sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Errando até quando acerta

Depois da fala do ministro Joaquim Barbosa sobre a absolvição dos mensaleiros do crime de formação de quadrilha, quando ele fez um oportuno alerta, apareceu a senadora petista Gleisi Hoffmann para atacá-lo usando um discurso que mostra todos os alinhavos mal dados da construção marqueteira. Falando do alerta do ministro sobre a "maioria de circunstância" criada no STF para inocentar os mensaleiros, Gleisi Hoffmann firmou que então a própria indicação de Barbosa estaria sob suspeição. E não é que desta vez ela tem razão?
O problema é que a intervenção da senadora petista está errada inclusive no que ela acertou. A indicação de Joaquim Barbosa foi feita mesmo de forma suspeita. Da parte do então presidente Lula realmente pesam todas as suspeitas: ele esperava de Barbosa no Judiciário uma postura submissa ao Executivo. Em conversas de bastidores que fez questão de vazar para a imprensa Lula já deixou claro sua decepção com o ministro. Ele disse que indicar Barbosa para o STF foi "seu maior erro".
E nisso eu também concordo com o ex-presidente. Só que a decepção de Lula conta a favor da honestidade de Barbosa. É óbvio que o ministro se insurgiu contra as tentativas de manipulação de Lula. E pela irritação do ministro tempos atrás deve ter rolado coisas muito indecorosas nos bastidores. Pode ter sido até pior do que houve com o ministro Gilmar Mendes, que chegou a ser ameaçado por Lula em reunião entre os dois. Se Lula fez isso com Mendes, que é ministro por indicação de Fernando Henrique Cardoso, dá para imaginar o que pode ter feito com Barbosa. A personalidade mandona do chefe petista é fogo.
Da parte do interesse de Lula cabe realmente suspeição da indicação de Barbosa, porém o ministro manteve o rumo digno de sua carreira. E isso foi uma decepção para Lula. A análise de Gleisi Hoffmann também não pode ser levada a sério em razão do histórico da sua habilidade como avaliadora e até avalizadora do caráter alheio. Até há pouco a senadora foi ministra-chefe da Casa Civil do governo Dilma e teve neste cargo uma atitude que depõe de forma definitiva contra sua capacidade: ela nomeou para trabalhar ao lado da presidente da República um sujeito que foi preso como estuprador de menores. A prisão se deu com ele como assessor da ministra.
Seu nome é Eduardo Gaiveski e ele está preso até hoje sob a acusação de abusar sexualmente de meninas pobres. É acusado inclusive de ter usado sua posição política não só para se aproveitar das menores como também para pressionar testemunhas e os pais das vítimas. E foi esta "sábia" da Gleisi Hoffmann que depois de longa convivência política nomeou esta pessoa para trabalhar ao lado da presidente da República.
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Por José Pires

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Imagem - O ministro Barbosa e a senadora Gleisi Hoffmann, quando era ministra. Ao seu lado está um colaborador escolhido a dedo por ela para trabalhar junto a presidente da República. Hoje este colaborador está na cadeia. Já o ministro do STF entrou de forma digna para a História no julgamento dos mensaleiros.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O alerta de Joaquim Barbosa

Hoje, no julgamento dos embargos infringentes dos mensaleiros no Supremo Tribunal Federal, teve uma fala do ministro Joaquim Barbosa que é para mim um dos depoimentos mais importantes da nossa história recente. É um desabafo e um grave alerta feito logo após a absurda absolvição dos mensaleiros do crime de quadrilha. Já escrevi na segunda-feira que anular a condenação deste crime feria a própria lógica do processo. Pois foi o que fizeram. O alerta de Joaquim Barbosa é extremamente sério. O tempo é que vai demonstrar se ele terá um peso em nossa história como um vaticínio do desastre político que pode vir por aí ou da sensibilização dos brasileiros para a recomposição de forças na defesa da nossa democracia.

Por enquanto me parece que existe mais possibilidade de se configurar a primeira hipótese. Os brasileiros estão desatentos ao processo de tomada de poder que acontece no país e essa desatenção existe inclusive entre a maioria dos jornalistas, que até por dever profissional deveriam estar na linha de frente da defesa da democracia. Bem, quem viver verá. E Barbosa já avisou: isso que eles fizeram hoje "é só o primeiro passo".

