segunda-feira, 31 de março de 2008

Pau na internet: todos são inocentes

A polêmica entre Reinaldo Azevedo e Luís Nassif, uma das coisas mais quentes no universo blogueiro da internet, já chegou a um nível de briga de bêbado. Ou melhor, um pouco abaixo.

E os dois lados se fazem de vítima. Tanto Azevedo quanto Nassif, coitados, são dois inocentes que sofrem muito com este debate. Debate? Vá lá...

Hoje Luís Nassif se queixa dos ataques em seu blog. Segundo ele, as ofensas teriam enveredado pelo “lado familiar”, até com insinuações de corno. O texto teria sido postado no domingo no blog que Azevedo mantém no site da revista Veja.

Como passei o final de semana trabalhando em algo que me tomou todo o tempo, tive que correr para aos arquivos para ver que negócio novo é esse de “corno” − as aspas são do Nassif.

Qual... O que tem no blog do Reinaldo Azevedo é um soneto de Bocage sobre o velho tema do marido corneado. Sobra cacetadas também, o que é natural, com alusões que certamente fazem o Nassif tomar como endereçadas ao seu cangote. Segundo ele, os ataques afetaram sua mulher. “Hoje de manhã minha mulher desabou, com labirintite e fortes crises de choro”, ele escreve no blog.

Ele lamenta a baixaria e depois passa a relatar que sabe de muita coisa sobre “atividades profissionais” da mulher − Nassif chama de “esposa” − de um diretor da Veja e que também conhece “inúmeros episódios catárticos” de Reinaldo Azevedo. Além disso, continua, recebeu e-mails até, e o até é meu, de parentes próximos daqueles que o agridem. E mais: diz que sabe sobre amantes, preferências sexuais e ataques de histeria.

E escreve isso: “Dispondo de tais informações, mais as demonstrações explícitas de desequilíbrio no Blog, seria facílimo traçar um perfil psicológico do personagem”. Ora, até uma criança − que poderia ser até da família de um dos dois "polemistas" − pode ver que é do blogueiro Reinaldo Azevedo que ele fala.

Então, até quem nada tem a ver com a briga, como nós, pode pensar que a coisa vai feder. Mas é uma preocupação tola. Nada disso vai acontecer, pois o Nassif tem um bom coração. Ao final ele diz que não usará essas informações. E por quê? Por causa do bom coração, repito. Vejam a explicação nas suas próprias palavras: “Teria o direito de fazer isso, agora que estou sendo alvo de tamanha baixaria? É evidente que não. Por que os atingidos seriam esposas e filhos que nada têm a ver com o desequilíbrio e a falta de escrúpulos dos pais”.

Dá até um alívio saber que ele não usará tudo aquilo contra o Reinaldo Azevedo, mesmo sendo vítima de covardes agressões que afligem até sua família. Longe de sermos da turma do deixa disso, mas é melhor assim, para o bem das esposas e filhos.

Entenderam direitinho a polêmica? Pois é: estes são o Luís Nassif e Reinaldo Azevedo. Eles não se merecem?
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POR José Pires

Voto consciente

Dizem que o brasileiro não sabe votar. Pode ser, mas o que é fato mesmo é que tem muito eleitor doido por aí.

O Datafolha informa em pesquisa sobre as próximas eleições presidenciais que mais da metade do eleitorado de José Serra gosta bastante do que Lula anda fazendo. Segundo o Datafolha, 51% do eleitorado do governador tucano classifica como bom/ótimo o governo de Lula.

Isso significa que tem muita gente aí que vai votar consciente: quer mudar para o mesmo. O saudoso Stanislaw Ponte Preta fez na década de 60 o “Samba do Crioulo Doido”. Esse eleitorado merece um “Samba do Eleitor Doido”.
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POR José Pires

sexta-feira, 28 de março de 2008

Corpo estranho

Está explicado porque a ministra Dilma Roussef dizia o tempo todo que o dossiê com dados sobres gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nunca existiu. A ministra chegou a ligar pessoalmente para a ex-primeira-dama Ruth Cardoso para garantir que não havia sido feito nenhum dossiê sobre o governo de seu marido.

Agora dá para entender porque ela desmentia algo tão evidente: a ministra não poderia mesmo saber que o dossiê havia sido feito, afinal a ordem partiu da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, braço-direito dela.

Está certo. Como é que Dilma Roussef poderia saber o que anda fazendo seu braço-direito?
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POR José Pires

Ligue já

Dilma Roussef não vai ligar para Ruth Cardoso para fazer a errata? Ou podia ao menos mandar seu braço-direito ligar. E se não tem controle sobre o braço-direito, que mande o esquerdo.
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POR José Pires

quinta-feira, 27 de março de 2008

Desilusão

Uma matéria na Revista Joyce Pascowitch, página da colunista social na internet, revela que não são verdadeiras as histórias da cafetina brasileira Andréia Schwartz sobre seu envolvimento na queda do governador de Nova York.

Puxa vida, hoje em dia não dá para confiar em mais ninguém...
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POR José Pires

Mais um sem voto

Tem novo sem voto no Senado. Virgínio de Carvalho Neto (PSC-SE) assumiu como suplente a cadeira da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE). Com ele o senado agora conta com 15 suplentes, do total de 81 senadores. Já formam uma bancada inteira. É a segunda em número, suplantada apenas pelo PMDB, que tem 19 senadores.

Desconfio que o senador suplente foi criado, na verdade, para valorizar, por vias tortas, os nossos senadores eleitos. Quando a gente acha que um senador é ruim demais, basta olhar para o seu suplente para ver que podia ser pior.
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POR José Pires

Tem jabuti no dossiê?

Quando a coincidência é muita, a experiência comprova que é o caso de investigar se o acaso, na verdade, não foi mesmo deliberado. É a história do jabuti em cima da árvore. O bicho não sobe sozinho.

Eu havia feito aqui uma relação do caso do dossiê contra o ex-presidente FHC e o "mensalão", uma comparação apenas política, é claro, mesmo porque não tenho dados para avançar mais do que isso.

Pois o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) acabou descobrindo uma relação do "mensalão" com o dossiê que será muito espantoso se ficar apenas no terreno da simples coincidência. Se for só acaso, fica para a crônica do "Acredite se Quiser"

Em 2005, ano em que foi desarticulado o "mensalão", o aumento dos saques com cartões foi de 66% em comparação com 2004 − R$ 35 milhões contra R$ 21 milhões.

Será que tem jabuti na árvore do dossiê? E logo jabuti que veio do “mensalão”? Vamos ver que bicho dá.
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POR José Pires

Reescrevendo a língua

E o dossiê que não é dossiê? O assunto rende: o ministro José Múcio Monteiro, das Relações Institucionais, confirmou que fizeram um levantamento dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Enquanto o líder máximo deles agride a língua, eles brigam com o dicionário. Se levantaram os gastos e organizaram os dados, fizeram um dossiê. Ponto final.

E hoje a Folha de S. Paulo (ah, essa imprensa...) voltou no tempo e conta um detalhe interessante do início dos planos para o dossiê. Em 20 de fevereiro, jantando com empresários, a ministra Dilma Roussef respondeu à pergunta de um deles sobre o caso dos cartões corporativos com a seguinte frase: "Não vamos apanhar quietos". E disse então que o governo já estava produzindo “um levantamento de informações relativas aos gastos feitos no período FHC”, ou seja, um dossiê.

Não tem jeito. Ou o governo assume que fez um dossiê ou Lula edita uma Medida provisória mudando o verbete de todos os dicionários.
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POR José Pires

Me chama, me chama

Quando estourou o escândalo do dossiê, Dilma Roussef ligou pessoalmente para a ex-primeira-dama Ruth Cardoso, que também presidiu o Comunidade Solidária no governo do marido, e garantiu que o governo não era responsável por dossiê algum.

Dona Ruth deve estar esperando até agora um telefonema com a errata.
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POR José Pires

Lula e Severino Cavalcanti: tudo a ver

O presidente Lula fala. Vejam a frase: "Eu continuo tendo o mesmo respeito, hoje, que eu tinha por você há muito tempo porque a relação humana não é feita apenas do momento - disse Lula. “A relação humana é feita de forma mais sadia.”

A pessoa a quem ele se refere é o ex-deputado Severino Cavalcanti, que renunciou para evitar a cassação por falta de decoro político.

E o momento referido é o episódio comprovado do suborno do então presidente da Câmara ao concessionário de um dos restaurantes da casa. Severino Cavalcanti recebeu cheques mensais para permitir o funcionamento do restaurante.

Todo mundo acusa Lula de falar demais, mas desta vez a gente tem que desculpar o presidente: isso é coisa que saiu de seu coração.
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POR José Pires

A ideologia pela boca

Lula fala pelos cotovelos, isso é sabido. No aspecto da administração pública, parece que também é por esta articulação que ele pensa. Mas que ninguém se engane achando que suas frases, aparentemente ditas de modo impensado, são resultado apenas da casualidade verbal comum em encontros políticos e que, por isso, não devem ser levadas à sério.

Com é um ser ágrafo, Lula filosofa apenas pela boca. Verbaliza um ideário político que ele e seu grupo implantaram gradativamente em seu partido e que pretendem aplicar na administração pública de modo perene: o total descompromisso com a ética e a coerência pessoal ou política e a nivelação por baixo das relações sociais, tanto no aspecto ético quanto no administrativo, desde que a ocasião seja favorável a seus interesses pessoais e de grupo.
Se esta gente tem uma "ideologia", é esta.
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POR José Pires

quarta-feira, 26 de março de 2008

Uma notícia boa, outra ruim

Um jato da Força Aérea Brasileira (FAB) sofreu uma pane na tarde de hoje no aeroporto de Guarararapes, em Recife. O avião teve que pousar de barriga. Dois ministros estavam a bordo: o ministro Geddel Vieira Lima, da Integração, e Hélio Costa, das Comunicações

Ninguém saiu ferido.

Essa é uma nota democrática. Escolham a notícia boa e a ruim.
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POR José Pires


Olhos nos olhos

Olha a agenda do presidente Lula. Para quem não gosta do Lula nem do Hugo Chávez, uma boa notícia: hoje às 20h30 os dois jantam juntos.
Por que boa notícia? Cá entre nós, jantar com o Lula ou com o Chávez, é programa duro, hein? Bem feito pros dois.
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POR José Pires


BICHO CHATO
Esse mosquito da
dengue − na intimidade,
Aedes Aegypti − é mesmo
um estraga-prazeres.
Veio causar esse monte de
mortes logo agora que
a saúde no Brasil
estava próxima da perfeição.

Dossiê, mensalão, tudo ficção

Ainda o humor no caso do dossiê com gastos do governo FHC, produzido pelo governo Lula. Os desmentidos do governo vão mesmo ficar para a crônica do humor na política brasileira. O deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo na Câmara, negou ontem, da tribuna, a existência do dossiê.

