terça-feira, 22 de julho de 2014

A teoria-bomba de Jean Wyllys

Apesar de vir do notório produtor de besteiras que é o deputado Jean Wyllys, do Psol, a notícia parece coisa de site de humor: "Para Wyllys, avião da Malaysia pode ter sofrido ataque homofóbico". Tive então de conferir a veracidade disso. E é mesmo verdadeira essa teoria estranha de que a queda do avião na Ucrânia pode ter sido causada por puro preconceito. A notícia vem de um post da página do deputado no Facebook, onde ele finaliza um texto desse jeito: "Diante desses fatos - e sem querer estimular teorias da conspiração - questiono se o fato de haver especialistas em HIV/AIDS à bordo do avião terá sido uma mera coincidência ou pode apontar para uma outra explicação sobre o abatimento da aeronave numa região da fronteira entre dois países conservadores?".

O post já tem mais de mil compartilhamentos e também mais de mil comentários, um mais engraçado que o outro. Mas nada supera em humor as tentativas de Wyllys para escapar da cômica encrenca criada com a sua estapafúrdia teoria conspiratória. Como é que um avião com especialistas em HIV?AIDS vai se meter no espaço aéreo de "dois países conservadores", não é mesmo? Ainda bem que ele avisou que não quer "estimular teorias da conspiração".

E depois, procurando defender o que escreveu, o deputado passou a reagir inclusive com preconceito. Num de seus posts ele diz que a tentativa de "desqualificá-lo intelectualmente" vem "justamente de pessoas com maior dificuldade de se expressar por escrito". É um argumento contraditório para quem se faz de paladino do respeito à igualdade. Talvez o parlamentar só aceite questionamento de quem tem diploma universitário e um conhecimento perfeito da língua portuguesa.

Ele agora acumula besteiras para justificar a primeira que gerou a polêmica, mas a coisa é muito simples. Sua teoria boboca sobre o avião abatido na Ucrânia foi fruto da sua sede de aparecer e a necessidade ainda maior disso criada pela proximidade das eleições. Entrou pelo cano porque abusa do marketing desde que saiu do BBB para uma carreira política de tema único. Foi procurar fazer seu marketing usando um desastre aéreo que comove o mundo e virou piada. Um negócio desses até atiça a curiosidade de saber se o deputado não tem também uma boa teoria sobre o desaparecimento do outro avião da Malaysia.
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POR José Pires

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domingo, 20 de julho de 2014

Importação da violência

A esquerda brasileira pode acabar trazendo os conflitos do Oriente Médio para o Brasil. Pelo menos está fazendo um esforço e tanto para isso. E como esta esquerda já escolheu um lado neste briga violenta, sua adesão implica no alinhamento político a grupos extremistas como o Hamas, que mesmo entre os palestinos se impõe pelo terror. Quando um estrangeiro lida com este assunto assumindo a defesa de um único lado ele não ajuda nem um pouco às vítimas inocentes do conflito, sejam judeus ou palestinos. E o envolvimento direto nos problemas entre Israel e palestinos pode trazer também ao Brasil cenas como as das violências praticadas por manifestantes pró-palestinos no sábado em Paris. Pode haver também entre nós uma divisão violenta entre etnias, como nunca existiu em nosso país.

Cabe dizer que manifestação alguma que sequer insinue algum direito dos judeus poderia ser feita no lado palestino e em nenhum país árabe. Um protesto como o dos jovens que atearam fogo em Paris seria impossível de acontecer em um país árabe na defesa da posição de Israel. Tais manifestantes já estariam mortos ou sofrendo terríveis violências na cadeia se isso fosse feito mesmo em escala muito menor de radicalismo em algum país árabe ou no lado palestino, em Gaza. Israel é hoje a única democracia do Oriente Médio (seu atual governo conservador foi eleito pelo voto), onde do lado árabe dominam poderes autoritários, inclusive de aristocracias autocráticas que não permitem direitos às minorias e nem sequer direitos femininos básicos.

Aliás, as mulheres brasileiras tentadas à aderir a um apoio incondicional a um dos lados desta questão deviam meditar profundamente sobre as consequências que o crescente poder de grupos como o Hamas pode ter sobre o livre arbítrio entre os palestinos, especialmente no tocante aos direitos da mulher. Uma mulher deve pensar bastante sobre os papéis determinados às mulheres por estes homens que lançam mísseis sobre Israel. E é muito sensato analisar os riscos de que esta visão da mulher como um ser de segunda classe pode também se espalhar pelo mundo, penetrando inclusive na cultura brasileira.

O Estado brasileiro comprovadamente não consegue dar um combate consequente nem a grupos de criminosos comuns, que hoje dominam comunidades inteiras e até ditam suas ordens de dentro de presídios de segurança, então cabe nesta situação um raciocínio ajuizado sobre o que aconteceria em nossa terra se grupos islâmicos fundamentalistas que hoje tocam fogo em Israel resolvessem acender o rastilho por aqui. Controlar manifestações onde pesam os interesses de grupos como o Hamas é bem mais difícil, mas muito mais difícil mesmo, do que prender black-blocs que compram fogos de artifício pelo telefone. É ainda mais complicado administrar a penetração de uma cultura de violência e autoritarismo inclusive religioso numa condição de decadência política e moral como a que vive hoje o Brasil.
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POR José Pires

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Imagem- Manifestantes pró-palestinos levam a violência a Paris

sexta-feira, 18 de julho de 2014

O adeus de João Ubaldo e Gullar se rendendo à Academia

Nas últimas semanas andavam fazendo lobby para que o poeta Ferreira Gullar entrasse na Academia Brasileira de Letras. Era um lobby de dentro, tentando puxá-lo para agregar seu prestígio literário à instituição. A meu ver, virando acadêmico a única vantagem de Gullar seria a possibilidade de tomar um chá com João Ubaldo Ribeiro, que nunca entendi bem o que fazia por lá entre as antiguidades. Era um dos poucos escritores de qualidade para encontrar na hora do chá (por favor, não me peçam para lembrar de outro) e devia ser um ótimo papo, o que Gullar também aparenta ser. Mas agora que João Ubaldo morreu o que é que o poeta vai fazer lá?