Aqui está o link do vídeo e abaixo publico a transcrição que fiz desta fala que já nasce memorável no dia de hoje.
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Por José Pires


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"Uma maioria de circunstância, formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso levado a cargo por esta Corte no segundo semestre de 2012. É isso que nós acabamos de assistir. Inventou-se inicialmente um recurso regimental totalmente à margem da lei com o objetivo específico de anular, de reduzir a nada um trabalho que fora feito.
Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo. Porque esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora. Agora inventou-se um conceito fantasioso e discriminatório para o crime de quadrilha. Segundo este novo conceito são suscetíveis de enquadramento na prática do crime de quadrilha somente aqueles segmentos sociais dotados de certas características socioantropológicas, aqueles que rotineiramente incorrem na prática de certos delitos como os crimes de sangue ou os crimes contra o patrimônio privado. Criou-se com isso um novo determinismo social.
Eu ouvi com bastante atenção argumentos tão espantosos quanto aqueles que se basearam simplesmente em cálculos aritméticos e em estatísticas totalment
e divorciadas da prova dos autos. Totalmente divorciadas da gravidade dos crimes praticados e documentados nos autos desta ação penal. Enfim, totalmente divorciados do contexto probatório individualizado que restou demonstrado no acórdão proferido por esta Corte em 2012. Eu ouvi até mesmo a seguinte alegação: "eu não acredito que estes réus tenham se reunido para a prática de crimes".
Há dúvidas de que eles se reuniram, de que eles se associaram e que esta associação perdurou por quase três anos? Ninguém ousou dizer que esta associação não existiu. E o que dizer dos crimes que eles praticaram e que hoje em relação aos quais cumprem pena em presídio da capital federal. Como sustentar que isso não configura quadrilha? Crimes contra a administração pública, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, crimes contra o sistema financeiro nacional, tudo provado, tudo provado, decisão condenatória transitada em julgado. Esta é uma tarde triste para este Supremo Tribunal Federal porque com argumentos pífios foi reformada, foi, como eu disse, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012."

A nossa vergonha alheia

As coisas que aparecem da presidente Dilma Rousseff costumam ser tão absurdas que parecem inventadas. Mas nem a oposição mais descalibrada da ideia seria capaz de forjar o que sai da boca dessa mulher. E nem oposição o governo do PT tem. Quem é que poderia fazer uma piada com a presidente da República dizendo que a capital da Amazônia é Manaus? E qual o editor que aceitaria uma charge com a presidente falando do Brasil e da União Européia como se fossem dois países? Não daria para sair publicado algo assim. Seria um exagero. E colocar na boca da presidente que as árvores são plantadas pela natureza? Ah, outro exagero. É asnice que não cabe nem na boca do aluno mais burro da saudosa Escolinha do Professor Raimundo, do Chico Anisyo.

Pois são as palavras exatas de Dilma e ela soltou outras tantas bobagens mais. E tudo foi dito naquela língua particular dela, o dilmês, que torna o espetáculo ainda mais grotesco. Dilma falou de improviso e por isso veio a besteirada que se ouviu. São coisas da cabeça dela, sem um texto pronto de marqueteiro. É desse jeito torto e com esta ignorância que pensa aquela que está no cargo mais alto da Nação. Como é que o Brasil chegou num estágio político tão baixo a ponto de corrermos o risco de ver uma pessoa cretina como esta se reeleger presidente da República?

E sua fala foi junto aos líderes europeus, com o mundo todo de ouvidos atentos ao pensamento do maior país da América do Sul. É muito chato, mas no exterior é Dilma quem nos representa. É aí que a nossa imagem internacional se estrepa de vez, não é mesmo? E o brasileiro ainda reclama da Adidas fazer camiseta pra Copa com bunda de mulher. Eu sou dos que acham lamentável essa fama do Brasil como terra de mulher de bunda de fora, imagem que nos persegue faz tempo. Mas, sinceramente, eu tenho mais vergonha é da Dilma.
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Por José Pires

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A bom papo de sempre do Jaguar

O cartunista Jaguar é um dos entrevistados mais engraçados que existe, mesmo que ele repita sempre uma ou outra história — como a da loura de biquini contratada para levar o material do Pasquim para ser censurado, o que fazia o censor (um coronel) dar uma amaciada e liberar muita coisa. Jaguar é um dos grandes jornalistas brasileiros, duma época em que surgiram jornais alternativos fora do esquema tradicional da imprensa, que vieram dar uma motivação de qualidade na vida brasileira. Fez muita coisa no jornalismo, mas seu peso histórico já estaria garantido pela criação do semanário "O Pasquim", que trouxe uma ousada modernização na linguagem não só da imprensa como teve também uma grande influência no comportamento dos brasileiros. O jornal foi fundado em 1969 e de imediato passou a ter censura-prévia da ditadura militar. A censura foi até 1975 e em novembro de 1991 o jornal fechou.

