segunda-feira, 16 de julho de 2018

Bolsonaro, o voto que não faz diferença

Jair Bolsonaro faltou a mais uma votação importante, a da Lei de Diretrizes. É ótima a explicação dele para faltar ao trabalho de deputado. O pré-candidato a presidente da República disse o seguinte: “Meu voto não ia fazer nenhuma diferença lá. Nenhum deputado ia se indispor com milhões de servidores”. O deputado deu também outra justificativa para não ter que aparecer se posicionando em relação à proibição de reajustes para o funcionalismo em 2019, medida que foi derrubada. Ele disse que não quis ficar com a “marca na testa”.

Político esperto ele, não é mesmo? Mas de fato, o voto de Bolsonaro não ia fazer nenhuma falta, da mesma forma que outros votos seus como deputado também não fizeram diferença, diga-se que felizmente, porque como deputado ele é danado para votar errado. Um voto importante de Bolsonaro, por exemplo, foi na apresentação do Plano Real ao Congresso Nacional, em 1994. Para ficar apenas num exemplo da qualidade do plano comandado por Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco, basta lembrar a hiperinflação que acabava com o país.

Com o Plano Real houve de imediato uma fantástica redução da inflação, que chegou a 2.477% em 1993. Como todos sabem, a expectativa inflacionária atual é de 6%. Bolsonaro não fugiu à votação do Plano Real. Estava lá, cumprindo sua obrigação. Mas votou contra. Ainda bem que também dessa vez seu voto não fez falta. Ele votou contra o Brasil.
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POR José Pires

domingo, 15 de julho de 2018

E os petistas foram pra Cuba

Parece que o PT resolveu assumir a piada. Não é preciso dizer para eles irem pra Cuba. Não saem de lá. Frei Betto é um que está o tempo todo na ilha dominada pela dinastia dos Castro, onde costuma descer o sarrafo na oposição ao regime comunista e elogiar o sistema de vigilância e repressão do governo, participando de eventos promovidos pelo PC cubano, em encontros locais de exaltação ao regime e fortalecimento do esquema de poder. Nesta semana, uma porção de petistas está na ilha, participando do encontro anual do Foro de São Paulo. A presidente do PT, Gleisi Hoffman, e a ex-presidente Dilma Rousseff são os destaques na comitiva brasileira.

Deviam aproveitar para decretar a falência desse Foro criminoso. Dos governos instalados sob a inspiração do grupo internacional de esquerda sobraram apenas o governo de Evo Morales, que aparentemente sossegou, e os da Nicarágua e Venezuela. Em pouco mais de uma década, o sonho prometido ao continente virou um pesadelo cruel para vários países que experimentaram a receita política e econômica. O Brasil está na pindaíba que todos conhecemos. A ditadura bolivariana na Venezuela, um dos orgulhos de Fidel Castro, deixou o país numa situação desesperadora. Outro bolivariano e fã do modelo cubano, o ex-presidente do Equador, não poderá comparecer à reunião em Cuba. Foragido na Bélgica, está com pedido de prisão preventiva e extradição para responder em seu país pelo envolvimento na tentativa de sequestro do ex-deputado Fernando Balda na Colômbia, em 2010. Até as FARCs, grupo terrorista da Colômbia, teve que depor armas e participar de eleições, levando uma memorável surra nas urnas.

Mas e Daniel Ortega, será que marcará presença? Seu governo na Nicarágua está sob pressão da população, com multidões exigindo sua saída do poder. Ortega responde da forma que aprendeu com os cubanos: o governo nicaraguense já matou mais de 300 pessoas nas ruas.

O Foro de São Paulo só semeou desgraças na América Latina, mas Dilma e seus companheiros exercitam em Cuba o velho costume de apontar defeitos apenas nos outros. Da ex-presidente derrubada democraticamente no Brasil por um impeachment não se ouviu nenhuma palavrinha sobre os crimes de Ortega ou a situação desesperadora dos venezuelanos, mas teve muita crítica ao que contestam no Brasil o projeto de poder do PT e por extensão de todos seus comparsas do Foro de São Paulo, uma espécie de PCC da política. Ela passou a maior parte de seu discurso chorando as pitangas pelo seu impeachment e lamentando a prisão do chefão do PT, Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Dilma discursou nesse domingo no encontro do Foro. Pobres cubanos. Ficaram livres do palavrório de Fidel Castro, para agora terem que suportar o dilmês. O falecido ditador cubano fazia discursos longuíssimos, algumas vezes de mais de cinco horas. Castro pode não ter sido o ditador mais sanguinário da História. Neste aspecto a competição é feroz. Mas com certeza foi o mais chato. Ele só se calou com a interferência da morte, cessando mais este sacrifício aos cubanos. Depois de Castro, seus ouvidos mereciam descanso eterno de palavrório inútil. Não é justo que tenham que suportar Dilma Rousseff.
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POR José Pires


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Imagem- Dilma e Gleisi Hoffmann na reunião do Foro de São Paulo, em Cuba. A foto é de
Ricardo Stuckert, fotógrafo pessoal de Lula. Com a prisão do chefe, ele vem servindo também
aos companheiros. A faixa em inglês, exibida em um país de língua espanhola e de histórica
antipatia aos Estados Unidos é por conta da notória asnice das duas

2018, a Copa do Mundo em que Neymar saiu derrotado

Independente do resultado da decisão da Copa do Mundo de 2018, disputada entre Croácia e França, esta copa tem um derrotado na figura do jogador Neymar. É impressionante a antipatia criada pelo comportamento desse atleta. Com seus exageros para cavar faltas ele criou fama mundial, mas foi da pior forma, principalmente nesses tempos em que a maldade movimenta as redes sociais: virou piada. Mais impressionante ainda é que uma pessoa com uma carreira milionária para administrar não tenha uma equipe com capacidade para identificar riscos de desgaste na imagem e evitar o desastre que acabou acontecendo.

