quinta-feira, 31 de março de 2016


quarta-feira, 30 de março de 2016

Lula e Dilma na bacia das almas

Na situação em que ficou a presidente Dilma Rousseff com a retirada do PMDB de seu governo, vem a tentacão de escrever que ela está na “bacia das almas”. A expressão já vem sendo usada desde o início do ano, quando revelou-se a realidade que nós, os chamados “catastrofistas”, dizíamos que o PT acobertava desonestamente. Mas creio que é inapropriado o uso dessa expressão somente agora. Este ciclo de governos faz política na bacia das almas desde o começo da sua formação, já no primeiro mandato de Lula, que deu início a este ciclo desastroso de governos, que estava indo para quatro mandatos consecutivos, mas parece ter os dias contados até o corte abrupto de um impeachment.
A expressão “bacia das almas” é sobre a dificuldade de vender algo e costuma ser usada quando existe a obrigatoriedade dessa venda ser feita em qualquer condição, inclusive com o preço abaixo do que se obteria em uma condição normal. No caso de Dilma, ela terá mesmo que oferecer benefícios extras para que aceitem fazer negócios com ela. Acho mais acertada a expressão no sentido do uso de um recurso final, que vem após outras oportunidades já terem sido usadas ou menosprezadas. Dilma fez tanto uma coisa quanto outra, de vários jeitos. De qualquer forma, a expressão tem sempre o sentido de uma ação desesperada depois de perdidas todas as opções. Para se ter uma ideia do problema, a expressão, que é de origem católica, tinha no período medieval uma relação com angariação de dinheiro para missas em favor das almas do purgatório.
E foi na bacia das almas o batismo desse governo, ainda com Lula, em seu primeiro mandato. Nos acordos da primeira eleição de Lula, em 2002, entrou dinheiro para o convencimento da formação da chapa com o Partido Liberal (o PP de hoje), que entrou com o senador José Alencar como vice do petista. A primeira vitória teve que ser construída com a montagem de um quadro eleitoral que facilitasse a campanha do PT. Para isso tanto precisavam do PL de Alencar como era necessário também evitar sua aliança com o PSDB. E precisavam do vice senão teriam de sair com chapa pura. Na hora do acerto, Lula ainda falou para Alencar: "Vamos sair porque esta conversa é entre partidos, não entre candidatos". Os dois candidatos ficaram na sala e os demais políticos foram para um quarto do apartamento falar de dinheiro. O partido de José Alencar já estava para lançar uma nota dizendo que a coligação PT-PL não ia sair, quando José Alencar falara com Lula, fazendo a ponte para o acerto. Por isso, Lula estava em Brasília para resolver o assunto.
O depoimento de Costa Neto sobre o acordo é um demonstrativo claro do batismo na bacia das almas desse ciclo desastroso do governo do PT: “O Lula e o Alencar ficaram na sala e fomos para o quarto eu, o Delúbio e o Dirceu. Eu comecei pedindo R$ 20 milhões, para levar uns R$ 15 milhões. Daí, ficou aquela discussão. Uma hora, o Zé Alencar entrou e falou: ‘E aí, já resolveram?’ Eles achavam que iam arrecadar R$ 40 milhões. Eu falei: ‘Tira R$ 15 milhões para a gente. É justo’. Eles ameaçaram ir embora. O Lula mandou ligar para o Patrus Ananias e avisou que, se a conversa não desse certo, ele seria o candidato a vice na chapa. Uma hora, o Dirceu chegou a dizer ‘acabou’. Eles batiam tanto o pé comigo que eu pensei: ‘Ô povo firme. Esses vão me pagar rigorosamente em dia’. Daí chamei o Zé Dirceu de volta para o quarto. O Zé Alencar veio junto. Falei: ‘Vamos acertar os R$ 10 milhões’. Voltamos para a sala e avisamos: ‘Está fechado’. Lembro ainda que o Zé Alencar falou "peça tudo por dentro".
Assim, o que começou torto e jamais se endireitou, vai acabar do mesmo jeito. A situação desesperadora de Dilma completa o ciclo desse governo, que começou e se finda na bacia das almas. Porém, acho difícil que eles se livrem de um destino infernal.
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POR José Pires

Lula sem linha

A situação patética do ex-presidente Lula na semana passada, com dificuldade de ser atendido até pelo vice-presidente Michel Temer, me fez lembrar do dia em que ele se negou a conversar com José Dirceu ao telefone. Isso foi no início do ano passado. Dirceu ligou para o Instituto Lula e pediu uma conversa com Lula, que em vez de recebê-lo mandou Paulo Okamoto retornar o telefonema. "Do que você está precisando, Zé?", perguntou o notório escudeiro de Lula. Foi então que Dirceu deu uma resposta que depois ele questão de repassar para a imprensa: "Você acha que vou ligar para pedir alguma coisa? Vocês me abandonaram há tempos". E a conversa acabou nisso.
A intenção de Dirceu ao telefonar para Lula era acertar em conjunto uma estratégia de defesa. Ele já devia saber das encrencas que iriam surgir para o lado dele com o desenvolvimento das investigações da Operação Lava Jato e pelo jeito também sabia que desta vez o Ministério Público chegaria até Lula. Porém, este parecia julgar-se protegido pela aura mística criada em torno da sua figura e escudava-se também no respeito institucional a um ex-presidente. Lula também tem o hábito de largar para trás companheiros caídos em desgraça. E como José Dirceu sempre foi o único político em nível parecido ao dele nas decisões do PT, parece que Lula viu na desgraça do companheiro uma possibilidade de ampliação de seu poder político.
Na situação atual de Lula é provável que ele se arrependa de não ter escutado o que José Dirceu tinha para lhe dizer. Na semana passada, com o vice Michel Temer, o tratamento que recebeu foi parecido ao que deu ao companheiro de partido. Temer se negou a atender dois telefonemas seus. Depois Lula foi avisado pelo vice que não havia mais como segurar o PMDB no governo, saída que afinal foi decidida em reunião nesta terça-feira do diretório nacional que durou menos de cinco minutos e se deu com gritos de "Fora, PT!". É óbvio, mas muito óbvio mesmo que Lula pode apagar da agenda o número do telefone de Temer. Não sei se ele está com o número de José Dirceu — talvez seu assistente Okamoto saiba de cor —, mas agora não importa. Para qualquer telefone que ele discar, agora não ouvirá de forma alguma um clique abrindo um diálogo na outra ponta. O chefão do PT não tem mais com quem conversar, até porque nada mais tem a oferecer.
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POR José Pires

