
É também espetacular a
participação da deputada Clarissa Garotinho nessas cenas de filme trash, quando
ela protesta aos gritos. Uma de suas falas é sobre o medo do pai sofrer alguma
violência na cadeia. Ela grita que "querem matar ele lá", o que me
parece um exagero. Ao contrário da maioria dos brasileiros, que sofrem o diabo
numa prisão mesmo por um delito menor, tipos como Garotinho recebem um
tratamento diferenciado, às vezes até com privilégios impossíveis de serem
obtidos se por um detento sem poder político e bastante dinheiro. Em nosso
país, os ricos e poderosos tiveram sempre esse tratamento diferenciado. E isso
no caso de serem presos, é claro, até agora uma situação raríssima de ser
enfrentada por quem tem dinheiro.
É verdade que uma passagem
pelas cadeias do Rio de Janeiro é mesmo pra se aterrorizar, por menor que seja
o período de cana. No entanto, é verdade também que o ambiente de terror dos
nossos presídios e de responsabilidade de homens como Garotinho, no caso
dele um autor direto desse horror. Uma boa medida para dar uma relativa
qualidade aos nossos presídios, ao menos num padrão de dignidade longe do clima
medieval de hoje em dia, seria acabar com prisão especial ou qualquer outro
privilégio. O ex-governador Cabral, por exemplo, está em prisão especial para
quem tem curso superior. E se todo mundo fosse obrigado a ficar preso nas
mesmas condições, inclusive políticos pegos em corrupção? Bem, se fosse assim
em pouquíssimo tempo nossas cadeias iriam chegar a um padrão de deixar até
suiço envergonhado com as cadeias deles.
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POR José Pires
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