Fontana teve uma atuação aguerrida na CPI do Mensalão defendendo o governo. Era dos mais agressivos da tropa-de-choque. Também tentou execrar o caseiro Francenildo para defender o então ministro Palloci, no episódio da quebra criminosa do sigilo do caseiro.

Fontana negou até o fim a existência do mensalão e hoje o que temos é quase quarenta deles − o 40º mensaleiro, Silvinho Land Rover, saiu da lista após um acordo com a Justiça − denunciados por crimes como formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa e passiva.

É ou não engraçado o deputado Fontana dizendo que o dossiê não existe? Mais um pouco e ele ainda nos convence que o mensalão também foi uma ficção.

Gente assim desmentindo a existência do dossiê nos faz acreditar... que o dossiê existe mesmo.
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POR José Pires

Material do bom

Tudo tem seu lado bom, mesmo as tramóias do PT. O bom do dossiê é que os tucanos andavam desmobilizados, sem ânimo para fazer oposição, algo que é natural em tucano, e agora com o aparecimento da denúncia eles têm um mote de bastante força para fazer política.

É um caso que, mesmo em mãos de tucanos, pode render muito para o desmascaramento deste governo.
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POR José Pires

terça-feira, 25 de março de 2008

A morte de Sérgio de Souza, da Caros Amigos

Morreu Sérgio de Souza, o Serjão, editor da revista Caros Amigos, um criador da moderna imprensa brasileira. Em uma certa idade da gente − que para mim é esta em que estou − começamos a ver os outros indo para sempre, sendo que alguns, como é o caso do Serjão, vão levando com eles todo um período de existência tão importante para o país.

Abaixo publico um texto do jornalista Mylton Severiano, o Myltainho, editor-executivo de Caros Amigos, amigo e colega de redação de Sérgio de Souza.

Foi-se Sérgio de Souza, o nosso Serjão
Morreu em São Paulo aos 73 anos o jornalista Sérgio de Souza, o Serjão. Operado dia 10 de março de 2008 em razão de uma perfuração no duodeno, morreu em decorrência de complicações na madrugada de hoje, terça-feira, 25 de março, no Hospital Osvaldo Cruz.
Sérgio deixa viúva a jornalista Lana Nowikow, com quem teve três de seus sete filhos.

Nascido em 1934 no Bom Retiro, bairro tradicional no centro da capital paulista, Serjão era um autodidata. Não chegou ao curso “superior”, mas fez-se na rua e nas redações “doutor” em jornalismo. Bancário, recém-casado, viu uma notícia na Folha de S. Paulo no fim da década de 1950, do tipo “você quer ser jornalista?”, e para lá se dirigiu. Fez um teste e, aprovado, entrou para a reportagem do jornal da Barão de Limeira, onde nos conhecemos.
Quatro anos depois, a convite de Paulo Patarra, transferiu-se para Quatro Rodas, da Editora Abril. Ali, em 1966, faria parte da equipe que fundou e lançou REALIDADE, cujo forte era a reportagem, revista “cult” daquela editora e maior sucesso jornalístico do gênero neste país.

Avesso a entrevistas, até tímido diante de uma câmera, microfone ou mesmo um colega de caneta e papel na mão, Serjão não deixou muitas pistas sobre sua vida particular, onde estudou, que preferências tinha em matéria de literatura, cinema, e outras trivialidades que costumam compor um necrológio. Certo é que Sérgio de Souza é o último monstro sagrado vivo que se vai de uma geração que fez, além de REALIDADE: a revista quinzenal de contracultura O Bondinho; o jornal mensal de política, reportagem e histórias em quadrinhos Ex-; o programa de televisão 90 Minutos na Bandeirantes – entre dúzias de trabalhos.
Há onze anos, em abril de 1997, Sérgio lançou, com amigos e associados, a revista Caros Amigos, que vinha dirigindo até duas semanas atrás.

A importância de Serjão para o jornalismo pátrio é discreto como sua figura e incomensurável como seu tamanho – pois se dá justo naquele trabalho quase anônimo do editor, do editor de texto, da palavra seca, cortante, exata, da melhor linha humano-política na orientação ao repórter, ao subeditor, ao chefe de arte, ao departamento comercial, advinda de um caráter íntegro e de um senso jornalístico próprio dos gênios.
Dedicou 50 anos à profissão, na qual não fez fortuna, ao contrário: deixa dívidas. Aliás, uma de suas últimas criações foi o “Anticurso Caros Amigos – Como não enriquecer na profissão”.

Aos que o sucedem em Caros Amigos, fica a desmedida tarefa de homenagear sua memória fazendo das vísceras coragem e coração para tocar o barco em frente.

Mylton Severiano, editor-executivo de Caros Amigos

O dossiê que não é dossiê

O que ameniza um pouco a desgraça que é a política brasileira é que a coisa chega a ser engraçada. Seria melhor para o estado geral do nosso humor observar de outro país − visto da Europa, por exemplo, o Brasil deve ser bem mais engraçado. Porém, como não dá, vamos rir por aqui mesmo.

A polêmica em torno do dossiê denunciado pela revista Veja é que está cada vez mais hilariante. Embalado agora pela presença do ministro da Justiça, Tarso Genro, o debate toma ares de programa humorístico.

Veja noticiou que uma equipe do Palácio do Planalto teria preparado um dossiê sobre gastos efetuados nos anos de 1998, 2000 e 2001 pelo presidente FHC, sua mulher e assessores. Tarso Genro disse que o dossiê não existe. Segundo ele, o que existe é “um trabalho que está sendo feito pela Casa Civil a pedido do Tribunal de Contas [da União] e na expectativa de a própria CPI para oferecer os dados que são dados universais que podem ser requisitados pela comissão”.

Mas nem passou um dia inteiro e o ministro já ficou como mentiroso. A imprensa foi atrás do assunto (ah, essa imprensa...) e soube do TCU que não foi pedida nenhuma informação desse tipo ao Planalto. Agora, o engraçado mesmo é que da justificativa do ministro sobrou apenas o trecho em que ele diz que a Casa Civil compilou dados sobre o período tucano na presidência.

Bem, como um dossiê é exatamente isso, ou seja: uma coleção de documentos referentes a certo processo, a determinado assunto ou a certo indivíduo, então o que fizeram na Casa Civil foi... um dossiê.
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POR José Pires

Bad boy

O novo governador de Nova York, David Paterson, disse que fumou maconha e usou cocaína. Ele já havia dito que tivera relações extraconjugais.

Paterson substituiu o Eliot Spitzer, que renunciou após ser envolvido em um escândalo de prostituição de luxo. Mais um pouco e Nova York chama o ex-governador Spitzer de volta.
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POR José Pires

Libera geral

Para não dizerem que não elogio o governo Lula, acho que com a montagem do dossiê dos gastos do período tucano no Governo Federal, os petistas até que deram uma boa idéia. Isso mesmo: vamos ver o gasto de todos os governantes.

E, como gosta de falar o líder maior do partido, queremos saber dos gastos de todos. Como nunca se viu neste país: de Pedro Álvares Cabral até hoje, das caravelas ao Aerolula.
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POR José Pires

Padrão de qualidade

Amanhã o Jornal da Tarde publica um caderno de variedades que teve a chefia de Roberto Justus. É algo que o jornal faz de vez em quando com personalidades, digamos assim, em evidência. Durante dois dias a pessoa edita o caderno. Justus, para quem não sabe, faz, ou fez, sei lá, aquela coisa estranha na televisão chamada "O Aprendiz”. Antes de apresentar o programa, Justus fez um forte trabalho de marketing pessoal de penetração na área mundana da mídia que incluiu, entre outras coisas, um casamento-relâmpago com Adriane Galisteu e namoro com Eliana.

A imprensa brasileira se rende ao estilo Caras de jornalismo. É o que parece e é muito triste e simbólico ver isso no Jornal da Tarde, diário paulista que nasceu à frente dos outros em criatividade. Foi uma transformação na imprensa brasileira e agora passa por esse ridículo.

No site do Estadão, Justus diz: “não sou arrogante o tempo todo”. Ah, bom.
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POR José Pires

Pauta

Mas para mostrar que a gente não é só do lado da crítica, que estamos aqui para ajudar, inclusive no otimismo reinante, temos uma sugestão de nome para um próximo editor-especial do caderno.

Coloquem a Bruna Surfistinha. Vai ser um caderno, como diz a rapaziada, pra lá de instigante.
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POR José Pires

segunda-feira, 24 de março de 2008

Um pelo outro

Um terço das crianças da quarta série do ensino fundamental não sabe o que deveriam ter aprendido na primeira série. E o pior é que mesmo a quarta série não é lá grande coisa.
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POR José Pires

Nunca neste país...

Ainda há esperança para o presidente Lula. O mesmo grupo que escolheu as Sete Maravilhas do Mundo Moderno está começando a escolha das Sete Maravilhas Naturais.

O Pão de Açúcar está concorrendo, mas o que é uma montanhinha daquelas perto de um cara que está fazendo um governão desses?
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POR José Pires

Aedes Aegypti

Coisa interessante, o mosquito da dengue está tão incorporado na nossa cultura que até é chamado pelo seu nome científico: o Aedes Aegypti. Até criança sabe. É o único inseto com tamanho status. A única dúvida ainda é se o mosquito é municipal, estadual ou federal.
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POR José Pires

Celebridade

A cafetina brasileira, Andréia Schawrtz, deportada dos EUA, disse que recebeu ajuda do “bispo Edir Macedo”, da Igreja Universal do Reino de Deus, dona da Rede Record. Em retribuição, foi para a emissora que ela deu sua primeira entrevista.

Quais serão os planos de Edir Macedo? Tudo é possível, até que ela acabe fazendo um programa infantil. A única coisa garantida é que não tiram o diabo do corpo da moça. Não pelo menos antes de ela posar para a Playboy.
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POR José Pires

Entre profissionais

A presença da cafetina por aqui está deixando Brasília em polvorosa. Mas não é por medo que a classe política está no maior frisson. Todo mundo sabe que esse negócio de prostituta derrubar político é coisa de primeiro mundo. Por aqui, só levanta.
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POR José Pires

Fumódromo

No Brasil, a Justiça responsabiliza o fumante pelo vício e suas conseqüências. As sentenças daqui, ao contrário dos Estados Unidos, acabam inocentando os fabricantes de cigarros.

Uma pesquisa feita pela Aliança para o Controle do Tabagismo (ACT) analisou 108 decisões proferidas em 61 ações contra as empresas Souza Cruz e Philip Morris nos Estados do Sul, Sudeste e no Distrito Federal, entre 2006 e 2007. Pois apenas sete foram favoráveis aos fumantes. E mesmo assim não estão resolvidas: as empresas recorreram e os processos arrastam-se.

Está aí. Essa o Ministério da Saúde deveria avisar também: além do cigarro causar danos à saúde, a culpa é do morto.
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POR José Pires

Mais uma pra botar no cartão

Você já imaginou o que ocorreria em uma empresa privada onde uma auditoria constatasse irregularidades em 35% das notas fiscais analisadas? Com certeza tal empresa estaria diante de uma situação grave, até com a possibilidade de demissões, além é claro, da investigação rigorosa do suposto desvio, a implicação criminal de possíveis culpados e com o conseqüente reembolso das perdas constatadas.

