sexta-feira, 21 de julho de 2017

O efeito surpresa do governo Temer contra o crime

Tem coisas que a gente lê e não dá para acreditar. O ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse ao jornal O Globo que o governo federal vai pegar de surpresa os bandidos do Rio de Janeiro. Na matéria do jornal carioca, Jungmann falou da estratégia do governo Temer na ajuda que dará ao Rio na segurança pública.

As palavras dele: "Surpreender o crime para saber onde estão os arsenais, onde está o comando e o controle dos bandidos para poder atuar e apresentar resultados de fato. Nosso grande projeto é desarmar o Rio de Janeiro".

O ministro é de uma sagacidade que faz até a gente pensar como é que ninguém teve antes essa sacada, não é mesmo? Mas eu penso que seria melhor que o governo estivesse agindo na segurança pública desde que Temer tomou posse. E não só no Rio de Janeiro, é claro, apesar de que parece que naquele estado é maior o desespero da população.

Podia até ser de surpresa, conforme o que disse Jungmann, no entanto seria mais indicado que ficássemos sabendo do sucesso da investida federal aos poucos, com notícias das quadrilhas sendo desmanteladas, divulgação da prisão de bandidos perigosos e apreensão de grandes lotes de drogas e armamentos.

E como somos também muito espertinhos, com os bons resultados logo começaríamos a desconfiar que nossas autoridades finalmente começaram a trabalhar. Não é preciso que o ministro da Defesa anuncie com antecipação um plano tão ardiloso. Até porque desse jeito ele estragou a surpresa.
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POR José Pires

Lula e Gleisi Hoffmann, uma parceria do barulho

A desorientação política no PT pode ser percebida pelas personagens que hoje em dia no partido de Lula são referências, digamos assim, gritantes, do discurso político petista. Nota-se o sumiço de figuras de perfil mais pragmático e por isso com mais credibilidade não só para o diálogo necessário na desastrosa situação em que o PT chegou, como também para ocupar na mídia e nas redes sociais espaços mais amplos de comunicação com a sociedade.

Em volta de Lula atualmente só tem ruído, do qual é impossível extrair os resultados que a sigla precisa desesperadamente para ao menos amenizar o estrago político que sofreu. Seria preciso encontrar um equilíbrio entre a solidariedade partidária a Lula e no que isso implica para a imagem partidária. Mas quem é que dentro do PT poderia pendurar o guizo no gato ladrão? Vá lá, todo mundo sabe dessa dificuldade, criada pela inter-relação histórica entre líder e partido, na qual gradativamente um foi diminuindo em relação ao outro, por consequência direta das encrencas do próprio Lula, cujo comportamento foi contaminando a imagem do partido.

Claro que o processo virou algo como o “efeito Tostines”, dificultando de se saber com exatidão o que é que mais atrapalha um ao outro, se é o Lula ou o PT. Porém, fica difícil que Lula mude de partido, não é mesmo? Então, nesta condição complicada, dirigentes políticos de maior inteligência e habilidade não teriam deixado Lula dominar de tal jeito a máquina partidária, com poder absoluto até em nomeações para cargos essenciais na retomada de vigor eleitoral, como aconteceu na eleição da Gleisi Hoffmann para presidente, novamente feita por ele no “dedaço”. Já é de um tremendo peso negativo no currículo de Lula a eleição de “postes”, mas desta vez ele se superou, colaborando para o agravamento de sua própria desgraça. E o chefão petista nem tem como justificar a vacilada: já faz bastante tempo que a senadora vem apresentando curto-circuito.
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POR José Pires

Lula e seus milhões

Os petistas voltaram a falar do tal "imposto sobre as grandes fortunas", assunto mantido na gaveta nos anos de poder. Pois deviam aplaudir o juiz Sergio Moro, que vem decretando o confisco de fortunas obtidas de forma corrupta. Os milionários pegos pela Lava Jato já foram obrigados a devolver uma dinheirama ao país.

Nesta quarta-feira foi a vez do ex-presidente Lula, que seus companheiros devem saber que atualmente é um dos homens mais ricos do país. Só com suas palestras o que se sabe é que ele ganhou R$ 27 milhões. O companheiro parece um imã de atrair grana. Seis grandes doadores, todos de empreiteiras envolvidas na Lava Jato como a Odebrecht e Camargo Corrêa, entre outras, doaram ao Instituto Lula no total cerca de R$ 20 milhões. A J&F, de Joesley Batista, faz parte da lista, com R$ 2,5 milhões.

O cara está cheio da nota, mas até agora Moro bloqueou apenas R$ 606.727,12 em dinheiro, além de confiscar dois carros, três apartamentos e um terreno em São Bernardo do Campo. É preciso encontrar mais. Bem que os petistas podiam ajudar. É preciso taxar essa grande fortuna.
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POR José Pires

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Foro de São Paulo e sua zoação em Manágua

As resoluções do Foro de São Paulo, ocorrido nesta semana em Manágua, dão a impressão de que fizeram o encontro para produzir notícias para esses sites que fazem humor como se fossem informações reais, como o "Sensacionalista" ou "Joselito Muller". O besteirol começa pelo lugar escolhido para o encontro, Nicarágua, país com um governo hoje que é o exemplo mais substancial da falência da esquerda na América Latina. O presidente Daniel Ortega foi um dos líderes da Revolução Sandinista, que emocionou o mundo na década de 70, na derrubada de um dos ditadores mais corruptos que já existiu, o general Anastasio Somoza, e a instalação de um governo que prometia uma transformação radical naquele país, com uma revolução igualitária e de caráter humanista.

