quarta-feira, 25 de março de 2020

Olavo de Carvalho e Bolsonaro, o "olavete" mais perigoso do Brasil

Pelo que Jair Bolsonaro vem falando nos últimos dias sobre o novo coronavírus e que teve uma definição completa no discurso presidencial desta terça-feira, nosso inviável presidente resolveu ganhar projeção internacional na área médica, talvez até para levar um próximo Prêmio Nobel. Será o Nobel da “gripezinha”. Com a notória audácia dos ignorantes, Bolsonaro resolveu confrontar a opinião de quase todos os especialistas no controle de epidemias e da classe política, além de tentar ordenar aos brasileiros que saiam do confinamento e marchem em sentido contrário aos povos de quase todos os países que lutam contra o contágio do vírus.

Felizmente para os brasileiros, Bolsonaro está falando sozinho. O bolsonarismo trouxe este fenômeno político ao país, de um governante que faz uma proposta enquanto todo o país quer exatamente o contrário. O pronunciamento da noite de terça-feira não tem o apoio de ninguém, a não ser de seguidores ainda fanatizados por um mito que poupou aos adversários o trabalho de desconstruí-lo. 

Os dedos de uma só mão fazendo arminha servem para contabilizar os que acreditam na incrível tese do presidente: o dono da rede de lanches gourmetizados Madero, o Véio da Havan e também outro velhaco, o Véio da Virgínia, ele mesmo, Olavo de Carvalho, mas este não conta como simples seguidor. Ele está por detrás da construção desta, digamos, concepção de Bolsonaro sobre a pandemia que já matou mais de 15 mil pessoas pelo mundo afora e que não dá sinais de parar, grande parte da mortandade ocorrendo em países de economia muito mais forte que a do Brasil e com muitos mais recursos na área da medicina, além de melhor organização e equilíbrio social.

Nas páginas de Olavo de Carvalho nas redes sociais pode ser consultado toda a base do percurso politicamente errático de Bolsonaro nos últimos meses, a partir da agressiva confrontação pessoal com os outros poderes — que teve até incitação à militância contra o Congresso Nacional e o STF —, até chegar a estas receitas estrambóticas contrárias às ações contra o coronavírus, totalmente em desarmonia com a quase a totalidade dos brasileiros e, repito, de praticamente o mundo todo.

A página de Olavo virou um repositório de fake news em relação ao assunto, ele mesmo produzindo materiais absurdos, como a incrível tese de que até este momento o coronavírus não fez nenhuma vítima. Ele repete o tempo todo que fazem “a mais vasta manipulação da opinião pública que já aconteceu na história”. O vídeo foi compreensivelmente apagado pelo Youtube.

Na visão de Olavo, a população da Espanha está em uma alucinação coletiva ao chorar seus mortos, que nesta quarta-feira já chegou a 3.434 falecidos, ultrapassando a China, onde começou a pandemia. Do mesmo modo, se formos levá-lo a sério, os italianos também vivem um surto ilusório ao derramar lágrimas pelos mortos da maior tragédia no país desde a Segunda Guerra Mundial. Olavo afirma que o confinamento vem de uma histeria criada pela manipulação feita por poderes que ele, como sempre, não aponta com objetividade. Também não passa a informação de como arrumar leitos hospitalares para os doentes se a curva de contágio não for achatada.

É claro que o guru de Bolsonaro vem fazendo a cabeça do presidente nesta questão do novo coronavírus. Suas falas batem com o que Olavo vem publicando há meses e tudo se juntou de forma explosiva agora, na confrontação do presidente com as ações coletivas para conter a propagação do vírus. Bem, uma coisa é um velho professor disparando asneiras de seu escritório nos Estados Unidos e outra coisa muito diferente é um presidente da República repetindo os disparates no Brasil, feito um papagaio.

Olavo afeta a sanidade mental de um grupo cada vez mais reduzido de basbaques discípulos. O problema sério é que um desses idiotas políticos é o presidente do Brasil. Então passamos a ter um “olavete” que coloca em risco a integridade física de todos os brasileiros. O ensandecido professor não pensou nisso, o que é muito comum da parte dele, na irresponsabilidade com que espalha teorias absurdas, acolhidas por despreparados como se fossem ideias originais, de alta compreensão da vida humana.

O claro endoidecimento de Olavo é um problema individual, para o qual, quando situado apenas na esfera do debate político, cabe somente refutação intelectual. Já com Bolsonaro é muito diferente. O país precisa anular de forma democrática o grave perigo deste político eleito para a presidência da República, que no cargo se comporta como um Nero em seus piores momentos como imperador romano.
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POR José Pires

domingo, 22 de março de 2020

Bolsonaro, um presidente blindado ao bom senso

Como já escrevi antes de se instalar no Brasil o medo do contágio pelo novo coronavírus, além do país ter que lutar contra o risco grave desta doença somos obrigados a enfrentar uma batalha diária contra o presidente da República mais ignorante da história deste país, para citar o chavão daquele outro ignorante, poderoso até há pouco tempo e irregenerável representante de uma imbecilidade de esquerda.

Bolsonaro ainda não virou capa da Time ou da The Economist — que na edição desta semana sintetizou o fechamento do planeta — nem foi para as manchetes de jornais importantes como o Washington Post, o New York Times ou os diários europeus Le Monde, Libération, La Repubblica, Corriere Della Sera, El Mundo, El País e tantos outros, mas nosso presidente não virou uma estrela internacional em relação ao tema deste vírus porque o mundo está ocupado com algo realmente muito sério. Ninguém vai se ocupar agora com um governante idiota que chama o Covid-19 de “gripezinha”, mesmo depois do vírus ter contaminado mais de duas dezenas de membros da equipe que ele levou aos Estados Unidos, em visita ao presidente Donald Trump.

Enquanto governadores e prefeitos brasileiros procuram fazer algo para conter a proliferação de um vírus que até agora já matou mais de 10 mil pessoas no mundo, um trabalho que conta com uma paciente colaboração da população, Bolsonaro desmerece o esforço coletivo contra a contaminação, que é ainda mais desgastante porque em mais de um ano de mandato seu governo não organizou a máquina pública nem direcionou o país para um período de desenvolvimento e equilíbrio moral, tarefa para a qual ele foi eleito e não cumpriu.

