terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Progresso que não anda

Sete em cada dez pessoas sofrem com congestionamentos de trânsito no país. É o que diz uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). É claro que isso é um resultado do crescimento da frota de veículos no país, que agrava um problema sem solução. Não adianta esquentar a cabeça porque o único jeito é diminuir o uso do automóvel individual, mas infelizmente os governos fazem exatamente o contrário.

O transporte público é o meio mais usado, com o índice de 44,3%. Em segundo lugar vem o carro próprio, com 23,8%. A moto está na terceira posição e a bicicleta vem depois dos pedestres. Mais pessoas andam a pé do que de bicicleta: 12,3% e 7%.

De qualquer forma há uma desproporção entre os que usam o carro próprio e os demais meios. O que se vê é um privilégio na atenção ao carro. E um descaso com o transporte público. Até o empresariado escolhido para gerir este tipo de serviço é o mais desqualificado do país. Muitas vezes é gente até de práticas criminosas. Não à tôa, parte substancial da corrupção no país corre no meio do transporte público. No próprio PT tem o caso do ex-prefeito Celso Daniel, um amigo de Lula que acabou sendo morto num crime que envolve propina no transporte público.

O que existe é o estímulo ao transporte individual e um descaso com o transporte público ou com a alternativa mais divertida e com melhores resultados para a saúde, que é a bicicleta. No ano passado, o governo Lula injetou uma dinheirama nas montadoras de automóveis, uma política que acaba resultando em gastos imensos também nas outras decorrências negativas do uso do automóvel e que não estão nessa pesquisa do Ipea.

Além dos engarrafamentos, o Brasil também é recordista em acidentes de trânsito. E neste assunto os jornais costumam fixar-se no número de mortos e se esquecem da infelicidade dos feridos e de suas famílias. O trânsito gera também este outro gasto, de tratamentos que muitas vezes se prolongam por toda a vida do acidentado, além de indenizações e pensões.

A pesquisa do Ipea mostra também que muita gente não quer nem saber de transporte público. 32% dos entrevistados não passariam a utilizar transporte público sob nenhuma condição. Isso revela a imagem do transporte público no país. Mas é claro que pegar um ônibus apertado nem sempre é a única opção. Existe sempre a opção de andar a pé ou ir de bicicleta.

Mas para isso precisaríamos de políticas públicas sérias neste assunto e, para começar, um estímulo cotidiano dos nossos dirigentes políticos. Mas basta dar uma olhada para o barrigão do ex-presidente Lula e na forma física de sua sucessora para ver que este é mais um tema que não é do interesse deles. E aquela história da opção pela esteira para escapar da leitura também é outra mentira. Eles não fazem nem uma coisa nem outra.

O negócio deles é com as montadoras. O levantamento do Ipea mostra que de 2000 a 2010 a frota de veículos cresceu 90,9% a mais que a população. As motocicletas apresentaram um aumento de 242,2%.

O período coberto parece ter sido escolhido para confundir, o que não é novidade no Ipea depois que o presidente Lula deu uma guariba no instituto para um melhor atendimento do interesse do governo. Porque não mostrar os índices de 2003 a 2010? Foi um período em que a frota não só cresceu demais como tivemos até o próprio presidente Lula se gabando do feito com um orgulho besta.


Duas rodas ainda por baixo
Sobre o respeito aos ciclistas a pesquisa chegou a números bem baixos e dos quais, mesmo assim, bem duvidosos na minha opinião. No Sul do Brasil 60% dos sulistas vêem respeito a pedestres e ciclistas. Nas outras regiões o índice varia entre 36,3% e 40,7%.

Neste caso, acho que o restante do país esta sendo mais sincero que o Sul, onde o número de respeito me parece elevado demais. Eu, que sou bicicleteiro, não tenho tido o prazer de encontrar esse pessoal bacana que respeita tanto bicicleta. Ciclista sofre nas cidades brasileiras. Se até lugar para estacionar é difícil, quanto mais segurança para rodar pelas ruas.

O ciclista também está incluído numa categoria inferior na cabeça das pessoas. A bicicleta é vista como um meio para se exercitar ou como um veículo de passeio. Todo mundo acha bem elegante a pessoa chegando de bicicleta no escritório. Mas isso em filme ou propaganda. No Brasil, o uso da bicicleta no cotidiano é visto ainda como coisa de pobre ou de gente excêntrica.

A bicicleta é o melhor meio de transporte. Não tem nenhum dos efeitos colaterais do carro, como obesidade e várias doenças, não atravanca as cidades, não polui e nem faz barulho. E também está ao alcance do bolso de qualquer um.

As pessoas ainda vão se conscientizar disso. Só espero que no Brasil isso não siga o modelo de sempre: como cópia do que acontece no estrangeiro ou como remédio depois do esperado colapso energético.

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POR José Pires

Tuito, logo existo

Escrevi abaixo sobre os problemas da cantora Gal Costa com seu Twitter, uma complicação que mostra como é delicado este meio de comunicação. A verdade é que ninguém sabe ainda exatamente para que serve essa ferramenta tão delicada e por isso mesmo atualmente cabe tudo nela: recadinhos pessoais, gracinhas tolas, auto-confissões e, claro, tem espaço também para mensagens que valem a pena ser lidas.

Esse tipo de coisa aconteceu bastante no início dos blogs, quando proliferaram blogs falando de questões pessoais. Hoje o filtro natural da internet deu um sentido mais organizado para os blogs. O modelo que ficou ainda é o opinativo, muitas vezes com auto-referências, porém sem aquele clima de diário íntimo que no começo dava o tom da maioria.

Era a época do "tenho um blog, logo existo". E daí saiu muita besteira. O Twitter atualmente está numa situação bem parecida.

Daí o estilo de diário íntimo que toma conta dessa ferramenta. É claro que mesmo assim tem muita coisa aproveitável, mas como chegar a esses textos com algum sentido informativo? Quem é que tem tempo para seguir tantos tuiteiros comentando o que estão fazendo da vida? Essa é a questão que pode barrar o Twitter para quem não tem tempo para seguir dezenas ou até centenas de gente escrevendo besteiras, para fazer depois o trabalho de separar algo que preste entre tanta porcaria.


