quarta-feira, 14 de junho de 2017

As manhas e artimanhas do PT para cavar a própria ruína

O pessoal do PT dá bastante alegria pra gente, pelo menos na facilitação da tarefa democrática de fazer do partido do Lula um partido nanico. Muitas vezes aparecem boas chances para o partido se recompor, situações nas quais negociações políticas conduzidas com habilidade poderiam conquistar aliados e até permitir o reatamento de antigas relações, mas os dirigentes petistas perdem todas essas chances. Colocam as pessoas erradas para fazer o serviço, deixam de organizar um discurso equilibrado de forma coletiva, não se mancam nem em estabelecer regras simples de boa educação. É até engraçado, porque costumam xingar antes de sofrerem o mau resultado.

Me lembro que durante os trabalhos do impeachment, no Senado, cada vez que aquela bancada histérica do PT saía de peito aberto e aos berros para defender o mandato de Dilma Rousseff eu me refestelava com os espetaculares equívocos, contrariando até políticos com os quais bastaria uma boa conversa de bastidores para encaminhar uma negociação pelo voto contrário ao impeachment. Mas os senadores da base do governo faziam o inverso, especialmente aquela soberba trinca formada por Vanessa Grazziotin, Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann. Vou confessar, nunca me diverti tanto com vídeos da internet como na época dos debates no Senado sobre o processo de cassação do mandato petista.

Desde que Dilma assumiu, o PT já vinha dando muitas cabeçadas, com erros espantosos que agridem o mínimo bom senso em política. Continuam até hoje agindo da mesma forma. E desse jeito não conseguirão nunca dar a chamada volta por cima. E com isso, eles se mantém empacados em dificuldades para se recompor, mesmo com esse desastre político que é o governo Temer. Mas sempre existe o risco deles se aproveitarem de tantos erros. Por isso me preocupei com a eleição para a presidência do partido, no que logo fui tranquilizado com os dois nomes que iam bater chapa: Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann. Ora, mas os companheiros estão querendo me agradar, foi o que pensei. Gleisi Hoffmann ganhou, como todos sabem, mas uma escolha dessas podia ser resolvida no uni-duni-tê, pois qualquer resultado já estaria bom.

Então, Gleisi está aí na presidência do PT, o que me contenta de tal maneira que preciso me segurar para não chamá-la de “presidenta”, como ela tanto gosta. E já estou adorando o serviço. Sua eleição não tem nem um mês e ela foi obrigada a dar uma posição na situação delicada da agressão à jornalista Miriam Leitão. Era a chance do partido dar uma amenizada na péssima imagem que vem tendo até agora no debate nacional, mesmo que fosse, como sempre, de forma marqueteira e muito cínica. E que tema apropriado para eles aproveitarem. Havia até uma mulher como vítima, o que permitiria uma beleza de texto até para um redator mediano. Porém, Gleisi mandou fazer o contrário. A nota que soltaram até lamenta o "constrangimento" sofrido pela jornalista, mas em seguida coloca como causa a linha editorial da emissora em que ela trabalha, apontada na nota como responsável pelo "clima de radicalização e até de ódio". No embalo, deu um aval aos agressores, que berravam exatamente contra a Rede Globo durante a hostilização no avião da Avianca. Não é mesmo uma mulher adorável? Me desculpem a puxação de saco, mas o PT arrumou a "presidenta" ideal pra gente consertar este país.
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POR José Pires

PSDB: a nau dos afogados

Muita gente vem falando em “abraço de afogado” na situação do PSDB com o governo de Michel Temer, mas na minha visão andam confundindo o afogado. Não é Michel Temer e sim Aécio Neves o afogado do abraço fatal para os tucanos neste mar de lama. É pela proteção política de Aécio que o partido se mantém no governo Temer, teimosamente, apesar de todas as evidências de que isso vai criar sérias complicações eleitorais no ano que vem.

O ex-governador mineiro e atualmente senador afastado já não tem futuro na política. Perdeu totalmente a credibilidade com as denúncias que apareceram contra ele. Todo mundo sabe que a única razão da sua prisão não ter sido decretada é sua condição de parlamentar. Daí sua desesperada aliança com Temer, de olho no poder político do PMDB para ajudá-lo a resguardar seu mandato. Com isso, a imagem de seu partido ficará totalmente desfigurada, criando sérios problemas na relação com os eleitores, mas com a lama pelo nariz, este problema não está interessando nem um pouco ao senador afastado.