Bolsonaro é um cínico. Depois de esgotar quase metade de seu mandato sem conseguir realizar nem o que há de prático em um governo e dando ao país um PIB pior do que os pibinhos dos dois presidentes que o antecederam, ele tenta de forma hipócrita colocar a culpa nos outros por seus fracassos. E pior: procura desavergonhadamente justificar a incompetência administrativa e econômica apontando o desastre como efeito de medidas sanitárias absolutamente necessárias.

Neste caso específico, pode-se dizer que o discurso de Bolsonaro tem uma base fascista de linguagem, pois o presidente tenta jogar os brasileiros contra seus adversários políticos. Seu argumento é detestável: procura culpar exclusivamente as medidas necessárias de confinamento pelo esvaziamento econômico do país.

Feito um caudilho de direita com ares mussolinianos, ele vem tentando aproveitar-se do medo da população para se fortalecer politicamente, talvez até para adquirir um poder acima do que é conferido ao presidente da República pela Constituição. Para esta situação serve aquela velha história de que se deve acabar com a saúva: o que não se pode é deixar Bolsonaro acabar com o país.

A sorte dos brasileiros é que muito antes do aparecimento deste vírus mortal, de tanto falar besteiras e bater e aprontar com todos — inclusive contra amigos que o apoiaram —, Bolsonaro já vem sendo tratado como um inimputável a quem não se deve dar ouvidos. Imaginem o estrago que ele estaria fazendo se a sua palavra ainda tivesse um peso diante da opinião pública. Felizmente é mínima a quantidade de pessoas que levam a sério esse sujeito sem noção, sendo que, por sua vez, esses seguidores fanáticos não têm mais influência no debate político. Servem apenas como ruído agressivo.

No entanto, a própria “inimputabilidade” de Bolsonaro deve cessar logo que o risco do Covid-19 diminuir a ponto de permitir as manifestações de rua. Provavelmente os brasileiros sairão às ruas para exigir sua deposição legal, isso se a classe política não antecipar a retirada da presidência da República deste despreparado perigosíssimo. Já existem os ensaios desse bota-fora democrático, com a volta dos panelaços que deram início à queda também democrática da petista Dilma Rousseff e o esquema de poder do lulopetismo.

Quando acabar o medo do coronavírus, com certeza vai ficar na memória a lembrança do comportamento de cada um dos nossos dirigentes durante esta grave crise que afeta nossa sobrevivência. Não tenho dúvida de que então os brasileiros sairão às ruas — com camisa verde-amarela, laranja, lilás, rosa, até mesmo vermelha ou de qualquer outra cor — para exigir a saída deste sujeito sem noção de qualquer coisa e totalmente desqualificado para o cargo que ocupa.
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POR José Pires

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Imagem- Ilustração de minha autoria, feita com a imagem
da Terra fechada, tirada da capa da revista The Economist

quinta-feira, 19 de março de 2020

A esquerda e sua relação de amor e ódio com panelaços

Então, como é que é? Estou esperando as violentas manifestações de petistas nas redes sociais de ataque aos panelaços contra o governo de Jair Bolsonaro. Os protestos foram em bairros paulistanos como Perdizes, República, Santa Cecília e ainda “nas varandas” de Vila Madalena, Higienópolis e Pinheiros, conforme noticiou a Folha de S. Paulo, jornal que era hostilizado pela militância petista quando noticiava os panelaços contra a então presidente Dilma Rousseff, em fevereiro de 2016.

Do mesmo modo que fez com Dilma, a Folha de S. Paulo deu o panelaço na capa nesta quinta-feira. E como daquela vez, é óbvio que este é um protesto feito pela classe média, tudo gente de poder aquisitivo mais alto que a população em geral.

Eu me lembro que o PT detestava panelaço da classe média. Então cadê os posts dos companheiros desmoralizando este panelaço? Também não vi os memes zoando um protesto como este, que quando era contra a Dilma eles diziam que era coisa de elite. Onde foi parar aquela professora de filosofia da USP que, muito doidona, gritava histericamente que odiava a classe média, enquanto do lado dela o ex-presidente Lula ria com satisfação?

Estou estranhando a falta de combatividade dos companheiros do PT e da militância dos partidos dos puxadinhos da esquerda. Quando é que vão sentar a lenha nessa classe média que faz panelaço contra Bolsonaro?
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POR José Pires

Bolsonaro e seu panelaço de apoio

A direita brasileira é bastante abilolada, por isso não se deve esperar de modo algum que haja alguma lógica em seus atos. No entanto, esses direitistas excederam o limite de sua estupidez com esta história de "panelaço" a favor do governo de Jair Bolsonaro. Isto é coisa de quem está batendo a cabeça.

Anotem aí, bolsonaristas: não existe panelaço a favor. Isto é impossível, porque o costume de protestar batendo panelas existe para denunciar que elas estão vazias, quando um país está atolado em uma crise econômica, com a falta de emprego e a quebradeira geral.

Qualquer batidinha numa panela vai lembrar exatamente isso. É uma questão de memória histórica, do significado da coisa, entendem? É mais ou menos como a vaia. Não existe vaia a favor, nem mesmo quando acompanhada pela idiotice de bater panela para aplaudir Bolsonaro.
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POR José Pires

quinta-feira, 12 de março de 2020

Jair Bolsonaro e o coronavírus: um problema encontra o outro

O presidente Jair Bolsonaro está sendo monitorado por médicos, depois de ter sido confirmado que o secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, foi infectado com o coronavírus. Os médicos recomendaram que Bolsonaro fique no Palácio da Alvorada até sair o resultado de seu exame, que deve ficar pronto nesta sexta-feira — toc, toc, toc —, dia 13.

Mas para que tanto cuidado, se o próprio Bolsonaro andou dizendo que o coronavírus é “mais fantasia” e não é “isso tudo”? Segundo ele disse, não havia necessidade de alarde e, como sempre, colocou a culpa na mídia. O presidente falou isso durante sua viagem aos Estados Unidos, na visita ao presidente Donald Trump, onde provavelmente seu ministro sofreu o contágio.

