quarta-feira, 31 de outubro de 2007

terça-feira, 30 de outubro de 2007

UMA IMAGEM VALE POR MIL PALAVRÕESO BONDE DOS MAIORAIS

Janio de Freitas publicou na Folha de S. Paulo de hoje um belo artigo sobre a viagem de Lula à Suíça acompanhado de um grupo de governadores para festejar a indicação do Brasil para sede da Copa do Mundo de 2014. A viagem em si foi uma farsa. A justificativa geral era a necessidade de um “lobby” pela indicação do Brasil. Só que o nosso país era candidato único.

Freitas faz uma bem sacada relação entre o grupo de políticos e os “bondes” cariocas feitos por assaltantes em que eles agem uns seguindo os outros, com o mesmo objetivo. Lula e os governadores são o bonde dos irresponsáveis.

O artigo vale como símbolo de uma indignação com a irresponsabilidade das lideranças políticas brasileiras, que não encaminham o país para uma ética do trabalho, do planejamento, da construção equilibrada de um caminho para sairmos desse atoleiro político e econômico. Nada. O encaminhamento é sempre para a festa, o desvio do trabalho e da seriedade.

Lula contagia as demais lideranças do País com seu despreparo e sua tendência para a vagabundagem, o devaneio, a conversa fiada e a demagogia. Viagens sem objetivo sério como essa para a Suiça também contaminam a administração pública, que no Brasil já não é um bom exemplo de operosidade. Além disso, nós pagamos o bonde dos maiorais.

O jornalista também alerta em seu artigo sobre a péssima jogada que é trazer a Copa para o Brasil. Os custos são altíssimos e a suposta contrapartida não compensa. Isso sem falar nos desvios de verbas que devem ocorrer na construção da infraestrutura para os jogos. Só como lembrança, nunca foi apresentado o custo final e verdadeiro do Pan.

“A Olimpíada de 2004 custou à Grécia US$ 12 bilhões”, conta o jornalista em seu artigo. Além de não se pagar com o turismo imediato e os patrocínios, não se cumpriu nenhuma das previsões de receita. Além disso, a Grécia ficou com a imensa estrutura de construções esportivas e equipamentos que não encontram uso, mas tem um alto custo de conservação.

Na foto acima, Lula ri de todos e todos riem de nós. Só de governadores, estão na foto Eduardo Campos, Pernambuco; Jaques Wagner, Bahia; Blairo Maggi, Mato Grosso; Sérgio Cabral, Rio; Aécio Neves, Minas Gerais; Ana Júlia, Pará; Roberto Arruda, Distrito Federal. José Serra não está nesta foto, mas estava lá na Suíça: também pegou carona no bonde dos irresponsáveis.

Vale a pena ler o artigo de Janio de Freitas. Para fazer isso, clique aqui.
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POR José Pires

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O incrível caso do padre e o ex-interno

A história do padre Júlio Lancelotti, religioso e militante de esquerda um tanto quanto extremado, ainda vai render muito. É um daqueles fatos que traz à mente o velho chavão que diz que a gente morre e não vê tudo. O incrível caso que envolve o padre surgiu para a opinião pública da sua própria boca há cerca de duas semanas.

Lancelotti entrou com queixa na polícia por extorsão contra Anderson Marcos Batista, um ex-interno da Febem. É difícil acreditar na história do padre. Segundo ele, a extorsão durou cerca de três anos. E é claro que todos perguntam por que ele não fez a denúncia antes. E que ele não venha com a história de que tinha esperança de mudar a pessoa a quem dava o dinheiro. Foi o que ele disse e não dá para crer.

Na ocasião da denúncia, ele disse ter pago R$ 50 mil a Batista, em três anos. Depois a quantia foi subindo. Logo corrigiu o valor para R$ 80 mil e no sábado passado seu advogado calculou a quantia em R$ 140 mil a R$ 150 mil. Já o advogado do ex-interno acusado de extorsão afirma que a quantia passada a seu cliente foi de R$ 600 mil a R$ 700 mil.

Seja qual for a quantia, dos 50 mil aos 150 mil ou 700 mil, sempre será muito dinheiro em relação aos três mil reais que o padre Lancelotti ganha por mês. E isso lançou mais suspeitas sobre o caso, já que Lancelotti é membro influente de uma associação que recebe R$ 420 mil por mês da prefeitura.

A associação já lançou uma nota muito estranha à imprensa afirmando que o sacerdote é apenas conselheiro fiscal não-remunerado da entidade e, portanto, "não tem acesso a seus recursos". Meu estranhamento é pelo fato de todos estarem dizendo que o padre é inocente, apenas uma vítima. Então não haveria razão para a ressalva de que ele “não tem acesso aos recursos”. Se ele é uma vítima neste caso, qual seria o problema com o acesso ao caixa da entidade?
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POR José Pires

História cai no centro de uma luta ideológica

Júlio Lancelotti é conhecido pelo trabalho na Diocese de São Paulo principalmente junto aos que ele chama de “povo da rua”. Tem feito oposição aos tucanos em São Paulo. Encrencou bastante com projetos da prefeitura, primeiro com José Serra e depois com seu sucessor, Gilberto Kassab.

O padre manteve polêmicas duras com a gestão de Serra na prefeitura de São Paulo. Mas antes era um aliado bem próximo de Marta Suplicy, do PT, que tentou a reeleição para a prefeitura em 2006 e perdeu para Serra. O escândalo atinge bastante o PT. E ainda tem a pior das coincidências para a esquerda: um Mitsubishi Pajero, que Lancelotti disse ter comprado para o ex-interno em seu afã de trazê-lo para o caminho do bem.

Lancelotti é uma das figuras mais proeminentes da Teologia da Libertação e ativo militante pelos direitos humanos, sendo inclusive de um rigor até ideológico. O padre está sempre além do limite da dedicação religiosa aos pobres quando se trata de uma polêmica ou de um debate público. Bate bem forte.

Sua posição dentro da igreja e também a proximidade com o PT dão ao seu caso os contornos de uma disputa ideológica que já vem sendo travada desde antes do início do primeiro mandato de Lula e que promete pegar fogo.
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POR José Pires

Quanto mais se mexe, mais piora

A história subiu de tom neste domingo quando os jornais trouxeram a versão do ex-interno passada por seu advogado à imprensa. Batista teria mantido com o padre Lancelotti um relacionamento homossexual por cerca de oito anos em troca de dinheiro.

Na guerra ideológica que se trava no país, um caso como esse ateia fogo ao fogo, como diz o famoso chorinho. A revista Veja, talvez o mais importante e com certeza o mais agressivo veículo nesta contenda política evidentemente já investigou a história e encontrou outras denúncias contra o sacerdote. Coisas até piores do que o suposto relacionamento com o ex-interno.

Sobre a Mitsubishi Pajero – olha aí o carro de novo, parece marcação – que o ex-interno teria comprado com o dinheiro da extorsão, a revista garante que a história é bem diferente. Veja conversou com o vendedor da concessionária que disse que a compra foi feita por Anderson e sua mulher. E os dois estavam acompanhados do padre Lancelotti. "Em momento nenhum o padre pareceu nervoso. Foi uma venda normal", disse o vendedor à revista.
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POR José Pires

Colunistas da Veja estão ouriçados

É na revista Veja que estão dois dos jornalistas mais ativos no ataque à esquerda, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi. Eles batem com gosto no governo Lula. Se divertem com as escorregadelas da esquerda. O caso do padre Lancelotti fez estampar um sorriso de orelha a orelha nos dois.

O fato do padre ter até entrado com ação de indenização por danos morais contra a revista, por uma matéria de alguns meses atrás, deve também estimular a agressividade. Na ocasião, Lancelotti disse que a revista havia se tornado “um panfleto político”.

Mainardi já tocou no assunto em seu “podcast” na internet e também na coluna na Veja. Ele faz jogo de palavras com duplo sentido, com insinuação sexual, lembra entrevistas do padre, faz o diabo. Mainardi é engraçado, um adversário temerário e com boas fontes.

Aliás, os dois tem boas fontes. Reinaldo Azevedo pegou o caso bem no início em seu blog e já mostrava que tinha boas informações sobre o assunto. Sutilmente apontava onde o caso iria chegar e realmente chegou. Sua aversão às opiniões do padre vêm de longe. Entre os dois há, inclusive, uma série divergência em relação aos rumos da Igreja Católica. Azevedo é católico tradicional e, pelo jeito, recém-convertido. Era trotskista. De ateu passou para católico e admirador da teologia do papa atual, o direitista Bento XVI, e este é o tipo de conservador em que a agressividade é permanente. O moralismo no cristão-novo tende mesmo a ser mais severo.

O padre Lancelotti ainda vai penar muito. Veja e seus dois colaboradores são cruéis. Mas tudo está parecendo aquela velha moral de Mateus, a do “não julgueis, para que não sejais julgados", porque também é verdade que o padre não poupava seus adversários antes de ser pego nesta embrulhada.
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POR José Pires

sábado, 27 de outubro de 2007

JÁ ESTOU INDO!!!
Capa ótima: ironia, reverência, comunhão. Eric Clapton e B. B. King na capa do disco Riding With The King. Ando re-ouvindo muitas músicas. E ainda estou devendo o texto sobre a imagem lá embaixo. Mas já passo pra vocês. E ainda tem gente que lá de Portugal me pede cartum sobre Hugo Chávez . Tenho que fazer. Já faço. Assim que me livrar de outros afazeres que bancam o blog.
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POR José Pires

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

DE COSTAS PRA DITADURA...
Quem são as figuras de bunda de fora na foto? É a contracapa de um LP, sim senhores, um long-play – ou disco, se preferem.

