terça-feira, 13 de outubro de 2020

A soltura do narcotraficante e o liberou geral da corrupção e da impunidade

Em tempos de debate sobre currículos, o site G1 revelou que o currículo do ministro Marco Aurélio de Mello já tem pelo menos 79 presos que ele soltou baseando-se na mesma lei que favoreceu André do Rap. Como o levantamento conta apenas decisões publicadas pelo STF, excluindo processos em segredo de justiça, muito mais delinquentes podem ter sido liberados pelo ministro, mesmo porque como demonstra a rapidez com que soltou o perigoso narcotraficante, sua produtividade é enorme e ele parece ter apreciado bastante o artigo colocado traiçoeiramente no pacote anticrime. No generoso lote de habeas corpus, descobriu-se que havia até acusados por homicídio qualificado e tentativa de feminicídio.

Como se sabe, para soltar o chefe do PCC, o ministro do STF usou a lei sancionada por Jair Bolsonaro. Esse artigo que permite a soltura de bandidos foi um dos que Sergio Moro pediu que o presidente vetasse no pacote anticrime, quando ocupava o cargo de ministro da Justiça. Bolsonaro sancionou mesmo com o aviso.

O presidente não aceitou o alerta de Moro, que teve seu projeto deformado pela Câmara dos Deputados, com emendas como essa que permitiu soltar um bandido que já tinha duas condenações em segunda instância, outra bandeira política do ex-juiz federal. Se os deputados tivessem votado esta lei, André do Rap jamais sairia da cadeia.

E o ex-presidente Lula também não teria saído de lá se a lei não tivesse sido derrubada pelo STF por 6 a 5, em novembro do ano passado, claro que com voto de Marco Aurélio para acabar com um dos maiores medos dos corruptos deste nosso Brasil.

Este é um dos resultados nefastos do ataque pesado do PT à Operação Lava Jato e toda a campanha da esquerda que atingiu todo o país e teve até ações internacionais, para impedir o ritmo de maior rigor na aplicação da lei, que complicava a atuação dos corruptos neste país.

Com o plano orquestrado politicamente para libertar o chefão do PT e limpar sua imagem, criou-se um clima de pressão, com o achincalhamento do Judiciário e um ataque agressivo ao Ministério Público, que teve até procuradores e outras autoridades públicas com celulares invadidos por hackers

Mesmo que não fizesse parte do plano de soltar Lula e limpar sua ficha criminal, seria inevitável o efeito também na facilitação para criminosos comuns se safarem de punição, além dos artifícios absurdos criarem um clima de estímulo para os abusos da bandidagem.

Já faz tempo que venho apontando aqui que este seria um resultado perigoso do tal do “Lula livre!”, lembrando que as leis que a esquerda quer desmontar não são apenas para corruptos da política.

As mulheres da esquerda — muito descoladas com suas camisetas exaltando Lula e exigindo os culpados pela morte de Marielle Franco — que prestem atenção à soltura pelo ministro Marco Aurélio de acusados de homicídio qualificado e tentativa de feminicídio.

Não tem como estabelecer a justiça, se não for implantada a prisão em segunda instância — que não existe apenas no Brasil — e outras leis que punam o crime e atemorizem os violentos.

Não dá para ter bandido de estimação, privilegiando gente da esquerda com o status de perseguidos políticos, quando se trata apenas de ladrões do dinheiro público.

Essa história de “Lula livre!” acaba em “Chefão do PCC livre!”, com os benefícios estendendo-se também aos maiores salafrários da política brasileira, como é o objetivo do plano que agora junta a esquerda chefiada por Lula ao que há de pior no Congresso Nacional e que recebe também a adesão de Jair Bolsonaro e família.

O desmonte das leis obrigatoriamente exige um pacote, que acaba sendo completo, favorecendo corruptos de esquerda e de outras linhas políticas, tendo que servir também ao crime organizado. Para quem deseja apenas lacrar, aderindo a um marketing político de gente descolada que gosta de usar camisetas pretensamente criativas, pode ser que assim esteja muito bem. Pelo menos até virar vítima de sua própria idiotice.

Não é desse jeito que querem os que lutam para que a justiça se estabeleça de fato neste país, sem favorecimento para criminoso algum, não admitindo que se faça diferença entre bandidos da política e qualquer outro tipo de criminoso.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

Donald Trump e a direita que ganha poder usando como contraponto os equívocos da esquerda

Os políticos do Partido Republicano se articulam para aprovar a toque de caixa, como se diz aqui na terra do Zé Carioca, o nome de Amy Coney Barret para a Suprema Corte dos Estados Unidos. É óbvio que pretendem com isso dar uma mensagem de impacto eleitoral sobre objetivos práticos do voto em Trump. Os democratas reclamam, alegam que ao eleitor deveria ser concedido o poder desta decisão, mas isso não é verdade. Os republicanos têm no histórico a mesma alegação, quando impediram a nomeação de um juiz do Supremo no último ano do primeiro mandato de Barack Obama.

Claro que os republicanos mentiam, mas os democratas não deveriam se fazer de surpresos, pois afinal sabem ou não sabem que estão lidando com vigaristas? O Partido Republicano é hoje em dia uma mera sigla dominada por trapaceiros, com os políticos tradicionais do partido aceitando até a submissão a um forasteiro da política, este vigarista que apareceu apenas para ganhar mais dinheiro e arreganhar a economia americana ao deleite de seus amigos ricaços.

