terça-feira, 15 de agosto de 2017


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um tucano de bico doce


É impressionante como o prefeito João Dória tem a lábia de convencer as pessoas a fazer um papelão em vídeos, nos quais evidentemente é dele a decisão final de mandar pro ar. Alguém acha que Doria liberaria para publicação nas redes sociais um vídeo em que ele não se desse bem? É claro que não. Como bom diretor, gritaria “corta!” de sua cadeira exclusiva. Há alguns meses Soninha Francine consentiu em ser demitida em vídeo, numa das cenas mais constrangedoras que já se viu. Mas com a Soninha, armar algo assim não é difícil, em razão de sua queda pela informalidade em tudo o que faz, seja na política ou na comunicação. Deu-se mal, como depois ela própria compreendeu. Mas já era tarde.

Bem, com a Soninha não foi surpresa. Mas quem diria que o prefeito paulistano convenceria até o sempre tão formal governador Geraldo Alckmin a servir de escada para a habilidosa construção de sua imagem? Foi o que se deu em um vídeo gravado na noite de domingo que já roda na internet a partir da página do prefeito. Não chegou a ser uma demissão de Alckmin da candidatura presidencial, mas se o governador continuar atuando como nestas cenas entre os dois, logo o prefeito vai chegar lá.

No vídeo, Doria tem uma longa fala ressaltando a longa amizade entre eles e garantindo a firmeza da relação política dos dois. No entanto, o conceito do discurso político de Doria é sempre o de concentrar os assuntos na sua figura. O papo é sempre unilateral. Ele até soa como benevolente com o parceiro, numa situação fora do comum, afinal Alckmin ocupa o cargo mais importante, além do apoio do governador ter sido fundamental para o prefeito até para sua candidatura pelo PSDB. Mas no fantástico vídeo a importância dos papéis se invertem. Doria faz até o gesto marqueteiro do acelera. Alckmin parece tão pouco à vontade que consegue apenas desejar feliz Dia dos Pais para o amigo prefeito. Que só então lembra de felicitar seu padrinho político.
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POR José Pires

Forças Armadas em baixa, insegurança na alta

A notícia desta segunda-feira sobre o colapso das Forças Armadas revela uma causa importante do crime estar imperando no Brasil. Nos últimos cinco anos o orçamento militar teve um corte de 44,5%, sem contar os gastos obrigatórios com alimentação, salários e saúde dos militares. Neste ano já houve um corte de 40% e segundo o comando das Forças o recurso só é suficiente para cobrir os gastos até setembro.

No Exército, o aperto financeiro causou a perda de capacidade operacional da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) do Exército, prejudicando o apoio deste órgão ao sistema de segurança pública. Uma atuação é no impedimento do acesso por facções criminosas a dinamites, explosivo usado para roubo de bancos e caixas eletrônicos.

O miserê já afetou a vigilância de fronteira, que é por onde entram drogas e armamento ilegal para os criminosos. Nunca foi muito bom o controle de enormes faixas que nos ligam inclusive a países produtores de drogas. Com os cortes certamente essa deficiência aumentou. A falta de dinheiro prejudica também os pelotões do Exército na Amazônia, obrigando à diminuição da fiscalização dos rios da região e na costa brasileira.

Com esta entrada de semana bem brasileira fica muito claro porque aumenta tanto a insegurança, com o crime tomando conta de todo o país. Esses cinco anos de aperto de cinto coincidem exatamente ao período de maior crescimento das facções criminosas, que já estão com vastos territórios sob seu domínio em cidades brasileiras, onde exercem o poder da forma que querem. Com a política de cortes que veio do governo do PT não podia dar noutra coisa. Nossas Forças Armadas ficaram na miséria enquanto os criminosos estão cada vez mais capitalizados. O investimento no crime é maior do que o apoio financeiro a uma instituição essencial para a segurança.
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POR José Pires

Os ovos que rendem para João Doria

O prefeito João Doria vem se fartando com os ovos que a esquerda jogou nele em Salvador. Nesta sexta-feira, em vídeo publicado nas redes sociais, ele continua com a gozação nos militantes idiotas que acabaram levantando ainda mais sua bola. Doria anunciou uma doação de 10 mil ovos pela Granja Mantiqueira, empresa de Minas Gerais. De brincadeira, ele diz no vídeo que os ovos não vão ser jogados na cabeça de ninguém, mas servirão como alimento para pessoas em situação de rua. Com os ovos a prefeitura fez mais de cinco mil refeições, que a gravação mostra sendo distribuídas.

