sábado, 30 de maio de 2009

Hugo Chávez amarelou

Que o presidente Hugo Chávez é papudo já sabíamos. Esse tipo de político não é novidade para nós. Temos muitos aqui, nos mais diferentes cargos, inclusive na presidência da República.

Pois ontem Chávez mostrou que também é covarde. Ele é do tipo que tem que ter a exclusividade do microfone. Aí então, desanda a falar, pois sem contestação é sempre mais fácil. Mas ontem o papudo acabou se enrolando na própria retórica e estava para entrar numa fria. Recuou rápido, o que é lamentável, pois se seguisse o combinado teríamos um belo espetáculo político, talvez um dos melhores protagonizado por ele, desde o célebre "por que não te callas".

O presidente venezuelano havia desafiado para um debate intelectuais estrangeiros que estão na Venezuela participando de um seminário, entre eles o escritor peruano Mario Vargas Llosa. O desafio foi aceito, mas para maior eficácia do debate, o presidente do Centro de Divulgação do Conhecimento Econômicos para a Liberdade, Rafael Alfonzo, propôs que o debate fosse apenas entre Chávez e o escritor Vargas Llosa.

Aí Chávez deve ter percebido que foi longe demais. Debater logo com quem... Vargas Llosa é brilhante debatedor e profundo analista que discorre com inteligência e estilo sobre uma variedade de assuntos. Literatura, economia, política, história, tudo isso e mais algumas outras coisas, são tema que frequentam seus textos com uma qualidade ímpar.

O escritor também é muito bom falando. Tem carisma, além da qualidade do conteúdo. É daquele tipo de gente com quem é sempre um alívio ter afinidades políticas, o que evidentemente não é o caso de Chávez. Vargas Llosa não é adversário fácil. Por isso mesmo o presidente venezuelano caiu fora do debate proposto por ele mesmo. Como dizem no país de seu colega Lula, ele amarelou feio. Perdemos um belo debate, ou melhor, uma bela sova que ele receberia em público de um de seus mais respeitáveis adversários ideológicos.

Chávez vive fazendo provocações políticas, em muitos casos em situações que podem levar ao confronto militar. Espera-se que se alguém um dia aceitar a provocação ele enfrente a batalha sem não se acovardar como aconteceu agora.
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POR José Pires

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Depois da ética o que vem mais?

Os políticos brasileiros já conseguiram deformar a ética de tal modo que hoje em dia é preciso tomar um cuidado especial na educação dos filhos, de modo que eles sejam honestos, mas que também não venham a fazer papel de trouxa quando estiverem na nossa idade. Quase ia escrevendo fazer papel de trouxas como nós, mas não é que é mesmo? Até podia ser escrito assim.

Pois quem cumpre a lei hoje no Brasil está sempre perdendo, já que tem sempre os que não cumprem — alguns com muito dinheiro por detrás e até pistolão. E esses que não cumprem acabam sempre impunes. Ou recebem uma bela anistia fiscal ou outro tipo de perdão mais à frente.

Os governos vivem fazendo isso com quem não pagou os impostos e até com aqueles que não pagam empréstimos em bancos estatais. Desse jeito como é que fica quem pagou os impostos e saldou o empréstimo. Bem, o próprio Lula, com sua fineza peculiar, já disse: esses sífu. E os que não pagam aumentam sua fazendas e compram mansões novas.

Tem também os políticos que fazem suas campanhas com caixa dois. E até o caixa dois do caixa dois. E esses ainda vem dizer depois que não há regulamentação sobre o tema. Onde não há? Então quer dizer que pode-se fazer caixa dois quem quiser? Claro que não. Mas a justificativa pegou.

E, no mais, eles dizem que todo mundo faz. É outra mentira. Nem todos fazem. E mesmo no PT. Até mesmo empurrados pela evidente realidade financeira de que não há grana de caixa dois para todos, mas muitos não estão no jogo é por honestidade mesmo.

Mas o que ocorre com esses candidatos que seguem a lei? O problema é que ficam para trás, sem se eleger e sem ocupar cargos definidores no partido, pois as direções partidárias já definiram que com ética não se vai pra frente na política.

Bem, mas se já deformaram a ética, os políticos logo também conseguirão desmoralizar o sentimento de compaixão.

Uma notícia de hoje sobre o destino de mais de uma centena de toneladas das doações às vítimas das enchentes do ano passado em Itajaí, Florianópolis, mostra que eles já estão começando a criar as condições para que os brasileiros endureçam os corações nas próximas tragédias.

125 toneladas em nove contêineres cheios de donativos que não foram distribuídos aos necessitados estão se perdendo. Pilhas de roupas, sapatos e outros artigos de uso cotidiano foram acabaram sendo destruídas.

70 toneladas de artigos vão para o lixo porque acabaram deterioradas por causa do mau armazenamento. Segundo o que contam, doações foram jogadas diretamente na terra e tomaram sol e chuva.

É óbvio que o toma-que-o-filho-é-teu já começou. O prefeito atual culpa a gestão anterior, do prefeito Volvei Morastoni (PT), pelo mau armazenamento. Faz sentido, já que a tragédia ocorreu no ano passado e os prefeitos só tomaram posse em janeiro. Mas prefiro ver o caso como uma questão conceitual da política como um todo nestes tempos que estamos atravessando.

E, também, nada indica que com outro prefeito a situação seria diferente. Deixar 70 toneladas de donativos serem destruídas, para mim, já não é questão deste ou daquele prefeito, mas uma condição política que envolve toda a sociedade. É bastante parecido com corrupção. O corrupto só prevalece se a sociedade é conivente, ou pior, cúmplice.

Mas o exemplo de Itajaí mostra que, se não for brecada, esta política que estão fazendo aí ainda vai acabar até com a compaixão.
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POR José Pires

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Abraço de urso

O presidente Lula anda cobrando o fim das hostilidades entre os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Aloízio Mercadante (PT-SP). Nisso Lula está bastante certo. Os dois tem que se afinarem mesmo. Ficar na maior paz.

Afinal, o objetivo de ambos acabou sendo unificado pela história do partido de Mercadante. A convergência entre as carreiras de Renan Calheiros e Aloizio Mercadante não deixa de ser uma bela ironia histórica. E uma fria danada na qual o PT de Lula entrou.

A construção da tal “governabilidade” para Lula, aliás, tem feito um estrago danado para o PT em todo o Brasil. Vamos pegar como exemplo o estado de Mercadante. Qual é a credibilidade da bancada federal paulista do PT e quais os nomes hoje de referência nacional? É difícil lembrar alguém.

Em dobradinhas como esta, na harmonia que deve acabar sendo imposta pela caneta de Lula, apenas políticos como Calheiros tem a ganhar politicamente. Aliás, ele ganha em tudo, de cargos ao prestígio em sua base eleitoral. E Mercadante pessoalmente só tem perdas. Sobram os cargos, claro. Mas fazer o quê desse tipo de aliança em sua base eleitoral? Tocar o mandato desse jeito não deve ser fácil.

Se reeleger, então, aí deve ser dureza. Com este jogo político, o senador petista ainda vai acabar tendo que se pendurar em algum cargo nomeado. Está certo que o cargo de senador é uma mamata que se prolonga por quatro anos. Mas um dia acaba. O dele, por exemplo, finda no ano que vem. Vamos ver como Mercadante vai fazer para conquistar a reeleição depois do que andou aprontando nesses anos. Sair abraçado com Renan Calheiro é que não vai dar muito voto em São Paulo.
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POR José Pires

Deputados sem carteira

No Paraná, o caso deputado estadual Carli Filho, que provocou um acidente de trânsito que causou a morte de dois jovens, está tendo desdobramentos significativos. Carli Filho estava bêbado no momento do desastre. O deputado também dirigia com a habilitação suspensa. Já acumulava 130 pontos na carteira, tendo sido multado 30 vezes, sendo 23 por excesso de velocidade.

Na Assembléia Legislativa paranaense está em andamento um processo de sindicância de quebra de decoro, instaurado a pedido dos familiares de uma das vítimas do acidente. Em funcionamento há pouco mais de uma semana, o processo já causa defecções na Comissão de Ética da Casa. O deputado petista Pedro Ivo Ilkiv quer sair da presidência da comissão.

É que seu nome apareceu entre os 20 deputados estaduais que receberam a notificação de suspensão da carteira. A Assembléia paranaense tem no total 54 deputados. Desses 20, quatro são da Comissão de Ética. É bom destacar que não foi possível consultar o histórico sobre infrações de 16 deputados.

As desculpas dos políticos são variadas. Tem até aquela manjada, a de que não eram eles que dirigiam no momento da ilegalidade, o que é motivo de condenação ainda maior na minha visão. Para que serve um deputado que não tem competência sequer em administrar o uso de seu veículo? Para fazer leis e fiscalizar é que não serve.

Na minha visão, um político que não cumpre as leis tem que ser cassado. E as leis de trânsito são de importância vital. O número de mortes no trânsito em nosso país demonstra isso muito bem.

Os deputados paranaenses estão com um problema interessante para resolver. A cassação de Carli Filho, se ocorrer, deve ter como motivação o acidente ou o fato de ele estar naquele momento dirigindo em situação de afronta à lei? Eu penso que é o segundo caso. O acidente que causou as mortes seria apenas o agravamento.

Bem, com uma jurisprudência interna como essa formada, daria para fazer uma boa limpa na Casa. Ou então firme-se de vez que alguém que não cumpre a lei pode ser deputado.
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POR José Pires

terça-feira, 26 de maio de 2009

Al Qaeda no Brasil

Colunista bom sempre traz informação de qualidade e, não raro, um furo de reportagem. É o que Janio de Freitas traz hoje em sua coluna na Folha de S. Paulo, onde revela a prisão de um líder da Al Qaeda em São Paulo.

Destaco do texto, que publico na íntegra, o trecho onde o colunista diz o seguinte: "A escolha de São Paulo pela Al Qaeda parece decorrer, ao menos em parte, da conjunção de neutralidade simpática do governo brasileiro ante os países islâmicos".

Eu diria que há bem mais que neutralidade simpática do governo brasileiro, não só ante os países islâmicos no geral, mas também com países com uma participação ativa no estímulo ao terror internacional, como é o caso do estranho namoro da nossa diplomacia com o Irã.

Existe mesmo uma simpatia extremada e que se espalha pela rede política e de informação oficiosa e oficial do governo petista. Não é de hoje a simpatia da esquerda com países islâmicos onde, ironicamente, esta própria esquerda não teria vez. Já teriam sido presos ou mortos há muito tempo. O Irã é um país onde indiscutivelmente não existe ditabranda. A ironia cresce quando a gente vê até mulheres de esquerda na defesa de regimes em que a mulher não tem direito algum. É triste. Usam a democracia ocidental para defender um regime onde elas mal poderiam sair de casa.

No episódio da visita do presidente iraniano ao Brasil, por exemplo, a rede governista na internet produziu um grande material defendendo Mahmoud Ahminejad, um racista à frente de uma autocracia antidemocrática.

Bem, o resultado desse caldo de cultura já está se vendo. Como lembra Janio de Freitas, na região de Fóz do Iguaçu, área das três fronteiras no Sul do país, a presença de militãncia islâmica já parece ser forte. E agora surge isso em São Paulo.
Pode ser o perigo do terror internacional se instalando no Brasil.

