segunda-feira, 18 de julho de 2016


A astróloga que perdeu a coluna


Na onda de demissões da imprensa brasileira, tivemos nesta segunda-feira a demissão de Barbara Abramo, da Folha de S. Paulo. E quem é Barbara Abramo? Ora, ela foi astróloga da Folha por 16 anos. Sim, senhores e senhoras, os jornais brasileiros publicam horóscopo até hoje, mas é verdade que publicam coisas bem mais inacreditáveis, como os resumos das novelas de TV ou as colunas sociais. Ah, mas alguém logo vai dizer que tem muita gente que acredita em horóscopo. E não sou eu quem vai contradizer uma afirmação dessas, mas devo avisar que os que acreditam em horóscopo certamente não deveriam desperdiçar sua crença lendo horóscopo em jornal.
Não sei como a astróloga da Folha fazia a coluna dela, que, aliás, nas vezes em que dei uma sapeada me pareceu ter literatices demais, que é coisa bem comum em astrólogos moderninhos — no entanto, pode ser que eu tenha esta opinião por ser de aquário. Mas o que sei é que ninguém deveria levar a sério os horóscopos que saem na imprensa. Pelo que vi em várias redações, a publicação de horóscopo pelos jornais é um hábito difícil de eliminar, assim como também vai-se levando a coisa sem respeito algum pelo assunto. No longo tempo que trabalhei na imprensa vi várias vezes o editor pegando qualquer horóscopo na gaveta de sua escrivaninha, entre dezenas que ficavam prontos para publicação. Era comum também que o próprio diagramador escolhesse o que ia ser publicado na edição.
Mas que ninguém se desespere, pois a Folha não vai acabar com a coluna que cuida dos signos de seus leitores. Barbara Abramo saiu e entrou outra pessoa em seu lugar. O jornal não explicou o motivo da demissão, mas hoje em dia não é preciso ter bola de cristal para adiantar que deve estar ocorrendo o que é previsível num enxugamento de custo, que é a troca de alguém que ganha um pouco melhor por outro que aceita fazer por menos. A astróloga também não deu sinais de ter previsto o bilhete azul, o que é até uma pena. Poderíamos ter tido uma coluna sensacional há uma ou duas semanas atrás, com ela falando da própria demissão no futuro. Mas não foi dessa vez que este milagre aconteceu.
E como a internet hoje em dia permite que a gente possa ampliar com rapidez o conhecimento sobre os assuntos que caem na nossa frente, fui xeretar a vida da astróloga demitida e deu logo para ver que seu passado não era muito promissor. Numa entrevista ao site "Portal Imprensa", em agosto de 2014, Barbara dizia que "o Brasil viverá um momento bom até 2018". Aqui do futuro, podemos sentir a barbeiragem feia da astróloga. E o mais chato pra ela é que na época da previsão errada, os dados políticos e econômicos diziam o contrário. Até o Aécio Neves já estava avisando que a coisa não iria ficar boa no Brasil. Eu mesmo, sem nenhum mapa astral à mão, escrevia que o futuro iria bagunçar a vida de todo brasileiro.
E falando no Aécio, Barbara dizia nessa mesma entrevista que o mapa astral dele estava "bem detonado" e que o de Dilma Rousseff "também não está bom, mas ela tem uma grande porcentagem e grande aceitação". Os astros não avisaram que Dilma iria pedalar. Mas o pior de tudo foi o que a astróloga demitida disse sobre outro político, o pernambucano Eduardo Campos. Não sou especialista no ramo, mas o mapa dele devia estar de ponta-cabeça. "O Eduardo Campos tem um mapa interessante. Ele vai ter uma expressividade maior”, ela disse. O presidenciável, como todo mundo sabe, morreu numa queda de avião antes da eleição. Pois então, é como eu disse: a demissão da astróloga da Folha deve ter pegado ela de surpresa.
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POR José Pires

sábado, 16 de julho de 2016

Golpe só na Turquia

A tentativa de golpe na Turquia devia servir para os petistas e seus agregados tomarem vergonha e parar com as bravatas. O resultado do golpe foi pesado para os turcos: 280 mortos, 2800 presos e a previsão de um fechamento político, com a possibilidade inclusive do avanço da islamização naquele país. Isso devia servir de lição para petistas e agregados, incluindo os chamados isentões que enchem a paciência do próximo nas redes sociais com suas hipócritas ambiguidades. Golpe é isso, companheiros. O que vem ocorrendo no Brasil é um processo democrático de julgamento de uma presidente da República, com amplo direito à defesa, incluindo nisso a imensa paciência que foi ter de aturar a má educação da tresloucada bancada petista no Senado.
Chega de nhem-nhem-nhem, seus bravateiros. Olhem para a Turquia. Deu para ter a ideia do que é de fato um golpe? Mas para deixar mais claro as diferenças, no mesmo dia em que os turcos se matavam pelo poder a presidente afastada, Dilma Rousseff, visitava o Palácio do Planalto. Ela não foi lá para falar com o presidente em exercício, Michel Temer. Dilma não teve problema algum para entrar no prédio do Governo Federal, onde foi procurar uma dentista, que sempre a atendeu. Tranquilamente, a petista fez uma sessão de limpeza nos dentes, tirou um raio-x para garantir que não havia necessidade de um tratamento de canal e depois voltou a seus afazeres, que incluía uma viagem a Teresina para participar de uma manifestação política contra seu impeachment. Como dá para ver, a situação é muito diferente do que aconteceu na Turquia. E por uma razão muito simples: aqui no Brasil não tem golpe.
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POR José Pires