Em Twitter calado não entra mosca
Gal Costa não aguentou a pressão depois que comentou sobre um prestador de serviços que alegou dor de cabeça para adiar o conserto do ar-condicionado da sua casa. Daí, abandonou o Twitter.

Mas tem também os que abandonam o Twitter exatamente para não sofrer pressões por causa de algum comentário infeliz. Foi o que aconteceu com a presidente Dilma Rousseff, que desapareceu do Twitter.


Vejam acima a última mensagem dela, escrita em 2010. Ela promete "conversar mais" em 2010, mas foi igual promessa de campanha. Depois disso, ela sumiu. E com este descaso seu Twitter ficou até engraçado. Parece uma daquelas tantas piadas involuntárias que ela fazia como candidata.

A penúltima mensagem é uma promessa de solidariedade ao governador do Rio: Sérgio Cabral. Dima escreve: "Quero dar minha solidariedade ao povo do Rio e apoio ao Sergio Cabral. Estamos juntos nesse enfrentamento com o crime organizado".

E o cenário político mudou tanto que os dois nem podem faturar politicamente com este caso. Agora o problema no Rio são as mortes com as chuvas, que já estão perto de mil.

Desde que venceu as eleições, Dilma nunca mais postou algo e nem teria como fazer isso sem arrumar uma confusão por semana. É um dos problemas do uso do Twitter para fazer política. É que em política existe o tempo de se calar, o que é incompatível com o funcionamento do Twitter. E Dilma está nessa época em que é melhor não escrever ou falar qualquer coisa da própria cabeça. Mas isso passa. Mais uns quatro anos e ela poderá voltar a escrever em seu Twitter.

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POR José Pires

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Gal Costa atropelada pelo Twitter

Nem sabia que a cantora Gal Costa tinha Twitter, mas na internet estão noticiando que ela abandonou o dela depois que se meteu numa polêmica em que foi chamada até de racista, por causa de um post que não agradou a ninguém.

Twitter é um perigo. Foi numa tuitada do presidente do PTB, Roberto Jefferson, que começou a que foi talvez a maior crise da candidatura de José Serra e, com certeza, a crise que detonou todas as outras que vieram depois. Jefferson anunciou em primeira mão o nome de senador paranaense Alvaro Dias como vice e veio então toda aquela confusão.

O Twitter também já complicou a vida de outras pessoas. Teve gente que até foi demitida depois de postar alguma bobagem qualquer, porque no Twitter, basicamente é mesmo tudo bobagem, no nível de uma conversação de mesa de bar. No geral, o clima é esse. E aí é que está o problema. As pessoas não atentam para a diferença que a palavra assume na forma escrita. Este é um erro cometido principalmente por quem não é do ramo da escrita.

A cantora escreveu isso no seu Twitter: "Como na Bahia as pessoas são preguiçosas! Técnico do ar-condicionado ñ pode terminar o trabalho pq está com dor de cabeça. Essa é a Bahia!!!" É uma banalidade que provavelmente ela pretendia que fosse entendido como uma brincadeira a mais com a fama de preguiçoso dos baianos, mas deu um bafafá danado.

É o outro grau da palavra quando é escrita. Gal poderia dizer a mesma coisa que saiu no Twitter até para o técnico com dor de cabeça e possivelmente ele até iria rir da frase. Mas um bilhete escrito da mesma forma já poderia ofender bastante. E escrito no Twitter, a coisa piorou. Já tem gente vendo nisso uma manifestação de preconceito contra os baianos. Ah, tenha paciência, não?

Mas acontece isso mesmo. E não é apenas em razão da rapidez da internet e a Gal deveria saber disso. Na época em que o falecido senador Antonio Carlos Magalhães foi flagrado rompendo o sigilo da votação eletrônica no Senado, ela e colegas cantores baianos foram prestar solidariedade a ele.

Pois quando essa solidariedade virou letra de forma nas notícias da imprensa, Gal e os artistas baianos sofreram um violento e justo repúdio de gente de todo o país. Foi justo porque até o senador ACM sabia que tinha cometido uma safadeza, tanto que renunciou para não ser cassado.

Tem várias besteiras, digamos assim, midiáticas, da Gal. Mas vou falar de uma que acompanhei de perto. Nessa ocasião, muitos anos antes, Gal poderia também ter aprendido uma boa lição sobre o efeito do que sai da língua e depois vai para os jornais. Foi no início da década de 80. Depois de chegar para um show na cidade de Londrina, no Paraná, ela falou para os jornalistas que a cidade parecia uma fazenda. Quando isso saiu impresso nos jornais do dia seguinte tinha gente que queria até linchar a cantora.

Escrevo tudo isso porque o compositor Tom Zé quis fazer um comentário sensato (logo ele, não?) sobre o caso e disse o seguinte: "Gal está aprendendo a lidar com os códigos da comunicação de massa, é isso".

Eu penso que o caso dela não tem remédio. Tem mesmo que abandonar o Twitter. A não ser, é claro, que contrate um assessor para Twitter. Artista tem assessor para tudo quanto é coisa que os mortais comuns fazem sózinho, então por que não um assessor para Twitter?


Retoque: Ou um P.S. sobre algo que me deixou encafifado. É a foto que a cantora usa como identificação em seu Twitter. Chega a ser engraçado, pois parece ela antes da invenção da internet, o que é confirmado pelas fotos publicadas nas notícias sobre a polêmica, onde aparece uma senhora gorda. Deve ser aquela coisa do meu melhor lado para fotografia. O melhor lado da Gal é o de vinte anos atrás, é isso?


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POR José Pires





Muita encrenca por coisa ruim

Quando falta o bom senso, uma questão que já não é boa pode ser piorada bastante. É o que vem acontecendo com a repercussão das relações entre o governo brasileiro e o Irã, tornadas estranhamente fraternas pelo presidente Lula. O olho no olho com o iraniano Ahmadinejad constribuiu para meter o Brasil em encrencas que a habilidade do Itamaraty vinha até agora conseguindo manter longe de nós.

Nesta semana a amizade petista com Ahmadinejad criou compicações até nas relações do Brasil com Holywood. "Lula, o filho do Brasil", o abacaxi criado a partir da história da vida de Lula ficou de fora da disputa do Oscar de filme estrangeiro, depois de ter sido incluído entre os pré-selecionados de maneira evidentemente marota. É claro que a mão do governo do PT teve um peso danado para que a comissão do Ministério da Cultura e pela Academia Brasileira de Cinema tentasse encaixar o filme na disputa.

