quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Aécio Neves leva vantagem e leva também o PSDB para o buraco


Existe a "Vitória de Pirro" — que todo mundo sabe o que é — e existe a vitória do senador Aécio Neves. Precisamos achar um nome para isso, principalmente pelo efeito desta "vitória" em seu partido, o PSDB. Os tucanos, no geral, precisam ter garantido um bom lucro nas transações do senador mineiro, senão terão que passar por idiotas por terem jogado seu partido definitivamente no buraco depois da votação de ontem no Senado.

Aécio Neves descobriu uma forma muito interessante de tomar empréstimos, que é recebendo o dinheiro em espécie, em malas conduzidas por um portador, bem diferente dos empréstimos normais depositados na conta do tomador. Espera-se que a chefia dos tucanos tenha recebido cada qual sua mala estofada (depois pode-se matar o portador), porque o custo do que foi feito ontem vai pesar muito na imagem do partido.

O PSDB entrará na eleição de 2018 com este fato muito forte influenciando a rejeição do partido, que já era considerável. Os tucanos já teriam dificuldades eleitorais só pela participação no governo de Michel Temer, presidente que ficou conhecido por seus despachos secretos noturnos. Com a votação que beneficiou o presidente do partido, Aécio Neves, o PSDB cravou em si uma marca terrível, do desprezo pela ética e do acoitamento de uma corrupção sistemática que deforma as instituições e destrói a qualidade administrativa.
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POR José Pires

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Imagem- A imagem não é meramente ilustrativa. Uma parte dessa dinheirama era para o senador Aécio Neves, até ser apreendida pela Polícia Federal


Danilo Gentili: a crítica do crítico

Nunca gostei do comportamento de Danilo Gentili, desde a época em que existia aquele lamentável programa de televisão, o CQC, onde supostos comediantes fingiam ser jornalistas para acossar artistas e políticos, forçando situações constrangedoras e extraindo cenas impactantes para o programa obter audiência. Do CQC saíram duas estrelas, Gentili e Monica Iozzi, uma de direita e outra de esquerda, lamentáveis quase na mesma medida, o que não poderia ser diferente em razão da origem dos dois e do fato de não terem acrescentado nada de mais inteligente às suas atividades. Pode-se prever um futuro de muito sucesso para essas figuras. Vivemos tempos em que a capacidade técnica e a criatividade foram rebaixadas como critérios de mérito.

A esquerda também não gosta de Gentili, mas evidentemente não é pelo meu padrão de avaliação. A militância do PT e de outros partidos esquerdistas costumam atacar o apresentador de televisão mais por qualidades inerentes ao que ele faz do que por seus defeitos. É o que vem acontecendo neste episódio da demissão de um jornalista da Folha de S. Paulo, ocorrido logo após uma entrevista com Gentili. A demissão de Diego Bargas veio da polêmica entre ele e o apresentador, que não gostou da matéria publicada pelo jornal sobre seu filme "Como se tornar o pior aluno da escola", com estreia recente.

Com o advento das redes sociais essas polêmicas ficaram comuns e costumam ser usadas até com objetivo meramente comercial, como parece ser nesta polêmica artificial. É evidente que ele está usando a esperteza de sempre. Batendo de frente com a Folha conseguiu colocar seu filme como um assunto dos mais comentados. Ele faz isso de forma pesada. Seu humorismo é grosseiro, com o uso inclusive de escatologia, sexismo dos mais chulos, apelando até para deficiências humanas congênitas. Ele surfa numa onda atual, em águas sujas que instigam um público da pior índole.

A pressão que este tipo de celebridade pode lançar sobre os adversários não é justa e exige ser melhor regulada pelo bom senso editorial dos veículos de comunicação, mas quem se mete em comunicação tem a obrigação de saber que este é o processo que envolve hoje em dia o debate com certas figuras de peso na internet. Um jornalista de um órgão como a Folha tem ainda menos justificativa para se fazer de desavisado depois de entrar em polêmica com alguém como Gentili. Isso é tão verdadeiro que o próprio jornal determina regras contratuais de comportamento para seus jornalistas nas redes sociais. E foi pela transgressão dessas regras que o jornalista foi demitido e não pelo fato de Gentili ter “pedido sua cabeça”, como tem muito esquerdista espalhando por aí.

E olhem que este foi um dos casos em que Gentili pegou menos pesado, levando em conta que ele é o sujeito que esfregou nas partes baixas um documento enviado pela Câmara Federal em nome da deputada Maria do Rosário, filmou a cena e pôs o vídeo na internet. Neste quiproquó armado por ele com a Folha, o apresentador apenas divulgou o vídeo da entrevista para o jornal (no qual o entrevistador demonstra um despreparo que só não impressiona porque já se sabe que hoje em dia está assim no jornalismo) e foi atrás do histórico do jornalista, encontrando várias manifestações suas em apoio ao PT, a Lula e à Dilma Rousseff, algumas delas de um despreparo político ridículo. O que se formou a partir disso foi um espetáculo grotesco — infelizmente tão comum que ninguém pode se fazer de surpreendido nem de vítima — com manadas de ignorantes impelidas ao ataque, inclusive a esquerda comprometida com o governo petista derrubado pelo impeachment. A única diferença é que a esquerda teve dispersada a poderosa manada de antes e agora só ataca em pequenos bandos.
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POR José Pires

O exemplo de conduta de Sergio Moro

O juiz federal Sergio Moro deu uma entrevista ao Wall Street Journal, publicada nesta terça-feira, onde fez uma declaração muito importante nesses tempos em que o Brasil parece assolado por enxames de moscas azuis. Hoje em dia dá a impressão de que o único jeito de fazer algo que preste na vida é sendo presidente da República. Mesmo com as amplas referências de que isso é uma ilusão. Basta alguém se destacar em alguma coisa, que já surgem conversas de candidatura e logo já estão colocando seu nome em pesquisas e até montando a chapa completa e escolhendo partido para o fenômeno político.

