quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Kássio Marques: o STF ganha um ministro com um currículo à altura da instituição

A aprovação do nome de Kássio Marques pelo Senado seguiu à risca o velho modelo de uma instituição que finge que cumpre sua função, mas que todo  mundo sabe que aprova qualquer indicação que o Palácio do Planalto mandar. Vem até a tentação de dizer que é uma desmoralização política uma aprovação como esta de um sujeito que é um plagiador e que mente sobre seu currículo. Mas pensando melhor: quem é que leva a sério o Senado brasileiro? Até para caso de colega que enfia dinheiro no rabo é preciso que o STF tome uma decisão no lugar deles.

 

É interessante a coincidência entre o placar desta votação e a de outro indicado que também não tinha os predicados para ser ministro do STF. Aliás, não os tinha para ser juiz de lugar algum, já que havia sido reprovado em dois concursos da magistratura paulista. Estou falando de Dias Toffoli, que tem tudo para fazer uma boa parceria com Marques, até porque ambos subiram na vida graças ao PT.

 

A indicação de Toffoli foi confirmada em setembro de 2009 por 59 votos a favor, nove contrários e três abstenções. A votação em Marques foi de 57 votos a favor, 10 contra e uma abstenção. E olha que a composição atual do Senado tem uma ligeira diferença com a de 2009. 

 

O indicativo parece ser o de que no Senado só se deve contar com cerca de 10 parlamentares que decidam assuntos importantes tendo em vista ao menos a lógica. Bem, pelo menos fica-se sabendo um motivo essencial do Brasil ir se afundando em um atraso que está próximo do irremediável, que é a falência da classe dirigente. Na vida pública ou na iniciativa privada, em termos de capacidade e de visão, o cenário é de terra arrasada.

 

Nesta encenação do Senado o que há de se lamentar é que a autorização para Kássio Marques vestir aquela toga cafona não tenha tido também o voto de Chico Rodrigues, aquele nobre colega do dinheiro nas nádegas, impedido neste caso pela suspensão determinada pelo ministro Luís Roberto Barroso. A ausência não permitiu que a confirmação do novo juiz do Supremo se desse em sua completude. O senador que foi pego pela polícia com dinheiro escondido naquele lugar poderia ter dado o voto de honra nesta aprovação.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

 

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Kássio Marques durante a sabatina desta quarta-feira; Foto de Marcos Oliveira, Agência Senado


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

O senador bolsonarista do dinheiro nas nádegas e as tentativas no Senado de abafar o indefensável

É lamentável, ainda que não cause surpresa, as tentativas de senadores para defender o colega Chico Rodrigues, mas sem tocar no ponto que realmente importa, seu flagrante policial com dinheiro entre as nádegas, que só pode ser dinheiro público roubado ou então o nobre parlamentar encontrou uma forma excêntrica demais de substituir o uso da carteira.

Na tentativa de abafar o caso sem tocar na situação de um político pego pela polícia metendo a mão em verbas de emergência destinadas a uma pandemia que já matou mais de 150 mil brasileiros, colegas seus fazem críticas à decisão de Luís Roberto Barroso da suspensão do mandato, alegando que isso fere a independência entre os poderes. De uma suja ladroagem, vejam só, faz-se um debate institucional.

Ora, parece claro que a decisão do ministro Barroso foi tomada porque se fosse depender do Senado não haveria nenhuma providência para conter os arroubos de Rodrigues. A classe política fez do Congresso Nacional um clube exclusivo, com Câmara e Senado defendendo seus integrantes mesmo quando são descobertas escandalosas barbaridades. Nas duas casas domina o mais baixo espírito corporativista, além de uma grave falta de empenho quanto aos problemas nacionais.

Foi por causa dessa constante prevaricação dos parlamentares que o STF avançou sobre os sérios problemas dos esquemas políticos por detrás das chamadas “fake news”, com os grupos montados para atacar adversários, espalhar calúnias e difamações e acossar as pessoas nas redes sociais. Como foi descoberto depois da abertura do inquérito no STF, tem inclusive lavagem de dinheiro neste esquema nefasto, que até deu sossego aos internautas decentes depois de prisões e a derrubada de páginas que promoviam absurdos nas redes sociais.

É o que ocorre com a suspensão do senador Chico Rodrigues, que não teria sido contido e estaria na ativa até agora se dependesse do Senado. Já existe uma sórdida maquinação entre senadores para esta denúncia ter o andamento de tantas outras, que são roladas com vagareza até que caiam no esquecimento. Mas será difícil fazer esta manipulação, não só pela desmoralização da imagem de uma instituição que já não vai nada bem perante a opinião pública, mas porque este é um caso em que as provas abundam.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


A vitória do candidato de Evo Morales na Bolívia e a esquerda latinoamericana atolada em seu próprio atraso

Pelos números que chegam da Bolívia, a eleição presidencial traz de volta ao poder Evo Morales, com a vitória de Luis Arce, que é seu poste. A própria presidente interina Jeanine Añez reconheceu que o resultado deu a vitória a Morales e seu partido. Pesquisa de boca de urna mostra que Arce foi eleito com 54% dos votos, contra apenas 31,5% de seu principal adversário, Carlos Mesa.