É um disco da época da censura no Brasil: teve duas músicas vetadas mas, estranhamente, os milicos não passaram o xis da censura nesta foto. O grupo que tirou a roupa, num misto de contestação com gozação, foi muito importante na oposição à ditadura militar – bons tempos aqueles, até os bravateiros eram pela democracia... – e também na difusão de belas canções. Era um tempo de uma competência musical que, como muita coisa boa neste país, anda em falta.

Quem adivinhar quem são as figuras ganha um elogio. E depois eu conto mais.

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POR José Pires

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Dormindo com o inimigo

Tucano é um bicho interessante, muito inovador. Se a meia-virgindade já não existisse quando o PSDB foi fundado em 1988, certamente a tucanaiada faria questão de inventar.

De tanto usar meias palavras o PSDB acabou se tornando um partido meia boca.

Agora os tucanos estão para inventar a Meia-CPMF, algo que é a CPMF mas não é, uma CPMF aperfeiçoada, entenderam? Eu também não. Governadores e parlamentares tucanos já estão, como político gosta de falar, envidando esforços na bolação dessa nova engenhoca legimamente brasileira, a Meia-CPMF.

O PT está gostando bastante da idéia. Se a invenção passa pelo Senado, quem vai ter que ficar dando explicações ao eleitorado sobre o tributo serão os tucanos e não mais eles.
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POR José Pires

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Senador sem voto e sem freio

O senador Renan Calheiros tem uma tropa de choque à altura. Não tem nenhum de seus aliados que fazem o serviço sujo na linha de frente que não esteja encalacrado em alguma treta.

O recordista é seu mais animado companheiro, o senador sem voto e sem senso do ridículo, Wellington Salgado (PMDB-MG). O cara é um craque da lama. Está parecendo o chefe: cada dia aparece uma do senador Salgado.

Na semana passada já havia surgido a denúncia sobre a tentativa do senador de mudar as regras de nomeação do Conselho Nacional da Educação (CNE) para favorecer a própria mãe. Desde 2004, a mãe do senador, Marlene Salgado de Oliveira, tenta integrar o CNE.

A família do senador Salgado é dona da Universidade Salgado de Oliveira (Universo). Sua mãe é reitora da Universo. É evidente a tentativa de usar suas prerrogativas para beneficiar a família e seus próprios negócios.

Mas tem mais: o governo federal acusa na Justiça o senador, seus pais, irmãos e instituições de ensino da família no Rio de Janeiro e em Minas Gerais de sonegarem cerca de R$ 75 milhões em contribuições previdenciárias e Imposto de Renda.

E agora surge outra mutreta, também relacionada com a Universo. O grupo educacional conseguiu 80% de desconto para comprar, sem licitação, um terreno público em Brasília avaliado em R$ 22,5 milhões. O negócio foi fechado em 2004, no governo do notório Joaquim Roriz

A lucrativa transação só foi possível com a inclusão do projeto da Universo em um programa de desenvolvimento do governo do DF. Foi aberta uma brecha para a Universo entrar. Além do abatimento no valor do imóvel, a empresa da família do senador também terá benefícios tributários.

AMBIENTE FAMILIAR
O senador sem voto Wellington Salgado não tem freios. E nem digam ao senador que ele não tem superego. Ele pode querer comprar.

Salgado é suplente do ministro das Comunicações, Hélio Costa. E é também o maior financiador da campanha de Costa. Ele pagou 50% da campanha do atual ministro de Lula e valeu a pena. É senador desde julho de 2005, quando Costa se licenciou.

Remexer na biografia de Salgado é um trabalho que exige nariz tapado. Quando assumiu o mandato no lugar de Costa, ele era presidente da ASOEC(Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura). A ASOEC é a entidade mantenedora do grupo da família.

Contra a associação correm três ações de execução fiscal movidas pelo INSS. O senador também é alvo de dois inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) em que é acusado de apropriação indébita no valor de R$ 12 milhões de IR. A Receita afirma que foi descontado o imposto de funcionários e prestadores de serviço e não houve o repasse ao fisco.

Apenas em uma ação da 5ª Vara de Niterói a ASOEC é cobrada pela Fazenda em R$ 43,282 milhões, em valores de outubro de 2005. Além do senador, são réus no processo seus irmãos e seu pai.

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POR José Pires

Justiça social

Reinaldo de Azevedo, Ferréz, Alberto Dines, Diogo Mainardi podem parar de brigar. O caso de Luciano Huck, que teve seu rolex roubado numa rua de São Paulo, já está resolvido. O apresentador disse, em artigo na Folha de S. Paulo, que era caso de chamar o capitão Nascimento, mas felizmente não foi necessário.

Fernando Di Gênio, da Mix TV, dono do carro onde estava o apresentador quando aconteceu o assalto, vai comprar um novo rolex, no valor de R$ 10 mil, para dar de presente para Luciano Huck. Ele ficou sensibilizado com a perda do amigo. E como o assalto em seu carro, resolveu brindar o amigo com o presente, que não é surpresa, é claro, pois Di Gênio já falou para a imprensa.

Mano, gente fina é outra coisa mesmo. Mas o "correria" que levou o rolex de Huck também não merecia um presente? O estresse foi geral.
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POR José Pires

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Jota e as GRANDES REPUTAÇÕES

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Uma sigla infernal
Lula chamou o partido Democratas (ex-PFL) de “demo”. Foi agora há pouco em uma entrevista durante sua viagem à África. O presidente boquirroto está apenas antecipando uma das táticas de ataque à oposição no ano que vem, quando serão disputadas as câmaras municipais e prefeituras em todo o País.

Os ex-pefelistas vão ser chamados de “demo”, é claro. A sigla do partido é DEM. Vai ser uma festa pelas cidades brasileiras afora. Basta aplicar a letra “O” sobre a propaganda eleitoral do partido em cartazes, outdoors e muros.

Mas os democratas (ou “demos”) merecem. O partido precisava se renovar e resolveram mudar de sigla.Mas onde foram arranjar este nome infernal? Talvez com um marqueteiro do inimigo.

Mas o fato é que a sigla do ex-PFL é um sucesso. Os adversários estão adorando.
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POR José Pires

Mainardi e sua anta que também é nossa
Lula disse que depois que virou adulto não viu mais a Playboy, o que é um caso bem estranho, pois depois de adulto ele até deu entrevista para a revista. Era sindicalista de esquerda ainda e a revista deu espaço para ele em uma época em que isso não era fácil. Normal, é apenas mais um prato cuspido depois que Lula nele se fartou.
Porém, se não vê mais a Playboy depois de adulto, Lula tem algo para ler: saiu o novo livro de Diogo Mainardi. O título é sugestivo, Lula é Minha Anta, e reúne os textos do colunista da Veja publicados neste ano. São as porretadas e denúncias que evidentemente devem interessar aos petistas, que lêem Mainardi ávidamente, mesmo que escondido.

É igual ao Lula. Cercado das maiores sem-vergonhices que já se viu neste país (olha aí de novo!) e quer fazer moral dizendo que não vê fotos de mulher nua.

Diogo Mainardi escreve com frases curtas, com objetividade e ironia. O humor é seco, bem colocado. Ele escreve com objetividade. É fácil de ler, Lula não vai ter dificuldade. E também vem sem mulher pelada: até o Lula pode ver depois de adulto.
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POR José Pires

Pirata de fábrica
O estouro que a Receita Federal fez nas importações da Cysco Sistems mostra que no Brasil ou você compra direto do pirata oficial nas calçadas da cidade ou compra mesmo de pirata oficioso.
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POR José Pires

Epitáfio
Foi-se Paulo Autran, um ator que dizia que não gostava de televisão e que só lhe ofereciam papéis de “débeis mentais”. Mas nas novelas brasileiras tem algum outro tipo de papel?
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POR José Pires

Hora extra
Pode-se falar tudo do governo Lula, mas uma coisa esse governo tem de inquestionável: seu papel simbólico no colapso ético que sofre o País.

Mais uma simbólica do governo Lula: o ministro do trabalho Carlos Luppi foi assistir o jogo da seleção no Maracanã. E foi com carro oficial. O governo Lula tem mesmo um time esforçado. O pessoal trabalha até em jogo da seleção no Maracanã.
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POR José Pires

Dize-me com quem andas
O próprio repisador da expressão “nuncanestepaís” já andou fazendo sua autocrítica. A expressão ficou mesmo bem batida, mas com esta triunfante viagem à África não podemos evitar: nunca este país teve um governante que confraternizou tanto com ditadores. E como gosta!
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POR José Pires

As muitas viagens de Requião
O brasileiro sempre achou que o governador Roberto Requião “viaja” muito, desde quando ele fazia espetáculos no Senado e dava de dedo em banqueiro em CPI sem nenhum outro resultado prático que não esse: o dedo na cara do banqueiro.

E depois que se tornou governador do Paraná, Requião continuou viajando. E quanto! A oposição paranaense revelou que Requião gastou R$ 150 milhões em viagens nos quatro anos do mandato anterior.

Azar do contribuinte. As “viagens” de Requião no Senado eram bem mais baratas.
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POR José Pires

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

JOTA E AS COMPENSAÇÕES

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRÕESO presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, cumprimenta o capitão Blaise Campaoré, ditador de Burkina Faso. Lula participa das comemorações dos 20 anos de ditadura no país. Em 15 de outubro de 1987, Campaoré comandou um golpe que resultou no assassinato do então presidente marxista, Thomas Sankara.

