quinta-feira, 4 de junho de 2020

Os Estados Unidos pegam fogo em plena epidemia: Donald Trump perde ou ganha?

Vejo que a esquerda no Brasil se anima com os conflitos que aconteceram nos Estados Unidos, depois da morte por asfixia de George Floyd, pela polícia de Minneapolis. Em parte, esta animação por aqui é estimulada pela esperança de que o impacto dos acontecimentos revolva as cinzas do desânimo brasileiro e encontre ao menos uma pequena brasa que reacenda a esperança de uma mudança de rumo, com a população brasileira estimulada a expressar seu descontentamento.

Por enquanto, os ecos dos embates de rua nos Estados Unidos aqui em nossa terra não faz crer que o governo de Jair Bolsonaro seja atingido, pelo menos não com o vandalismo e a violência tomando as ruas, num repeteco imbecil do que a própria esquerda fez lá atrás, em 2013, com o PT ainda no poder. Aquilo serviu de estímulo para que uma ampla parcela de brasileiros que já não suportava mais o governo petista fosse para as ruas, na explosão verde-amarela que infelizmente depois resultou na eleição do governo mais estúpido que este país já teve, da mesma falta de qualidade do PT no poder.

Uma esquerda estimulada por distúrbios que aparentemente vão abalar Trump serve como demonstração de insaciável hipocrisia, já que durante os dois mandatos de Barack Obama não se viu por aqui nenhuma compreensão da nossa esquerda com os avanços do primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos. Ao contrário, foi uma pauleira esquerdista contra Obama. Só faltou um “Fora Obama”. Mas, em paralelo à hipocrisia corre ligeiro também o tradicional oportunismo, com a tentativa esquerdista de turbinar a pauta racialista, transferindo para cá o conteúdo racial das manifestações dos americanos, que ao contrário do que se pensa, pode favorecer Trump.

Sobre os Estados Unidos, não se deve fechar os olhos para o risco de que o presidente Donald Trump possa se fortalecer para sua reeeleição, aproveitando o clima de violência e vandalismo para trabalhar em torno de algo essencial nas eleições americanas: fazer o eleitor votar. Desde o início das manifestações o discurso de Trump é do atiçamento de conflitos, de onde ele sempre soube tirar proveito. Seu eleitor não será estimulado a votar em um Trump pacificador, mas em um presidente que impõe a ordem. O velho discurso da lei e ordem, sempre funcional e ainda mais persuasivo quando aparecem militantes fazendo o gesto revolucionário do punho fechado. Do outro lado, a grande dúvida é o que fará depois essa juventude que foi às ruas, com alguns quebrando tudo, tocando fogo e saqueando. Se não forem em massa votar, Trump ganha.

E quem pensa que o sentimento da proteção por um governo forte e conservador é exclusivo dos brancos baseia-se numa ilusão antiga, que alinha o oprimido preferencialmente entre os progressistas, além de ter um conceito equivocado sobre a preferência política dos negros americanos. Por este raciocínio apressado, devido a uma injusta condição social os negros teriam uma rejeição natural ao conservadorismo ou mesmo à direita.

Trump ganhou sua primeira eleição com o perfil de que tem a determinação e força para resolver com precisão qualquer problema. No governo ele manteve essa imagem. Claro que isso é um fake news. Não tenho dúvida de que ele é o mais despreparado dos presidentes do país na história recente, porém mesmo assim seu índice de popularidade continua alto entre o eleitorado que é do seu interesse. Sua incompetência durante a pandemia do coronavírus é um provável empecilho para sua reeleição, no entanto essa violência que explode a cinco meses das eleições pode servir para desviar o foco da calamidade do Covid-19, agravada bastante pelos seus erros de avaliação pessoal da pandemia e a dificuldade do governo em lidar com o problema.

Até agora já são mais de 100 mil americanos mortos por coronavírus. Mas talvez Trump consiga explorar o temor popular criado com as grandes cidades do país em pé de guerra. Na sua primeira eleição, ele demonstrou ser tremendamente capaz não só de criar falsos inimigos como também do convencimento de que era ele o mais capacitado para enfrentá-los. Desta vez, ele tem até um cenário explosivo para criar uma realidade e se colocar como quem deve mudá-la.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

Com o descaso do governo Bolsonaro, o Brasil avança na calamidade do coronavírus

Nesta quarta-feira a divulgação diária dos dados de mortos e infectados pela Covid-19 no Brasil demorou para sair. O Ministério da Saúde alegou “problemas técnicos” para o adiamento. A causa pode até ter sido mesmo dificuldade técnica, porém o desmonte que vem sendo feito no ministério por Jair Bolsonaro não permite mais nenhuma confiança sobre a atuação do governo na crise do coronavírus.

A reforma geral feita no ministério causa desconfiança por duas questões. Primeiro, nada que vem de Bolsonaro é feito com boa intenção e senso de coletividade. E mesmo que seja apenas uma mudança de método, na sua incapacidade ele não consegue fazer nada com qualidade. Com esse presidente nenhuma questão pode ser vista pelo ângulo da divergência. Não há do que divergir. Ele simplesmente não sabe fazer.

Mas enfim saiu o resultado, depois das 22 horas. Tivemos mais um recorde diário, com o registro de 1.349 mortes por Covid-19 em 24 horas. O número de vítimas fatais subiu para 32.548. O total de casos confirmados está em 584.016. De ontem para hoje, foram 28.633 diagnósticos positivos.

Neste ritmo é capaz do número de mortos pela doença chegar mesmo a 100 mil, conforme a previsão feita por especialistas logo que aconteceram as primeiras mortes, previsões que eram repelidas com ironias pelo presidente e seus aliados negacionistas e depois replicadas nas redes sociais por idiotas manipulados pela máquina de comunicação governista.

Por falar nisso, anda sumido aquele “especialista” tão exaltado por bolsonaristas, o deputado Osmar Terra, que era elogiado por Bolsonaro e sua corja de seguidores como quem mais entendia de coronavírus em todo o mundo. No início de abril o deputado, que recebeu o apelido de Osmar Trevas, enviou um áudio pelo WhatsApp para o senador Flávio Bolsonaro, afirmando com grande satisfação que a pandemia do novo coronavírus estava “desabando”.