Os acontecimentos na Nicarágua animaram de tal forma a esquerda naqueles tempos em que quase todo o continente estava dominado por sanguinárias ditaduras de direita, que o escritor Júlio Cortázar chegou a doar direitos autorais de suas obras para o governo instalado após a queda de Somoza. No entanto, todo aquele projeto se perdeu, se é que era mesmo verdadeira a intenção de fazer algo diferente do caráter autoritário que a esquerda sempre demonstrou na prática, a partir do fechamento político em Cuba em poucos anos de Fidel Castro no poder. A Nicarágua é o exemplo perfeito da desonestidade da esquerda. A partir de um projeto com ares de um sonho libertário, seus dirigentes se aliaram ao que havia de pior naquele país, locupletando-se no poder. Ortega é hoje um milionário, reeleito com o apoio de políticos corruptos da esquerda e da direita, que hoje dominam o país.

O Foro de São Paulo não poderia ter encontrado lugar melhor para um encontro, ainda mais agora na situação de ruína moral dos países que se descuidaram e elegeram presidentes alinhados a este movimento esquerdista internacional. Argentina e Venezuela se destacam nesta desgraceira, além da situação terrível do nosso Brasil, que conhecemos muito bem. Uma reunião do Foro nestes tempos é mesmo de fazer babar "Joselitos" e outros tiradores de sarro. A gente tem até que ler duas vezes ou mais as notícias sobre este grotesco encontro. Tudo parece exagerado demais, como o alerta sobre as ameaças à América Latina, o apoio ao processo de paz na Colômbia, a solidariedade ao condenado Lula e a decisão de enviar missão para acompanhar a Constituinte na Venezuela. Parece que depois de provocar a ruína econômica e roubar bastante em vários países, os companheiros resolveram zoar com os latino-americanos.
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POR José Pires

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Imagem- Durante o Foro de São Paulo, homenagem aos "heróis da Nicarágua", passeata que é uma piada pronta, ainda mais tendo à frente a senadora petista Gleisi Hoffmann, ré por corrupção no Brasil

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Os velhos novos partidos

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pretende criar um novo partido, a partir da fusão do DEM com outra legenda, talvez um desses partidos nanicos, das dezenas de siglas atuais que topam tudo. Faz tempo que os líderes do DEM estão necessitados de dar um rumo a seu partido, que não vingou depois da remodelagem de marketing feita em 2007, com a mudança para o nome atual. O partido veio diminuindo a cada eleição, inclusive com deputados que trocaram de sigla. O logotipo dessa coisa é uma arvorezinha, mas nada brotou de fruto político que mereça alguma menção. Para se ter uma noção da “mudernidade”, Maia é um dos tantos políticos cujo peso curricular sempre dependeu de ele ser filho de cacique, o ex-prefeito carioca Cesar Maia.

O DEM (ou também “Democratas”, confusãozinha de denominação bolada pelos publicitários) nasceu a partir do antigo PFL, gerado por sua vez no ventre político obscuro da ditadura militar, a partir do rico berço da antiga Arena. Foi um enxerto atrás do outro, que veio dar no DEM. Em março deste ano o partido completou dez anos, sem motivo nenhum para festa. A ideia da remodelação publicitária era de se apropriar do clima de modernidade política que muitos acreditam existir na atualidade, num movimento que já teria mais ou menos uma década. Discordo absolutamente que exista mesmo isso. Para mim, o que temos são apenas sintomas de uma crise brutal, que vem principalmente de um abalo muito forte na cultura. Acreditar que o resultado natural disso será algo novo e melhor, é uma questão de crença e não de lógica. No entanto, essa ilusão de que a partir da confusão se abrirá um caminho que nos levará à “modernidade” é muito forte e passou a contar com os adereços tecnológicos fantásticos que garantem um país do futuro, agora até pelo WhatsApp.

Mas, de qualquer forma, o interesse dos líderes do DEM e seus publicitários era apenas surfar de cuecão na onda mundial que fazia (e ainda faz) muitos caírem na velha engambelação de que a História é progressiva e se encaminha para o bem. Com o novo partido em substituição ao DEM, os antigos pefelistas, ex-arenistas e logo mais ex-democratas planejam se salvar do afogamento. Para isso vem a calhar a possibilidade de Maia ser presidente da República no lugar de Temer durante um tempinho. A força de atração disso deve criar uma sigla repleta de senadores e deputados afim de se acertar com o poder. É o velho jeitinho brasileiro de fazer reforma política. No entanto, é possível prever o que deve ocorrer caso haja um mínimo abalo do poder de Maia ou mesmo com ele completando a interinidade e passando o governo para alguém de fora de seu grupo político. Acho bom os publicitários do DEM prepararem mais um logotipo para o próximo partido depois dessa mudança.
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POR José Pires

terça-feira, 11 de julho de 2017

A esquerda e sua falta de respeito com a democracia

Senadores e deputados liderados pelo PT e PCdoB mostraram nesta terça-feira que democracia representativa não é com eles. As senadoras Gleisi Hoffmann, Vanessa Grazziottin, Regina Souza, Fátima Bezerra, Lídice da Mata, Ângela Portela ficaram sentadas à mesa da presidência desde as 11 horas, impedindo a votação da Reforma Trabalhista. Só foi possível começar os trabalhos do plenário no início da noite. Segundo elas, foi uma tática de “ocupação” em defesa dos trabalhadores. O lamentável espetáculo é uma demonstração do que a esquerda poderia fazer no Brasil se tivesse poder.

A ação é completamente absurda, porque quebra todas as regras de entendimento por meio do Legislativo. O clima é bolivarianista, até aqui sem a violência praticada pelos companheiros deles da Venezuela, mas não por opção própria dos esquerdistas. Isso só não ocorre no Brasil porque a esquerda não conseguiu implantar plenamente seu projeto autoritário de poder. Além disso, eles sabem que o Exército Brasileiro está de olho, agora em defesa da democracia.

