quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Jair Bolsonaro de olho no PT como alavanca eleitoral

O candidato Jair Bolsonaro é um tipo de político que construiu toda sua carreira usando de contrapé alguma situação ou opinião contrária. Em casos mais recentes, os brasileiros puderam acompanhar quiproquós entre ele e políticos de esquerda, com destaque aos bate-bocas com o deputado Jean Wyllys, do Psol, e a petista Maria do Rosário, dois oportunistas que fizeram carreira do mesmo modo, com diferença apenas de lados, servindo-se de jogadas de apelo sensacionalista. Bolsonaro acabou sendo favorecido bastante por idiotas desse tipo, ainda tendo lucrado muito com o vazio político e intelectual que acomete nossas redações, com jornalistas envolvidos na busca de assuntos quentes, além dos enfrentamentos e a audiência a qualquer custo que quase todo mundo procura nas redes sociais.

Pode-se notar no material de imprensa mais antigo sobre as peripécias de Bolsonaro que antes da popularização da internet ele era um político relegado aos programas de televisão de qualidade mais baixa, em cujas pautas cabia muito bem um deputado do baixo clero de ar amalucado, com o discurso de que problemas podem ser resolvidos na porrada. Bolsonaro só aparece em veículos de melhor qualidade quando está envolvido em encrencas mais sérias, como aconteceu com o plano de explosão de bombas nos quartéis, em um irresponsável movimento para demonstrar a insatisfação com salários dos militares encabeçado por ele e revelado em matéria da revista Veja, no final de 1987.

Essa história das bombas (que seriam de pequena potência, apenas para chamar a atenção) mostra que mesmo na carreira militar abandonada prematuramente para ser vereador no Rio, ele procurava ter destaque na caserna usando assuntos que na contraposição lhe dessem méritos. Isso foi detectado logo cedo. O deputado sofreu um processo disciplinar interno e quase foi expulso do Exército. Tudo indica que seus superiores resolveram abafar o caso, porém os indicativos mostram que a partir dali ele não iria além da patente de capitão. Pode ser, inclusive, que Bolsonaro tenha recebido sugestões informais para que pedisse baixa.

Bolsonaro é um homem com pouca capacidade de compreensão mesmo em assuntos mais corriqueiros e já aprofundados pela própria imprensa. Isso pode ser constatado pelo nervosismo que apresenta nas entrevistas mais rigorosas. Tem também uma grave dificuldade de expressão, o que complica em temas que mais complexos que obrigatoriamente aparecem em uma eleição para presidente da República.

Com a retirada forçada pelo atentado, ele ficou de fora dessas severas interpelações, reservando-se ao papel de “mito”, totalmente falso na minha opinião, mas que persiste. Até porque depois de ferido não teve que explicar sequer os embates ideológicos e culturais em que se meteu com muita fúria e que lhe deram uma fama muito fácil. Não vou dar colher de chá a este clima idiota estabelecido no país, no qual as pessoas se obrigam até a declarar que não são favoráveis a uma facada no estômago de um adversário. A verdade é que com o atentado, Bolsonaro ficou livre da tremenda e muito bem-vinda pressão feita pela imprensa em todos seus adversários, com exceção de Fernando Haddad, favorecido até agora por não ter que enfrentar questionamentos cara a cara, até Lula mandar que ele fosse candidato.

A retirada forçada de Bolsonaro teve até o efeito de amenizar sua imagem política, um equilíbrio exigido pelo andamento da campanha e que ele e sua equipe não estavam conseguindo resolver. Em qualquer situação, numa cama de hospital o indivíduo acaba sendo humanizado, o que é ainda mais forte para efeitos políticos. A situação de isolamento do candidato serviu também para que ficasse no ar, sem a necessidade de comprovação real, sua capacidade de conferir sucesso popular de fato a um mito ainda em desenvolvimento. Parafraseando Maquiavel, mas sem nenhum paralelo literal — que Bolsonaro não merece tanto — o candidato ficou numa situação muito bem apontada há mais de quinhentos anos por esse grande filósofo, que é a impressão de força sem que ela tenha que ser demonstrada.

É claro que Bolsonaro nem seus fanáticos seguidores podem compreender isso de forma objetiva, já que ao contrário do que muita gente pensa não há doutrina alguma, nem mesmo militar, no que embalou a subida do candidato. Se Bolsonaro ganhar esta eleição, do ponto de vista conceitual e histórico a direita vai entrar numa fria, com um desgaste pior do que a esquerda sofreu com o PT no poder. Bolsonaro foi inclusive um mau militar. E não sou eu que digo isso. São palavras do general Ernesto Geisel, que entendia disso, sem dúvida nenhuma.

Mas voltando ao candidato e sua campanha, eles vão tateando e se aproveitando do que aparece, com a sorte inclusive da entrada do PT quando a eleição já se encaminha para o final. Este movimento “#EleNão”, por exemplo, é uma alavanca perfeita, que se não tivesse aparecido deixaria o marketing bolsonarista em dificuldade para criar coisa igual. Eis aí a velha esquerda brasileira, com seus equívocos históricos, que nos últimos tempos se juntaram a uma batelada de propostas e ações com um largo rastro de rejeição entre os brasileiros. Entra em cena a candidatura de Haddad, que já serviu para um impulso que nem o atentado havia dado politicamente a Bolsonaro. É o efeito mágico do espantalho que até agora turbinava a carreira de Bolsonaro. Enfrentar o PT em um segundo turno, aí já seria a disputa dos sonhos mais felizes, no qual Bolsonaro entraria sem nenhum medo de ser feliz.
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POR José Pires

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Bolsonaro e PT: um pesadelo eleitoral para o Brasil

O ex-ministro José Dirceu, deputado cassado e condenado em segunda instância por corrupção, foi solto há alguns meses por Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. E desde então vem tendo uma intensa atividade política. Não dá para saber com exatidão qual é o seu papel nos bastidores, mas pelo que vem a público é possível notar que ele anda pegando pesado, errando na dose e favorecendo mais o adversário do que ajudando no sucesso do plano de eleger Fernando Haddad. Dirceu não faz isso por mal. A vitória de Haddad vai ampliar o espaço de manobra para livrá-lo de voltar para a cadeia e lá ficar por muitos anos. O mau jeito pode ser apenas efeito de queda de imunidade de um velho militante. Isso é nada mais nada menos que esquerdismo, aquela doença do comunismo diagnosticada no início do século passado por Lenin.