Li recentemente que sua candidatura já foi oficializada, uma mera formalidade já que a entrada depende só da sua aceitação. Espero que ele desista, como já aconteceu numa outra vez. Este é um caso de aliciamento sem nenhuma compensação que valha a cumplicidade. Escritores como Gullar levam a literatura de verdade à Academia sem receber nada em troca. Tentaram durante anos usar da mesma forma o grande Carlos Drummond de Andrade, mas ele resistiu até o fim. Em seu "O observador no escritório", ele fala sobre uma conversa com Austregésilo de Athayde depois de uma reunião do então nascente Conselho Nacional de Cultura. Athayde foi presidente da ABL durante 34 anos, até sua morte em setembro de 1993. Esta conversa é de 1961. Na saída da reunião, Atahyde diz a ele: "Gostaria de ver você voltando a esta casa, mas já integrado na Academia". E Drummond responde rindo: "Obrigado, mas não desejo a morte de ninguém". Durante toda a vida dele insistiram sem sucesso pela sua entrada. Mas felizmente não “tinha” uma Academia no meio do seu caminho. Drummond fez um bem à literatura. Numa cultura como a brasileira, em que o compadrismo costuma se sobrepor ao mérito, o gesto do poeta fortaleceu o caráter essencial de independência da arte.

Com a morte recente de Ivan Junqueira andaram aparecendo notícias de que Gullar fraquejava nas suas negativas e já teria acertado sua entrada, pegando a cadeira do falecido. A vaga deixada por Junqueira foi antes ocupada por Getúlio Vargas (1883-1954), Assis Chateaubriand (1892-1968) e João Cabral de Mello Neto (1920-1999). Nem é preciso dizer qual é o único dos três que tem mérito literário. Getúlio Vargas nunca escreveu coisa alguma. No seu livro memorialístico, Drummond também fala de uma das vezes em que esteve com Vargas, durante uma homenagem ao editor José Olympio, na sua editora. O encontro foi em janeiro de 1953, com Vargas eleito presidente. Drummond conta que a conversação do presidente era sobre parentes, viagens, coisas da vida de cada um. "Não há conversa sobre livros", ele diz.

Academia é sempre política. O que há de literatura é para justificar a existência da instituição. E para isso serve a inclusão de uns poucos escritores com prestígio literário conquistado pela qualidade do texto e não por outras vias. Daí a insistência para o ingresso de nomes como Ferreira Gullar ou Drummond e, claro, o recém-falecido João Ubaldo. Mas a instituição também é capaz de desfeitas com a verdadeira literatura, como foi a derrota do poeta Mario Quintana, rejeitado três vezes. Perdeu duas eleições e retirou sua candidatura quando estava para sofrer a terceira derrota. Os eleitos foram Eduardo Portella e Arnaldo Niskier, figuras da política. O primeiro foi ministro do governo Sarney. Outro eleito foi Carlos Castello Branco, respeitado jornalista de política, mas que de forma alguma teve uma obra literária.

Mas, voltando ao João Ubaldo Ribeiro, sua ausência vai alargar o vazio que já é grande na vida cultural brasileira. Vou sentir sua falta, pois gostava muito de ler todas as semanas seus artigos, perfeitos na opinião e no texto. Seu velório será na Academia, o que não deixa de ser prova de alguma utilidade.
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POR José Pires

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Trazendo conflito pra casa

A esquerda brasileira parece que raciocina por espasmos. De uma hora pra outra surgem com um tema novo, conforme o interesse político do momento. Assuntos vão e vem, alguns deles sumindo sem explicação. Foi assim, por exemplo, naquele escarcéu com a situação política de Honduras, quando alçaram a condição de grande estadista progressista mundial a figura ridícula de Manuel Zelaya com seu chapelão e os pés sobre os móveis da embaixada brasileira na capital daquele país. Foi uma bandeira que esqueceram rapidamente, mas Honduras está na mesma. Fiel ao seu estilo coronelista, Zelaya tentou depois emplacar a própria mulher na presidência da República e se deu mal. Deve estar hoje cuidando de suas fazendas. Mas e a preocupação da esquerda com Honduras, onde foi parar?

Foi pra junto de tantos temas levantados por eles e logo abandonados, numa sucessão vertiginosa e repleta de incríveis bate-bocas políticos. Não existe absolutamente nenhum centro em seu pensamento. Sem aprofundar nenhum assunto vão sendo levados pela conveniência, na maioria das vezes só eleitoral. Os temas não têm continuidade, como também nunca tiveram um valor essencial de origem que os justifique. O assunto some sem deixar nenhuma informação ou conhecimento que compense os lamentáveis ataques e cômicas acusações. De um dia pro outro você pode ser tachado de direitista só porque tem a opinião de que a ditadura de Fidel Castro ou qualquer outro governo não têm o direito de ficar com o salário de seus cidadãos que trabalham no exterior. É uma cabeça política de maluco. Tirando as marcas de origem, como o totalitarismo e a dificuldade de lidar com o livre arbítrio, é muito difícil saber exatamente o que é um esquerdista. Talvez nem eles saibam quem são de fato.

No momento são os palestinos que estão no papel que era de Zelaya e de tantas outras histerias militantes. O assassinato de três garotos judeus, depois de um sequestro do qual o governo israelense acusa o grupo Hamas, levou à retaliações de Israel. E de imediato a esquerda brasileira estava brandindo armas em defesa de um dos lados. É verdade que faz isso bem longe de qualquer terreno onde possa cair um míssil, mas sua sanha com as palavras é parecida a de um jihadista enfurecido. A esquerda tem só um lado em um conflito com raízes muito antigas e sobre o qual a melhor posição é a de observador independente. As vítimas inocentes de ambos os lados teriam muito mais a ganhar com isso.

Mas todo esquerdista brasileiro é um palestino de carteirinha e trata com um raciocínio de torcedor de clube uma questão complicada, que envolve tantos interesses e se estende em raízes antigas e extensivas a todos os países daquela região, com uma diversidade de culturas que não há tempo de vida suficiente para entender. E algumas dessas culturas misturam religião e política, com uma violência cotidiana que é melhor nem chegar perto, quanto mais fazer uma parceria ideológica com o risco de trazê-las para perto de nós.