O Globo publica neste domingo uma ótima entrevista com o cartunista, que este mês completa 82 anos. Ele nasceu em um ano bissexto e por isso aniversaria oficialmente só de quatro em quatro anos. Em 2014 fevereiro não tem o dia do seu aniversário. E esta entrevista tem um importância especial: Jaguar garante que é sua última entrevista e até firmou este compromisso com o desenho publicado aqui. Espero que mesmo tendo parado de beber há dois anos ele tenha uma recaída na sua famosa amnésia alcoólica e esqueça a promessa.

O link da entrevista está aí, mas vou publicar um trecho ótimo onde o cartunista mostra sua grande capacidade de observação numa análise que faz dos três últimos presidentes deste tragicômico país. Vejam que belas caricaturas verbais de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff:

"São todos muito fraquinhos. Está faltando um estadista. Dilma é atrozmente medíocre. “Estresse hídrico” é o cacete. Lula eu conheci levado pelo Henfil, camisa de malha, jeans e Conga. Nunca acreditei nele. É um cara rancoroso. Uma vez me entregou um prêmio no Municipal. Olhou com uma raiva que nunca superei. Fernando Henrique eu entrevistei e depois ele me pediu para acompanhá-lo ao aeroporto. Estava orgulhoso de um relógio que tinha tudo. Dava para ver hora em Marte. Ele disse: “Olha, faz cálculos, tábuas, o diabo. Pode perguntar o que quiser.” Aí eu perguntei: “Que horas são?” Ele ficou pasmo. Não respondeu até hoje."
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Por José Pires

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014


Dinheiro fácil

Nunca duvidei que uma figura como o José Dirceu fosse capaz de arrecadar quase um milhão de reais em uma semana. Um político que quando dá um telefonema é "um senhor telefonema", como ele mesmo disse em entrevista, pode ser capaz de arrecadar ainda mais conforme as circunstâncias.


A única diferença é a falta de divulgação de forma propagandística dessas arrecadações que não são para pagar multa de condenado e firmar uma posição de confronto político com a Justiça.
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Por José Pires

O poder ainda tem mesmo dono

No governo da piada pronta que é o governo do PT a fala da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, define com exatidão a situação política da presidente Dilma Rousseff. Durante a entrevista do anúncio do corte de R$ 44 bilhões no orçamento a ministra chamou a presidente Dilma de "presidenta Lula".

Respondendo aos jornalistas, Miriam Belchior disse o seguinte: "Já fizemos uma proposta bastante enxuta [de concurso] e espero que ao final do primeiro mandato da presidenta Lula o saldo seja positivo, mesmo atravessando um ano eleitoral que é mais restrito".

A ministra foi alertada do erro, riu da confusão, pediu desculpas e seguiu em frente. Esta é só a comprovação oficial e pública de que o poste indicado manteve-se poste depois de eleito. Quem manda mesmo é o dono do poste.

O ato falho da ministra (que intimamente sabe muito bem onde está de fato o poder) é tão ridículo que até esconde outro grave defeito do poder petista, que é o da arrogância. Também está na fala. Miriam Belchior diz "primeiro mandato da presidenta Lula", quando a fantoche do Lula não está no primeiro mandato coisa nenhuma. Para que algo seja o primeiro tem que haver no mínimo um segundo e isso será ainda definido na eleição deste ano. Mas na "democracia" de petista o voto do eleitor é só um detalhe.
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Por José Pires

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

O exemplo da Venezuela

O clima de guerra civil na Venezuela dá um toque final no ilusório “bolivarianismo” do falecido Hugo Chávez e serve também como revelação da irresponsabilidade de muita gente que apostava no sistema venezuelano como uma nova onda revolucionária que empolgaria outros países da América Latina. O governo do PT fez este jogo e forçou bastante para criar ligações políticas com o chavismo. Eles até manobraram para que a Venezuela entrasse no Mercosul. A marotagem deu um efeito reverso que é até cômico: a derrocada do chavismo dá ao Paraguai uma elevada condição de bom senso. É uma merecedora distinção para este pobre país. O Paraguai foi o único a discordar da entrada dos venezuelanos e em razão desta posição até sofreu injustas retaliações.

Mas obviamente não é só a violência que faz da Venezuela um péssimo parceiro de negócios. Os conflitos são consequência da irremediável falência da fraude que sempre foi o chamado “bolivarianismo”, uma palavra vazia que servia apenas como moldura política para mais um caudilho latinoamericano. Em um país rico não davam conta nem de produzir papel higiênico. Chávez nunca teve um projeto definido para seu país, tanto é que hoje com sua ausência o que sobrou foi o caos.