O texto do colunista da Folha está abaixo.
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POR José Pires


Al Qaeda no Brasil
Janio de Freitas, Folha de S. Paulo

ESTÁ PRESO no Brasil, sob sigilo rigoroso, um integrante da alta hierarquia da Al Qaeda.

A prisão foi feita pela Polícia Federal em São Paulo, onde o terrorista estava fixado e em operações de âmbito internacional. Não consta, porém, que desenvolvesse alguma atividade relacionada a ações de terror no Brasil.

A importância do preso se revela no grau de sua responsabilidade operacional: o setor de comunicações internacionais da Al Qaeda. Tal atividade sugere provável relação entre recentes êxitos do FBI e a prisão aparentemente anterior feita em São Paulo. Há cinco dias, o FBI prendeu por antecipação os incumbidos de vários atentados iminentes nos Estados Unidos, inclusive em Nova York.

A cautela para preservação do sigilo fez a Polícia Federal atribuir a prisão, até mesmo para efeito interno, a investigações sobre células de neonazistas. Só o governo dos Estados Unidos tem informações do ocorrido em São Paulo, mesmo porque o FBI e o grupo americano antiterrorismo têm agentes no Brasil em ação conjunta com a Polícia Federal.

A escolha de São Paulo pela Al Qaeda parece decorrer, ao menos em parte, da conjunção de neutralidade simpática do governo brasileiro ante os países islâmicos e de inexistir, aqui, obsessão (e motivos para tê-la) antiterrorista. São Paulo, por sua vez, como a máfia, a camorra e coirmãs têm demonstrado, proporciona as condições populacionais e urbanísticas para desaparecer-se no gigantismo geral. O que, já nos anos 60-70, fizera os movimentos de luta armada a escolherem para seu campo de ação preferencial.

Por menos que a atividade do agora preso tivesse a ver com o Brasil, do ponto de vista brasileiro há um aspecto grave na constatação de sua presença aqui. Só Foz do Iguaçu, por estar na chamada Tríplice Fronteira, era vagamente citada como possível local de apoiadores de movimentos islâmicos. Com a presença ativa de um integrante da Al Qaeda em São Paulo, o Brasil entra no mapa das fixações internacionais do antiterrorismo. E nisso só há inconvenientes.

Relator da CPI bem financiado

Romero Jucá, notório senador do PMDB de Roraima e líder do governo Lula no Senado, é o relator que Lula quer à frente da CPI da Petrobras. Pois ele recebeu doações de campanha de empresa que mantém contratos com a estatal.

Foi em sua campanha ao governo de Roraima, quando foi derrotado em 2006. Foi uma campanha cara, dado o número de eleitores do estado. Roraima tem o menor eleitorado do país, com 237.748 eleitores. Só isso mesmo, você não leu errado. O outro eleitorado pequeno é do Amapá, com 373.418 eleitores. Dá para entender porque Sarney escolheu o estado para se eleger senador. E porque Jucá escolheu Roraima, claro.

Nesta campanha de 2006, Jucá recebeu do Comitê Financeiro Único do PMDB estadual, um total de cerca de R$ 1,4 milhão. Uma das doadoras ao Comitê peemedebista foi a Construtora Andrade Gutierrez, que compareceu com R$ 200 mil. Jucá teve 57.232 votos, 30,64%, cerca de metade dos votos de Ottomar Pinto, eleito no primeiro turno com 116.542 votos.

Puxa vida, quanto custa cada voto em um “estado” desses? É uma fortuna mesmo pelos números oficiais transmitido pelos partidos aos tribunais eleitorais. Mas o estado é bem mais complicado. As eleições de 2006 tiveram que ser garantidas por tropas federais. Em 2004 o petista Flamarion Portela teve o cargo cassado. E que representatividade, não? O estado tem quinze municípios. E Romero Jucá elegeu-se senador com 87.701 votos.

Em Roraima, Jucá faz a dobradinha familiar comum na política brasileira. No seu caso, com a esposa, Teresa Jucá. Quando um disputa o Senado outro se candidata ao governo do estado ou a prefeitura da capital, Boa Vista, o que der para manter a dinastia familiar. É um modo de ter sempre à mão uma máquina pública. Seu colega Sarney faz isso com sucesso há décadas. Tem um familiar em cada cargo público, até mesmo na Justiça do Maranhão.

O senador Jucá é uma força simbólica da base aliada do governo Lula. Representa bem o que o presidente inzoneiro tem construído para o país. Agora em maio ele teve um irmão demitido de cargo nomeado na Infraero. Aí ficou fulo com o ministro da defesa, Nelson Jobim. Pois o líder de Lula ameaçou apresentar uma proposta de emenda constitucional para obrigar que o ministro da Defesa seja um militar, sendo que a ocupação do cargo por um civil é uma boa conquista da nossa democracia. Ainda bem que para uma besteira tão grande não haverá apoio parlamentar. Mas não deixa de ser um comportamento à altura do significado do governo petista.

E o fato de ter recebido dinheiro para campanha eleitoral de uma empresa que presta serviços para a Petrobras é um empecilho para que ele seja relator de uma CPI que vai investigar a própria estatal? Em um país sério até que seria. No Brasil não. Aqui, isso pode ser até uma qualificação extra para ganhar o cargo.
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POR José Pires

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Se revelando

A América Latina atualmente sofre com o narcotráfico, inclusive com a interação das quadrilhas com o meio político por meio de milícias que dominam amplos territórios em capitais como o Rio de Janeiro, México, Caracas e tantas outras cidades do continente.

A situação é tão grave que hoje o narcotráfico coloca em risco a governabilidade até de um país do porte do México. Em outros, como o Brasil, esses grupos terroristas do cotidiano aproveitam a vista grossa que o governo faz a seus avanços para irem se instalando de um modo preocupante na vida brasileira.

Vamos a outros problemas? Sintetizemos então, pois a lista é longa. Saneamento básico, problemas ambientais, violência, dificuldades tecnológicas e científicas, problemas urbanos de toda variedade, e tantos problemas mais. Ah, tem também os problemas políticos, as dificuldades de estabelecer a democracia em vários países, a corrupção.

Bem, é tanta coisa para se preocupar e vem os presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Venezuela, Hugo Chávez, propor à União das Nações Sul-Americanas (Unasul) a criação de uma instância que defenda os governos locais dos abusos... da imprensa.

Isso mesmo: da imprensa.

Se alguém tem dúvida onde essa gente quer chegar, eles mesmo fazem questão de deixar claro.
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POR José Pires

Banco Mundial não crê em marolinha

Já devem ter passado ao presidente Lula um resumo da entrevista do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, ao jornal El País. Acredito que pelo menos um resumo o presidente ágrafo e inzoneiro deve ler — ou alguém lê para ele. É o mínimo exigido para ficar inteirado sobre a opinião de gente do ramo sobre o que ele chamou de “marolinha”. E os jornalistas até podem perguntar sobre o assunto.

Zoellick desmancha a tese de Lula de que o perigo já passou. Sei que a tese é advinda do estilo de governo, sempre em campanha eleitoral e que, por isso mesmo, se ocupa sempre mais da forma do discurso que da substância. Mas um pouco mais de responsabilidade seria possível? Faria bem.

Zoellick começa repisando um alerta sobre o risco de uma grave crise social mundial. É o óbvio, mas os jornais e a internet brasileira se fixaram nisso. Não vi em nenhum site da internet a informação mais quente vinda do presidente do Banco Mundial. O banco que ele preside é que tem a responsabilidade mundial de se ocupar de programas sanitários, segurança alimentar, produção agrícola e investimento em infraestruturas. Pois Zolelick é franco em dizer que “não há suficiente dinheiro público para enfrentar todos os problemas”.

Bem, antes da crise o mundo já vinha mal em todos os pontos de responsabilidade do Banco Mundial. Com este novo problema, aumenta a penúria em que já vivia a África e países pobres em outros continentes. Junte a isso as graves consequências do impacto ambiental global criado exatamente por este modelo econômico quebrado e teremos uma conta sem fechar.

Os economistas lembram bastante da depressão de 30 quando falam desta crise atual, mas sempre é deixado de lado um fator diferencial danado de importante entre o que se ocorre hoje e o que foi o passado. Ao contrário de antes, agora não se pode contar com os recursos naturais do planeta como um reforço substancial para fazer capital. Ao contrário, o meio ambiente é que exige dinheiro para seu conserto.

Em relação a duas perguntas muito claras do El País, se há dinheiro suficiente e de quanto o Banco necessita, é que Zoellick toca na falta de dinheiro público. Quanto à segunda questão, ele diz que “depende de quanto dure a crise”, outra obviedade, mas que traz embutida o fato de que o presidente do grande banco de fomento não saber onde isso vai dar.

Esta questão da finitude dos fundos públicos, aliás, é uma discussão que a imprensa brasileira tem evitado. Mas é bem quente na Europa e nos Estados Unidos. Não são poucos os especialistas que temem um colapso nos cofres públicos europeus. Claro, não há um saco sem fundo de onde tirar dinheiro para salvar empresas e bancos e resgatar investimentos que foram corroídos na crise. A iniciativa privada quebra, mas países também. E se isso ocorrer em bloco?

Outra informação que pode ser extraída da entrevista é que esta crise tem um viés que podemos definir como “sartreano”. A exemplo do que diz o filósofo existencialista Jean-Paul Sarte, também na crise econômica o inferno são os outros. Não adianta ficar por aqui com bravata eleitoral, como faz Lula, falando da suposta vitalidade da economia brasileira. Se os outros vão mal, com Europa e EUA mal das pernas economicamente, de onde vira á dinheiro?

Bem, do Marcos Valério é que não é. A FIESP já prevê queda de 35% nas exportações para este ano. Até ministros de seu governo são obrigados a comentar sobre problemas que parecem antecipar uma avalanche séria na economia brasileira. Será que Lula ouvirá os avisos ou vai deixar o problema para depois do ano eleitoral? Quem cravar a segunda resposta tem a maior chance de acertar.

Zoellick está em Madri para falar com o presidente José Luis Rodriguez Zapatero e parece que os fundos do Banco Mundial são um ponto da discussão com o espanhol. Conforme ele diz, no momento está trabalhando para assegurar que os países mais ricos não recuem em suas políticas de ajuda ao desenvolvimento dos mais pobres. A Espanha sofre “uma forte desaceleração econômica”, ele diz, mas o país ainda tenta manter sua ajuda. Banqueiro precisando de dinheiro é algo preocupante, mas o Banco Mundial nessa situação, aí já é de arrepiar os cabelos. E a barba, para que tem.

É na penúria global de capital para investimentos que entra o Brasil. E o nosso país surgiu na conversa com Zoellick sem que o entrevistador tenha nos citado. Foi o presidente do Banco Mundial que falou do Brasil como um país ameaçado de não ter acesso a investimentos externos. Foi o que ele disse, sem que o jornalista tenha antes dele tocado no nome do Brasil.

