sexta-feira, 26 de maio de 2017

A conta do quebra-quebra em Brasília

Ficou cara a depredação de Brasília durante a manifestação da última quarta-feira. A revista Veja fez pedidos de informação a todos os ministérios e recebeu a avaliação do prejuízo. A soma parcial é de R$ 2.250.746,95 reais. Quando o total do prejuízo estiver definido, a Advocacia-Geral da União vai entrar com cobrança judicial contra as centrais sindicais responsáveis pela manifestação.

Faz sentido a cobrança e tomara que isso vire uma prática, seguida pelos estados e municípios. E que a Justiça também agilize a cobrança. Já faz tempo que o PT vem tentando emplacar o vandalismo perfeito. Os black blocs fazem o serviço de intimidação que interessa ao partido do Lula e depois eles se queixam de que a violência foi de provocadores infiltrados. Na bagunça desta semana, os companheiros foram ainda mais cínicos que de costume. Os manifestantes fizeram a quebradeira que causou todo esse estrago milionário e depois a bancada de malucos da esquerda no Senado discursou aos gritos acusando os adversários pelo quebra-quebra.

A indenização do prejuízo ao patrimônio público vem também ao encontro da discussão do imposto obrigatório, que é a verdadeira razão desse barulho todo. Os dirigentes sindicais usam como mote o protesto contra as reformas, mas o foco essencial deles é a votação do final do imposto. No seu interesse financeiro, eles usam a boa fé da preocupação das pessoas com a aposentadoria e direitos trabalhistas. O imposto obrigatório é uma mina de dinheiro. Em 2016, as duas maiores centrais sindicais responsáveis pela bagunça em Brasília — CUT e Central Sindical — receberam respectivamente 59 milhões de reais e 46 milhões de reais. Dá para pagar a conta do estrago e ainda sobra muita grana.
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POR José Pires

Precaução em caso de diretas já

Esse negócio do PT ficar pedindo eleição direta é pra rir. Parece que não basta a besteira que fizeram tão recentemente. Não acertaram no titular nem no vice-presidente. Por isso, se houver mesmo uma eleição direta agora, aconselha-se que caprichem pelo menos na escolha do vice. É uma precaução para o caso de dar o azar do PT ganhar a eleição. Como a chance de uma nova cassação por corrupção é imensa, pelo menos a substituição fica garantida.
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POR José Pires

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Esquerda, volver: o passado se ilumina no incêndio de Brasília

Ações como a bagunça violenta dessa quarta-feira em Brasília me faz sempre pensar qual seria a razão da esquerda estar fazendo exatamente o que os adversários mais cruéis gostariam que fosse feito. Essa demolição espontânea das chances da esquerda recompor suas forças pela via eleitoral vem ocorrendo em todas as instâncias. Além das atabalhoadas ações de rua, está também nas atitudes mal educadas de advogados de defesa de Lula e seus companheiros e igualmente na forma absolutamente errada da atuação dessa mesma esquerda no Congresso Nacional, especialmente no Senado, onde existe uma visibilidade maior das grosserias de uma bancada com tipos como os petistas Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann, além da comunista Vanessa Grazziotin. Onde eles querem chegar com isso? É preciso conhecer o plano original, mas na prática o resultado vem sendo desastroso. E não só para o PT, que merece de fato ir para o buraco.

A performance da trinca, a qual se juntam figuras igualmente lamentáveis, como Fátima Bezerra, Humberto Costa e também Randolfe Rodrigues, levaria um estrangeiro recém-chegado a perguntar se tais senadores não seriam agentes infiltrados — da tal da “direita”, conforme eles próprios dizem o tempo todo — com a missão de desmoralizar por completo a imagem da esquerda e, de quebra, desestabilizar a democracia. Teorias conspiratórias brotam o tempo, mas nenhuma das outras é tão adequada quanto essa para esses tempos amalucados. Se não houvesse a certeza de que o general Golbery do Couto não tem mais nenhum poder, nem por extensão de seu pensamento nas casernas, daria até para pensar que ele bolou também mais essa. O general foi intelectual de grande influência na ditadura militar, desde a maquinação do golpe em 1964, passando pela distensão e preparação da saída dos militares do poder, no governo Geisel, chegando ao final do regime, com Figueiredo. Morreu em 1987.

Golbery foi responsável por um dos lances mais inteligentes da política brasileira, no remanejamento do sistema eleitoral em 1979. Acabando com o sistema de apenas dois partidos, veio a criação de outros, entre eles o PT. Quem acha os petistas atuais muito chatos é porque não conviveu com eles nos anos 80, quando eram insuportáveis de conviver e demoliam a construção da democracia ainda na origem do pós-64. Nem precisa dizer que o partido de Lula refestelou-se na porra-louquice, como se dizia então. Com isso, de imediato houve a fragmentação prematura da oposição e no logo prazo a destruição da possibilidade da implantação de um sistema social mais à esquerda no país.

O objetivo de Golbery era estrategicamente anticomunista, o que fazia todo sentido na época e não só pela posição que ele ocupava. No entanto, se vê hoje em dia que o sucesso de suas invenções inviabilizou até a construção de uma mínima unidade da esquerda em torno dos interesses brasileiros. Prejudicou demais também a construção de uma classe política razoavelmente decente. E ainda vai abrindo espaços cada vez mais amplos para o conservadorismo e para uma direita que parece ser de um nível de inteligência muito parecido com a esquerda. Nesta quarta-feira, o velho bruxo deve ter se revirado na tumba. De alegria, é claro. Se estivesse vivo, Golbery acharia o máximo o que aconteceu ontem em Brasília, apesar de que também teria algo a lamentar, que poderia deixá-lo um pouco triste. “Heureca! Brasília incendiada pela esquerda! Como é que não pensei nisso?”, teria dito o inesquecível general, com toda a razão deste mundo.
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POR José Pires


sábado, 20 de maio de 2017

Os fantasmas muito vivos de Michel Temer

Esses áudios que encrencaram a vida do presidente Michel Temer me trouxeram à lembrança um caso recente, no qual havia também algo de misterioso. Pouco tempo depois de mudar para o Palácio do Alvorada, logo que assumiu o cargo de presidente com o impeachment da petista Dilma Rousseff, Michel Temer resolveu voltar à morada anterior, tradicionalmente reservada ao vice-presidente. Na explicação para o retorno ao Palácio do Jaburu, o presidente andou apelando para argumentos esotéricos. Disse que no Alvorada “a energia não era boa” e que por lá sentiu “uma coisa estranha lá”. Temer usou até a mulher na justificativa da mudança. “A Marcela sentiu a mesma coisa”.