Desde a independência da França em 1960, o país - conhecido antigamente como Alto Volta - passou por cinco golpes de Estado, com uma série de assassinatos de líderes da oposição.

Repare no logotipo atrás dos dois, digamos assim, chefes de estado. É o logotipo em comemoração à data, feito por um Duda Mendonça local. Lê-se na inscrição: “20 anos de Justiça e Democracia”. No alto do logotipo, a cara do ditador.

Lula e o ditador Blaise Compaoré participaram também do Colóquio "Democracia e Desenvolvimento na África", patrocinado pelo governo de 20 anos.

A foto é do site do governo Lula. Com certeza, seu governo orgulha-se da participação nos festejos. Deve ser a tal política externa avançada do PT.
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POR José Pires


A incendiária Doris Lessing
Doris Lessing ganhou o prêmio Nobel de literatura e desta vez os jurados suecos acertaram. Mesmo com um nome como Philiph Roth no páreo, um escritor muito mais interessante para o meu gosto, foi uma boa escolha.

Mas quem for procurar nas livrarias a obra mais conhecida da escritora, O Caderno Dourado, vai se decepcionar. Não tem. O livro foi editado no Brasil há alguns anos, está esgotado e não foi reeditado. São coisas do Brasil. Tem muito livro importante por aqui do qual se edita 2 ou 3 mil exemplares e depois nunca mais.

Da escritora, em nossa língua, o leitor vai encontrar alguns livros de ficção científica, tema explorado por ela nos anos 70 e 80 e que segundo alguns críticos até diminuiu sua cotação literária. Ficção científica é um gênero considerado menor.

Doris Lessing está com 87 anos e cara de velhinha pacata. Mas que ninguém se engane. É uma pessoa que viveu de modo corajoso, se envolveu em lutas políticas até na África colonizada e racista e tem também uma obra sólida, sem espaço para o sentimentalismo. Sua audácia também se revelou na quebra de regras sociais na metade do século passado e na colocação da sua obra em um patamar bem alto em um terreno difícil como o da literatura. Escreveu mais de cinquenta títulos e é autora de um livro polêmico, incendiário até, um marco da literatura e do comportamento.

Para vocês terem uma idéia da audácia dela, notem na foto acima, uma imagem da juventude da escritora, que ela está fumando. É uma foto da década de 50.

Em O Caderno Dourado ela antecipou muitas coisas que ainda estão em processo de discussão até hoje, quase cinqüenta anos após seu lançamento. É seu trabalho mais lembrado e tido como o mais importante. Trata da psicanálise, a experiência sexual, a neurose, os conflitos entre homem e mulher, a liberação da mulher, tudo isso junto com uma discussão profunda sobre o stalinismo, a situação colonial e o racismo.

O interesse de Lessing nas últimas duas questões pode ser creditado em boa parte à sua origem. Nascida na Pérsia, atual, ela cresceu na Rodésia, antiga colônia britânica que conquistou a independência em 1980 e mudou de nome para Zimbábue. Sempre foi anti-racista e ligada aos movimentos negros pela independência.
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POR José Pires

Livro deveria ser lido pela esquerda brasileira
O Caderno Dourado fala de temas que infelizmente ainda não foram devidamente discutidos no Brasil. Devia ser leitura obrigatória da esquerda brasileira. Os esclarecimentos que ele traz sobre o autoritarismo e sobre a visão curta que a militância ideológica acaba imprimindo na vida das pessoas, sua aridez humana e intelectual, bem que poderiam ser bem úteis por aqui.

Se a leitura fosse um hábito na universidade brasileira, deveria ser leitura obrigatória em todos os cursos.

Mas estamos bem atrasados nessas discussão. E Doris Lessing sabe disso. Em entrevista à BBC de Londres em março de 2002, ela foi bem irônica. Disse o seguinte: “Ouvi dizer que em partes da América do Sul ainda existem comunistas, o que acho um charme. É como se nada tivesse acontecido”.

Os acontecimentos que não tocaram os comunistas da América do Sul são os crimes de Stálin. O totalitarismo soviético que oprimiu culturas e destruiu pessoas. Parece que Lessing falava de nós, do Brasil, país em que o relatório de Kruschev aparentemente ainda não chegou.

Sobre O Caderno Dourado ela diz que queria deixar uma memória para que as pessoas sempre saibam como viviam aqueles que eram comunistas e que sonhavam com uma era de ouro. “Uma era, é preciso que eu repita, que nós de fato acreditamos, por um breve período, que estivesse logo adiante”, ela escreveu em sua autobiografia.

Lessing acha absurdo ter acreditado nisso. Uma coisa tão estúpida, ela diz. E afirma que escreveu o livro para que pelo menos “essas loucuras” fiquem registradas.
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POR José Pires

O mais importante caderno de Doris Lessing
Para a escritora é um mito que o movimento das mulheres tenha começado nos anos 60. Ela diz que tudo começou bem antes, nos anos 40 e 50, quando dentro e nas vizinhanças dos movimentos progressistas as mulheres começaram a ter voz. O Caderno Dourado é também sobre essa complexa mudança, a mulher ocupando espaço na sociedade e os conflitos inerentes à esta nova situação.

Lançado em 1962 na Inglaterra, o livro foi recebido com espanto. Demorou dez anos para ser editado na Alemanha e na França. Era considerado incendiário demais. E quando enfim foi editado nesses dois países, seu sucesso foi imediato.

A polêmica também se colou à obra. A escritora recorda que os críticos escreviam não sobre o livro e sim sobre si mesmo. Ou como os temas apresentados tocavam em seus temores pessoais. Um nervo havia sido tocado. O clima era tão conservador que até a menção da menstruação feminina desconcertou as pessoas. Ela julga que foi a primeira vez que a menstruação tenha figurado em romances. E os críticos também deram uma atenção danada para isso.

Mesmo tratando com profundidade do universo feminino (ou talvez por isso mesmo) O Caderno Dourado, de início, não teve a aceitação positiva das mulheres. Foram os homens que o aprovaram primeiro. Mas depois as feministas descobriram o livro e ele virou a “Bíblia dos Movimentos das Mulheres”. Até hoje a escritora não gosta nada disso.

O escritor peruano Mario Vargas Llosa escreveu sobre O Caderno Dourado em seu belo livro de ensaios A Verdade das Mentiras. Ele também não entende por que as feministas fizeram desse livro uma “bíblia”.

Para ele, “o livro não tem heróis ou heroínas”. E na obra de Lessing os propósitos de transformar o mundo ou suas próprias vidas também não dá muito certos para os personagens.
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POR José Pires

Feministas fizeram da obra uma bíblia
Mas as feministas tomaram o livro para si. Como costuma acontecer em algo que toca demais as pessoas a escritora perdeu o controle do livro depois de publicado. As pessoas assumiam O Caderno Dourado como seu, fazendo da obra a leitura que lhes convinha. As feministas viam o romance como um tema único, não enxergando nada além de seus próprios interesses no livro. E isso sempre desagradou à escritora porque encerra o livro em um círculo fechado que afasta os demais leitores.

E O Caderno Dourado trata exatamente desse “fechamento”. Foi escrito para se purificar desse mal. Uma carta recente que ela destaca na autobiografia mostra bem as transformações criadas pelo livro. “Acabei de ler O Caderno Dourado. Não sabia que as mulheres falavam de alguma coisa que não fossem bebês”, um homem escreve do México. E diz que deu o livro para sua mulher.

Ela também disse que encontra sempre mulheres que dizem que leram o livro e tiveram suas vidas mudadas por ele. E que suas filhas também leram e que as netas estão lendo.

Em sua opinião, escrever o livro operou uma mudança também nela. Embora ela tivesse descartado o comunismo, ainda tinha todas as estruturas mentais do comunismo, estruturas que, acredita, também dominam o pensamento de pessoas que nada tem a ver diretamente com a ideologia. É uma estrutura fixa, com códigos que impregnaram a sociedade.

Vargas Llosa, que gosta muito do livro, ressalta que Doris Lessing se antecipou à sua época. E o escritor peruano é uma pessoa indicada para fazer tal análise, pois além de ser um ensaísta de grande qualidade estava em Londres no início da década de 60, época em que o romance foi lançado. Além disso, ele também sofreu os mesmo tormentos ideológicos e a desilusão com o marxismo sofridos pela autora e que são muito importantes no romance.

Para ele, O Caderno Dourado perdura na memória “como somente conseguem os romances bem-feitos”. Doris Lessing conseguiu o feito que dezenas de escritores tentaram sem sucesso nos anos de 1950 e 1960: “capturar o espírito da época, com suas grandes ilusões, seus terríveis fracassos e as profundas transformações históricas”.
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POR José Pires

Autobiografia também merece atenta leitura
A autobiografia de Doris Lessing também deveria ser livro de cabeceira da esquerda. A edição publicada no Brasil é péssima, mas vale pelo conteúdo. Foi publicada em dois volumes (Debaixo da Minha Pele e Andando na Sombra) pela “Companhia das Letras”, numa edição malfeita, sem sequer um índice onomástico, o que torna complicado qualquer busca no livro. E não é a primeira vez que a “Companhia das Letras” faz isso.