E se entre os casos houvesse, por exemplo, para falar apenas de um, o de uma empresa de locação de veículos em que a diferença é de R$ 37,3 mil? Isso, um caso em que as vias anexadas às prestações de contas somam R$ 40,4 mil, mas o valor no talonário e de apenas R$ 3,1 mil.

Cá pra nós, o pessoal dessa empresa estaria se mexendo para esclarecer a questão, não?

Pois esses problemas com despesas aconteceram no Palácio do Planalto em gastos com o cartão corporativo da Presidência da República. São descobertas novas feitas pelo Ministério Público de irregularidades e que estão hoje na imprensa.

São bem graves. Mas, ao contrário do que ocorreria em uma empresa privada séria, pouca coisa ou nada deve acontecer. Na “empresa” de que estamos falando, o chefe, como já se sabe, jamais vê alguma coisa.
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POR José Pires

sábado, 22 de março de 2008

Zum zum zum

A grande discussão no Rio de Janeiro, puxada pelo performático prefeito Cesar Maia, é se a dengue mata mais em hospitais da prefeitura ou nos estaduais.

Cesar Maia criou o mosquito seletivo.
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POR José Pires

É a cara do vovô

O partido Democratas, o DEM, ou o DEMO, como certamente será chamado pelos adversários em todas as eleições, vai fazer seu primeiro aniversário. Está com um aninho de vida, mas um corpinho de mais de 40.

Como o DEM já foi o PFL, que veio do PDS e que, por sua vez, surgiu das entranhas da Arena, partido da ditadura militar criado em 1966, temos um rebento bizarro para soprar a única velinha do bolo.

Além da novidade política, é uma revolução genética. Netinho e o vovô nasceram no mesmo dia. E no mesmo ano.
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POR José Pires

Rixa

Falando nisso, depois que o presidente do DEM, Rodrigo Maia, acusou o ministro da Saúde, José Gomes Temporão de “politizar a dengue” do Rio de Janeiro, os paulistas estão impossíveis. Estão dizendo que então finalmente vai ter algo politizado no Rio de Janeiro.
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POR José Pires

Chuchu obsessivo

Pressionado por uma expressiva corrente de tucanos que querem apoiar a candidfatura do prefeito Gilberto Kassab à reeleição, o ex-governador Geraldo Alckmin agora quer realizar prévias no PSDB para decidir a questão.

Marta Suplicy que se cuide. O Chuchu anda tão louco para ser candidato que é capaz de disputar também as prévias do PT.
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POR José Pires

Deu na Veja: Marta, a passageira especial

Falando em Marta Suplicy, a ministra do relaxa e goza, a Veja publicou uma na edição desta semana que vale a pena publicar na íntegra. Mostra bem os valores especiais da futura candidata do PT a prefeita de São paulo. Vejam aí:

Lauro Jardim, Radar On-Line

Não foi exatamente tranqüilo o início do vôo 455 da Air France que na terça-feira passada decolou de São Paulo para Paris. A responsável pela trepidação foi Marta Suplicy, que ia para a China, com escala em Paris. Ao embarcar, o casal Marta e Luis Favre relaxou e decidiu não passar pela revista de bagagem de mão feita por raios X. Os Favre furaram a fila da Polícia Federal. Vários passageiros se revoltaram. Marta respondeu que, no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns.

Os passageiros não relaxaram com a explicação. Continuaram a reclamar, mesmo com todos já embarcados. Deu-se, então, o inusitado: o comandante do Boeing 777 saiu do avião, chamou a segurança e disse que não decolaria até que todos os passageiros passassem suas bagagens de mão pelo raio X. Marta Suplicy deixou seu assento na primeira classe (Favre estava na executiva) e dignou-se fazer o que o comandante pediu. Nesse instante, os passageiros "relaxaram e gozaram".
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POR José Pires

sexta-feira, 21 de março de 2008

Sem chance

Não teve jeito. Apesar de todos os apelos de seus leitores, o jornalista Luís Nassif não vai se demitir do portal IG em solidariedade ao colega Paulo Henrique Amorim, que foi dispensado de um jeito brutal de lá. Ele não vai fazer o mesmo que Mino Carta, que pediu o bilhete azul indignado com o que fizeram com seu amigo. Nassif vai continuar com o blog que faz no IG.

A única esperança dos indignados agora é que Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi organizem um abaixo-assinado pela internet exigindo que Nassif saia.
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POR José Pires

Nem te conto

As commodities têm
a maior baixa em 52 anos.
É o que mais se fala
nos cabeleireiros.
Rende mais assunto que
o fim do namoro da Galisteu.

Baixo calão

A assesssoria de Lula está tensa. É que com os desabafos públicos do presidente (sim, ele é...) com a bagunça de seu governo, ficou explícito o que todo mundo já sabia mas não era oficializado.

É que autoridade que desabafa contra a equipe em público já está xingando nos bastidores há muito tempo.
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POR José Pires

Agora vai

Autoridades do Rio de Janeiro, do governo estadual inclusive, já admitem que existe uma epidemia de dengue por lá. Já é um avanço. Daí para admitir a epidemia de violência, é um passo.
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POR José Pires

Comício futurístico

Ainda a maratona eleitoral de Lula. Em entrevista à jornalista Maria Lydia, da TV Gazeta, de São Paulo, o presidente da República (sim, ele é presidente...) disse o seguinte: "Pode avisar a oposição: o meu candidato vai ganhar a eleição".

A eleição para presidente é daqui a dois anos e meio. Pronto, alargaram o espaço dos comícios: agora também é pra presidente.
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POR José Pires

Inovação


A China deve fazer mesmo a mais sensacional Olimpíada de um século que mal começou. Já tem até modalidade nova: Tiro ao Tibetano
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POR José Pires

Senhores passageiros, a conta...

A consultoria MD Associados fez os cálculos do prejuízo da zorra que se tornou a aviação civil brasileira e que deu no famoso caos aéreo que aí está e chegou à um número bem alto. A bagunça já vai para um ano, começou em 29 de setembro. A conta foi de R$ 3 bilhões.

Mas sempre dá pro governo botar a culpa na imprensa. E aqui foi mesmo: quem pediu para a consultoria fazer as contas foi o jornal O Estado de S. Paulo. Ah, essa imprensa golpista...
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POR José Pires

quinta-feira, 20 de março de 2008

Desperdício de talento

O reitor Timothy Mulholland, da Universidade de Brasília (UnB), surpreende a cada dia. Descobriram mais uma dele. Depois do escândalo da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), mais uma instituição ligada à universidade está sendo investigada pelo Ministério Público do Distrito Federal.

Já estão identificados gastos considerados irregulares de cerca de R$ 65 mil. O MP acusa a Funsaúde de ter pago passagens aéreas para a mulher do reitor, Lécia Mulholland, e para familiares do diretor-executivo da Editora UnB, Alexandre Lima.

É coisa pesada. Eles teriam usado o dinheiro destinado à melhoria da saúde dos índios das tribos ianomami e xavante para bancar festas e artigos de luxo.

Ninguém se conforma: o que um cara desses está fazendo na UnB? Já devia estar há muito tempo no Senado!
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POR José Pires

Nirvana

Geraldo Alckmin está mostrando ao mundo seu lado zen. Revelou-se um pensador, mentor de importantes discussões políticas e descobertas no seio de seu partido. Depois que disse nunca ter visto o primeiro colocado dar lugar para o terceiro, os colegas de partido estão tendo experiências reveladoras.

Walter Feldman lembrou que ele, Alckmin, também estava em terceiro quando saiu candidato à Presidência. Outro deputado recorda que, então, Alckmin dizia que “jogo é jogo e treino é treino”, e por aí vai.

Isso funciona mesmo. Os ensinamentos estão cada vez mais acelerados e não será espantoso que logo os tucanos cheguem a um “satori”, a revelação do Zen: vão acabar descobrindo que político mente.
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POR José Pires

Mudando para o que sempre foi

Ciro Gomes virou um conciliador. Ele diz que mudou muito desde quando saia pelo país em campanha mandando eleitor calar a boca.

Para provar que está maneiro, ontem em Minas Gerais disse que se der certo a aliança PSDB-PT que se tenta fazer por lá, não haverá espaço político para a “escória política”.

Bem, como o PSDB não faz parte do governo Lula, então a “escória política” só pode estar em um lugar... Os governistas já pediram audiência para pedir a Lula que convença Ciro Gomes a voltar a ser o velho Ciro.
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POR José Pires

DESENCAMINHADO
Barack Obama passou vinte anos
ouvindo o pastor Jeremiah Wright
em sua igreja e agora vem dizer que
não concorda com nada
do que o pastor diz.
Então ele é uma ovelha negra.

Justiça divina

O que se faz aqui, aqui se paga. Duda Mendonça vai ser o marqueteiro do “bispo” Marcelo Crivella nas eleições para prefeito do Riode Janeiro.

Deus castiga mesmo. E neste caso foram dois coelhos numa cajadada só.
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POR José Pires

Agora vai

Desabafo do presidente Lula em cerimônia no Palácio do Planalto para comemorar um ano da criação do grupo de gestores do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): "Eu faço reunião com os ministros e peço: ‘Tem obra para visitar? Porque eu quero visitar as obras’. Daí eles dizem: ‘Está tudo pronto, presidente’. Eu falo: ‘Você vai falar com a agenda’. A agenda liga para o chefe de gabinete dele e diz: ‘Essa não está pronta, essa não está pronta, essa não está pronta’”.

Com mais de seis anos de mandato, Lula já está começando a perceber que seu governo não funciona. Já é um avanço...
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POR José Pires

quarta-feira, 19 de março de 2008

Mino Carta sai do IG

Ôpa, apareceu um amigo de Paulo Henrique Amorim. Mino Carta pediu o bilhete azul no portal IG. Em solidariedade a Amorim, que foi demitido do portal, ele não fará mais seu blog por lá. Quando às razões da saída do amigo, ele escreveu o seguinte: "Não me permitirei conjecturas em relação ao poder mais alto que se alevanta e exige o afastamento. O leque das possibilidades não é, porém, muito amplo. Basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada".
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POR José Pires

Cadê os amigos de Paulo Henrique Amorim?

Escrevi lá embaixo sobre a agilidade dos blogs, um dos predicados mais interessantes desse meio. Pois tem também a independência, sem a qual a própria existência de qualquer blog deixa de ter sentido. A relativa precariedade entre um blog e os grandes portais e sites, deve ser compensada pela independência de opinião. Aliada à criatividade, isto é que faz a diferença favorável aos blogs.

Falo isso a propósito da demissão de Paulo Henrique Amorim do portal IG, um dos mais poderosos da internet brasileira, com interesses que envolvem negócios fabulosos, entre estes até as grandes transações na área da telefonia, como a compra da Brasil Telecom pela Oi.