O efeito adverso das pregações de Dirceu pode ser avaliado pela satisfação dos próprios adversários. Eles mesmos cuidam de compartilhar os vídeos do antigo dirigente do PT. Os seguidores de Jair Bolsonaro estão na linha de frente da distribuição das falas do político que Lula dizia ser o capitão de sua equipe, como ministro da Casa Civil em seu governo. Assisti a um desses vídeos abilolados, feito para o site Nocaute. É um manifesto comunista para os tempos atuais, com a apresentação de propostas radicais que servem para colocar medo nas pessoas, estimulando o clima que interessa à direita e à extrema-direita. É uma tática curiosa, pois é exatamente o que a direita quer. Não é à toa que o pessoal do Bolsonaro vem espalhando o material com todo gosto. Não estou acusando de nada o velho amigo do Lula, mas parece coisa de cabo Anselmo.

Dirceu define o momento que vivemos de “a hora da resistência”. No vídeo, ele propõe uma aliança da esquerda para ganhar a eleição e fazer “uma mudança radical no país”. Fala em fazer uma reforma tributária que atinja as propriedades e os mais ricos, além de deter o controle dos meios de comunicação e fazer uma reforma de Estado. Dirceu acredita que a esquerda não teria governabilidade com “este Congresso e com este Judiciário”, o que evidentemente aponta para medidas de contenção e mudanças vindas de cima para essas duas instituições. Cabe lembrar que a última vez que Dirceu e seus companheiros se incomodaram com a necessidade de governar respeitando democraticamente o Congresso, o PT criou o mensalão. Se tiverem uma outra chance é claro que vão tomar medidas mais drásticas.

Sei muito bem que interessa ao PT acirrar os ânimos da população e criar um clima de desestabilização política. É uma velha tática petista essa cultura da cizânia, do conflito entre brasileiros, na divisão insensata e improdutiva, que aliás foi em grande parte o que nos levou ao drama atual. Fazem isso para ganhar eleição, sem se importarem que o país vai se afundando cada vez mais com a desunião entre brasileiros. Este Dirceu que aí está encarna demais o espírito dele próprio nos anos 1960, quando vindo de Cuba depois de estudar política e fazer treinos militares por lá, entrou clandestinamente no Brasil para organizar a luta armada. Não cumpriu a tarefa, é verdade, talvez liberado da missão por ordens vindas de fora. E para quem pensava que este Dirceu era coisa do passado, eis que ele retorna com um furor que na minha visão mais atrapalha do que ajuda Haddad a subir a rampa do Palácio do Planalto.

Para a turbinar de fato a candidatura do partido talvez fosse mais eficiente outro Dirceu, mais parecido com aquele da "Carta aos brasileiros", da primeira eleição de Lula. Este PT que ele vem trazendo é o de antes, quando Lula dava medo ao país e perdia uma eleição atrás da outra. Por isso é que vem tendo uma audiência imensa, com aplausos unânimes de um adversário que a gente sabe que os petistas gostariam de enfrentar num segundo turno. Por outro lado, bolsonaristas também não querem outra coisa. E aí é que está uma grande complicação, pois se o Brasil tiver que encarar uma escolha entre esses dois lamentáveis extremos, o mais provavel é que ocorra uma tremenda invertida no #Elenão, que pode virar um #ContraoPTatéele.
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POR José Pires

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Ciro Gomes ataca novamente


Ciro Gomes fez mais uma das suas neste sábado, em Roraima. Ele agrediu um entrevistador durante uma coletiva de imprensa feita na rua, durante caminhada da sua campanha. O vídeo já corre pela internet. O candidato do PDT agride fisicamente o entrevistador e o chama de “filho da puta”. Isto é Ciro, comprovando o que eu disse sobre essa palhaçada de pesquisas afirmando que ele derrota qualquer adversário no segundo turno. Ora, para isso é preciso chegar lá. E o próprio Ciro, com seu gênio ruim, desmonta a possibilidade de que isso aconteça.

No vídeo, um homem faz uma pergunta e de imediato é acusado pelo candidato de ser do grupo do senador Romero Jucá. O entrevistador fez menção a uma declaração de Ciro, feita no mês passado sobre manifestação de brasileiros ocorrida em Roraima contra a entrada de venezuelanos em nosso país, quando com a sua notória diplomacia ele classificou o ato como “canalhice”.

Chama a atenção no vídeo da agressão ao entrevistador uma frase que o político cearense repete durante a confusão, ordenando a seus seguranças que peguem o entrevistador. “Prende ele”, Ciro diz várias vezes. Poderoso o cara, não? Imaginem o que pode fazer no poder um político que manda prender os outros quando ainda é candidato. E o “crime” da pessoa foi apenas fazer uma pergunta que ele não gostou. Sobre um político que faz esse tipo de coisa numa eleição nacional e em meio a um grupo de jornalistas, cabe também pensar quanto desmando um cabra grosso desses não comete em seu estado, onde seu grupo político está no poder há mais de duas décadas.

A confusão criada pelo candidato foi em meio a um amontoado de gente. Poderia ter provocado um tumulto, com risco sério para as pessoas presentes. Havia também o perigo de ocorrer uma briga e até uma agressão mais grave ao entrevistador porque o local estava cheio de simpatizantes de sua candidatura. Mas esta falta de bom senso não surpreende. Todo mundo sabe que é de nível bem baixo o grau de responsabilidade dessa instável figura que quer ser presidente do Brasil.