E o livro ainda traz uma falha muito estranha. O Caderno Dourado, seu livro mais conhecido, é chamado o tempo todo de "O Carnê Dourado", inclusive na apresentação da contracapa. Ora, no Brasil nunca existiu este livro. O que se editou por aqui foi O Caderno Dourado, uma tradução bem mais correta, pois a protagonista do romance escreve em cadernos – são cinco, de cores diferentes – sendo o caderno dourado a pretensa síntese de todos eles.

Além do mais, no Brasil um carnê é algo com que se paga contas numa loja. Ou será que na editora brasileira alguém escreve anotações pessoais em um carnê e não em um caderno? Pode ser. Não me espantaria se agora com o Nobel a “Companhia das Letras” das letras lançar o livro de Doris Lessing com esse título idiota.

Mas, repito, o conteúdo é de altíssima qualidade. A autobiografia é um relato sincero. Lessing não faz de conta que viveu uma vida de heroína, como ocorre em certas autobiografias. Expõe seus erros políticos, desacertos sentimentais e toda sua busca existencial sem meias-palavras, com franqueza e simplicidade.
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POR José Pires

Engajamento acabou em aversão ao marxismo
A escritora foi muito engajada na esquerda, ao menos até o Vigésimo Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em 1956, quando foram revelados os crimes de Stálin. Era também engajada na luta anticolonialista da África. Suas ligações com a África trouxe para perto de si, quando foi morar em Londres, vários exilados, idealistas e sem nenhum tostão que penavam na fria Londres.

O apoio de Lessing consistia inclusive em acolher e alimentar na sua casa os pobres e famintos militantes. Alguns deles se tornaram depois autoridades políticas importantes em seus países de origem e passaram a perseguir os próprios companheiros de exílio, na esteira das divisões políticas entre os anticolonialistas alçados ao poder.

Nos conflitos surgidos nos países libertos do colonialismo as prisões eram duras, com torturas e assassinatos. Com a saída do colonizador, os africanos passaram a lutar entre si. Quem acredita nos problemas da África como de exclusiva responsabilidade do colonizador tem muito a aprender com esse livro. A crueldade dos novos governantes, saídos da militância negra, revelou-se com toda a ferocidade. Um antigo militante negro, que depois chegou a ser ministro na Tanzânia e finalmente caiu na desgraça e sofreu nas mãos de seus antigos companheiros de luta, disse para a escritora que “ficar preso sob os britânicos foi como estar num acampamento de férias, em comparação com as prisões africanas”.

O engajamento político da escritora também sofreu um abalo com a revelação dos crimes de Stálin, em 1956. Ela diz que foi como se os Partidos Comunistas do mundo todo tivessem sido explodidos por uma bomba. Ela era parte dessa multidão que sofria o desencanto e teme, até hoje, que ressurja o clima que possibilitou a criação de tal máquina criminosa, uma “psicopatologia social em massa”, da qual ela tem vergonha de ter feito parte.
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POR José Pires

sábado, 13 de outubro de 2007

Chávez e seu projeto cala-boca
O show do cantor espanhol Alejandro Sanz, que deveria acontecer na Venezuela no dia 1º de novembro foi proibido ontem pelo governo. Sans teve cancelada sua apresentação em um estádio administrado pelo governo. O motivo foram as críticas à Chávez e sua revolução bolivariana feitas pelo cantor em 2004, quando se apresentou no país.

Cerca de 15.000 pessoas iriam ao show, que tinha todos os ingressos já vendidos. Há alguns meses Hugo Chávez alertou que estrangeiros poderão ser expulsos da Venezuela se forem ao país para criticar o presidente e sua pauta política.

“Se um cantor vem à Venezuela e pede um espaço público, terá toda a imprensa a seu dispor, terá tudo para se apresentar como artista, mas não para vir falar mal do nosso país e de seus governantes”, disse o ministro da Educação Superior, Luis Acuna, em entrevista a um programa de rádio.

Notem a semelhança dessa atitude com o episódio da expulsão do correspondente do New York Times, Larry Rotther, e também com as tentativas do governo Lula de manietar a arte e de deter o controle político sobre a mídia. Isso não deu certo aqui, mas é evidente que do ponto de vista ideológico a relação Lula-Chávez é uma via de mão única. O modelo chavista influencia muito mais o modelo petista que vice-versa.

Isso revolta, mas não surpreende. Há muito que a dita “revolução bolivariana” revela um jeito de ditadura. E esse tipo de governo só aceita mesmo arte a favor. Também só serão recebidos com respeito estrangeiros que puxem o saco de Chávez. E o mais chato é que tem um monte de esquerdistas brasileiros prontos para fazer este papel ridículo.
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POR José Pires

Vêm aí o “realismo bolivariano”
Ditadores só gostam de elogios. Este é um vício político antigo. E evidentemente procuram moldar a arte em conformidade com seus objetivos. Felizmente nunca deu certo, mas Chávez vai tentar.

A “revolução bolivariana” procura um modelo de arte que dê impulso a seus projetos políticos e tenta instituir uma espécie de “realismo bolivarianismo”, bem parecido com o realismo socialista criado na antiga União Soviética. O realismo socialista criou uma arte burocrática e retrógrada pautada no que tem de pior no conceito realista. Um exemplo desta arte são as imensas estátuas de Lênin e Stálin, derrubadas depois da perestroika. Maravilhas de Matisse, Gauguin, Van Gogh e outros modernos comprados por russos antes da revolução ficavam escondidas em depósitos. Só havia espaço nos museus para o realismo socialista.

O apoio extensivo do Estado Soviético deu em nada. Do realismo socialista nada sobrou. E tiveram que tirar dos porões as obras de Matisse, Gauguin, Van Gogh e também de Kandinsky, Malevitch e outros russos que tiveram seu trabalho sufocado pelo realismo socialista.

O realismo socialista também é resultado de uma política que destruiu a obra e matou muitos artistas importantes da antiga União Soviética. O suicídio do poeta Maiakóvsky simboliza bem o período, pois tem muito a ver com o trágico projeto político implantado pela revolução de 1917.
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POR José Pires

A cara da “revolução” de Hugo Chávez
O encanto de Chávez com o realismo socialista é evidente. Recentemente ele havia pedido ao arquiteto Oscar Niemeyer o projeto para um monumento a Simon Bolívar. Niemeyer se especializou nesse tipo de coisa, que tem muito a ver com o realismo socialista. É a obra de exaltação, vazia de conteúdo e de nenhuma vitalidade. E também sem nenhuma visão crítica ou analítica. Niemeyer dá a sua camada superficial de modernidade, mas na essência é bem parecido com o realismo socialista. Reparem que a monumentalidade, caráter essencial do realismo socialista, é sempre presente nos trabalhos do arquiteto brasileiro. O projeto para Chávez teria cem metros de altura.

Na semana que passou, Chávez recusou o projeto de Niemeyer e optou por uma obra do falecido escultor Alejandro Colina (1901-1976), uma estátua em homenagem a Bolívar, que o artista deixou apenas projetada.

Nunca tinha ouvido falar do escultor venezuelano, que é conhecido na Venezuela por suas obras monumentais. Uma olhada em obras suas na internet me mostrou que não perdi nada. É o artista banal fazedor de monumentos. Colina tem várias obras homenageando nativos que lutaram contra colonizadores espanhóis. O artista esculpe seus indígenas com corpos renascentistas, bem musculosos. Chega a ser acadêmico. É mesmo o artista ideal da era Chávez. Apesar de que o preterido stalinista Niemeyer também é chavista de carteirinha.

Mas independente do padrão estético do escultor venezuelano, bastante condizente com a pobreza intelectual do projeto chavista, o que anima mais o presidente venezuelano é o caráter monumental da obra. A estátua de Bolívar a cavalo terá 51,6 metros de altura. Chávez se gaba do tamanho da coisa, a ser construída no alto de uma montanha. "Será muito mais alto que o Cristo do Corcovado, no Rio de Janeiro, muito mais alto que o Arco do Triunfo em Paris ou que o Monumento a Lincoln em Washington”, ele exclamou. O venezuelano parece estar precisando de um Albert Speer.

A imagem em cima à esquerda é o projeto do monumento. Imaginem isso com cerca de meio quarteirão de altura e sobre uma montanha. Além da questão estética é um atentado á ecologia. Mas, no entanto, parece que Chávez acertou. Mesmo por vias tortas pode acabar construindo um monumento adequado à sua “revolução”, um projeto ideológico autoritário, sem dúvida, mas tão confuso que merece aspas. Projetos políticos sem conteúdo claro ou de baixa qualidade exigem mesmo manifestações mastodônticas. Mas acabam derrubados pela história. Mas vai dar um trabalhão danado derrubar a estátua de Chávez depois que tudo isso acabar.
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POR José Pires

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

UMA IMAGEM VALE MAIS QUE MIL PALAVRÕES

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

CPMF e outros provisórios que permanecem

A CPMF é a cara desta República. E até mesmo a última manobra do governo Lula, a farsazinha de agora há pouco, é bem demonstrativa do peso simbólico deste tributo disfarçado. Então Renan Calheiros se licenciou da presidência do Senado? Ora, quem se licencia, pode voltar. Deve ser a tática da meia-desonra. Ou da meia-ofensa. Ou, melhor ainda, da meia-mea culpa. O homem se licencia, depois volta perdoado. O senador se dizia crucificado. Ele é o ladrão da direita ou o da esquerda?

A CPMF nasceu no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, idéia de um malufista (Adib Jatene), acabou sendo reformada no segundo mandato de FHC sob protestos e votação contrária do PT e agora volta à agenda política com o apoio total do PT e seus aliados, os mesmos que apoiavam a CMPF no governo FHC quando Lula e o PT eram contra. E agora a CPMF vem também com a necessidade da solução do imbróglio em que Renan Calheiros está metido.