É Bolsonaro novamente falando do que não entende. E, por favor, não me perguntem se ele entende de alguma coisa. Ontem, El capitán voltou ao tema, afirmando que do que ouviu "até o momento, outras gripes mataram mais" que o novo coronavírus. Ele disse que obteve a informação de amigos médicos.

Bolonaro deu a declaração na portaria do Palácio do Alvorada, no mesmo dia em que a OMS declarou pandemia para o Covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus. A epidemia se espalhou para dois ou mais continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa, como é provável que agora Bolsonaro já deve estar sabendo, depois do vírus ter sido transportado pela sua equipe até o Palácio do Planalto.

Bolsonaro dizia essas bobagens enquanto o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta afirmava em entrevistas que a OMS deveria ter declarado a pandemia muito antes. Bem, nem vou perguntar se Bolsonaro não tem tido reuniões com seu ministro da Saúde nos últimos dias. É mais provável que tenham conversado bastante, do mesmo modo que também é possível que o presidente tenha entendido pouca coisa do que o seu próprio ministro vem falando.

Tem mesmo que dar nessas besteiras quando um sujeito de personalidade alarmista tem a responsabilidade de acalmar o país, como agora passa a ser a obrigação de Bolsonaro. Ele passou a vida jogando gasolina no fogo, fez carreira com este perfil incendiário e até subiu ao poder no meio do fogaréu, onde não parece saber o que fazer. Agora sua atitude terá que ser outra e todo o país vai sofrer muito porque, definitivamente, Bolsonaro é o pior líder em uma situação de crise, como os brasileiros já sabem muito bem neste um ano e pouco de seu mandato repleto de crises.

O governo já está num bate-cabeças danado, nada incomum em equipe sob o comando de Bolsonaro. O prognóstico é que sofreremos duplamente, do mesmo modo que penamos em dose dupla nesta crise econômica: teremos de suportar o coronavírus e as burradas governistas.
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POR José Pires

quarta-feira, 11 de março de 2020

O coronavírus e o desafio do bolsonarismo nas ruas

A declaração da Organização Mundial da Saúde de que há uma pandemia do novo coronavírus no mundo livrará o presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores do desafio criado por eles mesmos para este domingo, 15 de março. Governadores já avaliam decretar a proibição de aglomerações em locais públicos e dificilmente isso não ocorrerá. Não tenho dúvida de que deve ter muito governista aliviado com esta possibilidade de se safar da responsabilidade de promover em todo o país atos de apoio a um governo que vem sendo decepcionante.

Desse modo, bolsonaristas podem ter uma justificativa para evitar este grande teste de força política, que na minha visão estava se encaminhando para demonstrar o contrário do que eles acreditam. É improvável que consigam convencer muita gente a se juntar a manifestações em apoio a este governo. Já não teve muito sucesso o último ato promovido por grupos envolvidos na organização da manifestação prevista para o próximo domingo, valendo destacar que o teor daqueles atos não era tão governista.

Tirando as pessoas mais fanáticas, não se vê animação com este governo, que vem gradativamente traindo suas bandeiras de campanha. Da parte de Bolsonaro não se garante nem o fortalecimento da luta pela prisão de corruptos e contra a impunidade. Existe muita dúvida sobre a real posição de Bolsonaro em relação a muito temas importantes que levaram a sua eleição. Nos últimos dias o governo se envolveu em negociações de uma baixeza lamentável, no caso do orçamento impositivo.

Não se sente nas redes sociais um envolvimento visível que possa prever um bom público na manifestação nacional que provavelmente terá de ser cancelada. Com isso, o bolsonarismo talvez se livre de ter que organizar uma grande demonstração de força nas ruas, que na minha opinião iria acabar sendo um grande fiasco neste domingo.
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POR José Pires

terça-feira, 10 de março de 2020

Regina Duarte na cultura filosófica da fritura bolsonarista de Olavo de Carvalho

A passagem de Regina Duarte pela Secretaria da Cultura, do governo Bolsonaro, pode servir muito bem para um conhecimento mais apurado da cultura política deste governo. Quando se fala em “bolsonarismo”, quem faz isso com conhecimento de causa sabe que o termo serve apenas para categorizar um movimento político que na verdade não tem conteúdo próprio que possa definir para que afinal se elegeu esta coisa. Neste sentido, o chamado bolsonarismo vai-se definindo pela prática, no que podemos ver como um “work in progress”, para usar a expressão literária em inglês, evidentemente pedindo perdão ajoelhado no milho pela, digamos, licença poética.

Na pressa em ocupar o poder, faltou tempo para a direita estabelecer anteriormente uma doutrina filosófica para tocar o serviço. Foi uma falha do guru Olavo de Carvalho, mestre muito ocupado e que parece sofrer de hiperatividade desde o berço, um empecilho que não permitiu sequer que ele sistematizasse tudo que fez até agora, dando uma ordem no todo de sua conturbada experiência de vida para que pudéssemos ler o que afinal estava em sua cachola.

Nesta ansiedade que prejudicou o cuidado com sua própria obra, claro que Olavo também não conseguiu estabelecer princípios básicos para montar um governo de eficiência razoável. Mas agora é tarde, tanto para a obra filosófica quanto para a tal da governabilidade.

Nesta andadura vai valendo mais o empirismo, a experiência em cada passo ou mesmo cada patada, dependendo de como se vai fazendo o caminho — que esclareço nada ter a ver com o grande poeta espanhol Antonio Machado, coitado, totalmente inocente do que está acontecendo por aqui. A entrada de Regina Duarte teve a serventia de acelerar conceitos essenciais desta filosofia olavo-bolsonariana, que tem como base elementar muito ruído e fritura constante de qualquer um que, mesmo de longe, seja visto como empecilho para a gloriosa missão do olavismo, que por ora depende bastante de boquinhas no governo.

