa para o fim do isolamento. “Alguns vão morrer”, ele responde quando é questionado em sua patológica desumanidade.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


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Imagem- O jornal italiano La Repubblica lança um apoio à cidade de Milão,
com um sentimento de solidariedade que é do mundo todo

Conselho de notáveis com o corrupto Lula no meio

O PT está procurando uma brecha política para encaixar no combate à pandemia do coronavírus uma nova modalidade de lavagem, a lavagem de ex-presidente corrupto. A bancada petista no Senado pretende propor a criação de um conselho de ex-presidentes da República para atuar durante a pandemia.

Os petistas argumentam que “é preciso ter pessoas com autoridade de quem já dirigiu o país para definir o rumo do combate à doença”. Ora, todos sabem como se exerceu a “autoridade” dos governos dos dois presidentes eleitos pelo PT, em quase quatro mandatos, com o último felizmente interrompido ao meio pelo impeachment de Dilma.

Lula está por detrás de esquemas corruptos que arrasaram com o país, primeiro na articulação do mensalão e depois com o petrolão. Os governos do PT foram tão nefastos na sua ruína moral, na incompetência e na desunião promovida entre os brasileiros por mais de uma década, que isso causou até o monumental erro da eleição de Jair Bolsonaro.

O objetivo óbvio dessa armação de um “conselho de ex-presidentes” é favorecer Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, crimes pelos quais até já esteve preso.

O chefão do PT tem o currículo tão sujo que seria favorecido mesmo misturado a tipos como o ex-presidente Fernando Collor e José Sarney. No mesmo grupo desses dois crápulas, mais sua pupila Dilma e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula posaria de condutor de um combate honroso como é a luta contra o novo coronavírus.

O PT sempre procura aproveitar um descuido dos brasileiros, para aplicar de modo traiçoeiro alguma armação. A tentativa de lavagem de imagem foi muito esperta. Ainda bem que todos estão de olhos abertos com Lula e seu partido. Essa lavagem de imagem com certeza não irá adiante. Um lugar que Lula precisa ocupar com urgência é a cadeia, de onde jamais deveria ter saído.
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POR José Pires

sexta-feira, 27 de março de 2020

O bolsonarismo apela com medo das ruas

Não que me surpreenda, eu que conheço bem a direita brasileira e sei muito bem como os bolsonaristas se igualam à esquerda lulopetista em hipocrisia, mas tenho que registrar o surgimento entre seguidores de Jair Bolsonaro de um sentimento de "não vai ter golpe", agora que uma ampla parcela de brasileiros começa a compreender o gravíssimo risco para o país da permanência desse sujeito sem noção no cargo de presidente da República.

Com a probabilidade do surgimento de um forte movimento de "Fora, Bolsonaro!" — podendo até haver a organização de amplas manifestações de rua depois de passar a crise do coronavírus —, bolsonaristas já acenam para um "Não vai ter golpe!". É sério, se é que se pode dizer assim. A direita fala neste tom ridículo nas redes sociais.

É real a possibilidade da queda de Bolsonaro, depois que ficou muito claro que sob seu comando fica muito difícil enfrentar seriamente qualquer problema nacional, dos inúmeros e muito complicados problemas atuais que impossibilitam que o país encontre um caminho de equilíbrio e prosperidade.

A gota d’água, como se costuma dizer, é a bagunça improdutiva que ele vem provocando nesta crise do coronavírus, na contramão do esforço de governadores e prefeitos, que estão tendo grande colaboração da população na tentativa de evitar o contágio em massa.

Para usar uma expressão popular, nessa e noutras questões Bolsonaro foi colocado para escanteio. Todos sabem que nem adianta levar qualquer solução ao Palácio do Planalto que com certeza ele dificultará a realização.

Quem trabalha diretamente com o presidente vive em constante tensão por causa de sua péssima personalidade, dificuldade agravada ainda mais pela sua total dificuldade de lidar de modo efetivo com qualquer questão da administração pública. A classe política e dirigentes ligados a iniciativa privada já não contam com Bolsonaro para nada. A conclusão geral é que com ele na presidência da República o país pode ir para o buraco.

