sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O encrenqueiro global Jair Bolsonaro

Pelas contas até agora, o presidente Jair Bolsonaro já criou problemas diretos com a França, Noruega e Alemanha, colocando-se de forma errada em uma questão essencial hoje em dia nas relações comerciais em todo o mundo, a não ser, é claro, que seu governo tenha o interesse em estabelecer parceria preferencial com países despreocupados com o desmatamento, poluição, enfim com a desatenção a problemas locais que contribuem para o aquecimento global.

As encrencas de Bolsonaro se devem à sua língua grande e a dificuldade de compreensão, em proporção inversa à quantidade de bobagens que expele toda vez que é confrontado com algo muito além da sua capacidade de entendimento, na maioria das vezes em questões básicas.

Bolsonaro costuma justificar seu desconhecimento, alegando que tem dificuldade em dar respostas sensatas apenas sobre assuntos do conhecimento exclusivo de especialistas. Isso é conversa piada. O presidente se embaralha em assuntos que saem na imprensa todos os dias. Na maioria das vezes são perguntas até bastante simples que recebem dele reações agressivas ou sem sentido, típicas de gente desqualificada que sofre quando é revelada sua ignorância.

Os problemas criados por Bolsonaro com autoridades européias nem podem ser colocados em um âmbito ideológico. Merkel é conservadora, o governo de Macron também não pode ser tido como esquerdista. Além do mais, já faz um certo tempo que esta questão que deixa o presidente muito nervoso não divide as opiniões políticas na Europa. O aquecimento global já um consenso, até porque o continente europeu já sente o efeito, com perspectivas preocupantes na saúde das populações e na agricultura. A desconfiança na atualidade entre os europeus com o tema do meio ambiente só existe entre lideranças de extrema-direita, com certa relação com um fascismo de caráter valentão, mais próximo de briga de rua do que de alguma ideologia.

O mundo andou bastante na questão ambiental. Até o chamado princípio de precaução ficou para trás, porque em muitas situações a realidade já comprova o que já vem deixando de ser projeção científica. Infelizmente neste tema a classe dirigente brasileira também ficou para trás. Até as piadas são velhas demais, defasadas em pelo menos uma década, como na repetida gracinha que se faz toda vez que numa cidade qualquer enfrenta-se uns dias de frio.

A política de cabeça-dura de Bolsonaro no tema do meio ambiente soa desse jeito, como piada velha, o que vem confirmar seu perfil de tiozão do churrasco. O perigo é que o tiozão está no mais alto cargo da República, de onde desmonta mecanismos de investigação e controle sobre o meio ambiente, elimina regras importantes. E com isso monta uma bomba-relógio contrária ao interesse nacional. Até aqui, só nos resta ter a esperança de que qualquer consequência negativa no plano mundial seja de longo prazo. Um colapso ecológico traria de imediato a necessidade de uma intervenção de países preocupados com a própria sobrevivência de suas populações.

Mas não é preciso temer apenas o futuro. O boquirrotismo bolsonarista já traz consequências negativas de alto peso. Pode-se esquecer a abertura do mercado europeu, no acordo de livre comércio que ligaria Mercosul e União Européia, que viria bem não só pelas necessidades urgentes da nossa economia como também pela relação direta com um continente onde existe um vigor de cultura e inteligência, com as tecnologias para enfrentar os dilemas que na atualidade colocam em risco muito mais que a economia mundial. Mas no nosso caso, já está mais que claro que só vai dar pra fazer algo de bom acontecer globalmente para o Brasil quando Bolsonaro não estiver mais no poder.
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POR José Pires

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Trump, suas pós-verdades e seus discípulos

O jornal americano Washington Post vem fazendo uma checagem periódica das falas e mensagens nas redes sociais do presidente Donald Trump e com isso chegou a um resultado impressionante. O mundo inteiro sabe que Trump é um mentiroso, sendo ele um aplicado explorador da chamada “pós-verdade”, mas mesmo assim é de tomar um susto quando os números são revelados na sua inteireza, como fez o Washington Post.

Até os primeiros dias deste mês, conforme descobriu o jornal americano em seu “fat checker”, o presidente Trump havia realizado 12.019 afirmações incertas. A avaliação do material foi até o dia 5 de agosto, o que completa 928 dias no cargo. Isso significa que Trump falseou dados da realidade uma média de 13 vezes por dia. Isto configura o que eu já escrevi, que nem se pode mais chamar de “pós-verdade” o que vem sendo feito na política, pois apagou-se qualquer verdade anterior. É a mentira em cima da mentira, o que seria melhor chamar de “pós-mentira”.

Mas o fato é que temos um governo altamente poderoso que vem sendo movido por um manipulador sem escrúpulos. Na política, esta mandracaria sequer é nova. O sistema comunista, que teve início na Rússia a partir de 1917, estabeleceu este procedimento como um método de manutenção do poder e do ataque aos adversários. É verdade que o capitalismo sempre teve também disso, mas nunca o equilíbrio de forças tendeu de tal modo para o uso abusivo da mentira, como acontece hoje.

E a equação da pós-verdade de Lênin, Trotsky e Stalin continha também a eliminação física do inimigo e podia inclusive fazer dos próprios companheiros este alvo, como Trotsky descobriu um pouco adiante. O fascismo também fez uso dessa manipulação que embaralha a mente das massas. E o nazismo se fez a partir de mentiras, a começar da construção falsa de um inimigo fenomenal na figura do judeu, um fake news histórico que acabou no Holocausto.

O que tem de novo nesta manipulação é a facilidade criada pela tecnologia cibernética, na multiplicação da mentira e da fraude. E que ninguém acredite, por favor, que este meio permite que qualquer um transforme o mundo a partir de seu celular. A manipulação exige estrutura e dinheiro, contando também com bases materiais que incluem a manutenção de um clima ameaçador, sendo obrigatório que a inverdade ecoe e seja repassada por militares, políticos, advogados, jornalistas e também pelos figurões do Judiciário.

Isso não pode sair da casa de um cidadão comum porque nela falta uma “caneta bic” capaz de distribuir dinheiro e poder. E chegamos até o fã mais poderoso de Trump no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro, que segue à risca as lições do mestre, fazendo o serviço de forma meio tosca e evidentemente com menos aparato técnico e político que seu ídolo político americano, mas perseguindo o objetivo comum de ter mais e mais poder. Se for feita uma checagem do que saiu até agora da boca de Bolsonaro e das suas mensagens nas redes sociais, vai-se chegar a números altos de manipulação e mentira. Acho até difícil encontrar algum trigo dentre tanto joio.