Ciro Gomes é o tipo de político que com certeza ficaria de fora de qualquer eleição se houvesse a obrigatoriedade de um sério exame psicotécnico para ser candidato. Mas, vem cá: qual desses políticos que aí estão não seria reprovado num teste desses? Com certeza, poucos seriam admitidos como candidatos. E Ciro não seria um deles.
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POR José Pires

sábado, 15 de setembro de 2018

Lula não sabe direito o nome do poste Haddad

O perfil oficial de Lula no Twitter publicou um bilhete do chefão condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. São coisas do Brasil. Como é que um presidiário pode ficar dando ordens da prisão e mandando mensagens e bilhetes? Não é à toa que até chefes de facção comandam suas quadrilhas mesmo depois de presos. Os bandidos estão sem controle.

O bilhete de Lula foi depois publicado por Fernando Haddad, em seu Twitter. A mensagem aponta para a necessidade de uma tarefa urgente da equipe de campanha do PT. Embora mande no candidato há um tempão, o chefão ainda não sabe direito seu nome. Ele escreveu “Hadad” no bilhete. Os marqueteiros precisam criar rápido um vídeo ensinando a grafia ao chefão.
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POR José Pires

Haddad e Bolsonaro: o círculo se fecha, no caráter da esquerda e da direita

Só faltava mesmo aparecer em cena um candidato do PT para haver a demonstração de que esquerda e direita são muito parecidas quando seus interesses são contrariados. O círculo se fecha em teimosia, arrogância e agressividade. Depois da presença de Fernando Haddad no Jornal Nacional, nesta sexta-feira, encerrando a série de entrevistas feitas por William Bonner e Renata Vasconcellos, a militância petista invadiu as redes sociais com argumentos parecidos aos dos bolsonaristas depois de Jair Bolsonaro ter levado um aperto dos jornalistas no mesmo programa da Rede Globo, no final de agosto.

>Os ataques da militância petista, com a tentativa de desqualificação dos jornalistas e o histérico apoio a cada indelicadeza ou mentira de Haddad poderiam ser assinados por qualquer seguidor de Bolsonaro. É o mesmo comportamento bravateiro. São iguaizinhos na impossibilidade de uma avaliação equilibrada e responsável. Petistas e bolsonaristas se envolvem com  fanatismo no apoio incondicional a seus candidatos e na defesa extremada de qualquer coisa que eles façam ou falem, não se importando nem um pouco em buscar saber seu real teor. Com isso, nem percebem a rejeição que vão criando com seu desvariado comprometimento.

O comportamento de Haddad durante a entrevista foi também muito parecido ao de Bolsonaro. É o mesmo pavor de questionamentos, sendo também iguais na dificuldade de encarar os próprios erros e a recusa total de encarar qualquer autocrítica. Eles estão sempre certos. E para provar isso apelam para qualquer versão. Bolsonaro e o candidato do PT se assemelharam também na estratégia desonesta de tentar desviar a discussão para supostos problemas da emissora. Haddad usou inclusive o mesmo tom de ameaça de Bolsonaro.

A satanização da Rede Globo ou de qualquer outro veículo de imprensa que não ceda a seus interesses é um argumento comum entre bolsonaristas e petistas. Ambos têm o mesmo defeito grave de colocar culpa nos outros quando as notícias não lhe agradam. É como eu costumo dizer: só falta os bolsonaristas se juntarem aos petistas, para de braços dados saírem pelas ruas gritando “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!”.
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POR José Pires

Gilmar Mendes manda soltar o tucano Beto Richa

Como todo mundo já deve estar sabendo, Gilmar Mendes mandou soltar Beto Richa, ex-governador do Paraná e ainda candidato a senador. O ministro do STF também soltou todos os outros 14 presos pela operação Patrulha do Campo, incluindo a mulher de Richa, Fernanda. O tucano já deixou a prisão na madrugada deste sábado — atenção, paranaenses! — avisando que vai retomar sua campanha ao Senado.

Também não é surpresa que Gilmar estava pronto para dar liberdade ao político paranaense que na semana passada foi alvo de duas operações policiais, da Lava Jato e do Ministério Público estadual, tendo sido preso por esta última. O ministro já dava pistas de soltaria o tucano, falando sobre o caso em entrevistas e dando a opinião de que era contra a prisão, sempre daquele jeitão bem próprio, no tom de ironia e no ar de valentão que vai fazer prevalecer a lei. É ilógico que um juiz do Supremo possa agir como Gilmar, que é hoje em dia um comentarista político que se mete em qualquer assunto. Só falta ele virar youtuber. Mas o que é mesmo mais estranho é que Gilmar Mendes possa ser um juiz do Supremo.

O TJ-PR e o STJ já haviam negado habeas corpus a Richa e sua mulher. Então a defesa do tucano foi ao STF, onde o processo está sob relatoria de Gilmar Mendes. A posição do ministro sobre o caso já era conhecida. Ele mesmo fez questão de dar sua opinião de que Richa não deveria ser preso. Toda vez que aparece uma decisão dessas, costuma-se falar da insegurança jurídica provocada pelo STF. Eu acho que o que vem acontecendo é pior: o STF cria insegurança ética. As pessoas vão deixando de acreditar na Justiça, o que vai criando um clima que fortalece a falsa crença de que o amontoado de problemas que atrapalham o país pode ser resolvido passando por cima da democracia.

Um dos motivos da prisão do tucano é uma gravação cabeluda, mesmo para um país como o nosso, de tantas conversas imorais vazadas ou liberadas pela Justiça para que os brasileiros saibam o que os políticos fazem com seu país. Corre pela internet um diálogo gravado pelo ex-deputado estadual Tony Garcia, em um encontro que teve com Richa quando ele ainda era governador. Na conversa fica muito clara a intimidade entre ambos.