Esse é um tipo de assunto em que seria um alívio estar de fora. Mas se o Brasil é citado assim, de forma espontânea, aí o aviso é bem significativo. Mas fariam bem os assessores de Lula se fizessem chegar a ele (junto a um sal de frutas) outro aviso de Zoellick. O de que com este panorama ninguém, e esse “ninguém” é palavra dele, pois “ninguém” sabe com certeza o que acontecerá. “O melhor é estar preparado para qualquer imprevisto”, ele diz.
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POR José Pires

Todos em casa


E aconteceu o que é previsível no Brasil. Ninguém prendeu Nenê Constantino, o dono da empresa aérea Gol. Ele é acusado de mandar matar um lider comunitário em Brasília. A polícia tem provas de que ele tentou subornar testemunhas.

A Justiça atendeu o pedido da defesa do empresário de prisão domiciliar. Ele teve negado o pedido de habes corpus, mas conseguiu esta facilidade. Ou seja, vai ficar em casa, em sua mansão. A defesa alega que ele tem 78 anos e precisa de cuidados médicos.

Ainda estão presoso os motoristas aposentados João Alcides Miranda, 61, e Vanderlei Batista Silva, 67, também acusados pelo crime, mas os bacanas já estão todos fora da prisão. O genro e sócio de Constantino, Victor Foresti, também foi solto ontem no início da tarde beneficiado por um habeas corpus. Ele é acusado de subornar testemunhas durante a investigação contra o empresário.

Além das provas do inquérito da Polícia Civil de Brasília que pediu sua prisão, existe comprovação pública de que Constantino de Oliveira é um homem violento. Há menos de dois anos e exibindo uma vitalidade bem diferente da alegada agora pelo seu advogado, ele tentou agredir com uma grande pedra o fotógrafo Alan Marques, da Folha de S. Paulo. Antes, o empresário havia empurrado jornalistas e dado um tapa na câmera do fotógrafo.

Na imagem acima, o próprio fotógrafo registra o momento em que Constantino ergue a pedra para tentar atingí-lo. Aqui, você pode ver toda a sequência da tentativa de agressão. O empresário foi contido pelo próprio advogado, que estava com ele para acompanhar seu depoimento em inquérito sobre fraudes no Banco de Brasília. No inquérito, também são investigados o ex-presidente do banco, Tarcísio Franklin de Moura e o o ex-senador Joaquim Roriz.

O suposto esquema de desvios do BRB foi flagrado em escutas telefônicas da Operação Aquarela, da Polícia Federal. Numa conversa entre o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) e o ex-presidente do BRB Tarcísio Franklin de Moura, os dois tratam da divisão de R$ 2,2 milhões.

A história que veio depois trouxe um dos lances mais pitorescos da política brasileira. Roriz disse que o diálogo tratava de um empréstimo de R$ 2,2 milhões do dono da Gol. Desse montante, o ex-senador disse que tirou R$ 300 mil para comprar uma bezerra de nome significativo: Miragem. E devolveu o restante, R$ 1,9 milhão, ao empresário Nenê Constantino, dono do cheque. Roriz acabou tendo que renunciar ao mandato de senador, que ainda estava no início.

É claro que nada ainda aconteceu neste caso do desvio dop BRB. E agora temos mais este caso do assassinato para esperar que a Justiça não seja, como sempre acontece quando maiorais estão envolvidos, mais cega que de costume.
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POR José Pires

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Um problema bem brasileiro


Bela capa do jornal Correio Braziliense, de Brasília, com uma questão que preocupa bastante neste Brasil de impunidade e favorecimento dos ricos. Para aumentar a imagem, dê um clique em cima dela.

Nenê Constantino, o dono da empresa aérea Gol, é foragido da polícia desde ontem. Constantino teve a prisão preventiva decretada acusado de mandar matar dois homens e ferir outro. Outras três pessoas também tiveram a prisão decretada. O trio foi preso em casa por agentes da Polícia Civil de Taquatinga. Entres os três está Victor Foresti, genro e sócio de Nenê no grupo Planeta, o maior conglomerado de transportes urbanos de Brasília, e vice-presidente do Setransp, o sindicato das empresas do setor. Foresti foi preso sob acusação de subornar testemunhas.

Constantino, um empresário milionário, está envolvido na disputa por um terreno em Taquatinga Norte, que seria a motivação dos crimes de que é acusado. Um ex-empregado do empresário vendeu lotes de um terreno da Pioneira, empresa de ônibus de Constantino. O empregado morava de favor no terreno.

Segundo a Polícia Civil brasiliense houve ameaças e incêndios criminosos das casas das famílias moradoras no terreno. Por fim, aconteceu o assassinato de Márcio Leonardo de Sousa Brito, 27 anos, líder das cerca de 100 pessoas que adquiriram os lotes. Brito foi morto a tiros na porta de sua casa.

O crime aconteceu em 10 de dezembro de 2008. Na manhã seguinte, advogados do dono da Gol retiraram os moradores que ocupavam a área desde 1990 e um trator derrubou todas as moradias.

O outro crime que resultou no pedido de prisão de Constantino foi o assassinato do caminhoneiro Tarcísio Ferreira, de 42 anos, ocorrido bem antes, em fevereiro de 2001, e que seria um alerta para que os moradores desocupassem o terreno.

Ferreira tinha uma barraca de lanches no terreno. Ele foi morto com quatro tiros e na frente da filha de quatro anos. Segundo a polícia, o caminhoneiro trabalhou como motorista de ônibus da Planeta, empresa de Constantino e deixou a empresa após se desentender com o empresário por atraso de pagamentos. Os exames de balística do Instituto de Criminalística concluiu que as balas que atingiram o caminhoneiro são similares às que saíram do revólver calibre 38 usado na execução de Márcio Brito.
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POR José Pires

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Herança bem vinda

A CPI da Petrobrás nem começou e surgem novidades na área das suspeitas. No governo Lula a Petrobrás já gastou R$ 47 bilhões sem licitação. Foi a Folha de S. Paulo que descobriu os gastos sem licitação da empresa petroleira que envolvem serviços como construção, aluguel e manutenção de prédios, vigilância, repasses a prefeituras, gastos com advogados e patrocínios culturais.

Percentualmente o valor é bastante alto. Corresponde a 36,4% do total de gastos com serviços da Petrobrás de janeiro de 2003 a abril de 2009, que foi de R$ 129 bilhões.

A prática começou com Fernando Henrique Cardoso, que assinou o decreto de 1998 que dispensa licitação. Entre 2001 e 2002, no mandato tucano, o gasto sem licitação foi de cerca de R$ 25 bilhões, mas a própria Petrobrás já ressalvou em análise interna anterior que esses números não são comparáveis com a média do governo Lula já que 2001 e 2002 foi o período do “apagão”, que obrigou a empresa a fazer muitos gastos extras.

O apagão se foi, mas os gastos sem licitação continuaram no governo Lula e ainda aumentaram bastante. Este é o tipo de “herança maldita” da qual os petistas não reclamam.
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POR José Pires

Errata na primeira

Falei aqui ontem sobre o papel de porta-voz de Dilma Roussef que o senador Aloizio Mercadante assumiu, alertando para ela tomar cuidado já que o petista não tem sido nos últimos tempos um exemplo de competência.

Pois a informação que ele passou à imprensa estava errada. O encontro da ministra não será apenas com a apresentadora Ana Maria Braga. É um mulherio que deve participar de um almoço organizado por Marta Suplicy, outra que, bem, cujo currículo recente deixa muito a desejar em termos de capacidade.

A ex-prefeita até já passou uma lista das mulheres que confirmaram presença: tem a Ana Maria Braga, Adriane Galisteu e Ana Hickman, a ex-jogadora de basquete Hortência, a atriz Maria Paula, a historiadora Maria Victoria Benevides, a psicanalista Maria Rita Kehl, a filósofa Marilena Chaui, a escritora Marta Goes, a jornalista Monica Waldvogel e a consultora de moda Gloria Kalil.

Portanto, aí está a retificação da informação do senador Mercadante que, na estréia como porta-voz já provocou uma errata. Mas pela cara do evento o espaço na Caras ainda está garantido.
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POR José Pires

terça-feira, 19 de maio de 2009

Dando as caras

O senador petista Aloizio Mercadante andava sumido. O político dos aloprados não dava o ar da sua graça desde sua atuação como cabo eleitoral da colega Ideli Salvatti, quando ela perdeu a presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado para Fernando Collor de Mello.

Pois hoje ele apareceu. Está de cabo eleitoral e porta-voz da ministra Dilma Rousseff. Ela que se benza. Da sua própria candidatura ao governo de São Paulo em 2006 à candidatura da senadora Salvatti, tudo o que Mercadante pegou pra fazer nos últimos tempos deu errado.

Hoje, como porta-voz da ministra, ele trouxe a informação de que na semana que vem Dilma Rousseff deve se encontrar com a apresentadora Ana Maria Braga. Eu sabia que esta doença ia acabar na capa da Caras.
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POR José Pires

A doença na política

Mesmo sem o câncer a candidatura da ministra Dilma Roussef não é coisa de país sério. Dá pra imaginar um presidente norte-americano, por exemplo, seja do partido Republicano ou Democrata, nomeando um ministro para seu sucessor? Não dá.

Mesmo no Brasil, lugar que os políticos parecem ávidos de tornar desesperançado, de má-qualidade, ridículo até, coisas como a candidatura de Dilma Roussef envergonham. Mesmo sem a doença, repito.

A candidatura da ministra deveria envergonhar até o PT, que da bravata saltou para a sabujice. Não tem partido mais capacho, ou melhor — usemos um apelido mais condizente com suas origens —, pelego que este. Dilma sequer é uma petista histórica. Disso se fala pouco, o partido até busca esconder este debate interno e, do jeito que os petistas são, logo mais inventam uma lorota para encaixá-la na história do partido.

Na verdade, Dilma Roussef é cria do brizolismo gaúcho. Se ela tem algo de histórico, é na criação do PDT que sua história se insere. Bem, na época o PDT é que era a possibilidade de poder na política gaúcha. E poder foi o que ela sempre quis. Tanto que até pegou em armas para isso.

E o poder veio logo mesmo. Ela passou por governos brizolistas, foi secretária de Minas e Energia no governo Alceu Collares, um governo desastroso não só para o Rio Grande do Sul como também para a democracia brasileira ainda em surgimento. Com a vitória de Olívio Dutra, do PT, retornou à secretária de Minas e Energia. O governo de Dutra, é bom lembrar, foi o primeiro e último do PT naquele estado.

No final de 1999 o PDT rompeu com o governo do petista Dutra. O PDT então já estava em queda, sem poder no estado. E Dilma Roussef saltou para o PT.

O PT gosta muito de falar da construção da nossa democracia, tarefa na qual supervaloriza seu papel. Não foi bem assim como eles contam. Em muitos episódios importantes da história recente, o PT mais atrapalhou do que ajudou.

Mas mesmo atrapalhando, muitas das lideranças petistas estavam lá de fato. Com posições que até hoje acho tolas, mas estavam lá. E Dilma Roussef? Procurem sua participação na história recente, em nossa redemocratização. Tem o seu papel na luta armada, empreendimento que, além de equivocado, foi também uma ação política tecnicamente desastrosa. A própria Dilma foi peça importante em um racha destrutivo em sua organização, a VAR-Palmares. É bom que se diga que os grupos armados sempre fizeram mais mal à luta pela democracia do que a própria ditadura. Foram sempre equivocados e ao contrário do que fazem hoje, tentando se encaixar historicamente no papel de combatentes pela democracia, na verdade buscavam instalar por aqui uma ditadura comunista no lugar da ditadura militar nativa. Além disso, foram incompetentes no que se propuseram.

