quinta-feira, 8 de julho de 2010

Urubuzando o Flamengo


É impressionante a maré de azar do Flamengo, com jogador sendo flagrado em festas com traficantes, como aconteceu com Vagner Love, ou flagrados em fotografias com metralhadoras nas mãos e suspeitos de ligação com chefes de quadrilhas criminosas, o caso do atacante Adriano. E agora aparece este crime pavoroso que envolve o nome do goleiro Bruno, numa situação de tamanha prepotência e violência que deve afetar de forma bem grave a imagem do time.

Como sou um estudioso das energias negativas que vêm causando danos ao esporte brasileiro, fui investigar se o seca-pimenteira do Planalto não teria algo a ver com esta urucubaca que afeta o Flamengo. E sapeando no setor de fotografias do Gabinete da Presidênca da República, vejam o que encontrei. A imagem acima mostra a delegação do Flamengo em visita ao Lula, em Brasília, no final de dezembro do ano passado depois da conquista do campenato brasileiro. Esse pessoal não aprende mesmo: deixaram o notório secador até pegar na taça.
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POR José Pires

Cheia da nota

Quem já não sentiu aquela péssima sensação de constrangimento em ver alguém dando vexame em cima de um palco? É quando bate com força a compaixão, um sentimento que independe da nossa relação com quem está passando o ridículo.

Acompanhar a Dilma Rousseff nesta eleição vai ser difícil, porque ela está sempre fazendo eu me sentir assim. Puxa vida, como é despreparada essa candidata. E o pior é que com essa máquina ela pode se eleger presidente. E, caso essa desgraça aconteça, como é que vou agüentar os próximos quatro anos, eu que já não tenho mais idade para endurecer o coração?

Dilma encalacrou-se com uma história estranha, embutida na sua declaração de renda. Segundo os documentos que apresentou ao TSE ela possui R$ 113 mil em dinheiro vivo. A informação não esclarece se ela guarda a bufunfa em gavetas, num cofre ou embaixo do colchão.

Ela também não esclareceu o volume das notas. Mesmo que seja em nota de 100 reais dá um pacote e tanto. Não tanto quanto a dinheirama flagrada com os aloprados do presidente Lula e fotografados pela Polícia Federal, mas é sempre bem mais do que os dólares escondidos na cueca petista.

Mas não deixa de ser estranho uma autoridade pública ter essa quantidade de dinheiro vivo em casa. É mais estranho ainda para uma candidata à presidente da República. Mas como Dilma sabe de tudo do governo Lula, pode ser uma desconfiança bem embasada sobre o que vem por aí. Já estou esvaziando a minha conta no banco: eu é que não vou deixar meus 113 reais (R$ 113, viu?) na insegurança desse sistema bancário.

É claro que ela já está explicando o assunto. E a Dilma explicando qualquer coisa é algo bastante constrangedor. É difícil para a minha sensibilidade.

Questionada ontem por jornalistas, ela disse o seguinte: “É uma escolha minha, não é ilegal”, e depois se confundiu sobre o valor: “Guardar esses R$ 110 milhões, digo, R$ 110 mil, não tem nenhum problema.”

Seja R$ 110 milhões ou R$ 110 mil ou mesmo R$ 113 mil, este número tão simbólico, as quantias não me importam, até porque pode ser bem mais que isso tudo. O que me incomoda é esse sentimento de compaixão com patifes.
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POR José Pires

Marina Silva na batida de sempre

Marina Silva, do Partido Verde, acaba de lançar seu jingle. Imediatamente o ex-prefeito Cesar Maia aponta corretamente a inspiração do criador da peça de campanha: o jingle “brahmeiro”, da famosa cerveja. Ele tem razão. É a mesma coisa.

O jingle de Marina — mais pra uma vinheta —, que pode marcar seus programas de TV e rádio, nem pode ser transcrito. É apenas um coro de vozes que canta repetidamente “Eu sou brasileiro, eu sou marineiro”.

Lembra também aquela propaganda triunfalista de Lula, do "sou brasileiro". Nem com a máquina do governo e das ricas estatais intrumentalizadas pelo governo petista isso pegou. Existe um deslumbramento equivocado com o suposto otimismo que estaria incorporado entre as pessoas, um orgulho em ser brasileiro. Olhando bem para os lados (com bastante cuidado, para não levar um tiro) não percebo motivos pra tanto. Será que o clima está assim dentro desses carros refrigerados e fechados com vidro preto? Não é o que vejo por aí quando ando em ônibus urbanos lotados.

Mas, supondo que esta palavra de ordem de Marina pegue. É um conceito banal, mas pra cima. Não há nenhum senão neste jingle, nem uma insinuação da necessidade de influir para dar a diferença. Bem, então por que votar na Marina e não na Dilma? Isso reflete uma dificuldade até pessoal da candidata, de não compreender que ela não terá o voto do leitor se não mostrar diferença com o que está aí. Mas parece difícil para ela quebrar os vínculos até sentimentais com o lulo-petismo. Não realidade, quando é bacana com o Lula (e que ela tem feito seguidamente) ela acaba sendo ainda mais bacana para a eleição da candidata do Lula.

Mas, já que é o que está aí, o jingle não é embriagante, mas pelo menos não faz mal para o fígado como o da Brahma. Fizeram o correto e, de forma involuntária, é claro, o criador traduziu como está a candidatura de Marina Silva. A ex-ministra de Lula tem se inserido na campanha eleitoral como mais uma, no mais do mesmo da política brasileira.

De início, quando surgiu como candidata, os ares de novidade política até fizeram os dois candidatos mais fortes, Serra e Dilma, buscar um reforço no discurso ambiental. Dilma até se grudou no braço do presidente Lula, que desandou a falar do assunto, ele que prefere sempre uma plantação de soja a um “cerradinho”, no comparativo canalha que usou para bajular fazendeiros. Na deliberada confusão petista entre palanque e governo, ele até levou sua candidata para o exterior. A cena de Dilma sentadinha próxima a Barack Obama e de outros estadistas estrangeiros que discutiam o meio ambiente é uma peça especial do lado rídiculo da política brasileira, uma das tantas desse governo tragicômico.

A surpresa inicial da candidatura de Marina dava a impressão de que surgiriam dali elementos inovadores para esta eleição, mas não é o que vem acontecendo. Passada a explosão de entusiasmo que deu o susto nos dois principais contendores, a candidata parece ter sido reconduzida ao ritmo banal da política brasileia.

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POR José Pires

Uma candidata que parece não saber o que quer

Marina é a contradição em pessoa. Em teoria, nesta eleição representaria o meio ambiente, ela que foi durante seis anos, quase sete, ministra de um governo destrutivo neste plano e que falhou na tarefa inadiável de preparar as bases para que o país possa enfrentar um futuro muito preocupante e bem próximo. O resultado é que, com os oito anos de Lula já chegando ao final, quase tudo ainda está por fazer.

É um legado de Lula. Mas também é responsabilidade dela. Logo quando Marina saiu do governo parecia que a discussão ambiental iria ser um destaque no debate político, tanto que os outros candidatos também saíram a campo tentando mostrar que eles são ambientalistas desde criancinha.

Marina só tem sido poupada dessas críticas porque permanece no papel do patinho feito. Parecia um cisne no início e várias pessoas se apressariam em buscar meios para cortar-lhe as asas se tivesse continuado assim. Mas logo passou a impressão de candidatura emergente prestes a contagiar o eleitorado, queda de entusiasmo que se deve à dificuldade de definição da candidata.