A única base real do regime chavista é o autoritarismo. Mas acontece que mesmo esta dominação pela força era centrada na figura do caudilho. Com sua morte o esquema vital de sustentação do poder se fragmenta, com o risco de alguns desses braços armados irem adquirindo vida própria.

O regime chavista tem um controle sobre a população por meio de grupos armados, os chamados “coletivos”, que estão barbarizando durante estas manifestações. Eles funcionam como uma força repressiva informal, o que os torna ainda mais perigosos que as forças de segurança do Estado, as temidas Policía Nacional Bolivariana e a Guarda Nacional.

Esses “coletivos” são compostos de pessoas que atuam como promotores culturais ou esportivos nas bairros pobres de Caracas. É uma forma do governo mantê-los próximos da população mais pobre e também de proporcionar-lhes sustentação financeira. Já viram algo parecido em outro país? Pois é, mas em situações de tensão entre os venezuelanos os “coletivos” atuam como força de choque para agredir e intimidar.

Com a morte de Chávez o regime chavista perdeu seu centro de poder. E um dos piores efeitos desta fragmentação é a falta de controle sobre esses grupos paramilitares. O jornal espanhol El País diz numa matéria nesta quinta-feira que Nicolás Maduro está perdendo o controle sobre a militância armada. Não é difícil, portanto, que os conflitos na Venezuela se desenvolvam também entre os próprios chavistas, numa luta interna pelo poder.

É lamentável a violência que acontece na Venezuela, mas ao menos para os brasileiros isso pode servir de alerta. Tivemos aqui lideranças políticas muito animadas com a proposta autoritária do regime chavista. Entre os mais excitados estava o ex-presidente Lula. Nos conflitos que acontecem agora naquele país podemos assistir por antecipação ao “efeito Orloff”, aquele do “eu sou você amanhã”. Sei que ainda tem os que podem querer algo parecido na nossa terra, mas os brasileiros já tem o exemplo real de como é alto o custo dessa loucura.
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Por José Pires

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Imagem - Entre os mortos pelo chavismo, a jovem Génesis Carmona, a miss baleada em um protesto antigoverno.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A compaixão pelo avesso

É interessante observar o lamentável esforço que vem sendo feito por muitos para amenizar a culpabilidade dos dois black blocs nesta horrível morte do cinegrafista Santiago. Apela-se até para intrincadas conspirações que exigem inviáveis coincidências e acordos pessoais impossíveis. Usam também fotos sem relação direta com o caso, em confusões que podem ter sido feitas de propósito.


E esta confusão é feita quando já existe a confissão em público dos dois acusados. Para que então tanto esforço para desviar do óbvio, que é  a punição do crime? De um lado existe uma manipulação da informação que é do interesse político de alguns partidos. Procuram evitar que a opinião pública veja este caso como um crime da esquerda, constatação muito lógica e comprovada em fatos. Os dois black blocs só colocaram em prática a violência que vem sendo gerada já há muito tempo pela esquerda neste país.


Esta violência acontece no debate político, para o qual o governo e o PT até criaram equipes profissionais destinadas a instigar o conflito e agredir adversários. Mas vem acontecendo também com medidas práticas e atitudes públicas desde o primeiro governo de Lula. Não é muito difícil que jovens fanatizados cometam violências nas ruas quando eles convivem desde que eram criancinhas com um governo que atropela leis e regras, além de menosprezar publicamente o respeito aos adversários e a estas próprias regras. Isso foi feito muitas vezes inclusive em tom de piada pelo ex-presidente Lula. E o estímulo aos desatinos da juventude pode ser maior quando mensaleiros condenados são tratados como heróis por um grande partido, que ao mesmo tempo ataca com virulência a última instância da Justiça do país.


A tentativa de amenizar o crime que o Brasil inteiro viu ocorrer em praça pública tem este viés de auto-defesa da esquerda, mas traz também um elemento da cultura brasileira que me parece muito forte. É a tremenda resistência que a maioria da população tem de aceitar decisões rigorosas, especialmente quando isso vai incorrer em penalização pesada para um indivíduo. Fala-se muito no Brasil em defesa da pena de morte e isso pode dar a impressão de que esta é uma unanimidade entre os brasileiro. Pode até ser, mas eu não tenho dúvida de que a reação brasileira com a primeira execução seria o país inteiro cair no choro.


A posição de muitas pessoas com esses dois criminosos que aí estão é uma demonstração disso. Passa-se a mão na cabeça de dois homens feitos que praticaram uma desgraça. Apareceu até o absurdo argumento de que a vítima devia ter se protegido com aparelhagem de segurança. Pois é: a vítima é que não se cuidou.