Um vice pronto pra ser promovido

Já seria muito ruim para a presidente Dilma Rousseff o PMDB deixar o governo, mas a saída aos gritos de "Fora, PT!" indica que o partido do vice Michel Temer deve marchar com os ânimos exaltados para o impeachment. O pior mesmo é o sinal de ruína iminente (e estridente) emitido pelo PMDB ao sair de um governo. Já é tradição na política brasileira que quando os peemedebistas dão o fora de um governo é porque a situação já não permite mais nenhuma tentativa de conserto. Fora o aproveitamento do poder, cuja dispensa pelos peemedebistas demonstra que já não tem garantia alguma.
E tem o vice, é claro. A situação piora consideravelmente para um governante sob o risco de impeachment quando ao seu lado está um vice com a ambição de ser promovido. Está aí um problema duro de administrar: como Dilma pode evitar sua queda quando na sua ocorrência a continuidade do governo fica com o agora desafeto Michel Temer? É complicado. E como conheço bem os petistas, sei da disposição deles para piorar a questão. Não que Temer precise de mais motivação do que isso para trabalhar pelo impeachment, mas guardem um pouco das suas gargalhadas para quando a militância petista começar a sentar o cacete no ex- aliado. Só se Dilma e Lula tivessem muita coisa para dar é que não teríamos o impeachment, mas os dois terão muita dificuldade de convencimento, já que a segunda metade do governo só Michel Temer pode oferecer.
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POR José Pires

quinta-feira, 24 de março de 2016

Obama e a abertura para Cuba

O presidente Barack Obama desceu de avião neste domingo em Cuba com uma enorme delegação. São mais de mil integrantes, com uma enorme participação de empresários, além de parlamentares. A imprensa fala em cerca de 40 parlamentares. Com Obama, viajaram também sua mulher e as duas filhas, o que realça o gesto de aproximação do presidente americano. Conservadores americanos e também aqui do Brasil estão nervosos com o que a diplomacia americana vem fazendo em relação à Cuba e, como sempre, analisam de forma errada a questão. Sobre Cuba e a direita e esquerda sempre erraram muito. O país sofreu bastante com os dois lados políticos. Desde a derrubada do ditador Fulgêncio Batista, em 1959, os Estados Unidos vem agindo de forma bossal na sua relação com o problema criado com a subida ao poder de Fidel Castro, líder da revolução que derrubou Batista e ditador que se colocou em seu lugar, desta vez com um regime comunista que destruiu o país no aspecto político, econômico, cultural e sabe-se lá o que mais. Depois da saída dos irmãos Castro podem surgir revelações pesadas e com certeza o legado político do que foi feito em mais de 50 anos será desastroso para a esquerda brasileira.
A partir da chegada de Obama à ilha deve ser estabelecida uma ponte que trará benefícios aos dois países e a todos nós que assistimos a essa encrenca há tanto tempo. O fortalecimento da democracia deve ir muito além de mudanças políticas inevitáveis que ocorrerão em Cuba. Obama pode também fixar-se historicamente como líder da transformação da imagem dos americanos como financiadores, estimuladores e muitas vezes chefes de uma direita criminosa que desde a década de 60 dominou os governos de grande parte da América Latina. Sempre tiveram uma visão militarista para a América Latina, cujo resultado foi o de fortalecer no continentes grupos paramilitares do pior tipo e uma direita sanguinária, gatuna e incompetente. Por trás dessa política esteve sempre a mão pesada do Partido Republicano, cuja diplomacia para a América do Sul é uma política de gangues. E como se vê na campanha eleitoral americana, ao invés de progredir os republicanos sofreram uma regressão política nas últimas décadas. Donald Trump ou Ted Cruz, tanto faz um ou outro para se notar que mentalmente não diferem de um Ronald Reagan, com o agravante de terem uma imagem pessoal muito mais próxima de um Richard Nixon.
A esquerda também perde muito. Para o bolivarianismo se dar mal no continente nem era preciso o Obama descer sorrindo em Cuba. Esse tipo de visão política já demonstrou ser inviável em vários países, inclusive no Brasil. No entanto, agora acabou até o uso de Cuba como justificativa para o autoritarismo de gatunos esquerdistas. A entrada dos americanos na ilha de Fidel Castro, desta vez de forma democrática, deve acabar de vez com as ilusões fraudulentas d esquerda em nosso continente. Isso evidentemente está na dependência de uma continuidade do Partido Democrata no poder, possibilidade que deve ser fortalecida pela chegada de Obama a Cuba. Conservadores e direitistas, inclusive brasileiros, estão errados nas análises sobre o gesto histórico de Obama, não só sobre o efeito em Cuba, que deve ser o fecho do regime castrista, fortalecendo uma via democrática e evitando no país a rapinagem e o revanchismo da direita cubana. O efeito eleitoral deve ser também positivo para o Partido Democrata. Obama está mandando uma forte mensagem a uma ampla faixa do eleitorado americano que neste assunto tem o coração como um peso determinante, afinal é da diplomacia americana que dependerá a sorte de suas famílias nos países de onde vieram. E para os amigos, primos, irmãos, pais e mães, avós e antepassados dessa gente o Partido Republicano já ofereceu um muro um pouco pior do que aquele que dividia Berlim ao meio.
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POR José Pires