Como a leviandade não tem limites, dentre a carrada de pautas políticas risíveis tem também o perigo. Na última terça-feira, um grupo auto-intitulado “Palestina Para Todos” fez uma manifestação a favor dos palestinos em São Paulo. O nome do lugar: Praça Cinquentenário de Israel. A provocação é até grotesca. O grupo queimou uma bandeira de Israel e teve até tiro pro alto, disparado por um PM depois que os manifestantes avançaram contra a polícia. E isso aconteceu no Brasil, um país que tem como qualidade exatamente a convivência pacífica entre as etnias. É nessas horas que eu acho que cabeça de esquerdista fica melhor com o chapelão do Zelaya.
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POR José Pires


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O "padrão Felipão" do PT

Dilma Rousseff e seu “padrão Felipão” de governo é um conceito que merecia ser estudado nas escolas de administração. A presidente encontrou uma ótima definição para o que vem fazendo nesses quase quatro anos. A comparação vale pelo que traz de ensinamento sobre falta de capacidade de gestão e dificuldade extrema para qualquer planejamento. Também é muito parecido o deslumbramento sem nenhum apoio na realidade. A grande diferença é que o técnico da Seleção Brasileira dispunha de alguns craques, algo que ela nunca teve em seu governo.

E essa falta de gente com conhecimento dos assuntos sob sua responsabilidade pode ter sido uma razão dela ter se metido nesta enrascada de colar sua imagem a um técnico que mesmo quando ganhou a Copa das Confederações não era engolido por muita gente que entende de futebol. Se Dilma tivesse, por exemplo, um ministro dos Esportes que de fato fosse um conhecedor dos temas de sua pasta, numa rápida reunião ele poderia fazê-la entender que Felipão não era tudo isso que ela estava pensando. E que na Copa do Mundo enfrentando seleções de primeira linha seu “padrão” poderia se estrepar.

Naqueles dias de seu fascínio com o “padrão Felipão” analistas sérios da imprensa esportiva já faziam rigorosas críticas à condução da seleção e no geral apontavam como defeito exatamente a falta de um padrão que pudesse ser identificado e muito menos ser tomado como modelo a ser copiado. E não era preciso ser um especialista para saber que os bons resultados até então vinham dos talentos individuais, além do Brasil não ter topado até então com adversários bem preparados.

Porém, cercada de “Freds” e sem nenhum Neymar, Dilma carimbou na própria testa o tal do “padrão Felipão”. No dia que soltou esta besteira, a presidente tinha ao lado Gleisi Hoffmann, que foi sua ministra da Casa Civil por mais de dois anos. Ela aparece na foto da cerimônia. A ministra sempre foi um “Fred” de nariz empinado. Gleisi reveste sua superficialidade com um ar de eficiência que permitiu até agora que ela venha subindo na carreira. Mas na prática o resultado é tão desastroso quanto o do Felipão. Como marca sua na Casa Civil o que ficará lembrado é o assessor especial que levou para trabalhar no gabinete ao lado da presidente da República. O assessor Eduardo Gaiveski era conhecido dela há muitos anos. Acabou sendo preso no cargo, acusado de estupro de menores. Está até hoje na cadeia.

Outra contribuição sua no governo foi o grande poder concedido a André Vargas, o deputado petista que caiu em desgraça depois da Polícia Federal descobrir suas estreitas relações com um doleiro que está preso e acusado de vários crimes. Vargas é do grupo de Gleisi Hoffmann e durante muitos anos fez política na companhia dela no Paraná, base eleitoral dos dois. O crescimento acelerado do prestígio político de Vargas no governo federal e no partido se deve à estreita parceria com Gleisi e o marido, o ministro Paulo Bernardo, chefe incontestável do PT paranaense. Antes do escândalo que derrubou o deputado petista, o projeto do casal era eleger Vargas para o Senado. Mas disso pelo menos os paranaenses estão livres, graças à polícia e a imprensa. Mas o perigo ainda não acabou de todo. Gleisi Hoffman é candidata ao governo do estado e terá ao seu lado a máquina federal do PT e muito dinheiro para campanha. O Paraná ainda corre o risco dela implantar no estado o “padrão Felipão” de governo.
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POR José Pires

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A derrota do "ame-ou ou deixe-o" do PT

Que o governo do PT é incompetente já é um fato conhecido. Os problemas se acumulam e as dificuldades vão além do limite do razoável, em razão da falta de reação do poder público. Até com questões muito graves já se convive como se fossem dramas naturais do cotidiano. Isso acontece, por exemplo, com os absurdos 50 mil homicídios e os mais de 50 mil estupros anuais sendo absorvidos como se fossem estatística fria. Este conformismo do brasileiro com a desgraça advém da falta de confiança na capacidade desse governo em várias áreas. A novidade que apareceu agora é que os companheiros também não sabem nada de futebol.

O governo do PT pretendia fazer dessa Copa do Mundo um instrumento para atingir dois propósitos favoráveis à reeleição de Dilma Rousseff. Primeiro, obviamente queriam faturar com a vitória do Brasil. Mas esta vitória serviria também para manipular a animação popular, usando-a como escudo contra as críticas à falta de eficiência do governo e a ausência de respostas aos problemas que explodem em todos os cantos. Antes do início da Copa eles já vinham utilizando de forma agressiva esta tática, na tentativa de desqualificar as críticas à desorganização e ao mau uso do dinheiro público. A presidente Dilma Rousseff e Lula fizeram uma dobradinha para tachar qualquer questionamento como “catastrofista”.

Numa eleição com um dos candidatos buscando a reeleição é evidente que sucesso dos demais postulantes depende diretamente da insatisfação do eleitor e para isso é preciso que a oposição aponte os defeitos do governo. Ora, um governo colado ao sucesso de um time numa Copa do Mundo tem uma blindagem perfeita, ainda mais quando isso acontece tão próximo da hora do voto.