Fora sua posição na luta armada, de resto bem nebulosa, Dilma Roussef não existe em nossa história recente. Foi retirada de um vazio por Lula. Nem no Rio Grande do Sul é possível encontrar algo de importância feito por esta mulher.

No estado, aliás, o que se conhece é uma pessoa de perfil meramente industrialista, avessa ao respeito ao meio ambiente e à compatibilização entre progresso e ecologia. Isso os gaúchos conhecem bem.

A candidatura de Dilma Roussef é uma piada que ridiculariza nossa democracia conquistada com o maior esforço — democracia, repito, que correu perigo até de ser destruída pelo grupo de luta armada da ministra. Ridiculariza também o sistema partidário.

Sua vitória seria uma pedra sobre a democracia representativa brasileira, que já não é lá essas coisas. Começaríamos o período do coronelismo federal, onde o presidente decide quem irá sucedê-lo. POr aqui, sempre se temeu a mexicanização da nossa política. Dilma na presidência seria pior que qualquer mexicanização.

Esta candidatura é uma piada contra o Brasil. Mesmo sem a doença da ministra. Mas o uso que o governo Lula passou a fazer desta doença piorou bastante o enredo. Tornando o câncer um "case de marketing" criou uma candidatura com uma condição especial. Suponhamos que a candidatura prossiga até o final, até o período dos debates. Lula terá então uma candidata praticamente impossível de ser tratada de forma uma pouco mais agressiva numa discussão política. É óbvio. Quem vai poder ser rigoroso com uma doente em tratamento contra o câncer? Essa deve ser a blindagem perfeita.

O governo de Lula é maquiador dos fatos, isso sabemos bem. Nada de verdadeiro vem do Palácio do Planalto. Porém, até o oposicionista mais convicto talvez não esperasse que o petista viesse a tentar maquiar o cãncer.

Ontem a ministra teve que voar às pressas para um hospital de São Paulo, mas mesmo assim o Palácio do Planalto tentou simplificar informando que "o motivo da viagem era a necessidade de uma avaliação médica". Se tivessem tempo, é provável que procurassem disfarçar arrumando uma obra do PAC para a ministra visitar em São Paulo.

É interessante como este modo de fazer política de forma obscura acaba contaminando todas as atitudes do cotidiano, mesmo que haja o risco para a vida de uma pessoa. Pois não foi o próprio governo que, no anúncio da doença, veio com a informação, uma novidade fantástica da medicina, de que a ministra faria quimioterapia "apenas" para evitar a volta da doença? Ora, em todo mundo a quimioterapia é vital para o ataque completo à doença. E o governo quer nos convencer que só não é assim com a ministra. No seu caso seria só para evitar a volta.

Se não fosse o drama da situação, pensaríamos em mais uma piada de mau gosto de Lula. Tentar enganar numa situação dessas é uma tolice, levando em conta que são poucos os brasileiros que já não conviveram com esta doença, tendo algum familiar ou conhecido acometido de algum tipo de câncer. Todos sabem muito bem que até o câncer menos letal traz para todos em volta do doente uma carga imensa de sofrimento emocional, além dos problemas físicos comuns de uma doença cujo tratamento tem dolorosos efeitos colaterais.

Tentar criar uma imagem de força em torno da ministra, como se ela tivesse um poder pessoal de superação do problema e também como se fosse este o fator essencial para a cura pode até parecer um marketing eficaz, mas é também um desrespeito aos demais doentes. É também má-informação travestida de conhecimento médico, o que é sempre ruim.

O que cura o câncer são as modernas técnicas científicas, bons hospitais e bons remédios (como um dos remédios que Dilma está tomando, o MabThera, que custa oito mil reais o frasco e que não está disponível no SUS). Ontem a ministra sentiu dores na perna e fretou um avião para ir direto a um dos melhores hospitais do país, o Sírio Libanês, em São Paulo. Sem fila, nada de marcar hora, assim dá para acreditar que a saúde no país está "próxima da perfeição".

Porém, um doente pobre (são mais de 10.000 doentes com linfomas no país), que more em Capão Redondo, só para tomar como exemplo um lugar na mesma cidade do hospital, terá dificuldade até para pagar um táxi. Caso ele more em Brasília, como a ministra, terá que se virar por ali mesmo. Ah, sim, este doente também não tem verba para o MabThera. É óbvio então que suas chances será sempre menores que as da ministra.

Todos os ingredientes políticos em torno da candidata de Lula à sua sucessão sempre foram péssimos. Com a doença ficaram ainda piores, pois acrescentaram uma carga humana de sofrimento que deveria ficar de fora da política. Isso não parece bom para a saúde da doente. E é péssimo para a saúde política do país.
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POR José Pires

segunda-feira, 18 de maio de 2009

O rumo das grandes questões nacionais

Dia após dia a imprensa vai levantando os dados da falência deste ou daquele setor. Nem se espera que haja algum que esteja tinindo, mas existe algum funcionando dentro da normalidade? Não aparece.

Hoje foi a Folha de S. Paulo que trouxe uma boa reportagem sobre a crise de representatividade dos sindicatos patronais no Brasil.

Nem os empresários se cuidam. Hoje 20% das 500 mil indústrias do país são associadas a alguns sindicatos. Nos países desenvolvidos é de 30% a 35%. E é óbvio que estes são países onde a necessidade da aividade sindical é bem menor do que aqui.

Bem, se os sindicatos patronais estão nesta péssima situação, nem se fale dos sindicatos dos trabalhadores. Nestes, todo mundo se enquadrou na piada. Com o sindicalista Lula no poder em vez dos da honestidade influenciar a desonestidade, foi o contrário. Os autênticos é que viraram pelegos.

A situação de falência dos sindicatos patronais vai levantar algum debate. Com a matéria da Folha jornalistas, especialistas e sindicalistas vão produzir alguns artigos. Talvez algum político se manifeste. Quem sabe algum ministro de Lula venha até dizer que a situação é "menos ruim" do que em outros países como, por exemplo, em Uganda. Esta televisão ou aquele programa de rádio repercutirá o assunto. E depois a questão vai para a gaveta.

É o mesmo processo de qualquer questão nacional. Até que apareça outra notícía de falência estrutural. Talvez no próprio sindicalismo patronal, com alguma notícia sobre alguma piora no setor.
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POR José Pires

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mudança complicada

Ainda as chuvas no Nordeste e a necessidade de mudar. O estrago na região metropolitana do Recife é imenso e um problema insolúvel, segundo a secretária de imprensa do governo de Pernambuco, Terezinha da Costa.

Ela aponta questões geográficas e de ocupação como causas principais do problema. A cidade está situada no nível do mar e a população carente reside nos morros. “Junta a chuva com a maré alta e a água não escoa”, ela disse ao Folhaonline.

Falando sobre uma das maiores cidades do país, a secretária de imprensa usa um argumento parecido com o do prefeito da pequena Marajá do Sena, no Maranhão, que citamos ontem aqui no blog.

A cidade maranhense, que tem apenas 6.790 habitantes, ficou praticamente toda debaixo d’água e o prefeito vê apenas uma solução: mudar a cidade de lugar.

No Recife não precisaria ser tomada a solução extrema de mudar toda a cidade, mas tampouco nesta capital haveria viabilidade na transferência necessária de pessoas que moram em lugares de risco.

A única solução, segundo a secretária, seria a desocupação dos locais em risco que estão ocupados pela população mais pobre. São 400 mil pessoas, quase um terço da população do Recife, estimada hoje em cerca de um milhão e meio de habitantes. Mas o problema é que não há onde colocar tanta gente.

É como eu já disse, já temos a solução: é hora de mudar. Mas para onde?
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POR José Pires

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Cassação exemplar

Pode estar nascendo no Paraná uma prática para trazer um reforço importante na luta pela ética na política brasileira. O deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho (PSB)deve ter seu mandato cassado. E a forma pela qual se deve dar a cassação pode abrir os olhos da população sobre a urgência da necessidade de levar ao Legislativo, ao Executivo a até ao Judiciário queixas sobre procedimentos públicos dos políticos, inclusive fora do exercício de seus mandatos.

Há cerca de uma semana, Carli Filho causou um acidente que matou dois jovens em uma esquina da capital paranaense. O carro do deputado bateu em alta velocidade em outro carro onde estavam Gilmar Rafael Souza Yared, de 26 anos e Carlos Murilo de Almeida, de 20 anos. Os dois morreram na hora.

O político, de apenas 26 anos, é um desses deputados com a eleição impulsionada pela atuação poderosa de familiares na política. Ele é deputado da base de apoio do governo Requião. Seu pai,Fernando Ribas Carli, foi deputado em vários mandatos e atualmente é prefeito de Guarapuava pelo PP. E seu tio, o deputado Plauto Miró, é da liderança do DEM.

De Carli dirigia com a habilitação suspensa e tinha 30 multas, 23 por excesso de velocidade, seis delas a menos de dois quilômetros do local da batida. Três multas são gravíssimas, com o excesso de velocidade em mais de 50% da velocidade permitida. Apenas uma dessas determina de forma automática a suspensão da carteira de motorista.

Calma, ainda não acabou. Testemunhas disseram que havia um terceiro carro participando de um racha com o deputado. O relatório do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) traz a informação de que o deputado apresentava “hálito etílico”.

Sobre o estado de alcoolismo do Deputado, há também o relato da Rádio CBN Curitiba. Testemunhas disseram à rádio que, na noite do acidente, viram Carli Filho se recusando a ir para casa de carona depois de beber com amigos. Ele chegou a discutir com os familiares e teria caído na calçada.

Após estas cenas aconteceu o desastre que matou os dois jovens. O deputado, que não corre risco de morte, está sendo tratado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde recebe os cuidados de uma equipe médica especializada em reconstrução crânio-facial de “renome internacional”.

No atendimento ao acidente, a Delegacia de Delitos de Trânsito de Curitiba teve várias atitudes consideradas suspeitas, entre elas a de não pedir imediatamente o exame de dosagem alcoólica do deputado. Entretanto, depois da grande repercussão causada pela morte dos dois jovens a polícia aparentemente ficou mais atenta quanto à supostas negligências técnicas.

Ontem o advogado da família de Gilmar Yared, protocolou junto à Assembléia Legislativa do Paraná um pedido de abertura de processo de perda de mandato do deputado Carli Filho.

Com o drama que envolve o pedido de cassação do deputado, dificilmente seus colegas cederão à tentação corporativista de salvá-lo. Com a cassação, a sociedade civil terá aberta mais uma via para a punição das barbaridades que os nossos políticos tem feito em tudo quanto é setor da vida brasileira. É tamanha a falta de vergonha que até a ética já se torna um conceito que não se aplica mais. Tanta bandalheira está abaixo de qualquer filosofia.

A ficha de crimes contra as leis de trânsito que o deputado Carli Filho tinha antes do acidente já seria, na minha visão, motivo suficiente para que seu mandato fosse cassado. Um deputado que tem a carteira de habilitação cassada pode continuar exercendo o mandato? Eu penso que não.

E poderia também ter sido este freio um elemento que pudesse levar o deputado a refletir sobre os absurdos que vinha cometendo. Ora, se a lei não define limites com firmeza é difícil acreditar que todos os cidadãos, e menos ainda alguém com forte proteção política, passem a agir com equilíbrio e respeito ao próximo.