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Imagem: O Bar Floridita, local que o escritor americano Ernest Hemingway marcou na cultura mundial e onde colheu muita inspiração

Corrupção de alta tecnologia

Com a operação desta terça-feira da Lava Jato — a 26ª e com o nome Operação Xepa — o Ministério Público revelou um sistema organizado de propina na empreiteira Odebrecht, onde havia um departamento exclusivo para pagamentos ilícitos. Tinha até nome: Setor de Operações Estruturadas. O sistema era todo informatizado, uma "intranet da propina", que conforme depoimento da secretária Maria Lúcia Tavares fazia constar todos os pagamentos paralelos no sistema "MyWebDay". Altos executivos da empresa é que eram os responsáveis pela liberação de pagamentos no sistema informatizado de corrupção.
Coisas desse tipo demonstram o que seria do nosso Brasil se o esquema descoberto pela Lava Jato fosse mantido impune e em funcionamento por mais uns anos, o que favoreceria a volta do próprio Lula ao governo federal, o sonho dourado dele de voltar a mandar diretamente a partir de 2018. Estaria instalada uma sólida cleptocracia em nosso país, submetendo os brasileiros de tal forma a um sistema político totalmente corrupto que aí então seria muito difícil tirá-los do poder. A bem da verdade, é preciso dizer que o golpe era este que está sendo desmontado pelo Ministério Público e os brasileiros de bem que criticam, fazem oposição firme e vão pras ruas manifestar seu descontentamento. Não vai mesmo ter golpe. Ele foi desmontado pelo contragolpe da Justiça e da sociedade civil.
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POR José Pires

O gênio embananado da política brasileira

Durante muito tempo tive que suportar até gente de grande capacidade de análise afirmando que Lula era um às da política e uma pessoa de inteligência rara. Sempre discordei disso e venho falando e escrevendo nesses anos todos que apesar de ele não ser evidentemente nenhum bobalhão, o chefão do PT estava na média do que é o político brasileiro, nem um pouco acima disso e bem abaixo de alguns deles. O que ocorre é que a vida é feita de oportunidades e acasos, que podem ser muito mais determinantes do que o talento.
Foi isso que Lula teve e soube aproveitar, além de ter uma boa sorte que já chamei de "sorte inversa", favorecendo-se de fatalidades e acontecimentos que o beneficiaram bastante. Existem vários fatos políticos que foram dando espaço para seu crescimento político. Entre esses tantos, cito as mortes de Mário Covas, Ulysses Guimarães e do próprio Tancredo Neves, ocorridas de formas muito diferentes. Com mais alguns anos de vida para esses três, Lula encerraria sua vida política talvez como deputado federal, atividade de que ele não gostava e na qual foi um dos mais medíocres do Congresso Nacional. Mas, enfim, não foi de outra forma que transcorreu a vida brasileira.
Lula sempre foi o centro do esquema de poder do PT em razão da decisão política de tê-lo como um mito, mantida até a vitória eleitoral que levou o partido ao poder. Ocorre que o funcionamento deste esquema não tinha suas decisões apenas no seu comando pessoal. Havia uma organização coletiva para isso, com laços inclusive fora do partido. Isso até o momento em que ele passou a acreditar com fé ainda maior no próprio mito e tendo a coincidência disso acontecer em conjunto com as quedas sucessivas de lideranças históricas, como foi com José Dirceu e outras figuras da cúpula petista. O mensalão foi um fato determinante neste corte de cabeças, mas o desmonte sempre contou com ações vindas do próprio caráter autocrático de Lula. Daí em diante ele foi sendo cada vez mais determinante nas decisões estratégicas e na administração do poder. Deu no que deu, porque ainda que tenha forte intuição e muita esperteza, sua capacidade não vai muito além do papel de mito que era reservado a ele. Lula não é o cara, nunca foi. Isso foi só uma brincadeira de Barack Obama. Mas quem poderia explicar ao petista, investido de tanto poder, sobre suas limitações e o risco político da personalização excessiva do planejamento e da decisão?
Creio que a situação atual do chefão do PT demonstra na prática a minha tese, que não é de agora, repito. Este destino fatal de Lula é resultado de uma porção de decisões suas totalmente equivocadas, muitas delas que ele poderia ter avaliado simplesmente lendo bons analistas políticos que apontaram repetidamente os equívocos, muitas dessas análises trazendo inclusive projeções políticas muito certas. Sua decisão mais idiota, todos sabem muito bem, foi a escolha de Dilma Rousseff como sucessora. E ele ainda repetiu o erro, mesmo após quatro anos em que ficou muito claro não ser ela a pessoa certa nem para a satisfação do egoísmo desmedido de Lula. Ou melhor, muito menos neste caso, como agora até ele já sabe. Mas Lula não lê, não estuda e não aceita opinião contrária aos seus desejos. Nem é preciso ter muito conhecimento de psicologia para saber o que pode causar uma personalidade dessas no comando de uma nação. Não é a primeira vez que um país sofre desse jeito depois de conceder tanto poder a alguém e nem será a última. Por isso, na derrocada de um líder nefasto como o chefão petista é preciso saber também que a trágica experiência não é uma garantia natural contra erros futuros. Após a finalização deste triste período político esta é uma lição a ser colocada em prática.
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POR José Pires

