
Estou falando do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, o político que foi buscar uma mala cheia de dinheiro com Ricardo Saud, diretor da JBS. A entrega do dinheiro foi flagrada pela Polícia Federal, que até filmou Loures em uma corridinha pela calçada, levando a mala até o táxi. A cena é totalmente absurda até para o Brasil, pois junta elementos demais como prova da sem-vergonhice em que meteram o país. Rocha Loures, que é suplente, havia assumido no lugar de Osmar Serraglio, então no Ministério da Justiça. O homem da mala era também pessoa de total confiança do presidente Michel Temer, de quem inclusive havia sido assessor na vice-presidência. Até assumir o mandato, ele era Assessor Especial do Gabinete Pessoal da Presidência da República.
É muita coisa para um carregador de mala, não é mesmo? Mas não é isso que acho espantoso demais neste caso. O que me surpreendeu e dá até um certo mal estar foi saber neste final de semana que depois de pegar a propina com o diretor de JBS, Rocha Loures foi de táxi até a casa de seus pais, onde deixou a mala. Foi o “Fantástico” que descobriu isso, o que tem tudo a ver com o nome do programa. Mais fantástico ainda, a mala foi escondida no armário da mãe de Rocha Loures, segundo a PF. Vejam só: o sujeito envolveu a própria família numa das maiores sujeiras da história recente do país.
O ex-deputado é de Curitiba, no Paraná. De família tradicional, é filho de Rodrigo Costa Rocha Loures, conhecido empresário brasileiro, fundador da empresa Nutrimental e presidente por duas vezes da FIEP, federação de indústrias do estado. Dá para imaginar como a revelação do envolvimento com corrupção deve estar pesando para a família do ex-deputado, ainda mais pelo lance grotesco dele sendo filmado dando uma corridinha puxando uma mala cheia de dinheiro. O despropósito já era tanto, que parecia ser o máximo em degradação. Mas ainda tinha mais essa, da mala escondida na casa dos pais, logo no armário da mãe, o que vem comprovar que em matéria de absurdo não se deve subestimar a realidade brasileira.
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POR José Pires
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