O ideal seria a criação de uma linha de transmissão automática entre os crimes de um deputado na vida pessoal ou pública e sua cassação. Uma habilitação cassada exige alguma discussão e a criação de intermináveis processos internos no Legislativo? Também penso que não. É no mínimo imoral que uma pessoa que não respeita a legislação básica do país seja responsável pela defesa e a criação de novas leis.

A cassação do deputado Fernando Ribas Carli Filho, que deve acontecer mesmo tendo o Paraná uma das piores assembléias legislativas de todo o país, pode dar início a um processo de coibição aos abusos dos políticos.

Seria um ótimo passo. E esta tragédia mostra que é um caminho até para evitar mortes.
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POR José Pires

É hora de mudar

Eis que surge, enfim, uma boa idéia para a solução dos incontáveis problemas brasileiros. No Maranhão, o prefeito de Marajá do Sena (será alguma homenagem ao Sarney?), planeja mudar metade do município de lugar.

A cidade inteira ficou debaixo d’água com as chuvas que caem sem parar no Nordeste. Então o prefeito quer abandonar os imóveis alagados e construir novas edificações em outro lugar, em terreno mais elevado, é claro.

Este é o cara. Que idéia. Manoel Edivan Oliveira da Costa, do PMN, explicou para a Folha de S. Paulo sua sacada político-administrativa: "O pessoal construiu a cidade no local errado, em um vale que sempre alaga. A solução é mudar o centro administrativo e as casas para 3 km daqui, lá em cima do vale".

O revolucionário projeto esbarra, ou bate de frente, com o custo. Claro, isso sempre acontece. Eu mesmo sempre pensei em mudar todos os meus vizinhos para o outro lado da cidade para acabar com as aporrinhações dos ruídos de todos eles. Acredito até que todos aceitariam de bom grado. O outro lado da cidade é melhor e ser meu vizinho também não é nenhuma grande vantagem. Mas e o custo deste ousado projeto?

Mas voltemos ao prefeito do estado do marajá Sarney. A idéia dele custa uma grana alta. Ele estima que ficará em R$ 10 milhões, mas é bom triplicar o número, pois, na hora de projetar, máquina de calcular de político costuma tirar muitos zeros à direita.

Por sinal, o custo avaliado por ele é quase três vezes mais o valor repassado pela União ao município no ano passado pelo Fundo de Participação dos Municípios. E toda Marajá do Sena vive, ou sobrevive, é com esse dinheiro.

É mais uma excelente idéia que vai para a gaveta. Mas mesmo não sendo executada, é algo pra se pensar. E é bom os técnicos já irem estudando para onde mudaremos São Paulo, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, e tantas outras cidades. Se uma parte de Marajá do Sena tem que ser transferida de local, também cada grande cidade brasileira tem sua metade construída no lugar errado.
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POR José Pires

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Governo do menos ruim

Os ministros da área econômica do governo Lula não se entendem quanto ao estado real da nossa economia.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, pede para esperar. Isso mesmo. Ele é do, vou destacar, Pla-ne-ja-men-to, e manda o Brasil esperar. Para Bernardo “o importante é olharmos o que está acontecendo neste momento e o que vai acontecer nos próximos meses”.

Já o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse que o Brasil “já está em recessão técnica”.

Paulo Bernardo faz política, tenta enrolar os jornalistas embaralhando dados que fazem parte dos questionamentos, enfim, traz política onde deveria prevalecer a técnica, e na falação acaba criando termos interessantes. Vejam este: "Se olharmos todos os setores, veremos que os dados estão menos ruins que os da indústria".

Gostei. É bem singelo: é menos ruim comer giló do que comer pimenta. “Menos ruim” é a cara do governo Lula. Para defender sei lá o quê, Bernardo afirma por vias tortas que a situação da indústria é péssima. Ou mais ruim.

Já o ministro Miguel Jorge prefere ir ao pé da letra. Vejam o que ele disse ao jornal O Estado de S. Paulo: "Tivemos uma queda da produção industrial no último trimestre (de 2008) e uma queda de produção industrial neste primeiro trimestre de 2009 e todos os livros técnicos dizem que uma queda em dois trimestres seguidos é uma recessão técnica. Não temos como fugir disso".

O ministro Miguel Jorge precisa emprestar um desse livros pro ministro Paulo Bernardo. Pode ajudar bastante no, vamos lá, de novo, pla-ne-ja-men-to.
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POR José Pires

Anunciando a própria morte

“Lamentavelmente, se você está assistindo a esta mensagem é que eu, Rodrigo Rosenberg Marzano, fui assassinado pelo senhor presidente Álvaro Colom, com a ajuda de Gustavo Alejos e do senhor Gregorio Valdez”. Estas são palavras que um advogado morto a tiros no domingo passado na capital da Guatemala deixou gravadas em vídeo.

Álvaro Colom é o presidente do país, Alejos, secretário particular da Presidência, e Valdez é um empresário ligado ao governo. No vídeo, com 18 minutos de duração, o advogado assassinado afirma que sua morte se deve ao fato de ele ter sido “até o último momento advogado do empresário Khalil Mussa e sua filha Marjorie Mussa”, ambos também mortos a tiros em 14 de abril último.

Rosenberg, de 47 anos, foi morto próximo de sua casa, por homens usando dois veículos. Sempre segundo as palavras que deixou gravadas, a razão do assassinato seria ele se negar a encobrir “negócios ilegais e milionários que se negociam no Banrural”, Banco de Desenvolvimento Rural, de capital misto. Segundo uma declaração escrita deixada por ele, os crimes vão desde lavagem de dinheiro até o desvio de fundos públicos, assim como o financiamento de empresas fictícias usadas pelo narcotráfico. Rosenberg acusa também a primeira-dama, Sandra de Colom, de fazer parte do esquema de corrupção.

No final do vídeo, Rosenberg faz praticamente um apelo ao golpe contra o presidente Colom, ao fazer um chamamento ao vice-presidente Rafael Espada para que seja “o primeiro a encabeçar um movimento para recuperar nossa Guatemala, e fazer cumprir as leis com a ajuda de todos os bons guatemaltecos que o apóiam sem reservas”.

O assunto chama a atenção pela inserção da violência costumeira da América Latina na moderna tecnologia da internet. Um crime que, do modo antigo, estaria restrito aos guatemaltecos e, mesmo assim, poucos deles, salta para as telas de computadores de todo o mundo. Usar a internet para revidar aos tiros de matadores: nisso acho que ninguém tinha pensado.

O governo da Guatemala evidentemente nega o envolvimento do presidente nos crimes mencionados no vídeo e até anunciou sua disposição de “aceitar o apoio de qualquer país ou organismo internacional para o esclarecimento do crime”.

O depoimento de Rosenberg foi gravado de forma amadora, aparentemente por ele mesmo. Tem ruídos de fundo, como buzinas, falas de transeuntes e até sirene. Que peça política o advogado acabou deixando. Compôs um réquiem político. E é possível que não seja a única. Alguém que anuncia a própria morte desse jeito, deve ter deixado algo mais.

De qualquer modo, existe a possibilidade de ele ter sido morto até por membros da oposição. Levando em conta o que se conhece da política guatemalteca, não duvido que sabendo da existência de tal vídeo os adversários do presidente fariam eles próprios o serviço para incriminar o governo.

Álvaro Colom é o primeiro presidente social-democrata a chegar ao poder após 50 anos de governos direitistas em um país com um histórico impressionante de crimes políticos. Mesmo para os padrões latinoamericanos.

Este é também um problema para a diplomacia do governo Lula. Na posse do presidente guatemalteco, em janeiro do ano passado, o Palácio do Planalto informou que seu governo era da mesma linha política do governo petista e que Colom era, inclusive, “um admirador” de Lula.

E ao receber Álvaro Colom no Brasil três meses depois da posse, Lula falou de improviso e soltou uma daquelas banalidades costumeiras, quando faz sua autocrítica falando do rabo alheio, mas desta vez, mesmo que sem querer, acertou em cheio. “Eu estive na sua posse, em janeiro. Você tem quatro anos [de governo] e deve ter descoberto que governar é muito mais difícil que discursar no palanque durante a campanha”, disse o petista.

Um vídeo desses no começo do mandato é pra qualquer presidente sentir saudades até mesmo dos palanques da Guatemala.

Para ver o depoimento de Rodrigo Rosenberg Marzano, clique aqui.
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POR José Pires

terça-feira, 12 de maio de 2009

Mangando da gripe

É claro que o presidente Lula tinha que dar seus pitacos novamente sobre a gripe suína. Ontem em seu programa de rádio “Café com o presidente” ele disse que a gripe não é tão grave. "Acho que essa gripe não é do tamanho que parecia que ia ser, porque se vendeu uma gripe que já tinha tomado conta do mundo inteiro”, ele disse para logo fazer a ressalva e se autoelogiar: “Eu penso que ela existe, é grave, mas aqui no Brasil nós estamos cuidando para evitar que se alastre para outras pessoas".

O presidente inzoneiro segue na mesma linha em que está desde o início da doença. Nem vale ficar muito na questão de que o avanço da gripe por aqui é o mesmo que em outros países.

Claro que isso não é culpa de seu governo. Mas acontece que Lula se defende o tempo todo. Por ele, o alerta não seria tão grande. E dá para entendê-lo: como está em campanha perpétua, não sabe mais analisar problema algum fora da lente eleitoral.


Mas como é necessário ter o máximo controle sobre a doença para que ela não progrida como uma epidemia, não ajuda muito o próprio presidente da República minimizar a gripe em um programa de rádio.

O que tem deixado muita gente otimista é a pouca letalidade do vírus. Mas já foi explicado desde a descoberta do surto no México que o grande risco são as imprevisíveis formas que a doença pode tomar. Rebatendo qualquer previsão que venha a fazer as pessoas baixarem a guarda, o diretor-geral assistente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Keiji Fukuda, disse que o momento é de reforçar a vigilância “especialmente com a chegada em breve do inverno no Hemisfério Sul, onde esperamos um aumento dos casos”.

Fukuda lembrou que também a gripe espanhola em seu início era um vírus brando. Quando começou tinha os mesmos sintomas chatos de uma gripe comum, mas nada graves, como esta gripe que coincidentemente me pegou esta semana. Porém, logo tornou-se mortal e matou ente 20 milhões e 40 milhões de pessoas entre 1918 e 1920. Chegou também ao Brasil, onde tivemos 300 mil mortes. Até o presidente da República, Rodrigues Alves, morreu dela em 1919. E neste caso particular nem posso dizer se a notícia é boa, pois não existem informações se ele minimizou a epidemia no início.

Mas Lula precisa fazer pouco caso deste ou de qualquer outro problema, pois de outro modo não seria o presidente que não sai do palanque. Bem, todos torcem para que o sistema de saúde brasileiro não venha a ser testado com um vírus mais forte.

Que seja a "marolinha" das gripes. Se for assim, compensará até aguentar o Lula depois. Pois se a gripe for fraca até o final de seu governo, é claro que ele vai se gabar.
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POR José Pires

Nome da gripe veio da censura

Mas a lembrança da gripe espanhola tem tudo a ver com o comportamento do petista. Na época, fatores políticos também levaram a minimização do problema.