O assunto acabou sendo tomado como coisa pitoresca, mas na época até estranhei porque Michel Temer parece ser de uma objetividade que não dá a impressão de se abalar com o barulho de correntes arrastadas por fantasmas naquelas rampas perigosas criadas pelo Niemeyer. Pois agora, com as gravações feitas pelo empresário Joesley Batista, me parece que surge a real explicação do apego de Temer o Jaburu. O problema é realmente relativo a obscuridades, no entanto sua implicação com o Palácio do Alvorada tem mais a ver com a relativa transparência daquele edifício em comparação com a maior facilidade que o Palácio do Jaburu oferece para encontros clandestinos.

Joesley entrou no Jaburu tomando o cuidado de não ser visto. Chegou pela garagem, sem passar pela identificação. Já se sabe que ele estava com um gravador especialmente comprado para captar a conversa com Temer. Era um aparelho especial, que poderia passar despercebido por detectores de metais. Joesley temia ser flagrado antes do encontro com Temer. Uma revista protocolar feita por um segurança poderia ter acabado com seu plano. O curioso dessa história é que a clandestinidade favoreceu sua intenção de gravar a conversa. Com essa lição, creio que Temer deve ter perdido o medo de fantasmas. E o aprendizado vem tarde. Pela sua idade, ele já devia conhecer há muito tempo o sábio alerta dos antigos, de que o perigo não é com os mortos e sim com os vivos.
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POR José Pires

As muitas caras de Aécio Neves

Com o surgimento da comprovação de tantos delitos com o envolvimento de Aécio Neves pode-se falar que o senador atualmente afastado pelo STF vinha sofrendo de uma estranha dualidade como político, muito próxima de uma forte esquizofrenia. Sei que a maioria dos políticos tem essa deformação de personalidade, que nem pode ser definida como distúrbio, na medida em que a identidade dupla ou até múltiplas são exercidas com a plena consciência.
O caso de Aécio está fora desse hábito tão comum dos políticos, de ter duas ou até mais caras e não é que ele não tenha também este defeito. O que ocorre de diferente é que evidentemente ele foi tomado por uma confusão entre múltiplas facetas, deixando de ter o controle do resultado de ações completamente fora do que ele podia sustentar na prática.

Suas atitudes depois da eleição passada demonstram uma incapacidade psicológica para abandonar a imagem de candidato trabalhada em conjunto com publicitários bem pagos. Aquele candidato realmente era muito bacana, no entanto faltou a Aécio a consciência de muitos eleitores, que tiveram a capacidade de entender que essencialmente aquilo só fazia sentido para evitar um mal maior. Passada a eleição, enfrenta-se a vida real, para a qual uma pessoa madura sabe o pragmatismo exigido de cada um. Este é um drama que também torna petistas incapazes de entender algo que parece tão simples, o que foi fatal tanto para Lula quanto para Dilma. Ambos levaram na cabeça por causa dessa dificuldade de assumir suas imagens reais fora do palanque.

Manter o encantamento ilusório do candidato ético e transformador não poderia criar maiores problemas ao senador mineiro se ele não tivesse o rabo preso, conforme foi descoberto pela Lava Jato. Mas do jeito que Aécio levava sua carreira política nos bastidores é muito evidente que, terminada a eleição, o mais indicado seria uma dedicação plena à chamada realpolitik, trabalhando de forma prática para evitar os danos, agora irremediáveis. Como se viu, não foi o que ele fez, a não ser nos bastidores, onde se dedicava a tramar contra a Lava Jato e a tentar barrar o trabalho da Polícia Federal. Porém, essa atuação na obscuridade bateu forte contra a encenação à luz da opinião pública. Ou vice-versa, tanto faz, chegando a este triste fim de carreira.
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POR José Pires

Fazendo a diferença

Sempre que o ídolo máximo deles, o Lula, é pego em alguma maracutaia, os petistas batem sempre na cantilena do "é todo mundo igual". Com essas novas gravações reveladas agora, realmente é preciso concordar que, de fato, Aécio Neves e Lula são muito parecidos. Além de manipuladores, os dois são igualmente grosseiros nos bastidores, abusando de palavrões, falando mal de aliados, xingando em conversas reservadas pessoas que em público eles fingem respeitar. Ficou muito claro que não há distinção alguma entre eles na questão de caráter. São dois patifes.

Mas existe algo muito importante que os diferencia. Mesmo com todas suas falcatruas, Lula mantém uma legião de admiradores que o defende de forma incondicional, o que não acontece de forma alguma com Aécio Neves, por uma razão muito simples: ao contrário dos petistas, quem votou no tucano não tem bandido de estimação.
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POR José Pires

sexta-feira, 19 de maio de 2017


A mão suja de empresários na política brasileira

Já vejo nas redes sociais apelos ao boicote de produtos da JBS, que no popular atende como Friboi. De novo é o efeito de ilusão da internet, onde se imagina que um grito basta para dar início a uma revolução. O mito, aliás (permitam um parêntese), vem da ilusão marxista sobre o heroísmo de suas próprias revoluções. Grande parte delas, é bom que se diga, nada tem de “revolucionarias”. A mãe de todas, que foi a russa, começou na verdade com um golpe dado por Lênin. Pois é, companheiros: aquele sim foi um golpe.