Falando nisso, escrevi sobre o assunto abaixo e não publiquei o nome dos integrantes da comissão que indicou o filme por unanimidade. Aqui está: Cássio Henrique Starling Carlos, Clélia Bessa, Elisa Tolomelli, Frederico Hermann Barbosa Maia, Jean Claude Bernadet, Leon Cakoff, Márcia Lellis de Souza Amaral, Mariza Leão e Roberto Farias.

Mas a inexplicável atitude da comissão brasileira bateu no bom senso de uma comissão maior. O filme ficou fora do Oscar de filme estrengeiro. No Brasil, "Lula, o filho do Brasil" foi um fracasso de crítica e também pifou na bilheterias, mesmo com esquemas de venda de pacotes de ingressos para empresas e sidicatos. Até agora não chegou a um milhão, quando esperavam cinco milhões de espectadores.

O filme é ruím. Uma peça de propaganda que estava incluída inclusive no roteiro eleitoral bolado pelos marqueteiros do governo petista para favorecer a candidata de Lula, mas até nisso o filme gorou. Não houve o encanto popular esperado para dar o impulso ao culto à personalidade de Lula.

Fora do Oscar por causa do olho no olho?
Mas onde é que entra o Irã nisso? Já havia entrado há meses. Em julho do ano passado, Paulo Barreto, irmão do diretor e também produtora do filme, disse que estavam tendo dificuldade para exibir o filme nos Estados Unidos por causa da visita do presidente Lula ao irã. Numa reportagem da Folha de S. Paulo, Paula Barreto disse o seguinte: “O distribuidor é judeu e nos disse que era inviável exibir o filme num cinema onde a maioria do público é de judeus”.

À parte a afirmação tola de que o público de cinema nos Estados Unidos é composto em sua maioria de judeus, a fala de Paula Barreto já havia dado uma certa polêmica, bem restrita, é verdade, mas não menos grave pelo fato de suas declarações davam a entender que haveria um boicote judeu ao filme sobre Lula.

A idéia de que houve um boicote judeu é racista, além de não se apoiar em fato algum. Ao contrário, filmes que tocam em questões até bem delicadas para os judeus tem tido espaço de exibição garantidos nos Estados Unidos.

Mas não deixa de ser uma novidade pra defender filme ruim. Muito já se falou sobre as dificuldades da nossa indústria cinematográfica, inclusive com críticas aos Estados Unidos, algumas delas muito justas, mas é a primeira vez que alguém alega uma conspiração judaica para justificar a falta de sucesso de uma obra nacional.

Isso poderia ficar por aí, mas o problema é que com o filme do Lula fora do Oscar voltaram com essa conversa. Agora surge a história de que ele não foi selecionado para concorrer ao Oscar devido à “influência de produtores e distribuidores judeus”.

Essa conversa parece literatura barata de antissemitismo. Como o livro "Os Protocolos do Sião" é mesmo comprovadamente uma farsa, está aí um capítulo novo para exemplificar a maldade dos judeus: eles boicotam filmes brasileiros.

Representantes da comunidade judaica já estão se manifestando e com toda razão. Fatos históricos bem recentes mostram que o terror pode começar também dessa forma aparentemente só idiota. Osias Wurman, cônsul honorário de Israel, mandou uma nota para os jornais com o seguinte trecho: "Sou contra o uso da comunicação para criar "ídolos". A História não perdoa a idolatria. Covardia da fracassada produtora em atribuir aos judeus o destino desta obra induzida e sem qualidades para um Oscar. Nada a ver com Israel ou lobby judaico".

Não é preciso ser israelense para concordar com ele. Mas só faltava ao cinema brasileiro criar uma inimizade com a comunidade judaica dos Estados Unidos — que tem por certo grande influência intelectual por lá —, ainda mais por conta de uma tolice dessas em torno de um um filme de má-qualidade nos mais variados sentidos. Como ato de política cinematográfica, com certeza deixa bastante a desejar.

E isso sem contar que o envio desse abacaxi para a pré-seleção já tinha sido um ponto contra a nossa indústria cinematográfica. Foi uma manifestação de falta de seriedade técnica e política, que cresceu com esse problema novo provocado por falas preconceituosas. Isso ainda pode ir muito longe. Não é preciso acontecer um caso como o do WikiLeaks para sabermos que os gringos anotam tudo.

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POR José Pires

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Lula fora do Oscar

O Brasil fica fora da disputa do Oscar. Como todos devem estar sabendo, o filme brasileiro na lista de pré-indicados ao prêmio de melhor filme estrangeiro era "Lula, o filho do Brasil", de Fábio Barreto, em indicação oficial em que o governo petista pesou a mão. Forçaram a entrada do longa, que é de baixa qualidade e foi um dos micos do ano que passou.

É uma peça de ficção, com a história de vida de Lula bem falseada. O filme foi indicado por uma comissão do Ministério da Cultura e pela Academia Brasileira de Cinema. É um dos degraus mais baixos da queda moral desses oito anos: o Estado interferindo na cultura para fortalecer a imagem de um político.

E com a indicação desta bobajada é claro que acabaram queimando, por antecipação, as chances de uma produção brasileira ganhar o Oscar de filme estrangeiro, o que viria bem para a nossa indústria cinematográfica. Mas os interesses do PT estão sempre acima do interesse nacional.

Foi fácil captar verbas para a produção, afinal era uma peça essencial na construção da imagem de Lula, com vistas também a ter um papel definidor na eleição presidencial do ano passado. O filme teve uma dinheirama de empresas com ligações com o governo federal e, depois de pronto, o governo fez de tudo para que ele acontecesse. Só faltou oferecer pipoca de graça, se é que não fizeram isso. Falava-se numa meta de 5 milhões de espectadores e o investimento político e de propaganda mirava de fato num número estupendo desses, mas faltou combinar com o público, que acabou não comparecendo.

Até agora o filme não alcançou 1 milhão, quando a própria direção nacional do PT afirma que o partido tem 1.388.617 filiados. Então tem que baixar o centralismo democrático e enquadrar a companheirada: pelas contas, tem muito petista que não foi assistir o filme do chefe.