O arriscado mico da Olimpíada do Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse há poucos dias ao jornal britânico "The Guardian" que a Olimpíada se tornou uma "oportunidade perdida". E não demorou para sua declaração surtir efeito. Vinte mil ingressos da Olimpíada foram devolvidos, com a maioria das desistências sendo do público americano. Não há como não concordar com Paes, no entanto ele é um hipócrita. E isso não é de agora. O prefeito carioca é um dos responsáveis pela escolha do Rio como cidade-sede dos jogos olímpicos. E isso nunca foi uma "oportunidade". Foi sempre uma temeridade em todos os aspectos e prejuízo certo para o país, perigos sobre os quais muita gente já alertava lá atrás, entre 2007 e 2009, quando ele e o governo petista faziam de tudo para que o escolhido fosse o Brasil. Éramos então chamados de catastróficos, para dizer o mínimo. Teve acusação até de falta de patriotismo a quem alertava para questões muito evidentes, como a falta de estrutura geral em todo o país, do problema grave da falta de segurança no Rio, além da dificuldade habitual do poder público no Brasil de planejar e executar com qualidade projetos em grande escala, como é exigido pelo Comitê Olímpico Internacional.
Eduardo Paes sabe como são essas coisas, afinal a primeira tragédia dessa Olimpíada foi com a ciclovia construída por ele à beira-mar, que desabou logo depois de inaugurada porque não estava preparada para suportar ondas do mar. Morreram duas pessoas. O prefeito do Rio é um dos culpados por esta arriscada aventura, que colocou nosso país numa situação de risco jamais enfrentada em sua história. O Brasil pode ter sua imagem arruinada e ainda por cima fomos jogados frente a um perigo para o qual é óbvio que não estamos preparados. Foi por uma jogada eleitoral de Lula, então na presidência da República, que acabou sendo armada esta encrenca, que em razão do clima internacional criado pelo terrorismo islâmico vai obrigar o Governo Federal a gastar uma fortuna em segurança, o que é até uma piada de mau gosto com uma cidade que sofre no cotidiano violências para as quais há muito tempo nenhum governante aplica políticas públicas que enfrentem seriamente o problema.
A Olimpíada do Rio se encaminha para ser um imbatível mico mundial. A ameaça do terrorismo já existia quando o governo do PT e Paes andavam abraçados festejando a escolha da cidade. E agora a coisa piorou. Depois do que aconteceu em Nice, nem dá para imaginar que desportista estrangeiro será doido o suficiente para ir ao Rio assistir aos jogos. Pode-se esperar estádios vazios e muita preocupação com as barbaridades que esses terroristas doidos costumam aprontar. Ainda mais com aquele Cristo enorme de braços abertos sobre a cidade-sede, que simbolicamente faz desses jogos um alvo perfeito para bandos que usam a religião como justificativa para seus instintos criminosos.
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POR José Pires

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Jamie Olivier cozinhando agora para a Sadia

É surpreendente como alguém cercado de todo um aparato de promoção profissional e um eficiente trabalho de imagem pode dar um passo tão errado como o chef Jamie Olivier, com esta propaganda da Sadia, marca de propriedade da BRF, uma gigante mundial do mercado alimentício, como a própria empresa se define com orgulho em seu site. A BRF é dona também da Perdigão, o que pouca gente sabe e a empresa não tem interesse algum que se espalhe, pois isso alertaria o consumidor de que ele não tem a saudável proteção da concorrência entre duas marcas. Na propaganda de seu mais novo contratado, que além de chef internacional é apresentado como "ativista social", a empresa diz que "ele e a Sadia se uniram para ajudar as pessoas a comerem melhor". Ah, bom.
O que faz num negócio desses um chef que ganhou fama e respeito em todo o mundo em razão de conceitos culinários que são o oposto do interesse de uma imensa indústria da área de alimentos? É óbvio que não pode ser pelo sabor diferenciado do que a Sadia (ou Perdigão, tanto faz) tem a oferecer e nem pelo cuidado e a relação cultural e até mesmo espiritual com o que vamos colocar na mesa. Olivier deve ter aceitado fazer a propaganda em razão de estímulos muito maiores. E com certeza o abandono de suas convicções anteriores teve uma boa compensação, porque sendo um conhecedor de comunicação ele sabe que depois dessa tornou-se um produto novo na praça. A Sadia continua a mesma, ainda que tenha ganhado seu tempero, mas ele sofreu uma transformação. Não é mais o simpático chef que transmitia de forma agradável e criativa muita informação de grande qualidade sobre o cuidado com o que devemos comer, com a habilidade e a criatividade bem próprias dele, com aquele jeito de garotão, naquele formato anterior que tratava a culinária como uma arte e não um pacote industrial.
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POR José Pires

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Caiado versus Lindbergh Farias: o antidoping na pauta do Senado

O senador petista Lindbergh Farias costuma bater forte em seus discursos, fazendo ataques pessoais e desqualificando os adversários. Na internet rolam vários vídeos que mostram este estilo da porretada verbal, com o petista geralmente levando a pior, pois na maioria dos casos ele perde feio no contra-ataque de quem se sentiu atingido. Ontem, do jeitão mal educado que é seu modo de ser, no plenário do Senado ele resolveu atacar o senador Ronaldo Caiado, com quem cultiva uma rivalidade bastante antiga. Depois de ser chamado de incoerente e cara de pau pelo petista, Caiado pediu a palavra e devolveu o insulto de uma forma que deve se destacar historicamente nos anais daquela honrosa Casa.
Ele disse o seguinte: “Eu tenho sempre mantido o debate em alto nível. Eu sei me dirigir aos colegas com todo o respeito e não adjetivando-os de maneira a desqualificá-los porque sou homem preparado para o debate. Mas esse senador que me antecedeu, eu não me dirijo a ele como senador mas como médico porque tenho notado que ele está salivando muito ultimamente e está com as pupilas muito dilatadas. Ele deveria primeiro apresentar em que condições ele está aqui no plenário para depois entrar no debate. Ele não tem as condições mínimas para isso". No final, um pouco antes do presidente do Senado, Renan Calheiros, interromper a sessão por causa do tremendo bate-boca, Caiado ainda lançou uma proposta ao microfone: “Deveriam fazer exame antidoping aqui”.
Certamente não vão acolher o pedido de Caiado, que, falando como médico, pode até ter razão na suspeita que lançou sobre o senador Lindbergh. Depende do exame, é claro. Mas, independente do antidoping no preclaro companheiro, um bom exame psicotécnico viria bem para todo senador, antes de cada sessão do Senado. Pelo que dá para observar do comportamento de uns e outros nas sessões, os trabalhos seriam muito mais proveitosos com um exame do tipo. Acompanhei os trabalhos da Comissão do Impeachment e estes eu garanto que teriam se desenvolvido com muito mais qualidade com um rigoroso psicotécnico barrando os abilolados. O clima teria sido no mínimo mais sociável. Pelo menos até a bancada do PT encontrar um jeito do ministro Ricardo Lewandovski anular o exame.
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POR José Pires

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Miss Bumbum: mais uma vítima da derrocada petista