Eles estava feliz com a grande “descoberta”, que o consagraria e desmoralizaria a oposição a Bolsonaro. Era capaz até dele conseguir finalmente sua nomeação como ministro da Saúde. No áudio, o deputado negacionista dizia que no Brasil a pandemia “já atingiu o pico no final de março”. Quisera que este político indecente estivesse certo. Em 31 de março o país tinha 201 mortes e 5.717 casos confirmados de coronavírus.

Agora já ultrapassamos 30 mil mortes e existem previsões de que esse número pode quadruplicar até o final de julho. É dureza, mas sem dúvida foi possível uma redução de danos, embora Bolsonaro tenha atrapalhado bastante como sabotador, ajudado por figuras nefastas que o cercam, além dos estúpidos seguidores que infernizam as redes sociais.

É difícil calcular como o Brasil estaria se governadores e prefeitos tivessem deixado de agir e a receita de Bolsonaro fosse aplicada. Não dá para avaliar a mortandade, até porque aos mortos pelo coronavírus seriam somadas milhares de vítimas de outras doenças e acidentes, que poderiam morrer pela falta de atendimento devido ao colapso no sistema hospitalar.

Até aqui, o esforço dos brasileiros vem amenizando o estrago causado por Bolsonaro. Seja pelo boicote desumano ou pela incompetência, nada vem de útil desse governo. De novidade, até agora só teve este atraso na divulgação. Pelo jeito, tecnicamente não estão preparados nem para contabilizar os mortos.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

segunda-feira, 1 de junho de 2020

O que vai em volta do golpe que dizem que Bolsonaro quer dar

O vozerio sobre golpe corre pelas redes sociais, como de hábito sem nenhuma fonte ou fundamento mais sólido que esclareça o que de fato está acontecendo. Podem ser observadas ações que dão a impressão de terem sido combinadas, como a manifestação em frente ao QG do Exército, em Brasília, que evidentemente contou com Jair Bolsonaro na exaltação dos ânimos e quase com certeza na organização da baderna antidemocrática e constrangedoras para seus ex-colegas de caserna — de onde, por sinal, ele foi expelido quando era capitão.

Em conjunto com essas manobras teve a nota oficial de Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, além de general da reserva, com um ataque a um pedido de apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro. A nota foi depois compartilhada pelo presidente e é óbvio que Bolsonaro não a viu de surpresa na internet. O pedido foi um simples encaminhamento feito pelo ministro Celso de Mello para a Procuradoria-Geral da República, a quem cabe a decisão.

O procedimento de Celso de Mello parte de uma "notícia-crime" que pode ser apresentada por qualquer cidadão ao STF. Neste caso, foram parlamentares do PDT, PSB e PV que pediram, entre outras coisas, a apreensão do celular do presidente. Ressalte-se aqui que é uma denúncia, nada mais, cabendo ao procurador-geral Augusto Aras analisar os pedidos dos deputados, abrindo ou não nova investigação no STF.

Aras já deixou claro que não é da competência de deputados propor diligências, no que concordo com ele, além de que os deputados também sabem disso. O que temos aqui é a esquerda se aproveitando de circunstâncias, mas cegos, neste caso, sobre o quanto é perigoso este momento do país.

Mas tudo isso que eu disse é do pleno conhecimento do ministro Augusto Heleno. Então, faltando sentido à nota quanto ao assunto tratado, o ministro só pode estar emitindo sinais com outro objetivo. Qual é então sua intenção real? Bem, ficamos todos emaranhados em uma porção de suposições, entre as quais misturam-se fatos reais, interpretações totalmente sem sentido, que vão gerando uma confusão dos diabos, com um clima excelente para profissionais da manipulação política, da desinformação e da criação de fake news.

O maior problema da atual instabilidade brasileira é que os desencontros acontecem sem que se saiba de fato o que cria tanta desunião. Pode ser inclusive uma medida de praxe, como a denúncia encaminhada por Mello para Aras, que nem engavetada seria.

O pedido é tão idiota que seu lugar é no lixo. Em outros tempos lá ficaria, mas não agora, com as informações caindo todo tempo na nossa frente. Esta é uma das complicações brasileiras mais sérias na era digital, pela falta de regras sociais — tradicionais e de comum acordo — que obriguem a uma responsabilidade coletiva que não dependa nem de leis. É tamanha a zorra que o golpe militar pode ser deflagrado até pelas tias do WhatsApp.

Ou pode até ser que o golpe do qual se fala demais nesses dias venha pelo Twitter. O que eu sei é que a alimentação da instabilidade no país pode ser estimulada por jornalistas, às vezes em um simples artigo, na tuitada ou mensagens de autoridades ou em longas entrevistas que acabam sendo recortadas e repassadas pelas redes sociais em trechos mais provocadores. É mais ou menos como aquele ódio que você sente de um post de um amigo ou parente, com a ressalva importante de que você não é um oficial da ativa.

Apenas como exemplo, para citar um desses lançamentos de gasolina ao fogaréu, na maioria das vezes sem intenção negativa, no domingo tivemos o vazamento de uma mensagem enviada na madrugada por Celso de Mello aos seus colegas ministros do STF, onde ele praticamente afirma que o golpe está em andamento. O ministro compara a situação até com a ascensão de Hitler, nos anos 30 na Alemanha, exagero que no nível das relações históricas o coloca emparelhado ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, que relacionou com as violências nazistas do episódio da “Noite dos cristais” as visitas plenamentes legais da Polícia Federal às casas de bolsonaristas, em busca de provas do inquérito do STF.

Outra aplicação inábil da palavra foi de Fernando Gabeira, logo ele que eu achava que até agora estava indo bem como jornalista. Gabeira publicou um artigo em O Globo que mais parece um manifesto, onde mais que confusão de linguagem ele incorre em confusão de propósitos. Pelo que ele diz, o golpe já está quase dado. Mas estamos salvos, a não ser que eu esteja errado quanto à penetração de O Globo e, claro, do alcance dos geralmente bons artigos de Gabeira. No artigo/manifesto, ele dá até instruções sobre a resistência ao “golpe de Estado”.

