
Lula ficou com a imagem de um político do mais baixo nível, chefiando negociatas com o dinheiro público e fazendo política para ganhar presentes de donos de empreiteiras. E o mais chato é que até nisso falhou. Ninguém mais o respeita. E pelas conversas de seus comparsas vazadas na imprensa percebe-se que mesmo entre eles não dão valor para o chefão do PT. E quem diria que uns tempos atrás relacionava-se Lula ao "poderoso chefão", do filme de Coppola. Agora, nem como piada. Mesmo na relação entre malfeitores da política Lula não soube se fazer respeitar. É o velho problema da dificuldade dele para se instruir. Aquela dificuldade de encarar um livro, conforme confissão dele próprio, feita em tom de gozação a quem se empenha em aprender. No entanto, nem era preciso o esforço da leitura. Bastava ele ter prestado atenção ao Marlon Brando em "O poderoso chefão". É um filme com muitas lições sobre o tema. Talvez ele evitasse o rebaixamento lamentável a uma condição na qual não tem o respeito nem dos parceiros. Nas conversas divulgadas pela TV Globo, o senador Renan Calheiros tem com Sérgio Machado o seguinte diálogo:
"MACHADO - E o Lula, Renan, durante [inaudível] um tempo não fez. [...] Quando chegou no final do governo...
RENAN - Veio, caiu na real.
MACHADO - ...botou na real. Aí [inaudível] umas besteiras, como a Marisa diz, besteira. Ele tem 30 milhões em caixa. Como é que não comprou um apartamento, uma porra [inaudível]. Porra, umas merdas, um sítio merda, um apartamento merda.
RENAN - Apartamento bancário!
MACHADO - De bancário, deixa o cara decorar...
RENAN - Da Bancoop.
MACHADO - Duzentos metros quadrados, Renan. Quer dizer, foi uma cagada enorme, e aí ele se fodeu."
Isso é o que sobrou da imagem de Lula, com a destruição feita por ele mesmo do mito construído pela propaganda. O chefão sofre a chacota até de quem estava sob seu comando. Como eu disse, a situação é bem diferente daquela do outro chefão, o do filme protagonizado pelo genial Marlon Brando. Quanta coisa o petista perdeu de aprender com este filme, sendo uma delas o distanciamento do chefão de todas as ações que comandava. O "padrinho" não se rebaixava. Nada de "apartamento bancário", como disse Renan Calheiros. Mas agora é tarde para o Lula, que na sua derrocada não pode seguir sequer a lição de Don Corleone, num aperto que ele dá no ator Johnny Fontane, que fazia mimimi por ter perdido o papel num filme. É uma das grandes cenas. Ele dá uns tabefes em seu protegido e manda que ele seja homem e não chore. Mas pelo que o Sarney disse, o Lula já abriu o berreiro.
.........................
POR José Pires
Nenhum comentário:
Postar um comentário