segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ciro Gomes, um tipo que não dá mesmo pra esquecer

Quem acompanha o blog sabe que eu gosto do Ciro Gomes. A antiga revista Seleções Reader’s Digest tinha uma seção famosa de nome” Meu Tipo Inesquecível”. Ciro Gomes é o meu tipo inesquecível.

O ex-deputado cearense que virou paulista a mando do presidente Lula é macaco velho daqueles que desmente o ditado. Ele mete a mão na cumbuca. Transferir seu título eleitoral para São Paulo foi uma de suas burradas mais deliciosas: meteu a mão na cumbuca e agora, pelo menos neste ano, tem que mantê-la lá dentro acariciando a banana que não poderá ter jamais.

São Paulo é um problema para ele. Se quiser ir para a Mooca, tem que pegar táxi. Não sabe ir de metrô, de ônibus. Muito menos dirigindo seu próprio carro. Foi o que ele confessou em reportagem publicada neste domingo em O Estado de S. Paulo. Ele falava da sua candidatura ao governo paulista, que ele garante que não sairá. Vejam o que ele disse.

“Se eu topasse, seria para dizer, eventualmente: ‘Atenção paulistas, nasci em Pindamonhangaba, conheço a importância de São Paulo, mas vim para mobilizar a intelligentsia, trazer meu conhecimento de governante para quem acha que o que está aí é medíocre. Mas não vou dizer que sei onde está a Mooca. Se tiver de ir até lá, desculpe, só se for de táxi’."

Esperteza demais dá nisso. Ele pensa que tem o melhor conceito para uma candidatura ao governo de São Paulo e já deu munição para aos prováveis, bem prováveis futuros adversários. Porque no Ciro Gomes dá para confiar. Quando ele diz que não fará algo, bem, aí então ele pode fazer mesmo.

E se ele não sabe onde está a Mooca, aí o problema nem é eleitoral. Não é possível levar à sério um político que se pretende cosmopolita que não conheça pelo menos os bairros principais da capital paulista. Ou será que quando passa por São Paulo o deputado janta no próprio quarto de hotel? E se não conhece a Mooca, então Bauru, ou Presidente Prudente, Ribeirão Preto, ou mesmo Campinas, nenhuma dessas cidades ele deve conhecer. Batatais, nem pensar.

Gosto de Ciro Gomes porque ele reúne todos os defeitos de um político brasileiro. O homem é um símbolo até numa qualidade que todos gostam de ostentar: a de um homem moderno, aberto para o mundo e conhecedor das últimas filosofias políticas e também das penúltimas. Mesmo que não saíba ir até a Mooca. Mas nada que um táxi não resolva. E desse modo ainda dá para ir no banco de trás botando em dia a leitura, não é mesmo, ô meu?

Quanto ao perfil moderno, se Fernando Collor não tivesse existido, não precisaria ser inventado, pois Ciro Gomes sempre esteve aí.

Voltemos à cumbuca. Está dando problema. Só ele não sabia disso antes. E para o ex-cearense o problema extra é que ele está na terra de José Dirceu, ao menos no âmbito do PT, sem o qual em São Paulo nada pode dar certo para quem serve aos interesses de Lula.

Na mesma entrevista ao Estadão, Ciro Gomes bombardeou forte o companheiro José Dirceu. Lá vai, palavras dele: "Gosto dele, mas acho que tem uma cabeça política que precisa muitas vezes ser contrastada. Zé Dirceu tem o ego pouco regulado e de vez em quando navega na maionese".

Vejam esta outra fala: "Zé, chega. Muda de método que essa simulação de alter ego do Lula só serve para desinformar". Notem aqui que o tom usado é o mesmo do alerta do ex-deputado Roberto Jefferson, quando ele denunciou o mensalão, o esquema de suborno de parlamentares para garantir a maioria do governo no Congresso Nacional. Dirceu é réu no STF por causa disso> No inquérito da Procuradoria-Geral da República ele é o "chefe da quadrilha".

A briga é pela exclusividade dos carinhos de Lula. Para garantir os afagos, Ciro até insinua suspeitas sobre o modo de Dirceu ganhar dinheiro, o que, pelo que consta, o líder petista ganha de montão. Veja a porretada: "Neste momento, para recuperar o espaço perdido, [José Dirceu] simula para o planeta que é íntimo de Lula de novo. Com isso ganha dinheiro e, por outro lado, faz política. Ele não é consultor da República? E ganha quanto por isso?”.

Boa pergunta. E não é para gostar de um cara desses? A briga pública com José Dirceu já vem de antes. Na semana anterior, Ciro chamou o deputado cassado de golpista. Também no Estadão, ele afirmou que Dirceu havia tentado destruir Lula quando foi presidente do PT.

Fala Ciro: “Não vou explicar isso... Quando Lula foi acusado de tráfico de influência, o Zé Dirceu era presidente do PT e abriu inquérito contra Lula na comissão de ética do partido para apurar as relações dele com o compadre Roberto Teixeira. Ele quis acabar com o Lula lá atrás. O Zé Dirceu estava decidido a destruir o Lula, era um trabalho para liquidar o Lula.”

Aqui o deputado neopaulista cita as irregularidades denunciadas por Paulo de Tarso Venceslau, que foi secretário de Finanças da administração petista de São José dos Campos nos anos 90.

Segundo Venceslau, a roubalheira seria do conhecimento de Lula, que na época recebia salário de militante do PT, o único caso conhecido no Brasil de um líder político assalariado de partido. Segundo a denúncia, o notório compadre de Lula, Roberto Teixeira, participava das irregularidades. Foi aberta então uma investigação interna no partido e os petistas aproveitaram para inaugurar sua política de matar o mensageiro: quem acabou sendo expulso foi Venceslau. A prefeita era Ângela Guadagnin, que depois ficou conhecida como a dançarina do mensalão.

Para Ciro Gomes estar desencavando estes fatos históricos petistas, ele deve estar muito fulo da vida de ter se metido nesta. E quem vai acalmar o cearense que virou paulista? Corre, Lula, corre.
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POR José Pires

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Roubalheira

O Jornal Nacional, da Rede Globo, fez uma matéria sobre a violência em Maceió. Na capital alagoana os bandidos agem com tranquilidade. O noticiário mostra dois bandidos que em menos de cinco minutos roubam um bar, levando TV LCD, equipamento de som e 800 reais em dinheiro. Foi o segundo assalto ao bar em menos de seis meses, o que faz seu dono até pensar em fechar o negócio.

A matéria é muito bem feita, com aquela concisão (veja aqui)que só a Globo sabe dar ao jornalismo televisivo. Mas, no final, quando a gente pensa no contexto político de Alagoas e do Brasil, fica até parecendo programa de humor.

Os representantes nacionais mais conhecidos do estado são os senadores Renan Calheiros e Fernando Collor. Lideranças do tipo é que seriam responsáveis em conter a roubalheira em Alagoas. É como eu digo sempre, se não fizéssemos parte da piada, até que o Brasil seria engraçado.
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POR José Pires

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dando e recebendo

O escritor José Saramago relançará seu livro A Jangada de Pedra com a doação total da renda para o Haiti. Saramago disse: "Se chegássemos a 1 milhão de exemplares vendidos, seriam 15 milhões de euros de ajuda". Tudo bem, o Haiti precisa muito de ajuda, qualquer dinheiro vem bem no desesperador estado em que aquele país, sempre tão miserável, ficou depois do terremoto. Mas neste tipo de ajuda, com o uso da própria obra própria para amealhar entre os leitores os recursos da doação, Saramago deve ganhar bastante em promoção pessoal.

Numa tacada, acaba sendo falado no mundo todo, criando uma situação bastante favorável para ele e sua obra. É sempre bem mais do que poderia obter, mesmo que sua editora investisse bastante dinheiro em promoção. Não é diferente do que vários artistas milionários de Hollywood vêm fazendo. Tinha que ser cego para não ver a miséria do Haiti antes dos prédios desabarem sobre as cabeças dos haitianos. Mas a bondade internacional precisa sempre de um grande tema. E o terremoto está aí para isso.