No alerta para o que ele define como o que “talvez seja a última grande luta da minha vida”, Gabeira propõe inclusive táticas para a resistência no plano internacional. Ele fala em “organizar núcleos de apoio na sociedade europeia e americana”, só não deixa claro se vão ser utilizados os esquemas internacionais do PT, que o partido do Lula usou para atacar instituições e desacreditar leis democráticas do nosso país, atuando de forma agressiva para a desestabilização política, da qual Bolsonaro tirou proveito para ser eleger. Bem, não vão poder vaiar pacíficos palestrantes na Europa, porque golpista não é pacífico nem dá palestra.

De modo algum estou relacionando Gabeira a esses descalabros irresponsáveis recentes da esquerda. Só procuro situar melhor as responsabilidades por esta crise, em grande parte devidas a um partido que conturbou o país, tentando impor o discurso do descumprimento das leis, na tentativa de evitar que seu chefão fosse pra cadeia. Também cabe a quem já tem certa idade compreender que a proposta de certos enfrentamentos pode na verdade servir mais para estimular a aceleração do problema que supostamente deve ser enfrentado.

Mas, voltando às devidas responsabilidades, a forma que Bolsonaro vem agindo agora para evitar ser incriminado e proteger seus filhos é mais ou menos a mesma coisa que o PT andou fazendo nos últimos tempos, com aquele papo do Lula livre. Claro que Bolsonaro já fez mais do que o suficiente para ser cassado, mas a verdade é que os espaços para a impunidade do seu desrespeito institucional e a agressão às leis foram abertos pelos petistas, com a complacência de grande parte de jornalistas, da classe política e com a cumplicidade de toda a esquerda.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Fake news: o inquérito do STF pode chegar até a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro

Complicações muito sérias podem às vezes surgir de modo inesperado. Os bolsonaristas aprontaram bastante durante a campanha eleitoral, com mentiras e ataques desonestos aos adversários, abusando do uso de notícias falsas e manipulações absolutamente imorais e até criminosas, tomando gosto depois pela coisa.

Tanto é que após a eleição de Jair Bolsonaro não conseguiram parar com o emporcalhamento das redes sociais e o uso da comunicação como meio de pressão contra quem não atendesse aos interesses do bolsonarismo. Foi neste embalo que chegaram aos ataques contra ministros do STF.

Pois este exagerado método de tentar obter tudo por meio de pressão teve um efeito reverso, levando a um inquérito que pode mergulhar na movimentação da onda que levou Bolsonaro ao poder, um impulso que sabe-se que exigiu águas muito sujas, mas que até agora não era possível investigar.

Pois no inquérito do STF que investiga as fake news, o ministro Alexandre de Moraes determinou a quebra de sigilos bancário e fiscal de Luciano Hang, o empresário bolsonarista dono das Lojas Havan.

A mesma medida será aplicada a Edgard Corona, dono da maior rede de academias de ginástica da América do Sul, a Smart Fit, além de Reynaldo Bianchi Junior e Winston Rodrigues Lima.

A quebra de sigilos bancário e fiscal vale para o período de julho de 2018 a abril deste ano, que acaba pegando parte fundamental da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro à Presidência. É provável que a investigação avance por onde não se esperava, alcançando resultados muito além do objetivo do inquérito.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

O inquérito das fake news avança sobre blogueiros governistas, deputados e empresários bolsonaristas

Blogueiros bolsonaristas, políticos e empresários ligados ao presidente Jair Bolsonaro acordaram nesta quarta-feira com a Polícia Federal na porta. Eles foram visitados pela polícia em busca de provas no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura produção de notícias falsas e ameaças à Corte, o chamado “inquérito das Fake News”. As ordens judiciais assinadas pelo ministro Alexandre de Moraes foram cumpridas no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Santa Catarina e Paraná.

Entre os alvos estão o blogueiro Allan dos Santos, figura destacada da agitação governista, além de Sara Winter, militante bolsonarista que ultimamente chamou a atenção com a organização de um acampamento em frente ao Congresso Nacional, com cerca de duas dezenas de barracas de um modelo vendido nas lojas Havan, de Luciano Hang. Sara Winter, cujo nome verdadeiro é Sara Geromini, já foi da equipe da ministra Damares Alves.

O grupo de Sara Winter ou Geromini lançou um manifesto que fala em “tomar o poder para o povo”. Recentemente, em discussão pelo Twitter a militante direitista apontou como mentor de suas ações Olavo de Carvalho, o guru do presidente Jair Bolsonaro. “Quem me pediu pra fazer tudo isso foi o professor Olavo”, escreveu.

Blogs e sites bolsonaristas criadores e distribuidores de notícias falsas vem tendo o financiamento do governo de Jair Bolsonaro, por meio de publicidade de estatais. Suspeita-se também que exista um financiamento feito por empresários governistas, com apoio financeiro também para youtubers que defendem Bolsonaro e atacam a oposição. Desse modo, o governo bolsonaro repete exatamente o que o PT fez quando esteve no poder.

Em recente apuração sobre financiamento de um site bolsonarista, o TCU revelou que o Banco do Brasil gastou no ano passado 119 milhões de reais na internet. O Banco do Brasil chegou a retirar a publicidade de um blog bolsonarista que espalha fake news, mas voltou a anunciar depois de reclamação feita por Carlos Bolsonaro.

A operação desta quarta-feira também teve como alvos o ex-deputado federal Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang, da Havan, e Edgard Corona, dono da maior rede de academias de ginástica da América do Sul, a Smart Fit.

O inquérito das fake news é uma das grandes complicações de Jair Bolsonaro e teria sido um dos motivos da sua tentativa de interferência na Polícia Federal, que provocou a demissão de Sergio Moro. Segundo o colunista Merval Pereira, de O Globo, Bolsonaro se preocupa muito com esta investigação porque o inquérito “de 10 a 12 deputados bolsonaristas, mais empresários”.