Já faz tempo que as encenações de Neymar e atitudes reprováveis em campo são assuntos quentes das redes sociais, com vídeos destacando seus ridículos fingimentos multiplicando por milhões as críticas e gozações ao jogador. Comentaristas de futebol, técnicos e especialistas no assunto também já vinham apontando os erros do jogador, que atingem essencialmente sua comunicação com o público, uma interação essencial para a qual ele deveria ter a assistência de profissionais qualificados.

No entanto, Neymar não parece ter a personalidade de quem ouve com atenção e acata conselhos profissionais de fora do que ele sabe fazer, especialmente se a interferência for como crítica ao seu comportamento. O jogador parece que sofre desde muito jovem de uma autossuficiência comum em quem faz sucesso muito cedo. Para esse tipo de astro, em qualquer situação o alarido que cerca a fama virá sempre com muita adulação e aplausos entusiásticos, abafando vozes críticas e impedindo que sejam ouvidas e atendidas. Não é só entre artistas e atletas que isso ocorre. O fenômeno destrutivo é ainda mais comum na política.

Mas, quanto a Neymar, sua carreira tem defeitos muito parecidos ao de empresas familiares que crescem bastante, criando exigências que vão além da capacidade do talento doméstico. O jogador tem inclusive seu pai como dono da empresa, uma figura que também há bastante tempo demonstra pouca habilidade em comunicação. Um gestor de uma carreira internacional que sai batendo boca com comentaristas de futebol e até com a torcida não é exatamente a pessoa certa para decidir sobre os riscos da relação com a opinião pública, principalmente no ambiente terrível da comunicação no esporte brasileiro e na confusão cotidiana das redes sociais.

Felizmente para Neymar, parece que para ele não existe o problema do destino apontado por especialistas em administração, com a sina do “pai rico, filho pobre”. Porém, o jogador milionário está com problemas sérios para administrar, com uma falência problemática para quem tem sua lucratividade baseada na credibilidade pessoal. Este capital já está em risco grave para ele. Como se costuma dizer na linguagem exótica do futebol, Neymar precisa correr logo atrás do prejuízo. E que baita prejuízo.
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POR José Pires

Requião e PT: dormindo com o inimigo antigo

Quando a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, subiu à tribuna do Senado na última terça-feira para chorar as pitangas pelo fracasso da tentativa de golpe judicial no TRF-4 com o desembargador plantonista é claro que já estava tudo planejado com seus colegas do chororô em torno da prisão de Lula. Outros senadores da bancada de esquerda também sentaram a lenha no juiz Sérgio Moro, na Polícia Federal e no TRF-4. Eles não engolem de jeito nenhum a presteza de Moro ao detectar a ilegalidade e levar a questão ao relator da ação que condenou o chefão do PT a 12 anos e um mês por corrupção e lavagem de dinheiro.

Sob o foco da raiva do PT, Moro serve de alvo preferencial das calúnias, das difamações, no esquema de desinformação desenvolvido pelo partido de Lula para bagunçar a vida política brasileira, criado para tirar proveito eleitoral e tentar também tirar o chefão petista da cadeia. No discurso desconexo feito da tribuna do Senado, a senadora Gleisi disse uma mentira feia, quando afirmou que Moro passava suas férias em Portugal, “comendo bacalhau e tomando vinho”, segundo sua forma de falar. A intenção de criar uma animosidade da população com Moro além de óbvia não é novidade. A ideia é colar no juiz federal uma imagem de homem de muitas posses, com dinheiro suficiente para levar uma vida à larga, no bem-bom dos comes e bebes e de viagens caras ao exterior.

O roteiro segue na linha muito própria da esquerda, de acusar os outros daquilo que na verdade são eles que fazem. Gleisi já foi assunto de corrupto preso pela Operação Lava Jato, em delação premiada. A senadora foi acusada de usar dinheiro de propina para bancar até despesas domésticas. No seu currículo pesa também a atitude imoral, quando esteve em cargo nomeado na estatal Itaipu, de ter negociado e conseguido com a direção da empresa do Governo Federal que fosse demitida em vez de demitir-se, quando teve que sair do caro para disputar eleição. Com o arranjo, a petista obteve mais de 110 mil reais de indenização, que não teria seguindo o trâmite normal e honesto de pedir demissão.

Mas eles são assim mesmo. Não é de esperar que combatam os adversários com argumentos honestos. É falsa a informação de que Moro havia viajado à Portugal em férias, um “fake news”, como se diz, que aparentemente já estava preparado para ser propagado, no estilo usual dos petistas no uso das redes sociais. E nos caminhos trilhados pelo “fake news” foi interessante topar com Roberto Requião como entusiasmado propagador da mentira. No Twitter, além de informar erradamente o que Moro fez no domingo da tentativa de golpe judicial, o senador do Paraná mentiu sobre a viagem de Moro. Por isso, o juiz indicará ao CNJ que as informações mentirosas sobre sua estada em Portugal foram divulgadas nas redes sociais por Requião.

Aliás, é de estranhar a presença do senador paranaense fazendo dupla com Gleisi Hoffmann na tropa de choque a favor de Lula. Requião chegou a fazer recentemente um emocionado discurso em defesa da honestidade da presidente do PT, com um afeto político surpreendente pela raivosa senadora.