Não posso afirmar que seja uma ação premeditada. Isso é até improvável, mesmo que exista motivo para que estranhemos que Saramago não tenha feito algo parecido para, digamos, o Sudão, ou o próprio Haiti em sua miséria antes da terra tremer.

Enfim, não deixa de ser um exercício da compaixão que acaba rendendo dividendos.
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POR José Pires

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Marquetagem disfarçada

Não é de hoje que o jornalista Elio Gaspari anda esquisito. Gaspari sempre pareceu independente, foi bastante crítico à vassalagem petista ao forjado mito de Lula, mas hoje mais que se aquietou: ainda não é petista de carteirinha, mas torce desavergonhadamente por um terceiro mandato petista.

Na sua última coluna, neste domingo no jornal O Globo, o jornalista faz crer que pensa que seu leitor é Eremildo, o Idiota, seu personagem que se esforça para cair em engodos políticos.

Vejam a nota pra lá de estranha que ele publica:

"O PT colecionou um acervo de filmes de propaganda usados pela campanha presidencial de Geraldo Alckmin mostrando que suas obras de drenagem dos rios de São Paulo protegeriam a cidade das enchentes.

Só no leito do Rio Tietê gastou-se R$ 1,1 bilhão. As obras serviram para muita coisa, mas a máquina do governo estadual anunciou que o risco de enchente na região cairia de 50% para 1%.

Quem com marquetagem feriu, com marquetagem será ferido."

Nem Eremildo, O Idiota, deixaria de desconfiar de algo assim. A fonte óbvia do texto de Gaspari é o PT. Aí instala-se um conflito de interesses que não dá para acreditar que um jornalista com tanta experiência cometa por descuido. Gaspari não é, como Eremildo, um idiota. Daí vem a suspeita de que age por má-fé quando espalha notícia que interessa ao partido de Lula.

E agindo desse modo, parece estar ajudando a marquetagem petista ferir o adversário. E quem acaba saindo com a credibilidade ferida é o próprio Gaspari.
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POR José Pires

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Os tucanos vão à luta

Certos tipos de espetáculos políticos são tão raros que é preciso registrar. Tucano bravo, reagindo à altura às baixarias de adversários é um desses eventos que merece até placa de bronze.

Ontem o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), divulgou uma dura nota colocando em seu devido lugar a ministra Dilma Rousseff, candidata escolhida por Lula e que usa a Casa Civil para fazer sua campanha à presidência da República.

Dilma havia firmado que se os tucanos ganharem a eleição vão extinguir o PAC. Parece mesmo golpe de capoeira "acima da cintura", como disse o chefe dela. Para extinguir o PAC, que é uma mera peça publicitária e que o governo Lula nem consegue executar, os tucanos teriam que fazer algo inédito: extinguir o próprio Orçamento Federal. O PAC é apenas a execução do orçamento, nada mais que isso.

A verdade é que os tucanos deviam estar fazendo político com este rigor desde o primeiro mandato de Lula. Mas interesses convergente levaram o partido a praticamente governar junto com Lula. Em muitos casos, deram até menos trabalho ao presidente inzoneiro que seu próprio partido.

Mas talvez não seja tarde para começar a tratar os petistas com rigor. A nota do PSDB é bem feita. Faz um histórico de Dilma Rousseff e suas mentiras. Situa bem o "currículo" da candidata de Lula, ressaltando seu traço mais expressivo: a mentira. Vale a pena transcrever na íntegra.


NOTA À IMPRENSA

Dilma Rousseff mente. Mentiu no passado sobre seu currículo e mente hoje sobre seus adversários. Usa a mentira como método. Aposta na desinformação do povo e abusa da boa fé do cidadão.

Mente sobre o PAC, mente sobre sua função. Não é gerente de um programa de governo e, sim, de uma embalagem publicitária que amarra no mesmo pacote obras municipais, estaduais, federais e privadas.

Mente ao somar todos os recursos investidos por todas essas instâncias e apresentá-los como se fossem resultado da ação do governo federal. Apropria-se do que não é seu e vangloria-se do que não faz.

Dissimulada, Dilma Rousseff assegurou à Dra. Ruth Cardoso que não tinha feito um dossiê sobre ela. Mentira! Um mês antes, em jantar com 30 empresários, informara que fazia, sim, um dossiê contra Ruth Cardoso.

Durante anos, mentiu sobre seu currículo. Apresentava-se como mestre e doutora pela Unicamp. Nunca foi nem uma coisa nem outra. Além de mentir, Dilma Rousseff omite. Esconde que, em 32 meses, apenas 10% das obras listadas no PAC foram concluídas - a maioria tocada por estados e municípios. Cerca de 62% dessa lista fantasiosa do PAC - 7.715 projetos- ainda não saíram do papel.

Outra característica de Dilma Rousseff é transferir responsabilidades. A culpa do desempenho medíocre é sempre dos outros: ora o bode expiatório da incompetência gerencial são as exigências ambientais, ora a fiscalização do Tribunal de Contas da União, ora o bagre da Amazônia, ora a perereca do Rio Grande do Sul.

Assume a obra alheia que dá certo e esconde sua autoria no que dá errado. Dilma Rousseff se escondeu durante 21 horas após o apagão. Quando falou, a ex-ministra de Minas e Energia, chefe do PAC, promovida a gerente do governo, não sabia o que dizer, além de culpar a chuva e de explicar que blecaute não é apagão.

Até hoje, Dilma Rousseff também se recusou a falar sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos, com todas as barbaridades incluídas nesse Decreto, que compromete a liberdade de imprensa, persegue as religiões, criminaliza quem é contra o aborto e liquida o direito de propriedade. Um programa do qual ela teve a responsabilidade final, na condição de ministra-chefe da Casa Civil.

Está claro, portanto, que mentir, omitir, esconder-se, dissimular e transferir responsabilidades são a base do discurso de Dilma Rousseff. Mas, ao contrário do que ela pensa, o Brasil não é um país de bobos.

Senador Sérgio Guerra
Presidente Nacional do PSDB
Brasília, 20 janeiro de 2010

Saindo da rotina


A tragédia do Haiti está gerando imagens de um impacto que não se viu até agora em nenhum outro desastre natural enfrentado por algum país nestes tempos de difusão rápida de imagens e informação.

A fragilidade do país levou a uma situação de sofrimento que parece ter criado uma desinibição de cinegrafistas, fotógrafos e editores para expor o que vem acontecendo por lá de uma maneira franca. O que está acontecendo com o Haiti pode vir a ser um divisor de águas quanto à forma da imprensa tratar este tipo de acontecimento.

Muitas imagens são chocantes. O sofrimento dessa gente é algo que foi pouco visto na história recente. E esta forma de tratar o assunto tem sido um ponto alto da imprensa, pois acaba revelando pecados que estão bem além do terremoto.

No desamparo dos haitianos há uma marca terrível de nações ricas e poderosas como os Estados Unidos e a França, que sugaram riquezas daquele país e instalaram ditaduras assassinas que acabaram impondo as trevas que resultaram neste desamparo total, quase o colapso de todo um povo.

Entretanto, em meio à imagens terríveis que saltam todos os dias para as telas dos computadores, surgem fatos como o ocorrido ontem, quando um jornalista largou o trabalho de documentar e acabou influindo diretamente na realidade, quando correu para ajudar um garoto que estava sendo ferido em um confronto de rua.

São cenas assim que dão um alento, estimulando a necessidade de todo mundo desempenhar um papel mais ativo para lutar contra tantos horrores tão próximos de nós. Seria muito bom ver os governantes imitarem o exemplo do jornalista e abandonar a rotina política para atuar de fato na solução dos problemas mundiais.

Para ver toda a sequência da cena, clique aqui.
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POR José Pires

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Agora vai

Frase de Dilma Rousseff, a candidata à presidência da República escolhida por Lula: "O presidente Lula é hoje uma das maiores lideranças mundiais, para não dizer a maior".