Ao contrário do que muitos pensam, a gripe espanhola não leva este nome por ter se originado na Espanha. O primeiro caso foi registrado nos Estados Unidos. O que aconteceu é que os países envolvidos na Primeira Grande Guerra Mundial não informavam sobre a epidemia para evitar que suas tropas soubessem.

Como a Espanha tinha um papel neutro, as notícias sobre a gripe vinham da imprensa espanhola. Então, a gripe espanhola deve seu nome à censura militar e não à origem da doença.
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POR José Pires

Casa de ferreiro

O assalto ao banco sexta-feira passada dentro do Quartel-General do Exército em Brasília foi um daqueles casos que só não é mais espantoso porque acontece aqui, no Brasil. Os assaltantes levaram R$ 8.000 reais da agência e deixaram amarrados um general e um funcionário do banco.

E como pode acontecer algo assim? A melhor explicação quem deu foi o jornalista Janio de Freitas. Hoje, em sua coluna na Folha de S. Paulo, ele explica: “Tudo indica ser o caso da contratação, pelo Exército, de uma empresa de vigilância para proteger as dependências militares incumbidas da segurança nacional”.
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POR José Pires

Protógenes Queiroz por um triz

Tantas fez o delegado Protógenes Queiroz e ele pode acabar caindo por algo relativamente menor, a gravação do apoio ao candidato do PT à prefeitura de Poções de Caldas, Paulo Thadeu Darcádia. E o mais chato é que o candidato apoiado por ele tentava a reeleição e perdeu.

O apoio pode lhe custar a expulsão da Polícia Federal. Para a comissão do processo disciplinar contra ele aberto na PF o vídeo de Poços de Caldas não deixa dúvidas de que o delegado sabia o que estava agravando e seu uso eleitoral.

A posição da comissão disciplinar da PF foi colhida pelo jornal O Estado de S. Paulo. Além do apoio ao candidato do PT de Poços de Caldas, Protógenes Queiroz também fez uma gravação usada pela deputada Luciana Genro, candidata do PSOL a prefeitura de Porto Alegre.

O delegado vinha alegando que suas participações nas duas campanhas haviam sido “acidentais”, feitas por meio de gravações que ele não sabia que teriam uso eleitoral.

A gravação feita para Luciana Genro tenta passar realmente esta impressão. Mas é provável que tenha sido apenas para fortalecer a participação do delegado. A gravação foi colhida na rua, com o depoimento de Protógenes editado junto a outras pessoas que defendem o combate à corrupção. Já o vídeo de Poços de Caldas é explícito.

No apoio ao petista Paulo Thadeu Darcadia, Protógenes até usa a promessa da instalação de uma delegacia da Polícia Federal como referência da suposta qualidade eleitoral do candidato a prefeito. Pena que este vídeo, que localizei no Youtube, não tenha sido divulgado antes, pois demonstra a falta de responsabilidade do delegado em relação ao próprio cargo.

No apoio gravado para Luciana Genro, do PSOL, também fica evidente que Protógenes sabia muito bem o que fazia. O fato dele negar é aquele tipo de defesa que pode até livrar a pessoa das penas da lei, mas moralmente é uma desgraça.

Neste episódio do envolvimento do delegado com o PSOL, em particular, temos uma mostra do uso oportunista que os extremistas abrigados neste partideco fazem da ética. Para eles, imorais são sempre os outros.

Ora, se um delegado federal pode gravar um apoio para o PSOL, por que não poderia fazer o mesmo para Paulo Maluf, Collor e tantos outros. Bem, imagine o tipo de Polícia Federal que teríamos se a prática do PSOL fosse copiada pelos outros partidos e, claro, permitida pela lei.

Luciana Genro já havia sido flagrada na farra do mau uso das cotas de passagens aéreas do Congresso Nacional. Deu passagem para o mesmo Protógenes. A líder nacional do partido, Heloísa Helena, usou sua cota de senadora para dar passagens para o filho mesmo depois ter deixado o cargo.

Ah, mas o PSOL faz essas coisas pelo bem do Brasil e os outros não. O argumento é tão idiota que parece até piada, mas não é não: é a justificativa deles para praticar imoralidades que condenam nos outros.

Veja aqui o vídeo de Protógenes Queiroz apoiando Luciana Genro e aqui o apoio para o candidato petista de Poços de Caldas.
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POR José Pires

Jota e a Ditabranda da Reforma Política

Querem instalar a Ditabranda no Brasil

A Folha de S. Paulo falou em editorial recentemente em Ditabranda, uma referência do jornal para conferir um grau de ferocidade menor à ditadura militar brasileira em relação a outros países da América do Sul.

Foi uma infelicidade do jornal, claro, mas eu diria que redirecionando o alvo da Folha para a nossa classe política a expressão Ditabranda é perfeita. Pois é o que os políticos estão querendo instalar no país: uma Ditabranda.

E a ferramenta do golpe é a dita reforma política, principalmento com o reurso do voto do eleitor em lista fechada pelos caciques partidários. É perfeito para a manutenção de um poder praticamente ditatorial sobre o nosso processo eleitoral.

A expressão Ditabranda, portanto, já tem seu uso apropriado.

Não à toa, o deputado cassado José Dirceu é um entusiasta da idéia da reforma política. Com voto em lista fechada, ele faz questão de frisar.

O cenário do debate de uma reforma política por si só já é o sonho de consumo dos maiorais do PT. Isso consagra a justificativa de que eles apelaram para mensalões e caixa 2 porque não havia regras eleitorais sólidas, algo que Dirceu também vem repisando sempre.

Eles tinham os caixas 2 pois não tinham outra opção, este é o lero-lero que já conhecemos bem e que embala o debate sobre a reforma. A lista fechada e o financiamento público das campanhas é o que encantas mais à todos eles. O voto em lista, conforme eles dizem, diminuiria o custo das campanhas. E o financiamento público preservaria políticos e empresários da corrupção.

É perfeito. Tamanha qualidade até nos constrange em puxar o Garrincha para esta conversa e fazer a ótima pergunta já tão famosa: mas alguém já combinou com os adversários? E o pior é que neste caso os adversários estão em todos os cantos, inclusive, ou melhor, especialmente, na condução da tal reforma.

Quer dizer que hoje só existe caixa 2 e achaques aos empresários porque não foi feita uma reforma política? Ah, bom.


Essa conversa sobre o caixa 2 como uma prática a que os pobrezinhos dos políticos foram levados a a fazer pela falta de regras é uma lorota e tanto. Quer dizer que o caixa 2 é legal no Brasil? Ah, nas demais atividades é ilegal, mas em campanha não?

Mas a proposta de uma reforma política é perfeita para os manda-chuvas de todos os partidos. Só o tempo que este debate deve consumir, afastando tantos assuntos que hoje incomodam nossos políticos, já torna para todos este tema um dos melhores do momento.

Reparem que nenhum partido tem uma visão crítica sobre a questão. A reforma traz muitas panacéias, mas o melhor dela ainda é o papel que todos eles podem assumir perante o eleitorado: de reformadores da nossa política.

Seria até engraçado se não fosse uma piada às nossas custas. As mesmas pessoas que conduziram a política brasileira ao nível mais baixo da nossa história terão o encargo de reformar todo esse processo e agora, enfim, conduzir a política no rumo da ética. As ratazanas prometem que irão expurgar a corrupção da nossa política.

Pois querem é instalar uma Ditabranda, com o eleitor votando como um arremedo de democracia, já que os caciques que escolherão os eleitos. E ainda vão tirar uma boa dinheirama do Estado com o financiamento público de campanha, um processo que vem se somar à grana que eles tiram de empresários e os caixas 2, 3 e tantos mais das nossas eleições.
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POR José Pires

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sapeando na Casa Branca


A Casa Branca já tem seu Flickr oficial com fotos do dia-a-dia do governo mais visado do mundo. A página apresenta também fotos de Barack Obama em viagens pelo mundo em imagens bem fora do padrão do que é normalmente visto por aí.

A fotos são de Pete Souza, que até o momento o tem conseguido evitar a oficialização do conteúdo da página.

É algo que nunca se viu. E o interessante neste caminho seguido por Obama é que se cria um padrão novo de comunicação com a população Pouco podem dar continuidade a algo assim. E a tendência é que as pessoas não queiram viver mais em isso.

O Flickr da Casa Branca tem mantido até mesmo um nível de liberdade nos comentários, algo sempre indispensável na internet e muito mais neste tipo de página. Neste aspecto, o blog letsvamos, de onde peguei esta dica, apontou algo interessante. Veja aqui os comentários sobre uma foto do ex-presidente Bill Clinton em visita informal à Casa Branca de Obama. Teve até um gaiato que duas semanas atrás fez uma piada bem forte que está lá até hoje.
E para ver tudo, clique aqui.
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POR José Pires

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Pizza com gostinho especial

O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) disse anteontem que se lixava para a opinião pública e ainda se vangloriou de suas habilidades de pizzaiolo político: afirmou com todas as letras que pôs no forno o processo do qual é relator e que envolve o deputado Edmar Moreira, o deputado do castelo de R$ 25 milhões.

Pois sua pizza vai sair com gosto especial. Ontem mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF) mandou para o banco dos réus o deputado do castelo. Moreira vai responder por sonegação de impostos e se apropriar indevidamente da contribuição previdenciárias de funcionários de sua empresa de segurança, a mesma onde colocava o dinheiro da verba indenizatória.

Foi aceita denúncia também contra a mulher e sócia do deputado, Júlia Fernandes Moreira. A abertura da ação contra o casal foi decidida por unanimidade. Esta é a primeira ação contra o deputado do castelo. O STF analisa outro inquérito por crime contra a ordem tributária.

A pizza do petebista que se lixa para a opinião pública ainda não gorou. A desfaçatez que reina entre os pizzaiolos do Congresso Nacional com certeza concede a eles cara de pau suficiente para passar por cima disso.

Mas a ação aceita pelo STF traz um sabor diferente. A decisão dos colegas de Moraes sobre engolir ou não a gororoba vai ser um espetáculo à parte para a desprezada opinião pública.
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POR José Pires

quinta-feira, 7 de maio de 2009

A volta do tesoureiro injustiçado

Amanhã é o grande dia. Delúbio Soares volta ou não para o PT? Bem, na minha opinião nem devia ter sido expulso.

Foi uma grande injustiça. Delúbio é o PT, o PT é Delúbio. Os serviços prestados aos companheiros e seu valor como símbolo histórico petista faz do ex-tesoureiro a cara do partido. Ou o cara do partido, dá no mesmo. E até o fato de ter vindo do nada, de carregador da cigarrilha acesa de Lula a maioral do PT, torna ele a pessoa certa tirada de forma equivocada do lugar certo.

Notem a semelhança com a trajetória de Lula − o da cigarrilha − na formidável ascensão. É uma riqueza que não pode ser desperdiçada: um ícone petista genuíno (não confundir com o deputado que assinava pelo partido seus empréstimos sem sequer verificar o valor).
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POR José Pires

Volte mais tarde, companheiro

Correntes de esquerda do partido querem retirar o tema de pauta. Mas estes esquerdistas, sempre minoritários, são os que menos compreendem o partido do qual fazem parte. Só entendem o que se passa depois de serem chutados pra fora. E a verdade é que, mesmo que não tenham esta intenção, são os que mais ajudam a mascarar os verdadeiros propósitos dos caciques partidários.