São dificuldades do brasileiro, que vão emperrando o enfrentamento de questões e agravando-as ainda mais. É grande a resistência para encarar a realidade quando ela é adversa. As pessoas preferem deixar as coisas pra lá e vão convivendo com dramas terríveis. O efeito desse sentimento coletivo é dar ao problema a condição de quase uma normalidade. O país convive com tragédias por causa da incapacidade de responsabilizar legalmente quem não respeitas as regras.


É um sentimento coletivo forte esta peninha de quem é pego pela lei. Pode-se até achar que isso vem da nossa educação cristã, mas para mim é outra a explicação. Não é a compaixão que faz o brasileiro querer deixar pra lá a punição do culpado. É a necessidade de defender-se desse mesmo rigor sobre seu próprio comportamento. A intenção na verdade é de evitar as exigências que a aplicação da lei pode ter na vida de todos. Na consciência geral isso parece ser intolerável. Todos reclamam dos problemas, mas falta seriedade para aceitar o rigor na aplicação de leis, que deveriam atingir desde quem joga no chão o papel de bala até os grandes criminosos, muitos em altos cargos da República. A lei tem que ser para tudo e para todos.
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Por José Pires

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Imagem - Não se deixe levar pelas aparências: a vítima está na foto maior

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014


Fama das ruas

A baderna nas ruas também promove os quinze minutos de fama de algumas figuras. A vedete da vez é 'Sininho", ou Elisa de Quadros Pinto Sanzi, 28 anos, que ninguém sabe o que faz na vida. Para a imprensa ela é "ativista", esta nova atividade que apareceu nas últimas manifestações. Então Sininho é ativista. Está no auge da fama, alcançada com um simples telefonema ao advogado do black bloc que passou o morteiro para outro black bloc acender e matar o cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes.

Já estou vendo a hora que o pessoal da Playboy convence Sininho a posar nua para a revista. Mas tem que ser logo, porque os quinze minutos já estão rodando e podem surgir na sequência personagens que devem tirar Sininho de cena. Um deles é o suspeito de acender o morteiro. Ele já foi identificado: é Caio Silva de Souza, de 23 anos. Está desaparecido, mas logo que surgir nas mãos da polícia quem é que vai querer ouvir falar da Sininho?

Ela prestou depoimento nesta terça-feira numa delegacia do Rio. A mulher acumula fichas na polícia. Uma delas foi por ter chamado um policial de "macaco" numa manifestação. Já foi presa duas vezes por formação de quadrilha. Ao ser presa, disse que não trabalhava, mas tem dois endereços como moradia. A polícia também descobriu que ela possui duas carteiras de identidade, com números diferentes.

Ao sair da delegacia, Sininho disse aos jornalistas que no depoimento ao delegado já foi esclarecida sua relação com o deputado Marcelo Freixo, do Psol. E não falou mais nada, o que mantém o ar de suspeita que existe desde que ela entrou nesta história dando o estranho telefonema para o advogado do black bloc preso. O caso ainda deve se alongar e pode ser que surjam surpresas. Não é um enredo que atraia participação voluntária. Só a Sininho é que fez questão de entrar na roda. Mas pode ser que que haja alguma entrada compulsória em cena.
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Por José Pires

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Imagem - Sininho sai da delegacia no meio da multidão de repórteres: a "ativista" curte a fama.

Por detrás da baderna

Todo mundo sabe que o Psol tem uma influência danada na baderna política que tem assolado o país, mas o que apareceu agora complica bastante pro partido. Ontem foi denunciado que o homem que acendeu o morteiro que feriu gravemente o cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, é ligado ao deputado estadual Marcelo Freixo, líder nacional do Psol. Quem afirmou isso foi Jonas Tadeu, advogado de Fábio Raposo, o rapaz que passou o morteiro durante a manifestação e que está preso. É claro que o deputado já negou tudo.


A história teve início a partir de um telefonema feito por uma militante do Psol ao estagiário do advogado. A militante se identificou pelo apelido de Sininho e ofereceu ajuda jurídica. O estagiário então passou o celular para o advogado, para quem Sininho teria dito que a pessoa que acendeu o rojão que feriu o cinegrafista seria ligada ao deputado Freixo. Toda esta história foi registrada pelo advogado na polícia em um “Termo de Declaração”, que oficializa a denúncia.


A única informação com base apenas na palavra do advogado é a ligação política com o deputado da pessoa que acendeu o morteiro. Sininho é a militante Elisa Quadros, que confirmou a conversa telefônica, apesar de desmentir que tenha citado o nome do deputado do Psol. Sininho também apareceu na frente da delegacia para uma manifestação de protesto pela prisão de Raposo, conforme havia dito no telefonema ao estagiário. Na manifestação, Sininho chamou jornalistas de "carniceiros". Teve também uma briga, depois que um ativista disse aos jornalistas a frase: "Tomara que os próximos sejam vocês”.