sábado, 19 de março de 2016

Lula: liberdade de expressão só do interesse dele

Os petistas sempre gostaram bastante de xeretar a vida dos adversários e publicar até mentiras, mas agora andam muito bravos com as revelações surgidas nas gravações feitas pela Polícia Federal de telefonemas de maiorais do PT. Ora, tempos atrás os petistas eram os mais entusiasmados com os vazamentos feitos pelo Wikileaks de informações sigilosas do governo americano. E aquilo que era publicado pelo Wikileaks podia mesmo ser chamado de vazamentos, pois eram informações obtidas de forma ilegal. Então por que essa indignação com a divulgação de grampos telefônicos de conversas entre Lula e seus companheiros? Neste caso não há vazamento algum, ao contrário do que era feito pelo Wikileaks. Os grampos foram autorizados pela Justiça e a divulgação veio apenas depois do levantamento de sigilo decidido pelo juiz federal Sérgio Moro. Então porque a choradeira?
Com os vazamentos do Wikileaks eles não agiram assim. O entusiasmo dos petistas era muito grande a cada revelação publicada pelo site. Eles ficaram tão felizes com aquilo que o próprio Lula, então na presidência da República, fez exaltados elogios em público ao Wikileaks e até prestou solidariedade à Julian Assange, fundador do site. Lula soltou até uma piadinha — como sempre, imprópria para o cargo que ocupava —, dizendo que "o rapaz desembaraçava a diplomacia americana". Mais ainda, ele ordenou em público que fosse publicado no "Blog do Planalto" um protesto, exigindo liberdade de expressão para Assange. A fala de Lula foi em dezembro de 2010, poucos dias antes de passar a faixa para sua sucessora, e está gravada em vídeo. Sua performance em defesa da liberdade de publicação de revelações sobre os bastidores do poder pode ser vista nos links abaixo.
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POR José Pires

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Blog do Planalto: http://blog.planalto.gov.br/presidente-presta-solidariedade-em-publico-ao-wikileaks/
Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=zt39mYJu09M

quinta-feira, 17 de março de 2016

Ligações indiscretas

Como diz a moçada, é por serem "sem noção" que os petistas ficam tentando criar confusão em torno das gravações feitas pela Polícia Federal e divulgadas depois de derrubado o sigilo pelo juiz Sérgio Moro. Lula e seu partido perderam a noção do andamento político das encrencas em que se meteram e também estão sem noção sobre a capacidade deles de trabalhar com contrainformação e falsidades. Falta-lhes a noção de que o desgaste político não permite mais as falcatruas midiáticas para as quais criaram um esquema poderoso. E é claro que não entra na cabeça dos sem noção que eles estão também sem as ruas.
O juiz Moro deixou bem explicado do ponto de vista jurídico a legalidade dos grampos telefônicos e da quebra de sigilo que permitiu que os brasileiros soubessem mais um pouco sobre o caráter de Lula e seus companheiros. Em nota, o juiz esclareceu que isso ajudará não só na ampla defesa dos investigados como também no escrutínio público, ou melhor, no direito que todo cidadão tem de xeretar a atuação da administração pública e da própria Justiça criminal. Moro escreveu algo que eu gostei: "A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os governantes". Boa essa, não? Quando eram da oposição os petistas adoravam coisas assim. Nesses tempos, aliás, eles gostavam tanto de xeretar que faziam isso até na ilegalidade, usando seus sindicatos. Mas disso nunca fui a favor.
O juiz Moro deixa também muito claro que mantém-se o "sigilo absoluto" em relação a diálogos de conteúdo pessoal e neste caso Lula deveria agradecer muito que este juiz não seja uma das figuras que petistas costumam encaixar em cargos estratégicos. É o pessoal deles, que de dentro da máquina pública maquinam cada barbaridade que só petista mesmo.
Na Lava Jato já apareceu até cartão de visita da Rosemary Noronha, encontrado numa busca da Polícia Federal nos guardados do Lula. Lembram dela, a Rose? Tem até o número de um telefone escrito à mão. Vá saber por que Lula tinha esse cartão. Mas isso não é pessoal, apesar deles terem sido amantes e ela ter sido do Gabinete Pessoal. O que interessa é que esta senhora está respondendo a processos, por sinal em cargo no qual ela foi nomeada por ele e depois mantida a mando dele.
Não nos interessa nada que não seja estritamente no âmbito das investigações, como bem falou o bravo juiz — bravo nos dois sentidos. Porém, não há dúvida de que deve ter muito papo indiscreto do Lula nesses grampos. Como o cara é um falastrão, é provável que existam conversas que podem dar problemas para ele até em casa. Bem, isso quando a polícia encontrar uma casa que seja dele.
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POR José Pires