Mas falemos do boicote à Friboi. Se o brasileiro fosse boicotar empresário que age de forma imoral acabaria ficando com a despensa vazia. O que essa nova revelação poderia servir é para uma avaliação rigorosa do papel dos empresários na roubalheira que se abateu sobre o Brasil. E o crivo teria de ser não apenas sobre os delinquentes. Exigiria uma avaliação do papel político da classe empresarial como um todo, no que isso tem de cumplicidade com ilegalidades que não se colocam apenas no roubo direto aos cofres públicos, atingindo também suas responsabilidades com qualidade de produtos, a relação com a concorrência, o respeito à liberdade de expressão principalmente quanto ao direito da opinião pública saber tudo a respeito do que está comprando. E a relação com o Estado, que é quase sempre em proveito próprio.

Não estou falando numa perseguição ao empresariado. Não é papo histérico de rede social, de boicotes, manifestação na frente de lojas, enfim dessas coisas bestas que nascem na internet. A conversa é sobre responsabilidade social, qualidade que no geral infelizmente faz muita falta. E não é que todos estejam envolvidos em crimes, até pelo fato de que isso é impossibilitado pelo próprio processo de qualquer corrupção. Mas é pela prevaricação geral, seja por cumplicidade ou receio de se expor. Tenho certeza de que a maioria do empresariado aceitaria muito bem este debate. Mesmo porque do jeito que está só lucram uns poucos.

Na conversa entre o empresário Joesley Batista e o presidente da República (por ora, infelizmente, Michel Temer) os diálogos mais revoltantes são exatamente sobre a interação entre a política e o empresariado no domínio da máquina pública. Em todos os crimes investigados até agora pela Lava Jato essa interação está presente, numa parceria que vem de longe. Vide o papel histórico dos empreiteiros de obras públicas na corrupção no Brasil, que passou pela ditadura, por Sarney e pelos tucanos, até chegar na sistematização da roubalheira no governo do PT.

Apesar do jeito songamonga, o foco de Joesley Batista é muito claro. Com a cumplicidade de Temer, ele fala da proteção de seus negócios, procurando abrir caminhos fora da lei para sua empresa. Um fiscal sério lhe daria voz de prisão no ato, mas é claro que isso nunca passaria pela cabeça de Temer. Ele ouve e manda tocar pra frente. O “Tem que manter isso, viu?” está implícito em toda a conversação. E a razão não é pessoal, do Temer ou de qualquer outro. É um sistema que não depende só dele. Imaginem as conversas com Lula na presidência. Com certeza ele levava isso também no escracho, o que não é estilo desse presidente de agora, assim como não era de Dilma, que conduziu igualmente o sistema corrupto.

Na conversa com Temer o dono da JBS fala em suborno de procuradores e compra de informações privilegiadas. Nota-se sua forte influência em órgãos que regulam e fiscalizam suas atividades empresariais e num dado momento Temer até diz que ele deve falar em nome do presidente da República ao ministro da Fazenda. Se é assim com Meirelles (que o empresário chama de “Henrique”), deve-se perguntar como seria então com um fiscal mais rigoroso com um de seus frigoríficos ou na fiscalização de algum município. E não estou falando apenas do interior brasileiro, pois sabe-se que a JBS pagou também até agora R$ 14 milhões a Gilberto Kassab. Ele chegou a receber R$ 350 mil mensais, mesada que era paga desde 2008, quando era prefeito de São Paulo. Na conversa com Temer, Joesley Batista fala também sobre uma dívida com Cunha, então na presidência da Câmara, pelo pagamento da tramitação de lei sobre a desoneração tributária do setor de frango.

Outro ponto que demonstra a interação negativa entre a política e o empresariado é o sujeito acusado de ser o encarregado do transporte de dinheiro em espécie, o deputado Rocha Loures, do PMDB do Paraná. Ele era um desconhecido na política nacional, mas não é peixe pequeno. Foi chefe de gabinete de Roberto Requião, em seu primeiro mandato como governador, além de ser do círculo de poder empresarial no estado. Na eleição de 2010 tentou um vôo alto: foi vice do pedetista Osmar Dias, que perdeu no primeiro turno para Beto Richa. Loures fez carreira na representação política do empresariado paranaense. Seu pai, Rodrigo Costa da Rocha Loures, foi presidente por dois mandatos consecutivos da FIEP e ele próprio já teve participação na instituição. Em tese, o deputado afastado pelo STF deveria estar fiscalizando em nome do empresariado há muito tempo. E a falta evidente de compromisso sério não é restrita a este caso. Falei da mesada do Kassab, não é mesmo? Pois este seria um assunto para a FIESP atuar, defendendo o interesse do empresariado honesto. Mas aí existe um entrave muito forte. O comando absoluto da entidade empresarial está há mais de dez anos com Paulo Skaf, outro acusado pela Lava Jato de receber milhões da Odebrecht.
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POR José Pires

quinta-feira, 18 de maio de 2017

O desvalorizado silêncio de Eduardo Cunha

Ontem, com a divulgação da existência das gravações papéis de empresas brasileiras despencaram no mercado financeiro internacional. E nesta quinta-feira, a Bolsa de valores caiu tanto que teve suspensa as negociações e depois de voltar permaneceu em queda, fechando o dia em pesada baixa de 8,8 %. Outros indicadores econômicos também devem desabar, com o país atolado em incertezas política, financeira e econômica.