Muito triste mais esta notícia que vem da seara petista, sobre o fim do casamento entre a Miss Bumbum e o último ministro do Turismo de Dilma Rousseff, Alessandro Teixeira. O ministro chefiou a pasta por menos de um mês, mas teve uma das passagens mais marcantes do governo petista depois da divulgação das fotos de uma visita da Miss Bumbum ao seu gabinete, com o casal trocando beijinhos, enlevados pelo clima de poder. Não foi informado o motivo do rompimento do casal, porém, como se costuma dizer que o poder é afrodisíaco, pode ser que a falta dele tenha o efeito contrário.
Miss Bumbum andava sumida após o episódio que, como se diz, bombou na internet, com um efeito político que infelizmente o advogado de defesa de Dilma, José Eduardo Cardozo, não soube aproveitar. Imaginem o sucesso que poderia ter sido a participação de Miss Bumbum na Comissão do Impeachment do Senado, com a companheira testemunhando a favor da moralidade do governo Dilma. Se ocorresse no mesmo dia em que Cardozo apresentou o apoio do jurista Thomas Turbando, a presença da ex-primeira-dama do Turismo poderia ter sido um golpe certeiro nos planos da oposição.
Com a devida vênia, faltou senso de oportunidade ao companheiro advogado, mas, dependendo da decisão do Senado, existe uma chance, ainda que mínima, da volta da Miss Bumbum. Se o impeachment for recusado, Dilma irá recompor seu governo, o que além do retorno do revolucionário projeto petista poderá também dar uma recuperada no casamento de seu outrora vibrante ministro do Turismo.
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POR José Pires

Propina perigosa

Os brasileiros já estão tendo uma consciência maior sobre as consequências da corrupção, cujos danos vão muito além da perda da grana surrupiada dos cofres públicos. A roubalheira pesa no bolso, torna a vida cotidiana complicada e prejudica muito o futuro de todo mundo. A destruição da Petrobras e a desestruturação do Estado brasileiro nesses 13 anos de PT no poder revelam o resultado mais grave da corrupção, que é o desmonte da administração pública. Atualmente no Brasil quase tudo funciona precariamente nos mais variados setores, com queda de qualidade atingindo também uma ampla faixa da iniciativa privada, como é possível notar já há algum tempo nos serviços prestados pelas grandes empreiteiras e que ficou ainda mais claro a partir das descobertas surgidas nas investigações da Lava-Jato.
Durante anos os empresários vêm se ocupando quase que exclusivamente em armar esquemas para facilitar o acesso em licitações e também para faturar muito mais com menos esforço. Imaginem o nível de qualidade das obras e dos serviços prestados ao poder público. É também uma dinheirama que se vai, com recursos públicos que não rendem inovações tecnológicas nem métodos profissionais de qualidade. E o que acontece com o domínio dos corruptos: quem trabalha de fato e com qualidade vai sempre ficar de fora.
Corremos até risco de vida com essa bandidagem por detrás de quase tudo que se fazia no governo petista. O nível preocupante do perigo pode ser visto na prisão que houve nesta quarta-feira do vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras responsável pela geração de energia nuclear. Ele estava em prisão domiciliar, mas teve que ser reconduzido para a cadeia porque continuava aprontando. A investigação descobriu uma quadrilha que atuava no setor, com a participação inclusive do atual presidente da estatal, Pedro Diniz Figueiredo, que foi afastado do cargo. Vejam só nas mãos de que tipo de gente era mantido um setor de tamanhos riscos. Também era por meio de meio de propinas que movimentava-se a geração de energia nuclear, algo que nem faz sentido de ter no Brasil e que faz tempo que vem tendo uma condução totalmente irresponsável.
O risco dessa forma de produzir energia já foi possível ser comprovado em vários acidentes, um deles muito recente e de consequências terríveis, que foi o da central nuclear de Fukushima, ocorrido em 2011 no Japão. A tragédia nuclear obrigou a evacuação de 300 mil pessoas e para alguns lugares não se pode mais voltar, como aconteceu com a localidade de Daishi, a 8 quilômetros da usina de Daiichi e que tinha 19 mil habitantes, hoje isolada no perímetro de exclusão, com raio de 20 quilômetros. A tragédia japonesa trouxe lições ao mundo, fazendo por exemplo com que a Alemanha abandonasse seu programa nuclear, mas aqui no Brasil, pelo visto, o acidente não serviu nem para estimular alguma responsabilidade administrativa: até a energia nuclear ficou nas mãos de gatunos.
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POR José Pires

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A face humana de Gleisi Hoffmann

Achei muito interessante, espantoso até, ver nesses dias a senadora Gleisi Hoffmann tomando consciência de sentimentos humanos. O fenômeno ocorreu na ocasião da prisão de seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, pego pela Polícia Federal na última quinta-feira na Operação Contas Abertas, ação policial que foi um desdobramento da Operação Lava Jato. Bernardo já foi liberado por Dias Toffoli, do STF, mas terá de ficar com tornozeleira eletrônica e recolher-se à noite. Portanto, crianças: tomem cuidado durante o dia. Mas quando houve a prisão, a senadora petista ficou tocada pela emoção, o que costuma ocorrer apenas quando ela está buscando voto do eleitor e pode-se ver no horário eleitoral, quando ela surge como uma pessoa sensível, muito educada e até carinhosa com as pessoas. Quem não é do Paraná e só conhece Gleisi como a senadora de maus bofes da Comissão do Impeachment do Senado não acreditaria nem se visse com os próprios olhos. Na hora de pedir voto ela se transfigura. É difícil acreditar que alguém de tanta agressividade e até má-educação possa mudar de tal jeito, mas ela vira mesmo uma figura muito humana.
A gente poderia até pensar em tal transformação como exclusividade de uma eleição, mas agora, quando o ex-ministro foi levado pra cadeia, pudemos ver que não é só quando precisa se reeleger senadora ou disputa o governo do estado que Gleisi consegue expressar sensibilidade e preocupação. O ex-ministro acusado de pegar propina retirada de empréstimo consignado de funcionários aposentados, foi mencionado por ela, com os olhos quase marejados, como "pai dos meus filhos". A operação Custo Brasil foi também acusada por ela de ser “uma clara tentativa de abalar emocionalmente o trabalho de um grupo crescente de senadores que discordam dos argumentos que vêm sendo usados para tirar da Presidência uma mulher eleita legitimamente pelo povo brasileiro; afastar uma presidenta, legitimamente eleita por mais de 54 milhões de votos”. Como diz a moçada, "menos, Gleisi, menos". Com a desproporção da alegada conspiração não tem como isso colar, senadora.
A emoção da petista foi imensa, ainda que parecesse improvável. E, de fato, logo Gleisi voltou ao batente como a mesma Gleisi de sempre. Na segunda-feira ela ainda encenava na tribuna o papel de esposa comovida, em discurso em sessão deliberativa, quando falou pela primeira vez no Senado sobre a prisão de Paulo Bernardo. No entanto, logo depois, participando da reunião da Comissão do Impeachmment, ela voltou a ser a chamada "generala", comandando a violenta e patética tropa de choque da bancada governista, atacando de forma desonesta Janaína Paschoal, a advogada da acusação e corajosa autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Gleisi insinuou outra estrambótica teoria da conspiração, apontando o juiz que autorizou o pedido de prisão de Bernardo como orientando de Janaína, no curso da faculdade de Direito da USP. Já tinha de volta a cara de brava e o olhar irônico e cruel. Como eu disse, a petista voltou a seu estado normal. Quem estiver com saudade da Gleisi sensível e repleta de sentimentos humanos terá de esperar o período de campanha eleitoral. Ou então mais uma prisão do marido dela.
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POR José Pires