Esse tipo de coisa traz sempre à memória a filosofia simples mas muito sábia de Garrincha. No plano internacional é preciso combinar antes com os verdadeiros maiorais. Lula podia começar dando um chega pra lá em Barack Obama e assumindo o comando das operações no Haiti.
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POR José Pires

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Indo na fonte


Bom dia. Internet é excesso, como já foi repetido até demais. Tem tanta coisa à disposição na WEB que, hoje em dia, uma qualidade essencial é a de seleção. Sem a habilidade de distinguir com rapidez o que realmente interessa, a pessoa pode passar o dia todo na frente de um computador, encontrar muita coisa e acabar sem nada que preste.

Por mais que esta máquina tenha modernizado as relações pessoais e profissionais, continua em voga a velha regra: é importante saber antecipadamente o que queremos, para que nossa busca tenha um bom resultado.

No caso das artes gráficas esta máxima ainda é mais importante, já que estamos em um terreno visual muito rico, com possibilidades técnicas tão amplas que o vivente pode até se encrencar com as ferramentas da computação. Foi o que aconteceu bastante no início da internet, com sites repletos de efeitos, alguns até se lambuzando com criações que nada tem a ver com leitura, como imagens em animação, logotipos girando e... ai, ai, os malditos sites e blogs com som.

Agora as coisas estão se equilibrando. E o interessante é que a cara gráfica da internet volta ao ponto de onde nem deveria ter saído: a da página de papel bem organizada graficamente, com a diagramação ágil e criativa que o meio permite, porém sem abandonar o equilíbrio alcançado em anos de artes gráficas criadas em cartazes, revistas e jornais.

Na área da tipologia, a computação passou a permitir uma variedade de fontes praticamente interminável. Antes do computador era possível conhecer quase todas que existiam. Agora você pode passar a vida olhando fontes tipográficas que vai morrer sem ver todas. E o interessante é que, para fazer uma página bonita e eficiente, em alguns casos basta apenas uma fonte e suas variações de negrito e itálico.

O computador permite também muita interferência nos tipos existentes, como condensações, sombras, brilhos, as distorções e efeitos mais variados. Isso na mão de amadores acaba resultando em crimes inomináveis contra as artes gráficas. Quando o uso do computador estava em seu início, era uma mortandade. Hoje existe um pouco mais de equilíbrio, mas ainda tem muito assassino à solta.

Antes, ficava difícil até para bons profissionais das artes gráficas apresentar ao cliente uma arte simples, de boa apresentação visual, sem nenhum truque banal de cores, distorções ou brilhos, que é como deve ser uma boa peça gráfica. Embasbacados por efeitos de computação, alguns clientes exigiam malabarismos visuais.

A agilidade do computador permite muita coisa na área da tipologia. Vejam esta nova fonte que surgiu recentemente. Evidentemente sem os recursos atuais, a criação de uma letra exótica como essa exigiria dias de dedicação de toda uma equipe. Por isso, é provável que ninguém se dispusesse a investir tempo em algo de pouco uso e esquisito até para fazer algum logotipo exclusivo.

Para que serve uma fonte feita de creme dental? Para pouca coisa, quase nada, até porque se a criação de fontes tivesse parado antes da invenção do computador, não haveria nenhum problema. Tudo que precisamos para fazer uma boa página, seja impressa ou na tela de vídeo, já foi criado antes. Na verdade, uma fonte como essa
que usei para escrever meu nome lá em cima serve para pouca coisa além de servir de exemplo, como uma ilustração do que escrevi até agora.

Mas aí está ela no blog, como um fato curioso e ilustrativo dessa era de excessos que a computação e a internet permitem e incentivam. Ficou feio pra danar, o que fortalece o que expressei com palavras. É um bom exemplo da necessidade de não se perder nas inumeráveis possibilidades que este meio apresenta. Toda navegação exige um rumo, sem o qual a imensidão nos envolve e confunde. As curiosidades encontradas no caminho, como esta divertida fonte feita de creme dental, podem até ser colhidas e usadas enquanto a nau avança. Mas sempre com o cuidado que Ulisses já ensinava lá atrás, para não se perder em seu potencial de sereia.

É preciso manter o sentido do equilíbrio e da ordenação para não se afogar nesta imensidão de possibilidades. Era o que eu queria dizer, até antes de encontrar este site divertido onde uns malucos fizeram fontes não só com creme dental, mas também com ketchup, mel e clacê de bolo. Está aqui, ó.
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POR José Pires

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O milico de mentira e a comandante de verdade

É interessante comparar as fotos da secretária de Estado, Hillary Clinton, chegando ao Haiti no sábado passado e a do ministro da Defesa Nelson Jobim. Hillary Clinton estava vestida como sempre. Jobim desembarcou no país fantasiado de militar. Sim, fantasiado, pois como o ministro de Lula não é militar, nele uma vestimenta do tipo soa como fantasia.

Talvez até no nível de uma fantasia infantil, algo não resolvido nos sonhos da meninez, mas sempre uma mera fantasia.

De qualquer forma, andando de farda por aí o ministro revela simbolicamente o estilhaçamento de uma fantasia brasileira, esta sim muito cara a nossa democracia, a de que o comando sobre nossas Forças Armadas é civil.

Bem, nunca houve dúvida sobre o comando da secretária de Estado norte-americana, esteja ela vestida de tailleur ou qualquer outra roupa. Já o ministro Jobim, mesmo vestido dos pés à cabeça como milico, sempre pairam as dúvidas sobre o que ele comanda de verdade.

A realidade no Haiti já mostra que não é a farda que melhor identifica uma voz de comando. Quem manda por lá agora é Hillary Clinton.
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POR José Pires

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Nossos haitis

Lula pensa que é a Madonna da política internacional. Quer adotar o Haiti. O país mais pobre do Ocidente foi desgraçado pelo terremoto. Já não tinha infraestrutura alguma e agora é praticamente um território de terra arrasada. E vem o Lula usando a desgraça alheia para sua promoção pessoal.

Parece que o presidente inzoneiro acredita na propaganda de seu governo. Lula anda vendo os comerciais da Petrobrás, do Bradesco, de automóveis, enfim, está assistindo televisão demais, já que atualmente até as propagandas de empresas privadas apelam para um Brasil que parece o do "Ame-o ou deixe-o" da ditadura militar.

Se estivesse em contato de forma sincera com o Brasil real, ele saberia que o governo tem que cuidar antes dos filhos deste solo que não tem lá uma "mãe" tão gentil assim. Em volta de sua cobertura no ABC paulista já dá para ver os estragos brasileiros.

É preciso cuidar dos nossos próprios filhos desabrigados ao teto de qualquer direito e deixar de arrotar ares de grande potência. E nem precisa ir longe. As últimas chuvas no Rio de Janeiro já indicam o caminho a seguir. De passagem, poderia olhar também pela capital carioca, cuidando do direito de ir e vir da grande parcela da população que hoje está sob o poder de traficantes.

O petista pensa que está sendo bacana. Exerce tanto o papel marqueteiro de “paizão” dos miseráveis nativos que acha que pode agir desse modo no mundo todo. Alguém por favor explique para o Lula que aquele "o cara", dito pelo Obama era apenas uma brincadeira de bastidores. Bem, onde parece haver compaixão, na verdade está a soberba. Lula trata como crianças um povo que, na verdade, só é vítima de desgraças naturais e políticas.

Parece até brincadeira em um país como o nosso, com o peso econômico global que tem e sem cuidar de sua própria infraestrutura, ter a pretensão de influir de forma decisiva na infraestrutura de um país miserável como o Haiti. Mas é o que o governo Lula fala. Bem, um Brasil onde não pode mais nem chover vai lidar agora com terremoto...

O Haiti precisa se levantar, é claro. Mas não tutelado por este ou aquele país, mas por um esforço internacional. Falo em tese, é claro, pois tirando a visão marqueteira e oportunista de Lula, tem muitos outros países com necessidades próximas a do Haiti. Até o Quênia da família africana de Barack Obama vai mal na atualidade.