Os bacanas do partido estão divididos. Não por contrariedade especificamente com a volta do companheiro. O problema de alguns, como o chefe de Gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, com certeza é com o momento. Sabem que é melhor encarar as próximas eleições sem ter ao lado o simbólico Delúbio Soares. Não que sejam contra a volta. Formam a turma do "volte mais tarde, companheiro Delúbio".

Os jornais de hoje contam que Carvalho tem dito que ficará difícil aceitar presidir o PT se Delúbio for anistiado. Entendem o raciocínio? Antes de ser expulso em 2005, Delúbio somava (e como!), agora divide. A rejeição ao ex-tesoureiro é tão forte que nem o PMDB aceitou ser o repositório de uma solução conciliatória tentada pelo Palácio do Planalto, com o partido assumindo a candidatura de deputado federal que Delúblio tanto quer.

Tem que ser forte. Ser rejeitado até pelo PMDB é de baixar a autoestima de qualquer um. Ainda mais para quem no período pré-mensalão era tratado como rei.

Mas mesmo entre os maiorais não existe uma unidade quanto ao efeito que pode acarretar a volta do petista excluído. O coordenador da pré-campanha presidencial de Dilma Rousseff no Nordeste, o ex-prefeito de Recife João Paulo Lima e Silva, discorda tanto de Carvalho que até já se ofereceu para ser o principal defensor do ex-tesoureiro na reunião do PT de amanhã.

Vamos torcer para que os companheiros tomem a decisão certa, reincorporando esta valorosa peça partidária. O lugar de Delúbio Soares é mesmo no PT.
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POR José Pires

Cuspindo na opinião pública

O ex-prefeito do Recife e coordenador da pré-campanha de Dilma Roussef no Nordeste já puxou para si defesa da reincorporação de Delúbio Soares aos quadros do PT. Tem uma lista enorme de petistas que desejam ter de volta ao convívio fraterno o companheiro excluído. São os que de fato sabem o que é seu partido e não perdem tempo com, vamos aspar, que esse negócio anda tão fora de moda que pode soar como neologismo, "idealismo".

Não faltam braços para empunhar a bandeira da volta do ex-tesoureiro, mas uma pessoa que daria conta com perfeição de tal tarefa é o deputado petebista Sérgio Moraes, relator do processo de quebra do decoro parlamentar de Edmar Moreira, o deputado do castelo de r$ 25 milhões.

Moraes não vê razão para condenar o colega denunciado e ainda faz pouco caso da repercussão que isso pode ter. “Estou me lixando para a opinião pública”, ele disse ontem a jornalistas, com uma sinceridade que faz falta entre os nossos homens públicos.

O deputado do PTB gaúcho foi também ardoroso defensor do deputado Paulinho Pereira da Silva, o Paulinho da Força, acusado de envolvimento com um esquema de desvio de dinheiro do BNDES. Na época, Moreira era presidente do Conselho de Ética e demonstrava o mesmo desprezo à opinião pública. Até agora não teve motivo para arrependimento. Como se sabe, Paulinho da Força se livrou da cassação do mandato.
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POR José Pires

A regra da sarjeta

A arrogância de Moraes infelizmente tem sustentação em sua trajetória pessoal. Não é pior do que já fizeram boa parte de seus pares, mas não deixa de ser chocante. Em edição recente, a revista Veja conta que o deputado já foi indiciado, juntamente com a companheira, que é mãe de cinco filhos seus, por lenocínio e favorecimento à prostituição.

Segundo a revista, ele já foi acusado de lenocínio, receptação de jóias e agressão. Existem oito processos contra ele no Supremo tribunal Federal, quatro deles já aceitos.

Mesmo com esta ficha, Moraes foi eleito deputado federal e ainda por cima ganhou a presidência da Comissão de Ética da Câmara, cargo que ocupou até março deste ano. Hoje é relator de um processo importante da Casa. Se a política brasileira alça alguém assim a papéis de tamanha relevância, não há porque esperar que no poder esta pessoa aja de forma diferente. É a lógica: se até aqui deu certo, não há porque mudar agora.

Ninguém tem dúvida de que ele pegou o processo para salvar da cassação o deputado do castelo. E nem ele faz questão de disfarçar. O deputado do castelo usou recursos da verba indenizatória para pagamentos a empresas de sua propriedade. A comissão de sindicância concluiu que há indícios de que o serviço não foi prestado e o deputado se apropriou indevidamente dos recursos.

O relator do processo vê os procedimentos de forma muito parecida com o que fala sempre o presidente Lula. Para ele, "Se não havia norma que impedisse o deputado de contratar sua própria empresa, ele não cometeu irregularidade alguma". Discurso mais afinado é impossível.

É o mesmo pensamento de Lula. Com tal exatidão, que fica muito claro o âmbito da campanha para relativizar todo desvio ético, com toda a base do governo Lula dando o máximo de si para nivelar por baixo quaisquer valores. Exceção feita obviamente aos que entram no caixa e menos ainda os de caixa dois.

Que um político deste naipe não esteja amanhã no diretório do PT defendendo a volta de Delúbio Soares não deixa de ser uma tremenda injustiça. É um esquema em comum de desmoralização da ética a partir de seu próprio conceito. E a atitude de dar uma banana à opinião pública também é muito conhecida.

Não à toa, todos fazem parte da base de sustentação do governo Lula. E não havia como ser diferente. Quem alcança o poder pela via da sarjeta há de também governar sustentado pela sarjeta. Como sempre, os meios acabam determinando os fins.

Aos petistas cabe amanhã ter a sensibilidade de entender que a volta de Delúbio só vem coroar este processo. Volta, Delúbio Soares. O PT é sua casa e sua cara.
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POR José Pires

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Lista fechada entre eles

A cúpula do Senado quer que sua própria polícia (a Polícia Legislativa... uma das melhores piadas prontas) investigue as supostas irregularidades no crédito consignado oferecido aos servidores. Claro que os senadores querem a Polícia Federal de fora dos assuntos da casa. Com a PF o risco de alguém sair algemado dali ainda existe. Já com a Polícia Legislativa (PL seria a sigla? Mas isso não é um partido político?), haja gaveta.

Nossos politicos estão mesmo com tudo. Polícia própria, cotas de passagens aéreas inclusive para esposas, namoradas, filhos, sobrinhos e terceiros, apartamento funcional, ajuda de custo pra tudo, plano de saúde para toda a vida e para toda a família... Uau, o que falta mais para não ter medo de ser feliz? Por enquanto eles só não tem o poder para eleger quem eles quiserem.

Eu disse "por enquanto" porque eles já estão dando um jeito nisso. Com a tal reforma política vão tentar enfiar goela abaixo do eleitor o voto em Lista Fechada. Isso nada mais é que voto indireto. O eleitor vota no partido e os caciques decidem quem vai para o Congresso Nacional.

Olhem bem quem domina hoje os partidos políticos brasileiros. Todos os partidos, sem exceção,estão nas mãos de caciques. Caciques de esquerda, caciques de direita, caciques de centro. São os mesmos de sempre, que determinam as alianças, mandam no horário eleitoral gratuito e fazem um rodízio no poder: de deputado federal para prefeito, depois deputado novamente, podendo ser até estadual, depois tentam o Senado ou um governo estadual, e assim por diante de forma interminável.

Mas de vez em quando os eleitores ainda conseguem tirar um vagabundo desses do poder. Só pelo voto, é claro, pois eles se arranjam entre eles e ajeitam um cargo com os colegas. Mas pelo voto não voltam mais ao poder.

Pois com a Lista Fechada o eleitor perde até este gostinho.
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POR José Pires

terça-feira, 5 de maio de 2009

Dantas, Greenhalgh e o Pará

O banqueiro Daniel Dantas é uma figura definitivamente fixada à história do PT no poder. É interessante o modo como sua atuação divide a própria base de Lula, quando ao mesmo tempo é favorecido pela atuação do presidente Lula em favor de um negócio como a compra da Brasil Telecom pela Oi. O fechamento do negócio rendeu 1 bilhão de dólares ao dono do Opportunity.

Dantas tem ou já teve em sua folha de pagamentos figurões ligados ao poder petista e mesmo bem próximos até de Lula, como o compadre Roberto Teixeira, ou o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh. Este último, aliás, comprovadamente usou até os préstimos do secretário pessoal do presidente, Gilberto Carvalho, para atender interesses de Dantas.

O banqueiro é benquisto por uma parte do círculo de poder em volta de Lula mas, por outro lado, cria sérias divergências na base, inclusive na blogsfera chapa-branca que dá suporte ao governismo na internet.
Porém, o lado que gosta do banqueiro parece ser o mais forte na partilha de poder federal. São mais influentes no rumo político do partido e também nas interrelações entre a política e os negócios. Como os que torcem o bico com a presença de Dantas não tem o peso suficiente para conter de vez seu bom trânsito, só lhes restam as denúncias e ataques às suas investidas. Mesmo que para isso tenham que atingir companheiros históricos.

O jornalista Mino Carta é um dos apoiadores de Lula que não aceita de modo algum as boas relações do banqueiro com setores influentes do PT. Por isso está sempre editando alguma coisa para quebrar, ou pelo menos fustigar, este vínculo que o incomoda.

Nesta semana sua revista, Carta Capital, traz uma entrevista com a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, falando sobre as ações de seu companheiro Luiz Eduardo Greenhalgh, que foi até o estado governado pela petista para usar da influência de sua história partidária no favorecimento das atividades de Daniel Dantas como fazendeiro.

“Em janeiro de 2008, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, foi surpreendida por um telefonema de um antigo companheiro do PT, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh.
De São Paulo, Greenhalgh manteve uma conversa evasiva e pediu uma audiência com a governadora. De pronto, Ana Júlia convidou o correligionário para um almoço na residência oficial, em Belém. O que deveria ter sido uma conversa entre velhos amigos tornou-se um encontro constrangedor. Greenhalgh levou a tiracolo o empresário Carlos Rodenburg, então vice-presidente do Banco Opportunity e ex-cunhado do banqueiro Daniel Dantas. Enquanto saboreava um peixe da região, a governadora haveria de descobrir um segredo que só seria revelado ao País dali a seis meses, após a Operação Satiagraha: Greenhalgh, antigo defensor de trabalhadores rurais e presos políticos da ditadura militar, havia se tornado advogado e lobista de Dantas. O petista intercedeu a favor do banqueiro e de suas atividades pecuárias no Pará.”


Desse modo, a dobradinha Ana Júlia/Mino Carta traz mais munição na guerra interna governista que tem no meio Daniel Dantas. Da amazônia ao Rio Grande do Sul, o banqueiro é a figura que, para além de simbolismos, encarna hoje um dilema do PT.

E o pior para os petistas é que qualquer que seja o resultado dessa luta, sendo inocentado ou condenado, não há como se livrar da imagem do banqueiro. Já se colou ao PT e não sai nem com lero-lero de filósofos de idéias ajustadas ao partido.

Para conhecer mais dessa história reveladora dos bastidores do PT pelo país afora, clique aqui.
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POR José Pires

Minha gente, agora vai

A volta em grande estilo da conversa sobre um terceiro mandato para Lula faz a gente pensar que, afinal, a doença de Dilma Rousseff não é algo tão tranqüilo como tentam aparentar.