Garcia já foi preso duas vezes, uma delas por decisão de Sergio Moro, em 2004, pelo envolvimento em crime financeiro. Outra prisão de Garcia foi nos Estados Unidos, por dívida de jogo de pôquer. É com esta figura que um governador conversa na maior intimidade sobre negócios entre os dois. É muito clara a estreita relação entre ambos, a intimidade descarada, com o então governador falando que já entrou um “tico-tico”. Destaco aqui este trecho da conversa. Abaixo, publico o link do áudio e do documento da investigação do MP paranaense.
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POR José Pires

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“TONY GARCIA: Você tem falado com o CELSO FRARE?
BETO RICHA: Falei.
TONY: Quando?
BETO: Falei, anteontem.
TONY: Aonde?
BETO: No almoço na casa dos DE LARA. Com o EDUARDO
CAMPOS… Mas assim, de receber, falar sozinho, não.
TONY: Ele não acertou o negócio aí.
BETO: Ahn?
TONY: Ele não acertou o negócio aí.
BETO: Ah! Ele me agradeceu,‘já entrou um tico-tico lá que tava
atrasado, obrigado’.”

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sexta-feira, 14 de setembro de 2018


terça-feira, 11 de setembro de 2018

A prisão de Beto Richa e as encrencas na política

Beto Richa foi preso pelo Gaeco em Curitiba na manhã desta terça-feira. O ex-governador do Paraná e candidato ao Senado foi alvo de duas operações simultâneas: uma da Polícia Federal e outra do Ministério Público do Paraná (MP-PR). Pela PF foi a 53° fase da Lava Jato, batizada de Piloto. Este é o codinome do ex-governador tucano do Paraná em planilha de propinas da Odebrecht. O Ministério Público estadual investiga desvios de recursos do Programa Patrulha do Campo, que levou à prisão de Richa. Junto com ele foi presa sua mulher, Fernanda Richa, seu irmão Pepe Richa e o primo Luiz Abib Antoun. Abib foi preso em Londrina, os demais em Curitiba. Está preso também Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete do ex-governador.

Beto Richa foi preso pelo Gaeco em Curitiba na manhã desta terça-feira. O ex-governador do Paraná e candidato ao Senado foi alvo de duas operações simultâneas: uma da Polícia Federal e outra do Ministério Público do Paraná (MP-PR). Pela PF foi a 53° fase da Lava Jato, batizada de Piloto. Este é o codinome do ex-governador tucano do Paraná em planilha de propinas da Odebrecht. O Ministério Público estadual investiga desvios de recursos do Programa Patrulha do Campo, que levou à prisão de Richa. Junto com ele foi presa sua mulher, Fernanda Richa, seu irmão Pepe Richa e o primo Luiz Abib Antoun. Abib foi preso em Londrina, os demais em Curitiba. Está preso também Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete do ex-governador.

Sempre que é denunciado por corrupção, o ex-governador Beto Richa lança nota com ares de indignação, afirmando que nada tem a ver com o crime e que irá provar sua inocência. Pronto, ele já tem a chance de fazer isso e perante o juiz mais conhecido e respeitado do país. Moro é bom de serviço e não enrola o processo, como pode-se ver por esta Operação Piloto.

A prisão de Richa é um golpe pesado na candidatura de Geraldo Alckmin a presidente da República. Nos debates políticos Alckmin já vinha sendo questionado sobre as complicações com a Justiça do colega tucano paranaense. A prisão deve causar também um estrago na política paranaense. Richa é candidato ao Senado pelo PSDB e tem como firme aliada a atual governadora Cida Borghetti, candidata a reeleição e o clã político chefiado pelo marido da governadora, Ricardo Barros, ex-ministro de Temer e candidato a deputado federal. Sua filha Maria Victoria é candidata a deputada estadual. Eles são do PP, partido de Paulo Maluf, que no Paraná era chefiado pelo mensaleiro José Janene. Cida Borgheti foi vice-governadora durante os dois mandatos de Richa.
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POR José Pires


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Imagem- Beto Richa e a atual governadora Cida Borghetti compartilhando
o poder, com Fernanda Richa à direita; Foto AEN, Governo do PR

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O fenômeno Bolsonaro em transformação

Com a militância até agora animada pela colocação de Jair Bolsonaro em primeiro lugar nas pesquisas, o chamado fenômeno Bolsonaro passa por uma importante transformação a partir desta segunda-feira, com a divulgação pelo Instituto Datafolha de números que revelam que não houve nenhuma mudança positiva depois da facada em Juiz de Fora, tendo ocorrido até um aumento na rejeição do candidato, que passou de 39% para 43%, além de ter havido apenas uma leve oscilação na preferência do eleitor, de 22% para 24%, dentro da margem de erro, mantendo-se também a previsão de sua derrota para Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Marina Silva em um provável segundo turno.

A transformação no fenômeno Bolsonaro é que com esses resultados seus fanáticos seguidores deixam de acreditar em pesquisas.
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POR José Pires

Fernando Haddad, o candidato preso ao interesse de Lula

Como todo mundo sabe, ainda está sem candidato aquele partido que pretendia disputar com direitos exclusivos esta eleição para presidente. Só institutos de pesquisa e uma parcela expressiva de jornalistas aceitaram a tentativa de manipulação do PT para passar por cima de uma lei assinada pelo próprio ficha suja quando infelizmente ele ocupou a presidência da República. Claro que esses parceiros da ilusão influenciaram bastante para que a ideia ganhasse força no partido do Lula, impedindo que fosse lançada uma chapa completa dentro das regras normais e que o foco do PT fosse direcionado para as eleições.

O resultado é que politicamente o PT ficou preso ao Lula na cadeia. Eu acho muito bom. Não tenho motivos para lamentar que a direção do partido tenha perdido tanto tempo fazendo selfies na frente da Polícia Federal, em Curitiba. Dá uma satisfação parecida a que era criada pelos rompantes da bancada do PT no Senado durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, quando o apoio a favor da cassação crescia cada vez que um dos bestalhões estava com a palavra. A situação atual mostra que o PT estaria numa posição relativamente boa se eles tivessem optado por cuidar mais do partido em vez de pajear infinitamente o Lula. Por conseqüência, a situação de Lula também estaria melhor, apesar de que ele sempre terá que encarar problemas acumulados por seus incríveis hábitos criminosos. O PT tem cometido erros crassos, mas agora fora do poder e precisando ganhar votos, são erros a favor do país.

