quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Erenice vai pra planície, mas pode voltar logo com Dilma

A ministra da Casa-Civil, Erenice Guerra, caiu, ou foi para a planície, como disse um de seus antecessores, José Dirceu, quando também caiu do cargo e teve o mandato de deputado cassado por falta de decoro. A ex-ministra não tem com o que se preocupar, o período nessa tal "planície" é curto e o poder no partido e no governo não diminui, como demonstra a experiência de Dirceu.

Além do mais, é bem grande a possibilidade de vitória da colega da Erenice, que a colocou no posto. Caso Dilma se eleja, tudo se acerta no menor tempo possível e haverá até a ampliação do projeto que estava sendo desenvolvido na Casa Civil de Lula, que começou com Dirceu, passou para Dilma e depois para a recém-caída Erenice Guerra.

E como disse o deputado cassado e ex-ministro, mas sempre todo-poderoso no PT e no governo, a eleição da Dilma é mais importante do que a eleição do Lula, porque ela é mais representativa do projeto partidário petista.

Com a vitória de Dilma a companheira Erenice Guerra não fica nem até janeiro na planície.
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POR José Pires

Sobre DNA e DNAS

A nossa pobre República tem mesmo graves problemas em DNAs variados que corroem suas estruturas. O do lulo-petismo já está bem claro. Instrumentalização do Estado, favorecimentos pessoais cada vez mais amplos, ataques agressivos aos adversários por meio de tudo quanto é meio que for possível, inclusive na ilegalidade de dossiês e violação de sigilos, os sigilos de imposto de renda ou o uso da estrutura do estado para vasculhar contas antigas da presidência da república, como foi feito contra Ruth Cardoso e o marido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Não podemos esquecer também o componente autoritário desse DNA, que para transformar-se em totalitarismo não precisa nem de procurar substância ativa de fora de seu proprio organismo.

A ministra Erenice Guerra está aí encalacrada em mais este escândalo petista, não? Pois é bom lembrar que ela estava também metida no dossiê contra Ruth Cardoso e FHC. O que se diz até hoje é que os tucanos fizeram uma acordo na época para deixar a coisa pra lá. Pode até não ter acontecido isso, mas o fato é que a oposição não agiu com rigor para que tudo ficasse esclarecido. Bem, tinha que dar nisso, não?

Acaba valendo tudo, pois eles não são brecados. Agora estão pensando até no extermínio de partidos adversários,como confessou nesta semana o presidente Lula em um comício muito animado, que seus adversários, com toda razão, acham até que tinha cachaça como combustível.

Nada contra a cachaça, mas é mesmo bom evitar a mistura com comício. Mas o problema central não é o álcool, até porque tanto Winston Churchill quando Stalin enxugavam bem. E um era totalitário e o outro não.

O problema é mesmo o DNA. Quando estourou o escândalo de corrupção no Amapá logo me perguntei porque não tinha aparecido na lambança ainda o nome do senador José Sarney. Sarney, como já é notório, é um senador maranhense eleito pelo Amapá.

O nome dele não apareceu de primeira, mas em terra onde tem Sarney, é difícil que brote um escândalo sem que apareça um deles no meio. Pois o senador José Sarney já surgiu na história que levou à prisão do atual governador do Aamapá e candidato à reeleição e do governador anterior por dois mandatos.

Sarney é responsável pela nomeação de um pivô importante do esquema de corrupção do Amapá. E foi bem parecida com uma imposição a escolha do nome, feita em seu gabinete em Brasília. Ou seja, tem falta de decoro aí.

A definição de Aldo Alves Ferreira para a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado teve a interferência direta de Sarney, segundo depoimento feito à Polícia Federal pelo assessor jurídico da secretaria, Luiz Mário Araújo de Lima.

Conforme o que disse Lima, a coisa é feia. A nomeação de Aldo Alves Ferreira para a secretaria teria sido feita em pagamento a um favor prestado ao então governador do Amapá, Waldez Góes, que está preso. Ferreira era da PF do Amapá e flagrou uma transação ilegal em dinheiro no governo Waldez. E deixou pra, lá é claro.

Vejam a parte do depoimento em que José Sarney é citado: "Que Aldo teria assumido a secretaria alguns meses antes, 4 ou 5 meses; que soube através de terceiros que o secretário Aldo teria assumido o cargo em decorrência de favor prestado quando atuante da Superintendência da Polícia Federal do Amapá ao governador Valdez Goes e sua esposa Marília; que segundo relato no decorrer de uma investigação da Polícia Federal Valdez e Marília teriam sido observados recebendo dinheiro decorrente de mude nas licitações e contratos; que consta que Bispo teria sido chamado a Brasília pela deputada federal Fátima Pelaes para uma conversa que teria ocorrido no gabinete do senador José Sarney; que no gabinete estariam presentes os senadores José Sarney, Gilvam Borges, a deputada Fátima e Bispo, e numa sala ao lado estaria o governador Valdez Góes; que na reunião foi discutida a exigência feita por Aldo de assumir a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do Amapá, e isso, sem interferências políticas externas; que o senador Gilvam teria sido contra por entender que a exigência de Aldo era demasiada, sendo que o senador Sarney o admoestou dizendo que quem estava precisando de favor eram eles e não Aldo; que nessa reunião, então, foi confirmado que Aldo assumiria a Sejusp".

É interessante a repreensão de Sarney, lembrando o "favor" prestado por Aldo, que acabou sendo nomeado, vejam só, para cuidar da segurança pública do Amapá. Tudo foi feito no gabinete de Sarney no Senado, o que evidentemente pode configurar delitos cometidos na função de senador. E quando é que alguém da oposição vai pedir o impeachment do senador maranhense eleito pelo Amapá?

É difícil que algo aconteça também neste caso de corrupção, mesmo com o nome de Sarney envolvido dessa forma. E aqui temos mais um DNA e este não é só o da política brasileira: é o DNA do próprio brasileiro com sua eterna dificuldade de ir a fundo nas questões coletivas.

Com a falta de rigor os problemas vão crescendo, as gangues vão se apoderando do Estado. A crescente corrupção é nda mais nada menos o efeito deste traço da personalidade do brasileiro de deixar tudo como está. Dessa forma não tem como não piorar.
POR José Pires

Quando tudo fica como está, só pode piorar

O senador Sarney será colocado em seu devido lugar desta vez, primeiro botando ele fora do Senado e depois aprofundando investigações sobre sua espantosa fortuna e poder gerados a partir da política?

Talvez isso nunca aconteça. E também por uma questão de DNA. Lula, o PT, Sarney e outros que sustentam este esquema de apoderamento do Estado têm mesmo um DNA com as instruções genéticas que comandam seu funcionamento político.

E, usando a palavra que Lula falou em Santa Catarina, quando disse que o DEM precisa ser "extirpado", a solução cabe para o que esses DNAs corruptos vêm fazendo com o país. A corrupção precisa ser extirpada. É claro que sendo um componente humano de séculos ela jamais pode ser eliminada de vez, mas esta condição brasileira de domínio quase absoluto sobre o Estado precisa sim, ser extirpada.

Mas para isso é preciso começar a atacar com vigor estes organismos políticos chefiados pelos Sarney, Lulas e tantos outros. A corrupção no Amapá já exigiria uma ação efetiva, talvez com um pedido de impeachment sobre Sarney. Ou pelo menos ele precisa explicar em uma investigação oficial que situação doida é essa de um presidente do Senado participar de uma reunião em seu próprio gabinete para praticamente impor uma nomeação que depois vem dar neste escândalo.

Mas é claro que a possibilidade disso acontecer é praticamente nula, pois até no mensalão a oposição, tanto o PSDB quanto o DEM, amaciou a situação de quem era apontado como o verdadeiro chefe do esquema, o presidente Lula. Consta que o próprio PSDB fez uma reunião onde foi decidido não avançar com o processo até o final.

Nada aconteceu também nos escândalos recentes no Senado, onde foi descoberto um esquema interno de corrupção onde cada nova denúncia que aparecia tinha alguém ou nomeado diretamente pelo senador Sarney ou ligado a ele. Até netos e genros do Sarney apareceram no rolo. Era claro naquela escândalo quem estava na chefia.

Mas o que fez a oposição? Bem, deixa pra lá, é a mesma oposição que está aí assistindo com espanto a força eleitoral o poder estabelecido em consórcio entre Lula, Sarney e outras figuras. E ainda tem tucano idiota que fala em "carisma" do Lula. Sem falar nos "Zés" que o citam como estadista em programa eleitoral. Que DNA frouxo, hein?