Mas a esquerda está na luta para criar as condições para impor seus interesses na mão grande, entre eles o da impunidade para companheiros pegos em delitos gravíssimos. E pelo visto, a desmoralização do Legislativo é parte integrante da estratégia do quanto pior melhor, que agora mira numa desestabilização total da nossa democracia, para que eles possam se colocar como opção na volta ao poder.
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POR José Pires

Temer garantido pelo subalterno

Com um governo escorado em um homem forte na economia, Michel Temer acabou armando uma cilada para si próprio. A questão política agora não é se o seu governo permanece, mas se após sua queda Henrique Meirelles vai ficar no ministério da Fazenda. Bem, triste o país que precisa de Meirelles para sua sustentação econômica, pior ainda para este país se ele for também uma sustentação do equilíbrio político. E dizem que em conversas de bastidores, ele vem fazendo até exigências para ficar no ministério. Matérias plantadas, é claro. E nem é preciso dizer por quem.

No governo Temer, Henrique Meirelles não disse ao que veio, do mesmo modo que vem sendo sua carreira pública, onde ele apareceu sempre como solucionador implacável de problemas. O homem é um sucesso, infelizmente não consumado. Já foi presidenciável, era para ser governador de Goiás, falaram na sua candidatura para o Senado, mas ele acabou mesmo como ministro de um governo meia-sola. Deixemos para lá seu currículo como banqueiro, mas em função pública esta grande promessa brasileira nunca se cumpriu. E faz tempo que ele está na jogada. Costuma-se esquecer que Meirelles ocupou o Banco Central de 2003 a 2011, portanto durante os dois mandatos de Lula, governo de onde vem esta baita crise não só pelo que foi feito como também pelo que se deixou de fazer. E era também o ministro da Fazenda que Lula queria para Dilma. Ela é que recusou.

Todas as mamatas e a desestruturação do país têm origem no governo Lula, de modo que fica difícil manter Meirelles na inocência da porção de desgraças tramadas naquele período. Seria desmerecer sua inteligência dizer que ele não viu a sistematização da corrupção e os lances inacreditáveis que fizeram desmoronar a nossa economia. Aliás, sobre isso existem declarações suas na época afirmando que o modelo político e econômico de Lula estava muito certo e que o futuro estaria garantido com o que eles estavam fazendo.

No entanto, fora o que os petistas armaram de encrenca na economia, qual é o projeto de Meirelles para enfrentar esta crise? Duvido que alguém saiba de uma ideia dele que mereça ser destacada. É um fato que além da reforma trabalhista e a da previdência não existe nenhuma formulação abrangente para a economia brasileira. Mesmo a inflação vem sendo contida mais pelos maus efeitos da crise do que por medidas do governo. Porém, nesta era de carência em todos os sentidos, Meirelles é tido como fator de grande sustentação. Ora, só se for entre seus colegas banqueiros, de onde vem de fato sua força política. Já na condução da economia ele não demonstrou na prática o que se esperava dele. Mas é o que temos como condutor desta transição na área da economia, o que não deixa de ser mais um sintoma da crise. Num tempo de fraqueza, homens fortes são assim.

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POR José Pires

sábado, 8 de julho de 2017

O avalista da honestidade de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo

Não existe nada mais significativo que o depoimento que o ex-presidente Lula deu nesta sexta-feira como testemunha de defesa da senadora Gleisi Hoffmann e do marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo. O casal petista responde à ação penal da Lava Jato pelo recebimento ilegal de R$ 1 milhão para campanha ao Senado, em 2010.

O teor da defesa feita por Lula ainda não foi liberado pela Justiça. Mas independente do que ele tenha falado a favor de Gleisi e Bernardo, este depoimento já está consagrado como a mais legítima representação da condição moral do casal de políticos. É uma variação interessante da frase “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”, neste caso com um aval da honestidade e a garantia pessoal do bom comportamento ético dos companheiros de caminhada. Nunca se viu na história deste país algo que definisse tão bem a condição moral de alguém.
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POR José Pires

domingo, 2 de julho de 2017

Governo ruim de conta

Acontece tanta coisa esquisita no governo de Beto Richa, no Paraná, que ninguém se espantou com mais um erro incrível do governador, desta vez com as universidades públicas do estado. O governo de Richa tem uma porção de complicações políticas, até com assessor acusado de exploração sexual de menores, além de quadrilhas de sonegadores descobertas pelo Ministério Público, com a chamada Operação Publicano, na qual foi preso até um primo dele. O tucano responde a inquérito no Superior Tribunal de Justiça sobre estas fraudes. Ele também é citado na Lava Jato, nas delações da Construtora Odebrecht, com o codinome de “Piloto”.

Ultimamente o nosso “piloto” vem fazendo ataques às universidades estaduais, com uma agressividade que aumentou bastante depois de reitores se negarem ao enquadramento numa proposta de maior controle sobre a administração das instituições, com um sistema de controle de gastos centralizado no governo. No debate que se seguiu, Richa e seus aliados passaram a um lamentável jogo de difamação das instituições com dados falsos e invenção de situações absolutamente mentirosas, como a acusação de falta de transparência de cada universidade. Num desses ataques, filmado em vídeo com Richa ao microfone e cercado de uma claque de gabinete, o governador até afrontou o decoro, fazendo um grosseiro ataque pessoal ao reitor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Mauro Baesso. O tucano fez igual um desafeto seu, o senador Roberto Requião, que no governo também insultava professores das universidades.

