quarta-feira, 30 de junho de 2010

Limpando a barra

Eu estava buscando mais referências sobre o vice de José Serra, o deputado Índio da Costa, quando topei num site com uma declaração do assessor de Lula para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, conhecido também como Top Top.

Garcia foi enfático. Disse que não conhece Índio da Costa. Um depoimento desses com certeza deve trazer muita simpatia para o vice da chapa tucana. Não ser conhecido de Marco Aurélio Garcia é sempre uma referência de qualidade. Em alguns casos, isso é declaração que pode servir até como álibi.
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POR José Pires

Vice sofrido

Tudo acontece para me dar razão quando digo que tucano é um bicho esquisito. Eles bateram tanto a cabeça, criaram uma grande confusão na escolha do vice e no final chegaram em um nome sem expressão nacional, o deputado Índio da Costa, do DEM do Rio de Janeiro.

Não entendi a estratégia. Para chegar em algo tão simples, queimaram Alvaro Dias, um dos senadores tucanos que tem atuado melhor no plano nacional, e criaram confusão em um estado onde historicamente o PSDB tem boa votação em eleições presidenciais e no qual eles tem um candidato a governador com altos índices nas pesquisas.

Bem, pelo menos me deram um trocadilho: os caciques escolheram o Índio.
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POR José Pires

Movimentando o eleitorado

Marcos Coimbra publica hoje um artigo que foi republicado em vários sites e blogs. O título parece coisa militante partidário — “Mudar ou continuar” — e o conteúdo também. Mas Coimbra é presidente do Instituto Vox Populi.

Vou mostrar só a primeira frase do artigo: “Já faz algum tempo, começou a se generalizar no meio político a convicção de que Dilma vai ganhar as eleições”. E por aí vai, numa parcialidade de constranger até blogueiro petista, colocando a eleição de Dilma como certa, a menos, diz ele, que ela cometa algum “erro calamitoso”.

E neste artigo, ele ainda está pegando leve. Em outros ele tem afirmado que a candidata do Lula vai ganhar no primeiro turno. E a atividade mais marcante do articulista, repito, é ser o presidente de um instituto que tem suas pesquisas divulgadas com destaque pela imprensa.

Evidentemente a opinião de Coimbra não teria a menor importância se ele não fosse presidente (ou dono, tanto faz) do Instituto Vox Populi. Por coincidência, ontem o instituto soltou mais uma pesquisa colocando Dilma à frente de Serra, um movimento que este instituto vem fazendo há algumas semanas.

A publicação do artigo de Coimbra em alguns blogs chega a ser cômico. Saiu logo acima da notícia da sua pesquisa que dá Dilma em primeiro. Basta dar uma analisada em seus artigos para ver que é ele o cara. A movimentação rápida tanto da publicação de seu textos na blogosfera petista quanto dos conceitos que eles emitem é de desconfiar.

O dono do Instituto Vox Populi (ou presidente, vá lá) se apresenta também como sociólogo, mas sua importância na sociologia brasileira é zero. Já na política brasileira ele tem lastro, por assim dizer. Coimbra e seu Vox Populi estão na origem da construção do mito Fernando Collor. O dono do Vox Populi “ é amigo de Collor desde a adolescência. Ele esteve no núcleo inicial da candidatura de Collor e foi até o fim com o segundo presidente mais corrupto da nossa história — no primeiro lugar em corrupção eu fico com a opinião do ex-ministro lulista Mangabeira Unger: é Lula.

Com se fez aquele mito, que rapidamente foi comprovado como fraude, todo mundo sabe.
Que a empresa dele seja levada a sério, já me parece absurdo, por causa dessas intromissões indevidas dele no noticiário. Sem falar nos métodos de suas pesquisas. O pior é que ele ainda é levado a sério mesmo com esta história pregressa que faria um organismo de pesquisas ter que fechar em um país onde houvesse respeito à informação e ao conhecimento. Aqui o Vox Populi nem teve que mudar de nome.

E o instituto e seu dono são tratados pela imprensa como tivessem construído uma história de imparcialidade e credibilidade.

Desse jeito dá para entender a falta de memória do brasileiro. Pois quem tem a obrigação profissional de aguçar esta memória esquece muito fácil as coisas.
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POR José Pires

Pesquisas de resultado

Não sou dos que se fiam em pesquisas desses institutos atrelados a qualquer esquema de poder e prontos a fazer qualquer acordo, desde que seja do interesse de seus donos. Chega a ser impressionante que a imprensa brasileira siga montando suas pautas conforme o que dizem esses números fajutos.

Para começar, no Brasil esses institutos também prestam serviço para partidos e políticos. Até dá pra entender que a Justiça eleitoral permita suas atuações em situações de tamanho conflito de interesses. É do funcionamento da nossa "justiça". Mas que jornalistas não usem este discernimento em seu trabalho... bem, dá para enteder também, mas é lamentável.

Por enquanto com a exceção do Data Folha, todos esses institutos prestam serviços a candidatos em eleições pelo país afora. E em muitos casos são pagos para montar o panorama político que o cliente quer para sua cidade ou estado. Não é preciso nem ser muito experiente em jornalismo para saber disso. Quem já não viu em sua cidade um candidato ser catapultado à estranhas alturas eleitorais por "institutos de renome" e depois esse candidato perder feio a eleição?

Dessa forma, chega até a ser cômico ver a imprensa nacional seguindo o roteiro imposto pelas pesquisas, a maioria deles de institutos claramente atrelados ao governo Lula. É um daqueles casos em que a justificativa menos incriminadora — incompetência — ainda é a pior resposta.

Essa suposta incompetência acaba deformando o nosso processo eleitoral. O candidato que não está no topo das pesquisas deixa de ter espaço, mesmo que suas idéias sejam bem melhores que a do conjunto. Hoje em dia, para ter a atenção dos jornalista, candidato precisa ter Ibope, Sensus e Vox Populi. Bem isso é falso não só em política, mas ainda mais em jornalismo.

Não podemos esquecer também que são estes institutos que trazem os números com a popularidade de Lula, num esforço que tornou-se concentrado após o escândalo do mensalão.

É claro que atualmente a popularidade de Lula pode ser realmente bem alta, ainda que eu não acredite que está tão lá em cima. É ele aqui e Berlusconi na Itália, como o próprio político italiano destacou em sua visita nesta semana ao Brasil.

Talvez o método usado aqui seja parecido com o da Itália. No Brasil, enquanto fingem que verificam, os institutos vão construindo uma realidade junto à opinião pública. É um método bem prático: depois de um tempo, basta aferir de fato que, dia a mais ou dia a menos, o resultado acaba conferindo.
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POR José Pires

Pondo a mãe no meio das pesquisas

Para os institutos de pesquisa vale a opinião de Ciro Gomes, que foi expelido da eleição por Lula. O deputado que já foi cearense tem itimidade com este assunto. Ciro vem construindo nas últimas três décadas o poder da oligarquia cearense da qual é o líder.

Na eleição de prefeitos, vereadores, deputados, enfim na construção do suporte político das oligarquias políticas os insitutos de pesquisa são uma ferramenta indispensável. Em cidades menores, esta ferramenta faz uma dobradinha invencível com o domínio da comunicação, com o mando sobre jornais, televisões e rádios.

Sua experiência, portanto, é imesa. E o que ele acha disso tudo? Ainda no ponto alto da ebulição causado pela rasteira que levou do lulo-petismo e um pouco antes de submergir, como faz sempre quando entra em crise, Ciro Gomes deu sua opinião sobre as pesquisas no Brasil.

“Pesquisa é fraude”, ele disse. Sobre dois institutos de pesquisa que norteiam o noticiário político, ele foi direto: “O Ibope e o Sensus fazem qualquer negócio”. E para expressar sua opinião sobre o conteúdo da relação entre institutos e os políticos, ele afirmou: “Montenegro, do Ibope, vende resultado de pesquisa". Diante da surpresa do jornalista, Ciro até reforçou esta afirmação: "Ele vende até a mãe pra ganhar dinheiro”.

Ciro Gomes deve saber muito bem do que está falando. Não tem eleição presidencial em que seu nome não seja referência das pesquisas. É só começar as especulações, para que ele surja em alta nas pesquisas sem que haja nenhum motivo aparente para que a população tenha uma recordação tão forte e precisa sobre seu nome.

Ainda mais interessante é que por causa disso ele também vira referência no noticiário. E como ele tem falas sempre sensacionais, é sua opinião que tem a maior acolhida. Ciro é de uma facilidade funcional que delicia nossos jornalistas. Para trabalhar de outra forma eles teriam que pesquisar mais, trabalhar melhor o texto e até ler um pouco. Sim , não é só o Lula que não lê.

Deliciados com esta facilidade, os jornalistas até se esquecem de questões importantes na eleição de um presidente a República como, para ficar apenas em poucas delas, como Ciro Gomes governaria sendo o que é, um político sem partido, sem base política e com um perfil autoritário e desagregador.

Mas o que faz o nome ter sempre de uma instabilidade perturbadora nas pesquisas? É outro fato misterioso e interessante. Nas pesquisas seu nome serve tanto para desconstruir uma candidatura como para construir outra. Em alguns casos, faz os dois serviços ao mesmo tempo. Talvez isso explique o ziguezaque pra cima e pra baixo.

O seu é o nome do sobe e desce. Vai de helicóptero, mas logo pode descer feito em tobogã. Mas acaba descendo e sempre na hora certa, para dar lugar a outro, que sobe também no momento exato. Deve ser por isso que alguns chamam de "cientificas" estas pesquisas. A única exceção foi esta agora, quando Lula prevendo um descontrole da situação, empurrrou o companheiro pra fora em pleno vôo. E sem paraquedas.