Parece ser o caso de pensar onde é que este pessoal está com a cabeça para se meter numa encrencas dessas. Mas é claro que a sensatez não tem espaço na cabeça de fanatizados por ideologias toscas. Até agora o Psol vem atuando da forma mais cômoda na política brasileira. No debate político e nas eleições estão sempre no papel de acusadores, assumem propostas irrealistas e estimulam o confronto político. A agressividade é a mesma, seja numa grande capital ou numa cidade interiorana. Para eles, o conceito marxista de luta de classes serve do mesmo modo numa multinacional ou numa pequena loja onde o dono trabalha mais que os empregados. Não há dúvida alguma de que a radicalização dos protestos de rua nasceu em grande parte da atuação deste partido. E também é óbvio que com este barulho pretendem radicalizar a política como um todo.


O Psol nunca aparece em circunstância alguma para contribuir para um entendimento democrático. O partido instiga o conflito entre alunos e professores nas universidades. Ataca o empresariado. Faz qualquer coisa para acirrar divergências e lucrar com isso. Seu negócio é atrapalhar de qualquer forma o debate democrático e a busca de soluções realistas. Sua pauta é faturar com causas impossíveis, sempre na posição cômoda de não ter de consertar depois o estrago político e social provocado pela irresponsabilidade. Com este discurso, este partido fanatiza uns gatos-pingados que fazem um barulho danado, abrindo a possibilidade de desastres como este que apareceu agora.
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Por José Pires


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Imagem - O morteiro acendido por um black bloc atinge o cinegrafista da TV Bandeirantes. Nesta segunda-feira ele teve morte cerebral.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014


Lance histórico

O mensaleiro petista João Paulo Cunha renunciou ao mandato de deputado na noite desta sexta-feira. Cunha está preso desde terça-feira na Penitenciária da Papuda, em Brasília. O agora ex-deputado chegou a apresentar um pedido à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal para exercer seu mandato parlamentar durante o dia. A renúncia deve ter vindo depois de alguém convencê-lo de que uma situação dessas não era interessante nem como piada.

É difícil entender qual era a brilhante tática para manter o mandato durante esses três dias, mas de qualquer forma agindo assim ele acabou sendo oficializado como o primeiro deputado presidiário do PT. Ficou para a história e também conquistou para o PT o importante diferencial de ser o único dos grandes partidos com representação oficial na cadeia. Não é pra qualquer um, não. Foi mais uma revolução do PT na política.
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Por José Pires

Baixos instintos

Cuba acende os piores instintos da esquerda brasileira. Não é coisa à toa o vergonhoso ritual de beija-mão que Lula e a presidente Dilma Rousseff estão sempre fazendo com Fidel Castro. No futuro é provável que apareçam revelações sobre este domínio psicológico de um ditador falido sobre os petistas. É óbvio que vai além da ideologia. A submissão pública parece ser forçada por uma relação de bastidores que exerce um estranho controle sobre o PT. E isso se reflete também em acontecimentos nacionais.

No ano passado nós vimos o impressionante furor da esquerda com a visita da blogueira cubana Yoani Sánchez. A moça foi perseguida e atacada em todas as cidades onde esteve a convite de brasileiros. A militância criou uma situação absurda, pois assumiu um papel parecido com o dos Comitês de Defesa da Revolução, os “CDRs” que funcionam em Cuba como um instrumento do governo de vigilância e pressão política sobre a população. Os CDRs metem-se até na vida pessoal dos cubanos. Nos ataques feitos no Brasil à blogueira cubana a militância de esquerda chegou a gritar vivas a Fidel Castro. Agiam com o despropósito de tentar negar a um estrangeiro uma liberdade garantida a todos os brasileiros.

Agora temos outra vez a esquerda tentando rebaixar a nossa realidade política ao nível das piores ditaduras. Isso vem acontecendo no caso da médica cubana Ramona Rodríguez, que saiu do programa “Mais Médicos”. Os ataques são de uma baixeza lamentável. Este problema da médica cubana só existe em razão da condução totalmente equivocada que o governo Dilma deu a este programa de saúde. O governo do PT fechou a contratação dos trabalhadores cubanos diretamente com uma ditadura que não permite os mínimos direitos trabalhistas. E então o que seria uma simples demissão vira um caso político complicado e de repercussão internacional. Sim, porque o mundo está de olho neste acontecimento.