E o petista também está fazendo caridade com o chapéu alheio. Madonna adota seus filhos e leva para casa. Vai cuidar deles até o fim da vida. Mas Lula puxa para si o foco da mídia internacional agora e quem vai pegar encargo é o futuro governo. Ou vai levar seus haitianos para São Bernardo do Campo?

Porém, falando na desgraça, veja aqui a cobertura fotográfica feita pelo jornal Los Angeles Times. Já aviso que é bem triste, mas a qualidade de informação é impressionante.
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POR José Pires

Um país próximo do colapso

Lula podia pelo menos ter mais respeito com o sofrimento alheio. O Haiti, que nunca esteve sequer próximo da normalidade, agora está para entrar em colapso. Conta o jornal espanhol El País que mais de 300 mil pessoas estão sem casa em Porto Príncipe e que a ajuda humanitária como sempre é lenta demais. Segundo a Cruz Vermelha do Haiti morreram entre 45 mil e 50 mil pessoas.

Parece-me que o problema por lá é de uma dimensão muito acima da capacidade brasileira. O Brasil, não esqueçamos, não conseguiu organizar a ajuda nem aos desabrigados de Santa Catarina no ano passado. Grande parte das doações se perdeu ou foi desviada para gente que não precisava.

Também no site do El País pode-se ler que o desespero tomou conta da capital haitiana. Revoltados com a morosidade da ajuda humanitária internacional, os haitianos formam barricadas de cadáveres, restos humanos e pedras. Também para protestar, já estão usando cadáveres para impedir o trânsito em estradas.
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POR José Pires

Caindo fora antes da batalha começar

A candidata do PV à presidência da República não pode se queixar de falta de sorte. O PSOL já está ameaçando abandonar a sua candidatura.

Mas onde está a sorte? Ora, como o PSOL certamente iria fazer este tipo de ameaça no decorrer de toda a campanha de Marina, melhor que seja antes do início oficial e melhor ainda que a candidata tenha de antemão a chance se livrar de um apoio que pode atrapalhar bastante.

Para ameaçar a debandada antes mesmo de cerrar fileiras, o PSOL alega divergência com o acordo que está sendo feito no Rio de Janeiro entre o PV e o PSDB para garantir um palanque estadual ao tucano José Serra no estado e fortalecer a candidatura do deputado Fernando Gabeira (PV) ao governo.

Até o momento esta é a única tática inteligente feita pelo PV desde o lançamento oficioso da candidatura presidencial. Até por uma questão de estilo, o PSOL é contra.
E vai continuar nesta batida caso a direção nacional do PV não aproveite a deixa e se livre de vez do peso político que deve ser o PSOL nesta campanha presidencial.

O PSOL pensa que é grande coisa no aspecto ideológico, mas na verdade seu poder de atração é o mesmo de tantos partidos nanicos de aluguel. O tempo no horário eleitoral do rádio e da televisão. Mas os segundos que o partido pode dar à candidatura presidencial dos verdes na televisão não valem o tempão que se perderá com os temas menores que o PSOL deve trazer não só para o debate interno da candidatura, mas também para a opinião pública.

As pessoas se iludem com os quase 7% de Heloísa Helena na última eleição. Mas na minha opinião a desbocada líder do PSOL alcançou este índice levada pelo efeito Enéas. Até a roupa de Olívia Palito, que aliás ela adotou de forma permanente, faz parte do efeito estrambótico no eleitorado.

Como aliado, o PSOL traz para qualquer campanha temas políticos espinhentos. O partido também transforma qualquer trabalho conjunto num debate ideológico cotidiano que atinge sempre pontos de fervura e desagregam o tempo todo. O PSOL é fogo amigo constante. E é noite sem sono, dormir com o inimigo.

A presença do PSOL na candidatura de Marina desmancha a imagem cordata da candidata, afeta negativamente a aura de bom senso que, seja verdade ou não, elevou a credibilidade da ex-ministra de Lula.

Não é preciso elencar todos os elementos negativos do PSOL numa candidatura presidencial. Seus líderes são contra qualquer aproximação com a candidatura de José Serra. O deputado Chico Alencar disse, de forma bem simplista, que a relação de seu partido com tucanos é como “água e azeite”. Bem, a relação do PSOL é “água e azeite” até com a água e o azeite.

O partido não é do entendimento. É do atrito. É contrário a conversas com os tucanos agora e certamente vão ser um empecilho ao entendimento político com vários setores da sociedade civil no decorrer de toda a campanha.

Ameaçam sair da campanha por causa do acordo entre Gabeira e Serra no Rio, mas o que o PSOL trouxe nos últimos meses de reforço para a candidatura Marina? A última aparição de suas lideranças no plano nacional foi no julgamento do pedido de extradição de Cesare Batistti no Supremo Tribunal Federal. O deputado Alencar, que é “água e azeite” com os tucanos, apareceu em fotografia com as mãos grudadas com o terrorista italiano.

Este assunto interessa a algum candidato? Com o PSOL na chapa, Marina Silva terá que encarar a extradição de Batistti como questão programática. Ou então é água e azeite.
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POR José Pires

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Agora vai

Já no final da primeira década do século 21 os políticos brasileiros descobrem a geologia. A natureza, que é sábia, jogou o assunto literalmente na cabeça dos brasileiros. Que logo será esquecido, isto é certo. Até a próxima tragédia.
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POR José Pires

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Repeteco

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Esqueceram d'eu, uai

Aécio Neves postou em sua página do Twitter uma mensagem aos internautas que, segundo ele, o teriam ajuda “a defender uma idéia”. Isso mesmo, o discurso é este. A idéia, conforme sua fala, é a de “um país novo, de um projeto novo”. Pegou a mensagem? Pois é, o governador de Minas Gerais está fazendo rádio na internet. Deve ser uma sacada nova de algum marqueteiro mineiro.

Seria importante para os políticos brasileiros saber quem é o marqueteiro de Aécio Neves. E ficar longe desse gênio do marketing.

O governador ainda não foi avisado que internet não tem interrupção. Nada daquele período entre as eleições quando todo político desaparece. A linguagem tem exigências que desconfio serem fora do universo do marqueteiro do governador ou até do próprio, que parece ser do tipo que liga o computador apenas para "saber das últimas", mas vou passar adiante assim mesmo: aqui o fluxo é contínuo, sem aquele tempo marcado por selos de comemoração, os intermezzos inventados para intercalar a vida.

Vixi, fui longe, vamos voltar ao governador. Não dá para falar neste veículo como se fosse uma rádio do interior mineiro, que é o que Aécio Neves faz. E para piorar, na mensagem ele fala como se tivesse acontecido uma derrota, uma perda política que exigiria uma palavra de consolo.

Enfim, ele dá a impressão de que perdeu uma eleição que sequer aconteceu. Não chega a chorar, felizmente, até porque pela cara de quem acordou há pouco, dá para o internauta perceber que a noitada foi boa.

A mensagem revolucionária de Aécio Neves tem uma abertura com uma colagem de fotografias nas quais ele aparece com algumas personalidades, como Pelé e Itamar Franco. Aparece até com aquele cara que ele teve que fazer um esforço danado para eleger prefeito de Belo Horizonte e que não lembro o nome. Deve ser conhecido na capital mineira, nacionalmente não se sabe quem é. Tem também uma foto de Juscelino Kubitscheck, é claro. E até uma foto em que o governador está abraçado a uma moça. Não me perguntem quem é ela.

Falta alguém nesta abertura, não? Pois é, não tem o Tancredo Neves. Ah, é preciso mesmo saber o nome desse marqueteiro. Quem tiver paciência, veja aqui.
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POR José Pires

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Agradecimentos aos lados errados

Isto é Lula. O cara não para. Agora foi no lançamento do Programa Nacional de Direitos Humanos, na entrega do prêmio Direitos Humanos 2009. Referindo-se à Inês Etienne Romeu, que foi militante da Vanguarda Popular Revolucionária - grupo armado do qual Dilma Rousseff foi dirigente — o presidente inzoneiro soltou esta: “Minha querida Inês, eu só queria te dizer uma coisa: valeu a pena cada gesto que vocês fizeram. Cada choque que vocês tomaram, cada apertão que vocês tiveram, valeu a pena porque nós aprendemos”.