A receita é a mesma de Trump e o entusiasmo na sua aplicação por Bolsonaro vem da sua crença e do respeito do pessoal de seu entorno à trajetória do presidente americano. Eles acreditam fanaticamente nessa desconstrução contínua. O sucesso da campanha de Trump, com a surpreendente eleição para presidente dos Estados Unidos, estimulou esta ideia política do eterno embaralhamento da realidade. O que esse método evidentemente não contempla são resultados de qualidade no governo de um país, como os brasileiros sentem na própria pele, com a economia atolada numa crise desesperadora e sem rumo algum, enquanto o Brasil vai se aguentando como pode, quase naufragando em meio a tanta mentira e confusão.
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Imagem- Bolsonaro, feliz igual a um pinto no lixo, mas na Casa Branca ao lado do
grande ídolo; foto de Alan Santos, PR
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POR José Pires

terça-feira, 13 de agosto de 2019

A herança maldita do petista Fernando Pimentel em Minas Gerais

A Polícia Federal fez buscas nesta segunda-feira no apartamento e outros endereços do petista Fernando Pimentel, ex-governador de Minas Gerais. A ação foi da Operação Monograma, contra lavagem de dinheiro e crimes eleitorais. O objetivo da operação é comprovar o vínculo de Pimentel com empresas de consultoria que receberam 3 milhões de reais da empreiteira OAS.

Em coletiva para a imprensa, o delegado federal Marinho Rezende disse que “há indícios fortes de que ele era sócio oculto e tinha poder de mando nessas empresas”. Segundo o delegado, a OAS “estaria devolvendo dinheiro em relação a um benefício que recebeu” do ex-governador petista.

Os agentes policiais encontraram uma dinheirama no apartamento de Pimentel. Foram encontradas cédulas de euros, dólares e libras esterlinas, que a PF estima em cerca de 60 mil reais. Como se vê, o ex-governador mineiro, que perdeu a última eleição para Romeu Zema, do Partido Novo, está com a vida garantida, até porque quem tem tudo isso em espécie embaixo do colchão com certeza deve ter mais bens e dinheiro em outros cantos.

Não é a mesma situação da população de Minas Gerais, nem mesmo do funcionalismo público estadual. Em entrevista ao vivo nesta terça-feira ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, o governador Romeu Zema disse que pela condição em que encontrou o governo estadual a última coisa que se pode falar do governo anterior, do petista Pimentel, é gestão. “Não aconteceu gestão em Minas”, ele disse “aquilo era um punhado de gente lá dentro, cada um fazendo o que bem entendia”. Abaixo dou o link da entrevista.

Zema explicou que encontrou um estado falido financeiramente, com “números assombrosos” neste descalabro administrativo, com a máquina governamental totalmente desestruturada e inchada. Tinha restos a pagar de 21 bilhões, com várias empresas fornecedoras do governo em falência, devido a falta de pagamento. As prefeituras mineiras estavam quebrando, pois não estavam recebendo os recursos constitucionais que é de direito. Pegaram “uma terra arrasada” pelos petistas em Minas.

Segundo ele, com o esforço administrativo, nesses sete meses de governo já restabeleceram os pagamentos para as prefeituras e conseguiram finalmente pagar o 13º salário do funcionalismo do ano passado, que o governo petista não pagou. O governo poderá também estabelecer uma data para o funcionalismo, em que o salário passará a ser pago em dia, eliminando finalmente o atraso que veio como parte da herança administrativa maldita do PT.

Como se vê, Fernando Pimentel cumpriu à risca a cartilha petista. Estava implantado em Minas Gerais o modo petista de governo: cuidou do dele e mandou às favas o interesse público e o respeito ao dinheiro do contribuinte. E pretendiam se perenizar no poder. O partido do Lula quis não só reeleger Pimentel como tentaram eleger Dilma Rousseff para o Senado. O eleitor mineiro é que não foi bobo. Deram um basta ao PT. O governador petista nem foi para o segundo turno. Ele e Dilma foram logo mandados para casa. Ficaria ainda melhor se as investigações da PF e o Ministério Público agora mandasse Pimentel para a cadeia.
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POR José Pires


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Eduardo Bolsonaro, o embaixador da corte do paizão presidente

Até que enfim um líder bolsonarista deu uma explicação detalhada para justificar a indicação de Eduardo Bolsonaro pelo pai presidente para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Foi o presidente do PSL, que disse o seguinte: “A relação de embaixador é uma relação muito de confiança e apreço. Passando isso para a Idade Média, geralmente os reis entregavam suas filhas, seus filhos”.

Ah, bom. Mais interessante ainda foi o exemplo dado por Bivar. Ele comparou o caso da indicação do filho de Bolsonaro com o casamento entre Catarina de Aragão e Henrique VIII, rei da Inglaterra. O presidente do PSL quer parecer erudito. Parece coisa de leitor do Wikipédia, embora seja mais provável que essa conversa venha da série da Netflix que explora este período Tudor.

Vejam sua explicação mais detalhada: “Catarina de Aragão era filha do rei Filipe, foi casada com Henrique VIII para fazer uma aproximação entre Espanha e Inglaterra. Isso faz parte, é um contexto. Antropologicamente nós somos os mesmos, do mundo da pedra até hoje, então essa sinalização do Brasil em relação aos Estados Unidos é uma relação de muita proximidade”.

Esses fatos interpretados pelo presidente do PSL de forma singular ocorreram no século 16. Ele não conta que logo Henrique VIII quis dar um chega-pra-lá em Catarina, que não lhe dava um filho varão para herdeiro. Mas não teve acordo com Roma. A anulação do casamento não foi permitida pelo papa Clemente VII. O conflito do rei com Igreja Católica deu origem à Igreja Anglicana, criada para ele poder casar com Ana Bolena, mais famosa hoje em dia que Catarina de Aragão, mas que também se deu mal com o maridão. Foi executada sob acusação de adultério. O rei conseguiu o divórcio criando sua própria igreja, mas não teve felicidade no casamento. Casou com seis mulheres, mandou matar duas delas.