Espertalhão do jeito que é, com certeza ele já sabe que daqui por diante sua carreira só terá trânsito na obscuridade da política de conchavos, sem que ele tenha a mínima possibilidade de manter a fachada de político ético, que até agora permitia que ele se destacasse nacionalmente, mas que foi pro ralo com as investigações da Lava Jato. Egoísta notório, não virá dele nenhuma preocupação com as dificuldades criadas para o partido, que na sua força eleitoral teve sempre como ponto substancial o discurso ético. A arriscada manutenção da relação com Michel Temer é realmente um abraço de afogados que pode acabar com o PSDB, porém isso é mera consequência do abraço no afogado mais importante, que é Aécio Neves.
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POR José Pires

terça-feira, 13 de junho de 2017

Miriam Leitão na mira da grosseria organizada do PT

Já corre pela internet a notícia da agressão sofrida pela jornalista Miriam Leitão. Em um voo da empresa Avianca, entre Brasília e Rio de Janeiro, ela teve que suportar duas horas de xingamentos, palavras de ordem contra ela e a TV Globo e provocações físicas, como militantes empurrando sua cadeira e outras grosserias. Eram cerca de 20 pessoas, delegados petistas que acabavam de participar do Congresso do PT, em Brasília. Tudo profissional do partido, o que diferencia bastante esta agressão de outros protestos contra figuras conhecidas.

Do episódio dá para extrair vários elementos que demonstram o risco que o país corre com o clima que o partido do Lula está montando no país. O relato da jornalista mostra a revoltante a falta de ação de autoridades, entre elas o piloto do avião, para acabar com o furdunço petista. O piloto da Avianca sequer fez um pedido de silêncio pelo serviço de som. A Polícia Federal também não entrou no avião para retirar os baderneiros. A serpente ideológica costuma tomar conta de um país, entre outras coisas, em razão da falta de ação dos que tem a responsabilidade de controlar e punir abusos.

Outro ponto interessante de seu texto, fala de algo que é explicativo do grau de ignorância do PT, ignorância que faz parte do projeto político do partido, que passa por cima das mais simples verdades históricas. Eles querem um país que tenha na cabeça só o que é do interesse partidário, mesmo que a inverdade seja de um ridículo atroz. Durante a bagunça, um dos delegados petistas berrou que “quando eles mataram Getúlio o povo foi lá e quebrou a Globo”. Acontece que a emissora foi fundada onze anos depois do suicídio de Vargas.

Isso poderia talvez ser tomado como um erro pontual, mas acontece que a deformação do conhecimento da nossa história é parte do projeto de poder do PT. É uma articulação antiga. Vem de seus dirigentes e recebe uma contribuição muito forte de professores esquerdistas, do ensino fundamental e das universidades, com releituras mentirosas e muito burras que favorecem a esquerda. Com essa gente no poder, não duvidaria que um dia eles estivessem ensinando às crianças até o absurdo da TV Globo contra Getúlio Vargas.

Outra coisa que me chamou a atenção no conjunto do texto de Miriam Leitão é o tom contemporizador diante da ameaça séria que ela sofreu. Pode ser da sua personalidade ou pelas limitações colocadas pelo cargo que ocupa em grandes veículos. Respeito sua opinião, mas, enfim, discordo que haja no PT inteligência e tolerância para coibir esse tipo de abuso. As agressões no avião poderiam ter tomado um rumo mais perigoso, da mesma forma que situação do país pode se agravar bastante, com o risco inclusive de descambarmos para a violência política, se esse partido não for contido. Finalizando o texto e se referindo ao que aconteceu com ela, a jornalista diz “Não acho que o PT é isso”. Pois aí é que está um grave erro de avaliação. O PT é exatamente isso.
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POR José Pires

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Imagem- Ficha de Miriam Leitão, quando ela esteve presa durante a ditadura militar. Hoje é a esquerda que ameaça a jornalista, que na juventude participou da luta armada

Na fila por um viral açucarado


Apareceu uma novidade de consumo em Nova York que vem sendo tida como uma nova “sobremesa viral”, essas modas que se propagam pela internet. Portanto, logo deve bater por aqui. Prepare-se para entrar na fila. O negócio que está vendendo bastante é uma mistura de biscoitos (que tem que ser chamado de “cookie” para gourmetizar) servida como sorvete. A imagem da sobremesa não é grande coisa. Parece nada mais que qualquer sorvete que se vende por ai. No entanto, sua procura vem formando filas onde a espera é até de duas horas. E o estranho, é claro, sou sempre eu. Se um dia souberem que fiquei duas horas numa fila para provar um doce, me internem, por favor, como se eu estivesse viciado em crack.