Trump não é nada mais que um reacionário, sem nenhuma base cultural ou qualquer doutrina, pessoal ou coletiva. Sua contribuição ao conservadorismo é paradoxal, pois tem feito mais que a esquerda para enterrar esta ideia, tornando-a um mero repositório confuso de temas polêmicos e escolhidos apenas pelo potencial eleitoral, com preferência pela facilidade na manipulação. Um conservador como Winston Churchill dizia que contra Hitler se aliaria até ao demônio. É provável que hoje em dia preferisse também o tinhoso do que aceitar certas figuras alegadamente conservadoras.

Vale qualquer coisa para esse tais “conservadores”, sem que o debate ou materialidade do objeto em discussão estabeleça de fato uma diferença de qualidade na vida das pessoas. Atualmente levantam a questão do aborto a todo momento — até nesta indicação de uma nova juíza —, mas pode ser que um dia apontem a unha encravada como um ponto determinante para as nossas vidas. Só depende de unha encravada dar voto.

Tudo bem, Donald Trump é um idiota com um discurso impactante em uma parcela de eleitores, com uma esperteza que já foi suficiente para dar-lhe um mandato. São falas e apenas isso, com temas desconexos que de modo algum se juntam organicamente para se compor em uma transformação real. É a cultura do desmonte, que espalha apenas ignorância. Claro que isso abalou o partido de Barack Obama, dos Clinton e lá de trás, de John Kennedy, mas como eu já disse, esbagaçou igualmente o conservadorismo na sua vitalidade filosófica, anulando seus valores efetivos.

No entanto, não existe vitória que não venha do contraponto ao vigor do adversário, que pode deliberadamente ser usado como alavanca ou ter este efeito como um desenvolvimento natural. É de onde surge a força desse tipo de aventureiro. O sufoco do Partido Democrata para derrotar um ogro como Trump vem de dificuldades criadas por eles próprios, com este mistureba de politicamente correto e desarmonia racial e de gênero, com ideias atravessadas que desestabilizam conceitos morais das pessoas sem trazer um sólido ponto de apoio para a mudança radical de comportamento. Eu os chamo de jacobinos do bem, sempre surpresos quando são suas cabeças que rolam, afinal não é justo que isso aconteça com progressistas.

Para espertalhões como Trump basta gritar contra a atrapalhação do discurso divisionista da esquerda na vida das pessoas, até porque esquerdistas atuam politicamente como se todos tivessem que aceitar com naturalidade mesmo as maiores mudanças. Usando este clima conturbado, políticos como Trump não precisam apontar nenhum caminho, até porque não sabem nem estão interessados para onde devemos ir.

A indicação de Amy Coney Barret é um lance dessa desconstrução, sendo que neste caso, independente de eu achar que não passa de mais uma movimentação intuitiva do espertalhão de cara alaranjada, foi uma tacada genial, que poderia inclusive servir para uma boa avaliação crítica das bobajadas perigosas da esquerda sobre conceitos equivocados sobre raça e gênero, que somos obrigados a aturar por décadas.

Uma mulher relativamente jovem e de cara amistosa, mas crente de ideias e posturas reacionárias é um golpe certeiro na visão equivocada da esquerda sobre questões de gênero e de raça, naquela batida muito chata e perigosa, que já deviam ter revisto com os anos de Margareth Thatcher no poder, de que a entrada da mulher na política ou em qualquer esfera de poder traz naturalmente com elas não só mais qualidade técnica e política, como essa fantástica revisão do desenvolvimento da humanidade será inevitavelmente progressista.

Bem, já faz bastante tempo que quando aparece na minha frente esta tola concepção sexista eu tenho que perguntar se afinal as mulheres não são seres humanos. No poder, já provaram que são, fazendo o melhor e o pior do que os homens já foram capazes, à esquerda e à direita. Amy Coney Barret, tendo do outro lado Kamala Harris, em breve estarão com bastante espaço para comprovar esta igualdade.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌

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Imagem; Em foto da assessoria da Suprema Corte, Trump anuncia a indicação de Amy Coney Barret, para atuar com sua sensibilidade feminina sobre as leis dos Estados Unidos


segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Marco Aurélio Mello e uma instituição onde o juiz pode errar à vontade

Sejamos francos: se o ministro Marco Aurélio Mello fizesse em uma empresa comercial algo parecido com a soltura do narcotraficante André do Rap, à essa hora ele já estaria demitido.

Com toda vênia, para Sua Excelência levar um pé na bunda bastaria a ordem de mandar soltar este chefe do PCC, sem que a empresa precisasse levar em consideração a porção de coincidências muito suspeitas que envolvem sua decisão, como, por exemplo, o fato do pedido para dar liberdade ao perigoso bandido ter sido feito pelo escritório de um ex-assessor de seu gabinete no STF.

Por atitudes muito menos danosas teve gente que arruinou-se profissionalmente, às vezes por uma mera bobagem escrita nas redes sociais ou por ter sido filmado fazendo alguma grosseria, o que já aconteceu inclusive com altos funcionários de grandes corporações.