Antes de assumir o cargo, Regina Duarte já estava sendo fritada pelo olavismo, porque antecipadamente fez uma limpa na Secretaria da Cultura, demitindo olavistas incrustados no organismo de governo. Antes do presidente assinar a nomeação o próprio Olavo de Carvalho deu a deixa do ataque em massa contra a ex-atriz da Rede Globo.

Agora ela já está sendo obrigada a plantar notícias na imprensa garantindo que não pedirá demissão, isso quando completa apenas uma semana na pasta. Não deixa de ser uma impressionante exacerbação da tradicional fritura de costume na política brasileira, mas o olavismo é assim mesmo, altamente revolucionário no tratamento aos adversários, postura que provavelmente mestre Olavo aprendeu nos anos em que serviu ao comunismo, na sua juventude.

A atriz que acabou de saltar para a banda de lá do balcão da política também está sendo forçada a engolir sapos repelentes, como as provocações do presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, olavista que Regina queria substituir por um dos seus, mas foi impedida pelo próprio presidente Jair Bolsonaro. Camargo dá uma tuitada atrás da outra esculhambando aquela que deveria ser sua chefe. E fica por isso mesmo. Regina também teve uma nomeação na sua equipe anulada pelo presidente.

Da fritura da atriz participa até um padrinho dela, o ministro Luiz Eduardo Ramos, general que Bolsonarou levou para a Casa Civil. Nesta segunda-feira, Ramos enquadrou sua pupila pelo Twitter, puxando-lhe a orelha em público por ela ter dito numa entrevista que é atacada por uma “facção” dentro do governo.

Para alguém da idade de Regina, uma palavra deveria bastar, mas o general foi quase que didático, ainda que na linha do educador Weintraub, mas foi. “São seus ministros e secretários que devem se moldar aos princípios publicamente defendidos pelo presidente da República, não o contrário”, ele avisou pelo Twitter.

O recado pode ter também uma leitura nas entrelinhas, mesmo que não tenha sido a intenção do general. Como os princípios de Jair Bolsonaro como presidente com certeza são providos de lições filosóficas assopradas diretamente em seus ouvidos por Olavo de Carvalho ou repassadas ao pai pelos filhos, que são fãs do velho professor da Virgínia, para evitar uma queda rápida do cargo, a nova secretária da Cultura terá de submeter-se a um amoldamento com um perfil olavista.
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POR José Pires

segunda-feira, 9 de março de 2020

O erro e a insistência no erro de Drauzio Varella

Drauzio Varella é um sujeito que admiro bastante. É de imenso valor o trabalho desse médico pela informação de qualidade na área dos cuidados com a saúde, do comportamento e no conjunto das relações sociais, até mesmo em questões políticas ou nos relatos sobre sua vida pessoal. O doutor é sensato e bem informado, de grande capacidade de expressão, sabe analisar assuntos polêmicos de forma eficiente, sem deixar que a conversa descambe para o clima de sensacionalismo e conflito improdutivo que se tornou voga em toda discussão pública.

Então, no geral, todos os aplausos para o doutor Varella, porém não posso deixar de dizer que ele errou neste episódio do abraço dado em um preso transexual no programa do Fantástico, na Rede Globo. É difícil debater um assunto que ficou popular em razão da esquerda ter dado início à exploração da icônica imagem tentando turbinar sua pauta identitária, que depois reverteu negativamente com a descoberta de que o criminoso foi condenado por estuprar e matar uma criança.

Como a direita adorou o lamentável desfecho, saindo em campo para descer o sarrafo, a atmosfera política fica daquele jeito nauseabundo de sempre. O furdunço que a esquerda e direita criam no debate dos problemas brasileiros dificulta bastante a discussão de questões essenciais deste país. Mas o fato é que Drauzio Varella errou feio ao fazer a cena e continuou equivocado na sua resposta depois do site O Antagonista ter conferido no prontuário policial que na verdade o médico havia abraçado um condenado que cometeu um crime horrível.

Drauzio afirma que nada perguntou a respeito de delitos porque é um médico e não juiz. Para fundamentar esta justificativa ele lembra sua atividade profissional no consultório ou nas penitenciárias, quando — sempre de acordo com sua nota de esclarecimento — não pergunta sobre o que seus pacientes possam ter feito de errado.

Quanto a isso, nada a questionar. No entanto, um material de comunicação exige procedimentos que não se cobram de um médico no exercício de sua profissão. Quando me falaram dessa cena do abraço veiculada pelo Fantástico, a primeira coisa que apontei é que gostaria de saber que crime aquela pessoa cometeu para ter cumprido oito anos de prisão. Agora já se sabe. A cena era do médico e o monstro. É inegável o erro de Drauzio Varella e a produção do programa da Rede Globo tem responsabilidade ainda maior pela veiculação de algo que poderia ter vitimizado o autor de um crime hediondo.

Este é o tipo de coisa que pode acontecer com quem trabalha bastante, resultado apenas de um descuido e não de má-fé, o que certamente está garantido pela grande quantidade de coisa boa produzida até agora por Drauzio Varella. Tendo como referência sua qualidade como médico e na sua atividade em comunicação, bastaria ter reconhecido o erro e talvez, se fosse do seu interesse, pedir desculpas pela desatenção. Mas ele não agiu dessa forma. A resposta às críticas sobre o episódio do abraço serviu para reforçar o erro.
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POR José Pires

quinta-feira, 5 de março de 2020

Carioca: o chacoteiro que virou piada do personagem Bolsonaro


Existe uma grande diferença entre humorismo e chacota. O que se faz hoje em dia no Brasil é em sua maioria apenas chacota, com a intenção de zombar de uma pessoa ou de uma situação. É apenas zoação, como se costuma dizer nas redes sociais. Ao contrário do humor, a chacota não incomoda o poder, nada traz de questionamento profundo do assunto tratado e por isso mesmo este falso humor é bem aceito pelos políticos.