A sobremesa foi inventada em uma lanchonete do Greenwich Village, ao lado da Universidade de Nova York, o que pode explicar em parte o sucesso da gororoba que virou cult. Dá para imaginar a especulação sobre o novo doce, no boca-a-boca entre os estudantes, nas redes sociais, e daí se ampliando para toda a cidade. A matéria saiu na Folha de S. Paulo, jornal novidadeiro, que por isso mesmo não investigou o mais interessante, que é como a onda começou. Porém, ao menos o jornalista procura informar o sabor da sobremesa, que para ele é muito adocicada, problema que, aliás, é de todo doce brasileiro, inclusive os que por aqui também são cultuados como altamente sofisticados.

Como se costuma dizer, já vi esse filme, em ocasiões felizmente com menos visibilidade e sem fila, quando me levaram para que o meu paladar experimentasse um prazer sofisticado e acabei tendo que comer algo doce demais, sem nenhuma textura especial e também muito caro. Infelizmente não foi em Nova York, mas em compensação serve como de justificativa. Isso foi numa cidade em que pouca coisa existe mais para fazer do que ir à shoppings ou sair de bicicleta. E isso fora da cidade. Que algo parecido ocorra em um lugar com a amplidão cultural de Nova York mostra como, no geral, nós seres humanos somos tão parecidos em nosso espírito e nossas ansiedades. Alguém já disse que de perto ninguém é normal. Pois aprofundando um pouco mais, digo que por dentro ninguém é assim tão individual.

Mas a coisa vem piorando, inclusive com o uso de tecnologias que facilitam que cada um seja seu próprio cronista social. É uma procura de novidades que parece movimentada pelo tédio, pelo aborrecimento cotidiano, quando todo programa social tem que ter muita visibilidade pessoal, onde exista a sensação da participação em algo determinante, mesmo que seja a frente de um prato de carne com legumes como qualquer outro, mas com uma decoração elegante traçada com algum creme colorido. Pode não ser mais que uma boa comida num lugar especial, o que já estaria muito bom. Mas hoje em dia exige-se mais, daí a tentativa da valorização com os selfies e posts escritos rapidamente e in loco, no atropelo de verbos, vírgulas e o que vier pela frente. Pode-se também passar horas numa fila com centenas de outras figuras essenciais da cultura ou da arte da degustação de uma novidade carregada no açúcar, como é o caso desse doce cult.

Uma observação nas filas formadas para experimentar o doce nova-iorquino permite notar que as pessoas parecem estar tomadas pela mesmo clima que se vê nas filas, também imensas, formadas para entrar na mega-exposição de um artista famoso, como as de Monet ou Picasso, que já aconteceram no Brasil. O sentimento superficial é o do encontro com uma grande revelação na ponta da fila, que não deve ocorrer com Picasso ou Monet e nem com a gororoba cult, até pelo fato de que a busca desta sensação tem a mesma qualidade tanto para lamber o doce quanto para olhar as obras de arte.
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POR José Pires

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Botando a família no meio da corrupção

Quando se vive em meio ao escândalo, na situação em que estamos atualmente, a gente deixa de se surpreender com fatos que seriam um despropósito em um país de relativa normalidade. Não é o caso dos dias de hoje, neste nosso sofrido Brasil. No entanto, mesmo envolvidos pelo descalabro, ainda que nossa sensibilidade esteja bastante debilitada, mesmo nesta triste condição certas atitudes ainda causam espanto, mesmo que o acontecimento seja parte de algo que já é uma afronta o bom senso.

Estou falando do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, o político que foi buscar uma mala cheia de dinheiro com Ricardo Saud, diretor da JBS. A entrega do dinheiro foi flagrada pela Polícia Federal, que até filmou Loures em uma corridinha pela calçada, levando a mala até o táxi. A cena é totalmente absurda até para o Brasil, pois junta elementos demais como prova da sem-vergonhice em que meteram o país. Rocha Loures, que é suplente, havia assumido no lugar de Osmar Serraglio, então no Ministério da Justiça. O homem da mala era também pessoa de total confiança do presidente Michel Temer, de quem inclusive havia sido assessor na vice-presidência. Até assumir o mandato, ele era Assessor Especial do Gabinete Pessoal da Presidência da República.