O Brasil está em queda, mas nada caiu tanto como o preço do silêncio do ex-deputado Eduardo Campos. Até agora, seu cala-boca estava numa alta impressionante. O dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, disse ter pago R$ 5 milhões após a prisão dele. Foi daí que na conversa com Temer ele recebeu de volta a famosa confirmação — “Tem que manter isso, viu?” — que deve ficar para a História. Mas agora o silêncio de Cunha vale tão pouco que o melhor que ele pode fazer é apostar numa delação premiada. E tem que ser rápido, antes que nem pra isso sua palavra tenha algum valor.
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POR José Pires


Fim de carreira para Aécio Neves

É péssima a situação do senador Aécio Neves, afastado do cargo pelo STF com a denúncia do recebimento de propina do dono da Friboi. Ainda que ele não seja condenado criminalmente, na política sua carreira teve fim. No Senado, a única forma dele não ser cassado é a renúncia. E na hipótese de que ele conseguisse manter o mandato, muito remota porque ele e o partido não dispõem de força para tanto, isso apenas prolongaria de forma melancólica o fechamento de sua carreira.

Uma boa medida para a avaliação da situação complicada em que ele está e da sua falta de credibilidade é a opinião do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, expressada no inicio da tarde desta quinta-feira em sua página de Facebook. FHC diz que "se não houver defesa", Aécio tem que renunciar. Ora, o indicativo é péssimo quando o maior líder dos tucanos não sai em defesa do candidato de seu partido a presidente nas últimas eleições. E o ex-presidente sempre foi próximo do político mineiro. Das duas, uma: ou os dois não conversaram ou a conversa não foi boa. Pode ser até que suas chamadas pelo celular tenham caído caixa postal de FHC, afinal quem seria doido de conversar com Aécio pelo telefone. Qualquer uma dessas possibilidades é o prenúncio do final prematuro de um político que até há pouco era cotado até para ser novamente candidato a presidente.
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POR José Pires

quinta-feira, 11 de maio de 2017


O fiasco de Lula e do PT em Curitiba

Sob o comando de Lula, os líderes petistas criaram expectativas exageradas em torno do depoimento ao juiz federal Sergio Moro. E o Ocupa Curitiba micou. Era evidente que haveria frustração, mas só podia saber disso quem está fora do círculo político de Lula. Poucas vezes se viu um chefe se cercar de tanta assessoria que segue estritamente o que ele quer. Mas isso já vem de longe na carreira de Lula, sendo em parte uma das grandes razões de sua derrocada. Não se deve esquecer que a ideia da candidatura de Dilma Rousseff foi dele, imposta ao PT de forma incondicional. A escolha de Dilma veio de um dedaço impressionante, numa atitude ainda mais estranha sendo em um partido cuja vitalidade teve origem exatamente na democracia partidária.

Lula é aquele tipo de chefe que contrata as pessoas para que elas digam apenas o que ele deseja ouvir, se possível com elogios. Ele é capaz de fazer isso até com profissionais especializados e com lideranças políticas. Desse jeito foi formada sua bancada de defesa, que age exatamente como ele quer. Dá até para imaginar suas longas aulas jurídicas a uma platéia de advogados embasbacados com sua sapiência, da qual emana aquela luz que, conforme dizia a professora Marilena Chauí, “ilumina a sala”.

O espetáculo que vem sendo encenado pelos seus advogados durante a Operação Lava Jato é espantoso e às vezes chega a ser engraçado. Não é sempre que se assiste a advogados atuando em um tribunal como se este fosse um palco político, parecendo ter perdido inclusive a noção de que a causa pode levar à prisão de seu cliente. Mas de que outra forma poderia atuar uma banca contratada por alguém como Lula, um homem que sabe tudo? Já faz tempo que seus advogados atuam com o objetivo de criar fatos políticos, procurando inclusive provocar alguma reação do juiz Sergio Moro que pudesse criar um fato sensacional a ser explorado politicamente.

É uma tática desrespeitosa até no aspecto institucional, além de carecer de uma avaliação psicológica sensata sobre o alvo da trama indecente. Basta ver duas ou três audiências de Moro para concluir que não é fácil tirá-lo do sério. É uma questão técnica, mas também de personalidade. O juiz que conduz a Lava Jato não é um Gilmar Mendes, que como todos sabem, solta os cachorros apenas com alguns cutucões. A tática estúpida não só não deu o resultado esperado como foi também gradativamente tendo efeito contrário. Aos poucos, além dos resultados negativos na área jurídica, os advogados foram também quebrando a imagem de Lula, a partir do tribunal escolhido de forma equivocada para fazer política.

O erro é recorrente e por isso usei para esta avaliação a situação anterior, da escolha de Dilma. Poderia lembrar também do processo de seu impeachment, na desastrosa atuação da bancada governista no Senado, que agia do mesmíssimo modo de agora, dos advogados de defesa de Lula. Nas atitudes desses advogados mal educados estão os traços de Lula, no que ele tem de pior, em seu mandonismo e na sua soberba. É um caso típico do contratado fazendo exclusivamente o que o contratante manda, quando pelo convívio o subalterno adquire até a personalidade ruim do chefe. A soberba é um pecado altamente perigoso, porque abafa iniciativas individuais, fazendo prevalecer uma vontade única. Seja na política ou em qualquer outra atividade, isso nunca deu bom resultado. Foi o que aconteceu com Lula e seu partido nesta viagem para o abismo. Neste 10 de maio em Curitiba a grande expectativa acabou em frustração. Mostraram fraqueza nos dois palcos, da política e no jurídico, na estranha mistura criada por eles mesmos.
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POR José Pires

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O PT, Lula e seus gatos pingados profissionais em Curitiba

Ontem eu disse aqui que era bobagem a conversa dos petistas de que levariam multidões à capital paranaense. Lula e o PT não estão mais com capacidade alguma de mobilização, além do convite para a viagem até Curitiba ter um objetivo que serve só pra militância profissional. Quem é que pode se solidarizar de forma espontânea com um réu acusado de comandar o maior esquema de corrupção que já houve neste país?