O IG alega que dispensou Paulo Henrique Amorim, que fazia o blog Conversa Afiada, pela baixa audiência na internet, mas todos sabem que isso não é verdade. Ou pelo menos a verdade inteira. Amorim vinha fazendo um serviço de ataque e contra-ataque à oposição que até agora parecia de grande utilidade. Foi descartado. Uma justificatica simplória dessas não serve para encobrir os reais motivos do fechamento do blog.

Mas para uma análise sobre a independência dos blogs, fator essencial até para que eles existam, é muito útil um passeio nos blogs abrigados no portal IG para observar a repercussão da demissão de Amorim, um dos fatos mais importantes da internet brasileira nesta semana. Não há como ignorar o episódio. E eles, até o momento, ignoram.

Até mesmo Luís Nassif, que inclusive trocava citações com Amorim, um falando do outro, fez de conta que o assunto não é assim tão importante. Primeiro deixou a discussão por conta dos leitores no espaço dos comentários. Pressionado pela repercussão do fato, soltou uma nota pífia na noite de ontem citando a dispensa como se fosse algo casual e até agora não tocou mais no assunto.

Na nota de ontem, às oito da noite, dizia que não sabia o que havia acontecido. No entanto, o próprio Amorim já espalhara informações pela rede, inclusive de que havia sido demitido por fax. E Nassif foi dormir sem nada saber.

No Blog do Alon, o jornalista Alon Feuerwerker também está quietinho até agora. Os demais blogs do IG nem tocam no assunto, a não ser uma nota rápida ontem de Gustavo Petta, ex-dirigente da Une que por lá faz um blog. Mas Petta se faz de bobo, quando sabemos que um ex-dirigente estudantil de bobo nada tem.

Nem devia falar do blog de José Dirceu, também abrigado no IG, pois nesse não há resquício algum de credibilidade para discutirmos independência. Mas o fato é que o único Amorim de que ele falou até agora é Celso Amorim, o ministro.

O maior problema é com Mino Carta, que se fazia amicíssimo de Amorim. Era só elogios para o jornalista demitido. Trocavam informações e se fortaleciam mutuamente, principalmente nos ataques aos tucanos e a quem mais não agradasse aos dois. Mino Carta está mudo até agora. Como o blog que mantém no IG não depende apenas da sua velha Olivetti, não será por algum defeito que ele nada teclou até agora. Será que ele até agora não saiba que rolou a cabeça do velho amigo? Ou então é o assunto que não possibilita análise rápida e rigorosa como ele costuma fazer, por exemplo, com os tucanos. Mas esperemos. Quem sabe, passada a sesta do almoço, talvez à noitinha, Mino Carta venha dar sua abalizada opinião.
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POR José Pires

Falando só do rabo alheio

A postura dos blogs do portal IG é muito parecida com a da grande imprensa. Nos jornalões e emissoras de TV ou rádio não se discutem questões internas, mesmo que essas afete a opinião pública. O interesse da empresa está acima inclusive dos interesses da sociedade, o que nada tem a ver com uma imprensa livre.

É o que está ocorrendo no caso do Paulo Henrique Amorim. Trazendo para a internet este que é um dos piores defeitos da mídia, os blogs dos grandes portais deixam de merecer até o nome de blog.

Outro fato que choca totalmente não só com a liberdade de expressão, mas até mesmo com a qualidade da internet como meio de expressão é que o IG tirou do ar abruptamente todo o material do Conversa Afiada. De uma hora pra outra os internautas ficaram sem nenhum acesso a tudo o que o jornalista escreveu desde a criação do blog.
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POR José Pires

E o prêmio vai para...

A explicação do IG para a dispensa de Amorim traz um problema danado para o portal, que também patrocina um prêmio na internet para os blogs de maior prestígio, o Ibest. No momento o blog do jornalista está em primeiro lugar na categoria de política.

Ninguém leva a sério o prêmio do IG, mas se não quer cair no descrédito total, convém ao portal derrubar logo o blog de Amorim, senão vai ser a entrega dos prêmios vai ser ainda mais engraçada do que sempre foi.
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POR José Pires

Olha o "fogo amigo"

Paulo Henrique Amorim era extremamente agressivo com os críticos ao governo Lula. Ele mesmo dizia que sentava-se ao computador para escrever com a postura de quem dispara mísseis. Dizia também que cada vírgula sua tinha um alvo e que seu blog era “um exercício de pancadaria verbal, de pancadaria ideológica".

Acabou abatido pelo próprio portal IG. E uma curiosidade interessantíssima é que a sigla PIG, que usava para caracterizar os outros como “Partido da Imprensa Golpista”, serve muito bem para o portal IG, que pode muito bem ser resumido como PIG.
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POR José Pires

Parece o Texas...

E o novo governador de Nova York, David Paterson, que substituiu o anterior que deixou o cargo por causa de um escândalo sexual, confessou que já teve relacionamentos extraconjugais. E mais: a mulher dele também teve. Em entrevista coletiva, ele disse que também foi corneado por ela.

Não sei se o Estado de Nova York tem brasão. Deve ter, afinal norte-americano é louco por essas coisas. Então era o caso de aplicar um dístico novo no brasão de Nova York: “Atire a primeira pedra aquele que nunca corneou ou foi corneado”.
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POR José Pires

Nova York muda de símbolo


E como o os profissionais do nosso Departamento de Arte trabalham rápido, já recebemos o novo logotipo de Nova York, inspirado no famoso símbolo criado pelo designer Milton Glaser.
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POR José Pires

Sem retrovisor

A gente sabe que político não tem nenhum compromisso com a lógica, se é que político tem compromisso com alguma coisa, mas vale registrar uma frase de Geraldo Alckmin, dita à imprensa ontem: “Agora, por que quem está em primeiro lugar precisa abrir mão para quem está em terceiro?”

É o mesmo político que usou de todas as artimanhas para ser o candidato tucano à presidência da República. E foi. No lugar de José Serra, que as pesquisas indicavam que derrotaria Lula. E ele, Alckmin, estava em terceiro.
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POR José Pires

terça-feira, 18 de março de 2008

Errata do próprio morto

A rapidez da internet pode levar a erros muito chatos. O formato blog, então, é dos mais arriscados. Como a agilidade é um dos charmes deste formato, a necessidade de dar a notícia antes dos outros dificulta a busca da confirmação, uma das regras básicas do bom jornalismo.

Nesta semana o jornalista Luís Nassif enterrou um colega de modo, digamos assim, prematuro. Ele noticiou a morte do jornalista econômico Hélio Gama. O problema, não para o Gama evidentemente, é que ele está vivinho da silva. É certo que o blogueiro aproveitou a velocidade para também tentar fazer um conserto rápido, mas fica sempre um certo estrago na credibilidade do blog. Nassif soube da notícia por um vice-presidente da Rede RBS, em Porto Alegre, e postou a nota pela manhã. Poucas horas depois veio o desmentido, primeiro dos filhos de Helio Gama e depois pelo próprio.

Vale a pena ler o texto de Nassif e os desmentidos − em comentários postados no próprio blog, é claro. A gafe deve ficar na história dos blogs brasileiros. É um jeito meio chato de entrar pra história da internet, mas dessa Nassif não escapa. Primeiro vamos ao texto onde o blogueiro faz o elogio fúnebre do colega:

16/03/08 09:35
Na sexta, em Porto Alegre, fico sabendo do falecimento de Hélio Gama, grande jornalista, responsável pelo caderno de investimentos da Veja na época do boom da Bolsa, início dos anos 70. Foi com ele que cumpri as primeiras pautas sobre o tema.

Depois, Hélio passou por inúmeros veículos, teve uma fase importante na Gazeta Mercantil. Era um sonhador extraordinário, um piloto de Boeing que, infelizmente, só conseguiu pilotar aviões menores - sem fôlego para bancar suas idéias.

Uma perda para o jornalismo econômico.

Agora, o comentário dos filhos de Gama:

Enviado por: Gabriel Gama

Nassif:
Eu, meu irmão, minha irmã e minha mãe garantimos:

Meu pai está vivo e muito ativo, ainda sonhando alto.

Pode ter certeza que, quando ele vier a falecer de verdade, as homenagens serão muito maiores do que dois parágrafos no teu blog.

Abraço.
16/03/2008 13:41

E, finalmente, o texto enviado por Helio Gama, que até mostrou uma certa vivacidade jornalística fazendo algo interessante com um assunto tão tétrico.

Enviado por: helio gama

nunca pensei que tivesse que fazer aquilo que outros já fizeram na história da comunicação mundial e dizer: Senhor Redator devo informá-lo que há um certo exagero na notícia da minha morte. Pelo menos é o que atestam minha mulher, meus filhos, genro, nora e até meus quatro netinhos meus amados evangelistas Thiago, João Matheus e Lucas com quem acabo de falar e garantem que me ouvem e vêem. Estou me sentindo tão vivo que estou com gana de botar mais um ou dois boeings no ar.

Quanto ao que fiz no jornalismo a história dirá da verdadeira importância ou não. Em minha defesa devo dizer apenas que participei intensamente dos dois mais importantes projetos editoriais brasileiros da segunda metade do século XX, como colaborador, a Veja e a modernização da Gazeta Mercantil; concebi quatro jornais diários e um semanário e concretizei-os. Conduzi a reforma e modernização de dois outros diários. E, graças a Deus, nunca fechei nenhum produto editorial e nenhum profissional que trabalhou comigo teve vergonha do que estava fazendo. Faça o seguinte:procure os profissionais que não gostam de mim e pergunte sobre a qualidade desses trabalhos.

helio gama

Nota: lembrei de duas coisas a propósito da notícia sobre minha morte: a) que nos antigamente a gente aprendia que notícias precisavam ser confirmadas antes de publicadas; e b) que tinha uma coisa que envergonhava qualquer repórter: ter que publicar a famosa mensagem de VEJA ERROU!
16/03/2008 14:11

Então fica a lição: antes de publicar nota de falecimento, convém fazer a confirmação com o próprio defunto.
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POR José Pires

IG dispensa Paulo Henrique Amorim

E por falar em morte, temos um falecimento confirmado: o portal IG, o mesmo onde Nassif fez Helio Gama bater as botas antes da hora fatal, acaba de anunciar o fechamento do blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim.

Oficialmente o IG informou que foi uma demissão técnica, mas certamente tem muito mais coisas nesta dispensa. Amorim vinha fazendo um blog francamente governista, com um tom político extremamente agressivo contra a oposição, inclusive atacando setores da mídia que não se aliaram com o governo Lula.

E como tudo é rápido por aqui na internet, logo mais saberemos o que aconteceu de fato.
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POR José Pires

O importante é competir


A China será a sede das Olimpíadas de 2008. Já publiquei aqui o logotipo dos jogos, um dos mais feios já vistos no mundo. Parece com os produtos com os quais a China invade o mundo.