É muita coisa para um carregador de mala, não é mesmo? Mas não é isso que acho espantoso demais neste caso. O que me surpreendeu e dá até um certo mal estar foi saber neste final de semana que depois de pegar a propina com o diretor de JBS, Rocha Loures foi de táxi até a casa de seus pais, onde deixou a mala. Foi o “Fantástico” que descobriu isso, o que tem tudo a ver com o nome do programa. Mais fantástico ainda, a mala foi escondida no armário da mãe de Rocha Loures, segundo a PF. Vejam só: o sujeito envolveu a própria família numa das maiores sujeiras da história recente do país.

O ex-deputado é de Curitiba, no Paraná. De família tradicional, é filho de Rodrigo Costa Rocha Loures, conhecido empresário brasileiro, fundador da empresa Nutrimental e presidente por duas vezes da FIEP, federação de indústrias do estado. Dá para imaginar como a revelação do envolvimento com corrupção deve estar pesando para a família do ex-deputado, ainda mais pelo lance grotesco dele sendo filmado dando uma corridinha puxando uma mala cheia de dinheiro. O despropósito já era tanto, que parecia ser o máximo em degradação. Mas ainda tinha mais essa, da mala escondida na casa dos pais, logo no armário da mãe, o que vem comprovar que em matéria de absurdo não se deve subestimar a realidade brasileira.
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POR José Pires

sexta-feira, 9 de junho de 2017

TSE, um tribunal de alto valor. No custo, no custo...

O Brasil tem suas jabuticabas, sendo o TSE uma das mais esplêndidas e dispendiosas. Aliás, as jabuticabas são sempre caras. Jamais será visto um governo, muito menos parlamentares ou algum tribunal criando uma jabuticaba de custo razoável. Toda jabuticaba e uma jóia preciosa. Isto é regra. Mas o TSE é uma das mais inúteis das nossas jabuticabas, bastando como prova disso o estado atual do sistema representativo, praticamente falido, com a atividade política num descrédito como nunca houve em nosso país. Uma Justiça Eleitoral em funcionamento regular, que fosse, já amenizaria o estrago. Mas esta justiça parece que já foi criada para não funcionar direito.

O TSE e demais tribunais eleitorais pelo país afora deveriam ser extintos, com o repasse para outras instituições das verbas milionárias que sustentam atualmente esta inutilidade e a transferência também de pessoal, com uma reavaliada geral das capacidades, dentro das possibilidades da lei ou mesmo com a determinação de uma nova lei. É provável que a comprovação da inutilidade deste tribunal seja dada pelo resultado do julgamento da chapa Dilma-Temer, prometido para hoje. Mas vamos supor que uma insondável insensatez caia sobre os togados e haja a condenação desta eleição comprovadamente corrupta e fraudulenta.

Bem, ainda assim fica mantido o que já falei por aqui, de que o próprio julgamento desta chapa só existe porque o TSE não funciona. E manterei a minha opinião de que não faz sentido a existência de tribunais eleitorais. O Brasil andaria melhor sem mais esta jabuticaba dispendiosa e inútil. Dados levantados pelo site Contas Abertas revelam que o TSE (e apenas este tribunal) custa ao contribuinte R$ 5,4 milhões por dia. Para 2017, esta corte tem o orçamento de R$ 2 bilhões. A maior parcela é destinada ao pagamento de pessoal e encargos sociais, inclusive assistência odontológica. Isso tudo numa democracia com a nossa, que não vai muito bem das pernas. Tampouco dos dentes.