Como vivemos num país onde discussão política é como lei, tem os assuntos que pegam e os que não pegam, rapidamente mudou-se de papo com a dificuldade da candidata em ocupar de forma inovadora o espaço que se abriu pra ela. Caberia a Marina impor o tema, o que ela não vem fazendo.

Deve ter muita gente piando na cabeça dela que “ambientalismo não ganha eleição”, um raciocínio torto em política e ignorante e preconceituoso em relação ao tema mais importante da atualidade.

Passa a impressão de que ambientalista é um ser louco capaz de discursar sobre o aquecimento global para platéias que sofrem com o transporte público, a falta de segurança, com dificuldades de saúde e econômicas básicas e a ausência de perspectiva pessoal e comunitária.

A questão ambiental está interligada aos vários problemas brasileiros, sendo forte demais, até um terrível suplício, na vida de grandes cidades e de cidades médias brasileiras. Atinge também as cidades pequenas, basta andar por aí para ver. É preciso situar o assunto de forma clara e inteligente e mostrar suas implicações na vida prática dos brasileiros, é claro, mas qual é a dificuldade em fazer isso?

Essencialmente, esta questão tinge de forma marcante o cotidiano urbano. Basta passar as linhas gerais do amplo conhecimento que existe hoje sobre isso a um marqueteiro eficiente que ele será capaz de botar nas ruas peças fortes, com grande poder de influência sobre o voto dos brasileiros. A base deste conhecimento já está aí, tudo muito bem descrito e até conceituado de forma clara. Mas será que Marina conhece? A julgar pelo seu comportamento no ministério de Lula e agora nesta campanha, tenho a impressão que não.

Ainda assim, vai ter gente dizendo que isso não ganha eleição. Mas, espere aí, compor uma candidatura em torno de uma candidata em visitas com formato oficial, apenas palestrando e fazendo passeatas e carreatas por aí, não estaria em conformidade com pensamento ecológico algum, pois basicamente a atuação ecológica consiste plantar idéias com empenho e persistência.

A candidatura de Marina Silva só vai pra frente se tiver este norte ecológico, aplicado ao dia-a-dia dos brasileiros e bem definido num bom trabalho de comunicação. Dessa forma ela pode até emplacar nesta campanha. A política cria possibilidades de um momento pro outro, mas é preciso estar bem estruturado conceitualmente para aproveitar oportunidades.

E no caso de não dar certo já nesta eleição, vale também o pensamento ecológico, pois é preciso sempre buscar o equilíbrio entre a urgência de algumas necessidades do agora e a visão do que o futuro nos reserva potencialmente no plano dos riscos e possibilidades.
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POR José Pires

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cala a boca, Lula!


O seca-pimenteira é fogo. Lula havia feito apenas uma referência de passagem à seleção da Alemanha, quando dava seu apoio enfático ao Uruguai, que ele via, sabe-se lá por que razão, como a seleção do Mercosul e (pasmem!) representante do Brasil na Copa. Ele lembrou de um brasileiro naturalizado que joga na seleção alemã. É Cacau, autor do quarto gol na goleada contra a Austrália no início da Copa. Bem, Lula ainda não havia citado seu nome. Cacau não entrou em campo neste jogo final, em que a Alemanha perdeu de um a zero para a Espanha e perdeu a chance de ganhar a sua quarta Copa.

Acho bom o Lula ficar quieto nesta final entre Espanha e Holanda. Um palpite do pé-frio pode desestabilizar a bolsa, a outra, a bolsa de apostas de Londres. Se o azarento apontar uma preferência, quem será louco de bancar apostas a favor do adversário deste predestinado vice-campeão?
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POR José Pires

Com Dilma não vale o escrito

Já se tinha conhecimento de que Dilma Rousseff não sabe por que quer ser presidente da República. Ela havia se recusado a responder a esta pergunta simples feita pelo jornal O Globo. O jornal publicou as respostas de Serra e Marina Silva no último domingo e no lugar onde estaria o texto de Dilma colocaram uma imensa interrogação. Parece um retrato da petista. Agora sabe-se que a candidata do Lula também assina documentos sem ler.

O PT apresentou ao TSE um programa de governo bem radical, com posições extremadas sobre controle de mídia, aborto e invasão de terras. Logo que este documento passou a ser discutido na mídia, com estes pontos polêmicos indicados em primeira mão pelo blogueiro da revista Veja, Reinaldo Azevedo, o PT entrou polvorosa no seu conhecido e conflituoso processo de apaziguamento das tensões internas do partido e contentamento da opinião pública.

O PT sabe muito bem o faz e que quer, mas também aprendeu a dosar sua tendência autoritária com a hipocrisia política, para não criar problemas eleitorais no caminho do poder. Era tudo que criticavam quando estavam na oposição, mas depois que alcançaram o poder com a promessa de acabar com isso, fizeram da hipocrisia um mandamento pétreo. 

O programa eleitoral que tocava em questões polêmicas foi substituído às pressas no TSE por outro mais ameno. Dilma afrmou que não sabia nada sobre o programa radical que foi pra gaveta.

O secretário de Comunicação do partido, André Vargas, apresentou duas versões contraditórias sobre o imbróglio petista. É bem PT. Quando eles ainda não haviam avaliado a dimensão dos danos eleitorais provocados pelo documento radical, ele defendeu o programa, afirmando o seguinte: “Não há problema em ter pontos polêmicos nele. Nós somos polêmicos. Isso não é problema, é qualidade.”

Algumas horas depois, bem PT, como já falei, ele voltou atrás. Sua nova versão: “Por volta de 15h30 recebi uma ligação que indagava sobre algo que eu não sabia responder. Fui à página do TSE verificar o que estava ocorrendo e percebi a troca dos programas. Foi uma terrível falha nossa, que certamente vai nos dar dor de cabeça por uns dias, talvez semanas.”

Mas a confusão do partido de dois programas, com pontos que se excluem, aumentou quando foi notado em cada página do documento radical entregue ao TSE a rubrica da candidata Dilma Rousseff. Ao lado do jamegão da candidata, também está a rubrica do presidente do partido, José Eduardo Dutra.

Com a polêmica, o partido escondeu-se detrás da desculpa de sempre. Ninguém sabia de nada. Não é novidade entre eles, Lula fala isso em todos os escândalos petistas. Também não é incomum na história política univeral. Em Nuremberg, por exemplo, no banco dos réus havia muita gente que não sabia de nada do que acontecera quando os nazistas estiveram no poder. O segundo homem no regime, o marechal Goering, era um desses distraídos.

A trapalhada só deixa uma saída aos petistas: alegar incompetência. Pois se o programa radical foi entregue por engano ao TSE, conforme a versão do PT, como é que cada folha foi rubricada por Dilma e por Dutra? Bem, a alegação só teria consistência se Dilma tivesse assinado o documento sem ler.

Em política, principalmente a brasileira, esta justificativa pode até servir para renegar um documento e fugir da confrontação com responsablidades, mas deveria disparar um alerta. Esta falta de consistência de caráter certamente deixa margem para ações perigosas no futuro. E vindo de quem pode ser presidente da República, este é um risco dos mais perigosos.
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POR José Pires

O doutorado de Dilma também não valia

Novamente Dilma encarna a omissão quanto a temas que seu partido pretende executar. O documento que ela parece ter assinado sem ler contêm propostas polêmicas e anti-democráticas. O controle da mídia os petistas já tentaram colocar em prática. Recuaram por enquanto, mas não abandonaram a idéia. É uma questão de oportunidade que, felizmente, por enquanto não existe.