Mas acontece que com os massacres que o governo chinês está praticando no Tibete, país que luta por sua libertação, o logotipo acabou ficando, digamos assim, defasado. Então peguei o logotipo original e dei uns retoques para combinar melhor com o horror praticado pelo regime comunista contra os tibetanos.

Veja lá em cima. À direita temos o logotipo original e à esquerda a minha modesta contribuição para o sucesso dos Jogos Olímpicos de Pequim.
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POR José Pires

Vem por aí mais facada no bolso

E no país dos impostos − onde o imposto de renda é maior até que nos países com maior índice de qualidade de vida do mundo − os sindicatos estão batalhando para surrupiar um pouco mais do bolso do trabalhador.

O projeto de lei que está sendo preparado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para instituir a tal da “contribuição negocial”, no lugar do hoje obrigatório imposto sindical institui a unificação de duas contribuições que financiam os sindicatos: o imposto sindical e a contribuição assistencial.

Desse modo, a contribuição assistencial, que hoje é optativa, passa a ser obrigatória. E todos os trabalhadores, inclusive os que não são sindicalizados terão de pagar o novo imposto. O imposto sindical obrigatório corresponde a um dia de trabalho por ano. Com a contribuição assistencial, serão dois.

E se você acha que paga-se muito imposto no Brasil, pode colocar mais este na conta.
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POR José Pires

E segue o comício

Agenda do Lula. Hoje tem comícios em Mato Grosso do Sul. Até com visita às obras de urbanização e saneamento de um bairro com nome bom para este clima eleitoral: Vila Popular. É a manhã inteira, com volta prevista para Brasília apenas no final da tarde e uma reunião − rápida, que ninguém é de ferro − com o ministro do Planejamento. Depois, relax e um bom sono, pois até a a campanha eleitoral começar de fato e legalmente, Lula tem muita campanha pela frente.
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POR José Pires

segunda-feira, 17 de março de 2008

Já pagou sua corrupção hoje?

O brasileiro vive chiando contra os impostos e com toda a razão. Eles são altos e, por incompetência ou má-fé, vão com freqüência para o ralo. Isso quando não acabam sendo desviados para o bolso de alguns.

Mas além do imposto legal já temos um outro, extraído às escondidas. É a corrupção, que cresceu tanto que acabou se tornando um “tributo” que todos pagam, mesmo que sem perceber. A revista Época, em uma excelente reportagem na edição desta semana, revela um dado revoltante extraído de um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O Brasil perde a cada ano com a corrupção 5% de seu PIB. São R$ 130 bilhões surrupiados todos os anos do bolso dos brasileiros. Não deixa de ser um “imposto”. E com o agravante de que, com a mansidão que os três poderes tratam a corrupção, é um tributo que não pára de crescer.
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POR José Pires

Jorge Amado, um mito sem qualidade

Chico Buarque aparece nos jornais em uma foto lendo Jorge Amado. Está confortável numa cadeira e olha de longe o livro, com jeito de quem precisa de óculos. O compositor tem tempo pra perder lendo − ou pior ainda, reler − o escritor baiano? Vai ler a obra completa? Olhe que é uma quantidade razoável: a editora Companhia das Letras pretende publicar 34 títulos.

É provável que Buarque saiba que está anunciando uma porcaria, mas pelo jeito o espírito do “partidão” ainda pesa bastante. O “partidão” é o falecido Partido Comunista Brasileiro, que durante muito tempo foi um fator de sucesso quase que garantido no jornalismo e na literatura. Era como um grande clube. Os sócios tinham todos os benefícios e elogios possíveis advindos da ação de seus pares.

Jorge Amado é um escritor menor, qualquer pessoa um pouco mais lida sabe disso. Ele jamais alcançou uma única vez aquilo que Henry James definiu muito bem como "o sopro divino , o elevado plano do melhor". Longe disso, o escritor baiano é ruim demais. E nem a mitomania baiana consegue resistir a isso. O próprio Caetano Veloso em entrevista para a Folha de S. Paulo neste domingo faz um esforço danado, aparentemente embaraçado, sem contudo conseguir elevar a imagem literária de seu conterrâneo, um escritor que chega a ser simplório, do tipo que não se lê sem uma sensação de constrangimento. Nisso, é páreo para Paulo Coelho. Seus personagens não têm nenhuma profundidade psicológica e seu estilo, se é que há estilo, é de um realismo basbaque. Vou citar um trecho. É de Mar Morto, que está na primeira leva da reedição. Não se constranjam.

“O mar é dono de todos eles. Do mar vem toda a alegria e toda a tristeza porque o mar é mistério que nem os marinheiros mais velhos entendem, que nem entendem aqueles antigos mestres de saveiros que não viajam mais, e, apenas, remendam velas e contam histórias. Quem já decifrou o mistério do mar? Do mar vem a música, vem o amor; vem a morte. E não é sobre o mar que a lua é mais bela? O mar é instável. Como ele é a vida dos homens dos saveiros.”

Alguém pode imaginar Chico Buarque − que era do “partidão”, mas não precisou de empurrão partidário para alavancar sua obra − um homem que sabidamente conhece literatura, levando algo assim a sério? E percebem a semelhança com Paulo Coelho? Pois é... Há muito tempo que o Brasil sofre disso.

Aliás, é Jorge Amado o símile mais perfeito de Paulo Coelho e não José Mauro de Vasconcelos, autor de Meu Pé de Laranja Lima, que sempre serve de comparativo em relação à popularidade e falta de qualidade da literatura do autor de O Alquimista. José Mauro de Vasconcelos também era bem ruim, porém não tinha a capacidade de auto-promoção de Paulo Coelho, o que Amado tinha bastante. Além de receber o valioso apoio da máquina política do PCB e dos comunistas internacionais para o crescimento de sua carreira.

Os países na esfera soviética e a própria União Soviética foram de grande valia para a recepção da obra de Jorge Amado no exterior. Nem preciso dizer que parte desses países sofreram a invasão dos russos e viviam sob uma cultura determinada pelo Partido Comunista local que, por sua vez, nada fazia sem o consentimento russo. Era uma nojeira moral. E Amado tinha uma relação de toma-lá-dá-cá, com bons ganhos, com este universo absurdo e totalitário. Ele recebeu o prêmio Stálin em 1951. O ditador soviético ainda era idolatrado na União Soviética, mas seus crimes já eram bastante conhecidos, inclusive no Brasil. Mas os dirigentes soviéticos ainda resistiam à verdade e seus partidos-satélites em vários países, inclusive aqui, cumpriam com a função de difamar quem denunciava o stalinismo.

A máquina do “partidão” era de duas mãos. Uma afagava, outra dava porrada. Favorecia os seus e desacreditava os não-simpatizantes. Os comunistas reclamam bastante da repressão, mas o fato é que mesmo debaixo de ditaduras como a de Getúlio Vargas ou a de 64 possuíam uma máquina imbatível para dar empregos ou favorecer seus artistas e escritores. E Jorge Amado ganhou muito com isso.
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POR José Pires

O que Polanski tem a ver com isso?

Por força da ação dos partidos-satélites da União Soviética, Jorge Amado foi traduzido praticamente em todo leste europeu. Não podemos esquecer que estes países haviam recebido o abraço de urso dos russos. Estavam dominados pela força econômica e até militar da União Soviética. Muitos deles chegaram a ser invadidos quando tentaram escapar do abraço mortal. Também em países capitalistas como França, Itália, por exemplo, os PCs locais executaram o serviço de apoio para Amado, o que faziam também para escritores comunistas como Neruda, Ehrenburg e outros.

É até cômico que na matéria da Folha de S. Paulo Zélia Gattai, viúva do escritor, faça menção a uma visita do cineasta Roman Polanski, com uma das personalidades que os procuravam. Polanski teria dito então que quando era menino na Polônia comunista só havia livros políticos e anti-capitalistas para ler. E que Amado era o único que trazia “amor, sexo e coisas humanas”.

Não dá para levar ao pé da letra as palavras de Gattai. Esse pessoal é muito fantasioso, para não dizer que mentem mesmo. Mas Polanski teria que ser um completo idiota político para não saber a razão de Jorge Amado ter seus livros traduzidos em uma Polônia governada pelos comunistas, com uma indústria editorial centralizada e totalmente sob o controle dos comunistas.
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POR José Pires

Osvaldo Peralva retratou a imoralidade

Quem tratou muito bem do assunto foi Osvaldo Peralva, que tem um excelente livro,O Retrato, onde narra sua decepção com a ideologia comunista, ele que foi militante histórico do PCB. Peralva foi bastante difamado após se desligar do partido e muito mais quando escreveu este livro − que tenho aqui na primeira e acredito que única edição; este sim merece reedição. Li O Retrato na década de 70. Cheguei a ele cheio de preconceito, mas logo vi que era coisa fina. O cara escrevia bem, notei logo, uma qualidade essencial. Eu devia ter largado a esquerda depois da ultima página, ou até antes, pois na metade do livro já dava para perceber o engodo que era tudo aquilo, mas acabei ficando mais alguns anos “na luta”, o que foi uma perda de tempo.

Com Jorge Amado foi o contrário. Abri livros seus embalado pela retórica de esquerda que o punha nas alturas. Mas vi logo que se tratava de um bestalhão. E ainda escrevia mal. Li Os Subterrâneos da Liberdade, um livro de uma baixeza singular mesmo dentre a literatura similar, de subserviência ao Partido e calúnia contra quem observava a mínima contrariedade contra a ideologia comunista. O livro é de 1954. Stálin morreu em 1953 e logo depois, em 1956, saia o Relatório Kuschev, um documento oficial do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) de denúncia dos crimes do ditador. Chantagem, tortura, prisões, assassinatos, Stálin fez de tudo. De 1917 ao ano de sua morte a conta chega a 20 milhões de mortos. Os comunistas do “partidão” só aceitaram o relatório (oficial, repito) em 1962, mas na calada, sem fazer muita questão da discussão dos crimes. Muitos não o aceitam até hoje. O arquiteto Oscar Niemeyer defende Stálin até agora e não se pode dizer que esteja gagá. É mau-caratismo mesmo.

Vão reeditar também Os Subterrâneos da Liberdade? Para completar a obra, seria bem adequado um aprofundado adendo esclarecendo tudo isso. E o Chico Buarque? Vai se refestelar na poltrona para ler com o maior conforto o tratado de Jorge Amado de defesa e apologia do que de pior já apareceu recentemente em nossa história? Bem, bom proveito para ele.
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POR José Pires

O cheiro da coisa

Com a obrigatoriedade do ensino da história “afrobrasileira” os livros de Jorge Amado são um prato cheio. A mistificação racial e social (quem já não viu suas felizes putas em filmes ou na televisão?) é o tempero ideal para o politicamente correto. A fornicação interacial presente em suas histórias também é tido como um grande elemento de sua "força" literária. Até gente levada a sério vem com essa bobagem. E ainda querem que os jovens cheguem à universidade com qualidade com esse tipo de coisa...