E a atuação da militância governista não tem ajudado nem um pouco a pelo menos atenuar o drama político. Mas é claro que num caso dessa importância o peso das cacetadas tem um controle de cima. Na internet eles já vinham atacando a médica cubana com agressividade. E nesta quinta-feira o PT fez de forma oficial uma baixaria inédita no Congresso Nacional. O deputado José Geraldo (PT-PA) foi à tribuna para falar da vida pessoal de Ramona Rodriguez. É um discurso para ficar na história política do partido. O petista falou sobre um namoro da médica cubana e disse também que ela toma umas cervejinhas. E essas coisas vêm logo do deputado de um partido que tem como autoridade máxima o Lula, que em bebericagens já foi notícia até no New York Times.

São os efeitos do antigo vício autoritário da esquerda, um defeito que Cuba estimula de uma forma incontrolável. A coisa é tão grave que até namoro entrou na polêmica do “Mais Médicos”. Chega ser engraçado, mas reações desse tipo exigem precaução. A necessidade de controle desse governo não tem limite nem do ridículo.
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Por José Pires

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Dividindo culpas

Essa conversa de que a corrupção no país está relacionada a todos os partidos acaba sempre favorecendo o PT, que não só é o partido que está no poder como também estabeleceu uma sistematização da corrupção e da defesa desse esquema sujo que impera hoje. Quando se afirma que a corrupção tem que ser vista como algo generalizado sobra até para o pequeno partido oposicionista PPS, que tem 8 deputados federais e nada mais. Com este papo nivela-se moralmente o partido dono do poder com um partido sem nenhum meio de interferir para acabar com a roubalheira. É uma relativização muito boa para quem está no poder, não é mesmo?

O que o PT faz em relação à corrupção? Ora, defende corruptos e ataca qualquer um que faça críticas à desonestidade na política. Para isso este governo tem toda uma estrutura de entidades e sindicatos, tendo à frente a CUT, maior central sindical do país. Lá está o Delúbio Soares, condenado por corrupção e contratado pela CUT para atuar na área de formação sindical. Existirá aval maior do que este de contratar uma pessoa que, de formação mesmo, tem é a condenação por formação de quadrilha? Montaram também um esquema pago de jornalistas e militantes na internet. Usam a máquina de forma escandalosa para pressionar economicamente a imprensa. Nunca existiu algo assim no país.

Mas vamos raciocinar por esta linha de que a corrupção é uma questão de todos os partidos. Ora, todos os grandes partidos estão com o governo do PT, que faz o que quiser no Congresso Nacional. O governo tem muito mais que a maioria na Câmara e no Senado. Além disso, o PT tem ao seu lado todos os chefes regionais importantes, políticos como José Sarney, Paulo Maluf, Jader Barbalho, Ciro Gomes, Fernando Collor, Renan Calheiros, Anthony Garotinho e outros mais. São lideranças que conhecem todo o manejo sujo da política. Já os dois maiores partidos da oposição têm, respectivamente, 45 e 26 deputados e nenhum poder de decisão no Senado.

Ou seja, todo o poder político está com o PT. Os mecanismos de combate à corrupção também estão com o governo. E ainda tem gente que vem com esse papo de cobrar também do DEM e do PSDB a responsabilidade pela lama no país. Sempre fiz críticas a esses dois partidos, mas num caso assim este papo não cola, não. A culpa pela corrupção atual é do governo do PT, que — olha só, tem mais isso ainda — é o partido que mais tempo ficou no poder nos últimos tempos: 12 anos consecutivos.
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Por José Pires

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Fita fúnebre

O mensaleiro fujão Henrique Pizzolato fugiu para a Itália com um documento falsificado com o nome do irmão morto. Isso revela um padrão moral dos companheiros. Não se respeita nada. Vale apenas a ambição por poder e dinheiro. O interesse pessoal justifica tudo. O nível de respeito humano é tão baixo que passa-se por cima até da memória de um familiar morto.

Já é notória a diversidade de esqueletos nos armários petistas, além de outros mortos que também não tiveram respeitadas suas memórias. São figuras ilustres como Celso Daniel e Toninho do PT, os prefeitos assassinados, duas mortes que estranhamente o PT quer ver esquecidas.

É uma história partidária que já vinha carregada de um arrepiante clima tétrico. Parece que neste partido todo dia é Sexta-Feira, 13. A prisão de Pizzolato com documentos falsos em nome do irmão morto só vem fortalecer este enredo de filme de terror e deixa o Brasil num suspense danado. Qual será o próximo susto que nos reserva o PT? A fita é pesada. Se nas próximas cenas aparecer o Drácula, o coitado do vampiro corre o risco de ser a vítima.
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Por José Pires

Bancada do xilindró

O PT está de parabéns. O deputado João Paulo Cunha se entregou à polícia e já está despachando no presídio da Papuda. Exatamente: o PT tem o primeiro deputado-presidiário da sua história, o que completa um ciclo de corrupção que vem desde o primeiro mandato de Lula. O deputado-presidiário é uma categoria especial de político criada nesta impressionante Era Lula.