O PT fazendo gênero

A política de gênero foi uma das jogadas eleitorais mais usadas pelo PT em suas campanhas. O instrumento político foi mantido no poder, com seu uso posterior pelos petistas no ataque a adversários e como escudo de defesa política. O discurso de gênero serviu também para formar em torno do partido e do governo grupos de fanáticos focados nesta questão como bandeira absoluta, com o governo do PT evidentemente representando como sempre o bem. E os adversários do lado do mal, é claro.
A enganação funcionou nas duas campanhas de Dilma Rousseff, mas do marketing sobrou apenas o ridículo termo "presidenta", para o uso no dialeto reservado à militância em torno do poder. O recurso eleitoreiro trouxe benefício só para grupos profissionalizados de militância, sob o mando de dirigentes saciados na sua ambição política pessoal e de benefícios financeiros, cevados com fartas verbas em suas ONGs de aparelhamento esquerdista. Na prática, o discurso de gênero petista produziu apenas privilégios para grupos de esquerda a serviço do interesse governista. O preconceito e a violência estão mantidos em índices assustadores — fato demonstrado, entre outros, pela escandalosa quantidade de mulheres assassinadas. Também não se ampliou com seriedade o debate e a informação a respeito do direito do indivíduo e da igualdade trabalhista. Ao contrário disso, a militância leviana e agressiva trouxe dificuldade para uma melhor compreensão sobre o assunto.
Esta foi mais uma fraude política de um governo de fachada, que para manter seu projeto de perenização no poder usa de forma inescrupulosa mesmo as questões mais delicadas da vida das pessoas. A farsa ficou mais clara agora, com a divulgação dos diálogos de maiorais petistas gravados pela Polícia Federal. Nos bastidores do poder, eles tratam com espantosa grosseria qualquer assunto, inclusive as grandes questões do Brasil. A vivência petista carece de qualidade política e intelectual. É de uma falta de inteligência e sensibilidade que esclarece muito bem a causa da derrocada desse projeto de poder. O machismo e o desrespeito humano e profissional estão presentes em todas as falas do líder máximo petista. O ex-presidente Lula fala e se comporta como um delinquente. Nada aprendeu de bom e manteve tudo o que tinha de ruim, apesar dos mais de quarenta anos de carreira política, dois mandatos presidenciais e um período de poder pessoal absoluto inédito no governo central, que já vai para 14 anos.
Nessas gravações é possível avaliar a sinceridade de Lula em política de gênero e no respeito às instituições. Uma conversa mais recente dá o tom exato de seu pensamento. O diálogo forma um símbolo dele próprio e de seu partido. A conversa é sobre o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão. Vejam o que Lula diz: "Eu às vezes fico pensando até que o Aragão deveria cumprir um papel de homem naquela porra, porque o Aragão parece nosso amigo". Aquela porra é o ministério da Justiça do governo de seu partido. E ele fala com Paulo Vannuchi, seu ex-ministro de Direitos Humanos. Eu disse que a coisa era altamente simbólica. Não acredito que o fato de ser homem ou mulher faça diferença no comportamento dos seres humanos na política ou no exercício do poder, no entanto fiquei curioso em saber o que seria "cumprir papel de homem" no ministério da Justiça. Uma feminista de esquerda ou um militante homossexual petista talvez possam explicar melhor este pensamento do mestre supremo deles.
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POR José Pires

O editor-chefe do Mino Carta

Os petistas fazem uma marcação cerrada à imprensa, que estão sempre acusando de todos os males e para a qual tinham até um projeto de controle, mas gostam bastante de publicações como a revista Carta Capital, que tem como editor o veterano Mino Carta. A revista é de um governismo vergonhoso. Parece um órgão oficial do governo do PT, fazendo o serviço inclusive nos ataques à oposição. Mas não é pra menos: o editor Mino Carta recebe ordens diretamente do ex-presidente Lula, que até pauta assuntos dos artigos assinados pelo editor.
Essa informação apareceu numa das conversas telefônicas de Lula interceptadas pela Polícia Federal. Nesta segunda-feira, enquanto falava com o ministro Jaques Wagner sobre as manifestações oposicionistas de domingo, o ex-presidente comentou com o ministro sobre as indicações políticas que deu ao jornalista. Ele fala com o tom de editor-chefe do Mino Carta. Vejam o diálogo entre os dois.


"LULA: É, eu acho essa é (ininteligível). Acabei de conversar com o "MINO CARTA" aqui pra ele escrever um artigo, mostrando que teve duas coisas nesse movimento. Primeiro, a vontade das pessoas que o combate à corrupção continue. Sabe?
JAQUES WAGNER: Isso é bem vindo.
LULA: E o MORO representa isso fortemente. Segundo, é que a negação a política é total.
JAQUES WAGNER: "uhum"
LULA: E o resultado disso, você sabe o que é né?!
JAQUES WAGNER: Lógico, é o caminho pro autoritarismo.
LULA: Então eu pedi pro MINO escrever um artigo sobre isso."
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POR José Pires

quarta-feira, 16 de março de 2016


O aloprado Mercadante apronta novamente

Os petistas são uns patetas. Na tentativa de encobrir crimes vão piorando a situação e expondo em público uma impressionante falta de qualidade. Sabe aquela história de roubar e não poder carregar? Com o PT depois tem ainda as explicações sobre as razões da falcatrua não ter dado certo. E aí vão demolindo conceitos de moral, avançam sobre questões como a alma humana e vão avacalhando a amizade, a generosidade, qualquer coisa que sirva para encaixar nas suas justificativas. Eles estão esculhambando tudo durante a queda mais impressionante que este país já viu acontecer com um projeto político. Depois do flagrante na tentativa de comprar o silêncio do senador Delcídio do Amaral, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante disse que espera "que esse país valorize a solidariedade, o companheirismo, o gesto de generosidade, de caridade com as pessoas num momento de tragédia pessoal". Pena que não tem prisão para cinismo ou Mercadante sairia preso da entrevista coletiva.
Mas petista é assim. Enquanto afundam na própria lama vão demolindo conceitos essenciais das relações entre as pessoas. Foi levado por um espírito de fraternidade que o ministro ofereceu suporte financeiro para o senador e também usar a influência política do governo junto ao Senado e até ao STF para libertá-lo e evitar sua cassação. Eu escreveria "pasmem", se não soubéssemos que petista não tem limite algum. Com a divulgação das gravações, de imediato a presidente Dilma lançou nota negando qualquer envolvimento na “iniciativa pessoal do ministro Aloizio Mercadante” de procurar o chefe de gabinete do senador Delcídio do Amaral. Ou seja, revelou publicamente que é uma grande mentirosa ou de uma tolice sem precedentes. A escolha é dela. Ora, em qualquer governo seria impossível que um ministro se dispusesse a uma tarefa tão delicada sem o consentimento do presidente. É claro que é muito mais perigoso na desastrosa situação política de Dilma. Nem dá pra pensar numa coisa dessas sem acertar com a presidente. A não ser que ela seja idiota.
Mas o comportamento de patetas não para por aí. Sei que Dilma tem carência de gente capaz em sua equipe depois do risco dela ter de descer a rampa antes do tempo e talvez correndo. Mas dar a Mercadante uma tarefa dessas só vem comprovar aquele seu defeito insuperável na avaliação de competências. Mercadante é o cara do episódio do dossiê falso contra os tucanos, uma das maiores idiotices da política brasileira. É um aloprado de largo currículo de incompetências. Para saber disso, bastaria ela conferir a atuação dele em seu próprio governo. Antes da Educação ele esteve na Casa Civil, onde teve uma estupenda contribuição para este quadro de isolamento político do governo. A plena confiança de Dilma num sujeito desses em época de crise econômica chega a ser engraçado e até explica em parte o agravamento da crise. Mercadante tem o nome inscrito na história da economia brasileira pela sua influência decisiva para que o PT atacasse com agressividade o Plano Real. No lançamento do plano, sua previsão como economista foi a de que a proposta dos tucanos seria um grande fracasso. Mercadante é assim, o que pode inclusive explicar a admiração que Dilma sente por ele. Ele é o cara que sai para comprar silêncio e volta com um barulhão.
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POR José Pires