Se tivesse interesse, Bivar poderia ter usado os outros casamentos para justificar a indicação do filho por seu chefe Bolsonaro. Não houve nenhum sem implicação política. Seria de bom tom deixar de lado o de Ana Bolena e da outra falecida, claro, pois tendo sido mortas a mando do marido fica delicado encaixar no tema da embaixada americana. Acredito que também não caberia usar as amantes do rei inglês para exemplificar, nem falar de sua sanha assassina, que fez alguns historiadores o terem como um psicopata.

Intrigas, traições, cabeças rolando, teve até fake news naquele tempo, enfim muita coisa parecida com a corte bolsonarista. A época escolhida por Bivar para posar de erudito serve para variadas leituras, encaixando-se até nos aspectos religiosos do bolsonarismo. É o período da Reforma Protestante, o que pode servir talvez para uma inflexão na intensa relação político-religiosa atual de Bolsonaro com a bancada evangélica. Mas vamos esperar que o próprio presidente do PSL desenvolva sua espantosa e muito interessante explicação para o ato de nepotismo de Bolsonaro. Agora, com Henrique VIII no meio, o assunto pode render ainda mais.
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POR José Pires

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Eduardo Bolsonaro: um embaixador que depende da eleição de Donald Trump

Se referendar a indicação de Eduardo Bolsonaro para embaixador nos Estados Unidos o Senado brasileiro vai dar um dos cheques em brancos mais arriscados da sua história recente. É evidente que o garoto do presidente Jair Bolsonaro vai ser um problema no cargo. Acho difícil que os senadores encarem o comprometimento por esta indicação imoral, com uma carga de nepotismo e favorecimento familiar de abalar a credibilidade mesmo de uma instituição que não é lá essas coisas em matéria de senso de responsabilidade.

Não é apenas o inglês de Eduardo Bolsonaro que o desqualifica para a função. O filhão de Bolsonaro esteve hoje na FIESP, em visita para pedir apoio dos empresários e sair na mídia. A notícia é de O Globo. O deputado quer que os empresários intercedam junto a senadores para facilitar sua aprovação na sabatina e na aprovação pela Comissão de Relações Exteriores e no plenário do Senado.

O nível da argumentação de Eduardo antecipa que se ocorrer de fato, essa sabatina vai ser um espetáculo. Ele procurou ganhar a simpatia da plateia  apelando para a velha tática de jogar uns contra os outros, que depois de ser muito usada pelo PT agora é também um hábito da direita. “No final das contas, os senhores não são os malvadões que exploram os empregados, mas aqueles que dão o pontapé inicial na geração de empregos”, ele disse, garantindo que sua relação com Donald Trump será um diferencial nas relações comerciais com o Brasil.

Suas palavas: “Conto com o apoio dos senhores (…) para poder dizer [aos senadores] que essa abertura que tenho na Casa Branca vai ajudar muito a acelerar os acordos comerciais”. Ele vem repetindo essa bobagem desde que seu paizão anunciou que iria dar-lhe esse presente, sem que ninguém tenha lhe perguntado de onde ele tirou essa ideia de que é a partir de uma relação pessoal que os americanos pautam seus interesses comerciais. Só por esta visão provinciana e totalmente equivocada, já caberia dispensar o pretenso embaixador.

Por este raciocínio, o período que o Brasil deveria ter tido mais facilidade com os Estados Unidos seria o de Fernando Henrique Cardoso como presidente. Seus dois mandatos foram praticamente em paralelo com o governo de Bill Clinton. E nunca houve um brasileiro com tanta intimidade com um presidente americano como FHC com Clinton. No entanto, a coisa não foi fácil para o Brasil.

Caberia também questionar o deputado de influência internacional como é que ficaria se Trump perder a eleição no ano que vem. Ora, um embaixador nomeado a partir dessa premissa iria ficar numa situação difícil, não é mesmo? Se Trump não se eleger o presidente terá de chamar o embaixador de volta. E lançar nota oficial de protesto contra os eleitores americanos.

Com a estratégia sem sentido que ele e seu pai vêm tocando junto a Donald Trump, se o Partido Democrata ganhar as eleições, no popular, o bicho vai pegar. Claro que neste cenário político a grave complicação nas relações do Brasil com os Estados Unidos não dependerá de quem vai estar na embaixada brasileira em Washington. Mas é melhor que não seja o filho do presidente que berra para o mundo qual é o seu voto nesta eleição.
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POR José Pires

Impunidade: o exemplo que vem de cima

A prisão de Eike Batista mal chegou a dois dias. No sábado, foi libertado por habeas corpus concedido pela desembargadora Simone Schreiber, do Tribunal Regional da 2ª Região. No país em que centenas de milhares de pessoas são mantidas presas sem condenação sequer em primeira instância, as portas das celas se abrem com facilidade quando o acusado tem dinheiro e poder. O Judiciário funciona até no final de semana quando são maiorais os encrencados com a lei.

Eike não é um simples batedor de carteiras. Em 2010 ele era tido como o homem mais rico do Brasil e oitavo do mundo, segundo a revista Forbes. Sua fortuna era estimada em US$ 34 bilhões. Ele foi uma das peças no plano de Lula e Dilma Rousseff de gigantes em seus setores, competitivos no mercado internacional. É claro que esta é a explicação econômica de um esquema para lá de suspeito, que resultou até na prisão de Lula, que sempre esteve no comando mesmo no governo Dilma. E como todos sabem dá nós até em pingo d’água quando em negócios que o favorecem.

As encrencas de Eike têm a ver com esse modelo petista de governo, mas o empresário favorito de Lula já passou a noite de sábado em casa. E na soltura de Eike tem algo com uma relação muito interessante com esta reação que ocorre atualmente para forçar o Brasil a retroceder aos tempos amenos em que processos de bacanas rolavam durante décadas até se extinguirem. Em sua decisão, a desembargadora citou decisão do ministro Gilmar Mendes, crítico do uso de prisões cautelares ou de qualquer outro rigor para melhor combater crimes contra os cofres públicos, especialmente nos últimos tempos. Na decisão da juíza está uma definição dele, que afirma que fala do uso desse tipo de prisão “como forma de submeter o suspeito a interrogatório ilegal”.