O resultado não é uma surpresa, pois seria mesmo difícil vencer um partido com fortes raízes populares, o Movimento pelo Socialismo (MAS), que esteve 14 anos no governo desenvolvendo um projeto político sem nenhuma abertura para a alternância no poder. Morales foi mudando as regras, até tentar ao abuso de quarto mandato para ele próprio.

Arce participou de todo este processo, que sob o comando de Morales estendeu sobre a Bolívia um domínio político quase absoluto, usando a organização e experiência adquirida pelo mesmo MAS, em décadas de trabalho político, com intensa penetração entre os mais pobres, sabendo inclusive combinar com habilidade o discurso político com o imaginário ancestral daquele país, no mito das civilizações anteriores e na relação com a colonização espanhola.

O candidato vencedor é tido como responsável pela política econômica durante o período de governo de Morales.A campanha de Arce teve a coordenação de Luis Arce, que foi vice-presidente de Morales e é o principal ideólogo do grupo do ex-presidente.

Não acho que seja um exagero lamentar pela pobre Bolívia, não só pela vitória de um grupo com o velho espírito caudilhesco da América Latina, agora encarnado por um índio boliviano com colar de folhas de coca no pescoço. O próprio candidato que ficou em segundo lugar era um político da antiga. Não dava para ter muita esperança de algo melhor com Carlos Mesa. Não dá ter expectativas positivas com o grupo de Morales, assim como não caberia esperar algo efetivamente de qualidade com a vitória da oposição. Além disso, tudo indica que se infernizariam mutuamente seja quem fosse o ganhador.

Mesa já foi vice-presidente, tendo assumido o cargo quando o titular, que não importa o nome, renunciou em meio a graves distúrbios em todo o país. O próprio Mesa foi também obrigado a renunciar em 2005, depois de conflitos populares com 80 mortos, com protestos e greves, causados exatamente pelo mesmo MAS, comandado por Morales, que preparava o caminho para subir ao poder.

No final, a única vantagem até o momento é que o MAS foi obrigado render-se ao menos formalmente ao ritual da democracia, que é óbvio que também não é grande coisa na Bolívia. O plano era ter Morales em um quarto mandato consecutivo, porém ele foi obrigado a renunciar em novembro do ano passado. Vamos ver como é que fica, mas também é evidente que permanece com ele como um poder pessoal a ponte da relação com o eleitorado, especialmente os pobres, que nesta América Latina é quase todo mundo.

A esquerda da América Latina vai se animar, já que esse pessoal é ligado nessa mistura de populismo com toques socialistas. A direita vai dizer que são comunistas tomando o poder, uma teoria que me parece que Lênin não aceitaria, além de que o comunismo na Bolívia animaria nem o Fidel Castro dos velhos tempos, pois o país não tem dinheiro para mandar pra Cuba.

Mas o PT e seus puxadinhos tentarão lacrar, que é só isso que fazem hoje em dia. O índio Morales assenta bem na permanente ilusão histórica da esquerda sobre um idílico mundo pré-hispânico, de povos criadores de uma sofisticada civilização, violentada depois pela maldade vinda da Espanha.

Nesta história nunca se fala nas incessantes guerras de conquista, no domínio brutal de um povo sobre os outros, em sacrifícios humanos em rituais religiosos, fatos tratados como meros detalhes. A teoria histórica é sempre de uma cultura destruída por bárbaros vindos de caravelas de outro continente, mas, bem, como deveria dizer Eduardo Galeano antes de escrever livros que antes de morrer ele mesmo admitiu que eram equivocados, ninguém é perfeito.

O triste é que o modelo que surge com esta eleição reprisa a incorrigível dificuldade de setores progressistas e ainda mais da esquerda de estabelecer sistemas partidários modernos e eficientes, abertos à democracia e a organicidade política. Sempre tem um caudilho por detrás, seja no espírito ou na presença material, como pode-se ver na Argentina com os Kirchner ou no Brasil, com o mandonismo de Lula sobre seu partido e o destino da esquerda brasileira.

Eu disse “pobre Bolívia”, como um lamento sobre um povo empacado no atraso cultural e técnico de classes políticas e dirigentes que não entenderam nada lá atrás, no século vinte, obrigando todo um país a bater a cara na porta de entrada do Terceiro Milênio. Mas, ora, o mesmo lamento serve para nós todos aqui em nosso pobre Brasil, especialmente agora que praticamente toda a classe política — esquerda com direita, em união estável com os porcalhões do centrão — parece ter abraçado de vez o modelo da plutocracia, onde dinheiro enfiado nas nádegas é mera formalidade.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌



 

sábado, 17 de outubro de 2020

Fernando Haddad versus Robinho: a esquerda sempre mirando nos alvos mais fáceis nas suas lacrações

A esquerda brasileira gosta de temas que facilitem seu espírito lacrador, no embalo regozijante que faz de uma condenação um autoelogio, na linha do “olha como eu sou superbacana” me colocando contra isso. Pelo jeito, o alvo agora é o jogador Robinho, por causa da condenação por estupro na Itália. O caso é asqueroso. Estupraram em grupo uma mulher completamente bêbada.