Mas vamos à declaração de Moro ao jornal americano. Mais uma vez ele negou que vá se candidatar em 2018 e disse o seguinte: “Se eu entrasse para a política, daria uma falsa impressão sobre as razões de minha conduta. É possível influenciar positivamente a sociedade sem ser presidente da República”.

Esse ponto sobre as “razões de minha conduta” é essencial na negativa de Moro. Atualmente, quando alguém está fazendo algo de bom surgem especulações sobre sua entrada na política. Pode acontecer também que a pessoa já esteja ocupando um cargo, aí então aparecem as pressões para que abandone o serviço pelo meio. E com isso vem o descrédito sobre suas razões profissionais ou de conduta, como disse Moro, às vezes atingindo a totalidade do que ela vinha fazendo e atrapalhando toda uma realização de equipe.

Pode acontecer até da opção individual pela política contribuir para a desmoralização da própria instituição onde a figura picada pela mosca azul atingiu uma relevância que trouxe o papo de que candidatando-se ou apoiando determinado candidato é possível ter maior influência positiva.

Já vimos muito trabalho bom se perder em nosso país em razão desse comportamento, que cabe dizer que sempre foi muito forte na atuação da esquerda, que tem como prática antiga o comprometimento direto das pessoas com bandeiras políticas e até com projetos eleitorais ligados a partidos. Com isso, até obras musicais e literárias historicamente importantes acabam comprometidas unicamente com uma forma de pensamento, às vezes envolvidas em intrigas meramente eleitoreiras, de tal modo que depois fica muito difícil ouvir aquela música de que tanto gostávamos ou ler aquele autor cujo livro não saía da nossa cabeceira.

É disso que Sergio Moro está falando. E disse no momento certo, além de estar na posição ideal para o alerta sobre o risco do desmonte moral e profissional que pode ser causado pela ilusão da política como um meio mais rápido de alcançar determinados fins.
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POR José Pires

terça-feira, 17 de outubro de 2017

O debate indigesto da nova ideia de João Dória

O prefeito João Doria apresentou uma boa ideia que já vem sendo bombardeada, nesta tarefa de desconstrução da sua imagem, moda atual em que todos buscam tirar uma casquinha. A mais nova encrenca enfrentada pelo prefeito paulistano é a do alimento processado a ser distribuído entre pessoas pobres, uma invenção para a qual já estão querendo dar o apelido ruim de "ração”. A informação de que o produto é feito a partir de alimentos próximos à data de vencimento também vem sendo usada para caracterizar mal o produto, por mais que isso seja aceitável e até já aconteça de empresas doarem alimentos próximos do vencimento. A novidade no que Doria está implantando é o formato granulado, cujo processamento tem a capacidade de alongar a data de validade desses alimentos.

Como não podia deixar de ser, já apareceram teóricos para desqualificar o projeto da prefeitura com palavras bonitas. Um pesquisador da Unifesp disse que o produto “descontextualiza totalmente o caráter do que é comer”. Outros falam do respeito ao caráter cultural do alimento. E por aí vai. Mas o granulado do Doria nada mais é que algo parecido a produtos que estão à venda em lojas principalmente de alimento integral. E que são até bem caros. O aspecto desse granulado até que é dos melhores. E obviamente não é apenas esse tipo de alimento que vai constar na cesta básica dos mais pobres. Neste tema, aliás, o prefeito já andou oferecendo até omeletes para moradores de rua.

O que querem mesmo é pegar no pé de Doria o que seria feito com ou sem o granulado. Mas a verdade é que pode ter faltado um cuidado maior para apresentar a proposta, que caiu de imediato na boca da oposição e tornou-se mais um fato polêmico. E ainda teve descuido de assessoria, com o secretário de Assistência Social, Felipe Sabará, caindo na besteira de provar o granulado a pedido de uma rede de TV. Logo destacaram uma imagem parada na qual parece que ele comeu e não gostou, o que não é confirmado pela imagem em movimento e nem por sua declaração. Mas quem é que vai conferir veracidade, nesses tempos em que a ironia e a desqualificação é que pautam a maioria dos debates? O objetivo da prefeitura é altamente nobre, de evitar que alimentos sejam jogados fora. A lei é do próprio Doria. Porém, o debate já começou do modo usual, pela busca de defeitos e o estímulo para que a coisa não dê certo. É o preço que o prefeito paga por ser presidenciável e parte desse custo vai também para a população, com o desmonte pretensamente jocoso de boas ideias administrativas.
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POR José Pires

Lula e Marisa: o casal milionário

Saiu o inventário de Marisa Letícia, morta em fevereiro deste ano. A relação de bens dela e do marido, o ex-presidente Lula, mostra que estamos falando de milionários. O patrimônio dos dois chega a quase 12 milhões de reais. Bem, com essa fortuna revelada agora, tive que ir atrás da última declaração de bens de Lula, apresentada à Justiça Eleitoral em 2006. Disputando o segundo mandato, ele tinha então R$ 839.033,52 de patrimônio. Em dez anos foi um enriquecimento e tanto. Esse Lula tem mesmo uma prodigiosa habilidade em negócios. A menos que ele diga que isso também é por conta de dona Marisa.
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POR José Pires

Gleisi Hoffmann: prestígio em baixa até na Rússia

A senadora Gleisi Hoffmann e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, foram vaiados na Rússia. Vaia internacional não é pra qualquer um. O casal foi vaiado neste domingo por um grupo de brasileiros, durante visita ao Museu Hermitage, em São Petersburgo. Não se sabia dessa inclinação pela arte dos dois petistas, mas o passeio diz muito da imoralidade desses tempos. Enquanto os brasileiros sofrem os efeitos terríveis do governo do PT, dois dos responsáveis pela tragédia nacional — ambos réus no STF por corrupção — fazem turismo.