Na absurda tentativa de colocar os paranaenses contra as universidades públicas, Richa adotou a tática de desmerecer instituições que, ao contrário disso, deviam ser valorizadas pela qualidade que apresentam mesmo em condições muito difíceis. Junto às outras universidades paranaenses, a UEM foi acusada de gastar demais com alunos, com uma cifra impressionante de 9 mil reais em gasto médio por aluno. Numa entrevista que serve como aula inclusive de boas maneiras para o governo tucano, o reitor Baesso, explicou que o número não é verdadeiro, até pelo fato de que para arcar com este custo o orçamento da universidade teria de ser sete vezes maior. Por má-fé ou dificuldade com o raciocínio matemático, o governo Richa apresentou o resultado de uma divisão pelo número de alunos formados em 2014, sem levar em conta a progressão da entrada de alunos durante os cursos, a maioria de quatro anos, mas alguns, como medicina, com seis anos.

Com a polêmica trazida pelo governo, o site da Gazeta do Povo fez um levantamento com o total de estudantes e chegou à conclusão de que o gasto médio nas seis universidades estaduais é de 2 mil reais ao mês por aluno, muito distante do que dizia o governo, em tom de acusação. A estimativa da Gazeta é com base no total de alunos matriculados na graduação e na pós-graduação. Segundo o site, a UEM tem o custo por aluno de R$ 1.989,06. Esta universidade tem 23.881 alunos, um pouco mais que a UEL, que fica em Londrina e tem 20.113 alunos, com custo unitário de R$ 2.302,92. No total, o ensino superior no estado tem 84,8 mil alunos. Estes são os números reais, dos quais o governador poderia extrair bons resultados políticos e administrativos, bastando para isso ter boa vontade. Richa deveria focar o debate na relação de custo e benefício, com a formação de milhares de profissionais todos os anos, sem os quais ficaria impossível tocar o Paraná, com prejuízo certo também para todo o país. Feita dessa forma, a conta vai mostrar com certeza um resultado de lucro social e econômico para o Paraná e o país.
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POR José Pires


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terça-feira, 27 de junho de 2017

Lula: candidatura para fugir da Justiça

Toda vez que a Folha de S. Paulo dá uma levantada de bola para o ex-presidente Lula, como acontece agora com essa pesquisa do Datafolha, eu me lembro da famosa chamada de capa deste jornal, em maio de 2010, que dizia que saindo do governo Lula podia escolher entre a ONU e o banco Mundial, para dar continuidade à sua vitoriosa carreira. Vale lembrar que Lula havia escapado por pouco de ser pego pessoalmente na falcatrua do mensalão, mas isso para a Folha era um detalhe. É o que acontece também agora, com esta pesquisa, que vem no momento certo para o petistas se contrapor aos inquéritos da Lava jato que podem levá-lo à cadeia. Sua candidatura à presidência da República é a fachada usada por ele para se vitimizar. Como Lula só quer criar confusão política, cabe suspeitar e muito de um jornal que vem com uma pesquisa dessas exatamente neste momento.

A candidatura de Lula é simples fachada. É totalmente inviável depois de tudo que a Lava Jato levantou contra ele e seu partido. E o chefão petista sabe disso. O PT sempre ganhou eleições presidenciais com muito dinheiro, desde a primeira vitória de Lula, em 2002. Nesta primeira eleição, ele comprou inclusive o apoio do partido do vice José Alencar e fez uma aliança ampla, fechando com outros partidos também comprados. Já é fato comprovado e julgado, com a condenação da cúpula do partido e aliados. Foi ali o início do mensalão, do qual o próprio Lula escapou por pouco de ser condenado. O preço estamos pagando até agora, com uma destruição política e econômica que desestruturou o país de tal jeito que tornou imprevisível o destino do chamado “país do futuro”.

Já foram quatro eleições com vitórias arrancadas com muito dinheiro, que serviu inclusive para armar quadros eleitorais favoráveis aos petistas. Na eleição de 2014, conforme soube-se agora por depoimento do dono da JBS, houve inclusive uma disputa entre Aécio e Dilma na compra de um partido, ganha pela petista que ofereceu mais. As campanhas do PT foram sempre milionárias, com fartas verbas também para candidaturas à Câmara e ao Senado, além de muita propaganda e estrutura para candidatos a deputado estadual e governadores. Tinham marqueteiros caros e forte estrutura técnica de publicidade política, com custos arcados por empresas amigas e pagos até por fora.

Alavancado dessa forma para ganhar eleições, Lula ainda conseguiu emplacar o mito de que atraía votos exclusivamente com o carisma. Esse mito foi facilitado pela impressionante desfaçatez e irresponsabilidade de grande parte da imprensa, que preferiu explorar a imagem do líder populista amado pelo povo do que ir a fundo na investigação jornalística sobre a verdadeira fonte da força eleitoral petista. Por isso, a estrutura imoral e criminosa de suas campanhas só foi desvendada agora, a partir da atuação rigorosa da Polícia Federal, do Ministério Público e de juízes que trabalham com decência.

Mas vamos lá, num raciocínio com Lula de fato na disputa no ano que vem. Deixemos a montoeira de complicações políticas, sobre as quais inevitavelmente ele teria de responder. Vamos ficar apenas nas questões práticas. De onde ele tiraria sustentação financeira para ir às compras e montar uma grande aliança de partidos? Tem também o pagamento de marketing milionário. Não pode ser com Duda Mendonça nem tampouco com João Santana, que atendiam inclusive senadores e governadores da aliança petistas e eram pagos por fora. Mas o serviço terá de ser feito e isso custa muito dinheiro. Enfim, estão fora do alcance de Lula as habituais estruturas milionárias. Aliás, cabe lembrar que mesmo com tal suporte ele sempre foi obrigado a resolver tudo só segundo turno. Candidatura de Lula em 2018 é balela. A jogada na verdade é criar um clima político que evite sua prisão. E para isso a Folha de S. Paulo vem ajudando bastante.
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POR José Pires

quarta-feira, 14 de junho de 2017

As manhas e artimanhas do PT para cavar a própria ruína

O pessoal do PT dá bastante alegria pra gente, pelo menos na facilitação da tarefa democrática de fazer do partido do Lula um partido nanico. Muitas vezes aparecem boas chances para o partido se recompor, situações nas quais negociações políticas conduzidas com habilidade poderiam conquistar aliados e até permitir o reatamento de antigas relações, mas os dirigentes petistas perdem todas essas chances. Colocam as pessoas erradas para fazer o serviço, deixam de organizar um discurso equilibrado de forma coletiva, não se mancam nem em estabelecer regras simples de boa educação. É até engraçado, porque costumam xingar antes de sofrerem o mau resultado.