O amigo do Lula e a reforma agrária


O depoimento do senador Delcídio do Amaral, na sua colaboração com a Justiça homologada nesta segunda-feira pelo STF, traz uma revelação sobre negócios do pecuarista José Carlos Bumlai em compra e venda de terras para a reforma agrária, que é chamado no documento do Ministério Público de "incursões ilícitas de Bumlai na reforma agrária". Bumlai, que está preso pela Lava Jato, é muito próximo do ex-presidente Lula, amizade confirmada por fotografias e testemunhas. Ouvido pelo juiz federal Sérgio Moro nesta segunda-feira, o consultor Antonio Marmo Trevisan, amigo do ex-presidente Lula, falou que esteve com Bumlai e Lula em encontros sociais na Granja do Torto. A intimidade era grande. Até jogavam um tal de "mexe-mexe", que Lula adora. Bumlai foi do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social na Presidência da República, o Conselhão, criado por Lula. Na semana passada, o ex-presidente escreveu uma declaração a pedido da defesa de Bumlai, onde diz que o amigo é "homem de bem, honesto e pai de família exemplar, tendo-o na mais alta conta".
O senador Delcídio disse aos promotores que Bumlai atuou na venda da fazenda Itamarati, no primeiro governo de Lula. O então presidente chegou a passear de trator na propriedade rural. Foi um dos maiores negócios fundiários do Brasil — de R$ 245 milhões — e era tratado em discursos por Lula como "maior projeto de assentamento do país". Outro projeto de Bumlai, segundo Delcídio, foi da Fazenda São Gabriel, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, estado do senador. Na época, o hectare foi vendido ao Incra por R$ 4.500,00, quando o preço de mercado era de R$ 2.500,00.
O sobrepreço que Delcídio afirma ter sido praticado pelo amigo de Lula evidentemente coloca sob suspeita outros assentamentos feitos em seus dois governos e até nos de Dilma. Quantos projetos de reforma agrária do governo do PT foram negociados dessa forma? O curioso é que com essa bandalheira promovida em cima das necessidades de agricultores pobres o MST não se revolta nem aciona seus militantes, que costumam destruir instalações de empresas que atuam de forma legal. Seria interessante saber qual é a razão de Stédile e seu "exército" ficarem caladinhos com fraudes como as relatadas pelo senador Delcídio do Amaral, que até agora era do PT.
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POR José Pires

sexta-feira, 11 de março de 2016


O gato petista no telhado

Nessas encrencas causadas pelas próprias roubalheiras e a tremenda incompetência, uma técnica comum de convencimento dos petistas é pela via do "gato que subiu no telhado", feita do jeito deles. Eles vão procurando impor aos poucos seus planos. Na maioria das vezes o gato cai do telhado de uma forma que nada tem a ver com o desfecho da história, que é de amenização de más notícias. O gato deles acaba chamando a atenção do Ministério público e da polícia, além da imprensa. Sei que, com o tanto que esses companheiros aprontam, a imagem mais apropriada seria a de um rato, mas não vou mexer na simbologia.
Estamos vendo esse método do gato indo pro telhado agora, com essa proposta da presidente Dilma Rousseff dar um ministério ao Lula para que seus casos com a Justiça tenham que subir ao STF. Lançaram a ideia, que é desastrosa tanto para a imagem de Lula quanto para a de Dilma, que dessa forma faria da Presidência da República um coito de foragido. Mas estou analisando com lógica, é claro, uma forma de raciocínio tão fora do universo de compreensão de ações petistas quanto a honestidade.
Enquanto os petistas fazem o alarido, gritando que o gato subiu no telhado, Lula se faz de songamonga, habilidade natural dele. E vão sondando se a história está colando. Não me espantaria se Lula assumir mesmo um ministério, apavorado do jeito que ele está com a possibilidade de ser preso. E os petistas vêm conduzindo esse assunto de tal jeito, que o gato já passeia todo lampeiro pelo telhado. Mas não é preciso se preocupar com mais essa tramóia deles. Esse é outro gato que logo estará todo arrebentado no chão.
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POR José Pires