Só por estar em uma situação como esta e não intervir em defesa da vítima, o jogador já teria demonstrado a péssima qualidade de seu caráter. Mas tem mais: ele admite que levou a vítima do estupro coletivo a praticar sexo oral nele. Mas para Robinho “isso não significa transar”. Esta confissão está em um áudio que vazou e piorou a situação do jogador junto à opinião pública.

Em um trecho da conversa entre cafajestes, um músico que tocava na boate na noite do estupro avisa Robinho sobre a investigação. A resposta do jogador serve como prova incriminadora: “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”. Sua condenação em primeira instância é de nove anos de cadeia. Ao contrário do que acontece só aqui, na Itália o condenado vai preso na segunda instância. Este parece ser o destino mais provável de Robinho.

Como eu disse, o caso de Robinho é fácil para lacradores da esquerda, até porque toca em um eleitorado importante, o do voto feminino. Até Manuela D’Ávila deu seu recado de gente do bem nas redes sociais, entrando na onda da incriminação do jogador, ela que já se recusou a condenar até o ditador comunista Stálin, que teve a responsabilidade direta pela morte de milhões de pessoas durante seu governo na antiga União Soviética, muitas vítimas inclusive caçadas em outros países — claro que a conta macabra inclui estupros de mulheres dissidentes.

O petista Fernando Haddad é outro que tentou tirar uma casquinha lacradora, mas quebrou a cara porque tentou fazer um jogo de palavras muito idiota e trombou com a militância racialista, essa parcela intolerante de uma esquerda mal-humorada e ignorante que tenta aparelhar também a língua portuguesa.

Procurando pegar carona em um vídeo de Casagrande que está bombando na internet, ele tentou fazer graça com uma associação entre o nome do jogador e a “casa grande” das fazendas da época da escravidão. Então passou a ser tachado de racista. Haddad se acovardou e excluiu a mensagem, mas nada desaparece na internet. Veja na imagem.

Haddad é um dos grandes responsáveis por este clima opressivo que acossa qualquer um que pense com liberdade no Brasil. Sempre tem alguém trazendo picuinhas idiotas que fogem ao tema debatido e implicam até com determinadas palavras da língua portuguesa, desqualificando quem não aceita determinadas posições de esquerda ou medidas que embora até pareçam justas servem na verdade para beneficiar grupelhos, prejudicando a igualdade de direitos e de oportunidade.

Haddad levou cacetadas dos setores patrulheiros que estimulou como ministro da Educação e prefeito de São Paulo. Por ironia do tempo, agora ele está preso no próprio universo intolerante de que foi um dos criadores, sofrendo ataques que pensava que atingiriam apenas os adversários. E que ele se dê por feliz por seu plano não ter dado certo por completo, pois em países onde isso aconteceu, muitos mestres do autoritarismo como ele acabaram sendo mortos ou passaram a vida aprisionados em gulags comunistas.

Este sujeito que não conseguiu obter apoio eleitoral em um segundo turno nem disputando com um candidato asqueroso como Jair Bolsonaro condena com facilidade um jogador envolvido em um estupro, tentando lacrar com um jogo de palavras que é uma bobajada, mas em entrevista num recente Roda Viva, ao ser perguntado se condenaria as atitudes do ditador Nicolás Maduro, da Venezuela, onde francos-atiradores governistas matam nas ruas manifestantes pacíficos, ele preferiu falar mal da oposição venezuelana. Claro que além de atirar no povo, as milícias de Maduro não deixaram de estuprar mulheres da oposição.

E tem outro ponto importante para apontar nesta hipocrisia dessa esquerda que gosta de lacrações fáceis. Durante sua campanha para presidente da República, Haddad viajava regularmente à Curitiba, para receber ordens de um presidiário famoso, o ex-presidente Lula, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro já na segunda instância e respondendo a outros processos. Na Itália, Lula seria mantido no xilindró, mas ainda hoje, ao contrário do que fazem com Robinho, essa esquerda exalta o chefão do PT. E vejam que a condenação do jogador ainda é de primeira instância.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Charlie Hebdo: um professor morre pela liberdade na França

Um professor foi morto nesta sexta-feira na França em um atentado terrorista islâmico. O homem que cometeu o crime foi morto por policiais. A vítima foi decapitada, perto do colégio onde lecionava. O professor de história foi assassinado por mostrar durante a aula os desenhos que satirizam Maomé e fazem críticas ao extremismo religioso, publicados pelo Charlie Hebdo, o semanário francês que teve sua redação metralhada por terroristas islâmicos em janeiro de 2015, com 12 pessoas mortas e cinco feridas gravemente. Na época, os três terroristas foram abatidos pelas forças de segurança.