O mês tem sido quente verbalmente, até para um presidente como Lula que parece não ter comando sobre a própria língua. Esta já é a segunda grande bobagem do mês. Anteontem em um café da manhã com jornalistas, talvez como sempre esquecido de seu papel de presidente da República, ele soltou frases que desrespeitam o Supremo Tribunal Federal. Ele se referia à extradição do criminoso italiano Batistti, que a esquerda brasileira trata como herói na luta pela democracia na Itália, esquecendo-se, de forma oportunista como sempre, que ele cometia seus crimes numa Itália em plena democracia.

Numa retificação feita na última quarta-feira, o STF decidiu anular decisão anterior que concedia ao presidente da República o direito de decidir sobre a entrega de Batistti para cumprir pena por seus crimes na Itália. Agora Lula é obrigado a extraditar o italiano.

Sobre esta nova decisão, ele disse: “Não me importa o que o STF fez. Não dei palpite quando eles decidiram. Não falei nada...”, ele disse, para logo emendar, de bico: “...Agora, se a bola foi passada para mim, eu decido como vou chutar, se de três dedos, de trivela ou como a Marta fez no jogo de ontem".

Bem, é de se perguntar se havia apenas café para beber com os jornalistas. Primeiro, o presidente da República define o STF como “palpiteiro”. Pela sua fala, deve-se entender que os ministros passam seus dias dando palpites. E caberia ao presidente (e a qualquer outro cidadão, já que estamos numa democracia) aceitar ou não o palpite. Sobre a relação entre os Poderes, Lula tem também uma opinião original: esta relação se dá no mesmo nível de uma pelada de futebol.

Lula é renitente em suas bravatas. Ele terá que cumprir o que o STF determina. Se desrespeitar a lei, segue um caminho parecido com outro épico herói lulista, Manuel Zelaya, de Honduras. A única brecha legal manter Batistti por aqui é conceder-lhe o status de perseguido político. Mas aí seria confrontar o Estado italiano. E bravata, como o próprio Lula já externou como experiência pessoal, é apenas isso: bravata.

No caso de Inês Etienne Romeu, Lula trata a tortura como um fator didático. Haveria então um aprendizado naquelas pancadas. Bem, eu não acredito nisso. Nem palmada em criança resulta em aprendizado algum. A fala de Lula é um desrespeito aos que foram torturados no Brasil por motivos políticos e, mais ainda, afronta os brasileiros que sofrem torturas em seu governo como prisioneiros comuns. Pela lógica grotesca de Lula, os milhares de presos comuns que sofrem torturas nas prisões brasileiras estariam então tendo seu aprendizado.

A fala soa também como um agradecimento à ditadura militar. Ora, se aprendemos com a tortura, então foi para o nosso bem.

No embalo, veio outro equívoco, mas este é bem articulado e não é da lavra de Lula. Faz parte da estratégia para inserir a luta armada como um combate pela democracia no Brasil, o que é uma aberração: os grupos armados lutavam para instaurar ditaduras comunistas por aqui, regimes autoritários de variadas linhas ideológicas, mas todos como o mesmo sentido de destruição da democracia. Na verdade os programas revolucionários pretendiam derrubar os militares para instaurar suas próprias ditaduras, todas de alguma forma monitoradas do exterior por regimes comunistas de Cuba, da ex-União Soviética ou da China.

Lula falou o seguinte, ainda referindo-se ao grupo armado do qual fez parte também Dilma Rousseff: “E, na medida em que a gente aprende, a gente garante que não haverá mais retrocesso neste país e isso nós devemos a vocês que lutaram por nós”.

Não é que Lula seja apenas um mal-agradecido. Ele também não sabe a quem agradecer.

Bem, eu penso que o Brasil não deve nada a esta gente. Acho até que eles é que devem aos setores realmente democráticos da oposição o fato de não terem passado por situações piores. E até acredito que se eles fossem vitoriosos a situação seria bem pior do que a ditadura militar, que alguns anos depois entrou em um processo de abertura conduzido em parte por este mesmo setor democrático da oposição, liderado por políticos como Ulysses Guimarães, Severo Gomes, Marcos Freire e tantos outros, o pessoal que fez o antigo MDB, sem o qual, aí sim, não haveria democracia. Esses políticos, aliás, estiveram solidários com Lula até quando ele foi preso como sindicalista.

No entanto, o que Lula faz de forma constante é detratar o que representa essas pessoas que de fato lutavam pela democracia. Sei que ele não pode elogiá-los, pois prejudicaria a tentativa de reescrever a História com a caneta lulo-petista, mas então que ele pelo menos não agradeça às pessoas erradas.
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POR José Pires

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

As provas fotográficas da urucubaca de Lula


Colocamos nosso Departamento de Sapeamento na Internet (DSI) para agir e localizamos a prova fotográfica da ziquizira que a própria diretoria do Coritiba foi procurar para seu time. O encontro aconteceu numa das inúmeras viagens de Lula, quando ele deu uma rápida descida em Curitiba e nem foi ao saguão do aeroporto: recebeu os dirigentes numa sala vip do aeroporto Afonso Pena em 18 de setembro deste ano. Pela cara do presidente inzoneiro, ao contrário do que acontece hoje vôos comerciais, parece que os copos no Aerolula ainda tilintam com aquele líquido amarelo que serviam para a gente antes da crise.

Francamente, a diretoria do Coritiba é totalmente amadora no campo dos sortilégios, setor de extrema importância no futebol. Além do cara pegar na camisa do time, ainda deixaram ele assinar. Chega a ser impressionante que a única desgraça do Coritiba tenha sido sua queda para a segunda divisão.

Mas ainda é cedo. No encontro, os imprevidentes dirigentes fizeram o lançamento de medalhas comemorativas do centenário que podem ser compradas como souvenir pelos torcedores. É óbvio que com o time na segunda divisão deve ter muita medalhinha no estoque à espera de compradores. E cá entre nós, você compraria uma medalhinha energizada pelo Lula?
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POR José Pires

Ziquizira de Lula pega mais um

Com o acidente do cineasta Fábio Barreto, autor desta monstruosidade cinematográfica chamada “Lula, o Filho do Brasil”, começaram a surgir comentários em notas que escrevi há meses sobre a fama de pé-frio do presidente da República.

Na última terça-feira o amigo Newton Moratto já havia me avisado que o Lula recebera o time do Coritiba antes dos chamados "coxas-brancas" caírem para a segunda divisão do futebol brasileiro. Bem, aí já é um vaticínio bem conhecido. Quando Lula recebe algum time a torcida imediatamente comemora. A tocida adversária, é claro.

Realmente, em setembro deste ano o presidente inzoneiro participou do pré-lançamento das quatro medalhas de metal confeccionadas pela Casa da Moeda para comemorar o centenário do time. Imediatamente a torcida coxa ficou ressabiada. No futebol a fama de pé-frio de Lula é mais unanimidade que os dribles de Pelé. Nunca na história deste país houve um presidente que dá tanto azar aos que confraternizam com ele. Vide a lista inteira de seus colegas de poder, que caíram na lama um a um.

Como era previsível, em poucos meses as apreensões dos coxas mostraram-se certas. No ano de seu centenário o Coritiba foi rebaixado para a segunda divisão. Como já disse o deputado cassado José Dirceu, “o cara é fogo”.

Abaixo, republico a lista que comprova a fama do seca-pimenteira do Planalto. É bom destacar que atualmente o boxeador Popó é até suspeito de envolvimento em assassinato e tentativa de homicídio. Ele está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios de Salvador.

Quem souber de novidades sobre a urucubaca lulista, me envie que adicionarei à lista. E para reler as notas em que trato deste assunto, clique aqui e aqui.


A lista que prova que Lula dá azar

Aí está a lista que consagra Lula como o presidente da República mais pé-frio deste país. Não é pouco para uma terra na situação do Brasil. Neste caso, Lula ganha até de José Sarney. Já vi o texto publicado em diversos blogs e trechos dele em comentários de leitores e notícias referentes ao tema. Com dizam os antigos, está ipsis literis.