“PIB? PIB? O que é PIB? Pergunta o que é PIB”, foi o que o presidente Jair Bolsonaro mandou o comediante Carioca dizer aos jornalistas que o esperavam em frente ao Palácio do Alvorada na manhã desta quarta-feira. Carioca é conhecido por uma imitação que faz do presidente desde que Bolsonaro ainda estava em campanha. É uma encenação tão vergonhosamente favorável que durante a campanha Bolsonaro chegou até a comparecer a um show de Carioca e agora ainda cedeu ao comediante um veículo oficial para a apresentação diante dos jornalistas.

Carioca estava no Alvorada para gravar uma entrevista com Bolsonaro, que deve ser apresentada na estréia de seu programa na TV Record — onde mais poderia ser? Claro que existe uma curiosidade sobre o que sairá de bobagens da conversa entre os dois, mas dificilmente nada será mais desastroso do que os acontecimentos dessa lamentável manhã, que foi de dar vergonha alheia.

Ao lado do imitador do presidente, desembarcou do carro o chefe da Secom, Fabio Wajngarten, que acompanhou a performance de piadas fáceis, como a da tentativa de distribuição de bananas aos jornalistas, que se recusaram a participar da encenação sem graça e despropositada.

Carioca é um legítimo representante da chacota nacional, um dos que se fazem passar por humorista, mas que na verdade apenas faz gracinhas que não incomodam os poderosos.

Desta vez errou feio, passando para o lado do personagem que representa, usando inclusive aparatos oficiais, além do equívoco de tentar fazer graça logo no dia da divulgação do pibinho do governo de Bolsonaro, quando todo o Brasil esperava explicações sobre o fiasco da política econômica, depois da alta expectativa criada pelo próprio presidente em torno da suposta eficiência de um ministro que ele prometeu que seria um Posto Ipiranga.

O chacoteiro Carioca foi tão infeliz que ficará marcado por este dia em que a criatura assumiu em público o poder sobre o criador. Executando o que Bolsonaro mandava fazer, repetindo frases como um cachorrinho em obediência ao dono da voz, o pretenso humorista quebrou a cara ao tentar aliar sua imagem a um governante tão desmoralizante que é capaz de esculachar até sua própria piada.
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POR José Pires

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Imagem- Bolsonaro e seu imitador que virou piada

quarta-feira, 4 de março de 2020

Olavo de Carvalho e seus discípulos bagunçam o casamento de Bolsonaro com Regina Duarte

Os seguidores de Olavo de Carvalho estão de novo com um arranca-rabo no governo Bolsonaro. A implicância agora é com Regina Duarte, depois dela demitir seis olavistas da Secretaria da Cultura. Um dos demitidos é Dante Mantovani, que ficou conhecido por dizer que o rock é um ritmo satânico que leva à droga e ao aborto.Os olavistas estão otimizando seus métodos: os ataques para derrubar a ex-atriz da Globo vieram antes dela assumir. Sua nomeação foi assinada nesta quarta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro, que lhe deu carta branca para demitir os discípulos de Olavo.

Indignados com as demissões, os olavistas agitaram o Twitter com um “Fora Regina”. A atriz virou comunista de uma hora pra outra. Nas redes sociais, andam dizendo que “Regina Duarte é um fantoche esquerdista dentro de um governo de direita”. Também a acusam de estar alinhada com a deputada comunista Jandira Feghali e Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Veloso e sua empresária. Regina também é acusada de colocar gente do deputado de extrema-esquerda Marcelo Freixo em sua equipe.

O mestre dos insatisfeitos já deu seu veredito no Twitter, dizendo que fez “cagada” ao aplaudir a indicação de Regina. Claro que também estão dizendo que as atitudes da nova ocupante da Secretaria de Cultura vai impedir a luta contra o “marxismo cultural”, seja lá o que seja isso, mas a verdade é que o alvoroço tem uma causa muito mais simples.

Sou muito mais novo que Olavo de Carvalho, mas também passei por outras épocas. No meu tempo isso tinha uma definição muita clara: é briga por boquinha. É isso que olavistas vêm fazendo, desde o início do governo Bolsonaro, metidos em briga por cargos desde a primeira balbúrdia provocada no Ministério da Educação, que levou à queda de Vélez Rodríguez, que virou ministro por indicação de Olavo. E o mais chato para os olavistas é que eles passaram mais de um ano brigando por boquinhas menores. Não se vê uma participação decisiva deles na criação de políticas públicas nas pastas que tentam aparelhar.

Mas alguém sabe o que Olavo de Carvalho e sua turma querem objetivamente? Fazem muito ruído, mas não conseguem estabelecer nada de prático no governo, sem alcançar também uma influência importante na sua organização política. Olavo de Carvalho fez um mea culpa grosseiro em um assunto localizado, ao lamentar o apoio à indicação de Regina Duarte, mas se for para falar de “cagada” o guru de Bolsonaro vem descuidando há muito tempo de suas obrigações.

Olavo não tem definida uma visão clara e objetiva sobre cultura e educação. Nos últimos anos desperdiçou em polêmicas de pouco proveito intelectual um tempo que na sua idade é cada vez mais escasso. Com isso, deixou de escrever e editar, de forma organizada e acessível, seu pensamento filosófico e político, com uma visão clara e abrangente, trazendo um conteúdo que fosse além da crítica ao que ele chama de marxismo cultural.

O que ele distribuiu a seus discípulos são lições de como atazanar o próximo, que servem no máximo para criar encrencas como esta, com Regina Duarte. Nem vou exigir de Olavo a criação de um sistema filosófico próprio, pois ele só pode ser chamado de filósofo em razão da generalização que permite dar essa definição a qualquer professor de filosofia. Mas se ele dispusesse de ideias mais amplas e objetivas sobre educação e cultura, isso poderia ter sido aproveitado para um projeto conservador com alguma qualidade intelectual. O que ele propõe é apenas ruído e é isso que vai ficar de seu legado.
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POR José Pires

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Ciro Gomes e Cid Gomes, irmãos da prepotência

Com o episódio da bizarra tentativa de mediação trabalhista feita por seu irmão Cid Gomes de cima de uma retroescavadeira, Ciro Gomes vem procurando entabular uma tese para amenizar o estrago causado pelo episódio. Como se sabe, Cid jogou um trator em cima de policiais acompanhados de filhos e esposas, até que foi parado por dois tiros no peito. Agora, Ciro culpa o presidente Jair Bolsonaro pelo acontecimento que teve seu irmão como protagonista ao volante de um trator.