No atentado ao Charlie Hebdo morreram dois cartunistas mais antigos que fundaram o jornal, Cabu e Wolinski, desenhistas geniais, respeitados no mundo inteiro. Da nova geração foram metralhados e mortos Charb, editor da publicação, e Tignous, que foi um dos grandes cartunistas da atualidade, humorista genial e desenhista habilidosíssimo de cartum. Dois policiais também foram assassinados pelos extremistas religiosos.

Como o atentado foi durante uma reunião de pauta, os terroristas islâmicos acabaram com o corpo editorial do semanário, porém o Charlie Hebdo não se rendeu, nem a França. O jornal é publicado até hoje, mantendo o mesmo espírito satírico de conteúdo crítico muito forte e explícito nas imagens, que é uma das marcas do humor francês, muito próprio de um país que teve uma história com o vigor da França, onde cabeças já rolaram literalmente por causa de filosofia e política e que chegou até a ser ocupado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Novos desenhistas apareceram no Charlie Hebdo, tem gente nova escrevendo no jornal. É um pessoal de coragem e precisamos de gente assim hoje em dia, senão esses criminosos que usam a religião para fazer da nossa vida aqui na Terra um inferno acabam vencendo. As críticas do Charlie Hebdo prosseguem no mesmo tom, cabendo aqui lembrar que usam com os cristãos a mesma acidez crítica dirigida aos islâmicos.

No mês passado, o jornal publicou uma capa com os cartuns que causaram o ódio dos terroristas islâmicos. A capa traz doze dos desenhos que se tornaram históricos na luta contra o obscurantismo religioso, tendo com destaque um ótimo cartum de Cabu. Veja todo este material na imagem.

Ainda tem pouca informação sobre o ataque terrorista contra o professor de história, que por sinal ocorre duas semanas depois de duas pessoas terem sido esfaqueadas e feridas gravemente perto da antiga redação do Charlie Hebdo. Nesses dias também estão sendo julgadas 14 pessoas que forneceram armas aos terroristas que cometeram os ataques ao jornal e em um supermercado kosher dois dias depois.

O presidente da França, Emmanuel Macron, em visita ao local do crime, definiu com perfeição o atentado de hoje. "Um de nossos compatriotas foi assassinado hoje porque ele ensinava seus alunos sobre liberdade de expressão, liberdade de crer ou de não crer", ele disse.

A França reage aos criminosos a serviço do que há de pior numa religião e também age politicamente e culturalmente para afastar a ameaça do extremismo e a intromissão dos islâmicos na vida francesa. As mulheres vêm sendo uma força essencial nesta mobilização que é bastante forte hoje em dia, mesmo porque são as mulheres que mais sofrem quando o islamismo adquire poder sobre uma sociedade.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Triste fim do PT na cidade em que o partido do Lula nasceu

O PT pressiona Jilmar Tatto, seu candidato à prefeitura de São Paulo que já foi abandonado por personalidades de esquerda ligadas ao partido e lideranças petistas. Segundo a Folha de S. Paulo, Lula e Gilberto Carvalho admitem a possibilidade de retirar a candidatura de Tatto em favor de Guilherme Boulos. O jornal afirma que o PT já impôs prazo até outubro para que o candidato petista atinja dois dígitos nas pesquisas, uma posição que com este clima fica ainda mais difícil de alcançar.

Esta condição precária do PT em São Paulo não é muito diferente do que acontece em outras capitais e nas grandes cidades do país. Aquele partido vigoroso de outrora esfarelou-se por completo em todo o território nacional, como pode-se observar por esta pindaíba em que ele ficou na cidade em que foi criado e onde Lula firmou a base de sua carreira política e do crescimento partidário que levou o partido a ocupar por quatro vezes a Presidência da República.

É injusto colocar em Jilmar Tatto a culpa exclusiva por uma candidatura que não decola, como muitos petistas já estão fazendo. A falência petista vem das dificuldades criadas pela desonestidade de Lula e de muitos de seus companheiros, que fizeram o PT virar um partido que ninguém sabe mais o que representa de fato. Em São Paulo, na eleição passada, já havia acontecido o desastre eleitoral, com a derrota na tentativa de reeleição de Fernando Haddad para prefeito. Ele perdeu no primeiro turno.

Depois, o próprio Haddad como marionete política de Lula foi para o segundo turno na eleição presidencial, quando ficou demonstrado o absoluto isolamento do PT, que não conseguiu formar alianças nem contra Jair Bolsonaro, o candidato mais horroroso que já apareceu em eleições presidenciais neste país. A origem deste desastre tem um nome: Lula.

