O que faz num negócio desses um chef que ganhou fama e respeito em todo o mundo em razão de conceitos culinários que são o oposto do interesse de uma imensa indústria da área de alimentos? É óbvio que não pode ser pelo sabor diferenciado do que a Sadia (ou Perdigão, tanto faz) tem a oferecer e nem pelo cuidado e a relação cultural e até mesmo espiritual com o que vamos colocar na mesa. Olivier deve ter aceitado fazer a propaganda em razão de estímulos muito maiores. E com certeza o abandono de suas convicções anteriores teve uma boa compensação, porque sendo um conhecedor de comunicação ele sabe que depois dessa tornou-se um produto novo na praça. A Sadia continua a mesma, ainda que tenha ganhado seu tempero, mas ele sofreu uma transformação. Não é mais o simpático chef que transmitia de forma agradável e criativa muita informação de grande qualidade sobre o cuidado com o que devemos comer, com a habilidade e a criatividade bem próprias dele, com aquele jeito de garotão, naquele formato anterior que tratava a culinária como uma arte e não um pacote industrial.
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POR José Pires
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