O grande estilo fica por conta dos dois maiores entusiastas do terceiro mandato: Roberto Jefferson e Fernando Collor, lideranças altamente representativas do notório PTB.

Em entrevista ao Valor Econômico, Collor garantiu que o Congresso aprovaria de “maneira entusiástica” o terceiro mandato. Não duvido disso. E o próprio Collor entrega na entrevista as razões para manter Lula no poder.

Está tudo muito bem amarrado. Bem isso já sabíamos, mas é interessante obter o testemunho franco de alguém como o ex-presidente que Lula na oposição acusava de maracutaias e que agora está tão satisfeito com Lula no poder que teme que mesmo uma vitória de Dilma Rousseff venha a desarranjar os acertos. O ex-presidente e agora senador Collor continua se encantando com o próprio gogó. Nem é preciso decifrar entrelinhas para entender que está tudo dominado.

Vejam como ele entrega mesmo o jogo. “Dos 17 partidos com representação no Congresso, 13 ou 14 fazem parte da base de sustentação do governo. Estão todos atendidos pelo governo nas suas reivindicações”, ele diz, para depois colocar seus temores: “Uma mudança de governo significaria quebrar toda essa construção, que custou muito esforço para ser erguida”. Ah, nada como ouvir um homem franco.

Vendo, ou melhor, ouvindo, as coisas por este ângulo, ele tem toda a razão. É Lula de novo. Mas com esta opinião, que é uma das mais abalizadas para este assunto e que certamente ecoa a voz comum das duas casas legislativas, Collor também dá a certeza aos brasileiros de que um terceiro mandato do presidente inzoneiro é meter de vez os pés na lama da corrupção e da incompetência.

Mas se vier mesmo a disputar o terceiro mandato Lula não tem que se preocupar com a organização da campanha. O caixa e a condução política já tem dois mestres na condução: Roberto Jefferson e Fernando Collor.
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POR José Pires

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um dia muito especial

O presidente Lula fala, fala, fala. E já está se repetindo. Foi no sábado, saindo da inauguração de um hospital, no Rio, tentando minimizar a farra das passagens aéreas no Congresso Nacional que ele fez uma promessa jocosa, bem no estilo de seu governo.

“Ainda vou criar o “Dia da Hipocrisia”, ele prometeu tentando fazer piada com coisa séria e, como sempre, usando erradamente a linguagem. Ora, ele pode acusar de hipocrisia quem fez uso do privilégio e posa de moralista.

Mas aí é problema dele com os deputados e senadores, especialmente os "300 picaretas" que ele atacou antes de subir ao poder e que são a sua base aliada.

Mas nem por isso a idéia do “Dia da Hipocrisia” deixa de ser boa. O problema é que o tal dia já está no rol das promessas que Lula não cumpre. É assunto repetido.

Em outubro do ano passado, na eleição para prefeito de Sâo Paulo, ele disse a mesma coisa ao lado da candidata Marta Suplicy. Tal como agora, Lula tentava então defender o indefensável. Protegia a petista das críticas por ela ter produzido e levado ao ar em sua campanha uma das propagandas políticas mais canalhas já feitas em eleições brasileiras, aquela das insinuações sobre a vida sexual de seu adversário, Gilberto Kassab, que acabou derrotando-a.

Lula fez então pela primeira vez a promessa de criar o "Dia da Hipocrisia". Imediatamente aqui neste blog não só apoiei a proposta como fiz a sugestão do dia que possibilitaria comemorar a data ainda naquele ano.

Minha proposta foi de comemorar a data em 27 de outubro. Se não for mais uma bravata do Lula é possível fazer isso ainda este ano.

E o que aconteceu em 27 de outubro para tornar esta data a ideal para o “Dia da Hipocrisia”? Foi o nascimento do Lula.
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POR José Pires

Notícia ruím também pode ser vista como boa

Duas notícias, uma boa e uma ruim. Vamos dar primeiro a boa, para estimular o otimismo: não há risco de apagão no Brasil; para este ano não deve haver problemas com as operações do Sistema Interligado Nacional, que estão sempre próximas dos limites. Havia inclusive o risco de racionamento de energia, mas o problema já está superado.

Lula pode até sair por aí contando vantagens e capitalizando esta tranqüilidade do setor de energia elétrica.

Mas ele não pode dar a má notícia, que é a causa, aliás, da notícia boa. Foi a crise que abaixou a demanda de energia. A segurança do sistema se deve à retração econômica.
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POR José Pires

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Lula na farra das passagens aéreas

O presidente Lula já admite que também participou da farra das passagens aéreas quando foi deputado federal no final da década de 80. A informação surgiu agora no início da tarde, em conversa com jornalistas, quando ele disse que não vê problema em levar a mulher ou sindicalistas para Brasília, pois quando foi deputado também usou sua cota para dirigentes da CUT voarem até Brasília.

Assim fica explicado porque ele não vê novidade no que acontece na Câmara. Era também seu hábito. Lula teve um mandato medíocre como deputado. Foi constituinte. Saiu e entrou emburrado e ainda seu partido se negou a assinar a Constituição. Como ele confessou, eram uns bravateiros. Depois, não quis disputar a reeleição e tornou-se político profissional, porém sem mandato.

Passou a receber um salário do PT, prática que abandonou só depois de eleger-se presidente. Se é que abandonou.

Mas para mim esta autoincriminação é bem suspeita. Parece que está dando uma de Gabeira, que se inculpou para se adiantar aos jornalistas.

Lula afirmou que nunca usou suas cotas para levar parentes para o exterior. Mas e os tais terceiros? Tem os terceiros (gosto mesmo disso), não? Eu investigaria com mais cuidado o período em que o presidente inzoneiro foi deputado. Se o cara apronta como presidente, o que dirá quando foi deputado do baixo clero. Ademais, ele está interessado demais em minimizar esta farra. Tem coisa aí.
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POR José Pires

A lei atrapalha

O presidente Lula não poderia ser mais explícito sobre sua posição no embate que se trava no país entre corrupção e ética. Vejam o que ele disse ontem a jornalistas sobre as denúncias de abusos no uso de passagens aéreas: “Qual novidade vocês descobriram nisso? Isso é feito desde a criação do Congresso Nacional.”

Em seus discursos, Lula costuma falar como se o assunto surgisse de forma espontânea. É um estilo. Mas é óbvio que o ataque às notícias sobre desvios éticos é uma obra programada de seu governo. Ontem, durante a inauguração de um laboratório na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele já havia investido contra a fiscalização sobre uso de recursos públicos.

Para ele existe um excesso de regras e de fiscalização sobre o uso de recursos públicos no Brasil. E na defesa deste absurdo raciocínio, o presidente inzoneiro ainda fez uma analogia com a construção de Brasília: “Juscelino Kubitschek, se fosse eleito presidente hoje, não existisse Brasília e ele quisesse fazer Brasília hoje, ele ia terminar o mandato dele sem conseguir licença para fazer a pista para descer o aviãozinho dele para começar a estudar o Planalto Central.”

Para Lula, as leis atrapalham. E aí temos que dar razão a ele. Atrapalham mesmo, já que foram criadas exatamente para isso. O estelionato e o tráfico de drogas, por exemplo, tem sérias dificuldades com as leis. É mesmo um atrapalho.

Juscelino Kubitscheck é que entrou atravessado nessa história. O ex-presidente é uma obsessão de todo governante brasileiro. Mas Lula é o mais fissurado nele. O interessante é que ele no início tentou colar sua imagem em JK visando o perfil dinâmico do ex-presidente. Não deu certo. Agora parece que pensam em usar o presidente mais popular da nossa história para mascarar más intenções.

O uso inadequado de JK para tentar dar fundamento para o que, na essência, indica nada mais que o desejo de burlar a lei, também peca pela falta de veracidade histórica. O exemplo teria de ser com outra figura histórica, bem mais adequada ao que anda ocorrendo: Adhemar de Barros, o político do rouba mas faz. Mas exemplos não faltam. No plano da história internacional pode ser avocado também o Al Capone. Para não gostar de leis, ele era o cara.
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POR José Pires

Contra qualquer código

O uso da imagem de JK para desmerecer a ética e atacar a legislação de controle dos recursos públicos também não é novo. Em outra fala recente, o petista também citou a história do “aviãozinho” descendo em Brasília para condenar as leis ambientais.

E ministros de seu governo também atuam para eliminar leis que coíbem práticas corruptas e os impactos ambientais das grandes obras. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes atualmente faz um trabalho por todo país pela derrubada do Código Florestal que, entre outras coisas, defende as matas ciliares e condena as queimadas.

Stephanes tem corrido o interior brasileiro, participando de feiras agropecuárias, congressos, reuniões, usando esses e outros espaços para atacar com agressividade o código. Faz isso na qualidade de ministro, usando a estrutura pública, o que deixa claro que é uma atividade concatenada com o que tem feito o próprio presidente da República.
O tom é o mesmo. Lula diz que a fiscalização e as leis emperram as obras, já o ministro apela para o alarmismo na sua àrea. Na inauguração de uma feira agropecuária em Londrina, no Paraná, o ministro ele disse que “vai faltar alimento no país caso não sejam revistas as leis ambientais”.
E ambos avançam serelepes na contramão das atuais preocupações internacionais com a corrupção e o meio ambiente, duas questões essenciais da atualidade.
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POR José Pires

Remédio com contra indicação

Não é à toa que Lula se insurge contra o modo de agir da Organização Mundial da Saúde (OMS) no controle da gripe suína. Aqui ele vê “terrorismo”. Sobre seu ministro que sai pelo país gritando que “vai faltar alimentos”, ele se cala.

Muita gente, com razão, reclamou de Lula não esclarecer de onde vem o “terrorismo”. Não existe terrorismo algum, é óbvio. O problema de Lula é com o método.

Procedimentos como o da OMS, que envolvem rigor técnico e transparência, inclusive na admissão das dificuldades no controle da doença, podem fazer muito mal ao governo petista. Mas deste remédio eles não morrem, pois não tomam.

Mas, além do ataque frontal à legislação, o governo Lula age também nos bastidores para desmontar a legislação. No início do mês passado o governo fez passar na Câmara uma emenda que põe fim à necessidade de licença ambiental prévia para obras em rodovias brasileiras. A emenda foi embutida às escondidas na medida provisória que tratava do Fundo Soberano. A justificativa governista é fazer avançar as obras do PAC, daí a emenda passando com o trator por cima da legislação ambiental. O desmatamento que deve sobrevir com o fim da licença, claro, fica para se pensar no futuro. Se houver.   

O importante é desmontar leis. E neste jogo, para falar de um modo parecido com o dele, Lula tem em Dilma Rousseff uma feroz atacante. José Dirceu também era, mas agora ele dá ordens apenas fora de campo. Dilma tem um histórico de não gostar de leis que regulamentam procedimentos públicos. Para ela, tudo tem que ser do seu jeito e ponto final.

É o seu perfil, desde que quando foi secretária de governos brizolistas no Rio Grande do Sul, antes de virar petista. Bem, o autoritarismo  foi sempre uma linha de conduta. Quando se lutava pela democracia na década de 60 o que fazia a ministra? Ora, estava em um grupo armado que queria a implantação de uma ditadura comunista no Brasil.
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POR José Pires