Além da operação policial desta manhã, o ministro Alexandre de Moraes determinou que deputados bolsonaristas prestem depoimento à PF. Serão ouvidos os deputados federais Filipe Barros, Bia Kicis, Carla Zambelli, Luiz Phillipe Orleans e Bragança, Daniel Silveira e também os deputados estaduais Cabo Junio Amaral, Douglas Garcia e Gidelvanio Santos Diniz.

A rede bolsonarista na internet naturalmente já se levantou contra a ação da polícia, com violentos ataques ao ministro Alexandre de Moraes. Deputados bolsonaristas alvos do inquérito também estão reclamando. No Paraná, o deputado Filipe Barros, que na sua conta do Twitter se apresenta como “Deputado Federal eleito por Jair Bolsonaro”, ficou indignado com a operação da PF. Ele usou o Twitter para um apelo às massas. “É mais que oficial: vivemos uma ditadura do STF”, ele escreveu. “Só o povo na rua pode detê-la”.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

terça-feira, 26 de maio de 2020

O bolsonarismo e seu estranho amor pelo ex-ministro Nelson Teich

Um acontecimento surpreendente nos últimos dias foi o surgimento de um clima de exaltação ao ex-ministro Nelson Teich nas redes sociais entre os bolsonaristas, que repassam em grande animação trechos de vídeo em que o médico dá respostas atravessadas em uma entrevista concedida a um programa da Globo News.  Não é desse jeito que seguidores de Bolsonaro costumam tratar quem sai do governo, porém não acho que este tratamento diferente vá fazer bem a ele.

Como não podia deixar de ser, os bolsonaristas gostaram de momentos em que Teich é extremamente grosseiro nas respostas a questionamentos feitos por colegas e jornalistas. O médico que ficou menos de um mês como ministro da saúde no governo Bolsonaro tem dificuldade de compreender que está em destaque na pauta jornalística apenas porque esteve neste cargo.

Não tivemos tempo para conhecer a personalidade de Teich durante seus poucos dias como ministro, mas nesta entrevista à Globo News deu para notar como ele é chucro. Mas deixemos para lá este seu lado comportamental. Ele deve ter mesmo dificuldades sérias de compreensão de papéis sociais ou não firmaria uma parceria com Bolsonaro imaginando ser possível um trabalho de qualidade ao lado desse presidente.

Embora no geral tenha exposto opiniões equilibradas durante a participação no programa de entrevistas, o ex-ministro também deu o pior de si, que é exatamente o que vem sendo destacado pelo bolsonarismo, afinal é do pior que eles gostam.

O problema é que com isso ele deixou de firmar uma discordância profissional com as atitudes irresponsáveis e perigosas do presidente Bolsonaro, que encaminha o país para uma catástrofe sanitária.

A partir de algumas respostas grosseiras, Teich virou ídolo do momento do bolsonarismo nas redes sociais. E isso não é nada bom de constar no currículo qualquer um, muito menos de um médico.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Bolsonaro, o presidente negacionista que afundou o país

O Brasil caminha a passos largos para tornar-se um país isolado internacionalmente, em um mundo que exige condução totalmente diferente do que se fez até a explosão internacional da crise do coronavírus. Até agora Jair Bolsonaro e sua equipe de alucinados não entenderam como tudo mudou depois do Covid-19. A capacidade de lidar com o combate ao coronavírus pesa na integridade física de cada nação e também influirá e muito no futuro de seu povo. Somos observados com rigor, do mesmo modo que aqui, do Brasil, olhamos para os outros países tendo como foco obrigatório esta crise sanitária.

O governo Bolsonaro já perdeu o respeito internacional a partir da estúpida desumanidade do presidente, mas sua credibilidade também desce até a sarjeta quando se observa suas ações práticas. Na reunião de 22 de abril a crise do coronavírus não esteve na pauta de discussão, a não ser na sugestão do uso da mortandade para fazer “passar a boiada”, conforme o espantoso senso de oportunidade do ministro Ricardo Salles, dizendo que o governo tira proveito do desespero causado pelo Covid-19 para eliminar leis e regulamentos de proteção ao meio ambiente, aproveitando que os brasileiros estão concentrados na enorme quantidade de contaminados e mortos.

Já o chamado Posto Ipiranga de Bolsonaro, o inacreditável ministro Paulo Guedes, que levou quase duas semanas para ser convencido por membros de sua equipe, ainda em março, que a proliferação do vírus pelo mundo e sua chegada ao Brasil exigiam uma política econômica diferente do mero enxugamento de gastos. Na espantosa reunião em que Bolsonaro lançou raivosamente perdigotos em todos o colegas de governo, Guedes apareceu com a proposta da liberação de cassinos, como sendo um grande impulso para a economia.

Bem, a forma de trabalho que se viu nesta reunião nem dando seus resultados, como o fechamento dos Estados Unidos ao Brasil, anunciado ontem pelo governo americano. Vários outros sinais do descrédito desse governo adoidado de Bolsonaro podem ser observados, além de que é provável que outros países também fechem as portas, depois de Donald Trump ter apontado várias vezes o Brasil como um risco sanitário e finalmente decretando o país como um lugar infectado.

São vários os sinais de sérias complicações internacionais para o Brasil. Nesta segunda-feira o tradicional jornal britânico The Telegraph publicou uma matéria sobre Jair Bolsonaro e seu governo, com o título “O homem que quebrou o Brasil”. No centro da classificação de Bolsonaro pelo jornal britânico está o monstruoso perfil pessoal e político do nosso negacionista. O relato do jornal é trágico, de um governo em implosão política e um país com um vírus fora de controle. Segundo o The Telegraph, o Brasil é hoje considerado “o novo epicentro da pandemia, registrando médias mais altas do que em qualquer outro lugar do mundo”.