É uma questão séria para a nossa esboroada República esse negócio de DNA. Tem os DNAs corruptos, corrompidos e corruptores que avacalham com tudo, mas, por outro lado, estes DNAs podres podem agir com a maior desfaçatez e vão ocupando cada vez mais espaços porque não recebem fiscalização e um ataque severo, também por uma questão de DNA. É o DNA da oposição, que não tem vigor para atacar os cânceres que minam esgotam o Brasil.
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POR José Pires

domingo, 12 de setembro de 2010

Deu na internet

sábado, 11 de setembro de 2010

Agora vai

A candidata petista Dilma Roussef hoje sobre as denúncias contra sua colega de governo, Erenice Guerra, que ficou em seu lugar na Casa Civil: “Acho que estão procurando uma bala de prata. É o que estão fazendo. Em busca da bala de prata. Sinto informar que não terão”.

A lenda diz que bala de prata é pra matar lobisomem, mas pra mim o que temos aí está mais para a vampirização de um país. É um governo vamp, até porque a sedução e a exploração dos brasileiros se faz da mesma forma que acontece entre os vampiros e suas vítimas.
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POR José Pires

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Será que ele é da CIA?


Será que Fidel Castro é da CIA? Nos anos 60 e 70 e avançando até o final dos anos 80, no Brasil quem fazia críticas ao regime cubano era logo tachado de agente da CIA. Pois Castro falou na semana passada que o modelo cubano não funciona mais. Numa conversa informal com jornalistas da revista americana The Atlantic Monthly, uma pessoa perguntou se ainda valeria a pena exportar o modelo comunista cubano para outros países e ele respondeu o seguinte; “O modelo cubano não funciona mais nem para nós”.

Como é que fica agora? A esquerda brasileira sempre defendeu com ardor o modelo cubano, hoje em dia com menos fanatismo que em décadas passadas, mas mesmo na atualidade ninguém da esquerda sequer ensaiou um senão ao que acontece em Cuba. E vem Castro e desanca o próprio modelo de governo cubano?

É o fim de um conceito que a esquerda sempre tratou como um socialismo de onde se poderiam tirar muitas lições. Bem, lições até que sempre deu, mas se já não estava fácil alguma lição que não fosse de fracasso, com a fala do líder da revolução a casa caiu de vez.

Ainda bem que a coisa não deu certo por aqui, senão estaríamos também com a necessidade de repensar tudo. A luta armada ocorrida no Brasil entre os anos 60 e 70 tinha como projeto implantar no Brasil algo parecido com o que foi feito em Cuba. Muitos desse grupos até eram mantidos pelo regime comunista cubano. O ex-ministro de Lula e deputado cassado, José Dirceu, teve inclusive aulas de política em Cuba, onde recebeu doutrinação do regime e até conhecimentos militares.

Imaginem se alguém escrevesse uma frase como a de Castro em blogs e sites mantidos por esquerdistas brasileiros: “O modelo cubano não funciona mais nem pra Cuba”. Na certa o comentário seria cortado, ou o pobre leitor soferia ataques de todos estes fanáticos que tomam a área de comentários desses blogs e sites, onde só cabe o sinal de positivo do oba-oba, com aplausos e manifestações de apoio. Coisa de patota.

A frase deixa a esquerda brasileira pendurada na brocha, mas virá coisa muito pior por aí quando o rescaldo do regime cubano passar por uma análise mais rigorosa. Afinal, nossa esquerda tem sustentado nesses anos todos que as coisas iam muito bem em Cuba e que seu modelo político era bom até para ser copiado em outros países.

E agora ficamos sabendo pela boca do líder máximo que o modelo não serve mais nem pra Cuba. Pode ser que o barbudo seja agente da CIA. Bem que aqueles agasalhos esportivos da Adidas não me enganavam.
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POR José Pires

Hay gobierno em Cuba? A esquerda brasileira é a favor

Entre os entusiastas do modelo cubano, um dos mais ilustres é o crítico literário e professor da USP, Antonio Candido. Ele é de 1918 e estava com 41 anos quando aconteceu a Revolução Cubana. Já tinha idade, portanto, para acompanhar de forma crítica todo o processo. Pois passou todos esses anos dando apoio incondicional a Fidel Castro.

Num livro de 1995, chamado Recortes e publicado pela Companhia de Letras, Candido publicou três textos de exaltação ao regime cubano que podem servir de exemplo sobre esses equívocos históricos de interpretação. Nossa esquerda nos deve uma severa auto-crítica. Pelo que Fidel Castro falou, esse pessoal estava nos enganando.

Existem muitos textos e vários livros sobre Cuba publicados no Brasil. A ilha foi sempre vista pela nossa esquerda como modelo apropriado para a construção de um socialismo aqui no Brasil. Como justificativas foram usados até argumentos pitorescos forçando uma unidade entre Cuba e o Brasil, como a cor da pele e o comportamento do povo cubano, que todo esquerdista jura ser parecidíssimo com o brasileiro. Ou “o socialismo mais desafogado e flexível”, como diz Antonio Candido em seu livro.

O fascínio pelo regime cubano cria comportamentos próprios de uma seita, o que aconteceu também em Cuba. Mas na ilha, ao contrário da esquerda daqui, pelo menos eles sempre tiveram desculpa de serem forçados a adorar Fidel Castro.

Desse fascínio surgiram evidentemente muitos depoimentos em livros, filmes e até canções da nossa MPB que trazem a admiração pelo regime de Castro. Mas fiquemos com o livro de Antonio Candido.

Em 1995, Candido via no regime cubano a “renovação do homem”, um exagero, e não só porque se trata de um regime totalitário comunista. Seria difícil executar uma transformação tão radical em qualquer regime político. E essa coisa de "renovação do homem" é lugar comum de todo regime autoritário. No texto de um intelectual soa muito mal. Além disso, o conceito de “renovação do homem” não é uma questão tão objetiva assim: que tipo de renovação e de que homem, cara pálida?

Nos três textos de elogio a Cuba, o crítico brasileiro toca de leve e mesmo assim apenas em um deles, no tema da falta de liberdade em Cuba. Uma frase dele sobre o assunto: “Cuba realizou um máximo de igualdade e justiça com um mínimo de sacrifício da liberdade”. Sobre as restrições à liberdade, a mesma justificativa de sempre, sobre o “estado de guerra” vivido por Cuba.

Outro trecho, onde ele faz uma elaborada comparação entre Cuba e os países capitalistas, como o nosso Brasil: “Enquanto nos nossos países há uma prática democrática de superfície, porque está baseada na tirania econômica e alienadora sobre a maioria absoluta, em Cuba há uma restrição relativa na superfície, e, em profundidade, uma prática de democracia em seus aspectos fundamentais”.

Isso é que é saber defender bonito um governo, não? Pois vejam como é bom que até Castro esteja vendo com olhos críticos o regime que ele mesmo instalou. Antes disso eu seria tachado de agente da CIA se dissesse ao Antonio Candido que uma visão crítica que é aceita e publicada nos países com “a prática democrática de superfície” não sai de jeito nenhum nos de “restrição relativa de superfície”.
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POR José Pires

No final, Fidel Castro dá razão aos críticos e demole os bajuladores

O livro de Candido é de 1995. Três anos depois a mesma editora brasileira publicou o livro Mea Cuba, do escritor cubano Guilllermo Cabrera Infante, de quase quinhentas páginas. Cabrera Infante foi um dos revolucionários cubanos que cedo percebeu o que era o Castrismo e rompeu com o regime indo para o exílio.

Em Mea Cuba ele relata de forma muito clara o processo de destruição da vida política e cultural cubana. O ótimo trocadilho com o nome da ilha e a confissão de culpa acabou se encaixando de ua forma impressionante nas atuais "meas culpas" de Fidel Castro.

Cabrera Infante pegou o começo da coisa, até ter que ir embora em 1965, mas manteve a atenção voltada a sua amada terra, sempre pronto pra voltar com a queda de Castro. Mas morreu antes, em 2005, o que é lamentável não só pelo que teria produzido nestes anos todos, mas pelo que poderia dizer sobre que está acontecendo agora na ilha. Fidel Castro deve ter soltado fogos no dia da morte do escritor. Cabrera Infante dava um trabalho danado ao regime cubano com seus escritos.

Mea Cuba não é leitura pesada. Nada de rancor amargurado. O escritor dá suas pauladas, pois é díficil não se indignar depois de ter toda perspectiva de vida destruída e sofrer o exílio. Mas Cabrera Infante cobra suas dívidas com Castro por meio de uma escrita muito bem elaborada, com um humor ácido que poucos escritores têm. Nâo é um panfleto. A condenação é uma obra de arte.

Muitas histórias ele viveu de perto, algumas delas são até trágicas como só pode acontecer em um regime autoritário, os relatos vão e vem, se entrelaçando em enredos com muita informação. Ele escreve bem pra danar. Dá o tom de quem viveu de perto a coisa, sem perder a qualidade literária do texto. Nâo cai no ramerrão mal escrito que é bem comum em relatos pessoais sobre acontecimentos políticos.

E é claro que não é um livro sobre o regime de Castro. É sobre algo maior, Cuba, que de certa forma o castrismo apequenou, mas que é de uma substância tal que assim que o regime falir de vez é provável que naquela ilha rebrote muito do que foi podado.