A presença do pé frio é identificada em todos os momentos. O presidente Lula faz parte deste seleto grupo. Vamos aos exemplos:

1 – Guga presenteou o presidente com uma raquete e abandonou a carreira vitoriosa;

2 – Popó presenteou o presidente com um par de luvas e não ganhou de mais ninguém;

3 – O mega-star Lenny Kravitz presenteou o presidente Lula com uma guitarra e os shows começaram a rarear;

4 – Bebeto de Freitas, presidente do Botafogo, presenteou Lula com uma camisa do clube e foi eliminado - pelo Figueirense - da Copa do Brasil;

5 – Lula recebeu uma bandeira do Corinthians e o time foi para a segundona;

6 – Roberto Carlos - antes de viajar para a Alemanha com a Seleção - presenteou Lula com a camisa número seis da seleção. O Brasil foi um fiasco e Roberto Carlos também;

7 – Antes de decidir a Libertadores de 2008, o presidente do Fluminense ofereceu a camisa tricolor ao presidente Lula. Deu LDU.

8 – A poderosa Seleção Masculina de Vôlei visitou o presidente e perdeu o título da Liga Mundial;

9 – Diego Hipólito - o brasileiro mais favorito em Pequim - recebeu a bênção de Lula e deu no que deu;

10 - Paulo Odone levou a camisa do Grêmio para Lula e foi ultrapassado pelo São Paulo, que estava onze pontos atrás;

11- Fernando Carvalho entregou para Lula a camisa de campeão Mundial Fifa e só agora tenta outro título.

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POR José Pires

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Cesar o que é de Cesar, menos panetone

Já elogiei aqui a capacidade de análise politica do ex-prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, demonstrada por ele no correio eletrônico enviado todos os dias pela internet. Maia escreve textos de uma qualidade ímpar, ainda mais considerando que nesta área do pensamento os políticos brasileiros só pensam mesmo é em poder. É difícil encontrar algum com pensamento de qualidade, mais raro ainda achar aquele que saiba expressar bem em forma de texto o que lhe vai pela cabeça.

Cesar Maia faz isso muito bem. Algumas de suas análises, nas quais ele insere inclusive conteúdo extraído do que lê na imprensa ou em livros, o que abre um amplo leque de pesquisas, são de ir para o arquivo.

Pois é exatamente por tamanha qualidade que ando decepcionado. Ele poderia trazer muita informação e conhecimento ao debate instalado com a descoberta da corrupção do governador José Roberto Arruda, seu companheiro do DEM até há pouco, partido que o elegeu e lhe deu sustentação nacional até o escândalo conhecido pelo símbolo do panetone.

O assunto rende. Partido político é igual panetone. A imagem do produto é bastante importante, a textura da massa, sua cor. Até mesmo a embalagem de papelão pesa bastante no conceito público. Mas o importante mesmo é na hora de engolir. O que vale é o conteúdo.

O partido de Maia mudou de PFL para DEM, deu uma modernizada no leiaute, mas não meteu a mão na massa para melhorar o conteúdo. Deu no escândalo do Arruda, que é o do panetone. Então aí está o DEM. Parece um Bauducco, mas na hora de mastigar tem aquele gosto e a textura de pão dormido. Ou é igual comer o pão que o demo amassou, pois a gente não é de perder trocadilho.

Fico aqui de butuca e abro todo dia o e-mail do Cesar Maia esperando uma boa análise sobre isso e nada. O fato está até ficando para trás. É decepcionante ver um analista tão arguto perdendo um assuntão deste.

Aécio Neves desiste e o lulo-petismo persiste

O efeito da renúncia do governador Aécio Neves à disputa da presidência da República pode ser bem avaliado dando uma passada de olhos na blogosfera petista. Os blogueiros chapas-brancas não gostaram nada do acontecimento. O lulo-petismo perdeu ser melhor adversário. Sabem que será duro enfrentar o governador José Serra e, caso ele seja eleito, as dificuldades seriam ainda maiores para uma composição política para preservar cargos e privilégios. Será duro viver sem o Estado dando guarida para variados negócios, inclusive “negócios” d’além mares.

Certas renúncias revelam uma altivez construtiva. Esta com certeza é uma delas. Alguém certamente já deve ter pensado "eis aí mais um serrista", pois está enganado. Meu negócio com o lulo-petismo é na base do que disse Winston Churchill sobre Hitler: se for para desmontar esta máquina nefasta, me alio até com o Diabo.

Tem blog até torcendo para que ele esteja agindo como o mineiro da anedota, que faz que está indo viajar para que pensem que ele não está indo viajar e ele possa, enfim, viajar de fato sem que ninguém saiba de antemão. Bem, quando os negócios particulares estão em risco a imaginação voa até no auto-engano que supostamente preserva de dores psicológicas.

Serra só ganha esta eleição fazendo crescer o sentimento contrário à continuidade. É o que parece estabelecido no eleitorado, que não quer ver ver mais do mesmo na presidência da República. Lula acreditava que poderia eleger até um poste. Escolheu um poste e o poste está lá, parado.

Parece que os eleitores querem mudar. E talvez vejam em Serra sinais de que, com ele, a hipótese de não desmontar a máquina sugadora implantada pelo lulo-petismo no Estado brasileiro é infinitamente menor do que seria com Aécio Neves.

O governador de Minas demonstra sempre que é um político de acordos, aberto inclusive à confrarias externas ao projeto tucano. Ou a qualquer projeto que tenha senso de equilíbrio, pois está até até com Ciro Gomes, o que em política é abraço de afogado. Quiça que ele tenha permanecido com índices menores na pesquisa exatamente por isso, por fazer concessões demais. É sempre uma esperança de que os brasileiros queiram desmontar esta patifaria que faz da política um instrumento de ajustes na preservação de privilégios o que faz mudar só o cabeça do sistema, que permanece exatamente o mesmo com seus PTs, PPs, PDTs, PTBs, PCdoBs dominados por caciques que só pensam em seus interesses.

Do episódio da renúncia de Aécio Neves ficam dois importantes textos, a carta dele e uma nota do governador José Serra, escrita como uma resposta ao gesto do colega e ao mesmo tempo um esclarecimento para a população sobre sua posição.

O governador de São Paulo é direto, bem claro como sempre. A nota é bem escrita e com certeza feita por ele. Serra irrita o lulo-petismo inclusive pela capacidade intelectual, por escrever bem. Epa, vão dizer novamente que sou "serrista". Mas não é nada disso. É apenas o reconhecimento de sua qualidade em uma área que me interessa muito.

Serra puxa da carta de Aécio Neves o alerta contra a semeadura da discórdia e do ressentimento, própria do lulo-petismo, uma corrente política perversa, instigadora e agressiva que faz o tempo todo o jogo de trabalhar com o drama econômico da nossa população, colocando brasileiros contra brasileiros e até “moradores de uma região contra moradores de outra região”, como lembra o governador paulista.

A carta de Aécio Neves parece ter sido feita a oito mãos, talvez mais, o que quase sempre dá mau resultado, independente da qualidade política ou intelectual do grupo. Juntem Hemingway, Faulkner e Saul Bellow para escreverem juntos e certamente teremos uma porcaria de texto.

Na carta do governador de Minas Gerais também soa mal, bem mal, um trecho que parece coisa da República Velha. É na finalização, quando ele escreve o seguinte: “E a Minas, sempre a Minas e aos mineiros, pela incomparável solidariedade”.

É interessante que os políticos mineiros não percebam que essa história de relacionarem seu estado como uma região política singular da Federação — com sua força unificada neste ou naquele projeto político — ao contrário do que eles parecem desejar acaba criando um efeito eleitoral ruim no resto do país.