Com a renúncia ao mandato, o ex-deputado José Genoino evitou espertamente esta consagração um pouco antes de sua prisão, mantendo o cargo como um ineditismo do deputado Natan Donadon. Mas Cunha teimou em não abandonar o mandado. Com a prisão do mensaleiro petista a bancada se amplia, com um deputado-presidiário de alto prestígio.João Paulo Cunha não é um companheiro corrupto qualquer. Ele tem intimidade com o ex-presidente Lula e sempre foi interlocutor respeitado da presidente Dilma Rousseff.

Com seu prestígio, o deputado-presidiário João Paulo Cunha pode aumentar a influência da bancada do xilindró no Congresso Nacional, alinhando-se inclusive com o deputado André Vargas. Junto com o líder petista e vice-presidente da Câmara a bancada de deputados-presidiários poderá usar as ocasiões solenes para ofender todo o Brasil com o notório gesto do punho cerrado.
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Por José Pires

Punho no pé

O PT é mesmo um partido revolucionário. Nos últimos dias inventaram até um termo novo. Todo mundo sabe o que é um "tiro no pé", não é mesmo. Pois os petistas inventaram o "punho no pé". Com o gesto do punho cerrado que mensaleiros fizeram quando foram presos, eles deram um tiro no pé, ou melhor, um punho no pé. A arrogância e a desfaçatez cegou as altas lideranças do partido metidas no xilindró. Qualquer ladrão pé de chinelo sabe que na hora da cana a melhor tática é a discrição. Pois de forma amadora os chefes do esquema político do mensalão resolveram fazer de suas prisões fazer um espetáculo público.

O desastre político se ampliou nesta segunda-feira quando o deputado André Vargas (PT-PR) levou o gesto para a mesa da presidência da Câmara, durante o início dos trabalhos do Congresso Nacional. Foi o que chamo de punho no pé. A provocação grosseira do deputado petista atraiu uma rejeição que com certeza vai ressoar na eleição deste ano. É um símbolo forte de desprezo à ética e de apologia da corrupção.

É o punho no pé, que vai refletir inclusive na tentativa de reeleição de André Vargas em seu estado. O Paraná já está cansado de passar vergonha nacional com este deputado. Vargas também deu realce a um símbolo negativo que vai complicar ainda mais os sonhos da mulher do ministro Paulo Bernardo, a senadora Gleisi Hoffmann. Na disputa pelo governo do estado, a senadora tem como estorvo até assessor dela na Casa-Civil preso por estupro de menores. E agora vem o deputado Vargas com o punho no pé.
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Por José Pires


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Ofensa entre poderes

Esta segunda-feira foi um dia muito triste para o Congresso Nacional. Durante a abertura dos trabalhos legislativos de 2014, o deputado André Vargas (PT-PR) fez várias provocações muito desrespeitosas com o presidente do Supremo Tribunal federal, Joaquim Barbosa. Ao lado do ministro, o deputado repetiu de forma acintosa o gesto de seus colegas mensaleiros presos por corrupção na Penitenciária da Papuda. Além da ofensa do punho cerrado, Vargas fazia piadas postando ironias na internet sobre o presidente do Supremo. Num determinado momento ele postou no Instagram a foto de uma cadeira vazia com a legenda: “Joaquim sumiu?”.
Os gestos lamentáveis que merecem um processo por falta de decoro certamente se devem a uma confusão do petista sobre a razão da sua presença ao lado de Joaquim Barbosa. Ele não teve a consciência de que ocupou a cadeira ao lado do ministro devido ao fato de ser vice-presidente da Câmara. O deputado André Vargas confundiu as bolas e ao invés de se comportar com o necessário respeito ao cargo republicano deu vazão a seu notório caráter pessoal. O gesto e as piadinhas feitas durante o ato (e também enquanto era feita a leitura da mensagem da presidente da República) se configuram em grave quebra do decoro.
Investido no cargo de vice-presidente da Câmara, André Vargas criou uma situação de desrespeito e conflito entre os dois poderes da República. Numa Câmara de comportamento digno a afronta resultaria em cassação de mandato, mas é evidente que isso não acontecerá. O gesto petulante do petista é apenas um dos sinais da decadência institucional que assola perigosamente o nosso país.
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Por José Pires