Ciro começa lá no alto e logo desce de forma rápida, sem que haja explicação lógica sobre o que o levou para tão alto e qual foi o fenômeno que o fez descer. Logo pode subir novamente, sem nenhuma razão que explique. A lei da gravidade é que não é, pois no Brasil esta lei, como tantas outras, não interfere no processo eleitoral.

Montenegro do Ibope resolveu deixar pra lá as acusações do político, que também já foi seu cliente. Aí volto a lembrar que uma imprensa respeitável jamais daria espaço para as opiniões do presidente do Ibope até que o que Ciro falou ficasse bem esclarecido. E pesquisas eleitorais de seu instituto, o Ibope, nem seriam mencionadas.
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POR José Pires

Credibilidade pra lá de discutível

É claro que não há como não suspeitar de que o sobe e desce seja por problemas de relacionamento de Ciro com os institutos de pesquisa. Sobre o presidente do instituto que no Brasil até tornou-se sinônimo de prestígio, o Ibope, ele foi até violento. Sobrou até pra mãe do Montenegro.

Montenegro optou por não por a limpo esta grave acusação, que não pode ser vista como pessoal, é bom deixar claro. O que Ciro Gomes fez foi atingir a empresa de pesquisa. E como estava irritado demais com sua queda recente, o deputado abriu o jogo que todos sabemos bem que ocorre entre políticos e institutos: "Pesquisa é fraude"

Se Montenegro acha que não tem importância que um presidenciável, que foi inclusive seu cliente, diga que ele é ladrão, é problema do presidente do Ibope. Mas os jornalistas não deveriam tomar uma atitude séria em relação à este e tantos outros casos que envolvem os institutos de pesquisa?

Num país sério e até em países não tão sérios assim, mas com uma imprensa que trabalha com rigor a informação, um instituto de pesquisa cujo presidente aceita ser chamado de ladrão deixaria imediatamente de ser referência para qualquer assunto político.

E um instituto como o Vox Populi, que tem um presidente escrevendo artigos da maior parcialidade em época de eleição também teria sérias dificuldades para encaixar os números eleitorais de sua empresa no meio do noticiário.

Mas não é o que acontece no Brasil e com isso vai-se ampliando o abismo moral que impede isso aqui de tornar-se uma Nação decente.
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POR José Pires

terça-feira, 29 de junho de 2010

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Agora vai



Foto distribuída pela campanha de Dilma Roussef logo depois do final da partida entre Brasil e Chile pela Copa do Mundo. Estou enganado ou aquele cara à esquerda rindo de nós é o Antonio Palocci da violação do sigilo do caseiro Francenildo?
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POR José Pires

O silêncio de Serra e outras lacunas do Twitter

O candidato tucano (a imprensa tem escrito "pré-candidato", mas isso é hipocrisia, o sistema eleitoral brasileiro já está desmoralizado: se a Justiça não agir com mais rigor não haverá limite algum nesta campanha), então, como eu dizia, o candidato tucano José Serra vinha fazendo um dos melhores Twitters de político. Bem colocado, escrevendo com a objetividade exigida, porém sem escrever como semianalfabeto, algo que ficou comum no Twitter, com as pessoas recortando palavras, às vezes usando apenas iniciais.

Serra transita com eficiência nos limites do Twitter, com frases integrais e muito bem colocadas. E sem confundir informalidade com divulgação de informação vazia e muitas vezes sem sentido.

Isso ele fazia bem até poucos dias atrás. Mas o problema é que no momento em que sua capacidade foi realmente testada, Serra desapareceu. Com a crise criada em torno de seu vice, esqueceu o Twitter. Ressurgiu ontem, mas com uma nota chocha dizendo que vai "tentar ler as centenas de mensagens que se acumularam". Ah, bom...

Quando teve a ocasião para mostrar seu Twitter como um instrumento de diálogo e discussão com o eleitor Serra deu para trás. Desapareceu da internet, assim como evitou os lançamentos de candidaturas estaduais da sua aliança. Ora, se for para entabular relações na internet na base da conversa sem compromisso, então é melhor que Serra e os políticos brasileiros fechem seus Twitters.

E a decepção com o tucano é ainda maior pelo fato de ele ter sido um dos poucos políticos que entendeu tecnicamente o instrumento, além de, como disse acima, também ter a capacidade rara de fazer uso dessa compreensão. Não é o que acontece com seus colegas. Neste setor o uso do Twitter é um desastre.

Na comparação com Serra, sua adversária do PT perde longe. Mas Dilma Rousseff é um notório desastre no manejo da língua portuguesa. Neste caso a continuidade de Lula está garantida.

Dizem que ela é muito hábil em falar grosso com subordinados, o que pode ser uma complicação à mais neste caso. Como a política estabelece comunicação basicamente pela fala, tem que haver uma sintonia fina entre esta e o texto. A elegância de estilo e a concatenação de idéias que vemos em vários discursos é na maioria das vezes de quem escreveu e não do político que lê o texto.

O deputado cassado Roberto Jefferson é um exemplo didático desta interação entre fala e texto. Vejam algo recente dele em sua página do Twitter:

"O PT esconde Dilma porque ela tem um quê de Magda, mas eu prefiro as pernas da Marisa Orth"

E ele é presidente de um dos partidos da aliança em torno da candidatura Serra. A piada deve ser para fortalecer os laços com o eleitorado feminino.

Mas a sintonia fina de Dilma não é melhor que a do porco-chovinista petebista. Seus textos mostram que nela elegância e estilo são incômodos como um cabresto. Vejam este texto dela, com exatos 140 caracteres exigidos pelo sistema:

"Agradeço muito as mensagens de incentivo,mas repito o q disse agora na RádioItatiaia:ficamos satisfeitos,mas ñ podemos subir no salto alto.."

Os dois ponto finais (sic) são da parte dela. O nome da rádio grudado também. E este é um dos melhorzinhos que encontrei. Não quero que me acusem depois de tê-los impedido de ganhar no primeiro turno. Mas, copidescando seu texto é possível mostrar que ela poderia dizer as coisas de um modo melhor. Que tal assim?

"Agradeço as mensagens de incentivo, mas repito o que disse há pouco na rádio Itatiaia: estamos satisfeitos, mas nada de subir no salto alto."

Os problemas de Dilma com a língua são a expressão da falência do sistema universitário brasileiro. E sua evidente incapacidade pessoal é a prova da falência dos partidos como instrumento de escolha de dirigentes públicos.

E como é que dirigentes públicos com tamanha falta de qualidade iriam entender produtos de última geração? Na visão deles, computador é produto para enganar pobre e internet é tarefa de assessor. No geral, político brasileiro vive apenas de arranjos feitos para alcançar o poder. E quando chegam lá, também usam o poder apenas como instrumento eleitoral.

Na mão deles, o Twitter é outra ferramenta para a eleição. E o que acontecerá depois de abertas as urnas será uma debandada de políticos da internet. Os Twitters ficarão fechados para um balanço que deve durar até a próxima campanha eleitoral.
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POR José Pires

Twitter, modo de usar

O Twitter tem um caráter pessoal. É difícil que alguém se interesse em entrar nesta rede para ler um texto formal, sem o sabor da informação direta. Mas o problema é a simplificação desta informalidade, algo que vem tornando o Twitter parecido com recado para a empregada colado na geladeira. Não, pior que isso. Recados para a empregada podem até ser mal redigidos, mas pelo menos atendem objetivamente o interesse de quem escreveu e do leitor.

Num Twitter recente o deputado André Vargas, da comunicação do PT, informava a todo o Brasil que que pegara "uma canjiquinha" na feira de sua cidade para levar para casa. E como faz o colega e antigo companheiro Roberto Jefferson, Vargas pensa também que o Twitter é instrumento de insulto. Outro que também só escreve besteiras é Marcelo Branco, aí um caso bem grave, já que ele o especialista da campanha de Dilma para a internet. Branco entendeu mal Nelson Rodrigues: em poucos lugares a língua portuguesa apanha tanto como em seu Twitter.

Mas para ninguém dizer que só pego no pé de petistas, em outro Twitter, o deputado Benito Gama escreveu que havia rezado com sua velha mãe. E ainda noutro, Soninha Francine, descrevia suas emoções com um jogo de futebol. E não era jogo da Copa do Mundo. Nem a Soninha, que é também do ramo da comunicação, entendeu muito bem a coisa.

Cada um escreve o que quer, isso é óbvio. Mas banalidades como essas fazem mais sentido entre adolescentes e até crianças. O problema é que essa linguagem banal invadiu também outras redes, como o Orkut e o Facebook e até em blogs. Bem, o resultado com este tipo de Twitter será o mesmo desses outros meios: uma porção de páginas que nem o autor acessa e, pior, sem utilidade alguma como suporte de pesquisas, esta outra grande utilidade da internet.

Ou alguém no futuro vai querer saber da canjiquinha do deputado petista, da mãe rezadora do deputado do DEM ou da aflição de Soninha com a bola na trave?

Quando é mal interpretado, o Twitter pode ser o processo mais enganoso da internet, toda ela repleta de ilusórias facilidades. Ele requer duas habilidades que exigem um certo esforço até de profissionais. É preciso escrever razoavelmente bem e, o que é mais difícil, de forma curta, bem curta, com um limite de 140 toques.

E tem também o assunto, é claro. São poucos os que acertaram até agora. E como foi inventado para a frase curta, o Twitter seria a delícia do Barão de Itararé ou de outro humorista, menos conhecido mas também genial, Dom Rossé Cavaca, de quem se fala pouco, até porque escreveu bem menos que o Barão.

E não só por coincidência, quem tem usado o Twitter da forma mais eficiente é o Fraga, humorista gaúcho da mesma cepa desses citados, um escritor de frases curtas, tão engraçadas quanto reveladoras dessa comédia na qual os humanos atuam até o fim da vida, muitos de nós morrendo sem saber disso. Fraga é um dos mais geniais humoristas brasileiros, da geração posterior ao semanário O Pasquim. Vá ao Twitter do Fraga para conferir como tenho razão.