O líder corrupto da esquerda só não está preso porque foi derrubada no STF a prisão em segunda instância, a partir de acordos obscuros que são mantidos até hoje e que coloca os petistas ao lado das forças mais nefastas da política brasileira, juntando-se a salafrários que também temem ir para a cadeia e que jogam pesado para que o país volte aos tempos da impunidade para quem tem poder político e pode pagar advogados de escritórios milionários. Vale tudo para livrar Lula, mesmo ficar ao lado de Bolsonaro contra a Lava Jato. O PT abriu mão de qualquer diferencial em matéria de partido, alinhando-se com figuras que se lixam para o interesse público.

Até mesmo o crime organizado parece fazer parte desse plano para bandido não ter medo de ser feliz. E criminosos já colhem benefícios do sistema criado para fazer a justiça andar para trás. A imagem do PT ficou abalada com a obrigação de colar-se aos problemas de Lula e houve também um pesado desgaste por causa da roubalheira instalada nos governos petistas, além de que pesam a incompetência demonstrada no governo federal e a traição às bandeiras históricas que fizeram o partido crescer. O fiasco político em São Paulo é um retrato do que os petistas enfrentarão sucessivamente, a cada eleição.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


Os bolsonaristas e a tarefa cada vez mais difícil de passar pano

Todos sabem que hoje em dia não está fácil pra ninguém, mas com certeza poucos enfrentam dificuldades como as que caem todos os dias sobre os seguidores de Jair Bolsonaro, os remanescentes desse fenômeno nascido nas eleições para presidente, que foi se desmontando gradativamente desde que esse sujeito sem noção ocupou o poder. Vejam só: Bolsonaro e os bolsonaristas de raiz afirmavam que iriam desmontar tudo que significava a chamada “velha política” e o que acabaram fazendo foi uma destruição daquilo que poderia constituir a base de um projeto político deles próprios.

As agruras pessoais do que sobrou da militância bolsonarista foram se acumulando com a montoeira de trapalhadas e traições feitas por Bolsonaro, com o abandono de importantes bandeiras de campanha. Não sobrou nem a Lava Jato, depois que forçado pela necessidade de blindar os filhos e ele próprio para não acabarem na cadeia, o presidente se aliou até a Lula e seu partido, para acabar com o rigor que promotores e a Polícia Federal trouxeram contra a corrupção no Brasil.

Eu disse que não está fácil para bolsonaristas. Pois nesta semana apareceu mais uma complicação para uma militância necessitada de tantas justificativas teóricas para seguir passando pano para os abusos de Bolsonaro e seu governo tresloucado. Rachadinhas, depósitos de Queiroz na conta de Michelle, juiz de garantias, mudança do Coaf, restrições à preventiva e delação, inimigo da Lava Jato na PGR, fundão de R$ 2 BI, acordão com Toffoli, boicote da CPI da Lava Toga, interferência na PF, Kassio no STF — haja pano, companheiros direitistas.

E agora ainda aparece este episódio grotesco do senador bolsonarista Chico Rodrigues, flagrado com dinheiro nas nádegas durante busca e apreensão feita pela Polícia Federal em investigação feita para apurar desvio de verba de emendas para o combate à pandemia de coronavírus. O sujeito é vice-líder do governo no Senado. E o dinheiro metido naquele lugar, cabe ressaltar, é de verbas de emergência retiradas de uma economia quebrada, para tratar de uma doença que já matou mais de 150 mil brasileiros.

Chico Rodrigues é bem próximo da família de Bolsonaro, tendo até dado um cargo muito bem pago em seu gabinete para Léo Índio, que por sua vez é também chegadíssimo do primo Carluxo. O senador até já recebeu homenagem do presidente. Com essa intimidade, ele não é alguém para descartar com facilidade, mas também fica difícil justificar um companheiro de luta que é pego pela polícia com dinheiro na bunda.

Se for para bolsonarista passar pano mais uma vez será necessário encontrar um discurso convincente que justifique um negócio desses, que sem dúvida é muito pior do que dólares em cueca de petista, aquele caso do qual até hoje os bolsonaristas gostam de fazer gozação.

Acredito que nem Olavo de Carvalho pode ajudar para que se encontre um ponto de apoio filosófico que permita sair dessa enrascada que causa até vergonha alheia. Líder bolsonarista com dinheiro no rabo creio que é muito até para a escatologia estilística do mentor dessa maçaroca que é a direita brasileira. Colocar a culpa nos comunistas chineses não vai colar. Das reuniões do Foro de São Paulo com certeza bunca saiu nenhum documento sobre esse tipo de infiltração. O bolsonarismo encontrou um tema que dificulta qualquer exercício da ciência política, da filosofia e mesmo da astrologia.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

 

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Imagem- Bolsonaro e o vice-líder do governo que escondeu dinheiro na nádegas; Bolsonaro já disse ter “quase uma união estável” com Chico Rodrigues


quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Desvio de recursos públicos para os fundos de senador bolsonarista

A Polícia Federal fez nesta quarta-feira em Roraima uma operação contra um esquema de desvio de recursos públicos destinados à pandemia da Covid-19. A PF esteve de manhã em Boa Vista, na casa de um dos vice-líderes do governo Bolsonaro no Senado, o senador Chico Rodrigues (DEM). Segundo a PF, foram desviados R$ 20 milhões em emendas parlamentares.