No seu Twitter, Ciro se apresenta como pai de 4 filhos, avô, já foi deputado, prefeito, governador e ministro, porém mesmo com toda esta experiência ele se exime de dar um puxão de orelhas no irmão. Ele acha que Cid agiu corretamente. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, usou como justificativa para a estupidez até as palavras grosseiras de Bolsonaro em ataque a uma repórter do jornal. Para ele, quando “um canalha como o Bolsonaro faz a canalhice que faz com uma jornalista [Patrícia Campos Mello, da Folha] a indignação fica muito aflorada”.

Bem, muita gente não gostou da atitude de Bolsonaro, mas ninguém pensou em protestar jogando um trator sobre policiais. Como se viu, não é uma forma salutar de defesa da imprensa. Ciro vem tratando o assunto bem no seu estilo, buscando filosofar e ao mesmo tempo tentando impor uma imagem de rigor. Logo que seu irmão fez a besteira no Ceará, ele disse em um vídeo publicado nas redes sociais que a “única saída é a repressão” ao movimento dos policiais.

O político cearense não concorda que seu irmão tenha se exaltado durante a desastrada mediação. Ele disse que Cid queria “restaurar a ordem em Sobral”, aproveitando para alertar sobre o “fascismo”, que na sua opinião se instala no Brasil, avisando ao jornalista que “as primeiras vítimas do fascismo vão ser vocês”. E tem mais: ele afirmou que a situação de crise se deve “a um canalha que transformou a República brasileira em uma república de canalhas que se chama Jair Messias Bolsonaro”.

Ciro não consegue explicar como Bolsonaro pode ter responsabilidade na crise na segurança no Ceará, sendo que o clã político liderado por ele e o irmão está no poder no estado há pelo menos quatro décadas. Mas o candidato derrotado seguidamente em eleições presidenciais é desse jeito: nas suas divagações políticas reserva sempre um bom papel para ele — sempre dedicado, honesto e com a melhor solução para qualquer questão — e aponta sempre para um adversário — que pode ser Fernando Henrique Cardoso, Lula ou o Bolsonaro, como agora — impedindo maldosamente que ele, o grande Ciro, faça o melhor para o Brasil.

Já faz tempo que Ciro procura se encaixar no perfil de estadista-filósofo. Não é uma coisa nem outra e até agora o eleitor não foi besta de dar-lhe uma oportunidade de demonstrar, mas ele vai tentando, tecendo considerações sobre tudo e todos, de um ponto de vista em que julga com pretensa sabedoria qual é o melhor caminho para o país.

Claro que é muito difícil conduzir esta tese em apoio à mediação de conflitos com o negociador em cima de uma retroescavadeira. Ninguém vai engolir tamanho absurdo, ainda que seja incansável seu gogó, na sua incessante ambição pelo poder. Ciro logo perceberá que a retroescavadeira pilotada pelo seu irmão nos grotões dominados por sua família atingiu em cheio sua imagem nacional.
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POR José Pires

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Cid Gomes, o senador da retroescavadeira

A atitude do senador Cid Gomes investindo com um trator contra uma multidão de policiais em greve foi tão estúpida que o que define melhor seu feito é um meme do He Man, com um conselho útil para o irmão do Ciro Gomes e políticos da mesma arrogância dos chefes do clã cearense. “E no capítulo de hoje aprendemos que não é uma boa ideia partir pra cima de policiais com uma retroescavadeira”, foi o alerta deste sábio herói. Na direção do trator, Cid só parou de avançar sobre as pessoas depois de levar dois tiros.

Até aqui a imprensa vem tratando o caso com aquela dificuldade séria de narrar com exatidão os acontecimentos. Em vários sites diz-se que o senador foi atingido por tiros “quando tentava furar um bloqueio feito por policiais”. Bem, na verdade o tresloucado senador fez um pouco mais do que “tentar furar” um bloqueio. Cid arremeteu um trator contra uma manifestação de policiais que reivindicam aumento salarial.

Uma fala do senador, antes de avançar sobre a multidão, serve para demonstrar o grau da sua irresponsabilidade. Ele exigiu que os policiais deixassem o local. "Vocês têm cinco minutos pra pegarem os seus parentes, as suas esposas e seus filhos e sair daqui em paz. Cinco minutos. Nem um a mais", disse em um megafone. Como se viu depois, ele pretendia atropelar inclusive mulheres e crianças.

Uma pergunta inevitável é o que Cid Gomes representava no momento da sua estúpida façanha. Ele está licenciado do cargo, mas de qualquer modo não faria sentido um senador se intrometendo dessa forma em uma manifestação trabalhista. Pessoalmente, Cid não faz parte do governo nem responde pela área da segurança no Ceará. O governador do estado é Camilo Santana, do PT. O Brasil inteiro sabe muito bem como são esses dois irmãos, não só pela conhecida arrogância e prepotência de Ciro Gomes, como também pela grosseria de Cid, que já fez parte do governo Dilma. Mas será que o governador do PT é tão tutelado pelos Gomes que é obrigado a aceitar tamanha intromissão no governo?

O senador foi baleado, mas passa bem. Até já gravou vídeo da cama do hospital. Mas é óbvio que o episódio fere com gravidade a candidatura de seu irmão, Ciro Gomes, que repetidas vezes já tentou ser presidente da República. Essa tentativa do irmão atropelar uma multidão com uma retroescavadeira cola-se com certeza na imagem de Ciro, como mais um símbolo da prepotência da família de pavio curto.