O Hermitage é conhecido pelo grandioso acervo, com obras modernistas maravilhosas, de artistas como Matisse, Picasso, Monet, Gauguin e outros grandes mestres. O rico acervo nada tem a ver com o sistema comunista tão admirado por Bernardo e Gleisi. É de antes da revolução de 1917, quando uma elite de alta qualidade intelectual já tinha olhos para o que de melhor se fazia na arte ocidental. Era preciso muita sabedoria para compreender propostas que o público nem queria ver nessa época. Parte essencial da coleção do Hermitage vem de visionários, como o industrial russo Serguei Shchukin.

Mas voltemos à vaia ao casal petista nos corredores do museu russo. Isto é só uma pequena mostra dos dissabores reservados aos dois, especialmente para Gleisi Hoffmann, que ainda está com a intenção de manter a carreira política. A presidente do PT precisa muito de um mandato para ajudar na sua defesa, ela que na planilha da Construtora Odebrecht é chamada de “Amante”. Caso não tenha sido condenada e presa até a próxima eleição, sua campanha em 2018 não terá nenhuma das facilidades das anteriores, principalmente no fator financeiro, que permitia a contratação dos marqueteiros mais caros do ramo.

É evidente que o Senado estará livre de sua presença. Em baixa no seu estado, o Paraná, Gleisi só pode tentar uma eleição para a Câmara Federal. E isso vai abrir uma acirrada disputa interna no PT estadual. O partido vem caindo ano após ano. Nesta última eleição municipal a performance petista foi um desastre em todo o estado. No plano federal, de 2010 para 2014 a bancada caiu de cinco para quatro deputados eleitos. E em 2014 a eleição foi com Dilma Rousseff na cabeça de chapa, com a dinheirama correndo solta, conforme foi revelado depois pela Lava Jato. Também em 2014, Gleisi já mostrou como vai mal de prestígio eleitoral. Disputou o governo estadual e foi um fiasco: ficou em terceiro lugar, com 881.857 votos. Portanto, são péssimas as previsões para a carreira política da senadora petista. É provável até que no ano que vem Gleisi tenha saudades dos bons tempos, esses de agora, quando é vaiada na Rússia.
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POR José Pires

Arrependimento tardio

O Datafolha colheu junto aos cariocas uma opinião totalmente contrária à Olimpíada realizada no Rio em 2016. Para 70% dos entrevistados, o evento trouxe mais prejuízos do que benefícios. Este é o tipo de coisa que causa a impressão de que as desgraças que se abatem sobre nosso país se devem muito a um problema de caráter dos brasileiros. Durante o processo de escolha da cidade sede, os moradores de Chicago se manifestaram em massa contra a realização da Olimpíada na cidade. Mesmo com o presidente Barack Obama lutando para que Chicago fosse a escolhida, houve entre os moradores intensa mobilização contrária. No Rio não aconteceu nada disso.

Mesmo no Brasil, no geral, foram poucos os que alertaram sobre os altos custos da realização de uma Olimpíada, que em vários lugares já exibia o histórico de deixar uma conta pesada para ser paga pelo país que sedia a competição. Falamos muito naquela época sobre a dificuldade natural de uma Olimpíada, cuja estrutura implica em muitos gastos. Não deixamos de apontar também a evidente corrupção que fazia parte do jogo, com o indicativo de que seria ainda pior na condição política em que estava o Brasil.

Naqueles dias o PT e sua militância eram ainda fortes. Estavam no poder e batiam pesado em quem criticava seus planos. O Rio ficou calado, a maioria dos brasileiros também. E agora parece que estão acordando para o prejuízo. Mas isso acontece só na hora de pagar a conta. Sempre é bom que haja uma reação, mas o brasileiro precisa aprender rápido que é preciso agir antes da porta ser arrombada.
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POR José Pires

segunda-feira, 16 de outubro de 2017


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A birra de Lula com a pipoca de Sergio Moro

Os advogados de defesa do ex-presidente Lula estão implicando até com as sessões de cinema do juiz Sergio Moro. Eles protocolaram no Comitê de Direitos Humanos da ONU um documento contra a atuação da Justiça em relação a Lula, anexando fotos de Moro no lançamento do filme “Polícia Federal — A lei é para todos”, em agosto. A notícia saiu na Folha de S. Paulo. Um trecho dela: “A queixa conta com imagens de Moro entrando no cinema por um tapete vermelho e comendo pipoca. A alegação é a de que um juiz que conduz um processo sem decisão final não poderia ter comparecido à estreia de um filme que, dizem os advogados, ‘viola a presunção de inocência’ do réu”.

Bem logo saberemos da decisão da ONU sobre esse importante incidente internacional de um juiz brasileiro assistindo a um filme. E ainda por cima comendo pipoca, que barbaridade. Mas fiquei com uma curiosidade sobre a opinião dos brasileiros. Bem que o Datafolha podia fazer uma pesquisa nacional perguntando se foi correto da parte de Moro assistir ao filme. Com duas questões, talvez. A segunda pergunta é se ele agiu certo ao comer pipoca durante o filme. Apesar de que talvez seja melhor deixar o assunto pra lá. Este é um tema que pode dividir o país.
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POR José Pires

Cesare Battisti, a herança do PT que ninguém manda embora

Ao tentar viajar para a Bolívia de forma clandestina o terrorista italiano Cesare Battisti transgrediu normas elementares de asilo político e até de respeito pessoal ao país pelo qual foi acolhido. Com isso, deu ao presidente Michel Temer uma oportunidade política para decidir pela sua extradição para a Itália, onde é condenado por crimes violentos. A extradição de Battisti ajudaria a reconduzir o Brasil a uma imagem de um pouco mais de respeito à verdadeira Justiça no plano internacional, no que se refere a indivíduos que usam a política para extravasar índoles de pura crueldade. Bastaria uma assinatura de Temer para despachá-lo para resolver suas pendengas com seu próprio povo, mas aí Temer teria de ser o que nunca foi e nem conseguiu chegar perto, mesmo com a oportunidade que o destino lhe deu: um estadista.