O chamado Ocupa Curitiba foi um fracasso. O PT andou espalhando a previsão de que juntariam 50 mil pessoas em Curitiba, mas não conseguiram nem um quinto disso. Durante o depoimento do chefão petista ao juiz federal Sergio Moro não havia mais de 4 mil pessoas concentradas no centro da capital paranaense e foi cancelado o "grande ato" prometido pelo partido do Lula.

O desespero dos petistas durante o dia fez com eles fossem espalhando até imagens falsas para reforçar a ideia de que a mobilização em prol de Lula foi um sucesso. Usaram também cenas de quando a máquina petista estava à toda e muito bem azeitada com dinheiro de empreiteiras. Com dinheiro à vontade, além de cargos e benefícios garantidos pelo poder, ficava fácil juntar gente em manifestações.

Uma das fotos mais veiculadas é esta que publico aqui, de uma fila de ônibus lotados de passageiros, que a militância petista dizia ser de manifestantes chegando a Curitiba. Isto é falso. A foto, na verdade, é de sacoleiros indo fazer compras no Paraguai. É imagem antiga, quando costumavam partir de Foz do Iguaçu grandes comboios de ônibus lotados de sacoleiros. Veja a comprovação da fraude no link abaixo. Que falta faz o marqueteiro João Santana. Apesar de que mesmo com toda sua experiência em propaganda e os milhões que sempre teve à disposição, até ele teria dificuldade em trabalhar com um mito que se quebrou por inteiro.
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POR José Pires

Os crimes que nascem do crime da corrupção

O site O Antagonista lembra que Felix Fischer, do STJ, que negou há pouco o pedido da defesa de Lula para suspender o depoimento de hoje, é o mesmo juiz que em outubro do ano passado negou o pedido de habeas corpus de Antonio Palocci. Na decisão de Fischer mantendo a prisão preventiva do ex-ministro de Lula, o site destaca uma interessante observação: “a prática dos citados crimes podem ser tão ou mais nocivos do que crimes violentos praticados no meio da rua”.

Para mim, os crimes destes “serial killers” do dinheiro público acabam dando origem aos crimes violentos praticados nas ruas. A corrupção destrói valores morais e desmonta a economia, prejudicando a capacidade de atendimento do Estado em qualquer setor: educação, moradia, saúde, emprego e também na segurança. Por detrás dos estupros, dos assassinatos, roubos e assaltos está um ladrão dos cofres públicos. São crimes em série, interligados na situação dramática criada no Brasil pela corrupção.
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POR José Pires

Os criminosos em série da política brasileira

O juiz Sergio Moro voltou a pedir aos apoiadores da Operação Lava Jato para não irem às ruas em Curitiba no dia do depoimento do ex-presidente Lula, nesta quarta-feira. Foi durante a abertura de um evento do Observatório Social do Brasil na capital paranaense que ele voltou ao assunto. Como todos sabem, Moro já havia postado um vídeo com este mesmo pedido. No vídeo, ele situou finalmente o depoimento do chefão petista em seu devido contexto. Será “um ato normal do processo”.

Lula e o PT é que desejam fazer desse dia uma data sensacional, daí o tremendo esforço, no qual eles vêm contando com a ajuda de boa parte da imprensa, seja por desatenção aos riscos ou pela concordância de jornalistas parciais. Os xiliques e bravatas de Lula recebem cobertura imediata, com grande excitação. A revista Veja até deu capa nesta semana em estilo de cartaz anunciando luta com marmelada. Só faltou chamar Lula e Moro de “reis do ringue”.

Na fala desta segunda-feira, em que reiterou o pedido para evitar as provocativas manifestações anunciadas em tom de ameaça pelas lideranças sindicalistas e políticas em torno de Lula, Moro falou também de uma causa importante do crescimento da corrupção: a falta de rigor. Tem a ver com essa falta de rigor, já bastante antiga, como o sem vergonha do Lula. Moro apontou novamente o “caráter serial” dos crimes investigados pela Lava Jato. E ele tem toda a razão. Estamos lidando com “serial killers” do dinheiro público. E neste caso, disse ele também com toda a razão, a prática não pode ser debelada “se não se age com vigor”.

O esquema de proteção ao Lula pretende fazer em Curitiba aquele furdunço costumeiro da esquerda. É bobagem a conversa deles de que levarão multidões à capital paranaense. Uma coisa é o chamariz de algum protesto em defesa de direitos dos trabalhadores. Outra bem diferente é pedir um abraço no Lula. Mas o que eles pretendem não carece de muito público. Basta a militância profissional. Técnicas antigas permitem fazer bagunças bastante chamativas com pouca gente.

Fazer alarde e conquistar manchetes com alguns gatos pingados é lição muito bem marcada na cartilha de uma das organizações políticas do ato em Curitiba, o MST ou “exército do Stédile”, conforme entregou Lula, num de seus lapsos. Umas poucas barracas de lona bastam para eles darem a impressão de uma força que, de fato, nada tem de relativa com seu devido peso político. Esse tipo de ilusão também é sopa para os sindicalistas profissionais que estarão lá. Ainda mais agora, com a CUT desesperada com o risco do fim da mamata da contribuição sindical obrigatória.

Não devem faltar também bloqueios de estradas e os pneus em chamas que tomaram o lugar do já esquecido “Lulinha paz e amor”. O clima de conflagração pode servir como pauta para jornalistas estrangeiros. O objetivo é criar não só internamente uma imagem intimidadora da força da esquerda, como também criar internacionalmente a crença de que o povo brasileiro está ao lado de Lula.