Neste governo ou naquele, ética e projeto de governo pesam pouco. O que vale são os tributos, o que pesa é a CPMF.

Então vejamos. CPMF: idéia de um malufista, obra de FHC, continuada pelo PT e agora um subterfúgio para um sátrapa (gostaram?) como Renan Calheiros fugir das suas responsabilidades. E além de tudo é provisória.

Não há dúvida. A CPMF é a cara desta República.
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POR José Pires

O brasileiro sentado à beira o caminho
Essa entrega das nossas estradas para os espanhóis me lembra uma piada antiga. Um brasileiro viajando pela Europa estava em Portugal indo de carro para a Espanha. Desorientado, parou para pedir informações para uma português na beira da estrada: “Escuta, esta estrada vai para a Espanha?”. Então o português respondeu: “Ó pá, não sei se vai. Mas se for vai fazer muita falta cá pra nós em Portugal”.


E naqueles tempos a gente ria do português da piada... Agora essas estradas vão fazer muita falta cá pra nós do Brasil.
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POR José Pires

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Por que Mônica Veloso posou pelada pra Playboy?
A desculpa mais usada pra posar pelada para a Playboy sempre foi aquela do “fiz pela arte”. Poucas são as que dizem que fizeram mesmo pela grana.

Mas agora na onda do lançamento da revista com as fotos de Mônica Veloso o líder do DEM na Câmara, Onyx Lorenzoni, saiu com a melhor justificativa. “A jornalista Mônica Veloso está no direito dela de viabilizar recursos para sustentar a filha”, ele disse.

Essa é vai pegar. A ex-amante de Renan Calheiros posou pelada para viabilizar recursos para sustentar a filha. Podia ter sido pela arte, mas foi por esta nobre causa.
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POR José Pires

Na fila de espera

Ah, nada como ter foro privilegiado. Quando Paulo Maluf foi eleito deputado federal em 2006, os quatro processos que corriam contra ele em São Paulo foram remetidos ao Supremo Tribuna Federal (STF).

A primeira denúncia foi recebida somente agora, quase um ano depois. Os outros processos estão esperando na fila.
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POR José Pires

A elite distribui ovos

Boninho vai assumir a direção do programa "Mais Você”, de Ana Maria Braga. E o que é que temos com isso? Já explico. Acontece que a piada que corre na internet é que a presença de Boninho na direção do programa vai fazer Ana Maria Braga apresentar muitas receitas com ovos.

A piada é por causa de um vídeo caseiro postado no site Youtube em que Boninho e uma porção de gente rica revela seu esporte predileto: jogar ovos das janelas de seus super-apartamentos nas pessoas que passam embaixo.

Boninho é diretor do Big-Brother Brasil. E foi vítima de um “Big-Brother” caseiro. No vídeo, os ricaços fazem uma lista daquilo que jogaram pela janela: vassoura, cigarro, camisinha, garrafa de bebida, ovos, panela, balde d’água. José Bonifácio Sobrinho, o pai de Boninho e ex-todo poderoso na Globo, conta que já jogou uma mulher.

Mas é Boninho que revela ser um adepto fanático do esporte. Ele revela, em close para a câmera, que jogou muito ovo nas pessoas. “Taquei muito ovo pela janela”, ele conta “acertei muita vagabunda em São Paulo”. E ainda dá uma receita para o ovo apodrecer mais rápido.

O vídeo tem sido retirado do Youtube, por motivos óbvios. Vai e vem, porque a rede de internautas é ágil para repor. Ainda há pouco estava lá. Vale a pena ver: clique aqui. É um excelente retrato da elite brasileira.
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POR José Pires

Obra coletiva

O tucano é um animal político indeciso. Isso todo mundo sabe. O bicho fica no muro até que não haja nenhum risco em decidir. Mas um deslize do deputado Paulo Renato Souza revela que, além disso, o tucano é um animal muito, mas muito distraído.

O deputado enviou um texto para a Folha de S. Paulo para publicação. No artigo ele critica a intenção do governo federal de passar o Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) para o controle do Banco do Brasil.

Acontece que antes de mandar para o jornal o deputado tucano submeteu o texto à presidência do banco Bradesco. A Folha de hoje conta que o e-mail de Souza enviado ao jornal trouxe por engano no corpo da mensagem a correspondência anterior enviada ao presidente do Bradesco, Márcio Cypriano.

O deputado tucano escrevera ao presidente do Bradesco o seguinte: “Em anexo, vai o artigo revisto. Procurei colocá-lo dentro dos limites do espaço da Folha. Por favor, veja se está correto e se você concorda, ou tem alguma observação. Muito obrigado, Paulo Renato Souza".

A Folha de S. Paulo ainda teve a decência de fazer uma matéria com o ocorrido. Noutros jornais, vários deles, talvez todos, o erro do deputado tucano seria mantido entre a direção do jornal e o deputado, sob risos e piadinhas cúmplices.

Um deputado escrevendo a quatro mãos um artigo, qualquer artigo, com um banqueiro é algo que, num país decente, daria um escândalo danado. Num caso como este, em que além do mais o tema é da área de interesse do banco, o deputado teria muito mais que explicar. Mas aqui vai ficar por isso mesmo.

Esta história é uma boa referência para entender como o Congresso Nacional chegou ao atual estado de deterioração. O eleitor tem todo o direito de suspeitar que um político que oferece artigos para a presidência de um grande banco pode fazer muitas outras coisas que ferem a ética.

E ainda tem o agravante do deputado tucano ser uma das figuras de maior projeção da oposição. Paulo Renato Souza foi ministro da Educação nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso. Era poderoso politicamente e íntimo do presidente, que comandou um governo bastante privatista.

Bem, o governo Lula a gente sabe como é. E esta é a oposição. Os dois lados só fazem coisas a quatro mãos se as outras duas forem endinheiradas.
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POR José Pires

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Extra! Extra!
A notícia do óbvio: a revista Playboy com Mônica Veloso esgotou nas bancas do Congresso Nacional. Como diz o pessoal, não deu pro cheiro. Todo mundo comprou. A exceção foi o senador Eduardo Suplicy, que comprou no aeroporto de São Paulo e disse que vai ler depois. Não revelou se vai ser no banheiro, como é o hábito de leitura da Playboy.

A editora Abril persegue o presidente do Senado, Renan Calheiros. Como se não bastasse a ansiedade da espera de cada semana pela Veja, agora tem esta edição da Playboy.

Não se sabe ainda se o senador vai pedir direito de resposta para a Playboy. Resposta de quê? Ora, Renan Calheiros pode responder se teve excesso de photoshop ou não.
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POR José Pires

Jota e os GRANDES REVOLUCIONÁRIOS

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Che Guevara ainda incomoda muita gente

O aniversário da morte de Ernesto Che Guevara motiva a discussão sobre essa mítica figura da América Latina, mas pouca coisa boa saiu até agora do palavrório em torno do tema. Vozes à esquerda e à direita de Che Guevara têm se dedicado mais à bobagens levianas ou ao bate-boca sem conteúdo. A revista Veja deu o pontapé inicial e digo pontapé não apenas como figura de linguagem. Veja resolveu chutar o morto. A este esporte fácil se juntaram também colunistas da revista e seu blogueiro mais conhecido.

O pau em Guevara foi em uma reportagem de capa daquelas produzidas para propagandear uma tese pré-estabelecida pela revista. Neste tipo de texto é usual que dados históricos comprovados sejam deixados de lado para as fontes favoráveis serem incensadas como vozes da verdade – como é o caso do cubano exilado e agente da CIA Felix Rodríguez, a estrela da reportagem contra Guevara.

Mas não foi somente aqui que floresceu o besteirol em torno do guerrilheiro de origem argentina morto na Bolívia há 40 anos. Veja a capa acima. É de uma revista portuguesa. A leviandade histórica é absoluta, coisa de quem desconhece ou não faz questão de dar a conhecer a dimensão que Adolf Hitler tem na história humana. E muito menos Che Guevara.

Também é apenas uma facilidade gráfica. E de facilidades assim se produz muita besteira na mídia. Para dar a dimensão autoritária de Che Guevara seria, talvez, mais apropriado até trocar seu bigode ralo de Cantinflas pelo bigodão massudo de Stálin. Ou a ainda mais adequada cara bolachuda de Mao Tsé-tung. Mas cadê competência para tal? Ou talvez a idéia tenha morrido em uma discussão de pauta na redação pelo fato da face de Stálin ser pouco conhecida e a de Mao menos ainda.
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POR José Pires

Veja dá um banho em História

Ao menos na capa a revista Veja não chegou a tanto quanto a revista do outro lado do Atlântico. Fez uma capa até discreta, ruim de doer, mas sem nenhum insulto. Na publicação nacional o exagero ficou mesmo para a própria reportagem.

A pauta evidente era a demolição da imagem de Guevara. E seus redatores se esforçaram bastante para isso. Até um apelido de juventude do guerrilheiro foi desencavado para lascar o porrete em sua memória.

A revista publica, em tom acusatório, a revelação de que Guevara não tomava banho e, por isso, seu apelido seria “El Chancho”, ou “O Porco” em português. Não conta, é claro, que o apelido é dos tempos da juventude dele na Argentina. Mas, de qualquer modo, Veja institui um estranho juízo de valor para o julgamento de uma figura histórica. O problema é que nesta nova categoria Hitler estaria entre os melhores estadistas da História simplesmente pelo fato de banhar-se com freqüência.
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POR José Pires

Hay que calumniar

Mas Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi estão pouco se importando com a veracidade histórica. Ambos são colunistas da Veja, sendo que Azevedo publica também um blog no site da revista. Para os dois, o que vale é o adjetivo supostamente engraçado. Azevedo chama Guevara o tempo todo de Porco Fedorento. Parece se divertir com a coisa.