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Calamidade, o estado do Rio

A decretação de estado de calamidade pública pelo governo do Rio de Janeiro a dois meses da abertura dos Jogos Olímpicos tem todos os ingredientes da irresponsabilidade e incompetência do governo do PT, a começar da própria realização do evento esportivo aqui. Não faltaram avisos de muita gente sobre as dificuldades financeiras e estruturais que isso podia ser para o Brasil. E quem condenava a falta de bom senso do então presidente Lula em trazer os jogos para o Brasil nem podia prever os problemas com a mosquito aedes aegypti e suas doenças. Porém, fazer a Olimpíada no Brasil era um lance eleitoreiro do qual Lula não podia abrir mão, assim como foi com a Copa do Mundo, outro evento que o país não tinha capacidade de arcar.
Os motivos apontados pelo governador em exercício do Rio, Francisco Dornelles, para a decretação do estado de calamidade também servem, todos eles, como exemplo da irresponsabilidade de Lula, Dilma Rousseff, e os aliados do PT, todos de olho em benefícios eleitorais na época em que ofereceram o Rio como sede dos jogos. Dornelles fala na crise econômica que atinge o Estado, na queda na arrecadação com o ICMS e os royalties do petróleo, além de dificuldades graves na prestação de serviços essenciais. Segundo ele, ficou impossível o atendimento nas áreas de segurança pública, saúde, educação e mobilidade. Tudo isso já era previsto, mas quem fazia qualquer ponderação crítica sobre o assunto era acusado até de ser contra o Brasil.
Como eu disse, é tudo resultado da irresponsabilidade de Lula e Dilma, os dois que chamavam de "catastrofistas" quem avisava dos riscos de trazer este mega-evento esportivo para o país. Entre os ingredientes eleitorais dessa dupla fraudulenta está inclusive os "royalties do petróleo" em queda. Cadê o milagre do pré-sal? Aquela lorota serviu não só para o sucesso eleitoral do PT como também do então governador Sérgio Cabral e seus cupinchas políticos, como Eduardo Paes, até hoje prefeito da capital. Naqueles eufóricos dias anunciava-se que a extração de petróleo do pré-sal faria da economia brasileira um paraíso, com dinheiro jorrando para a educação, a saúde e também para fazer bonito no mundo todo. Era a velha cascata de um país sempre em primeiro no pódio, que agora enfrenta uma realidade dura de vencer.
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POR José Pires

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Imagem- Dilma e Eduardo Paes em agosto de 2015 comemoram, por antecipação, em cerimônia que marcava um ano para o começo da Olimpíada

terça-feira, 7 de junho de 2016

A verba fácil da militância da TV Brasil e da blogosfera petista

Já faz um tempo que o jornalista Reinaldo Azevedo recuperou uma velha expressão caipira para falar da quantidade de encrencas criadas pelo governo do PT, que aparecem aos montes conforme a imprensa e o Ministério Público vão procurando, ou melhor, vão dando suas enxadadas. É impressionante o quanto os companheiros aprontaram nesses anos de poder. Mas a cada enxadada vai aparecendo também muito dinheiro. Surge nas perdas terríveis causadas pela incompetência, pela roubalheira, no achaque e na propina. E aparece também na dinheirama que sai dos cofres públicos para os entusiasmados defensores do governo do PT e seu projeto de poder. É um gasto impressionante.
O próprio Reinaldo Azevedo havia revelado no final de maio os salários pagos na TV Brasil, esse elefantaço branco criado pelos petistas. A audiência é um traço, mas é altíssimo o custo para cofres públicos: R$ 1 bilhão por ano. A emissora não tem telespectadores, mas o objetivo da TV Brasil não era propriamente a audiência. O negócio sempre foi o de angariar simpatias. Um desses profissionais da simpatia é Aderbal Freire Filho. Ele andou recentemente organizando atos de apoio a Dilma entre a classe artística e tem na TV Brasil pelo menos um bom motivo para gostar do PT. Fazia na emissora um programa semanal sobre teatro chamado “A Arte do Artista”. Para isso recebia R$ 68 mil mensais. Aderbal é casado com a atriz Marieta Severo, que andou dando um exaltado apoio ao PT no “Domingão do Faustão”.
Outro que ganhava muito bem na TV Brasil é Luis Nassif. Seu programa era também semanal, o "Brasilianas. org" pelo qual faturava anualmente R$ 761 mil, o que dava mais de R$ 63 mil por mês. Ou R$ 15.750 por programa. Já o jornalista Paulo Moreira Leite tinha um contrato anual de R$ 279 mil, para fazer um programa de entrevistas também semanal de nome “Espaço Público”. Todos esses programas eram de pouquíssima produção, como acontecia também com Emir Sader, que mantinha um contrato anual de 182 mil para fazer comentários. Outra comentarista política, Tereza Cruvinel, tinha um contrato anual de 182 mil.
Muito confortável "defender uma causa" desse jeito, não é mesmo? E a mamata na TV Brasil não foi o único caso revelado depois do afastamento de Dilma Rousseff. Nesta terça-feira foi divulgada a previsão de verba anual que seria liberada para blogs e sites que defendem a presidente afastada Dilma Rousseff e servem também para ataques à oposição. São 11 milhões de reais em publicidade de ministérios e estatais, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O presidente interino, Michel Temer, conseguiu bloquear R$ 8 milhões do montante previsto a ser pago até dezembro. Deixam de receber recursos sites como Diário do Centro do Mundo e Brasil 247, e o blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, além do blog O Cafezinho, o site Pragmatismo Político e o blog de Esmael Moraes, do Paraná. Os contratos na TV Brasil foram rescindidos e foi cortado esse gasto imoral com penas alugadas para bater em adversários e bajular quem paga, usando dinheiro público. O governismo profissional do PT começa a ser eliminado. É um bom começo, que se tiver continuidade pode mudar para melhor a comunicação do Governo Federal.
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POR José Pires