A facilitação de invasão de terras também é parte do ideário e tem sido colocada em prática mais como recurso político e, por muitas vezes, eleitoral. A bem da verdade, a tática tem pouco servido para a reforma agrária e muito menos como indutora de igualdade social e produção agrícola equilibrada, seja ambientalmente ou no aspecto comercial. E, ademais, sendo governo, por que o PT não avança com isso de forma oficial?

O que ocorre é que o MST age em conformidade com os interesses eleitorais petistas até em eleições estaduais e já houve situação que o recurso da invasão já serviu até em eleição municipal.

Noutro ponto, a questão do aborto, a posição do partido é muito bem conhecida. O apoio ao aborto serve em boa parte para contentar setores da militância feminina. Além disso, Dilma também já defendeu a descriminação do aborto em entrevista à revista Marie Claire, em 2007, revelação levantada também pelo blogueiro da Veja (Pô, não tem jeito do PT fazer alguma coisa que esse cara não possa escarafunchar).

Nem vou entrar no mérito das posições do partido ou da candidata. Essas contradições são antigas, pois o PT é composto por pessoas com evidentes dificuldades com a inter-relação entre suas idéias e a prática política. Eu sou da opinião de que um homem (mulher também, Dilma!) deve lutar com clareza pelo que pensa, mas como é que Dilma poderia saber em 2007, quando colocou de forma verdadeira sua posição frente ao aborto, que um dia o Lula iria ordenar que ela fosse candidata a presidente da República?

O PT é um partido com um histórico cheio de complicações com essa coisa simples de honrar o escrito. Até hoje os petistas se explicam sobre a acusação de não terem assinado a Constituição de 88. Teve dirigente que até procurou oficializar a versão de que essa acusação seria maldade de adversários, buscando comprovar que assinaram o documento maior brasileiro.

Se foi coisa ou não de adversário não é a questão essencial nesta discussão. No caso dos dois programas — um radical outro remendado para aparentar sensatez — apresentados pelo PT ao TSE, não há dúvida: ou Dilma mente ou assina as coisas sem ler.

O que existe de fato nesta questão tão simples está baseado numa palavra também simples: confiança. E isso o PT e Dilma não sustentam em ocasião alguma. Entre outras coisas, Dilma já mentiu sobre seu doutorado, por exemplo. Apresentava-se como doutora sem nunca ter concluído doutorado algum. Alguém acha isso pouco? Pois se aceitarmos como exceção a mentira de Dilma sobre seu doutorado, abriríamos espaço para uma quebra de confiança em todo o contrato social que garante questões vitais.

Um doutorado universitário está estabelecido em bases de credibilidade (e esforço, Dilma, também muito esforço) que no final sustentam praticamente todas as nossas relações sociais. Nossa capacitação tecnológica, científica e cultural nasce daí. Vamos imaginar que em vez de mentir sobre um doutorado na área das humanas, Dilma pendurasse um doutorado falso de medicina e começasse a clinicar. Ela seria presa, é claro.

E um economista (área do doutorado fictício de Dilma) mal capacitado pode também causar estragos sérios para o país, Já vimos isso muitas vezes. E pensem em engenheiros fazendo pontes sem a capacidade técnica fornecida por um doutorado.

Podemos também imaginar algo pior: um cientista juntando peças de plutônio em um laboratório, tendo atrás de si, pendurado na parede, um diploma falso. Bum!
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POR José Pires

O mensalão também teve assinatura renegada

Esta relação ética entre pensamento e ação parece difícil para o PT. Os Ticos e Tecos éticos brigam o tempo todo. Daí acontecem esses absurdos de não só assinarem documentos sem ler, como acreditarem que essa justificativa serve para isentá-los de responsabilidade. E eles têm feito isso durante esses anos todos. Estão aí as Lubecas, padrinhos, incorporações de empresas, aloprados, mensalões e tantas outros fatos que ocorreram juntinho deles, alguns ao lado do presidente, para depois algum dirigente ou o próprio presidente da República dizer que não viu nada.

O deputado José Genoíno, que foi presidente do PT à época do mensalão, é um exemplo vivo (diria até muito vivo) dessas contradições. Na década de 70, Genoíno era do PCdoB e participava da guerrilha do Araguaia, movimento armado que pretendia implantar no Brasil uma ditadura comunista copiada do maoísmo chinês. Depois de preso, o líder petista aparentemente converteu-se à democracia representativa, elegendo-se deputado.

No entanto, no primeiro mandato de Lula, ele e seu partido foram flagrados à frente de um esquema de compra de votos no Congresso que tinha por meta perenizar o PT no poder. Era o mensalão. A guerrilha do Araguaia tinha também como meta a instalação pela força das armas de um poder perene e incontestável.

Voltando ao mensalão, neste esquema de destruição do processo democrático teve também documento com assinatura que foi depois renegada. Foi o empréstimo de 2 milhões e 400 mil reais feito por Marcos Valério ao PT.

Era a época da chegada do partido ao poder, com Genoíno no cargo mais alto do PT. E ele disse que assinou sem ter lido um documento de tamanha importância.
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POR José Pires

terça-feira, 6 de julho de 2010

Quod erat demonstrandum, de novo

Do Quênia, numa de suas prazerosas visitas a ditadores africanos e onde não deve ter nada pra fazer, Lula resolveu mandar suas energias para a seleção do Uruguai. O notório pé-frio falou que estava "torcendo para o Uruguai" e que este país representava o Brasil nesta final. Desde a derrota da Seleção Brasileira, devidamente energizada por ele depois que a delegação brasileira desviou de caminho para visitá-lo antes de seguir para a África do Sul, Lula disse que torceria para as quatro seleções de países do Mercosul.

Já no mata-mata foram eliminadas três. Hoje é o Uruguai que perde. No Quênia, o azarento também colocou suas esperanças nos pés de Loco Abreu, só porque o uruguaio joga também no Botafogo, do Rio. Loco Abreu passou a partida sentado no banco e só entrou em campo aos 32 minutos do segundo tempo e parecia bem abalado. Nada fez de importante na partida.

Vocês podem conferir no post abaixo que não estou falando deste azar apenas depois do acontecimento. Como a experiência demonstra que a urucubaca do petista é forte, eu alertava antes do início do jogo sobre o risco que pesava sobre o Uruguai. A lista do seca-pimenteira do Planalto vai aumentando de forma tão acelerada que, apesar da contradição, já tem gente achando que o azar que ele transmite é até uma verdade científica.
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POR José Pires

Toc, toc, toc para los uruguaios

O secador do Planalto continua colocando o próximo em risco. Lula tem elogiado muito a seleção de futebol do Uruguai, que enfrenta hoje a Holanda. O petista tem o raciocínio de torcedor bestalhão, que em vez de encarar os próprios problemas, depois da derrota passa a torcer contra este ou aquele. Será que ele presta a atenção em algum jogo? Duvido.

Ele também estabeleceu uma estranha categoria na Copa do Mundo, a do Mercosul. Vejam o que ele disse: "Nós temos como representante do Mercosul o nosso querido Uruguai e estaremos todos torcendo para que o Uruguai seja campeão do mundo. Nada contra os europeus, mas tudo favorável ao Mercosul".