Alguém pode imaginar um político paulista se referindo desse modo a seu estado? Nem pensar. Até porque o efeito eleitoral também não seria bom, pois brasileiro algum quer investir na idéia de que seu estado seja um simples vagão puxado por uma locomotiva. E isso me parece bom, pois por mais que nestes quase oito anos o projeto lulo-petista tenha se esforçado para esquartejar politicamente nosso território, no plano federal os brasileiros parecem seguir o rumo da unidade política. É algo para o grupo de Aécio neves pensar. Isso pode ser outro fator que impediu a candidatura avançar.

Mas temos aí dois documentos políticos importantes. Faço votos para que no conjunto eles sejam um reforço substancial para acabar com o domínio do lulo-petismo.

É claro que não poderíamos deixar de publicar em nosso Arquivo Implacável os dois documentos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Peixe fora d'água

Em uma situação normal a presença de um ministro-chefe da Casa Civil em Copenhague já seria estranha. Quando a ministra-chefe é candidata à presidência da República, como é o caso de Dilma Rousseff, a coisa já fica escandalosa. É óbvio que Dilma só passou por lá para aproveitar os holofotes da imprensa focados na conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas.

Seria de se perguntar ser ela não tem o que fazer no Brasil, já que as atribuições de um ministro-chefe da Casa Civil exigiriam sua presença por aqui. Ou precisam anexar mais um item à competência da Casa Civil, já tão mudada pelo lulo-petismo para se adequar às conveniências da candidatura de Dilma Rousseff.

E em Copenhague, a ministra nostra que o meio ambiente é algo tão estranho para ela quanto... vejamos um exemplo, ah sim: como a democracia. Ela não compreende, não gosta, não respeita.
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POR José Pires

domingo, 13 de dezembro de 2009

Verger e Vitalino: o encontro de dois mestres no Nordeste


Percorrendo o Nordeste brasileiro em 1947 o fotógrafo francê Pierre Verger encontrou Mestre Viltalino e suas esculturas de barro e fez belíssimas fotografias documentando o trabalho do artista. O centenário de Vitalino Pereira dos Santos está sendo comemorado este ano.

Nascido em 1902 em Paris, Verger foi também etnólogo e um grande estudioso da diáspora africana. Em viagem ao Brasil apaixonou-se pela Bahia, onde morou até sua morte em 1002. Como era um ótimo fotógrafo, ele deixou um material impressionante ao documentar os objetos de seus estudos. São imagens com a qualidade muito além do aspecto documental, como suas fotos da população negra brasileira. E estas de Mestre Vitalino.

O olhar avançado de Verger está não só em suas belas fotografias, mas também na capacidade de perceber naquele final da metade do século passado a importância de Mestre Vitalino, que vendia suas pequenas esculturas na feira ainda sem o reconhecimento histórico que teve depois como grande artista brasileiro. Um dos maiores deste nosso tempo, nascido do chão pobre de Pernambuco e revelador da importância da arte popular.

O Estadão publica as fotos de Pierre Verger que mostram Mestre Vitalino em atividade. Veja aqui.
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POR José Pires

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Lula e seu palavrório de sempre e de latrina

O trocadilho é irresistível: Lula andou falando merda novamente, desta vez literalmente. Foi no lugar apropriado, a São Luís do Maranhão de José Sarney. Também apropriadamente o senador estava ao se lado. O clã de Sarney domina o Maranhão há mais de quarenta anos, os últimos oito com uma boa ajuda de Lula. O resultado é que o Maranhão só não é o último estado brasileiro em todos os índices porque em desgraças o Piauí ainda é o primeiro.

Não que alguém grosseiro como o petista precise de algum estimulante para falar besteira, mas é óbvio que ele estava alterado. Não seguiu os conselhos de Brizola? Na época em que os dois fizeram campanha presidencial juntos, com o gaúcho de vice, ele aconselhou Lula a maneirar na pinga.

Ainda tem alguém que se espanta com as grosserias de Lula? Não acredito. O petista é um notório boca-suja. Lula está para a política brasileira como aquele tio chato e grosseiro que a família suporta porque não tem outra opção. Acho até que antes de ser importante políticamente Lula foi um desses chatos. O problema é que agora a história é bem diferente. Ao contrário do tio chato e do sindicalista chato que provavelmente ele foi, as besteiras de Lula têm feito muito mal para o país.

Onde anda aquele livro que dois jornalistas, um do jornal O Estado de S. Paulo, outro da Folha de S. Paulo, escreveram ainda no primeiro mandato? Leonencio Nossa e Eduardo Scolese publicaram “Viagens com o Presidente”, onde relataram a intimidade de Lula, contando inclusive sobre suas grosserias nos bastidores.

O livro não teve a repercussão merecida, aliás como acontece com muita coisa que revela de fato o caráter do presidente inzoneiro. Lula reclama da imprensa. Pois devia agradecer o que ela faz por ele, especialmente esquecendo suas barbaridades. Pois o petista não passou anos sendo tratado como vítima em situações em que comprovadamente agiu como um canalha, omo naquele episódio em que claramente escondia um de seus filhos?

Lula é vaidoso, tem ataques de fúria e trata mal os subordinados. Este Lula que o povo vê, cheio de delicadezas, este aí é para consumo popular.

Segundo o livro, Lula fala tanto palavrão que entre seus funcionários foi até criado um índice para aferir o grau de intimidade com o interlocutor. Quanto mais pesado o palavrão, maior a intimidade.

Até a reservada ministra Marina Silva, que ocupava a pasta do Meio Ambiente, teve que ouvir besteira. E da grossa. Numa audiência com a ministra Lula soltou essa: “Marina, essa coisa de meio ambiente é igual a um exame de próstata: não dá pra ficar virgem toda a vida. Uma hora eles vão ter que enfiar o dedo no c... da gente. Então, companheira, se é pra enfiar, é melhor que enfiem logo'”.

Sobra também para países estrangeiros. Lembram daquela história do “acordei invocado e liguei para o Bush”? É só conversa. Mas Lula xinga autoridades estrangeiras.

Na época do lançamento do livro as grosserias tiveram até uma certa repercussão internacional. “Há momentos em que tenho vontade mandar os Kirchner para a puta que os pariu”, foi o que falou de Nestor Kirchner e sua mulher, Cristina, hoje presidente da Argentina. Na época em que foram xingados, o marido era presidente e aliado de Lula.

O Chile também foi xingado. Lula tem uma birra histórica com aquele país, que sempre se manteve fora do círculo criado pelo Brasil juntamente com a Venezuela e a Bolívia. Não à toa, o Chile dispara em todos os índices positivos, deixando todos países sul-americanos, inclusive o Brasil, bem para trás.

“O Chile é uma merda”, disse Lula criticando a política externa do país vizinho. “Eles fazem acordo com os americanos. Querem que a gente se foda. Eles cagam em nós”.

Seria interessante saber o que ele anda falando de Barack Obama. Terá soltado muitos palavrões quando o presidente dos Estados Unidos ganhou o prêmio Nobel? Outra reação que deve ter sido bem alterada foi agora quando Obama deu um chega pra lá no Brasil na questão de Honduras.

Enfim, são muitos os fatos sobre a grosseria de Lula. Passaríamos tempo demais se fossemos relatar todos os conhecidos. E se não são defensáveis nem os de bastidores, aqueles que acontecem em público são bem piores. Isso que aconteceu em São Luís deveria ser tomado como um escândalo. Mas infelizmente os brasileiros deixam passar.

O problema é o efeito social de atitudes como esta de Lula. Se o presidente da República é um boca-suja desequilibrado, como fazer para estabelecer um mínimo de educação e respeito ao próximo em um país onde já se tira o revólver até para resolver problema de trânsito?

Esta é mais uma herança, das tantas malditas que o lulo-petismo está criando e que deixará para serem resolvidas. Nunca na história da República um político vulgarizou o cargo de presidente como Lula. Comparando com ele, há o risco de até Fernando Collor parecer um gentleman.