É uma estratégia de canalhas irresponsáveis, que não respeitam nem a integridade física da população. Para esse tipo de político até conflitos de rua viriam bem. E não é de se duvidar que para isso já existam táticas combinadas. Daí a oportuna intervenção do juiz Sergio Moro, acalmando os ânimos para que ninguém, de boa fé, ofereça ingenuamente pretexto que contribua com o lamentável plano de incendiar toda uma cidade para favorecer um autocrata metido no maior esquema de corrupção que já houve em nosso país, o pior “serial killer” do dinheiro público que já apareceu na política brasileira.
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POR José Pires

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O país dos direitos dos maiorais

Sempre se soube no Brasil do tratamento que diferencia os direitos de ricos e pobres envolvidos em crimes, a começar pela conhecida impunidade que gozam os primeiros e a facilidade da prisão rápida para quem não tem dinheiro. Pobres são enfiados em prisões lotadas e maltratados pela polícia e pelos próprios presos ligados aos grupos criminosos que dominam o sistema prisional pelo terror. Até a imprensa participa do esculacho. Já os ricos e poderosos são conduzidos educadamente pela polícia, gozam de privilégios que na tragédia carcerária brasileira até o direito de dormir em uma cama e não sofrer tratamento cruel já é um benefício e tanto.

Porém, mesmo essa diferença só vem sendo notada recentemente. No Brasil, ver rico na cadeia sempre foi algo raro, quase como aquela história de camelo passar pelo buraco de agulha. A punição para a classe que manda no país só começou a existir recentemente, com a novidade trazida pelo trabalho do Ministério Público, da Polícia Federal e no rigor da aplicação da lei por juízes federais. No entanto, parece que as castas que até agora mantinham a impunidade procuram recompor suas forças. Estão passando por cima inclusive de suas diferenças para brecar e talvez até fazer retroceder a limpeza ética que vem acontecendo.

Mas os ricos e poderosos mantém seus privilégios mesmo quando não é possível comprar a impunidade e a prisão torna-se inevitável. A verdade e que os ricos e poderosos se dão bem em qualquer circunstância, como se viu agora na liberdade concedida a José Dirceu. O ex-ministro de Lula comandou um primeiro esquema, o do mensalão, pelo qual foi condenado. E enquanto cumpria a pena deu seguimento a um segundo esquema de corrupção, desta vez o maior da história brasileira e provavelmente do mundo. Pois Dirceu foi solto, como todo mundo sabe, sob o argumento de constrangimento ilegal. E isso com o líder petista já com duas condenações e uma terceira denúncia em andamento pela Lava Jato.

Bem, pelo argumento que deu liberdade a Dirceu, mais de 200 mil brasileiros teriam de sair das cadeias junto com ele. O número exato é de 221 mil presos provisórios. Segundo o Conselho Nacional de Justiça são os brasileiros que estão na cadeia à espera de julgamento. É óbvio que muitos estão lá por roubos menores, sem consequências trágicas sobre a vida de ninguém, bem diferente dos crimes de Dirceu e seus companheiros da cúpula do PT, além dos aliados políticos de peso. Só nesta terceira denúncia da Lava Jato, a propina foi de R$ 2,4 milhões e se refere ao saque destrutivo à Petrobras e à economia do país.

No Brasil, os maiorais se dão bem e isso é coisa antiga e de caráter permanente, com alguma diferença apenas nesses últimos tempos, como eu já disse, em razão de uma nova geração de profissionais da polícia e do Judiciário que resolveu trabalhar direito. Porém, muita mamata foi mantida. Até um privilégio novo apareceu agora, com este contra-ataque à ética que vem de cima. Essa novidade apareceu no habeas corpus que deu início à abertura de celas de corruptos, concedido ao empresário que simboliza o projeto econômico petista, Eike Batista. O ex-bilionário, mas ainda dono de muita grana e grandes segredos, deixou a cadeia e foi para prisão domiciliar. Só que Eike cumprirá esta pena em sua mansão, com todo luxo e conforto e cercado de segurança própria, sem nenhum dos perigos e do desconforto de um preso pobre. É claro que depois de ter conseguido por algum milagre o benefício, a prisão domiciliar de um pobre seria num barraco, com o risco dele ser rapidamente assassinado.
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POR José Pires

Gilmar Mendes, guerreiro, do povo brasileiro!

Da água pro vinho: esta é a transformação exigida regularmente, de uma hora pra outra, de um militante de esquerda nas redes sociais. Velhos companheiros caem em ostracismo e por isso precisam ser esquecidos. Adversários ferrenhos mudam de lado e ordens de cima obrigam a tratá-los então como parceiros leais. O mesmo ocorre no caminho contrário, de velhos companheiros que, às vezes apenas por divergências pontuais, tornam-se alvo das piores ofensas.

Nesta semana tivemos a oportunidade de observar este fenômeno, na instantânea modificação da avaliação do ministro Gilmar Mendes, que até agora era a figura do judiciário mais atacada pela esquerda. Em nível de agressividade, só ficava abaixo do juiz Sergio Moro como alvo. Pois foi só acontecer a libertação de José Dirceu para o ministro do STF tornar-se de imediato mais um bandido de estimação.
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POR José Pires

terça-feira, 2 de maio de 2017

José Dirceu livre é um alerta aos brasileiros

O ministro Gilmar Mendes, do STF, pode ter um efeito inesperado no voto de desempate que deu liberdade ao antigo mensaleiro e atual petroleiro José Dirceu, aquele por quem Lula tinha tanta consideração e confiança que até o chamava de “meu capitão”. Bem, na verdade independe das intenções de Gilmar Mendes, mas o fato é que a liberdade de Dirceu pode vir a dar aos brasileiros a satisfação de ver o poderoso dirigente do PT ir em cana de novo, pois o habeas corpus concedido pelo STF pode apressar o julgamento das apelações de sua defesa. São duas sentenças da Lava Jato que somam exatos 31 anos e 1 mês de prisão. O que se diz é que agora deve ser agilizado o julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre.