Cabrera Infante é um um desterrado,foi forçado ao exílio, mas não cultiva isso como uma tragédia. Do desastre político em seu país ele extrai humor, explorando com uma imaginação bastante expressiva as quedas que presenciou. Ele foi um dos revolucionários que derrubaram o ditador Batista, até ele próprio sair corrido por Castro de Cuba em 1965. Sempre que passo os olhos neste belo livro, fico pensando como ele iria gostar do que começa a acontecer na ilha — a sua Mea Cuba —, até porque previu boa parte disso.

Em Mea Cuba ele dá a medida do que foi a destruição política e cultural feita pelo regime comunista em Cuba. Expõe também a homofobia do regime de Castro, um comunismo receoso de tudo, até de gays, e mostra em histórias até engraçadas a relação de ódio do regime com artistas, jornalistas e intelectuais. Ele conta até uma história escabrosa, com Che Guevara expondo de forma agressiva sua homofobia.

A questão básica é a da liberdade criativa e de construção da realidade política da ilha, que gente como ele pensava que iria melhorar com a queda da ditadura de Batista, mas que piorou com a ditadura de Castro.

Os barbudos eram zdahnovistas. Para eles, cultura era para ser usada como instrumento do Estado e nada mais. Gradativamente, o governo foi fechando o cerco sobre a cultura cubana, impondo normas cada vez mais rígidas na edição de revistas e livros, dos jornais e na concepção de filmes, até sufocar uma exuberante cultura.

Cabrera Infante mostra que a cultura cubana já era de extrema qualidade antes da revolução e nisso está um ponto essencial da sua discordância com a esquerda latinoamericana. Gente como Antonio Candido busca sempre situar a revolução como um salto de qualidade em Cuba também neste setor. Cabrera Infante afirma que ocorreu o contrário, o que, a bem da verdade, é comprovado pela realidade atual de Cuba.

Com a diferença de três anos entre um livro e o outro, o livro de Candido traz uma visão toda positiva da ilha. Um dos textos sobre Cuba é um discurso no Prêmio Casa de las Américas, um evento anual usado durante muitos anos como suporte de propaganda política, com a presença de artistas e intelectuais de várias partes do mundo, que acabavam depois repassando em seus países impressões favoráveis ao regime cubano. Nós vimos isso aqui no Brasil. É aquela história que lemos tantas vezes aqui, de um país com alto nível de saúde e educação e blá blá e blá, sem tocar na questão essencial da liberdade.

As impressões de Candido vieram de uma dessas viagens. Para ele, ao contrário do que contou Cabrera Infante, em 1995 Cuba ainda era um centro cultural de altíssimo nível, de “uma fraternidade militante que vivifica as melhores tendências espirituais da nossa América”.

São muitas divergências entre Cabrera Infante e Candido. O escritor cubano via Fidel Castro como um homem intrigante e invejoso da capacidade alheia, além de ser juiz/promotor/júri na ilha que tomou pra si. Já Candido pensa bem diferente. Para ele “Fidel Castro é um líder extremamente humano”. É isso mesmo que ele escreve, não é piada minha.

O problema é que a História vem dando razão a Cabrera Infante a não a Candido. E isso vem até pela própria voz de Fidel Castro. Isso nem era necessário, é claro. E até nem era esperado. Mas acabou fortalecendo o que muitos críticos, como Cabrera Infante, vinham dizendo há muito tempo e que agora começa a ficar mais fácil de entender. E é claro que isso destrói a credibilidade de quem vem botando fé no modelo que o próprio Fidel Castro diz que já era.
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POR José Pires

Hay que ter ternura? Jamás!

Quanto a homofobia do regime, Guillermo Cabrera Infante conta em Mea Cuba várias histórias sobre a perseguição sofrida por muitas pessoas, entre elas os conhecidos escritores Reinaldo Arenas e Virgilio Piñera. Estes escritores, assim como vários outros homossexuais, eram também partidários da revolução.

Ele dedica mais espaço para Piñera, que era seu amigo, até porque por meio dos acontecimentos que envolvem a perseguição ao escritor por causa de sua condição sexual, as histórias vão compondo um panorama esclarecedor do desprezo humano usado como instrumento de pressão sobre o pensamento divergente.

Com histórias desse tipo, acompanha-se o padecimento da cultura cubana sob Castro. O ataque à sexualidade de Piñera e outros foi, na verdade, a via para eliminar o que essas pessoas tentavam trazer de diferente no aspecto cultural e que não se encaixava no projeto político da revolução.

A morte de Piñera em Cuba, aos 68 anos, tem componentes absurdos até para o regime cubano. Ele teve um ataque cardíaco e a ambulância demorou três horas (sic!). É claro que quando o socorro chegou ele já estava morto.

No velório sumiu o corpo de Piñera. As autoridades explicaram que o haviam levado para fazer uma autópsia, o que não era necessário. Para Cabrera Infante, o que o governo temia era um ajuntamento de gente. O cadáver voltou apenas meia hora antes do enterro e o percurso até o cemitério foi feito de forma apressada, forçado pelo governo cubano.

Sobre o preconceito com a homossexualidade de Piñera, Cabrera Infante conta uma história com Che Guevara que é de arrepiar a esquerda moderninha que vê no guerrilheiro argentino um símbolo de liberdade. Em visita à embaixada cubana na Argélia, remexendo na biblioteca, Che Guevara encontrou alguns livros de Virgilio Piñera. Pegou um deles e perguntou ao embaixador: “Como é que você pode ter o livro dessa bicha na embaixada”. E atirou com raiva o livro na parede.

O texto onde Cabrera Infante conta tanta coisa foi publicado em 1981, mais de dez anos antes de Antonio Candido discursar no Prêmio Casas de las Américas elogiando o regime cubano. É um ensaio publicado pela revista mexicana Quimera. No Brasil, o livro Mea Cuba é de 1983, como já disse. A honestidade intelectual não exigiria de Candido a consulta de textos como este antes de escrever seu elogio ao regime cubano? Talvez ele até tenha feito isso, mas se fez é provável que tenha sido com a visão de que Cabrera Infante fosse um agente da CIA.

E se deu mal também nisso. Há duas semanas Fidel Castro assumiu a culpa pela onda homofóbica de seu governo, quando perseguiu homossexuais. Não era um preconceito aleatório, mas uma política de Estado. Eles eram acusados de serem “contrarrevolucionários” e muitos eram enviados para campos de trabalho forçado. Que os comunistas cubanos se preocupassem com esse tipo de coisa, tendo tanta coisa para fazer naquele ínicio de revolução, explica muita burrada que aconteceu em Cuba.

Mas, enfim, Castro fez essa confissão no final de agosto ao jornal mexicano La Jornada afirmando que isso foi um erro do regime e menos de duas semanas depois veio com essa de que o modelo cubano não serve mais nem para Cuba. Pelas barbas de Karl Marx, o que virá mais por aí? Deve ter muito esquerdista relendo com muita preocupação e pesar seus escritos a favor do regime cubano.
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POR José Pires


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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Janine Ribeiro pede pra deixar pra lá a quebra de sigilo

O professor da USP, Renato Janine Ribeiro, resolveu dar sua opinião sobre a quebra de sigilo de pessoas ligadas ao candidato José Serra. Fez isso na Folha de S. Paulo, em um artigo que já está sendo republicado na blogosfera petista, os blogs e sites governistas, alguns deles com suspeita de seus donos receberem dinheiro do governo ou favorecimentos pessoais. Os dados revelados com a quebra de sigilo eram publicados nestes blogs antes do caso virar um escândalo.

Parece coisa combinada, pois sempre é assim. Basta surgir complicação para o PT que logo são publicados artigos com argumentações em muito parecidas com as dos petistas. Em alguns casos esses textos com ares de imparcialidade até antecipam a linha de defesa que vem depois.

Não estou evidentemente afirmando que Janine Ribeiro esteja metido em uma conspiração contra a oposição, mas é um fato que ele escreveu exatamente o que lideranças petistas vêm afirmando desde que surgiu o escândalo.

Ele repete inclusive argumentos parecidos com os de Lula, ditos ontem no programa eleitoral de Dilma, quando o presidente da República dividiu o país entre os que gostam ou não do Brasil.

É um raciocínio fascista, que não surpreende dentro do interesse marqueteiro de Lula, mas que soa estranho no texto de um “professor titular de Ética e Filosofia Política”, como Janine Ribeiro se identifica no pé do artigo.

O professor traz essa argumentação no final do texto, depois de afirmar que “a exploração política do caso é exagerada” e de colocar a quebra de sigilo da filha de Serra na mesma situação de “centenas de milhares de declarações vendidas na rua 25 de Março, em SP”.

Num trecho do artigo, ele chega ao ponto de dizer que o que está ocorrendo parece uma "birra um com o outro" e que "o povo" não merece isso. Pois é, acontece um atentado contra os direitos de vários contribuintes e um professor da USP vê na reação da oposição "uma birra".