Já se sabe que tudo estava pronto para resolver o caso de Battisti, inclusive com um avião da FAB à disposição para levá-lo para a Itália. Porém, no último momento Temer teve a mão segurada por Gustavo Rocha, advogado que comanda a assessoria jurídica do Palácio do Planalto. Ele impediu o presidente de assinar o documento. A revelação é do jornalista Rocco Cotroneo, do Corriere della Sera. E o assessor Rocha (ora vejam: uma daquelas informações ao revés, de que tanto falo) é advogado de Eduardo Cunha, o deputado corrupto que foi preso pela Lava Jato. As histórias se cruzam. Com um mau resultado, como sempre.

A história de Cesare Battisti também faz cruzamento com o que há de pior no projeto de poder do PT, seja na má índole de vários de seus dirigentes ou da ideologia inclemente que faz uso do que for necessário para se impor. Battisti é um dos pequenos bandidos que se juntaram ao extremismo de esquerda na Itália no final do século vinte. O terrorista é condenado por quatro homicídios, todos com vítimas sem nenhuma relação com política. O grupo que acolheu o ladrão (era isso que ele fazia antes) chamava-se Proletários Armados pelo Comunismo e era um dos bandos de extrema-esquerda que aprontavam horrores na Itália dos anos 70, época em que a Brigada Vermelha sequestrou e matou o líder democrata-cristão Aldo Moro, então primeiro-ministro italiano. Cabe lembrar que a Itália vivia em plena democracia, inclusive com o Partido Comunista e outras agremiações comunistas na legalidade.

O asilo a Battisti não é algo à parte do modo petista de fazer política. Está plenamente inserido na visão de poder do PT, tanto é assim que na acolhida do criminoso houve um grande esforço do próprio ministro da Justiça no segundo mandato de Lula, o dirigente petista Tarso Genro. O Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE) já havia rejeitado o pedido de refúgio. Lula teve também a oportunidade de assinar a extradição, decidida pelo STF com a condição da autorização presidencial, mas não o fez. O fator político do apoio a Battisti vem de laços ideológicos do partido de Lula anteriores à sua fundação, do modo de pensar de dirigentes com relação ideológica antiga e até sentimental com o regime de Fidel Castro e de outros países comunistas. Gente que até hoje não julga condenável este passado. Ao contrário, ainda acreditam que este é o caminho.

O caso de Battisti tem inclusive forte semelhança com a estranha ligação do PT e inclusive de Lula, de forma pessoal, com os seqüestradores do empresário Abílio Diniz, terroristas egressos do movimento comunista MIR chileno que praticaram o crime no Brasil exatamente nos dias anteriores à eleição presidencial de 1989, que Lula perdeu para Fernando Collor. Mesmo tendo sido prejudicados pelo episódio, o PT e Lula mantiveram incondicional apoio aos criminosos, que foram presos. A estranha relação de dependência ideológica e sentimental até hoje não ficou bem explicada. Temer teve a oportunidade de simbolicamente fechar as portas para esse tipo de política. Mas deu para trás e deixou tudo do mesmo jeito que estava.
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POR José Pires

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Imagem- O agradecimento de Cesare Battisti em janeiro de 2012, no encontro com Tarso Genro, já no governo do Rio Grande do Sul

João Doria cai na realidade

Com a divulgação de sua queda de aprovação em nove pontos percentuais no Datafolha, o prefeito João Doria procurou justificar o resultado negativo atribuindo à gestão do petista Fernando Haddad as dificuldades para administrar São Paulo. Segundo ele, o orçamento da prefeitura tem um déficit de R$ 7,5 bilhões, deixado por Haddad. “É duro fazer gestão pública sem recursos, depender de apoio do setor privado, da cooperação e solidariedade de muitas pessoas”, ele disse.

Faz sentido apontar a falta de recursos, com o rombo deixado pelo PT na capital paulista, porém esse problema não era desconhecido de nenhum candidato à prefeitura, muito menos por Doria, que se elegeu com apoio e estrutura do governador Geraldo Alckmin e por isso tinha ainda mais possibilidade de saber que não estava fácil a situação da prefeitura. A explicação de Doria serve mais para apontar um grave erro político cometido por ele, que foi o de não desconstruir a gestão Haddad. Com isso, a população não ficou ciente da condição em que ele pegou a prefeitura.

E o interessante é que muitos prefeitos costumam cometer este erro, deixando de comprometer a gestão passada com os problemas deixados como herança. Da parte de Doria este descuido é uma grande surpresa, afinal ele tem obrigação profissional de dominar esta questão, que essencialmente é de comunicação. No que é referente à Haddad, aliás, em muitas ocasiões estranhamente o petista foi poupado por ele, às vezes até procurando fazer uma diferença entre o ex-prefeito e o PT. Não é possível saber o que rolava nos bastidores para Doria agir desse jeito, mas agora, com sua queda de popularidade, já dá para saber o resultado.

Mas não foi só por isso que houve a queda. O prefeito paulistano tem também forçado a barra, se expondo de forma excessiva. Este é outro equívoco estranho para alguém com sua experiência em comunicação. A super exposição inclusive alimentou outro risco sério para qualquer administrador. Desde que assumiu o cargo, Doria vem ampliando demais as expectativas da população. O apoio do setor privando, agora tratado por ele como “dependência”, vinha sendo vendido como uma diferença positiva de sua administração, o que foi um acerto de marketing. Mas da forma que foi divulgada para a população, esta parceria com o setor privado criou ainda mais expectativas, que financeiramente não há jeito de contemplar.