Este é apenas um exemplo de como fazer a coisa certa. Mas a verdade é que é uma ilhazinha entre uma enormidade de besteiras que, por enquanto, formam o Twitter. Com a costumeira dificuldade de desenvolver qualquer tarefa com responsabilidade, os brasileiros já desmoralizaram o Orkut e até as redes de blogs, hoje no Brasil atulhadas de blogs inativos, instrumentos eleitorais e partidários ou colunas sociais particulares onde se publicam elogios em causa própria e fotos de amigos e colegas.

Espero que não aconteça algo parecido com o Twitter. Mas por enquanto o caminho parece ser esse. E no que depender dos políticos brasileiros, com certeza podemos contar com eles para a desmoralização de mais esse instrumento da mais alta qualidade.
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POR José Pires

domingo, 27 de junho de 2010

Ziquizira de Lula pega Lampard e contagia a Inglaterra

A Inglaterra perdeu feio agora há pouco para a Alemanha. A goleada foi de 4 a 1 e tirou os ingleses da Copa do Mundo. A urucubaca parecia estar em campo jogando contra a seleção da Inglaterra e atingindo especialmente o meia Frank Lampard. Vejam a expressão de Lula quando ganhou no ano passado do técnico Felipão uma camisa do jogador.

Lampard teve um gol legal anulado pelo árbitro e foi responsável por uma jogada que acabou dando um gol para o adversário. No primeiro lance de azar, uma bola chutada por ele bateu no travessão e quicou dentro do gol antes de ser agarrada pelo goleiro alemão. Mas o juiz não confirmou o gol claro. Em outro lance azarado, numa cobrança de falta Lampard chutou a bola contra a barreira, criando a possibilidade de um rápido contra-ataque alemão que resultou no terceiro gol da Alemanha.

Com já dissemos aqui, aqui e aqui, mesmo quem não acredita em bruxas sabe que é bom ficar longe do pé-frio do Palácio do Planalto. Esta é mais uma prova da pesada energia do azarento, que ostenta uma extensa lista de esportistas prejudicados. O episódio de Lampard comprova inclusive que a uruca do petista pode até mesmo ser repassada, como parece ter acontecido com a seleção da Inglaterra.
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POR José Pires

sábado, 26 de junho de 2010

O Twitter que calou o melhor tuiteiro da política

A crise na campanha tucana começou de uma forma que parece piada. O senador Sérgio Guerra, coordenador de campanha de Serra, resolveu passar um segredo para o ex-deputado, cassado ainda por cima, Roberto Jefferson.

Jefferson detonou a bomba anteontem e se assumirmos a paranóia que este momento propicia, seu comportamento desde então dá a impressão de que ele entrou na campanha do Serra a mando do Lula.

Neste drama eu gosto bastante da perspicácia do senador Guerra. Ele tinha na mão uma questão de grande importância estratégica na campanha, algo do maior sigilo e deve ter pensado de imediato: "acho que vou passar essa notícia para o Roberto Jefferson. Mas preciso avisar que é segredo".

Bem, Guerra deve ser novo no Brasil. Jefferson colocou a novidade no Twitter, numa tarde em que ele estava mais embaladão que de costume. Pelo que dá para entender nos posts, o ex-deputado e presidente do PTB estava passeando de moto num giro de motociclistas pelo interior de Minas Gerais. Na sua página ele se apresenta com “advogado, Presidente do PTB, cantor amador e motociclista”. A maiúscula em Presidente é dele.

Estava uma tarde animada — “Céu azul anil, com nuvens carneirinho branco”, escreveu ele. Jefferson acelerou legal. Ainda menos que motorista, motociclista não pode beber, é claro, mas as tuitadas que ele foi dando durante a viagem dão a impressão de que algum estimulante ele deve ter botado pra dentro. Ou foi o vento da estrada entrando pelo nariz, coisa que oxigena o cérebro de um modo alucinante.

Uma tuitada que ele deu, definindo sua categoria. A dos motoqueiros, não dos políticos: “Tal mulher, tal moto. A mulher dos harleyros são baixas e encorpadas. As dos bmw são altas e esguias. Na rua ou em casa a montaria e igual”. Como conceito em uma eleição com duas mulheres como adversárias e na qual o voto feminino deve ser definidor, um pensamento desses vem bem. Para o adversário, é claro.

Jefferson estava impossível, com o perdão da redundância. Outra tuitada, que está repercutindo bem entre os adversários até agora foi quando ele escreveu que "O DEM e uma merda!!!”. Logo depois pediu desculpas no próprio Twitter, dizendo que não era para ser publicado. Seria só uma resposta para outro tuiteiro. Ou seja, ele acha mesmo que o aliado é aquilo que ele tuitou.

Tem muito mais coisas em sua página. Foi um dia bem agitado e Jefferson escreveu bastante. Algumas notas podem criar muitos problemas para Álvaro Dias em suas bases paranaenses. O senador cuja escolha para o vice deu neste barulho todo terá muito que explicar para seus eleitores. As tuitadas de Jefferson para Dias são só elogios, o senador chega a ser chamado de “irmão”.

O Twitter de Roberto Jefferson deve ter “bombado” de acessos, como se diz na internet. Porém, o que ele fez ontem acabou calando exatamente o Twitter de maior sucesso no meio político e um dos mais acessados na internet: o de Serra.

Serra não posta nada desde a madrugada do dia 24. Depois disso só deu Jefferson no Twitter. Talvez não dê para chutar o petebista da aliança, afinal hoje em dia qualquer minutinho de horário gratuito na televisão é muito precioso. Mas será que não dá para tirar o Twitter da mão dele?
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POR José Pires

As raízes do que está aí

Faz tempo que sou da opinião de que tucano é um bicho político que dá cabeçadas demais. Não vou fazer um longo retrospecto das mancadas deste bicho, mas ficando apenas no período Lula, não posso deixar de lembrar que os homens que tem peso na campanha de Serra, como Jereissati e Sérgio Guerra, são os mesmos gênios da estratégia de esperar o poder de Lula desmoronar por si. O conceito foi até bem definido por eles — Lula iria “sangrar em praça pública”.

Com isso, na realidade, deram tempo para o presidente da República mais corrupto da nossa história (segundo um de seus próprios ministros) se recuperar. Por interesse particular ou de grupo, certos tucanos nunca tiveram na verdade a intenção de se opor verdadeiramente ao projeto de poder representado por Lula. Daí o fascínio deles por politicos como Antonio Palocci, cuja imoralidade comporta até os escândalos da mansão da República de Ribeirão Preto, um local onde se juntava a política sem ética e, talvez até, sem o uso de camisinha.

O que acontece é que o governo do PT sempre pareceu a esses tucanos um macaco muito útil na tarefa de tirar as castanhas do fogo para esses tucanos e os interesses empresariais por trás deles. E gente como Palocci atuava como firmadores desse tipo de compromisso.

Os dirigentes do PT nunca se opuseram a este conluio, mas o problema é que o projeto político do lulo-petismo tem que avançar. E feita a picada com a ajuda de amplo setor dos tucanos, a massa asfáltica que pretende perenizar este poder não comporta a democracia. Agora não há mais aquele espaço de “conciliação”. E será que políticos veteranos como Jereissati, Guerra, o Azeredo de Minas Gerais, e tantos outros tucanos que deram uma ajuda indireta ao projeto petista de poder pensavam que este lucrativo jogo iria ser para sempre?

Com os olhos fechados por compromissos quase que meramente financeiros, estes tucanos nunca compreenderam de fato o projeto do PT, com Lula à frente como simbologia da maior eficácia. Acho até que nesta história Lula não é tão determinante como parece. Não estou dizendo que ele é bobo, não. Seria loucura desconsiderar a inteligência de um patife que consegue representar tão bem até o papel de líder humano e bondoso. O que digo é que não há exatamente um "lulismo" bancando este projeto. É bem mais que isso. A grande capacidade do grupo de poder em torno deste projeto foi a de ter entendido bem rápido, lá atrás, o que este homem representava dentro do que pretendiam.

Isso não é nenhuma novidade. Uma das razões dos tucanos não entenderem o que está à sua frente é que se ocupam do Buarque errado. Ficam no Chico, quando quem revela o nó político da nacionalidade que favorece políticos como Lula é outro Buarque, o Sérgio Buarque de Holanda. Lula não leu evidentemente "Raízes do Brasil", mas ele e seus companheiros usam e abusam de todos os defeitos brasileiros muito bem detectados neste livro até profético.
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POR José Pires

Criando crise por conta própria

Como eu dizia, tucano é fogo. É provável que a maioria desses bichos tolos tenham acordado. Ainda que meio tarde, políticos tucanos dão a impressão de que começam a entender que a eleição deste ano pode ser o fecho para o encaminhamento de um modelo parecido com o que Hugo Chávez implantou na Venezuela. No DEM parece que isso também acontece, mas ocorre que muitos tentam se contrapor a isso com truculência no discurso e acabam é fazendo o jogo deste projeto autoritário.

Agora os tucanos dão a impressão de terem entendido o que se passa, mas não conseguem encontrar unidade política para pôr a caminho a ação prática para interromper este projeto autoritário: eleger José Serra.

Serra é um dos políticos brasileiros que sabem muito bem o risco que corremos, até porque ele conhece bem a tigrada da esquerda. Afinal, não faz tempo que todos dançavam juntos na mesma gafieira paulistana.

A crise do vice de Serra, absurda e completamente idiota porque foi gerada pelos próprios tucanos, comprova muito bem esta dificuldade política. A coisa é tão idiota que até parece que a coordenação de campanha de Dilma Rousseff está dando uma mão para Serra. Só falta alguém começar a fazer um dossiê.