Depois de escrever essas coisas, ele finaliza dessa forma: “Teremos, todos nós, que construir este país, pelo resto de nossas vidas. Melhor evitar paixões e atos que tornem, depois, difícil a colaboração, pelo menos entre quem gosta do Brasil”.

É esquisito um intelectual dividir o debate político entre os que gostam ou não gostam do Brasil. A esquerda tem o hábito de tachar qualquer coisa que a desagrade de “fascista”, mesmo que o caso não se enquadre de fato na definição. Mas essa visão política expressada primeiro por Lula e depois por Janine Ribeiro é, sem dúvida alguma, fascista.

O ponto central do artigo do professor é de que houve uma exploração política da quebra de sigilo. Ainda para justificar formalmente sua tese, ele traz para a discussão a opinião de que a mídia tem falhado na cobertura dessa eleição, centrando a atenção mais no resultado de pesquisas ou em escândalos do que na informação global, inclusive do que acontece nas eleições estaduais.

Nisso, em parte o professor pode até ter razão, mas ele encaixa esta preocupação apenas para fortalecer e até justificar sua tese da inocência do PT e de Dilma em relação ao escândalo. O que ele propõe é que o caso da quebra de sigilo seja deixado pra lá pela imprensa e a oposição. “Melhor seria a oposição e a imprensa que a apoia aceitarem que nas eleições se perde e se ganha “, ele diz.

Janine Ribeiro não está gostando do rigor com que este tema está sendo tratado, o que é surpreendente no professor que levantou uma polêmica danada quando defendeu a pena de morte para o grupo de assassinos que roubou um carro no Rio de Janeiro e levou à morte uma criança que ficou dependurada pelo cinto de segurança à porta do carro, no que ficou conhecido como “Caso João Hélio”, ocorrido em 2007.

Na época, o professor foi além da defesa da pena de morte. “Se não defendo a pena de morte contra os assassinos”, ele escreveu sobre o crime, “é apenas porque acho que é pouco”.

Já quanto à crimes contra a Constituição e o Estado, parece que Janine Ribeiro não vê a necessidade de rigor algum.
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POR José Pires

Com um DNA desses não se brinca

O candidato José Serra disse que a violação de sigilo fiscal está no DNA do PT. Ele tem toda a razão, mas assim fica difícil entender qual era a razão política que levou seu programa eleitoral a tratar Lula como um estadista poucos dias antes de estourar o escândalo.

Não, não vou abandonar o pensamento de que o lulo-petismo precisa ser derrotado, posição que defendo e não é de hoje. Para barrar o risco do lulo-petismo só não acho aceitável maluquices como as do Psol ou PSTU, mas felizmente essas possibilidades são pra lá de remotas. Na minha opinião, o lulo-petismo tinha que ter sido apeado do poder já no mensalão. Mas a oposição subestimou a capacidade de superação de Lula e seus companheiros quando o viu acovardado naquela famosa entrevista em Paris.

E a oposição tem mostrado que aprendeu pouco de lá pra cá. Só se recupera por meio de sustos, como foi com a quebra de sigilo. Tem uma dificuldade danada de seguir com coerência uma linha de comportamento que não seja conduzida por interesses circusntaciais da política.

Sempre o que pode acontecer de pior numa eleição é evidentemente ter menos votos que o adversário. E na atualidade a derrota para o PT pode ser muito mais grave que em qualquer outra eleição. E como isso pode de fato acontecer, eu acho bom se preparar inclusive para o que virá com este possível terceiro mandato do lulo-petismo.

O repúdio da população com a quebra de sigilo só não é maior por conta dos erros anteriores da campanha de Serra e a posição sempre dúbia de Marina Silva. É lamentável que por isso este repúdio à ilegalidades que podem ser definidas claramente como crimes contra o Estado não possa ser capitalizado de forma completa em razão de equívocos anteriores da oposição.

Agora, com, a realidade já posta, dá para ver o quanto Serra não ganharia se tivesse vindo desde o início da campanha eleitoral atuando de forma crítica, sem amenizar as críticas ao governo Lula. Bem, independente da trapalhada criminosa da quebra de sigilo, o candidato já vinha em queda muito séria, uma conseqüência do marketing errado que já criticávamos aqui desde o começo, quando Serra ainda estava bem a frente de Dilma nas pesquisas.

A quebra de sigilo parece mesmo ser coisa do DNA petista. Vivem na mesma condição que determina que o escorpião dê a ferroada que o faz também perder a vida. E aqui o que se pede à oposição é que ela não faça o papel do sapo, pois mesmo que haja um ou outro petista honesto, é inevitável que no final ele acabe agindo em conformidade com o corpo partidário. É o DNA que domina.

E com este DNA não se brinca, porque as consequências políticas trazem riscos que vão muito além desta eleição.

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POR José Pires

Desde as Diretas Já eles aprontam contra os democratas

A busca da satanização do adversário pelos petista não é nova e os tucanos sabem muito bem disso. Para o petista não existe debate político com objetivos que estejam acima do interesse partidário e nisso pesa muito a raiz histórica leninista de muitos que hoje dominam a máquina partidária. E por mais que ele fiquem irritados em público com esta explicação, é sabido que reservadamente bate até um orgulho com a analogia entre o método local e a ideologia forjada pelo mestre político russo a partir do marxismo.

O petista vai de cabeça em suas ações. E não falo do pensamento, mas da cabeça como arma de guerra, um aríete usado para abalar o adversário. E é claro que dessa forma a cabeça não pode pensar em agir com equilíbrio e cautela, mesmo em situações arriscadas para o país.

Temos muitos exemplos históricos. Não é de hoje que eles atrapalham. Na campanha das "Diretas Já", por exemplo, os petistas se juntavam em grupos para vaiar nas manifestações as lideranças que não pensavam de acordo com eles.

Outra situação exemplar é a da disputa entre Fernando Henrique Cardoso e Jânio Quadros, pela prefeitura paulistana em 1985. Era a primeira eleição direta nas capitais após muitos anos com prefeitos nomeados pela Ditadura Militar.

Havia naquele momento uma clara possibilidade de retrocesso na abertura política, mas os petistas não davam bola para o risco. Naquela eleição Fernando Henrique foi acusado de ser ateu e até de fumar maconha. Mas o PT até gostou dessas sujeiras que vinha da campanha janista.

O curioso é que o ateísmo e a maconha era uma discussão muito mais ligada aos meiors petistas, mas eles não fizeram nenhuma interferência denunciando o jogo sujo de Jânio Quadros. Ao contrário, batiam apenas nos tucanos.

O candidato petista era Eduardo Suplicy, que até apareceu em um debate com uma tartaruga que ficou famosa na história das campanhas políticas. Nunca mais se ouviu falar dessa tartaruga. Suplicy deve ter perdido ela. A argumentação do PT era a de que Jânio não representava risco algum para o processo político, o que foi desmentido pelos caminhos abertos por sua vitória naquela eleição para a política feita com demagogia e sem nenhum respeito pela ética ou o bom senso.

E por falar nesta eleição, na época o recém-criado Datafolha afirmava que o eleito era Fernando Henrique Cardoso. Insistiram neste erro até nas pesquisas de boca de urna, quando os erros são praticamente nulos. Mas isso é outra história. Voltemos ao DNA petista.

Este DNA dominou sempre a ação dos petistas e influiu de forma decisiva inclusive nas disputas internas do partido, que foi aos poucos eliminando pessoas decentes e grupos preocupados realmente com transformações de qualidade na política brasileira.

O poder quase total acabou ficando nas mãos do grupo que tem o deputado cassado José Dirceu como chefe de alta importância e que hoje tem o domínio sobre a candidatura de Dilma Rousseff.
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POR José Pires

Muita coisa já foi feita por debaixo dos panos

Todos esses processos de espionagem e ataques diversos aos adversários feitos pelo PT não são mesmo coisa nova e os fatos históricos estão aí para demonstrar. Se hoje usam até informações cujo sigilo é defendido pela Constituição, no passado esta intromissão vinha por meio da mídia, encaixadas em reportagens políticas.

Os interesses em torno desses acontecimentos ainda são bem fortes. O próprio PT está no poder federal. Mas ainda vamos acabar conhecendo o que se fez de ilegal para atingir adversários políticos enquanto a esquerda esteve na oposição. O país pode se horrorizar com os métodos que foram usados de forma encoberta.

O que se sabe é que a máquina sindical usava e abusava do acesso de funcionários à informações nos mais variados setores da administração pública no Governo Federal, nos municípios e até em bancos estatais e privados.
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POR José Pires

FHC já teve a família atingida

O episódio da ameaça contra Fernando Henrique Cardoso e sua falecida mulher, Ruth Cardoso, na época dos escândalos dos cartões corporativos usados de forma ilegal por autoridades petistas é outro exemplo significativo do uso da máquina pública contra adversários.