Na falta de argumentos políticos e administrativos para se contrapor às críticas, a conquista da taça serviria como um instrumento para desqualificar a exigência do debate sobre os problemas nacionais. Para abafar os erros, a incompetência e a corrupção usariam o escudo da Seleção Brasileira. Eles já vem tentando há bastante tempo tachar qualquer questionamento como fruto de ressentimento ou opinião de pessimistas. Para isso usam militância treinada e profissionais de propaganda e comunicação que infernizam a internet.

Com maquinações desse tipo o governo e o partido podem ser confundidos com o Estado e a própria Nação. É uma jogada canalha e já foi usada por regimes totalitários como o nazismo e o comunismo. No Brasil, isso também foi feito pela ditadura militar, com a conquista do tricampeonato mundial em 1970. O “ame-o ou deixe-o” da ditadura teve como suporte o escrete verde-amarelo. Na época, críticas de brasileiros que lutavam pela democracia no país também eram classificadas como pessimistas e contrárias ao Brasil.

O PT tentou fazer algo parecido. Com o governo colado ao sucesso da seleção de Felipão e Neymar as críticas poderiam ser dribladas até bem perto da eleição. Já deviam ter para isso até material pronto que teve que ser engavetado. O marketing parecia tão eficiente que Lula não se conteve e soltou em discurso numa plenária do PT a famosa frase: "Para a desgraça deles, o Brasil vai ser campeão do mundo no dia 13”. Olha o dia que eles arrumaram para a decisão. Porém, o deslize tipicamente lulista atropelou o andamento da maquinação, que exigia um ambiente favorável para dar resultado. Dilma fazendo o “É tois” e outras palhaçadas também foram antecipações arriscadas, aí já decorrentes da manifestação mal calibrada de Lula.

Com isso, os companheiros mostraram que de futebol eles também não entendem. Não servem nem pra dar palpite em bolão. Na ditadura o Brasil tinha um timaço. E agora, desde o primeiro jogo dava pra notar sérias deficiências nesta seleção. O único fator imprevisível foi o número de gols que tirou os brasileiros da disputa do primeiro lugar e demoliu o plano petista de fazer da conquista desta Copa do Mundo uma facilitação para continuar no poder.
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POR José Pires

sábado, 12 de julho de 2014

A história se repete como piada

Em meio a mais uma lamentável derrota da Seleção Brasileira apareceu a notícia da prisão da Sininho, a Elisa Quadros Sanzi, aquela que esteve metida nas manifestações de rua de fevereiro, quando morreu o cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes. Sininho ficou famosa depois de aparecer na delegacia logo que foi preso um dos black blocs envolvidos na morte. Ela foi até lá oferecer advogado de defesa ao acusado. Sininho foi presa neste sábado em operação policial de segurança da Copa do Mundo. Segundo a polícia, ela planejava atos de vandalismo e para isso teria comprado fogos de artifício por telefone. Foi um artefato desses que causou a morte do cinegrafista.

O amadorismo desses extremistas de esquerda mostra que no Brasil não é como farsa que a História se repete. Ela volta como piada. Os ineptos faziam compras por telefone de material para ser usado nas manifestações. Este amadorismo lembra as surpreendentes mancadas da esquerda armada nas décadas de 60 e 70. Quando vejo uma dessas figuras que participaram da luta armada no Brasil dando entrevista como se tivessem participado de uma epopéia heróica, costumo lamentar que não haja um jornalista para questioná-los sobre as inumeráveis burrices feitas naquela época.

Ativista fazendo compras por telefone lembra o que a esquerda armada fazia na época da ditadura militar. Muda muito o grau do risco, é claro. Gente como Sininho posa de radical sem correr quase nenhum risco. O pessoal da luta armada podia ser morto, sofrer torturas, e isso de fato aconteceu com muitos. Mas as burradas da esquerda armada foram também fenomenais. E pouco se fala disso.

Uma das ações mais famosas desse período foi o sequestro no Rio do embaixador americano Charles Elbrick. O chefe da operação foi Franklin Martins, esse mesmo que foi ministro da Comunicação Social do governo Lula. Na época, Franklin Martins já era um homem de raciocínio rápido. Um dia ele soube que o embaixador passava diariamente por uma rua de Botafogo e teve a ideia de sequestrá-lo. Gênio, não? E da sacada até a efetivação do sequestro foram apenas trinta dias. Pode-se dizer que foi uma das idiotices mais rápidas da nossa história recente. A ação foi executada pelo MR-8 e a Aliança Libertadora Nacional, a ALN, chefiada por Carlos Marighella.  

Marighella não foi consultado e nem avisado da ação. Existem passos maiores do que a perna. Pois este foi um salto bem além do que podia qualquer organização armada. A esquerda estava esfacelada, já com muita gente presa e muitos mortos. Não tinham estrutura alguma. Num momento que exigia a recomposição de forças fizeram uma das operações mais ousadas da América Latina, que deu numa reação pesada da ditadura. Polícia e exército ocuparam o Rio, montando barreiras e patrulhando ruas e estradas. Sem saber de nada, Marighella poderia ter sido preso numa dessas barreiras. Nas primeiras 78 horas do sequestro aconteceram 1800 detenções. A ação tem outras mancadas, inclusive o erro de terem feito uma lista de presos muito reduzida. A ditadura daria mais pelo embaixador. É uma lista longa de equívocos. Existe o testemunho de um esporro dado por Marighella, quando ele foi profético. O chefe guerrilheiro disse o seguinte: “Vocês fazem uma ação dessas e eu não sei de nada! Poderia ter sido preso na Dutra. Não vamos aguentar a repressão que vem por aí”. De fato, não aguentaram. O próprio Marighella foi morto pouco tempo depois, vítima também de erros primários de segurança.