Entre os mortais comuns, que labutam abaixo da casta inatingível do STF, a demissão ocorreria apenas por uma decisão como esta, que embora a falta de provas não permita dizer que foi criminosa nada impede de classificar como estúpida e grosseira.

Sem a proteção da toga que não honra, um motivo para a demissão de Marco Aurélio seria inclusive o dano causado à imagem dessa hipotética empresa, desgaste muito grave que, aliás, atinge a imagem do STF, onde nada deverá ser feito como punição ao ministro.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


sábado, 10 de outubro de 2020

Caetano Veloso ganha mais uma de Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho terá duas semanas para pagar uma multa milionária a Caetano Veloso, relativo ao famoso processo das acusações de pedofilia ao cantor. O escritor foi condenado por descumprir ordem judicial de apagar posts em suas redes sociais que difamavam o cantor. Não sou dos que acham que Olavo tem razão, mas dinheiro ele tem? Vai precisar de muita grana.

A multa é de exatamente R$ 2.930.373,28, em decisão da juíza Renata Gomes Casanova de Oliveira e Castro, da 50ª Vara Cível do Rio, que determinou a intimação de Olavo, nos Estados Unidos. Ele tem 15 dias para fazer o pagamento.

Essa encrenca milionária com Caetano Veloso já havia motivado reações estranhas de Olavo, em junho deste ano. Irritado com uma derrota no processo, ele fez críticas pesadas ao presidente Jair Bolsonaro e a aliados do governo, como Luciano Hang, dono da Havan. Em um vídeo bem pirado, Olavo chamou Bolsonaro de “covarde” e ameaçou derrubar o governo.

“Se as pessoas não conseguem derrubar o se governo, eu derrubo. Continue inativo, continue covarde, eu derrubo essa merda desse seu governo", ele deu o recado em seu estilo de costume. O dono da Havan, que aparece bastante com um terno verde-amarelo, foi chamado por ele de Zé Carioca.

Depois da bronca, Hang usou um grupo de empresários governistas no WhatsApps para tentar convencer colegas a ajudar o emburrado guru do Bolsonaro, mas não obteve sucesso. Foi tentado também o recurso de pedir dinheiro por meio de vaquinhas virtuais, mas isso também não funcionou.

Fui dar uma sapeada numa delas agora há pouco: de uma meta de 30 mil reais haviam arrecadado apenas R$ 1.232,00. Nesse ritmo será demorado juntar quase 3 milhões de reais para pagar o Caetano.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


Marco Aurélio Mello solta mais um bandido, mas dessa vez não foi da política

Marco Aurélio Mello mandou soltar um chefão do mundo do crime. André de Oliveira Macedo, o André do Rap, apontado pelo Ministério Público de São Paulo como um dos mais importantes líderes do PCC recebeu habeas corpus deste ministro da ala dos chamados “garantistas” do STF, que não se sabe muito bem o que significa juridicamente.

O que se sabe com certeza é que os tais “garantistas” garantem a liberdade de muitos bandidos, com especial atenção aos criminosos da política, que estão sempre sendo inocentados por esses tipos ou tem seus processos encaixados no ritmo moroso do Supremo, até a eliminação pela prescrição.

O chefão do PCC que conseguiu um habeas corpus concedido por Marco Aurélio Mello é condenado a mais de 25 anos de prisão. Ele foi preso em setembro de 2019, depois de uma ação brilhante da Polícia Federal que desbaratou um esquema internacional. O traficante tinha relações com a máfia italiana e controlava remessas de cocaína para a Europa a partir do Porto de Santos.

Não é a primeira vez que o ministro manda soltar um bandido perigoso. Ele tem no currículo a fantástica concessão de um habeas corpus para Tião Maluco, o assassino do jornalista Tim Lopes, morto no Rio depois de ter sido barbaramente torturado.

Marco Aurélio mandou soltar André do Rap, mas foi rigoroso sobre as regras que o chefão do PCC terá de obedecer em liberdade. “Advirtam-no da necessidade de permanecer em residência indicada ao Juízo, atendendo aos chamados judiciais, de informar possível transferência e de adotar a postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade”, afirmou o ministro do STF na decisão. Bem, como costuma dizer a rapaziada: então, tá.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


sexta-feira, 9 de outubro de 2020

O homem que acabou com a Lava Jato e suas complicações eleitorais

Jair Bolsonaro afirma que vai anunciar seus candidatos nas eleições municipais duas semanas antes das eleições. É mais um recuo, pois antes havia dito que ficaria neutro na eleição deste ano, o que politicamente não faz sentido para qualquer governante, ainda mais no seu caso, de um presidente que já quase no meio do mandato, para ter uma sustentação partidária própria ainda precisa construir tudo.

Bolsonaro não tem uma base sólida nem em Brasília, sequer conseguiu formar um partido, nem tem figuras de destaque nacional a seu lado. Ele perdeu todas as bandeiras de campanha que convenceram os eleitores na eleição presidencial, além de se transfigurar naquilo que foi demonizado por ele e os fanáticos que o acompanhavam na campanha passada .