O que se conta é que tem um grupo que emperra o lançamento de Fernando Haddad. Dizem que esse grupo conta com a impagável senadora Gleisi Hoffmann na animação e que na visão deles foi errada a escolha de Haddad como candidato. Nessas horas o sentimento da inveja tem bastante peso. O da idiotice também. E de ambos o PT tem muito. Mas de fato seria melhor que fosse outro o candidato. E os incompetentes até já tinham um candidato mais competitivo, o ex-governador baiano Jaques Vagner, que inclusive estava se oferecendo. Mas levou um chega-pra-lá e foi cuidar da vida na Bahia. Volto a dizer que acho muito bom. Em eleição, erros petistas são sempre bem-vindos.

Haddad é mais um desacerto grave dos dedaços de Lula. Mas isso não é novidade no PT desde que o comando do partido ficou todo com ele. Nem é preciso dissertar sobre desatinos petistas desenvolvidos por ordens do chefão do PT. Lula sabe que ele não é grande coisa, por isso aponta sempre para alguém muito fraco, temendo concorrência política. Se ele fosse um Don Corleone, com certeza como sucessor jamais aceitaria Michael Corleone. Nomearia o valentão Sonny ou Fredo, o covardão, com mais chances de optar por este último.

Com um egoísmo tolo, ele forçou até a estratégia de sua própria defesa, que foi montada toda torta desde o começo, com o equívoco grave na ligação direta entre o político e o jurídico, envolvendo depois também diretamente a própria candidatura do partido. O resultado é que ele está preso e o partido ficou travado. E não é só para a eleição majoritária. O estrago vai ser grande na eleição para o legislativo federal e nos estados as complicações não serão menores. Nesta segunda-feira pode ser dado um ponto final na enrolação sobre quem afinal está na disputa. Porém, ainda assim estarão numa situação inacreditável para um partido com tamanha experiência: vão lançar um azarão, já muito tempo depois da largada.
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POR José Pires

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Museu Nacional e outras instituições na fila do desastre anunciado

É claro que depois do Museu Nacional ter sido destruído pelo fogo já está em andamento um lero-lero de autoridades prometendo a reconstrução do prédio e outras medidas que só daria para levar a sério se viessem antes do desastre. O prédio pode ser recuperável, mas por maior que seja sua importância histórica e arquitetônica, o que mais importa é o que estava dentro dele. E isso acabou para sempre. É uma parte imensa do Brasil que se vai, com a perda de um acervo que compunha o conhecimento da própria condição histórica deste país.

Este é o tipo de problema sem conserto. Parece até humor negro imaginar o prédio restaurado com todo cuidado para manter suas características arquitetônicas, equipado com os mais modernos equipamentos de prevenção de incêndio, mas sem quase mais nada para expor e para o uso em estudos e pesquisas. As autoridades fariam melhor se dirigissem suas preocupações para instituições científicas e culturais que ainda não pegaram fogo, porque depois do incêndio de um museu não é possível repor seu acervo, assim como não dá para ter de volta os livros de uma biblioteca incendiada. Por falar nisso, como anda a Biblioteca Nacional?

Só na última década sete instituições científicas e culturais foram atingidas por incêndios. É só questão de tempo para acontecer a mesma coisa com a oitava nesta desastrosa fila, sem falar nas outras que correm o mesmo risco. Que tal cuidar delas? E o Museu Nacional podia ser mantido no Rio do jeito que está, apenas com a fachada em pé — e não estou com ironia. Desse modo, o prédio destruído ficaria como um monumento para lembrar que o destino de um país que não cuida de suas riquezas é ficar cada vez mais pobre.
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POR José Pires

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Imagem- Foto de Tomaz Silva, da Agência Brasil

José Mujica, uma vida enrolada com ditadores e gatunos

O ex-presidente uruguaio José Mujica foi a Veneza para a estréia de um documentário sobre sua vida. O nome parece de filme de ficção: “El Pepe, uma vida suprema”. E o diretor não é Oliver Stone, autor de “Mi amigo Hugo”, nem Sean Penn, o ilustre ator americano que fez a última e mais simpática entrevista com o narcotraficante mexicano El Chapo e também é tiete do bolivarianismo. A direção também não é de Michael Moore, fraudulento documentarista e ladrão de título de livro. O filme sobre Mujica é do diretor sérvio Emir Kusturica.

Até o mês passado o ex-presidente uruguaio era senador. Renunciou alegando “cansaço”. E não é pra menos. Está com 83 anos. É mesmo um bom momento de falar em legado, mas duvido que o filme traga de fato a verdade sobre sua real dimensão na América Latina e também não acredito que esteja bem contada sua história, que corre em paralelo a grupos de esquerda em vários países latino-americanos, especialmente os que fazem fronteira com o Uruguai, onde desgraçadamente nos anos 60 e 70 esquerdistas optaram pela luta armada. Lá, como cá, serviu apenas para fortalecer ainda mais governos militares de direita. No caso de Mujica, tem até mesmo o agravante do grupo do qual ele fez parte — os Tupamaros, que agiu de 1960 até 1972 — ter iniciado a guerrilha em um país com democracia. Acabaram criando o clima para os militares ocuparem o poder.

Mujica é uma das figuras políticas mais superestimadas atualmente deste nosso continente, uma hipervalorização que ocorreu em conjunto com um, digamos, boom esquerdista continental que afetou certos países de importância estratégica mundial, como no Brasil, na Venezuela, na Argentina, com a eleição de políticos de esquerda. O assombroso crescimento da esquerda ocorreu também em países menores, caso de Bolívia e Chile, o que atraiu a atenção do mundo para a América Latina, com uma forte influência daquela visão romântica que surpreendentemente ainda é dominante no estrangeiro, especialmente na Europa, da idealização de uma esquerda redentora da igualdade e da liberdade.