Com o filme fora do Oscar, para alcançar o sucesso no exterior agora só resta a Lula tentar a secretaria geral da ONU. Mas já é bom ir para a disputa sabendo que assim como na Academia de Holywood, na ONU não tem PT, PMDB, PP e PDT que garantem uns votinhos em troca de cargo.
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POR José Pires

Fala o mestre

"Hoje está provado que a nossa técnica de destruição supera a capacidade de destruição da natureza. Mas se Deus deixa que destruam 3 milhões de árvores na Amazônia, assim sem mais nem menos, é porque as faz nascer em outro lugar, onde também deve haver macacos, flores e águas altas. É para lá que eu vou quando eu morrer."

É o Tom Jobim falando sobre a destruição da natureza no Brasil. Tirei do belo livro feito por sua irmã, Helena Jobim, onde ela conta muita coisa interessante sobre a convivência entre os dois. Este livro é muito importante, até porque, além das falas cotidianas do compositor captadas por um ouvido amoroso, traz também textos praticamente inéditos escritos por ele, alguns que de fato não sairam em lugar algum.

Esta frase sobre a capacidade destrutiva dos brasileiros em cima de suas riquezas naturais é do início da década de 80, mas é claro que ele já vinha alertando bem antes sobre o perigo desta destruição.

E vinha também extraindo da nossa natureza a matéria prima para suas músicas. Tom Jobim traz uma lição em sua obra e que seria bom os brasileiros terem na cabeça, que é o uso da nossa natureza — a brasileira mesmo, pois na sua música quando ele canta “pedra”, é uma pedra das nossas — como força-motriz para as nossas realizações. Esta é uma questão cultural e também econômica. É desse potencial que podemos extrair dinheiro e prestígio, como a bossa nova mostrou muito bem. Derrubar, queimar, assorear, poluir, demolir, enfim, destruir essa força natural vai fazer o Brasil ir para o buraco.

A frase dele é ótima. Tirando a esperança de reencontrar tudo refeito por Deus depois de morrer, assino embaixo.
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POR José Pires

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Rio colhe suas tristezas

Várias histórias comoventes nesta tragédia que acontece no Rio de Janeiro. Primeiro a devastação do sítio do Tom Jobim pela violência das águas. Por coincidência eu andava nesses dias relendo coisas dele, revistas com entrevistas que tenho muito bem guardadinhas, biografias e, claro, uma escutada nesta ou naquela música que uma frase ou um fato traz à lembrança [...é, mas quando é que você não está fuçando em alguma coisa do Tom Jobim? É verdade, mas aconteceu mesmo].

O simbolismo da queda da casa e a destruição no sítio é bem forte. Num belo livro escrito pela irmã do compositor, Helena Jobim, ela conta uma breve história ocorrida com ele em Jerusalém, quando depois de um show eles foram tirar uma foto em uma plantação de oliveiras e Jobim escolheu ficar do lado de uma árvore em meio a tantas outras.

Depois de feita a foto perceberam uma pequena placa onde se lia que exatamente aquela árvore havia sido plantada pelo pianista Arthur Rubinstein. De pronto um amigo de muitos anos, Tião Neto, disse para o compositor: “Não existem coincidências”.

Por coincidência é mais ou menos assim que eu penso. A destruição do sítio onde Jobim fez tantas coisas boas no Rio deveria ser vista como um alerta sobre os perigos de que ele já falava há muito tempo e que começam a acontecer de forma muito grave e continuada.

Ou será coincidência que o Rio colha tristezas aindas mais pesadas exatamente um ano depois da tragédia em Ilha Grande?

Em torno da destruição do lugar de onde, entre tantas belezas, saiu Dindi, Matita Perê e Águas de Março, tem também outras histórias comoventes.

Um caso terrível é do aposentado que foi soterrado com a família e viu a mulher e os filhos morrerem ao seu lado. É uma história impressionante contada pelo jornal Extra, do Rio. É uma daquelas reportagens que devia vir acompanhada de um lenço. Você pode ler clicando aqui ou aqui.

Histórias como esta trazem o lado humano da questão. É o sofrimento cotidiano e as perdas que passarão infelizmente a compor a memória de toda uma região. Mesmo um cético como eu sabe que, no final, o que importa é o nosso semelhante. Fiquei aqui pensando como será difícil para os sobreviventes dessa tragédia darem contnuidade às suas vidas depois que as coisas voltarem a uma relativa normalidade por lá.

O número de mortos já se aproxima de setecentos. É provável que chegue à mil. Naquela região será difícil encontrar alguma pessoa não tenha perto de si uma história pavorosa que ficará em sua cabeça talvez por toda a vida. Este sofrimento psicológico nenhum jornal consegue captar e sobre ele é praticamente impossível obter indenização ou cobrar responsabilidades. É coisa que não aparece em estatísticas e estudos.

Em Nova Orleans, em 2005 morreram cerca de 1500 pessoas. Hoje no Rio, ainda com muita gente possivelmente soterrada, o número de mortos já é quase a metade do que teve naquele desastre nos Estados Unidos. E por lá passou um furacão. Mas com os governos que temos o brasileiro não precisa disso para sofrer.


Fugindo da culpa
Aqui no Brasil nossos furacões são outros: as autoridades políticas se incumbem de criar o cenário perfeito para os desastres. Quando Nova Orleans viveu aquela situação dramática, a nossa esquerda foi rápida em apontar o presidente George W. Bush como o vilão. Bush certamente teve sua culpa, apesar de que não concordo com o uso de espantalhos na política, no estilo estratégico da esquerda brasileira.

Já no drama vivido hoje pelos brasileiros com as chuvas, essa mesma esquerda, em blogs e sites muito bem pagos com dinheiro público ou com favorecimentos de governos, investe contra a imprensa que busca contar o que se passa no Rio. Com isso, esses braços articulados do poder tentam desviar o foco dos culpados pela tragédia. E quem são? Ora, é a presidente Dilma Rousseff e o governador Sérgio Cabral. Os dois são a continuidade de governos anteriores. Dilma vai para o terceiro mandato petista. Cabral foi reeleito.