A idéia central, porém, não é nada jocosa. A intenção da revista e agora de seu colunista é pegar Che Guevara pelo lado mais difícil. Querem provar uma suposta covardia do guerrilheiro. Veja lançou a deixa na abertura da reportagem de capa e Reinaldo Azevedo bate na tecla com insistência até hoje.

Para isso se valem de uma frase supostamente dita por Guevara no momento de sua captura. “Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto”, ele teria dito. A revista lamenta que essa frase, de que ela mais gosta, tenha sido apagada por outra, dita pelo guerrilheiro na hora da sua execução: “Você vai matar um homem”.

É bobagem tentar apagar a bravura pessoal de Guevara. Isso ele teve e muita. Pode-se até condenar sua ideologia política e até mesmo sua pouca disposição pessoal para conviver com a democracia – segundo consta, neste aspecto Guevara seria até menos contemporizador que Fidel Castro –, mas tentar ignorar sua coragem pouco contribui para entender o mito e muito menos para combatê-lo.
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POR José Pires

Conspiração que junta meio mundo

Mas para Veja, a predominância de uma frase sobre outra, até isso foi o resultado do trabalho da “máquina de propaganda marxista”. Uma bobagem sem tamanho. É preciso acreditar muito em conspirações permanentes para ver o sucesso de Guevara entre a classe média intelectualizada e parte da juventude como produto de uma “máquina marxista”, uma grande conspiração internacional de esquerda com a anuência, inclusive, de grandes corporações capitalistas e estrelas internacionais, incluindo a bunda de Gisele Bundchen, a barriga de Mike Tyson e a perna de Diego Maradona.

Che Guevara não ficou na história por esta ou aquela frase. Neste caso, por sinal, a frase que mais lhe é atribuída – a famosa “Hay que endurecer, pero sin perder la ternura” – nunca foi dita por ele. O que dá suporte ao mito é sua aura de heroísmo, o desapego ao poder e, muito importante, o fato de ter morrido relativamente jovem. O fracasso de suas investidas na África e na Bolívia são menos importantes do que a aventura em si, que é o que realmente dá solidez a qualquer mito.

Então Che Guevara era um covardão? Ah, conta outra. Mas, às vezes chego até a pensar que essa gente acredita mesmo nisso. E talvez isso explique por que eles se preocupam tanto com a imagem do guerrilheiro no biquíni de Gisele Bündchen. O Che no biquíni da modelo tem o mesmo significado político das serigrafias de Marilyn Monroe feitas por Andy Warhol. Ou seja: nenhum.
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POR José Pires

Bolívia de Barrientos, a democracia da Veja

Outra coisa que querem apor à história de Che Guevara é o guerrilheiro destruidor da democracia. Em termos de conceitos políticos, pode até ser. O mito de um Che Guevara lutando pela liberdade e a justiça é só isso: um mito. Guevara lutava pela implantação do comunismo. E nunca negou isso.

Mas a revista Veja e seus articulistas tentam criar a imagem de um Che Guevara estrangeiro e invasor de uma Bolívia soberana. Sobre a morte de militares bolivianos no confronto com a guerrilha a revista fala, por exemplo, de “49 jovens inexperientes recrutas que faziam o serviço militar obrigatório” que morreram defendendo a “soberania de sua pátria”.

Soberania da pátria? Da Bolívia? Isso é descontextualizar mal e porcamente a História. E com uma má-fé indesculpável. A Bolívia em que Guevara fez a sua guerrilha não era nada disso que a Veja tenta fazer seu leitor engolir. O país era governado pelo general-ditador René Barrientos e dominada inteiramente pela política externa norte-americana. O presidente de então era Lyndon Johnson, que teve uma ativa colaboração com o golpe de 64, no Brasil.

Os países mais importantes da América do Sul eram dominados por ditaduras militares, entre eles o Brasil. A ditadura de René Barrientos era tão execrável que tinha como auxiliar na repressão interna o nazista Klaus Barbie, um criminoso de guerra que por duas décadas se refugiou na Bolívia até ser deportado para a França.

Barbie tinha esse sobrenome de boneca, mas era um demônio. Destacou-se por sua crueldade até entre os próprios nazistas. Era especialista em tortura e foi nessa atividade que prestou serviço à ditadores bolivianos.

Este é o contexto em que Che Guevara atuou na Bolívia e que Veja não quer ver e muito menos fazer seus leitores verem.
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POR José Pires

Hay que ser cobarde...

Mas Reinaldo Azevedo quer outra coisa com esta história. A polêmica o atrai na mesma medida em que aumenta seu prestígio ou, se não isso, ao menos a popularidade. A polêmica pode ser um ganha-pão. Hoje em dia é um meio de vida para muita gente.

O jornalista já foi trotskista, militante da extrema-esquerda. E o trotskismo sofre com dois problemas atávicos em sua formação: o pecado original do leninismo e o sentimento de culpa de terem ajudado a criar seu próprio algoz: Stálin. Depois disso, é difícil manter a sanidade ou a honestidade intelectual. Dois exemplos de ex-trotskistas? O próprio Azevedo e o ex-ministro Palocci.

Extremista arrependido, o ex-trotskista leva para o lado que o acolheu todas as armas de confronto que usava quando estava na outra extremidade política. E faz exatamente como na extrema-esquerda: busca adequar a realidade ao seu pensamento sobre o mundo. A realidade que se dane para se encaixar no que ele pensa. Estou falando do ex-trotskista, mas o trotskista não é melhor.

Azevedo é um homem estranho. Se anima de forma até desmedida com ações de uma pessoa como João Dória Júnior e ao mesmo tempo busca desumanizar uma figura fascinante como a de Guevara. Será Dória Júnior o "homem novo" de Azevedo? Nada contra a crítica ao autoritarismo de Guevara, mas qual será o efeito de combatê-lo simplesmente – e do modo mais grosseiro – sem colocar sua devida dimensão humana, trágica e também sua bravura?

Uma coisa é certa: o mundo assim será bem mais chato. Mas, quanto à necessidade de transformar o bravo guerrilheiro em um covarde que pede pela vida, talvez Freud explique. Ou a temporada de chinelão e bermuda tenha o poder de fazer o jornalista perder a capacidade de perceber a dimensão dos feitos humanos.

Che Guevara estava entre os 82 homens que desembarcou em Cuba em 1956 para começar a revolução. Desses 82, surpreendidos pelo exército do ditador Fulgêncio Batista, sobraram apenas 15. Foi o núcleo inicial da guerrilha que lutou por cerca de dois anos em Sierra Maestra, muitas vezes sem alimento, sem armas e sem munição.

Pode-se discordar e muito de um homem desses. Acho até necessário essa discordância. Mas honestamente é impossível admirar sua coragem e bravura.
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POR José Pires

Veja já mostrou a bravura de Guevara
Em seu afã em reescrever a história de modo conveniente a seu interesse de momento, os editores de Veja desconsideram até a própria memória da revista. Então vamos lembrar. Na edição de julho de 1997, em outra reportagem de capa sobre o Che Guevara, a jornalista Dorrit Harazim conta uma história que exemplifica bem o terreno onde Guevara resistiu quase um ano inteiro com um grupo de guerrilheiros esfarrapados.

Uma equipe da televisão francesa foi à região para refazer o trajeto do Che. Pois ninguém conseguiu escalar sequer até o primeiro acampamento. E os franceses ainda caíram no rio Ñacahuazú e perderam o equipamento de 50.00 dólares.
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POR José Pires

Besteira a favor é muito pior

Mas a esquerda não se sai muito melhor do que o Reinaldo Azevedo ou a Veja. Ou mesmo o Diogo Mainardi. No Carta Maior, um site de petistas, a matéria da Veja e as provocações de Reinaldo Azevedo produziram textos em defesa de Che Guevara, mas muito semelhantes na falta de conteúdo e até nas besteiras em relação ao guerrilheiro. E besteira a favor prejudica mais que besteira contra.

O diretor de Carta Maior, Flavio Aguiar, produziu um artigo que há de ficar entre as maiores besteiras já escritas a favor de Che Guevara. E olha que são muitas por aí. Tem outras inclusive no próprio Carta Maior. Num elenco de, conforme ele escreve, “cinco razões para os arautos da direita brasileira detestarem a sombra de Ernesto Guevara”, ele coloca o fato do guerrilheiro ser bonito. “O Che era bonito. Aí é demais. Dispensa palavras”, ele escreve.

Não é tão idiota quanto colocar o bigodinho de Hitler na famosa estampa do guerrilheiro? E o texto ainda guarda outras besteiras do mesmo quilate, além de quatro outras razões tão idiotas quanto esta.
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POR José Pires

Sai daí José Dirceu! Você vai acabar com um mito

São indicações de que, à medida que envelhece, esse pessoal vai ficando mais bobo. Acho até que o envelhecimento da geração que começou o culto a Che Guevara pode acabar levando ao demoronamento do mito. A conquista do poder e a incapacidade dessa gente em atuar na prática pelos sonhos de sua geração está colocando no plano da realidade mitos como o de Guevara.