É enorme o impacto negativo de reportagens como estas para o governo Bolsonaro. E esta tem sido a tônica do tratamento que a imprensa internacional vem dando à situação atual do Brasil, principalmente depois das atitudes lamentáveis do presidente em meio à dramática crise do coronavírus e os sérios problemas políticos que já fazem parte do cotidiano e que envolvem toda sua família, com suspeitas inclusive de ligação com milícias paramilitares.  O jornal americano The Washington Post já chegou a chamar Bolsonaro de “pior presidente do mundo”, por causa da sua posição quanto ao Covid-19.

Outros jornais importantes também fizeram críticas a este comportamento condenável. Em editorial publicado no final do mês passado, o jornal Financial Times, também da Inglaterra, reconhecido como uma das publicações econômicas mais influentes no mundo, relacionava Bolsonaro ao que seus antecessores fizeram de ruim, classificando o atual presidente como parte de um “circo de horrores”. Para o diário britânico, o Brasil vive uma crise tripla, na saúde, na economia e na política. O jornal também usou a imagem do médico e o monstro, ressaltando que com a crise do Covid-19, a faceta de monstro tomou a gestão Bolsonaro.

O editorial trazia o título “A autodestruição do Trump tropical”, falando inclusive da demissão de Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro, dois ministros importantes que saiam em momentos delicados. Até então, segundo o jornal, havia uma tolerância de elites econômicas em relação ao governo brasileiro, sustentadas na confiança em Paulo Guedes, ainda conforme o Financial Times, considerado um “adulto na sala”. Bem, como o mundo viu no vídeo liberado pelo STF, o ministro da Economia revelou-se como um dos piores da turma da balbúrdia no fundo da sala.

Ainda mais grave para o governo Bolsonaro é que essas publicações são de veículos que, como se diz, estão todos os dias na mesa de dirigentes importantes do mundo todo, tanto os poderosos da política quanto os da iniciativa privada. E qualificá-los como “esquerdistas” servirá apenas para fake news muito bobocas, compartilhados por idiotas manipulados. A maioria é conservadora, sendo uns poucos de posição liberal, claro que não de um liberalismo como o de Paulo Guedes e tipos parecidos, “liberais” que mesmo hoje, em pleno século 21, ainda estão em busca de um Pinochet para chamar de seu.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

domingo, 24 de maio de 2020

Donaldo Trump fecha os Estados Unidos ao Brasil

Os Estados Unidos vão fechar as portas para o Brasil. O governo americano anunciou neste domingo que a partir do próximo dia 29 irão barrar a entrada de pessoas vindas do Brasil por causa da pandemia do novo coronavírus. O decreto de Trump impede a entrada de estrangeiros que tenham passado 14 dias no Brasil.

Já faz algum tempo que Trump vem falando da situação do Brasil frente ao coronavírus, apontando erros na condução do enfrentamento do problema. No final do mês passado, ele afirmava estar preocupado com o crescimento da contaminação em nosso país. “No Brasil, o número de casos é muito, muito alto”, ele disse em uma entrevista. “Se você olhar os gráficos, quase todos apontam para o alto”.

Na semana passada, Trump já avaliava proibir voos do Brasil aos Estados Unidos. “Não quero que as pessoas venham aqui e infectem o nosso povo”, ele avisou. Agora, finalmente aplicará a medida, que deve prejudicar bastante o Brasil, mesmo porque é muito provável que outros países sigam o exemplo dos Estado Unidos, selando a imagem brasileira como um país infectado.

E não tem como deixar de dar razão para qualquer governo estrangeiro que não aceite mais contacto com gente do Brasil durante a pandemia. Com a irresponsabilidade criminosa do presidente Jair Bolsonaro em relação ao combate ao coronavírus, nosso país foi criando a imagem internacional de um país que está tendo pouco cuidado com esta doença durante a maior crise sanitária mundial em décadas.

Bolsonaro vem se esbaldando, nas suas provocações irresponsáveis no meio de uma pandemia que preocupa governantes de todo o mundo. Por isso, em relação ao coronavírus até já foi chamado em editorial pelo jornal The Washington Post de “o pior presidente do mundo”. Neste domingo, ele saiu por Brasília provocando aglomerações e ainda levou junto o ministro interino da Saúde. Este sujeito sem noção — o pior presidente que este país já teve — faz isso sem se dar conta de consequências como esta porta na cara, dada por Trump.

O preço pode ser muito alto com esta imposição de distanciamento, que como eu disse, pode ser agravada com outros países tomando a mesma medida. Bolsonaro sabotou o esforço de governadores e prefeitos, que mais conscientes dos riscos se empenham para um controle da contaminação e a diminuição no número de mortes, procurando até mesmo jogar contra eles a população.

>O presidente mais que brinca com o perigo: ele também zomba da dor de milhares de brasileiros que perdem entes queridos, na condição desesperadora causada por uma doença que não permite nem que se chegue perto dos que sofrem.

O resultado foi uma assustadora quantidade de contaminação e mortes pelo Covid-19, com pelo menos mil óbitos por dia, sem que até agora se tenha qualquer prenúncio da tão esperada curva. O Brasil já é o segundo país no mundo em número de contaminados, atrás apenas dos Estados Unidos, que agora nos fecha as portas.

Desde o início das contaminações e mortes, Bolsonaro age como um desequilibrado, criando aglomerações, espalhando desinformações e ataques contra a necessidade do isolamento social. Pois o Brasil vai entrando agora internacionalmente em um isolamento compulsório.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

sábado, 23 de maio de 2020

Governo Bolsonaro: uma reunião de desatinos, grosseria e irresponsabilidade

Uma reação até engraçada que pode ser observada entre manifestações de contentamento de bolsonaristas com o que trouxe a gravação da reunião de 22 de abril é a tentativa de minimizar aquele espetáculo de desumanidade e grosseria usando a expressão “a montanha pariu um rato”. De fato, em tempos de pandemia, a expressão faz sentido. Eu só apontaria o aspecto plural do problema: na verdade a montanha pariu muitos ratos.