Sobrou alguma proposta que Bolsonaro possa levar ao eleitor nas cidades brasileiras? Eu desconheço. Até com a corrupção ele já acabou. O sujeito é mesmo um fenômeno: fez isso em parceria com Ricardo Barros, Roberto Jefferson, Renan Calheiros e outras figuras notórias.

Francamente, acho difícil alguém querer ficar do lado do sujeito que se orgulha de ser o destruidor da Lava Jato. Neste caso, Bolsonaro vai disputar com Lula a conquista de seguidores. E por mais popularidade que ele tivesse como presidente, um candidato a prefeito ou a qualquer outro cargo também não terá uma grande vantagem com um apoio que, conforme anuncia, chegará apenas duas semanas antes da eleição.

Numa eleição, o candidato precisa de estrutura política e material, organização, entrada política na sociedade civil e até meios políticos para fustigar os adversários ou diminuí-los com críticas e comparações políticas. Isso leva tempo para ser construído.

Duas questões importantes da eleição passada, segurança pública e corrupção, permanecem na ponta como preocupação dos brasileiros. Bolsonaro só poderia ser um diferencial positivo nestas questões se levasse com ele o ex-juiz federal Sérgio Moro aos palanques nos municípios. Na companhia de Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Augusto Aras ou mesmo Kássio Marques, eu creio que ele teria dificuldade até de ser recebido no aeroporto mesmo por corruptos locais, que, como se sabe, preferem certas companhias apenas na obscuridade dos bastidores da política.

Bolsonaro não compreende sua situação política. Não tem a mínima capacidade intelectual e política para isso e carece também de experiência em liderança. Por três décadas a única coisa que liderou foi a lucrativa carreira de cada filho, que não tiveram uma boa gestão, conforme pode-se observar pelos avanços das investigações da polícia no rastro dos pacotaços de dinheiro vivo. Seu comando desastroso pode ser avaliado pelo tremendo prejuízo colhido exatamente no ápice da sua carreira, com os desmontes da base política com a qual poderia estabelecer um poder pessoal e solidificar a imagem construída na última eleição.

Falta-lhe até um partido, um complicador a mais nesta e nas outras eleições e que pode servir para demonstrar que é balela seu pretenso poder pessoal para arrebatar apoios. Não conseguiu criar uma equipe capaz de tocar uma estrutura administrativa e política para a construção partidária.

É impossível criar uma unidade de discurso, centrada na sua figura. Mesmo o que ainda restou dos militantes que deram sustentação à construção da sua candidatura está hoje pulverizado, com seguidores sendo obrigados a usar outra siglas até para disputar vaga de vereador. O seu “partido”, chamado de Aliança pelo Brasil, só tem nome e logotipo, por sinal muito ruins. Como partido, o tal do “Aliança” é nada mais que um fake news.

Ele não conseguiu nem juntar assinaturas para o registro do Aliança, algo que já foi feito até por políticos desprezíveis — como o dono do PSL, que ele foi obrigado a abandonar —, sem o alegado carisma desse que cada vez menos seguidores chamam de “mito”. É ridículo o número de assinaturas que Bolsonaro conseguiu. Com nove meses de campanha para tentar o registro no TSE, em período sem o desgaste político atual, recolheram 15.762 assinaturas consideradas válidas. Ou seja, 3,2% do total necessário para funcionar legalmente como partido, que é de 492 mil eleitores.

De tanto falar em Lula e no PT, parece que Bolsonaro passou a acreditar no mito da popularidade instantânea de Lula, na ilusão criada por petistas muito espertos de que basta Lula querer, para que as coisas aconteçam. Nunca foi tão fácil assim. O PT cresceu a partir de uma capilaridade muito grande, abarcando gradativamente sindicatos, muitos deles totalmente aparelhados para a batalha eleitoral, cativando o meio intelectual, artistas e parte fundamental da imprensa, associações civis e até movimentos sem constituição legal, uma máquina que servia não só para fazer crescer o poder do PT e fazer de Lula um mito, com também para fustigar adversários durante as eleições.

Jamais bastou levar Lula a um palanque para que ele decidisse a eleição com sua popularidade. Era preciso antes construir o palanque, criando não só a base de apoio como a artilharia contra candidatos adversários, nem que fosse enchendo os calçadões das cidades com as barracas de lona preta do MST na frente de bancos.

A condição hoje em dia de Bolsonaro é completamente diferente. O presidente não tem estrutura e ideário para dar sustentação a palanque algum. Achar que basta colocá-lo em cima de um caminhão para conquistar a vitória em algum município brasileiro é certamente uma história que, mesmo com sua incapacidade, nem ele leva a sério.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


Presidente da OAB faz as pazes com a família Bolsonaro

Na indicação do desembargador Kássio Marques por Jair Bolsonaro para uma vaga no STF um episódio tocante foi o do reatamento de relações entre a família Bolsonaro e o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

Santa Cruz anda trocando mensagens de WhatsApp com o senador Flavio Bolsonaro, filho mais velho do presidente, tendo recebido de Flavio uma mensagem com bandeirinhas do Brasil, agradecendo pelo elogio à indicação para o STF do desembargador, feita por seu pai.