sexta-feira, 3 de junho de 2016

O PT sempre na contramão do bom senso e da democracia

A atitude do ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, que abandonou na noite desta quinta-feira a sessão da Comissão Processante do impeachment no Senado, mostra o que virá por aí se os petistas acreditarem que não há jeito de reverter a queda de Dilma Rousseff. Vão tentar "melar" o processo de impeachment. Já apontei várias vezes contradições na, digamos assim, estratégia de defesa do governo Dilma e do PT para enfrentar esta crise política. A defesa desenvolvida até agora não contempla uma estratégia que preserve o partido do que está em andamento. Nesta defesa, o PT está colado ao governo de tal forma que corre o risco da inviabilização de seu futuro, independente do resultado da votação do impeachment. E no caso de Dilma, toda a defesa é feita num bate-cabeças que parece de grêmio estudantil. Não à toa, a base política da defesa do governo no Senado está sob o comando dos senadores Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Vanessa Grazziotin, todos os três com origem política no PCdoB, onde fizeram a cabeça na juventude. No Senado, assim como fizeram na Câmara, a condução é tão despropositada e agressiva que depois de terminado o processo no Legislativo os políticos petistas terão dificuldade até de encontrar companhia para um bate papo no cafézinho do Congresso.
Cardozo abandonou a sessão de trabalhos do impeachment no Senado e foi seguido pelos três senadores, os únicos da base do governo presentes na reunião da comissão. O motivo foi a rejeição de propostas deles. Nada substancial juridicamente, só aqueles golpezinhos de sempre que os petistas usam para embolar os trabalhos. É óbvio que fizeram essa saída de caso pensado. É visível na atitude uma manobra com um objetivo político que não está restrito aos trabalhos da comissão. O PT está se preparando para fazer o que já é um hábito no partido do Lula, que é o desrespeito à regras aceitas antecipadamente por eles. Petista sempre quebra os compromissos quando não consegue obter o resultado desejado. É quase certeza que já sentiram a contradição até cômica do discurso do golpe e suas variantes, que foram fazendo em paralelo à aceitação do governo e do partido da participação em todo o processo de discussão oficial do impeachment no Congresso Nacional. É para rir: temos em andamento um golpe com a participação dos golpeados. É possível que o desconforto político com a contradição brutal do discurso desenvolvido até agora tenha forçado a uma mudança abrupta, com a intenção de ir impondo uma saída política à maneira deles, com a desqualificação de todo o trabalho feito pelo Legislativo, no qual é forte a influência da sociedade civil brasileira.
Os petistas são assim. Não sabem ganhar, como foi muito bem demonstrado pelo resultado dos 13 anos que ficaram no poder, período em que não implantaram nenhuma política pública própria, nada mesmo de um projeto diferente do que já vinha sendo feito na política brasileira. Deram seguimento até ao roubo dos cofres públicos, com o agravamento da sistematização dessa corrupção, por meio de amplos esquemas que além do do enriquecimento pessoal contemplavam também o financiamento do projeto de perenização no poder do partido. Não sabem ganhar e não se conformam nunca em perder. O PT sempre agiu desse jeito nas situações em que as intenções partidárias ou do governo deles não prevalece. Nesses últimos meses, trabalhando duro e recebendo agressões terríveis da esquerda, os brasileiros conseguiram com a maior paciência desmontar parte do desastre econômico, ético e político que vinha sendo construído pelo governo petista. Como se diz no popular, foi tirado o bode da sala. Pois o PT quer colocar novamente o bode para dentro. É claro que numa condição política e social que já não é boa, essa radicalização pode prejudicar muito a democracia e a convivência entre os brasileiros. Mas quando é que a esquerda se preocupou em preservar o mínimo de respeito pela opinião contrária da maioria? Só fazem isso quando é do interesse deles e mesmo assim só de fingimento. Quando são contrariados pela realidade, quebram pro pau. Não deixa de ser uma forma de terrorismo. Mas foi desse jeito que eles conseguiram esse poder perigosíssimo para a democracia brasileira, que precisa ser desmontando, apesar de toda essa birra.
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POR José Pires

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Um golpe como nunca se viu

José Eduardo Cardozo entregou no início da noite desta quarta-feira à Comissão de Impeachment do Senado a defesa de Dilma Rousseff. Para quem tiver a curiosidade de ler a peça, publico abaixo o link, mas dizem que os argumentos são os mesmos de sempre, com a novidade da inclusão da conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado. Em rápida entrevista, saindo da Secretaria Geral do Senado, o defensor de Dilma disse que agora vão contestar a indicação do relator, senador Antonio Anastasia, "que pertence ao mesmo partido de um dos autores do pedido de impeachment". A alusão é ao jurista Miguel Reale. Será que o advogado Cardozo escreveu a peça com Lindbergh Farias, Gleisi Hoffmann e Vanessa Grazziotin? Só pode. É o mesmo argumento daqueles três gritões da bancada petista no Senado, que queriam discutir só o governo de Anastasia, em Minas Gerais.
Mas o que importa é que dessa forma prossegue então o "golpe" mais diferente que já houve nesse mundo. Pode-se dizer que nunca existiu um golpe como este na história mundial. Com direito à ampla defesa e sem nenhum constrangimento nem à acusada e tampouco as que a defendem. Só no Brasil mesmo pode haver um golpe inusitado assim. Todo mundo à vontade, dando entrevista à imprensa, recebendo apoios em pleno Palácio do Alvorada. Enfim, exercendo todos seus direitos, inclusive o de ir e vir. Não tem perseguidos, ninguém foi forçado a se exilar em outro país. Sem sangue, sem prisões, sem repressão, nenhuma tortura. É mesmo uma coisa fora dos padrões.
Os únicos apoiadores de Dilma que estão presos foram os gatunos, mas neste caso a questão é outra, até porque no pedido de impeachment não foi incluída a roubalheira. Mas no que toca ao impeachment, a liberdade é total. Soube até que o ex-ministro Cardozo goza dessa liberdade rodando de bicicleta por Brasília. Isso mesmo, ele pegou emprestada a bicicleta de Dilma para se locomover do hotel onde está hospedado até o Palácio do Alvorada, onde a presidente afastada goza de todos os direitos, até o de assaltar de noite a geladeira, caso ela deseje. Vejam só: um golpe em andamento e o defensor da presidente rodando livre de bicicleta pela capital do país. Nunca se viu coisa igual. É bizarro mesmo esse golpe à brasileira. Pode-se dizer desse golpe que ele é um um exemplo para a democracia.
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POR José Pires