A verdade é que Doria se encantou em ser um presidenciável e a partir daí perdeu o pé exatamente no que fez dele um nome nacional, que é ser prefeito da maior cidade do país. Embalado por esta nova possibilidade e provavelmente ocupado demais com suas inúmeras viagens, deixou passar até erros crassos, como no caso recente de uma empresa doadora da prefeitura que ganhou um serviço sem licitação, ao preço de R$ 800 mil reais. Não importa que não haja ilegalidade, assim como pouco importa também que suas viagens pelo país não atrapalhem seu trabalho como prefeito. Na política, muitas vezes o que vale é a percepção e não a lógica do que está sendo feito. O prefeito que se cuide. Se os erros se mantiverem neste ritmo, a próxima pesquisa pode trazer números piores.
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POR José Pires

domingo, 8 de outubro de 2017

Dilma Rousseff e Sergio Cabral em parceria para encobrir o jogo sujo

A prisão de Carlos Arthur Nuzman, na manhã de quinta-feira, só aconteceu por causa da delação de Eric Maleson, ex-dirigente desportivo que foi presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBVG). Maleson fez a delação à autoridades da França, de onde vem a descoberta dos crimes do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Rio 2016.

Maleson deu entrevista à ESPN logo depois da prisão de Nuzman e contou que a prisão poderia ter ocorrido muito antes, se não tivesse havido um acobertamento de autoridades brasileiras. Ele disse que há quatro anos deu um depoimento parecido à Polícia Federal, no Rio de Janeiro, quando foi iniciada a “Operação Cabo de Guerra”. Mas “por ordens de Brasília”, segundo ele, as investigações foram encerradas. Dilma Rousseff era presidente da República e Sergio Cabral governava o Rio de Janeiro. E nos bastidores (ou nem tanto) quem mandava de verdade era o ex-presidente Lula.

O contato com as autoridades francesas ocorreu depois que Maleson percebeu que aqui no Brasil nada seria feito em relação à corrupção no COB. Nuzman é apontado como o intermediário do pagamento de propina de US$ 2 milhões para Papa Diack, feito por meio do empresário Arthur Soares, o "Rei Arthur", que está foragido. A revista Piauí publicou recentemente um perfil de Soares, ou Rei Arthur, relatando que ele vivia em um exílio de luxo em Miami. O empresário está com Cabral desde sua primeira eleição como governador, em 2006. Fez fortuna em contratos de terceirização com o governo carioca. Conforme o site O Antagonista publicou em novembro do ano passado, ele faturava R$ 1,7 bilhão por ano.

A escandalosa corrupção na escolha do Rio como cidade sede da Olimpíada está fazendo muito mal para a imagem do Brasil. E este é um problema que poderia ter sido evitado se Dilma não tivesse acobertado Nuzman, em parceria com Sérgio Cabral. É claro que havia também este petista que está em tudo que não presta, o ex-presidente Lula, que tinha com o então governador do Rio uma aliança preferencial. É óbvio que também sobre isso o chefão petista vai dizer que de nada sabia. Mas está muito bem registrada sua insistência para a escolha do Rio como cidade sede. Agora começam a ser revelados os acertos criminosos dessa jogada, que foi um dos lances da reeleição de Dilma.
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POR José Pires

A corrupção na Olímpiada que Lula fez tudo para trazer ao Brasil

Foi preso na última quinta-feira Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Rio 2016. Junto com ele, foi preso seu braço direito e ex-diretor de operações do comitê Rio 2016, Leonardo Gryner. A ação da Lava Jato faz parte da "Unfair Play". Nuzman e seu parceiro serão indiciados por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Eles são suspeitos de compra de votos do voto de dirigentes do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a eleição do Rio como sede da Olimpíada de 2016.

O esquema internacional tem no meio um tal de Papa Diack, filho de um dirigente africano com poder de voto na escolha da cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Uma investigação da Justiça francesa identificou uma empresa de nome Matlock com um pagamento de US$ 2 milhões para Papa Diack. A empresa foi usada também para pagamento de propina a Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, que tem participação no esquema.

Está aí mais uma etapa da desmoralização internacional do Brasil, outro fruto podre do período do PT no poder, com Lula e seus companheiros estendendo os braços para o uso eleitoral do esporte. Os petistas fizeram isso com a Copa do Mundo de 2014 e repetiram depois com a Olimpíada. Nos dois eventos o nosso país quebrou a cara. Teve até o desonroso 7 a 1, tomado da seleção da Alemanha, que serve como símbolo do estrago. Mas perdeu-se muito dinheiro público, em superfaturamentos e obras de tamanho exagerado e inúteis depois do evento. Com a Olimpíada do Rio foi a mesma coisa, até com a simbólica queda da ciclovia, no desastre que matou duas pessoas.

Um benefício prático de eventos de grande porte como a Copa e a Olimpíada é o ganho de imagem do país-sede, que pode propagar internacionalmente sua capacidade empreendedora. Nisso, o Brasil levou outra tremenda goleada. Para sediar esses eventos, um país tem que estar bem economicamente, com tradição estabelecida na capacidade administrativa e política. E tem que estar disposto a investir muito dinheiro, sem probabilidade de tê-lo de volta. Já está provado que
Não é possível obter lucro com Copa do Mundo e Olimpíada. Se tiver corrupção, claro que o prejuízo é maior. O Rio ganhou de cidades como Chicago, Tóquio e Madrid, sendo que a população de Chicago fez um forte movimento contra. O orçamento de Chicago previsto para o evento era de US$ 4,7 bilhões. Madri propôs US$ 6,1 bilhões, Tóquio entraria com US$ 6,3 bilhões, e o Rio de Janeiro teve um projeto de U$S 14,4 bilhões. No final, o custo chegou a U$ 41 bilhões.