Nenhum desses governos deu certo, com cada um dos chefões esquerdistas deixando em cada país o que só é possível chamar de rescaldo: economias destruídas e a imoralidade instituída como política de Estado. Mujica salva-se por não ser ladrão, mas complica-se historicamente pela sua cumplicidade com políticos ladrões e assassinos, de Fidel Castro e seu irmão Raul, passando por Hugo Chávez e seu pupilo Maduro, até Lula, Dilma Rousseff e o criminoso mais recente, o sandinista Daniel Ortega, da Nicarágua. Até os dias de hoje Mujica vem cumprindo um papel de cúmplice de salafrários. Está sempre aparecendo ao lado de ladrões dos cofres públicos e também de assassinos, emprestando a eles sua imagem de esquerdista sem as marcas da crueldade e da gatunagem. É o que faz com Lula, agindo de forma suspeita em solidariedade a um político preso por corrupção pela Justiça brasileira, numa intromissão indevida em um país estrangeiro.

É óbvio que essa visão crítica estará fora do filme de Kusturica. Mujica ganhou nos últimos anos uma imagem de estadista comprometido com verdades humanísticas de valor filosófico, uma figura de expressivo valor ético, da simplicidade existencial e respeito a uma vida equilibrada. Para mim é tudo filosofia em compota, mas parece que funciona. Virou o bom velhinho da esquerda. O ar de songamonga ajudou bastante na sua lenda, imagem que a mim parece que foi favorecida pela banalidade dessa cultura atual de redes sociais, onde umas frases soltas no Facebook e um ou outro vídeo com alguém de ares simpáticos pode levar a pensar que ali está aquele que é o cara. Mujica aparece em alguns vídeos falando algumas coisas realmente interessantes, destacando a necessidade de maior respeito e atenção com os recursos de que a humanidade ainda dispõe. Soa como um Gandhi, ainda que barrigudo demais. O exagero é a partir de umas boas falas criar-se uma lenda. Mas a esquerda é assim.

Vídeos emocionantes não servem de fundamento para entender um político. E na avaliação de sua obra, de fato não há nenhuma grandiosidade em Mujica, nem mesmo na política de seu país. Nem é ele o presidente que colocou o Uruguai nos eixos, com um governo mais eficiente do que era a norma geral naquele país. Esse serviço foi feito por Tabaré Vasquez, que foi presidente de 2005 a 2010. Foi sucedido por Mujica e atualmente é novamente presidente, com mandato até 2020. Ambos são do mesmo partido. Como se vê, no aspecto do poder pessoal também o Uruguai mudou pouco. Em políticas públicas também não há muita coisa para se destacar, embora exista respeito ao dinheiro público e pela democracia. Como a esquerda do continente meteu-se em roubalheiras e no autoritarismo, são valores importantes.

O governo de Mujica deixou muita coisa por fazer, com muitas promessas em Educação e Saúde que não foram cumpridas. De seu período não há nenhuma grande marca política, a não ser a fama internacional de seu governo com a legalização da maconha, que por sinal não esta sendo fácil de Tabaré Vasquez administrar. Médico, ele sempre foi contra a legalização. Não dá para falar em grande legado político de Mujica. Tirando a fama alimentada pela esquerda internacional, ele foi um governante mediano e também não é um teórico respeitável. E ainda deixa a marca de sua atividade nos últimos tempos como uma espécie de animador de encenação de corrupto — como faz para o PT no Brasil, onde não deveria meter seu bico. Como eu já disse, outra nódoa, brutal e bem mais antiga, está na sua ligação histórica com o regime de Fidel Castro, da qual jamais fez qualquer autocrítica. E tem também a contribuição ao espalhamento do bolivarianismo de Hugo Chávez pela América Latina, com um empenho pessoal que mantém até hoje. No legado de José Mujica o que pesa mesmo é o rabo preso com muito lixo da História.
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POR José Pires


domingo, 2 de setembro de 2018

Alvaro Dias e Edson Fachin: relações abaladas

Alvaro Dias se manifestou sobre o estranho voto de Edson Fachin a favor de Lula. Em vídeo postado nas redes sociais, o candidato do Podemos reafirmou sua posição pela inegibilidade de Lula, dizendo que o TSE “julgou o que não deveria nem estar sendo julgado porque é surreal a candidatura de um político preso por corrupção e lavagem de dinheiro”.

Sobre Fachin, ele afirmou que o ministro “pisou na bola” e ao adotar uma posição injustificável “sujou sua biografia”. Alvaro disse que ficou triste com a atitude do ministro e lançou uma pergunta: “Qual é a justificativa?”.

Esta é a indagação geral, com o temor de próximas investidas do ministro a favor do chefão petista. Até então ele era tido como um dos ministros a favor da legalidade, confiança que ficou abalada com esse voto. O Brasil corre ainda mais perigo se a chamada recaída de Fachin no PT não ter sido apenas ocasional. Haveria um fortalecimento das articulações para livrar corruptos pegos pela Lava Jato, esquema que conta com a animada participação do partido do Lula. Cabe o questionamento sobre a justificativa da mudança de posição, insondável mistério que faz até Alvaro Dias ficar em dúvida.

A indicação de Fachin para o STF foi de Dilma Rousseff e teve no Senado a relatoria de Alvaro, com sabatina feita em maio de 2015. Foi uma surpresa e tanto. O senador sempre foi firme opositor do governo do PT. E o comum neste caso é que o relator seja da base de apoio do governo. Além disso, Fachin vinha de uma relação estreita com o PT paranaense e era próximo também do MST, tudo gente que faz ataques pesados a Alvaro em seu estado desde quando ele foi governador, de 1987 a 1991. Mesmo assim, Alvaro deu um aval à indicação de Dilma, o que evidentemente exigiria plena dele confiança em Fachin.