Não é à tôa que torcedores costumam sair quebrando tudo nas cidades quando seu time perde. Com formadores de opinião como Lula, fica difícil compor uma cultura desportiva onde a apreciação do que ocorre em campo seja o centro das preocupações do torcedor.

Mas no momento o risco é outro. O seca-pimenteira já tinha vindo com essa conversa fiada no final da primeira fase quando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai foram para o mata-mata. Depois que ele falou do "bom risco (sic) de ter quatro países do Mercosul disputando as semifinais", só sobrou o Uruguai.

E agora ele torce para o Uruguai. Bem, como todo torcedor equivocado, perde uma boa oportunidade de assistir com prazer um bom jogo. Mas a gente sempre lamenta pelo risco (nada bom, nada bom!) que o Uruguai corre com tendo o seca-pimenteira como torcedor.
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POR José Pires

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Procurando tucano

A campanha eleitoral começa oficialmente hoje. Como é um partido revolucionário, o PT está há quatro anos no palanque eleitoral (falo só desta eleição) e já lançou sua candidata há pelo menos dois anos. E o PSDB? Os dirigentes de partidos que compõem a aliança em torno de Serra se queixam da desorganização da campanha, no que estão com toda razão.

Hoje recebi um e-mail da campanha da candidata do Lula dizendo que “Agora é Dilma”. Avisam que “cada um de nós assume um papel estratégico para eleger Dilma Rousseff - a primeira mulher a ser Presidente do Brasil!” Isso parece conversa de concurso de miss. Ainda estou esperando a foto da torcida de Dilma no jogo Brasil e Holanda, mas isso é outra história.

É um material bem fraco, como tudo que a campanha petista tem feito, mas, de forma prática, estão tendo visibilidade, se apresentam ao eleitor. E os tucanos? Bem, eu nem poderia receber e-mail relacionado ao candidato Serra, porque seu partido nunca teve peso algum na internet.

Entrem agora no site dos tucanos para conferir. E depois comparem com o site do PT. Ao lado publico uma mostra comparativa, mas é apenas um relance da  incapacidade tucana. É bem pior visto de perto. Você pode ver o site do PT aqui e o do PSDB aqui, mas já aviso que a situação dos adeptos de Serra é bem triste. Parece que os tucanos ainda não foram avisados que a eleição começou. Reenvio o e-mail da campanha da Dilma para eles?

Recentemente os petistas fizeram um alarido sobre o uso eleitoral da internet pelos tucanos. Ameaçaram de ir à Justiça pedir o fechamento de blogs e sites. Imediatamente pensei cá com minhas teclas: “Pobre TSE, vai ter de penar para achar algo feito pelos tucanos na internet”.

O PSDB é um partido incompetente em comunicação. Não foi à toa que o governo o PT pegou tudo de interessante que foi feito pelos tucanos desde o governo de Itamar Franco. Realizações do governo FHC, para bem ou para mal, tiveram sua autoria conquistada pelos petistas junto à opinião pública. E o “para mal” ainda servia para culpar os tucanos por males que persistem.

Estou para ver a campanha de Dilma colocando na televisão como obra de Lula o Rodoanel que os tucanos construíram em São Paulo desde o governo Covas. É coisa de hospício. Com impressionante desfaçatez os petistas vão incorporando à sua memória os feitos do adversário e ainda acusam os outros pelas misérias impossíveis de serem escondidas pela propaganda oficial. Os tucanos que se cuidem: ainda podem ser acusados de não terem votado em Tancredo contra o Maluf.

Ruins de comunicação, os tucanos devem sua permanência na internet à batalhadores individuais, jornalista e blogueiros que pingam todo os dias suas opiniões em cada blog ou site, formando uma resistência contra o lulo-petismo. Tirando isso, há bem pouca atuação do partido ou de sua militância.

O PSDB não formou a corrente criada em torno do lulo-petismo. E se mantiver esse ritmo nos três meses dessa eleição, não ocupa espaço na internet. Ficará praticamente tudo para a campanha petista, cuja militância (gente paga e dirigida de cima com rigor, nós sabemos) ocupa com agressividade até as seções de comentários dos sites dos grandes jornais.

É tudo de qualidade bem baixa. O pensamento é raso, as argumentações são simplistas e carecem evidentemente de qualquer relação com a verdade, mas na falta de um pensamento político que faça o contraste com rigor, a tendência é que acabe pegando, principalmente entre internautas sem um conhecimento pessoal sobre o que o país já passou com o PT, tanto quando eles eram oposição como agora encastelados em um poder corrupto e ineficiente.

Tucano é um bicho que não canta. E o PT faz uma algazarra de galinha poedeira sobre todos os ovos expelidos pelo adversário, seja para roubar a autoria do ovo ou para denunciar que ele está podre. Se os tucanos não abrirem o bico bem rápido, ficarão novamente de fora do poleiro federal.
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POR José Pires

Ser ou não ser

Uma tática evidente da campanha de Dilma Roussef é evitar expor a candidata em situações públicas que exijam raciocínio rápido e atitude pessoal. Debate, nem pensar. Dilma tem recusado todos os convites feitos até agora e é provável que tentem criar uma justificativa até para fugir de debates nas redes de televisão, talvez fujam até do prestigiado debate feito pela Rede Globo de Televisão.

Os coordenadores de campanha do PT conhecem muito bem o material que têm à mão. Já disse aqui que a performance de Dilma em entrevistas e discursos dá a impressão de que ela pegou como mestre de oratória o senador Eduardo Suplicy. Me deparo à vezes com vídeos dela que são de constranger até quem torce contra o PT. Ninguém gosta de ver uma pessoa dando vexame em público de tal forma, apesar de alguém de maus bofes como a santinha até merecer.

E o conteúdo dela tem o mesmo alcance da expressão verbal. O raciocínio é fragmentado, as frases não se ajustam, fica difícil saber do que a candidata está falando. Ela parece não ter conhecimento algum sobre o assunto em pauta.

Uma candidata assim tem mesmo que ser trancada num estúdio, onde as gravações podem ser muito bem controladas por assessores e marqueteiros. O produto não permite mesmo a comparação com adversários.

Até aí dá para entender. É sempre um desrespeito com a democracia e com o eleitor, o que não é novidade vindo de petistas, mas ninguém pode colocar um produto desse na mão de um marqueteiro e exigir outra coisa dele.

Mas o que está acontecendo na campanha da candidata do Lula para eles estarem evitando até dar respostas individuais? O jornal O Globo convidou os três principais candidatos a responder uma pergunta simples — Por que quero ser presidente do Brasil? — e ontem a matéria saiu publicada sem a resposta de Dilma. Ela se recusou a participar.

Serra e Marina gravaram depoimentos que o jornal diponibiliza em seu site. O resumo do que Marina falou está aqui e o de Serra, aqui. No jornal impresso a ausência de Dilma ficou bem destacada, como pode ser visto na imagem ao lado, com um ponto de interrogação no espaço reservado para sua resposta.