Quem conhece a política do Paraná sabe que o PT estadual nunca teve simpatia por Requião. A antipatia sempre foi grande e mútua. Eles disputam o eleitorado de forma parecida e por isso faz tempo que se estranham. Gleisi e seus companheiros sempre bateram em Requião e vice-versa. A grosseria também é mútua. O senador emedebista já foi até processado pelo marido de Gleisi, o ex-ministro Paulo Bernardo, que ganhou na Justiça uma indenização por ter sido acusado de pedir propina por uma obra quando Requião era governador. É tão amplo o histórico de brigas entre Requião e o PT paranaense sob a chefia de Gleisi e Paulo Bernardo, que é até suspeita sua atuação agora em sintonia com os antigos desafetos. Mas é claro que esta é apenas mais uma suspeição, de tantas neste enredo atual destrambelhado e desonesto da esquerda brasileira.
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POR José Pires

quinta-feira, 12 de julho de 2018


Passado e futuro se perdem na confusão da esquerda

Quanta doidice da esquerda brasileira, que acabou enroscada nesta confusão criada em torno da figura do ex-presidente Lula, um enredo destrambelhado sem amarração alguma e cuja falta de sentido colocou o pensamento de esquerda em níveis tão baixos que complica a credibilidade da sua própria história antes do PT chegar ao Governo Federal. Em razão do longo tempo de poder em anos recentes e também da ousadia própria dos idiotas, os petistas acabaram adquirindo um peso superestimado na história da esquerda brasileira, mas na verdade o PT é apenas um episódio nesta trajetória, embora não se possa negar o tremendo peso do partido do Lula na derrocada política e moral dessa esquerda e na construção de um conceito altamente negativo, que pode ser irremediável por muitos anos.

Estava pensando nisso outro dia, enquanto avaliava informações sobre a luta pela redemocratização do país e passava pelas páginas da imprensa alternativa da época da ditadura militar, revendo informações em bravas publicações como a revista Versus, os jornais Movimento, Opinião e o Ex, além de jornais mais abertos da então chamada "grande imprensa", como a Folha de S. Paulo e o Jornal do Brasil, que davam mais espaço para a criatividade, todos tão importantes na cronologia da construção do jornalismo moderno no país e da retomada da liberdade de expressão na história brasileira. Participei diretamente dessa história, trabalhando ainda jovem em algumas dessas publicações e conheci por experiência pessoal o valor da coragem e da criatividade daqueles jornalistas, fotógrafos, artistas e acadêmicos.

Foi uma história bonita, vigorosa, no entanto o discurso desconexo e oportunista da esquerda nesses últimos anos acabou misturando de tal forma os acontecimentos da época com fatos atuais que fica difícil estabelecer uma compreensão do que realmente foram aqueles tempos, especialmente no entendimento de equívocos na avaliação da geopolítica mundial naquele contexto anterior à queda do Muro de Berlim, além da falta de percepção sobre mudancas de comportamento, transformações para as quais tínhamos a mente tapada pela escuridão de então e a dificuldade de obter informações num país fechado ao conhecimento.

A juventude de hoje pode pensar que aquilo se dava exclusivamente em um clima de oportunismo político e de sentido autoritário, além da ladroagem, do aparelhamento político e da tremenda burrice, como é a cara atual da esquerda. É duro encarar a dificuldade que é restaurar a credibilidade do que fizemos na época, altamente prejudicada pelo mistureba conceitual, político e histórico feito por estes oportunistas amalucados e incompetentes liderados por este gatuno disfarçado de líder político que é o Lula.

Neste clima de ignorância perde-se a oportunidade de entender os valores da época, com os méritos e erros dentro de seu próprio contexto. Com isso, vai se agravando o tradicional desalinhamento da cabeça dos brasileiros que impede que tenhamos um sentido de história com uma ordem básica na avaliação do passado e do que está sendo feito no presente. E nem vou falar do futuro, pois com essa bagunça vai ficando cada vez mais difícil dar qualquer passo adiante.
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POR José Pires


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Imagem- Cartum meu para a capa do semanário Folhetim, da Folha de S. Paulo, de junho de 1978. Era época da ditadura. Que país era aquele?

terça-feira, 10 de julho de 2018

STJ elogia Sérgio Moro e repreende o desembargador plantonista que tentou soltar Lula

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou nesta terça-feira um pedido de habeas corpus ao ex-presidente Lula. O pedido de libertação foi apresentado por um cidadão, não pela defesa do petista. O STJ informou que nos últimos dois dias recebeu outros 145 habeas corpus do mesmo feitio. Na decisão em que nega a soltura de Lula, a presidente do STJ, Laurita Vaz, criticou o desembargador Rogério Favreto, que aproveitou um plantão de domingo no TRF-4, para mandar soltar o ex-presidente Lula. Como todos sabem, o golpe judicial não deu certo.

A atitude de Favreto foi definida pela juíza como "inusitada e teratológica". Ela afirmou que o desembargador plantonista era de “absoluta incompetência” para deliberar sobre questão já decidida pelo STJ e pelo STF. No despacho, a presidente do STJ acusa Favreto de ter causado "tumulto processual sem precedentes na história do direito brasileiro" e elogia o juiz Sérgio Moro. Laurita Vaz fulmina a tese do direito de Lula a benefícios especiais por ser pré-candidato. "É óbvio e ululante que o mero anúncio de intenção de réu preso de ser candidato a cargo público não tem o condão de reabrir a discussão acerca da legalidade do encarceramento”, ela escreve, destacando que “a questão já foi examinada e decidida em todas as instâncias do Poder Judiciário".