Os tucanos deveriam ter brecado este sistema ali mesmo, mas foram “delicados”, como sempre. Sobrou para eles até a suspeição de que teriam abandonado o assunto depois de um acordo com os petistas.

Naquela época havia também um dossiê. E a oposição não agiu com o rigor esperado mesmo ficando comprovado que a fonte dessa ameaça era a Casa Civil do governo Lula, ocupada por Dilma Rousseff.

Mas ali já se via que essa agressiva postura política nada poupa, atingindo inclusive a família dos adversários. O próprio ex-presidente FHC teve também usado contra ele um filho que ele teve fora do casamento. Para isso na época foi usada uma revista então alternativa, a Caros Amigos, que se alinhou de forma incondicional ao lulo-petismo depois que Lula foi eleito.

Quando esteve no poder, Fernando Henrique também tinha seus filhos acusados o tempo todo de usar o poder do pai presidente da República para ganhar dinheiro. No entanto, o que vemos hoje é que, se houve um filho que ficou milionário durante o mandato do pai presidente, foi o filho do Lula, que ganhou mais de cinco milhões de reais em apenas um negócio que parece ter sido favorecido pela influência do pai na presidência da República.
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POR José Pires

Em batida parecida, antigamente quem sofria eram os democratas


Processos parecidos com os de agora foram usados incontáveis vezes contra adversários. E muitas vezes isso foi relevado por setores da política brasileira, quando não houve até convivência, algumas vezes em razão de que os alvos atingidos não mereciam respeito algum.

Os golpes desfechados contra políticos de comportamento notoriamente contrário à ética acabavam sempre encaixados como instrumentos válidos no momento. É a velha frase que diz que os fins justificam os meios.

Isso nunca é verdade. Pois mesmo que o objetivo desse tipo de ação seja supostamente ético, depois fica muito difícil brecar processos ilegais, que passam a ser usados de forma indiscriminada.

É o que se vê agora com os dossiês petistas e a quebra do sigilo fiscal de adversários feita de forma criminosa. Bem, pelo menos já temos a certeza de que não se pode fechar os olhos para essas coisas. Mesmo que o alvo seja um PC Farias, ele não deve ser combatido com métodos que passam por cima dos direitos e da Constituição.

É bom lembrar que há muito tempo algumas pessoas, inclusive da política, vêm alertando o país sobre esses métodos. E os tucanos merecem como um crédito histórico a lembrança de que vários de seus líderes vem fazendo isso antes até do PT alcançar o poder.

É gente como Franco Montoro, Mário Covas, os próprios Serra e FHC, e também setores históricos do PMDB, como Ulysses Guimarães e outras figuras expressivas da política brasileira, que foram contrários a ilegalidades mesmo quando usadas contra a ditadura militar.

E um dado histórico que o PT não quer discutir de forma alguma é o da participação na luta armada nas décadas de 60 e 70 de sua candidata a presidente. Naquele tempo a oposição democrática ao regime já abominava este tipo de método.

E o interessante é que até essas discordâncias eram tratadas com fúria pelos petistas, que de imediato passavam a satanizar tais políticos. Então era movida uma máquina de difamação da imagem dessas pessoas, por vezes, foi bem eficiente. Hoje ainda tentam construir uma má fama histórica para os que, de fato, foram responsáveis pela queda do regime.

Se ainda hoje alguns vêem alguém como o ex-governador de São Paulo, Montoro, por exemplo, como um político indeciso e até tolerante demais, em boa parte é efeito dessa difamação histórica, feitas à época e que segue até hoje. É claro que quando buscam estigmatizar tal tolerância, os petistas escondem que ela serviu também para Montoro não tomar medidas severas quando manifestantes liderados pelo PT derrubaram as cercas do Palácio dos Bandeirantes para afrontar o governador Montoro.

Convém destacar que Montoro era o primeiro governador paulista na primeira eleição direta após vinte anos. A oposição democrática trabalhava então enfrentando muitas dificuldades, inclusive na administração de estados praticamente levados à falência por governadores anteriores nomeados pela ditadura. E era preciso também ter muito cuidado para preservar e ampliar a abertura democrática.

A eleição de um presidente civil pelo colégio eleitoral, que acabaria vindo em 1985 com Tancredo Neves, não existia nem em sonho, pois o regime ainda pensava em se manter no poder.

Mas a agressividade era uma marca do PT usada da forma mais irresponsável. Nisso pareciam bastante como o MIR, o partido de extrema-esquerda que causou um estrago político danado no Chile durante o governo de Salvador Allende.

Enfim, para o PT cabia também muito bem a frase que diz que os fins justificam os meios. Pode ser vista como um slogan do partido, que desde sua fundação tem atrapalhado bastante, primeiro a reconstrução democrática do País e agora a consolidação desta mesma democracia.
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POR José Pires

Contra PC Farias parecia que valia tudo

Desde os tempos da ditadura venho participando de muitas atividades políticas apartidárias e, de lá para cá, nunca vi nenhuma em que não aparecesse um grupo de petistas tentando instrumentalizar, atropelando o bom senso e sempre prontos a desrespeitar regras da democracia e até jurídicas. Como forma de emplacar estas propostas elas vinham sempre embaladas com a justificativa de que seriam usadas para o “bem”.

É bem conhecida a participação do então deputado federal, José Dirceu, na maquinação feita pela revista Veja para não infringir a lei com a publicação das declarações do Imposto de Renda de Paulo César Farias, o tesoureiro da campanha do então presidente Fernando Collor. Os editores da revista pensavam em publicar os documentos quem tinham nas mãos, mas poderia incorrer em um crime. Foi combinado então com Dirceu que a revista afirmaria que as declarações de renda haviam sido encaminhadas anonimamente a ele, antes de chegar ao conhecimento da revista. Dessa forma, estaria criado um “fato legislativo”, uma defesa legal para que a revista não corresse o risco de ser processada. E assim foi feito.

Este episódio é dos mais interessantes pelo que mostra da reviravolta da esquerda brasileira. As ações concatenadas entre Dirceu e a Veja eram para atingir Fernando Collor. Hoje os petistas estão juntos com Collor, inclusive com pessoas íntimas do então presidente, como o dono do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, e o líder da tropa de choque collorida, Renan Calheiros, além de outros políticos ligados ao esquema.

Outro fato curioso é que, na época, um jornalista como o editor da Carta Capital, Mino Carta, pelejava para encontrar material para derrubar Collor, o que acabou aparecendo com a hiostória do Fiat Elba revelada pela revista. Hoje, Coimbra e Carta estão juntos na mesma revista, bem ativos na defesa de Dilma.

É claro que se podia alegar que qualquer recurso podia ser visto como válido contra alguém como PC Farias. O problema, como eu já disse, é parar a coisa depois, como estamos vendo agora. O fato é que coisa não parou, com a diferença que hoje a revista Veja está no lado adversário e e Collor e Dirceu juntaram as armas em defesa de Lula. Mas não faltam veículos para o serviço, alguns criados exclusivamente para isso, na profusão de sites e blogs da nossa internet.
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POR José Pires

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Um presidente da República a serviço do marketing de Dilma


Dá para usar o jargão que Lula repisa sempre para falar de um Brasil que só existe na cabeça dele e na propaganda governista. Nunca um presidente da República desceu tanto no aspecto cívico como Lula fez neste 7 de setembro quando apareceu no noticiário como presidente da República à frente do desfile do Dia da Independência desfilando em carro aberto e depois surgiu no programa eleitoral como garoto-propaganda da candidata, fazendo uso inclusive das simbologias da nossa independência para reforçar argumentações mentirosas que a campanha petista tem usado para tentar esconder os crimes de quebra de sigilo cometidos contra a oposição.

Falava o presidente da República ou o cabo-eleitoral de Dilma? Reparem na imagem acima, retirada do programa petista, a identificação de Lula como "presidente do Brasil" e o símbolo verde amarelo espetado no lado esquerdo de seu terno para criar confusão na cabeça dos telespectadores e reforçar o embuste.

O marketing político apoderou-se da simbologia da Presidência. A apresentação foi encenada de forma a dar uma aparência oficial para a presença de Lula. Para criar uma confusão descarada entre os dois papéis os petistas aproveitaram até o hábito dos nossos presidentes falarem à Nação neste dia.

O cargo mais alto da República foi usado de forma marqueteira em um dia muito especial para os brasileiros, algo que nenhum outro presidente até hoje tinha feito. Nem na ditadura militar o cargo de presidente foi utilizado para tal coisa. Só faltou Lula usar a faixa presidencial no programa eleitoral petista. Devem estar guardando isso para um futuro próximo.
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POR José Pires

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Agora vai

Anuncia-se uma tal de "lei da responsabilidade educacional". Seria uma lei com metas básicas sobre a educação que seriam cobradas de Estados e Municípios. Já está sendo colocada como uma daquelas panacéias brasileiras para o desenvovimento da educação no Brasil.