Penso que deviam mudar os símbolos e a realidade política dos Estados Unidos por ajudar muito na escolha. Os Democratas deviam usar o elefante, que nos EUA é símbolo do Partido Republicano, que é mais a cara dos Demos. E o PSDB, que é na verdade o Partido Democrata, devia trocar o tucano pelo burro usado lá pelos republicanos.

Mas voltemos aos nossos tucanos, este bicho político difícil de se lidar, e o paquidérmico DEM, um partido cuja inabilidade política está na própria reformulação marqueteira de seu nome, que passou de PFL para DEM, uma sigla que lembra DEMO num eleitorado que ou é católico ou crente. Um gênio o marqueteiro que bolou essa sigla.

Mas é lamentável que os dirigentes (demistas, demoníacos, dementes?) que aprovaram não percebessem que foi era um marqueteiro petista.

O partido que como uma grande contribuição política neste ano de eleição trouxe os panetones de sua liderança nacional, o governador cassado Arruda, bate o pé para ter voz em um projeto político de governo que, se vitorioso, terá um trabalhão danado para consertar os desastres infraestruturais do país e ainda agüentar o clima de guerrilha que será imposto pelos derrotados.

Seja qual for o desfecho desta crise, o que fica é um excelente material de campanha. Para a campanha da candidata do Lula, bem entendido.
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POR José Pires

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Notas falsas como notas de três reais

A cobertura dessas eleições pela imprensa brasileira segue na mesma linha das outras eleições. O noticiário carece muito de profundidade. Investem demais na fofoca, num diz que diz que preenche espaços com informações vazias, um material que perde o sentido de um dia para o outro nos impressos e, na internet, muitas vezes não chega a durar nem uma hora.

O jornalista publica a nota e dali a pouco vem um desmentido. Como o que foi escrito não tem base substancial, fica uma versão contra a outra. E aí é de se perguntar se o profissional cumpriu a função já que, na prática, o leitor é que tem que se virar. Mas o problemas mesmo é para quem só viu a nota sem o desmentido. Então fica com um lado só. O da nota que muitas vezes é plantada desavergonhosamente.

Esse tipo de notícia costuma se transformar em correntes repassadas por e-mail pela internet. Às vezes pode até parecer bem divertido quando isso atinge pessoas ou partidos realmente de má qualidade, mas este é o tipo de procedimento que deve sempre ser criticado, pois é uma bomba que atinge qualquer alvo. No final, perdem todos, porque a própria credibilidade das informações vai sendo gradativamente desmoralizada.

Querem um exemplo. Vejam uma nota publicada hoje por Monica Bérgamo em sua coluna na Folha de S. Paulo e republicada pela internet afora. Eu poderia pegar vários outros exemplos, mas fiquemos com este porque toca em figuras exponenciais da nossa política e também prejudica diretamente o esforço de milhares de pessoas envolvidas numa campanha política. Vai na íntegra.

"Fernando Henrique Cardoso confidenciou a interlocutor de sua mais absoluta confiança recentemente que tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de José Serra (PSDB-SP) vencer a eleição presidencial. "E olha que estou tentando ajudar", disse o ex-presidente, atualmente em tour pelo exterior - com retorno previsto para o dia 2."

É impressionante que um profissional digite tal coisa. A nota traz até uma declaração aspada do ex-presidente da República. Segundo a jornalista, ele falou isso para um "interlocutor".

Bem, FHC não nasceu ontem nem anteontem em política. É o decano dos decanos, até porque além de fazer, política também sempre foi seu objeto de estudo. E o ex-presidente também já disse em entrevistas antigas que sabe muito bem como funciona este negócio do "interlocutor" que repassa falas de pessoas importante para jornalistas.

Ele disse que quando foi presidente conversava com certos políticos em seu gabinete e logo saiam notícias sobre o que falaram na reunião. Muitas vezes o que saía era só coisa da cabeça do "interlocutor", invenções para se favorecer ou para fortalecer os laços pessoais que todo político gosta de ter com jornalistas. FHC disse também que sabia perfeitamente de quem vinha essas notas plantadas.

Então, das duas uma. A nota da Folha não é verdadeira ou FHC está plantando uma notícia contra o candidato de seu partido, o seu amigo Serra. Nem vou discutir muito a primeira hipótese e a segunda a gente mata propondo uma pergunta bem absurda e cuja resposta é óbvia: FHC estaria gagá? Sim, porque se ele estivesse plantando notícias para ajudar Dilma Rousseff a vencer esta eleição ele só poderia estar caducando.

Não é respeitável profissionalmente escrever algo assim. E um jornal publicar é ainda pior, pois então poderíamos, dentro desta linha, propor uma enormidade de notas deliciosas para a Folha. Vamos fazer uma? Lá vai.

"O presidente Lula confidenciou a interlocutor de sua mais absoluta confiança recentemente que tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de Dilma Roussef (PT-RS) vencer a eleição presidencial. "E olha que estou tentando muito ajudar", disse o presidente."

Ficou bacana, não? É até mais verossímil que a nota da Mônica Bergamo, porque todos sabem que Lula está mesmo tentando muito ajudar sua candidata. Mas é totalmente falsa. Não gosto de jargão, mas aqui vale o manjado da nota de três reais para as duas notas.

Além da falta de substância dessas duas notas, de nada de real que sustente o que Monica Bérgamo escreveu e o que foi parodiado por mim, existe também um jogo desleal com que tem responsabilidades que possam ser afetadas por esse tipo de jornalismo. A pessoa só tem duas possibilidades (novamente duas, é o jornalismo do é preto ou branco): ou deixa como está e não fala nada, o que é um problema porque fica a versão; ou desmente a nota, o que renova o assunto.

Quem ganha com isso é o jornalista e só ele. Ou posa de bem muito bem informado porque não houve refutação ou ganha outra nota com um teor parecido, renovando um assunto onde ele se destaca como possuidor agora de duas fontes importantes, o tal "interlocutor" e o ex-presidente FHC.

E o leitor, como fica o leitor, certamente deve estar perguntando... o leitor. Bem, eu e você, nós todos que somos leitores, perdemos como sempre. E duplamente de novo. Ficamos sem informação e também perdemos o nosso tempo.
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POR José Pires

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sem medo de ser sexista

“52% da população [no Brasil] somos mulheres, e os 48% restantes são nossos filhos (…). Lula tem muita sensibilidade com este tema e foi criado por uma mulher forte”. É frase de Dilma Rousseff, em entrevista ao jornal espanhol El País.

Bacana isso. Deve ser uma tática para mudar a imagem do Brasil lá fora, onde somos conhecidos como paraíso sexual. Com ela na presidência da República seremos um paraíso sexista. A argumentação, porém, é bastante arriscada. Os estrangeiros podem pensar também que por aqui praticamos incesto.

A tática óbvia é de seduzir o eleitorado feminino, onde a candidata do Lula, tem uma grande rejeição. O argumento é simplista e também sexista. O raciocínio faz entender que o fato de ser mulher conferiria uma qualidade extra à Dilma. É nessa hora que a candidata deve lamentar de não ter nascido pobre e negra. Bem, mas a candidata Marina Silva anda usando esta argumentação, apesar de que negra mesmo, Marina só é pelos padrões dos Estados Unidos.

Mas voltemos à lorota da Dilma. Bem, mas então porque o PT não lançou a Benedita da Silva como candidata à presidência da República? Ela tentou crescer na política exatamente com a demagogia de "mulher, negra e favelada", slogan de sua campanha ao governo do Rio em 2002. Antes, havia sido vice de Anthony Garotinho, que definiu a vice e seus companheiros como adeptos do Partido da Boquinha.

O plano parecia perfeito em um estado coalhado de favelas e com uma grande população de negros. Porém, com esse slogan perdeu feio ainda no primeiro turno. Logo depois pegou uma boquinha no governo Lula, mas não deu certo mesmo assim. Esteve encalacrada em várias denúncias no primeiro mandato de Lula, quando foi ministra da Ação Social.

É lembrada apenas pelos rolos, inclusive viagens particulares pagas com o dinheiro do contribuinte. Foi um dos petistas que caíram rápido do cargo.

Sua última aparição no plano federal foi nos pultimos dias, quando sua candidatura ao Senado virou moeda de troca na banca eleitoral petista. Foi obrigada a entregar a vaga na negociação que o PT fez no estado para fortalecer a candidatura de Dilma. Mas, espera aí, como mulher, negra e favelada ela não devia merecer um respeito especial por parte do companheiro Lula?
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POR José Pires

Reescrevendo a história

Esse tipo de argumentação da esquerda é tão idiota que, historicamente, poderia satanizar uma figura exemplar como Joaquim Nabuco, um dos mais importantes líderes abolicionistas e uma das figuras mais impressionantes da história brasileira. Nabuco era branco e filho da elite baiana. Um homem muito rico dotado de uma sensibilidade política como houve em poucos políticos brasileiros e também de uma formidável capacidade intelectual, o que aí faz dele uma raridade na vida pública brasileira.

Por um pensamento raso como este, Nabuco seria excluído da nossa historiografia. E não é isso que setores influentes do movimento negro acabam fazendo? Não só reescrevem a história, como inventaram uma tal de "cultura africana", conferindo a um imenso continente uma unidade que só existe em suas cabeças.

É pensando pequeno assim que tentam dar a Zumbi dos Palmares o peso que ele nunca teve de fato na libertação dos escravos no Brasil. Aliás, o que se sabe é que o próprio Zumbi possuia escravos em Palmares. Mas ele não deixa de ser o herói ideal para quem pratica o reducionismo histórico. Como se sabe pouquíssimo do que ele fez de fato, é uma personalidade histórica que pode ser totalmente construída.

Com Nabuco é bem diferente. Sua história é muito bem conhecida, documentada até por ele próprio em livros muito bem escritos. Seu peso em nossa história é indiscutível, assim como a importância que teve para o fim da escravidão. Mas o coitado do Nabuco não nasceu negro e pobre.