Segundo ela, o desembargador plantonista teve um "flagrante desrespeito" às decisões tomadas pelo TRF-4, que condenou Lula, e pelo STF, que negou-lhe um habeas corpus. Para a presidente do STJ, ao contrário de Favreto, que causou "intolerável insegurança jurídica", o juiz Moro agiu corretamente ao negar o atendimento do estranho pedido do desembargador plantonista. Ela define como “esdrúxula situação processual” o que foi feito por Favreto e diz que Moro agiu com “oportuna precaução” ao impedir o cumprimento do absurdo habeas corpus, levando o caso à consulta do presidente do TRF-4.

As colocações de Laurita Vaz na negativa desse habeas corpus coloca enfim no seu devido contexto o que ocorreu neste domingo, em torno do golpe que petistas tentaram dar no Judiciário brasileiro. Tem muita gente relativizando injustamente a situação, situando em condição parecida todos os que atuaram no acontecimento. Não foi bem assim que tudo se deu, como apontou muito bem a juíza do STJ na sua decisão. Favreto agiu de forma absolutamente errada. É um “teratológico” este desembargador. E Sérgio Moro agiu como sempre, com honestidade e rigor na aplicação da lei e na manutenção da ordem.
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POR José Pires


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Clima de ódio exige mais segurança para Sérgio Moro

O juiz Sérgio Moro terá reforçada sua segurança pessoal quando retornar das férias. A notícia é desta terça-feira. Depois da tentativa de golpe petista no domingo, desmontada por Moro e pelo TRF-4, as ameaças ao juiz aumentaram bastante pelas redes sociais. A violência da baixaria esquerdista nas redes sociais já era revoltante, mas se intensificou depois de Moro atuar com firmeza para anular a decisão do desembargador plantonista Rogério Favreto, que tentou tirar Lula da cadeia passando por cima de regras jurídicas básicas.

Todo mundo sabe de onde vem este clima de  ódio no Brasil, que busca criar uma confusão política e desacreditar as instituições. Pessoas de bem são obrigadas a se proteger, enquanto pilantras da política aumentam o tom de intimidação, atiçando a militância contra juízes que fazem bem seu trabalho e também contra a Polícia Federal. O pessoal do “quanto pior, melhor” está cada vez mais ativo. O partido da raiva não aceita de forma alguma ter sido tirado do poder pela via democrática, além dos petistas estarem desesperados com o destino da lata de lixo da História.

No mesmo dia em que foi divulgado o reforço na segurança pessoal de Moro, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann subiu à tribuna do Senado para atacar aos gritos o juiz federal. A bancada de esquerda parece ter articulado para hoje um desabafo coletivo pelo fiasco do golpe de domingo. Vários senadores esquerdistas sentaram a lenha em Moro e no TRF-4. Atacaram também a Política Federal. Na sua fala, Gleisi disse que “Moro estava bebendo vinho e comendo bacalhau lá em Portugal” e que ele “já cometeu barbaridades absurdas”. Exaltada, perguntou quem Moro pensa que é. Ora, ele é o alvo de uma articulação que pretende desestabilizar o país, passando por cima de todas as instituições, sem poupar nem o Judiciário.

Gleisi berrou bastante, em um discurso desconexo, insistindo na ridícula tese de que Lula tem direitos especiais como pré-candidato. Não só por coincidência, foi essa a justificativa do desembargador plantonista, que mandou soltar Lula numa manhã de um domingo em que todos os líderes petistas já estavam à espera da decisão. José Dirceu tinha até preparado um vídeo, que mandou para o ar antes de ser avisado de que o golpe havia falhado. Nem tentam disfarçar. Agora o mote da baderna política é a condição de pré-candidato do chefão petista. No discurso, a senadora petista defendeu que mesmo condenado em duas instâncias e preso, seu chefe tem o direito de dar entrevistas e até de participar de debates. Já pensaram se a moda pega? Deixa Geddel Vieira, Eduardo Cunha, Antonio Palocci, Sérgio Cabral e outros meliantes políticos saberem disso. Se acontecesse um negócio desses na velha Chicago dos tempos da Lei Seca, era capaz de Al Capone achar um jeito de ser também pré-candidato.
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POR José Pires

segunda-feira, 9 de julho de 2018

O plantonista do domingo de Lula

As pessoas costumam escolher os domingos para fazer coisas boas. É um dia ideal para encontrar amigos, ler, visitar parentes, praticar algum esporte, divertir-se com as crianças, conversar com os filhos, passear na praia ou no campo, namorar, ver um filme. É dia também de ir à igreja. O domingo lembra coisas agradáveis, com o sentido de paz. Tradicionalmente é um dia para relaxar e preparar-se para a semana de trabalho. Menos para a esquerda brasileira, que aproveita qualquer distração dos brasileiros para tentar seus golpes. Agora usaram este domingo, na tentativa de fuga de Lula, com o providencial habeas corpus do desembargador plantonista Rogério Favreto, que mandou soltar o preso condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, usando uma justificativa que é um insulto à inteligência.