A reunião de governo dirigida por uma das figuras mais espantosamente estúpidas já surgidas na política brasileira, este inacreditável presidente da República que é Bolsonaro, seria inaceitável do ponto de vista institucional nem que fosse apenas pelo tom abjeto de conversa de boteco sórdido dominando o que deveria ser uma reunião de trabalho, pelo comportamento condenável de um grupo político — porque Bolsonaro é apenas isso: chefe de um grupo — que transforma o Palácio do Planalto em um ambiente dominado pela grosseria e o mandonismo mais lamentável que poderia ser assistido em uma democracia. Bolsonaro agride a própria institucionalidade do cargo, mas isso não surpreende em um autocrata destrambelhado.

É patente na reunião o total descompromisso com a vida dos brasileiros, ressaltado pela preocupação exclusiva de Bolsonaro com o interesse pessoal e da família, com um claro desprezo pelos compromissos institucionais. A condução do que deveria ser um encontro de trabalho é conduzido com o estilo de um “duce”. E não estou aqui situando Bolsonaro como um fascista, que lhe falta suporte doutrinário para isso, ainda que tenha revelado que, ao contrário do que dizia, sua obsessão pelo armamentismo não é para a proteção contra bandidos, mas para o uso no ataque a poderes legais. Espera-se que não esteja planejando fazer isso de forma paramilitar.

O governo Bolsonaro é conduzido na primeira pessoa, com uma abertura apenas para a própria família e “amigos”. O chefe tem até um “sistema particular” de informações, uma confissão que parece confirmar que está em andamento a “ABIN paralela”, denunciada pelo ex-ministro bolsonarista Gustavo Bebbiano, em entrevista ao programa Roda Viva em março, onze dias antes de morrer — também nesta entrevista, Bebbiano confirmou a existência de um gabinete do ódio, montado no Palácio do Planalto.

O tal gabinete, formado para espalhar desinformação, investigar a vida de adversários e atacar as pessoas, já havia sido denunciado por outra colaboradora próxima de Bolsonaro, a deputada Joice Hasselmann, hoje rompida com o presidente. A gravação desta reunião mostra que o ódio não se restringe a um gabinete: é uma política de governo.

O interessante da liberação desse retrato dos bastidores do governo é que as descobertas foram além do objetivo jurídico do material, de servir como prova do inquérito que apura se Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal. Quanto a isso, ficou tudo confirmado pelas palavras de Bolsonaro na reunião, além de que, do ponto de vista jurídico e político, a intenção de interferir já foi confirmada por ele em conversas com servidores e nas suas lives, além do objetivo ter sido confirmado por ações práticas, como transferências e demissões.

No entanto, o horror se sobrepõe aos crimes de responsabilidade quando o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, levanta a necessidade do governo tirar proveito desse momento em que a população está focada no combate ao coronavírus e fazer avançar pautas de desregulamentação, como ele disse, “porque só fala de COVID, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”.

Este negócio de “ir passando a boiada” enquanto o povo está distraído já está estabelecido como política de governo. A pandemia entra de forma natural neste caso, mas desde que assumiu, Bolsonaro vem procurando desmontar leis e regulamentos do país de modo a facilitar a aplicação de propostas absurdas que desestruturam tecnicamente a máquina pública, alteram controles essenciais da economia e da defesa do patrimônio público, avançando de modo destrutivo sobre valores profissionais e de mercado, direitos de populações indígenas, da preservação do meio ambiente.

E que se cuide quem pensa que essas mudanças pretendidas estão focadas em um rearranjo mais apropriado das relações de trabalho, na desburocratização como forma de impulsionar o desenvolvimento seja no meio urbano ou no campo. Como se pode ver por esta reunião do dia 22 de abril, “ir passando a boiada” foi a única proposta prática em relação a uma pandemia que, no dia da reunião de 22 de abril registrava 2.906 mortes no Brasil. Apenas um mês depois, nesta sexta-feira, o número de mortes já chegou a 21.048, com pelo menos mil óbitos ocorrendo a cada dia.

Nessa política de ir “passando a boiada” o governo Bolsonaro cuida inclusive da criação de formas de impedir que a população se concentre no que realmente importa, desviando a atenção dos brasileiros com fake news e conflitos de araque, armados apenas para que não se perceba o maléfico projeto de poder que vai se instalando, com benefícios milionários para uma casta de privilegiados. Um exemplo do que vai passando com esta boiada é a abertura de cassinos no Brasil, que tem como articulador o senador Flavio Bolsonaro, que obviamente está fazendo isso a mando de seu pai e cujos lucros certamente também ficarão em família.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Celso de Mello libera vídeo da reunião ministerial do governo Bolsonaro

O ministro Celso de Mello liberou na íntegra a gravação em vídeo da reunião ministerial do governo de Jair Bolsonaro. A única restrição foi a trechos específicos com referência a dois países com os quais o Brasil mantém relação diplomática. Um deles é claro que é a China, país insultado tanto por Bolsonaro quanto por ministros, com falas específicas sobre o coronavírus, chamados por eles de “comunavírus”, conforme todos sabem.

O governo chinês também sabe do que se trata e quanto a isso provavelmente fará uso mais a frente de retaliações contra um governo que quer tachar a China como o país que infectou o mundo.

Celso de Mello aproveitou a decisão para em seu preâmbulo dar uma aula — breve mas muito boa — a respeito do cumprimento de decisões judiciais. Além de servir como estudo, certamente pode ser vista como uma resposta ao ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, que em nota emitida nesta sexta-feira afirma que um pedido encaminhado à apreciação da Procuradoria-geral da República, se acatado, “poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.

Na ótima exposição sobre o respeito à Justiça, a qual devemos nos sujeitar, conforme citação do ministro de uma frase de Cícero. “Somos servos da lei, para que possamos ser livres”, disse o filósofo, “grande tribuno, político, Advogado, Senador e Cônsul da República romana”, nas palabras do juiz do STF.

Para sustentar sua visão, Celso de Mello cita também Alexander Hamilton. O federalista da independência dos Estados Unidos deve ser um dos nomes mais procurados hoje em dia na internet, pois foi também largamente citado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, em artigo publicado há poucos dias no Estadão e objeto de muita discussão, até porque pareceu a alguns que trazia um recado autoritário. Claro que a referência, digamos cruzada, também não é à toa.