Poderíamos perguntar também aos petistas se a Margareth Tatcher se enquadra no conceito que eles trazem agora para a campanha. E Condoleezza Rice, a mão de ferro que foi secretária de Estado de Bush? E Sarah Palin, a companheira de chapa do republicano John McCain, que entrou na campanha para jogar sujo contra Obama?

Palin se descrevia como uma dona de casa norte-americana típica, "hockey mom", como se diz por lá. A afirmou e provou que entre uma ''hockey mom'' e um pitbull só existe uma diferença: o batom.

Tem outro problema. Se cumprido à risca, o argumento deve levar os petistas gaúchos a votarem na candidata tucana Yeda Crusius para o governo do estado.

Dá para citar centenas de outros exemplos que provam que a argumentação de Dilma é mais uma de suas besteiras. Não que alguém inteligente tivesse dúvida sobre isso, mas a ocupação do mercado de trabalho pelas mulheres provou duas coisas muito importantes.

Primeiro que a mulher é apta para ocupar qualquer função antes destinada praticamente só aos homens. Desde que não seja descarregar saco de soja de caminhão, mas para isso eu e milhares de outros homens também não somos aptos. Outra comprovação é que o fato de ser mulher não agrega qualquer capacidade diferencial à mulher no trabalho em seus aspectos técnicos e éticos. Até em assuntos em que a sensibilidade e o intelecto são definitivos as diferenças são bem menores que os racistas e sexistas propagandeiam. Quem acredita em "literatura feminina" está com graves problemas de leitura.

A idéia não era a de que somos todos iguais? Acreditar que um sexo ou outro tem esta ou aquela capacidade extra é só sexismo. Tem gente querendo fazer disso um conceito de qualidade, mas é mesmo só coisa de marqueteiro. Mas tem que tomar mais cuidado com as frases. Ou vão começar a pensar que o Brasil é um país de proveta.
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POR José Pires

sábado, 19 de junho de 2010

Isso é que não é

Publicidade boa só não basta. Todo mundo pensa que a Coca-Cola se impôs mundialmente apenas pela propaganda. É um grande erro de avaliação. Não bastaria a empresa investir tanto em propaganda, algo forte em sua estratégia desde que começaram a fazer o xarope preto, se eles também não fossem bons em logística. Claro, a propaganda lembra o produto,incentiva a comprar, mas o consumidor tem que ter à mão a garrafinha em qualquer lugar, no centro de São Paulo e numa biboca gaúcha, nordestina, enfim, em tudo quanto é canto.

Uma das melhores propagandas atuais ligadas à Copa do Mundo é um banner publicado em vários sites, sempre nas seções de esporte. Uma chamada pede que o leitor leve os jogadores Ganso e Neymar para a África do Sul arrastando suas figuras com o mouse. Feita a ação, um texto diz que o Ganso e o Neymar estão acompanhando a Copa pelo speedy, da Telefônica.

Boa sacada. A ótima criação exige a interação do internauta e usam para isso as duas estrelas mais citadas atualmente, exatamente porque os dois não foram convocados. E o mote, é claro, é a ausência dos dois.

Mas, coitados do Ganso e do Neymar, além de serem esnobados pelo Dunga ainda têm que acompanhar a Copa pela Telefônica... A empresa é famosa por deixar os internautas na mão e está sempre em primeiro lugar nas reclamações de consumidores. Espero que não dê pau na conexão exatamente na hora do jogo.
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POR José Pires

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Leão azarado

A situação da seleção da Inglaterra nesta Copa do Mundo está péssima. Empatou de zero a zero hoje à tarde com a Argélia, algo que espantou até o técnico argelino. "Pensava que os ingleses eram melhores", ele disse. Bem, é que ele não sabe o que nós sabemos.

A Inglaterra era um dos times mais favoritos e agora divide a segunda colocação com os Estados Unidos, com um problema: os norte-americanos levam vantagem na contagem de gols. Parece incrível, mas os ingleses fizeram apenas um gol até agora. Na semana que vem terão que jogar muito para não voltarem bem cedo para a ilha. E terão que ter um santo forte para vencer o desafio da próxima semana.

Mas será difícil. O time deve estar muito por baixo psicologicamente com esta maré de azar. Teve o frangaço da primeira partida e até trocaram de goleiro. E o Lampard, ah, o Lampard... bem, o Lampard era uma esperança para o time e esta copa poderia ser aquela na qual ele mostraria suas qualidades de craque. Mas ele acabou não jogando nada nas duas primeiras partidas.

Que urucubaca, não? E tudo por uma imprevidência impressionante do Felipão.
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POR José Pires

Foi-se o Saramago

Soube da morte do escritor José Saramago e me veio logo à cabeça uma situação muito engraçada e não é porque ele é português, não. Saramago talvez seja o último comunista de Portugal, o que até parece piada, mas não é sobre isso que me veio a idéia engraçada.

O escritor era ateu empedernido, desses bem duros mesmo. Então fiquei aqui pensando como seria se depois de morto ele descobrisse que estava errado e que Deus existe mesmo. Puxa vida, iria ser uma decepção maior para o Saramago que aquela que ele teve quando o Fidel Castro mandou fuzilar os oposicionistas que seqüestraram um barco para fugir para os Estados Unidos.
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POR José Pires

A fujona do PT

Dilma Roussef acaba de se recusar a participar de mais um debate. Alegando que “não tem agenda”, ela não aceitou o convite da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) para a sabatina entre os presidenciáveis que será realizada no próximo dia 1º de julho.

A candidata do Lula está repetindo o que o chefão fez na eleição passada. Todos se esquecem, mas Lula evitou qualquer debate no primeiro turno em 2006. Obviamente é uma atitude de desrespeito às regras da democracia e um desprezo ao direito do eleitor de se informar com profundidade para votar melhor. Bem, vindo do PT não há nisso nenhuma novidade, mas os acontecimentos mostraram que ele estava correto em sua estratégia.

Mesmo evitando qualquer evento público com outros candidatos, teve que enfrentar um segundo turno. Isso significa que se ele tivesse que explicar maracutaias como o mensalão, além de ouvir pessoalmente críticas à incompetência administrativa de seu primeiro mandato, a história poderia ser outra.

Mas o fato é que mesmo fugindo da discussão, Lula foi obrigado a enfrentar um segundo turno. Mesmo não tenho enfrentado candidatos de peso naquela eleição.

O plano dele era ganhar a eleição no primeiro turno, como um projeto de consagração pessoal e como meio de apagar o recorde de seu adversário, Fernando Henrique Cardoso, que o derrotou duas vezes no primeiro turno.

Por razões parecidas, Dilma segue uma estratégia parecida. No caso da candidata, a fuga premeditada é para evitar a exposição da falta de conteúdo e da sua extrema dificuldade para se expressar. Dilma não pode se expor porque não fala coisa com coisa. E haja viagens para a França para que o eleitor não descubra que onde Lula afirma que tem um às, na verdade ele joga é com um blefe.

E é esta a candidata que faz propaganda de que “não foge à luta”... Imaginem se fugisse.
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POR José Pires

Tour europeu

A imprensa brasileira atende às pautas criadas pelos políticos com uma facilidade que chega a ser constrangedora. Os jornalistas foram à Europa atrás de Dilma Roussef, quando deveriam ter ficado por aqui e explicado a seus leitores o que é que a candidata de Lula foi fazer na Europa.

Dilma viajou para criar um factóide. E os jornalistas foram ajudá-la em vez de se concentrarem no que realmente importa.

A coordenação da candidata do Lula sabe que um dos problemas mais sérios deles nesta eleição é a falta de conteúdo de Dilma. Por isso inventaram esta viagem, que serviu também como pretexto para ela fugir de uma sabatina promovida pelo UOL e pela Folha de S. Paulo.

Dilma fez uma visita ao presidente da França, Nicolas Sarkozy. Ah, dirão alguns, então a viagem tem mesmo que ter cobertura da imprensa, pois ela até foi recebida pelo Sarkozy. Bem, dá para notar o constrangimento do presidente da França, mas o que ele poderia dizer quando pediram o encontro. Não podemos esquecer que ele tem um negócio de uns aviõezinhos para acertar com o governo do chefe da Dilma, são 36 caças ao custo unitário de 96 milhões de euros. O acerto prevê ainda a compra de submarinos e helicópteros num total de 8,5 bilhões de euros.

É um constrangimento esse tipo de pedido, mas o PT já deve ser um partido famoso por este método nos bastidores da política internacional. Como é que Sarkozy poderia recusar um pedido feito por clientes tão especiais?

— Quem está aí? Dilma? Ah, a candidata do Lula! Manda entrar e abra aquele champanhe.

Porém, depois do encontro Dilma teve que dizer aos repórteres sobre a conversa que teve com Sarkozy. E aí o plano falhou. Qualquer plano marqueteiro dá chabu no momento em que a candidata petista tem que agir pessoalmente. Por isso mesmo, é que sua coordenação de campanha tem recusado todos os convites para debates entre os candidatos e até para eventos com questionamentos do eleitor. Vejam o que Dilma disse aos repórteres.

“Muito gentil… Sobre a parceria estratégica entre o Brasil e a (pausa) França, sobre o fato de que, é…, nós temos, ao longo dos anos, evoluído cada vez mais pruma parceria em várias áreas; destaque: pra… pro setor de… de… pro meio ambiente.”

Se é tão absurdo e até constrangedor na transcrição, no vídeo é bem pior. É certo que candidato algum teria qualquer assunto objetivo para tratar com o presidente da França. Se aqui as instituições responsáveis pela vigilância e punição desta mistura entre o Estado e as campanhas políticas, na França não há jeitinho que permita tais abusos.

Mas Dilma Roussef tem mesmo uma dificuldade imensa para expressar qualquer idéia simples. Não é a primeira vez que isso acontece e nem será a última, porque essa incapacidade não pode ser resolvida com algumas aulas com um marqueteiro. Não podemos esquecer que o chefe dela levou pelo menos vinte anos para aprender.

