
Gullar foi uma pessoa com quem aprendi bastante, demais mesmo, de extrema importância política também na minha vida pela muito bem fundamentada crítica que vinha fazendo há bastante tempo à esquerda, em seus aspectos históricos, vividos por ele muito de perto, e também nesta chatice cotidiana de tantas batalhas sem sentido que esse pessoal arruma até hoje para nos atrapalhar. Ele viveu bastante e intensamente e deixou tanto de bom que mesmo neste pais desmemoriado há de estar sempre presente.
Conforme soube numa notícia sobre sua morte, ele se foi com a mesma dignidade que demonstrou enquanto esteve por aqui, entre nós. Ao sentir que seu quadro de saúde iria se agravar, ele pediu à sua mulher, a também poeta Claudia Ahinsa, que não fizessem nenhuma intervenção médica. Ele iria acabar sendo entubado, mas pediu que não adiassem o desfecho inevitável. “Se você me ama, não deixe fazerem nada comigo. Me deixe ir em paz. Eu quero ir em paz”, ele pediu. E seu desejo foi atendido. Ferreira Gullar foi grande até no momento da derradeira partida.
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POR José Pires
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Imagem- O poeta ao lado de um retrato dele feito pelo pintor Iberê Camargo