Chico Rodrigues é um político que defende com firmeza o governo e tem laços estreitos com a família Bolsonaro.  O senador emprega em seu gabinete Léo Índio,  com salário de mais de 20 mil reais. Ele é primo dos filhos do presidente e muito próximo de Carlos Bolsonaro, o Carluxo.

A operação policial teve um lance inusitado durante as buscas: agentes da Polícia Federal encontraram dinheiro escondido nas nádegas do senador Chico Rodrigues. A informação é da revista Crusoé. Ao todo, a PF apreendeu R$ 30 mil na casa do parlamentar, claro que fazendo parte o dinheiro escondido no nobre traseiro de Sua Excelência.

Creio que isso é coisa que não se vê desde a época de Vespasiano, imperador romano do início da era cristã. E o que Vespasiano tem a ver com isso? O imperador ficou famoso por causa de uma frase, repetida até hoje: “Dinheiro não tem cheiro”. Vespasiano disse isso para justificar a cobrança de tributos aos usuários de banheiros públicos.

A expressão é inclusive um princípio de direito tributário, que afirma que o tributo deve incidir não só sobre as atividades lícitas como também naquelas consideradas ilícitas ou imorais.

Mas não é por isso que lembrei da frase “Dinheiro não tem cheiro” quando li a notícia sobre o senador escondendo dinheiro nas nádegas. É que imaginei que ao criar uma frase tão definidora, Vespasiano jamais poderia ter imaginado que ela abrangeria até um negócio maluco como este, de um político bolsonarista escondendo dinheiro no rabo.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

 

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Imagem- Na foto patriótica, Léo Índio, o amigão de Carluxo com cargo nomeado bem pago no Senado, junto com o chefe Chico Rodrigues


Celso Russomano, agora combatendo a Covid-19

Celso Russomano andou dizendo que moradores de rua e da Cracolândia podem ser mais resistentes à Covid-19 por não tomarem banho. A tese é estúpida, mas muito útil, pois expressa claramente o nível de inteligência desse eterno candidato a prefeito de São Paulo — felizmente sempre derrotado — na análise dos problemas da cidade.

Bem, é apenas uma variação da tese daquele outro sujeito sem noção que para azar do Brasil foi eleito presidente, que meses atrás disse que "brasileiro pula no esgoto e não acontece nada com sua saúde". Por sinal, Russomano agora está com ele, depois de ter estado ao lado de Lula e Dilma Rousseff.

É um monte de imprestáveis favorecidos pela atual esculhambação política. Parece até ironia que se vote nesses vigaristas para cuidarem de problemas causados por eles mesmos.

Mas ainda sobre o paralelo entre a Covid-19 e a sujeira, uma coincidência que pode ser observada é a enorme quantidade de fichas-sujas que parecem protegidos contra essa doença.

Já que se interessou pelo assunto, Russomano devia ter notado que proporcionalmente é até pequeno o percentual de políticos ficha-suja contaminados pela Covid-19.

Os salafrários se safam. Os coisas ruins estão sempre por aí soltando perdigotos, de banho tomado e esbanjando saúde, com as besteiras que repetem a cada eleição.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


Depois do ministro Marco Aurélio Mello mandar soltar André do Rap, o STF decide que ele tem que ficar preso

O STF já tem a decisão sobre o caso do narcotraficante André do Rap, um dos chefes do PCC que foi libertado da prisão por ordem do ministro Marco Aurélio Mello.

Com o voto de Dias Toffoli, formou-se maioria a favor da prisão do bandido. Antes dele, votaram contra a soltura os ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Rosa Weber. Com isso, fica mantida a decisão de Luiz Fux, que determinou a prisão, anulando o generoso habeas corpus concedido por Marco Aurélio.

Só que André do Rap fugiu ninguém sabe pra onde. O danado desobedeceu Marco Aurélio, que disse para ele ficar à disposição da Justiça, no caso de decidirem mandá-lo de volta para o xilindró.

Na decisão de soltura, o ministro escreveu: “Advirtam-no da necessidade de permanecer em residência indicada ao Juízo, atendendo aos chamados judiciais, de informar possível transferência e de adotar a postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade”.

Provavelmente alguém deve ter advertido André do Rap, que resolveu não "adotar a postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade", até porque ele não é um "cidadão integrado à sociedade", algo que, pelo jeito, só o garantista Marco Aurélio não sabia.

Com o STF decidindo que ele deve voltar para a prisão, agora como é que fica? Eu tenho a sugestão de que devem dar ao ministro Marco Aurélio a missão de trazer de volta o fugitivo.