Favreto alegou que Lula é pré-candidato. Bem, até isso não é verdade. O petista é um ficha suja e pela lei não pode ser candidato. Porém, mesmo se ele pudesse ser candidato a alegação não vale. Quando o criminoso teve sua prisão decretada o Brasil inteiro sabia que ele era pré-candidato. A justificativa agride o bom senso. Por este raciocínio torto qualquer outro salafrário poderia ser imediatamente solto, bastando anunciar sua pré-candidatura. O desembargador plantonista desrespeitou princípios elementares do direito. Já correm pela internet boas explicações sobre a ilegalidade. Até o ator Gene Wilder comparece em algumas delas com seu cínico sorriso de Willy Wonka. Seguindo o tom de piada, a ficha de Favreto foi revelada. Ninguém ficou surpreso de ele ser petista de carteirinha, com mais de 20 anos de filiação ao partido do Lula. Trabalhou em três governos do PT no Rio Grande do Sul, esteve ao lado de José Dirceu e Tarso Genro no governo Lula e depois com Dilma Rousseff, quando ela foi ministra da Casa Civil. É normal também que sua nomeação para desembargador do TRF-4 seja obra de Dilma Rousseff. Os petistas são assim mesmo.

O pessoal da área jurídica tem uma palavra que define muito bem o que o desembargador plantonista fez. A decisão de mandar soltar Lula foi “teratológica”. Ou seja, absurda juridicamente. A verdade é que caso a Polícia Federal desse mancada, mesmo assim a liberdade de Lula duraria pouco. Mas no período em que estivesse solto, com certeza o chefão do PT aprontaria bastante, dando continuidade à confusão política que busca implantar no país. Para que o plano desse certo bastava um descuido, permitindo o cumprimento da ordem absurda de soltura. Daí o habeas corpus ter saído às pressas, nas primeiras horas da manhã de um domingo. O golpe foi planejado, inclusive com o encaixe durante as férias do juiz Sérgio Moro. Segundo o jornal O Globo, por orientação de seus advogados Lula já estava com as malas prontas, entre as 9 e 10 da manhã. Porém, Moro estava atento e revogou o habeas corpus concedido pelo desembargador Favreto. A revogação foi depois confirmada pelo TRF-4.

A intenção do golpe do plantonista era obviamente a de promover uma bagunça política, atingindo de forma grave o Judiciário. Não é difícil imaginar o caos em que o país estaria neste início de semana, se não fosse a ação rápida de Moro, do TRF-4, ainda com a atuação exemplar da Polícia Federal. O PT segue na sua velha política do quanto pior, melhor. Estão pouco ligando para as conseqüências sobre a vida da população, nem mesmo do efeito negativo de suas ilegalidades em nossa democracia já tão sofrida. Vale qualquer aparelhamento. Uma lição que pode ser tirada desse golpe abortado é que nenhuma instituição está a salvo de ser usada em proveito do interesse do projeto de poder petista. O desembargador Favreto estava em um cargo nomeado, mas toda a máquina pública está tomada por esquerdistas, mesmo em cargos de concurso público. A vigilância ativa sobre esta militância ideológica não pode ser relaxada nem aos domingos.
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POR José Pires

Felizmente sós

A BBC divulga um estudo de três acadêmicos de Oxford sobre a possibilidade da existência de civilizações inteligentes em outros planetas. Eles concluem que o mais provável é que a humanidade "esteja sozinha no Universo". Claro que muita gente vai lamentar este resultado, mas eu penso que a humanidade deveria ver isso como uma excelente notícia.

Quando se fala sobre a esperança de que outros planetas sejam habitados por espécies de vida inteligente com capacidade de um dia chegarem na Terra, costuma-se pensar sempre em seres que venham em paz, trazendo apenas coisas boas. No entanto, a perspectiva da hostilidade precisa ser também avaliada. E pela lógica do que conhecemos, essa possibilidade é muito maior do que a imagem clássica de um alienígena chegando com mensagens de paz e prosperidade para seus irmãos terráqueos.

Considerando o que aqui mesmo em nosso planeta países mais poderosos fazem com povos que podem menos, tomara que não exista mesmo nenhuma civilização extraterrestre com tecnologia para descobrir que vivemos no planeta Terra. Nossa experiência com esses seres chegando por aqui pode ser mais ou menos parecida com a de indígenas avistando caravelas nas costas desse país que depois veio a ser chamado de Brasil e de outros povos que também foram colonizados. Na minha opinião, provavelmente os terrestres vão penar muito mais do que os nativos sofreram com a “civilização inteligente” que apareceu de repente.
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POR José Pires

Saldão verde-amarelo


Os comerciantes de tranqueiras verde-amarelas devem estar torcendo para que voltem os protestos políticos. Serviria para vender pelo menos o encalhe de camisas de jogador. Já que não deu para lucrar com torcida a favor, que venham os clientes do contra.
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POR José Pires


sábado, 7 de julho de 2018

Bolsonaro apela para a força divina

Em reunião com industriais em Brasília, Jair Bolsonaro revelou que sua primeira decisão, se for eleito presidente da República, será “pedir a benção de Deus para o Brasil”. Ora, ora, ora, parece que o encapetado ex-capitão andou conversando com marqueteiros e arrumou uma resposta para esta questão que aparece sempre em conversas com pré-candidatos. Não é exatamente o que se espera de alguém que for ocupar o Palácio do Planalto nesta situação muito complicada em que está o Brasil, mas dá para entender essa jogadinha marqueteira, já que o centro das preocupações dos brasileiros é a crise econômica e de economia Bolsonaro já confessou que não entende nada.