Me lembro que durante os trabalhos do impeachment, no Senado, cada vez que aquela bancada histérica do PT saía de peito aberto e aos berros para defender o mandato de Dilma Rousseff eu me refestelava com os espetaculares equívocos, contrariando até políticos com os quais bastaria uma boa conversa de bastidores para encaminhar uma negociação pelo voto contrário ao impeachment. Mas os senadores da base do governo faziam o inverso, especialmente aquela soberba trinca formada por Vanessa Grazziotin, Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann. Vou confessar, nunca me diverti tanto com vídeos da internet como na época dos debates no Senado sobre o processo de cassação do mandato petista.

Desde que Dilma assumiu, o PT já vinha dando muitas cabeçadas, com erros espantosos que agridem o mínimo bom senso em política. Continuam até hoje agindo da mesma forma. E desse jeito não conseguirão nunca dar a chamada volta por cima. E com isso, eles se mantém empacados em dificuldades para se recompor, mesmo com esse desastre político que é o governo Temer. Mas sempre existe o risco deles se aproveitarem de tantos erros. Por isso me preocupei com a eleição para a presidência do partido, no que logo fui tranquilizado com os dois nomes que iam bater chapa: Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann. Ora, mas os companheiros estão querendo me agradar, foi o que pensei. Gleisi Hoffmann ganhou, como todos sabem, mas uma escolha dessas podia ser resolvida no uni-duni-tê, pois qualquer resultado já estaria bom.

Então, Gleisi está aí na presidência do PT, o que me contenta de tal maneira que preciso me segurar para não chamá-la de “presidenta”, como ela tanto gosta. E já estou adorando o serviço. Sua eleição não tem nem um mês e ela foi obrigada a dar uma posição na situação delicada da agressão à jornalista Miriam Leitão. Era a chance do partido dar uma amenizada na péssima imagem que vem tendo até agora no debate nacional, mesmo que fosse, como sempre, de forma marqueteira e muito cínica. E que tema apropriado para eles aproveitarem. Havia até uma mulher como vítima, o que permitiria uma beleza de texto até para um redator mediano. Porém, Gleisi mandou fazer o contrário. A nota que soltaram até lamenta o "constrangimento" sofrido pela jornalista, mas em seguida coloca como causa a linha editorial da emissora em que ela trabalha, apontada na nota como responsável pelo "clima de radicalização e até de ódio". No embalo, deu um aval aos agressores, que berravam exatamente contra a Rede Globo durante a hostilização no avião da Avianca. Não é mesmo uma mulher adorável? Me desculpem a puxação de saco, mas o PT arrumou a "presidenta" ideal pra gente consertar este país.
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POR José Pires

PSDB: a nau dos afogados

Muita gente vem falando em “abraço de afogado” na situação do PSDB com o governo de Michel Temer, mas na minha visão andam confundindo o afogado. Não é Michel Temer e sim Aécio Neves o afogado do abraço fatal para os tucanos neste mar de lama. É pela proteção política de Aécio que o partido se mantém no governo Temer, teimosamente, apesar de todas as evidências de que isso vai criar sérias complicações eleitorais no ano que vem.

O ex-governador mineiro e atualmente senador afastado já não tem futuro na política. Perdeu totalmente a credibilidade com as denúncias que apareceram contra ele. Todo mundo sabe que a única razão da sua prisão não ter sido decretada é sua condição de parlamentar. Daí sua desesperada aliança com Temer, de olho no poder político do PMDB para ajudá-lo a resguardar seu mandato. Com isso, a imagem de seu partido ficará totalmente desfigurada, criando sérios problemas na relação com os eleitores, mas com a lama pelo nariz, este problema não está interessando nem um pouco ao senador afastado.

Espertalhão do jeito que é, com certeza ele já sabe que daqui por diante sua carreira só terá trânsito na obscuridade da política de conchavos, sem que ele tenha a mínima possibilidade de manter a fachada de político ético, que até agora permitia que ele se destacasse nacionalmente, mas que foi pro ralo com as investigações da Lava Jato. Egoísta notório, não virá dele nenhuma preocupação com as dificuldades criadas para o partido, que na sua força eleitoral teve sempre como ponto substancial o discurso ético. A arriscada manutenção da relação com Michel Temer é realmente um abraço de afogados que pode acabar com o PSDB, porém isso é mera consequência do abraço no afogado mais importante, que é Aécio Neves.
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POR José Pires

terça-feira, 13 de junho de 2017

Miriam Leitão na mira da grosseria organizada do PT

Já corre pela internet a notícia da agressão sofrida pela jornalista Miriam Leitão. Em um voo da empresa Avianca, entre Brasília e Rio de Janeiro, ela teve que suportar duas horas de xingamentos, palavras de ordem contra ela e a TV Globo e provocações físicas, como militantes empurrando sua cadeira e outras grosserias. Eram cerca de 20 pessoas, delegados petistas que acabavam de participar do Congresso do PT, em Brasília. Tudo profissional do partido, o que diferencia bastante esta agressão de outros protestos contra figuras conhecidas.