Dá para imaginar como é o comportamento desses dois no Ceará, longe da atenção nacional, especialmente nas relações com pessoas mais humildes e fazendo política nos chamados grotões do interior do estado que dominam há décadas com a conhecida agressividade e falta de respeito. Ciro Gomes já teve sua eleição para presidente evitada por três vezes. Pois agora seu irmão deu mais um motivo para o eleitor impedir que esta doidice aconteça.
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POR José Pires

O papa Francisco cai no bico dos petistas

Corre pelas redes sociais uma informação de que o papa Francisco concedeu uma benção que inocenta Lula. Deram na notícia falsa até uma denominação em latim para a coisa, “benedictionem et innocentum”. Espalhado pela militância esquerdista, o fake news afirma que a bênção é “concedida apenas aos inocentes” e faz 800 anos que ninguém é agraciado por ela. Como se vê, é uma variação da cantilena de Lula, do “nunca antes na história deste país” para nunca antes na história da Igreja católica.

A notícia falsa já foi desmentida. O esclarecimento veio pelo Vatican News, portal de informações do Vaticano, que informou que esta bênção nem existe. Mas o que dizer de uma patifaria dessas? Ora, que o papa Francisco se prepare, pois com certeza mais falsidades aparecerão. Ao receber Lula no Vaticano, ele abriu espaço para uma longa pauta de mentiras. O próprio Lula vem dando sua versão desse encontro, aproveitando-se da surpreendente, digamos, boa vontade do papa.

Lula é condenado pela Justiça brasileira em três instâncias e já cumpriu pena. Responde também a outros processos e esteve à frente de dois governos, quando foram montados os esquemas de corrupção do mensalão e do petrolão, com uma roubalheira tão impressionante que no Brasil tirar dos cofres públicos menos de um milhão passou a ser mixaria.

Claro que, sabendo de tudo isso, o papa simplesmente deu um aceno para o uso de sua imagem em favor de um político que desgraçou o nosso país. Como eu disse, mais fake news virão por aí, pois como sempre Lula levou até seu fotógrafo particular para registrar o encontro com Francisco. Alguém duvida do uso disso em eleições? É capaz de aparecer até notícia afirmando que no encontro foi aberta ao condenado petista a porta do céu, como nos tempos de venda de indulgências papais.

O papa Francisco poderá até reclamar, mas não será possível alegar inocência, até porque sendo argentino ele deve ter uma vasta experiência com a mentirada que a esquerda costuma aprontar com a história de seu país.
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POR José Pires

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A economia doméstica de Paulo Guedes de voos para a Disneylândia

O governo de Jair Bolsonaro é composto de tanta gente grosseira, com tamanha quantidade de besteiras, que o resultado final acaba obrigando a uma comparação em que salva-se o menos pior, com o risco inclusive da exaltação de figuras que nem seriam notadas por qualquer qualidade pessoal caso sofressem uma avaliação fora do lamentável contexto desse governo. Como não dá para separar trigo em meio a tanto joio, aceita-se um joiozinho que não seja de todo miserável.

O próprio presidente Bolsonaro se esforça para desequilibrar o escore de qualidade moral, política e, vá lá, intelectual. O exagero leva as pessoas a descuidarem dos demais bestalhões, que seguem as ordens do chefe que o tempo todo fala tanta besteira que até deixou para trás aquele outro presidente muito grosseiro, que fazia citações elogiosas na primeira pessoa, alardeando que tudo o que era feito sob seu comando acontecia pela primeira vez na história deste país.

Ultimamente virou um hábito buscar nas falas de Bolsonaro ou nas suas medidas práticas a base de alguma estratégia. Sempre que dou de frente com alguém fazendo isso, me vem à cabeça uma frase de Emerson, naquela praticidade dos filósofos americanos, com ele dizendo o seguinte: “Analisando a história não convém sermos por demais profundos, pois muitas vezes as causas são extremamente simples”. Resumindo e atualizando a questão, agora de forma popular, não faz sentido buscar interpretações profundas em um governo de tão baixa qualidade, liderado por um sujeito desqualificado que fala e age meramente por impulso.

Não há estratégia alguma, nem mesmo no sentido espúrio dos objetivos políticos desse governo, onde todos querem meramente se dar bem na vida como nos tempos das rachadinhas em gabinetes do baixo clero. Ainda bem que eles são incompetentes. E o duro é que provavelmente será por esta falta de jeito que os brasileiros podem ser poupados das tremendas maldades planejadas para o Brasil. A depender de ações da oposição — igualmente de baixa qualificação em sua maioria — estaríamos irremediavelmente perdidos.

O governo se entrega pela língua, naquela incontrolável vaidade que todo idiota tem pelo que ele próprio fala. A desmoralização é tão grave que de vez em quando até o presidente Bolsonaro sente que a coisa foi longe demais. Nesta terça-feira os jornalistas o questionaram sobre as declarações do ministro Paulo Guedes, que andou falando coisas muito parecidas com a cantilena do ex-presidente Lula, que vivia dizendo que seu governo havia aberto aos mais pobres o paraíso do mercado de consumo. Os pobres já não viajam tanto de avião como no tempo de Lula. Agora estão botando ordem na casa. Com o dólar alto, as empregadas domésticas não vão mais para a Disney. O Guedes é quem disse.

Ao contrário do que costuma fazer, Bolsonaro não quis se alongar neste assunto. “Pergunta para quem falou isso. Eu respondo pelos meus atos”, ele respondeu e mais não disse, mas numa situação assim nem é preciso falar mais nada. Não deve ser fácil para ele ver aquele que acreditava ser um Posto Ipiranga falando besteira no estilo do padrinho da Dilma. E neste caso tenho que apoiá-lo na sua indignação. Pode ser interpretado até como traição, digamos, filosófica, um ministro de Bolsonaro ir até o repertório histórico de outro presidente para buscar idiotices que obteria com a maior facilidade dando uma passadinha no Palácio do Planalto.
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POR José Pires

Fernando Haddad e o modo petista de fazer as coisas

O ex-prefeito Fernando Haddad, que perdeu feio no segundo turno a eleição presidencial para Jair Bolsonaro, anda atarefado nos últimos tempos procurando ocupar espaço na mídia, tentando ao mesmo tempo manter uma posição destacada dentro do PT, pois o partido está num arranca-rabo entre suas lideranças, em conflito atiçado por Lula para manter-se sempre por cima entre seus companheiros.