Resposta imediata para isso todo mundo sabe que ele não tem, até porque são muito sérias suas divergências com seu guru na área, o economista Paulo Guedes, liberal radical enquanto Bolsonaro acredita no poder das estatais para o equilíbrio da economia e na eficiência do Estado como indutor do desenvolvimento. Essa o marqueteiro acertou: de fato, se ele se eleger presidente estaremos numa situação de pedir a benção de Deus. E o pior é que Bolsonaro também não é a figura mais indicada como intermediário entre o país e a ajuda divina. Sinceramente, se o Brasil depender de Bolsonaro para receber a benção de Deus, aí estaremos mesmo lascados.
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POR José Pires

Lula terceiriza greve de fome


Militantes do MST pretendem fazer uma greve de fome exigindo a libertação de Lula. O protesto está planejado para ter início no final de julho e tem o apoio da direção do PT. A notícia foi dada pela Folha de S. Paulo. É claro que Lula não vai aderir à greve. Os petistas terceirizaram a greve de fome, que será feita por 11 militantes da Via Campesina, que nada mais é que um instrumento do MST, com outro nome para dar a impressão de pluralidade política. É tudo a mesma coisa, formado pelo mesmo pessoal doutrinado pela direção do MST. E a doutrinação, como se vê, avança por caminhos radicais.

Tomando para si necessidades brasileiras justas, como a reforma agrária e o direito a uma agricultura fora dos padrões dos grandes proprietários rurais, o MST criou um movimento político de base ideológica radical, que tem hoje em dia a agricultura apenas como sustentação — ou pretexto, melhor dizendo — para suas ações que miram objetivos muito além da criação uma política agrária justa. O movimento tem relação direta com o regime de Cuba e o domínio do governo chavista sobre a Venezuela. O dirigente nacional João Pedro Stédile deu apoio direto a Hugo Chávez e seu sucessor Nicolás Maduro. Subiu em palanques em apoio à continuidade da ditadura bolivariana, sendo muito provável que o MST tenha ligações subterrâneas com o governo de Maduro e talvez até com a força de segurança e inteligência cubana, que atualmente dá sustentação ao esquema de poder que desgraçou com a Venezuela e oprime sua população.

O sistema de doutrinação do MST já serve até para absurdos como esta greve de fome. O movimento chefiado por Stédile já está com quase 40 anos — é de 1980. O MST promove o tempo todo cursos de política para adultos e mantém até escolas para crianças, onde a matéria didática tem como base o pensamento de tipos como Che Guevara e Fidel Castro. Já tiveram tempo para doutrinar diretamente pelo menos duas gerações. Quem quiser fazer uma projeção sobre onde isso pode chegar pode usar como base esse pessoal agora sendo usado como bucha de canhão do interesse de Lula, o condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Quando Lula ameaçava com o “exército de Stédile” apenas se antecipou, falando mais do que devia. Com o tempo, Stédile pode de fato ter seu “exército”. Este é seu propósito.

O caráter de Lula é lamentável. Até para uma greve de fome ele precisa usar os outros. As experiências conhecidas do chefão petista com greve de fome ocorreram em Cuba, onde ele esteve em março de 2010, quando dissidentes presos pelo regime  Fidel Castro faziam essa forma de protesto. Um deles acabou morrendo. Lula estava por lá negociando os milhões do contribuinte brasileiro despejados na ilha. Durante a visita, ele evitou qualquer comentário sobre violações dos direitos humanos em Cuba ou sobre o sistema judiciário daquele país. Lula criticou apenas os perseguidos pelo regime. O então presidente brasileiro deu uma declaração colocando os presos políticos da ditadura cubana no mesmo nível de presos por crimes comuns. Outra relação do chefão petista com greve de fome foi na sua fase sindicalista, quando esteve preso em 1980 durante a ditadura militar, devido à greve dos metalúrgicos. Os sindicalistas resolveram fazer uma greve de fome e Lula furou a greve. Sem o MST para passar fome por ele, o bravo prisioneiro da ditadura comia barras de chocolate, recebidas às escondidas.
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POR José Pires

O pé frio Lula ataca novamente

Lula tentou usar o jogo desta sexta-feira da Seleção Brasileira com a Bélgica para fortalecer sua imagem e quebrou a cara. E também azarou o time brasileiro. O condenado por corrupção e lavagem de dinheiro fez até um filminho de propaganda no Twitter, onde tenta fazer um paralelo das chances de vitória da Seleção com a história de sua carreira política. E ainda criou a hashtag #BrasilHexaLulaTri. A ziquizira foi pesada.

Com essa jogada muito safada, Lula acabou dando azar à Seleção Brasileira. É notória sua fama de pé frio, que vem de muito antes do surgimento das redes sociais. Nem existia o Facebook e já corriam listas dos times e atletas que levaram na cabeça por ficarem próximos de Lula ou por alguma declaração de apoio ou paixão vindo dele.

Claro que pode constar na lista o 7 a 1 que o Brasil levou da Alemanha na última Copa, armação dele na qual até a data da entrega da taça foi planejada para um dia 13. E agora vai também para a lista das urucubacas esta derrota para a Bélgica pelas quartas de final. Veja no link uma relação de outras antigas façanhas negativas desse notório pé frio.
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POR José Pires


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Link- Malas energías

sexta-feira, 29 de junho de 2018

O Ibope de mal com Ciro Gomes

E temos uma nova pesquisa eleitoral para embaralhar a eleição presidencial e dificultar o debate político que realmente importa. Está certo: institutos de pesquisas servem para isso mesmo. A pesquisa é do Ibope e traz Lula com 33%, Bolsonaro com 15%, Marina com 7%, e Ciro Gomes na rabeira, com apenas 4%. E nem vale a pena questionar a presença numa pesquisa eleitoral de um condenado por corrupção e lavagem de dinheiro e que está preso. Duvido que esse tipo de coisa aconteça em países sérios, daí que não compensa discutir tamanho contrassenso.

