
O resultado são cidades todas iguais, com a perda de suas marcas essenciais e até da paisagem. A sanha comercial acaba também com a ecologia urbana. Nada tenho contra transformações em área alguma, mas desde que elas não venham da forma que está acontecendo, impostas pela força da grana, por uma especulação imobilária idiota que derruba o que era uma base cultural e psicológica das pessoas, para substituir tudo por prédios horrorosos, que acabaram até com a qualidade anterior das moradias. E o toque irônico da especulação é que depois da demolição os maioriais das construtoras vão morar fora das cidades, em condomínios protegidos contra o que eles mesmos fizeram.
Mas voltemos ao Adoniran Barbosa, que tem muito a ver com o que estou falando. É um dos grandes compositores brasileiros, ainda mais importante pelo que deixou em sua músicas como referências da fala e do comportamento de uma época. É um dos artistas de que mais gosto, até pelo linguagem humorística, bastante marcante em sua obra. Eu ouço sempre, mas é claro que só posso fazer isso em casa, porque é raro neste país um lugar onde haja música de qualidade. E por que estão lembrando do Adoniran? Fui conferir e vi que é pelos 105 anos de seu nascimento. Bem, nada contra a recordação de um bom compositor, mas fora de uma data redonda a lembrança dá a impressão de uma mera referência ao que está esquecido de todos. Na semana que vem não se fala mais nele. E o chato é que o aniversário de 106 anos vai passar em branco. Esta é mais uma daquelas recordações súbitas que tornou-se comum na amalucada cultura brasileira. No Brasil, estamos sempre recordando por alguns instantes coisas essenciais na nossa formação, mas que sumiram totalmente do nosso cotidiano.
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POR José Pires
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