Acho que é o caso dos miseráveis apelarem para que os bestalhões esquerdistas mantenham as manifestações contra o prefeito paulistano, mas da próxima vez caprichem nos ingredientes. Joguem filé mignon, champignon, batata palha, creme de leite, bacalhau, coisas melhores que ovos. Dessa forma, tendo que continuar com o criativo método de reação política às ovadas, Doria terá que distribuir para os pobres filé Chateaubriand, strogonoff, bacalhoadas, uma variedade de pratos sofisticados da cozinha brasileira e internacional. Parem com os ovos. Mude de munição, esquerda tapada: os pobres agradecerão bastante.
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POR José Pires

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Apocalipse Trump

Esquenta o bate-boca entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o ditador norte-coreano, Kim Jong Un. Trump disse que vai responder às ameaças "com fogo e fúria jamais vistos pelo mundo". A ameaça de confronto é tragicômica. De ambos os lados, dois líderes grotescos e muito perigosos, apesar da maior responsabilidade dos americanos, por terem colocado no comando da nação mais poderosa do planeta um homem que numa situação dessas se comporta igual vilão de filme classe B, inclusive com falas que parecem saídas da cabeça de um roteirista ligadíssimo em clichês. A Coréia do Norte é um pobre país, cujo povo vive num grau de ignorância, fanatismo e opressão que nunca deu chance alguma deles se livrarem por contra própria do ditador comunista. Mas os Estados Unidos estão numa situação bem diferente, com todas as condições para seu povo não ter feito a besteira de eleger um cretino de um nível parecido ao de Kim Jong Un.

Tem muita gente garantindo que o quiproquó não vai dar em nada mais sério e que se resolverá numa mesa de negociação, mas nunca se sabe o que esses dois doidos podem aprontar. E até agora ainda não experimentamos um apocalipse, não é mesmo? Então ninguém sabe de fato como começa. De modo que não dá para garantir com toda segurança que isso não vai acabar muito mal, com o risco inclusive da presença da poderosa China logo ali do lado. Para essa encrenca ficar séria, basta uma perda de controle de poucos minutos ou mesmo um gesto ensandecido, porém premeditado, de qualquer lado. Como já disse Shakespeare, é uma loucura com método. E já pensaram se ocorre um conflito nuclear? Bem, não deixaria de ser um final apropriado à condição a que chegou a humanidade por conta de péssimos líderes, entre os quais agora se destacam esses dois. Só faltava explodir tudo por causa de Trump e Kim Jong Un. O mundo iria acabar como uma piada de mau gosto.
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POR José Pires

As patriotadas de Bolsonaro

Não seria ingênuo de esperar que Jair Bolsonaro atraia seguidores equilibrados, até porque isso desvirtuaria sua candidatura, mas o deputado podia ao menos contratar alguém com algum conhecimento político e de história, que tenha lido livros, enfim que saiba alguma coisa de útil para ajudá-lo a evitar mancadas que são até cômicas, mas sempre desgastantes para sua candidatura. É o mínimo exigido para quem deseja ardentemente ser presidente do Brasil. Pode ser até um marqueteiro, desde que tenha experiência. Mas o capitão precisa logo de uma assessoria minimamente preparada.