Bem, na investigação de crimes de corrupção, se em um dado momento da investigação não houver a prisão cautelar, o suspeito pode em poucas horas desaparecer com tudo que o incrimina, além de movimentar contas e “desmotivar”, digamos, testemunhas contrárias a suas mamatas. Isso ocorre também em crimes violentos. Ou alguém acha que uma investigação sobre traficantes ou milicianos pode correr bem com o criminoso passeando tranquilamente, às vezes de fuzil na mão, na sua localidade? Gilmar Mendes, que é um homem que é uma figura que só não anda cercada de segurança na Europa, onde vai sempre cuidar de seus negócios, certamente não sabe o que é ter um bandido violento na esquina de seu bairro.

Gilmar Mendes é um crítico feroz da operação que desbaratou o maior esquema criminoso da história do país, surgido durante o ciclo de governos do PT e que tem o chefão Lula envolvido e condenado em segunda instância. Junto com alguns colegas do Judiciário, ele se auto-intitula como “legalista”. O problema é que o legalismo deles serve para soltar o Elias Maluco, cujo codinome facilita observar seu currículo sem a necessidade nem de olhar os processos.

As declarações de Gilmar contra a Lava Jato são grosseiras, incompatíveis com a responsabilidade de seu cargo. Em que país um juiz do Supremo diz na imprensa que autoridades da Justiça compõem uma “quadrilha criminosa” (sic) e tudo fica por isso mesmo? No Brasil desse STF, claro. Existem vários pedidos de impeachment contra ele no Senado, inclusive um pedido do jurista Modesto Carvalhosa. No entanto, o ministro do STF é uma das figuras blindadas pela parte podre da classe política. Os processos contra ele no Senado vão todos para a gaveta do atual presidente, David Alcolumbre, do mesmo modo que ocorria com os anteriores, como Renan Calheiros, com processos graves que dormem nas gavetas do STF.

Mais cedo do que se podia pensar criou-se uma jurisprudência com o nome do ministro do STF mais ativo e agressivo contra juízes e promotores que trabalham para acabar com a impunidade. É para ficar para a História. Ou para o lixo dela, no que vai depender da reação dos brasileiros de bem. Pode ser chamada de “jurisprudência Gilmar Mendes”.

Isto é apenas um petisco do que pode vir por aí, caso sejam vitoriosos o que tramam um desmonte do rigor na pressão sobre criminosos, que foi instaurado pela Lava Jato, agora alvo de um plano para a volta da impunidade. Eles tramam o fim da prisão em segunda instância e a soltura de Lula, o criminoso que simboliza um esquema amplo de domínio do país por uma plutocracia com espírito de milícia de colarinho branco. Querem amaciar a lei para os poderosos, acabando com ritmo que incomoda os corruptos. Ou o Brasil se levanta contra este plano ou será como no jargão das saúvas: ele acaba com o Brasil.
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POR José Pires

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Bolsonaro, o erro insuportável

Tem momentos em que fica difícil saber se Jair Bolsonaro se faz de idiota para fugir do aprofundamento de certos assuntos ou de fato não tem capacidade de compreensão. Em evento na Fundação Lemann em São Paulo, Rodrigo Maia disse que Jair Bolsonaro é “produto de nossos erros”.

A crítica é pesada e típica de quem já não tem mais paciência de suportar idiotices e desaforos, sentimento que aliás vem se generalizando. Tirando uma parcela restrita ainda que muito barulhenta de fanáticos, quem é que pode agüentar tanta besteira? Mais adiante, Bolsonaro foi questionado sobre o que Rodrigo Maia disse dele e fez que não entendeu. Ou não conseguiu mesmo compreender a fala do presidente da Câmara. Alguém que não seja sem noção veria logo que foi uma critica pesada.

Vejam o que Bolsonaro respondeu: “No meu entender, não foi uma crítica pessoal para mim. Eu acho que o Rodrigo Maia… Parabéns! Se é que ele falou isso mesmo. Olha só, mudou, realmente, de esquerda para centro-direita ou direita o governo. Então, o erro não é dele, é da esquerda que estava no poder”.

Claro que seus seguidores verão na resposta uma atitude de grande esperteza. Para esse pessoal, Bolsonaro sempre leva a melhor, o que não e verdade, conforme demonstra essa forma do presidente da Câmara se referir ao presidente da República. Como eu disse, a declaração é significativa de um país que está de saco cheio desse presidente totalmente desqualificado. O sujeito é despreparado até para as relações mais simples de um governante.

Não se sabe ainda como dispensar alguém tão problemático. Em qualquer atividade mais simples, Bolsonaro já teria sido colocado para fora ou seria ignorado, como acontecia com ele na Câmara, quando nenhum colega tinha relação próxima com ele. Porém, ironicamente no cargo mais importante da República é mais difícil se livrar o estorvo.

Mas o fato é que já existe uma consciência coletiva de que com ele não dá. Enquanto não descobre um jeito de mandá-lo para casa, a sociedade civil vai suportando a chateação, pensando como evitar o desastre que alguém tão deficiente tudo pode ser para o futuro do país. Democracia tem disso. E até encontrar uma maneira de dar um chega-pra-lá em Bolsonaro, para a maioria dos brasileiros ele já está devidamente colocado como produto de um erro brutal, que precisa ser corrigido o quanto antes.
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POR José Pires

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Lula, Alexandre Nardoni e Richthofen: tudo a ver

Lula poderá pedir progressão de regime para o semiaberto a partir de 23 de setembro. A notícia é do jornal O Globo. Isso mesmo, já no próximo mês o presidente salafrário que no poder agiu de forma tão escandalosamente desonesta que desmontou a economia do país e arrasou moralmente a política brasileira poderá ir para o semiaberto.

Em setembro ele completa um sexto da pena. O Brasil é assim, todo compreensivo com seus criminosos, mesmo com políticos que instalam esquemas que prejudicam com a vida dos brasileiros. Lula poderá ficar em prisão domiciliar ou sair para trabalhar durante o dia e se recolher à noite e durante os finais de semana e feriados.

