
A conversa de que "haverá movimentos sociais, e isso pode criar uma instabilidade", outra coisa que Temer disse na entrevista, é só isso mesmo: conversa. É lorota antiga, que já teve tempo de ser testada. Os petistas sempre disseram que botariam pra quebrar se mexessem com líderes do PT. Pois foram caindo um por um, com toda a cúpula do partido indo em cana, sem que nada tenha acontecido. E nem dava pra eles fazerem algo de espetacular, como sempre foi o tom da ameaça. Já ficou comprovado que é lorota a ameaça petista de colocar a militância nas ruas ou acionar o "exército do Stédile", como já ameaçou o próprio Lula. Nunca houve força de fato para por em prática essa intimidação e Temer sabe muito bem disso, afinal durante anos ele teve oportunidade de avaliar por dentro o vigor do sistema petista.
Temer está querendo só defender sua própria situação, que pode ter menos complicações se Lula não for pra cadeia. Sua fala é a de quem quer ficar numa boa com Lula e como o petista está metido no maior esquema de corrupção que já houve neste país, não tem como a gente não desconfiar de que tem treta nessa boa vontade. E afinal, ninguém duvida que Lula é um homem que sabe das coisas. Na semana passada o site O Antagonista trouxe uma novidade que pode ajudar a entender melhor esta questão. Temer estaria mantendo o petista Jorge Samek como diretor-geral da Itaipu Binacional para preservar um grupo dentro do PT. Segundo O Antagonista, a manutenção de Samek "faz parte de um acordo de Michel Temer com Lula para garantir a um setor do PT o acesso aos cofres da estatal". Se ficar até o final do governo Temer, ele completará 15 anos no cargo.
A Itaipu é um dos maiores orçamentos da América do Sul e já foi abrigo de petistas graúdos, como a senadora Gleisi Hoffmann, que foi diretora-financeira da empresa. Por sinal, quando saiu para disputar uma eleição para o senado em 2006, ela fez um arranjo para ser demitida e com isso ganhou R$ 145 mil em direitos trabalhistas. Samek é presidente da empresa desde o primeiro mandato de Lula, de quem é muito amigo, parceiro de tomar pinga juntos nos finais de semana. É óbvio que sua presença no cobiçado comando da Itaipu tem que ser garantida por alguma serventia política, qualidade que no seu caso só pode vir de laços com altas lideranças petistas, incluindo seu amigo Lula, parceirão de muitas décadas. A manutenção do "acesso do PT aos cofres" da Itaipu, como diz O Antagonista, pode ser decorrência da necessidade da manutenção do próprio Temer no cargo mais acima.
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POR José Pires
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