Um exemplo disso é que, depois do ataque e as provocações de Veja e seus colunistas, outro velho companheiro que respondeu foi o deputado cassado e réu do “Mensalão”, José Dirceu. Ele atacou a revista Veja e encheu de elogios Che Guevara. Agora me digam, qual é o mito que resiste a elogios de José Dirceu? Um elogio de Dirceu vale mais que a capa da Veja. Para acabar com o Che Guevara, é claro.
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POR José Pires

sexta-feira, 5 de outubro de 2007


Quadro de Leonardo da Vinci é achado quatro anos depois
A tela acima, “A Virgem do Fuso”, havia sido roubada há mais de quatro anos de um castelo escocês. Pintada por Leonardo da Vinci (1452-1519) em 1501, mostra a Virgem Maria com o menino Jesus, que segura um fuso de tear. Durante quase 200 anos foi propriedade da família do Duque de Buccleuch, deputado conservador que morreu aos 83 anos, em setembro.

A pintura ficava no Castelo de Drumlanrig, na Escócia. Avaliada em 43 milhões de euros, foi roubada em agosto de 2003 do próprio castelo, que era visitado todos os anos por milhares de turistas para admirar a obra. Estava em uma lista elaborada pelo FBI dos dez objetos de arte mais procurados no mundo e foi recuperada pela polícia britânica esta semana.

O furto, de certo modo, aumenta o mito em torno da personalidade extraordinária de Leonardo da Vinci. Ele foi pintor, escultor, físico, matemático, arquiteto, mecânico, urbanista, engenheiro, botânico, geólogo e outras coisas mais. Foi precursor da aviação, da balística e da hidráulica. Ah, sim, e inventou o isqueiro. Era um modelo do “homem universal” gerado pelo Renascimento. O conceito básico é de que o homem deve desenvolver todas as áreas do saber. O Renascimento se desenvolveu entre os séculos XIV e XVI em cidades que viriam a formar futuramente a Itália.

O artista dedicou-se a pesquisas e observações científicas que são respeitadas pelos especialistas. Lançou-se em vários campos, sempre com genialidade: geologia, paleontologia, ciências naturais, anatomia, biologia, ótica, astronomia, física. Foi arquiteto, mecânico, urbanista, engenheiro, botânico, geólogo, além de pintor e escultor.

Era um talento múltiplo e de extrema capacidade inventiva. Antecipou em muitos séculos a possibilidade da viabilização de anseios humanos colocados em prática apenas no início do século passado. A necessidade de voar, por exemplo. A partir do vôo dos pássaros fez estudos para a criação de um aparelho voador mais pesado que o ar. Fez desenhos de uma máquina muito semelhante ao helicóptero e também traçou esquemas parecidos com o pára-quedas. Outra invenção sua é de um submarino.

Já naquela época praticava a dissecação de cadáveres e com isso tornou-se um profundo conhecedor da anatomia humana. Produziu muitos desenhos anatômicos detalhados. Para compreendermos o quanto o artista era avançado ao fazer isso, não devemos esquecer que a Igreja Católica dominava a Europa política e culturalmente, com suas tradições conservadoras determinando praticamente tudo sobre a vida das pessoas.

Neste ambiente sob a autoridade do rigor religioso, não era raro a busca do conhecimento ser acusada de heresia. Por isso, não podemos ignorar que ao estudar a anatomia humana e avançar tanto nas pesquisas em outras áreas, o artista mostrou muita ousadia, além da genialidade. Como um exemplo da sua audácia, lembro que em pleno período da Peste Negra, que dizimou metade da população da Europa e que já havia matado a quarta parte da Cúria, foi necessário a permissão da Igreja para que os corpos das vítimas pudessem ser dissecados na vã tentativa de encontrar uma explicação médica para a epidemia. Isso ocorreu no papado de Clemente VI, em 1348, apenas um século antes do nascimento do artista renascentista.

De Leonardo da Vinci conhecem-se hoje apenas 10 ou 12 quadros cuja autoria está seguramente estabelecida. Muitas obras suas se perderam, outras foram destruídas. Uma das mais conhecidas, a ‘Santa Ceia”, é conservada a muito custo e mesmo assim bastante danificada. Sua pintura mais conhecida é a “Mona Lisa”. A pequena quantidade de obras, no entanto, são suficientes como documento do avanço impressionante que o artista imprimiu à história da arte.
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POR José Pires

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

É muito azar. Veja essas fotos que circulam na internet. Depois dessa ou o Senado fecha ou vai ter que mudar a denominação do representante. Francamente, senador não dá mais.
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POR José Pires

Menos, menos...

Chamada da revista Playboy que traz Mônica Veloso na capa: “A mulher que abalou a República”. Espera aí, a República brasileira anda mesmo em baixa, mas não exagera.
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POR José Pires

Taras palacianas

E dizem que – ainda minha límpidas fontes palacianas – a Playboy com a Mônica Veloso foi parar no Palácio do Planalto. Assessores viram as fotos com a ex-amante de Renan Calheiros e exclamaram: “Que avião!” E depois fizeram aquele gesto obsceno filmado pela TV Globo através do janelão do Palácio do Planalto.
Esse pessoal tem fixação.
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POR José Pires

Lições de vida do Supremo Apedeuta

Mais uma lição do mestre Lula, depois do choque de gestão com a contratação de mais gente: “Se não chutar não faz gol”.

Na primeira lição, encantou economistas do partido. Até o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ficou animado com a nova teoria.

Com essa agora a gente ganha a próxima Copa do Mundo, com certeza.
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POR José Pires


Mais uma ponderação do Lula

Falando nisso, segundo fontes límpidas na secura do Planalto, dizem que levaram ao Lula a mancada ortográfica do Congresso Nacional, descrita aí embaixo, com o carimbo do “Congreço”.

Ele tinha que saber do problema. Afinal, além de Supremo Apedeuta também é Supremo Mandatário. Lula pegou o papel com a carimbada ágrafa, ponderou por alguns instantes e disse para a esposa: “Olha aqui, Marisa, com que tipo de gente eu tenho que trabalhar, nem sabem escrever o nome deles correto. Daqui a pouco vão estar escrevendo Çenado sem o cê-cedilha!”
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POR José Pires

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A imagem acima não é piada. Ou, pelo menos, não é uma piada voluntária. Parece até brincadeira com a era Lula, mas a carimbada é real. É de um carimbo feito pelo próprio Congresso Nacional e está estampado em milhares de documentos oficiais da Câmara e do Senado.

Não é preciso CPI: a culpa já está sendo jogada nas costas de um funcionário menor, não identificado. A mancada ortográfica persistiu por três semanas e até o erro ser descoberto todo tipo de documento importante do Congresso levava a carimbada.

Mas felizmente o problema já foi sanado, antes que a governabilidade fosse afetada. Dizem até que quando apontaram o erro para um importante senador, ele declarou: “ É uma barbaridade! Onde já se viu escrever “Congreçu” com “o”...

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POR José Pires

Relator do aumento do STF é denunciado... no STF

Por falar em gastos, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta terça-feira, por unanimidade, aumento de 3,14% no teto salarial de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O aumento é referente à reposição da inflação de 2006.

A decisão é para todo o Judiciário e terá forte impacto no Orçamento do governo, pois o salário de ministro do STF é o teto do funcionalismo.

O relator do projeto de lei é o deputado Geraldo Pudim, do PMDB do Rio de Janeiro.

O aumento dos ministros – cujos salários vão passar de R$ 24.500 para R$ 25.269 – é líquido e certo. Mas quem é o relator do projeto, Geraldo Pudim? Ora, Pudim é do grupo do ex-governador Anthony Garotinho.

Pois o deputado Pudim, mais o ex-governador Garotinho e o deputado estadual e ex-chefe da Polícia Civil de Garotinho, Álvaro Lins foram denunciados pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza junto ao STF.

A denúncia, apresentada em agosto passado, acusa os três de compra de votos. Pudim chegou a ser cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), mas manteve o mandato por meio de uma liminar aceita pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo a denúncia os acusados montaram um esquema para usar na eleições de outubro de 2006 um grupo de candidatos ao cargo de investigador da Polícia Civil do Rio. São candidatos ao cargo que não foram classificados dentro do número de vagas previsto no edital e, por isso, não seriam convocados para as fases seguintes do processo seletivo.

Havia a promessa ao grupo de alteração do edital para favorecê-los. Segundo o Ministério Público, Geraldo Pudim utilizou o acesso à então governadora Rosinha Matheus e o ex-governador Anthony Garotinho para permitir a alteração de uma regra do edital que possibilitaria a convocação dos excedentes. A alteração ocorreu de fato e até foi anunciada em comício eleitoral.

“Geraldo Pudim, Álvaro Lins e Garotinho atuaram nas diversas esferas da Administração estadual até que a alteração fosse publicada em 28 de setembro de 2006, às vésperas da eleição”, afirma o procurador-geral na denúncia.

Então esse é o deputado Geraldo Pudim, o relator do projeto que concede aumento aos ministros do STF – extensivo a todo o Judiciário – e que está sendo denunciado no mesmo tribunal. Ele e seu grupo político, todos acusados de compra de voto. São coisas da República do Brasil.
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POR José Pires

Jota e as GRANDES COMPENSAÇÕES– Veja pelo lado positivo, querida. Tudo bem, eu traí você, mas qual das suas amigas tem um marido com uma amante que até já posou nua para uma grande revista masculina?

Prêmio Nobel para Lula

No início do primeiro mandato de Lula o PT e demais puxa-sacos vieram com uma história de lançar seu nome para o prêmio Nobel da Paz. Naquela ocasião, o factóide surgiu para embalar a campanha do Fome Zero.