Um número que chama a atenção na pesquisa é o de Ciro Gomes, colocado bem atrás dos outros pré-candidatos. Eterno candidato à presidente da Repíblica, antigamente o político cearense estava sempre fazendo bonito no Ibope, até que numa entrevista, em 2010, ele afirmou que pesquisas são todas fajutas, principalmente a do Ibope. Sobre Carlos Augusto Montenegro, dono do instituto, Ciro disse que ele é capaz de “vender a própria mãe”. Talvez para o pesar da mãe do dono do Ibope, o pré-candidato do PDT nunca foi processado por isso. E agora se vê que parece que o Ibope desistiu do Ciro.
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POR José Pires

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Caminhos da impunidade e Beto Richa na 1ª instância

O ex-governador Beto Richa se tornou réu na Justiça Federal do Paraná nesta quarta-feira. Chama a atenção o tempo que o processo já tem: exatos 9 anos. O processo vai para a 1ª instância porque o político tucano perdeu o foro privilegiado ao renunciar ao cargo. A denúncia do MPF é de junho de 2009, quando Richa ainda era prefeito de Curitiba. O ex-governador do Paraná é acusado de desvio de finalidade na aplicação de verba federal.

A denúncia foi apresentada pelo MPF quando o ex-governador do Paraná ainda era prefeito de Curitiba. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) foi obrigado a transferi-la ao STJ em 2011 porque Richa assumiu o governo estadual. No mesmo ano o STJ solicitou autorização da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para processar o governador. Não houve resposta até agosto de 2013, o que levou à suspensão do processo, feita pelo relator, ministro Herman Benjamin, para evitar prescrição. Em novembro de 2014, a Alep negou licença para o prosseguimento da ação. Só no ano passado o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que não há necessidade de autorização da assembleia para que o STJ processe governadores. Agora o processo chega à 1ª instância.

O resumo deste caso, feito com informações do site G1, mostra com clareza a facilidade com as quais um político poderoso conta para evitar de ter que prestar esclarecimentos à Justiça. São tantos instrumentos na defesa de interesses pessoais que fica difícil qualquer profilaxia ética. Não estou entrando no mérito da denúncia contra Beto Richa, que evidentemente divulgou um comunicado afirmando sua inocência. É um direito dele. O ex-governador alega que ocorreu um erro de uma servidora pública do município de Curitiba que, ainda segundo o comunicado, “resgatou a totalidade desses valores em proveito próprio”. Ele afirma ainda que a servidora foi exonerada.

Não vou me aprofundar na avaliação das razões de Richa ter se furtado a dar à Justiça explicações tão simples, preferindo a comodidade de escrever um comunicado à imprensa. E isso só 9 anos depois da denúncia e mesmo assim forçado pela obrigação criada por mudanças recentes que melhoraram a transparência e criaram mais obrigações de autoridades perante a Justiça. O político paranaense agiu como quase todos os políticos, uma classe que chegou a uma condição lamentável: o nível moral é tão baixo que até o requisito humano básico da honestidade teve que virar material de propaganda eleitoral.

Richa pode ter enfim a chance de “provar que é inocente”, afirmação que já virou jargão de políticos brasileiros, mas que até então todos procuravam evitar por meio de bancas de advogados muito caros e influência política. Felizmente o Brasil mudou nesses últimos anos. Ainda está longe da totalidade do que precisa ser mudado para acabar com a impunidade. É preciso, apenas como um exemplo, firmar a condenação em 1ª instância e garantir o cumprimento da pena de condenados por crimes de corrupção.  Mas até agora, as transformações foram suficientes para que houvesse a articulação de forças poderosas entre a política e o Judiciário na tentativa de empurrar o país para trás, num retrocesso para impedir qualquer limpeza ética.

As pressões parecem ser muito poderosas. Na semana passada um inquérito que apura repasse de R$ 4 milhões da Odebrecht para a campanha de Richa foi enviado ao TSE, a pedido da defesa do ex-governador. A decisão favorável ao recurso da defesa veio de uma mudança de posição do vice-procurador-geral, Luciano Maia. Até então ele era a favor do envio do caso para Sergio Moro, em Curitiba. Nesta quarta-feira, o procurador Alexandre Espinosa Bravo Barbosa pediu demissão do cargo de auxiliar de Luciano Maia, ao que parece em protesto à decisão. Maia é primo do senador Agripino Maia (DEM).

Os brasileiros terão que se mexer, organizando-se e atuando para impedir que ocorra o retrocesso tramado pela parte podre da política, ou então o roteiro que publiquei acima (que nem é o mais ardiloso dos esquemas da impunidade) voltará com tudo para a desgraça do nosso país.
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POR José Pires

terça-feira, 26 de junho de 2018

Manuela D'Ávila fazendo humor no Roda Viva

Logo na entrada da sua entrevista ao Roda Viva, que foi ao ar nesta segunda-feira, a deputada estadual Manuela D'Ávila fez questão de incluir uma informação importante em seu currículo. O programa da TV Cultura, onde ela estava na condição de pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB, costuma apresentar um bom resumo da vida dos entrevistados, mas ainda assim ela resolveu acrescentar o seguinte: "Sou mãe da Laura e madrasta do Guilherme”.

É sério. A pré-candidata também informou que é filiada ao PCdoB desde os 17 anos, o que ajuda a compreender seu perfil psicológico. Este partido comunista oportunista e retrógrado mantém desde muito cedo seus militantes numa bolha ideológica impenetrável às informações e ao conhecimento da vida real. O resultado da doutrinação por toda uma vida é que todos ficam com um jeito aparvalhado e uma dificuldade de encarar com espontaneidade um questionamento para o qual ainda não exista uma resposta decorada, certamente firmada e aprovada pelo comitê central.

