sábado, 28 de maio de 2016

Lula, o poderoso chefão que virou piada


Nas conversas que vem sendo divulgadas vai caindo cada vez mais a respeitabilidade de Lula. E olha que ainda tem chão para furar neste poço da decadência. Mas nem é preciso cavoucar mais. Como diz o ex-presidente José Sarney em um dos áudios divulgados nos últimos dias, "o Lula acabou, o Lula, coitado, deve estar numa depressão". Quando ouço essas coisas, dá ainda mais vontade de rir do que Lula ainda consegue plantar na imprensa sobre seu retorno em 2018, que ele ainda parece pensar que mete medo. Nesse mesmo papo com o delator Sérgio Machado, Sarney comenta que soube que Lula tem chorado muito. Ele está com os olhos inchados", ele diz. E não faltam motivos para que Lula chore bastante. Sua imagem na história brasileira foi destruída. E para aumentar seu transtorno a tremenda derrocada elevará naturalmente Fernando Henrique Cardoso, o adversário com o qual ele mantém uma relação psicológica de ódio e uma inveja que não consegue esconder. Nem é preciso ocorrer coisas piores com Lula — o que virá, com certeza. Com o que aconteceu até aqui, no pós-ditadura só sobrou Fernando Henrique como ex-presidente que ainda merece respeito. Sem falar, é claro, em Itamar Franco, que ocupou o cargo numa condição muito especial.
Lula ficou com a imagem de um político do mais baixo nível, chefiando negociatas com o dinheiro público e fazendo política para ganhar presentes de donos de empreiteiras. E o mais chato é que até nisso falhou. Ninguém mais o respeita. E pelas conversas de seus comparsas vazadas na imprensa percebe-se que mesmo entre eles não dão valor para o chefão do PT. E quem diria que uns tempos atrás relacionava-se Lula ao "poderoso chefão", do filme de Coppola. Agora, nem como piada. Mesmo na relação entre malfeitores da política Lula não soube se fazer respeitar. É o velho problema da dificuldade dele para se instruir. Aquela dificuldade de encarar um livro, conforme confissão dele próprio, feita em tom de gozação a quem se empenha em aprender. No entanto, nem era preciso o esforço da leitura. Bastava ele ter prestado atenção ao Marlon Brando em "O poderoso chefão". É um filme com muitas lições sobre o tema. Talvez ele evitasse o rebaixamento lamentável a uma condição na qual não tem o respeito nem dos parceiros. Nas conversas divulgadas pela TV Globo, o senador Renan Calheiros tem com Sérgio Machado o seguinte diálogo:
"MACHADO - E o Lula, Renan, durante [inaudível] um tempo não fez. [...] Quando chegou no final do governo...
RENAN - Veio, caiu na real.
MACHADO - ...botou na real. Aí [inaudível] umas besteiras, como a Marisa diz, besteira. Ele tem 30 milhões em caixa. Como é que não comprou um apartamento, uma porra [inaudível]. Porra, umas merdas, um sítio merda, um apartamento merda.
RENAN - Apartamento bancário!
MACHADO - De bancário, deixa o cara decorar...
RENAN - Da Bancoop.
MACHADO - Duzentos metros quadrados, Renan. Quer dizer, foi uma cagada enorme, e aí ele se fodeu."
Isso é o que sobrou da imagem de Lula, com a destruição feita por ele mesmo do mito construído pela propaganda. O chefão sofre a chacota até de quem estava sob seu comando. Como eu disse, a situação é bem diferente daquela do outro chefão, o do filme protagonizado pelo genial Marlon Brando. Quanta coisa o petista perdeu de aprender com este filme, sendo uma delas o distanciamento do chefão de todas as ações que comandava. O "padrinho" não se rebaixava. Nada de "apartamento bancário", como disse Renan Calheiros. Mas agora é tarde para o Lula, que na sua derrocada não pode seguir sequer a lição de Don Corleone, num aperto que ele dá no ator Johnny Fontane, que fazia mimimi por ter perdido o papel num filme. É uma das grandes cenas. Ele dá uns tabefes em seu protegido e manda que ele seja homem e não chore. Mas pelo que o Sarney disse, o Lula já abriu o berreiro.
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POR José Pires

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