Do episódio dá para extrair vários elementos que demonstram o risco que o país corre com o clima que o partido do Lula está montando no país. O relato da jornalista mostra a revoltante a falta de ação de autoridades, entre elas o piloto do avião, para acabar com o furdunço petista. O piloto da Avianca sequer fez um pedido de silêncio pelo serviço de som. A Polícia Federal também não entrou no avião para retirar os baderneiros. A serpente ideológica costuma tomar conta de um país, entre outras coisas, em razão da falta de ação dos que tem a responsabilidade de controlar e punir abusos.

Outro ponto interessante de seu texto, fala de algo que é explicativo do grau de ignorância do PT, ignorância que faz parte do projeto político do partido, que passa por cima das mais simples verdades históricas. Eles querem um país que tenha na cabeça só o que é do interesse partidário, mesmo que a inverdade seja de um ridículo atroz. Durante a bagunça, um dos delegados petistas berrou que “quando eles mataram Getúlio o povo foi lá e quebrou a Globo”. Acontece que a emissora foi fundada onze anos depois do suicídio de Vargas.

Isso poderia talvez ser tomado como um erro pontual, mas acontece que a deformação do conhecimento da nossa história é parte do projeto de poder do PT. É uma articulação antiga. Vem de seus dirigentes e recebe uma contribuição muito forte de professores esquerdistas, do ensino fundamental e das universidades, com releituras mentirosas e muito burras que favorecem a esquerda. Com essa gente no poder, não duvidaria que um dia eles estivessem ensinando às crianças até o absurdo da TV Globo contra Getúlio Vargas.

Outra coisa que me chamou a atenção no conjunto do texto de Miriam Leitão é o tom contemporizador diante da ameaça séria que ela sofreu. Pode ser da sua personalidade ou pelas limitações colocadas pelo cargo que ocupa em grandes veículos. Respeito sua opinião, mas, enfim, discordo que haja no PT inteligência e tolerância para coibir esse tipo de abuso. As agressões no avião poderiam ter tomado um rumo mais perigoso, da mesma forma que situação do país pode se agravar bastante, com o risco inclusive de descambarmos para a violência política, se esse partido não for contido. Finalizando o texto e se referindo ao que aconteceu com ela, a jornalista diz “Não acho que o PT é isso”. Pois aí é que está um grave erro de avaliação. O PT é exatamente isso.
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POR José Pires

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Imagem- Ficha de Miriam Leitão, quando ela esteve presa durante a ditadura militar. Hoje é a esquerda que ameaça a jornalista, que na juventude participou da luta armada

Na fila por um viral açucarado


Apareceu uma novidade de consumo em Nova York que vem sendo tida como uma nova “sobremesa viral”, essas modas que se propagam pela internet. Portanto, logo deve bater por aqui. Prepare-se para entrar na fila. O negócio que está vendendo bastante é uma mistura de biscoitos (que tem que ser chamado de “cookie” para gourmetizar) servida como sorvete. A imagem da sobremesa não é grande coisa. Parece nada mais que qualquer sorvete que se vende por ai. No entanto, sua procura vem formando filas onde a espera é até de duas horas. E o estranho, é claro, sou sempre eu. Se um dia souberem que fiquei duas horas numa fila para provar um doce, me internem, por favor, como se eu estivesse viciado em crack.

A sobremesa foi inventada em uma lanchonete do Greenwich Village, ao lado da Universidade de Nova York, o que pode explicar em parte o sucesso da gororoba que virou cult. Dá para imaginar a especulação sobre o novo doce, no boca-a-boca entre os estudantes, nas redes sociais, e daí se ampliando para toda a cidade. A matéria saiu na Folha de S. Paulo, jornal novidadeiro, que por isso mesmo não investigou o mais interessante, que é como a onda começou. Porém, ao menos o jornalista procura informar o sabor da sobremesa, que para ele é muito adocicada, problema que, aliás, é de todo doce brasileiro, inclusive os que por aqui também são cultuados como altamente sofisticados.

Como se costuma dizer, já vi esse filme, em ocasiões felizmente com menos visibilidade e sem fila, quando me levaram para que o meu paladar experimentasse um prazer sofisticado e acabei tendo que comer algo doce demais, sem nenhuma textura especial e também muito caro. Infelizmente não foi em Nova York, mas em compensação serve como de justificativa. Isso foi numa cidade em que pouca coisa existe mais para fazer do que ir à shoppings ou sair de bicicleta. E isso fora da cidade. Que algo parecido ocorra em um lugar com a amplidão cultural de Nova York mostra como, no geral, nós seres humanos somos tão parecidos em nosso espírito e nossas ansiedades. Alguém já disse que de perto ninguém é normal. Pois aprofundando um pouco mais, digo que por dentro ninguém é assim tão individual.

Mas a coisa vem piorando, inclusive com o uso de tecnologias que facilitam que cada um seja seu próprio cronista social. É uma procura de novidades que parece movimentada pelo tédio, pelo aborrecimento cotidiano, quando todo programa social tem que ter muita visibilidade pessoal, onde exista a sensação da participação em algo determinante, mesmo que seja a frente de um prato de carne com legumes como qualquer outro, mas com uma decoração elegante traçada com algum creme colorido. Pode não ser mais que uma boa comida num lugar especial, o que já estaria muito bom. Mas hoje em dia exige-se mais, daí a tentativa da valorização com os selfies e posts escritos rapidamente e in loco, no atropelo de verbos, vírgulas e o que vier pela frente. Pode-se também passar horas numa fila com centenas de outras figuras essenciais da cultura ou da arte da degustação de uma novidade carregada no açúcar, como é o caso desse doce cult.