Mas o interessante é essa mistura entre o eleitoral e as atribuições do Estado, o que não só se permite no Brasil, como também a imprensa vai atrás.
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POR José Pires

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Armação no Twitter

Já estou vendo a hora em que o deputado André Vargas vai ser proibido pela coordenação de campanha de Dilma Roussef de usar o Twitter. O petista já andou aprontando, quando espalhou em seu Twitter um boato de que a TV Globo não divulgaria uma pesquisa para favorecer José Serra. É claro que a Globo deu os resultados e Vargas, rapidinho, eliminou as notas de seu Twitter. Mas teve este ato flagrado por gente que estava de olho no que ele escreve.

A mais nova de Vargas é um post sobre a campanha eleitoral no Paraná, onde o PT tenta criar uma situação que favoreça a candidatura da mulher do ministro Paulo Bernardo para o Senado.

O texto do petista em seu Twitter: "@deputadocaito Precisamos ter juizo nesta hora meu irmão.Podemos DAR A ELEIÇÃO PRO BETO se não armarmos a disputa adequadamente".

O Beto, a que ele se refere, é o tucano Beto Richa, prefeito de Curitiba que está a frente nas pesquisas. A gente sabia que o PT é um partido da armação, o que eles tem demonstrado muito bem nesta eleição, até com a volta de seus aloprados fazendo dossiê, mas deve ser a primeira vez que um deputado petista confessa isso publicamente. Ah, ainda vão tirar o Twitter desse companheiro.
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POR José Pires

Gaspari na marcação

Imagens de futebol aplicadas à linguagem da política não funcionam. Simplificam demais um assunto que, por mais que os políticos tentem puxar para o nível da sarjeta mental, exige raciocínio mais elevado. A política também não permite vitórias devidas à casualidades, como acontece com freqüência no futebol. Na política não tem morrinho na área. E, cá pra nós, para alcançar o morrinho na área, a bola tem que ser tocada pelo jogador o campo inteiro. E isso exige muita técnica.

Quem gosta de colocar o futebol na política, como uma simplificação do discurso é o presidente Lula. Mas isso faz parte de um jogo muito bem calculado. Porém, jornalistas deveriam evitar este artifício, mesmo que seja em tom de piada. Seria bom evitar também o uso excessivo de termos futebolísticos só porque estamos em período de Copa do Mundo. Muitos fazem isso, também vou fazer agora, mas prometo que é só neste post.

Talvez animado pelas vuvuzelas, Elio Gaspari resolveu se fazer de Lula hoje em sua coluna. E não foi como piada. É uma análise séria, pretensiosa. Pretendeu abarcar todo o desenvolvimento desta eleição até o momento. Gaspari tem dado seus chutões nesta eleição, mas desta vez foi de bico e de uma forma muito feia.

De início, cometeu uma falta que merece expulsão: esqueceu Marina Silva. Nem toca em seu nome. Não sei se Gaspari está no Brasil, mas mesmo que esteja fora, isso não é desculpa. Qualquer análise desta eleição que exclua Marina Silva não faz sentido algum.

Primeiro porque se guia por um quadro criado pelos institutos de pesquisa, que não são confiáveis como instituição e, mesmo que fossem, hoje não existe instrumento capaz de dar uma referência do que pensa o eleitorado brasileiro.

E depois, mesmo que o quadro atual seja mesmo este que os institutos de pesquisa divulgam, muita coisa vai mudar quando a eleição estiver de fato em pauta. E aí, Marina Silva fará a diferença. A única dúvida é se o prejuízo maior será de Serra ou de Dilma Rousseff.

Não vou abarcar aqui toda a análise feita por Gaspari em sua coluna. Ele é aquele tipo de jornalista que se encanta muito com a suposta habilidade com as palavras e, por vezes demais também, se ocupa mais com elas do que com o conteúdo. Não é à toa que a revista Veja tenha ele como um dos criadores de seu estilo.

Gaspari tem um problema antigo com os tucanos e com Serra também. Então, em qualquer jogo que tenha o Serra, em seus comentários ele sempre vai implicar com o estilo do tucano, mesmo que o adversário seja um perna de pau da política como Dilma.

E vou ficar só neste ponto, para provar que Gaspari mais uma vez tentou marcar um golaço e deu um chutão de pelada. Num trecho, Gaspari escreve o seguinte: “José Serra chegou ao jogo com a popularidade de Neymar e, em poucas semanas, passou a comandar uma campanha interessada em cavar faltas”.

O presidente Lula (meu nome é Dilma!) faz campanha ilegal desde o início do segundo mandato, usa a máquina pública de forma abusiva e desavergonhada, utilizou a mesma a máquina para brecar outras candidatura e até esmagar a de seu aliado Ciro Gomes, ainda fazem dossiês contra a candidatura tucana e... é o Serra que comanda “uma campanha interessada em cavar faltas”.

Acho que não é só o Galvão Bueno que precisa calar a boca, não é mesmo Gaspari?
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POR José Pires

Propaganda do Serra em campo

Que negócio é esse de 45 minutos de jogo numa Copa do Mundo disputada em pleno período eleitoral? Só não vê quem não quer que esta copa foi planejada para favorecer a candidatura do Serrra. E onde está o dilmista empedernido e ágrafo Marcelo Branco que não denuncia uma coisa dessas? É fogo, torcida brasileira.
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POR José Pires

terça-feira, 15 de junho de 2010

Bola pra trás

E então o país vai parar para ver um jogo entre nossa seleção e a seleção da... Coréia do Norte. Ah, sim, é também a oportunidade para conferir o resultado do trabalho de um técnico que de forma unânime é visto pelos torcedores como um profissional sem qualidade estética. É um técnico contrário à tradição brasileira de um futebol de qualidade, alegre, bonito de se ver e cuja respeitalidade foi toda construída neste estilo. Um técnico que tem até o apelido errado. É Dunga, quando deveria ser Zangado.

É curiosa esta prática brasileira de destruição dos valores que até agora deram qualidade ao nosso país. Isso tem sido feito com a nossa música, uma das marcas da respeitabilidade internacional do Brasil. Que o país que criou a bossa nova tenha seus ouvidos dominados agora por sertanejos bregas, axés e outras porcariadas, é não só a marca de um povo que nivela sua cultura por baixo, mas também é perda econômica e de respeitabilidade.

Uma cultura de qualidade é tudo na vida. A música, a pintura, a literatura, o teatro, o cinema, são essas habilidades que no fazem um país. É por meio dessas ferramentas que o ser humano se compreende, se revela, se aprimora. E avança, criando belezas que vão repercutir diretamente em todas as outras ações. Uma boa cultura eleva diretamente todos os outros valores.

Alguém acha que Brasília sairia do papel com outro som ambiente que não fosse o da bossa nova? Não, dificilmente um axé ou um breganejo estaria aliado a qualquer inovação arquitetônica e urbanística. O Brasil é dominado cada vez mais por uma cultura que estimula no máximo a distribuição de camisinha.

O futebol era a última fronteira dos desmatadores da vigorosa cultura brasileira. E pelo que se vê em campo, estão fazendo uma destruição bem parecida com o que foi feito nas artes. E o que foi feito com essas outras manifestações mostra que fica um deserto por onde eles passam.

É óbvio que se a visão de um Dunga tivesse sido definidora do futebol brasileiro nestes anos todos dificilmente o Brasil teria alcançado tantas vitórias e, mais que isso, a respeitabilidade de um estilo que é reverenciado até hoje, apesar de ser apenas um suporte histórico já que em campo os jogadores são até impedidos de expressar qualquer alegria.

Nunca vamos saber a composição certa entre razão e criatividade para que algo fique bom. Que seja prático sem perder o sabor, a beleza estética, a alegria. Essas coisas é como tempero na comida, vão na pitada e cada um sabe o ponto certo para não desandar. E gente como o Dunga desequilibra muito esta receita. Tira a alegria, salga demais, elimina a criatividade onde este é o tempero essencial.

Um jogo como o de hoje deve ficar bem caro para os brasileiros. O dia praticamente ficará parado. Andando lentamente pela manhã e a partir do meio-dia com os negócios e o trabalho parados totalmente.

Se for feita a conta, certamente o custo de um desses deve espantar até o mais fanático torcedor. E o preço dessa entrada fica ainda mais alto, quando o que temos é uma seleção pela qual se torce mais por obrigação. E, além disso, temos um time que joga contra o que foi construído até agora no futebol brasileiro. Dessa forma, até uma vitória pode ser um resultado que no final virá desfavorecer a marca brasileira no futebol mundial.
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POR José Pires

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Inglaterra pode estar na lista do pé-frio do Planalto


Estou preocupado com a Inglaterra. Não estou falando da crise econômica que assola a Europa: o assunto continua sendo futebol. Faz tempo que a seleção inglesa não vem bem e esta Copa poderia ser a chance de redenção do time da terra que inventou o futebol.

Mas não é o que vem acontecendo. Os ingleses já ficaram marcados nesta Copa pelo terrível frango do goleiro Green. É claro que um acontecimento terrível deste logo no jogo de estréia faz muito mal para qualquer time.

É um problema a mais para uma seleção que já vem não vinha bem antes mesmo de embarcar para a África do Sul. Os britânicos já haviam tido complicações que derrubaram seu capitão, o zagueiro John Terry, que perdeu o posto por causa de um escândalo sexual criado pela relação extraconjugal com a ex-namorada do lateral-esquerdo Wayne Bridge, também da seleção inglesa. Antes disso, a maior estrela da seleção, David Beckham, teve que se submeter a uma cirurgia por causa de uma ruptura no tendão de Aquiles. Agora assiste os jogos do banco.