A gente sabe de onde veio esta obsessão brasileira, tanto pela Olimpíada quanto pela Copa, assim como sabemos os motivos. A fixação era do então Lula, com objetivos eleitorais e também para fortalecer laços com políticos e empresários, por meio de dinheiro público. Evidentemente com a posterior recompensa, com o retorno financeiro para políticos e partidos, da forma que a Lava Jato já desvendou. Copa e Olimpíada faziam parte do plano de fortalecimento do projeto de poder do PT, sendo que para a Copa chegaram a marcar a entrega da taça para uma data com o notório número 13. Lula tinha firmeza de que a Seleção Brasileira seria a vencedora e não se sabe de onde ele tirou esta ideia. Mas é tanta a lama que vem aparecendo, que não tem como deixar de desconfiar até da origem desse prognóstico que ele tinha como absolutamente certo.
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POR José Pires

quarta-feira, 4 de outubro de 2017


Lula e seus parceiros incondicionais

Nesta semana, em um dos dos eventos criados especialmente para lhe dar palanque, o presidente Lula fez questão de dar seu apoio a Nicolás Maduro e ainda fez uma infeliz referência ao massacre de 59 pessoas em Las Vegas. Em vez de lamentar a matança, o chefão petista colocou diretamente a culpa no presidente Donald Trump. A relação da violência em Las Vegas com seu apoio ao regime chavista-bolivariano é ainda mais absurda, pois na Venezuela é o próprio Estado que toca o terror. Maduro é um terrorista no poder. Durante os protestos de julho deste ano foram assassinadas mais de 100 pessoas, parte delas por franco-atiradores governistas que mandavam bala indiscriminadamente sobre manifestantes.

Atualmente, Maduro é um dos governantes mais isolados do mundo. No entanto, Lula e seu partido continuamente expressam apoio ao regime chavista, no que parece ser uma obrigação política irrecusável. Em julho, logo depois das mortes na Venezuela, foi a vez da senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, elogiar Maduro. Que obscuras razões exigem do PT incondicional apoio ao governo da Venezuela? É muito interessante este extremo apego, de uma lealdade que não faz jus ao próprio histórico de Lula, que costuma largar para trás até amigos íntimos.

Acontece que certas ligações de Lula e do PT não dependem apenas da sua vontade pessoal ou de determinações internas de seu partido. Daí a necessidade — ou é melhor dizer obrigação — dessas frequentes demonstrações públicas de lealdade. Cabe lembrar dos tempos em que o PT estava no poder, quando Dilma Rousseff e Lula estavam sempre indo a Cuba para o beija-mão de Fidel Castro, mesmo com o ditador visivelmente senil. Aliás, foi com Castro que começou esta incondicional relação do PT, que primeiro deu um considerável impulso a Lula, logo com a fundação do partido e depois, já com os petistas no poder, resultou nos absurdos financiamentos de obras em Cuba com dinheiro público brasileiro.

Esse, digamos, compromisso histórico do PT com o que há de mais autoritário e ineficiente na América Latina começou em Manágua, em 1980, durante a comemoração do primeiro aniversário da revolução sandinista. Lula era ainda sindicalista e foi ao evento com Frei Betto. Como um dos patrocinadores do levante que derrubou o ditador Anastazio Somoza, Fidel Castro também estava lá. Segundo Frei Betto, foi neste local que Lula teve o primeiro encontro com o ditador cubano, onde numa reunião depois das duas da manhã expôs a proposta do PT. Frei Betto fala disso com esta intimidade: “Ali nasceu sua amizade com Fidel, que o levou a Cuba diversas vezes”.

Como se viu depois, o PT cresceu bastante, sempre em relação estreita com a ditadura cubana e o projeto continental de poder do qual nasceram os governos de Chávez, depois Maduro, Rafael Correa, Daniel Ortega, além de Evo Morales e grupos de guerrilha aliados ao narcotráfico, como as FARC colombiana. Os comprometimentos dessa caminhada, que podem incluir inclusive financiamentos que afrontam a lei e a moral de cada um desses países, inclusive o Brasil, desses acordos só se vai saber quando um dia for aberta a caixa preta da ditadura cubana. Quando isso ocorrer, a esquerda brasileira deverá se afundar numa desonra monstruosa. Até lá, eles vão trocando afagos públicos, nessa relação de cumplicidade que ainda vai dar muito o que falar.
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POR José Pires

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O filme da Lava Jato completa a biografia de Lula

O sucesso de público do filme sobre a investigação da Operação Lava Jato serve como indicativo do apoio da população ao combate à imensa corrupção instalada no Brasil pelo governo do PT. “Polícia Federal - A lei é para todos” teve a melhor estreia do ano em bilheteria, alcançando um público de 470 mil pessoas. É o terceiro filme nacional a superar a marca de 1 milhão de espectadores em 2017. Como comparação de popularidade, dá para fazer também uma relação deste filme com outra obra de teor político, inspirada no líder do esquema de poder que deu origem à roubalheira descoberta pela Lava Jato.

Baseado na vida do ex-presidente Lula, “Lula, o filho do Brasil” estreou em janeiro de 2010. Foi a obra de produção mais cara da história do cinema nacional, com gastos em torno de R$ 40 milhões e teve todo o suporte da máquina de comunicação do governo Lula, que na época era muito forte. Era claramente uma peça de propaganda da construção do mito Lula e teve todo o jeito de ter sido planejado como marketing para a eleição da sucessora do então presidente, Dilma Rousseff. A produção foi de Luiz Carlos Barreto, o conhecido "Barretão", magnata do cinema que fez fortuna com financiamentos públicos, desde a Embrafilme, no tempo da ditadura militar. Entre os patrocinadores da história filmada da vida de Lula estão as empreiteiras Odebrecht, Camargo Corrêa e OAS, depois investigadas pela operação da Polícia Federal e do Ministério Público.