Selecionei alguns trechos do livro "Viagens com o Presidente". Veja aqui. Dá para ter uma idéia do troglodita que foi colocado na presidência. O preço que devemos pagar por tamanho equívoco político veremos logo. Mas infelzmente não deve ser pouco.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Panetone agregador

O escândalo de corrupção no governo do Distrito Federal já serviu para uma coisa: tirou o deputado e presidente do DEM, Rodrigo Maia, do pé do governador José Serra. O filho do ex-prefeito César Maia andava rigoroso com Serra, de quem exigia mais atitude, assumindo de vez a candidatura a presidente. Há dias que o deputado não palpita na eleição presidencial.

O governador de Brasília, José Roberto Arruda, acusado de ser chefe da quadrilha e flagrado recebendo um pacote de dinheiro, inseriu uma palavra nova ao vocabulário político. Deve servir pelo menos para tornar mais galhofeiro o Natal deste ano. Panetone já não é mais só para comer nesta época. Hoje é uma desculpa para escapar de flagrante.

E vem daí o silêncio de Maia no debate sobre a candidatura tucana. Engasgou com panetone. O governador José Roberto Arruda, chefe do esquema de Brasília, tem muito de "agregador", qualidade que Maia lamentava não ser mais forte em Serra.

Os vídeos da corrupção, que correm a internet e já batem recordes de exibição no Youtube mostram como é forte o fator de agregação no governo brasiliense. Até Arruda aparece embolsando um maço notas de cem reais.

O presidente do DEM é amigo de Arruda e fez indicações para seu governo. Ele também é amicíssimo do publicitário Paulo César Roxo Ramos, acusado de ser um dos operadores do esquema. Ramos é tão chegado de Maia que quando foi divulgado o primeiro vídeo sobre a corrupção correu para contar para ele.

Tão cedo Maia não terá tempo na agenda para discutir agenda de eleição presidencial. E com o caso de seu amigo Arruda, de Brasília, a palavra "agregador" até pode ser usada em eleições, mas existe sempre o risco do eleitor ligá-la à palavra panetone.
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POR José Pires

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Mais uma para Lula explicar

Nada do que vem do lulo-petismo me espanta. Costumo até dizer que, passado este período político que estamos vivendo, ainda há de surgir revelações das mais absurdas sobre esta gente que está no poder. O que dizer de um líder político sob tantas suspeitas, tantos casos inexplicados, enredos que não fecham?

As contradições de Lula vem de longe e fizeram estrago já na primeira eleição disputada por ele em 1984. Nunca tive nenhuma confiança nele, mas quem é que podia esperar aquela denúncia feita pela campanha de Fernando Collor, sobre a filha que ele mantinha escondida?

Na época muita gente acreditou que aquilo era golpe eleitoral, coisa de campanha suja, mas no final vimos que a história era mesmo verdadeira. Lula se fez de vítima, mas acabou confirmando. E mesmo a acusação de que ele teria pressionado para que a criança fosse abortada ficou entre a palavra dele e a da acusadora, Miriam Cordeiro.

Em quem acreditar? Bem, com o que veio depois, o desmanche impressionante que ele e seu partido fizeram de suas próprias histórias, em Lula é que não dá para crer.

A incoerência tem este preço alto. Como inexiste qualquer integridade em Lula, as histórias mais bizarras são recebidas com o maior desembaraço pela opinião pública. Dizem que Lula tem “teflon”, que nada cola nele. Tudo bem, pode até não afetá-lo eleitoralmente, mas no que importa realmente em política, que é a continuidade histórica que vai moldar sua imagem, ah, disso ele não escapa.

Bem, estou escrevendo essas coisas para encaixar este assunto bizarro que está rolando na internet desde cedo. É o artigo de Cesar Benjamin, publicado hoje pela Folha de S. Paulo, no qual ele conta que o presidente Lula disse a um grupo de pessoas que tentou estuprar um companheiro de cela quando esteve preso por 30 dias em 1980.

Benjamin foi fundador do PT e se desfiliou do partido em 1995. Desde então, vem sendo um dos críticos mais sérios do governo petista e dos embaralhamentos ideológicos da esquerda brasileira.

Poderia haver algum motivo para que ele inventasse uma história como essa? Aparentemente não há nenhum. Benjamin faz oposição ao governo, mas mesmo em suas críticas mais contundentes mostra sensatez e equilíbrio. Até neste texto, com uma revelação tão extraordinária, ele mantêm a mesma linha, contando os fatos sem nenhuma interferência com peso pejorativo.

Benjamin é um intelectual sério. É proprietário da Contraponto, editora de bons títulos e também muito bem editados. Ele próprio edita diretamente alguns deles e até traduz os textos, como foi o caso de uma ótima antologia do filósofo italiano Norberto Bobbio.

Isto é para situá-lo bem. Mostrar que ele não é mais um dos insensatos gerados pela esquerda brasileira. Até porque ele saiu do PT, me parece que é um homem muito são.

Algo que parece bem certo é que ele só pode estar bem cercado de provas, pois sem uma base concreta uma acusação como esta daria graves complicações jurídicas para o autor. Outro fato, muito preocupante para Lula e o PT, é que esta revelação bateu na opinião pública sem nenhuma reação de escândalo ou espanto e muito menos de repúdio.

O lulo-petismo, que solta foguete pra tudo, até deve comemorar o que parece ser mais uma efeito da "blindagem" na imagem de Lula. Mas eu acho cedo para isso. O que pode estar acontecendo é um efeito até da estratégia muito bem elaborada por eles, mas com um efeito nada bom para Lula e seu partido: quando se refere à eles, qualquer absurdo é recebido como se fosse algo normal e sempre na condição de uma possível verdade.

Mas vamos ao que César Benjamin escreveu na Folha:

"São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.

Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.

Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu."



O texto de Benjamin foi escrito a propósito do filme “Lula, o Filho do Brasil”, que narra a biografia de Lula até ele tornar-se presidente da República. Noutro trecho, Benjamin faz uma alusão ao tratamento que o filme dá ao período de prisão de Lula:

“A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o “menino do MEP”. Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.

O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.

Mesmo assim, não pretendo assistir a “O Filho do Brasil”, que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.”


Esta é a história. Só não é de cair o queixo porque vem de onde já apareceu a Miriam Cordeiro, como já citamos, o estranho assassinato de Celso Daniel, a morte de Toninho do PT, a Lubeca, os dólares na cueca, os aloprados, os compadres, a firma prodigiosa do herdeiro, o mensalão, e muitos outros fatos, tantos que até ocupariam espaço demais.
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POR José Pires

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Currículo de peso

Cada dia vão descobrindo mais grosserias do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, que virou presidente do Palmeiras com a promessa de elevar o nível no futebol brasileiro. Agora surgiu um vídeo de 17 de outubro deste ano onde ele aparece numa festa de aniversário de uma das torcidas organizadas do clube, onde faz um discurso e grita "vamos matar os bambis".

"Bambi" é como os palmeirenses chamam o São Paulo. Os dois times estavam em disputa pela liderança do Brasileirão.

É realmente um nível baixo, o que não é surpresa numa festa de torcida organizada. O problema dos torcedores é que eles entram para uma torcida organizada que os aceitam como sócios. Só pode dar em..., bem, deixa pra lá, mas o fato é que a coisa pode sempre piorar, principalmente se o presidente do clube pede a morte da torcida adversária.

Não deixa de ser uma irresponsabilidade, mas acho espantoso que haja surpresa do Belluzzo se comportar desse modo. O Brasil é mesmo um país muito estranho, distraído demais, sem memória, cego de tudo.

Pois vejam: Belluzzo foi secretário de Ciência e Tecnologia durante toda a gestão de Orestes Quércia no governo de São Paulo. Era um dos mais próximos do governador, lutou para que Quércia subisse ao poder e subiu com ele. Foi também secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda durante o governo de José Sarney. E apóia o governo Lula desde o primeiro mandato.

E estavam esperando boas maneiras de alguém que já fez tudo isso?
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POR José Pires

Triste trópico

Ainda sobre este filme terrível chamado "Lula, o Filho do Brasil", a coisa lembra aquele velha frase de Bertolt Brecht — que aliás é um herói literário da esquerda. Brecht dizia: "Infeliz do país que precisa de heróis".

E se um país precisa do Lula como herói, bota infelicidade nisso.
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POR José Pires