Uma observação nas filas formadas para experimentar o doce nova-iorquino permite notar que as pessoas parecem estar tomadas pela mesmo clima que se vê nas filas, também imensas, formadas para entrar na mega-exposição de um artista famoso, como as de Monet ou Picasso, que já aconteceram no Brasil. O sentimento superficial é o do encontro com uma grande revelação na ponta da fila, que não deve ocorrer com Picasso ou Monet e nem com a gororoba cult, até pelo fato de que a busca desta sensação tem a mesma qualidade tanto para lamber o doce quanto para olhar as obras de arte.
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POR José Pires

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Botando a família no meio da corrupção

Quando se vive em meio ao escândalo, na situação em que estamos atualmente, a gente deixa de se surpreender com fatos que seriam um despropósito em um país de relativa normalidade. Não é o caso dos dias de hoje, neste nosso sofrido Brasil. No entanto, mesmo envolvidos pelo descalabro, ainda que nossa sensibilidade esteja bastante debilitada, mesmo nesta triste condição certas atitudes ainda causam espanto, mesmo que o acontecimento seja parte de algo que já é uma afronta o bom senso.

Estou falando do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, o político que foi buscar uma mala cheia de dinheiro com Ricardo Saud, diretor da JBS. A entrega do dinheiro foi flagrada pela Polícia Federal, que até filmou Loures em uma corridinha pela calçada, levando a mala até o táxi. A cena é totalmente absurda até para o Brasil, pois junta elementos demais como prova da sem-vergonhice em que meteram o país. Rocha Loures, que é suplente, havia assumido no lugar de Osmar Serraglio, então no Ministério da Justiça. O homem da mala era também pessoa de total confiança do presidente Michel Temer, de quem inclusive havia sido assessor na vice-presidência. Até assumir o mandato, ele era Assessor Especial do Gabinete Pessoal da Presidência da República.

É muita coisa para um carregador de mala, não é mesmo? Mas não é isso que acho espantoso demais neste caso. O que me surpreendeu e dá até um certo mal estar foi saber neste final de semana que depois de pegar a propina com o diretor de JBS, Rocha Loures foi de táxi até a casa de seus pais, onde deixou a mala. Foi o “Fantástico” que descobriu isso, o que tem tudo a ver com o nome do programa. Mais fantástico ainda, a mala foi escondida no armário da mãe de Rocha Loures, segundo a PF. Vejam só: o sujeito envolveu a própria família numa das maiores sujeiras da história recente do país.

O ex-deputado é de Curitiba, no Paraná. De família tradicional, é filho de Rodrigo Costa Rocha Loures, conhecido empresário brasileiro, fundador da empresa Nutrimental e presidente por duas vezes da FIEP, federação de indústrias do estado. Dá para imaginar como a revelação do envolvimento com corrupção deve estar pesando para a família do ex-deputado, ainda mais pelo lance grotesco dele sendo filmado dando uma corridinha puxando uma mala cheia de dinheiro. O despropósito já era tanto, que parecia ser o máximo em degradação. Mas ainda tinha mais essa, da mala escondida na casa dos pais, logo no armário da mãe, o que vem comprovar que em matéria de absurdo não se deve subestimar a realidade brasileira.
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POR José Pires

sexta-feira, 9 de junho de 2017

TSE, um tribunal de alto valor. No custo, no custo...

O Brasil tem suas jabuticabas, sendo o TSE uma das mais esplêndidas e dispendiosas. Aliás, as jabuticabas são sempre caras. Jamais será visto um governo, muito menos parlamentares ou algum tribunal criando uma jabuticaba de custo razoável. Toda jabuticaba e uma jóia preciosa. Isto é regra. Mas o TSE é uma das mais inúteis das nossas jabuticabas, bastando como prova disso o estado atual do sistema representativo, praticamente falido, com a atividade política num descrédito como nunca houve em nosso país. Uma Justiça Eleitoral em funcionamento regular, que fosse, já amenizaria o estrago. Mas esta justiça parece que já foi criada para não funcionar direito.

O TSE e demais tribunais eleitorais pelo país afora deveriam ser extintos, com o repasse para outras instituições das verbas milionárias que sustentam atualmente esta inutilidade e a transferência também de pessoal, com uma reavaliada geral das capacidades, dentro das possibilidades da lei ou mesmo com a determinação de uma nova lei. É provável que a comprovação da inutilidade deste tribunal seja dada pelo resultado do julgamento da chapa Dilma-Temer, prometido para hoje. Mas vamos supor que uma insondável insensatez caia sobre os togados e haja a condenação desta eleição comprovadamente corrupta e fraudulenta.

Bem, ainda assim fica mantido o que já falei por aqui, de que o próprio julgamento desta chapa só existe porque o TSE não funciona. E manterei a minha opinião de que não faz sentido a existência de tribunais eleitorais. O Brasil andaria melhor sem mais esta jabuticaba dispendiosa e inútil. Dados levantados pelo site Contas Abertas revelam que o TSE (e apenas este tribunal) custa ao contribuinte R$ 5,4 milhões por dia. Para 2017, esta corte tem o orçamento de R$ 2 bilhões. A maior parcela é destinada ao pagamento de pessoal e encargos sociais, inclusive assistência odontológica. Isso tudo numa democracia com a nossa, que não vai muito bem das pernas. Tampouco dos dentes.