Trabalhando para pagar imposto

Como o pessoal gosta de destacar datas, lembro que este 1° de junho marca os 153 dias do ano que o brasileiro trabalha só para pagar tributos. São cinco meses e um dia, conforme levantamento divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). É claro que é uma média, além do fato do estudo utilizar uma metodologia que abarca três faixas salariais: de até R$ 3.000,00 (classe baixa), de R$ 3.000,00 a R$ 10.000,00 (classe média) e acima a de R$ 10.000,00 (classe alta). Ainda segundo o IBPT, o brasileiro é obrigado a destinar 41,80% do seu rendimento bruto para uma diversidade de tributos, que vem aumentando nos últimos anos. Em 1996, o número de dias trabalhados só para pagar imposto era de 100 dias. Em 2006, era de 145 dias, até os atuais 153 dias.
É também muito claro que no Brasil o assalariado acaba sempre arcando mais com o peso dos tributos, que afeta também muito mais conforme vai caindo o poder aquisitivo. Uma quantidade enorme de brasileiros estão abaixo da faixa menor de rendimentos usada pelo estudo, uma classe social para a qual contam centavos e numa situação econômica em que pode-se perder tudo de uma hora pra outra, seja por problemas na saúde, por ter a moradia roubada, destruída ou ver os filhos se perderem por causa de drogas ou na desesperança da falta de oportunidades. Na classe média e entre os mais pobres a pressão na economia doméstica afeta até a própria sobrevivência, prejudicando inclusive a compra de alimentos e o estudo dos filhos. Na prática, perde-se a vida no desarranjo econômico. Nas classes de menor poder aquisitivo (e não estou falando dos miseráveis) pesam mais os tributos e também para essas pessoas é muito maior o peso da falta de retorno social do que é pago.
Esses números sobre os impostos costumam causar polêmicas, com opiniões que a meu ver não analisam com bom senso o assunto. Como tantos outras informações temas importantes neste país, este assunto dos impostos tem servido para a disseminação de conceitos equivocados sobre economia, a maioria sem fundamento. É proselitismo demais e do mais baixo nível, com pouco respeito a um tema tão sério. Um deles é o de que a solução seria baixar drasticamente os impostos e deixar por conta de uma fantasiosa capacidade do mercado de organizar a economia e estabelecer progresso e justiça econômica por meio do esforço individual. Do outro lado temos a esquerda, com a receita fantástica de levar os brasileiros a um paraíso social, com o Estado como promotor do desenvolvimento e da justiça absoluta. Bem, eles tiveram mais de dez nos para experimentar essa mágica e da cartola deles só saíram ratos. Gordos, vermelhos, endinheirados, mas só ratos e nenhum coelho.
Bem, agora que fiquei contra pelos menos dois lados bem encrenqueiros, digo o que penso. Comparando com o que acontece no mundo — em países que dá para levar a sério em matéria de qualidade de vida e construção de uma civilização —, como números os tributos no Brasil não são o escândalo que aparentam. Em peso de tributos nosso país está próximo de países como Noruega (157 dias), Suécia (163) e Alemanha (139), lugares nos quais devíamos prestar mais atenção em suas lições de vida, deixando para trás essa mania de grudar-se às receitas de lugares que não querem dar certo de jeito nenhum. O problema com os nossos impostos está na sua aplicação, com a falta do retorno do Estado na manutenção do bem comum. O grave é o cidadão brasileiro ter de pagar impostos e ainda por cima arcar com custos de tudo o mais, como saúde, educação e segurança, para ficar em apenas três das tragédias que hoje em dia acabam literalmente com a vida do brasileiro, sem falar em todos os outros custos, diretos ou não, que resultam da falta geral de infraestrutura em todo o país. Para mim, não é preciso baixar imposto. Não há problema em pagar o pato, desde que este pato possa ser visto por aí, como acontece em países como Noruega, Dinamarca, Suécia e outros lugares em que o dinheiro público é aplicado para a qualidade da vida das pessoas.
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POR José Pires

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Refrescando a memória de Dilma

Os depoimentos do empreiteiro Marcelo Odebrecht, agora que ele assinou delação premiada na Lava jato, vão servir para refrescar a memória da presidente afastada Dilma Rousseff. Em entrevista à Folha de S. Paulo, na semana passada, quando foi questionada sobre encontros que manteve com Marcelo Odebrecht, ela disse o seguinte: “Eu não recebi nunca o Marcelo no [Palácio da] Alvorada. No Planalto, eu não me lembro”. Era mentira dela e logo uma verificação feita pelo jornalista Josias de Souza nos arquivos arquivos eletrônicos do Planalto mostrou que Dilma recebera o dono da Odebrecht pelo menos quatro vezes desde que virou presidente. Isso oficialmente, é claro. Duas dessas visitas do empreiteiro foram no Palácio da Alvorada, a casa dela. Se encontraram em 2014, ano de campanha para reeleição. No Palácio do Planalto o empreiteiro teve duas audiências com a presidente, ambas em 2013.
Dependendo do que Marcelo Odebrecht terá para dizer ao Ministério Público, a reeleição pode ser um grande problema de Dilma e provavelmente não será o único. E pela sua negação imediata sobre os encontros que teve com o empreiteiro, a impressão que ela passa é que tem medo do que vem por aí. Ora, por que Dilma tentou esconder que recebeu o presidente de uma das maiores empreiteiras do país, que inclusive presta serviço ao Governo Federal? Em teoria, não há nenhum problema num encontro desses. A não ser que a conversa entre os dois tenha se desenvolvido por outros lados que não a boa relação entre o Estado e um prestador de serviço. Por isso eu acho que essa delação premiada do Marcelo Odebrecht vem em boa hora, agora que Dilma anda tão esquecida quanto seu padrinho Lula. Ela pode descansar a cabeça que o Marcelo é capaz de lembrar de tudo de interessante que aconteceu entre os dois.
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POR José Pires