Até nos meios militares já se fala em sua saída. Segundo a colunista Maria Cristina Fernandes, em texto publicado nesta quinta-feira no jornal Valor, entre os militares uma solução que vem sendo colocada é a renúncia de Bolsonaro.

A partir desse clima de rejeição, como eu disse, bolsonaristas que ainda persistem na ridícula idolatria deste criador de encrencas estão ensaiando nas redes sociais um “Não vai ter golpe!”, copiado do risível argumento da esquerda para chorar o impeachment de Dilma Rousseff.

A direita vai completando o círculo da grotesca semelhança com a esquerda. Que ninguém me mande pra Cuba, mas não vou achar ruim se um dia essa militância direitista tiver a oportunidade de apelar também para um "Bolsonaro livre!".
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

Bolsonaro, um presidente isolado do mundo pelo deboche com o coronavírus

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson está infectado com o coronavírus. Ele e seu secretário de Saúde tiveram teste positivo. Johnson foi o último governante europeu a adotar medidas oficiais de isolamento social. Demorou para se convencer desse remédio e agora sente na própria pele que não há outra maneira de lidar com a epidemia. Com sintomas leves, ele ficará isolado na residência oficial de Downing Street. Bem, até o direitista britânico tomou jeito e ainda infectou-se com o coronavírus.

Até agora o presidente Jair Bolsonaro não se convenceu da necessidade do isolamento. Ele anda receitando a cura milagrosa do Covid-19 com a cloroquina, sem a conclusão de nenhum estudo. Também exalta a segurança contra o vírus com o uso de vidro blindado no atendimento no comércio.

Governadores e prefeitos trabalham para manter uma quarentena para evitar o contágio em massa, enquanto Bolsonaro atiça a população contra a prevenção, dizendo que isso é uma grande besteira que vai quebrar o país. O ex-capitão do Exército Brasileiro age como quinta-coluna contra a saúde de seu próprio povo, procurando desestabilizar uma guerra vital, na única maneira que existe até o momento para conter este vírus mortal.

Entre a opção de salvar vidas e a demagogia, Bolsonaro optou por criticar os esforços de dirigentes brasileiros que seguem o exemplo de países do mundo todo, tentando culpar adversários políticos pelas dificuldades em uma economia que sob seu comando já se esfolegava no chamado vôo de galinha. Seu primeiro ano de mandato terminou com um PIB mais lamentável que os pibinhos vergonhosos dos governos da petista Dilma Rousseff e de Michel Temer.

Quando passar o risco mortal do coronavírus será preciso lidar com outro grande problema do Brasil, deste sujeito sem noção que infelizmente foi eleito presidente da República. Cresce a consciência de que será impossível encontrar um rumo de progresso e equilíbrio enquanto Bolsonaro estiver no Palácio do Planalto, bagunçando a vida do país. É uma saúva política, que precisa acabar de forma democrática ou acabará com o país.

Com Bolsonaro como presidente, outro problema grave no pós-coronavírus será o isolamento do Brasil no plano internacional. A passagem deste vírus pelo mundo todo deixará um rastro de dor em países essenciais nas relações externas do Brasil. Teremos um presidente com dificuldade em ser recebido em qualquer país estrangeiro. Depois de suas piadinhas, quero ver Bolsonaro aparecer na Itália ou na França ou mesmo dar um alô para os colegas da direita da Espanha.

Creio que nem seus telefonemas terão retorno. Boris Johnson é que não querer ser fotografado ao lado de Bolsonaro, isso se depois dessa ele conseguir se manter como primeiro-ministro. Com o efeito dramático deste vírus nos Estados Unidos, se for reeleito, Trump mudará bastante sua relação com Bolsonaro e sua equipe de dezenas de contaminados.

E claro que o desavergonhado Bolsonaro querendo botar o pé em algum país estrangeiro terá da população de países atingidos pelo coronavírus uma recepção condizente com as suas piadas de mau gosto com o sofrimento dos outros. Qual é o povo que não se indignará com a presença de um governante desrespeitoso que faz piada com um vírus que vem matando tanta gente?

Com Bolsonaro no poder, os brasileiros ficarão isolados do mundo, em um país ridicularizado internacionalmente pelo presidente da “gripezinha”.
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POR José Pires