No início da decisão, fazendo referência a Alexander Hamilton, o ministro do supremo elogia Jair Bolsonaro, de uma forma que também me pareceu um recado geral e até meio irônico. Bolsonaro é elogiado pelo cumprimento da ordem judicial que pediu a entrega da gravação, agora liberada com toda a transparência a todos os brasileiros.

Vejam o que Celso de Mello escreveu:

“O Senhor Presidente da República, certamente atento à lição histórica de Alexander Hamilton, e mostrando-se fiel servidor da Constituição Federal, cumpriu ordem judicial emanada desta Corte e apresentou ao Supremo Tribunal Federal, por intermédio do eminente Senhor Advogado-Geral da União, a gravação que lhe havia sido requisitada (HD externo/número de série NA88DDP3, patrimônio da Presidência da República nº 195.1992). Vale assinalar que o Senhor Chefe do Poder Executivo da União, ao assim proceder, submeteu-se, como qualquer autoridade pública ou cidadão deste País, à determinação que lhe foi dirigida pelo Poder Judiciário, cujas decisões – como todos sabemos – devem ser fielmente atendidas por aqueles a quem elas se dirigem, cabendo observar, neste ponto, por relevante, que eventual inconformismo com ordens judiciais confere a seus destinatários o direito de impugná-las mediante recursos pertinentes, jamais se legitimando, contudo, a sua transgressão, especialmente em face do que prevê o art. 85, inciso VII, da Constituição Federal, que define como crime de responsabilidade o ato presidencial que atentar contra “o cumprimento das leis e das decisões judiciais” (grifei).”

Para quem tiver o interesse em ler na íntegra a decisão de Celso de Mello, deixo aqui o link. Aconselho a leitura.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


O bolsonarismo vai pro ataque na tentativa de se defender do desastre causado por eles mesmos

Bolsonaristas estão atacando com ferocidade o ministro Celso de Mello, do STF, em uma ação concentrada, que vai de Olavo de Carvalho ao deputado Marcos Feliciano, claro que com a participação de seguidores e ainda mais ativa com os milhares de robôs. A máquina bolsonarista é turbinada artificialmente para parecer espontânea. O ministro mandou para a análise da Procuradoria-geral da República três notícias-crimes contra Jair Bolsonaro apresentadas por PV, PDT e PSB. Os partidos pedem o depoimento do presidente, a busca e apreensão dos celulares dele e de seu filho Carlos Bolsonaro, para passarem por uma perícia.

O bolsonarismo têm bons motivos para odiar o decano do STF. Relator do inquérito que apura se Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal, ele tem dado à investigação uma velocidade desconcertante para os governistas. Provavelmente podem surgir provas que sirvam a outro inquérito que perturba o sono de bolsonaristas, este a cargo do ministro Alexandre de Moraes, que vem trabalhando no chamado “inquérito das fake news”.

De qualquer modo, os inquéritos se cruzam, já que pelo que até agora se sabe dos casos que levaram a abertura de cada inquérito, os métodos empregados indicam que existe um comando central das patifarias que incomodaram os juízes do supremo, que não estão preocupados apenas com fake news espalhadas pelas redes sociais por robôs e idiotas úteis que servem a um projeto de poder de uma malignidade rara em nossa história política.

Esta direita desequilibrada ultrapassou limites, com uma afobação que não permitiu que eles notassem que ainda não haviam adquirido força suficiente para avançar na ousadia criminosa que alertou o STF do perigo para a democracia. Um exemplo prático sobre a dimensão desse risco está na pressão que vem enfrentando o  empresário Paulo Marinho, que foi um dos principais apoiadores da campanha presidencial de Jair Bolsonaro. Na semana passada ele denunciou o vazamento da Operação Furna da Onça, da Política Federal, para Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

Marinho sofreu ameaças de morte e teve que pedir proteção policial, além de ter tido indícios de que contas bancárias suas no Bradesco e no Banco do Brasil foram acessadas ilegalmente. Segundo a revista digital Crusoé, o empresário sofre também uma devassa em seus negócios, inclusive com a busca de informações “sobre as circunstâncias em que um apartamento de luxo na Fisher Island, em Miami, foi transferido para uma empresa ligada à mulher dele”. Segundo a revista, ex-amigos do empresário ajudaram a reunir as informações.

As linhas de investigação fatalmente devem se juntar nos inquéritos do STF, em outras investigações que podem surgir mais a frente ou mesmo com descobertas feitas pela imprensa, como aconteceu com as revelações de Paulo Marinho, que surgiram em matéria da Folha de S. Paulo, com a denúncia de que um mês antes da eleição de primeiro turno Flávio Bolsonaro foi avisado por delegado da PF sobre investigação na qual ele seria alvo e que atingiriam a campanha presidencial de Jair Bolsonaro.

Ministros do supremo já tiveram parentes ameaçados e eles próprios já denunciaram que foram alvos de invasão de privacidade, intromissões ilegais que atingem também jornalistas e políticos que fazem oposição a Bolsonaro. Claro que com o clima de conturbação criado pelo presidente e seus seguidores surgem ameaças vindas de malucos que não configuram ameaça real. No entanto, aloprados criando confusão e compartilhando fake news é o que menos preocupa. O que de fato é muito perigoso está mais acima, nos organizadores que estão por detrás de graves ameaças à democracia no Brasil.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

quinta-feira, 21 de maio de 2020

O direito de ver o vídeo de 22 de abril: libera tudo, ministro Celso de Mello

O ministro Celso de Mello já tem pronto seu voto sobre o sigilo do vídeo com a gravação da reunião ministerial de 22 de abril, a mais famosa reunião de trabalho do governo de Jair Bolsonaro, quando segundo Sergio Moro o presidente ameaçou intervir politicamente na Polícia Federal.

O ministro do STF disse que anuncia sua decisão nesta quinta-feira ou amanhã. Não importa o dia: a gente espera. O mais importante é que a liberação seja na íntegra. Segundo o que se diz, Celso de Mello ficou chocado com o que viu. Bem, nós também queremos ficar chocados.