Não será uma tarefa fácil: para começar, tem que trocar a toga por um colete à prova de balas. E alguém deixe claro ao ministro, por favor, que é para integrar André do Rap a uma cela de presídio e não à sociedade.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


terça-feira, 13 de outubro de 2020

A soltura do narcotraficante e o liberou geral da corrupção e da impunidade

Em tempos de debate sobre currículos, o site G1 revelou que o currículo do ministro Marco Aurélio de Mello já tem pelo menos 79 presos que ele soltou baseando-se na mesma lei que favoreceu André do Rap. Como o levantamento conta apenas decisões publicadas pelo STF, excluindo processos em segredo de justiça, muito mais delinquentes podem ter sido liberados pelo ministro, mesmo porque como demonstra a rapidez com que soltou o perigoso narcotraficante, sua produtividade é enorme e ele parece ter apreciado bastante o artigo colocado traiçoeiramente no pacote anticrime. No generoso lote de habeas corpus, descobriu-se que havia até acusados por homicídio qualificado e tentativa de feminicídio.

Como se sabe, para soltar o chefe do PCC, o ministro do STF usou a lei sancionada por Jair Bolsonaro. Esse artigo que permite a soltura de bandidos foi um dos que Sergio Moro pediu que o presidente vetasse no pacote anticrime, quando ocupava o cargo de ministro da Justiça. Bolsonaro sancionou mesmo com o aviso.

O presidente não aceitou o alerta de Moro, que teve seu projeto deformado pela Câmara dos Deputados, com emendas como essa que permitiu soltar um bandido que já tinha duas condenações em segunda instância, outra bandeira política do ex-juiz federal. Se os deputados tivessem votado esta lei, André do Rap jamais sairia da cadeia.

E o ex-presidente Lula também não teria saído de lá se a lei não tivesse sido derrubada pelo STF por 6 a 5, em novembro do ano passado, claro que com voto de Marco Aurélio para acabar com um dos maiores medos dos corruptos deste nosso Brasil.

Este é um dos resultados nefastos do ataque pesado do PT à Operação Lava Jato e toda a campanha da esquerda que atingiu todo o país e teve até ações internacionais, para impedir o ritmo de maior rigor na aplicação da lei, que complicava a atuação dos corruptos neste país.

Com o plano orquestrado politicamente para libertar o chefão do PT e limpar sua imagem, criou-se um clima de pressão, com o achincalhamento do Judiciário e um ataque agressivo ao Ministério Público, que teve até procuradores e outras autoridades públicas com celulares invadidos por hackers

Mesmo que não fizesse parte do plano de soltar Lula e limpar sua ficha criminal, seria inevitável o efeito também na facilitação para criminosos comuns se safarem de punição, além dos artifícios absurdos criarem um clima de estímulo para os abusos da bandidagem.

Já faz tempo que venho apontando aqui que este seria um resultado perigoso do tal do “Lula livre!”, lembrando que as leis que a esquerda quer desmontar não são apenas para corruptos da política.

As mulheres da esquerda — muito descoladas com suas camisetas exaltando Lula e exigindo os culpados pela morte de Marielle Franco — que prestem atenção à soltura pelo ministro Marco Aurélio de acusados de homicídio qualificado e tentativa de feminicídio.

Não tem como estabelecer a justiça, se não for implantada a prisão em segunda instância — que não existe apenas no Brasil — e outras leis que punam o crime e atemorizem os violentos.

Não dá para ter bandido de estimação, privilegiando gente da esquerda com o status de perseguidos políticos, quando se trata apenas de ladrões do dinheiro público.

Essa história de “Lula livre!” acaba em “Chefão do PCC livre!”, com os benefícios estendendo-se também aos maiores salafrários da política brasileira, como é o objetivo do plano que agora junta a esquerda chefiada por Lula ao que há de pior no Congresso Nacional e que recebe também a adesão de Jair Bolsonaro e família.

O desmonte das leis obrigatoriamente exige um pacote, que acaba sendo completo, favorecendo corruptos de esquerda e de outras linhas políticas, tendo que servir também ao crime organizado. Para quem deseja apenas lacrar, aderindo a um marketing político de gente descolada que gosta de usar camisetas pretensamente criativas, pode ser que assim esteja muito bem. Pelo menos até virar vítima de sua própria idiotice.

Não é desse jeito que querem os que lutam para que a justiça se estabeleça de fato neste país, sem favorecimento para criminoso algum, não admitindo que se faça diferença entre bandidos da política e qualquer outro tipo de criminoso.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

Donald Trump e a direita que ganha poder usando como contraponto os equívocos da esquerda

Os políticos do Partido Republicano se articulam para aprovar a toque de caixa, como se diz aqui na terra do Zé Carioca, o nome de Amy Coney Barret para a Suprema Corte dos Estados Unidos. É óbvio que pretendem com isso dar uma mensagem de impacto eleitoral sobre objetivos práticos do voto em Trump. Os democratas reclamam, alegam que ao eleitor deveria ser concedido o poder desta decisão, mas isso não é verdade. Os republicanos têm no histórico a mesma alegação, quando impediram a nomeação de um juiz do Supremo no último ano do primeiro mandato de Barack Obama.