Esses deslizes parecem ser uma sina da esquerda, como deu para ver na prisão do grupo de extrema-esquerda que tem Sininho como estrela-guia. Agora estão até pedindo material por telefone. Será que já tem delivery de coquetel molotov? A gente tem que rir, mas sempre fica a preocupação sobre o que mais pode estar por vir. Até porque, assim como aconteceu no passado, o país inteiro é que acaba sofrendo as consequências das porralouquices dos companheiros.
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POR José Pires

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O deserto cultural de Cuba

Um pianista cubano, Leonel Morales, apresenta-se em Londrina, no Paraná. Vai tocar Rachmaninoff. Fiquei surpreso: ora, um pianista cubano de nível internacional em Cuba? Eis aí algo difícil de existir em um país subdesenvolvido onde não existe liberdade de ir e vir. Fora a questão política básica, do respeito a este direito humano, a falta de liberdade destrói a capacidade técnica em todas as áreas. O aproveitamento do conhecimento é sempre muito limitado num país fechado por um regime político. E já vai para mais de meio século que Cuba está assim. Porém, o pianista Morales é um dos tantos cubanos que tiveram que fugir do país para exercer com qualidade seu ofício e viver com dignidade.

Cuba teve sua cultura aniquilada pela ditadura de Fidel Castro. É complicado fazer arte num país onde uma simples viagem ao exterior exige uma permissão direta do gabinete do ditador. O pais não tem imprensa livre, a internet é controlada e a indústria editorial idem. Televisão e rádio também são estatais. Dessa forma, os canais de informação ficam nas mãos de burocratas da cultura. Imagine a casta medíocre que se formou na área cultural, em décadas de um governo que não admite de forma alguma o pensamento crítico.

Esta é uma boa situação para a meditação de brasileiros da área da cultura que ainda têm alguma ilusão sobre o que acontece em Cuba ou em qualquer país submetido ao comunismo. Quando se vive numa terra com liberdade política e de informação é muito fácil se encantar com a efigie gráfica de um Che Guevara ou fazer propaganda vazia de médico cubano em posto de saúde brasileiro. Em Cuba é diferente. Antes de Fidel Castro, o país tinha uma cultura de qualidade, que foi gradativamente sendo esvaziada a partir do início da década de 60. Em poucos anos tudo foi dominado por um dirigismo ideológico que matou o que havia de bom. Revistas literárias foram fechando ou tornando-se redações de burocratas e a indústria editorial virou fábrica de panfletos ridículos. Jornalistas e escritores foram sendo sufocados ou tendo que sair do país, como aconteceu com o grande Guilherme Cabrera Infante, que foi um revolucionário e depois teve que fugir da ilha.

Quem se encantou com a qualidade dos velhos músicos do Buena Vista Social Club, com artistas populares de alto nível como Omara Portuondo, Ruben González, Compay Segundo, Eliades Ochoa e Ibrahím Ferrer, pode ter uma ideia da destruição cultural feita pelo regime castrista. Estes excelentes artistas só ressurgiram quando o músico americano Ry Cooder os descobriu. Todos estavam afastados desde a revolução, em 1959, e viviam precariamente até o final da década de 90, quando Cooder soube deles.

Mas, voltando ao pianista que está em Londrina, Leonel Morales falou rapidamente de política. Sua saída de Cuba foi "por motivos políticos, profissionais, de todo o tipo”, ele disse, explicando de forma muito objetiva as razões que o obrigaram a abandonar sua terra natal: "Como Cuba era um país onde não havia a possibilidade de sair e entrar, então troquei de país". Hoje ele vive na Espanha.

O escritor polonês Tad Szulc escreveu uma excelente biografia de Fidel Castro.Para isso teve permissão do ditador para pesquisar na própria ilha, onde entrevistou muitas pessoas e, claro, o próprio Castro. Teve uma série de encontros com ele. Ficou meses na ilha, trabalhando na biografia. O livro é excelente e evidentemente Szulc, que morreu em 2001, só aceitou fazê-la tendo relativa liberdade para pesquisar em Cuba, além do que, quando começou a escrever a obra já tinha muito trânsito na política internacional. O biógrafo chegou a ser recebido por John Kennedy, na Casa Branca. É dele também uma biografia do papa João Paulo II. Seus livros tiveram edição brasileira, a biografia de Fidel Castro saiu aqui em 1986.

É de Szulc uma das melhor definições sobre a situação de Cuba, onde ele diz que foi instalado um "deserto cultural". O biógrafo de Castro diz que o clima intelectual e literário da ilha é uma mistura de Cervantes, Kafka e Orwell. Cervantes ele credita ao uso constante pelo ditador da língua do autor de Dom Quixote nas suas famosas, intermináveis e também habilidosas arengas para multidões de cubanos. Kafka é pelo pesadelo na vida intelectual cubana. E Orwell — escritor inglês, autor de “1984”, obra que até já virou símbolo da crítica ao totalitarismo — é pela "aterrorizante eficiência do Estado todo-poderoso e de seu grande líder". Szulc diz que a cultura é obrigada a ter permissão do Estado para existir em Cuba.
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POR José Pires

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Imagem- O ditador e o artista: Fidel Castro e o pianista Leonel Morales, que teve que fugir de Cuba para exercer melhor sua arte

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Seleção rebaixada

Dois jornais europeus de um país muito ligado em futebol demonstram nas capas de suas edições de hoje o desastre do futebol brasileiro. São jornais espanhóis, um deles o famoso diário esportivo Marca. Na passagem da seleção da Argentina para a partida final da Copa do Mundo o destaque é para a rivalidade histórica entre Brasil e Argentina, no que eles estão certos. Esta não é apenas uma rivalidade regional. O confronto entre Brasil e Argentina, com sua influência sobre a cultura dos dois países, adquiriu uma simbologia muito forte no futebol mundial e tem servido inclusive como um chamariz eficiente para as duas seleções. Essa rivalidade acaba favorecendo a uma e outra, chamando a atenção para os dois países no futebol mundial. É o que se vê aqui nessas capas, mas desta vez a forma de tratar o assunto deveria servir para que os brasileiros prestassem um pouco mais de atenção ao sinal vermelho que avisa de um grave perigo: a decadência do futebol brasileiro está num ponto crucial, pondo em risco uma marca cultural importante do nosso país, de grande valor inclusive comercial.