É como se o país precisasse de um documento legal para por em prática soluções de um problema que já foi suficientemente diagnosticado, como acontece com vários problemas brasileiros que jamais são conduzidos para os caminhos (muitas vezes, as soluções são bem variadas) já indicados por especialistas e pelo debate em torno do assunto.

É também como se o País já não tivesse legislação suficiente sobre educação e o entendimento prático de como chegar à qualidade em cada estado ou município. "Ah, então a educação é ruim porque faltava essa lei nova", essa parece ser a lógica.

Numa nação que tem uma Constituição que só falta definir normas para a escovação dos dentes, não é de estranhar esta idéia de que a realidade pode ser desentortada à força de leis.

Os demagogos agradecem e estimulam a impressionante facilidade dos brasileiros aceitarem essas empulhações. É o país da Lei Maria da Penha, uma lei específica para a violência contra a mulher no país das chacinas, dos crimes encomendados, da tortura e violências das mais variadas que já fazem parte do cotidiano e que óbviamente não escolhem o sexo das vítimas.

A violência sofrida pela mulher que deu nome à lei é impressionante, mas precisava de uma lei específica para punir o marido da Maria da Penha? Acharam que precisava. E demagogo aproveita qualquer ocasião que pareça. O resultado é que o marido violento de fato, o da Maria da Penha, já está livre depois de ter ficado preso menos de dois anos, mas muito marido já foi preso em cela de bandidos perigosos depois de uma briga doméstica sem maiores conseqüências.

Somos também o país do crime hediondo, mas, puxa vida, o que é mesmo um crime hediondo? Acho que é coisa difícil de explicar para as pessoas próximas da vítima. Para a vítima é ainda mais complicado, mas numa projeção metafísica poderíamos afirmar então que alguém que foi morto sem atrocidade acabou levando vantagem? Ah, bom.

Mas de qualquer forma, como é ínfima a porcentagem de crimes elucidados pela polícia e ainda menor o número de criminosos presos, é o tipo de lei que na mão de um bom estatístico pode até fazer diminuir o impacto dos números, pois possibilita uma fragmentação da incompetência.

A Lei Ficha Limpa, que está aí em plena execução, é outro exemplo. Se o Judiciário e os partidos funcionassem de fato, como já está muito bem definido não só por leis ordinárias, mas por códigos morais implicítos na vida de qualquer um, não haveria necessidade alguma de uma lei nova para impedir que certos patifes se candidatassem.

A bem da verdade, sendo compostos de gente bem crescida que não precisa consultar a toda hora o Código Penal e muito menos leis novas para saber o que é certo ou errado, os partidos não deveriam permitir nem a entrada de pessoas que podem ser barradas pela Lei Ficha Limpa, quando mais que elas se candidatassem.

Como os partidos permanecem os mesmos e a Justiça dificilmente se renovará, o mesmo acontecendo com um conjunto de instituições, nem é preciso dizer qual será o destino da Ficha Limpa. Irá para o ralo, do mesmo modo que foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, que por sinal é inspiradora desta "lei da responsabilidade educacional".

Para terminar, por melhor que seja esta nova lei, por certo que o organismo responsável diretamente por sua execução tem que ser o Ministério da Educação. Como esta área do governo, qualquer deles, seja do PT ou do PSDB, é incapaz até de fechar universidades privadas picaretas que atentam não só contra a Educação, mas agridem até o Código do Consumidor, nem é preciso fazer uma projeção detalhada do que vai acontecer com ela.
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POR José Pires

Falta de verde

Marina Silva é nova do lado de cá do poder, pois saiu do PT há pouco e parece ter deixado lá seu coração. Não duvido que volte ao lar um dia, até para viver de forma prática o simbolismo do filho pródigo, no caso uma "filha pródiga", o que dá um tom contemporâneo ao misticismo de que ela tanto gosta.

Esta condição delicada, de estar de um lado em que o crescimento eleitoral exigiria rigor crítico, auto-confiança e ousadia, sendo ao mesmo tempo responsável por uma parcela imensa de responsabilidade nos erros e na má condução de políticas públicas e em decisões de governo na área ambiental, parece que deixou Marina entortada. Foi o que impediu o florescimento de uma candidatura que tinha um espaço imenso para crescer.

Mas para isso ela teria de mirar no Lula que compara lavouras de soja à um "cerradinho", quando firma sua posição de que se dane o "cerradinho". Mas acontece que vibra em seu coração o Lula amoroso, compreensível e também didádico, que até deu a ela importantes lições sobre o meio ambiente, quando numa reunião entre os dois disse o seguinte: “Marina, essa coisa de meio ambiente é igual a um exame de próstata: não dá para ficar virgem toda a vida. Uma hora eles vão ter que enfiar o dedo no c... da gente. Então, companheira, se é para enfiar, é melhor que enfiem logo”.

O cara é de uma delicadeza, não? Porém, não é só Marina que se confunde com Lula. Esta confusão em relação ao verdadeiro caráter do nosso presidente, que obscurece para muitos o patife que ele é de fato, acomete até políticos com longa carreira na oposição, como já ocorreu com José Serra, que quase virou um Zé. Mas, pelo visto, depois da agressão à sua filha o tucano acordou.

Mas voltemos à Marina, nossa amazônida compadecida. Hoje ela lamenta na imprensa que a eleição está virando um "vale-tudo". Ela diz isso sobre a troca de acusações dos últimos dias entre partidários de Serra e de Dilma.

Ah, a doce e pacífica Marina. Certamente quando era ministra de Lula acompanhava pouco os passos de seu governo, concentrada que estava em defender a perereca de que Lula tanto fala. Não estava atenta aos ataques diários à oposição, ao uso da máquina pública, a agressão ao aparato jurídico... bem, mesmo o mensalão Marina acha que foi coisa de "meia dúzia". Nossa Osmarina parece uma Carolina.

Então ficamos assim. Serra e o pessoal em torno dele tem seus sigilos fiscais violados de forma criminosa, agressão que atinge até sua filha, e quando ele reage ao abuso, nossa equilibrada Marina vê um "vale-tudo" de campanha.

Seria muito que tivéssemos uma candidatura verde, alguém com competência para trazer para o cotidiano político a questão do meio ambiente, o mais importante tema da atualidade porque estamos todos em risco em razão dos desatinos com o planeta. Seria excelente ter esta discussão como um ítem essencial desta eleição, tarefa que Marina chamou para si e não teve competência para desempenhar.

Precisamos muito de políticos verdes, mas de laranjas não carecemos, não. Isso já existe demais na política brasileira.
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POR José Pires

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Lula, Dilma e o direito de lavar a própria cueca

Um dado (epa, como diria o pessoal de O Pasquim) interessante nesta nova treta governista da violação do sigilo fiscal de pessoas próximas do candidato José Serra é o alto número de mulheres implicados no caso. No início da descoberta do escândalo era uma, agora já apareceram outras quatro mulheres.

Não é que seja necessário, mas este tipo de coisa vem bem para quebrar este discurso demagógico e sexista que o governo Lula tenta estabelecer para favorecer a candidata Dilma Rousseff. Essa fixação em questões de gênero é só eleitoral. Se tivessem achando que o foco é o meio ambiente, como acreditaram no início da campanha, mas logo abandonaram, não haveria mais petista vermelho. Seriam todos verdes.

Não há nenhuma diferença no aspecto ético ou administrativo no fato do governante ser homem ou mulher. O que vale não é o que um e outro tem no meio das pernas. Neste caso o que conta mesmo é o caráter.

Mas para o PT é preciso enfiar na cabeça do eleitor que é uma qualidade o fato de Dilma ser mulher. E isso quando é notório que no ambiente de trabalho Dilma não tem nenhuma qualidade, como equilíbrio e tolerância, que os marqueteiros tentam vender com atributos femininos. Ao contrário, é conhecida por ser violenta e grosseira, os piores estereótipos masculinos.

E a jogada marqueteira é casada. Juntam os compromissos do presidente da República com o interesse eleitoral do PT. Hoje Lula esteve no Paraná para a abertura do "2º Ciclo de Encontros Regionais para o Fortalecimento da Equidade de Gênero no Mundo do Trabalho". Neste estado o benefício da demagogia é duplo. Além de favorecer Dilma, o PT tem ali como candidata a mulher do ministro Paulo Bernardo.

Quem paga pelo palco para Lula e os companheiros somos nós, é claro. O evento tem o apoio das seguintes empresas federais: Serpro, Embrapa, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaipu, Eletrobras e a de sempre, a Petrobras, onde os petistas descobriram que o petróleo é deles.

É claro que Lula deitou falação, da forma simplificada, bem idiota mesmo, como encara qualquer assunto. Falou até da necessidade do homem lavar a própria cueca. Ele não falou nada sobre a lavagem de dólares na cueca.