Mandando petistas catar coquinho

A máquina de comunicação e propaganda governista mantém-se ativa e não é surpresa que estejam com a corda toda. Os ataques são cada vez mais ferozes e eles se apegam até à picuinhas para desmerecer qualquer coisa que os adversários fazem. Como os agregados ao poder petista estão pra perder tudo, agora sua batalha desesperada é manter seu meio de vida, que hoje em dia é o papel da política para militantes pelo país afora, dependurados em cargos do governo ou instituições com ligações com o poder. E tem também os profissionais de comunicação, dentro e fora da máquina pública, que recebem benefício e também recebem muito dinheiro. Certas figuras ganharam fortunas defendendo o governo e atacando a oposição desde o primeiro mandato de Lula.
A máquina deles é fortíssima, com um tremendo apoio financeiro. A sorte do Brasil é que houve um sério desgaste da credibilidade de qualquer coisa que venha do lado da esquerda. Repare que mesmo para fazer o jogo do governo os blogs a seu serviço são obrigados a usar material da imprensa tradicional. Com mais de dez anos no poder, eles não conseguiram nenhum canal de comunicação que seja levado à sério. Mostraram que são um desastre também na comunicação. E olha que esse pessoal teve à disposição muito dinheiro, seja em pagamento direto oficial, em anúncios do governo e de empresas estatais e até por meios obscuros que não foram revelados.
A dificuldade dos companheiros de fazer comunicação de qualidade, com conteúdo próprio e material sério leva-os à picuinhas que nem são mais engraçadas. Nesta semana, durante o cerrado ataque aos promotores paulistas, depois do pedido de prisão preventiva do Lula feito pelo Ministério Público de São Paulo, esta máquina sórdida foi explorar até um pequeno erro de citação na denúncia contra Lula. Houve uma troca de nomes, entre o filósofo Friedrich Hegel e o parceiro de Marx na redação do Manifesto Comunista, Friedrich Engels. É uma implicação boboca, porque todo mundo sabe a trabalheira que promotores estão tendo com os malfeitos petistas, o que pode mesmo levar a um erro ou outro. E depois, não é preciso saber grande coisa de filosofia para ter o conhecimento da diferença entre Engels e Hegel. É uma típica futrica petista. Como falou o promotor José Carlos Blat, trata-se de uma "peça de 200 laudas, falando de crimes essenciais" de Lula. Então, quem é sério concentra-se de fato no conteúdo. Mas a resposta de Blat foi muito boa e pode servir para responder aos chatos dos petistas em outras situações. "Vão caçar o que fazer. Vão catar coquinho", ele disse. E disse-o muito bem.
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POR José Pires

quarta-feira, 9 de março de 2016

Petistas hostilizam a mãe de Sérgio Moro

A cultura do ódio que teve origem na máquina de comunicação e propaganda governista não conhece limites. Militantes petistas hostilizaram a mãe do juiz Sérgio Moro na Câmara Municipal de Maringá, onde nesta terça-feira ela recebeu homenagem alusiva ao Dia Internacional da Mulher. Militantes de centrais sindicais interromperam a sessão solene no momento em que Odete Moro era homenageada. Com punhos erguidos daquele jeito que costumam fazer quando companheiros vão presos por corrupção, cerca de 30 manifestantes gritaram "Lula, guerreiro do povo brasileiro" e frases exaltando o PT. Eles também vaiaram a mãe do juiz federal que está à frente da Operação Lava Jato. Felizmente a hostilidade petista foi sufocada por uma salva de palmas direcionadas à mãe de Moro. A Câmara Municipal de Maringá estava lotada e o partido de Lula não é bem visto não só em Maringá como em todo o interior do Paraná. Também pudera: quem dava as diretrizes do PT paranaense até há pouco tempo era o ex-deputado André Vargas
Os sindicalistas que cometeram a grosseria estavam na Câmara maringaense para acompanhar homenagem à duas dirigentes sindicais, propostas pelos vereadores petistas Humberto Henrique e Mário Verri, ambos do PT. O partido de Lula na cidade é liderado pelo deputado federal Ênio Verri, que era ligado estreitamente ao ex-deputado André Vargas, até este ser preso e condenado pela Justiça por corrupção, em sentença do juiz Moro.
A tentativa de constranger Odete Moro, que é professora estadual e tem presença ativa em trabalhos sociais da Igreja Católica, recebeu uma explicação lamentável do vereador petista Humberto Henrique, que tentou amenizar de forma absurda a grosseria de seus companheiros de partido. Ele criticou o vereador que propôs a homenagem à senhora Moro. Henrique disse que a hostilização da professora "foi apenas uma manifestação em um momento tão conturbado que estamos vivendo", afirmando ainda que a homenagem à mãe de Moro foi feita em um "momento delicado". Isso mesmo: para o nobre edil petista o erro não foi a hostilidade. O problema é que não era o momento de homenageá-la, entendem? É impressionante, ainda que estejamos aturando isso há tanto tempo. Esse pessoal vive justificando tudo quanto é barbaridade que fazem. Não conseguem admitir um erro e pedir desculpas nem quando ofendem a mãe do adversário.
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POR José Pires

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Pegando Lula no pulo

O promotor Cassio Conserino protocolou no final da tarde dessa quarta-feira denúncia contra Lula, sua mulher Marisa Letícia e o filho Lulinha. A acusação é de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro. Conserino é aquele promotor que intimou Lula a depor e o ex-presidente entrou com habeas-corpus na Justiça para evitar ter de ir "sob vara", como se dizia antigamente. Lula estava protegido do Conserino pelo habeas-corpus, quando o juiz Sérgio Moro o pegou de surpresa em seu apartamento no ABC com um mandado de condução coercitiva e foi aquela situação que o Brasil inteiro viu e aplaudiu. E a Jandira Feghali como assessora de imagem do cara até filmou pra gente ver como ele ficou enfezado.
Cabe destacar que essa denúncia de hoje vem do Ministério Público de São Paulo. Nada a ver com Moro, contra quem Lula vinha boquejando nesses dias. Pois foi pego novamente no pulo. Agora esperava algo de Curitiba e veio de São Paulo. Tenso o negócio, não é mesmo? Imagine o estresse do Brahma, ou melhor, da jararaca. Já não deve nem dormir, de tanto medo do japonês da Federal. E ainda fica de zóião no teto do quarto com a dúvida se o japa vai chegar com um mandado de prisão de São Paulo ou do Paraná.
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POR José Pires