O chato é que isso há de cair na mão do meu moleque, que começa a aprender a ler. E será como matéria obrigatória. O que me anima é saber que até lá ele terá muita informação para cumprir suas obrigações, digamos assim, formais, sem impregnar-se com o odor dessa... obra.

Alguém acha que dá pra fazer uma Nação sem tratar com rigor crítico bases culturais tão podres? A resposta é não.
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POR José Pires

Um dicionário para Jorge Amado

Nos salamaleques críticos publicados nas matérias sobre a reedição das obras completas de Jorge Amado o professor de crítica iteraria da Unicamp Acir Pécora fala uma bobagem sem tamanho em entrevista à Folha de S. Paulo. Diz Pécora que “quem falou mal da obra de Amado se danou”.

Não é verdade. Podem até estar meio apagados por uma industria editorial e uma mídia cultural de pouca qualidade, mas permanecem vivos para quem tem respeito pela qualidade crítica. E hoje, com a internet, a tendência é de ampliação da repercussão deste senso crítico mais elevado. Joel Silveira denunciou a mistificação em torno de Jorge Amado até morrer. Criticou até Zélia Gattai e com toda a razão. Se deu mal? Depende do ponto de vista. Chico Buarque talvez não o leia por isso, mas, neste caso, quem perde é o compositor.

Álvaro Lins também já mostrou quem é Jorge Amado. Numa crítica à edição das obras completas de Jorge Amado em 1945 faz desmoronar qualquer respeito que se possa ter por ele. Vejam bem, a crítica é de 1945. A obra de Amado piorou bastante depois. O texto que cito é do livro Os Mortos de Sobrecasaca, de Lins, editado em 1963 pela Civilização Brasileira. É de uma qualidade impressionante. Também merecia ser reeditado. Aliás, as obras completas de Álvaro Lins mereciam. Vou disponibilizar o texto para vocês ainda esta semana. Tenham calma, pois é preciso digitar tudo copiando do livro.

Álvaro Lins flagra a obtusidade literária de Jorge Amado já naquela época. Se o Brasil não o ouviu, Pécora deve concordar, não foi apenas pela força do talento do escritor ou por falta de acuidade do crítico. A máquina de que falo acima acabou funcionando para isso. Em um trecho da crítica, Lins destaca até a ignorância do escritor, na confusão entre adjetivo e advérbio. Leiam:

“O principal problema do Sr. Jorge Amado é o da sua ignorância, o da sua falta de contato com a cultura, o da sua inexperiência literária. Veja-se a propósito este pequeno trecho de São Jorge dos lhéus:

Quando as notícias da Baixa chegaram até a casa dos Badarós, João Magalhães duvidou:
− Inacreditável!
Repetiu tantas vezes o advérbio que até Chico, o papagaio, o decorou junto ao seu variado vocabulário.

Pois será possível que o Sr. Jorge Amado não disponha sequer de um dicionário, no qual encontraria indicado que “inacreditável” é um adjetivo e não um advérbio?”


É verdade. Está nos dicionários até hoje. Tomara que tenham corrigido, senão será um problema a mais (além da má-qualidade literária) para os estudantes.
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POR José Pires

sábado, 15 de março de 2008

Politicamente correto na escola

Pobre da garotada. Lula sancionou uma nova lei que torna obrigatório o estudo da história afro-brasileira e indígena nos ensinos médio e fundamental.

Bem, nós pais também devemos penar, pois com certeza vem bobagem por aí. Vai ser duro ter que explicar que o tal de Zumbi não era bem isso que ensinam e, ao mesmo tempo, explicar para o garoto que ele deve colocar a resposta errada para não levar bomba.
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POR José Pires

Obama e seus extremistas

O senador Barack Obama é o adversário nas eleições presidenciais que os Republicanos pedem em suas preces mais fervorosas. O que menos o Partido Democrata precisa nesta eleição para presidente é que o embate eleitoral tome a feição de uma disputa racial. Neste caso, o partido terá dificuldade em conquistar votos até entre seus eleitores de sempre, o que pode significar mais quatro anos fora da Casa Branca.

Com Obama na disputa, este é um quadro que certamente o partido de George W. Bush (e, não se pode esquecer, também de Nixon) buscará criar, contando para isso com a ajuda preciosa de alguns aliados de Obama que militam nos movimentos negros.

A jornalista Marília Martins noticiou em seu blog na internet (na minha opinião um dos bons da internet, confira aqui) o mais recente problema de Obama com radicais do movimento negro que dão à sua candidatura uma incômoda coloração extremista.

Está rodando na internet um vídeo com um agressivo discurso do pastor Jeremiah Wright que têm trazido problemas para o candidato democrata e que, sendo ele o indicado do partido, traz matéria-prima para rodar durante toda a campanha para a Casa Branca e causar bastantes estragos.

O discurso do pastor Wright foi gravado na Trinity United Church of Christ, igreja que Obama frequentou durante 20 anos e de onde vêm muitos de sua equipe. Marília Martins traduziu parte do discurso do pastor e eu repasso para vocês:

"Hillary nunca sofreu na pele o que significa ser negro num país e numa cultura dominados por brancos ricos. Jesus era um homem negro que viveu num país e numa cultura dominada por brancos ricos... Os romanos eram brancos e ricos... Pensem bem: por que tanta gente odeia Obama? Porque ele não cabe no modelo da elite. Ele não é branco, ele não é rico, não é privilegiado. Hillary obedece ao modelo da elite. Giuliani pertence ao modelo dominante. Hillary nunca teve que enfrentar um taxi que a recusasse como passageira com causa da cor da sua pele. Hillary nunca foi chamada de “nigger”. Obama foi um menino negro que cresceu numa casa que tinha apenas sua mãe. Obama sabe o que é ser negro, o que é sentir na pele a discriminação. Hillary nunca teve que trabalhar o dobro para ganhar o mesmo salário que uma branca. E nunca sentiu a injustiça que os negros sentem ao ver a Casa Branca dominada por uma gente branca estúpida, quando nós, negros. sabemos que somos muito mais ineligentes do que eles. Está na hora de reagir contra a elite branca. Estou farto de negros que nada fazem."

O Youtube traz vários vídeos com o pastor Wright. O homem é um sucesso, mas vários deles evidentemente foram postados para bombardear a candidatura de Obama nas primárias do Partido Democrata. E a eleição principal sequer começou. Clique aqui para ver uma uma amostra de seu estilo. É o vídeo em que ataca Hillary Clinton. Não sei o que vocês pensam, mas eu não confiaria em um candidato que passou boa parte de sua vida ouvindo com reverência tipos como ele.

É bem sintomático que o discurso atinja Hillary Clinton, uma liberal que sempre esteve ligada na defesa dos direitos civis nos Estados Unidos e sobre quem não paira sequer a mais leve suspeita de racismo. É sempre assim. O extremismo raramente foca o inimigo de fato: está sempre buscando vítimas entre os aliados da mesma causa.

Obama evidentemente já disse que discorda das idéias do pastor Wright, um tema que surgiu em vários debates dos quais participou. Mas, independente da sua compreensível tentativa em afastar a supeita de que o pastor racista seja um mentor seu, no conteúdo racista do discurso há um importante reforço para uma das taticas eleitorais que os Republicanos usarão com certeza caso o senador democrata seja indicado para a disputa presidencial. É uma questão que será bastante analisada: o quanto Barack Obama absorveu deste caldo de cultura extremista e racista, indiscutivelmente ligado a sua formação.

O quanto ele incorporou disso em sua personalidade dependerá menos da verdade histórica estabelecida por sua carreira política e muito mais da habilidade − já comprovada em outros jogos sujos − do Partido Republicano em criar um clima odiento para dar um empurrãozinho favorável nas urnas eleitorais.
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POR José Pires

Um trabalho nobre para Silvinho Land Rover

Silvio Pereira (o “Silvinho Land Rover”, revelação política do PT) está com problemas para cumprir as 750 horas de serviços comunitários, pena que pegou para sair do banco dos réus do mensalão.

O pacto já tem dois meses e ele não começou a trabalhar. Para facilitar a própria vida, ele já havia escolhido a subprefeitura do Butantã que é próxima de sua casa, mas Silvinho, que é sociólogo formado pela PUC, está com repugnância ao tipo de serviço que lhe arrumaram: o balcão de entrada da repartição e a zeladoria administrativa.

Uma função é para o atendimento aos contribuintes que precisam de informações e providências. A outra, é percorrer com uma equipe as ruas para anotar problemas em bueiros, buracos e poda de árvores.

Silvinho Land Rover não aceita nada disso. Quer funções mais nobres. Talvez o caixa da repartição, que, façamos justiça ao moço, sempre foi sua especialidade.
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José Pires

quarta-feira, 12 de março de 2008


O comício de Tocantins foi um sucesso. Teve uma multidão, atraída por quatro mil quentinhas oferecidas pelo governo do Tocantins. 40 ônibus fretados também pelo governo ajudaram a esquentar a festa eleitoral.
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POR José Pires

Sem pai nem mãe

Bem, o PAC já tem até mãe. Mas podem ter certeza, se o programa não der certo eles jogam a criança na rua e some todo mundo: pai, mãe, avós, tios, primos...
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POR José Pires

Brasileiros em fuga

Deu um surto de patriotismo com as expulsões de brasileiros da Espanha. Aquela famosa frase de Samuel Johnson, “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”, só não cabe ao Brasil quanto ao tempo que ele usa. Aqui o patriotismo é o primeiro refúgio dos canalhas.

Mas não adianta a demagogia. A Espanha não vai pedir desculpas. O embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró Conde, teve uma reunião com a Comissão de Relações Exteriores do Senado e mostrou um documento sigiloso do Ministério do Interior da Espanha que piorou a barra dos brasileiros.

O número de brasileiros barrados em países da União Européia é desmoralizante. Na Espanha, 1.957 foram barrados em 2005. Em 2006 foram 1.370 e 1.469 em 2007. Em Portugal, foram 2.161 em 2005; 1.749 em 2006 e 980 em 2007.

Para um país que está tão arrumadinho como querem nos convencer os petistas, é gente demais querendo ir embora. Observem que os números são dos que foram barrados. Certamente é uma porcentagem menor, comparado aos que conseguiram permanecer em países europeus, de modo legal ou não.

É sabido que os patrioteiros não têm interesse algum em aprofundar qualquer questão, pois para eles bastam os minutos felizes sob as luzes da mídia. Mas seria interessante tirar o o foco das expulsões e dirigi-lo para o motivo de tantos brasileiros estarem fugindo da pátria amada idolatrada. Mas isso não vai acontecer. E salve, salve-se quem puder.
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POR José Pires

Bye, bye, Brasil

Isso me lembra o caso de Cuba, um país onde se faz de tudo para fugir daquele paraíso cantado em verso e prosa pela esquerda brasileira. Os “balseros” são indivisíveis da história do socialismo da ilha de Fidel Castro.