O partido agora tem mais uma chance de emplacar um Nobel para Lula, dessa vez o de Economia. O novo conceito lulista de choque de gestão que recomenda contratar mais gente com salários mais altos bem que merece um Nobel.
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POR José Pires

terça-feira, 2 de outubro de 2007

A nova economia do professor Lula

O presidente Lula é de uma desfaçatez sem tamanho. A falta de vergonha, o descaramento, o impudor e o cinismo é que lhe aplicam na face a proverbial cara-de-pau para fazer o discurso adequado a cada público.

Lula ganha a vida falando o que a platéia do momento quer ouvir. Para agradar ao setor financeiro é capaz de acenar até com a possibilidade de mexer na aposentadoria do trabalhador. Quando fala ao trabalhador, diz o contrário.

A última dele – pelo menos a de hoje; amanhã com certeza tem mais – é a de que choque de gestão se faz contratando mais gente. É claro que ele falou isso para uma platéia de funcionários públicos.

E Lula contrata bastante. Até mesmo sem concurso. O homem tem 109 assessores diretos, sendo doze apenas para cuidar da agenda.

Na campanha eleitoral do primeiro mandato, para mostrar um perfil de administrador equilibrado e sensato, Lula costumava repetir sempre aquela ladainha de que "até uma dona de casa sabe que não pode gastar mais do que ganha".

Ele falava essa bobagem como se estivesse citando altos conceitos em economia.

Agora Lula vai ter que mudar a história. Neste novo modelo, quando uma dona de casa precisa fazer economia em casa ela faz logo o choque de gestão do Lula: contrata mais uma empregada.
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POR José Pires

Até o Djavan está cansado de imposto

Sem crescimento econômico, o choque de gestão do Lula exige que ele tribute mais a população. Não tem outro jeito. Daí o esforço extraordinário para aprovar a CPMF.

É tanto imposto que até o Djavan, compositor mais ligado na pureza do limão, açaí, guardiã, zum de besouro e até em imã, pois até o Djavan se cansou. Ele acaba de lançar seu 18º disco, Matizes, e colocou lá, entre as dez canções, uma com o nome “Imposto”. Nela, o cantor critica a excessiva carga tributária brasileira.

Quem me lembrou da nova investida de Djavan foi o leitor Mauro Anici. Vale a pena registrar a letra da música, pelo inusitado, já que Djavan musicalmente sempre habitou um mundo muito particular onde a maioria das letras, sempre auto-referentes, tem sentidos incompreensíveis para quem ouve.

"Imposto" não é nenhum "Caminhando", mas deve ser uma música bem tocada, pelo momento especial em que vivemos, uma época de “derrama”, de tributação sem precedentes na República.

Lá vai a letra. Imagine isso na voz do Djavan, naquela mesma batida dele que já vai para décadas. Legal, companheiro Djavan. Obrigado pela colaboração. Mas é mais chato que pagar imposto.

Imposto - Djavan
IPVA, IPTU
CPMF forever
É tanto imposto
Que eu já nem sei!...
ISS, ICMS
PIS e COFINS, pra nada...
Integração Social, aonde?
Só se for no carnaval
Eles nem tchum
Mas tu paga tudo
São eles os senhores da vez
Tu é comum, eles têm fundo
Pra acumular, com o respaldo da lei
Essa gente não quer nada
É praga sem precedente
Gente que só sabe fazer
Por si, por si
Tudo até parece claro
À luz do dia
Mas claro que é escuso
Não pense que é só isso
Ainda tem a farra do I.R.
Dinheiro demais!
Imposto a mais, desvio a mais
E o benefício é um horror
Estradas, hospitais, escolas
Tsunami a céu aberto,
Não está certo.
Pra quem vai tanto dinheiro?
Vai pro homem que recolhe
O imposto
Pois o homem que recolhe
O imposto
É o impostor


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POR José Pires

Jota e as CARREIRAS BRILHANTES

Chame o capitão Nascimento!

Não é só o ladrão de Maringá que está indignado com a falta de segurança. O Luciano Huck também está fulo da vida. O apresentador da TV Globo teve o relógio Rolex roubado por motoqueiros em São Paulo.

Enraivecido, Huck escreveu um artigo na Folha de S. Paulo onde diz o seguinte: “Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado. Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado”.

Não entendi a dualidade cívica: como é que alguém tem um sentimento como brasileiro e outro como paulistano? Mas deixa, pra lá, o cara pode ter escrito o artigo em estado de choque. O relógio levado pelos assaltantes custa cerca de R$ 48 mil.

Mas Huck disse mais. Escreveu em seu artigo que “para resolver o problema da violência, só chamando o capitão Nascimento”.

E aí criou um problema pra mim, mano. O capitão Nascimento é um personagem de "Tropa de elite", filme que não vi e nem pretendo ver. O Reinaldo Azevedo já prometeu que vai ver o filme para nós. Mas até agora nada.

Porém, não é preciso ver o filme para saber que o capitão Nascimento é um policial violentíssimo, um Rambo das favelas. O personagem é interpretado pelo ator Wagner Moura.

O capitão Nascimento faz mais sucesso na internet do que seu fã de carterinha Luciano Huck. Na última sapeada que eu dei, o personagem do filme Tropa de Elite já tinha 33 comunidades no Orkut. A maior delas já tem 3 mil participantes.

Também já correm pela internet listas de fatos que atestam sua ferocidade. Uma delas diz que o capitão Nascimento “dorme com um travesseiro debaixo da arma”. Para comprovar a violência dele os internautas também o comparam ao ator norte-americano Chuck Norris, que interpreta personagens violentos no cinema. E Chuck Norris, conforme a piada, perde para o capitão.

O filme deve ser uma paulada. Foi filmado em favelas do Rio. O diretor José Padilha contou à imprensa que foi uma experiência emocionante. “"Havia interação com os moradores. Às vezes os traficantes apareciam e davam conselhos, como: 'Não é assim que se queima um cadáver"', ele disse.

Este é o clima. Ou seja, o capitão Nascimento é um policial da pesada, violentíssimo, adepto da tortura e do assassinato. É isso que o Luciano Huck acredita ser a solução para a violência. Huck só não esclareceu se pensa isso como paulistano ou como brasileiro.
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POR José Pires

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A insegurança afeta até os ladrões
Com o perdão dos politicamente corretos, a situação está mesmo preta. Em Maringá, depois de preso pela polícia, um ladrão reclamou da insegurança. E não estou falando de nenhum político aproveitando o avanço da criminalidade para começar sua campanha, já que no ano que vem teremos eleições.

É ladrão comum mesmo. A notícia saiu em “O Diário do Norte do Paraná”, de Maringá. Depois de ser preso pela polícia após invadir três casas, Jorge Luiz Mello Júnior reclamou da violência na cidade. "Maringá está muito violenta. Precisa de mais policiais nas ruas", ele disse em entrevista ao radialista Geraldo Irineu, da rádio Cultura AM. Júnior disse que foi assaltado depois de praticar um dos furtos.

A polícia teve dificuldade em recuperar os objetos furtados. Segundo o ladrão, uma carteira e um celular tinham sido roubados por uma gangue do bairro.

“Vim de São Paulo há quatro meses e logo no meu primeiro assalto sou assaltado”, ele disse na entrevista.

A insegurança é tão grande que logo vamos ter ladrão fazendo seus roubos com o segurança ao lado. Bem, isso nós já temos. E alguns até dão entrevista coletiva na inauguração do roubo.
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POR José Pires

A violência avança no Brasil
Falando em violência, um relatório lançado pela ONU traz péssimas notícias para nós. São assustadores os números em relação ao Brasil. O documento foi lançado para lembrar o Dia Mundial do Habitat, neste 1º de outubro.

Segundo o documento, São Paulo tem 1% dos homicídios em todo o mundo. Isto, apesar de ter apenas 0,17% da população mundial.

Em 1999, São Paulo teve 11.455 assassinatos. O número é 17 vezes superior ao de Nova York, que teve 667 assassinatos.

Tem mais uma triste superioridade brasileira. E na comparação com um país que tem fama de violento. Entre 1978 e 2000, 49.900 pessoas foram assassinadas nas favelas cariocas. No mesmo período, 39.000 pessoas foram vítimas de homicídio em toda – isso mesmo: toda – a Colômbia

Com esses números fica difícil rir do ladrão de Maringá.

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POR José Pires

Insegurança dá um dinheirão
Mas no Brasil tem quem goste da insegurança. As empresas de segurança, por exemplo. O jornal francês Le Figaro fez uma reportagem sobre o crescimento do mercado de segurança privada. Segundo o jornal, o mercado “explodiu” nos últimos anos.

Os negócios no setor superaram o bilhão de dólares em 2006, com um crescimento de 14% em relação ao ano anterior.

Segundo o jornal, o Brasil já conta com 600 mil vigilantes privados, mais que os efetivos do Exército, a Marinha e da Polícia Militar juntos".

Le Figaro também relata um sintoma que chama de “paranóia ambulante”. Mais de 90 proprietários de casa já instalaram em seu subsolo bunkers de sobrevivência onde podem se refugiar se forem vítimas de um ataque.

"Equipados com sistemas elétricos próprios, reservas de água e alimentos não perecíveis, estas mini-fortalezas permitem viver até um mês em isolamento", conta o jornal.

E eu não disse que não dá para rir do ladrão de Maringá?

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POR José Pires