Até aqui a coisa foi bem. A qualidade da atuação do ministro pode ser avaliada pelo ódio que o PT tem dele. Mas foi mesmo muito feita essa “pisada na bola”, como disse o próprio Álvaro, com o agravante de Fachin ter acatado a intromissão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, em uma interferência fajuta com o propósito do favorecimento às chicanas de Lula, o que ficou ainda mais evidente com o uso da recomendação do Comitê pela defesa no julgamento do pedido de registro do ex-presidente condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Qual é a justificativa? Ora, pela intimidade com Fachin quem deveria ter a resposta é o próprio Alvaro Dias.
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POR José Pires

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A TV Globo e o chororô geral das turmas de Ciro Gomes, Bolsonaro, Alckmin e Marina

Ficou quente a falação sobre o motivo da TV Globo para imprimir rigor nas entrevistas com candidatos a presidente no Jornal Nacional. O aperto foi geral. E como a ordem do programa colocou Ciro Gomes e Jair Bolsonaro antes de Geraldo Alckmin, foi possível quebrar a famosa teoria da conspiração que aponta sempre a emissora como aliada dos tucanos. A lorota vem desde a primeira eleição perdida por Lula, que afinou na frente de Fernando Collor e depois juntou a militância para culpar a Globo pelo resultado de sua covardia pessoal. Desde então isso virou até jargão de esquerda, como justificativa para sua própria incompetência e depois para desviar do assunto da roubalheira feita pelos petistas no Governo Federal. O que ocorre atualmente é que tem muita gente que acaba sendo envolvida neste engodo mascarado pela satanização de uma grande rede de televisão.

No entanto, a regra alucinatória de que a Globo tem contrato exclusivo com o PSDB quebrou-se com a entrevista do candidato Geraldo Alckmin. Primeiro em apoio a Ciro e depois em solidariedade a Bolsonaro, durante dois dias foi um fuzuê contra a Globo nas redes sociais. Mas na vez de Alckmin voou pena na conversa de William Bonner com o tucano. E Marina Silva também não foi poupada, mesmo tendo comparecido sustentando seu ar de santa e as promessas de unir o país sem ter conseguido antes sequer a unidade de seu partido. É a mesma figura impoluta que na urgência criada pela falta de um partido para ser candidata a presidente teve que se aliar ao político tradicional Eduardo Campos como vice para depois ser a titular da chapa, agora aparecendo de novo ainda com um partido nanico de apenas dois deputados. A única novidade em Marina é que agora ela é “negra”, conforme sua própria definição, mas existem controvérsias, como na minha opinião de que ela é no máximo morena.

Mas voltemos ao rigor das entrevistas, que resultou em lágrimas fingidas. Até os brutos da direita espalham seu mimimi pelas redes sociais. Ora, para contemplar militâncias tão variadas, o único recurso seria o de programar entrevistas com as próprias assessorias dos candidatos elaborando as perguntas. E parece que até a aguerrida direita deseja algo parecido. Faço questão de repetir: só falta a direita sair pelas ruas gritando “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” para selar a parceria com a esquerda em cretinices. Mas já estão juntos para repetir teoria da conspiração que estabelece a Rede Globo como centro gerador dos males do Brasil.

O problema maior é que o chororô acaba influenciando o debate, o que pode desviar a atenção dos fatos realmente determinantes num programa como este. Mesmo depois de cacetadas certeiras nos quatro candidatos, ficaram de fora da discussão razões muito simples do rigor nas entrevistas no Jornal Nacional. Atualmente as televisões abertas brigam desesperadamente por audiência, que vaza para o sistema de TV paga, além das perdas para a internet. No jornalismo não é diferente. Para dar um exemplo, entrevistas sem rigor não teriam feito o Jornal Nacional ser o assunto mais quente nos últimos dias. Outra questão é que já deu tempo para grandes empresas como a Globo terem desenvolvido uma discussão interna e chegado a um resultado também muito simples: se for mantido no Brasil o ritmo imprimido por esta classe política, o país estará irremediavelmente acabado em poucos anos.
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POR José Pires

Ciro Gomes e as complicações de seu plano do SPC

Desde que virou pré-candidato, Ciro Gomes vem falando que vai tirar o nome de milhões de brasileiros do SPC. É uma quantidade enorme de pessoas — 63 milhões — que serve como retrato da condição miserável em que o PT deixou o país. O problema desses devedores é grave, no entanto até quem entende de economia menos que o Jair Bolsonaro sabe que a solução mais confiável é ativar a economia brasileira e deixar por conta de cada um suas dívidas pessoais. A interferência de um presidente nesta questão deve ser por via indireta, na melhor gestão da economia brasileira e não colocando o Estado para administrar um problema a mais, que vai certamente exigir energias que podem muito bem ser aplicadas de forma mais ampla e com mais lógica.

Um defeito central da ideia de Ciro Gomes está no conceito, que é o de pagar as contas do povo. Imaginem onde isso vai parar. É claro que ele diz que não é bem assim, traz exemplos de subsídios e perdão de dívidas de empresários. Mas se é desse jeito, tão em conformidade com técnicas da macroeconomia, então a apresentação deveria ter sido de outra forma. Ele trouxe o assunto com o apelo de uma bolsa família do SPC. Pensem quantos votos isso não pode dar. O tema permite também uma consideração inevitável do ponto de vista eleitoral. Se o candidato não tem vergonha alguma de prometer um negócio desses numa eleição nacional, dá para suspeitar o que ele e sua família fazem para ganhar votos no Ceará.

Mas fui conferir se o candidato já apresentou explicações mais detalhadas sobre a proposta. No seu site tem o que chamam de “cartilha”, que nada mais é que um folheto de propaganda eleitoral. Mas está lá num dos itens o que pode ser uma complicação da grande sacada econômica. Na tal cartilha, a justificativa do programa já não é boa, meio naquele conceito de luta de classes bem próprio do PT, partido do qual Ciro foi aliado nos quatro mandatos no Governo Federal, quando os brasileiros mais se apertaram para ficar com o nome sujo no SPC. O texto de apresentação joga devedores contra empresários, que conforme diz o candidato, também recebem ajuda do governo e ninguém reclama.