A incompetência no poder

O governo do PT não tem mesmo jeito. Nesta quarta-feira o Supremo Tribunal Federal considerou ilegal a nomeação pela presidente Dilma Rousseff do ministro Wellington César Lima e Silva, que é procurador de Justiça do Ministério Público da Bahia. O resultado foi de dez a um. A situação ilegítima do ministro já havia sido apontada por colunistas políticos logo que o nome dele foi cogitado para substituir José Eduardo Cardoso na pasta da Justiça. A questão é constitucional. Procuradores de Justiça não podem "exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério".
Foi um erro jurídico crasso de Dilma e para piorar aconteceu exatamente em nomeação para o Ministério da Justiça. Mas a burrada não para por aí. Foi o ex-ministro Cardozo quem defendeu a nomeação de Lima e Silva perante o tribunal. E fez isso na sua primeira atividade importante depois de assumir a Advocacia-geral da União. Ah, esses petistas! Vão ser idiotas assim lá no... ora, lá no PT.
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POR José Pires

Ministério do fujão

Como todos já sabem, Lula está desesperado com a possibilidade de ser preso pela Lava Jato. E ele tem razão pra tanto medo. Desta vez não tem a moleza da época da ditadura. Nada de menino do MEP, sem soneca no sofazão vermelho do delegado. Os tempos são outros. E como o chefão está em apuros, seus companheiros pelejam para dar um jeito de livrar a dele. Agora apareceu uma ideia que a princípio até achei que pudesse ser invenção de piadista na internet, mas a coisa é séria. Petistas vêm sugerindo ao Lula que ele assuma um ministério, para com isso evitar a prisão.
Vejam só a desmoralização do poderoso chefão petista, tendo que maquinar um jeito de escapar de ser preso. Quem fim de carreira. Só não falo em fundo do poço porque com certeza ainda tem chão pra promotor e policial federal encontrar maracatuaias. Imaginem Lula no ministério de sua apadrinhada. Seria muito engraçado vê-lo sob tal chefia. Dizem que Dilma costuma pisar feio nos subordinados, mesmo em jararacas, que ela está cercada delas. Foi o que sobrou.
Duvido que Lula pegue mesmo um ministério, mas se no desespero ele não encontrar nenhuma outra saída para escapar do Sérgio Moro, sugiro que fique com o Ministério da Pesca. O ministério não serve mesmo pra nada e quase não tem o que roubar. Calma, não estou acusando ninguém, mas não custa manter o cara longe de tentação, que ele já está todo encrencado. Além do mais, ele gosta bastante de pescar, como ficamos sabemos depois da descoberta do sítio de Atibaia. E também já tem o barco comprado pela dona Marisa e até dois pedalinhos. Vai facilitar bastante na pasta da Pesca.
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POR José Pires

terça-feira, 8 de março de 2016

Os tubarões na rede da Lava Jato

19 anos e 4 meses de prisão. Esta é a condenação de Marcelo Odebrecht pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Será cumprida em regime fechado. E foi só a primeira, já que o empreiteiro responde a outros processos na Lava Jato. O que fica claro nesta sentença do juiz Sergio Moro é a existência de uma organização criminosa. Diz lá no documento divulgado hoje que havia um “um grupo estruturado para a prática de crimes graves contra a Petrobras, de corrupção e lavagem de dinheiro”. “Comporiam o grupo criminoso”, diz a sentença, “os agentes da Petrobras e políticos beneficiários das propinas”.
Ora, não dá para ter dúvida de que um esquema da envergadura do saque à estatal brasileira não poderia ter sido organizado e colocado em prática sem que altas autoridades da República tenham tomado conhecimento do crime. Então, parece claro que as investigações chegaram até a chefia máxima do esquema. É só uma questão de tempo para os brasileiros saberem se desta vez pegaram o grande culpado. O pessoal da Justiça está trabalhando sério, como se vê, apesar do ex-presidente Lula achar que eles deviam enfiar os processos num determinado lugar.
Na sentença, Moro faz uma convincente defesa jurídica do instituto da delação premiada, com farta documentação jurídica e textos muito esclarecedores, como este trecho, de Stephen S Trott, que fala sobre a Operação Mãos Limpas, esquema de corrupção que juntava políticos e mafiosos na Itália:
“Líderes da Máfia usam subordinados para fazer seu trabalho sujo. Eles permanecem em seus luxuosos quartos e enviam seus soldados para matar, mutilar, extorquir, vender drogas e corromper agentes públicos. Para dar um fim nisso, para pegar os chefes e arruinar suas organizações, é necessário fazer com que os subordinados virem-se contra os do topo. Sem isso, o grande peixe permanece livre e só o que você consegue são bagrinhos. Há bagrinhos criminosos com certeza, mas uma de suas funções é assistir os grandes tubarões para evitar processos.”
Moro também dá seu recado pessoal às tentativas que vêm sendo feitas por setores governistas de desqualificação das delações premiadas. “Quem, em geral, vem criticando a colaboração premiada é, aparentemente, favorável à regra do silêncio, a omertà das organizações criminosas”, escreve ele num trecho da sentença. Como sabemos muito bem de onde vem o esquema de comunicação e propaganda que atua para desqualificar a delação premiada e todo trabalho do Ministério Público e da Polícia Federal é possível compreender o objetivo do recado. E pelas considerações sobre o que caiu na rede da Lava Jato, creio que é razoável supor que a Justiça chegou também aos grandes tubarões.
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POR José Pires