A blindagem em torno da candidata está ficando cada vez mais cerrada. Será que a coordenação de campanha do PT irá permitir que o TSE coloque fotinha dela na urna? E o mais curioso é que, entre os candidatos, para Dilma a questão de O Globo se mostra ainda mais simples. Por que ela quer ser presidente? Ora, porque o Lula mandou.
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POR José Pires

Agora vai

Um estudo da consultoria Macroplan, Prospectiva, Estratégia e Gestão, chegou à conclusão que caso seja colocado em prática a universalização do ensino fundamental e a melhoria das condições de ensino, mesmo neste cenário otimista o Brasil só alcançará o atual nível de escolaridade das nações mais desenvolvidas reunidas na OCD (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em 2030.

É por isso que somos o país do futuro. É tudo sempre pra mais adiante.
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POR José Pires

Anão expiatório

A CBF demitiu Dunga e seus auxiliares. A coisa foi por telefone, bem ao estilo da classe dirigente encastelada em vários organismos brasileiros e até no governo. O Dunga demitido pelo telefone é o mesmo Dunga que seria aclamado caso a Seleção Brasileira tivesse sido vitoriosa.

A contradição é que esta vitória teria sido conquistada com a mesma técnica destruidora da criatividade e da alegria em jogar bola, exatamente os mesmos procedimentos equivocados do técnico que foi demitido. É uma visão focada apenas no resultado, sem ater para a substância que propicia a vitória. Não acho que isso seja feito sem querer. Trata-se de um método, com o sacrifício em público servindo para evitar que torcedor perceba que a questão exige muito mais atitude do que chamar técnico ou jogadores de burros.

O método de Dunga sempre esteve errado, independente dos resultados, porque gradativamente destruíam uma marca especialmente lucrativa para o Brasil. Nesses anos todos o país tem ganhado muito em inserção internacional, na criação de uma identidade em torno de um esporte bastante acessível e até no lucro econômico que o futebol tem proporciona.

Mas foram poucos os que vinham discutindo com profundidade o problema e alertando sobre o método em si, implantado por Dunga, mas não de sua autoria exclusiva. Seria como culpar pela escravidão o capitão do mato ou açoitador.

Por isso mesmo é besteira decretar o final de algo chamado de "Era Dunga", pois a continuidade desta linha burra de condução do futebol brasileiro tem interligações que prescindem de Dunga ou de qualquer outro técnico de futebol e não deve ser focalizada na convocação ou não de um Ganso ou de um Neymar. Antes o burro não era o Parreira? Pois é, ele saiu a coisa continuou a mesma.

Esta rede destrutiva está com interligações bem firmes em todos os setores relacionados ao futebol, do noticiário esportivo, com seus jornalistas fantasiosos e compromissados com o que tem de pior comercialmente, os políticos que usam o esporte, enfim uma cadeia que faz do futebol um instrumento de ganho pessoal de dinheiro e poder.

Tem os Dungas, e, agumas ocasiões até sacrificados em público para arrefecer a indignação da massa, mas existem também os Galvões e os Teixeiras por detrás desta manipulação destrutiva deste imenso poderio que, na verdade, foi construída lá atrás por craques que amavam o futebol.

Este decreto instantâneo de burro é a expressão pública da dificuldade coletiva de encarar de fato os problemas e de exercer a crítica colocando pra fora todos os manipuladores, em sua maioria incompetentes e na totalidade gatunos sem qualificação para dirigir coisa alguma.

Agora Dunga é burro, mas se a Seleção Brasileira fosse vitoriosa, levada ao primeiro lugar até pelos acasos que muitas vezes acaba sendo definidor no futebol, aí então o técnico seria aclamado pela massa ajoelhada à passagem do carro de bombeiro com a nossa seleção. Porém, espera aí, o método é o mesmo! Estou achando que os burros são outros. Milhões de burros.

É a visão do resultado por si, sem atinar para o conteúdo deste resultado. É o que eu chamo de síndrome do PIB, que é comemorar um resultado sem medir qual é exatamente o efeito dos números na realidade do país.

Dunga foi demitido por telefone, mas quando é que a CBF vai ser demitida do futebol brasileiro?
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POR José Pires

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Agora vem ou não vem?


Esta Copa do Mundo me deixou tenso. Mas nada a ver com o que aconteceu em campo. Como você podem conferir no horário em que postei o texto logo abaixo, em que falo sobre o desmonte que estão fazendo com o futebol brasileiro, eu já não esperava muito desta seleção. E como vejo o que acaba de acontecer na África do Sul como a derrota de um estilo de jogo imposto ao futebol brasileiro erradamente por Dunga e os dirigentes da CBF, espero que esta derrocada abra espaço para críticos bem sérios que avisam já há tempos que jogando dessa forma a tendência é a perda do que ainda é uma grande marca brasileira.

Bem, se nada se renovar, como é de praxe entre os dirigentes do futebol brasileiro, pelo menos não este estilo destruidor da criatividade e da alegria não teve a consagração esperada por alguns e temida por muitos.

Mas o que me deixou ansioso, numa inquietação na qual estou até agora, foi a espera da fotografia que a campanha de Dilma Rousseff fez para o jogo de hoje. Na vitória contra o Chile, assim que acabou o jogo eles me enviaram a foto acima, onde tem até alguém que parece o Palocci, aquele ex-ministro do Lula que quebrou o sigilo bancário do caseiro Francenildo. De tão parecido com ele, o cara até está rindo de nós.

Na linha do assunto do e-mail que chegou pra mim com a foto tinha até uma frase bem bacana: "Brasil: um país gigante pela própria natureza". Não entendi o que é que isso tinha a ver com a vitória contra uma seleção mixuruca como a do Chile, mas deixei pra lá. Cada um é patriota com o motivo que lhe cair melhor.

Pensando na foto de hoje, fiquei imaginando quem é que convidariam desta vez para ver o jogo com a candidata do Lula. Quem sabe não foi pra lá com sua vuvuzela o companheiro Delúbio?Agora que tudo está se ajeitando, até com o Duda Mendonça indo fazer a campanha da Marta Suplicy (filho eu sei que ela tem, mas está casada, afinal?). Espero agora que agora ele seja pago em reais e no Brasil. Na campanha do Lula mandaram dólares ilegalmente para o extetrior e deu em encrenca. Se a oposição não fosse tucana, o Lula até caía.

Os convidados podiam ser também os aloprados do Mercadante ou do Lula, tanto faz. Aloprado faz um furdunço danado: é bom pra torcer. Com a turma toda se ajeitando, podia vir também o Silvinho com seu Land Rover enfeitado de bandeiras. Pensei num monte de gente. Até no Renan Calheiros, Jader Barbalho, José Sarney, Severino Cavalcanti, Maluf, José Dirceu, Fernando Collor, essa companheirada toda que, afinal, tanto quanto Lula são tutti buona gente.

O fato é que eu fiquei bem ansioso pra saber quem é que vai sair na foto de hoje. Mas até agora não mandaram nada. E está bem atrasado, pois o jogo terminou faz tempo. É estranho, porque no dia da vitória contra o Chile a campanha da Dilma mandou a foto de imediato. O que será que aconteceu?
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POR José Pires

Estresse

Quod erat demonstrandum



O famoso C.Q.D., ou "como se queria demonstrar". A imagem da Seleção Brasileira, que desviou de caminho em sua viagem à África do Sul para visitar o presidente Lula, mostra bem onde pode ter começado a urucubaca que fez o Brasil voltar mais cedo para casa.

Não foi por falta de aviso. Falamos do assunto reiteradas vezes, sempre mostrando nossa preocupação, pois nunca antes em nossa história o Brasil teve um presidente tão seca-pimenteira como Lula.