Teve um tempo em que no Brasil jornalistas pressionavam para o aprofundamento de qualquer investigação e a busca do esclarecimento dos fatos. Hoje jornalistas acoitados pelo poder petista trazem essa novidade de atacar a imprensa quando ela faz direito seu trabalho.


O que ocorre no Rio espanta pela enormidade e pelo peso dramático de tantos mortos, mas na essência não é muito diferente do abandono cotidiano que os cidadãos sofrem do poder público em todas as cidades brasileiras. A população sofre com serviços precários ou até com a total ausência em questões básicas pelas quais pagam impostos. Os brasileiros penam uma barbaridade enquanto o dinheiro público escoa na roubalheira, no pagamento de salários altos e mordomias para os políticos e no mau uso ocasionado por má-fé ou deficiência técnica.

E nem estou falando de direitos que os político exploram como se fossem doações assistencialistas, mas de serviços que custam muito caro e são pagos pelo cidadão muitas vezes até antecipadamente. É a internet que não funciona, ruas com asfalto precário, falta de segurança, bancos que atendem mal, transporte público de má-qualidade e tantos outros descasos, inclusive a falta de saneamento básico no país onde existem mais aparelhos celulares que tratamento de esgoto.

Acreditar que a chuva é a causa dos problemas serve apenas para ajudar na fuga das autoridades brasileiras às suas responsabilidades. Até porque sabemos muito bem que, quando não é a chuva, a seca também serve como justificativa para eles escapulirem.

Alguém vive numa cidade onde os serviços básicos, aqueles pagos todo mês pelo contribuinte, são prestados de forma razoável pelo administrador público? Bem, se vive então não conte pra ninguém, senão milhões de brasileiros vão querer se mudar para esta cidade.

É preciso apontar os responsáveis e cobrar suas responsabilidades, que vão além de um passeio rápido de coletezinho em frente aos jornalistas quando acontece alguma tragédia. Se fosse possível ser conseqüente na cobrança de responsabilidades pelo que acontece no Rio e em várias cidades brasileiras, muita gente sairia corrida do poder, alguns até iriam para a cadeia. Mas esta possibilidade ainda é a de um país de ficção, um mero desejo de muitos brasileiros. O problema é que enquanto não fazemos um país assim, vamos tendo que chorar muitos mortos.

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POR José Pires

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

James Thurber, um traço sempre na memória

Este desenho de James Thurber é um dos primeiros cartuns de que tenho memória na minha vida e é uma das imagens artísticas que mais me marcou. Vi este e mais dois ou três numa reportagem da antiga Seleções do Reader’s Digest ali pelo início dos anos 60. Eu tinha doze ou treze anos e a Seleções era um dos poucos canais nossos com o mundo exterior. O Brasil era uma província. Ainda é, mas hoje pelo menos temos a janela da internet para espiar o tempo todo lá fora.

É difícil explicar para um jovem de hoje como era a coisa, tão complicado como fazer alguém entender atualmente que os jornais eram feitos então numa máquina de escrever. A informação era passada de mão em mão, isso literalmente. Quando vi estes desenhos era muito especial ter uma revista nas mãos. O que tínhamos aqui? A TV recém-começava e televisão no Brasil sempre foi porcaria. Nem a TV a cabo nos salva disso. Nossa indústria editorial era pequena. A qualidade de impressão, que até hoje não é nada boa no país, na época era péssima. Mas era o que tínhamos e então era com emoção que eu recebia uma reportagem qualquer com a reprodução de alguma pintura ou desenho, mesmo que a impressão não fosse grande coisa.

As revistas ficavam guardadinhas durante anos para serem espiadas quando fosse preciso. Algumas imagens eu recortava e guardava. Eram como tesouros da informação, de forma que ter acesso a algo tão precioso como os desenhos de Thurber não era para qualquer um e obviamente de forma alguma tão fácil como hoje.

Só para ter uma idéia, de um pintor como Paul Klee, tomando como exemplo outro artista que adoro, com a facilidade criada pela internet acabei vendo mais obras dele nos últimos três anos do que em todos os outros anteriores meus de vida. E de verdade mesmo, antes da internet cheguei a ver pouco mais de uma centena de obras dele ou de qualquer outro artista e muitas vezes em reproduções de qualidade bem ruim. Agora já vi quase tudo de Klee e de outros bons pintores.

Mas, voltando aos meus tempos de menino, quando conheci o trabalho de James Thurber este cartum me encantou bastante. Isso mostra, sem falsa modéstia, que eu era mesmo bem precoce. Até para hoje é um trabalho de difícil compreensão e que para ser apreciado exige uma certa capacidade técnica, especialmente por causa do traço sofisticado ao extremo. A simplicidade pode afastar o leigo e, não raro, quem não entende de arte tende sempre a apreciar mais o excesso do que a síntese.

A piada é surrealista como pede o desenho de uma foca atrás de uma cama. Thurber conta que fez primeiro o desenho, sem saber em que ia dar. Depois escreveu o diálogo para a cena estranha. A mulher diz: "Está bem, você ouviu uma foca". Vejam a imagem ampliada, que postei em formato bem grande, clicando sobre ela. Dá para perceber detalhes do caminho da pena do artista sobre o papel.

Thurber é extremamente sofisticado em sua simplicidade. Muitos bons desenhistas levam anos para “desaprender” a desenhar e fazer algo tão despojado assim, o que ele aparentemente conseguiu desde sempre. Acho até que, em parte, porque Thurber era administrador na revista New Yorker quando começou a publicar. Depois acabou sendo altamente reconhecido como escritor, o que de certa forma deve tê-lo mantido fora das pressões comuns a todo artista. O mundo sempre exige o excesso e isso vale também para quem desenha para imprensa.

Isso pode ser uma das explicações para este desenho tão caligráfico e que parece tão espontâneo. Mas a melhor explicação mesmo é que o cara era bom de verdade e bastante corajoso: o cartum é de 1932.

Mas a simplicidade sempre engana muito. Em arte, algo tão simples assim na maioria das vezes é sempre resultado de um trabalho danado.

Sempre me ficou na memória este cartum que publico aqui e também outro, de um sintetismo gráfico maravilhoso, uma cena onde está um bicho estranho, que parece ser um enorme hipopótamo, tendo caídos à sua volta um sapato, um chapéu e um cachimbo. Na frente dele uma senhora com as mãos na cintura pergunta de forma enérgica: “O que você fez com o Dr. Millmoss?”

