
O fato é que Bowie nunca teve grande presença em nosso país, ainda que seja conhecido por aqui. É claro que sua morte merecia ser manchete. Bowie era tão hábil como artista pop que criou até seu próprio epitáfio em forma de clip musical. Morrer logo depois, ainda que tenha sido involuntário, deu o toque final na obra. Mas mesmo assim achei estranho a tremenda fascinação que de repente a imprensa passou a demonstrar por ele, uma paixão sem referência anterior na cobertura que vinha sendo feita na área da cultura. Em muitos lugares foi do BBB pro Bowie, nesta mixórdia que é hoje em dia a nossa internet.
É o que se chama forçar a barra. Sem conexão com o que vinha saindo antes, nunca poderia haver de forma alguma referência de sua importância, da mesma forma que ocorre com tantos outros assuntos que surgem de repente na frente do desassistido leitor brasileiro. Tem sido sempre assim, de uns tempos para cá, numa atitude jornalística que ficou mais marcante na passagem do impresso para a internet. Ainda que se faça algum esforço para contextualizar assuntos que surgem de repente, falta sempre um vínculo sólido com o que vem sendo publicado. Algumas figuras caem do nada, às vezes na hora da morte, como foi com o Bowie.
Sabe-se que o morto é ilustre, mas quem era ele mesmo? Ficamos cercados de material sobre o finado, que pouco aparecia anteriormente em publicações ou sites brasileiros, hoje tomados por uma grande quantidade de material sem qualquer preocupação editorial que dê uma unidade aos veículos. É uma boa forma de ler bastante e não tomar conhecimento de nada.Agora foi com David Bowie, mas logo pode ocorrer com outra personalidade, sempre com a possibilidade da desaparição de qualquer um deles depois do breve féretro midiático. Este é o resultado de uma comunicação tomada pela incoerência e a falta de sentido, como a que vem sendo produzida no Brasil. Passamos todo o tempo vendo fantasmas, às vezes até em 12 capas diferentes.
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POR José Pires
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