De qualquer forma, é quase impossível Dirceu não ser condenado em segunda instância. Porém, se não fosse o habeas corpus concedido pelo STF ele iria esperar a sentença na cadeia. Corrupto condenado e preso é sempre muito bom para a democracia, independente da forma que isso ocorra. Mas pensem como será estimulante a cena do sem vergonha sendo reconduzido ao xilindró. Gilmar Mendes pode ter livrado o petista pensando em embolar o processo de limpeza ética, mas se for mesmo este o seu desejo, o resultado pode contrariar sua má intenção.

Ainda no âmbito dessas boas consequências do voto liberador de corrupto, também é evidente que Gilmar Mendes jamais teria o objetivo de estimular a consciência dos brasileiros sobre a necessidade de manter acesa a mobilização popular que vinha até agora fazendo pressão pela limpeza na política e dando apoio ao Ministério Público, à Polícia Federal e aos juízes federais. E isso pode ocorrer com a soltura do corrupto, que veio como um alerta bem vermelho do que pode vir por aí. Tem que se reconhecer que apesar do amplo esforço de antes, de uns meses pra cá a mobilização dos brasileiros havia dado uma esfriada, por culpa inclusive dos próprios movimentos organizadores das manifestações de tua, que perderam o foco no ataque à corrupção e a exigência de rigor na punição dos culpados.

Enquanto isso, os corruptos se organizaram para o contra-ataque. É a fase do “levanta-sacode-a-lama-e-dá-a-volta-por-cima”. É isso que mostra o voto de Gilmar Mendes favorável a Dirceu, líder poderoso em dois grandes esquemas de corrupção. A liberdade do chefe petista corrupto vem desmentir inclusive o argumento ladino que vinha sendo disseminado, de que já chegara o momento de depor armas e nos congraçarmos todos para agora lutarmos exclusivamente pelos direitos dos trabalhadores. Junto com essa cantilena vinha o matreiro apelo para deixar o PT quieto, que o partido do Lula já era um cachorro morto. Pois aí esta a prova de que o bicho ainda é perigoso. Late, morde e está solto. Independente do propósito do ministro do STF, a situação criada agora mostra que é preciso haver mais perseverança dos brasileiros na mobilização e no bom combate. Ou então tudo voltará a ser como era antes, quando corrupto não tinha medo de ser feliz.
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POR José Pires

sexta-feira, 28 de abril de 2017


quinta-feira, 27 de abril de 2017

Requião, Lula e o PT num abraço de afogados


Cada um que dê a finalização que quiser à própria carreira, mas é curiosa a forma que o senador Roberto Requião escolheu para viver seu penúltimo ano no Senado. A eleição do ano que vem promete ser tão dura que ele nem sabe ainda qual cargo pretende disputar. Ao Senado com certeza ele não volta. E em qualquer outra disputa eleitoral, as condições serão terríveis, com uma seca de verbas, de aliados, além da dificuldade grave na relação com o eleitorado paranaense, que ao contrário de seus parceiros petistas tem orgulho da "República de Curitiba".

O grau de rejeição do senador paranaense já era alto, em razão da aliança feita com o PT, tanto com Lula quanto com Dilma Rousseff. E nesses últimos meses ele estreitou relações até com os petistas do Paraná, grupo com o qual ele sempre andou às turras. Requião foi até processado pelo ex-ministro Paulo Bernardo, que manda no PT paranaense e é marido da senadora Gleisi Hoffmann. Bernardo ganhou uma indenização de R$ 75 mil reais em 2014 por danos morais, por Requião ter sugerido que quando era governador recebeu uma proposta dele para fazer parte de um esquema de superfaturamento.

Nos últimos tempos, porém, Requião e os petistas paranaenses se acertaram, numa relação que se estabeleceu a partir da eleição dele para o Senado, em 2010, em dobradinha mais que amigável com Gleisi Hoffmann. Em campanha muito vistosa, os dois foram eleitos naquele ano, em aliança com Osmar Dias, candidato derrotado do PDT ao governo estadual. Até o impeachment de Dilma Rousseff a participação de Requião foi relativamente moderada, mas com o avanço da Operação Lava Jato, o senador pareceu ficar mais nervoso. A partir daí entrou na linha de frente, em ataque aos progressos do Ministério Público, da Polícia Federal e especialmente em confronto pesado com o juiz federal Sergio Moro.

Quando Requião pegou a relatoria do projeto de lei contra o abuso de autoridade deu pra sentir o tamanho do seu compromisso com a defesa de Lula e dos malfeitos do PT. É claro que ele sabe que a situação na qual se colocou vai de encontro à sua pretensa imagem política, cultivada durante anos e alimentada por um populismo que sempre teve a lisura com os cofres públicos como pauta essencial de propaganda. A trombada é forte. Tão desastrosa que até provoca suspeita, tamanho é o peso negativo dessa sua atitude, com uma carga de rejeição que pode comprometer até o sonho da continuidade de seu legado político por meio de seu filho, atualmente deputado estadual paranaense.

Na ultima eleição municipal já deu para sentir o grau de incompatibilidade transmitido pelo pai ao filho, que recebeu inclusive seu nome. Apesar de ser ainda novo na política, Requião Filho foi o nome mais rejeitado em todas as pesquisas e teve uma péssima votação, terminando em quinto lugar, com 5% dos votos. Como já dá para ver, até uma herança maldita parece estar incluída neste compromisso de Requião com Lula e o PT. E com tanto prejuízo em vista, não tem como não perguntar quanto é que o senador tinha para perder se ficasse de fora dessa triste jogada que afronta a opinião pública.
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POR José Pires

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Imagem- O senador que não voltará ao Senado, com Lula e a senadora petista Gleisi Hoffmann, em seminário contra a Lava Jato promovido pelo PT no mês passado, em São Paulo