Mais tarde vi muitos outros desenhos de Thurber, inclusive as belas capas da New Yorker, onde ele depois passou a escrever também com muito sucesso. Tenho um belo livro de cartuns seus, além de centenas de desenhos recolhidos na internet. É um daqueles artistas inspiradores que até uma rápida olhada basta para reforçar a crença na necessidade da arte.

Entrando na internet dá para ver muitos desses desenhos, como nesta página do Flickr, onde uma pessoa teve a delicadeza de escanear e publicar vários cartuns retirados de um álbum. Mas o que ficou mesmo de forma marcante na minha memória foram estes dois cartuns de que falei, publicados no tempo em que essas coisas só eram vistas impressas em tinta.
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POR José Pires

Parece o fim do caminho

Pelo telefone uma querida amiga me cobra mais textos sobre a tragédia no Rio de Janeiro. Ela sabe do meu interesse por ecologia e das minhas previsões nada otimistas para um futuro próximo, principalmente no Brasil onde não existe nenhuma consciência coletiva sobre a necessidade de estruturas novas para o que vem por aí.

Conversamos bastante sobre os terríveis fatos, mas não se preocupem que nenhum dos dois ficou deprimido com o diálogo. Sou adepto de ver de forma franca todo assunto, muitas vezes reforçando as dificuldades da questão. Penso que dessa forma não só entende-se melhor o problema, como também a solução pode ser bem mais conseqüente. Ninguém aqui professa um niilismo cínico e improdutivo: quem me lê sabe disso. A filosofia é ver tudo com bastante rigor e meter a mão na massa de forma ativa e conseqüente.

Mas é difícil não temer pelo futuro olhando a cena dos dois líderes brasileiros, o governador Sérgio Cabral e a presidente Dilma Rousseff, de coletezinho colorido em visita ao local atingido pelos desastres, os dois acreditando que fazer cara feia dá a imagem de rigor técnico e senso de responsabilidade. Que saco para Dilma ter que se ausentar da distribuição de cargos em Brasília para pisar na lama (esta, natural) no Rio. E o Cabral teve que cancelar a estada no exterior, na viagem que havia feito exatamente para fugir as chuvas no Rio.

No primeiro dia da tragédia, quando a contagem dos mortos estava em 80, falei aqui que o número iria aumentar. Bastava dar uma corrida pela internet para ver que a coisa estava mesmo feia. A contagem já está em 641 mortos. As doações se estragam sob a chuva. Tem gente vendendo alimentos e até água acima do preço normal. E só agora, depois de quase duas semanas de chuvas fortes, o Ministério Público planeja (isso mesmo: ainda estão "planejando") abrir postos de cadastramento de desaparecidos nos sete municípios atingidos.

De simbólico, a destruição que a violência das águas fez no do sítio do compositor Tom Jobim mostra que o Brasil tem dificuldade muita dificuldade em aprender com aqueles que sabem. Foi nesta casa que o compositor criou a belíssima “Águas de Março” e dali também, de um rio da região, o Rio Preto, veio a inspiração para “Dindi”. Tom sempre foi um dos primeiros a ressaltar a necessidade do respeito à natureza, algo presente com muita força em sua obra em nas suas falas.

Na imagem acima, o estado que ficou a casa do sítio. A foto foi tirada pelo seu neto, Daniel Jobim, que estava lá durante as enxurradas que devastaram o lugar. De geração à geração, os problemas aumentam.

Ah, como eu gosto da música desse artista, de uma obra tão humanística que fez dele alguém tão próximo de todos, como se fosse um amigo dos que gostavam do que ele fazia tão bem. Mas quem sabe de Tom Jobim hoje em dia? E mais, qual é a autoridade política que leva a sério suas preocupações com o estado da nossa terra, assunto sobre o qual ele, de forma pioneira, vinha alertando desde os anos 60.

Confesso que as fortes chuvas no Rio me trouxeram à cabeça foi a situação do Sítio Burle Marx. Ali pela região de Guaratiba a coisa também pode ficar feia com estas tempestades, como ocorreu no ano passado. Felizmente por enquanto não tivemos nenhuma má notícia de lá. Apesar de que, danos por danos, a incúria das autoridades brasileira já fez bastante mal para esta outra preciosidade da nossa cultura.

O que estamos vendo hoje parece o fim do caminho, para citar o Tom Jobim. Vai ser preciso muito esforço para que o Brasil não se acabe pela falta de estruturas para a manutenção do que ainda temos.
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Por José Pires

domingo, 16 de janeiro de 2011

A alma do negócio

Imagem é tudo. Veja à esquerda a foto, digamos assim, "oficial", do jogador Ronaldo, imagem usada para propaganda e que ele usa inclusive na apresentação de seu Twitter na internet. E à direita temos uma foto feita por Ernesto Rodrigues, da Agência Estado, durante um treino no Corínthians esta semana.

Como diz o slogan de seu patrocinador: escolha.
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Por José Pires

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A luta continua!

Salve-se quem puder

No país que se gaba o tempo todo de ter coisas de "primeiro mundo" os moradores de Petrópolis apelaram para uma medida desesperada para salvar suas vida durante os desabamentos e alagamentos provocados pelas chuvas: subiram em árvores.

80 pessoas já morreram no Rio de Janeiro. É um número absurdamente alto e deve aumentar mais, é claro, mas só haveria espanto se o país fosse de fato de primeiro mundo. Aqui é fichinha. Não é assunto pra manchete. As mortes não ocorreram em Roraima ou no Amapá, nas beiradas do Brasil. Os cadáveres são de um estado cheio de coisas de primeiro mundo, menos em assuntos básicos, como moradia, saneamento e segurança.

A região onde a tragédia ocorreu é cheia de condomínios de luxo e lá a defesa civil é subir em árvores. O país do futuro ainda é pré-histórico no que realmente importa para a vida de seus cidadãos.
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Por José Pires

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A gente passa a vida
desejando Feliz Ano Novo
e lembrando com saudade
dos velhos tempos

Agora vai

Quem disse que não tem nada de novo no governo de Dilma Rousseff? Tem e é uma contribuição do PMDB. É a mulher do vice-presidente, Michel Temer. Ela com 27 anos, ele com 70.
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Por José Pires

Minha casa, minha vida

Uma das última notícias do ano que passou serviu para dar o fecho de ouro do governo Lula. Nos últimos dias de 2010 surgiu a revelação de que um dos filhos do presidente Lula, Fábio Luís, teve o aluguel de R$ 12 mil mensais um apartamento nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, pago por uma empresa com contratos com vários governos, entre eles o federal. A empresa tem contratos de venda de livros didáticos.

Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, é aquele gênio da Gamecorp, que fez fortuna em um negócio com a Telemar, hoje Oi. Na época do bom negócio feito por Lulinha, a Telemar, por sua vez, foi beneficiada por uma mudança nas regras da Anatel. A mudança foi feita diretamente pelo presidente Lula. Com um decreto presidencial, ele mudou a legislação para permitir a fusão da Brasil Telecom com a Oi.

Essa estranha história do Lulinha mostra que esse negócio de morar bem sem pagar aluguel é coisa de família. Lula também morou de graça durante anos numa casa bem grande cedida pelo compadre Roberto Teixeira.
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Por José Pires

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Repeteco

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O ano em que José Serra virou Zé

Este foi o ano em que os brasileiros viram José Serra perder uma eleição que estava pra ele. Meses antes do começo da campanha o tucano era o preferido em qualquer pesquisa, mas errou tanto que entrou na eleição igualado a uma candidata que Lula tinha enfiado goela abaixo do PT e que tinha dificuldade até de dar uma simples entrevista. Não falava coisa com coisa.

Serra fez tudo errado, começando por não assumir logo a candidatura a presidente. Por fim, foi à luta, mas na sua chapa brigava-se mais entre os aliados do que com o adversário. O qüiproquó começou na escolha do vice (falando nisso, como era mesmo o nome dele?) e não parou até o final. Nem no segundo turno conseguiram conquistar uma unidade da candidatura.

O tucano teve oito anos para se preparar, mas acabou apresentando uma candidatura confusa, com dificuldade até de definir posição em relação ao governo Lula. Na sua crise de identidade, espantosamente até tentou pegar carona na imagem do presidente Lula e só voltou atrás na tática covarde quando viu que o eleitorado não aceitava esta estranha novidade.

Durante a errática campanha, Serra acabou virando Zé. Nas mãos de um marqueteiro sem nenhuma criatividade e distanciado dos políticos que compunham a aliança em torno da sua candidatura, ele tentou uma jogada várias jogadas populistas de olho na parcela do eleitorado encantado com Lula. No desespero para alcançar o segundo turno, apelou até para a Bíblia.

Em agosto, ainda na primeira semana do horário eleitoral gratuito eu escrevia aqui: “O marqueteiro dos tucanos é um gênio. Em poucos dias conseguiu fazer de um dos políticos brasileiros de identidade mais firme uma figura indefinida, que num momento ataca de frente a candidata Dilma e logo após afaga até com carinho o criador desta adversária, o presidente Lula”.

Quase um mês antes, ainda no início de julho, analisando o que os tucanos apresentavam na internet como pré-campanha, eu alertava sobre equivocado rumo populista que via na campanha: “Se o que Serra apresenta agora como suas marcas for determinar de fato a linha de campanha daqui até outubro, sua candidatura estará tomando o caminho errado”.

E deu mesmo tudo errado. Serra não criou durante a campanha nenhum espaço no pós-eleição para a oposição e muito menos para ele.

Rememore a desastrosa campanha tucana em alguns posts que publicamos à época. Para ler, clique nas chamadas.






A candidatura que morreu abraçada à Bíblia


Neste ano também escrevi sobre a lamentável virada religiosa da candidatura de José Serra, que no desespero para garantir o segundo turno abraçou-se ao que há de pior na religião no Brasil. E nem precisava disso, como também escrevi aqui. Bastaria ter feito uma campanha oposicionista decente.

Sobre tais alianças, escrevi: "As bancadas religiosas já tiveram tempo suficiente para mostrar a qualidade da sua atuação na política e o resultado não é nada bom, inclusive no aspecto da corrupção. Além do mais, o grande problema da associação da política com a religião é que quem faz isso costuma acender fogueiras que depois são difíceis de serem apagadas".

Rememore o assunto nos textos abaixo:

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

sábado, 25 de dezembro de 2010

Sistema de cotas

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Então bom Natal...


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Ministro bom de cama

A imprensa procura fazer quizumba onde existe apenas dedicação política. O futuro ministro do Turismo da Dilma teve despesas de motel pagas pela Câmara dos Deputados, mas e daí? Como dizia aquela antiga ministra, a que teve a passagem mais marcante pelo ministério: o negócio é relaxar e gozar.

Todos sabem muito bem que o turismo sexual é um ítem forte na nossa balança comercial, mesmo os que fingem não saber. Daí que o futuro ministro podia muito bem estar em pesquisa de campo, se preparando dar o melhor de si no cargo. Num ministério desses, ministro tem que ser bom de cama.

Foi perfeita a escolha do futuro ministro do Turismo. Além do mais, o ministro já é um homem de 80 anos, o que mostra um desempenho acima da média. Com alguém assim no ministério do Turismo vai ser melhor do que com a Marta Suplicy: não vai dar tempo nem pra relaxar.
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POR José Pires

Agora vai

Eu achava que para o ministério da Cultura o deputado Tiririca caia bem, mas um Holanda também não é pouca coisa. Entre tantas cotas fica estabelecida uma Cota Chico Buarque. Eu até acho que a família podia dar muito mais samba no ministério das Relações Exteriores, já que o compositor trouxe um novo conceito para ser agregado ao conceito do olho no olho ditado por Lula para relações como as tidas com o iraniano Ahmadinejad. Chico veio com a diplomacia da fala fina e da fala grossa, ele que por anos tem falado bem fino com a ditadura cubana.

Com Fidel Castro ele sempre usou falsete de Milton Nascimento, apesar de que nunca se viu Chico usar a voz grossa de um Dorival Caymmi para falar com poderosos países capitalistas. O compositor tem apartamento em Paris, onde todo ano passa temporadas até de meses. Não tem casa em Cuba, país que parece não fazer muita questão frequentar. Chico nunca foi visto se metendo a falar grosso sobre direito de imigrantes ou qualquer pendenga, das muitas que o governo de Sarkozy tem com os estrangeiros que residem na França. Sobre essas coisas ele não fala nem fino nem grosso. Se cala por detrás de um de um cálice nalgum bistrô de Paris, dizem que acompanhado de um jabuti.