Até aí, pelo menos o mal-estar poderia ser creditado em boa parte à irresponsabilidade do zagueiro Terry, mas acontece que o novo capitão, o também zagueiro Rio Ferdinand, acabou machucando o joelho durante os treinos e teve de sair do time.

E agora na estréia a seleção inglesa não foi nada bem e ainda teve o frangaço do goleiro Green. Com tanta adversidade acontecendo dessa forma no terreno da casualidade, até o desportista mais cartesiano, se é que isso existe, estaria fazendo toc, toc, toc na madeira mais alto que uma vuvuzela.

E pela imagem acima, dá para perceber a razão do meu temor. É algo que já deveria estar sendo devidamente administrado pelos britânicos. A foto é da visita do técnico Felipão ao pé-frio do Planalto em fevereiro do ano passado. Na época ele era técnico do Chelsea e é claro que logo depois da visita foi demitido do cargo.

Esta foi apenas mais uma desgraça da lista do apedeuta azarento. Mas na visita Felipão ainda cometeu a imprevidência de presentear o seca-pimenteira com a camisa de logo quem? Pois é, de Frank Lampard.

Alguém até pode dizer que finalmente o cara secou o time certo, mesmo a Inglaterra não sendo uma Argentina, mas a gente precisa ter espírito esportivo, não? Será que é correto usar uma arma forte como o pé-frio do Lula para ganhar uma Copa do Mundo? Creio que neste caso até a mão do Maradona é mais honesta.

Vejam o que eu escrevi na ocasião, a propósito da entrega da camisa de Lampard ao espalhador de inhaca. Sempre preocupado com o destino do rude esporte bretão, afirmei o seguinte: “Eu, se fosse esse cara, o Lampard, fazia logo um baita seguro de vida. E ficava em casa. Parava de jogar futebol. Não atravessava rua de jeito nenhum”.

Ainda continuo preocupado com Lampard, é claro, mas tudo indica que a má-sorte foi definitivamente transmitida à seleção da Inglaterra quando o cold-foot (é assim em inglês?) pegou nas mãos a camisa oito do craque inglês.
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POR José Pires

A vuvuzela no contexto global

O assunto é vuvuzela. Vejo nos sites e nos jornais que só se fala nisso. Devem estar fazendo mesas redondas para o debate do assunto. Já deve até existir especialistas em vuvuzela, talvez até diplomados, já que o nosso sistema universitário é rápido nessas coisas. Será que já perguntaram para o Caetano Veloso o que ele acha do assunto?

Felizmente estou fora disso. Nem a insônia faria eu me interessar por futebol. Por isso tive até que ir atrás de um vídeo na internet para ouvir este novo instrumento musical. Afinal, quando um assunto tão importante quica entre os sites e blogs, não há como resistir a um chutão para gol. E tem também a minha conhecida dedicação aos meus leitores, coisa que faço de coração, sem sequer pensar em boquinha na TV Brasil ou empréstimo facilitado no BNDES

Nos anos 80, já muito chateado com o relativismo cultural dos politicamente-corretos, o escritor Saul Bellow saiu com a melhor tirada, uma frase implacável para matar o assunto. “Me mostrem o Tolstoi dos zulus”, ele disse.

Não tem, é claro. Não sei se Bellow tem os olhos azuis, mas isso me parece preconceito e até sacanagem com a Nadine Gordimer. E também pode não ser por aí o caminho da redenção do políticamente correto. Schönberg inventou o sistema de doze sons, quem sabe um sul-africano não teria concentrado esta revolução em um ou dois sons e feito uma subtração genial para os nossos ouvidos?

Ouvi finalmente a vuvuzela e já posso até participar da discussão. É provável que, logo mais, tenhamos seminários sobre o assunto. Talvez até com patrocínio da Petrobrás. Quem sabe não me chamam para dar a minha contribuição ao momentoso tema? Nâo seria bacana eu, o Diogo Mainardi e o ex-ministro Armínio Fraga discutindo a vuvuzela?

Nessas coisas a gente sempre sente falta do ex-ministro Gilberto Gil e sua vasta cultura, para situar intelectualmente a vuvuzela na relação intrínseca e indistinguível, senão num plano astral e prático dentro desta relação vis-à-vis das culturas, nos variados traços semânticos que a cultura permite, entende?, e que criam os laços intermitentes das camadas que ligam, como a magia do genoma que integrou todos os DNAs, entende?, estas variedades do ser e estar no âmbito global, entende?, as várias faces que acabam refratando o organismo polimorfo que compõe a cultura do humano, entende?, nesta contínua e matizada busca das várias interfaces dos sons, numa visão quântica do espaço sonoro que interliga os povos, entendeu agora?

É preciso aprofundar o assunto para chegar numa resposta concisa: esta porcaria não é aquela mesmo corneta de plástico usada durante pelos torcedores para encher a paciência do próximo? É o que me parece. Ou uma variação daquele tormento idiota.

Pensaram até em proibir a vuvuzela, que estaria interferindo na transmissão dos jogos da Copa. E aí espero que o governo Lula tome logo uma posição e até resolva este assunto, já que a expressão internacional que o nosso país alcançou com a nova diplomacia lulo-petista permite solucionar questões desta amplitude. Um olho no olho pode salvar a vuvuzela.

A proibição seria uma intromissão indevida em assuntos internos de um povo, coisa que o Brasil não pode permitir. Proibir a vuvuzela seria algo como condenar Ahmadinejad por espancar oposicionistas e adúlteros em praça pública ou pendurar homossexuais pelo pescoço em altos guindastes e forçar as mulheres a ficarem caladinhas. Isso é parecido também com a proibição dos hondurenhos ao democrático desejo da reeleição de Manuel Zelaya.

Acho até que esta proibição atende somente ao interesse de torcedores de olhos azuis do primeiro mundo. Eles estão morrendo de inveja da vuvuzela, só porque os sul-africanos conseguiram criar a torcida mais chata da história do futebol mundial.
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POR José Pires

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Sintonia internacional

Juntar notícias é sempre um exercício interessante e, mais que isso, é bastante esclarecedor. Ontem o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, deu sua opinião sobre as sanções contra o Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Garcia criticou o governo Obama e desprezou as sanções. Sobre isso, ele disse o seguinte: "Se o objetivo disso era frear o programa iraniano, para fins pacíficos, ou para qualquer fim, vai dar exatamente o contrário".

Pois hoje o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, também criticou as sanções nos seguintes termos: "Eu penso que o presidente Obama cometeu um grande erro. Ele sabe que a resolução não terá efeito".

Os dois discursos são tão parecidos que a gente até poderia pensar que houve alguma combinação, mas, ao que consta, Garcia é assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, mas apenas no Brasil.

A menos que o assessor do Lula esteja fazendo uns bicos pra fora. Mas acho que isso nem é permitido legalmente, não? É provável que a afinação entre os discursos seja mesmo apenas coincidência.
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POR José Pires

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A violência "municipal"

O crime que aconteceu na Paraíba vitimando um jornalista é uma mostra de duas questões muito interessantes da nossa política, ambas interligadas, e de expressiva força simbólica.

O jornalista Gilvan Luiz, que faz oposição ao grupo político que detém poder local, foi seqüestrado e torturado em Juazeiro do Norte, Ceará. São acusados do crime dois guardas municipais que trabalham como seguranças do prefeito Manoel Santana. O prefeito é do PT.

O PT metido num assunto como este é de grande peso simbólico, vem como um fechamento do modelo político petista implantado em todo o país. Só podia dar nisso e a tendência é que até piore.

O prefeito suspeito do crime é figura conhecida do Diretório Nacional do PT. Tanto que há poucos dias Dilma Roussef cancelou uma visita à famosa estátua do padre Cícero, localizada em, Juazeiro, só para não ser fotografada ao lado do correligionário. E foi só isso que ela e seu partido fizeram.

Outro dado curioso é o da tal “guarda municipal”. Esta novidade brasileira, quase uma das nossas jabuticabas, tem sido a grande panacéia vendida em comícios como solução para o problema da segurança.

Quando surgiu a idéia lá atrás, há pelo menos vinte anos, cravei o bingo: vai acabar como um corpo de sicários do governo local.

Coloquei a foto da vítima no blog, porque este tipo de imagem mostra bem a gravidade do crime. E o site Miséria, do Ceará, onde peguei a foto, publica várias notícias de crimes que acontecem por lá. Tem a mulher que foi queimada viva no quintal e cujo assassino confesso está solto. As duas moças assassinadas, uma delas amordaçada e queimada viva, a outra com os dedos decepados, crime tido como passional e com o autor intelectual respondendo em liberdade.

Não é nada diferente do que acontece em várias cidades do interior deste país de PIB chinês. E nestas cidades é que estão instalando guardas municipais.

O raciocínio que criou esta excrescência bem brasileira, um tipo de solução que torna ainda pior o problema que a originou, é bem doido. As polícias civil e militar, mais a Federal, todas interligadas com a Interpol e contando com a ajuda do Exército Brasileiro em casos de emergência, não dão conta do problema da segurança. Então vamos criar uma polícia militar.

Dá vontade até de nem comentar nada, mas dessa forma para quê estaríamos aqui? A idéia da polícia municipal é uma variante bem perigosa de outra panacéia, a das Ongs. Querem ver, como é? Bem, a Receita Federal, o TCU, o Ministério Público, a Justiça Estadual e a Federal, mais as câmaras de vereadores, assembléias estaduais e o Congresso Nacional, essas instituições todas e mais algumas não dão conta do problema da corrupção. Então que tal a gente criar uma Ong?

O problema é que a guarda municipal lida diretamente com a integridade física do cidadão. É a institucionalização do drama previsto por Pedro Aleixo na época da edição do AI-5, num 13 de dezembro de 1968, o do poder discricionário na mão do guarda da esquina. E este guarda da esquina de agora tem como chefes o prefeito e seu grupo político.