Isso pode ser um problema em qualquer entrevista, mas tem o dom de torná-la engraçada, embora o Roda Viva não seja um programa de humor. Manuela D'Ávila fala com uma rapidez impressionante, como se fosse humorista de stand-up, tão veloz que a gente teme que o cérebro não possa acompanhar o ritmo da língua. E isso infelizmente acontece mesmo. Ela foge apavorada de questionamentos, como se fosse obrigada depois a prestar contas de seus erros ao partido. É bobagem se ela de fato tiver este medo. Mesmo imperfeita, a nossa democracia burguesa está aí para protegê-la do que faziam Stálin, Mao e outros ídolos de seu partido.

A pré-candidata do PCdoB precisa fazer a lição de casa, conforme gosta de falar a esquerda sobre seus adversários. Ela precisa sentar com alguém – seja o comitê central ou um marqueteiro – e estudar os assuntos que certamente vão cair em debates e entrevistas. Não são tantos, sendo possível encontrar uma resposta razoável para cada um deles, respeitando os compromissos históricos do partido com cargos nomeados e outras cumplicidades, sem trair a obrigatória solidariedade a corruptos que até pouco tempo estavam na chefia, garantindo as tapiocas do partido.

Mas se ela não fizer nada disso, para nós que estamos de fora da bolha não há problema algum. Do jeito que está, sua performance é engraçadíssima. Como eu já disse, não é a proposta do Roda Viva, mas sua entrevista é impagável. Vale milhões de tapiocas em matéria de gargalhadas, ainda que de vez em quando dê também alguma vergonha alheia. Mas quanto a isso, a esquerda já nos deixou acostumados. Haja vergonha alheia. Se a comunista não puser uma ordem na cabeça de palha vermelha sua candidatura não vai decolar. O Brasil não irá ganhar sua primeira presidente comunista eleita, mas paciência. Podemos estar assistindo ao nascimento de uma humorista de stand-up. Laura e Guilherme vão ficar orgulhosos da mamãe.
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POR José Pires

STF:José Dirceu solto, abrindo caminho para tirar Lula da cadeia

A Segunda Turma do STF reuniu-se esta manhã, em sessão extraordinária convocada por Ricardo Lewandowski e fez um serviço extraordinário contra o Brasil. Soltaram José Dirceu. De quebra, invalidaram provas colhidas pela Polícia Federal no apartamento funcional da senadora Gleisi Hoffmann, em junho de 2016. Além dela, a ação tinha como alvo seu marido, ex-ministro Paulo Bernardo. E para completar, libertaram João Claudio Genu, ex-tesoureiro do PP, condenado a 9 anos de prisão e 4 meses de prisão por corrupção passiva e associação criminosa em segunda instância na Operação Lava Jato.

Nos três casos, votaram a favor Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. O ministro Edson Fachin votou contra. Celso de Mello estava ausente da sessão. A soltura do ex-tesoureiro João Claudio Genu parece casual, porém é de caso pensado. Ele entra para tornar mais aceitável o pacote, no qual depois pode caber outra figura. A proposta de libertar Genu partiu do ministro Dias Toffoli, que, cabe lembrar, foi empregado do PT e nomeado em 2009 para o STF por Lula, atualmente cumprindo pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na presidência da República, Lula passou por cima de quesitos básicos em uma nomeação para o STF. Antes de ir para o STF, Toffoli foi advogado-geral da União, também por indicação de Lula.

A decisão pela liberdade de Genu e Dirceu parece ter como objetivo abrir um caminho jurídico para a libertação de Lula. Os motivos alegados são os mesmos. A proposta de soltar Dirceu partiu também de Dias Toffoli. Nos dois casos, Toffoli, Lewandowski e Gilmar Mendes concederam um efeito suspensivo, o mesmo que a defesa de Lula pediu em recurso ao STF. O argumento é de que um recurso da defesa do ex-tesoureiro do PP apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pode, em tese, reduzir sua pena. Conforme o raciocínio, o mesmo pode acontecer com Dirceu. O entendimento dos três juízes é de que por isso eles devem aguardar em liberdade. A execução provisória da pena de prisão após condenação em segunda instância continua mantida. Mas foi criada uma exceção, que pode ser aplicada também para outros casos. E aí é que entra Lula.

A Segunda Turma do STF mantém seu padrão, votando contra o país e afrontando a vontade da maioria dos brasileiros, que desejam que o Judiciário mantenha ritmo de limpeza ética desenvolvida até agora pela Operação Lava Jato. Estes brasileiros querem também que corruptos sejam mantidos presos e que a política brasileira seja expurgada de maus elementos que destruíram a economia brasileira e rebaixaram o Brasil moralmente a um nível que nunca existiu em nossa história. É tudo que juízes como Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski não querem. As razões ainda serão conhecidas, pois o Brasil com certeza não perderá esta batalha.
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POR José Pires


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Imagem- A presidente Dilma Rousseff cumprimenta o novo presidente do TSE, Dias Toffoli, em maio de 2014. Poucos meses depois ela se reelegeria presidente, depois de uma campanha eleitoral caríssima e com muitas ilegalidades. A foto é de Ricardo Stuckert, fotógrafo pessoal de Lula, atualmente cobrindo para seu chefe os acontecimentos em torno da sua prisão, em Curitiba