Há dias, respondendo a jornalistas sobre a mudança de nome de seu partido, ele disse que poderia ser Prona o novo nome do PEN. Seria motivo de piadas, como qualquer criança sabe. Depois disso, parece que desistiram da ideia besta. Mas agora vieram com outro nome. O problema é que só muda a piada. Estão pensando em chamar o partido de Patriota. Pois então o partido já tem slogan e até que relativamente conhecido: “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”.
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POR José Pires

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ovos grátis na receita de sucesso de João Doria

O prefeito João Doria vem tendo uma atuação perfeita para a formação de uma imagem anti-Lula, que será essencial para o sucesso político de quem não atua na esfera da esquerda, não só na eleição do ano que vem e que também independe do chefão petista ser candidato a presidente em 2018. Pode acontecer qualquer coisa com Lula que o anti-lulismo continuará tendo um peso importante na política brasileira, podendo esta influência até aumentar se ele for em cana. O que importa é o seu significado como ameaça futura, a partir do resultado altamente negativo do projeto liderado por ele, com a grave crise econômica e estrutural, o uso da máquina pública, a corrupção e a ideologia autoritária.

Doria já está com um ótimo andamento na imagem construída como o anti-Lula, elaborada desde sua eleição para prefeito e aplicada na prática na administração da prefeitura, com os lances de comunicação que ele domina muito bem. Faltam apenas os toques que dependem da reação do próprio Lula e de sua militância, aquela ligada diretamente a ele por meio do partido, do MST e de sindicatos e também de partidos da linha auxiliar da extrema-esquerda, como o Psol e o PCdoB. No fim de semana essa militância entrou com ovos na receita vencedora do prefeito, numa medida perfeita e sem exigir dele nenhum esforço. Os afobados miraram em Doria e atingiram o lulismo. Isso é que é fogo amigo.
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POR José Pires

Apaga-se mais uma luz na internet


Na semana passada eu soube de uma perda lamentável na internet. A página "Ffffound" fechou, depois de dez anos no ar. Era um site de compartilhamento de imagens, onde se encontrava material de altíssima qualidade, com excelentes imagens de logotipos, ilustrações, cartuns, artes gráficas e fotografias. O site era tocado por uma agência de design do Japão. Foi um dos cantos mais criativos da internet, onde havia estímulo, inspiração e também o prazer de ver belas imagens, tudo em renovação constante. O site fechou em maio. Então vejam como são as coisas na internet: passei anos dando sempre uma sapeada no "Ffffound", às vezes só para aquela espairecida no meio de um trabalho. Pois bastou um descuido de cerca de dois meses para eu entrar lá e ver que acabou tudo. A perda foi total, restando apenas uma página do aviso do fechamento, com o fim do acesso de todo material antes disponível.

Não é a primeira vez que algo assim acontece e deveria servir como aviso dessa face desgastante da internet, com tremendas perdas que vão deixando um vazio em informação e conhecimento. Coisas assim vão desmontando os caminhos de que dispomos de forma organizada para se suprir para o trabalho e para o lazer. E os baques chegam de supetão, às vezes com perdas impossíveis de serem recuperadas. Em 2015, por exemplo, fechou um jornal diário do norte do Paraná, o “Jornal de Londrina”, que já existia há mais de vinte anos e teve muita importância na história recente da cidade. De um dia para outro todo material da internet foi eliminado. Acontecimentos essenciais que eram bem cobertos pelo jornal foram definitivamente apagados. Perderam-se referências políticas e culturais importantíssimas.

Existem outros exemplos, responsáveis por uma devastação desde que a internet começou. Logo no início dela, tivemos no Brasil o site pioneiro da America Online (AOL), quando publicavam excelentes textos, inclusive na área da cultura, que em nosso país vem virando uma terra arrasada na internet. Com o fechamento da AOL sumiram textos excelentes. E da mesma forma acontece com blogs, sites políticos, páginas pessoais e até jornais e revistas. E como estamos na tal “era digital” é óbvio que perdeu-se o hábito de arquivar, até porque o sentido dessa nova tecnologia, do qual até se conta vantagem, seria exatamente o de ter tudo à disposição o tempo todo. Mas não é assim que acontece, fazendo a gente topar com esses problemas, sobre os quais deveríamos ponderar. Na internet, de forma inesperada, tudo se desmancha no ar.
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POR José Pires