A manchete do El Periodico é fatal. "Argentina no es Brasil", eles dizem, fazendo aqui uma inversão de conceito. Antes era o Brasil que se sobressaia na comparação. Com o sete a um tomado da Alemanha muita coisa mudou. Por mais talentoso que seja o futebol argentino, o Brasil mantinha-se na frente em avaliações mundiais. Tínhamos todo um capital futebolístico criado por gerações anteriores. Nem vou citar nomes, pois são tantas figuras geniais que o post se alongaria bem lá para baixo. Já o diário esportivo Marca dá uma manchete com o aniquilamento do nosso futebol. "Argentina, remata o Brasil", diz a chamada. Na nossa língua também temos o verbo "remata", que possui sentido parecido. No entanto, essa palavra é pouco usada aqui da forma que faz o jornal espanhol. O significado é de dar fim a algo. O jornal fala da condenação dos brasileiros em ver o rival histórico na disputa final em pleno Maracanã. Caso a Argentina seja campeã temos o jargão popular: será "de matar".

A cobertura da imprensa mundial tem sido nesta mesma linha dos jornais espanhóis. É o fim de um ciclo de prosperidade e de grande prestígio do futebol brasileiro. Nesse sentido, o sete a um pode ser visto como um daqueles males que podem ter vindo para o bem. Isso se servir como alerta do perigo. Tem que haver uma consciência dos brasileiros sobre a necessidade de tirar do poder a cúpula de dirigentes que vem gradativamente destruindo o futebol, com altas doses de corrupção e uma aniquiladora incompetência. Entretanto, já armam uma manipulação para tirar o foco da real origem do problema. Fala-se em mudança de técnico, avaliam este ou aquela jogador. Mas o desastre em campo é apenas o sintoma de uma falência generalizada criada pelos péssimos dirigentes do futebol.

No Brasil, esta trágica situação da classe dirigente não é um problema relativo apenas ao mundo esportivo. Na política também vivemos esta terrível situação, sendo que a decadência do nosso futebol tem relação direta com a corrupção e as graves deficiências administrativas do poder público. Uma coisa leva a outra, nas duas mãos dessa patifaria conjunta. O Brasil tem que acordar para esses problemas. Estamos perdendo muito da riqueza construída por várias gerações em nosso país. Agora, pelo que se vê, até o futebol está se tornando uma qualidade do passado.
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POR José Pires

Dilma no padrão Felipão


E eis que surge mais uma daquelas notícias que parecem até inventadas, por isso fomos verificar. E está confirmado. A presidente Dilma Rousseff realmente falou esta besteira. E ela nem tem como dar desculpa alguma sobre a infeliz declaração. A matéria é do jornal O Globo, de junho do ano passado, sendo que muito antes disso já se sabia que o técnico Luiz Felipe Scolari era um blefe. Mas estamos tratando aqui da brilhante analista de futebol que poucas horas antes da catástrofe do Mineirão estava distribuindo fotos dela fazendo o "Ó tois", do Neymar, e combinando com Lula a entrega da taça para a Seleção Brasileira no dia 13 de julho, coincidência incrível com o número do PT.

Na época em que falou isso, Dilma estava vendo sua popularidade cair e pegou o técnico da seleção brasileira como eficiência. "Meu governo é padrão Felipão", ela disse. E não deixa de ter razão nisso. Como o brasileiro sabe muito bem, seu governo vem tomando goleada atrás de goleada. Veja a notícia aqui.
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POR José Pires

quarta-feira, 9 de julho de 2014


Azarando o escrete verde-amarelo

REPUBLICO ABAIXO UM POST DO ÚLTIMO DIA 9 DE JUNHO, ANTES DO PRIMEIRO JOGO DESTA COPA DO MUNDO, QUANDO ALERTEI SOBRE UM PERIGO PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA. POIS É, A TORCIDA FICOU PREOCUPADA COM O O MICK JAGGER, MAS O PÉ-FRIO É OUTRO.



Não é de hoje que o ex-presidente Lula carrega a fama de ser um terrível pé-frio no esporte. Já escrevi sobre o assunto outras vezes e até publiquei uma lista impressionante de atletas e clubes que sofreram sérios revertérios depois de um encontro ou alguma manifestação pessoal da parte dele. Mesmo quem é cético neste tipo de coisa acaba se convencendo que o cara é mesmo um seca-pimenteira dos mais perigosos. Para comprovar já publiquei neste blog a lista dos desafortunados que se danaram.

Agora vejam para quem o azarento foi levar a camisa da seleção brasileira. Pois é, numa viagem dele recente para Cuba a camisa do nosso escrete foi parar nas mãos do ditador Fidel Castro. Haja coração, torcida brasileira! A situação dessa Copa do Mundo já não é boa e o Lula ainda arranja mais essa. Mesmo jogando em casa, agora o Brasil vai precisar de sorte dupla para não se estrepar.
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POR José Pires

Incompatibilidades


O desastre da Seleção Brasileira tinha que ter um fecho bastante significativo no dia da derrota de sete a um para a Alemanha: o cartola José Maria Marin expulsou o campeão Cafu dos vestiários do time que ele comanda. Ou melhor, onde ele é o chefão. Cafu foi tentar dar um apoio aos jogadores depois do jogo. A arrogância de Marin não é surpreendente dentro da estrutura da CBD. É esta forma grosseira de lidar com a vida que criou o clima para a humilhação mundial sofrida pelo futebol brasileiro.

A carantonha do cartola não tem mesmo como combinar com a simpatia do Cafu. E este mau humor contagia. Já vejo na internet tentativas de desqualificar as críticas que vieram de tantos brasileiro depois dessa vergonha. Em parte, é a reação de governistas e sua desprezível militância, numa manobra para livrar o governo do PT da terrível enrascada que eles mesmos arrumaram para si. Misturaram política com futebol de tal jeito, que até maquinaram junto com a Fifa para a decisão acontecer no espantoso dia 13, o número do PT. E tomaram na cara. Imposições politiqueiras como esta foram também responsáveis em parte por esta humilhação histórica. São intromissões que fortalecem uma política corrupta e incompetente dentro da CBD e da Fifa. Dessa politicagem resultou o desastre dentro de campo.