Apesar da expectativa criada por vasta propaganda e triste cumplicidade da imprensa com uma história falseada mitificando Lula mesmo já tendo havido o escândalo de corrupção do mensalão, o filme foi um dos maiores fracassos de bilheteria e também de crítica. Depois da estreia parte dos jornalistas tomou vergonha, cumprindo então com a obrigação de apontar aos leitores as graves distorções da obra. “Lula, o filho do Brasil” não serve hoje nem como referência histórica, seja como cinema ou no aspecto da biografia de um líder político.

O filme sobre o chefão petista já era muito ruim quando foi lançado e com o tempo teve sua reputação piorada, a partir da trajetória do próprio Lula, que como disse seu ex-ministro Antonio Palocci e o Brasil inteiro já sabia, “sucumbiu ao pior da política”. Do ponto de vista da realidade, esta fraude cinematográfica sofreu também o efeito do exemplar trabalho do Ministério Público, da Polícia Federal e de juízes decentes como Sergio Moro, que por sua vez serviram como inspiração para o aclamado “Polícia Federal - A lei é para todos”, este sim o verdadeiro filme sobre a vida e a obra de Lula.
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POR José Pires

O fim do "rei das fake news"

É impressionante como acontecem coisas muitos estranhas em torno do presidente Donald Trump. O escritor Paul Horner, o chamado "rei das fake news" foi encontrado morto neste quinta-feira. Morreu aos 38 anos e a polícia acredita que foi por "overdose acidental". Horner tinha histórico de uso excessivo de remédios.

O escritor ficou bastante conhecido por disseminar notícias falsas na internet, que durante a campanha presidencial americana serviam de ataque aos adversários de Trump. Foi quando nasceu o termo “fake news”, sempre repetido por Trump, mas que o favoreceu muito mais do que a qualquer outro político. Entre as notícias falsas mais conhecidas criadas por Horner estava a de que o presidente Barack Obama era muçulmano. Este tipo de notícia falsa com títulos chamativos é até hoje um grande problema, muito pernicioso para a comunicação pela internet. É algo que dá muito dinheiro, com o clique de desavisados e o apoio inclusive financeiro de interessados em que a calúnia e a difamação se espalhe pelas redes sociais.

Durante campanhas políticas esse material recebe estímulos por meio de manipulações que incentivam o clique e o compartilhamento, como ocorreu na disputa entre Trump e Hillary Clinton. O conteúdo falso e favorável a Trump criado por Horner teve muita divulgação de seguidores do candidato republicano, entre os quais tinham trânsito fácil. O eleitor de Trump nunca checava as informações. "Eles postam e acreditam em qualquer coisa", disse na época o escritor, que citava sempre a importância que seu trabalho sujo teve na campanha presidencial americana. Horner dizia que sem ele Trump não seria eleito presidente.

É claro que a notícia dessa morte repentina e trágica já viralizou na internet e sobre ela circula todo tipo de suspeita, com histórias de alto teor conspirativo. A vida de Paul Horner termina de um modo parecido ao que ele fez na internet nos últimos anos. Sua morte é real, mas terá sempre uma cara de fake news.
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POR José Pires

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Imagem- Foto de Paul Horner que encontrei na internet. Está sem identificação e parece uma montagem. Ou seja, é a imagem ideal do “rei das fake news”

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Lula passando recibo

E tem mais algumas novidades no complicado aluguel do apartamento do ex-presidente Lula, aquele que ele nem sabia se a Marisa tinha guardadinho em casa algum recibo para confirmar que não foi presente de empreiteira como propina. O site O Antagonista descobriu que Glaucos da Costamarques estava em Los Angeles em 6 de janeiro de 2014, data de assinatura de um dos recibos entregues pela defesa de Lula. Ele viajou em 12 de dezembro de 2013 e voltou ao Brasil no dia 9 de janeiro do ano seguinte. O recibo é datado de 6 de janeiro. Outro recibo tem a data coincidindo com a chegada de Glaucos Costamarques do exterior. O primo de Bumlai desembarcou no Aeroporto de Guarulhos às 20h16. Conforme comentou O Antagonista, a falecida teria que estar à espera dele no aeroporto para pegar o comprovante do aluguel daquele mês. Ou então, digo eu, a família Lula da Silva paga aluguel próximo da meia noite.

Isso dá muita piada. É tanta história difícil de engolir que Lula virou um escracho nacional. Esses recibos podem complicar juridicamente a vida do chefão petista, mas sua imagem já foi pro ralo. Ainda mais com ele jogando a culpa de tudo sobre sua falecida mulher. Como Marisa já não está mais entre nós, o jornal O Estado de S. Paulo foi conferir com Glaucos da Costamarques, que tem sua assinatura nos recibos. E ele confirmou que é verdade o que disse no depoimento ao juiz Sergio Moro, quando afirmou que os aluguéis não foram pagos. Só falta esses recibos serem falsos. Lula terá então passado recibo de que é um grande paspalho. Será a primeira vez na história deste país que alguém entrega a um juiz o recibo de um crime.
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POR José Pires

PT e Aécio Neves: enfim juntos

Se alguém ainda tinha dúvida de que Aécio Neves é culpado, agora com a carta de solidariedade do PT acabou qualquer confiança no senador tucano. Ora, quando o PT defende algum político, com certeza o cara aprontou bastante. Como já aprendeu o ex-ministro Antonio Palocci, o partido do qual ele pediu hoje a desfiliação só é solidário com quem respeitaa a omertà. Aécio teve o mandato suspenso e também está proibido de sair de casa à noite, o que no caso de alguém com a, digamos, personalidade dele pode até ser classificado como uma crueldade do STF.