No âmbito da conveniência de momento até entende-se a troca de amabilidades, afinal a entrada de Marques no STF pode atender a interesses diversos, com a disposição contrária do desembargador à Lava Jato, juntando com a possibilidade da presença de mais um juiz no STF atuando contra a prisão em segunda instância, cuja existência prejudica bons negócios de escritórios milionários de advocacia.

Já faz tempo que a OAB vem sendo tomada pelo espírito meramente corporativista, sobreposto ao seu papel histórico de respeito constitucional e da democracia, no entanto essa aproximação não deixa de ser um desrespeito com quem se solidarizou com a memória do pai de Santa Cruz, morto pela ditadura militar.

Há um pouco mais de um mês, Bolsonaro fez um comentário grosseiro sobre Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, estudante de Direito que desapareceu em 1974, preso por militares agentes do Doi-Codi, no Rio de Janeiro. Ele é pai do presidente da OAB, que reagiu com indignação e nisso teve toda a razão.

"Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, eu conto. Ele não vai querer ouvir a verdade. Eu conto para ele", disse Bolsonaro, em entrevista no dia 29 de julho.

Um comentário pesado como este certamente teria da parte de alguém com firmeza de caráter um posicionamento de dignidade mais duradouro, evitando aproximações com figuras do esquema político de quem fala um absurdo desses sobre um desaparecido pela ditadura, provavelmente torturado antes de ser assassinado pela repressão política da época.

Vejo isto como uma questão não só de respeito à vítima como de lealdade às pessoas e entidades que se solidarizaram com Santa Cruz quando Bolsonaro insultou a memória de seu pai.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


Jair Bolsonaro, Dias Toffoli e seus currículos

Servem como retrato da degradação da qualidade profissional do país os problemas de currículo do desembargador Kássio Marques, indicado para o STF por Jair Bolsonaro. Ora, em qualquer empresa séria ele já estaria fora, porque nem é necessário uma discussão técnica do que ele apresenta como provas da suas capacitação. Quem aceitasse dar emprego a alguém com o evidente comportamento imoral do desembargador estaria colocando em risco a qualidade de sua empresa em todos os níveis.

A menos, é claro, que esse hipotético empresário estivesse na situação dos que desejam Marques como juiz do STF, que depois de encontrar um sujeito à altura do nível que estão precisando no momento, nem procuram salvar as aparências. Juntam-se em festinhas particulares regadas a uísque, cerveja, churrasco e pizza, em confraternização de advogados e juízes, acusados e acusadores, todos festejando o escolhido de Bolsonaro que, diga-se, ainda não passou pela sabatina no Senado.

Neste tema do currículo, quem é que se salva? Não só nesses cargos por indicação como no geral das contratações do serviço público, o que ocorreria se houvesse em todo o Brasil uma rigorosa auditoria de verificação de capacidades? E nem vou falar de produtividade, no que o desembargador também é precário, do mesmo modo que acontece com tantos outros funcionários públicos. É óbvio que existe uma defesa mútua entre os incapazes, que bem de cima, das chefias.

É de se apreciar a alegria do encontro de lazer e negócios de Bolsonaro e Toffoli. No flagrante filmado por um cinegrafista do encontro entre Jair Bolsonaro e Dias Toffolli fica muito claro o entusiasmo de ambos ao se encontrarem. É o baixo clero se reconhecendo. O presidente gosta de usar a palavra “casamento” para falar de suas parcerias. Pois parece que temos, enfim, um casal perfeito.

Toffoli, que ainda há pouco era presidente do STF, serve para demonstrar em que nível baixíssimo de qualidade caiu o nosso país na capacitação técnica das nossas lideranças. E se esta questão não for colocada como referencial das dificuldades do nosso país para se levantar, então a avaliação não pode alcançar um resultado satisfatório, nem haverá solução efetiva.

No currículo de Toffoli constam compromissos fortes com o projeto de governo do PT, que serviram inclusive de forma negativa como material de propaganda da eleição de Bolsonaro. Acontece que no giro do oportunismo de Bolsonaro, forçado pela necessidade de proteção pessoal e da abertura a negócios futuros, os interesses se encontraram. Hoje em dia, Bolsonaro teria a maior satisfação dele mesmo indicar Toffoli para uma vaga aberta no STF, como esta criada com a saída de Celso de Mello.

E faria isso por motivos muito parecidos aos do então presidente Lula, quando o chefão petista — que chegou a ser preso por corrupção — o apontou para juiz do Supremo. Toffoli foi advogado do PT e advogado de Lula, tendo sido também subordinado de José Dirceu, ex-ministro petista condenado no mensalão e depois no petrolão, que teve o mandato de deputado cassado por falta de decoro. Toffoli foi fiel aliado dos petistas em seu projeto de poder, enquanto se organizava primeiro o esquema do mensalão e finalmente o do petrolão, descoberto pela Operação Lava Jato quando ele já estava sentado em uma cadeira no STF.

São implicações políticas graves, mas ainda tem mais coisas interessantes em seu currículo. Toffoli não poderia ser aprovado pelo Senado porque não cumpriu profissionalmente um requisito básico: saber jurídico. Chegou a ser reprovado por duas vezes em concurso público na magistratura de São Paulo. O ministro do STF tem até uma condenação no Amapá, onde ele e sócios em um escritório foram condenados em 2006 a devolver R$ 420 mil aos cofres públicos do estado. Mas claro que ele nem precisou disso em seu histórico profissional para ser indicado por Lula ao STF.