E aí vem esta patrulha tentar desqualificar o humor, que deveria ser parte integrante do futebol na hora do jogo. Pior ainda, a patrulha tenta manipular o sentido dessas críticas, como se na gozação os internautas estivessem apontando exclusivamente para o nosso time. É a mesma safadeza do governo do PT, que tentava fugir de sua responsabilidade na desorganização desta Copa do Mundo atacando quem pede respeito e melhor uso do dinheiro público. Nós éramos chamados de "catastrofistas", até que veio esta catástrofe.

As piadas (aliás, muito boas) são contra esta cúpula arrogante e medíocre que está destruindo uma marca importante do nosso país, o futebol. O humor é contra este conluio de cartolas do esporte e cartolas da política, que estão esmagando tanta coisa boa feita no passado e eliminando até nossa capacidade de reação. Precisamos de um resgate do humor, da satisfação e da alegria de fazer as coisas bem feitas e também — viu, patrulheiros? — de um país onde o outro tenha liberdade de crítica e até de fazer a piada que quiser. Queremos um futebol com as portas abertas para gente como o Cafu e onde sejam barrados políticos nefastos como o cartola Marin e seus companheiros.
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POR José Pires

Goleada histórica

Independente do nome que se dê ao sete a um que o Brasil levou da Alemanha, a humilhação do futebol brasileiro é histórica. Na sua edição de hoje, o diário espanhol Sport cunhou um nome novo, "Fracasazo", lembrando a derrota de 1950 no Maracanã, apelidada de "Maracanaço". Repito o que eu escrevi ao final do jogo. Infelizmente tenho que dar razão ao PT. É mesmo a Copa das Copas: o brasileiro jamais irá esquecê-la.

Já existe uma movimentação politiqueira na tentativa de amenizar a avaliação do desastre e fazem isso para evitar que a crítica rigorosa abra caminhos para limpar o futebol brasileiro da incompetência dos cartolas. A manipulação tenta seduzir as pessoas, apostando no antigo hábito brasileiro de refutar verdades amargas e aceitar mentiras que consolam.

E a maquinação não é só da politicagem futebolística. Os cartolas trocam passes com o governo do PT, outro antro de incompetentes que faz o Brasil levar muito mais que sete a um na área da economia, da educação, da saúde, da segurança, da indústria, do trabalho, do meio ambiente e tantos outros setores em que o país perde de goleada. É o governo que conduz o nosso país a uma condição em que profissionais com diploma universitário não sabem ler e engenheiros projetam viadutos que caem em cima das pessoas antes de serem inaugurados.

Encarar este sete a um como um acaso da vida só vai ajudar esta liderança fracassada a se manter no poder. O único jeito de virar este jogo é aceitar a realidade deste desastre e construir uma realidade nova sem estes incompetentes mandando no futebol e no país.
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POR José Pires

terça-feira, 8 de julho de 2014

Vale tudo

Ah, esses petistas. Essa gente é capaz de qualquer coisa para ganhar eleição. Não é só de ser feliz que eles não têm medo algum. Eles não têm medo nem do ridículo. Hoje apareceu uma foto da presidente Dilma Rousseff posando fazendo um "t" com os braços. É claro que é coisa de marqueteiro. Eu soube depois de ver a imagem que o gesto é relacionado a um modismo que Neymar fez pegar entre seus fãs. É um tal de "é tois", que significa simplesmente "é nóis" ou serve como afirmativa para a tchurma, entende? Pois é, são aquelas coisas de moleque que hoje em dia infelizmente contaminam em excesso a cultura brasileira.

E Dilma embarcou na onda tentando pegar carona na popularidade de Neymar. De olho na sua reeleição, ela mandou ver num "é tois", espalhando a foto em que imita o gesto do jogador que, soube também agora, é um sucesso nas redes sociais.

É como eu disse: essa gente é capaz de tudo. Faz algum sentido uma senhora que até agora procurava passar a imagem de pessoa da maior seriedade entrar numa onda dessas? Isso é coisa que não cairia bem nem para o candidato Aécio Neves. E olha que o tucano tem uma imagem muito mais desinibida que a Dilma. Mas a presidente entra em qualquer uma que assoprem em seus ouvidos. Não tem personalidade alguma. Qual é a diferença entre Dilma fazendo o tal do "é tois" e rezando numa missa, como ela fez na eleição passada? Nenhuma. Para ela o sinal da cruz é a mesma coisa que o do "é tois". O negócio é se enturmar, entende?

E é claro que nos dois casos ela também não sabe o que está fazendo. Assim como não tem idade e muito menos personalidade para um "é tois", nunca foi novidade que Dilma jamais foi religiosa. No entanto, na eleição de 2010 lá estava ela numa missa. Tanto não era seu lugar de costume que ela acabou fazendo errado o sinal da cruz e ainda por cima no momento errado. Até agora a presidente ainda não fez foto em nenhuma igreja, mas acho bom sua assessoria tomar cuidado. É capaz dela fazer o "é tois" no lugar errado.
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POR José Pires

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Imagem- Dilma faz o "é tois" e perde o momento de fazer o sinal da cruz numa missa: para ela é tudo a mesma coisa.

segunda-feira, 7 de julho de 2014


O PT quer a taça só pra ele

O final da Copa do Mundo é no dia 13 de julho. Interessante o número do dia que escolheram para o jogo que vai definir o campeão, não é mesmo? Tive a minha atenção chamada para isso numa fala do ex-presidente Lula, em um daqueles discursos bem safados que ele costuma fazer. Foi na última quinta-feira, numa plenária do PT no Paraná. Depois de atacar bastante os que não fazem parte da claque governista, ele disse o seguinte: "Para a desgraça deles, o Brasil vai ser campeão do mundo no dia 13”. Ele estava falando de “pessimistas”, que é a definição que arrumaram para qualquer um que exerça o pensamento crítico neste país. É óbvio que isso é uma determinação do marketing da campanha para a reeleição de Dilma Roussef. A jogada é tachar a oposição de pessimista, rotulando de inimigo da pátria quem critica a incompetência e a roubalheira do governo do PT.

Eu acho até que Lula falou demais. No plano do marketing, que já começou na marotagem da definição junto com a Fifa de um dia com este número, é mais provável que o planejamento previa esperar o que vai dar neste dia 13 e só então colocar nas ruas o material de campanha ligando a vitória da Seleção Brasileira ao PT. Antecipar algo assim é expor-se a um risco. O problema é que Lula não se aguenta e mais uma vez deu com sua língua presa nos dentes.