Algum especialista deve ter alertado Haddad que sua imagem sofre de um problema muito sério, afetada pela confusão que costuma ocorrer no limite entre o pragmatismo e o sujeito parecer um banana. Para um petista isso pega muito mal, o que faz às vezes um ou outro capacho de Lula erguer o tom para provar aos companheiros que baixa a cabeça quando o chefão ordena, mas em seu peito não bate um coração tucano.

É o que vem ocorrendo com Haddad, que alterou bastante seu discurso, saindo do perfil do professor correto, compreensivo com o que os outros pensam, passando a descer a lenha em Jair Bolsonaro, inclusive com ataques pessoais. Não estou fazendo juízo de valor sobre o que ele anda falando do presidente, apenas pontuo a mudança do discurso.

>Haddad vem interpretando este novo papel nas redes sociais, dando violentas tuitadas no governo, buscando também encaixar frases agressivas em entrevistas, que trazem uma pauta bem definida de assuntos pelos quais ele acredita poder fortalecer este lado malvadeza que provavelmente algum marqueteiro o avisou que é absolutamente vital para que ele ganhe um realce dentro e fora de seu partido.

No sábado, o petista deu uma entrevista ao site UOL, com boas pancadas no ministro Paulo Guedes, em críticas que em boa parte subscrevo, afinal Guedes é um inimigo nosso em comum, sem que isso evidentemente faça de Haddad meu amigo, o que já está devidamente comprovado pelo que aconteceu no enfrentamento eleitoral entre ele e Bolsonaro, quando foi exigido pela honestidade e o bom senso que não se escolhesse nenhum.

Não vou entrar nas críticas que Haddad levantou, mas tenho que apontar uma expressão muito interessante, um lapso do discurso professoral do ex-prefeito que perdeu a reeleição em São Paulo no primeiro turno, em que ele sintetiza de forma magistral a posição política e administrativa dele e dos companheiros que o cercam. É um trecho de crítica à famosa fala do ministro Paulo Guedes, que tachou os funcionários públicos de “parasitas”. O petista diz que Guedes nunca fez nada de útil na vida, no que tem toda a razão, mas o que me chamou a atenção foi a expressão que usou. Haddad diz que Guedes “nunca pregou um parafuso”.

Achei perfeito. O partido de Haddad é exatamente isso na política, na economia e nas demais tarefas exigidas em um governo. O PT é um partido que prega parafusos.
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POR José Pires

domingo, 9 de fevereiro de 2020

A lição de cinema do documentário "Indústria americana".

Os documentários “Indústria americana” e “Democracia em vertigem” são duas obras que se enfrentam nesta noite de domingo na festa do Oscar, por isso cabe uma comparação entre os estilos muito diferentes de Steven Bognar e Julia Reichert, diretores do primeiro, e de Petra Costa, autora do documentário brasileiro, que os petistas já acolheram como queridinha do PT, na sua afoiteza prejudicando a imagem de independência que se pretendia para o filme. Petra é uma das figuras mimadas pela militância petista. Críticas ao filme são repudiadas com agressividade, como se o partido do Lula tivesse poder de veto sobre quem coloca em dúvida esta joça.

Na minha visão, “Democracia em vertigem” está encaixado em categoria errada no Oscar. É uma obra de ficção, pautada, dirigida e montada de forma tão manipuladora que dá até vergonha alheia. Os petistas nem escondem a torcida pelo seu sucesso, pois na visão deles seria um reforço e tanto para a narrativa falsa sobre a situação do Brasil que buscam emplacar internacionalmente. Já “Indústria americana” é um filme que não depende da sua sorte na premiação desta noite. Já tomou seu lugar na história do cinema e tem uma larga carreira pela frente. Steven Bognar e Julia Reichert criaram uma obra-prima, tecnicamente perfeita, tratando de um tema de extrema importância não só para os Estados Unidos, mas para o mundo todo.

O documentário americano parte da instalação de uma fábrica pela China em uma cidade no interior americano para debater de forma inteligente os graves problemas do capitalismo no Ocidente e a entrada da poderosa economia chinesa nos Estados Unidos, tentando impor um modelo de produção tremendamente explorador da mão de obra, com pesado arrocho nos salários e a quebra de direitos básicos dos trabalhadores, além do desrespeito ao meio ambiente e a eliminação de regras de segurança coletivas e individuais. É o comunismo, quem diria, buscando submeter trabalhadores a um domínio dos sonhos do conservadorismo americano.

O documentário trata do choque cultural entre trabalhadores chineses e americanos e da dificuldade da implantação da mentalidade chinesa, com seu modo comunista de produção que tromba até com regras muito simples do capitalismo, como o uso de de aparelhagem de proteção. Porém, ao contrário do que fez a brasileira Petra Costa ao tratar do choque político entre a oposição e o PT, os cineastas americanos não foram invasivos politicamente nem procuraram amoldar a realidade em nenhum sentido ideológico ou partidário. Os diretores americanos desenvolvem o assunto abrindo amplos espaços para a compreensão própria de cada espectador, respeitando a inteligência das pessoas, sem manipular o que filmaram e muito menos atuando com pauta política pré-determinada.

“Indústria americana” é o contrário de “Democracia em vertigem”, do ponto de vista técnico e da arte do documentário. E deixo claro que faço a comparação apenas porque os dois filmes estão neste domingo no Oscar. O filme de Petra Costa é de um nível de qualidade inferior demais ao documentário americano e não digo isso apenas pela mentirada que ele contém. É uma obra tecnicamente tão fraca que não consegue alcançar nem seu objetivo como propaganda política de um partido tomado por ladrões e liderado por um corrupto que já pegou até cadeia por seus crimes contra o país.

O filme dos americanos Steven Bognar e Julia Reichert merece ser visto e discutido com atenção, até pelo fato de que o Brasil também vem sofrendo a invasão do tirânico poder econômico da China, mas também porque o documentário estimula o debate de muita coisa importante no campo do trabalho, da política e da globalização que tomou conta de tudo. É um exemplo de inteligência artística e respeito pela capacidade de cada um pensar e tomar decisões por sua própria cabeça. O filme de Petra Costa também merece atenção, mas neste caso é porque representa absolutamente o contrário disso.
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POR José Pires