Só espero que a derrota sirva como lição para que a nossa seleção não faça tão feio em próximas copas. É preciso retomar o futebol criativo que sempre foi a marca brasileira. Mas também é bom evitar o azar, que no Brasil tem um nome bem conhecido, não é mesmo petistas?
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POR José Pires

Matando a bola

Independente do resultado do jogo entre Brasil e Holanda, que começa agora, seria bom para o futebol brasileiro que prestassem atenção às opiniões do ídolo holandês Johann Cruyff dadas em entrevista à imprensa nesta semana. Cruyff é uma raridade como Sócrates e Tostão, um teórico que tem prática no assunto. E que prática, hein? Sua seleção, o nunca esquecido “carrossel holandês”, é daquelas que deixou sua marca no futebol mundial sem ter ficado com o primeiro lugar.

E precisa? Futebol é um espetáculo proporcionado por quem vence e por quem perde. Quando se busca um arranjo técnico para buscar apenas a vitória, abafando com isso a criatividade, quem sai derrotado é o espetáculo. É o que vem acontecendo com o futebol.

Cruiff perguntou aonde está o futebol brasileiro e lembrou que já tivemos Gerson, Tostão, Falcão, Zico e Sócrates. Podemos botar na lista também Pelé, Garrincha, Didi, Rivelino... é um elenco maravilhoso. São os criadores desta marca brasileira de expressão mundial, o nosso futebol.

O holandês disse que o futebol brasileiro agora é decepcionante. Que aqui criaram a cultura de “tratar a bola como inimiga”. Citou Dunga neste aspecto. E disse mais: "A bola é no pé, tocada com carinho e como uma amiga. Não como uma inimiga".

Cruiff falou que o Brasil precisa jogar com mais intensidade e ele está certo. É assim em qualquer arte. E no futebol não pode ser diferente, porque o público reconhece a intensidade no estilo. Aquilo que não tem alma não sustenta absolutamente nada no longo prazo.

O talento brasileiro ainda existe, reconhece o holandês. É claro, é de cima, de dirigentes e técnicos como Dunga, que vem a armadura que impede a finta, a alegria, o jogo habilidoso e espetacular que deu cara ao futebol brasileiro. O Brasil ainda tem uma seleção que os torcedores querem ver jogar, ele disse. E eu digo que os torcedores ainda querem ver, porque isso pode acabar. E isso não é uma crítica baseada apenas na teoria. Nosso estádios vivem vazios.

Mas, segundo Cruiff, “os torcedores não estão desfrutando desta fantasia criativa” porque os brasileiros “escolheram jogar de uma forma defensiva e menos brilhante. É uma pena para os torcedores e para a Copa".

No meio da entrevista, ele disse que “nunca pagaria uma entrada para assistir a um jogo dessa seleção do Brasil”, o que melhor expressa a ameaça que pesa sobre o futebol brasileiro” e a nossa imprensa destacou isso de forma pitoresca como sempre. Na seção de esporte, os jornalistas fazem do mesmo jeito que na seção política.

Depois foram fazer fofoca com Dunga, que respondeu do seu jeito superficial. Fez piada ruim. Disse que Cruiff não precisa pagar. E os jornalistas riram e não foram no essencial desta discussão, o futuro do futebol brasileiro. Ninguém perguntou sobre o risco que o estilo imposto por Dunga e outros representa para a esta marca brasileira tão preciosa.

A imagem de Cruiff é precisa. O futebol não sobrevive sem pagantes, isso no sentido de toda a estrutura que move este e outros esportes. A bem da verdade, aqui foi apenas no futebol que esta estrutura foi composta. É o único esporte brasileiro que se move sem subsídios. E internacionalmente acabou trazendo vantagens impressionantes para o país.

Na minha opinião estão matando esta marca, já falei disso aqui, é mais um homicídio cultural cometido por dirigentes inescrupulosos, que permanecem no comando em várias áreas, sendo mantidos por golpes e favorecidos pelas impunidades jurídica e política. Ajuda-os também a leniência dos brasileiros.

A marca do futebol brasileiro nada deve aos dirigentes esportivos. Nasceu no campo, no toque de bola habilidoso, no drible. Os dirigentes sempre atrapalharam, impondo a corrupção e a incompetência ao esporte. Essa má-fé, não podemos esquecer até já causou mortes em estádios de futebol.

Na entrevista, uma afirmação de Cruiff deveria ser vista como um alerta. Mesmo o torcedor fanático concorda com ele. O Brasil hoje é "um time como qualquer outro da Copa". Já li isso em alguns lugares e já ouvi muitos brasileiros dizendo o mesmo. Mas pelo menos a luz amarela — para mim, a vermelha — deveria ser acesa quando isso surge na voz de uma pessoa sem nenhuma obrigação em defender o que é nosso.

Mesmo que o estilo de Dunga e esses dirigentes seja vitorioso hoje, alguém duvida que Cruiff não esteja certo e que um dia falte gente afim de ver o futebol brasileiro? Estão acabando com mais esta marca. Neste caminho, duvido que num futuro não tão longe haja torcedores ávidos para ver a Seleção Brasileira. Mesmo a próxima Copa do Mundo sendo aqui, se continuar jogando dessa forma o Brasil corre o risco de ser em 2014 apenas um anfitrião chato.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Marina não foi, Dilma fugiu e Serra foi e deu o recado

O candidato tucano José Serra participou hoje da sabatina promovida pela Confederação Nacional de Pecuária e Agricultura (CNA). A intenção da CNA era promover um debate entre os três candidatos. Dilma Roussef(PT) fugiu do debate e Marina Silva(PV) também se recusou a participar. Ela queria o acesso prévio às perguntas, algo que nunca houve em debate algum e nem pode haver, pois dessa forma um debate não pode ser levado a sério.

Dá para entender a fuga de Dilma pela sua notória falta de consistência e a dificuldade terrível de expressão que mostra em suas apresentações em público. Os coordenadores de sua campanha estão corretíssimos. Nem que tenham que mandar a candidata viajar para o exerior, é preciso evitar debates. Em certas situações é até penoso acompanhar a Dilma falando. Dá a impressão de que ela faz treinamento com o senador Eduardo Suplicy como mestre.

Mas a ausência de Marina Silva, ou melhor, sua fuga, é mais difícil de entender. Marina tem mostrado uma boa performance nos assuntos em pauta na campanha, fala bem e com conteúdo. Além disso, os assuntos tratados em sabatina de uma organização como a CNA transitam inevitavelmente no setor ao qual Marina se dedica há anos.

Eu, se fosse marqueteiro da candidata do PV, até batalharia por uma chance como a que a CNA deu a ela. Era uma situação ótima para esclarecer mal entendidos na relação entre o meio ambiente e os produtores rurais e até para confrontar pecuaristas e agricultores que tenham má-fé neste assunto.

Marina ganharia espaço na imprensa falando sobre assuntos que são essenciais em sua campanha, marcando pontos na área do meio ambiente e desmascarando a lorota de que existe conflito entre produção agrícola e a defesa do meio ambiente. No mais, a candidata do PV só corria o risco de desagradar os que já tem posição fechada contra sua candidatura. Ou será que Marina teve medo de perder votos entre os ruralistas?