Mas aqui também não é muito diferente. A vontade de ir embora do Brasil é grande. O nosso problema é que não temos nenhum país desenvolvido ao alcance de uma balsa.
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POR José Pires

terça-feira, 11 de março de 2008

Mino Carta, o biógrafo da incoerência

Mino Carta é um cara estranho. Antes do Lula ganhar a primeira eleição para presidente da República o editor de Carta Capital desancava o petista. Lembro de pelo menos duas entrevistas − uma delas, para a falecida revista República, tenho aqui comigo− em que Lula era tratado de tacanho para baixo. Era o tosco da hora. Aliás, Tosco é o nome que Mino Carta dá para ele em seu romance O Castelo de Âmbar. Tosco, o dicionário diz que é bronco, grosseiro e rude. Lula, então, era o Tosco.

De uns tempos pra cá, porém, Lula comove bastante Mino Carta. Parece um Love Story. O jornalista faz um esforço para não derramar lágrimas na presença do presidente da República. Lula é o mesmo bronco de sempre ou até piorou, mas Mino Carta sente-se como Marilena Chauí quando ele fala, talvez até veja luzes, as mesmas que surgem para a professora de filosofia em meio às frases do petista.

Caso tivesse escrito uma biografia do presidente na época em que o tachava de bronco, como faria Mino Carta? Queimaria toda a edição em praça pública?

Nesta semana em seu seu blog na internet ele conta uma história acontecida há 29 anos entre ele e Lula, quando ajudou o então presidente do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo e Diadema a comprar um mimeógrafo para imprimir o jornal da entidade. O mimeógrafo do sindicato sofrera uma pane sem conserto. Então Mino Carta correu atrás de umas personalidades do mundo financeiro e deram o mimeógrafo ao Lula. Logo depois o compadre do Lula deu-lhe uma casa, o chapa Okamoto pagou suas dívidas, etc., mas aí são outras histórias.

Mino Carta conta essa história de um jeito romântico. Love Story de novo. Dá a impressão de vê-lo derramando lágrimas sobre as teclas de sua velha Olivetti. Sim, porque o jornalista, baseado sabe-se lá em quais asnices pitorescas, é um daqueles que se orgulham de não usar computador. Ele garante que (não riam, por favor) faz seu blog numa velha Olivetti.

Mas o caso é que o Lula de épocas passadas, o irritante Tosco, torna-se então uma figura boníssima, quiçá comovente, não fosse ele a serpente que conhecemos bem. Mino Carta conta até que numa festa da revista, há três anos, Lula ficou comovido com a lembrança do velho mimeógrafo.

É até chato que alguém tão experiente − e velho também; Mino Carta já está com mais de 70 anos − não compreenda que certas histórias, que podem até parecer comoventes em um sofrido passado, soam apenas como puxa-saquismo do mais reles quando o protagonista está aboletado no poder e tem nas mãos a chave do cofre.
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POR José Pires

Em campanha

A agenda do presidente Lula. A sete meses da eleição, o nosso estadista está em plena campanha eleitoral. Hoje o comício é em Dianópolis, no Tocantins. O prefeito de lá decretou feriado no município e mobilizou transportes, inclusive ônibus, para levar eleitores, ou melhor, moradores, à cerimônia de inauguração de obra com a presença de Lula.
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POR José Pires

Nossa imagem no exterior

Eu me espanto com a surpresa que anda causando por aqui a retenção e expulsão de brasileiros no exterior.

Imagine se você morasse na Europa e tivesse notícias do Brasil de longe, em pequenas notas nos jornais, num e noutro noticiário de televisão, enfim daquele modo que são vistos países como o nosso no exterior. Seriam chacinas, corrupção (o mensalão, promovido pelo PT e partidos aliados, foi de relativo destaque no exterior), desmatamento, favelas, enchentes, tragédias urbanas, sem falar no rescaldo histórico, da ditadura militar, governo Sarney e governo Collor. No meio disso tudo, carnaval e muita bunda de mulher nas praias. E tome violência. De vez em quando algum festival de cinema premia um filme nacional, como o Tropa de Elite ou Carandiru, para fortalecer a má impressão. Nada contra os filmes, falo apenas da realidade que eles, com razão, mostram.

Ainda lá na Europa, você fica sabendo que o governo deste país é alinhado com Chávez, simpatiza com as FARC colombianas e o presidente atual é amigão de longa data de Fidel Castro.

E para temperar o enredo, dando consistência ao conceito, de vez em quando você lê frases destacadas do Lula, esse besteirol diário que aturamos aqui. Só como exemplo, essa última dele mandando as ONGs plantar árvores na Europa antes de discutir o meio ambiente global, frase que saiu de sua cachola para justificar o imenso desmatamento das nossas florestas. Ou o besteirol que ele solta em suas viagens.

E então? Depois disso, o que você iria achar dos brasileiros?
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POR José Pires

segunda-feira, 10 de março de 2008

Pesquisa com embriões: fim do debate

Com um argumento bem simples o geneticista Oliver Smithies, um dos vencedores do Prêmio Nobel de Medicina ou Fisiologia de 2007, acaba com a polêmica sobre o uso de embriões em pesquisa no Brasil que é motivo de ação no STF (Supremo Tribunal Federal). Para mim é a palavra definitiva no debate.

"Na verdade, estamos falando de preservar a vida do embrião − embrião que não seria usado para mais nada − permitindo a ele ajudar a vida de outras pessoas", ele disse para a Folha de S. Paulo.

"Imagine que eu seja um jovem morto num acidente de carro. Há partes do meu corpo que ainda são úteis e podem ser dadas a outras pessoas para manter suas vidas. Então, parte de mim viveria em outra pessoa. Se uma célula-tronco embrionária é feita [para terapia], aquele embrião não é morto, aquele embrião dá vida a outra pessoa, por fim."
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POR José Pires

Bolsa que rende

O jornal O Estado de S. Paulo publicou ontem uma reportagem em que comprova o abandono escolar em municípios com alto atendimento do Bolsa Família. Mas o governo já está se mexendo para resolver o problema.

A secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar Almeida e Silva, dá uma boa pista do que pode vir por aí. “No programa há um claro efeito fixador na escola. Esse menino sai aos 15 anos, mas estaria saindo aos 10. O que precisamos agora é pensar uma política para atender depois dos 15 anos”, ela disse.

Na semana passada, o jornal O Globo lembrava uma cena de Entreatos, o documentário em que o cineasta João Moreira Salles fez o registro da campanha eleitoral do primeiro mandato de Lula. Nela, o futuro presidente fala com Gilberto Carvalho, que hoje é seu assessor próximo no Planalto. "Quantas pessoas passam fome neste país, Gilberto? Eu acho o número de 53 milhões tão absurdo!", afirma Lula.

Conquistado o poder, Lula deixou para lá o questionamento. Hoje o Bolsa Família atende 44 milhões de brasileiros, ao custo de quase R$11 bilhões apenas este ano. Tornou-se uma bela Bolsa de votos para o governo.

O próprio O Globo, em artigo de Ali Kamel, constatou recentemente que muitos beneficiados têm usado o Bolsa Família para adquirir eletrodomésticos em vez de comprar alimentos. Nada contra pobre comprar eletrodoméstico, mas acredito que mesmo o mais ferrenho defensor do governo − como os blogueiros da rede de proteção do governo Lula, prontamente ativada contra o artigo − terá de concordar que desse modo o programa está sendo desvirtuado. E o governo nem pode alegar desconhecimento disso, pois Ali Kamel encontrou a informação na página do Ministério do Desenvolvimento Social na internet.

O programa não está funcionando em uma condição básica, que é a de manter a criança na escola? Então pode vir aí o aumento da idade para ter o direito de receber o benefício. Talvez até os 88 anos. Desde que os velhinhos não abandonem a escola. E continuem votando, é claro.
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POR José Pires

domingo, 9 de março de 2008

Experiência própria

Finalmente Lula fala de um assunto que entende. Diante de uma platéia de oficiais e aspirantes da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o Supremo Apedeuta soltou esta: “Na PM tem corrupção? Tem. E na política não tem? Tem. No empresariado não tem? No Poder Judiciário não tem? Em todo segmento da sociedade tem”.

É verdade. Tem corrupção até lá pras bandas do Palácio do Planalto. O problema é que a que acontece por lá ele não vê.
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POR José Pires

sábado, 8 de março de 2008

Xô!


Agora é Sai, Coisa Ruim, com maiúscula e não com minúscula. Exatamente às 11 horas e 21 minutos postei os textos sobre a tentativa de intimidação da imprensa, que pode ser uma estratégia da Igreja Universal, e que logo foi copiada pelo deputado Paulinho Pereira da Silva. Pois apenas um minuto após surgiu um comentário com um vírus, já devidamente eliminado como pode ser visto na nota ‘Sai, coisa ruim”, logo abaixo.

Pelo visto a intimidação é rápida e atinge também a WEB. Para isso os fanáticos estão atentos e apoiados em alta tecnologia. Só tenho dúvida se são fiéis de algum partido ou religião. É que a distinção não é fácil, agora que o interesse comum misturou tudo na "base aliada". Mas que é coisa de vermelhinho, ah isso é.

Na ilustração, uma das belíssimas gravuras de Francisco Goya (1746-1828), o grandioso artista espanhol que juntou espírito crítico e genialidade artística no protesto contra os horrores de seu tempo. Clique na imagem para apreciar com detalhes a obra. Para saber mais e ver as demais gravuras da série (só nesta, chamada Caprichos, são 80), clique aqui. Goya disse um dia: "Con la untura de la ignorancia y la torpeza, se convierten al fin los hombres en cabrones". Infelizmente ainda vale para hoje.
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POR José Pires

sexta-feira, 7 de março de 2008

Brazilians in the globalization

Sai, coisa ruim

Existe uma afirmação antiga de que aqui no Brasil certas leis não pegam. E é verdade. Por isso, é mais fácil enumerar as que pegaram, tantas são as que não são cumpridas nem a pau. Mas acredito que o Brasil sofre de outra triste particularidade nativa: as coisas ruins pegam rápido por aqui.

A Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo é suspeita de ter colocado em prática uma estratégia política contra a imprensa: fiéis de diferentes estados do Brasil entraram com ações judiciais contra jornalistas e a direção de três jornais, Folha de S. Paulo, Extra, do Rio, e A Tarde, de Salvador. São mais de 60 contra a Folha, 35 contra A Tarde e 5 contra o Extra. O caráter simultâneo das ações indica uma orquestração contra a liberdade de expressão. As ações questionam reportagens sobre o patrimônio de Edir Macedo, líder da igreja, e agressões a imagens de santos católicos por membros da Universal.

A semelhança nos textos das ações e a coincidência das datas é bastante suspeito. As ações foram ajuizadas em localidades distantes, algumas onde só é possível chegar de barco, situação que, segundo o presidente da ABI, Maurício Azêdo, indica “a nítida intenção de dificultar o direito de ampla defesa e do contraditório assegurado pela Constituição".