Bolsonaro é outro que tem um currículo demonstrativo de causas básicas da atual degeneração da produtividade em nosso país e da qualificação ridícula de nossos dirigentes. Para começar, o capitão foi excluído do Exército Brasileiro de forma oficiosa. Ele teve que sair, depois de muitas complicações, pelas quais ele até foi preso por indisciplina. Ficou preso por 15 dias e a punição só não foi maior “em virtude de ser a primeira punição do oficial”. Ele já era capitão quando foi parar no xilindró. Antes de ser obrigado a pedir a reforma, teve também o plano de explodir bombas em várias unidades da Vila Militar, na Academia Militar das Agulhas Negras, relatado pela revista Veja em outubro de 2008. Esta ação, que acabou não ocorrendo, era referente à reivindicação de aumento de salários de militares.

Entre os documentos de um dos processos a que respondeu no Exército, chama a atenção um perfil psicológico de Bolsonaro. Ele é classificado como agressivo e imaturo. Quando tenente, então com 28 anos de idade, ele "deu mostras de imaturidade ao ser atraído por empreendimento de garimpo de ouro”. Bem, não havia descoberto ainda as maravilhas do nióbio. Noutro trecho, afirma-se que ele “deu demonstrações de excessiva ambição em realizar-se financeira e economicamente".

Neste episódio, Bolsonaro juntou cinco colegas de armas, dois dos quais "estavam sob seu comando", para garimpar ouro. Não encontraram nada, mas responderam a um processo interno. De regresso, segundo depoimento de Pellegrino, ele se "retratou", mas teria "confirmado sua ambição de buscar por outros meios a oportunidade de realizar sua aspiração de ser um homem rico". Ora, o que se viu é que depois de deixar o Exército, o fracassado capitão redirecionou sua vocação, finalmente chegando aos meios para realizar sua ambição pela riqueza.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


terça-feira, 6 de outubro de 2020

As traições de Bolsonaro e as aflições de seus apaixonados seguidores

A revolta de bolsonaristas com a indicação de Kássio Marques para o STF tem lances de humor nas manifestações de decepção dos seguidores de Jair Bolsonaro. É um humor grotesco, na maioria das vezes muito tosco, que é muito próprio do bolsonarismo, mas só mesmo rindo para suportar tanta cretinice. Existem chefes políticos que exigem confiança cega, pois Bolsonaro vem pedindo aos bolsonaristas confiança, cega, surda e muda. E o mais incrível é que ainda tem quem aceite, inclusive bolsonaristas de destaque que mantém a fidelidade, indiferentes às facadas nas costas.

Bolsonaro não se dispõe a explicar o motivo da preferência pelo nome de Marques como novo ministro do STF que deve substituir Celso de Mello, mas procura enquadrá-la na categoria de decisão de grande sabedoria, de um valor estratégico que vai muito além do juiz “terrivelmente evangélico”, conforme havia prometido.

Kássio Marques parece mais uma escolha de Lula ou Dilma Rousseff, se forem levadas em em consideração as bandeiras políticas de propaganda de Bolsonaro, mas ele garante que o novo ministro fará tudo o que ele quer, inaugurando a exposição pública e explícita de indicados ao STF como paus-mandados do presidente que os nomeiam. O presidente também vem exaltando Marques de uma forma parecida ao que fazia com Paulo Guedes. Só falta chamá-lo de Posto Ipiranga.

Os bolsonaristas andam chiando um pouco mais do que nas outras traições de Bolsonaro, o que pode ser em razão de faltar muito pouco dos chamados valores de direita para ser largado para trás por aquele que eles idolatravam como a redenção do conservadorismo no Brasil. Todo mundo sabe que o critério da decisão de Bolsonaro é a blindagem dele e da família contra investigações em andamento e outras complicações que podem aparecer mais à frente, porém os bolsonaristas procuram evitar este assunto em suas considerações, mantendo a indignação coletiva naquele sentido costumeiramente evocado com espírito de seita, de forma boboca e sem fundamento, como um grupo ocupado em uma alta missão patriótica.

O interessante é que muitos resmungam, mas não rompem politicamente com o governo e também não deixam claro como se posicionarão para resolver uma divergência brutal entre a realidade atual e as expectativas da época em que levantavam nos ombros este sujeito desqualificado e desonesto aos gritos de “Mito!”. Em um comentário feito nesses dias por Olavo de Carvalho, naquele seu estilo filosófico em pílulas lançadas no Facebook e no Twitter, ele tentou explicar esse estranho comportamento de revoltas o tempo todo contra traições políticas, sem chegar a nenhuma conclusão objetiva, que é o que bolsonaristas fazem desde que passaram a ser implacavelmente enganados, depois de Bolsonaro ganhar a eleição.

O guru do presidente é um dos que ficaram muito irritados com a escolha do novo juiz do STF. Ele já andava bastante insatisfeito com o governo. Como se sabe, para Olavo o Brasil atualmente é uma ditadura comunista mantida por generais, que usam Bolsonaro como presidente direitista de fachada. Se não é uma teoria de conspiração das mais estrambóticas, então só pode ser a forma mais avançada de domínio comunista que já apareceu na face da Terra.