Aqui você pode baixar, em PDF, o documento entregue aos três candidatos presidenciáveis onde a CNA discorre sobre os principais problemas do campo na visão da instituição e apresenta propostas do setor rural.

Marina deve ter lido o documento, afinal os assuntos tratados ali, sem terem referência apenas em uma campanha política, são do seu interesse direto. Aliás, do nosso interesse.

No documento, a CNA apresenta também algumas dúvidas simples, apontadas como dificuldades para a produção. Por sinal, devem estar aflitos, pois até grifaram certas passagens, como esta referente ao trabalho escravo: "o Código Penal passou a classificar como redução à condição análoga à de escravo a submissão do empregado à jornada exaustiva e a condições degradantes, mas sem determinar de modo objetivo o que seria, de fato, uma jornada exaustiva ou condições degradantes de trabalho".

É uma questão realmente angustiante. Os críticos podem rir, mas tem uma modernização aí. Não é como na época de Joaquim Nabuco, o grande Joaquim Nabuco, quando ele era "um contra muitos" na defesa dos escravos, naquele tempo só pessoas negras.

Naquela época, um argumento muito usado era o de que a liberdade dos escravos afetaria negativamente a produção. Pobre Brasil, adentramos o século 21 e a discussão ainda não terminou. Mas pelo menos a escravidão hoje é bem mais democrática: não discrimina mais pela cor da pele.

Mas essa a Marina respondia na bucha e responderia bem, porque conhece o problema bem de perto. Mas a candidata do PV não foi à sabatina e nossos ruralistas estão lá, ainda sem saber o que é "jornada exaustiva ou condições degradantes de trabalho". Será que a Marina não podia mandar um e-mail explicando?
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POR José Pires

A Folha.com errou

O pessoal da imprensa parece não gostar mesmo do Serra. O site do jornal Folha de S. Paulo, o Folha.com, dá agora neste instante uma chamada na página de abertura que diz: "Tem que ser discreto, diz Serra sobre amantes".

Indecente esse Serra, não? Nada disso, a Folha,com errou. Em sua participação na sabatina da Confederação Nacional de Pecuária e Agricultura (CNA), Serra apenas fez alguns comentários em tom de humor acerca da boataria sobre seu vice, o deputado Índio da Costa.

A boataria evidentemente é espalhada pela blogosfera petista. Uma delas é que Índio é genro do banqueiro Salvatore Caciolla, assim com o verbo no presente. Índio, na verdade, foi namorado da filha de Cacciola lá para trás, há alguns anos. O namoro terminou em 2000.

Mas suponhamos que o vice de Serra fosse mesmo genro de Cacciola. A menos que ele fosse casado com a filha e tivesse um contrato de comunhão de bens com o sogro, não haveria problema algum. Ou quando alguém descobre que o sogro está envolvido com falcatruas tem a obrigação ética de desmanchar o casamento?

Sobre isso, Serra disse o seguinte: “Hoje um grande portal da internet diz que o Indio é ex-genro de Cacciola. Se ele tiver ido [na época] a um coquetel vão dizer que é companheiro de festa de Cacciola".

E a fala do candidato tucano que levou o jornalista a escrever a chamada, foi a seguinte: "O Indio foi um namorador, não sei se continua... hoje ele só tem uma namorada. Ele me disse por telefone 'não tenho amantes'. Eu disse 'não precisa exagerar, mas tem que ser uma coisa discreta'. Não estou pregando aqui pular cerca no casamento, mas também não precisa exagerar". Tudo isso foi em tom de piada, que inclusive fez a platéia rir.

E sobre isso a Folha.com deu a infame chamada "Tem que ser discreto, diz Serra sobre amantes". Dá até pra pensar que pode ter sido por distração. Mas o efeito de uma coisa dessas é mais ou menos no mesmo nível de uma campanha eleitoral suja do adversário.
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POR José Pires

Tem que tirar isso daí

Todos que aportam com certa freqüência neste blog sabem que a minha posição nesta eleição é bem clara: é preciso barrar o lulo-petismo, projeto dos mais perigosos para a nossa democracia e, além de tudo, pernicioso para o nosso cotidiano.

Nós precisamos de dirigentes políticos movidos por um compromisso com o bem comum e cujo senso da solução política tenha um alcance bem além dos limites do interesse partidário e, claro, muito longe dos interesses particulares. O PT tem feito o contrário, sempre. Antes de alcançar o poder agia em proveito próprio, sob a capa de um projeto revolucionário. E depois que alcançou o poder, foi rendido de vez a métodos abaixo de qualquer noção ética.

A bem da verdade, nossa oposição à instrumentalização do Estado pelo PT deve ter como ponto de crítica especialmente à má-qualidade, inclusive no aspecto tecnológico, que este procedimento tem trazido ao país.

Após oito anos de PT no governo, temos um país com a infraestrutura destruída em setores essenciais, a violência tomou conta da vida dos brasileiros e hoje é comum até em cidade pequenas e antes pacatas, a capacidade tecnológica foi lá pra baixo e isso tudo quando adentramos em um período dos mais difíceis no planeta, com o caminho da humanidade daqui pra frente cercado de riscos impostos pela destruição e diminuição dos recursos naturais. Já temos grave diminuição de oferta de água potável e estão cada vez mais escassos minérios essenciais para as tecnologias de última geração.

Nesta eleição, quando algum idiota vier com a conversa de que todo mundo terá computador com eles no poder, pergunte de onde ele vai tirar recurso natural para isso.

Resumindo, da forma que aí está é impossível construir uma Nação. Precisamos de dirigentes que compreendam a situação crítica do mundo e ajam com rigor, chamando os brasileiros para a resolução de problemas básicos e para a construção de uma Nação forte e capaz de enfrentar o que vem por aí globalmente, até mesmo na defesa do que é nosso por enquanto. O que não precisamos mesmo é de patifes ignorantes como Lula e seus companheiros, que até percebem (intuitivamente, é isso?) a gravidade da situação do Brasil e do mundo, mas usam esta situação para manipular as pessoas.
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POR José Pires

Apanhando pra fazer política

O PT não tem jeito. Tão feio quanto não compreender em pleno século 21 os males que o socialismo real fez para o ser humano é usar a história desse socialismo para assaltar os cofres públicos. E hoje o PT é composto desses dois tipos de pessoas.

Temos que tirar essa gente do poder. Mas então é preciso votar, não? E para isso temos que nos contentar com as opções que aí estão. Não acho que haja tempo para apostar em projetos eleitorais de longo prazo. E não digo isso só em termos de Brasil — olha a água acabando, gente...

Mas quem tirar o lulo-petismo do poder terá sérias dificuldades pela frente. Vai ter administrar trabalhar duro para administrar um país avariado demais em sua infraestrutura, com graves problemas urbanos e ambientais e, juntamente com esta trabalheira, terá de conviver com a agressividade do PT fora do poder. E enquanto toureia nas ruas a má-vontade petista, muito bem armada com sindicatos por detrás, este presidente terá também outra trabalheira para preservar neste confronto a democracia.

Para essa tarefa será preciso boas parcerias. E o parceiro mais destacado de Serra, o DEM mostrou nesta crise do vice que sua presença nesta aliança tem o objetivo exlusivo da conquista do poder. Não há projeto político. Para mim não há surpresa, pois sei que o sangue do PFL vibra forte no coração do DEM. Só mudou o logotipo. Até o suposto perfil liberal do partido é lorota que serve apenas de chacota para petistas. Pelo país afora o DEM é um partido sem bases na sociedade civil e com o mesmo perfil de qualquer outro partideco da base de Lula: assistencialista, anacrônico e a serviço das piores forças políticas do interior brasileiro.