Ah, mas hoje vivemos numa democracia. Ora, se não fosse a máquina de propaganda do lulo-petismo estaria claro que vivemos num estado próximo ao da emergência na questão da segurança, no qual nem o direito à integridade física merece respeito. E no abismo moral que Lula e seus companheiros jogaram o país, acho bem difícil convencer o guarda do prefeito sobre os nossos direitos.
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POR José Pires

Cuidar do local para ser global

O Brasil já teve um Crioulo Doido. Isso foi no tempo do Stanislaw Ponte Preta. Hoje o Brasil todo vai ficando doido. Nós temos em todo o país “prefeituras municipais”, esta abominável redundância desta pleonástica República, que é ainda mais engraçada porque de assuntos municipais é que os prefeitos não tratam mesmo.

Se elegem prometendo ações até para acabar com o aquecimento global e seguem nesta linha na prefeitura municipal. Vão cuidar da segurança, resolver o problema do desemprego, da industrialização, mas os assuntos municipais mesmo, coisas como buraco de rua, mato alto, lixo, posto de saúde, plano diretor, transporte público, manutenção dos bens públicos, essas coisas municipais recebem pouca ou nenhuma atenção.

E é óbvio que não cuidam também do aquecimento global. Vejam como está o planeta, apesar de tanto esforço dos "prefeitos municipais".

Uma frase muito falada e identificada em muitos autores — o mais citado é o grande Alexei Tolstoi — é aquela que diz "cante sua aldeia para ser global". É, pois então cuide dela também.

Mas o fato é que os problemas locais não têm encaminhamento conseqüente. E quando ocorrem desastres graves advindos da incompetência e descaso, como deslizamentos com mortos e feridos, enchentes que matam e desabrigam, e outros dramas urbanos que já são parte do cotidiano do brasileiro, então surgem as lorotas que mantêm o assunto fora da questão central: a necessidade de cuidar do básico.

A chocante tragédia de Niterói, ocorrida há menos de dois meses, com mais de cem mortos e sete mil desabrigados, aconteceu porque as vítimas viviam sobre um antigo lixão. É simples assim. E o prefeito da cidade, Jorge Roberto Silveira (PDT), nem sabia que aquela localidade havia sido construída sobre um aterro. Pelo menos foi o que ele disse. E temos que ficar com sua palavra, mesmo sabendo que numa situação dessas alegar incompetência é muitas vezes a única saída.

O prefeito culpou as chuvas, falou do tsunami na Ásia (sic), do terremoto chileno (sic, de novo), mas na minha visão a causa tanto de um problema deste tipo como de questões cotidianas que infernizam a vida nas cidades brasileiras é que o prefeito municipal... não é municipal.

Basta dar uma passeada na rua para notar que ninguém está cuidando das questões básicas. Mas como fazer isso em um país em que o nosso presidente da República cuida dos problemas nucleares do Irã, resolve o problema da fome na África e dá uns pitos em Israel?

O desemprego é a grande moeda eleitoral dos nossos dias. Ora, todo mundo sabe que esta é uma questão estadual e, em um plano mais efetivo, um assunto que só anda bem com as ferramentas do Governo Federal.

Mas os nossos prefeitos estão à toda na luta contra o desemprego. Primeiro o da própria família e apaniguados, é claro. Mas se metem também a resolver em suas cidades este grande problema da atualidade.

E o que fazem é enfiar os municípios em guerras fiscais desenfreadas, fatiando e entregando terrenos públicos e abrindo mãos de impostos, isso quando a própria prefeitura não entra com capital público para atrair empresas. Entregam tudo, inclusive sem contrapartidas ambientais ou de infraestrutura pública.

O resultado é que mesmo quando aparecem os empregos, no cálculo final é o próprio município que paga a conta. Quando não é o estado e o país que acabam arcando com custos que, muitas vezes afetam não só os cofres públicos como também agridem a saúde humana e arrasam o meio ambiente, problemas crônicos que o dinheiro pode apenas amenizar.

Mas de qualquer forma a conta sempre é bem alta também para as prefeituras. E municípios, todos sabemos bem, ainda não contam com máquinas próprias para a impressão de dinheiro.
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POR José Pires

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Sala de leitura

Lula fala, a gente escuta e comenta. Fazer o quê, não? Afinal, ele é o presidente da República.

Hoje no Ceará ele disse o seguinte, sobre o dossiê contra o pré-candidato José Serra: "Olha, com todo respeito que tenho a vocês [jornalistas] e por todo respeito que eu tenho a mim, eu tenho coisa mais séria para fazer do que discutir dossiê do PSDB. Eu conheço essa história do dossiê do PSDB. Eu não falo disso porque a matéria que falou do dossiê é uma coisa tão absurda que se algum de vocês parasse trinta segundos para ler o dossiê, vocês falariam: é mais uma armação que está em jogo".

Bem, de livro ele já confessou que não gosta. Mas a frase dá a entender que entre uma esteira de ginástica e um dossiê, ele fica com o último.
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POR José Pires

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sem vergonha de ser feliz

Feliz como o PT no lixo

O PT é um partido que define-se muito bem com a frase que o sambista Jamelão tornou famosa nacionalmente no ano da visita do então presidente Bill Clinton à escola de Samba Mangueira, no Rio. Jamelão observou que Clinton estava “feliz como pinto no lixo”.

E quem pode resistir à paráfrase que isso pede? Na realidade, na política o certo é "feliz como um petista no lixo". É assim que eles eram na oposição. No poder, não mudaram nada.

O PT gosta de fazer propaganda da sua coragem de ser feliz. Mas o contentamento sempre é maior quando estão como pinto no lixo. O prazer é tamanho que estão sempre tratando de fabricar lixo, como aconteceu agora e têm acontecido nesses anos todos.

O combustível da sujeira aciona a máquina da conquista do poder e serve também para o projeto de perenizar-se no governo.
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POR José Pires

O petista falsificador do Twitter

A alegria é geral entre os petistas, mas uns se destacam mais neste contentamento, como é o caso do deputado paranaense André Vargas, que mostra um deslumbramento notável nesta política de ciscar no lixo. Vargas é um caso notável dos 15 minutos de fama predito por Andy Warhol e hoje muito comum na política brasileira. Ele é o mais famoso desconhecido da hora. Foi alçado do anonimato do baixo clero para um cargo de ressonância nacional na campanha da candidata do Lula.

É secretário de comunicação do PT nacional. E isso explica muita coisa, a começar pela cada vez mais baixa estatura de capacidade dos quadros do partido, até a queda política forçada pelos descaminhos que a subida ao poder impôs às questões programáticas do partido.

Neste episódio do dossiê contra o pré-candidato José Serra, Vargas apareceu com a frase que melhor define o velho estratagema petista de acusar a vítima. “Serra se comporta como aquele que bate a carteira e sai gritando: pega ladrão!”, disse Vargas.

Quando o nível do debate político é este, dá pra imaginar o que vai pelos bastidores. É bobagem achar que existe motivo para ter medo de ser feliz. Para quem se alegra em ciscar no lixo, material é que não deve faltar.

O dossiê contra Serra derrubou da campanha de Dilma o jornalista Luiz Lanzetta, mandou para casa o coordenador e amigo da candidata, Fernando Pimentel, mas os petistas insistem na tática de acusar quem teve o bolso surripiado.

O estilo é o homem. Na semana passada, tentando antecipar uma denúncia contra a TV Globo, o deputado Vargas, espalhou em sua página no Twitter o boato de que a emissora iria cancelar a divulgação dos resultados da última pesquisa do Ibope para atender o interesse de Serra.

Uma nota escrita pelo em seu Twitter: "Corre o boato que a GLOBO vai cancelar a divulgação do IBOPE.Será que o resultado realmente foi desfavorável ao Serra?"

Depois que a TV Globo divulgou a pesquisa em seu noticiário, Vargas apagou as todas mensagens com referência ao assunto.

É a falsificação do Twitter. E o que pode parecer um detalhe, na verdade é bastante relevante. Se for seguido o exemplo do deputado petista, esta nova ferramenta de comunicação vai à falência. O Twitter exige que haja um respeito às mensagens postadas. Esse tipo de manipulação quebraria a base mais significativa do sucesso deste novo meio: a credibilidade. Não deixa de ser parecido com o que tem sido feito com a política.
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POR José Pires

Uma coisa leva à outra

A imprensa tem feito uma má cobertura dessa eleição, que começou antecipadamente e de forma ilegal, por força de ações políticas do próprio PT e do presidente Lula, com um uso da máquina pública como nunca se viu neste país. Os jornalistas deviam ir atrás de outras pistas, além das que o PT solta para desviar a atenção de problemas reais.

Deviam ser seguidas também as pegadas de políticos emergentes, como o deputado Vargas e tantos outros. A ascenção abrupta de um André Vargas, do baixo clero à escala mais alta do poder partidário e eleitoral, explica o destino do PT na mesma medida da queda de outros políticos de seu partido.

Alguns, como Fernando Gabeira, saíram faz tempo pelo fato de não gostarem de ciscar no lixo. Outros foram ao pó abatidos pelas rasteiras internas e desacertos com os rumos impostos no partido e no governo pelo poder central. É o caso de Patrus Ananias, que foi durante sete anos responsável por um dos ministérios mais importantes de Lula, o do Desenvolvimento Social, a pasta do Bolsa Família.

Patrus Ananias vem sendo aplastrado desde sua saída de um ministério da mais alta importância política e a imprensa parece nem tomar conhecimento. Seu trabalho político de tantos anos foi para lixo na política de Minas Gerais.Este tipo de lixo também faz a alegria de certos pintinhos petistas. Na política mineira, o PT local virou moeda de troca no amplo comércio eleitoral para eleger Dilma.

Que a imprensa não aprofunde a cobertura dessas eleições, indo atrás desse e de outros casos, explica não só o sucesso do lulo-petismo (em eleitores) como também o insucesso da imprensa (em queda de leitores).
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POR José Pires