Mas é claro que escrevo isso apenas para marcar posição, sem acreditar que possa haver um dia o enxugamento necessário na custosa e ineficaz máquina do Estado brasileiro. Deveria ter um corte rigoroso da diversidade de instituições que vão se criando, acabando com a exploração lucrativa e inescrupulosa, muito facilitada porque tudo é definido pelos mesmos que ganham com nomeações, concursos públicos, construção de prédios, compra de bens materiais e outras facilidades que dão dinheiro e poder político para quem não merece. Mas me parece óbvio que a farra tende a continuar. O TSE não só será mantido, como ainda poderemos vê-lo aumentar de tamanho e custo, com a superação inclusive da sua histórica incapacidade, para a qual ainda existe potencial para um vasto crescimento.
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POR José Pires

terça-feira, 6 de junho de 2017

O deslize de Temer e a sorte da Lava Jato

Quando investigações estão em curso, o mais banal deslize dos investigados pode permitir que se abram os caminhos para pistas que pareciam impossíveis de aparecer. O encontro noturno do presidente Michel Temer com Joesley Batista, dono da JBS, foi uma rara ocasião dessas, em que aparecem pontas que encaminham para muitos assuntos que antes pareciam que iriam morrer na lista de crimes insolúveis. A lista de perguntas encaminhadas pela Polícia Federal a Michel Temer deve ter feito o ainda presidente da República ficar muito preocupado não só pelo que conversou com Joesley, mas com fatos que pelo jeito já é do conhecimento da polícia, faltando apenas colher as provas. Se é que falta isso. Não só pelos indícios que permitem um aprofundamento, mas especialmente pela possibilidade da abertura de uma investigação sobre o presidente, o descuido de Temer é um desses incidentes que parecem coisa de histórias de detetives. Porém, a vida também transcorre do mesmo jeito.

Uma olhada nas 82 questões mostram questionamentos que fazem crer que a PF e o Ministério Público buscam apenas amarrar as pontas certas de um emaranhado já sob seu controle, com o qual podem obrigar Temer a responder até por suspeitas que atravessam décadas, em negócios obscuros no Porto de Santos que sempre foram objeto de falatório nos meios políticos. As perguntas pedem esclarecimentos sobre variados temas, bem além do que aparece nos áudios da conversa com o dono da JBS, chegando até esta questão antiga, de Santos, em uma indagação sobre a “relação de proximidade” do presidente “com empresários atuantes no segmento portuário, especialmente de Santos/SP”, inclusive dando o nome de determinado empresário.

Claro que pediram para ele esclarecer o sentido da orientação a Joesley, quando disse a frase famosa: "Tem que manter isso, viu?". Ah, e tem também o Edgar, nome de um cara que facilita tudo, que é citado em conversas do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, cuja relação com o presidente em negócios escusos parece ser muito mais ampla do que simplesmente ir pegar mala de dinheiro para o chefe. E quem é Edgar? Vamos esperar pelas respostas de Temer.
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POR José Pires

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Mais um ministro de Dilma e de Temer na cadeia

A alegria cívica que a Lava Jato costuma trazer aos brasileiros logo na segundona desta vez veio na terça-feira, com a prisão preventiva do ex-ministro Henrique Alves (PMDB-RN). Mas não tem problema, não, ainda mais por esta prisão ter significados amplos. Alves foi levado pela Polícia Federal sob os gritos de “safado” e “ladrão” de pessoas em frente ao prédio de luxo onde ele mora na capital do Rio Grande do Norte.

Alves foi ministro do Turismo no governo Dilma Rousseff e só foi afastado por Michel Temer, já na presidência, depois de ter sido citado na delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Este é o segundo ex-presidente da Câmara que é preso, além de Eduardo Cunha, que mesmo já estando no xilindró no Paraná, teve mandado de prisão expedido também nesta operação. Além disso, o crime do ex-ministro faz parte do rescaldo da famigerada Copa 2014, sobre a qual não faltaram alertas, neste país que detesta “Cassandras” e por isso mesmo paga até os custos dos cavalos de Tróia, um atrás do outro. Este não é o primeiro estádio com alto sobrepreço e duvido que exista qualquer empreitada desta copa onde haja não tenha desvio de muito dinheiro, além da inutilidade prática da maioria do que foi feito.