É revoltante, mas não deixa de ter lógica, dado o contrassenso que é a Justiça brasileira. No país em que Suzane Richthofen e Alexandre Nardoni são liberados da cadeia para comemorar o Dia dos Pais é muito natural que Lula também seja beneficiado antes de pagar completamente por seus crimes.
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POR José Pires

O Dia dos Pais desmoralizado pela Justiça brasileira

A situação da Justiça brasileira é tão degradada que dá a impressão de que as autoridades fazem até ironias com a maioria da população que vive com honestidade, não por medo de ir para a cadeia, mas por um senso moral que vem da própria formação. Não estou falando só da moleza com que o condenado Lula vem sendo tratado, mesmo que isso também venha dando a impressão de que gozam com a nossa cara. O quadro é mais amplo, embora o chefão petista tenha hoje em dia um papel definidor do futuro da criminalidade.

A piada pronta do dia, a zoação grosseira com os brasileiros que respeitam o próximo, é a notícia da saída de Alexandre Nardoni da prisão para curtir o Dia dos Pais. Desde abril o paizão está no regime semiaberto, por isso a saidinha. Todo mundo sabe de quem se trata, mas cabe um rápido histórico. Ele participou da morte da própria filha, uma criança de seis anos, junto com sua mulher Anna Carolina Jatobá, que não era mãe da menina. Os dois foram condenados em 2008. Ele pegou 30 anos e dois meses de prisão, mas quem é que cumpre a pena integralmente neste país? Nem os criminosos mais cruéis. Também escapam do rigor chefes políticos como Lula, responsável por uma escalada de imoralidades com o dinheiro público que jogou o Brasil em uma condição desesperadora, da qual será difícil o país se safar.

Mas voltemos ao outro condenado, o Nardoni. Depois de ser espancada e asfixiada, sua filha foi jogada inconsciente do sexto andar do apartamento onde morava com ele e Anna Carolina Jatobá, que também aproveita a saidinha de Dia dos Pais. Ela faz isso desde 2017. Foi condenada a 26 anos e oito meses de reclusão por um crime de uma crueldade absurda, mas já está sendo tratada como se tivesse cometido uma infração menor. Obteve progressão de regime antes do parceiro, em 2017. Também está no semiaberto. Pelas leis brasileiras, logo mais ambos estarão soltos. Esta falta de rigor soa como um aceno para a liberação dos piores instintos de uma coletividade, podendo ser um estímulo a esta impressionante quantidade atual de crimes absurdos.

A saidinha de Nardoni de Dia dos Pais deveria servir de alerta para o que pode vir por aí, caso dê certo a reação que estamos assistindo contra a Lava Jato, que junta a esquerda brasileira com seu “Lula livre”, mais uma cambada de corruptos, para dar uma amaciada no cumprimento da lei neste país. O clima de impunidade não se estabelecerá apenas na política. A partir da desmoralização da Lava Jato querem anular a prisão em segunda instância e acabar com o rigor instituído contra crimes de colarinho branco e se houver este amaciamento, com certeza vai se estender para os demais crimes. Até criminosos doidos se sentirão liberados. Se essas figuras nefastas vencerem, a vitória será também do pessoal que toca o terror contra as pessoas de bem.
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POR José Pires

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Um hacker entre Manuela D'Ávila e o sortudo Glenn Greenwald

Enquanto vai-se esclarecendo esta história do vazamento de conversas entre autoridades da Justiça, dados novos da investigação da Polícia Federal vão forçando a esquerda a explicar suas implicações com os hackers presos. E as justificativas que aparecem revelam uma impressionante facilidade da esquerda para obter informações mais que privilegiadas, muito mais que isso, afinal foram conversas privadas que caíram nas mãos de uma oposição aturdida, que há muito tempo não faz política sem que seja pela perturbação.

Walter Delgatti Neto revelou que Manuela D'Ávila, ex-candidata a vice do petista Fernando Haddad, foi a intermediária entre ele e Glenn Greenwald. E o que se viu foram bons corações ocupados apenas em fazer justiça. As coisas caem no colo desta esquerda, surgem em telefonemas inesperados. Embora o material seja de difícil captação, com o risco e o tempo exigidos para a devassa nas conversas alheias, além do óbvio custo financeiro, tudo é ofertado sem nenhum pagamento ou qualquer outro compromisso. Foi desse jeito que o material foi do hacker até as mãos de Glenn Greenwald, para a publicação em seu site, o The Intercept. O acerto passou antes pela vice-poste Manuela D´Ávila, ela também uma inocente empenhada na busca pela verdade.

Manuela ainda deu uma escutada em um diálogo de promotores, oferecido pelo hacker para confirmar que tinha uma bomba para oferecer. Com isso, além de intermediária de um crime, ela se comprometeu escutando parte das conversas roubadas. Nem passou pela cabeça dela seu papel de vice-presidente na chapa que perdeu uma eleição para o candidato que obviamente tem seu governo como alvo político nesses vazamentos. Como eu já disse, a Manuela é inocente demais, diria até uma santa, não fosse ela uma líder comunista do partido mais agressivo desta ideologia no Brasil, o notório PCdoB.

O hacker ligou para Manuela, tiveram um rápido lero. Então ela passou o número do telefone de Glenn Greenwald. Fácil, não? E só um sortudo como Greenwald pode ganhar, pautas amarradinhas desse jeito, que chegam até ele na maciota, como se dizia antigamente.

Sorte pode não lhe faltar, mas a verdade é que Greenwald não deixa de ser precavido. Aqui, no Brasil, ele tem gritado alto, exigindo respeito à liberdade de imprensa, dizendo que está sendo perseguindo, dando de dedo na cara de altas autoridade do governo. Seu site é um estimulador desses valentes que vivem chamando os outros de fascistas, sem que existam bandos de fascistas marchando pelas ruas do país e sentando a mão na cara de quem é contra o fascismo. Nunca foi tão fácil ser anti-fascista.

É sobre este "senso de precaução" de Greenwald que chamo a atenção. O dono do The Intercept tem uma ligação antiga com Edward Snowden, amizade que por sinal começou também com um gesto de coração, no oferecimento de documentos secretos do governo americano, que deu o impulso inicial para a fama internacional do dono do The Intercept. Pois bem, depois Snowden teve que fugir dos Estados Unidos. Exilou-se na Rússia, onde isso só é possível se Wladimir Putin estiver de acordo.