É espantoso, mas de fato o PT emitiu nota oficial de apoio, com a exigência de que o Senado entre em ação para repor o mandato do tucano. O texto tem seu lero lero para acalmar o público interno petista. Como preâmbulo, dão um severo pito no senador, com aquela notória exaltação petista e os exageros de sempre — o acusam de ser “um dos maiores responsáveis pela crise política e econômica do país” e todo aquele blá-blá-blá —, mas o principal é que querem ajudar Aécio se safar de mais essa, com um chega pra lá dos senadores no STF.

É claro que tem safadeza nisso, o que é natural, senão não seria coisa do PT. A nota tem a mãozinha trêmula da presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann, que pretende criar uma situação que lhe dê uma espécie de isonomia em relação a Aécio Neves. Caso o Senado o salve do STF, a petista cognominada de “Amante” na planilha da Odebrecht terá o mesmo direito, se esta alta corte resolver afastá-la também. Ré em um processo que pode lhe dar até pena de prisão, Gleisi age em causa própria com este apoio. Tudo bem, politicamente não deixa de ser um abraço de afogados, mas com este abraço ela pretende evitar que ambos afundem sob o peso da lei.
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POR José Pires

terça-feira, 26 de setembro de 2017

O alongamento da cana do bravo José Dirceu

Na semana passada, quando o ex-ministro José Dirceu fez pouco caso de seu ex-colega Antonio Palocci, em razão do depoimento dele ao juiz Sergio Moro apontando várias ilegalidades do chefão Lula, eu disse que um aumento da pena de Dirceu pelo TRF4 seria uma oportunidade para uma demonstração prática de sua alegada coragem e da capacidade de sacrifício da qual se gabou. Palocci está negociando uma delação premiada. Por isso, o antigo capitão da equipe de Lula disse que prefere morrer que delatar como seu ex-colega de governo.

Pois na tarde desta terça-feira foi confirmado pelo TRF4 o aumento da pena de Dirceu para 30 anos e 9 meses. Do juiz Sergio Moro ele recebeu menos tempo de prisão: 20 anos e dez meses. Como é uma condenação de segunda instância, Dirceu terá de ir para a prisão. Algum juiz amigo do STF pode até conceder-lhe um habeas corpus, mas ele sabe que chegará em breve o momento de ir definitivamente para a prisão. Dirceu aprontou demais. Aliás, uma causa do aumento da pena foi que ele tinha maus antecedentes, o que no caso do ex-ministro de Lula é comprovadíssimo. Conforme o chefe já havia elogiado, o sujeito é esforçado. Mesmo depois de pego pela Justiça com o mensalão ele continuou na gandaia com da corrupção.

Logo o valente terá tempo de sobra para testar sua bravura. Pelo andamento de seus processos é muito difícil que seja possível dar um jeitinho por cima para se livrar do xilindró. Será uma cana dura. Dirceu sabe muito bem que a estratégia de vitimização e de exaltação dos condenados do partido como heróis é um recurso de propaganda que gorou. Não existe clima algum para reverter as sentenças pela pressão da militância nas ruas e muito menos o partido tem força política para isso. Por sinal, com a condenação de hoje, Dirceu teve oportunidade de sentir o nível de seu prestígio. De destaque teve a solidariedade da senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT e ela mesma encalacrada como ré no STF, com o risco de ir pra cadeia. Gleisi mandou um recadinho entusiasmado pelo Twitter. Na cadeia certamente o companheiro terá de encontrar outra forma de receber tanta emoção.
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POR José Pires

Os recibos suspeitos de Lula

A apresentação de recibos do pagamento do aluguel de Lula aumentou a encrenca, trouxe piada nova para o vasto prontuário petista de bobagens e também serve como documentação da extraordinária incompetência da defesa do ex-presidente. Já indo para o final deste processo, o Ministério Público afirma que a Odebrecht deu o apartamento para Lula como propina. É óbvio que a apresentação de uns poucos documentos — do tipo que qualquer pessoa mantém guardadinho numa gaveta — obrigariam o MP a desistir do caso logo no início.

Glaucos Costamarques declarou em depoimento ao juiz Sergio Moro que não recebeu pagamento de aluguel entre fevereiro de 2011 e novembro de 2015. Ou ele mentiu ou a defesa de Lula forjou documentos. De qualquer forma, a encrenca é séria. Mesmo que Glaucos Costamarques de fato tenha mentido, tem que haver um motivo, que pode não ser bom para Lula.

A piada que veio com os recibos foi a referência do vencimento no dia 31 de um mês com apenas 30 dias. É um erro estranho, porque Costamarques é antigo no ramo imobiliário. No mínimo, isso é coisa feita às pressas, o que não costuma acontecer com recibos verdadeiros. Porém, mesmo que tenha sido apenas um deslize, o advogado de Lula tinha a obrigação de ter conferido e apontado esse problema ao juiz.

Seja o que tenham aprontado desta vez, a polêmica criada por Lula em torno de simples recibos de aluguel serve como comprovação do cinismo desse político e também da sua dificuldade até para ser desonesto. É inacreditável a cena de um ex-presidente da República e fundador de um partido com quase 40 anos dizendo em depoimento ao juiz Sergio Moro que não sabia se havia recibo de aluguel do apartamento. A resposta é mais um exemplo da desfaçatez de Lula: “Recibo deve ter, posso procurar com os contadores para saber se tem”. E para tornar tudo ainda mais suspeito, ao lado do cliente estava Cristiano Zanin, o advogado mais falante de toda a Lava-Jato. Manteve-se calado sobre este assunto. E logo depois apareceram esses recibos.
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POR José Pires