Mas deitou falação sobre um tema sobre o qual seu governo fez bem pouco. Em oito anos não atacou de forma conclusiva nem problema graves como a escravidão sexual de milhares de mulheres.

Mas é curioso saber de discursos sobre direitos femininos vindos da boca do Lula que, quando já era um líder político conhecido, dizia certos ambientes políticos para "comer as menininhas". Isso foi na época em que ele viajava para Cuba junto com João Pedro Stédile, do MST, para seminários de doutrinação política, mas na ilha só queria saber de praia e rabo de saia.

Mas Lula é um político sem nenhum caráter, com um discurso para cada platéia.Se os planos da sua candidata dessem certo na década de 60 e hoje fossemos uma ditadura comunista, ele seria sem nenhum problema um convicto comissário do povo.

Mas eu gostaria mesmo de ver esses arroubos feministas em questões como a das relações do Brasil com o Irã, por exemplo, onde as mulheres não têm nem direitos básicos e são mortas a pedradas. Mas nada disso. Em casos como o do Irã, Lula só pensa nos direitos do Ahmadinejad.
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POR José Pires

Nossa mídia e as plantações do Planalto

Ao lado, um recorte da página de hoje do Estadão na internet. Vejam a linha fina, abaixo da manchete, que diz "Operação de abafar escândalo da violação de IRs causou profundo mal-estar no Planalto".

Lula peleja para fazer de um crime político uma simples questão de erro burocrático, uma falta de zelo numa agência da Receita. A imprensa não deveria cair nessa, pois o que temos aí é um atentado contra os direitos civis, uma agressão à Constituição. Tem uns momentos históricos que exigem que o jornalismo exerça um papel mais firme. Eu penso que este é um desses momentos que pedem maior combatividade. Será que vai dar ou iremos ficar com a versão de que estão todos indignados "no Planalto"?

Hoje o Estadão ainda fez um belo serviço estampando na capa a tentativa de autoridades da Receita Federal em abafar o caso, mesmo sabendo já sabendo da fraude. Bem, eu não acredito que a fonte dessa enganação seja exatamente a Receita.

Mas no geral, parte importante da mídia vem se comportando de forma pouco rigorosa neste caso. Ainda ontem, mesmo todos tendo na cara a documentação comprovando que era falso o material que a Receita Federal usava para alegar que a própria Verônica Serra havia pedido a quebra de seu sigilo fiscal, vários sites ainda usavam aquela palavrinha mágica para se eximir de responsabilidade sobre a notícia, informando que os documentos eram "supostamente" falsos ou que assinatura dela é que foi "supostamente" falsificada.

A palavrinha serve para se eximir de responsabilidade com a notícia. Afinal é falsa ou não? A situação é bem parecida com a ordem de Dilma como chefe do Gabinete-Civil para levar para Brasília a mulher do representante das Farc no Brasil. Mesmo com o fac-símile do documento oficial assinado por ela, até hoje ainda ainda sai notícia dizendo que Dilma "supostamente" deu a ordem.

Bem, desse jeito fica bem mais difícil diminuir o calor que choca o ovo da serpente para o ano que vem. Lula e seus assessores (ou "o Planalto", como gostam de dizer) pelo que se vê plantam a versão de que a violação está apenas no âmbito da Receita Federal e inclusive a operação-abafa.

Com se diz entre gangues, é do jogo. O que não é "do jogo" é a imprensa acolher de forma mansa a manipulação.

Por aí pode-se chegar também à conclusão de que a quebra de sigilo foi feita por deliberação própria das moças de Santo André, que entre uma sapeada nas fofocas da internet e uma renovada no orkut, resolveram ver como andava a vida fiscal da filha do Serra.
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POR José Pires

Eu não sou mesmo um exagerado

Dois amigos e uma amiga muito querida me telefonaram para falar sobre o texto abaixo. Elogiaram, para depois comentar o exagero do tamanho desse manifesto indignado. Pois é, mas o exagerado não sou eu, não. O tempo em que vivemos é que é um exagero.
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POR José Pires

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Gangues da política e o escândalo como meio de vida

Numa entrevista em julho de 2005, o sociólogo Francisco de Oliveira prognosticava um futuro sombrio para o PT, partido que ajudara a fundar e do qual havia saido recentemente. "O PT", dizia ele, "vai ser um peronismo, todo dividido em gangues". O bando de gangues disputaria ferozmente para ver quem assume o controle.

Naquele mesmo ano, em junho, surgiria o caso do mensalão, o esquema de suborno de parlamentares para garantir a maioria governista no Congresso Nacional e muita coisa viria depois, derrubando inclusive ministros muito fortes, como ocorreu com Antonio Palocci, que teve que se demitir do Ministério da Fazenda quando a descoberta da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo inviabilizou sua presença no governo Lula e interrompeu um futuro promissor, que previa inclusive a candidatura presidencial hoje ocupada por Dilma Rousseff.

A situação prevista por Oliveira há cinco anos parece estar tomando o formato definitivo nestes últimos meses, com dossiês dos mais variados, um deles atingindo inclusive a família do ministro da Fazenda, Guido Mantega, numa clara luta interna pelo poder num possível governo da petista Dilma Roussef. A carniça ainda não está posta, mas as hienas já se mostram bem vorazes.

Com mais de trinta dias ainda pela frente até a hora do voto, os petistas já lutam entre si por espaços no governo, tendo no centro do combate figuras vistosas como a do deputado cassado e forte dirigente partidário, José Dirceu, e a do sempre prestigiado Antonio Palocci, figura do gosto até de alguns tucanos.

É claro que os dois já contam com Dilma na presidência da República e nem Palocci, sempre poupado pelos tucanos, quer ver de forma nenhuma Serra na presidência do Brasil. É também muito óbvio que uma máquina que se movimentou de forma cruel para destruir um humilde caseiro não deixaria de seguir a mesma disciplina para impedir que a oposição ganhe a eleição. Naquilo que foi feito com Francenildo já havia o estilo de gangues que se vê nesta quebra de sigilo.

As tentativas de intimidação não são de agora. Até a ex-primeira-dama Ruth Cardoso, já falecida, foi alvo de ataques quando a atual candidata, Dilma Rousseff, ocupava o Gabinete-Civil de Lula. Para se defender dos escândalos dos cartões corporativos, o governo inventou os dossiês de gastos do presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher.

Para mim, aquilo já podia ser visto como crime político. Mas os tucanos deixaram pra lá, criando inclusive na opinião pública uma suspeita de que houve acordo político, com os dois lados esquecendo o caso em função de sujeiras mútuas.

As atividades de verdadeiras gangues, algumas das quais o próprio Lula chamou de "aloprados", continuaram com seus crimes políticos em menor ou maior grau, culminando com a atual quebra de sigilo fiscal de várias pessoas próximas do candidato José Serra e cometidas de forma criminosa dentro da própria Receita Federal. Até a filha do candidato, Verônica Serra, teve o sigilo quebrado.

Assim se vê que em conjunto com a briga interna pelo poder existe também uma articulação bem firme de ataque e intimidação para dificultar a atuação da oposição e buscar manter de qualquer forma o poder dentro dos mesmos moldes atuais. Para perenizar o lulo-petismo no governo eles se juntam, mas nada deve permitir uma convivência pacífica além dessa concordância básica. Se Dilma for eleita, não tenho dúvida alguma que a luta de gangues prevista pelo ex-petista Francisco de Oliveira será das mais quentes que já se teve em nossa história.

A ações criminosas, que atingiram até a filha do candidato tucano, mas que haviam atingido antes também o vice-presidente nacional do PSDB, Eduardo Jorge, evidentemente não favoreceram os mandantes, pois nada de condenável foi encontrado nas declarações fiscais dos dois, o mesmo ocorrendo com os demais que tiveram quebrado o sigilo fiscal.

Mas não podemos deixar de lado que tudo que veio a público sobre todos esses casos foi sempre por ação de fora do governo, da imprensa ou de políticos oposicionistas. Nunca houve uma movimentação interna em defesa da ética ou de denúncia da corrupção e do uso da máquina pública como forma de pressão. Ao contrário, ações internas foram sempre no sentido de negar ou acobertar.

Vendo o problema por este ângulo, não há como não suspeitar de que outros sigilos foram ou estão sendo quebrados em busca de elementos de pressão contra empresários que não seguem de forma obediente os ditames do governo e de jornalistas, políticos e profissionais de vários setores que insistem em se comportar com independência. É o escândalo como meio de vida, usado como uma ferramenta que, às vezes, pode ser muito eficiente para a intimidação.

É muito curioso como figuras influentes das altas esferas do governo Lula se movimentaram com precisão após o surgimento do escândalo, sem demonstrar qualquer supresa pelo ocorrido, como se houvesse algo muito bem ensaiado para abafar um acontecimento que é provável que já viessem debatendo internamente bastante nos últimos dias. Ou talvez meses antes, não?