Mas se acontecer mesmo do Brasil ser campeão — que vai depender mais do acaso do que de futebol — a maquinação sórdida poderá dar um resultado favorável não só à candidatura de Dilma, como também servirá para abafar as críticas ao governo, especialmente na questão da desorganização e o faturamento escandaloso de empreiteiras com as obras da Copa. Com o time brasileiro vitorioso ficará difícil apontar os problemas deste evento e seus custos financeiros enormes, que terão desdobramentos negativos futuros na nossa economia. Depois dessa Copa não será preciso correr atrás do prejuízo, ele que virá ao nosso encontro. No entanto, a algazarra popular de uma vitória da Seleção Brasileira impedirá que se fale de outra coisa que não seja futebol. E a manipulação dessa euforia pode durar muito tempo, chegando até bem perto da eleição.

Imaginem a escandalosa agitação que não fariam os petistas se num governo do PSDB a Copa do Mundo tivesse um momento muito forte relacionado ao número 45. Essa militância ridícula vê conspiração até em nome de novela. E azucrinaram para forçar o TSE a implicar com a TV Globo no aniversário de 45 anos da emissora. É claro que fariam um escarcéu com algo assim na Copa.

Pois Lula armou essa junto com a Fifa. A partida decisiva será exatamente no dia do número de seu partido. A festa petista da manipulação já deve estar toda pronta, com camisas da seleção com o número 13, cartazes, folhetos, encenações de rua e tantas outras agitações populares inventadas para serem filmadas e usadas na campanha eleitoral. Caso o Brasil seja campeão vão tentar caracterizar isso como obra do governo. O PT preparou uma engambelação política mais sórdida do que a feita pelo governo Médici, na ditadura militar. Mas falta algo neste plano e é aquilo lembrado pelo grande Garrincha, depois de uma preleção em que o técnico disse tudo o que eles iam fazer contra a Rússia, em 1958. Só que desta vez não tem que combinar com os russos. O PT precisa combinar com os alemães e depois com o outro time que estará na final.
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POR José Pires


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Imagem- A candidata do PT, Dilma Rousseff, e Joseph Blatter, presidente da Fifa.

sábado, 5 de julho de 2014

A ditadura do futebol e o abafamento da realidade

Não é difícil entender a razão de milhões de brasileiros se ocuparem com um incidente ocorrido em um campo de futebol — de uma forma muito parecida com tantas outras agressões habituais dessa atividade — e pouco se importarem com outro acontecimento muito mais grave e também relacionado a esta Copa do Mundo: a queda do viaduto em Belo Horizonte, que matou duas pessoas e feriu dezenove.

No Brasil, vivemos numa ditadura comercial do futebol. É uma ditadura tão absoluta que até abafa os outros esportes. Eu já falei outras vezes dessa máquina que está em andamento e que força a deixar pra lá tantos assuntos mais importantes, entre eles a morte de pessoas comuns, ocorrida em uma situação muito mais relacionada com a segurança pessoal de todos nós do que um embate entre milionários de calção. Afinal, todo mundo passa embaixo de viadutos, não é mesmo? Inclusive atletas ricos e famosos. Já uma dividida na grama é opção pessoal. E quem está nisso profissionalmente sabe que não é no campo do respeito humano que rola a bola.

O que ocorreu entre Zuñiga e Neymar é obviamente lamentável, mas não está fora do padrão do futebol. A diferença entre esta agressão e tantas outras foi a consequência, que parece ter sido muito mais grave do que costuma acontecer na rotina de deslealdade e violência entre os jogadores. Se Neymar tivesse saído apenas levemente contundido a reação da torcida viria só na forma de piadas. Mas, afinal, moralmente é ou não a intenção que vale?

Outra diferença é o grau de indignação, que é sempre relativo ao time em que o agressor e o agredido jogam. Esta diferença é que determina se um jogador violento será definido como brigador, combativo, aquele que realmente veste a camisa ou será xingado de macaco e de outros insultos.

Hoje em dia o futebol profissional nem pode ser tido como um esporte. É uma atividade meramente comercial em que se vê em campo os piores exemplos humanos. Onde deveria existir a camaradagem e a construção de um espetáculo promovido em conjunto, por dois times e duas torcidas, na verdade acaba sendo explorado um antagonismo agressivo. Na maioria das vezes é uma guerra, que costuma inclusive ser transferida para as ruas nos quebra-quebras de torcedores. Não é à toa que já se tornou uma convenção mesmo entre torcedores pacatos o tratamento mútuo por meio de pejorativos. Também é parte disso o fato da corrupção no meio futebolístico ser tolerada e até tratada de forma pitoresca e também o engodo durante o jogo ser visto com simpatia.

Rodeiam o futebol más influências para a consciência humana e os mais destrutivos produtos industriais. É uma atividade centrada na ambição da acumulação rápida de fortunas, sem nenhuma responsabilidade sobre o que isso vai ocasionar na vida dos outros. O que vale é o interesse pessoal. Até gestos de solidariedade fazem parte de projetos de marketing. Bananas atiradas em campo, que parecem ser contra o preconceito, são na verdade para alimentar a vaidade de um ídolo. Os produtos vendidos por jogadores e apoiados nas marcas de times são em sua maioria uma desgraça para a saúde, em séria contradição aos objetivos de qualquer esporte. No geral, são porcarias que nada acrescentam de bom à economia do país e muito menos para a vida das pessoas.

Pouquíssima coisa que presta sai da mão desses mercadores, mas tem até a desgraça do consumo excessivo de bebida alcoólica, agora com um reforço nesta Copa do Mundo, depois que a Fifa derrubou a lei que impedia a venda de cerveja nos estádios. Se for feita a conta do estrago causado por todos esses estímulos a uma vaidade tola, à ambição desmedida pelo dinheiro e a venda incessante de porcarias, o resultado será certamente um grande prejuízo para o Brasil. Mas pode ser ainda pior. Existe sempre o risco de um viaduto desses cair perto demais da vida da gente.

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POR José Pires