Os apuros de Lula

Já faz tempo que até virou piada aquele velho papo do ex-presidente Lula, que a cada escândalo repetia que não sabia de nada. É óbvio que ele sempre esteve por dentro do que acontecia, a menos que fosse um idiota. Lula sabia de tudo e os brasileiros não tinham dúvida disso. O que faltava eram as comprovações de sua participação nos esquemas, o que foi aparecendo nas delações, em áudios vazados ou liberados pela Justiça e nas demais etapas da investigação. O que veio a público até agora deve ser uma parcela pequena do que foi descoberto pelo Ministério Público, no entanto o que foi divulgado já demonstra que o chefão do PT não só estava a par de tudo como tinha um evidente poder no encaminhamento das negociatas.
Em seu depoimento ao Ministério Público, o ex-deputado Pedro Corrêa sustenta que Lula tinha participação direta desde o tempo do mensalão. "Lula tinha pleno conhecimento de que o mensalão não era 'caixa dois' de eleição, mas sim propina arrecadada junto aos órgãos governamentais para que os políticos mantivessem as suas bases eleitorais e continuassem a integrar a base aliada do governo", disse Corrêa. Isso só vem corroborar a opinião de muita gente que achava já na época que o chefão do PT devia ter sido denunciado no processo do STF. Com a propina do mensalão, Lula garantia o apoio no Congresso Nacional às matérias do interesse do governo. Na prática, o PT estava dando um golpe contra a democracia brasileira. O acordo de delação do ex-deputado aguarda a homologação do Supremo Tribunal Federal, o que será mais um problema sério para Lula, que já tem muito com o que se preocupar.
Uma das encrencas novas para ele foi a informação surgida nesta terça-feira de que Marcelo Odebrecht assinou acordo de delação premiada e já começou a prestar depoimento. Temos então a mega-sena da delação premiada. Sorte do Brasil e, por consequência, azar do Lula. O dono da Odebrecht pode trazer informações essenciais para consolidar o caminho até o chefão disso tudo. A prisão de Lula está próxima e isso com certeza é possível notar que ele sabe. É só ver o desespero dele.
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POR José Pires

sábado, 28 de maio de 2016

Lula, o poderoso chefão que virou piada


Nas conversas que vem sendo divulgadas vai caindo cada vez mais a respeitabilidade de Lula. E olha que ainda tem chão para furar neste poço da decadência. Mas nem é preciso cavoucar mais. Como diz o ex-presidente José Sarney em um dos áudios divulgados nos últimos dias, "o Lula acabou, o Lula, coitado, deve estar numa depressão". Quando ouço essas coisas, dá ainda mais vontade de rir do que Lula ainda consegue plantar na imprensa sobre seu retorno em 2018, que ele ainda parece pensar que mete medo. Nesse mesmo papo com o delator Sérgio Machado, Sarney comenta que soube que Lula tem chorado muito. Ele está com os olhos inchados", ele diz. E não faltam motivos para que Lula chore bastante. Sua imagem na história brasileira foi destruída. E para aumentar seu transtorno a tremenda derrocada elevará naturalmente Fernando Henrique Cardoso, o adversário com o qual ele mantém uma relação psicológica de ódio e uma inveja que não consegue esconder. Nem é preciso ocorrer coisas piores com Lula — o que virá, com certeza. Com o que aconteceu até aqui, no pós-ditadura só sobrou Fernando Henrique como ex-presidente que ainda merece respeito. Sem falar, é claro, em Itamar Franco, que ocupou o cargo numa condição muito especial.
Lula ficou com a imagem de um político do mais baixo nível, chefiando negociatas com o dinheiro público e fazendo política para ganhar presentes de donos de empreiteiras. E o mais chato é que até nisso falhou. Ninguém mais o respeita. E pelas conversas de seus comparsas vazadas na imprensa percebe-se que mesmo entre eles não dão valor para o chefão do PT. E quem diria que uns tempos atrás relacionava-se Lula ao "poderoso chefão", do filme de Coppola. Agora, nem como piada. Mesmo na relação entre malfeitores da política Lula não soube se fazer respeitar. É o velho problema da dificuldade dele para se instruir. Aquela dificuldade de encarar um livro, conforme confissão dele próprio, feita em tom de gozação a quem se empenha em aprender. No entanto, nem era preciso o esforço da leitura. Bastava ele ter prestado atenção ao Marlon Brando em "O poderoso chefão". É um filme com muitas lições sobre o tema. Talvez ele evitasse o rebaixamento lamentável a uma condição na qual não tem o respeito nem dos parceiros. Nas conversas divulgadas pela TV Globo, o senador Renan Calheiros tem com Sérgio Machado o seguinte diálogo:
"MACHADO - E o Lula, Renan, durante [inaudível] um tempo não fez. [...] Quando chegou no final do governo...
RENAN - Veio, caiu na real.
MACHADO - ...botou na real. Aí [inaudível] umas besteiras, como a Marisa diz, besteira. Ele tem 30 milhões em caixa. Como é que não comprou um apartamento, uma porra [inaudível]. Porra, umas merdas, um sítio merda, um apartamento merda.
RENAN - Apartamento bancário!
MACHADO - De bancário, deixa o cara decorar...
RENAN - Da Bancoop.
MACHADO - Duzentos metros quadrados, Renan. Quer dizer, foi uma cagada enorme, e aí ele se fodeu."
Isso é o que sobrou da imagem de Lula, com a destruição feita por ele mesmo do mito construído pela propaganda. O chefão sofre a chacota até de quem estava sob seu comando. Como eu disse, a situação é bem diferente daquela do outro chefão, o do filme protagonizado pelo genial Marlon Brando. Quanta coisa o petista perdeu de aprender com este filme, sendo uma delas o distanciamento do chefão de todas as ações que comandava. O "padrinho" não se rebaixava. Nada de "apartamento bancário", como disse Renan Calheiros. Mas agora é tarde para o Lula, que na sua derrocada não pode seguir sequer a lição de Don Corleone, num aperto que ele dá no ator Johnny Fontane, que fazia mimimi por ter perdido o papel num filme. É uma das grandes cenas. Ele dá uns tabefes em seu protegido e manda que ele seja homem e não chore. Mas pelo que o Sarney disse, o Lula já abriu o berreiro.
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POR José Pires