Até o chefe de gabinete de Lula, Gilberto de Carvalho, entrou na história insinuando em entrevista a imprensa que o culpado da quebra de sigilo da filha de Serra poderia ser.... Aécio Neves. Carvalho sempre aparece para abafar crises no interesse do governo. Na época do assassinato de Celso Daniel ele era o mais firme na pressão para que as investigações se encerrassem o mais rápido, mesmo tendo sido assessor direto e amigo do o prefeito petista sequestrado e morto de forma bastante violenta.

Sobre este novo escândalo ele disse o seguinte: "Pode ser um comércio para chantagem, e é bom lembrar que, naquela época, setembro do ano passado, havia uma guerra tucana entre os tucanos de Minas e os tucanos de São Paulo". Se ele não fosse o braço-direito de um presidente da República que não honra o cargo, é claro que ele não amanheceria no gabinete pegado ao do presidente da República.

Porém, o próprio presidente Lula veio hoje reforçar o trabalho de despistamento, de uma forma que parece concatenada. Desta vez a culpa não sobrou para Aécio, mas Lula tentou transformar o caso numa simples questão de falsidade ideológica, quando tudo indica que aconteceu um crime político dos mais graves. O petista colocou em dúvida inclusive a falsificação comprovada dos documentos que supostamente teriam sido apresentados à Receita Federal para obter os dados fiscais de Verônica Serra.

Como piada daria até para observar que pelo menos desta vez o Lula não veio com a alegação costumeira de que não viu nada, o que até uns meses atrás ele fazia quando explodiam crises em seu governo, mas acho que a situação não merece humor algum. Eu tenho a impressão de que a impunidade vem fazendo com que os crimes sejam assimilados de forma tão rápida pela opinião pública que, com um pouco mais de tempo eles nem vão mais se dar ao trabalho de esconder intenções ou tentar abafar escãndalos.

Existe um risco de que num futuro bem próximo tais casos deverão ser tratados na base do "Eu fiz mesmo, e daí?", mais ou menos como já vem acontecendo nos últimos anos na Venezuela. Ainda podemos ter pela frente a inversão daquela máxima do homem que morde o cachorro como fato extraordinário. Aí então, o destaque noticioso no Brasil vai ser quando não estivemos vivendo nenhuma escândalo político.
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POR José Pires

Campanha de Serra pede "virada" ainda no primeiro tempo

Há alguns dias apareceu a notícia de que o site do candidato José Serra ficou mais de um dia fora do ar. Tenho a impressão de que foi bem além disso, pois no dia em que li a notícia de que haviam resolvido o problema entrei no site e encontrei apenas uma página em branco.

Surgiram várias explicações para o fato, desde um mero problema técnico até um ataque de hacker, mas não sei o que deu afinal, pois como já disse aqui neste blog a candidatura do Serra não tem uma comunicação direta com os internautas. Já me cadastrei no site e nunca recebi coisa alguma deles. Da campanha da Dilma recebo todos os dias.

Pra ninguém dizer que poso de profeta depois da coisa ter acontecido, desde o início da campanha venho dizendo que o marketing de Serra estava no caminho errado, como fiz no texto "Serra: conceito e visual no caminho errado", publicado em 12 de julho. Em agosto, no texto "Os tucanos voando baixo na internet", falei sobre a falta de comunicação com os internautas. E isso porque ainda não tinham inventando a besteira de tentar transformar o Serra num Zé. Disse em 16 de agosto, antes de todos, que até por ser uma impostura isso desmotivaria e até poderia afastar os que já acreditavam em Serra e não estavam afim de Zé algum. Apontei também a tática como deficiente do ponto de vista técnico, coisa de marketing nada profissional. Ainda lá atrás, no dia 5 de julho, eu falava que os tucanos não ocupavam espaço na internet, o que os petistas vem fazendo há pelo menos três anos e de forma bem agressiva.

O componente humorístico da queda do site tucano foi a informação de que a própria responsável pela internet deles nesta eleição, Soninha Francine, soube do caso somente depois de mais de dez horas que o site estava fora do ar. Deve ter sido a própria Soninha que deu esta informação à imprensa, pois ela tem este estilo, digamos assim, “sincero” de fazer política.

Bem, se foi assim, até a responsável pela internet permanece horas sem acessar o site do candidato, não é mesmo? E aí a piada fica melhor: quantos mais na campanha perceberam que o site ficou fora do ar?

Vamos trabalhar, pessoal. Mas entre os internautas é provável que poucos tenham notado. Eu mesmo, que sou do ramo, já não acessava o site tucano há alguns dias porque havia desistido de esperar algo deles na internet. Com já disse aqui no blog, nesta área essencial da comunicação eles já perderam. Em comunicação nada se resolve no curto prazo. Na internet isso fica ainda mais difícil. Internet é, basicamente, presença cotidiana. Mas como isso pode ocorrer sem nem e-mail os tucanos mandam para os cadastrados?

Mas parece que está resolvido o problema técnico. E aproveitaram para dar uma mudada, como pude ver agora há pouco. O site do Serra está no ar. Bem, essa é a boa notícia. Mas era melhor que tivessem continuado fora do ar. O site agora traz apenas um formulário para que o internauta expresse sua opinião e dê uma força para a campanha.

Outra novidade é que o vice Índio da Costa aparece na cabeça da página, logo atrás da imagem de Serra. Deve ser para fortalecer a autoria dessa idéia de que é a "hora da virada", que na imprensa foi veiculada como sendo uma sacada dele, o vice.

Vejam lá em cima os dois, exatamente como está na página do tucano. É nesta hora que faz falta um bom marqueteiro para ajeitar uma coisa dessas: "Põe a imagem do vice mais para a direita... isso, vai avançando por detrás da imagem do Serra, mais para a direita, mais, mais, mais... pronto, sumiu".

Ao lado de Serra e do vice, uma frase em forma de slogan, mais um desastre tucano nesta eleição: “É hora da virada”. Hoje, no primeiro dia de setembro, ainda falta mais de um mês para a eleição, mas a sacada vem de cerca de uma semana atrás. Mesmo que fosse fevereiro, um mês é bastante tempo numa eleição.

As coisas estão mudando bastante: no meu tempo, virada era uma necessidade desesperada de final de jogo. Como estamos ainda no primeiro tempo, ou turno, o que esses idiotas fazem é apontar para o eleitor que eles acham que Serra pode nem ir para o segundo turno. Eu sabia que esse negócio de tucano ficar ligado no Lula não ia acabar bem.

Os responsáveis pela campanha de Serra devem pensar que a palavra “virada” pode servir de estímulo neste clima de derrotismo que vem sendo gradativamente criada por eles próprios. Mas quem será que falou isso para eles? Virada não é sinônimo de força, mas de desespero, e disso até a torcida do Corinthians sabe, pois só é possível desejar uma uma virada quando a derrota total e iminente.

Mas, talvez por falta de algum corintiano na equipe, colocaram no ar uma das grandes bobagens eleitorais da nossa história política que até reforça a campanha da adversária petista, que busca construir um clima de vitória até no primeiro turno. Bem, se a própria campanha do Serra vem com essa conversa de “hora da virada”, é difícil que o eleitor pense outra coisa senão que ele está derrotado.

Outra coisa: não foi criado clima algum de compromisso com a candidatura da parte da grande massa de eleitores, até porque o que o próprio candidato vem fazendo com suas absurdas transformações é demolir a empatia que já existia antes do início da campanha.

Mas tirando essas deficiências para a aplicação da idéia de uma virada, nem existe razão objetiva para acreditar nisso. Tiraram isso do clima criado por pesquisas? Ora o eleitor já está acostumado com essas coisas, porque em toda a eleição é igual. E o que temos são pesquisas eleitorais, a maior parte delas, quase todas, de nenhuma confiança e credibilidade. E, além do mais, temos pelo menos trinta dias pela frente, o que é bastante tempo numa eleição.

Não é “hora da virada”, até porque um período desses permite muita variação. Mas mesmo sendo um desastre esta idéia da “virada”, o que se espera na comunicação de uma campanha política é que haja um trabalho criativo em torno da proposta, com material gráfico e de texto de bastante qualidade e um trabalho de campo, em comitês eleitorais e todo o aparato que envolva gente pelo país afora, para criar um clima de animação.

Seria bom desenvolver rapidamente um site com muitas informações e as criações de conteúdo que a internet permite. Mas o que temos não é nada disso. Foi feito um site onde se pede um comentário com o tema “O Brasil pode mais. Diga por quê”. E é só isso. No lado esquerdo as opiniões vão correndo. Tem opinião até da responsável pela internet do Serra, a Soninha Francine. E fica nisso.

Não sei se dá tempo, mas acho que se é era pra ter “hora da virada”, já passou da hora de tirar a campanha do Serra dessa pasmaceira derrotista e sem criatividade, que é um dos pontos negativos que impediram até agora um crescimento da candidatura. Mas isso eles só podem resolver se tiver segundo tempo.
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POR José Pires