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Conjunto da obra

O PT aperfeiçoou de forma incrível o uso do “quanto pior, melhor” como arma política. Nos anos todos em que foi oposição, o partido do Lula tinha que bater bastante em quem estava no governo, buscar atrapalhar qualquer tentativa de fazer algo bom e torcer para que tudo desse errado. Depois que o PT foi para o governo federal, porém, ficou muito mais fácil tocar essa política deles, que depende sempre do brasileiro estar mal de vida. Nesses 13 anos, primeiro com Lula e depois com Dilma, eles deixaram o país na situação mais difícil em que o Brasil já esteve em sua história, de forma que para o “quanto pior, melhor” agora basta fazer a manutenção da tragédia que eles próprios criaram.
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POR José Pires

terça-feira, 18 de abril de 2017

O mistério da "Amante" da Odebrecht


O envolvimento do nome da senadora petista Gleisi Hoffmann nas revelações das planilhas do setor de propinas da Construtora Odebrecht vai excitando cada vez mais a curiosidade da plateia. Não houve nenhum frisson no meio político e nas redes sociais quando a tratavam como Coxa, pois ela é de Curitiba. Mas que insondáveis razões teriam estimulado a imaginação dos responsáveis pela propina na Odebrecht, que é gente que parece saber tudo da vida dos políticos, para chegarem a batizar a senadora com o apelido inusitado, pelo menos até agora, de "Amante"?

Esse pessoal da Odebrecht além de mexer com os bolsos do povo também mexem com suas mais baixas emoções. A palavra “Amante”, de significado tão forte em nosso imaginário, traz ao escândalo do petrolão um ar de luxúria e até mesmo, digo com todo respeito, uma certa lubricidade que lembra aquele autor que petista andava citando bastante ultimamente, apesar de nunca tê-lo lido e muito menos compreendido, o grande Nelson Rodrigues. Pode ser que o criador do inegavelmente bem bolado apelido não tenha tido intenções literárias, até pelo fato de que ninguém metido nessas coisas espera ser lido um dia, mas o apelido trouxe inclusive uma lição de texto, demonstrando como uma simples palavra pode dar um tom de folhetim ao que até agora transcorria como uma crônica política.

Este vem sendo um dos mistérios surgidos na Lava Jato, nas entrelinhas deste descalabro imoral que é o petrolão, agora com este detalhe que apesar de parecer não ter uma grande importância na corrupção em si, não deixa de assanhar entre tantas safadezas entrevistas no que vinha sendo feito por debaixo dos panos no governo do PT. Pois a excitada curiosidade pública deve aumentar ainda mais com novas palavras surgidas nesta semana, referentes aos repasses para a que chamam "Amante". As senhas da planilha são "Aliança" e "Anel". Vou falar uma coisa: ainda não dá pra saber onde isso vai chegar, mas já deu uma animada boa em um enredo que estava marcado demais apenas pela sede de poder e a alucinada ambição pelo dinheiro.
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POR José Pires

Furdunço petista

Sob as ordens de Lula, movimentos organizados e antes mantidos em torno da estrutura de poder do PT, que caiu com o impeachment de Dilma Rousseff, pretendem fazer um furdunço em Curitiba, durante o interrogatório de Lula pelo juiz Sergio Moro. A bagunça é organizada pela Frente Brasil Popular, órgão de cúpula criado ainda no governo Dilma, que inclusive usou prédios públicos de Brasília para reuniões com a ainda presidente da República, organizando manifestações contra o impeachment. O desfecho que todo mundo conhece demonstra a ridícula eficiência dos companheiros.

Os grupos que estarão na capital do Paraná vão da Central Única dos Trabalhadores (CUT) à Nação Hip Hop, passando pelo Movimento dos Sem Terra (MST) e demais agregados, como UNE, MTST e outros. Os três primeiros puxarão as manifestações, segundo reportagem da Folha de S. Paulo. Duas dessas instituições na liderança são bem conhecidas dos brasileiros, na subserviência que sempre tiveram ao projeto de poder do PT. São linhas auxiliares de um projeto fracassado e estão sob o comando de hipócritas que apoiaram o ciclo de quatro governos consecutivos do PT, nesses tristes 13 anos, de resultado fatal exatamente para trabalhadores da cidade e do campo que a CUT e o MST teriam a obrigação de representar.

Vivemos um desemprego assustador, com as profissões praticamente destruídas no Brasil, vitimadas por uma péssima educação pública em todos os níveis e pela demolição econômica da indústria e do comércio. A tragédia é resultado dos governos de Lula e Dilma. No campo, a reforma agrária não teve avanço significativo nesses 13 anos e o apoio governamental a pequenos e médios proprietários rurais está numa precariedade que já mostra sinais na qualidade deficiente do abastecimento em feiras e mercados e nos altos preços do que é produzido no campo. Nada se fez também contra o terror imposto por criminosos a lideranças rurais, mantendo-se durante todo o período de poder petista a impunidade que acoberta a violência.

Com tantos problemas que afligem os brasileiros, que não são de hoje, chega a ser desrespeitoso o MST e a CUT movimentando suas máquinas em defesa de um sujeito envolvido no maior esquema de corrupção que já houve neste país. Uma variedade de questões econômicas e sociais que se agravaram durante os últimos anos guardam uma relação estreita com suas obrigações e por isso exigiriam também há bastante tempo ações que nunca vieram. E agora, o que se vê é esse desrespeito. Duas entidades de classe servindo como defesa de um populista autocrata metido em negociatas. E o pior é que fazem esse papelão usando dinheiro público, com a sustentação de suas estruturas bancadas com verbas federais e com dinheiro do salário dos trabalhadores, como ocorre com a CUT, por meio da contribuição obrigatória. Mas, felizmente, tudo indica que essa mamata também vai acabar. Aliás, essa manifestação em Curitiba pode ser a derradeira farra, simbolizando o final do uso arbitrário e ideológico por sindicatos pelegos do suado ganho dos trabalhadores brasileiros.
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POR José Pires