Mas é claro que escrevo isso apenas para marcar posição, sem acreditar que possa haver um dia o enxugamento necessário na custosa e ineficaz máquina do Estado brasileiro. Deveria ter um corte rigoroso da diversidade de instituições que vão se criando, acabando com a exploração lucrativa e inescrupulosa, muito facilitada porque tudo é definido pelos mesmos que ganham com nomeações, concursos públicos, construção de prédios, compra de bens materiais e outras facilidades que dão dinheiro e poder político para quem não merece. Mas me parece óbvio que a farra tende a continuar. O TSE não só será mantido, como ainda poderemos vê-lo aumentar de tamanho e custo, com a superação inclusive da sua histórica incapacidade, para a qual ainda existe potencial para um vasto crescimento.
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POR José Pires

terça-feira, 6 de junho de 2017

O deslize de Temer e a sorte da Lava Jato

Quando investigações estão em curso, o mais banal deslize dos investigados pode permitir que se abram os caminhos para pistas que pareciam impossíveis de aparecer. O encontro noturno do presidente Michel Temer com Joesley Batista, dono da JBS, foi uma rara ocasião dessas, em que aparecem pontas que encaminham para muitos assuntos que antes pareciam que iriam morrer na lista de crimes insolúveis. A lista de perguntas encaminhadas pela Polícia Federal a Michel Temer deve ter feito o ainda presidente da República ficar muito preocupado não só pelo que conversou com Joesley, mas com fatos que pelo jeito já é do conhecimento da polícia, faltando apenas colher as provas. Se é que falta isso. Não só pelos indícios que permitem um aprofundamento, mas especialmente pela possibilidade da abertura de uma investigação sobre o presidente, o descuido de Temer é um desses incidentes que parecem coisa de histórias de detetives. Porém, a vida também transcorre do mesmo jeito.

Uma olhada nas 82 questões mostram questionamentos que fazem crer que a PF e o Ministério Público buscam apenas amarrar as pontas certas de um emaranhado já sob seu controle, com o qual podem obrigar Temer a responder até por suspeitas que atravessam décadas, em negócios obscuros no Porto de Santos que sempre foram objeto de falatório nos meios políticos. As perguntas pedem esclarecimentos sobre variados temas, bem além do que aparece nos áudios da conversa com o dono da JBS, chegando até esta questão antiga, de Santos, em uma indagação sobre a “relação de proximidade” do presidente “com empresários atuantes no segmento portuário, especialmente de Santos/SP”, inclusive dando o nome de determinado empresário.

Claro que pediram para ele esclarecer o sentido da orientação a Joesley, quando disse a frase famosa: "Tem que manter isso, viu?". Ah, e tem também o Edgar, nome de um cara que facilita tudo, que é citado em conversas do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, cuja relação com o presidente em negócios escusos parece ser muito mais ampla do que simplesmente ir pegar mala de dinheiro para o chefe. E quem é Edgar? Vamos esperar pelas respostas de Temer.
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POR José Pires

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Mais um ministro de Dilma e de Temer na cadeia

A alegria cívica que a Lava Jato costuma trazer aos brasileiros logo na segundona desta vez veio na terça-feira, com a prisão preventiva do ex-ministro Henrique Alves (PMDB-RN). Mas não tem problema, não, ainda mais por esta prisão ter significados amplos. Alves foi levado pela Polícia Federal sob os gritos de “safado” e “ladrão” de pessoas em frente ao prédio de luxo onde ele mora na capital do Rio Grande do Norte.

Alves foi ministro do Turismo no governo Dilma Rousseff e só foi afastado por Michel Temer, já na presidência, depois de ter sido citado na delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Este é o segundo ex-presidente da Câmara que é preso, além de Eduardo Cunha, que mesmo já estando no xilindró no Paraná, teve mandado de prisão expedido também nesta operação. Além disso, o crime do ex-ministro faz parte do rescaldo da famigerada Copa 2014, sobre a qual não faltaram alertas, neste país que detesta “Cassandras” e por isso mesmo paga até os custos dos cavalos de Tróia, um atrás do outro. Este não é o primeiro estádio com alto sobrepreço e duvido que exista qualquer empreitada desta copa onde haja não tenha desvio de muito dinheiro, além da inutilidade prática da maioria do que foi feito.

Alves está envolvido em corrupção na construção do estádio Arena das Dunas, em Natal, no Rio Grande do Norte. Segundo a PF o sobrepreço na construção identificado até agora chega a 77 milhões de reais. Durante a investigação, Henrique Alves foi obrigado a admitir à Justiça Federal que ele tem uma conta bancária na Suíça, aberta em 2008, portanto ainda no governo Lula. Como o nome desta operação é “Manus”, que tem a ver com um provérbio em latim que significa “uma mão lava a outra”, essas mãos se lavam desde o governo do chefão petista. Sobre a conta na Suíça, o ex-ministro afirmou que não tinha conhecimento da movimentação de R$ 2,3 milhões. É uma das mais cínicas alegações de inocência até agora, mas não deixa de ter seu humor, ainda que no estilo grotesco da política brasileira, subestimando a capacidade mental dos outros.
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POR José Pires

TSE, o tribunal que só funciona no tranco

O julgamento da chapa Dilma-Temer, que começa nesta terça-feira, pega já entrando em seu terceiro ano o mandato que é objeto da ação. A Justiça Eleitoral demorou dois anos e meio para julgar se a eleição foi válida. E se Dilma Rousseff não tivesse sofrido impeachment, o PT de Lula estaria ainda no poder em parceria com o PMDB de Temer, ambos com os mecanismos de pressão que está mais que provado que utilizam com todos os abusos que já foram esclarecidos nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

A Operação Lava Jato descobriu fartas provas de que a eleição de Dilma e Temer usou recursos ilícitos em enorme quantidade. No entanto, a verdade é que se dependesse exclusivamente do Tribunal Superior Eleitoral este julgamento só ocorreria depois de Dilma terminar seu mandato e também não dá pra ter a confiança alguma de que haveria alguma condenação. Com Dilma e seu vice já em casa e sem a comoção política que o país está atravessando, a chapa Dilma-Temer ficaria na mesma situação de todas as outras chapas, da eleição passada e de outras mais para trás.

Em cada eleição, a maioria dos políticos apronta o máximo, com possibilidades mínimas de que paguem pelas ilegalidades. Com isso, não há nenhuma eleição que possa ser definida de fato como representativa. E depois, ainda somos obrigados a ouvir dizer que os corruptos que vão para o poder são a cara do eleitor brasileiro.
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POR José Pires