O governo de Putin não costuma fazer só cara feia para seus adversários. Na Rússia prendem jornalistas, pressionam pesadamente publicações. Agentes do governo perseguem quem escreve o que o governo não gosta. Sobre o governo de Putin existem acusações bem fundamentadas de assassinatos até no exterior. Por isso, quando Putin acolhe alguém, como fez com Snowden, não é exatamente por seu apreço pela liberdade de expressão ou pela defesa do sigilo da fonte.

Um caso muito conhecido na Rússia é o da jornalista Anna Politkovskaia, morta em outubro de 2006. Ficou conhecida como crítica do governo Putin em seu desrespeito aos direitos humanos, especialmente por suas matérias sobre a província rebelde da Chechênia, onde ocorreram horrores cometidos pelo Kremlin. Foi morta a tiros e até hoje não se sabe quem foi o mandante. Politkovskaia é apenas um dos nomes, de uma extensa lista de jornalistas assassinados ou que sofreram violência — claro que apenas os críticos do governo Putin.

Pois foi exatamente o governo Putin que acolheu e protege até agora Snowden, muito amigo de Greenwald. Snowden até gravou áudio em apoio à campanha do marido de Greenwald para deputado. Na Rússia certamente o dono do The Intercept não poderia atacar Putin ou alguma autoridade do Kremlin, como vem fazendo com o ministro Sergio Moro e os promotores da Lava Jato. Aliás, nem aqui do Brasil ele comenta a má situação dos jornalistas na Rússia. Imaginem o que seria de Greenwald na Rússia, explorando politicamente conversas particulares de autoridades ligadas Kremlin, como faz aqui no Brasil. E faz isso tendo inclusive a liberdade de se dizer perseguido. Bem, mas isso jamais aconteceria. Como eu disse, mais que sortudo, Greenwald é precavido.
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POR José Pires


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Imagem- A intermediária do hacker, Manuela D´Ávila, ao lado do chefão da esquerda

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Os choques de Janaina Paschoal com o Jair Bolsonaro de sempre

Janaina Paschoal está chocada com Jair Bolsonaro. A deputada estadual paulista deu uma entrevista para o UOL com várias considerações sobre a conjuntura nacional. Ela teve um “choque” com a decisão de Bolsonaro de nomear o filho como embaixador nos Estados Unidos e se incomoda também com os maus modos do presidente no geral e na forma de conduzir o governo.

Uma explicação dela sobre o teor desse choque: “Quando o presidente faz suas críticas, ele tem razão. O problema é o tom que usa. Ele perde a paciência e escracha. Até as pessoas que concordariam com ele ficam chocadas”. E sobre a indicação do filho, ela diz que está “chocada que no início do governo o presidente esteja fazendo isso”.

É interessante como uma pessoa que já tem idade para ter uma certa experiência de vida não percebe que está se desqualificando quando revela surpresa sobre certas coisas que nunca estiveram encobertas. Bolsonaro sempre foi um espertalhão da política, onde encontrou um meio de ganhar dinheiro sem muito esforço depois de tentar fazer a mesma coisa no Exército Brasileiro e se dar mal. São histórias antigas e por isso só se espanta com Bolsonaro quem antes de abraçar sua candidatura não prestou atenção ao que ele sempre foi.

Choque mesmo foi quando Janaina fez a opção não só pelo apoio a Bolsonaro como também se engajou em sua campanha como candidata de um partido montado às pressas para aproveitar a onda de direita que surgiu na política brasileira. Mas neste caso nossa surpresa se justifica. Foi um erro político crasso seu envolvimento com um político adversário do governo que caiu exatamente em razão de um movimento social no qual ela teve um papel importante, no aspecto político e jurídico.

Mas é o choque de Janaina que está em pauta. Sendo professora da área de direito, sem dúvida ela deve saber que uma decisão sobre qualquer questão tem que ser apoiada no estudo sério de seus antecedentes. Bolsonaro jamais escondeu seus defeitos graves de temperamento. Pelo jeito, ele até se orgulha disso. Sua visão sobre os outros é até desumana na sua forma de expressão, mas tampouco dessa grosseria ele fez segredo.

Seus maus modos e sua crueldade foram expostos em uma variedade de vídeos, à disposição na internet muito antes dele adquirir força política como presidenciável. O nepotismo também é uma marca importante da sua trajetória. Usando uma expressão dele próprio, faz tempo que separa o melhor filé mignon para seus filhões. E como nunca foi liberal, não se preocupa que o almoço grátis em família fique na conta do contribuinte. Se não dava ainda para saber de tudo o que Bolsonaro fazia para o favorecimento de sua família, eram bem visíveis as condições da eleição de cada filho, todos eleitos a partir de sua base política populista e de cunho corporativista.

Cabe acrescentar nessa lamentável história política de nepotismo — cujo acesso era fácil em uma rápida pesquisa na internet, antes de Bolsonaro sair das sombras do baixo clero — que os três filhos de seu candidato nunca apresentaram mérito algum como parlamentares, o que serviria inclusive para avaliar critérios políticos e administrativos antes de se engajar numa fanática campanha. Por essas razões, a confissão do choque com seu presidente na verdade rebaixa a capacidade da deputada porque revela dificuldade de fazer juízo de valor, o que pode ser fatal na política.

Eu diria que nesta situação dramática de desencanto pode caber uma frase do grande Luigi Pirandello — por sinal um direitista — em que ele diz simplesmente “assim é, se lhe parece”. É o título de uma conhecida peça teatral. A aparente dubiedade se encaixa não só nesta visão de Janaina Paschoal como na de tantos bolsonaristas, agora sob o impacto da consequência de suas ansiedades políticas. Esta realidade que os pega desprevenidos não sofreu nenhuma mudança abrupta de enredo. O choque se deve a uma desatenção anterior muito grave, descuido mantido no decorrer do processo, na gradativa troca de posição, da comodidade da plateia para a atribulação do palco, onde já se antevê o sentido trágico daquilo que antes parecia até engraçado.
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POR José Pires


quarta-feira, 24 de julho de 2019

Preconceito e indignação conforme a onda

Para a esquerda o preconceito e a indignação andam a reboque das circunstâncias, com o sentimento sempre na dependência do interesse do momento. Porém, às vezes acontece da indignação bater com o preconceito e se dar em paralelo nos mesmos dias.

É o que vem ocorrendo no desmerecimento da esquerda para com a cidade de Araraquara, com a intenção de diminuir a importância da prisão dos hackers pela Polícia Federal, em uma operação que veio para desmontar a exploração dos vazamentos de mensagens roubadas de celulares de autoridades da Justiça.