Alves está envolvido em corrupção na construção do estádio Arena das Dunas, em Natal, no Rio Grande do Norte. Segundo a PF o sobrepreço na construção identificado até agora chega a 77 milhões de reais. Durante a investigação, Henrique Alves foi obrigado a admitir à Justiça Federal que ele tem uma conta bancária na Suíça, aberta em 2008, portanto ainda no governo Lula. Como o nome desta operação é “Manus”, que tem a ver com um provérbio em latim que significa “uma mão lava a outra”, essas mãos se lavam desde o governo do chefão petista. Sobre a conta na Suíça, o ex-ministro afirmou que não tinha conhecimento da movimentação de R$ 2,3 milhões. É uma das mais cínicas alegações de inocência até agora, mas não deixa de ter seu humor, ainda que no estilo grotesco da política brasileira, subestimando a capacidade mental dos outros.
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POR José Pires

TSE, o tribunal que só funciona no tranco

O julgamento da chapa Dilma-Temer, que começa nesta terça-feira, pega já entrando em seu terceiro ano o mandato que é objeto da ação. A Justiça Eleitoral demorou dois anos e meio para julgar se a eleição foi válida. E se Dilma Rousseff não tivesse sofrido impeachment, o PT de Lula estaria ainda no poder em parceria com o PMDB de Temer, ambos com os mecanismos de pressão que está mais que provado que utilizam com todos os abusos que já foram esclarecidos nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

A Operação Lava Jato descobriu fartas provas de que a eleição de Dilma e Temer usou recursos ilícitos em enorme quantidade. No entanto, a verdade é que se dependesse exclusivamente do Tribunal Superior Eleitoral este julgamento só ocorreria depois de Dilma terminar seu mandato e também não dá pra ter a confiança alguma de que haveria alguma condenação. Com Dilma e seu vice já em casa e sem a comoção política que o país está atravessando, a chapa Dilma-Temer ficaria na mesma situação de todas as outras chapas, da eleição passada e de outras mais para trás.

Em cada eleição, a maioria dos políticos apronta o máximo, com possibilidades mínimas de que paguem pelas ilegalidades. Com isso, não há nenhuma eleição que possa ser definida de fato como representativa. E depois, ainda somos obrigados a ouvir dizer que os corruptos que vão para o poder são a cara do eleitor brasileiro.
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POR José Pires

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A ameaça mais urgente

Os Estados Unidos implicam com a Coréia do Norte e o país do ditador Kim Jong-um já virou o centro das atenções na internet como grande ameaça ao mundo. O regime comunista norte-coreano é realmente coisa de doidos, no entanto se o Ocidente tivesse mesmo juízo deveria concentrar sua atenção em países muito mais ameaçadores na atualidade. Felizmente para nós que estamos fora das suas fronteiras, a loucura política da Coréia do Norte é exercida sobre sua própria população. Não se tem notícias de Kim Jong-um financiando ataques mortais sobre a população civil na Europa e nos Estados Unidos e também não se tem conhecimento do regime norte-coreano doutrinando jovens pelo mundo afora para espalhar a crença no comunismo e nem fazendo uso desses jovens como combatentes e terroristas a serviço de uma causa.

Nos dias a ameaça ao Ocidente está em países do Oriente Médio, onde se desenvolve o financiamento de ataques que se repetem, com matanças contínuas também entre a população desses países. O terrorismo é usado até na disputa entre clãs. Nesses lugares também está a origem da doutrinação religiosa que dá base política às mais violentas ações, além do suporte material e religioso de um plano de dominação cultural de longo prazo sobre o Ocidente. Nesta segunda-feira houve um sério desentendimento entre países árabes, com seis deles cortando relações com o Catar. Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos (EAU), Bahrein, Líbia e Iêmen acusam a monarquia do Catar inclusive de financiar grupos terroristas, promovendo a instabilidade na região. O interessante é que acusação semelhante cabe a grande parte dos países da região, entre eles alguns dos que estão rompendo relações com o Qatar e também outros, como é o caso do Irã com seu forte regime religioso, que está no centro da rivalidade que resultou no rompimento.

Nas disputas antigas entre eles, também por divergências religiosas dentro do próprio islamismo, já há muito tempo o terrorismo é parte importante do fustigamento do inimigo e dos planos para sua destruição. Conforme eu já disse, a maior quantidade de vítimas do terrorismo vem de disputas dentro do próprio islamismo. Foi por meio dessa prática que surgiram grupos violentos como a Al-Qaeda, financiada por milionários sauditas, e também o chamado Exército Islâmico, que está por detrás dos últimos ataques terroristas na Europa. É claro que não se deve perder a atenção aos comunistas liderados por Kim Jong-um, afinal a Coréia do Norte tem a bomba atômica. Porém, no atual momento o perigo maior e de longo prazo vem de outro lugar, muito mais rico que o miserável regime norte-coreano e com um agressivo sentimento religioso que pode ser mais letal que qualquer outra ideologia.
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POR José Pires