Olavo reclama continuamente das atitudes de Bolsonaro. Afirma que a opção do presidente para substituir Celso de Mello “é uma escolha de merda”, porém mantém-se como um Grilo Falante das redes sociais, um cúmplice no ombro do chefe com o nariz cada vez mais longo e que não lhe dá mais ouvidos. Sua explicação é que apesar das constantes traições de Bolsonaro a seus seguidores, ele continua a favor do presidente porque “a gente não consegue parar de gostar dele”.

Bem, não deixa de ser uma conclusão filosófica sobre o tema, embora o impagável guru tenha se apropriado de uma concepção antiga para teorizar sobre o motivo da falta de um rompimento: sua filosofia é a do corno manso.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Donald Trump com Covid-19: fake news ou doença de verdade?

Em tempos de pós-verdade não é possível acreditar que haja verdade alguma. O anúncio de que Donald Trump pegou a Covid-19 vem sendo colocado em dúvida por muita gente, com a suspeita de que seja uma armação sua para evitar os debates com o democrata Joe Biden.

Trump não foi bem no primeiro debate, sendo provável que sua situação piore a cada encontro com o adversário. Porém, muitos lembram que o fato do presidente americano não ter ido bem anteriormente nos debates com Hillary Clinton não evitou que ele ganhasse a eleição.

O que ninguém tem dito é que agora tudo é muito diferente, com improbabilidades que vão além do que já é conhecido em política, de que cada eleição é diferente da outra. De qualquer modo, seria melhor para Trump que não houvesse nenhum debate. Só Biden tem a ganhar em uma discussão direta.

E como não há dúvida de que Trump é um vigarista, cabe sim duvidar do anúncio de que ele está com a doença. Com a quarentena necessária ele já ganha fôlego político, escapando do próximo debate marcado para 15 de outubro.

Se não estiver mentindo, este já um benefício por ter sido contaminado, claro que se a doença não for grave. Falando nisso, se a contaminação for grave haveria uma vantagem ainda maior para para Trump. Calma, não estou desejando o mal para um ser humano, até porque já expliquei que não acredito no poder de emissão de energias, sejam negativas ou positivas.

Além disso, se Trump estiver com a Covid-19 em um estado mais grave, ele até pode ser beneficiado politicamente. O presidente americano poderia demonstrar que pelo menos uma vez na vida falou a verdade.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


Paulo Guedes, de Posto Ipiranga a ministro de segunda linha de Bolsonaro

Já faz tempo que Paulo Guedes vem sendo cobrado sobre os projetos necessários para fazer a economia brasileira avançar, com os consertos necessários ao que foi deixado de atrapalhações e coisas malfeitas pelos governos anteriores, especialmente no período do PT no poder.

Estou falando evidentemente de promessas eleitorais de Jair Bolsonaro na área da economia, feitas durante a campanha pelo próprio Guedes e que não se tornaram realidade depois dele assumir o Ministério da Economia, como ministro mais poderoso desse governo. Mas enquanto os número negativos explodem e as expectativas sobre a economia pioram cada vez mais, cadê os planos do homem que Bolsonaro dizia conhecer economia mais que ninguém na face da Terra?

Guedes se comporta de forma errada o tempo todo, dando entrevistas desastradas, quando arruma complicações com variados setores, inclusive com deputados e senadores. Não tem diálogo nem com o presidente da Câmara,  Rodrigo Maia, que já afirmou que não conversa mais com o ministro sobre assuntos econômicos. Não deixa de ser uma novidade interessante e até revolucionária, essa de um ministro responsável pela economia do país que não pode tratar do tema com o chefe do Legislativo. Mas duvido que dê certo.

O alegado Posto Ipiranga de Bolsonaro é o gênio da articulação política que recentemente classificou como “um crime contra o país” uma decisão do Senado impedindo que dinheiro da saúde fosse usado para reajuste do funcionalismo. Depois, ele pediu que sua fala não fosse “tomada como ofensa” por suas excelências. Ah, bom.

Esse é o Guedes, que sempre foi assim. Só quem não avaliou bem o histórico do ministro antes de ele aparecer do nada vai se espantar com este Guedes desarticulado, com dificuldade de expressão e fazendo as coisas de um modo que é possível perceber que ele não é nenhum Posto Ipiranga, nem uma Brastemp, nenhum instrumento que possa fazer a diferença no que Bolsonaro precisa para dar um jeito na economia, muito menos com o chefe tocando em paralelo um populismo de baixíssima qualidade moral.

Ah, a ilusão das soluções fáceis, como se fosse possível a criação de um governo com um populista doido no comando, enquanto um economista liberal vai cuidando do estabelecimento de uma administração eficiente, equilibrada nos gastos, com planejamento e abertura para o progresso com a iniciativa privada.

Elites que apoiaram Bolsonaro miravam o melhor dos mundos, com essa visão de um governo com seriedade na condução econômica, tendo na chefia um doidão que nada cobra da gente. Seria o progresso sem ordem, um desejo de consumo que parece ser o ideal de grande parte dos brasileiros.