Peraí, mas esse pessoal que trata a cidade paulista desse jeito não é o mesmo que na maior indignação diz que Bolsonaro tem preconceito com o Nordeste? Que descuido, companheiros: botaram a indignação para andar de braços dados com o preconceito na mesma semana.

Não tenho dúvida nenhuma de que Bolsonaro é mesmo fogo na roupa. No entanto, vocês são do mesmo nível, espalhando um preconceito pesado contra o interior paulista, procurando desmoralizar a região de maior capacidade econômica e tecnológica do país, fazendo isso de forma ampla, com compartilhamento nas redes sociais de políticos e intelectuais de esquerda, da militância e também em sites esquerdistas.

Indignação com preconceito só quando Bolsonaro fala a palavra "paraíba" em um sussurro discreto que acaba sendo captado sem querer pelo microfone. Ai desse presidente se ele estivesse tratando Araraquara do jeito que vocês vem fazendo desde que a PF acabou com a festa dos hackeamentos.
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POR José Pires

Prisão dos hackers: a bomba que pode implodir a exploração de vazamentos

Chega de vitimização. Na terça-feira a Polícia Federal informou ao STF que não existe nenhuma investigação em curso sobre Glenn Greenwald, dono do site The Intercept, que explora os vazamentos de conversas particulares de promotores da Lava Jato e Sérgio Moro.

A polícia estava ocupada com outra investigação. Por coincidência, ainda ontem no final da tarde veio a notícia que a PF localizou e prendeu hackers acusados de invadir os celulares de Deltan Dallagnol e Moro. São três homens e uma mulher, alvos nesta terça-feira na Operação Spoofing. Os presos são Walter Degatti Neto, Danilo Cristiano Marques, Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira.

Presos em São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto, eles foram levados a Brasília para serem interrogados. A PF quer saber quem está por detrás do grupo e pagou o serviço sujo. Como se costuma dizer, no popular, quem não deve não teme. Quem estiver fazendo jornalismo, buscando simplesmente a verdade dos fatos, ora, não vai temer que a PF consiga ligar todas as linhas, dos hackers presos até o ponto final da utilização do material obtido por eles de forma criminosa.

É evidente que a investigação pretende esclarecer se existe um comando político por detrás dos quatro suspeitos. A não ser que seja por simples curiosidade a invasão da conversa de autoridades da Justiça. O que já se sabe é que os presos “foram responsáveis por centenas” de outras invasões. A informação é do jornalista Merval Pereira, de O Globo, que conta também que as invasões não atingiram só pessoas ligadas à Lava Jato. Foram hackeadas autoridades governamentais, além de jornalistas.

O que se sabe até aqui confirma o que já escrevi sobre o grave risco da exploração das mensagens vazadas de conversas entre promotores e o então juiz Sérgio Moro criar um clima favorável a esse tipo de crime. Disse também que a exaltação a essa invasão de privacidade, colocando-a falsamente na categoria de uma luta por liberdades democráticas e a busca de Justiça, serviria para estimular algo que na verdade tem que ser contido, pela força da lei e com todo rigor.

Logo que se deu o vazamento das conversas de autoridades pelo site The Intercept foi levado adiante pela esquerda um absurdo movimento para justificar o crime de invasão da privacidade, com a falsa alegação de um propósito de aprimoramento da Justiça e do respeito à liberdade de imprensa. Como se fosse possível alguém se dedicar a espionar conversas alheias movido apenas por um sentimento de justiça. Por este raciocínio teríamos então “hackers do bem”, aliados evidentemente a jornalistas e políticos idem. Ora, contem outra.

A ficha dos acusados é suja, com exceção da mulher de um deles, presa também na operação policial. Dois homens já estiveram presos e condenados por outros crimes. Segundo o site O Antagonista, também já apareceu uma dinheirama no caso. 100 mil reais, claro que em espécie, foram apreendidos na residência do casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira. O site noticiou também que o Coaf identificou R$ 630 mil em transações suspeitas de dois investigados. 424 mil reais são da conta de Gustavo Henrique Elias Santos. Outra transação atípica de 203 mil reais é de Suelen Oliveira, entre março e maio deste ano.

O caso ainda deve render bastante, talvez até com a descoberta dos mandantes da invasão dos celulares de Dallagnol e Moro. De qualquer modo, do ponto de vista jornalístico é nitroglicerina pura, como costumava dizer o grande Joel Silveira, toda vez que se deparava com uma descoberta capaz de causar grandes emoções. E mesmo que este caso não tenha a ver diretamente com os vazamentos explorados pelo The Intercept, não resta dúvida de que a notícia se encaixa na pauta do site.

Mas o interessante é que até o momento em que escrevo, muitas horas após as prisões e já com a tarde avançando, o site de Greenwald ainda nem tocou no assunto. Mesmo no Twitter não falaram nada. Mas esperemos. Devem estar avaliando com todo cuidado o assunto, afinal com nitroglicerina pura não se brinca.
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POR José Pires

terça-feira, 23 de julho de 2019

Boris Johnson, mais uma piada de mau gosto da política internacional

A revista alemã Der Spiegel trouxe de volta o inesquecível Alfred E. Neuman, o idiota que estrelava as capas da revista americana Mad, que marcou de forma brilhante entre os anos 50 e 70 o humor em todo o mundo. A figuraça voltou com a cara de Boris Johnson, eleito como novo primeiro-ministro do Reino Unido. A edição é da semana passada, pois era previsível a vitória do candidato do Brexit. O outrora império onde o sol jamais se punha não surpreende mais ninguém depois que virou a ilha da piada.

Como não tem outro jeito, é preciso mesmo rir disso tudo, mas a verdade é que tem um tom de humor negro essa mania mundial de eleger idiotas, exatamente quando a situação mundial exige estadistas da maior seriedade e bom senso. Observem que na imagem da capa da Der Spiegel basta mudar a figura, colocando os traços de Donald Trump ou mesmo do nosso Jair Bolsonaro, para ilustrar desastrosas escolhas, negativas para a própria democracia.
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POR José Pires

Carla Zambelli versus Joice Hasselmann: as musas da direita lavam a roupa suja em público

“Pensei que fosse só burra, mas além disso, é muito mau-caráter mesmo. Mentirosa, venenosa, invejosa, uma víbora que espalha mentiras e discórdia.” Quem disse isso foi a deputada Joice Hasselmann, se referindo a colega Carla Zambelli. Foi publicado nesta terça-feira no grupo de WhatsApp do PSL, que como todos sabem é o partido de Jair Bolsonaro.