No item 6 o candidato diz que vai organizar os devedores em grupos de 5 ou 10 pessoas que se responsabilizam umas pelas outras. Ele chama isso de Aval Solidário. Se uma pessoa do grupo deixar de pagar a prestação, a conta fica para os outros membros. A conclusão óbvia é que o devedor torna-se avalista de alguém que ele não conhece e terá de pagar a conta dessa pessoa se por qualquer razão não houver a quitação. Com esse formato, não é difícil que ocorra um efeito-dominó em vários grupos, contagiando o processo e milhões de pessoas parando de pagar. O candidato garante que sua proposta não vai fazer o governo perder dinheiro. Só se a iniciativa privada aceitar pegar de volta o calote. Eu tenho a impressão de que nessa conversa de tirar o nome dos brasileiros do SPC vem embutido o enorme risco de uma pirâmide, que por justiça ao gênio criador pode muito bem ser chamada de Pirâmide Ciro Gomes. Ele merece a homenagem.
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POR José Pires

Gilberto Gil livre

No espetáculo militante em torno da prisão de Lula, o impagável Gilberto Gil que uma das melhores frases. "Sou Lula Livre, mas não necessariamente para votar nele", disse o cantor baiano e ministro de Lula exatamente no período em que o chefão petista armava a roubalheira que arrasou com o país e levou à sua prisão.

Para fugir de suas responsabilidades políticas Gilberto Gil está sempre abusando da licença poética.
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POR José Pires

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Justiça de bolso cheio

O Brasil sempre perde de países mais avançados quando se trata de índices de qualidade. E acaba sendo superior exatamente naquilo que devia ficar atrás. O site da BBC traz nesta quinta-feira uma matéria com a informação de que nossos juízes ganham mais que colegas europeus. E os togados do STF ainda terão reajuste salarial de 16,3%, a partir do próximo ano, aumento autorizado por eles próprios.

O chamado efeito cascata do reajuste atingirá outras categorias, com um resultado desastroso no aumento dos gastos públicos. A BBC informa que o Brasil tem hoje cerca de 18 mil magistrados (juízes, desembargadores, ministros). Cada um custa em média R$ 47,7 mil por mês, com a inclusão de salários, benefícios e auxílios.

O salário-base de um juiz do STF é de $ 33,7 mil. Era de R$ 29,4 em 2014 e foi para o valor atual com a mudança do teto constitucional. Com o novo aumento — que tem que ser aprovado pelo Congresso — o salário irá para R$ 39,3 mil. E os juízes europeus bancados pelos países mais ricos do mundo? O site da BBC informa que em 2014 um magistrado da Suprema Corte de um país da União Europeia recebia, em média, 65,7 mil euros por ano. É um valor que ao câmbio de hoje equivaleria a cerca de R$ 287 mil, o que dá R$ 23,9 mil mensais.

Outros comparativos reforçam a sensação de abuso da lambança do Judiciário brasileiro. Enquanto um juiz brasileiro recebe 16 vezes a renda média de um trabalhador do país (R$ 2.154 no fim de 2017), na Europa um juiz ganha apenas 4,5 vezes mais que a renda média de um trabalhador europeu.
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POR José Pires

Pressão em Alckmin mostra imparcialidade nas entrevistas do Jornal Nacional

Sei que alucinados de direita e de esquerda não vão sossegar, mas com a entrevista do candidato Geraldo Alckmin a TV Globo mostrou que não tem lado nesta eleição, ao menos nas entrevistas que vem sendo feitas no Jornal Nacional. Os fanáticos por Jair Bolsonaro ficaram indignados com o aperto que William Bonner e Renata Vasconcellos deram no encapetado capitão e saíram pelas redes sociais atirando pedra na TV Globo. Volto a perguntar quando é que direita e esquerda vão sair pelas ruas gritando juntos “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. Só falta isso para selarem a parceria em cretinices.

O mimimi do pessoal do Bolsonaro é o mesmo da militância do PT. Adotam até teorias conspiratórias que reúnem toda a imprensa brasileira contra seu candidato. E agora partem para o ataque pessoal, criando confusão entre a vida particular de jornalistas e sua tarefa profissional. O surpreendente é ver pessoas melhor informadas participando da mentirada abusiva e demolindo a credibilidade pessoal para servir a um político que conduz sua candidatura a presidente da República no mesmo nível de suas campanhas anteriores de deputado do baixo clero.

O que se viu nesta terça-feira na entrevista do Jornal Nacional com Alckmin foi um rigor ainda maior do que com Bolsonaro. Na verdade, a única vantagem para Alckmin foi que finalmente desligaram a máquina que girava a bancada. O embate foi também muito mais rigoroso do que na conversa com Ciro Gomes. A dificuldade para Alckmin é que foram tratadas questões mais objetivas, já que o tucano vem de dois mandatos no governo de São Paulo.

O jornalista Josias de Souza fez as contas da pressão sobre o ex-governador. Nos 27 minutos da entrevista teve lama como assunto durante 62% do tempo, com as mais importantes encrencas do governo paulista repassadas pelos jornalistas. O tucano teve que dar explicações até sobre sua relação e a conivência política com os colegas de partido Aécio Neves e Eduardo Azeredo, o primeiro já preso e o segundo merecendo.

E mesmo assim, a meu ver Geraldo Alckmin saiu-se bem, é claro que numa avaliação relativa a quem tem que dar respostas sobre tanta complicação. A diferença entre Alckmin, Ciro Gomes e Bolsonaro é que o ex-governador de São Paulo enfrenta os questionamentos com educação, respeitando até as interferências necessárias dos jornalistas. Outra diferença está no eleitorado que pode optar pelo voto em Alckmin, que vejo como um bloco determinante nas eleições brasileiras, com uma quantidade boa de brasileiros de maior equilíbrio e que não caem nos incitamentos a batalhas vazias. Podem notar que depois da entrevista não tinha nenhum "alckmista" sentando o cacete na imprensa e procurando defeito nos óculos da Renata Vasconcellos ou especulando sobre a diferença entre o salário dela e de Bonner, editor-chefe do programa.

Este é o ponto qualitativo da política brasileira, de uma boa parcela de eleitores brasileiros que pelo menos até aqui vem evitando que o debate nacional se restrinja ao conteúdo lamentável trazido pela esquerda e agora pela direita, no qual até a separação conjugal de um jornalista ou a diferença salarial numa bancada de telejornal ocupam o lugar de fatos que realmente interessam ao Brasil.
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POR José Pires