Este tipo de ação exige a presença do jornalista na localidade em que foi impetrada. E já imaginaram um jornalista tendo que viajar de São Paulo até Xapuri, no Acre, para uma audiência? A repórter Elvira Lobato já tem 56 ações contra ela por causa de reportagem publicada na Folha de S. Paulo.

Uma das ações é de Xapuri, no Acre, distante 153 quilômetros da capital Rio Branco que, por sua vez, está à 3604 quilômetros da capital paulista. Já imaginaram alguém sendo atingido por uma reportagem da Folha de S. Paulo em Xapuri? Pois o fiel alegou que por causa da matéria estava sofrendo discriminação por lá. Esta foi extinta por falta de legitimidade. A juíza Zenair Ferreira Bueno Vasques Arantes, do Juizado Especial Cível de Xapuri, no Acre, vê nessas ações uma “retaliação orquestrada às matérias jornalísticas".

Caso fique caracterizada a orquestração da igreja de Edir Macedo, além de os fiéis não conseguirem receber indenizações por dano moral terão de arcar com uma condenação por litigância de má-fé. Neste caso ficaria claro a tentativa de utilizar o Judiciário para intimidação.
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POR José Pires

Veja na imagem a localização de Xapuri, no sudeste do Acre,
próxima da fronteira com a Bolívia e o Peru.

Idéia ruim pega rápido

Bem, o fato foi amplamente discutido e até o presidente Lula deu sua opinião favorável aos processos contra a imprensa, o que faz a gente pensar na possibilidade dos casos serem de seu conhecimento antes mesmo de se tornarem públicos.

Mas, para comprovar a minha tese de que ao contrário de leis boas, que por aqui não pegam, as coisas ruins proliferam com a rapidez de ervas daninhas, o deputado Paulinho Pereira da Silva (PDT-SP) resolveu se inspirar nas ações da Igreja Universal. O deputado e dirigente da Força Sindical, disse que a estratégia será usar a central sindical para levar os militantes a mover as ações. “A idéia é copiar um pouco o que a Igreja Universal fez”, ele disse.

Para comprovar que a idéia ruim pegou mesmo, o pedetista disse que os sindicalistas vão ingressar com cerca de 2.000 ações em todo o país. Para conceituar sua estratégia, Paulinho fez uso do estilo de um “bate-pau”, aqueles militantes que agridem oposicionistas em assembléisas sindicais. Ele disse: “Se os jornais vão insistir nas matérias, vou dizer com todas as letras: se querem fazer putaria, então vamos fazer putaria. Estão fazendo putaria, vamos responder com putaria”.
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POR José Pires

Falta decoro ao deputado

No caso das ações dos fiéis da Igreja Universal ainda tem chão até a comprovação de litigância de má-fé. Os fiéis estão perdendo ação atrás de ação e a parte boa da sociedade civil já se organiza em repúdio a esta pressão contra a liberdade de expressão − falando nisso, está fazendo falta a tão falada “parte boa” do PT. Sumiu. Mas no caso do deputado Paulinho Pereira da Silva, acredito que já existem muito elementos comprovando a tentativa de intimidação.

E pergunto: essa clara incitação à litigância de má-fé não é caso para um processo de falta de decoro na Câmara Federal?
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POR José Pires

As fontes

Os processos contra a Folha de S. Paulo começaram depois da publicação da reportagem "Universal chega aos 30 anos com império empresarial". A série, sobre os proprietários de meios de comunicação, foi escrita por Elvira Lobato em 1992. Como já disse, ela tem contra si 56 ações. É impossível comparecer a todas as audiências. Em uma ocasião, ela contou ao Terra Magazine, foram seis audiências no mesmo dia.

Outras ações são contra uma reportagem originalmente publicada no jornal A Tarde, da Bahia. Assinada por Valmar Hupsel Filho, ela noticia a destruição de uma imagem sacra com cerca de 300 anos pelo desempregado Marcos Vinícius Santos Catarino, 31, adepto da Igreja Universal do Reino de Deus.

A reportagem da Folha está aqui e a do jornal A Tarde aqui.
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POR José Pires

Ou dá ou desce

E por falar na Igreja Universal, vale a pena rever as cenas em que a cúpula da igreja aprende como ”tomar dinheiro” dos fiéis. Quem ensina é Edir Macedo que, em certo momento, diz o seguinte: “Se quiser ajudar, amém. Se não quiser, Deus vai ajudar outra pessoa. Se quiser, tudo bem. Se não quiser, que se dane. Ou dá ou desce”.
Edir Macedo tentou várias vezes retirar este vídeo do Youtube, mas até o momento não conseguiu. Para ver, clique aqui.
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POR José Pires

quinta-feira, 6 de março de 2008

Piração geral

Não é só Hugo Chávez que anda doidaço com a morte do líder guerrilheiro das FARC no Equador. Agora apareceu a notícia de que provavelmente a localização de Raúl Reyes, morto depois por comandos do governo da Colômbia, foi feita monitorando telefonemas do próprio Chávez. Por coisas como essa, ele não deixa de ter razão de ficar louco com o episódio.

Mas quem também ficou doidaço com o caso foi o jornalista e blogueiro da revista Veja Reinaldo Azevedo. Em seu afã de fazer o mundo girar alavancado pelo que escreve no blog, hoje ele manda Nicolas Sarkozy “cavoucar as praias das Normandia para desenterrar os corpos dos americanos que libertaram seu país”. Está fulo porque o presidente francês não age como ele quer na crise entre Colômbia, Equador e Venezuela.

Devolver os americanos enterrados na Normandia? Espero que ele tenha consultado o presidente Bush para saber se o homem topa receber de volta os defuntos.
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POR José Pires

A vítima de sempre

Duas frases de Lula. Esta: “Eles têm vaca louca e ficam dando palpite”. E esta: “Os pobres precisam tomar cuidado porque senão nós, que somos vitimas do desmatamento, que somos vítimas do aquecimento global, vamos pagar a conta, porque os protocolos internacionais só servem para os pobres”.

A primeira é sobre o embargo da carne brasileira na Europa. Lula, com sua retórica de botequim, quer que o cliente − o importador europeu − compre sua empadinha estragada e não chie. A segunda saiu de sua boca quando deu-se a revelação do aumento do desmatamento no Brasil. Em relação à discussão internacional gerada pelo assunto, Lula disse também que, aspas para sua fala, “em primeiro lugar, essas ONG's precisam plantar árvores nos países deles".

É o pensamento de um político que há pelo menos três décadas não desce do palanque. A vitimização sempre deu certo para Lula (quem não se lembra dele, na campanha eleitoral que o levou ao poder em 2002, chorando pela morte da primeira mulher que havia ocorrido há mais vinte anos?) e ele quer aplicá-la no plano internacional. E não é movido apenas pela ignorância. Existe o limite intelectual, é certo, que forçosamente o encaminha para fazer-se de coitadinho, mas Lula também defende interesses poderosos e gente com muito dinheiro.

Será interessante ver o presidente da anistia aos desmatadores criando um atalho − com a ajuda de motosserras − na consciência internacional em relação ao meio ambiente e à qualidade dos alimentos e fazendo dos países mais pobres territórios livres de inspeção e liberados também para o desmatamento. Tudo em prol do desenvolvimento dos coitadinhos da globalização.
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POR José Pires

Tadinho do Equador

A estratégia de “vitimização” no plano internacional é aplicada também em crises graves, como a da morte do líder das FARC na Colômbia. Lula quer restringir a análise do caso à invasão do território equatoriano pela Colômbia e escamotear o fato de que o país dirigido por Rafael Correa abrigava gente que seqüestra, mata e pratica a chantagem e extorsão. Além de serem aliados de narcotraficantes.

Na retórica lulista o Equador é um país coitadinho.
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POR José Pires

quarta-feira, 5 de março de 2008

Será Obama o Lula lá deles?


Todo cuidado é pouco com as análises sobre as eleições primárias nos Estados Unidos. A direita norte-americana existe e é bem ativa. Não é como no Brasil, onde todo mundo é de centro. A direita de lá age com precisão e sem escrúpulo algum. Quem acompanhou a eleição em que Al Gore foi vergonhosamente roubado, sabe do que estou falando.

Nos Estados Unidos existem instituições fortes de direita − fundações, centros de pesquisas − que patrocinam estudos intelectuais que favorecem sua ideologia e distribuem dólares inclusive entre a intelectualidade brasileira. A mídia de direita é também bastante forte, com publicações que atendem ao gosto do povão, da classe-média e até de intelectuais.

O fato é que não é de hoje que a direita norte-americana trabalha de modo incessante a comunicação. Sempre ocupou com eficácia a mídia e, com o advento das novas tecnologias, instalou-se na internet com sites e blogs. E para embasar essa estratégia tem seus intelectuais assumidamente de direita, alguns até respeitados. Nas eleições, essa máquina de comunicação trabalha à toda força, internamente e pelo mundo afora, em favor do Partido Republicano.

Muito desses arsenal, na forma de artigos ou entrevistas, cai por aqui. Nossa mídia adora. Muitas vezes são materiais gratuitos, sendo também por isso muito bem acolhidos. Dono de jornal no Brasil não gosta muito de pagar por trabalho algum, muito menos o intelectual. Parece haver também maior simpatia com presidentes republicanos. Vide o caso Bush, um desastre até para os padrões do partido de Nixon, mas tratado como grande estadista pelos nossos jornais.

Essa falta de cuidado, por displicência ou cumplicidade, com a origem da notícia, acaba contribuindo bastante para a desinformação sobre o que se passa na política norte-americana. O que dá para perceber é que os republicanos estão gostando bastante do surgimento de Barack Obama e ainda mais de sua escalada rápida. Uma das razões é óbvia. Basta ver a desunião que pode surgir no Partido Democrata com as agressivas discussões públicas entre ele e Hillary Clinton. Boa parte dos insultos lançados entre os dois acaba atingindo o eleitor democrata, criando atritos internos que podem influir negativamente nas futuras eleições.

A outra razão é que fica cada vez mais evidente que o adversário preferido dos dirigentes republicanos é Barack Obama. Parece mais fácil atingir seus pontos vulneráveis que os de Hilary Clinton. Obama, por enquanto, funcionaria para os republicanos como Lula aqui no Brasil em suas três derrotas. O petista era o adversário que todos queriam.

Percebe-se que os republicanos querem o seu Lula. A acidez com que analistas e intelectuais pró-republicanos tratam Hillary é proporcional à boa vontade em relação à Obama. Esta estratégia vem desde o lançamento da sua candidatura, mas foi bem mais forte agora, no período anterior às prévias de Ohio e Texas, quando o tom do noticiário da imprensa brasileira já dava como perdida a corrida presidencial de Hillary. E não foi bem assim, como vimos.

Nossa imprensa caiu como um patinho no clima derrotista criado em boa parte por estes intelectuais e articulistas norte-americanos de que falei. E o pior é que os jornais publicam os artigos ou entrevistas e não se dão ao trabalho de informar ao leitor que não são uma fonte imparcial. Algumas vezes o autor é até colaborador ativo do Partido Republicano.
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POR José Pires