Claro que a impossibilidade desse paraíso fica muito clara quando aparecem planos como esse, de uma assistência social turbinada com o calote no pagamento de precatórios e a retirada de dinheiro da educação, um arranjo inviável que Guedes afirma não ter nada a ver com ele, sem perceber que esta fuga da responsabilidade é a confissão de que não comanda mais nada de fato na economia.

Mas, como eu já disse, este é o Guedes, aquele que foi vendido na campanha como o gênio da economia que iria permitir um controle sobre o tresloucado capitão, mas que no final revelou-se como um fiel parceiro de gambiarras populistas que podem acabar fazendo das pedaladas de Dilma um exemplo de elevada responsabilidade com a administração pública.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌


A Covid-19 fortalecida no Brasil pelos erros e a má-fé de Bolsonaro

A responsabilidade direta de Jair Bolsonaro na desastrosa gestão federal do combate ao coronavírus pode ser medida na comparação com a visão de outras autoridades, primeiro, é claro, na sua confrontação absurda com Luiz Henrique Mandetta, enquanto ele esteve à frente do Ministério da Saúde. No livro escrito sobre esta convivência no começo da pandemia, Mandetta conta que viu o chefe ir adquirindo gradativamente todos os sintomas psicológicos de um paciente grave, de início com a negação da doença, a seguir passando a odiar o médico, até cair na ilusão da crença do milagre da cloroquina.

Bolsonaro tem sua credibilidade diminuída em cada paralelo, como ocorre na sua relação com governadores e prefeitos, contras os quais ele não só manifestou-se agressivamente desde o início da pandemia, como também praticou um boicote com o uso da máquina federal e atuando pessoalmente, criando aglomerações públicas e incitando a população contra dirigentes públicos com visão divergente da sua no combate à Covid-19.

Um comparativo que torna muito clara a responsabilidade de Bolsonaro com os trágicos números da pandemia no Brasil — já se aproximando de 150 mil mortes — pode ser feito com as ações do Supremo Tribunal Federal, que teve que agir para evitar que o presidente avançasse ainda mais em seus propósitos irresponsáveis de desestabilização do trabalho sério de contenção da contaminação feito por prefeitos e governadores. Em várias ocasiões, essas ações de Bolsonaro chegaram a configurar-se em ilegalidades, contidas de pronto pelos ministros do tribunal.

Este presidente de comportamento estúpido e de colossal ignorância até em noções básicas para o exercício do cargo só deixou de tentar concretizar ações ainda mais nefastas porque sentiu pela enérgica ação do STF que adentrava um terreno político muito perigoso e também pelo temor de sanções legais, sobre as quais é provável que tenha sido alertado por colaboradores próximos.

Bolsonaro não tem sensibilidade nem pelo sofrimento do próximo, sendo uma nulidade até para adquirir conhecimento empírico, no aprendizado trazido naturalmente com o passar dos anos, na experiência pessoal chamada de “escola da vida”, cujas lições ele parece ter cabulado em seus mais de 60 anos.

O presidente não teve sequer a capacidade de observar os efeitos trágicos do coronavírus em países europeus — assolados pela doença logo depois do vírus afetar pesadamente a China —, fazendo uma associação com a nossa condição, projetando o que poderia acontecer quando o vírus chegasse ao nosso país.

Um raciocínio nesta ocasião feito pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, ainda no estágio inicial da doença em território brasileiro, demonstra como já existiam dados e condições de tratar com segurança a questão, podendo servir também como referência da extrema incapacidade de Bolsonaro para o estudo e avaliação de situações essenciais para a segurança e o desenvolvimento do país, mostrando que ele é um sujeito que não serve nem para perceber perigos iminentes que colocam em risco a saúde de seus compatriotas.

Ainda no dia 18 de março, em sessão do Supremo, Barroso fez a seguinte explanação: “No vigésimo dia após os primeiros casos, a Itália tinha 3 diagnósticos confirmados. O Brasil já soma 291 confirmações. A conclusão é que o quadro aqui é pior que na Itália”.

A perspicaz avaliação em perspectiva feita pelo ministro foi no mesmo período em que Bolsonaro desmerecia os esforços dos que se preocupavam com o avanço da doença entre os brasileiros. Neste mesmo mês de março, este sujeito sem noção fazia suas piadas idiotas sobre um vírus mortal que já estava matando muita gente e abalando a economia na Europa, depois do horror ter começado na China.

Bolsonaro fazia pouco caso dos alertas sobre o perigo, minimizando o enorme risco, nesses mesmos dias em que Barroso já apontava como poderia ser grave o efeito da doença no Brasil, usando para sua equação acertada um registro de apenas 291 confirmações. No mesmo mês de março, o presidente zoava dos avisos sobre a necessidade de prevenção: ele chegou a garantir que o número de mortes no Brasil não passaria de 800.

É claro que tanto Barroso como Bolsonaro demonstraram completa segurança na própria capacidade, com projeções totalmente diferentes um do outro, também com divergência total sobre o que deveria ser adotado no enfrentamento da Covid-19. Pois a realidade aí está, como um fato inquestionável para que se compreenda o absurdo erro que foi a eleição desse sujeito para o comando do país.

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POR‌ ‌José‌ ‌Pires‌