Mas voltemos ao ministério da Cultura, bem posto nas mãos de uma Holanda, ou Hollanda, a Ana com um estranho“l” a mais, a ministra irmã de Chico Buarque. Está dentro da normalidade depois do pai, Sérgio, virar nome de navio. Aliás, é perda de tempo apontar qualquer anormalidade num governo que dá para um navio o nome de Sérgio Buarque de Holanda para um navio e o nome da mãe do Lula para uma universidade.

Já que a petezada queria um artista, reitero que o ideal era o Tiririca, com muito mais serviços prestados ao governo petista, entre eles o de levar para o Congresso Nacional o delegado Protógenes e sua pasta preta. Mas sua excelência, a irmã do Chico Buarque, também é uma escolha à altura de mais este governo petista que vem aí.
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POR José Pires

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Extra! Extra!


Fotografado afinal O Amigo da Onça na sua verdadeira identidade.
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POR José Pires

A igualdade pelo avesso

Quando o PT falou recentemente em estabelecer uma cota de 30% de mulheres no ministério de Dilma Rousseff eu pensei imediatamente que as mulheres brasileiras deveriam sair em manifestações de rua pelo país. Protestando contra uma idéia tão arriscada, é claro. Desde que começou a ocupar administrações importantes pelo país afora, o PT tem desmoralizado o direito da mulher de ocupar o mercado de trabalho e postos de direção.

O problema vem de muito antes de Lula virar presidente e começou em câmaras de vereadores e prefeituras. A desmoralização já começa quando o partido adota de forma eleitoreira a falsa premissa de que a diferença sexual faria da mulher uma dirigente pública especial.

Essa diferenciação mentirosa acaba criando expectativas falsas em relação à mulher na política, que vai ter à sua frente as mesmas precariedades ou qualidades que um homem teria, além de ter de enfrentar no Estado a mesma situação de desestruturação e corrupção. É dificíl entender como alguém pode acreditar que o fato de ser mulher pode trazer algo diferente neste enfrentamento, mas o fato é que em certos casos a lorota até rende alguns votos. É um tipo de bobagem que acomete também certos militantes negros e também militantes homossexuais — mas a verdade é que somos todos iguais inclusive nos defeitos.

Esta questão já foi discutida demais para que tenhamos que agüentar tanta tolice e demagogia. Mas na política brasileira estas divisões artificiais ainda são bastante usadas, mesmo que historicamente a ocupação de cargos dirigentes por mulheres já venha comprovando que na prática não existe nenhuma diferença.

Quando o PT prega de forma eleitoreira qualidades especiais no sexo feminino para a ocupação de cargos na administração pública, o partido já causa um grande estrago conceitual e simbólico. Mas a coisa piora quando suas militantes de fato ocupam cargos destacados. O estrago aumenta, pois na maioria dos casos comprovadamente temos visto ineficiência ou a corrupção. Quando não aparecem as duas coisas juntas.

Mas o PT teima em usar o recurso até como marketing, como ocorreu este ano em várias eleições e pricimpalmente na campanha de Dilma. Com Dilma até tiveram que forçar um pouco na caracterização feminina, pois parece que ela tem defeitos parecidos com os piores estereótipos masculinos. Tiveram que vir com esse papo de mulher na política para encobrir sua notória personalidade agressiva na relação com colegas, principalmente os subordinados.

Mas para a sorte de quem acredita de verdade na igualdade entre os sexos, as mulheres que o PT tem colocado em vários governos tem desmoralizado estas questões de gênero. É mais um daqueles serviços que os petistas prestam de forma involuntária à democracia. Mas é preciso tomar muito cuidado, pois olhando o que as mulheres deste partido fizeram no poder só nestes oito anos de Lula, pode-se até chegar numa conclusão que também não é verdadeira: de que as mulheres não servem para a política ou que é até pior do que os homens no exercício do poder.

Nem uma coisa, nem outra. Somos mesmo iguais até na sedução da corrupção ou do desmando. É uma igualdade tão clara que, no PT, o mesmo descuido ético que o partido tem com sua ala masculina foi aplicado com igualdade para suas militantes. E deu no que deu. Com isso que podemos chamar de igualdade pelo avesso, o estrago para a imagem das mulheres na política pode estar sendo maior que qualquer benefício.

Da então senadora Benedita da Silva, encalacrada lá no início do primeiro mandato de Lula em gastos indevidos que forçaram sua saída do governo, à atual senadora Serys Slhessarenko, que tem uma assessora que já tirou dos cofres públicos também de forma indevida quase cinco milhões de reais, é uma lista muito grande de militantes petistas que trouxeram resultados negativos à condição feminina, apesar de muitas delas terem alcançado projeção calcadas na valorização da mulher na política. Com sua má atuação acabaram indo contra a respeitabilidade da mulher no mercado de trabalho.

Vamos ficar só nas figuras petistas destacadas, que ninguém é de ferro para uma lista tão longa. Em exemplos diversos, tem a ex-ministra Matilde Ribeiro, que foi obrigada a sair do cargo com os gastos irregulares flagrados no escândalo dos cartões corporativos e tem também a então ministra do Turismo, Marta Suplicy, mandando os brasileiros que sofriam com os aeroportos “relaxar e gozar”. Não foi possível. Marta fez esta estranha alusão sexual em 13 de junho de 2007 e no dia 17 do mês seguinte um horrível desastre com um avião da TAM matou 187 pessoas na capital paulista.

Teve também a deputada-dançarina Ângela Guadagnin, do PT de São Paulo, que festejou dançando no plenário da Câmara dos Deputados a vitória de deputados mensaleiros. Como já falei, é uma lista grande de militantes partidárias metidas em grosserias, maus serviços e até corrupção, de modo que, ao contrário do que parece, o fato de não terem conseguido nomear 30% de mulheres para cargos de destaque é na verdade uma boa notícia. Dessa forma o estrago será bem menor para a imagem das mulheres brasileiras.
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POR José Pires