É nas crises que os partidos mostram o que realmente são. E esta crise do vice de Serra teve pelo menos a utilidade de forçar que o DEM revelasse sua verdadeira cara já de início.

A carga simbólica do DEM, aquele sangue forte do PFL de que falei, pôde ser vista na reação do presidente do partido. Numa crise que deveria ser resolvida sem alarde, o deputado Rodrigo Maia agiu de modo público com a energia destrutiva que se espera de um adversário, nunca de um parceiro.

Se Maia usasse metade desta agressividade contra seu colega de partido e amigo pessoal, o ex-governador Arruda, quando aconteceu a roubalheira em Brasília, talvez o DEM até ficasse com uma imagem menos avariada na opinião pública.

Maia tem personalidade de petista. Existe aquela expressão popular que diz que fulano "apanhou para ir trabalhar", não? Pois Rodrigo Maia sempre dá a impressão de que apanhou para ir fazer política. Será que o ex-prefeito Cesar Maia faz isso com seu filho?
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POR José Pires

Estrago feio

Não deu ainda pra entender como é os tucanos fizeram essa trapalhada do vice. Afinal, na coordenação política da candidatura Serra só tem decano. Mas o material é interessante até para um estudo sociológico. Ou um texto humorístico, tanto faz.

O que deu para compreender, no entanto, é que na aliança da candidatura Serra o pessoal é moderno demais. Todo mundo é craque em Twitter, mas tem uma dificuldade danada com coisas antigas, como telefonar e marcar um encontro.

E o que acabou acontecendo, no final, é que Serra acabou ficando com um vice nada adequado. A escolha de Índio da Costa foi equivocada. Político gosta de dizer que vice não tem importância. É mentira. O papel do vice numa campanha é de especial importância, nem que seja para ir atrás de dinheiro para os gastos eleitorais. A própria história de Serra mostra isso. Olhando um pouco para trás, podemos lembrar sua vice na primeira disputa para a presidência, Rita Camata, lembram? Pois é...

Outro questão muito importante com vice, e isso é um problema nosso como eleitores, é que ele existe para assumir o cargo. E no Brasil, ai, ai, ai, no Brasil isso tem acontecido com uma frequência danada. Não vou me converter na idade em que estou, com um vice desses vai fazer a gente rezar pela saúde do Serra caso ele seja eleito.

Índio da Costa não foi uma boa escolha, apesar de suas qualidades pessoais. Tucanos e o pessoal do DEM estão tentando fazer da sua juventude e inexperiência uma qualidade. Tudo bem, mas, repito, isso se ele ficar todo o mandato apenas na condição de vice-presidente. Mas a figura do vice existe para assumir o cargo caso haja necessidade. Com a escolha de alguém tão inexperiente, os tucanos abriram uma brecha incrível no quesito responsabilidade.

Muito cuidado também para não saírem por aí comparando (como eu já vi o grande Sérgio Guerra fazendo) sua inexperiência com a de Dilma. Em política, como na vida, não se compara defeitos.

Blogueiros contrários ao lulo-petismo têm feito bastante esforço para dar à escolha de Índio da Costa uma aparência de normalidade e, como estamos em período de Copa do Mundo, tocar a bola pra frente. Chega a ser comovente neste aspecto a trabalheira que isso tem dado para o Reinaldo Azevedo. Contra o lulo-petismo tem que torcer pelo Serra, mas não posso baixar meu senso-crítico, mesmo numa situação difícil como esta.

Tucanos e democratas ainda não perceberam o estrago que esta crise provocou na candidatura de Serra. E mentir sobre isso só agrava o dano. A reação do DEM criou um clima do que há de pior na política brasileira. E isso é especialmente grave pelo fato de este ser o período da busca pela simpatia do eleitorado formador de opinião, a base mais alta da pirâmide eleitoral.

O DEM acendeu uma luz amarela na hora em que a campanha de Serra deva estar ativando a participação e estimulando a unidade contra o domínio lulo-petista do Estado.
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POR José Pires

Um vermelho e azul com o ex-prefeito Cesar Maia

Com Índio da Costa de vice-presidente ganha o grupo do ex-prefeito Cesar Maia. É um político inteligente e com uma capacidade especial de manejo das novas tecnologias e da teoria política. Ponto pra ele, que é dos poucos que sabe usar a internet. Hoje em seu ótimo Ex-Blog, correio eletrônico que recebo sempre e leio com atenção e muitas vezes com prazer, ele elenca quatro qualidades da escolha de Índio da Costa. Já que citamos aqui o Reinaldo Azevedo, vamos fazer um vermelho e azul com o ex-prefeito do Rio.


CANDIDATO A VICE-PRESIDENTE DE SERRA É O DEPUTADO INDIO DA COSTA!

Escolha cumpre quatro objetivos:

1) Agrega juventude, fazendo contraponto com Dilma, Temer e Serra.
Com o Serra é bom que ele não faça "contraponto" algum. Mesmo sendo do DEM é melhor que como vice ele fique na retaguarda do candidato. Com Dilma quem deve fazer contraponto é o Serra. E esse negócio de juventude como contraste qualitativo não é nada inteligente quando o que é referência em qualidade na política é a experiência e o amadurecimento.

E se a juventude do vice contrasta tão bem, porque o DEM não lançou Índio para o governo do Rio em vez de apoiar e bom e velho Gabeira?

Mas, voltando à contraposição, ainda acho melhor que ele crie compatibilidades com Serra. Este argumento da juventude do vice também faz a gente pensar então que seria mais vantajoso que Serra tivesse uma mulher como vice. Mulher e negra, melhor ainda. Mulher, negra e pobre, nossa!, seria demais. Mulher, negra, pobre e nordestina, ai meu padim Ciço, aí seria o Paraíso.


2) Marca presença no Estado do Rio, onde Dilma tem crescido além da previsão.
A argumentação é um tiro no pé. O Rio de Janeiro é o estado onde o DEM sempre esteve mais forte e parece também mais organizado. Cesar Maia acabou de sair da prefeitura da Capital. Inclusive o presidente do partido e ex-líder da bancada na Câmara é do Rio, o filho do ex-prefeito. Se exatamente neste estado Dilma cresce além da previsão em que um vice do DEM vai ajudar?


3) Foi o relator da Lei Ficha Limpa na Câmara de Deputados.
Junto à opinião pública o papel de Índio da Costa não teve essa expressividade. O eleitor também não vê essa lei de forma ligada a político algum, mas ao contrário: ela tem uma marca simbólica contra os políticos. Também não acho que o ponto focal desta eleição seja a ética.

Outro risco sério nesta argumentação, e este bem maior, é que a discussão desta lei, se feita por Índio da Costa, faz retornar sempre a ligação do DEM com a corrupção, seu passado de PFL e a atualidade com o ex-governador Arruda.


4) Mobiliza inteiramente o DEM no país todo.
O pé de Cesar Maia já deve estar doendo. Primeiro, a mobilização do DEM é conversa. Falei sobre isso em post acima. Em todo o país o DEM é um partido composto apenas de caciques e é malvisto em vários estados. E o DEM precisava ter o vice para começar a se mobilizar pela candidatura Serra?