Acho até que isso é um direito de todo cidadão. Como a nossa Constituição tem de tudo, podia até constar nela um artigo que garantisse a liberação na íntegra de vídeos como esse. Todo brasileiro tem o direito de se chocar com reuniões ministeriais do governo federal. E revogam-se as disposições em contrário.
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POR José Pires

O dramalhão de Regina Duarte e os rombos bolsonaristas na cultura brasileira

Que triste carreira Regina Duarte vem fazendo no governo de Jair Bolsonaro. Como é que uma artista pode jogar no lixo desse jeito décadas de construção de um prestígio que fez dela uma das personalidades mais marcantes da história da televisão brasileira?

Regina ficou apenas 78 dias na Secretaria da Cultura, nos quais não conseguiu nem formar uma equipe. Entrou com a promessa de carta branca e saiu com um bilhete azul disfarçado de transferência para outro cargo. Foi despachada pelo presidente para a Cinemateca Brasileira, onde eu já disse que dificilmente poderia durar muito tempo.

Pois até para assumir o cargo enfrentará dificuldades jurídicas, criadas pela falta de efetividade desse governo em qualquer área. Mas tem mais. Com o anúncio da transferência da atriz a imprensa foi atrás do assunto e descobriu problemas graves na Cinemateca, que está abandonada pelo governo. A instituição que existe para cuidar da memória do cinema brasileiro está próxima da falência.

Seus custos de manutenção são de quase R$ 13 milhões por ano e o governo Bolsonaro descumpre o compromisso financeiro. Em 2019 foram repassados pelo governo apenas R$ 7 milhões. Nenhum real foi pago este ano, o que obrigou a Fundação Roquette Pinto a colocar R$ 10 milhões de seu próprio orçamento para evitar o colapso.

Cabe lembrar que a instituição que deve zelar por uma memória essencial para a cultura brasileira sofreu um grave incêndio em 2018. Também dá para imaginar a dificuldade que a instituição vem tendo no atendimento ao público e as dificuldades na preservação do patrimônio nacional.

Essas coisas só aparecem quando um assunto atrai a atenção da imprensa. Deve ter muitos mais desastres desse tipo, mantidos escondidos nesses quase dois anos de Bolsonaro no poder, prontos para serem detonados causando prejuízos ao país. Está aí uma caixa preta que vai dar o que falar depois que o Brasil conseguir se livrar desse traste político.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

O discurso sabotador de Bolsonaro demolido pelo contágio do coronavírus

Aparecem o tempo todo comprovações de que Jair Bolsonaro está errado na sua visão sobre o combate ao coronavírus. Nesta quinta-feira o jornal O Globo traz uma notícia que diz que o deputado bolsonarista Luiz Lima pegou Covid-19. O deputado é um dos parlamentares que no final do mês passado Bolsonaro levou para a frente do Palácio da Alvorada para defendê-lo e atacarem prefeitos e governadores nas suas políticas de combate ao vírus. Foi nesse dia que Bolsonaro soltou a frase horrorosa do “E daí?”, sobre os mortos do coronavírus.

O Globo revela hoje que também estão com Covid-19 a mulher e a filha do deputado bolsonarista. As duas haviam sido detidas pela PM do Rio de Janeiro porque estavam violando a quarentena na praia de Copacabana e Lima falou desse episódio no dia em que esteve ao lado de Bolsonaro. Desde então, o presidente usa este fato para acusar governadores de excessos durante a pandemia.

A mulher e a filha do deputado bolsonarista pegaram Covid-19 e eram assintomáticas. O deputado Luiz Lima também pegou. O Rio de Janeiro está próximo de um colapso hospitalar por causa da enorme quantidade de infectados pelo coronavírus, problema que saiu do controle do governo estadual em grande parte por causa do descumprimento de regras de isolamento social, atacadas pelo deputado bolsonarista junto com Bolsonaro.

Cabe perguntar quantas pessoas não foram contaminadas por ele, sua mulher e sua filha. O mesmo questionamento deve ser feito a Bolsonaro, que comanda a sabotagem e a desinformação que favorecem o aumento da doença, com uma mortandade que nunca se viu na história do país.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Lula fazendo das suas com o coronavírus

Não há porque espantar-se com Lula vendo um lado bom na pandemia do coronavírus. O chefão petista sempre foi um ignorante e a esquerda atolou-se em um projeto político do atraso ao vincular-se a uma figura dessas, que além do mais é um corrupto. O que não se sabia é que a direita elegeria um presidente ainda mais ignorante que Lula. Pobre Brasil.

Em live transmitida nesta terça-feira, Lula disse o seguinte: “Ainda bem que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus para que as pessoas percebam que apenas o Estado é capaz de dar a solução, somente o Estado pode resolver isso”.

Quebrou a cara e depois pediu desculpas, mas a verdade é que uma fala idiota como esta faz parte da essência de seu pensamento. O que é morte de mais de 17 mil pessoas pelo vírus para quem fez carreira explorando o quando-pior-melhor? Haja paciência. Temos que aturar um sujeito que devia estar preso, mas foi solto para fazer suas politicagens, tentando aproveitar-se do desespero dos brasileiros.

Não é a primeira vez que o condenado por corrupção solta suas besteiras, tampouco será a última. Em setembro de 2003, logo depois dele assumir seu primeiro mandato, houve uma explosão na base de Alcântara que provocou a morte de 21 técnicos. Pois esse bestalhão disse então que “há males que vêm para bem”, emendando a idiotice dizendo que a tragédia “ao invés de prejudicar, pode estimular os avanços do conhecimento tecnológico”.

Claro que o episódio ficou apenas na cretinice dita por ele, pois em todo o período de governos do PT a área da ciência e tecnologia foi totalmente desprestigiada. Do mesmo modo, Lula e os petistas também não podem falar da crise do coronavírus sem arcar com a responsabilidade dos quatro mandatos petistas nas graves dificuldades da saúde pública, abalada inclusive pela roubalheira instalada pelos petistas no Governo Federal.
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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