Com todo o respeito, um arranca-rabo entre essas duas senhoras é motivo para pegar uma vasilha bem grande de pipoca. Joice e Carla estiveram juntas antes de Bolsonaro se eleger e faziam papel de musas da direita. Sim, cada movimento tem a musa que merece, neste caso duas delas, tão apropriadas à nova era de Bolsonaro quanto Maria do Rosário e Gleisi Hoffmann como musas da era que passou, aquela do Lula.

Hoje em dia Joice e Carla estão se pegando, numa briga escandalosa que já teve outras baixarias públicas. A mensagem de Joice tem uma relação com uma provocação de Carla, postada ontem no mesmo grupo de WhatsApp do PSL, em que ela faz a seguinte pergunta: “Por que Joice e Frota não migram logo para o PSDB de Doria?”.

Neste furdunço entra também o citado deputado Alexandre Frota, que por sua vez, além de atacar publicamente Carla e Joice, bate no senador Major Olímpio. Para ele, Zambelli e Olímpio são, respectivamente, “duas caras e barata tonta”. São exemplos da “nova política”, todos do PSL de São Paulo, o que torna oportuno falar do deputado Eduardo Bolsonaro, que o paizão presidente pretende presentear com o cargo de embaixador nos Estados Unidos.

Sendo Eduardo presidente do PSL paulista, as recorrentes baixarias servem como avaliação de seu currículo. Alguém pode achar que um político que dirige um partido com esta bagunça terrível tem capacidade de ser embaixador nos Estados Unidos? O PSL paulista teria de servir como um exemplo para a base política do governo Bolsonaro, digo no sentido ideal e não dessa forma, trazendo complicações para o governo do pai dele.

Esta deve ser a primeira vez que Eduardo Bolsonaro administra alguma coisa na vida e o resultado, como se pode ler até no Twitter, está mais que precário. Enquanto o partido se perde numa tremenda desunião com essa troca de insultos o filho do presidente deve estar surfando em alguma praia da Indonésia, o que serve também para conferir seu senso de responsabilidade.

E vejam que esses políticos que citei são figuras centrais do bolsonarismo, todos da intimidade do presidente, um deles o próprio filho do presidente da República. E ainda tem quem acha que esse governo pode dar certo? Para defender esse projeto político não basta ser fanático de direita. Tem que ter também a cabeça totalmente fora do lugar.
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POR José Pires

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Imagem- Joice Hasselmann e Carla Zambelli, em foto do Twitter, quando ainda não arrancavam os cabelos uma da outra

segunda-feira, 22 de julho de 2019

O café da manhã que é uma dor de cabeça para Bolsonaro

Uma polêmica criada por Carlos Bolsonaro acabou trazendo a informação de que o café da manhã semanal de Jair Bolsonaro com jornalistas foi uma ideia do porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros. Foi o próprio presidente quem deu a informação, ao ser perguntado neste domingo sobre críticas feitas ao porta-voz nas redes sociais, com seu filho Carlos como um dos autores de cacetadas.

No Twitter, o filho de Bolsonaro critica exatamente o café da manhã e insinua que isso seria uma maquinação contra seu pai. De fato, o café da manhã tem um efeito negativo para o governo, mas de qualquer forma é muito difícil que dê certo qualquer proposta de comunicação que exija de Bolsonaro um diálogo sensato. Ele não tem capacidade de expressão e chega a ser impressionante seu desconhecimento até de noções gerais de governo.

Bolsonaro também tem um temperamento explosivo que não contribui para o esclarecimento de qualquer assunto, muito menos para amenizar danos na imagem do governo por meio de uma boa explanação frente a um questionamento. Ao contrário, em conversas informais podem ser encaixados temas exatamente para extrair respostas irritadas, que servem para atrair leitores. Jornalistas sabem que ele rende polêmica e estoura por pouca coisa, uma forma de reação que por sinal turbinou sua carreira até ele virar um presidenciável de peso.

Claro que eu sei que acabo de traçar o perfil de alguém contra-indicado para ocupar com seriedade qualquer cargo executivo, mas, enfim, até por esta personalidade totalmente desconectada a um trabalho produtivo, brasileiros cometeram o erro colossal de eleger esse sujeito sem noção para presidente da República. Veremos até onde o país aguenta. Mas, ainda que a maior deficiência seja do próprio Bolsonaro, claro que nenhum de seus seguidores, muito menos seu filho Carluxo, aceitará esta avaliação crítica. É um padrão de comportamento familiar dos Bolsonaro pegar alguém como bode-expiatório quando algo não anda de acordo com o interesse do clã.

E todo bolsonarista acredita que Bolsonaro é um ás da comunicação, algo que conforme já falei várias vezes, é uma grande balela. Mas, de qualquer forma, parece-me de um amadorismo muito grave expor qualquer presidente da República a uma conversa aberta com jornalistas em um café da manhã, quatro vezes por mês. Convenhamos, por melhor que fosse o governo e independente da capacidade pessoal do presidente, sempre haveria temas delicados para tratar. Já seria trabalho demais se trouxessem só uma questão complicada por semana e o mais provável é que apareçam mais. E este café da manhã começou exatamente num período que seria melhor que Bolsonaro comesse sozinho seu pão com leite condensado.

Mas acontece que a decisão é sempre do presidente, então se o café da manhã está sendo feito é porque é do seu gosto. E nisso temos outra demonstração de seu despreparo, que no caso se junta ao deslumbramento com o poder. Transparece a vaidade com a atenção que se concentra na sua figura, com a imprensa destacando cada fala sua. E claro que ele não tem a mínima capacidade de compreensão de como se processa essa relação, do papel dos profissionais que trabalham com a informação e no dele próprio. De espírito personalista, antes de tomar posse ele já fazia confusão entre o crédito pessoal e o respeito coletivo à função de presidente da República. Como se costuma dizer, Bolsonaro está se achando. E Carluxo não teria como não acreditar também que seu pai é o máximo.
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POR José Pires