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Impunidade defasada

As conversas entre Sérgio Machado, Romero Jucá, José Sarney e Renan Calheiros são exatamente o que parece. É conversa de bandidos, no mesmo estilo dos áudios liberados pela Justiça em que o ex-presidente Lula fala no tom de chefe de quadrilha. Falando nisso, em delação premiada o ex-deputado Pedro Corrêa afirma que era mesmo Lula o chefe do esquema de roubos na Petrobras. Segundo ele, o chefão petista cuidava pessoalmente do esquema. A revista Veja desta semana publica matéria feita a partir do acesso aos 72 anexos da delação do ex-deputado. Num dos trechos, Corrêa fala da reação de Lula quando políticos do PP reclamaram contra o avanço do PMDB nos contratos da Diretoria de Abastecimento da Petrobras, comandada por Paulo Roberto Costa, onde se tirava muito dinheiro.
De acordo com o depoimento de Corrêa, Lula passou uma descompostura nos deputados que foram ao Palácio do Planalto reclamar. O então presidente da República disse que eles "estavam com as burras cheias de dinheiro" e que a diretoria era "muito grande" e tinha de "atender os outros aliados, pois o orçamento" era "muito grande" e a diretoria era "capaz de atender todo mundo". Lula também garantiu aos caciques pepistas que "a maior parte das comissões seria do PP, dono da indicação do Paulinho". Como eu disse, é conversa de bandido. Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney tocam suas carreiras há muitos anos do jeito que agora podemos ouvir nas gravações. Fazem isso desde o tempo em que Lula, na oposição, xingava todos de ladrões. Depois, no poder, Lula deixou pra lá as criticas que fazia à velha forma de fazer política e ainda chamou para o lado dele os velhos caciques.
Porém, eles não contavam com a reação de uma parte considerável de brasileiros mais conscientes, além do surgimento de um juiz decente como Sérgio Moro pegar um caso que parecia menor e descobrir a partir disso a maior rede de corrupção que já existiu na história deste país. Em todas as gravações destaca-se o medo que os corruptos têm da Operação Lava Jato. Foi em razão desse apavoramento que, numa das conversas vazadas, Sarney disse uma frase típica de corrupto acuado: "A ditadura da Justiça tá implantada, é a pior de todas". De ditadura, o ex-presidente entende bastante e até gostou muito da última que tivemos no país, mas no caso de agora é uma confusão dele. E claro que o problema é de ponto de vista. Se ele não estivesse situado no lado oposto da ética, veria que isso é só a Justiça funcionando. Ocorre que houve uma transformação que pegou de surpresa tipos como ele, inviabilizando métodos antigos de oligarquias manterem a impunidade. Uma frase do próprio Sarney nos áudios sintetiza bem essa diferença. Comentando sobre políticos que teriam pedido seus conselhos para se safar da encrenca, ele falou o seguinte: "Eu ontem disse a um deles que veio aqui. Eu disse: 'Olhe, esqueçam qualquer solução convencional. Esqueçam!'". O velho cacique tem toda a razão, mas para a sorte nossa ele demorou para notar a defasagem.
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POR José Pires

terça-feira, 24 de maio de 2016

A modéstia de Michel Temer

O presidente da República interino, Michel Temer, é modesto como poucos. Nessa terça-feira ele falou sobre a qualidade de reconhecer um erro. "As pessoas estão acostumadas a quem está no governo não poder voltar atrás, se errou tem que ter compromisso com o erro. Nós somos como JK, não temos compromisso com equívoco", ele disse, se referindo obviamente ao caso do Ministério da Cultura, recriado por ele depois de ter sido transformado numa secretaria do Ministério da Educação. O presidente está certo. O fechamento do Ministério da Cultura desagradou a muita gente, inclusive quem tem consciência do problema muito grave que é o aparelhamento da nossa cultura, hoje tomada pelo Brasil afora por esquerdistas que pregam um ativismo muito besta.É gente subvencionada e a serviço de um projeto de poder que perdeu totalmente o rumo, restando essa ligação com o Estado como mero meio de vida. Daí o desespero com a queda do PT. Não é um problema só do Ministério da Cultura. Criou-se em todo o país uma lamentável casta de burocratas da cultura em todos os níveis da administração pública, nas universidades, escolas e até em organismos da iniciativa privada.
É preciso acabar com esse aparelhamento, que vem destruindo a cultura brasileira. É grande o estrago feito por esses tataranetos de Jdanov, o teórico stalinista do regime comunista soviético. No entanto, politicamente não foi um bom começo o fechamento do Ministério da Cultura. Ainda bem que Temer percebeu logo o erro de de numa hora dessas dar uma bandeira de luta exatamente ao setor do petismo que está mais forte atualmente, por conta exatamente do financiamento estatal. E aconteceu até da sua decisão sido boa para sua imagem política. Depois de anos da cretinice e arrogância de Dilma Rousseff pode ser muito bom ter um presidente ponderado, que aceita críticas e revê decisões. Temer acabou sendo favorecido de tal jeito que não sei como é que não apareceu petista dizendo que ele planejou tudo, fechando o Ministério da Cultura só para poder depois voltar atrás.
Mas não foi sobre esta modéstia dele que falei. Foi em outro assunto que notei nele uma modéstia admirável. Para deixar claro que não foi por temor que voltou atrás, Temer lembrou que já enfrentou barras pesadas na Secretária da Segurança nos governos peemedebistas de Franco Montoro e Fleury Filho. No governo de Fleury Filho ele assumiu o cargo logo depois da violenta chacina, em outubro de 1992, na Casa de Detenção de São Paulo, o Carandiru. Morreram 111 presos. A tarefa realmente exigia coragem. Falando sobre esses tempos, Temer disse que está com a avaliação errada quem acha que ele "está muito frágil, coitadinho". Batendo na mesa, ele disse: " Conversa! Eu fui secretário da Segurança Pública duas vezes em São Paulo e tratava com bandidos". Realmente modesto, o presidente Temer. Nem falou da sua experiência muito mais arriscada na política, com a sua longa carreira no PMDB, onde teve que lidar com tipos muito piores que os do Carandiru. Vida arriscada, a desse cara muito modesto, como eu disse. Deixou de falar até do perigosíssimo período da aliança de 13 anos com o PT, partido que aliás até já teve criminosos de sua cúpula que acabaram na prisão.
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POR José Pires