Claro que os republicanos mentiam, mas os democratas não deveriam se fazer de surpresos, pois afinal sabem ou não sabem que estão lidando com vigaristas? O Partido Republicano é hoje em dia uma mera sigla dominada por trapaceiros, com os políticos tradicionais do partido aceitando até a submissão a um forasteiro da política, este vigarista que apareceu apenas para ganhar mais dinheiro e arreganhar a economia americana ao deleite de seus amigos ricaços.

Trump não é nada mais que um reacionário, sem nenhuma base cultural ou qualquer doutrina, pessoal ou coletiva. Sua contribuição ao conservadorismo é paradoxal, pois tem feito mais que a esquerda para enterrar esta ideia, tornando-a um mero repositório confuso de temas polêmicos e escolhidos apenas pelo potencial eleitoral, com preferência pela facilidade na manipulação. Um conservador como Winston Churchill dizia que contra Hitler se aliaria até ao demônio. É provável que hoje em dia preferisse também o tinhoso do que aceitar certas figuras alegadamente conservadoras.

Vale qualquer coisa para esse tais “conservadores”, sem que o debate ou materialidade do objeto em discussão estabeleça de fato uma diferença de qualidade na vida das pessoas. Atualmente levantam a questão do aborto a todo momento — até nesta indicação de uma nova juíza —, mas pode ser que um dia apontem a unha encravada como um ponto determinante para as nossas vidas. Só depende de unha encravada dar voto.

Tudo bem, Donald Trump é um idiota com um discurso impactante em uma parcela de eleitores, com uma esperteza que já foi suficiente para dar-lhe um mandato. São falas e apenas isso, com temas desconexos que de modo algum se juntam organicamente para se compor em uma transformação real. É a cultura do desmonte, que espalha apenas ignorância. Claro que isso abalou o partido de Barack Obama, dos Clinton e lá de trás, de John Kennedy, mas como eu já disse, esbagaçou igualmente o conservadorismo na sua vitalidade filosófica, anulando seus valores efetivos.

No entanto, não existe vitória que não venha do contraponto ao vigor do adversário, que pode deliberadamente ser usado como alavanca ou ter este efeito como um desenvolvimento natural. É de onde surge a força desse tipo de aventureiro. O sufoco do Partido Democrata para derrotar um ogro como Trump vem de dificuldades criadas por eles próprios, com este mistureba de politicamente correto e desarmonia racial e de gênero, com ideias atravessadas que desestabilizam conceitos morais das pessoas sem trazer um sólido ponto de apoio para a mudança radical de comportamento. Eu os chamo de jacobinos do bem, sempre surpresos quando são suas cabeças que rolam, afinal não é justo que isso aconteça com progressistas.

Para espertalhões como Trump basta gritar contra a atrapalhação do discurso divisionista da esquerda na vida das pessoas, até porque esquerdistas atuam politicamente como se todos tivessem que aceitar com naturalidade mesmo as maiores mudanças. Usando este clima conturbado, políticos como Trump não precisam apontar nenhum caminho, até porque não sabem nem estão interessados para onde devemos ir.

A indicação de Amy Coney Barret é um lance dessa desconstrução, sendo que neste caso, independente de eu achar que não passa de mais uma movimentação intuitiva do espertalhão de cara alaranjada, foi uma tacada genial, que poderia inclusive servir para uma boa avaliação crítica das bobajadas perigosas da esquerda sobre conceitos equivocados sobre raça e gênero, que somos obrigados a aturar por décadas.

Uma mulher relativamente jovem e de cara amistosa, mas crente de ideias e posturas reacionárias é um golpe certeiro na visão equivocada da esquerda sobre questões de gênero e de raça, naquela batida muito chata e perigosa, que já deviam ter revisto com os anos de Margareth Thatcher no poder, de que a entrada da mulher na política ou em qualquer esfera de poder traz naturalmente com elas não só mais qualidade técnica e política, como essa fantástica revisão do desenvolvimento da humanidade será inevitavelmente progressista.

Bem, já faz bastante tempo que quando aparece na minha frente esta tola concepção sexista eu tenho que perguntar se afinal as mulheres não são seres humanos. No poder, já provaram que são, fazendo o melhor e o pior do que os homens já foram capazes, à esquerda e à direita. Amy Coney Barret, tendo do outro lado Kamala Harris, em breve estarão com bastante espaço para comprovar esta igualdade.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

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Imagem; Em foto da assessoria da Suprema Corte, Trump anuncia a indicação de Amy Coney Barret, para atuar com sua sensibilidade feminina sobre as leis dos Estados Unidos