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Voto em proveito próprio

Foi muito interessante ver o ferrenho anticomunista Jair Bolsonaro e a comunista igualmente ferrenha Jandira Feghali na mesma trincheira, em luta contra o governo de Michel Temer, ainda mais pela entrada em cena, um atrás do outro, na hora do voto. É claro que a qualidade desse tipo de opositores não serve como argumento para absolver Temer, porém é um demonstrativo do nível da nossa política, em que até mesmo o voto correto costuma ser de origem espúria. Um voto é movido pela ambição pessoal e a vontade de subir na vida a qualquer custo. O outro vem do ressentimento da queda e a vontade de evitar, também a qualquer custo, que algo dê certo para o adversário. Movidos pelo oportunismo, dependendo da ocasião a mesma acusação poderia ter de cada um deles uma posição diferente, com a decisão sujeita apenas às chances do ganho pessoal possibilitado pelo voto.
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POR José Pires

Bolsonaro, o presidenciável que nada sabe nem do próprio partido

O deputado Jair Bolsonaro já está praticamente fechado com o PEN para sair candidato à presidência da República, mas ele soube agora que o partido é contra a prisão em segunda instância, tendo entrado inclusive com ação no Supremo Tribunal Federal para derrubar a decisão da Corte. Depois que o jornal O Globo trouxe o fato, Bolsonaro disse que vai pedir à legenda a retirada da ação. O presidente do partido, Adilson Barroso, disse que só vai mudar de posição se for “convencido”.

Devem se acertar, é claro. A candidatura de Bolsonaro é uma mina de ouro para um partido nanico. Independente do deputado ser eleito presidente, ele vai puxar muitos votos na eleição para o Congresso, Assembleias e até para governos estaduais. E cabe lembrar que além de poder político, uma bancada maior traz mais dinheiro do fundo partidário. 95% dessa verba vem da proporção dos votos obtidos na eleição para a Câmara dos Deputados.

Com filiação marcada para a semana que vem, este enrosco de Bolsonaro com o partido é bastante demonstrativo da falta de conteúdo de sua candidatura e evidentemente do que vai por sua cachola. Ele não teve sequer a preocupação de conhecer por dentro a sigla que vai abrigar a importante revolução conservadora que pretende fazer no país, estabelecendo inclusive o prestígio do golpe militar de 64. E olha que o PEN tem apenas quatro anos. Nem para o Bolsonaro seria difícil ler o histórico da vida partidária.

No entanto, o pretenso líder nacional teve que ser avisado pela mídia de que o partido onde já está com os dois pés tem uma ação no STF contra o essencial de seu discurso, que é o rigor na punição ao crime. E até mesmo o mais fanático bolsonarista entende que o conceito é muito mais do que só meter a mão na cara de bandido pé de chinelo. Mas o líder deles mostrou uma evidente dificuldade até para conferir se está tudo limpo no futuro palanque. Mas, ora, ninguém precisa disso quando vem sendo simplesmente brindado pelo destino com um sucesso sem tamanho, agora até com a candidatura mais importante do país.

É certo que depois de ser praticamente premiado pelo clima beligerante entre esquerda e direita, o deputado foi agindo com esperteza e ampliou bastante sua popularidade. Mirou em mais votos para deputado e vejam só no que acertou. Para quem subiu na vida explorando conflitos com esquerdistas tão histéricos quanto ele, como a petista Maria do Rosário e o psolista Jean Wyllys, uma candidatura a presidente não é nada mal.

Ele chegou lá, ao menos até aqui. E logo resolve esta questãozinha com seu novo partido, cuja sigla, aliás, significa Partido Ecológico Nacional, o que também não faz sentido com Bolsonaro no comando. A menos que ele vá botar as tropas na rua para sentar a lenha nesse tal de aquecimento global. Mas isso é tão fácil quanto tirar a ação do STF. Já vão mudar o nome. O problema mesmo é se o Brasil der azar e o cara ganhar a eleição. Imaginem o capitão na presidência da República tendo pela frente questões bem mais importantes do que esta sobre qual ele foi o último a saber.
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POR José Pires

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Imagem- O presidenciável em campanha, com um cabo-eleitoral às avessas: ambos ganham no bateu-levou